RESÚMENES GRUPOS DE TRABAJO

GT1. “OTRAS” LENGUAS Y SUS HABLANTES: LECTURAS ETNOGRÁFICO- ANTROPOLÓGICAS

Coordinadores:

Mgter. Carolina Gandulfo. UNNE/ Instituto Superior San José; carogandulfo@yahoo.com.ar

Dr. Wilmar D ́Angelis. UNICAMP/Instituto de Estudos da Linguagem; dangelis@unicamp.br

Comentarista: Dra. Virginia Unamuno. CONICET/UBA; vir.unamuno@gmail.com

 

Usos lingüísticos e interacción

 

DIAGNÓSTICO DA SITUAÇÃO SOCIOLINGÜÍSTICA ENTRE OS KYIKATÊJÊ

Costa, Lucivaldo Silva da (UNIFESSPA)

Sompré, Concita Guaxipiguara (UEPA

 

Este estudo apresenta um diagnóstico da situação dos usos linguísticos das línguas portuguesa e indígena na comunidade Kyikatêjê, na terra indígena Mãe Maria, localizada no km 25 da BR 222, município de Bom Jesus do Tocantins, no sudeste do Pará, numa área de 62.4888,4516 hectares. O Kyikatêjê é uma das variedades dialetais da língua Timbira, a qual é filiada à família Jê, tronco Macro-Jê (cf. RODRIGUES, 1985). O propósito deste trabalho é investigar os usos que os falantes fazem das duas línguas presentes na comunidade e mostrar em quais circunstâncias lançam mão do code switching e que sentimentos têm com relação ao uso de uma ou de outra língua. Descrevem-se os domínios de comportamento linguístico - como a escola, a família, as cerimônias, a administração, etc. -, o tópico conversacional dentro dos domínios, a relação estabelecida entre os interlocutores, o local da interação, dentre outros fatores (cf. FISHMAN, 1972) e mostram-se os usos linguísticos que os falantes fazem tanto da língua Kyikatêjê quanto da língua portuguesa dentro desses domínios. Pretende-se, a partir de um mapeamento dos diversos contextos de uso dessas línguas, pensar em metodologias de ensino e aprendizagem que promovam o uso da língua Kyikatêjê nos diversos espaços de interação social na aldeia, a fim de contribuir com reflexões que motivem e empoderem os professores indígenas para produzir materiais que subsidiem o aprendizado de ambas as línguas nessa comunidade

Palavras-chave: Língua Kyikatêjê; Code Switching; Ensino e Aprendizagem;

 

           

 

 

 

 

INTERACCIONES  SOCIALES EN RELACIÓN A LA ORALIDAD EN UNA COMUNIDAD DE HABLA GUARANÍ PARAGUAYO.” PARTIDO DE LA PLATA.

Luciana Rezzónico  (Lic. en Comunicación Social)

                Carolina Farias (Educadora  comunitaria) 

                Lila Scotti ( Prof. Cs de la Educación)

 

Se trata de una investigación etnográfica que  focaliza en las interacciones y lo usos  sociales  del guaraní en  una comunidad de habla constituida por grupos de familias y vecinos oriundos  de Paraguay quienes   residen actualmente  en un paraje rural del partido de La Plata (El Peligro-Abasto).

La vitalidad del guaraní, entendido y diferenciado por los propios hablantes como “eté” y como “yopará”, en sus relaciones cotidianas nos lleva a preguntarnos  por cuáles son aquellos aprendizajes sociales   que  se  producen entre adultos , entre adultos y niños y entre niños y niños en los cuales se aprende el guaraní y se resignifican las identidades; nos preguntamos ,  sobre el lugar que ocupa la oralidad y  sobre la importancia  que tiene la escrituración del guaraní y del castellano en las prácticas sociales.

Palabras claves: interacciones sociales – comunidad de habla – guaraní –            representaciones – mundos de vida.

 

 

UN ACERCAMIENTO A LAS PRÁCTICAS DE LA ORALIDAD VINCULADAS A LA FILOSOFÍA DEL LIDERAZGO ENTRE LOS CHANÉ DEL NOROESTE ARGENTINO

María Agustina Morando (CONICET-UBA)

 

La oratoria cumple un papel fundamental entre los grupos guaraní hablantes de Sudamérica. En efecto, diversos son los tipos de liderazgo vinculados a la oratoria que, a través del discurso, transmiten mensajes relacionados con la historia, con los mitos y con los valores culturales. Teniendo esto en cuenta, en esta ponencia se analizará específicamente la importancia de los oradores y de su discurso en la organización política chané, grupo guaraní hablante del Noroeste argentino. El abordaje que se propone aquí pretende comprender el contexto social de producción de esos discursos y la manera en que estos se asocian con los distintos tipos de liderazgo. Estos textos orales son emitidos dentro de un espacio social y cultural específico que es preciso tener en cuenta. Por ello cobrará una gran importancia en este punto analizar la problemática del bilingüismo y los diferentes usos que los distintos tipos de liderazgos hacen tanto del español como del chané.

Palabras clave: prácticas de habla, bilingüismo, oratoria, liderazgo, chané

 

 

 

 

 

ONOMÁSTICA E TRANSMISSÃO DE NOMES PESSOAIS: ANÁLISE DE UM ATO DE FALA KRAHÔ

 

Maxwell Miranda (Universidade Federal de Mato Grosso)

Letícia Jôkàhkwy~j Krahô (Universidade Federal de Tocantins)

 

As sociedades Jê do Brasil central caracterizam-se por apresentar complexos sistemas de organização social e ritual (Levi-Strauss 1982; Maybury-Lewis 1979). Essa complexidade reflete-se também na onomástica, sobretudo na antroponímia, com respeito às regras e aos modos pelos quais os nomes pessoais são transmitidos aos membros nascidos no grupo. Melatti (1976) apresenta e analisa os princípios socioculturais que regem a transmissão dos nomes pessoais na sociedade Krahô, oferecendo-nos informações substanciais para compreender a complexa rede de relações sociais e rituais, às quais os nomes pessoais se associam. O presente trabalho tem como objetivo analisar o evento de transmissão de nomes pessoais como um ato de fala em uma perspectiva pragmática (Austin, 1990). Além disso, oferecemos uma descrição e análise linguística de alguns nomes pessoais krahô, que se distribuem em uma das metades Wacme)jê e Catàmjê, e mostraremos também como alguns deles associam-se a personagens em ritos específicos, como a festa jàt jõpü)(tora da batata). A relação entre nome pessoal-personagem foi discutida por Melatti (1976), de acordo com o qual a sociedade Krahô “seria constituída por um conjunto de personagens que, tais como os do teatro, seriam eternos, fadados a repetirem sempre os mesmos atos. Os atos e as relações desses personagens seriam somente aqueles transmitidos junto com os nomes pessoais” (p. 146). Pretendemos com esse trabalho destacar o papel que os nomes pessoais exercem na sociedade Krahô, bem como a relevância que eles têm na manutenção e realização de alguns de seus principais ritos.

Palavras-chaves: onomástica, antroponímia, ato de fala, Krahô, Jê. 

 

 

O SENTIDO METAFÓRICO EM ÑE’ENGA NO GUARANI PARAGUAIO

 

Hemerson Vargas Catão - UFGD

 

Este estudo tem como objetivo apresentar uma análise das construções de sentido metafórico em ñe'ẽnga, ditos populares usados no Paraguai pela população usuária da língua Guarani, esta geneticamente classificada como membro do sub-ramo I da família Tupí-Guaraní, conforme Rodrigues (1984/1985). Este trabalho está fundamentado na abordagem teórica da semântica cognitiva, tendo como principais representantes Lakoff & Johnson (1980), Lakoff (1987) e Johnson (1987), Sweetser (1990) e Heine et al (1991) e Cançado (2005). Destacamos neste estudo o caráter cultural evidenciado nas metáforas encontradas nos ñe'ẽnga, principalmente no que diz respeito a figura da mulher na visão machista difundida pelos ditos populares selecionados, assim como a visão preconceituosa do artista, do indígena e do intelectual. Os ñe'ẽnga presentes neste trabalho fazem parte da coleção Arandu Ka'aty Ryrumi, organizada por Ramón Silva e publicada no jornal Diario Popular: el diario que mas gente lee, no ano de 2002.  

Palavras chaves: Língua Guarani; Ñe'ẽnga; Metáfora.

 

 

AS ESCRITAS E OS CAMINHOS LAKLÃNÕ/XOKLENG

 

Lays Cruz Conceição. Doutoranda – Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal de Santa Catarina (PPGAS/UFSC); Bolsista CNPq.

 

Este trabalho problematiza a noção de escrita e suas potencialidades a partir da experiência atual dos Laklãnõ/Xokleng da Terra Indígena Laklãnõ no Alto Vale do Itajaí no estado de Santa Catarina, região sul do Brasil. Este povo tem demonstrado grande preocupação com sua cultura e costumes, em especial, com a situação atual do idioma nativo. A busca pela educação superior desperta sentimentos e valores específicos que conectam as trajetórias indígenas pessoais e também seus posicionamentos como membros de uma comunidade engajada na luta por seus direitos. A escrita é uma entre outras possibilidades de suporte valorizadas e desejadas para revitalizar/provitalizar seus conhecimentos tradicionais diante da presença de costumes e línguas estrangeiras em seu cotidiano. As ideias e propostas dos acadêmicos indígenas nem sempre são consensuais, o que nos permite vislumbrar novos sentidos da escrita e das formas de registro utilizadas, assim como as motivações que perpassam estas escolhas.

Palavras-chave: Laklãnõ/Xokleng; escritas; registro; educação indígena; acadêmicos indígenas.

 

 

AMOR TRADUZIDO: RELACIONAMENTOS AFETIVOS NA ERA GLOBAL

Andressa Tatiara de Morais. Graduanda em Ciências Sociais pela UFSM

Diessica Shaiene Gaige. Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da UFSM. Membros do Núcleo de Estudos sobre Emoções e Realidades Digitais (NEERD)

 

O avanço da tecnologia vem permitindo que a sociabilidade tome novos aspectos, especialmente pela existência dos sites de relacionamentos. Cada vez mais conectados às mídias digitais, os indivíduos necessitam de novos meios de comunicação que acompanhem seus variados ritmos de vida e satisfaçam suas necessidades. Um aspecto que queremos ressaltar em nossa análise refere-se ao modo como a internet vem facilitando – a curto, médio e longo prazo – encontrar pessoas de diferentes nacionalidades para fins amorosos e afetivos. Através de uma análise antropológica baseada na observação participante e entrevistas com informantes, procuramos compreender a utilização da internet e de aplicativos de tradução por casais que possuem relacionamentos transnacionais uma vez que, com a pluralidade cultural entre os envolvidos, as ferramentas de tradução e de comunicação tornam-se importantes como mediadoras e atuantes na construção dos afetos transmitidos e compartilhados via internet, necessitando assim de um constante aprendizado das plataformas, do idioma e da cultura do outro. Exploramos, então, a rede e os relacionamentos identificando modificações na construção do ideal romântico e no aprendizado devido às novas formas de interação.

Palavras chaves: relacionamentos, tradução, comunicação, pluralidade.

 

Las lenguas en contextos escolarizados

 

 

“LA EDUCACIÓN INTERCULTURAL BILINGÜE EN SANTIAGO DEL ESTERO. EN BUSCA DE UNA PERSPECTIVA PARA EL QUICHUA   SANTIAGUEÑO”

 

Generoso Adriana del Valle, Layus Ruiz Omar. Universidad Nacional de Santiago del Estero. Facultad de Humanidades, Ciencias Sociales y de la Salud. Tecnicatura Superior en Educación Intercultural Bilingüe con Mención en Lengua Quichua.

 

Santiago del Estero es una provincia Argentina donde se implementara la modalidad  Educación Intercultural Bilingüe (en adelante E.I.B.). Aunque en una gran extensión del territorio se habla la lengua quichua, sus usuarios no se adscriben a un pueblo originario.

Como docentes de la primera carrera universitaria creada en el año 2012 en nuestro país referida la temática, proponemos:

a) Compartir la experiencia recogida desde su creación hasta la fecha.

b) Ponerla en discusión con otras experiencias similares.

c) Instalar el debate acerca de las condiciones necesarias para el desarrollo responsable de la E.I.B en contextos sociales diversos.

d) Analizar las dificultades que se nos presentan ante la inexistencia de políticas lingüísticas favorables.

Planteamos este caso como un escenario particular, teniendo en cuenta que la modalidad E.I.B. basa sus experiencias fundamentalmente en trabajos con comunidades originarias que  hablan su lengua madre. La lengua quichua prohibida ordenanza real en 1770, no está norma tizada y no es  oficial. Se  la utiliza como segunda lengua y desde entonces vive en relación diglosica con el castellano.

Trabajamos con la sistematización de los datos obtenidos de la experiencia  docente  en  contraste con los postulados teóricos  existentes hasta la fecha.

Consideramos que los elementos analizados en nuestro trabajo podrían ser un aporte al conocimiento de contextos sociales y lingüísticos diversos, y ser utilizados cuando se  pretenda desarrollar   una  modalidad E.I.B. comprometida verdaderamente  con   la  pluralidad lingüística, como así también, para fundamentar futuras leyes que promuevan la revitalización del quichua santiagueño. 

Palabras Claves: Educación Intercultural Bilingüe- Quichua – Revitalización Lingüística.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

APRENDER PARA ALÉM DO HEBRAICO: ETNOGRAFIA DE UMA SALA DE AULA PARA IMIGRANTES EM TEL AVIV

 

Barbara Odebrecht Weiss. Doutoranda do Programa de Pós-graduacao em Antropologia Social da Unicamp.

Ana Carolina Bazzo da Silva. Mestre em Antropologia Social pela Universidade Estadual de Campinas, Docente da Universidade Metropolitana de Santos.

 

Este trabalho visa a analisar a aquisição linguística no contexto das escolas de ensino de hebraico –doravante conhecidas como “ulpan” (plural “ulpanim”) – a partir de uma perspectiva antropológica. O projeto de “ressuscitação do hebraico” coincide fortemente com a empreitada sionista, que ocorre desde o final do século XIX. Uma vez fundado o Estado de Israel, a planificação linguística do ensino do hebraico nos ulpanim passa a ser um elemento central para a absorção de imigrantes (majoritariamente) judeus provindos dos cinco continentes. Ainda em 2015 o Ministério da Educação israelense garante aos novos imigrantes cursos gratuitos de hebraico por cinco meses, com cinco aulas por dia ao longo de cinco dias por semana. Partindo de uma experiência etnográfica como estudante não-judia e não-imigrante em uma sala de aula de um ulpan durante o primeiro semestre de 2015, pretende-se refletir sobre ao menos três questões que se seguem: 1. A aquisição linguística como rito de passagem e um elemento central na ruptura na vida dos imigrantes-aprendizes; 2. As intersecções entre ideologia sionista e o aprendizado em sala de aula; 3. A experiência etnográfica no contexto mencionado, sucessos e insucessos da inserção no campo e avaliação e interpretação dos dados recolhidos em campo. Os resultados da análise serão colocados em diálogo com estudos antropológicos sobre educação.

Palavras chave: planificação linguística – imigrantes – sionismo – etnografia – educação

 

 

LENGUA MATERNA Y BILINGÜISMO: CONCEPTOS CLAVE PARA LA ENSEÑANZA-APRENDIZAJE DEL QOM COMO SEGUNDA LENGUA EN CHACO”.

Lucía Romero Massobrio

Universidad de Buenos Aires

 

En la provincia del Chaco, desde hace más de 25 años se forman docentes indígenas para el ejercicio de la docencia bilingüe e intercultural en el nivel primario y secundario, provenientes de las comunidades moqoit, qom y wichi. Si bien parte de ellos ingresan al Nivel Terciario siendo hablantes de estas lenguas, parte de ellos deben aprenderlas durante su formación como maestros y profesores. La creación del CIFMA (Centro de Investigación y Formación para la Modalidad Aborigen) en Presidencia Roque Sáenz Peña produjo un cambio en la concepción de la lengua qom, ya que su dominio resulta clave para recibirse como profesor intercultural bilingüe. Específicamente en el lote 38 de Colonia Aborigen Chaco, en donde los hablantes de qom son en su mayoría ancianos, los jóvenes han cambiado su forma de ver la lengua. Los estudiantes del CIFMA provenientes de dicho lote, quieren aprender qom, algo que según sus propios testimonios no interesaba a la mayoría de los jóvenes de su pueblo.

Esta comunicación forma parte de una investigación más amplia cuyo objetivo es la descripción de los nuevos usos y modos de transmisión de las lenguas guaraní, quíchua, qom, moqoit y wichi. Se trata de una investigación que se inscribe en una sociolingüística de perspectiva etnográfica (Hymes, 1974; Hornberger, 1995; Heller, 2001; 2007; Bloomaert, Collins y Slembrouck, 2003; Rampton, 2007; Codó, Patiño y Unamuno, 2012). Se realizaron entrevistas abiertas, individuales y grupales, y un cuestionario sociolingüístico a estudiantes de qom como segunda lengua, nivel 0, del CIFMA de Sáenz Peña, provenientes de Colonia Aborigen Chaco, entre 2012 y 2014.

En este caso, el objetivo es presentar algunos datos y reflexiones en torno a la enseñanza de la lengua qom como segunda lengua, atendiendo especialmente a los procesos sociolingüísticos de jerarquización y recapitalización simbólica (Bourdieu, 1982; Martin Rojo, 2010). Más precisamente, el valor que adquiere la lengua para los estudiantes, en tanto producto clave en su proceso de formación docente y, con esto, del ingreso al mercado laboral, ya que la concepción de bilingüismo y de lengua qom de estos estudiantes se encuentra íntimamente relacionada con la mercantilización de lengua. Esto se analizará a teniendo en cuenta las acepciones de lengua materna y bilingüismo que circulan en el ambiente educativo de la institución y su relación con el uso de estos conceptos en la sociolingüística.

Palabras clave: Sociolingüística, Lenguas Minoritarias, Chaco, Lengua Qom.

 

 

Metodologías

 

 

EL DESARROLLO DE UNA METODOLOGÍA PARA LA VALIDACIÓN DE MATERIALES LINGÜÍSTICOS  PROBLEMÁTICOS: EL CASO CHANÁ

 

J. Pedro Viegas Barros. Instituto de Lingüística, Universidad de Buenos Aires / CONICET

 

La cuestión de la validación de los datos de una lengua conocida por una única persona es uno de los problemas más arduos en el estudio de las lenguas obsolescentes, y requiere metodologías distintas a las utilizadas normalmente con lenguas de mayor grado de vitalidad. En el caso del chaná (provincia de Entre Ríos, Argentina), las condiciones adversas incluyen el hecho de que se trata de un único conocedor parcial de un idioma previamente casi ignorado, y perteneciente a un grupo genealógico (la familia lingüística charrúa) muy poco conocido.

En la presente ponencia se exponen los criterios de validación que se han venido desarrollando durante la experiencia de documentación e investigación de este corpus lingüístico, desde el año 2005 a la fecha. Los criterios de evaluación que se han aplicado en este caso, son hasta el momento los siguientes:

 

(1) el análisis interno de los datos,

(2) la comparación con fuentes antiguas del chaná,

(3) la identificación de cognados en lenguas emparentadas,

(4) la comprobación de la existencia de correspondencias fonológicas,

(5) la identificación de préstamos del chaná al castellano rural entrerriano,

(6) la identificación de préstamos del guaraní al chaná,

(7) la consistencia del corpus a través del tiempo de investigación,

(8) la concordancia con lo que ocurre en un estado de lengua obsolescente,

(9) la falta de congruencia con lo esperable en casos de lenguas falsificadas.

 

Creemos que la discusión y elaboración de una metodología de validación para datos lingüísticos problemáticos es urgente, dado el creciente número de lenguas aborígenes de nuestro subcontinente --y no sólo de él-- que están siendo registradas por primera vez por lingüistas cuando ya queda un último (semi)hablante.

Palabras clave: Lenguas obsolescentes, Lenguas aborígenes, Criterios de validación, Chaná.

 

 

ENTREVISTAS CON GRUPOS FAMILIARES BILINGÜES (GUARANÍ CASTELLANO) EN CORRIENTES, ARGENTINA: NOTAS METODOLÓGICAS SOBRE UNA INVESTIGACIÓN EN COLABORACIÓN

 

carolina gandulfo (UNNE/ISJ)

 

En el marco de una investigación sobre la transmisión intergeneracional de prácticas comunicativas bilingües (guaraní – castellano) en la provincia de Corrientes, Argentina, se realizan entrevistas con grupos familiares. Las características sociolingüísticas del contexto estudiado han sido analizadas precedentemente por el mismo equipo de investigación (Gandulfo, 2007) siendo el discurso de la prohibición del guaraní, la ideología lingüística organizadora de los usos lingüísticos estudiados.

El objetivo del estudio se centra en el análisis del modo en que se transmitieron y transmiten las prácticas bilingües en una familia de cuatro generaciones: CASO A y B) todas las generaciones son bilingües en algún grado; CASO C) la primera generación era monolingüe guaraní (bisabuela) y la cuarta generación es monolingüe castellano.

El diseño metodológico propuesto pretende ajustarse a las características sociolingüistas descriptas en las investigaciones precedentes; por tanto, las entrevistas suponen que un miembro joven de la familia participa cómo investigador/a “nativo”. Se previeron la realización de dos encuentros con las familias, luego del primero se produce un primer análisis del material que será presentado a las familias en la segunda instancia de entrevista para su validación y profundización de la indagación.

Se describe en esta presentación el diseño de las entrevistas, los primeros encuentros con los tres grupos familiares y los diseños de análisis con los cuales se trabaja el material para la preparación del segundo encuentro con los grupos familiares. Asimismo se ponen a consideración las dificultades, así como las posibilidades metodológicas, que supone incorporar a uno de los miembros de la familia como investigador “nativo” en colaboración con otros investigadores.

Palabras claves: transmisión intergeneracional – bilingüismo guaraní castellano – grupos familiares – investigación en colaboración.

 

 

 

 

 

 

 

 

MELHORAR A QUALIDADE DOS ESTUDOS LINGUÍSTICOS ACADÊMICOS: A INVESTIGAÇÃO COLABORATIVA

 

Wilmar da Rocha D’Angelis (UNICAMP)

Nas últimas duas décadas tenho participado, como linguista, de diversas ações relacionadas a formação de professores indígenas, e em particular os da etnia Kaingang. No caso dessa etnia, tenho atuado: (i) como linguista consultor da escola da Terra Indígena Inhacorá, no Rio Grande do Sul, entre 1998 e 2002; (ii) como docente responsável pelas disciplinas “Língua Materna” e “Sociolinguística” no Curso Vãfy de formação de (mais de 80) professores em Magistério (Ensino Médio), no Rio Grande do Sul, entre 2001 e 2006; (iii) como docente no curso “Ênfase” em 2007 e 2008, com jovens formados ou formandos em Magistério (Ensino Médio); (iv) como coordenador e linguista do Projeto de Revitalização do Kaingang Paulista, de 2013 aos días atuais. Destaque-se que, em todas essas ações, fui convidado (em i e iv) ou indicado pelos próprios indígenas (em ii e iii). E em todas essas ações tenho experimentado a prática da pesquisa colaborativa com os falantes nativos da língua, ao mesmo tempo em que se promove a capacitação de professores indígenas como pesquisadores nativos. A presente comunicação ressalta os ganhos éticos e científicos que se tem com esse tipo de colaboração, exemplificando com a “descoberta” de uma categoria gramatical de gênero em Kaingang.    

Palavras-chave: pesquisa colaborativa; língua kaingang; pesquisadores nativos.

 

 

Actitudes, memorias e ideologias lingüísticas

 

 

ACTITUDES LINGÜÍSTICAS HACIA LAS VARIEDADES DEL ESPAÑOL BOLIVIANO Y ARGENTINO EN UN ASENTAMIENTO AL SUR DE LA CIUDAD DE  CÓRDOBA

Ana Julia Gonzalez. Universidad Nacional de Córdoba. Facultad de Filosofía y Humanidades

En las últimas décadas, el fenómeno demográfico de las migraciones regionales ha aportado a la construcción de nuevos espacios de interacción social en el que poblaciones inmigrantes y  nacionales que forman parte de un sector laboral y económico vulnerable entran en contacto.

La investigación propuesta  tiene como objetivo estudiar las actitudes lingüísticas y los procesos de estereotipación en torno a la variedad del español boliviano y el español argentino en un asentamiento ubicado al sur de la ciudad de Córdoba; atendiendo a las percepciones lingüísticas y sociales que los residentes argentinos tienen con respecto a los residentes de origen boliviano en el marco de los procesos sociales que sustentan la relación lengua- sociedad.

El marco teórico parte de los supuestos de la Sociolingüística, la Sociología del Lenguaje y algunos aspectos de la Sociología relacionados a la definición de actitudes lingüísticas, prejuicios y estereotipos. También se incorpora la mirada desde la etnografía del habla para comprender la relación entre los sistemas culturales del asentamiento y el lenguaje y llegar a una distinción entre creencias, actitudes y valoresen la comunidad. Esta investigación se desarrolla en el marco del programa de investigación “Prejuicios lingüísticos: sentidos en conflicto” (CIFFYH- Escuela de Letras, Facultad de Filosofía y Humanidades, Universidad Nacional de Córdoba).

Para el aspecto metodológico, se diseñó un conjunto de instrumentos desde una perspectiva cualitativa. Se eligió trabajar con entrevistas profundas y la observación participante, tanto en eventos comunitarios como en las visitas a los entrevistados.  

Palabras claves: actitudes lingüísticas, estereotipos, inmigración, etnografía del habla.

 

 

 

OLVIDOS Y RECUERDOS EN TORNO AL 12 DE OCTUBRE

Cecilia Natalia Tallatta

Becaria doctoral UBA-CONICET

 

En la ponencia analizaremos la manera de construir la memoria acerca del 12 de octubre en una clase de 6º grado de nivel primario en una escuela estatal del conurbano bonaerense que se caracteriza por tener un gran porcentaje de alumnos migrantes (Paraguay, Perú y Bolivia). Partimos de un abordaje que enfoca las prácticas de memoria como acciones que piensan el pasado desde el presente (Rappaport 2005). En este sentido, consideramos especialmente relevante el cambio de paradigma que se llevó a cabo en la República Argentina en los últimos años y que modificó la manera de percibir y denominar la Conquista de América y la fecha en la que se conmemora ese hecho: el 12 de octubre. Desde el año 2010 y por un decreto presidencial, el antes denominado “Día de la Raza” pasó a ser el “Día del Respeto a la Diversidad Cultural”. De esta manera, en las instituciones escolares podemos encontrar una tensión entre el viejo y el nuevo paradigma que en muchas ocasiones termina construyendo “pliegues” (Deleuze 1987) que combinan en la superficie aspectos que se condicen con este proclamado respeto a la diversidad cultural pero que en su interior continúan reproduciendo representaciones desiguales acerca de los diferentes pueblos que conforman el territorio americano.

En este contexto amplio de la institución escolar, el objetivo del trabajo será enfocarnos en los propios alumnos como grupos tradicionalmente subordinados al ser concebidos por el sistema educativo como sujetos pasivos, receptores de conocimientos e incapaces de construir categorías propias (Popular Memory Group 1982). De esta manera, en el espacio aúlico se cruzarán las trayectorias del docente con las de los diferentes estudiantes, algunos de los cuales son hablantes bilingües guaraní-castellano, y en esa intersección podremos problematizar la memoria resultante del “Día de la diversidad cultural” como una memoria heterogénea y negociada (Grossberg 1992; Massey 2005) en la que intentaremos identificar e interpretar olvidos y recuerdos.

 

 

 

 

 

LÍNGUA E CULTURA POMERANA: POLÍTICAS LINGUÍSTICAS, MEMÓRIA E SILENCIAMENTO

Prof. Dr. Carmo Thum/IE/FURG

Profa. Marcia Kovalski Ücker -SMED

 

Analisar a questão dos Povos e Comunidades Tradicionais, especificamente o caso dos Pomeranos do Brasil, quanto ao uso da língua materna no cotidiano da cultura. Dados derivados de pesquisa, cotejados a partir de uma análise contextualizada do modo de vida, o mundo camponês e as implicações do uso da língua e suas representações simbólicas no espaço. Analisa dados de realidade de dois municípios do RS, localizados na Serra dos Tapes, explicitando cenários da paisagem cultural e do uso da língua, bem como da condição camponesa dos pomeranos a partir do caso local, problematizando a questão no contexto nacional a partir de bibliografia pesquisada. Das Políticas Linguísticas e das demandas locais; Aspectos direitos linguísticos em panorama internacional. O cenário das lutas por direitos linguísticos, de ensino e de uso público. O Povo Tradicional Pomerano, como povo camponês e como povo tradicional em processo de luta para a garantia de direitos, inclusive os de políticas linguísticas que atendam a sua especificidade.

Palavras-Chave: cultura pomerana, contexto local, políticas linguísticas, Povos e Comunidades Tradicionais.

 

 

EDUCACIÓN INTERCULTURAL. ENTRE PRÁCTICAS ESCOLARES E IDENTIDADES SOCIALES

Rita Allica. UNaM

 

Desde hace diez años, en el ámbito del Ministerio de Educación de la provincia de Misiones- Argentina, se ha implementado un Programa educativo destinado a la población indígena. La Ley de Educación Nacional Nº 20.206 crea la Modalidad de Educación Intercultural Bilingüe. A partir  del año 2008 dicho programa se ha tranformado en el Área de la Modalidad de Educación Intercultural Bilingüe.

En la provincia de Misiones existen cincuenta y nueve (59) unidades educativas pertenecientes a la Modalidad de Educación Intercultural Bilingüe.

En estas escuelas circulan representaciones relacionadas a las lenguas habladas en la escuela, a la educación asi como a la interculturalidad; representaciones y prácticas relacionadas tanto con los modelos educativos propios de las comunidades de origen de los estudiantes como de la escuela como institución.

En este trabajo nos interesa reflexionar en particular sobre las concepciones sobre las lenguas e interculturalidad que conviven en el ámbito de estas escuelas, según son expuestos en los diferentes proyectos y prácticas desarrolladas de las mismas.

Palabras claves: Interculturalidad-escolarización-lenguas-educación intercultural bilingüe.

 

 

 

 

 

 

 

TRAYECTORIA ÉTNICA Y DIVERSIDAD DIACLECTAL DE FAMILIAS RUTENO DESCENDIENTES EN ARGENTINA

 

Nancy Rutyna. Prof./Lic. en Ciencias Antropológicas. Maestranda de Antropología Social. Doctoranda en Lingüística. Facultad de Filosofía y Letras Universidad de Buenos Aires CONICET.

 

El presente escrito constituye un acercamiento al conocimiento de la trayectoria étnico-migratoria de campesinos rutenos a la Argentina a partir de 1897,siguiendo el devenir de las familias descendientes que las ha establecido en distintas localidades del país.

El mismo pretende particularizar desde una mirada etnográfica y socio-lingüística tres aspectos:

1-     La trayectoria emigratoria de estos grupos sociales desde sus territorios de origen y migración local en busca de perspectivas de inserción laboral (especialmente agrícola) de mayor productividad;

2-     La configuración de identidades complejas dado que los procesos mencionados produjeron como emergentes familias multiculturales y, asimismo, pluridialectales;

3-     Las formas y los usos dialectales, cuyas transformaciones lingüísticas fueron atravesadas por diversas y sucesivas estructuraciones de nacionalismos de origen y también locales.

Aún cuando las familias ruteno-migrantes hayan seguido reproduciendo ciertas costumbres y rituales sociales, los usos dialectales ruteno-rusinos fueron progresivamente abandonados o negados a los descendientes pensando que ello era beneficioso para ellos, especialmente en pos de su inserción socio-educativa y laboral en los nuevos contextos.

Esta decisión de no enseñar a sus hijos el idioma porque suponían que el conocimiento apropiado del castellano les iba a evitar procesos de estigmatización étnica, trajo aparejada la pérdida de la lengua de origen. En particular en un momento histórico de la Argentina en donde prevalecía la necesidad de erigir al español como única lengua de la identidad nacional por la conformación del Estado argentino; y acompañada de la ideología lingüística del desprecio hacia otras lenguas (que no fueran el español, francés, inglés o alemán).

El presente escrito tratará entonces de relacionar los procesos históricos (movimientos migratorios) con la etnicidad e ideologías lingüísticas (del Estado y de los propios hablantes),en pos dedetectar los mecanismos de recuperación de los saberes lingüísticos como forma de resistencia cultural a través del paso del tiempo y la diversidad de espacios.

 

 

 

 

 

 

 

Revitalización lingüística, Identidades y Autoadscripción

 

 

LÉXICO, REVITALIZAÇÃO E DIVERSIDADE LINGÜÍSTICA

 

Francisco Vanderlei Ferreira da Costa. Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia

 

As posturas adotadas pela sociedade brasileira para uso do português não formal têm sido acompanhadas por atitudes preconceituosas. No que tange às comunidades indígenas, esse preconceito atinge tanto a variedade do português usado quanto os enxertos da língua indígena que aparecem nesta variedade do português.  Para as comunidades indígenas no Nordeste do Brasil, consideradas desprovidas de língua indígena, não foi diferente. Usar as línguas nativas não representava prestigio, além disso, significava problema para a integração, objetivo maior na política indígena em voga. Contudo, com o processo de revitalização linguística, as comunidades indígenas, da citada região brasileira, assumiram fortemente uma posição de manutenção e recuperação de suas línguas, trazendo com isso uma nova política de uso linguístico. Protegidos pela legislação, a qual não converge mais para a integração, cada vez mais, léxicos das línguas indígenas estão sendo inseridos na língua portuguesa, atividade que acontece em paralelo com o processo de revitalização da língua indígena. Esse processo de uso do léxico da língua da comunidade representa valorização e fortalecimento da língua do grupo e, ao mesmo tempo, propicia a veiculação de diversas variedades do português, perpassadas pelos léxicos indígenas. Esse processo logicamente não é novo, mas está assumindo uma nova função para as comunidades, ou seja, motiva a visibilidade da língua indígena e mostra uma reação ao português singular pregado por instituições de ensino. Este trabalho discutirá as perspectivas desse movimento, o qual coloca a língua indígena como propulsora de mudanças, para si e para a língua portuguesa.

Palavras-chave: léxico, revitalização, variação linguística, comunidades indígenas

 

 

REFORÇANDO OS LAÇOS ANCESTRAIS: REVITALIZAÇÃO LINGÜÍSTICA KAINGANG E NHANDEWA,EM SÃO PAULO.

 

JuracildaVeiga. Fundação Nacional do Índio (Funai)

                                                                                 

O trabalho se propõem a apresentar a experiência de ação coletiva que vêmsendo realizada comduas etnias: os Kaingang(famíliaJê)e os GuaraniNhandewa (família Tupi-Guarani), no Estado de Sao Paulo, Brasil, por uma parceria entre as comunidades indígenas, a Fundação Nacional do Índio, a ong Kamuri, e a Universidade Estadual de Campinas (Grupo de PesquisaIndiomas).

Os trabalhos comesses dois grupos nasceram de pedidos das comunidades à Universidade, por ferramentas linguísticasa serem utilizadas no ensino da língua indígena com suas crianças: no caso dos Kaingang Paulistas, a produção de um Dicionário Escolar, e no caso dos Nhandewa, uma Gramática Pedagógica e um site em linguanhandewa.

A experiênciacom os Kaingang reúne os professores de duas comunidades (somando 15 pessoas). Jácomos Nhandewa, inicio uemumacomunidade de 100 pessoas aproximadamente,reunindo 12 professores, e posteriormente se estendeua comunidades litorâneas do Estado, atingindoquatroaldeias (em torno de 150 pessoas, sendo 20 professores).

A experiência –que está maisadiantada entre os Nhandewa– tem se mostrado muitoprodutiva pela possibilidade de reunir os falantes, os professores, os linguistas e, no caso nhandewa, tambémalunos. A reflexão sobre a própria língua indígena os faz perceberem que elaé tão rica nos seus processos quanto a língua majoritária. Mais que isso, descobrimos juntos que só através dela eles conseguemacessar o mundo e a cultura dosseusancestrais e,comisso, refazerlaços e lealdades com sua própria cultura, recuperando a auto-estima e o orgulho étnico.

Palavras-chave: línguasminoritárias; instrumentos de aprendizadolingüístico;práticas de fala pluri/bilíngues.

 

 

LIBRAS: A CONSTITUIÇÃO DE UM TERRITÓRIO LINGUÍSTICO

 

Maria Izabel dos Santos Garcia. Doutora/UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Profa Adjunta/UFF (Universidade Federal Fluminense)

 

Cresce nos últimos anos o número de pesquisas em torno dos processos psicológicos e lingüísticos das pessoas surdas. As primeiras pesquisas, com destaque para as de Willian Stockoe e Ursula Bellugi, orientaram-se no sentido de assegurar às línguas de sinais um status linguístico e apontar para o seu papel decisivo na educação de surdos. Em 1965, surge a primeira edição do Dictionary of American Sign Language, considerado o primeiro dicionário de língua de sinais editado no mundo. Trabalhos posteriores têm abordado questões mais específicas centradas nos processos gramaticais, na utilização dos classificadores – espécie de morfemas que existem tanto nas línguas de modalidade gestual-visual como na áudio-oral  – como marcas sintáticas. É, entretanto, necessário observar que os estudos sobre as gramáticas das línguas de sinais são ainda recentes e carecem de um sistema de notação linguística que consiga apreender a dinâmica e a tridimensionalidade presentes nessa modalidade linguística. É oportuno esclarecer que a língua de sinais, como outros sistemas linguísticos, não é universal, homogênea ou igual em todos os países. Uma constatação desse fato pode ser encontrada, por exemplo, na comparação entre os dicionários americano e britânico de língua de sinais. E mesmo em um país, tal como as línguas de modalidade áudio-oral, as línguas de sinais (ou de modalidade gestual-visual) apresentam variações dialetais entre os usuários de diferentes regiões geográficas. Atualmente muitas são as línguas de sinais que vêm sendo sistematicamente estudadas. Dentre elas a LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais). Para a maioria dos estudiosos toda língua deve ser respeitada enquanto tal e segundo suas próprias regras de construção e realização. As línguas de sinais são tão ricas quanto qualquer outra e pode expressar qualquer tipo de pensamento ou sentimento. Por ser facilmente aprendida pelo surdo, o uso da língua de sinais na escola pelo professor evita atrasos desnecessários no cumprimento do currículo escolar. Por meio dela, o professor pode realizar efetivamente seu papel pedagógico deixando ao fonoaudiólogo (ou logoterapeuta) a função de trabalhar a vocalização dos sons da língua áudio-oral. Ao focalizar as condições sociais concretas de instauração da comunicação, Bourdieu ressalta que a língua – por ele considerada como “capital cultural”  – mantém, no interior do grupo, uma relação de “força simbólica” determinada pela estrutura do grupo social em que ocorre esta comunicação, ou melhor, pelas relações que existem entre seus membros. A língua, qual seja, é um instrumento com condições de barganha social. Tem poder de hierarquizar relações sociais. No Brasil, ainda existem várias querelas nesse território linguístico e a oficialização da LIBRAS está muito longe de minimizar esse fenômeno em meio às comunidades de surdos. Se é que se pode falar que essa disputa seja algo a se superar quando se trata da comunicação humana.

Palavras-Chave: LIBRAS, língua, surdos.

 

 

“ENTIENDO PERO NO HABLO”: LA POSICIÓN DE UNA INVESTIGADORA QUE SE FUE DESCUBRIENDO COMO BILINGÜE

 

Conde María Florencia. Facultad de Humanidades - Universidad Nacional del Nordeste

En esta ponencia presentaré una revisión de mi posición como investigadora en el desarrollo de una beca de investigación de pre-grado de la Secretaría General de Ciencia y Técnica de la UNNE. Dicho estudio ha intentado reconstruir la historia institucional de una escuela rural del interior de la provincia de Corrientes-Argentina, intentando identificar los usos del guaraní y el castellano en los diferentes momentos históricos.

Un aspecto considerado relevante para el estudio fue el proceso de revisión de mi posición en el campo respecto de mi objeto de indagación: el guaraní. Para ello fue necesario una reconstrucción de los sentidos y significaciones de la lengua en mi historia personal y escolar, los cuales atravesaron mi estadía en el campo y mi elección profesional actual. Para esta revisión consideré pertinente recuperar del campo de la antropología el concepto de reflexividad (Bourdieu; Guber), considerando a este proceso analítico similar al del análisis de la implicación, propio del análisis institucional (Lourau; Fernández).

En este proceso de revisión me fui reconociendo como hablante también de guaraní, tomando conciencia de que mi vinculación con el objeto era mucho mayor de la que creí inicialmente y que mi posición en el campo era la de una nativa más. Todo esto me enfrentó al desafío de iniciar un proceso de extrañamiento que me posibilite asumir estos aspectos de reflexividad como necesarios para la construcción del objeto de conocimiento y para la complejización de los procesos que estudiamos.

Palabras Claves: reflexividad, implicación, guaraní.

 

 

A AUTOIDENTIFICAÇÃO E A LÍNGUA MUNDURUKU: QUEM PODE OU NÃO SER CONSIDERADO ÍNDIO NO OESTE PARAENSE

 

Sâmela Ramos da Silva

Universidade Federal do Amapá

 

Este trabalho apresenta uma pesquisa de cunho etnográfico que pretende visibilizar e refletir sobre o esforço linguístico ao se reaprender uma língua indígena como parte de um processo de autoidentificação do povo Munduruku, assim como discutir os fatores e condições que desencadearam esse fenômeno. Ao fim da década de 90, concretizou-se entre eles um processo de reconstrução da identidade étnica, considerada extinta. Assim, como aporte teórico, utilizamos os estudos pós-coloniais (MIGNOLO, 2003; QUIJANO, 2005), além de questões a respeito das noções de língua e regimes metadiscursivos, para enfatizar a necessidade de desinvenção e reconstituição de concepções de língua (PENNYCOOK & MAKONI, 2007; OLIVEIRA & PINTO, 2011). Nosso corpus é composto por textos de observação, gravações de diálogos e interações em grupo, resultado de uma construção mútua entre pesquisadora e participantes. Segundo Oliveira e Pinto (2011), devemos avaliar o papel da colonialidade do poder/saber na produção epistêmica da linguagem, por isso compreendemos a violência epistêmica a qual são vítimas os Munduruku, ao terem sua identidade contestada pela ausência de língua indígena. A própria Constituição de 1988, também reflete tais concepções, no qual ter direito a sua língua é “tenha uma língua diferente do português para que eu te reconheça como indígena” (OLIVEIRA & PINTO, 2011, p. 329). No entanto, essa reafirmação identitária dialoga e negocia com essas “amarras” impostas pela sociedade nacional, pois mesmo que utilize um construto hegemônico, a saber, a língua, este conceito parte de um processo de apropriação e ressignificação por parte dos indígenas.

Palavras-chave: Autoidentificação. Língua. Identidade. Munduruku. Colonialidade.

 

 

LEGITIMIDAD E IDENTIDAD EN LOS USOS DE LAS LENGUAS ENTRE LOS GRUPOS GITANOS/ROMANÍES

Matías Domínguez. Universidad de Buenos Aires –Facultad de Filosofía y Letras

 

El objetivo de la presente ponencia es analizar la relación que tienen los diferentes grupos gitanos/romaníes en referencia a los usos de sus lenguas, las diferencias internas y la vinculación de las mismas con conceptualizaciones de legitimidad y adscripción identitaria, Para esto se articularán dos ejes: las prácticas lingüísticas presentes en el contexto de los movimientos de unificación gitana a nivel global, y los usos de las lenguas en la interacción local dentro y entre los distintos grupos presentes en Buenos Aires y con respecto a la sociedad mayor hegemónica. 

Palabras claves: romaní, calé, gitanos

 

 

 

GT2. DE ECOLOGÍAS, DERECHOS Y CONSERVACIONES: LA RELACIÓN NATURALEZA-CULTURA EN LA ANTROPOLOGÍA CONTEMPORÁNEA

Coordinadores:

Dra. María Carman. Institución:  Instituto Gino Germani, UBA/CONICET. mariacarman@uolsinectis.com.ar

Dra. Andrea Mastrangelo, Institución: Centro de Estudios en Antropología Social, IDAES UNSAM/CONICET. andreaveronicamastrangelo@gmail.com

Dr. Matthieu, Le Quang. Institución: Universidad Paris 7. matthieulq@hotmail.com

Comentarista: Prof. Héctor Alimonda. Profesor asociado IV del CPDA/UFRRJ e investigador visitante del Instituto Germani.

 

 

Humanos, no humanos y naturaleza: entre las prácticas y los derechos

 

 

RESERVA, PUERTO O RÍA? EL CONFLICTO PESQUERO COMO FORMA DE MATERIALIZACIÓN DE LUCHAS Y ALIANZAS POR LA PREVALENCIA DE FORMAS DE INTERRELACIÓN MEDIO-AMBIENTALES ESPECIFICAS EN EL ESTUARIO DE BAHÍA BLANCA, ARGENTINA

María Belén Noceti (Instituto de Investigaciones económicas y sociales del Sur (IIESS) Universidad Nacional del Sur UNS/CONICET)

Se postula desde aquí que en el espacio comprendido entre las coordenadas 38° 45’ y los 35° 10’ de Latitud Sur y 61° 45’ y 62° 30’ Longitud Oeste, al sudoeste de la provincia de Buenos Aires, en el espacio comúnmente llamado estuario de Bahía Blanca; se superponen dinámicas de relación entre humanos y no humanos muy disímiles entre sí,  las que, darían cuenta de la constitución de mundos diferentes luchando por legitimarse y prevalecer unos sobre otros. Se diferencia así, un medio ambiente denominado ria, otro denominado puerto y un tercero llamado reserva natural. En cada uno de ellos se pueden describir formas de vinculación entre seres vivos humanos y no humanos; las cuales delinean formas específicas de identificación,  alteridad, clasificación y toponimia. Se propone que las disputas y conflictos derivados por la utilización del recurso pesquero de alguna manera posibilitan observar tales dinámicas, donde se enfrentan epistemes diferentes y se observan luchas en contextos políticos asimétricos.

Palabras claves: medio ambiente, relaciones, epistemes, pesca, conflicto

 

PAISAGENS E APRENDIZAGEM PARA A VIDA: VIVÊNCIAS ETNOGRÁFICAS EM COMUNIDADES QUILOMBOLA E DE PESCADORES NO LITORAL DO RIO GRANDE DO SUL, BRASIL

Alana Casagrande. Universidade Federal de Santa Catarina

Este trabalho pretende refletir sobre o papel das práticas de engajamento ambiental na constituição de paisagens e conhecimentos importantes à manutenção da vida em comunidades rurais do litoral do Estado do Rio Grande do Sul, Brasil. Opta-se por estabelecer conexões e contrastes entre as experiências de engajamento de duas comunidades vizinhas: o quilombo de Casca e a comunidade de pescadores da Lagoa do Bacupari.  A etnografia em questão  contribui para o entendimento das percepções nativas sobre a "natureza" que revelando-se próxima e vivida constitui e é constituída por valores morais como os associados à ancestralidade, ao mundo não-humano, ao trabalho e à família. A perspectiva da "educação da atenção", corroborada por Tim Ingold, será mobilizada no intuito de refletir sobre processos de aprendizagem intergeracional integrados à paisagem. Reconhecer as dimensões histórica, educativa e inventiva da paisagem permite deslocar concepções naturalistas ou culturalistas que a subentendem respectivamente como um cenário neutro e universal para as atividades humanas ou como um ordenamento simbólico particular do espaço. A paisagem enfatizada neste texto busca contemplar a constante criação de habilidades e conhecimentos ao longo das gerações, contrapondo a ideia de transmissão de representações sobre o mundo enquanto conhecimentos acabados. Neste sentido, multiplicam-se as possibilidades de existência coletiva. A luta por direitos étnicos e territoriais quilombolas e os impactos do projeto político econômico da agricultura patronal na região configuram parte do contexto no qual o conhecimento e a paisagem são produzidos, praticados e narrados de maneira distinta e também compartilhada por ambas as coletividades.

Palavras chave: paisagem, aprendizagem, produção do conhecimento, quilombo, pescadores

 

 

A MORALIDADE ENTRE FRONTEIRAS: AS BASES CONCEITUAIS DO ANTIESPECISMO NA RETÓRICA DO ATIVISMO VEGAN E DO MOVIMENTO DE DEFESA DOS DIREITOS DOS ANIMAIS

Luciana Campelo de Lira. Faculdade Damas de Instrução Cristã/Universidade Maurício de Nassau

As concepções e práticas que historicamente fundamentam a relação entre humanos e animais na cultura Ocidental têm sido contestadas pelo chamado movimento de defesa dos direitos dos animais.  No intuito de combater as bases morais hirarquizantes que relegam aos animais não humanos uma posição de inferioridade, e em defesa de uma relação mais igualitária entre as espécieis, o movimento de defesa dos direitos dos animais propõe um deslocamento ontológico entre as espécies a partir de sua ética antiespecista. Contudo, o questionamento do status moral diferenciado e da relação entre humanos e animais, muitas vezes aciona diferenças qualitativas entre espécieis não humanas, incorporando, mais uma vez, um modelo de relação hiraquizante. Isso ocorre, por exemplo, quando em seu discurso recorre a critérios classificatórios que aproximam algumas espécies animais de características humanas, sejam essas ligadas a critérios cognitivos, sensitivos ou socializantes, como se a equiparação moral dependesse, em última instância, da expressão de atributos de humanidade por parte das outras espécieis. Nesse sentido, reitera uma perspectiva antropocêtrica na constituição de sua ética antiespecista. Esse trabalho é baseado em dados de pesquisa etnográfica realizada com grupos que integram o ativismo vegano e o movimento de defesa dos direitos dos animais e tem como objetivo discutir as bases conceituais de defesa do antiespecismo, bem como os limites e paradoxos dessa proposta.

Palavras-chave: direitos dos animais; antiespecismo; moralidade; antropocentrismo

 

A GENTE DOS DIREITOS DOS ANIMAIS: UM ESTUDO COM ATIVISTAS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Rodolfo de Moraes Santos Cerqueira. Universidade Federal Fluminense

O presente trabalho visa discutir o ativismo em direitos animais, se utilizando de sua teoria e dos discursos e práticas de ativistas do Estado do Rio de Janeiro, sob a perspectiva das Ciências Sociai. Parto da seguinte questão: como Antropologia pode pensar sobre essa temática e intervir nesse debate?Construo então um recorte que se apropria de debates teóricos do campo das Ciências Sociais e da Teoria dos Direitos dos Animais para construir questões de pesquisa. Em um segundo momento, utilizo ferramentas metodológicas de pesquisa de análise que pretendem construir um diálogo com a empiria em um breve exercício. Me proponho a buscar um diálogo com ativistas do Estado do Rio de Janeiro, para realizar o encontro do meu levantamento teórico e outras observações com a posição de tais ativistas dos direitos animais, o mais horizontal que me for possível. Procurando um ponto na empiria, próximo a mim para indagar: Seria, o ativismo em Direitos Animais, mais especificamente, o do grupo de interlocutores do presente trabalho, uma extensão de princípios jurídicos ordenadores modernos a nova classe de seres? E em que termos os discursos são trabalhados nesse sentido? Apliquei @s ativistas um questionário de 4 perguntas relacionando direitos animais e ativismo. Além disso, perguntas tais como idade, escolaridade e gênero e hábitos alimentares. Por fim, ao discurso e práticas de ativismo relatadas pel@s entrevistad@s, estabeleci uma correlação com reflexões teóricas sobre o movimento dos direitos animais no campo da antropologia, e algumas outras a priori e a posteriori.

Palavras-chave: Direitos dos animais, Ativismo, Humanidade, Animalidade.

 

EL CABALLITO DE BOEDO Y EL CARTONERO SIN NOMBRE: UN ABORDAJE CRÍTICO DE LOS DERECHOS ANIMALES

María Carman. Instituto Gino Germani, Universidad de Buenos Aires/CONICET

El debate entre las fronteras entre lo animal y lo humano está a la orden del día en una serie de conflictos contemporáneos. En este trabajo me detendré en un objeto en apariencia menor: el caso de grupos en contra de la tracción a sangre en la ciudad de Buenos Aires, que pugnan por que las bestias de seres humanos dejen de maltratar a los pobres animales; y expresa la dicotomía de que los caballos sienten y, en cambio, los cartoneros no tienen sentimientos, ni educación, ni nada.

Mi anhelo consiste en utilizar parte del rico arsenal de herramientas provisto por la Antropología de la naturaleza para el estudio de un área en apariencia alejada o incompatible con esta disciplina: nuestras ciudades contemporáneas. En sintonía con trabajos previos, mi supuesto es que existe una afinidad entre ciertos argumentos ecologistas que defienden la atribución de derechos a los animales, y los argumentos de quienes niegan el universo cultural de los sectores más relegados de la sociedad.

Desde mi punto de vista, la visión humanizada de los animales corre el riesgo de corresponderse con una visión biologizante de los humanos que no estarían dotados de esos mismos atributos, allanando nuevas vías de estigmatización hacia los sectores relegados. Mi reparo no apunta tanto a la proclamación de estos nuevos derechos per se, sino a sus posibles derivaciones, usos o articulaciones respecto del abordaje dominante de conflictos que involucran a sectores populares.

Palabras clave: animalidad-humanidad-derechos animales-biocentrismo-tracción a sangre.

 

CARROCEIROS EM BELO HORIZONTE: DIFERENÇA CONTRA A “INEXORABILIDADE” DA MODERNIZAÇÃO DESENVOLVIMENTISTA

Ricardo Alexandre Pereira de Oliveira. Universidade Federal de Minas Gerais

Neste trabalho analiso a relação dos carroceiros das vilas São Tomás e Aeroporto com os efeitos da intervenção do Estado para fins de urbanização de uma favela em Belo Horizonte. A partir da remoção dos moradores das áreas consideradas como “de risco” ambiental e geológico pelos técnicos da prefeitura, emergiu um conflito entre formas de viver e de se relacionar com a terra e com os animais, bem como entre noções objetivas e subjetivas sobre casa e habitação. Isso se nota de forma destacada entre os carroceiros: a partir da manutenção de formas de vida e de relação interpessoal e interespecífica consideradas como fadadas ao desaparecimento por representantes da empresa urbanizadora, busco analisar de que modo o Estado reagiu a estas formas de existir em diferentes contextos. Para fins da análise recortarei uma audiência pública realizada em 2014 em decorrência da crescente agitação popular ocorrida após sucessivos atrasos da obra, afetando especialmente o reassentamento, e também as entrevistas com técnicos e dirigentes da empresa, realizadas entre 2012 e 2013. Atualmente, há projetos em discussão em torno das questões ambientais e dos direitos dos animais que visam restringir a atividade carroceira na capital, havendo inclusive propostas de substituição dos cavalos por veículos motorizados. Investigo em que medida está sendo imposto um modo de vida urbano reificado e essencializado que desconsidera as relações das pessoas carroceiras com os animais, tratadas como anacrônicas, e que papel essa imposição tem na atual dinâmica de transformação das cidades em torno de supostos consensos.

Palabras-clave: Relações entre humanos e animais; urbanização de favelas; carroceiros; modernização desenvolvimentista; antropologia nas margens do estado.

 

NOMBRE, AMISTAD Y ROSTRO: DIMENSIONES DE LA RELACIÓN INTERSUBJETIVA HUMANO – PERRO EN UN ÁREA CON LEISHMANIASIS VISCERAL EMERGENTE (DEPTO. IGUAZÚ, MISIONES. ARGENTINA)

Andrea Mastrangelo (Centro de Estudios en Antropología Social, IDAES-UNSAM/CONICET)

El debate del giro ontológico del antropocentrismo al ecocentrismo (Leopold 1948; Naess 1973) y al biocentrismo (Singer 1999) se centra en la liberación de la naturaleza (o de los seres vivientes) de su estado de cosa, de su uso instrumental y del sufrimiento que le infringen los humanos. Con las reformas constitucionales de Ecuador y Bolivia a principios de la década del 2000, este debate es resignificado en América Latina, enunciando que  postulados ecocéntricos forman parte de la cosmovisión de pueblos originarios americanos, considerando a la naturaleza sujeto de derecho. En el área de estudio parte de este debate es movilizado por los activistas de los derechos de los animales (Protectora Amor Animal, Protectora de animales de Wanda).

En base a trabajo de campo etnográfico realizado entre 2014 y 2015, en un área del NE argentino con Leishmaniasis Visceral emergente (Depto. Iguazú), este artículo postula que las relaciones humanos-no humanos, no son ajenas al especismo y están determinadas por la distancia social (Rival 2000) en la que los colectivos humanos sitúan a las diferentes clasificaciones de no humanos en el espacio social en general y en el doméstico en particular. Es decir que, aun en los casos en que el dueño o cuidador del animal lo reconoce como sujeto de derecho, distingue jerarquías específicas y formas de trato diferenciadas hacia el perro y otras especies del ámbito doméstico (p.e. roedores, cucarachas).

El trabajo de campo consistió en entrevistas y observación participante de las actividades que los perros comparten/no comparten con los humanos. En base a esas prácticas se establecieron tipos sociales de perro frecuentes en el área de estudio. Con la técnica del discurso del sujeto colectivo (Lefevre y Cavalcanti Lefevre 2007) se definieron las figuras retóricas prevalentes (mímesis, bestia-animot, cosificación) en el discurso de los dueños o humanos cuidadores, que dan cuenta de las dimensiones (rostro, moral, nombre, amistad, obediencia, cariño) involucradas en las distancias sociales interespecíficas en la vida social y el espacio doméstico.

Palabras claves: Animales - Derechos civiles - Salud pública - Zoonosis

 

 

LUDUS NATURAE - CORPORALIDADE E RE-SIGNIFICAÇÃO ECOLÓGICA: AVENTURA LÚDICA NO SURFE EM FLORIANÓPOLIS

Camila Santos de Sousa (Transes – Núcleo de Antropologia do Contemporâneo PPGAS/ UFSC)

O objetivo central deste trabalho é abordar os modos com que o corpo humano é concebido, percebido e publicado em suas relações com o ambiente, por meio das práticas corporais de aventura em meios naturais, no caso específico, os praticantes do surfe. A conexões entre práticas, visão de mundo e demais aspectos da cultura são os questionamentos centrais do trabalho, analisando a percepção e o ponto de vista a partir da perspectiva ético-existencial, da oralidade e da performatividade. A ludicidade na construção social desta atividade contemporânea, os elementos da subjetividade e da estrutura de significados resumem esta possível tentativa de (re)aproximação com a natureza. Diante do pressuposto de que o desenvolvimento tecnológico e a estrutura da vida urbana criaram outros modos de relação entre a pessoa humana e o socioambiente, os praticantes de tais atividades utilizam como elemento discursivo da simbologia moderna formas de autocuidado e outros modos de integração com o meio ambiente. Utilizo a expressão homo ludens para pensar essa reorientação através da emoção e da crença no mundo natural, ações com a natureza e o socioambiente. A pesquisa etnográfica foi realizada no município de Florianópolis, Santa Catarina, mais especificamente sua região insular, devido a suas características naturais e à grande quantidade de indivíduos que se dedicam à prática do surfe.

Palavras-chave: Corpo; Sujeito; Natureza; Lúdico; Surfe

 

Etnografías ambientales en torno a la alimentación y la agricultura

 

 

EL CASO DE LA INGESTA DE SANGRE CRUDA DE VACA

Gloria Sammartino. Facultad de Filosofía y Letras, Universidad de Buenos Aires

El objetivo de esta presentación consiste en analizar la práctica de la ingesta de sangre cruda bobina entre pobladores de origen campesino de la Quebrada de Humahuaca, región perteneciente al NOA argentino. La misma emerge como una temática que emerge en el marco de la investigación que llevamos adelante entre los años 2006 a 2013 centrada en el estudio etnográfico acerca de los significados alimentarios en la región por parte de campesinos que producen alimentos orientados al autoconsumo. El análisis de esta práctica nos permite reflexionar y discutir aspectos que inciden en la conformación del gusto y disgusto, de lo considerado puro o impuro, bueno o malo para comer, como de las concepciones acerca de la naturaleza, en relación al entramado sociocultural en el que se dan. Asimismo nos permite visibilizar algunas tensiones entre los patrones de poder relacionados a la dominación occidental y realizar un ejercicio de deconstrucción de los criterios establecido desde los centros de poder – saber, como clavijas que activan el proceso de construcción de la alteridad subalterna-identidad  hegemónica en relación a esta temática. De este modo esperamos contribuir al  análisis de los dispositivos de poder que hacen a la existencia de un modelo hegemónico que invisibiliza conocimientos y criterios acerca de la construcción de los gustos y prácticas alimentarias y de distintas concepciones acerca de la naturaleza.

Palabras claves: sangre – gusto – alteridad – identidad – prácticas alimentarias

 

 

A ECOLOGIA NO PRATO: UM ESTUDO SOBRE A ECOGATRONOMIA

Kamila Guimarães Schneider. Universidade Federal de Santa Catarina

Neste presente artigo tenho o objetivo de discutir sobre o conceito de ecogastronomia e como ela fundamenta tanto teoricamente quanto na prática o movimento social denominado Slow Food. Movimento este que nasce nos anos de 1985 com o objetivo de embate contra o fast food. Para atingir tal objetivo central é necessário em um primeiro momento analisarmos o estilo de vida dos participantes do movimento Slow Food. Mais especificamente, pretendo analisar o que Clifford Geertz designa de ‘ethos’ e visão de mundo. E em um segundo momento trazer o circuito que o movimento constrói. Por fim pretendo analisar como se estabelece as práticas e hábitos de consumo alimentar ecológico dos indivíduos deste movimento. Pretendo atingir os objetivos propostos por meio da metodologia etnográfica, com a utilização do método de observação participante em um Grupo Local do Slow Food na cidade de Florianópolis, capital do estado de Santa Catarina, Brasil.

Palavras chave: Ecogastronomia, ethos, visão de mundo, circuito,  Slow Food

 

PRODUCCIÓN DE PAISAJES DE AGUA. NUEVOS ESCENARIOS DEL RIEGO AGRÍCOLA EN URUGUAY

María Noel González. FHCE-Udelar

El agua configura sociedades en formas particulares de acuerdo a la forma en que es experimentada, haciendo posible la vida de tal manera que difumina los límites entre naturaleza e infraestructura (Hastrup, 2013). En su doble condición de objetivación moderna -puesta en juego en la dinámica mercantil del capitalismo contemporáneo, en los marcos políticos globales, domesticada a través del despliegue de tecnologías físicas de alta especialización y tecnologías sociales largamente abordadas por la Antropología- y de agente no-humano esencial para la vida y conector de mundos diversos, el agua y sus flujos, presenta potencialidades heurísticas que configuran un campo promisorio para abordar las actuales preocupaciones de la Antropología Ambiental.

En Uruguay particularmente, se encontramos un escenario novedoso en que el agua y su disponibilidad para uso agrario se ha tornado en tema central al amparo del discurso sobre el cambio y variabilidad climática. El riego como práctica de control del agua que aumenta la productividad es un claro ejemplo de las respuestas tecnológicas en avance, que disminuye la incertidumbre y mejora la rentabilidad de las empresas agrícolas. Este trabajo, enmarcado en una investigación que se inicia, propone definir el campo de conexiones relevantes para abordar la cuestión de la producción de paisajes del riego en Uruguay. Particularmente se enfatiza el campo de despliegue de nuevos discursos y prácticas dominantes que abonan la idea de la inevitabilidad de caminos específicos de organización del control del agua para la generación de renta agrícola.

Palabras clave: Antropología ambiental, Agua y Cultura, Riego

 

 

LA DIMENSIÓN AMBIENTAL EN LAS EXPERIENCIAS FORMATIVAS DE PEQUEÑOS AGRICULTORES DEL SUDOESTE MISIONERO (ARGENTINA)

María Laura Canciani. Instituto de Investigaciones en Ciencias de la Educación – Universidad de Buenos Aires

En este trabajo indagamos sobre las experiencias formativas de pequeños productores rurales vinculados a la agricultura familiar en una configuración territorial específica del espacio rural del sudoeste misionero (Argentina). El objetivo principal es profundizar en la dimensión ambiental que emerge de dichas experiencias a partir del análisis de tres casos de pequeños agricultores que, desde sus diferencias y similitudes, reflexionan sobre el territorio que habitan y las problemáticas ambientales de la región en relación con las prácticas productivas que desarrollan en su vida cotidiana, en un contexto de creciente concentración de la propiedad de la tierra y avance de la explotación forestal de especies exóticas de rápido crecimiento.

Del análisis se infieren dos ejes centrales que queremos debatir. El primero refiere a la complejidad de la cuestión ambiental en tanto ámbito de lo social constituida por distintas dimensiones (social, política, ecológica distributiva, cultural, productiva, etc.), que asume características específicas en el espacio rural de nuestro país. El segundo pretende discutir ciertos supuestos que presentan al agricultor familiar como sujeto ambientalista per se, reforzando un ecologismo popular esencialista que no contribuye a visibilizar la construcción histórica y socialmente situada de las prácticas y los saberes vinculados al ambiente. En este sentido, nos interesa sostener que dicha construcción se encuentra en estrecha relación con las experiencias formativas de los sujetos, la historia ambiental del lugar en el cual éstos desarrollan sus prácticas y las disputas actuales por el territorio que habitan.

Para dicha reflexión nos apoyamos en el cruce de lecturas provenientes de la antropología, la pedagogía y la ecología política, a la luz de los avances de una investigación doctoral en el área de educación que, desde una perspectiva etnográfica, pretende estudiar los procesos formativos que se producen, circulan y transforman en el espacio rural del sudoeste misionero. 

Palabras claves:educación, agricultura familiar, ambiente, ruralidad, Misiones

 

 

CONCEPÇÕES, PRÁTICAS E CONCEITO: O(S) “ECOLÓGICO(S)” NO COTIDIANO DE AGRICULTORES DA REGIÃO DE PELOTAS, RIO GRANDE DO SUL

Patrícia Postali Cruz. Universidade Federal de Santa Catarina

O trabalho refere-se à reflexão produzida a partir do trabalho de dissertação, tendo como pano de fundo a pesquisa de campo realizada entre agricultores da região de Pelotas, Rio Grande do Sul. O contexto no qual o trabalho foi gerado diz respeito a uma rede construída a partir de práticas e narrativas ligadas ao “universo” da agricultura familiar de “base ecológica”. A proposta deste trabalho reside na tentativa de tensionar o “ecológico” enquanto um conceito universal e homogêneo na rede. Para isso, irei me aproximar de argumentações teóricas da disciplina antropológica que buscam enfatizar, enquanto fenômeno primário, a relação entre atores, a fim de extrapolar a interpretação etnográfica formulada a partir de conceitos pré-concebidos, neste caso, o próprio “ecológico”. Procuro demonstrar, então, que as relações entre os atores se dão em escalas diversas, extravazando a cartilha da técnica e dos modelos de propriedades agrícolas. Interligam o cosmos com as escolhas econômicas (produtivas). Experienciam os ambientes através de uma percepção cotidiana, formulando relações heterogêneas com a(s) natureza(s). Nessa lógica, percebo o(s) ecológico(s) enquanto hábitos de percepção e/ou engajamentos, constituindo-se num processo cotidiano de educação da atenção, conforme proposto por Ingold (2010), a partir de relações das mais diversas naturezas e escalas, sejam elas entre humanos/humanos, humanos/não humanos, técnicas/ambientes, entre outros.

Palavras-chave: Relação. Engajamento. Ecológico. Etnografia.

 

PERCEPÇÕES DE NATUREZA ENTRE AGRICULTORES ASSENTADOS DA REFORMA AGRÁRIA NO PAMPA GAÚCHO

Régis da Cunha Belem. PGDR/Unversidade Federal do Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul – estado mais meridional do Brasil –, o processo de reforma agrária foi constituído a partir da migração de agricultores sem-terra (público demandante da política), originários de região cuja formação social é marcada pela agricultura familiar, para áreas historicamente ocupadas por latifúndios, no Pampa, adquiridas pelo Estado. Passadas duas décadas do estabelecimento dos primeiros assentamentos de reforma agrária na região de Bagé – processo que hoje abrange em torno de duas mil famílias – e no bojo do debate público sobre os resultados da reforma agrária, tem-se indagado sobre os sucessos e fracassos da experiência, particularmente no que se refere à eficácia em termos de produção agropecuária. Animais, cultivos e práticas agrícolas que compunham o saber-fazer desses camponeses na metade norte do estado não puderam simplesmente reproduzir-se no novo ambiente encontrado nas áreas de assentamento, na metade sul do estado. A pesquisa realizada conduziu o foco para as percepções destes agricultores e agricultoras sobre o novo ambiente natural sobre o qual (re)estruturaram suas vidas, distinto daquele de sua origem. Para tanto, a pesquisa a campo, realizada junto a lideranças de agricultores assentados, procurou conhecer suas interpretações sobre sua relação com a natureza a partir do estabelecimento de novas formas de produzir e viver.

Palavras-chave: relações natureza-cultura, reforma agrária, campesinato

 

 

CONTROVÉRSIAS DURANTE A CRISE HÍDRICA NA CIDADE DE SÃO PAULO (2014-2015)

Andre Sicchieri Bailão. Universidade de São Paulo (PPGAS/USP

A cidade de São Paulo foi palco, durante os anos de 2014 e 2015, daquilo que veio a ser chamado de “crise hídrica” - decorrente de uma diminuição das chuvas e de outros fatores sociotécnicos em relação à infraestrutura de abastecimento de águas e à mudança ambiental e climática. Durante a crise, diferentes grupos se mobilizaram para construir narrativas técnico-científicas sobre as causas da crise, mobilizando diferentes fatores e agentes naturais e sociais. Narrativas sobre crises e catástrofes ambientais normalmente expõem diferentes misturas e purificações das categorias ocidentais tradicionais de natureza e sociedade. As narrativas de mudanças climáticas são um dos principais exemplos contemporâneos – e com as quais algumas das narrativas sobre a crise hídrica estão diretamente relacionadas.

Nesse sentido, este trabalho visa identificar e descrever os diferentes alistamentos de causas e fatores humanos e não-humanos nas narrativas sobre a crise hídrica em São Paulo, segundo cientistas, engenheiros e ambientalistas. Será escrito a partir de pesquisa realizada entre 2012 e 2014 entre cientistas de mudanças climáticas durante meu projeto de mestrado em antropologia, assim como uma etnografia feita entre grupos envolvidos com a crise hídrica entre 2014 e 2015. O objetivo é descrever como as diferentes redes de cientistas e ativistas ambientais produzem essas narrativas; as diferentes traduções e conflitos que porventura surjam entre elas; e quais naturezas e sociedades são imaginadas e construídas por elas - com enfoque na antropologia da ciência, ambiente e modernidade de Bruno Latour, Marilyn Strathern, Tim Ingold, entre outros.

Palavras-chave: antropologia da ciência; antropologia da modernidade; natureza e sociedade; crise hídrica; crise ambiental.

 

 

Significados del ambiente y conflictos en torno a la conservación 

 

REDES DE COLABORACIÓN Y REORGANIZACIÓN DEL TERRITORIO EN LA ZONA SUJETA A CONSERVACIÓN ECOLÓGICA DE CIÉNEGA DEL FUERTE, MÉXICO

Carlos Alberto Casas Mendoza. Instituto de Antropología, Universidad Veracruzana

El 26 de noviembre de 1999 fue promulgado el decreto estatal que reconocía a la Ciénega del Fuerte (en México), como una Zona sujeta a conservación ecológica. Esta región de humedales costeros, ubicada en el norte del estado de Veracruz, pasaba así a tener un estatuto legal de salvaguarda territorial que le permitía –en principio–, poseer elementos operantes para defender, conservar y restablecer un nicho ecológico, por demás dañado. El boom turístico provocado por el desarrollo hotelero, que desde la década de 1950 transformó el paisaje, así como el movimiento migratorio de pobladores, que vino acompañado por este crecimiento, alteraron fuertemente los patrones de manglares y selvas inundables que conforman dicho ecosistema. Sin embargo, el cambio jurídico por si mismo no sería suficiente. La presente ponencia analiza las encrucijadas a la que han estado expuestos los grupos de ecoturismo que se han desarrollado en dicho espacio y los cambios en las percepciones que sobre el territorio se han generado entre ellos. Tensiones y conflictos de distinto orden se extrapolan en la historia regional de los grupos que han participado de este proceso. No obstante, estas tensiones no son ajenas a procesos de magnitud global, que no solo alimentan los cambios en la percepción local, sino que además colocan preguntas interesantes sobre: “lo natural”, “la naturaleza” y las formas de agencia y organización colaborativa. La ponencia se decanta sobre el análisis etnográfico de estos procesos y sus implicaciones para los procesos de conservación ecológica.

Palabras claves:Ecología, redes colaborativas, globalización y agencia.

 

 

NATURALEZAS POLIÉDRICAS: DISCURSOS, PRÁCTICAS Y PERCEPCIONES EN TORNO A LA CONFLICTIVIDAD SOCIAL DE LAS ÁREAS NATURALES PROTEGIDAS

José A. Cortés-Vázquez. Universidad de Manchester

En las últimas décadas, los conflictos relacionados con la introducción de políticas de conservación y la creación de áreas naturales protegidas ha sido un campo clave para el estudio de la noción de naturaleza en antropología social. Destaca sobre todo el análisis de cómo las lecturas ambientales que activan las políticas de protección ambiental en espacios protegidos, basadas habitualmente en visiones dicotómicas de la naturaleza, son contestadas, negociadas y/o resistidas por las poblaciones locales. El conflicto entre diferentes agentes supone la activación de discursos que legitiman una forma u otra de explotar los recursos y en los que nociones alternativas de la naturaleza juegan un papel central. Sin embargo, estos juegos de contestación, negociación y resistencia se desarrollan también a niveles no-discursivos, particularmente a nivel de percepción –en el que determinada forma de mirar y posicionarse respecto al medio se correlaciona con determinada forma de entender la naturaleza- y a nivel de práctica –en el que el sentido dado a unas actividades u otras conecta también con cierta forma de entender lo natural. En esta comunicación utilizo el estudio etnográfico de distintos conflictos en un área protegida en el sur de España (Parque Natural Cabo de Gata-Níjar) para reflexionar sobre las interconexiones existentes entre estas dimensiones discursivas, perceptivas y prácticas de la naturaleza. Con ello lo que pretendo es poner de relevancia que la naturaleza, como objeto de estudio etnográfico, posee un carácter “poliédrico” que debe estudiarse desde una perspectiva compleja. 

Palabras clave:naturaleza, conservación, áreas protegidas, complejidad

 

LA CRECIENTES DEMANDAS AMBIENTALISTAS RELACIONADAS CON LA CONSERVACIÓN DE LA BIODIVERSIDAD EN COMUNIDADES MAPUCHES

Ludmila Quiroga. Facultad de filosofía y Letras. Universidad de Buenos Aires

En el presente artículo nos proponemos reflexionar acerca de la crecientes demandas ambientalistas relacionadas con la conservación de la biodiversidad en las agendas políticas. Al tiempo que intentaremos problematizar de qué manera se articulan los derechos ambientales con el imperioso reconocimiento de los pueblos originarios como sujetos de derecho. Este complejo entramado político nos permite analizar en qué medida las políticas ambientalistas disputan o refuerzan los derechos de las comunidades, abordando las tensiones y contradicciones que se producen en esta arena política - económica. Al tiempo que se crean y recrean relaciones de poder y se reproducen estructuras de desigualdad sociales.

Asimismo intentaremos abordar la producción y reproducción de estereotipos y el manejo de esencialismos simbólicos, como parte de la diversidad de posicionamientos políticos en este proceso de disputa por el acceso y gestión de los recursos y los territorios. Los cuales se encuentran condicionados por una variedad de imposiciones estatales, que se asocian con la visibilización de las comunidades y su reconocimiento identitario. De esta forma, se podría estar condicionando y limitando el reconocimiento de las demandas y los derechos de estos pueblos.

Específicamente analizaremos procesos de disputas en comunidades Mapuches que vienen llevando adelante una históricamente lucha por sus derechos territoriales. Abordando problemáticas como la autonomía y el consentimiento, libre, previo e informado en sus territorios.

Palabras claves: Ecología Política - Derechos Ambientales - Derechos indígenas - Producción de territorialidades y Etnicidad.

 

TERRITORIO, CONSERVACIÓN Y DERECHOS: EL PROGRAMA DE CO-MANEJO DEL PARQUE NACIONAL LANÍN EN NEUQUÉN

Nadia Ameghino. Universidad Nacional de San Martín

El presente trabajo reflexiona sobre el programa de co-manejo en el Parque Nacional Lanín (PNL) en Neuquén, entendido como un campo de disputa por (la administración de) un territorio. Evidencia la relación complementaria y contradictoria entre derechos, ambiente y desigualdad, permitiendo vislumbrar dos cosmovisiones y concepciones diferentes de naturaleza, territorio y biodiversidad: la occidental racional y la ancestral y tradicional mapuche. El programa involucra repartición de responsabilidades y competencias entre las autoridades del parque y del pueblo mapuche teniendo en cuenta las pautas de uso, acceso, control y manejo del territorio y sus recursos, que surgen del saber ancestral de las comunidades mapuche. Las decisiones sobre conservación y manejo de los recursos naturales dejan de ser monopolio de parques nacionales.

El PNL como institución estatal tiene un rol central en la construcción del Estado-nación argentino, en relación al control y la soberanía de los territorios de frontera. Por esto, compartir la jurisdicción territorial con el pueblo mapuche a través del co-manejo, impacta en el centro de la autoridad política del Estado-nación. El paradigma conservacionista durante la creación del PNL privilegiaba la protección de las áreas naturales mediante su aislamiento e intangibilidad, con políticas de sometimiento, discriminación y desalojo de pobladores indígenas.

El caso del co-manejo evidencia diferentes concepciones de la relación naturaleza-cultura (y las tensiones y desafíos que conlleva) en un contexto rural, específicamente un parque nacional. Es un modelo innovador de gestión de la diversidad, una herramienta posible hacia la construcción de una interculturalidad y un manejo autónomo del territorio.

Palabras clave: pueblo mapuche – naturaleza – co-manejo – Parque Nacional Lanín.

 

 

 

MÃES D'ÁGUA, CAIPORA E CONFLITOS SOCIOAMBIENTAIS NA ÁREA INDÍGENA TREMEMBÉ DE ALMOFALA

Juliana Monteiro Gondim. Universidade de São Paulo

Versarei aqui sobre os conflitos espaciais envolvendo os índios Tremembé de Almofala, os encantados e empreendimentos de diversas ordens que têm gerado profundos impactos ambientais na Área Indígena. Os encantados são seres que permeiam o universo cosmológico de grupos indígenas e comunidades tradicionais em várias regiões do Brasil e em algumas outras partes do mundo. A descrição desses seres entre os Tremembé é bastante difusa, ora são descritos como pessoas que, mesmo não tendo atravessado a experiência da morte, foram encantadas, deixando de ser vista pela maior parte de nós; ora são ancestrais que morreram, mas continuam por perto, a proteger seus parentes e seus lugares; outras vezes são fadas, príncipes e princesas que habitam castelos, também encantados, erguidos nas paisagens de Almofala, mas vistos apenas por algumas pessoas que teriam "merecimento" para vê-los; ora são seres como o Caipora e as Mães d'Água... Enfim, mesmo diante de tanta diversidade, algo em comum em todas as narrativas é que estes seres habitam as paisagens classificadas por nós como "naturais": águas, dunas e matas da região. Assim sendo, os impactos ambientais gerados pelos empreendimentos que atingem a Área - tais como parques de energia eólica, a monocultura do coco, criação de peixe e camarão em viveiros etc. - envolvem não só os índios que sobrevivem daquele território, mas também os encantados. Pretendo aqui desvendar como os encantados atuam nas disputas por tais áreas, para, a partir desses dados, lançar algumas reflexões sobre as noções de natureza e sobrenatureza para os Tremembé.

Palavras chaves: Tremembé de Almofala, encantados, natureza, sobrenatureza.

 

NAVEGANDO EL DELTA INFERIOR DEL RÍO PARANÁ: ETNOGRAFÍA E INTERDISCIPLINARIEDAD EN UN TERRITORIO EN DISPUTA

Gimena Paula Camarero. Facultad de filosofía y Letras. Universidad de Buenos Aires. Patricio Hernán Straccia; Andrea Tatiana Pino Rodríguez; Esteban Maestripieri; Julián Ignacio Monkes. Facultad de Agronomía, Universidad de Buenos Aires.

En esta ponencia presentaremos avances en la investigación sobre los modos en que las interpelaciones ambientalistas de resguardo de los ecosistemas de humedales se articulan con la trama socio-cultural, económica y política de la Zona Núcleo Forestal ubicada en el Delta Inferior del río Paraná (partidos de Campana y San Fernando, provincia de Buenos Aires). Desde el año 2012 trabajamos en un equipo interdisciplinario compuesto por antropólogas, licenciados/as en ciencias ambientales, ingenieros/as agrónomos, ingenieros/as forestales y geógrafos/as de la Universidad de Buenos Aires. El objetivo del equipo es analizar los discursos, prácticas y saberes sobre las relaciones sociedad/naturaleza que recrean los distintos actores en el proceso de disputa por la definición del territorio de este sector del Delta Inferior del río Paraná. Para ello implementamos el método etnográfico con enfoque multiactoral y multiespacial, buscando captar las percepciones de todos los actores intervinientes. En este proceso hemos encontrado actores políticamente marginados y conflictos latentes que buscamos visibilizar a través de nuestros trabajos de investigación. Presentaremos algunas de estas líneas de trabajo y buscaremos reflexionar sobre la particularidad de nuestro proceso de investigación, que no emplea sólo el método etnográfico sino que también integra enfoques provenientes de la agronomía, la ecología y la geografía. Plantearemos que la interdisciplinariedad implica una dinámica de investigación particular, con una construcción colectiva del conocimiento orientada –y enriquecida- teórica y metodológicamente desde diversos ángulos, y un peculiar acceso al campo donde diferentes miembros del equipo comparten lenguajes comunes con actores locales.

Palabras clave: etnografía de conflictos ambientales, ecología política, humedales, interdisciplinariedad, reflexividad

 

 

SIGNIFICACIÓN ECOLÓGICA DE LAS SUBSTANCIAS PSICOACTIVAS: CAZA-RECOLECCIÓN, SHAMANISMO Y PERCEPCIÓN DEL MEDIOAMBIENTE

Fernando M. Lynch. Sección de Etnología, ICA, F.F. y L. Universidad de Buenos Aires

Se propone una lectura antropológica de las substancias psicoactivas en términos de la fundamental interrelación de la naturaleza y la cultura que las atraviesa. Se toma como punto de partida el dato etnobotánico concerniente la alta proporción de plantas psicoactivas en el Nuevo Mundo en relación con el Viejo –unas 120 frente a 20-. Se ha argumentado que este dato, incomprensible de acuerdo a sus respectivas condiciones ecológicas, se debería a la mayor difusión por un amplio lapso histórico en nuestro continente de una gran cantidad y diversidad de culturas cazadoras recolectoras. Mientras en América los saberes shamánicos de estas agrupaciones han sido precisamente los responsables del descubrimiento de las propiedades psicoactivas de muchas plantas, se ha sostenido que, debido a la presión territorial sufrida por parte tanto de poblaciones pastoriles y agricultoras como sobre todo por civilizaciones urbanas, estas prácticas y sus correspondientes saberes no habrían podido desplegarse de un modo similar en el Viejo Mundo. Ilustrando la singularidad de la percepción ecológica cazadora-recolectora americana a través del caso etnográfico chaqueño wichí –cuyas prácticas shamánicas recurren a la ingesta ritual del cebil, planta con determinadas propiedades psicoactivas-, se pone de relieve la contraposición ontológica entre la percepción naturalista de la psicoactividad –la concepción alucinogénica de las drogas- y la percepción animista shamánica de despliegue del alma del cuerpo y viaje al “otro mundo” –concepción visionaria de la experiencia psicoactiva-. Se discuten en última instancia las implicancias ecológico-políticas de ambos modos alternativos de percepción del medioambiente. 

Palabras clave: ecología, substancias psicoactivas, caza-recolección, shamanismo, percepción

MIRAÇÕES NO SANTO DAIME E O AGENCIAMENTO VEGETAL

Maicon do Couto Fecher. Escola Nacional de Botânica Tropical

Este trabalho pretende dialogar com autores e atores sociais sobre o evento da Miração nos rituais religiosos do Santo Daime, durante a ingestão do chá, sacramento dessa religião, que se trata de uma bebida produzida a partir de duas plantas amazônicas, Banisteriopsis caapi e Psychotria viridis. Entender o que ocorre ou que experiência os atores sociais atualizam mediante o consumo, são pontos necessários para ampliar o conhecimento sobre os eventos imagéticos e de “expansão de consciência”, que são conhecidas como Miração. Através de trabalhos etnográficos realizados por observação participante em rituais do Santo Daime em 2014/2015 na cidade de Juiz de Fora, no estado de Minas Gerais - Brasil, busco relatar e fazer conexões teórico-conceituais a partir da noção desenvolvida por Lévi-Strauss em sua obra Cru e Cozido sobre a semiótica dos sistemas de significação e transformações de figura-fundo, além do  conceito de inconsciente maquínico de Félix Guattari, buscando aproximações destes conceitos com categorias nativas de expansão de consciência e acesso a outras consciências supra-humanas.

Ao pensar nas categorias nativas de que “a planta ensina, busco trabalhar uma semiótica humano-vegetal e discutir os agenciamentos da planta, a fim de tornar mais clara a noção de planta professora, e não somente planta psicotrópica.

Palavras chave: Daime, Miração, Expansão de Consciência, Agenciamento

 

GT3. ANTROPOLOGÍA, COMPROMISO MILITANTE Y PARTICIPACIÓN POLÍTICA "EL ACTIVISMO DE LAS VICTIMAS"

Coordinadores:

Dra. Virginia Vecchioli. Institución: Museu Nacional. UFRJ IDAES – Universidad Nacional de San Martín. Argentin. vvecchioli@gmail.com.

 

Dr. Gabriel, Gatti. Institución: Centro de Estudios sobre la Identidad Colectiva Prof. Titular, Departamento de Sociología II Universidad del País Vasco. g.gatti@ehu.eus

 

Me. Eduardo Martinelli Leal. Institución:  Doutorando em Antropologia Social Universidade Federal de Rio Grande do Sul. Brasil.

martinelli_leal@yahoo.com.br

 

 

Sangre, sufrimiento y sentimientos en el activismo de los familiares de las víctimas

 

IDENTIDADES EM MOVIMENTO

 Aline Gama (PNPD/CAPES-PPGCISH/UERN)

agamarj@gmail.com

Em minha etnografia com familiares de vítimas do Rio de Janeiro e movimentos sociais contra violência pude observar como alguns deles transformam suas identidades individuais em identidades coletivas. A partir da violência original, como conceituada por Veena Das, em situação limite, elaboram uma identidade para o coletivo como representantes do familiar que se foi e, também, de determinado grupo ou causa. Nesse processo acionam sua condição de familiar como uma autoridade moral que contraditoriamente transita tanto entre o sofrimento individual para causas coletivas, como entre as causas que se tornam coletivas que reacendem a memória de seus sofrimentos individuais. Isto é, não é só o sofrimento individual que converte-se em uma luta coletiva contra a violência, como analisou Luc Boltanski, mas também suas identidades de familiares de vítimas que se reconstroem em prol da causa e os transformam em pessoas-símbolos contra violência são acionados publicamente no momento de novas violências. Esse trabalho analisa os trânsitos dessas identidades entre o individual e o coletivo nos movimentos contra violência a partir de dados do campo, de entrevistas e da construção de perfis de rede social online.

Palavras-chave: Familiares de Vítimas, Violência Urbana, Rio de Janeiro, Movimentos Sociais.

 

 

A ATUAÇÃO POLÍTICA DOS FAMILIARES DE VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA DA TRAGÉDIA DA BOATE KISS E A DISPUTA ENTORNO DA VÍTIMA LEGÍTIMA

Ana Paula Arosi (PPGAS/UFRGS)

ana.arosi@gmail.com

 

Abordo a militância política de dois dos movimentos de familiares de vítimas que foram organizados no entorno da tragédia de Santa Maria  (incêndio ocorrido em boate localizada nesta cidade brasileira, no interior do estado do Rio Grande do Sul-Brasil). Um dos movimentos focalizado é o Santa Maria do Luto à Luta, é ele o responsável por organizar vigílias em frente à boate nas noites de 27 de janeiro. Esse movimento também mantém um dialogo tenso com o Ministério Público Estadual, no que tange às denúncias que tal instituição oferece ou deixa de oferecer ao judiciário quanto aos culpados pela tragédia. O segundo movimento enfocado é a Associação de Familiares e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria, que inicia com um enfoque de atuar com advogados junto ao processo jurídico que corre no judiciário santamariense que tem como réus dois integrantes da banda que tocavam na noite da tragédia na boate e os dois sócios da mesma boate. A associação tem diversas linhas de atuação, entre elas, a assistência social, a reivindicação de políticas de saúde para familiares e sobreviventes e também é responsável pelas homenagens mensais. A discussão a ser feita refere-se a atuação política destes dois movimentos em suas principais bandeiras de luta e sua trajetória de simbiose, pois hoje os dois movimentos atuam em conjunto. Também analisarei algumas situações etnográficas nas quais me deparei com uma hierarquização de vítimas e familiares, no qual há a vítima e o familiar com a fala mais legítima.

Palavras-Chave: Vítimas, militância, justiça, homenagens.

 

 

MOVIMIENTOS MATERNALISTAS EN ARGENTINA: EL CASO DE LAS MADRES EN LUCHA CONTRA EL PACO

Mariela Giacoponello (UBA)

 giacoponello.mariela@gmail.com

Colectivos de madres de distintos barrios de Argentina -en particular, de las zonas más vulnerables de los grandes conglomerados urbanos- se movilizan hace años para reclamarle al Estado por la vulneración de Derechos de sus hijos: muerte por sobredosis de paco, por ajuste de cuentas entre bandas de narcotraficantes, por violencia policial, por falta de asistencia socio-sanitaria, entre otros. Si bien el alcance de sus demandas ha logrado algunas prerrogativas por parte del Estado, la mirada generalizada -que cristaliza en los medios de comunicación- no suele caracterizarlas como un movimiento político, sino más bien desde la victimización y el dolor. Esta ponencia responde a un análisis exploratorio en el que se busca describir y analizar a las mujeres-madres que reclaman al Estado por los derechos vulnerados de sus hijos usuarios de sustancias como un movimiento maternalista. Para ello, se analizarán los relatos de las referentes de distintos colectivos de madres que genéricamente se conoce como Madres en Lucha contra el Paco y se complementarán con el análisis documental de fuentes primarias (artículos académicos y medios gráficos). De esta forma, se busca dar cuenta del proceso de conformación y conversión de las madres víctimas a activistas por medio de la reconstrucción de sus repertorios de acción comprendidos como una política del sufrimiento: los sentidos y valoraciones subjetivas que hacen a su identidad colectiva, sus formas de agenciamiento y negociación con el Estado y las formas de tramitar el dolor materno por medio de la acción colectiva. 

Palabras clave: Movimiento maternalista - Madres en lucha contra el paco - Usuarios de sustancias - Políticas del sufrimiento - Estado

 

SENTIMIENTO DE INJUSTICIA Y COMPROMISO MILITANTE. EL CASO DE LA ASOCIACIÓN MADRES DEL DOLOR

Rosana Santamaría (UBA)

 roxana.santamaria1@gmail.com

 

En la Argentina, en los dos últimos decenios, los casos de muertes a causa de la violencia policial y por deficiencias del control público de la seguridad urbana cobraron mayor visibilidad en comparación con épocas precedentes. Esa situación generó el surgimiento en la escena pública de múltiples asociaciones de familiares de víctimas de hechos violentos las que, a través de diversas prácticas de acción colectiva, exigen la aplicación de castigo a quienes consideran, por acción u omisión, culpables y denuncian la desigualdad ante la ley y las irregularidades y/o morosidad en el proceso judicial. Al convertir su búsqueda individual de justicia en un reclamo colectivamente organizado comienza un proceso en el cual un grupo de mujeres sin mayores preocupaciones por las cuestiones públicas asumen un compromiso militante. Abordaremos el proceso de construcción social del sentimiento de injusticia y del compromiso militante desde un enfoque etnográfico y realizaremos nuestra propuesta tomando como unidad de observación la Asociación Madres del Dolor. Al respecto nos preguntamos ¿cómo estas personas transformaron su búsqueda individual de justicia en un reclamo colectivamente organizado?, ¿qué recursos simbólicos y materiales debieron movilizar para realizar dicha transformación? y ¿qué significados y sentidos de justicia suponen sus demandas?

Palabras Claves: Asociación Madres del Dolor- acción colectiva- compromiso militante- justicia- sentimiento de injusticia.

 

 

LA MUTUA VULNERABILIDAD: COMUNIDADES DE DOLOR Y ACTIVISMO DE VÍCTIMAS EN EL NORESTE DE MÉXICO

 

Ignacio Irazuzta (Tecnológico de Monterrey, México)ignacio.irazuzta@itesm.mx

 

La desdicha es social y políticamente potente cuando el motivo del trauma personal es un quiebre del pacto fundamental de las sociedades modernas: el de las instituciones que aseguran la existencia del individuo en ellas. La ponencia que propongo describe y analiza el activismo de una asociación de familiares de víctimas de la violencia en México –el Grupo AMORES (Asociación de Mujeres por los Ejecutados, Secuestrados y Desaparecidos de Nuevo León). Adscrita a una organización no gubernamental para la defensa de los derechos humanos –CADHAC, ciudadanos en Defensa de los Derechos Humanos–, la experiencia de AMORES permite dar cuenta de varios aspectos del activismo de las víctimas: en primer lugar, del que activa sujetos que, grestionando su dolor personal, crean comunidad en torno a ello, formulan una crítica social fundamental y restituyen instituciones de procuración de justicia; en segunda instancia, el activismo de expertos “que viven de y para” el activismo de las víctimas y sostienen su acción en la moral humanitaria y el saber en derechos humanos. Ambos aspectos son situados en la ponencia en la actividad de procurar la aparición de desaparecidos según un protocolo de búsqueda que CADHAC y AMORES han logrado cerficar en Naciones Unidas como “buena práctica”. Hacia el final del trabajo, propongo ensayar algunas hipótesis acerca de la pedagogía social de la vulnerabilidad en situaciones de violencia extrema como las que enmarcan la experiencia que presento.

Palabras clave: víctimas, activismo, desapariciones, vulnerabilidad, México.

 

 

Las víctimas y sus expertos: la profesionalización del tratamiento del sufrimiento y la compasión

 

 

EL PERFIL DE LAS PERSONAS VÍCTIMAS DE CRIMEN EN EL INTERIOR DEL NORDESTE BRASILEÑO A PARTIR DE UN ESTUDIO SOBRE EL TRABAJO DEL CEAV DE 2007 A 2012

 

José Dantas de Sousa Junior (PPGCS/UFRN). Brasil.

 

Este artigo es el resultado de un trabajo monográfico que tuvo como objetivo identificar el perfil de las personas que sufrieron algún tipo de crimen en la ciudad de Campina Grande e alrededores y que consecuentemente buscaram el CEAV- Centro de Valorización de la Vida- de esta ciudad para recibir auxilio.

Esta agencia pública tiene como una de sus funciones divulgar los datos de la violencia, ya que tiene el objetivo de fornecer apoyo jurídico, psicológico y social a las víctimas de algún crimen, como también a sus familiares. Estos datos se nos fueron fornecidos a partir de los números de quejas de atendimiento de la institución, también con entrevistas de sus técnicos. A partir de este estudio encontramos una cartografía de las víctimas con sus localizaciones y determinados géneros, edades, grado de instrucción, nivel financiero entre otros aspectos. Entre los números encontrados, de los cuales pretendemos llevar al conocimiento público y de las autoridades competentes, podemos decir que hubo una elevación en el número de violencia contra gente mayor e contra niños, siendo la mayor parte de estos actos llevados a cabo en sus casas y por familiares que sufren algún tipo de vicio. Al identificar este perfil también conseguimos hacer un análisis de la eficacia y ineficacia de las políticas públicas de seguridad y de restauración dirigida a estas víctimas y sus familiares. Entre los fallos encontrados en los trabajos de la institución, hemos citado, por ejemplo, problemas en la logística, una equipe de trabajo pequeña para una gran demanda de casos y un y un elevado número de reincidencia.

Palabras clave: crimen, víctimas, políticas, CEAV, restauración

 

 

LOS PROCESOS DE IDENTIFICACIÓN DE DETENIDOS DESAPARECIDOS, LA EVIDENCIA FORENSE Y LAS TRAMAS EN LA SUBJETIVIDAD EN TRES GENERACIONES DE FAMILIARES

 

Joel Patricio Espina Sandoval y Nicolás Morales Sáez (PRAIS - Hospital Barros Luco, Ministerio de Salud); espinajoel@gmail.com; nicolasmoraless@gmail.com

 

Los procesos de búsqueda, exhumaciones, reconocimientos e identificaciones de los Detenidos Desaparecidos (DD) en Chile se han caracterizado por la dificultad de aprehensibilidad para la comunidad de familiares y para la sociedad chilena. Se releva en estos procesos una serie acontecimientos determinantes: la falsa información sobre el paradero de los cuerpos, “errores en los procesos de identificación”, exhumaciones clandestinas como mecanismo para ocultar el delito, exhumaciones sumarias producto de procesos judiciales, y reconocimientos sólo de restos óseos o vestigios culturales. Se asevera que el Detenido Desaparecido surge desde la verdad oficial parcial para luego desaparecer en la verdad del poder fáctico de la impunidad. A partir de una investigación sobre la subjetivación de los procesos de identificación de DD  en una comunidad rural, se analiza cómo la evidencia surgida de las ciencias forenses en la posdictadura plantea dilemas sobre la certeza de la muerte, la verdad de lo acontecido y los alcances de la justicia. El material de análisis se obtiene de entrevistas a familiares de DD de tres generaciones (cónyuges, hijos y nietos), y se despliega a partir de las categorías de análisis de los determinantes del reconocimiento en los familiares tales como: la mirada (desde el familiar), la voz (de la ciencia, del juez), lo onírico, lo sobrenatural, la fe y la certeza. Finalmente, se discute en torno a la posición subjetiva del familiar ante los dilemas del proceso de reconocimiento. El estudio forma parte del proyecto con financiamiento Conicyt-Fonis SA13i20075.

Palabras claves: Ciencias forenses - Procesos de identificación de Detenidos Desaparecidos - Subjetividad - Familiares de Detenidos Desaparecidos

 

 

A CENTRALIDADE DOS TESTEMUNHOS DAS VÍTIMAS NO EMPREENDIMENTO MORAL DO BULLYING COMO UM GÊNERO DE VIOLÊNCIA DIFUSA NO CONTEXTO BRASILEIRO CONTEMPORÂNEO 

 

Juliane Bazzo (PPGAS/UFRGS)

bazzojuliane@gmail.com

 

No âmbito de um cenário global de defesa dos chamados direitos humanos, a figura da vítima tem se revelado fundamental para problematizar o empreendimento moral do bullying no contexto urbano contemporâneo brasileiro, objeto de pesquisa de minha tese de doutorado em desenvolvimento. O estudo em questão contempla a etnografia de múltiplas experiências – especialmente nos contextos estatal, científico e educacional – que têm definido o bullying como um gênero de violência difusa. À luz da teoria interacionista do desvio de Howard Becker, a imersão etnográfica nesses espaços almeja compreender a atuação dos agentes morais, que constituem indivíduos, instituições, iniciativas e documentos, responsáveis hoje por delimitar regramentos em torno de posturas condenatórias classificadas como bullying. No interior de tais domínios morais, percebe-se que o bullying tem se propagado enquanto categoria fundamentalmente pela dispersão de testemunhos de vitimizados, relatos que, segundo Veena Das, constituem uma forma ímpar de se trabalhar a interface entre violência e subjetividade. O investimento etnográfico efetuado até o momento evidencia, dentre outras singularidades, que essas narrativas pessoais têm adquirido diferentes formatos, que podem ser classificados basicamente entre hegemônicos e contra-hegemônicos. Ademais, ao valorizarem não apenas a superação da violência pelos agredidos, especialmente pela via do sucesso pessoal, mas também a vendeta contra os agressores, esses testemunhos desvelam que as posições de vítima e de algoz em episódios de bullying podem se intercambiar e, desse modo, contribuir em microprocessos de autoescalada de violência, conforme postula Norbert Elias.

Palavras-chave:Bullying; Empreendimento moral; Etnografia multissituada; Direitos humanos; Testemunhos de vítimas.

 “MOVILIZACIÓN Y ACTIVISMO POR LA DEFENSA DE LOS PRESOS POLÍTICOS DURANTE LOS PRIMEROS SETENTA EN ARGENTINA: ACTORES, ESTRUCTURAS DE MOVILIZACIÓN Y REPERTORIO DE ACCIONES”

Mauricio Chama (UNLP) mauchama@yahoo.com.ar

 

Existe un consenso casi generalizado en afirmar que el movimiento de derechos humanos en Argentina se fue conformando como un actor colectivo con una identidad e intereses propios desde mediados de la década del ´70, en oposición a la represión estatal ilegal del último tramo del gobierno de Isabel Martínez de Perón y los primeros años de la última dictadura militar. Los estudios socio históricos comprendieron su origen como una suerte de invención sui generis, sin conexión con las prácticas y discursos de los viejos actores sociales y políticos. Así, su emergencia fue entendida como decisiva en la gestación de una agenda de defensa de los derechos humanos y en la (re)definición misma de esa expresión, cuyo sentido quedaba asociado a la tradición democrática-liberal. Sin embargo, poco o nada se ha indagado sobre sus antecedentes históricos inmediatos. Este desconocimiento historiográfico impide ponderar los elementos de continuidad y también de (evidente) ruptura que ese fenómeno colectivo mantuvo con experiencias anteriores. En este sentido, esta ponencia apunta a historizar la experiencia de movilización y activismo en pro de los derechos humanos gestada en el período previo, es decir, durante el primer lustro de la década del setenta. En ese tramo histórico emerge un amplio abanico de núcleos y espacios asociativos que, más allá de sus diferencias, definieron como horizonte compartido la defensa y solidaridad con las presos/as políticos y la denuncia pública de sus condiciones de detención. En este sentido, el trabajo se propone identificar el universo de actores movilizados por esa causa (la Asociación Gremial de Abogados, el Foro de Buenos Aires por la Vigencia de los Derechos Humanos, la Comisión de Familiares de Presos Políticos, Estudiantiles y Gremiales, la Comisión Nacional contra la Represión y la Tortura, la Liga Argentina por los Derechos del Hombre, entre otros); determinar la estructura de movilización y precisar el repertorio de sus acciones y discursos. Metodológicamente la ponencia se sostiene en el análisis y triangulación de fuentes escritas (publicaciones partidarias, documentos producidos por los actores, diarios, etc.) y orales (entrevistas a protagonistas).

Palabras claves: movilización, activismo, defensa de presos políticos, estructura de movilización, repertorio de acciones.

 

 

DE UN ACTIVISMO PARA, A UN ACTIVISMO DE… VÍCTIMAS DE VIOLENCIA DE GÉNERO EN ESPAÑA (O DE LA IMPROBABILIDAD DE UN SUJETO COLECTIVO)

María Martínez (UPV/EHU)maria_m_g@hotmail.com

 

En España, las víctimas de violencia de género han venido ganando centralidad en la escena pública. En la década de los 80, una serie de organizaciones feministas comenzaron, además de a denunciar y visibilizar las diferentes formas de violencia, a proporcionar servicios —principalmente jurídicos y psicológicos— para las víctimas. Este proceso de profesionalización del activismo para las víctimas se consolidó en la décadas siguientes especialmente tras la ley integral contra la violencia de género de 2004 en paralelo a un movimiento mundial de atención al sufrimiento y al dolor y que recobra una gran intensidad en España.

Muy recientemente, en los últimos 3 o 4 años, junto a este activismo, mujeres que han sufrido violencia de género están conformando organizaciones y colectivos propios. Esta comunicación aborda este paso de un activismo para a un activismo de víctimas de violencia de género para, además de analizar algunas de sus características, interrogarse sobre cómo este segundo es considerado improbable y es impensable tanto para muchas activistas feministas como para las teorías de los movimientos sociales. Las víctimas de violencia de género son un sujeto colectivo altamente improbable dada su consideración como pasivas, sumisas, carentes de agencia y, especialmente, vulnerables. El hecho de que a pesar de su improbabilidad e impensabilidad, este activismo de víctimas se esté constituyendo plantea retos teóricos fundamentales en torno al sujeto y a la acción colectiva y nos apela a pensar la vulnerabilidad no como clausura de agenciamientos y sujetos colectivos, sino precisamente como su condición de posibilidad.

Palabras clave: Activismo, víctimas de violencia de género, sujeto colectivo, España

 

 

Repertorios de acción colectiva y procesos sociales de reconocimiento de las víctimas como actores políticos

 

 

EL MOVIMIENTO DE MUJERES DE KURDISTÁN

Ö. Dilan Bozgan (UNSAM/IDAES)

dilan.bozgan@gmail.com

 

La “turquificación” fue la base de la formación del estado-nación turco desde el comienzo del siglo XX. Radicado en las políticas de asimilación, el conflicto actual entre el PKK (Partido de los Trabajadores de Kurdistán) y el estado turco surgió posterior al último golpe militar ocurrido en 1980. En los 90, se declaró el estado de emergencia: el estado turco ordenó la evacuación de los pueblos kurdos por “razones de seguridad” y forzó la migración de sus habitantes quienes no se asumieron en el sistema paramilitar; ocurrieron asesinatos no resueltos de activistas de derechos humanos, políticos y empresarios kurdos; tres partidos políticos pro-kurdos fueron clausurados por la corte turca. Desde los 2000, aunque existe un proceso de negociación, se interrumpe ocasionalmente. Las mujeres kurdas participaron en el movimiento de liberación kurda en este contexto del conflicto étnico/político. En los 1980 participaron a la guerrilla kurda, en los 1990 su participación extendió hasta los partidos políticos y la sociedad civil (las organizaciónes de las víctimas) y finalmente en los 2000 formaron su movimiento autónomo; el movimiento de mujeres de Kurdistán. Sus experiencias traumáticas que las acompañaron, por un lado, y la esfuerza de su participación política por el otro; ellas transformaron su agencia colectiva mediante y dentro de la violencia. Con la intención de explorar los puntos de partida de las mujeres kurdas más allá de la categoría de mujeres víctimas del tercer mundo, intentaré narrar sus experiencias dentro del contexto del conflicto, a través de mi trabajo de campo realizado en Istanbul y Diyarbakir.    

Palabras claves: Conflicto etníco/político, violencia, agencia colectiva, decolonización.  

 

 

CUANDO SOMOS VÍCTIMAS. UN ESTUDIO SOBRE LA CONSTRUCCIÓN DE LA VÍCTIMA EN LA QUERELLA ARGENTINA CONTRA LOS CRÍMENES DEL FRANQUISMO

 Agustina Zeitlin agustinazeitlin@gmail.com

 

Esta ponencia surge del trabajo de investigación realizado para la tesina de grado, a lo que he añadido algunos resultados del último trabajo de campo realizado en Argentina sobre las víctimas del franquismo y la Querella Argentina. La impunidad que supone la vigencia de la ley de amnistía que se instaura después de la dictadura franquista en España (1977) hizo que víctimas, familiares y organizaciones que se movilizan por esta causa, presentaran denuncias sobre los crímenes del franquismo fuera de los tribunales nacionales. Argentina, en este caso, no solo interviene a nivel judicial sino también se les presenta como ejemplo en materia de derechos humanos y justicia. La Querella Argentina con el transcurso del tiempo devino en un espacio social donde diferentes agentes se relacionan y trabajan creando redes tanto locales como internacionales, las cuales funcionan de forma clave en la constitución de la figura de la víctima que aquí aparece. Se analizará en esta ponencia los espacios y discursos que actúan como vehículo de institución de estas víctimas en el espacio trasnacional, y expondré los procesos que he ido acompañando con respecto a la querella y a la actuación de los tribunales locales donde se lleva adelante la causa por crímenes de lesa humanidad y robo de bebés cometidos en España entre 1936 y 1977. Me centraré en la complejidad de lo que supone sentirse y reivindicarse como víctima para así poder observar cómo se compone y qué conflictos presenta.

 

 

PROJETOS POLÍTICO-RELIGIOSOS DE CONSTRUÇÃO DE UMA CULTURA DA PAZ EM UM CONTEXTO DE VIOLÊNCIA URBANA

Amanda Gomes Pereira

(PPCIS-UERJ/UFMA)

 

O objetivo deste artigo é narrar as relações político-religiosas empreendidas por um grupo de familiares de vítimas da violência como estratégias de elaboração do luto. Meu intuito é demonstrar como um coletivo de familiares de vítimas da violência urbana, na cidade do Rio de Janeiro, ao se inserir em uma rede espírita, criou o Projeto Amor Além da Vida, cujo objetivo é promover a adesão de familiares de vítimas aos discursos sobre paz e perdão. A missa de sétimo dia de falecimento do menino João Hélio representa um marco nas narrativas dessas famílias que vivenciaram diferentes tempos na busca por justiça a morte dos seus filhos e filhas. A partir das redes e núcleos espíritas, eles empreendem mediações entre os planos espirituais e material, que possibilitam o compartilhamento de trabalhos e missões entre pais e filhos nesses diferentes planos. O entrecruzamento dos projetos dos médiuns Rogério Leite e Marli Mansini – bem como de outros – com as trajetórias desses familiares de vítimas da violência urbana contribuiu para o surgimento de um projeto social voltado para a superação da dor e do sentimento de vingança através do exercício da caridade e da organização e divulgação das sessões de psicografia. A partir da vivência de diferentes tempos e processos, esses pais e mães modificaram suas ações políticas – antes atreladas a linguagem da guerra – para o desenvolvimento de projetos espíritas de promoção de subjetividades pacificadas. Ao narrar suas trajetórias e tempos, pretendo demonstrar como os percursos percorridos por esse coletivo se relacionam com projetos de gestão da vida e da morte na metrópole carioca

Palavras-chave: Cultura da Paz. Luto. Justiça. Dispositivos político-religiosos. Subjetividades pacificadas. Projetos espíritas.

 

 

ACOMPAÑAR, UN REPERTORIO DE ACCIÓN COLECTIVA

 

Alicia Irene Rebollar (UNSAM/IDAES)

 alicia_rebollar@hotmail.com

 

Un grupo de madres de víctimas de hechos violentos  ocurridos entre 2001 y 2003 se conocen en las calles, en las puertas de los tribunales, en encuentros religiosos y conmemorativos reclamando justicia por las muertes de sus hijos. Con el tiempo construyeron un espacio común y consolidaron fronteras con otras organizaciones de familiares de víctimas hasta constituirse el 10 de diciembre de 2004 como la Asociación Madres del Dolor. Esta agrupación actualmente ocupa un lugar relevante en el espacio público. ¿Cuáles son las razones de su exitosa permanencia? Para permanecer fue necesario un trabajo de sostenimiento del grupo y de aprendizaje de diversas competencias. Esta ardua labor llevada adelante por las Madres del Dolor redundó en la consideración como “expertas” tanto por otros familiares de víctimas, como por agentes del Estado. Dentro de las adquisiciones se destacan una rutina organizacional que permite dar asistencia integral a familiares de víctimas, la ocupación de las calles, el lenguaje del derecho, las formas rituales de la Justicia y, diversos repertorios de acción colectiva. Entre estos últimos me interesa mostrar en particular el proceso de adquisición de un saber: acompañar. El seguimiento de ese proceso permitió mostrar que las Madres del Dolor no solo acompañan personas dolientes desde la asistencia más elemental, sino que distribuyen el acompañamiento como un recurso que les es requerido desde otras personas dolientes, desde otras asociaciones de familiares de víctimas, y hasta por agentes del Estado. Una distribución que les ha permitido la creación de un particular espacio asociativo.

 

 

LAS « MUJERES VÍCTIMAS DE VIOLENCIAS EN TIEMPOS DE GUERRA » COMO SUJETAS DE DERECHO: CONVERGENCIA O CONTRADICCIÓN DEL GÉNERO Y DE LA JUSTICIA?

 

 Carolina Vergel Tovar (Universidad Externado de Colombia)carolina.vergel@uexternado.edu.co

 

A partir de una investigación doctoral inscrita en una perspectiva de análisis sociológico del derecho, sobre los usos militantes del derecho a propósito de la causa de las mujeres víctimas del conflicto armado en Colombia, el análisis propuesta busca identificar y proponer elementos de comprensión algunos de los procesos que intervienen y que pueden explicar las condiciones de apropiación de la categoría específica de “mujeres víctimas de violencias en tiempos de guerra”. La pregunta de entrada que nos inspira es: ¿cómo explicar que la noción de “mujer víctima” se haya convertido en un elemento central y simultáneamente estructural del activismo feminista colombiano? La tarea de responder dicho interrogante será desarrollada a partir de reflexiones diversas sobre el caso colombiano. Una primera inscribe la pregunta dentro de un fenómeno amplio que puede resumirse en “el nuevo lugar de la víctima”. Asistimos a un “boom” de trabajos e investigaciones sobre “la o las víctimas”, que constituye una pista en sí misma de los cambios de esta noción y de las dinámicas relacionadas con ella. Hay otras asociaciones poco problematizadas a propósito de la noción de víctima que la vinculan con la dimensión jurídica, en especial la judicial, en un lazo que tiende a “naturalizar” dicha relación. Dos problemas parecen surgir de dicha naturalización. El primero, la reducción de la noción al marco y lógica jurídicos. El segundo, la presunción de la disposición de las víctimas a la traducción de su rol en términos jurídicos y judiciales. Por último, encontramos que la conciliación de la noción de “mujeres víctimas” con las reivindicaciones en nombre de otras víctimas y, en especial, de la causa de las mujeres en general, le plantea preguntas profundas a las lógicas de articulación de los discursos y de las estrategias feministas de emancipación a través y en nombre del derecho.

Palabras claves: mujeres, víctimas, justicia, Colombia

 

 

“UNA ACCIÓN CONTRA EL SILENCIO”. NUEVAS FORMAS DE DENUNCIA DE DELITOS DE LESA HUMANIDAD EN URUGUAY. UNA REFLEXIÓN A PARTIR DE OCTUBRE DE 2011

 

 Jimena Alonso Y Mariana Risso (Universidad de la República) jimena8581@gmail.com/ mrissof@gmail.com

 

Los treinta años que transcurrieron desde el fin de la dictadura cívico militar (1973-1985) en Uruguay, estuvieron marcados por la imposibilidad de juzgamiento a los crímenes cometidos durante el terrorismo de Estado. Ese horizonte se perpetúa hasta nuestros días, en diferentes niveles de impedimentos y confrontaciones de intensidad variable. En octubre de 2011, a instancias de un colectivo ciudadano de diversas pertenencias sociales, mayormente jóvenes, se presentaron en las comisarías de Montevideo 180 denuncias sobre casos de violación a los derechos humanos ocurridas durante el terrorismo de Estado. Convocados bajo dos consignas: “Yo me hago cargo” y “Denunciá por todos”, esas acciones desafiaron formas hegemónicas de construcción reivindicativa y producción de discursos sobre la memoria histórica.

Las formas organizativas y las consignas adoptadas por la convocatoria interpeló lo que llamamos  cultura de la impunidad y sus lógicas naturalizadas; descentró los reclamos por los desaparecidos, dándole relevancia también a casos de homicidios políticos y torturas; amplió a personas interesadas en denunciar el accionar delictivo del Estado aunque no hayan sido víctimas directas.  Esos factores fueron una novedad respecto a lo que han sido las formas de denuncia en Uruguay y generó un quiebre en relación a los discursos reivindicativos de  las organizaciones de derechos humanos. Nos proponemos destacar la persistencia de ambivalencias entre discursos y  acciones que se desarrollan bajo la consigna de Verdad, Justicia y Reparación, a partir de un análisis concreto de caso.  La apropiación de escenarios reivindicativos por parte de nuevos protagonistas permite la producción de nuevas formas, sensibilidades y sentidos contra hegemónicos.   

Palabras clave: impunidad, justicia, memoria, generaciones, acciones colectivas.   

 

 

 

IGREJA E AÇÃO COLETIVA: A (RE)CONSTITUIÇÃO DE PAPÉIS, PROBLEMÁTICAS SOCIAIS E GRUPOS VITIMIZADOS.

 

Hugo Freitas de Melo (UFMA). Jorge Luiz Feitoza Machado (PPGCSoc./UFMA)

 

Este trabalho elenca resultados preliminares de uma investigação ainda em andamento que aborda o processo de constituição de mediadores de causas sociais tidas como legítimas em defesa de grupos sociais vitimizados. Precisamente, o enfoque incide sobre a atuação de sacerdotes inscritos em diferentes instâncias de ação coletiva, sobretudo vinculadas à igreja católica (Conselho Indigenista Missionário, Comissão Pastoral da Terra e Comissão de Justiça e Paz), tendo como universo empírico o Maranhão, Estado situado na região Nordeste do Brasil. Objetiva-se analisar a composição do repertório de mobilização desses agentes, combinando aspectos sociográficos de suas carreiras militantes com elementos posicionais e disposicionais, como chave para o entendimento de construção de problemáticas sociais e de identificação de grupos vitimizados. Em sua dimensão teórico-metodológica, articula-se aportes da antropologia política, como a noção de mediação, com o conceito de estruturas de oportunidades políticas, a fim de compreender as dimensões formais e informais que condicionam a abertura de canais diversificados para a expressão de reivindicações de grupos sociais. A partir de dados empíricos obtidos em configurações específicas, o trabalho oferece um conjunto de interpretações que ajudam a compreender o processo de reestruturação do espaço religioso católico no Maranhão, que está na base de diversificação dos papéis assumidos por seus agentes eclesiais. Nesse sentido, a pesquisa sinaliza para o entendimento de que a formatação de uma agenda de causas sociais está muito mais atrelada às funções de (re)definição das próprias problemáticas e de seus grupos vitimizados (indígenas, trabalhadores sem-terra, etc.) por ação direta desses mesmos mediadores religiosos.

Palavras-chave: Igreja Católica. Sacerdotes. Mediação. Problemáticas sociais. Grupos vitimizados.     

 

 

TÁTICAS DE GOVERNO DO DESAPARECIMENTO DE PESSOAS

 

Eduardo Martinelli Leal (PPGAS/UFRGS-IFSUL)martinelli_leal@yahoo.com.br

 

Este trabalho trata-se de uma abordagem etnográfica de movimentos de familiares e voluntários na busca de pessoas desaparecidas no Brasil. Entre as principais agendas do movimento está a demanda por uma política integrada de identificação, a criação de uma categoria jurídica acerca do desaparecido e um maior investimento na investigação dos casos. Argumento que essa mobilização coletiva pela busca de desaparecidos não é apenas um diagnóstico da ausência do Estado nessa área, nos termos do próprio movimento, mas é, sobretudo, outra forma de fazer esse Estado, através da eleição de novas prioridades, sensibilidades, autoridades. É na suposta crise do Estado que o governo do desaparecimento de pessoas ocorre, através de moralidades, agentes, saberes. Argumento que a mobilização não interpela apenas o Estado, mas a própria sociedade a se engajar na busca, que emerge como uma categoria produtiva para pensar o problema do desaparecimento de pessoas. O desaparecimento se confunde com a especulação sobre as possíveis causas do desaparecimento, uma vez que não seria possível enquadrá-lo através de nenhum fato jurídico, tampouco policial, até que as circunstâncias do desaparecimento tenham sido descobertas. O dilema da mobilização seria justamente configurar um problema social, mas também inscrever o desaparecimento como um problema jurídico, a partir de uma lógica que não esteja assentada na materialidade dos fatos.  Este trabalho reflete acerca das condições históricas de emergência da mobilização, suas tensões, formas de legitimidade e hierarquias, bem como sua articulação na institucionalização de formas de governo ao desaparecimento de pessoas.

Palavras-chave: desaparecimento de pessoas, militância, moralidades.

 

 

DENUNCIA PÚBLICA Y OPERACIONES CRÍTICAS DE LOS ACTORES. EL CASO DE LA INUNDACIÓN DE LA CIUDAD DE LA PLATA EN EL AÑO 2013

 

Favio Adrian Josin (FTS-UNLP). fjosin@hotmail.com

 

En este trabajo me propongo describir como se desarrollo el activismo de los familiares de las víctimas de la inundación de la ciudad de la Plata en el año 2013. La inundación  produjo pérdidas materiales por el valor de 500 millones de dólares; afecto a más del 55% de la población del partido, tuvo como consecuencias, 70.000 viviendas inundadas y un saldo de 95 muertos. Entre las víctimas fatales se encontraban tanto habitantes de los barrios periféricos como del casco urbano de la ciudad: comerciantes, empleados y profesionales. El Estado Nacional y Provincial buscaron minimizar su responsabilidad en la tragedia con el argumento de que se trato de una “catástrofe natural”. Frente a esta situación y en el marco de las tempranas discusiones sobre las verdaderas causas de la inundación y el número real de victimas se reactivaron algunas asambleas barriales y se produjeron movilizaciones que denunciaban la falta de previsión estatal, su lenta respuesta para con las víctimas, la falta de ayuda económica para los damnificados y una explicación sobre los motivos de la insólita inundación de la ciudad. A partir de entrevistas a los participantes de esas marchas y asambleas y de material periodístico trataremos de identificar  las operaciones críticas  que forman  la competencia crítica de los actores y  que se pusieron en juego en ese proceso de denuncia pública tal como lo interpreta Luc Boltanski; cuáles fueron los soportes que utilizaron, los argumentos  y los recursos que movilizaron en ese debate público.

Palabras claves: activismo, inundación, asambleas barriales, operaciones críticas.

 

 

DE INUNDADOS A INUNDADOS: LA ASAMBLEA DE AFECTADOS EN SANTA FE COMO ENSAMBLAJE DEL POSTDESASTRE  

 

Susann Baez Ullberg (CRISMART/SDU, Suecia/ CIS-CONICET/IDES, Argentina)susann.baez.ullberg@fhs.se

 

A fines de Abril del 2003 sucedió la peor inundación de la ciudad argentina de Santa Fe. Un tercio del territorio urbano quedó bajo las aguas del Río Salado, afectando a una tercera parte de la población (aproximadamente 130,000 personas). 23 personas murieron y cientos de familias perdieron sus casas como consecuencia directa del desastre. Si bien esta no fue la primera inundación desastrosa en la historia de la ciudad, constituyó un evento crítico, produciendo nuevos modos de acción y redefiniendo categorías sociales existentes. A los tres meses del desastre, los inundados tomaron la Plaza de Mayo en el centro de la ciudad para reclamar por responsabilidades políticas por lo sucedido y por recompensa por las pérdidas. A los doce años, la Asamblea de Afectados por la Inundación sigue reclamando por justicia en las calles de Santa Fe. El estudio se basa en trabajo de campo etnográfico translocal y transtemporal en dicha ciudad desde el año 2004. Usando el concepto de ensamblaje en su definición como una configuración emergente de relaciones, analizo en esta ponencia el devenir del movimiento de protesta de Santa Fe y el proceso de víctimas a activistas, mediante la configuración dinámica de sus componentes (individuos y grupos de gente, discursos, símbolos, lugares y objetos) en el tiempo y el espacio. De particular interés es la institucionalización de dicho colectivo mediante la figura de la Asamblea; histórica forma de acción colectiva, actualizada en la Argentina y en el mundo con las crisis sociales de los últimos tiempos.  

Palabras claves: desastre, Santa Fe, inundados, Asamblea de Afectados, ensamblaje

 

 

EL ESPACIO PÚBLICO COMO ESCENAS DEL DOLOR. UN ANÁLISIS A PARTIR DE LA ICONOGRAFÍA Y HOMENAJES A VÍCTIMAS DE LAS TRAGEDIAS RECIENTES EN LA CIUDAD DE BUENOS AIRES.

 

Paula Krause (UBA-CONICET) pg_krause@yahoo.com.ar

 

En Argentina, y en particular, en la Ciudad de Buenos Aires, existe una enorme trayectoria que vincula la lucha de las víctimas- y sus familias- y la intervención en el espacio público. Desde las Madres y Abuelas de Plaza de Mayo, que desde fines de la última dictadura militar, han colmado dicha plaza con pañuelos blancos –su típica simbolización-, y han pasado al reconocimiento internacional como tales, la ciudad ha devenido el reflejo del dolor de las víctimas y de sus familiares, y de múltiples formas de mantener vivo el recuerdo de los mismos como así también, el reclamo de justicia. La propuesta del siguiente trabajo es, a partir de los recientes casos de hechos traumáticos que han tenido lugar en la Ciudad, poner en discusión las escenas e iconografías del dolor. En este sentido, apuntamos a discutir sobre la intervención del espacio público como espacio de memoria –y también de justicia-, por parte de los familiares y amigos de las víctimas; así también analizar y discutir la trayectoria de ese espacio público, que desde hace décadas se ha convertido en un espacio de reconocimiento y de legitimación del lugar de las víctimas en la sociedad, y lugar de interpelación hacia el resto de los ciudadanos. La pregunta que guiará nuestra propuesta es ¿cómo se escenifica el dolor de los familiares y el recuerdo de las víctimas? ¿Cuáles son los íconos, símbolos e imágenes utilizados? ¿Qué características asumen los homenajes a las víctimas? ¿Cómo se transforma “lo público” frente a la escenificación del dolor? La hipótesis propuesta será la mutación del espacio público, en tanto espacio donde prima lo íntimo, la compasión, y la proximidad, y donde se renuevan continuamente las figuras para simbolizar lo irrepresentable: el dolor y la tragedia; caracterizado, a su vez, por un nuevo sujeto político que como protagónico: las víctimas.

Palabras claves: espacio público/tragedias/víctimas/iconografías/homenajes.

“NOSOTROS TENEMOS PEDAZOS DE LA ESCUELA”. EL MUSEO DE LA ESCUELA DE MECÁNICA DE LA ARMADA

 

María Jazmín Ohanian (UNSAM)jaz.ohanian@gmail.com

 

En la actualidad, la ESMA no es solamente un ex centro clandestino ni una ex escuela de Suboficiales. El predio representa una de las políticas de patrimonialización del pasado más ambiciosas de la historia argentina: comprende un ente público nacional, un monumento, una prueba material en juicios, un conjunto de sedes de organismos de DDHH, varios centros culturales, un archivo nacional, un espacio de formación universitaria, un canal de tv, una editorial, un espacio de intervención experta, el Museo de la Memoria y el actual Museo de la Soberanía de Malvinas. A su vez, durante la realización de mi Tesis de maestría, logré identificar una multiplicidad de formas de nombrar al predio de la ESMA que no funcionan como sinónimos sino que se vinculan con representaciones heterogéneas sostenidas por actores y grupos también diversos. Esa exploración inicial me posibilitó ampliar el mapa de actores que participan (y los que no) de esas políticas de patrimonialización. En esta ocasión, el propósito de este trabajo es compartir mi experiencia de investigación sobre el museo creado por ex alumnos de la Escuela de Mecánica de la Armada (ESMA) para analizarlo como un novedoso repertorio de acción que incluye la apropiación de registros materiales para la representación de pasados que pueden ser entendidos por fuera del paradigma de Memoria, Verdad y Justicia. El objetivo es pensar a través de qué prácticas militantes diversos actores buscan, en la actualidad, un espacio público para intervenir en las políticas de patrimonialización sin ser víctimas, familiares o sobrevivientes.

Palabras clave: ESMA, activismo, suboficiales, patrimonialización, museo.

 

 

LA MEMORIA POLÍTICA Y LA ECONOMÍA MORAL DE CIUDADANÍA EN AUSTRALIA Y ARGENTINA: TEORÍA CON INTENCIÓN COMPARATIVA

 

           Robin Rodd James Cook University, Australiarobin.rodd@jcu.edu.au

 

El recuerdo selectivo de los acontecimientos políticos del pasado, sobre todo en relación a la violencia de Estado y la guerra, ayuda a definir los parámetros de lo que es políticamente aceptable en el presente. Sin embargo, adaptando el concepto de economía moral de Fassin (2009; 2011), lo que es posible o deseable políticamente esta lazada a un ambiente cultural de sentimientos y valores que podemos llamar una economía moral de ciudanía. Este trabajo explora las maneras en que ciertas ideas sobre la ciudadanía y la democracia están incrustados en monumentos a la guerra y la violencia del Estado, y que contribuyen a distintas economías morales de la ciudadanía en Australia y Argentina. Sostengo que la obediencia a la autoridad del Estado y el capitalismo se ha institucionalizado en Australia al mismo tiempo que referencias a, y las posibilidades de, insurrección y resistencia han sido dejados de al lado. Esta institucionalización de la obediencia se manifiesta en una amplia gama de marcadores culturales y políticas, incluso el diseño urbano, el uso del espacio público, y el uso de los monumentos de guerra. Por el contrario, el Estado argentino bajo las administraciones Kirchner ha resucitado un discurso setentista de radicalismo, e institucionalizadlo como parte del proyecto nacional (Montero 2007). Enmarco mi discusión de la ciudadanía en torno el enfoque de O'Donnell (2010), que la ve como un vector de la democracia lazada a la agencia política, y en términos de Balibar (2014) que sostiene que la ciudadanía es una dialéctica de la insurrección y la institución. Según Balibar, en el origen de todas las instituciones políticas hay un momento de anarquía ‘que tiene que ser constantemente re-activado precisamente si la institución sería política. La construcción de la política, y por lo tanto la definición del ciudadano, por lo tanto sólo pueden ser antinómico’ (Balibar 2014:175). Pero que pase cuando la desobediencia es institucionalizada o borrada de la memoria? Yo sostengo que una cierta institucionalización de la desobediencia en la Argentina y de la obediencia en Australia representa economías morales diferentes de la ciudadanía, relacionadas a distintas valores alrededor la democracia, la participación, la autoridad y la justicia que puede iluminar posibilidades rasgos de y riesgos por la democracia actual en cada país.

Palabras claves: economía moral, ciudanía, memoria política, monumento, insurrección.

 

 

REVISTA ÍNTIMA/VEXATÓRIA E POLÍTICA PRISIONAL: “VÍTIMAS”, GÊNERO E MOBILIZAÇÃO SOCIAL

 

Natália Bouças do Lago (PPGAS/USP) nalago@gmail.com

 

Este trabalho se propõe a explorar as possibilidades de mobilização política presentes na disputa em torno da revista íntima/vexatória, procedimento que ocorre em prisões brasileiras e é realizado junto aos visitantes/familiares de presas/os. A prática consiste em revistar, com desnudamento e exposição das partes íntimas, pessoas - sobretudo mulheres - que entram em prisões na condição de visitas, e ocorre sob a alegação de que seus corpos escondem objetos proibidos que teriam o interior da prisão como destino. Nomeio a revista utilizando os dois nomes com os quais ela é chamada: íntima, entre operadores da política prisional; vexatória, entre aqueles que se opõem à prática. A discordância em torno da nomeação manifesta divergências que são de ordem política e levanta questões sobre o reconhecimento da violência inerente à revista íntima/vexatória. Nesse sentido, uma das campanhas realizadas por organizações da sociedade civil que demandam a proibição da revista compartilha depoimentos de pessoas que passaram pelo procedimento para que outros possam “sentir na pele o drama das vítimas”; a formulação da campanha levanta a dimensão de vitimização produzida pela revista e sugere que as situações de sofrimento que se traduzem em acompanhar a prisão de uma pessoa querida e em ser vitimizada por práticas do sistema penitenciário podem ser agenciadas de modo a produzir demandas políticas e lugares de mobilização social. A discussão que proponho vem sendo desenvolvida a partir de pesquisa antropológica com familiares de pessoas presas e organizações de defesa de direitos humanos no contexto prisional.

Palavras-chave: Gênero; experiência; prisões; vítimas; política.

 

 

 

 

DE REPRESORES A VÍCTIMAS. REFLEXIONES SOBRE LAS DEMANDAS DE PRESOS POR DELITOS DE LESA HUMANIDAD EN ARGENTINA

 

Natalia Ojeda (UNCPB – CONICET. Argentinanatalyaojeda@gmail.com

 

En el marco de la instalación de los derechos humanos como política de Estado en Argentina, la consigna “Memoria, Verdad y Justicia” acuñada por el movimiento por los DDHH a partir del regreso a la democracia, se cristaliza a partir de 2003 con la anulación por el parlamento nacional de las leyes de Obediencia Debida y Punto Final que impedían que los responsables de delitos de lesa humanidad fueran juzgados. Pero es a partir de la reapertura de los juicios que el Estado se enfrenta a un nuevo desafío: la necesidad de impartir castigo a través de la privación de la libertad de los culpables en “cárcel común”.  Sin embargo, esta experiencia, paradójicamente, trajo aparejada la aparición de nuevos actores en el contexto de encierro: presos condenados y procesados por delitos de lesa humanidad que se consideran "presos políticos" y "victimas" de una política de Estado.  Desde una perspectiva etnográfica, este trabajo pretende aportar reflexiones recientes sobre la experiencia de encierro de estos nuevo actores dentro del sistema penitenciario: las diversas manifestaciones y modos alternativos en que estos detenidos hacen conocer sus demandas, reclaman legitimidad y participación política en defensa de sus causas judiciales, condiciones de detención y de su condición humana. Por último, se intenta mostrar cierta historicidad sobre sus actuales formas de organización colectivas para hacer efectivos sus reclamos. Formas en las que frecuentemente aparecen las nociones de "presos políticos", democracia, justicia y respeto a la vida humana.

 

 

OS TAPAYUNA NA HISTÓRIA

Daniela Batista de Lima (PPGAS/UnB)

 

Este trabalho tem como finalidade situar historicamente os Tapayuna, autodenominados Kajkhwakratxi-jê (literalmente “começo do céu”, leste), também conhecidos como Beiço de Pau ou Suyá ocidentais. Pertencem à família linguística Jê e habitavam a margem esquerda do rio Arinos, no complexo Tapajós-Juruena-Arinos.  Descrevo, no presente artigo, como o processo de ocupação do rio Arinos pelos não índios culminou nas tentativas de contato e “pacificação” dos Tapayuna, os quais foram transferidos, em 1971, para o Parque Indígena do Xingu (PIX) – uma decisão tomada à revelia dos índios.

Esta decisão resultou na extinção da “Reserva Indígena Tapayuna”, criada em 1968 e aberta oficialmente a colonização após oito anos de sua criação sob alegação de não existirem mais sobreviventes na área em razão das mortes por envenenamento, gripe e transferência para o PIX.  Atualmente os Tapayuna vivem um processo de fortalecimento cultural, linguístico e político e reivindicam uma reparação equitativa do estado brasileiro, em termos de indenização, pelo esbulho territorial e pelo processo de etnocídio e genocídio ao qual foram submetidos.

Palavras Chave: Tapayuna; Arinos; Contato; Genocídio; Etnocídio.

 

 

 

 

“A ÚNICA LUTA QUE SE PERDE É AQUELA QUE SE ABANDONA”: FAMILIARES DE MORTOS E DESAPARECIDOS POLÍTICOS NO BRASIL

 

Desirée de Lemos Azevedo (PPGAS/UNICAMP)desireelazevedo@gmail.com

 

No Brasil, entre 2012 e 2015, esteve em funcionamento a Comissão Nacional da Verdade, organismo criado com a função de investigar as violações de Direitos Humanos praticadas pela Ditadura (1964-1985). Esse trabalho resulta de uma pesquisa etnográfica realizada nesse contexto. Durante três anos acompanhei a atuação dos “familiares de mortos e desaparecidos políticos” em meio a arenas de debates, onde a identificação da violência passada, a denúncia da injustiça e a nomeação de direitos se fizeram centrais. Arenas onde se desenrolaram fortes disputas políticas. Nesse trabalho, discutirei as estratégias e categorias acionadas pelos “familiares” nesses espaços para garantir a legitimidade de suas vozes e posições políticas, pensando as maneiras pelas quais suas narrativas estabelecem movimentos entre o luto e a causa coletiva, a dor pessoal e a memória nacional, os vínculos afetivos da família e as “ações de Estado”. Argumento que seu campo de atuação política aponta processos em que a mobilização de categorias e a construção de significados escorrega por entre fronteiras, sobrepondo domínios que pressupomos distintos, tais como família e Estado, indivíduo e sociedade, público e privado, emoção e razão. Sugiro ainda que um movimento de familiares se constitui, simultaneamente, nomeando e atravessando esses domínios. Funda-se em meio às complexas relações que “os familiares” estabelecem entre si, através de redes de militância e solidariedade, com os “mortos e desaparecidos” e com as instituições do Estado.

Palavras-Chave: familiares, direitos humanos, política, vítimas, Ditadura.

 

 

ANTROPOLOGIA E INFLUÊNCIA POLÍTICA. REFLEXÕES ACERCA DO PAPEL ANTROPOLÓGICO PARA A COMPREENSÃO DA VITIMIZAÇÃO E ALÉM: A RELEVÂNCIA DO “ATIVISMO DAS VÍTIMAS” PARA O OUTRO LADO DA VITIMIZAÇÃO

Larissa Morelhão (UEL) larissa.morelhao@gmail.com

 

Este trabalho parte do reposicionamento frente ao estado tutelar da Infância brasileiro. Minhas primeiras reflexões em 2012 centravam-se na moral espírita kardecista para a filiação simbólica das meninas criadas no Lar Infantil Marília Barbosa, Cambé-PR que propiciava formas metafísicas de compreensão do ser e relacionalidades atenuantes da soberania dos laços consanguíneos sobre o vivenciamento do amor fraterno.

A implementação da “Lei da Adoção” (n. 12.010) ao Estatuto da Criança e do Adolescente em 2009 começava a refletir nas técnicas de cuidado e decisões municipais de abrigamento com auxílio de organizações e associações não governamentais compondo a rede de desenvolvimento cidadão de crianças e jovens destituídas do poder de família e tuteladas pelo Estado.

Visando o projeto social da Lei construi em 2013 uma etnografia comparativa entre o Lar de Cambé, o Lar Espírita Cairbar Schutel de Matão-SP e as Casas Abrigo dos respectivos municípios, de modo que as decisões municipais na aplicabilidade da Lei tornaram-se mais evidentes conforme seus contextos e pude concluir na época a investidura da tutela estatal em suas variáveis. No presente, estudadas possibilidades e meios de preservação das individualidades, destituições não discursivas, razões estatutárias subjacentes e moralidades institucionais desejo compartilhar reflexões de pesquisa e obstáculos acerca das condições infantojuvenil categorizada vítima de violência e abuso sexual com algumas amostras da etnografia dissertativa que centraliza Identidade(s) e subjetivações - pessoais, culturais, social, institucional, legal e assistencial - da violência (DAS).

Estabelecendo diálogos à demanda ética em pesquisa antropológica, suas influências e equilíbrios.

Palavras chaves: Ética, posicionamento etnográfico, influência antropológica, vitimizações e ativismos.

 

 

FACES DA DESIGUALDADE: OS EFEITOS DA CIRCULAÇÃO DE RETRATOS DE CRIANÇAS DESAPARECIDAS NO BRASIL

 

Leticia Carvalho de Mesquita Ferreira (CPDOC/FGV-RJ)leticia.ferreira@fgv.br

 

Em 1996 foi criado, no Rio de Janeiro, um serviço público especializado no desaparecimento de crianças e adolescentes: o SOS Crianças Desaparecidas. A criação do SOS atendeu a determinações da lei federal brasileira conhecida como Estatuto da Criança e do Adolescente, e respondeu à crescente importância conferida, sobretudo por meio da luta de familiares de vítimas, ao fenômeno do desaparecimento de pessoas no Brasil. A partir de pesquisa etnográfica realizada nas dependências do SOS, o trabalho propõe uma reflexão acerca dos múltiplos efeitos provocados por uma das principais ações realizadas pelos assistentes sociais que trabalham no serviço: a divulgação sistemática de retratos de meninas e meninos desaparecidos, realizada por meio de convênios com ONGs, associações de familiares de desaparecidos, empresas e outros parceiros. Argumento que a difusão de fotografias de desaparecidos tem efeitos não só na trajetória particular de cada caso de desaparecimento assim divulgado, mas também nas biografias de crianças, adolescentes e outros sujeitos cujas faces não são divulgadas, mas que, em consequência da circulação das fotografias, tornam-se alvo de intervenções por parte de serviços e órgãos públicos. Mais especificamente, busco demonstrar o papel tão sutil quanto determinante de certas categorias e julgamentos morais na definição de que outras crianças além das vítimas de desaparecimento podem terminar por sofrer intervenções em consequência da circulação de retratos de meninas e meninos desaparecidos. Entendo o acionamento dessas categorias como parte do quadro mais amplo de reprodução de desigualdades alimentado rotineiramente por práticas de intervenção estatal no campo da infância e juventude.

Palavras-chave: desaparecimento, crianças e adolescentes, fotografias, intervenção.

 

 

VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA: CONFLITOS ÉTICOS EM TORNO DA LEGITIMAÇÃO DE UMA CATEGORIA

                        Mariana Marques Pulhez (PPGAS/UNICAMP) m.marquespulhez@gmail.com

Nesta apresentação, buscarei analisar o modo pelo qual a categoria violência obstétrica é produzida, os significados que lhe são atribuídos por mulheres que se entendem como vítimas desta violência e as arenas de conflitos éticos construídos em torno da noção de “bom parto”. O chamado movimento de humanização do parto no Brasil vem construindo uma agenda política de luta pela legitimação da ideia de que determinados atos cometidos contra a vontade de gestantes devem ser entendidos como desrespeito aos seus direitos sexuais e reprodutivos. As disputas, contudo, se inserem nas diferenças entre as noções do que seja um “bom parto”, construídas dentro do que Didier Fassin chamou de movimento de compaixão baseado em razões humanitárias. Objetivando chamar a atenção para a violência obstétrica e apontar para sua existência em hospitais brasileiros, resultam desse movimento leis e programas de governo ancorados em tendências internacionais de atendimento ao parto, e é sob o seu respaldo que ativistas pelo combate a esta violência constroem suas reivindicações. Proponho, portanto, compreender a construção moral da violência obstétrica e a sua relação com a formulação de um tipo específico de vítima, entendendo esse processo como uma luta por reconhecimento que resulta na elaboração de um novo sujeito de direitos. Com isso, busco contribuir para o debate maior sobre os conflitos intrínsecos às relações entre vítimas, seus dispositivos de gestão e o modo como o Estado é acionado em casos de reivindicação pelo reconhecimento de uma forma particular de violência.

Palavras-chave: violência obstétrica – reconhecimento – vítimas – ativismo – humanização do parto

 

 

GT4. A CONSTITUIÇÃO DE ESPAÇOS SOCIAIS TRANSNACIONAIS DE DISCUSSÃO E IMPLEMENTAÇÃO DE DIREITOS INDÍGENAS

Coordinadores:

Fernando, García. Institución: (Flacso/Equador) Departamento de Antropología, Historia y Humanidades. fgarcia@flacso.org.ec

María, Barroso. Institución: Programa de Pós-Graduação em Antropologia e Sociologia - PPGSA Instituto de Filosofia e CieÌ‚ncias Sociais–IFCS. Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. almah@superig.com.br

Comentarista: Ricardo Verdum. Institución: UFSC, Universidade Federal de Santa Catarina. rverdum@gmail.com

 

 

Processos de espacialização de comunidades políticas

 

 

PARA O ÍNDIO SER MAIS ÍNDIO: PERSPECTIVAS DE ATUAÇÃO MISSIONÁRIA JUNTO AOS POVOS INDÍGENAS ENTRE OS ANOS 1970 E 1990

Fernanda Caroline Cassador Costa – Mestranda  do Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia - PPGSA, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil. (fernandacassadora@gmail.com)

 

A relação entre povos indígenas e missionários mostrou-se profícua aos estudos antropológicos para o debate sobre formas de dominação e colonização de coletivos étnicos em diferentes esferas nacionais. Para além da reificação desses paradigmas, este trabalho busca lançar luz sobre a atuação de duas missões protestantes – Tapeporã e Guarita – entre os anos 1970 e 1990 junto aos povos indígenas no Brasil, que estão implicadas em processos de transformações em curso em diferentes instâncias religiosas de níveis nacionais e transnacionais. Para dar concretude a este horizonte, buscaremos analisar essas duas missões sem perder de vista as relações que guardavam junto a uma organização ecumênica a nível transnacional – o Conselho Mundial de Igrejas – que impulsionou mudanças na atuação das igrejas protestantes em setores sociais que se encontravam à margem do desenvolvimentismo econômico brasileiro dos anos 1970. Lançar luz sobre essas dinâmicas e atores sociais localizados em esferas específicas, mas constituídos em relações que ultrapassam as fronteiras nacionais, nos ajudam a pensar acerca de diferentes relações entre povos indígenas e religiosos que não se circunscrevem no binômio “colonizador e colonizado”, mas que vão em direção a constituição de novas identidades religiosas que se colocam em defesa dos direitos indígenas, trazendo a tona novas formas de indigenismo.

Palavras-chaves: Missões Religiosas. Povos Indígenas.

 

 

 

 

REDD+ INDÍGENA AMAZÔNICO: UM ENCONTRO DE DISCURSOS

 

Isabel Rodrigues de Mesquita - Mestranda do Centro de Pesquisa e Pós-Graduação sobre as Américas (CEPPAC) - Universidade de Brasília (UnB), Brasil (bel.mesquita@gmail.com)

 

O presente trabalho apresenta a proposta de “REDD+ Indígena Amazônico” (RIA) elaborada pela organização indígena Coordinadora de Organizaciones Indigenas de la Cuenca Amazonica (COICA), rede composta por nove organizações indígenas (uma de cada um dos países que fazem parte da região da bacia amazônica). A COICA pode ser considerada um sujeito político indígena multi-étnico, e, ao mesmo tempo, um sujeito com etnicidade própria construída a partir de suas organizações base e interações com outros sujeitos não-indígenas. A COICA é uma organização indígena que constrói suas propostas em e a partir de espaços de discussão com outros sujeitos variados e internacionais (ONGs, representantes do governo e do setor privado). Ademais, Sua especificidade enquanto organização indígena reside também em sua esfera de atuação; diferentemente de muitas organizações indígenas que tem como interlocutor direto o Estado nacional, a COICA atua numa esfera internacional. A organização assume, muitas vezes, uma estratégia de assimilação e transformação de discursos hegemônicos para configuração e resistência do movimento indígena organizado. A proposta de RIA apresentada pela COICA nas Conferencias do Clima da ONU (COP) desde 2011 é ilustrativa desta estratégia. O trabalho analisa como esta ‘captura discursiva’ apresenta-se como uma forma de resistência do movimento indígena, a partir da análise da proposta de RIA que se diferencia do mecanismo de REDD+ tradicional ao incluir reivindicações pautadas há décadas pelo movimento indígena, como o direito e titulação dos territórios, a autonomia e a valorização cultural dos povos indígenas.

Palavras-chave: organizações indígenas, mudanças climáticas, redes transnacionais, globalização, direitos indígenas.

 

 

ENTRE A ALDEIA E A CIDADE: REDES DE RELAÇÕES E RECONFIGURAÇÕES POLÍTICAS DO MOVIMENTO INDÍGENA NO SUL DO AMAZONAS(HUMAITÁ E MANICORÉ)

 

Jordeanes  do NascimentoAraujo - Doutorando em Ciências Sociais da UNESP, Brasil

 (jordeanes.araujo@gmail.com)

 

No passado era possível traçar rígidas distinções entre as mobilizações étnicas dos indígenas e as formas de luta desenvolvidas pelos camponeses, pautadas as primeiras em diferenças culturais e linguísticas, enquanto as segundas intervinham diretamente na esfera política (via sindicatos, partidos, grupos religiosos) (OLIVEIRA, 2011). Hoje, as demandas coletivas não são apenas dos indígenas, que se mobilizam enquanto “comunidades” associações e reivindicam um território étnico. “Ribeirinhos”, “Assentados” “Atingidos por Barragens” “Quilombolas” e outras identidades coletivas, também estão se juntando em unidades sócio-políticas maiores, sejam deslocadas pelos grandes empreendimentos, seja pela ação política de ocupação de terras específicas (ALMEIDA, 2011).  Nesta perspectiva, o que se busca neste trabalho, se resumi em cinco problemáticas. Qual a situação dos chamados “índios nas cidades”? Quais seriam as dinâmicas da identidade étnica nessas cidades? E quais são as formas de estratégias políticas indígenas que esses processos geram frente ao Estado?  e como os indígenas reconfiguram relações políticas no urbano via movimento indígena. Assim, as lutas atuais dos povos indígenas não se dão apenas em nível local, em escalas micro-políticas, mas envolvem também organismos de representação coletiva, movimentos indígenas e associativas, personalidades públicas e uma rede complexa de alianças (que ultrapassa os limites nacionais).

Palavras-chave: identidades coletivas, Territorialização, política indígena, movimento indígena, Sul do Amazonas

 

 

SOBRE COLONIALISMO E UTOPIA NA AMAZÔNIA OCIDENTAL: POVOS INDÍGENAS E DESENVOLVIMENTO NA  FRONTEIRA BRASIL-PERU

 

José Pimenta  - Departamento de Antropologia -DAN, Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social - PPGAS, Universidade de Brasília – UnB, Brasil (josepimenta17@gmail.com)

 

Desde o início do atual milênio, a região de fronteira Brasil-Peru no sudoeste amazônico, onde o estado brasileiro do Acre faz limite com os departamentos peruanos de Madre de Dios e Ucayali, tem sido objeto predileto de vários empreendimentos governamentais de desenvolvimento já realizados ou em planejamento para os próximos anos. Tendo como fio condutor a situação dos povos indígenas dessa região, esta comunicação procurará apresentar algumas reflexões iniciais sobre uma pesquisa em andamento que objetiva analisar os discursos e as políticas contemporâneas de desenvolvimento e de integração binacional que atingem essa fronteira, assim como suas consequências e as respostas dos povos indígenas a essas políticas. Articuladas em diferentes níveis e mobilizando uma grande variedade de atores (governos regionais e nacionais, agências financiadoras, grandes empresas, etc.), as políticas governamentais contemporâneas, apesar de incorporarem a retorica da sustentabilidade, continuam sendo imposta de modo unilateral e perpetuam a lógica colonialista do desenvolvimentismo tradicional baseado na exploração dos recursos naturais amazônicos. Diante desse novo colonialismo que ameaça seus territórios e modos de vida, os povos indígenas dessa região de fronteira tentam se organizar buscando novas formas de articulação transnacional e de alianças interétnicas que associam intimamente os tradicionais discursos indigenistas de defesa de seus direitos constitucionais com a retórica do ambientalismo global.

Palavras-chaves: Amazônia, Desenvolvimento, Fronteira Brasil-Peru, Indigenismo, Ambientalismo.

 

 

BUSCANDO SOCIOS: LA MISIÓN DE UN CONSULTOR HOLANDÉS EN EL NOROESTE ARGENTINO

Natalia Castelnuovo Biraben - CONICET/UBA, Argentina  (naticastelnuovo@gmail.com)

 

A partir de un estudio etnográfico focalizado en analizar procesos de configuración de relaciones políticas entre comunidades y organizaciones indígenas del noroeste, organizaciones no gubernamentales y agencias estatales enmarcadas en políticas de desarrollo en el noroeste argentino, en este trabajo exploro prácticas y representaciones que orientan las acciones de agencias de financiamiento internacional en su búsqueda por encontrar como „socios‟ a ONGs locales. Centrándome en la presencia en el 2006 de un consultor holandés que se hallaba de “misión” en la zona del Departamento San Martín, provincia de Salta, indago en el tipo de interacciones y relaciones que se establecen entre estos actores y sus potenciales „socios‟: las ONGs locales, poniendo especial atención en las representaciones, valores y expectativas que sustentan sus acciones y el peso que éstas tienen en la elección de proyectos y organizaciones cuyos objetivos se ajustan más a lo que la propia agencia y el financiador tienen.

Palabras claves: agencias de financiamiento internacional; ONGs de desarrollo local;

pueblos indígenas; socios; noroeste Argentino

 

 

2a sessão: Projetos políticos e modalidades do indigenismo na América Latina

 

POLÍTICAS INDÍGENAS A NIVEL REGIONAL: ¿HACIA UNA NUEVA AGENCIA DE LA DIVERSIDAD CULTURAL?

 

Macarena Del Pilar Manzanelli UNLaM; IADES-IDES-UNSAM-CONICET, Argentina (mdpmanzanelli@gmail.com)

 

El presente trabajo busca reflexionar a partir del debate conceptual sobre cultura e identidad acerca de la forma en que se abordan cuestiones como la diversidad cultural y la multiculturalidad, mediante las políticas indígenas que se han desarrollado desde las últimas dos décadas en clave regional en América Latina. Se trata de un primer paso para avanzar en una investigación etnográfica sobre el tema.

Así se busca analizar la forma en que discursos y publicaciones, encuentros, protocolos y acuerdos de espacios transnacionales como MERCOSUR y UNASUR plantean y tratan dichos tópicos, y la identificación de actores regionales, intereses y objetivos que se entretejen en torno a un proyecto político latinoamericano. Considero la idea de que estas instituciones como las políticas públicas, desde una mirada antropológica, son narrativas y textualidades que generan en parte performance, producen significaciones y sentidos, y contienen un valor político en cuanto clasifican y definen a los grupos sociales donde subyacen lógicas en relación a la interculturalidad y la diversidad cultural.

Entre los principales interrogantes surgen, siguiendo a Grimson (2002) y García Linera (S/F) ¿pueden las perspectivas de integración abrir opciones ante los problemas de la incompletitud estructural de los proyectos de Estado-nación de monoetnicidad y monoculturalidad, su desencuentro con la sociedad, y estructuras políticas excluyentes? Y, ¿Cómo se articulan las ciudadanías regionales e identidades latinoamericanas con la idea de Pueblos Originarios y el reconocimiento de la diferencia?

Palabras claves:Políticas indígenas - multiculturalidad - integración latinoamericana-reconocimiento de la diferencia - monoculturalidad de los Estados-nación.

 

 

 

TRANSFERÊNCIA CONDICIONADA DE RENDA E NEOINDIGENISMO NA AMÉRICA LATINA

 

Ricardo Verdum. Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Brasil. (rverdum@gmail.com)

 

A partir dos anos 1990 diversos países na América Latina e no Caribe (ALC) passaram a adotar políticas de intervenção social baseadas no modelo de transferência de renda com condicionalidades (TRC). México foi o país pioneiro, ao implantar o Progresa em 2000, que em 2002 passou a ser chamado de Oportunidades. No Brasil temos o Programa Bolsa Família (PBF), criado em 2003, cuja gestão está a cargo do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS). No final da década passada, Colômbia e Panamá foram considerados os países onde mais houve avanços no enfoque étnico, com a criação de programas específicos para povos indígenas. No México, optou-se por focalizar Oportunidades em localidades indígenas. No Brasil e no Chile também foi dada uma atenção explícita os povos indígenas nos respectivos Programas. Além de estarem envolvidos diretamente na implantação dos PTRC na região, tanto o BID quanto o Banco Mundial decidiram no final da década passada apoiar a realização de intercâmbios de conhecimentos e experiências entre os diferentes países. Alegaram haver insuficiência de conhecimento sistematizado sobre a operação de PTRC com populações indígenas, e que tal conhecimento lhes permitiria realizar adequações institucionais nas suas operações envolvendo povos indígenas, assim como nas articulações com os governos na região. Iremos apresentar os resultados preliminares de um estudo em curso sobre “novas modalidades” de indigenismo e de ação indigenista e sua territorialização, que se dão por meio de articulações político-administrativas que ultrapassam as fronteiras nacionais, por meio de sujeitos e agências sociais situados em diferentes locais e níveis.

Palavras-chave: políticas indigenistas; América latina; pobreza; bancos multilaterais; conexões transfronteiriças.

 

 

JOHN COLLIER, MOISES SAENS E INVENÇÃO DO INDIGENISMO MODERNO NAS ÁMERICAS, 1930-1945

 

Thaddeus Gregory Blanchette - Universidade Federal do Rio de Janeiro -Macaé, Brasil (macunaima30@yahoo.com.br)

Tradicionalmente, pense-se no indigenismo moderno como invenção estritamente mexicana, originada na conferência de Patzcuaro em 1940. Todavia, a conferência e os discursos indígenistas que supostamente originaram nela, se espalhando pelas Américas nas décadas seguintes, foi fruta direita de uma longa amizade entre dois homens: o antropólogo mexicano Moises Saens e o administrador indígena EUAmericano, John Collier. O presente trabalho busca desvendar a história das interações entre esses dois homens, que começaram em 1930, quando Collier viajou até México para conhecer o trabalho dos indigenistas daquele país. Sendo nomeado em 1932 como o Comissário por Assuntos Indígenas do governo de F.D. Roosevelt, Collier gastaria os próximos 13 anos tentando forjar uma aliança entre as burocracias indigentistas das Américas para acabar com a assimilação forçada e proteger os grupos indígenas enquanto polities socio-culturalmente distintas e semi-independentes, muitas vezes em parceria aberta com Saenz. O Instituto Indígenista Interamericana foi o resultado dessa aliança, e sua fundação previa uma aliança mexicana-euamericana-brasileira como base para a inauguração de uma nova era de relações entre grupos indígenas e estados coloniais nas Américas. Infelizmente, esse projeto naufragaria com o início da Segunda Guerra e, com o fim do Collier no governo FDR, o projeto seria largamente deixado em mãos mexicanos, onde jaz até hoje. Nossa apresentação recontará os pontos básicos dessa história, largamente esquecida entre pesquisadores dos indigenismos das Américas.
Palavras chaves: indigenismo interamericano, John Collier, Moises Saenz, Instituto Indígenista Interamericano

 

POLÍTICAS INDIGENISTAS DO SETOR ELÉTRICO E PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO SOBRE OS POVOS INDÍGENAS: PERSPECTIVAS ANTROPOLÓGICAS, EMPRESARIAIS E GOVERNAMENTAIS

 

Vinicius Mesquita Rosenthal, Doutorando EHESS, França (vinicius.mesquitarosenthal@gmail.com )

 

Nesta comunicação, serão apresentados os contextos institucionais nos quais se geraram certas concepções do setor elétrico sobre os povos indígenas. Nos anos 80, sob demanda do Banco Mundial  para se considerar os povos indígenas em projetos de desenvolvimento por ele financiados, a antropologia brasileira contribuiu tanto a partir de seguidores da escola interacionista de F. Barth apropriada por críticos do indigenismo oficial, quanto por uma vertente do indigenismo estruturado numa concepção histórica dos povos indígenas, tributária de Darcy Ribeiro. Esta última corrente gerou subsídios, organizados a partir do conceito de “justiça- compensatória-retributiva”, para formulação das políticas indigenistas da Eletrobrás e de suas subsidiárias no final dos anos 80 e início dos anos 90, num modelo de ação no qual as experiências das empresas tinham mecanismos contínuos de troca e aprendizado entre os técnicos.

A partir dos anos 90, se “desmembrou” o corpo de concessionárias antes ligadas ao Estado, multiplicaram-se os agentes e se desestruturaram os mecanismos pedagógicos internos. Neste novo contexto, as políticas indigenistas do setor elétrico se sujeitaram a uma gama de instrumentos de gestão - órgãos financiadores, selos certificadores, acordos internacionais e regras do licenciamento - e devido às próprias culturas políticas nacionais de seus dirigentes. As novas regras jurídicas do licenciamento apresentadas pretendem homogeneizar a ação das empresas, concebendo um sujeito indígena tributário de uma noção ambientalizada e sob a marca da distintividade cultural, formulado em função dos fóruns internacionais, da predominância das ciências naturais no mercado de consultoria e de concepções do próprio órgão indigenista brasileiro.

Palavras-chaves: Setor elétrico; licenciamento ambiental; políticas indigenistas; antropologia aplicada

 

 

 

 

3a sessão: Arenas transnacionais de definição de direitos

 

BELO MONTE, A GRANDE GUERRA: ANÁLISE DO MECANISMO DE CONSULTA PRÉVIA NO ESTADO DE DIREITO

 

Lidia Neira Alves Lacerda - Graduada em Ciências Sociais e mestranda em Antropologia Social pela Universidade Federal de Goiás, UFG, Brasil

(Lidiaalacerda@gmail.com)

 

Após vários anos de mobilização e luta, a Convenção 169 sobre Povos Indígenas e tribais em Países Independentes da OIT-Organização Internacional do Trabalho, foi aprovada em 1989. O Brasil estado signatário incorporou a convenção em seu ordenamento jurídico em 2002, e junto a Constituição Federal de 1988, consolidou-se o reconhecimento jurídico dos direitos indígenas. A Convenção 169 tornou-se uma nova diretriz, das relações entre estado e povos indígenas, dentre essas mudanças destaca-se o reconhecimento da autonomia e o dispositivo da consulta prévia.

A consulta prévia apresenta-se então como um instrumento que proporciona reconhecimento e autonomia dos povos indígenas, pelo estado. Contudo no Brasil tem enfrentado uma série de obstáculos para sua realização. Neste cenário de descumprimento os conflitos são inevitáveis. O sistema judiciário e Ministério Público, se apresentam como atores fundamentais nas decisões que garantem, destituem ou reconhecem os povos indígenas como sujeitos de direitos.

Utilizarei como caso empírico a Usina Belo Monte, situação que fora exigida a consulta prévia, porém não ocorreu. Analisarei a ação promovida pelo Ministério Público de nº 709-88.2006.4.01.3903 e ação reclamatória nº 14404 impetrada no Supremo Tribunal Federal pelo IBAMA e Advocacia Geral da União. Buscando interpretar antropologicamente os significados atribuídos por essas decisões judiciais sobre as “questões indígenas”.

Investigando a aplicabilidade e instrumentalização das normas globais, sua produção de sentidos no âmbito local e ação dos vários atores. Considerando também que diferentes forças econômicas, sociais e culturais se tencionam numa suposta ordem legal que, teoricamente, assume compromisso de garantir igualdade entre todos os sujeitos.

Palavras Chaves: Consulta Prévia, Belo Monte, estado-nação.

 

 

POVOS INDÍGENAS, ESTADOS (PLURI)NACIONAIS E DIREITO DE CONSULTA NO BRASIL E BOLÍVIA: REFLEXÕES A PARTIR DOS PROCESSOS DE REGULAMENTAÇÃO DE DIREITOS

 

Thiago Almeida Gracia - CEPPAC/ UnB - Brasília, Brasil

(thiagoalmeidagarcia@gmail.com)

 

Este trabalho apresenta os resultados de tese de doutorado que analisou as relações entre Estados nacionais e povos indígenas no Brasil e na Bolívia a partir dos debates sobre a aplicação do direito de consulta livre, prévia e informada previsto na Convenção 169 da OIT e na Declaração da ONU sobre os direitos dos povos indígenas. A pesquisa foi centrada na análise dos espaços de discussão fomentados pelos processos estatais de regulamentação e aplicação desse direito, de forma a visualizar como os Estados nacionais incorporam os avanços normativos do direito consuetudinário internacional em suas práticas junto aos povos indígenas. Os debates sobre a consulta constituíram o que chamei de arenas políticas de consulta, em que atores estatais, indígenas e da sociedade civil disputam o sentido e o controle sobre o direito de consulta, em leituras que oscilam entre a burocratização e tutela sobre a consulta e o entendimento desse direito como dimensão essencial do exercício das formas próprias de autodeterminação dos povos indígenas.

Além dos processos de regulamentação coordenados pelos governos dos dois países, analisamos na tese as arenas de consulta geradas pelas tentativas estatais de realização de consulta junto ao povo indígena munduruku, sobre possíveis aproveitamentos hídricos na bacia do Rio Tapajós, no oeste do Pará (Brasil), e com os povos yurakaré, t’simane e moxeño trinitario, para a construção da rodovia Vila Tunari e San Ignacio de Moxos, que no trajeto proposto pelo governo boliviano corta o Território Indígena Parque Nacional Isiboro Secure- TIPNIS, na Bolívia. Palavras-chave: povos indígenas, direito de consulta, auto-determinação, Convenção 169 da OIT e direito consuetudinário internacional.

Palavras-chave: povos indígenas, direito de consulta, auto-determinação, Convenção 169 da OIT,  direito consuetudinário internacional.

 

 

GT5.  ABUSO DE SUBSTAÌ‚NCIAS PSICOATIVAS E MEDICINAS TRADICIONAIS NA AMÉRICA DO SUL

Coordinadores:

Marcelo Mercante. Institución: Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos Programa de Pós Graduação em Saúde Coletiva. marcelo_mercante@yahoo.com

Diego Rodolfo, Viegas. Institución: Escuela de Antropología Facultad de Humanidades y Artes Universidad Nacional De Rosario.  diegorodolfoviegas@hotmail.com

 

 

LEMBRANÇAS DO USO DA CANNABIS NO MARANHÃO

Isabela Lara Oliveira. Departamento de Áudio-Vsuais e Publicidade da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília (UnB). isabelalara@gmail.com

 

O Maranhão é famoso por ser um dos estados brasileiros onde o uso da Diamba (Cannabis sp.) foi e é amplamente disseminado entre diferentes populações - indígenas, pescadores, “brincantes” de festejos populares – e para várias finalidades tais como na fitoterapia, na indústria textil, no lazer e para o trabalho braçal. Esse artigo apresenta o resultado de uma breve pesquisa documental e de campo realizada no Maranhão em 2007 e 2011 com o objetivo de levantar a permanência desses usos e seus significados entre os maranhenses na contemporaneidade. O resultado dessa pesquisa revelou um cenário cultural riquíssimo onde a Diamba é percebida como um elemento formador do rico folclore maranhense além de ter construído um panorama dos diferentes usos da planta no estado que pode permitir a outros pesquisadores aprofundar as pesquisas sobre o tema na região.

 

 

CONOCIMIENTOS ANCESTRALES INDÍGENAS EN LA CONSTRUCCIÓN DEL CURRÍCULO DE LA MAESTRÍA CULTURAS Y DROGA DE LA UNIVERSIDAD DE CALDAS, MANIZALES, COLOMBIA

 

Jorge Ronderos Valderrama

Universidad de Caldas, Depto Antropología y Sociología

jronderos@ucaldas.edu.co

 

Mi ponencia serìa sobre mi experiencia como lider del grupo y linea de investigación cultura y droga de la U. de Caldas, Manizales, Colombia, específicamente la linea de investigación en Plantas y tradiciones de rituales indigenas de la etonmedicina del yage y la chamanismo y neochamansimos articulado a la interdisicplinariedad entre ciencias sociales y ciencias naturales en la construcción del currículo de la Maestría Culturas y Droga su creación y desarrollo. Cuando regrese a Colombia.

 

A ATIVIDADE XAMÂNICA E SUA DIMENSÃO TERAPÊUTICA

Laércio Fidelis Dias

Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp-Marília/SP)

 

O objeto do artigo são os tratamentos xamânicos presentes nas narrativas de Palikur, Galibi Maworno e Karipuna que habitam a Terra Indígena Uaçá. A problemática é responder a seguinte indagação: qual o escopo da terapêutica na atividade xamânica. A premissa é a de que tratar problemas de saúde implica reordenar e reequilibrar relações sócio-cosmológicas que envolvem domínios humanos e não-humanos, seres humanos e sobrenaturais e, neste sentido, saúde e doença relacionam-se com questões mais amplas do que apenas manifestações biofísicas no corpo. O objetivo geral do artigo é analisar o papel do xamã sem reduzi-lo a mero curador. Do ponto de vista metodológico, o uso das narrativas se justifica porque expressarem a lógica da experiência, e trazem consigo os princípios de construção, ordenação e significação dos eventos. A premissa foi confirmada, ou seja: a dimensão terapêutica da atividade xamânica não se restringe aos aspectos biofísicos da experiência da doença.

Palavras-chave: Antropologia da Saúde; Etnomedicina; Índios sul-americanos; Narrativas; Xamanismo.

 

MERGULHO NO SER

Camila Silva Ribeiro

José Francisco Miguel Henriques Bairrão

Universidade de São Paulo, Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, Ribeirão Preto.

encanto.psicologia@gmail.com

 

Nos últimos anos, foi percorrido um trilhar acadêmico e espiritual no desenvolvimento da dissertação de mestrado “Mergulho no Ser: corpo e memória em cerimônias indígenas com Huni”, a qual teve como foco as manifestações corporais em cerimônias espirituais indígenas do tronco linguístico Pano, seu papel na memória biográfica e cultural de seus participantes, na preservação e propagação de memória coletiva. Alguns de seus objetivos principais consistiram na compreensão e reconstituição da etnopsicologia de povos Pano, registro e documentação de saberes tradicionais acerca do papel das cerimônias espirituais na sua preservação e resgate cultural e das técnicas corporais utilizadas durante tais cerimônias. Estas práticas de transmissão dos conhecimentos herbários e medicinais têm reforçado a preservação e o resgate cultural, bem como têm valorizado os saberes tradicionais nas práticas terapêuticas, com resultados muito positivos na promoção de saúde. Após a defesa da dissertação, a autora permaneceu 5 meses nas aldeias da etnia Yawanawá, e adentrou à “senda iniciática” desta tradição, a qual consiste em processos de dietas espirituais. Tais processos guardam conhecimentos tradicionais sobre a espiritualidade e medicina tradicional Yawanawá. Este trabalho irá discorrer sobre alguns pontos da temática desta medicina.tradicional Yawanawá, com foco nas dietas espirituais Yawanawá.

Palavras- chave: Medicina tradicional, dietas espirituais, conhecimentos tradicionais, povo Yawanawá.

 

 

YAÚ PETÊ (COMAMOS TABACO) REIVINDICACIÓN DEL TABACO COMO MEDICINA TRADICIONAL Y SU ARTICULACIÓN EN EL MEDIO OCCIDENTAL CONTRA LAS ADICCIONES

Diego Rodolfo Viegas

Escuela de Antropología, Facultad de Humanidades y Artes, Universidad Nacional de Rosario, Argentina.

diegorodolfoviegas@hotmail.com 

 

El tabaco ha sido una planta considerada sagrada, ritual, ceremonial, terapéutica y medicinal en su lugar de origen: América. La colonización europea y  los usos y costumbres de la industrialización transformaron  aquella medicina espiritual, en un problema de salud pública y adicción a nivel mundial. El presente trabajo explora la historia y las consecuencias de esa paradoja, analizando los testimonios de tres referentes que intentan devolver al tabaco su rol primigenio en Sudamérica:  El Centro de Investigación en Toxicomanías “Takiwasi” en Tarapoto, Perú; el Ypayé  Tupí Guaraní Basilio Soria (Aguarapire Seacandirú) convertido en uno de los pocos chamanes originarios del monte salteño que trata la adicción al cigarrillo industrial en base al uso terapéutico del tabaco, recorriendo los grandes núcleos urbanos de la Argentina, y finalmente el joven psicólogo rosarino Iván Turchetti, que ha realizado dietas de tabaco tradicionales en Perú para incorporar como herramienta terapéutica una inédita confluencia entre la medicina tradicional originaria sudamericana y las corrientes de la psicología clínica occidental. El objetivo del trabajo es llamar la atención sobre la problemática de la adicción (incluida la del cigarrillo industrial), reivindicar el tabaco como medicina dentro del contexto de las Medicinas Tradicionales Indoamericanas, y la potencialidad de un regreso más amplio de la perspectiva originaria americana del tabaco en un contexto de cambio de paradigma científico, y cultural a nivel global, y de búsqueda de identidades y rescate de autoctonías a nivel regional.

Palabras clave: Tabaco, adicciones, medicina tradicional, cigarrillo industrial.

 

 

PLANTAS, LINGUAGEM E ESPÍRITOS: MEDICINA TRADICIONAL E O TRATAMENTO DA DEPENDÊNCIA

Marcelo S. Mercante

Programa de Pós Graduação em Saúde Coletiva, Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos).

marcelo_mercante@yahoo.com

 

Nesta apresentação será analisado o papel das plantas utilizadas no tratamento da dependência química em um centro de tratamento, Takiwasi, localizado na amazônia peruana. Takiwasi tem na ayahuasca sua principal ferramenta no processo de recuperação de adictos. A ayahuasca é uma bebida psicoativa amplamente utilizada por diversos povos indígenas em toda a amazônia e por três religiões brasileiras de base cristã. Em Takiwasi acredita-se que as plantas são dotadas de agência e possuem, além de seus princípios ativos, um outro tipo de ação mais desejada que a química: a espiritual. Para elucidar tal capacidade de agência e poder espiritual, utilizo as noções de “linguagem” de Benjamin e de “espírito” e “imagem” e “imaginação” de Viveiros de Castro.

Palavras-chave: Ayahuasca; Dependência Química; Imaginação; Linguagem.

A CURA DOS DEPENDENTES NA PRÁTICA MÉDICO-RITUAL DOS TAITAS INDÍGENAS NO PUTUMAYO COLOMBIANO

Pedro Musalem Nazar

Doutorando Programa de Pós Graduação em Antropologia Social, Universidade Federal de Santa Catarina

pedromusalem@gmail.com

 

Aborda-se etnograficamente a prática ritual dos taitas (xamãs) indígenas da região de Putumayo, Amazônia ocidental colombiana, apresentando o circuito interétnico que suporta estas práticas desde uma perspectiva histórica, para logo indagar, através de observações contemporâneas, as lógicas implícitas nas curas aos dependentes (ou abusadores de sustâncias) que estes taitas realizam. Os taitas encontram-se ativamente inseridos na circulação de práticas médicas oficiais e alternativas no âmbito global. Porém, desde uma tradição própria, ancorada na sua identidade indígena, e através da prática dos rituais de yagé, os taitas afirmam a superioridade da sua medicina, que em último termo se estabelece a partir da sua interlocução direta com deus. Durante meu trabalho de campo entre os taitas indígenas no Putumayo, ouvi várias narrativas de cura em que estes resolviam mediante tratamentos baseados em rituais de yagé os problemas de poli consumo de sustâncias (tipicamente uma mistura simultânea de cocaína, crack, álcool e maconha). A partir destas narrativas, se faz possível relativizar noções comumente aceitas acerca destes temas, como a de que o problema principal radica no potencial de dependência das sustâncias consumidas. Procuro também, com base nestas narrativas, discernir as instâncias simbólicas que estabelecem e possibilitam a interação entre os taitas e seus pacientes brancos vindos das grandes cidades de Colômbia.

Palavras chave: taitas, yagé, dependência. 

 

 

AYAHUASCA: USOS Y SENTIDOS EN TORNO AL CONSUMO RITUAL DE UN BREBAJE AMAZÓNICO EN LA CIUDAD DE BUENOS AIRES EN EL SIGLO XXI

Juan Francisco Catarino

Facultad de Filosofía y Letras, Universidad de Buenos Aires

catarinojf@gmail.com

 

En el presente trabajo me propongo investigar y distinguir distintos usos y sentidos que se le atribuyen al consumo ritual de un brebaje de plantas amazónicas denominado comúnmente “ayahuasca” en la ciudad de Buenos Aires. Este brebaje, cuya utilización tiene una tradición milenaria entre los pueblos indígenas de la selva, ha sido objeto de un fenómeno de difusión importante que ha alcanzado en los últimos años una extensión global. Como consecuencias de esto, ha pasado a consumirse en todo tipo de contextos “nuevos”, es decir ya no exclusivamente selváticos, y en marcos muy diversos. Mi intención es la de analizar la complejidad existente en Buenos Aires en torno al consumo estrictamente ritual de la ayahuasca, intentando diferenciar diferentes tradiciones y contextos que existen y operan actualmente en la ciudad. En términos generales, lo que se busca es explorar algunos aspectos del proceso de transformación que está atravesando el fenómeno religioso en el siglo XXI; el estudio se ubica entonces dentro de la antropología de la religión, y uno de los principales debates teóricos que daremos refiere a si pueden considerarse “religiosos” los usos que se hacen de la ayahuasca en contextos no dogmáticos de surgimiento reciente. Metodológicamente, el trabajo se basa en la investigación etnográfica con observación participante, con trabajo de campo realizado principalmente en el Centro Libre Nudo Infinito, lugar en el que se consume periódica y ritualmente la ayahuasca, así como en otros diversos puntos de la ciudad entre los meses de marzo y junio de 2015.

 

 

PLANTAS ENTEÓGENAS E A ESPIRITUALIDADE NA SAÚDE

 

Neidi Regina Friedrich

neidi_regina@yahoo.com.br

Enfermeira, Doutora em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul/BR

 

Esse trabalho aborda um capítulo de minha tese de doutorado (2012), que também discute as Plantas Sagradas ou Enteógenas. Traz discussão da espiritualidade no cuidado com a saúde, tendo-se iniciado com populações originárias e atualmente difundido no neo-xamanismo na Nova Era. O uso das plantas corresponde a um dos exercícios do ser humano para transcender e entrar em contato com seres e elementos do sagrado. Inicialmente associado às práticas xamânicas, as plantas de poder constituem ferramentas que são fundamentais na consolidação do xamanismo com técnicas de êxtase. O uso de enteógenos na atualidade ligam espiritualidade e saúde psíquica, associando essas plantas ao autoconhecimento e terapia. Diferenciam-se das exclusivamente medicinais, pois além de propriedades curativas trazem a possibilidade de acessar um contato de consciência ampliado, equiparado ao transe extático. Muitas das plantas utilizadas tradicionalmente ainda são consideradas “alucinógenas”, sendo proscritas, como a coca, peyote, hongos, cannabis e ayahuasca. Segundo Glockner (2006) existem três aspectos que diferenciam o uso delas, diferenciando seu uso como “droga”: procedência - direto da natureza, não sendo modificadas sinteticamente como caso do peyote, coca, ayahuasca, canabis, tendo o cuidado desde a plantação, preparo e uso; finalidade – com fins terapêuticos ou adivinhatórios, não sendo utilizadas para próprio prazer ou lúdicas, como forma de satisfazer uma adição; efeitos individuais e coletivos que produzem – quando se consome ritualmente essas plantas, é possível acessar uma dimensão espiritual com revelação de verdades, com comunicação, quando se está preparado para isso, com seres cuja vontade incide no curso das coisas deste mundo

Palavras Chaves: Plantas Enteógenas, Espiritualidade, Medicina Tradicional.

 

 

CASA SAGRADA, SANTO DAIME E JUREMA EM SERGIPE: UM ESTUDO SOBRE TRAJETÓRIAS E EXPERIÊNCIAS DE TRANSFORMAÇÃO

 

Fátima Oliveira

espcriativo@hotmail.com

 

A Casa Sagrada é um "centro de cura" na cena urbana sergipana, localizado no município de Barra dos Coqueiros-SE onde se realizam os rituais do Santo Daime na Igreja Flor da Rainha seguindo a linha do Cefluris (Centro eclético de fluente luz universal Raimundo Irineu Serra) e rituais com a Jurema na Roda de Medicina Ancestral numa vertente dos novos movimentos urbanos neo-xamânicos. O presente trabalho objetiva compreender as transformações existenciais ocorridas pela ingestão da "ayahuasca" e "jurema" por meio de experiências corpóreas (limpezas) e emocionais (mirações) dos integrantes, partindo do relato de suas trajetórias, buscando definir as principais categorias culturais  envolvidas  na experiência de mudança e compreender estas categorias em suas relações com o grupo, buscando identificar os  modelos que motivam e sustentam estes procedimentos e categorias culturais. A temática de cura foi definida a partir de interesses que me parecem centrais para os participantes da Casa Sagrada. Ao longo de sua trajetória, vários acontecimentos apontam para a construção de uma identidade coletiva enquanto "centro de cura". Esta identidade encontra-se ancorada na história do grupo, em interação com a práxis de seus participantes.

Palavras-chave: Santo-Daime, Jurema, ritual, experiência, transformação, trajetórias.  

 

 

A LINHA DE ARROCHIM: RITUAL, TERAPIA E CURA EM UM CENTRO DE SANTO DAIME

Henrique Fernandes Antunes

Doutorando – Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social – USP

hictune@yahoo.com

 

O objetivo primeiro do trabalho é apresentar em linhas gerais o trabalho de cura Linha de Arrochim, realizado no Centro Pronto So

corro Espiritual Raimundo Irineu Serra (Cepseris), um centro de Santo Daime localizado em Rio Branco, Acre. Em um primeiro momento, serão apresentados relatos sobre o desenvolvimento do trabalho Linha de Arrochim na década de 1960, pelo padrinho Wilson Carneiro de Souza, discípulo direto do fundador do Santo Daime, Raimundo Irineu Serra. Em seguida, será discutida a recente institucionalização da Linha de Arrochim, a partir do processo de inserção do trabalho de cura em questão no calendário ritual mensal do Cepseris. Por fim, pretendo discutir algumas questões relativas às implicações de noções como ritual, terapia e cura a partir do caso específico do Cepseris.

Palavras-chave:Linha de Arrochim, Santo Daime, Ritual, Terapia, Cura

 

CURAS NO SANTO DAIME: CONCEITOS E PRÁTICAS DE SAÚDE NAS LINHAS DO ALTO SANTO

Josué Silva Abreu Júnior

Universidade Federal da Bahia, Programa de Pós Graduação em Antropologia

 

Este projeto busca investigar as concepções, conceitos e práticas de cura na religião conhecida por Santo Daime, fundada em 1930 no Acre (Brasil), por Raimundo Irineu Serra (Mestre Irineu). O estudo é focado em Centros do Santo Daime na cidade de Rio Branco e arredores conhecidos como linha do Alto Santo. Busca igualmente realizar um levantamento das memórias de cura realizas por Mestre Irineu, assim como identificar outras práticas e produtos (além do Daime) utilizados para curar. O trabalho de campo se embasou na proposta metodológica de Favret Saada, explicitada no termo “ser afetado”. Para a autora, “ser afetado” significa estar sujeito às mesmas intensidades que o grupo pesquisado e se deixar agir pelos sentimentos, sensações e percepções resultantes destas intensidades. A partir das informações levantadas em campo, apresento as concepções, práticas e conceitos de saúde e cura no Centro Livre e CEFLI (Centro Eclético Flor do Lótus Iluminado), que foram os centros em que participei de forma mais intensa. Ao final busco fazer um diálogo entre as teorias antropológicas acerca da eficácia (eficácia ritual, eficácia simbólica, etc) e as vivências de saúde e cura nas linhas do Alto Santo.  Através dos conceitos, práticas e concepções de saúde e cura nas linhas do Alto Santo, assim como dos afetos que experimentei em campo, busco responder à seguinte questão: - De que forma a cosmologia do Alto Santo influencia a eficácia dos procedimentos que buscam a cura?

Palavras-chaves: Santo Daime, Ayahuasca, Medicina Tradicional  

 

 

DAIME PAZ. NUEVAS RELIGIOSIDADES EN TIEMPOS DE CONSUMO

Pía Bazzán Pérez.

Licenciatura en Sociología, Universidad de la República Oriental del Uruguay.

bazzanpia@gmail.com

 

En el marco del proceso actual de expansión de las opciones religiosas en nuestro país analizamos mediante entrevistas y observaciones la configuración identitaria del Santo Daime en Uruguay, con especial énfasis en el consumo de representaciones y sentido subjetivo. Una sociedad cada vez más plural que da lugar a nuevas doctrinas religiosas y coloca al fiel en el rol de elector, convirtiendo el campo religioso en un mercado con sus ofertantes, sus consumidores y sus productos. La oferta más atractiva que posee el culto daimista es su propio sacramento, la ayahuasca; a la vez uno de los elementos que cuestiona con mayor intensidad la legitimidad del culto por considerarse una “droga”. Sin embargo, ¿a qué se debe su atractivo? Es que la misma pluralidad que le da lugar es condición de su existencia, la inmensa marea de estilos de vida y de valores divergentes y hasta opuestos sumergen al sujeto en un caos donde ya no quedan certezas de las que aferrarse, un mundo donde ya no encuentran el sentido. Así es que la ayahuasca y la forma en que la representan (como una santidad líquida) cumple la función de guía en el día a día siendo una herramienta para la sanación del espíritu que ha enfermado a causa de los sinsentido de la vida moderna. Por lo que el fundamento de este nuevo mercado religioso es el consumo de sentido subjetivo, es la construcción de refugios simbólicos basados en verdades inalterables donde pararse firme, huyendo de un mundo que tambalea.

Palabras clave: Identidades, mercado religioso, ayahuasca, consumo subjetivo, refugio simbólico.

 

 

 

 

 

 

A RAIZ REVISITADA: NOTAS SOBRE AYAHUASCA, ESPIRITUALIDADE E TERAPIA NA CONTEMPORANEIDADE

 

Rodrigo Rougemont da Motta

Programa de Pós Graduação em Sociologia e Antropologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro

rodrigorrm@gmail.com

 

A proposta deste trabalho é refletir sobre a perspectiva terapêutica da espiritualidade e como ela é tratada dentro de determinado cenário religioso contemporâneo. O interesse é examinar esta relação dentro de um espaço inter-religioso que faz uso da bebida psicoativa indígena chamada ayahuasca, mais especificamente seu uso em contexto urbano. O espaço religioso que será analisado parte de um pressuposto que liga o conceito de religião a uma de suas possíveis etimologias, “religare” do latim, que significa religar o que foi cindido, aproximando o trabalho espiritual do trabalho realizado pelo terapeuta que busca integrar materiais do inconsciente. Esta reflexão é fruto de uma pesquisa de campo que venho realizando em uma casa localizada na Zona Sul do Rio de Janeiro, no bairro de Laranjeiras, chamada Círculo Holístico: Arca da Montanha Azul. O ritual com a ayahuasca é coordenado por um psicólogo junguiano que em sua metodologia do uso da bebida explora em muito as concepções oriundas da psicologia analítica de Jung, bem como a influência da psicologia transpessoal que entende o potencial terapêutico como algo inato ao homem. A proposta é pensar as noções de pessoa e cura que perpassam um ritual religioso contemporâneo marcado pela ênfase em terapias holísticas como o desenho, a música e a dança, aliada ao êxtase proporcionado pelo uso de uma substância psicoativa advinda de uma planta da floresta amazônica, refletindo assim sobre novas formas de vivenciar o divino que perpassam por um anseio de expansão da consciência em direção à outra concepção do ser.

Palavras-chave: Ayahuasca; Espiritualidade; Nova-Era; Pessoa; Cura

 

GT6. PRATICAS DE MANAGEMENT CORPORAL E PROCESSOS DE SUBJETIVAÇÃO NA CULTURA DE CONSUMO CONTEMPORÂNEA

Coordinadores:

Ana Lúcia de Castro – Universidade Estadual Júlio de Mesquita Filho. UNESP/Araraquara, Brasil.

María Inés Landa – Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y tecnicas(CONICET) y Universidad Nacional de Córdoba, Argentina.

Lionel Brossi, Instituto de la Comunicación e Imagen Universidad de Chile.

 

SESSÃO I – SAÚDE  E PRÁTICAS DE MANAGEMENT CORPORAL

 

CORPO, CONSUMO E ACADEMIAS DE GINÁSTICA: ANÁLISE DA IMPOSIÇÃO MÍDIATICA ENTRE OS PRATICANTES DE MUSCULAÇÃO

 

Mirela Valério Lopes

Mestre em Ciências Sociais -PUC- SP

miscoaisuel@yahoo.com.br

 

O presente trabalho visa discutir o culto ao corpo na sociedade atual, principalmente a sociedade brasileira na qual o consumo relacionado ao corpo tem aumentando em vista a busca da boa forma e da saúde. Tal comportamento em relação a manutenção corporal visando a estética e a saúde tem como seu locus a academia de ginástica em que podemos perceber um certo exagero quanto essa empreitada, incentivado cada vez mais pela mídia em especial as redes sociais, em que há ampla divulgação de dicas para a obtenção do “corpo sarado”., tornando-se para muitos uma imposição, que pode leva-los ao uso de drogas como os esteroides anabolizantes, uma série de exercícios que pode levar a lesões, bem como distúrbios dismórficos e alimentares, como a vigorexia e a ortorexia.

Palavras  chave: Culto ao corpo, consumo, vigorexia, ortorexia

 

 

PROFISSIONAIS TARJA PRETA: CONSUMO DE MEDICAMENTOS E BUSCA PELA ALTA PERFORMANCE

 

Marianna Ferreira Jorge. Doutoranda em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense; mariannaferreirajorge@gmail.com

 

Numa época que estimula o empreendedorismo e o gerenciamento de si, de acordo com a lógica empresarial, bem como o “culto ao corpo” e a medicalização da vida sob uma permanente gestão dos riscos, cabe-nos atentar para os discursos midiáticos que produzem e disseminam um conjunto de valores morais com vigência na atualidade. A hipótese e a de que abundam na atual produção midiática as alusões ao “culto à performance”, com a decorrente vergonha pela responsabilidade que implica não atingir os parâmetros usualmente demandados, além da estigmatização ou “exclusão” daqueles que não conseguem alcançá-los. Portanto, se por um lado essa incitação ao aumento da performance pode resultar numa busca incessante pela extensão dos próprios limites, por outro lado, costuma derivar numa patologização dos esforços malsucedidos. Em ambos os casos, sugere-se uma possível resolução desses conflitos: o recurso à medicalização. Diante disso, o objetivo deste estudo é examinar que tipos de profissionais estão sendo requeridos hoje e quais são as implicações dessas demandas nos corpos e nas subjetividades contemporâneos. Para isso, faz-se fundamental analisar os aspectos socioculturais, econômicos e políticos que conformam tais configurações históricas, em busca de compreender como nelas operam as relações de poder hoje vigentes. A finalidade é a de “desnaturalizar” certas concepções atuais a partir do método genealógico, desenvolvido por Michel Foucault, analisando os valores e as ideias cristalizados no senso comum ou que estão se tornando hegemônicos, na tentativa de enxergar as práticas e os vetores históricos que os constituem.

Palavras-chave: espírito empresarial; consumo de medicamentos; performance; subjetividade contemporânea.

 

 

ENTRE “GORDURA BOA” E “GORDURA RUIM”: CORPO, SUBJETIVIDADE E AS FRONTEIRAS ENTRE SAÚDE, MORAL E ESTÉTICA EM DISCURSOS MÉDICOS-CIENTÍFICOS DE GRANDE CIRCULAÇÃO

 

Juliana Loureiro. Graduada em Comunicação Social – Habilitação Jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Mestre em Antropologia Social pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil; jloureiro23@gmail.com.

 

A contemporaneidade é atravessada por um crescente processo de capitalização do corpo, relacionado à ascensão de modelos específicos de corporalidade e ao desenvolvimento científico-tecnológico, que possibilitou novas modos de visualização e intervenção nos corpos. Nesse processo, os variados modos de os indivíduos investirem em seus corpos são diferentemente valorados, de acordo com normas e expectativas disponíveis no contexto sociomaterial em que estão imersos. Diante desse quadro, os corpos gordos parecem entrar em conflito com a constante reafirmação de noções como responsabilidade, controle e cuidado de si. Este trabalho objetiva produzir uma reflexão sobre esses processos a partir de um estudo de inspiração etnográfica que analisou discursos médicos-científicos voltados para o público leigo, através da trajetória do endocrinologista Alfredo Halpern, considerado um “expert” em obesidade e emagrecimento no Brasil. Através desse estudo, chegou-se à conclusão de que, diferentemente do que comumente é afirmado, os discursos médicos-científicos sobre obesidade e emagrecimento estão longe de serem estáveis e desprovidos de controvérsias. Através de estudos epidemiológicos que refutam a chamada “epidemia da obesidade” e o suposto maior índice de mortalidade entre os obesos, há um reconhecimento da existência de “tipos” diferentes de gordura corporal e de “obesos saudáveis” ou “em forma”, o que parece contrastar com a reafirmação da obesidade como doença. A partir disso, discute-se como, apesar dessas controvérsias, há uma busca por estabilizar e reiterar a gordura como algo ruim, excessivo e patológico, e que tipo de consequências éticas e políticas vêm sendo geradas nesse processo, através da mobilização de noções e práticas específicas sobre corpo, saúde e subjetividade.

Palavras-chave: Corpo; saúde; subjetividade; gordura; obesidade.

 

 

CORPO, GENÉTICA E IDENTIDADE: NOTAS PARA PENSAR A RACIALIZAÇÃO DA SAÚDE NA CONTEMPORANEIDADE

Tatiane Muniz

 

Evidencia-se a partir do Projeto Genoma e das possibilidades de escrutínio do corpo, daí decorrentes, um conjunto de esforços de pesquisa no campo médico, com vistas a provar a determinação racial de certas doenças. Estudos epidemiológicos apontam para a prevalência de certos problemas de saúde em determinados grupos populacionais, racialmente classificados, tendo em vista a situação de vulnerabilidade sócio-econômica à qual este grupo populacional está, historicamente, submetido. Entretanto, na medida em que se buscam, em âmbito molecular, elementos para a afirmação de diferenças biológicas que os colocariam em situação de propensão ao desenvolvimento e agravo de certas patologias, um discurso essencializante acerca da raça pode emergir, levando a conclusões e construções sociais equivocadas sobre esta categoria. Entretanto, persiste o uso de nomenclaturas raciais para a classificação de doenças, corroborando para um discurso diferencialista, do ponto de vista biológico, que remete ao discurso evolucionista do século XIX, amparado, agora, pela biotecnologia. Neste cenário, reacende-se o debate entre os mais distintos campos do conhecimento, no sentido de afirmar e negar a existência da raça enquanto uma realidade empírica e sobre a importância e riscos de sua utilização, seja no âmbito das ciências da vida ou no cotidiano das relações sociais. Em um contexto marcado pelo multiculturalismo, no qual os sujeitos são chamados a afirmar suas identidades, em mobilizações coletivas, a problematização de tais questões aparece como um imperativo irrefutável, tendo em vista que “raça” tem sido, historicamente, no Brasil, uma categoria estruturante das relações sociais, recorrentemente, acionada para definições identitárias, como parâmetro de participação democrática e plural, bem como para a elaboração de políticas públicas. O presente trabalho consiste na discussão da forma com as categorias raça e saúde tem sido relacionadas no contexto brasileiro, demonstrando as diversas disputas políticas e ideológicas e econômicas em torno da sua utilização, desde o século XIX, momento em que começa a se esboçar um campo de Antropologia no país, cuja agenda estava centrada nas relações raciais, até o recente debate acerca da raça, ensejado pelo novo paradigma da genética, quando ocorrem novos processos de subjetivação relacionado as identidades.

 

 

SESSÃO II – CORPO, IDENTIDADE E MEMÓRIA NOS PROCESSOS DE SUBJETIVAÇÃO

 

Corpo e memória na contemporaneidade: reflexões sobre paradoxos rememorativos

Renée Louise Gisele da Silva Maia

Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro

Doutoranda em Memória Social (PPGMS)

reneemaia@gmail.com

Marcado por condições como individualismo, consumismo e rivalidade, o cenário contemporâneo representado pelas sociedades ocidentais capitalistas evidenciaria uma condição paradoxal quanto o assunto é a relação entre corpo e memória. Por um lado, considerado a partir de perspectivas bergsonianas, o corpo simbolizaria um centro de indeterminação que estaria tendo comprimidas tanto suas possibilidades de espera, quanto de memória e criação. Por outro, uma atual obsessão pela memória estaria promovendo a produção e o consumo de passados e de perfis-padrão através de uma mercadorização de processos de subjetivação. Objetivando contribuir para uma melhor compreensão desta relação paradoxal, este trabalho foi dividido em dois momentos de desenvolvimento. No primeiro, procurou cunhar o termo de compressão da hesitação apoiando-se em perspectivas filosóficas e psicanalíticas, e apresentando também seus possíveis desdobramentos na contemporaneidade. No segundo, dedicou-se à abordagem da cultura de memória descrita por Andreas Huyssen.  Enfocou como a aceleração do tempo e a compressão do presente estariam promovendo problemáticos mecanismos de mercadorização da vida subjetiva, estes responsáveis, por sua vez, pela disseminação de um mal estar generalizado. Por fim, concluiu suas exposições com a proposição de que precisaríamos buscar a promoção de estratégias de rememoração – e subjetivação – criativa, direcionando-nos para um caminho de ampliação de potenciais de espera, escolha e indeterminação.

Palavras-chave: memória; corpo; aceleração; tempo; criação.

 

 

O QUE SUA TATUAGEM DIZ SOBRE VOCÊ?

Beatriz Patriota Pereira. Mestranda em Sociologia pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal de São Carlos. Orientador: Prof. Dr. Jorge Leite Júnior; bia.patriota@hotmail.com

 

A tatuagem foi a primeira prática de body modification a ser incorporada pela cultura do consumo. A marca corporal também ganhou espaço no mundo da moda e da arte, através de sua crescente popularização e de sua legitimação. Enquanto modificação corporal, permite que o corpo seja administrado na construção de uma identidade escolhida ou desejada. O corpo é moldado e planejado dentro de um projeto corporal. Assim, o sujeito, a partir dos significados criados e atribuídos aos desenhos, apodera-se da tatuagem como um dos mecanismos que atuam na criação de uma imagem de si, entre identificações e diferenças. É por meio da condição corporal que o sujeito afirma sua identidade e a exterioriza. Objetivo compreender como as tatuagens são significadas subjetivamente e como essas subjetivações contribuem na construção das identidades para os tatuados. A metodologia é baseada em pesquisas bibliográfica e etnográfica em estúdios de São Carlos/SP.

Palavras-chave: Tatuagem. Modificação Corporal. Corpo. Consumo.

 

 

 

EL FENÓMENO DEL TATUAJE EN LA CIUDAD DE SAN LUIS POTOSÍ (fenómeno del tatuaje, observación y análisis, proceso, estudios, tatuadores y tatuados)

Edgar Israel Martínez Luna. Universidad Autónoma de San Luis Potosí; uakbatzben@hotmail.com

 

El objeto de estudio que fungió como base para la formulación de esta investigación es el fenómeno del tatuaje en la ciudad de San Luis Potosí, que por sus condiciones y configuración posibilita la observación y análisis del proceso a través del cual fue adquiriendo una presencia significativa en los habitantes de la ciudad.

Se busca identificar las condiciones materiales que permitieron su formación, así como rastrear los orígenes de esta práctica en la ciudad ¿Dónde estuvieron los primeros estudios? ¿Quiénes fueron los primeros tatuadores? ¿Prevalecen? Además observar los mecanismos que generaron el crecimiento del fenómeno, hasta llegar a sus condiciones actuales.

La intención de este texto es exponer la manera como se ha legitimado y popularizado dicha práctica tomando como punto de partida el año de 1995 hasta el presente, como se fue generando la regulación del fenómeno del tatuaje, es decir, su proceso de profesionalización así como las distintas manifestaciones que emergen en la praxis del fenómeno.

Para llevar a cabo lo anterior se dividió metodológicamente nuestro objeto de estudio en dos grandes elementos componentes para su observación y análisis, en función de los sujetos que componen nuestro universo, pues, por un lado tendremos a los tatuadores para abordar la forma en que se van generando los mecanismos que permiten la instalación de estudios de tatuaje en la ciudad generando con esto la posibilidad de tatuarse y por otro lado tendremos a los tatuados para observar las imágenes que se están tatuando los habitantes de la ciudad.

 

 

ENTRE PRÁCTICAS: ESPACIOS PARA LA EDUCACIÓN DEL CUERPO

 

Mg. Carolina EscuderoCICES – UNLP/CONICET carolinaescu@yahoo.com.ar

            Mg. Daniela Yutzis CICES - UNLP/CONICET danielayutzis@gmail.com

 

Este trabajo organiza un conjunto de reflexiones que se generan a  partir de las clases de Danza y Sensopercepción que se dictan desde la cátedra de  Educación Física 5. El interés central está puesto en ese nuevo territorio que se construye a partir del encuentro de estas prácticas con la Educación Física, cada una con su recorrido histórico-político, sus saberes y sus técnicas. La pregunta es entonces qué saber es posible ofrecer, qué implicancias tiene para la Educación Física nuestra propuesta y qué espacio se discrimina entre ambos territorios para pensar la educación del cuerpo y la formación de profesores.

Palabras clave: Cuerpo-educación-entre-acción-prácticas

 

 

 

CUERPO Y MOVIMIENTO: ANÁLISIS DE RELATOS BIOGRÁFICOS DE JÓVENES QUE REALIZAN ACTIVIDADES ARTÍSTICAS Y DEPORTIVAS EN BARRIOS POPULARES DE LA CIUDAD DE BUENOS AIRES

Mg. Silvia Alejandra Tapia. Doctoranda en Ciencias Sociales. Instituto de Investigaciones Gino Germani, Facultad de Ciencias Sociales, Universidad de Buenos Aires; silviaatap@yahoo.com.ar

En este trabajo presento avances de mi tesis doctoral en Ciencias Sociales, cuyo objetivo general es analizar la configuración de los procesos de individuación en jóvenes de sectores populares que desarrollan actividades artísticas y/o deportivas en la Ciudad Autónoma de Buenos Aires. Para la construcción de datos empíricos se realizó observación-participación en talleres de circo, hip-hop y tango ofrecidos por una organización social ubicada en la zona sur de la Ciudad, orientados en particular a jóvenes de sectores populares. Con un grupo de estos jóvenes (mujeres y varones entre 18 y 24 años) se construyeron sus relatos biográficos a partir de la identificación de los acontecimientos más significativos en sus vidas. Para su procesamiento y análisis se siguieron los lineamientos de la teoría fundamentada, utilizando como auxiliar el software Atlas.ti.

Del análisis de los emergentes en dichos relatos se plantean interrogantes acerca del modo en que estos jóvenes se ven interpelados a desplegar diversas estrategias para circular por diferentes espacios de sociabilidad y ser aceptados por otros: sus familias, sus compañeros de estudios o de actividades artísticas y deportivas, sus empleadores. En ese sentido, se indaga el modo en que las regulaciones de sus cuerpos, sus movimientos y las formas de presentarse ante de los demás operan en la configuración de sus identidades. Para ello, se utilizará como articulador analítico las propuestas de la sociología de la individuación de Danilo Martuccelli.

Palabras clave: juventud – cuerpo – movimiento – procesos de individuación

 

Sessão III – CORPO, GESTÃO E CAPITAL

 

CORPOS ESGOTADOS E A DESACELERAÇÃO COMO UM PRODUTO

 

Daniele Pires de Castro. Doutoranda do curso de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da Universidade Federal do Rio de Janeiro; danielepcastro@gmail.com

 

A experiência de progressão erigida no interior do modelo instrumental de mobilidade está constantemente ameaçada pelos limites de sua própria exacerbação. Indícios de exaustão, cansaço e esgotamento pairam sobre os corpos, ameaçando-os com o que seria a catástrofe de um modo de vida que não estabelece limites para seu próprio avanço: a paralisia. Nesse contexto de tensionamento entre uma mobilidade instrumental e progressiva levada ao extremo de sua intensidade e a possibilidade da exaustão, ganham destaque, nos modos de consumo, na mídia e na arte, perspectivas que se tensionam. De um lado, há demonstrações de esforço, à beira de um colapso, de empreendedores, atletas e artistas buscando a superação. De outro lado, no mesmo cenário de espetacularização e heroicização de histórias de indivíduos que vão ao “extremo”, começam a surgir demandas por desaceleração. Nesta comunicação, pretendo, através de exemplos do campo do consumo e da arte, investigar como experiências que se pretendem alternativas ao modelo predominante de mobilidade produzem suas críticas. No campo do consumo, meu objeto será o “movimento slow” e, na arte, as sleep-oriented performances. Através de um estudo que se debruça inicialmente sobre como é constituída a mobilidade em nossos dias, o foco é em identificar se os projetos de desaceleração são capazes de criar outra experiência de movimento ou se a mudança de ritmo não seria, apenas, a permanência da mesma lógica produtivista, sustentada por um fôlego acalmado e renovado.

Palavras-chave: desaceleração; mobilidade; movimento slow; produtividade; sleep-oriented performance.

 

 

A PRÁTICA DO COACHING NA TRAMA DO DIÁLOGO ENTRE A ANTROPOLOGIA DA EXPERIÊNCIA E A SOCIOLOGIA DO TRABALHO

 

Bruno Casalotti Camilo Teixeira. Mestrando em sociologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); brunocasalotti@yahoo.com.br

Jorge Gonçalves de Oliveira Júnior. Mestrando em antropologia pela Universidade de São Paulo (USP); jorge.oliveira@usp.br

 

O coaching é uma ferramenta de capacitação empresarial que, desde a última década, vem ocupando cada vez mais espaço nos processos de treinamento de recursos humanos, substituindo outras técnicas e teorias de treinamento do tipo motivacional como a PNL (sigla para Programação Neuro-Linguística). Sua prática, grosso modo, envolve o diálogo entre o coach (treinador) e o coachee (treinando) para o estabelecimento de metas que podem envolver a melhoria da comunicação na equipe, o aumento de vendas, mas também estaria apta a tratar de “problemas pessoais” – alguns dos quais, com origem externa ao ambiente empresarial propriamente dito. Também envolve uma série de variações: o coach pode ser um consultor especializado de outra empresa ou pode ser até o patrão do coachee – o que implica em uma relação de confidencialidade e controle que podem facilmente ultrapassar limites éticos. Há também uma explosão de modalidades como coaching de vida, de casamento, espiritual, etc., provavelmente impulsionados pelo sucesso no campo empresarial. Este trabalho, escrito a quatro mãos e sob a ótica de duas disciplinas – a antropologia da experiência e a sociologia do trabalho – procurará entender os processos de subjetivação e as relações de poder implicadas no coaching, explorando os diálogos entre os dois pesquisadores e os pontos cegos de suas respectivas abordagens.

Palabras claves: coaching; gestão empresarial; experiência; trabalho; subjetivação

 

 

 

 

PROPOSIÇÕES DO CORPO ENQUANTO UM CAPITAL: REFLEXÕES SOBRE PROCESSOS DE SUBJETIVAÇÃO CONTEMPORÂNEOS ENTRE INCITAÇÕES E INVESTIMENTOS

Mário Borba. Mestrando em Antropologia – UFF; borba.mp@gmail.com

 

Neste trabalho lanço questões sobre a articulação corpo, consumo e subjetividade, partindo de considerações da minha dissertação, onde abordei proposições nas formas de tratar o corpo no discurso publicitário; pensando sobre as tensões que sustentam algumas conjugações do corpo e do cuidado com ele no contemporâneo, nas veredas do consumo. Para tanto, à luz da perspectiva foucaultiana de pensar discurso e subjetividade, investigo a existência de alguns enunciados que articulam inteligibilidades sobre o corpo, situando-o, muitas vezes, como uma demanda entre o eu e o outro, entre ser e parecer. Assim exploro faces de um enunciado que identifico como recorrente: o corpo proposto enquanto um capital a ser investido. Na multiplicação desse enunciado localizo alguns discursos que povoam o contemporâneo oferecendo verdades e atualizando fronteiras sobre ele. Enfoco alguns operadores pelos quais se pode conceber investimentos em si, que acredito que constituem formas de ver (e pensar e tratar) o corpo atualmente (como um empreendimento) – formas que demarcam critérios de avaliação da situação do corpo e determinadas “moralidades” atuais. Entendo o discurso publicitário como um lócus privilegiado para reflexão sobre essas transformações, onde entendo também que o corpo consome e é consumido. Recupero essas considerações e lanço questões, com base na minha pesquisa atual, onde investigo a produção de investimentos sobre o corpo jovem em contextos de incitação e dívida, abordando-os em sua presença na escola, pensando como coadunam (ou não) imposições escolares com outras “externas” a elas, nas formas de conceber, produzir e valorizar o corpo jovem.

Palavras-chave: corpo, consumo, subjetividade, empreendedorismo, escola.

 

 

LA AUTORREGULACIÓN EN LA PRODUCCIÓN CREATIVA: EL CASO DE LOS EDITORES

Paula Miguel (FADU/IIGG-UBA)

Ezequiel Saferstein (CeDInCI-Becario CONICET); paula@sociales.uba.ar; kielo84@gmail.com

 

En las últimas décadas, el mundo de las llamadas industrias creativas ha sido testigo de profundas transformaciones. Algunos de sus espacios de producción se vieron repentinamente transformados por la incursión de agentes de nuevo tipo en el marco de dinámicas globales. ¿Cómo explicar esas transformaciones? ¿Cuál es el sentido y el alcance de esos cambios? Este trabajo se propone desarrollar una clave de lectura para avanzar en la respuesta de estas preguntas. Para ello, nos enfocaremos en el ámbito de la producción editorial, particularmente en los editores de conglomerados globales en Argentina. Sus trayectorias vitales y perfiles profesionales, la forma en que encaran la producción editorial, el marketing y la gestión editorial, entre otras cuestiones, contribuyen a dar cuenta de elementos comunes que han contribuido a la construcción de su lugar en el mundo y, por decirlo de alguna manera, a conformar su legitimidad y prestigio. Entre esos elementos comunes, se encuentra lo que analíticamente podemos pensar como la conformación de un ethos que excede la formación profesional y se entrecruza con diferentes experiencias en el desarrollo vital y concepciones de lo individual. Allí entran en tensión mecanismos opacos de “inspiración” o “intuición” creativa, compuesta por elementos residuales y novedosos, con la lógica empresarial que busca transparentar mecanismos de producción de un éxito de ventas. El trabajo se basa en los resultados de investigaciones en curso que, mediante un abordaje cualitativo, buscan analizar diferentes formas de producción, circulación y usos de bienes “creativos” entendiendo que en tales circuitos se encuentran implícitas particulares nociones de la subjetividad.

Palabras clave: industrias creativas - producción simbólica - campo editorial - marketing –subjetividad.

 

 

CAPITALISMO Y SUBJETIVIDAD FUTBOLÍSTICA. CUERPOS DISCIPLINADOS Y SACRIFICADOS

 

Débora Majul. Licenciada en psicología. UNC. Estudiante de Maestría en Intervención e Investigación Psicosocial. Facultad de Psicología. UNC; deboramajul@gmail.com

 

Ampliar la mirada de las ciencias sociales implica que podamos echar luz en campos poco explorados como es el caso del campo deportivo. Es también allí donde en la actualidad se conjugan prácticas, discursos, cuerpos, subjetividades, dispositivos, todos ellos ensamblados por el sistema capitalista. Hacer foco en un deporte como lo es el fútbol lleva a la pregunta por la producción y legitimación de las subjetividades ancladas en los dispositivos institucionales de los clubes que forman a jóvenes deportistas. Asimismo, es lícito interrogarnos sobre cómo se  reproduce la lógica capitalista en la producción de sujetos y cuerpos para el alto rendimiento, que por otro lado los precariza de modo tal que los trata como mercancía integrándolos de esta forma en la economía global. Es en este contexto que es posible encontrar polaridades como: 1- subjetividades del rendimiento configuradas a través del disciplinamiento de los cuerpos y, 2- subjetividades del sacrificio alineadas a la necesidad del sujeto de ser productivo con el objetivo de salvación; atravesadas ellas por discursos familiares, sociales y mediáticos que lejos de acompañar el proceso de subjetivación lo invisten desde la demanda, de éxito y rendimiento, y la idealización.

Palabras Clave: subjetividad – fútbol – capitalismo – sacrificio – cuerpo

 

 

SESSÃO IV – CORPO, GESTÃO, CAPITAL

 

EMPRENDEDORES/EMPRENDEDORAS: GENERIZANDO EL CUERPO Y EL SUJETO DEL BIENESTAR

María Inés Landa (CIECS-CONICET y UNC)

landa.mi@gmail.com

 

El estilo de vida que se presenta tras el significante del bienestar despliega un entramado de dispositivos terapéuticos, económicos y de espectacularización de las apariencias que funda sus prácticas y discursos en una racionalidad de tipo neoliberal. La subjetividad que configuran las prácticas de cuidado de sí y de la propia salud, porta los atributos del sujeto emprendedor y del cuerpo del liderazgo, cuyo aspecto es entre saludable y deportivo, demandado en los diversos escenarios de consumo y productivos del presente.

No obstante, estas figuraciones engendran propiedades distintivas para uno y otro sexo. La ponencia indaga en estas diferencias, a partir del análisis de una revista de la salud - Women’s Health y Men’s Health -, de circulación masiva, que posee la particularidad de ofrecer un producto en versión masculina y femenina.

El análisis arroja que ambas revistas reproducen el cuerpo straight de la heteronormatividad; en tanto que se le atribuye al varón un cuerpo musculoso, mientras que a la mujer se la identifica, con un cuerpo tonificado, armónico y delgado, más pequeño que su opuesto. 

De este modo, estas imágenes ritualizan ideales corporales que convencionalizan las convenciones circulantes en el imaginario social. Urge, por lo tanto, reflexionar en torno a los efectos que produce el discurso del bienestar, en tanto que alude a pseudo‐originales que, a pesar de su respectiva fragmentación, insisten con soluciones únicas, de pretensiones universalizantes/normalizantes y concebidas como esencialmente naturales.

Palabras claves: Discursos de la salud y del bienestar – revistas de la salud – estereotipos de género – subjetividad emprendedora – racionalidad neoliberal.

 

 

TENDENCIAS DE MEDIA MANAGEMENT AL INTERIOR DE LAS SALAS DE REDACCIÓN: EL CASO DE LOS DIARIOS Y CANALES DE TELEVISIÓN EN CHILE EN LA POSTDICTADURA

 

Claudia Lagos Lira. Profesora Asistente, Universidad de Chile (Chile) / Estudiante de doctorado, University of Illinois at Urbana-Champaign (USA); cllagos@uchile.cl / lagosli2@illinois.edu

 

Este artículo explora cuáles son las principales tendencias en el management al interior de las salas de redacción en el sistema de medios chileno. La hipótesis del artículo es que desde los ‘90s, el management se ha instalado sistemáticamente al interior de los medios, reemplazando el poder de decisión editorial. Este proceso ha estado íntimamente relacionado con los cambios experimentados por la sociedad chilena en su conjunto, donde el neoliberalismo se desplegó desde los ‘70s, aplicando las políticas promovidas por la Escuela de Chicago: privatización, desregulación, disminución del Estado (Harvey, 2007; Klein, 2007; McChesney, 1999).

Teóricamente, la propuesta se enmarca en la economía política de la comunicación y, metodológicamente, la ponencia asume una perspectiva exploratoria, cualitativa y descriptiva. Se analizaron algunos casos disponibles en la literatura en los cuales el management ha jugado un rol fundamental al interior de las redacciones (Ríos, 1996; Santibáñez y Luengo, 1993, Bofill, 1993). Asimismo, se consideraron los discursos de los presidentes de la Asociación Nacional de la Prensa (ANP) en su cena bianual y cómo fue cubierto por la prensa, desde 2003 hasta 2014 y se revisaron 15 números de la revista oficial de la ANP (desde el número 36 al 48, desde Octubre de 2008 hasta Diciembre de 2014), disponibles online. Finalmente, se revisaron los textos de las negociaciones colectivas de los canales de televisión abierta de cobertura nacional.

El artículo constata la relevancia del enfoque del capital humano, la centralidad del management, la colonización lingüística de conceptos propios de la economía, la idea del desarrollo de los medios desde una perspectiva comercial (“productos”, “innovación”, “proyectos”, “clientes”, “oportunidades”, “liderazgo”, entre otras).

Palabras clave: media management – comercialización de los medios – sistema de medios en Chile.

 

 

POLÍTICAS DE VIDA. RESISTENCIAS CORPORALES DE LOS CARREROS DE LA COOPERATIVA LA ESPERANZA A LA GESTIÓN NEOLIBERAL DE LA BASURA EN CÓRDOBA

Fidel Azarian Colectivo de investigación El llano en llamas (UNC/UCC); fidelazarian_iu@hotmail.com

 

La cooperativa de carreros y recicladores La Esperanza nace en la ciudad de Córdoba, Argentina, hacia fines del 2010 con múltiples y variados reclamos en el marco de una gestión neoliberal de la recolección y tratamiento de los residuos sólidos urbanos. La lucha que lleva adelante la cooperativa La Esperanza por más y mejores becas, por una gestión de la basura ecológicamente sustentable de la cual los carreros puedan formar parte, por un proyecto de educación popular para las familias carreras, por políticas públicas que favorezcan el cuidado y la salud de los caballos, etc.; el trasfondo de todas esas disputas es un conflicto vital. Desde la cooperativa, los carreros están generando nuevas formas de subjetividad: la lucha de La Esperanza es pura invención, es la actualización del potencial que tiene la revuelta para crear una ética de los cuerpos; porque todo cuerpo para sobrevivir necesita ser cuidado, ser querido y ser sostenido por medios materiales. Nuestro argumento es que en la lucha de los carreros se juega una nueva experiencia ética, estética y política, cuyo potencial emancipatorio se asienta en una asombrosa creatividad para proteger y expandir la vida.

Palabras clave: resistencias- gubernamentalidad neoliberal- políticas de vida- carreros- cooperativa La Esperanza.

 

 

SOY PROFESORA NO MÁS: CUERPO DE PROFESORAS DE ESCUELAS VULNERABLES

Patricia Guerrero Morales. Psicóloga. Master y Doctora en Sociología Universidad Denis Diderot-Sorbonne Cité.  Académica Titular Universidad Católica Silva Henríquez. Investigadora Asociada Proyecto Anillos Normalidad, Diferencia, Educación; ps.pguerrero@gmail.com, paguerre@ucsh.cl

 

La presente propuesta es fruto de una discusión que aparece en una investigación de tesis doctoral de 4 años en que se realiza un diseño que tiene una primera fase etnográfica y una segunda parte de intervención. En los 4 años la investigadora principal es madre y cambia la forma de vestirse de estudiante y juvenil  a ropa más formal  (de baja calidad y costo) que ha sido regalada por una colega para el periodo de gestación y de los primeros meses.

 El cambio corporal, el alza de peso y la maternidad,  cambia la relación de las profesoras frente a la investigadora. La directora del colegio celebra la formalidad que la investigadora adquiere con el embarazo. “Ahora sí parece una señora”. Cambia su condición de madre, pero también cambia su cuerpo. El cambio azaroso de vestimenta  integra a la investigadora al “universo de las profesoras” que la hacen parte en conversaciones acerca de bajo salario de los docentes, la poca posibilidad de hacer deporte por la carga laboral, la dificultad para soportar el frío y el estress de las escuelas públicas. Es que somos “Pobresoras” o” profesoras no más”,  “Es que esta profesión nos tiene tan re feas” son parte de las frases que escapan con risas de las conversaciones con cierta complicidad con la investigadora. La teoría de la injuria de Judith Butler aparece claramente con la idea de su bajo acceso al consumo y a la posibilidad de encarnar un cuerpo “bello” y “elegante”.  Sus cuerpos con sobrepeso según las “normas saludables”, vestidos con ropas que no les gustan, sus hábitos de alimentación, les recuerda que la falta de estima social y falta de reconocimiento de la labor docente. Les recuerdan también sus orígenes populares y la dificultad de acceso al consumo. Les recuerda sus bajos sueldos fruto de las políticas de empobrecimiento de los docentes de la dictadura. Las mujeres cuentan que, delgadas y finas, no se sienten capaces de poner límites a los adolescentes de las culturas populares. Ginette Francequin habla de la vestimenta como la segunda piel. Esa piel la cambiamos en la investigación y nos cambiaron también los “datos” y los “resultados”.

Palabras claves: Profesoras,  Management del cuerpo.

 

 

MUDANÇA DE ENDEREÇO E NOVOS PADRÕES DE CONSUMO DOMÉSTICO ENTRE MORADORES DE CLASSES POPULARES 

Shirley Alves Torquato. Doutora em Antropologia Universidade Federal Fluminense- UFF- Brasil; stshirleytorquato1@gmail.com

Esta pesquisa representa o esforço de traduzir e interpretar algumas situações observadas por mim durante trabalho de campo realizado em dois conjuntos de prédios construídos pelo Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC, no Morro do Preventório, localizado em Niterói, município da região metropolitana do Rio de Janeiro. Procurei observar como uma política pública habitacional, concebida pelo governo federal, foi recebida por aqueles a quem se destinava e como este evento foi vivenciado em termos pragmáticos, lógicos e dramáticos. Minha análise tenta dar conta de "como" a moradia, mesmo não sendo inicialmente escolhida ou desejada, e sim imposta por um programa de governo, foi pouco a pouco sendo transformada na "casa toda arrumadinha", conforme uma expressão nativa igualmente presente e recorrente em todos os depoimentos. O consumo e a aquisição de bens, da mesma forma que a organização estética dos apartamentos, trouxe à prática de novos rituais domésticos e, ao contrário destes rituais representarem um fardo ou "obrigação", manter "a casa arrumadinha”, tornou-se o sinal de uma conquista importante para a grande maioria desses moradores.

 

POLÍTICAS SOCIALES EN EL MARCO DE LA “SOCIEDAD DE CONSUMO”: RELACIONES POSIBLES

 

Andrea Dettano (UBA-CONICET/CICLOP-CIES) Doctoranda en Ciencias Sociales; andreadettano@gmail.com

 

El presente trabajo parte de una reconstrucción/ recorte teórico sobre la denominada ¨Sociedad de Consumo¨ y las formas que adquiere/profundiza dentro de la trama Neoliberal. La “Sociedad de Consumo” se conforma desde aquí en el nexo entre régimen económico, sistema cultural y administración política.

Pensando en procesos de estructuración social, se intentará establecer un vínculo entre consumo y política como articulación que habilita indagar los Programas de Transferencias Condicionadas de Ingreso (PTCI) en el marco de -en el caso de Argentina- un modelo económico y político que pone a funcionar variados programas de incentivo al consumo.

Este recorrido será el contexto desde el cual pensar una problemática en particular: Los Programas de Transferencias Condicionadas de Ingreso en América Latina, como políticas anti-cíclicas que devienen en incentivos al consumo. Las programas de asistencia a la pobreza han proliferado en ese formato en la región alcanzando la masividad – para 2011 aproximadamente 129 millones de personas las perciben- con lo que se constituyen como un objeto de indagación de suma relevancia.

Palabras Clave: Consumo, Sociedad, Neoliberalismo, Políticas sociales, PTCI.

 

 

SESSÃO V– CONSUMO, CONSTRUÇÃO DA APARÊNCIA E PROCESSOS DE SUBJETIVAÇÃO

 

 

FUNK OSTENTAÇÃO: A INCLUSÃO ATRAVÉS DO CONSUMO

Elaine Moura e Silva Oliveira. Mestranda em Ciências Sociais – UNESP; oliveiraelaine2i@igcom.br

 

A periferia agora conta com uma nova trilha sonora, esta visa à alegria, a fruição das sensações e do prazer. Este novo estilo é o funk ostentação, um fenômeno juvenil que tem causado grandes debates e questionamentos. Seu discurso é sobre a sucessagem – sucesso e sacanagem – e sobre uma vida de luxo. Essa nova articulação, luxo e periferia, é o que tem mediado o processo de construção das identidades. Os processos identitários da sociedade de consumo são possibilitados pela aquisição de bens, estes, por sua vez, já vem com a identidade inclusa, como um item de fábrica.

As políticas de distribuição de renda dos dois últimos governos federais – Lula e Dilma – alçaram parcelas oriundas das classes C, D e E a um novo padrão de consumo. Com o aumento do poder aquisitivo desses indivíduos a vida, ainda que de forma aparente, melhorou e o seu discurso modificou-se. O discurso foi do protesto para a celebração, falando sobre carros, motos, bebidas, roupas, joias e mulheres, objetos – sim, a mulher como objeto – que auferem status aos portadores e, em uma sociedade de consumidores em que as figuras que estão em ascensão são a imagem do sucesso, se tornam o espelho dos integrantes dessa cultura. Sempre focando no entretenimento e na festa, o funk se tornou um discurso próprio da sociedade de consumidores, é fluído e efêmero e não interfere em outros aspectos da vida, é o discurso do aqui e agora, propõe a felicidade como fim em si mesma.

Palavras-chave:funk, ostentação, processos identitários, consumo.

 

 

RELAÇÕES ENTRE O GLOBAL E LOCAL: CIRCULAÇÃO E USO DE REFERÊNCIAS DE MODA POR GRUPOS DE BAIXA RENDA

Beatriz Sumaya Malavasi Haddad. Mestranda do Programa de Pós Graduação em Ciências Sociais da Faculdade de Ciências e Letras de Araraquara – UNESP; biasumaya@yahoo.com.br

 

A presente pesquisa tem como objeto a moda, considerada um elemento chave para a compreensão da cultura de consumo. Esta é tratada neste trabalho, destituída de crenças embasadas em discursos que legitimam uma estrutura adotada de um centro especifico que se autoproclama a verdadeira moda, e assim abordada a partir de suas principais engrenagens: o efêmero e a valorização da novidade - em um contexto onde os indivíduos utilizam seus corpos como meio estratégico de construção de aparência, realçada pela pratica de management corporal. O principal eixo norteador da discussão é a relação entre o local e o global – ou entre o universal e o particular. Pressupõe-se que os símbolos tornados globais são apropriados e ressignificados de acordo com as realidades locais e nesse contexto a moda torna-se protagonista para se perceber como as tendências universalizantes são incorporadas e/ou ressignificadas em contexto local. Esta discussão foi realizada enfocando grupos de baixa renda, contrapondo-se à concepção que esses indivíduos consomem apenas produtos considerados de primeira necessidade - e estão excluídos do mercado globalizado de bens simbólicos - afastando-se de preconceitos que cercam o campo do consumo popular.

A pesquisa empírica foi realizada em comunidades localizadas no município de Santo André/SP, que compõe o chamado Núcleo Jardim Santo André, constituído por um agrupamento de favelas que, desde a década de 1980, sofre intervenções de órgãos públicos com intuito de urbanizar o local. A pesquisa de campo se deu a partir de observações e entrevistas com os moradores, com o objetivo de avaliar a relação destes com o uso de vestimentas de marcas globalizadas, com produtos considerados da moda, bem como sinalizar as formas de apropriação e ressignificação dos mesmos.

Palavras-chaves: consumo popular; moda; global; local.

 

 

PRÁTICAS DE CONSUMO E A CONSTRUÇÃO DA APARÊNCIA

Felipe Roberto Petenussi. Mestrando ligado ao Programa de Pós-graduação em Ciências da Universidade Estadual Paulista – UNESP FCL, Araraquara-SP; jpagef@hotmail.com

A abordagem antropológica entende consumo como processo ritual capaz de dar sentido a vida e marcar os significados, sua função é de mediador simbólico. Ativo e presente no cotidiano, o consumo ocupa um papel central como estruturador/estruturante de valores simbólicos que constrói e manipula identidades e regula relações sociais.

A estreita relação entre as culturas de consumo e as mídias - entendidas como mediadoras das relações socioculturais - na contemporaneidade coloca em ação processos de formação de significações simbólicas, a partir das diferentes práticas de consumo. Esses processos produzem “jogos de aparência”, na medida em que permitem a negociação na construção da própria imagem por meio dos usos e consumos referentes a vestimenta, a estilos e, também ao corpo.

Dessa forma, o corpo pode ser entendido como mídia, pois a partir dele é possível circular linguagens e sentidos (simbólicos): A aparência comunica. Pontanto pensar o consumo significa pensar suas possibilidades estéticas.

A aparência, ao tornar visíveis os elementos subjetivos e identitários, torna-se um importante instrumento nas lutas por representação, além de transformar-se em um importante comunicador simbólico nas relações sociais que são tecidas no cotidiano.

Diante destas questões, esta comunicação apresenta parte do trabalho de pesquisa que vem sendo realizado junto a duas instituições de ensino na cidade de Ribeirão Preto - SP - Brasil, envolvendo jovens de 15 a 18 anos, frequentadores do ensino médio. Como principal objetivo, a pesquisa intenta identificar os usos dos bens de consumo como mediadores dos processos de identificação operados por estes jovens.

Palavras-chave: Consumo; Identidade; Corpo; Aparência.

 

 

"VOUCHERS, PERMUTAS" E OUTRAS DÁDIVAS CONTEMPORÂNEAS: UMA PERSPECTIVA ETNOGRÁFICA DAS RELAÇÕES DE TROCA ENTRE MODELOS NO MERCADO DE MODA EM MINAS GERAIS.

 

Prof. Me João Paulo Aprígio Moreira (CEFET-MG). Mestre em História (UFG) e Mestre em Antropologia (UFSCAR) Pesquisador NESPOM – UNESP; absencejp@hotmail.com

 

Esta comunicação procura apresentar relações de troca que constituem a sociabilidade de modelos no mercado de Moda em Minas Gerais. Trata-se de evidenciar a partir de pesquisa etnográfica alguns aspectos  que permitem singularizar temas como a dádiva, a dívida e as trocas, como discutidas por Marcel Mauss em seu texto seminal - "Ensaio sobre a dádiva". Noções como a de reciprocidade e de mercado são atualizadas em função de aspectos culturais, sociais e políticos no mercado de Moda. Mercado este que caracteriza boa parte das relações de consumo na sociedade contemporânea. Nesse sentido, castings, viagens, coquetéis, casamentos, contratos de trabalho e outros aspectos que compõe a produção social desta cultura de consumo serão abordados, evidenciando uma complexa circulação de pessoas, objetos e bens simbólicos que caracterizam o mercado de Moda em Minas Gerais a partir de suas particularidades.

Palavras chaves:  moda, consumo, dádiva, antropologia da moda.

 

 

 

 

SESSÃO VI– MÍDIA, REDES SOCIAIS, NOVAS TECNOLOGIAS

 

CORPOS E EROTISMO: ENCENAÇÕES DE STRIP-TEASE NA INTERNET

 

Dr. Weslei Lopes da Silva – Universidade de Itaúna; wesleilop@gmail.com

 

Esta proposta parte de uma etnografia de doutorado que objetivou analisar como um grupo mulheres articula a experiência de trabalhar no mercado de strip-tease virtual e, especialmente, como percebem e vivenciam o corpo nas interações com os clientes via internet. A partir das noções de incorporação e de performance de gênero, busco refletir como elas ressignificam o corpo, assumem discursos, gestos e práticas, como estilizam o corpo em acordo com a mulher a ser performatizada para atrair e agradar aos clientes e, assim, conquistar maiores lucros nesse mercado. Em outras palavras, busco problematizar como tais mulheres se constroem como web strippers a partir de seu corpo, o que demanda a modificação consecutiva do mesmo, no sentido de estar sempre apropriado à “situação de mercadoria”. Nesse sentido, elas buscam atender às convocações dos padrões estéticos vistos como adequados à sua ocupação por meio de ginástica, dietas e outros procedimentos, e implementar novidades para o mercado de strip-tease, que se referem principalmente em assumir novas disposições corporais, práticas distintas e a incorporação de novas personagens. Mais ainda, pelo que foi possível depreender daquela etnografia, as cenas eróticas construídas pelas web strippers a partir do uso inventivo do corpo, seja em fotos e vídeos como ante a webcam, engendram femininos performáticos que demandam temporariamente a destituição de si mesmas e a composição de uma outra mulher (ou outras mulheres) para os shows.

Palavras-chave: Corpo. Gênero. Pessoa. Performance. Web Strippers.

 

 

“ME CLAVÓ EL VISTO”: LOS JÓVENES Y LAS ESPERAS EN EL AMOR A PARTIR DE LAS NUEVAS TECNOLOGÍAS

 

Maximiliano Marentes (IDAES-UNSAM/IIGG-UBA/CONICET); maximarentes@hotmail.com

Mariana Palumbo (IIGG-FSOC-UBA/CONICET); mrnpalumbo@gmail.com

Martín Boy (CONICET/IIGG-FSOC-UBA/UNPAZ); mgboy_99@yahoo.com

 

Esta ponencia analizará escenas de espera mediadas por las nuevas tecnologías (facebook, whatsapp) en relaciones erótico-afectivas de jóvenes heterosexuales de clase media del Área Metropolitana de Buenos Aires. Se problematizará cómo estas vías de comunicación facilitan la generación de situaciones de espera atravesadas por el (des)control en la propia subjetividad y sobre el sujeto amado.

Utilizaremos la metodología de las escenas como recurso para explorar estas experiencias de espera retomando las perspectivas de Vera Paiva y Filomena Gregori. También apelaremos a una multiplicidad de fuentes (relatos de entrevistas, fragmentos de literatura y canciones) para dar cuenta de la importancia que tiene pensar al amor como un bricolage.

El trabajo se estructurará en tres apartados. En el primero se analizarán las dinámicas y efectos que tienen sobre los sujetos las situaciones de espera vinculadas al amor. En el segundo se reflexionará sobre los vínculos amorosos entre jóvenes. En el tercero se problematizará cómo son experimentadas las escenas de amor y espera durante la juventud.

Esta ponencia se enmarca en el proyecto UBACyT en el que se problematizan situaciones de espera que implican aspectos económicos, afectivos y/o de salud. Este proyecto es dirigido por el Dr. Mario Pecheny y tiene como lugar de trabajo el Instituto de Investigaciones Gino Germani de la Universidad de Buenos Aires.

Palabras clave: Amor – Jóvenes – Esperas – Nuevas tecnologías – Escenas

 

 

CONSTRUÇÃO DE CORPOS NAS RELAÇÕES MEDIADAS POR TECNOLOGIAS: CONEXÕES ENTRE A “MERCANTILIZAÇÃO DA INTIMIDADE” E A “MERCANTILIZAÇÃO DA SUBJETIVIDADE”

Iara Beleli. Doutora em Ciências Sociais/ Coordenadora do Núcleo de Estudos de Gênero – Pagu/Unicamp – iarabeleli@gmail.com

Em contraste com a era das mídias de massa (rádio e TV), desde a popularização da internet no início do século XXI, as mídias digitais permitem, por vezes incitam, seu público a ter um papel ativo não apenas na comunicação, mas na criação de conteúdo. Como redes horizontais de comunicação, as mídias digitais conferem aos sujeitos a sensação protagonismo. Este paper propõe uma reflexão sobre a construção da corporalidade nas interações on line, perguntando em que medida os corpos são estrategicamente manipulados de modo a não destoar de modelos de beleza que, de forma intertextual, circulam pelas variadas mídias. De um lado, essa manipulação parece nortear subjetividades que se constituem também por meio das novas tecnologias, de outro, apresenta aspectos que se desdobram em interrogações sobre a desestabilização de antigas referências morais no que se refere às diferenças de gênero, articulada a outros marcadores (raça/etnia, geração, sexualidade, classe). A pesquisa foi feita em sites de relacionamento e aplicativos direcionados à busca de parceiras amorosas/afetivas/sexuais com mulheres e homens entre 35 e 55 anos, pertencentes às classes médias e moradores da cidade de São Paulo. A reflexão aqui empreendida presta particular atenção às conexões entre a “mercantilização da intimidade”  e a “mercantilização da subjetividade”, cujos corpos ganham centralidade e são agenciados na busca por parcerias ideiais.

Palavras chaves: Corpo; Relações Mediadas por Tecnologia; Processos de Subjetivação; Cultura de Consumo, Diferenças.

 

BELEZA EM QUALQUER TAMANHO: CONSUMO, REPRESENTAÇÕES DA OBESIDADE E IDENTIDADES EM BLOGS FEMININOS PLUS SIZE

 

Hellen Olympia da Rocha Tavares. UNESP – FCLAr – Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais; hellentav@gmail.com

 

Nas sociedades contemporâneas, a saúde e a beleza foram transformadas em objetos de consumo, personificados na magreza e na perfeição corporal, símbolos de sucesso e status social. Nas sociedades de consumo, a magreza está intimamente atrelada à ideia de amoldamento nas diversas áreas da vida social, já o corpo obeso ganha conotação de fracasso e frustração com a própria realidade. O corpo é local incessante para incidência de poder, mas também de resistências. Neste contexto, este trabalho estuda os blogs de temática plus size, que são voltados para mulheres obesas, e sua relação com o mercado de “consumo de beleza”. O consumo é entendido não apenas prática mercadológica, mas também como espaço de estratégias para construção e reconstrução de identidades e identificações sociais. Estes blogs procuram estabelecer a obesidade como atributo identitário positivo, por meio da apresentação do corpo gordo inserido em lógicas do consumo que remetem à beleza e sensualidade. A narrativa nestes blogs busca resignificar o corpo gordo como lugar de possibilidades, e não mais como representação da feiúra e da desvalorização. Nestes espaços virtuais, as mulheres obesas usam as mercadorias para criar vínculos, marcar lugares sociais e reestabelecer distinções. Ao Nestas relações de poder que envolvem o corpo e o consumo existe um enfrentamento constante e infindável, onde não há autonomia plena, tampouco sujeição absoluta dos indivíduos. Ao escolher assumir sua obesidade e sentir orgulho de seu corpo considerado desviante, estas mulheres tentam subverter o assujeitamento de seus corpos através de sua liberdade e autonomia.

Palavras-chave: obesidade, consumo, blog, identidade

 

 

A PARTIR DA ROUPA: A CONEXÃO ENTRE CORPO E CONSUMO NA CONSTITUIÇÃO DA IMAGEM EM REDES SOCIAIS

 

Augusto Ferreira Dantas Júnior - Universidade Federal do Piauí (PPGAArq/UFPI), Piauí, Brasil; meaugustodantasjr@gmail.com

 

O estudo analisa  a relação estabelecida através do uso da roupa e do corpo entre sujeitos que trabalham com a produção de imagem pessoal em veículos de comunicação e redes sociais. Para isso, faz-se necessário compreender quais os significados atribuídos à sua própria imagem, ao corpo como meio de trabalho e a roupa como elemento estruturante do discurso apresentado aos seus respectivos seguidores. Possuindo como cenário a cidade de Teresina, capital do Estado do Piauí (Brasil), onde a figura do instablogger tem adquirido destaque (assim como a produção de moda e estilo local), percebe-se que algumas pessoas se destacam pela utilização dos novos meios de comunicação em massa para estabelecer uma imagem a ser consumida em um processo no qual a roupa não apenas representa o que o individuo deseja ser - ela emerge como agente - e os sujeitos são por meio do seu consumo dotados do poder de influenciar os demais. A legitimação do uso da indumentária entre os integrantes da pesquisa não consiste na transmissão de valores pessoais por meio disso, mas em fazer um “bom uso” do que encontra-se disponível no mercado local de moda, de forma que, por meio da habilidade no uso do próprio corpo, sejam “autorizados” a instruir outras pessoas para uma possível construção de uma boa imagem pessoal. Por meio de um trabalho etnográfico, busca-se compreender a relação entre consumo e o uso do corpo na comunicação.

Palavras-chave: Corpo; Consumo; Moda; Redes Sociais; Etnografia

 

 

O CORPO BIOTECNOLÓGICO SOB A PERSPECTIVA DO INFOENTRETENIMENTO. MEDIAÇÕES E ESTRATÉGIAS DE SENTIDO NAS REVISTAS BRASILEIRAS SUPERINTERESSANTE E GALILEU 

 

Djaine Damiati. Doutoranda em Ciências Sociais na FCLAr – UNESP, bolsista da CAPES e docente do curso de Bacharelado em Design Digital na UNIARA; djainedamiati@gmail.com

 

A partir da década de 1950 começa a tomar vulto na mídia brasileira uma estratégia de produção de sentido resultante do crescente embaralhamento das fronteiras entre informação e entretenimento. A estratégia nomeada por alguns teóricos da comunicação como infoentretenimento, tradução para o neologismo infotainment, proliferou-se por diversos meios, gêneros e formatos, por sua considerada eficácia discursiva e perfeita conjunção com a lógica do consumo e do espetáculo reinante na contemporaneidade, estendendo-se inclusive, ao âmbito da divulgação científica.

No Brasil, as principais representantes do infoentretenimento impresso voltado à área da ciência e tecnologia são as revistas Superinteressante e Galileu que entre outros assuntos, abordam as diferentes incursões da tecnociência sobre o corpo e a saúde a partir da perspectiva do entretenimento. Em outras palavras, nestas revistas as novas descobertas da ciência e da tecnologia recebem tratamento editorial que as aproxima da narrativa ficcional. Como nos contos maravilhosos ou no realismo fantástico e na própria ficção científica, o mistério, o drama e as referências míticas dão uma dimensão quase onírica aos atributos da ciência, além de com a ajuda de outras estratégias linguagem, provocar nos leitores o exercício da projeção e da identificação

Neste trabalho propomos um olhar analítico para os discursos produzidos por estas publicações entre os anos de 2004 e 2014, e as respectivas estratégias de mediação e produção de sentido, utilizadas na construção de uma imagética sobre corpo biotecnológico, desenvolvida com base na naturalização dos ideais liberais e do pensamento cibernético.   

Palavras chave: corpo biotecnológico ; infoentretenimento; mediações; tecnociência

GT7. CIDADE, CORPO, FRONTEIRAS/ CUERPO, CIUDAD Y FRONTERAS

Coordinadores: Andrés Salcedo, Director del Departamento de Antropología, Universidad Nacional de Colombia. Bogotá. Investigador Centro de Estudios Sociales, asalcedofi@unal.edu.co, asalcedofidalgo@gmail.com.

Silvana de Souza Nascimento, Professora Doutora do Departamento de Antropologia, Universidade de São Paulo, Brasil. Pesquisadora do Núcleo de Antropologia Urbana (Nau-USP). silnasc@usp.br, simples.humano@gmail.com.

 

 

1ª sessão: Jovens, práticas urbanas e circulação/jovenes, prácticas urbanas y circulación

 

 

O SKATE NA EXPERIÊNCIA URBANA CONTEMPORÂNEA: UM ENSAIO PARA O ESPAÇO PÚBLICO

Guilherme Michelotto Boës (PUC-RS)

 

Com o crescente desenvolvimento das cidades suas arquiteturas sofrem significativas mudanças sobre o espaço público urbano. A partir disso temos que compreender a relação dos espaços públicos sobre as identidades, e as situações das relações sociais, entre a experiência cultural no espaço urbano e a sociabilidade fragmentada sobre a cidade contemporânea. Analisar os skatistas nos espaços públicos urbanos move a cidade para uma possibilidade de reconfortar os próprios significados de uso dos espaços que surgem nessas modificações das fronteiras espaciais, no encontro e desencontro dos grupos sociais. Devemos identificar os desafios com que as codificações dos espaços culturais da cidade se encontram em suas novas propriedades de direito de uso e manifestação social, já que produzem narrativas que alteram a produção dos espaços na inscrição de identidade social. Dessa situação, como o skate opera entre as fronteiras de interação dos espaços públicos urbanos que cada vez mais são abandonados em detrimento aos espaços privados? Pode o skate trazer a discussão sobre os espaços públicos, apontando que a tensão de sua oposição ao uso dos espaços públicos está longe da percepção de um processo ilícito de prática cultural urbana nos espaços públicos? Para tanto a antropologia urbana encontra o diálogo estabelecido entre a etnografia e a experiência urbana contemporânea, a associação das afirmações culturais nos novos espaços públicos e as manifestações sociais na produção da alteridade.

Palavras-chaves: skate; experiência urbana; cidade; espaço público.

 

 

OS MÚSICOS AMBULANTES: UMA ETNOGRAFIA MUSICAL DA CIDADE DE MONTREAL NO CANADÁ

Dalila Vasconcellos de Carvalho (Universidade de Montréal)

 

Embora a presença dos músicos ambulantes na província do Québec no Canadá remonte ao século XVIII, esta apresentação irá abordar uma tema que, de modo geral, é muito pouco estudado pela antropologia da música ou pela antropologia urbana: as práticas e as trajetorias dos músicos ambulantes e o significado destas na vida quotidiana da cidade. Ao contrário de outras profissões ambulantes que desapareceram dos grandes centros urbanos modernos, os músicos ambulantes permanecem pelas ruas mais movimentadas do centro de Montreal e pelos corredores do metrô desde a sua inauguração em 1966. Entretanto, pouco se sabe sobre eles: quem são? De onde vêm? Como vivem? Porque escolheram os espaços de circulação como a rua e/ou híbridos como os corredores do metrô para a prática musical? Na escassa bibliografia encontrada sobre o tema e em particular sobre os músicos ambulantes da cidade de Montréal, estes são vistos ora como artistas marginais descartados do mundo cultural estabelecido ora como personagens históricos. Assim que através de uma perspectiva etnográfica, a proposta deste trabalho é mostrar como, à partir de suas práticas musicais quotidianas, os músicos ambulantes mobilizam formas inéditas do fazer musical, bem como, de viver e fazer a cidade. Dito de outro modo, nosso objetivo é compreender como este fazer musical quotidiano, efêmero, banal, improvisado, que escapa as classificações do saber musical tradicional, estabelece uma relação social e simbólica com os pedestres, os espaços e a cidade.
Palavras-chave: músicos ambulantes, práticas, cidades, etnografia urbana.

 

 

“AQUI A GENTE TÁ VENDO INTEGRAÇÃO”: FLUXOS CULTURAIS JUVENIS ENTRE FRONTEIRAS

Gilberto Geribola (USP)

 

O artigo apresenta uma reflexão baseada nos apontamentos iniciais de uma pesquisa etnográfica realizada na região da tríplice fronteira (Brasil, Paraguai, Argentina) na qual são abordadas as interações de grupos juvenis residentes nas cidades fronteiriças. A pesquisa em curso foca a observação sobre as práticas culturais e a circulação de grupos juvenis nas cidades de Foz do Iguaçu (Brasil), Puerto Iguazu (Argentina) e Ciudad del Este (Paraguai). Articulando os temas juventude, cidades e fronteiras o trabalho visa contribuir para o entendimento das práticas culturais juvenis desenvolvidas na escala das pequenas e médias cidades, em especial aquelas que compõem regiões de fronteira. Neste artigo apresenta-se a etnografia de um grupo de maracatu sediado do lado brasileiro da tríplice fronteira apontando os deslocamentos do grupo para as cidades vizinhas que compõem a região fronteiriça, bem como de jovens argentinos e paraguaios que atravessam a fronteira para participarem dos ensaios e apresentações do grupo em Foz do Iguaçu e outras cidades da região. A etnografia sinaliza que as interações entre esses jovens de origens distintas no cenário fronteiriço instituem circuitos de práticas culturais juvenis marcados por integrações, sobreposições, deslocamentos e conflitos em um ambiente que pode ser caracterizado pelo desenvolvimento de “híbridos culturais”.

Palavras- chave: grupos juvenis, práticas culturais, cidades, fronteiras.

 

 

TANGO NA RUA: HAY QUE SABER BAILAR COM OS MILONGUEIROS PAULISTAS

Cristiana Felippe e Silva (PUC-SP)

 

A presente pesquisa etnográfica avalia o movimento denominado Tango na Rua, na Avenida Paulista, em São Paulo, como intervenção urbana de liminaridade, um espaço intermediário entre o público e o privado, com suspensão das estruturas cotidianas, mas organizado dentro de regras bem definidas em estado de communitas, a partir de conceitos de Victor Turner e José Guilherme Magnani. O baile de rua, disseminador da música rioplatense, e aberto a todos que queiram participar, é avaliado como performance na interface teórica da antropologia urbana e do corpo, como forma de interação e ocupação do espaço, possibilitando novos modos de circulação e apropriação da cidade. Pedestres e frequentadores da milonga de rua gratuita, realizada desde 2009, aos domingos, transformam a calçada em frente ao parque Trianon-Masp, ao som ligado na banca de jornal, em balés de pessoas, situações e atividades que nunca se repetem, citando Jane Jabocs. São atores sociais vistos como agentes capazes de modificar tanto física quanto simbolicamente os espaços da cidade, contrapondo-se às intenções de disciplinar o corpo em espaços privados. O tango na rua, onde se toca também ritmos brasileiros de forró e samba, expressa diferentes modos de viver na fronteira corporal, cultural e espacial. O movimento visa ressignificar e apropriar-se da cidade, criando encontros e sistemas simbólicos que produzem sentidos na troca e no reforço dos vínculos de sociabilidade.
Palavras-chave: tango;rua;corpo;liminaridade.

 

 

CIRCUITOS SONOROS DOS GRUPOS MUSICAIS GUARANI

 

Klaus Wernet (USP)

 

Os Bro Mc´s, grupo de Rap Guarani, moram na aldeia de Jaguapiru, localizada na cidade deDourados – MS, Brasil. O grupo vive atualmente uma capacidade de transitar entre distintos espaços, com uma lista grande de apresentações eles já tocaram em pequenas aldeias, assim como, em casas de shows localizadas na Capital de São Paulo. A circulação de sua produção audiovisual e sonora se da principalmente pelos cartões de memória de celulares e pela postagem de sua produção na internet. Eles são parte de um circuito sonoro Guarani que vem sendo estudado por mim no doutorado. A produção das bandas Guaranis, que executam gêneros musicais como Rap, Forró e Pop, é uma oportunidade para os estudos que visam abordar as distintas formas de interação e ocupação do espaço urbano, do espaço audiovisual e sonoro, e da capacidade de trânsito, em diferentes escalas, que permitem desenvolver novas associações entre corpos, sons, cidades, aldeias e cyber-espaços. Essas bandas, que cruzam e vivenciam diversas formas de fronteiras, estabelecem novas conexões, alianças e espaços que são conquistados pelos Guarani ampliando sua capacidade de reivindicações. Cabe ressaltar que outras etnias indígenas na América Latina também mantém bandas de Rap, e Pop, fato que gerou redes de conexões que impulsionam a circulação de idéias, pessoas, demandas e desejos, e geram uma forma singular de interação entre indígenas e não indígenas, aldeias e capitais, espaços concretos e virtuais.

Palavras-chave: Trânsitos, Interações, Grupos de música, População urbana, Guarani.

 

 

 

 

 

VIVIENDO A LO LARGO DE UN CIRCUITO: LOS SATERÉ- MAWÉ EN LA AMAZONIA BRASILEIRA

José Agnello Alves Dias de Andrade (USP)

 

La presente investigación indaga sobre la presencia indígena en las ciudades amazónicas brasileras, a partir de la experiencia del colectivo indígena conocido como Sateré-Mawé, localizado en la parte oriental del estado de Amazonas. A mediados de los años 1980 los Sateré-Mawé conquistaron la homologación de su Terra Indígena Andirá-Marau, nombre que deriva de los dos principales ríos sobre los que se localizan la mayor parte de sus aldeas. Sin embargo, los Sateré-Mawé habitan diversas ciudades vecinas a la Terra Indígena [resguardo] en el estado de Amazonas tales como Parintins, Berreirinha y Maués, así como la capital del estado, Manaus. El objetivo de esta investigación es caracterizar, por medio de la etnografía, las formas Sateré-Mawé de habitar el espacio urbano. En su circulación cotidiana ellos transitan por una multiplicidad de lugares que, en un análisis precipitado, podrían ser tomados como distantes: la floresta, la ciudad, la aldea, los ríos y riachuelos. Ciertamente cada uno de estos lugares tiene particularidades, pero están vinculados por las líneas, por los trayectos y por las historias de los Sateré-Mawé. Durante el trabajo de campo realizado en 2014, acompañé los Sateré-Mawé en sus desplazamientos entre las ciudades de Parintins, Maués, Barreirinha y las aldeas, en visitas por diferentes casas de sus parientes. Este ir y venir que entrelaza relaciones y conforma localidades, engendra un delicado proceso de construcción y descomposición del parentesco. Esta exposición se enfoca en las historias familiares de los indígenas que circulan por la capital y su entrelazamiento con las historias de parientes en otros lugares, espacial y temporalmente. Historias, entiéndase bien, siempre siendo tejidas, hilo a hilo, en la interacción cotidiana.

Palavras-chave: Amazônia, ciudad, Sateré-Mawé, circulación, parentesco

 

 

2ª sessão: Gênero, desejos e cidade/Genero, deseos y ciudad

Debatedor: Andrés Salcedo Fidalgo (Universidad Nacional de Colombia)

 

 

FUTEBOL FEMININO, DA PERIFERIA AO CENTRO: GÊNERO, CIRCULAÇÕES E SOCIABILIDADES NA CIDADE DE SÃO PAULO

 

Mariane da Silva Pisani (USP)

 

O presente paper, parte da pesquisa de doutorado em Antropologia Social, traz à discussão os processos de circulação e sociabilidade entre mulheres jogadoras de futebol da cidade de São Paulo. Ao acompanhar os trajetos e apropriações de diferentes espaços urbanos por estas mulheres atletas em São Paulo, é possível perceber como a cidade se torna ela mesma agente de afetos e interações na construção de seus modos de vidas. As fronteiras entre centro e periferia, capital e interior transbordam e são borradas a partir da prática do futebol feminino, vivido como esporte, profissão e modo de habitar. Para estas constantes reconfigurações de paisagens e atores urbanos, é preciso considerar as diferentes ativações de categorias como gênero, raça e sexualidade, que adquirem diferentes feições nos múltiplos contextos e práticas das jogadoras por estes trajetos e cenários, mobilizando nessa análise problemáticas concernentes à Antropologia Urbana e os Estudos de Gênero. Dessa forma, a cidade de São Paulo, pode ser repensada a partir da sociabilidade construída através da prática do futebol feminino. Para além das análises teóricas, a prática do futebol feminino de fato permite o acesso e a circulação dessas mulheres na cidade e no estado de São Paulo de maneira mais fluída, intensa e vívida.       

Palavras-chave: futebol feminino, cidade, gênero, circulação.

 

 

CORPO RECORTADO: PRODUÇÃO ESPACIAL DE DIFERENÇAS E HOMOSSEXUALIDADES EM DUAS CENTRALIDADES NA CIDADE DE SÃO PAULO (BRASIL)

Bruno Puccinelli (Unicamp)

 

A presente comunicação parte de doutorado em andamento numa perspectiva comparativa com dados produzidos através de etnografia, idas a campo, entrevistas e coleta de material impresso. A pesquisa problematiza divisões semânticas espaciais em torno de definições de sexualidade em duas regiões centrais da cidade de São Paulo, República e Consolação. Me filio teoricamente a abordagens que têm tematizado espaço urbano e sexualidade em consonância (Néstor Perlongher, 2008) e questionado epistemologicamente gênero e espaço (Doreen Massey, 2005). Tais abordagens auxiliam no treinamento do olhar e na análise dos dados, desconstruindo fixações acerca da ideia de “rua gay” na Consolação. Tais enunciados de frequentadores da Rua Freia Caneca (Consolação) a contrapõe ao espaço da República, tido como mais afeminado, negro, pobre e doente, ou um espaço “bicha”. As diferenças espaciais supostamente dadas entre as duas centralidades mostram um jogo constante de produção de desigualdades a partir trânsitos dos frequentadores da República. Comparativamente tais trânsitos têm mostrado a necessidade de abordagem das duas espacialidades como uma conexão móvel entre lugares com ampla oferta de lazer direcionada a homens com condutas homossexuais. Nesse sentido, se torna mister uma abordagem inerseccional na qual marcadores como raça e classe em consonância com espaço e gênero se tornam preponderantes para a compreensão da produção de espaços homossexualizados e cuja centralidade depende do contexto de enunciação. Para esta apresentação trago o campo realizado em dois espaços abertos de ocupação com fins de lazer que exemplificam a operação contingente de diferenciação, alocando espaços e sexualidades centrais e periféricas.

Palavras-chave: Espaço Urbano; Gênero e Sexualidade; Interseccionalidade, Homossexualidade; São Paulo.

 

 

FAZER BANHEIRÃO: AS DINÂMICAS DAS INTERAÇÕES HOMOERÓTICAS NOS SANITÁRIOS PÚBLICOS DA ESTAÇÃO DA LAPA

 

Tedson Souza (UFBA)

 

As pesquisas de sexualidade in loco são bastante insólitas no campo da Antropologia, essa situação se agrava quando as variáveis sexualidade, classe, raça e gênero são tomadas para compreender as interações sexuais entre homens nos espaços públicos das grandes cidades. A fim de compreender tal dinâmica, procedemos, através de uma abordagem autoetnográfica, uma investigação das práticas de “pegação” em banheiros públicos masculinos da Estação da Lapa – maior terminal de ônibus urbano de Salvador. O objeto é a deriva urbana da pegação no Centro da Cidade por onde transitam sujeitos que praticam sexo ocasional e não comercial entre homens, nas negociações e consórcios episódicos tecidos no – e no entorno do – “banheirão”. Percebemos que, para além de um simples terminal com um sanitário, a Estação da Lapa é ressignificada como espaço de práticas sexuais de desejos dissidentes, na direção de interesses tão diversificados quantos são os sujeitos que interagem na cena e que só são reunidos aqui pelo traço em comum dos desejos, diversificadamente, homoorientados. Problematizamos também o modelo de masculinidade hegemônica presente no imaginário brasileiro, discutindo novos modelos de eroticidade heterossexual masculina possíveis na prática do “banheirão”. Os relatos de campo ilustram identidades de homens que se auto-definem como heterossexuais, mas cujas práticas alteram, de certo modo, a matriz heterossexual hegemônica, fugindo do que se convencionou permissível para um “macho” dentro da conjuntura social brasileira. Lançamos o olhar para essas heterossexualidades “periféricas” e, para isso, também é necessário discutir qual o discurso que regula a eroticidade heterossexual hegemônica.
Palavras-chave: Corpo. Homossexualidade. Gênero. Raça. Autoetnografias

 

 

DES-ARMANDO CUERPOS Y SEXUALIDADES. IDENTIDADES Y CUERPOS TRANS EN EL CARIBE COLOMBIANO

 

Alexander Pérez Alvarez (Universidad de Cartagena)

 

Este trabajo es un avance  de un proceso investigativo para mi tesis doctoral,  realizado por el autor, atraves del trabajo activista y academico  la Corporación Caribe Afirmativo,  en las ciudades de Cartagena, Barranquilla y el municipio de Maicao en el  departamento de la Guajira acerca de cómo se construyen y fabrican representaciones sociales alrededor de las identidades y cuerpos trans en la región.  Donde prima un componente etnico racial y  terriorial  determinante de dichas representaciones.  Sumado a un entramado de exclusiones, resistencias y acciones de violencia sociopolitica que situan a las personas trans en un espacio de periferia geográfico, político y social. El proposito de la ponencia es analizar a partir de un trabajo etnografico,  las maneras como se re-producen discursos  oficiales y acciones de discriminación y exclusión  hacia las identiades y cuerpos trans en el Caribe Colombiano.  Analizando como los prejuicios y las violencias se acentuan cuando estos cuerpos no pueden situarse en los

ordenes binarios de la masculinidad y feminidad, cuando tienen una característica etnico racial –negra o indigena y cuando habitan en territorios con presencia de grupos armados ilegales. La voces y las experiencias vividas nos permitiran dotar de sentido y analizar las formas de poder ejercidas  alrededor de los cuerpos y las sexualidades perifericas.  Los significados de vivir con miedo, pero tambien las maneras en que los cuepos resisten y persisten.

Palabras Claves: Cuerpos abyectos- Territorio y sexualidades- Etnia y sexualidad-  representaciones binarias y heteronormativas – conflicto armado y sexualidad normativa.

 

 

ENTRE ESTRADAS, CARONAS E CAMINHÕES: CÓDIGOS DE MASCULINIDADE DE PESSOAS CAMINHONEIRAS VIA RÁDIO AMADOR

 

Arthur Fontgaland (USP)

 

Este trabalho objetiva discutir algumas questões decorrentes da pesquisa de mestrado em desenvolvimento intitulada Na boleia do caminhão: os códigos de masculinidades de pessoas caminhoneiras via rádio amador. Tal investigação dialoga com o entendimento sobre as configurações de práticas em torno das posições dos homens no sistema das relações de gênero, comumente conhecido como estudos de masculinidades. Parto do pressuposto que masculinidade e feminilidade não correspondem necessariamente a homem e mulher, mas são possibilidades de ações acessíveis tanto a mulheres, quanto a homens, imbuídas de poder. Assim, as associações estabelecidas entre homem-masculino-poder podem ter caráter contingente e não fixo, variando conforme práticas e situações criadoras e apresentadoras das noções de masculinidades. Nesse sentido, esta pesquisa etnográfica se debruça sobre o universo de caminhoneiros e caminhoneiras composto pela circulação de corpos, ideias, artefatos em sequências tanto no interior da boleia dos caminhões, quanto em trânsito nos postos de pesagem, postos de gasolina e nos demais aparelhos e eventos dispostos às margens das rodovias. Tomando a utilização do rádio amador como uma das práticas que expressam parte das múltiplas experiências de pessoas caminhoneiras, busco compreender como a construção e utilização dos chamados “códigos de caminhoneiros”, veiculados através do rádio amador PX, tornam concretas as ideias de masculino produzidas e reproduzidas nas situações de deslocamentos interurbanos vivenciadas por motoristas de caminhão. Esta etnografia se apóia em caronas articuladas com motoristas de caminhão que trafegam na Rodovia Presidente Dutra (402 km), responsável por ligar duas grandes cidades brasileiras, São Paulo e Rio de Janeiro.

Palavras-chave: deslocamentos interurbanos; masculinidades; pessoas caminhoneiras; códigos de caminhoneiros.

 

 

PODE SENTAR, ESSE É O SOFÁ DA HEBE: UM BREVE RELATO DE SACHENKA SOBRE O BAIRRO EDUTO EM BELÉM DO PARÁ

 

Amadeu Lima de Deus (UFPA)

 

O artigo em questão trata do bairro Reduto de São José ou, para os mais íntimos, apenas Reduto. A partir de um breve exercício etnográfico proponho analisar as relações interpessoais no bairro do Reduto, tendo como fonte de informações as narrativas de uma travesti que há pelo menos quinze anos, tem trabalhado com trottoir nas ruas do logradouro. A partir da perspectiva Sachenka sobre o bairro conseguimos perceber a cidade, pelo olhar de quem vive da rua e percebe seus mais variados significados para além do ir e vir de pessoas pelo espaço urbano. O artigo fala do bairro e da pessoa travesti que nele atua, socializa e cria suas táticas para uma convivência sempre negociável. A partir do anoitecer as deambulações pelo arrabalde indicam o transito social dos sujeitos diversos, principalmente pelo fato de encontramos nele algumas personagens que transitam por suas ruas escuras e lúgubres, animando as suas noites, constituindo parcela importante de uma vida que pulsa naquele contexto. A presença de tais personagens, como as travestis que realizam o trottoir em suas ruas e esquinas, entre outras figuras que vagam nas noites do bairro, não ocorre de maneira aleatória. No Reduto, as ruas que eram públicas passam a medida que anoitece a ter “titulo de propriedade”, pois cada esquina tem uma ou mais donas, os limites são simbólicos porem sempre respeitados para a manutenção de uma ordem. Diante de tais configurações sociais o bairro carrega consigo uma imagem estigmatizada, vibrando como uma espécie de “mancha social” no corpo da urbe. Ele pode ser entendido como uma “região moral”, no sentido atribuído por Park (1952) a tais espaços urbanos. Constitui desta maneira uma área na qual convergem imagens que contribuem para a produção de narrativas que circulam pela cidade, mesclando historias oficiais e lendárias de forma a animar o “imaginário urbano” (Certeau, 1993), envolvendo uma região citadina onde fulguram desejos não convencionais.

Palavras-chave: Reduto, travesti, prostituição, cidade

 

 

SEGUINDO SEMENTES: TRAJETOS E CIRCUITOS SATERÉ-MAWÉ ENTRE CIDADE E ALDEIA

 

Ana Luísa Sertã Almada Mauro (USP)

 

A presença Sateré-Mawé na cidade de Manaus (Amazonas, Brasil) se faz particularmente visível pelas comunidades e associações que começam a surgir na cidade na década de 1990, a partir de ocupações que contaram com forte protagonismo feminino. O artesanato elaborado com sementes passou a ser uma das principais estratégias das mulheres Sateré-Mawé no espaço urbano, em oposição ao trabalho nas chamadas “casas de família”. Partindo da identificação de uma ampla circulação mobilizada por sementes na cidade, procura-se aqui acompanhar os caminhos por elas traçados dentro de um circuito (Magnani, 2000) que parte de Manaus e a ultrapassa, envolvendo também suas proximidades, aldeias Sateré-Mawé na terra indígena Andirá-Marau, e municípios próximos à TI. A partir dos trajetos das sementes pretende-se abordar relações multilocais estabelecidas entre indígenas e não-indígenas, cidade e aldeia. A circulação de sementes identificada mobiliza modos particulares de caminhar dentro do espaço urbano e estabelecer relações com seus diversos atores, ao mesmo tempo em que demanda deslocamentos e negociações que ultrapassam fronteiras entre cidade e aldeia. O modo como as sementes são adquiridas, coletadas, trocadas, plantadas, e transformadas em objetos que circulam em diferentes locais e contextos nos leva a pensar uma inversão entre agente e paciente: ao invés de pensar as sementes como objetos passivos da ação humana trata-se de lançar um olhar às sementes como agentes mediadores de relações, capazes de impulsionar a circulação constante de pessoas, narrativas e coisas.

Palavras-chave: sementes, mulheres, Sateré –Mawé, circulação, trajetos

 

 

3ª sessão: Marginalidade, violência e corpo/Marginalidad, violencia y cuerpo

Debatedora: Silvana de Souza Nascimento (Universidade de São Paulo)

 

 

USUÁRIOS DE ABRIGOS DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO: TRAJETÓRIAS, CIRCULAÇÃO, REDES, PRECARIEDADE E SOBREVIVÊNCIA

Raquel Martini Carriconde (UERJ)

 

O trabalho que pretendo apresentar é fruto de uma pesquisa que viemos realizando com usuários de abrigos da cidade do Rio de Janeiro. Nesta pesquisa, nossa intenção é: acompanhar estes em suas trajetórias sociais, apreender os saberes produzidos e mobilizados para sobreviver na cidade, suas formas de circulação, de viração e os circuitos e redes necessários para viabilizar isso tudo (redes religiosas, filantrópicas, afetivas, familiares e da assistência); entender as relações que estabelecem com o espaço urbano, os mapas afetivos que constroem, as fronteiras que identificam e as que atravessam; entender as relações que estabelecem com o trabalho formal/informal; mapear, compreender e problematizar os agenciamentos necessários para seus deslocamentos e sobrevivência; compreender a construção de suas subjetividades. Por essas intenções, interessa debater essa pesquisa junto a esse grupo de trabalho, sublinhando as passagens pelas fronteiras corporais, sexuais, étnico-raciais, culturais e espaciais dando destaque para suas estratégias de sobrevivência nessas circunstancias e para a constituição de suas subjetividades nos atravessamentos dessas fronteiras atravessadas, por sua vez, por esses diferentes marcadores sociais. Coloco, por fim, que o momento em que realizamos essa etnografia é posterior a Copa do Mundo e precede às Olimpíadas, sendo esse contexto sócio político e econômico forte condicionante dos deslocamentos desses grupos da (re)criação e deslocamentos de fronteiras. 

Palavras-chave: redes, abrigos, cidades, fronteiras, Rio de Janeiro

 

 

AS TECNOLOGIAS DO ASSALTO: NOTAS ETNOGRÁFICAS SOBRE O ROUBO A MÃO ARMADA NO RIO DE JANEIRO

 

Carolina Christoph Grillo (CPDOC/FGV-Rio)

 

No Rio de Janeiro, o roubo a mão armada constitui uma das principais ameaças percebidas pelos habitantes da cidade, no entanto, as pesquisas sobre criminalidade urbana tendem a centrar-se na figura do traficante, conferindo pouquíssima visibilidade ao ladrão. A prática de assaltos transcorre com alguma independência com relação ao tráfico e envolve problemas bastante peculiares para se lidar com. Diferentemente dos traficantes, que trabalham em territórios protegidos por uma contenção armada e/ou acordos espúrios com a polícia, os ladrões atravessam as fronteiras tácitas entre o “morro” e a “pista”, aventurando-se armados por territórios regularmente policiados, onde se sujeitam a riscos muito mais elevados de serem presos, feridos ou mortos. Traficantes também tendem a impor limites e punições aos ladrões, de modo a evitar que atraiam a repressão policial para a favela e atrapalhem seus negócios. Diante dos perigos a que se submetem, os ladrões precisam desenvolver uma série de habilidades e técnicas para minimizar a margem de imprevisibilidade inerente às suas atividades, o que inclui dirigir em alta velocidade, mapear os melhores trajetos, selecionar e coagir suas vítimas, driblar e/ou trocar tiros com a polícia e enganar e/ou conquistar a aquiescência de traficantes. Com base numa etnografia realizada com assaltantes que residem em favelas cariocas controladas pelo Comando Vermelho, este trabalho visa a descrever a prática do roubo à mão armada – especialmente o roubo a transeuntes e roubo de veículos –, atentando-se para as performances e tecnologias acionadas pelos ladrões para fazer dos assaltos um meio de vida.

Palavras-chave: Roubo, Rio de Janeiro, tecnologia, performance.

 

 

VIVER NAS RUAS DA CIDADE: OS USUÁRIOS DE CRACK E AS NOÇÕES DE CORPO E PESSOA

Marcelly de Freitas Gomes (UFF)

A categoria corpo deve ser pensada como produção de corporalidades, “que se constrói na relação com outros corpos e na interface com a dimensão espacial e social das ruas da cidade”.Os usuários de crack em situação de rua experienciam a cidade de forma particular e contextualizada. O objetivo desta pesquisa é refletir sobre os processos normativos/classificatórios que esquadriam os corpos dos usuários de crack em situação de rua e delimitam fronteiras físicas e simbólicas. Trata-se de uma pesquisa etnográfica com os usuários de crack em situação de rua, por meio do acompanhamento do trabalho da equipe de Consultório na Rua que atua nos territórios de Manguinhos, RJ/Brasil realizada ao longo de 2014. Evidenciamos que os sujeitos da pesquisa criam novas territorialidades com seus corpos, extrapolando as fronteiras delimitadas pelas “normas” sociais. Os limites de ordenação que esquadria os corpos imputam aos usuários de crack uma interação dolorosa com a cidade, mas ainda assim são frouxos e resignificados, na medida que constitui uma corporalidade no avesso daquilo que o imaginário urbano cria e formata. Ao falar daquilo que parece caracterizar os usuários de crack, enfatiza-se a descrição de traços corporais depreciados e posturas morais “condenáveis”: a sujeira e o corpo emagrecido tornam-se os seus atributos corporais mais destacáveis. Assim, a ênfase recai sobre a problemática da corporalidade e do uso de drogas como meios para a produção de determinados tipos de pessoas, “expondo seus corpos ‘marcados’, em uma forma de estar no espaço público que os identifica como usuários de crack”.

Palavras-chave: Antropologia do corpo;  Antropologia urbana; usuários de crack;  viver na rua; corpo e cidade.

 

 

SABER VIVER: RISCOS, APOSTAS E SOBREVIVÊNCIAS EM UMA FAVELA DO RIO DE JANEIRO

Tássia Mendonça (Museu Nacional/UFRJ)

 

Nesta comunicação apresento através de um exercício etnobiográfico as constituições mútuas entre corpo e território, raça e gênero em uma favela carioca. A partir de análises presentes em minha dissertação de mestrado, descrevo as estratégias de sobrevivência, os riscos e as apostas que atravessam a trajetória de Cássia, mulher negra moradora do Batan – favela da Zona Oeste do Rio de Janeiro – há mais de 40 anos. Dos bailes da década de 80, das travessias da Avenida Brasil, dos casos de X-9, dos episódios de violência doméstica e sexual, dos filhos executados pela polícia e pelo tráfico, dos filhos expulsos pela milícia, dos gritos, dos silêncios, dos alívios e das dores.

A proposta teórico-metodológica é discutir os limites da constituição de uma corporalidade negra que não se distingue de uma contiguidade territorial, na conformação de territórios negros, ou ainda, como corpos negros se constituem eles mesmos enquanto territórios de resistência. Trata-se de uma descrição analítica daquilo que Cássia chama de saber viver: os conhecimentos necessários à sobrevivência cotidiana, a capacidade de transitar entre os distintos poderes armados e políticos (tráfico, milícia e polícia). Discuto assim como os movimentos de Cássia – de enfrentamento, recuo e aposta – constituem mutuamente seu corpo, os corpos de seus filhos e a própria favela enquanto território.

Proponho pensar a relação corpo-território entre Cássia, seus filhos e o Batan inspirada nas reflexões de Maria Lugones (2014) e Gloria Anzaldua (1987) pensando na constituição ao mesmo tempo racializada e sexualizada do corpo da mulher negra tanto nos termos daquilo que Lugones chama de “fissura” quanto da reflexão de Anzaldua sobre a mulher chicana e negra e seu lugar na “fronteira”. Além disso, autoras como Audre Lorde, Angela Davis e Bell Hooks permitem analisar a conformação das subjetividades, emoções, silêncios, raivas e experiências da mulher negra como sujeito político inscrito na linha entre pertencimentos (de raça e gênero) distintos. Em suma, a presente comunicação tem por objetivo analisar as ressonâncias entre corpo:território::raça:gênero e sua articulação a partir de uma etnografia da violência e do poder na(s) história(s) de uma mulher negra e moradora de favela, em seu cotidiano de riscos, apostas e sobrevivências.

Palavras-Chave: Favelas; Corpo; Território; Raça; Gênero.

 

 

JOVENS ENTRE FRONTEIRAS E CIRCULAÇÕES NA CIDADE: UMA COMPARAÇÃO ENTRE OS CONTEXTOS URBANOS DO RIO DE JANEIRO E DE CAMPOS DOS GOYTACAZES/RJ

 

Carolina de Oliveira Siqueira

Teresa de Jesus Peixoto Faria (UENF)

 

Este artigo tem como objetivo descrever como jovens “de periferias” definem fronteiras visíveis e invisíveis quando circulam nos espaços urbanos e problematizam os efeitos e os riscos das aproximações com facções rivais que “dominam” o comércio de drogas ilegais. Partindo dos resultados parciais do projeto de pesquisa de mestrado Territórios proibidos? Uma análise das circulações e práticas sociais de jovens e periferia de Campos dos Goytacazes, em andamento no Programa de Pós-Graduação de Políticas Sociais (UENF), realizaremos uma comparação por contraste das circulações de “jovens de periferias” na cidade do Rio de Janeiro em relação àquelas de Campos. Nesta análise, fundamentada em entrevistas em profundidade, procuramos mapear representações “de jovens de periferia” de Campos dos Goytacazes/RJ acerca das circulações e práticas nas margens do tráfico de drogas. Para realizar a comparação proposta, partiremos, no caso do Rio, do artigo “Da asfixia: reflexões sobre a atuação do tráfico de drogas nas favelas cariocas” de Juliana Farias (2008) no intuito de identificar os pontos contrastantes entre estes dois contextos urbanos em particular no que se refere aos modos de problematizar as circulações, práticas e percepções destes atores. Demonstraremos que as fronteiras em ambas às cidades são maleáveis de acordo com a posição social do jovem e com as maneiras segundo as quais representa e é representado nas suas relações de vizinhança e

Palavras-chave:Circulações, Fronteira e Juventude

 

 

FRONTEIRAS ENTRE O ANONIMATO E A VISIBILIDADE: DIREITOS, EMOÇÕES E SUBJETIVIDADES (CORPORIFICADAS) NA EXPERIÊNCIA COM HIV/AIDS

Ricardo Andrade Coitinho Filho (PPGCS-UFRRJ)

 

Este paper retrata a dimensão política e social do contexto do HIV, vivenciado por jovens soropositivos que frequentam uma “rede” no estado do Rio de Janeiro. Em decorrência às representações negativas associadas a Aids e a discriminação e preconceito oriundos destas representações, a experiência soropositiva tem sido permeada por controvérsias. Neste sentido, algumas “angústias”, “medos” e “perspectivas” são enunciadas dentro de uma coletivização – a rede. Essa discursividade que é ao mesmo tempo compartilhada, é também (re)construída ao longo da trajetória soropositiva e por meio das experiências que são trocadas. Dentre estas discursividades, se atentará, neste trabalho, a problematizar a demanda por direitos que são erigidas por estes jovens – como o direito à dignidade ao portador do hiv/aids, o direito ao uso do tratamento com os antirretrovirais, a luta contra a discriminação em relação a sorologia e outras questões correlatas. No entanto, esta demanda por direitos é permeada por estratégias que circundam entre o anonimato e a visibilidade. Interessa, neste sentido, apresentar as estratégias utilizadas por estes jovens na busca pelos seus direitos e as moralidades em torno desta atuação. Serão utilizados, como referência para esta discussão, os dados etnográficos feitos na rede, entrevistas semiestruturadas com os jovens participantes da mesma, materiais de veiculação midiática (como entrevistas concedidas por estes jovens a alguns jornais de circulação estadual) e as políticas públicas em saúde para o HIV. 

Palavras-chave: HIV, Direitos, Emoções, Subjetividades, Corpo.

 

 

DEMARCADORES TERRITORIAIS: CORPO E POLÍTICA DA DIFERENÇA NO MOVIMENTO SOCIAL DOS SURDOS

 

Maria Izabel dos Santos Garcia (UFF)

 

De algum modo todos temos certo entendimento prévio do que vem a ser um corpo. Não só pela experiência intrínseca que temos com nosso próprio corpo – algo dado, que nos pertence – como também um elemento demarcador de fronteira entre o eu e outrem – um corpo em meio a tantos outros. A ideia de corpo também pode vir atrelado ao conceito de identidade quando alguns autores apresentam categorias como terceira idade, idade da loba, crise da meia idade, para citar apenas algumas, nas quais o tempo do corpo – marcado pela ideia biologizante da idade cronológica – se apresenta como um elemento que se enoda a outros que, como tal, apresenta configurações que assemelham o corpo do jovem, o corpo do idoso, o corpo maduro, o corpo feminino... Entretanto, esses elementos ditos comuns, aparentemente relacionados ao aspecto do corpo e, portanto, biológicos, vêm acompanhados de uma história. Em Espinosa temos clara a afirmação do corpo como uma entidade de potência. Ele aposta na potência deste corpo não subjugado ao espírito – solução cartesiana – nos apresentando a algo aparentemente paradoxal, quer seja, de sermos e não sermos a um só tempo esse corpo. Interessa aqui ressaltar a vida como princípio ético organizador para a produção de uma arte. A arte de viver. Para tanto se faz necessário, primeiramente, problematizar o que possa impedir sua expansão para em seguida cogitar tal inversão de territórios que a viabilizem. Este percurso nos levará ao relato de experiências de pessoas que exprimem a potência da vida em corpos ditos deficientes. No caso dos surdos, como diferentes autores apontam (Skliar, Sanches, Wrigley e outros), o lugar da deficiência vem sempre acompanhado de um sentido ouvintista de discernir sobre a surdez. O movimento pelos direitos das pessoas com deficiência prima pela defesa do que chamam de “identidade”. Pensamos ser os conceitos de cultura e identidade reificantes e reacionários – um debate já presente na antropologia contemporânea – na medida em que se pautam não na emergência de um novo, e sim em um padrão majoritário esperado, estando a própria ideia de padrão a serviço de uma relação de poder a partir de um padrão que não representa ninguém. Em oposição à ideia de reconhecimento de identidade, Guattari propõe a ideia de processos transversais, devires subjetivos, que se instauram através de indivíduos e grupos sociais, podendo dessa forma entrar em ruptura com as estratificações dominantes. Vale ressaltar, que tais processos não podem existir em si mesmos, mas sim num movimento processual. O presente trabalho pretende ser uma breve incursão sobre esse processo e as práticas discursivas que ensejam promover uma nova visibilidade da surdez a partir dos conceitos de cultura e identidades surdas, usados com a intenção de demarcar território para uma política da diferença.

Palavras-Chave: Surdos, deficiência, identidade, território, cultura.

 

 

GT 8: EL PATRIMONIO COMO TRANSFORMADOR DE LOS TERRITORIOS

Coordinadores:

Dr. Leonel Cabrera Pérez. Director. Depto. de Arqueología Instituto de Ciencias Antropológicas. Fac. de Humanidades y Cs. de la Educación Universidad de la República  Uruguay. leonelcabreraperez@gmail.com

 Lic. Ariel Rodolfo Rivero, Universidad Nacional de Jujuy, Facultad de Humanidades y Ciencias sociales Mail: arielantropo@gmail.com

Comentarista: Dr. Jorge Kulemeyer. Universidad Nacional de Jujuy, Facultad de Humanidades y Ciencias sociales; jorgeak@gmail.com

 

 

NUECES, DULCES Y QUESOS. MERCADO PARA EL TURISMO LOCAL

 

Belli Elena Universidad Nacional de Jujuy, Profesora Titular FHyCS, Secretaria de Extensión UNJU. Dra. En Antropologia.

Ricardo Slavutsky Universidad Nacional de Jujuy, Profesor Titular, FHyCS, Decano de la FHyCS de la  UNJU. Dr. En Antropología;  slavbell@imagine.com.ar

 

El turismo o las expectativas  que genera el desarrollo de emprendimientos turísticos en espacios rurales son dispositivos que producen procesos de puesta en valor patrimonial, negocios inmobiliarios, un estado de movilización y perturbación en la población local que deviene en pequeñas inversiones, elaboración de proyectos colectivos o individuales, y también la aparición de agentes extracomunitarios (inversores, artesanos, comerciantes).

Estos procesos siempre se desenvuelven en el marco de tensiones, a veces a pequeña escala como resultado de controversias interpersonales o familiares, otras más colectivas que se hacen visibles bajo la forma de movimientos sociales. Pocas veces logran estructurarse a través de organizaciones de la sociedad civil y logran cierta permanencia y sustentabilidad.

La explicación de la suerte y el destino de estos procesos de patrimonialización a través del turismo tiene que ver con la historia local, su estructura económica y social, la selección por parte del Estado o sectores del capital de un determinado lugar y no otro como eje del desarrollo, y en especial de la agencia local que delinea un perfil turístico que remite a la participación activa o consentida, o a la resistencia a estos proyectos.

Nos proponemos analizar estos procesos desde las formas de reconversión productiva que se generan en la población local enfocada hacia el mercado turístico real o potencial en San Pedro de Colalao, provincia de Tucumán, Argentina donde desde hace medio siglo coexisten en tensión el turismo social y de fin de semana y temporada veraniega de la burguesía media tucumana y del sur de Salta, con la tradicional producción láctea y más recientemente, la presencia de medieros y arrenderos hortícolas de origen boliviano.

“ESPACIOS INICIALES DE CONSTRUCCIÓN E INSTITUCIONALIZACIÓN DE PATRIMONIO EN ARGENTINA Y SU DIMENSIÓN POLÍTICA”

       Mónica B. Rotman

          UBA- CONICET

 

Los procesos de patrimonialización, acelerados en las últimas décadas, han llevado la atención hacia diferentes tópicos y relacionamientos. En tal sentido y entre otras cuestiones se problematiza la relación del patrimonio con los territorios y la impronta que el mismo les imprime.

En la producción patrimonial,  los procesos “transformadores” han implicado la intervención de diferentes fenómenos, actuantes en distintos períodos históricos.

En esta ocasión nos importa detenernos en su vinculación con los tiempos del Estado-Nación; en su utilización -con carácter y fuerte contenido simbólico- como recurso de unificación del mismo, de homogeneización de un “territorio” a nivel nacional.

El patrimonio cultural de una nación en tanto construcción social, histórica; proceso en el que intervienen los distintos intereses de las clases y grupos sociales que la integran, se va conformando como delimitador de un colectivo social y de un ámbito espacial.

Nos interesa explicitar en esta ponencia las primeras políticas y prácticas institucionales respecto de los bienes culturales de la nación, vinculadas a aquellos organismos que se crean específicamente a los fines de tramitar las cuestiones sobre patrimonio.

Referiremos aquí a la “Comisión Nacional de Museos y de Monumentos y Lugares Históricos” (CNMMLH) creada en 1940 (“Comisión Nacional de Museos y Lugares y Bienes Históricos” desde el 2015),  institución pionera y rectora, que fijaría los primeros lineamientos sobre el tema en nuestro país, prosiguiendo su actuación en la actualidad  (contexto, orientaciones político-ideológicas, desarrollo histórico, normativa, etc.) y examinaremos los Boletines y Actas que editó el Organismo (desde su primera publicación en el año 1939 hasta aquellos editados durante 1948) dando cuenta de su actuación.  Entendemos que una comprensión del presente implica el conocimiento del pasado, apelando a la historia y asumiendo una perspectiva procesual.

Palabras claves: patrimonio; institucionalidad; dimensión política.

 

 

PATRIMONIO Y SOCIEDAD: UN DILEMA COMPLEJO EN EL “DEBE” DEL URUGUAYO…

 

Pérez Cabrera Leonel. Departamento de Arqueología, Instituto de Ciencias Antropológicas. Facultad de Humanidades y Ciencias de la Educación. Uruguay.

<leonelcabreraperez@gmail.com>

 

Dentro de la conformación de las sociedades americanas, el Uruguay muestra en muchos aspectos, procesos y situaciones particulares. Su estructura sociocultural, los procesos históricos, las ideologías, los fenotipos dominantes a nivel urbano, llevó a verlo en la década de los ’60 -’70, como uno de los mejores ejemplos de un “pueblo transplantado”.  ¡Un país de europeos anclado en América! La gestión del Patrimonio Cultural, en sociedades de escasa cohesión “nacionalista”, de conformación tan heterogénea, sin presencia de pueblos originarios, al menos de manera asumida, ha seguido criterios un tanto erráticos en la determinación de un patrimonio cultural común y su salvaguarda. Nos proponemos reflexionar sobre las encrucijadas que plantean hoy la investigación, la gestión y el uso del Patrimonio, dentro de las sociedades contemporáneas, centrándonos en la realidad uruguaya. Hay preguntas que resultan claves: La necesidad de la socialización del patrimonio cultural: ¿Cuál patrimonio? ¿Cómo lograr un sentimiento de “pertenencia”? Socializar a partir de que patrimonio: ¿el de todos? ¿El académicamente válido? ¿El del pasado del territorio?: ¿Cuál pasado y cual territorio? ¿El pasado histórico asumido (Historia Oficial), el construido desde el interés de la administración, de la academia, etc.? Si la idea es partir del interés de la comunidad, ¿como  interviene el “conocimiento” en la asunción de los temas? La necesidad de coordinar acciones respetando la diversidad, dentro de un marco académico que posibilite el intercambio con la comunidad, a nivel interuniversitario respecto de la región, parece un camino a seguir. El objetivo final, siempre será el transformar el pasado en una herramienta de promoción cultural.

Palabras Claves: Patrimonio Cultural, sociedad, identidad, socialización.

 

 

A PATRIMONIALIZAÇÃO DA PAISAGEM E A REPRESENTAÇÃO DO PATRIMÔNIO CULTURAL BRASILEIRO

Luciana de Castro Neves Costa

Sidney Gonçalves Vieira

 

Se a concepção moderna de patrimônio cultural vincula-se ao contexto de formação dos Estados Nacionais, constituindo-se em uma representação da identidade nacional, várias foram as formas de caracterizá-lo a partir de diferentes tipologias, dentre as quais a Paisagem Cultural. Adotada pelo Centro do Patrimônio Mundial (UNESCO) em 1992, e pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) em 2009, como Paisagem Cultural Brasileira, essa chancela atribui valor à relação de interdependência (física e simbólica) entre sociedade e meio ambiente, vinculando-se ainda à ideia de continuidade, associada aos modos de vida e de produção econômica ou de subsistência dos sujeitos produtores e reprodutores da paisagem. Se, em esfera mundial, a noção de paisagem resultou (ainda que de forma parcial) em uma aparente diversificação de manifestações culturais e em uma abertura a países ainda subrepresentados na Lista do Patrimônio Mundial, no Brasil, apesar do curto tempo de vigência, tal tipologia parece contemplar referências culturais de grupos ainda pouco envolvidos com ou representados por políticas de preservação patrimonial. Atualmente, a única Paisagem Cultural Brasileira reconhecida é composta pelos núcleos rurais de Testo Alto (em Pomerode), e Rio da Luz (em Jaraguá do Sul), no Estado de Santa Catarina, representativos da trajetória de imigração alemã e pomerana no Brasil. Outros estudos estão sendo desenvolvidos relacionados ao contexto naval brasileiro. Neste sentido, este trabalho visa analisar a(s) representação(ões) identitária(s) e os valores atribuídos à Paisagem Cultural da imigração consolidados no discurso e na política institucional do IPHAN.

Palavras-chave: Paisagem Cultural; Patrimônio Cultural; Identidade Nacional; Imigração.

 

 

PATRIMONIO INDÍGENA: CONSTRUCCIONES IDENTITARIAS Y CONFLICTOS TERRITORIALES

Crispina Rosario González – Universidad de Buenos Aires-UBA- Argentina

crispinarg@gmail.com

 

La Ciudad Sagrada de Quilmes, en la provincia de Tucumán, República Argentina, es uno de los sitios arqueológicos más importantes de nuestro país. En torno a él se ha generado un conflicto  entre diversos actores, estatales, privados y comunitarios, por la recuperación y el dominio pleno del mismo. La Comunidad India Quilmes reclama este sitio, considerándose su heredera natural. Nuestro interés se centra en el análisis de la dinámica de este proceso aún abierto, en el cual el pasado, reconstruido desde el presente y mediatizado por los intereses en juego,  es un campo de disputa de sentidos. La Ciudad Sagrada tiene alto valor simbólico y material para las comunidades indígenas de la zona, no sólo por  cómo se comprende la noción de territorio desde la identidad indígena sino también por la construcción social de la memoria colectiva que en torno al mismo se concreta.

Palabras clave: Patrimonio Indígena, memoria colectiva, territorio.

 

 

LA PATRIMONIALIZACIÓN COMO UN PROCESO SOCIAL Y LEGAL

 

Luis Carlos Quiñonez Bojacá. Universidad de Caldas. luisk893@gmail.com

Esta ponencia propone la descripción del proceso de patrimonialización realizado en La Dorada Caldas, Colombia; proceso que se da debido a la inexistencia de un inventario de bienes patrimoniales en este municipio; sin embargo, la motivación principal para ejecutar el proceso de valoración de Bienes de Interés Cultural  parte de un incendio en una propiedad con cualidades arquitectónicas y culturales que generaba identidad dentro de los habitantes de La Dorada, en ese sentido cobra  importancia exponer el funcionamiento de los mecanismos jurídicos y los procesos legales establecidos por el Estado Colombiano para la patrimonialización de bienes inmuebles, vinculándolos con los procesos sociales emergentes que traen consigo los proyectos de este tipo. Finalmente se dilucidara desde una perspectiva sistémica la relación entre los procesos jurídicos y sociales  en relación a la legitimidad del patrimonio como una estrategia o respuesta a una identidad colectiva como habitantes de los territorios.

Palabras clave: Patrimonialización, Procesos Legales, Procesos Sociales, Patrimonio, Identidad.

 

 

 

 

 

OS USOS DO PASSADO E AS POLÍTICAS DE PATRIMÔNIO EM SÃO MIGUEL DAS MISSÕES/BRASIL

Darlan De Mamann Marchi. Doutorando do Programa em Memória Social e Patrimônio Cultural – PPGMP – Universidade Federal de Pelotas – UFPel – Bolsista CAPES

darlanmarchi@gmail.com

 

São Miguel das Missões no estado brasileiro do Rio Grande do Sul foi um dos trinta povos fundados pelos jesuítas para a catequização dos indígenas nos séculos XVII e XVIII no território que hoje compreende regiões do Paraguai, da Argentina e do Brasil. Atravessando todo o processo de disputas das coroas ibéricas pela definição do território, a região, na qual se encontra hoje a cidade de São Miguel, foi incorporada ao território brasileiro em 1801. A ativação patrimonial dos remanescentes arquitetônicos de São Miguel iniciou ainda em princípios do século XX pelo governo do Rio Grande do Sul. Em 1938 as ruínas foram tombadas como patrimônio nacional e em 1983 receberam o título de patrimônio mundial pela UNESCO, juntamente com outros sítios missioneiros em território argentino. Esses processos de reconhecimento, ocorridos em diferentes contextos históricos, auxiliam na compreensão dos usos feitos desse patrimônio que se tornou um referencial identitário para a população da região e do estado.  Constituindo-se em referencial para a história do patrimônio no Brasil, a cidade moderna de São Miguel das Missões desenvolveu-se no entorno do bem patrimonializado ao largo do século XX. Assim, na região, as ações de conservação e proteção do patrimônio, que seguem avançando na atualidade, constituem aspectos da memória recente para a comunidade de São Miguel das Missões.

 

 

PATRIMONIALIZAÇÕES, NO CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO

 

Alvatir Carolino da Silva. Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social – PPGAS/UFAM, professor do Instituto Federal do Amazonas – IFAM.

 

Nesse trabalho pretendo situar os processos de patrimonialização da Cachoeira de Iauarete (São Gabriel da Cachoeira-AM) e do Encontro das Águas dos rios Negro e Solimões (Manaus-AM), problematizando os conflitos inerentes a cada um desses bens culturais e compará-los. Embora, distantes Iauaretê e o Encontro das Águas têm em comum o rio Negro e as narrativas míticas dos Tukano, Dessana e outros povos que vinculam lugares distintos e distantes aos mesmos processos de condições iniciais de existência do universo e de transformação que cria os primeiros humanos. Contudo, a Cachoeira foi proclamada “patrimônio Cultural do Brasil” pelo Instituto do Patrimônio histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em agosto de 2006, sendo o primeiro bem cultural inscrito no Livro de Registro de Lugares. Ao passo que o Encontro das Águas, Tombado provisoriamente conforme Diário Oficial nËš. 195 do dia 11 de outubro de 2010 e, posteriormente, na reunião do Conselho Consultivo de 04 de novembro de 2010, aprovado por unanimidade seu Tombamento definitivo no Livro de Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico, o Encontro das Águas ainda não foi homologado pelo Ministério da Cultura

 

 

PATRIMONIALIZACIÓN DENTRO DE LOS INTERSTICIOS DE LA ESTATALIDAD PROVINCIAL Y LA IDENTIDAD POLÍTICA. LA CUESTIÓN INDÍGENA EN CHUBUT

Cristian Gonzalez Valenzuela. Docente investigador de la Universidad Nacional de la Patagonia. gcristianmatias@gmail.com 

La Provincia de Chubut se destaca por ser uno de los territorios argentinos con significativa historia y actualidad indígena, centralizada en el pueblo mapuche y tehuelche. La cultura de estos pueblos ha pasado por diversos procesos cambiantes y/o continuos que marcaron significativamente el desarrollo de estos (acuerdos con el Estado Nacional, conquista, incorporación y sometimiento).

Tales procesos históricos heredados en su condición pasada como territorio nacional, interpelaron con la consolidación de la estatalidad provincial a partir de los años cincuenta y sesenta. El Estado Provincial inició sus políticas culturales para definir la “identidad provincial” que sustente una legitimidad simbólica ante sus habitantes. En este caso, las políticas de patrimonio formarán parte de dicho proyecto, seleccionando y transformando los bienes culturales “aptos” para definir la identidad provincial. 

En un contexto donde el Estado comienza a tomar protagonismo en el acceso de los derechos indígenas, encuentra los desafíos que proponen el movimiento y organización indígena. Por ende, el trabajo presenta una serie de reflexiones en un entramado teórico y empírico, respecto a las políticas públicas de patrimonialización frente los desafíos de la cuestión indígena. Aquí las relaciones de poder juegan un papel central en las políticas culturales de identidad y patrimonialización, además de los discursos de los derechos culturales y el ejercicio de los mismos.  

 

 

TERRITÓRIOS TURÍSTICOS, IDENTIDADE E RESILIÊNCIA CULTURAL: ABORDAGENS INTERDISCIPLINARES SOBRE O TURISMO EM ÁREAS PROTEGIDAS

Marina Mujica de Paiva. Doutoranda do Programa de Pós Graduação Interdisciplina em Ciências Humanas – PPGICH. marinamujica@gmail.com

O desenvolvimento do turismo em áreas protegidas vem crescendo nas últimas décadas tanto no Brasil como no mundo. O Brasil, particularmente, apresenta enorme biodiversidade, marcada por regiões com diferentes biomas e formas de organização social tradicional de rica cultura. As áreas naturais que fazem parte das unidades de conservação são lugares de beleza cênica, que se tornam alvo de fluxos turísticos internacionais. Um dos grandes desafios que se apresentam em relação às áreas protegidas é a preocupação em preservar os processos que geram e mantém a diversidade biológica existente no lugar. Em tais ambientes, o turismo age desterritorializando atividades e populações locais preexistentes, produzindo novas configurações geográficas e socioculturais. Surge, dessa forma, a questão em relação à gestão e a pressão de uso sobre os recursos naturais dessas áreas. A adoção de uma perspectiva sócio ecológica para conservação de espaços naturais nos remete a relação intrínseca entre a biodiversidade e a sociodiversidade. Lugares onde existe uma valorização cultural por parte dos próprios moradores, em relação ao seu estilo de vida, suas tradições, seus costumes, suas identidades, são lugares onde os moradores apresentam uma maior resiliência frente às mudanças sociais provocadas pelo turismo. A partir de uma perspectiva interdisciplinar e sistêmica, a resiliência poderia fornecer um foco de análise estratégica para o fenômeno do crescimento turístico, uma vez que enfatiza os aspectos críticos do funcionamento de todo o sistema: a continuidade, apesar das mudanças.

Palavras-chave: Turismo; Áreas Protegidas; Impactos Socioculturais; Resiliência Cultural.

 

 

“EL PATRIMONIO HABITADO. DINÁMICAS SOCIALES EN UN ESPACIO DEFINIDO COMO PATRIMONIO NATURAL”

Lara Bersten

 

El presente trabajo forma parte de una investigación cuyo objetivo general ha sido abordar el proceso de construcción y reelaboración del patrimonio natural de la nación en relación con las propuestas de desarrollo sustentable vinculadas al turismo, apuntando a la articulación entre aspectos políticos, culturales y económicos en Villa Traful (Neuquén, Argentina) en el contexto del Parque Nacional Nahuel Huapi).

La presente ponencia aborda, desde la perspectiva de la Antropología Social, las especificidades de la vida cotidiana en este espacio definido como patrimonio natural y de qué manera esta definición condiciona las actividades productivas y el modo de vida de los sujetos, pero también brinda posibilidades vinculadas al desarrollo sustentable y al turismo.

Palabras clave: patrimonio- naturaleza- desarrollo sustentable – turismo.

 

 

EL PATRIMONIO EN CLAVE MINERA EN JUJUY, ARGENTINA

 

Lic. María Elisa Paz, Facultad de Humanidades y Ciencias Sociales, Universidad Nacional de Jujuy. merilinpei@gmail.com

 

El objetivo del presente trabajo es indagar en aquellas prácticas, costumbres y espacios activados como patrimonio de los jujeños, que no son considerados como tales en la práctica minera, mostrándose reticentes a invertir los recursos necesarios en la protección del patrimonio arqueológico, así como en la vinculación con las comunidades y el respeto por sus costumbres y tradiciones.

La minería es una de las actividades productivas constitutivas de la economía capitalista en la provincia de Jujuy, desde sus orígenes y hasta la crisis de mediados de los 80’ se desenvolvió bajo una misma legislación. En los noventa se produce un cambio de paradigma en el tipo de explotación, que bajo la influencia de organismos internaciones de créditos condicionan la reorientación de la legislación hacia estándares internacionales con los que se introduce la necesidad de protección del medio ambiente.

Desde la sanción de las nuevas normativas hasta la reactivación de la minería, fueron numerosos los cambios observados en el territorio provincial, debido a que se adoptó como política estratégica para el desarrollo al turismo, en tanto actividad de la que es posible que participen diferentes sectores de la sociedad jujeña. A nivel nacional se formulan itinerarios temáticos a los que la provincia se acopla apelando a las prácticas culturales y al paisaje, incluyéndolos en las políticas patrimoniales.

Palabras clave: mineria, patrimonio, turismo, legislacion.

 

 

SABERES ESCOLARES, VALOR Y PATRIMONIO EN UN MUNICIPIO DEL PAISAJE CULTURAL CAFETERO

 

Maicol Mauricio Ruiz. Estudiante Doctorado Universidad Nacional de General Sarmiento (UNDGS)- Instituto de Desarrollo Económico y Social (IDES) (Argentina)/ Docente Universidad Tecnológica de Pereira (Colombia). vientocosmico@utp.edu.co / vientocosmico3@gmail.com

 

En el año 2011, 416 veredas de 47 municipios colombianos, donde se localizan alrededor de 24 mil fincas cafeteras con una población estimada de 80 mil habitantes fueron declaradas Patrimonio Cultural de la Humanidad por la UNESCO (Ministerio de Cultura, 2009). Estos territorios integran desde entonces lo que se ha empezado a conocer como Paisaje Cultural Cafetero (PCC). Según el Comité de Patrimonio Mundial el PCC alcanzó tal distinción “en virtud ser un ejemplo destacado de formas tradicionales de asentamiento humano, utilización de la tierra, e interacción del hombre con el medio” (UNESCO, 2008).

Esta declaratoria hace parte de las estrategias empleadas por las élites regionales para reacomodarse a las nuevas condiciones económicas que impone la globalización y mantener su dominio en una región azotada por la violencia, el desplazamiento forzado y el deterioro de la calidad de vida de sus habitantes.

Esta particularidad hace que el PCC se patrimonialice de manera privilegiada desde la perspectiva del valor de cambio, situación que profundiza los procesos desruralizadores que se han agenciado en la región a través de la tecnificación del monocultivo cafetero. Frente a este proceso, algunos actores educativos locales han activado formas de movilización escolar que buscan producir saberes escolares situados, sobre el PCC que contribuyan a su patrimonialización desde una perspectiva de valor de uso, de modo tal que les permita no sólo interpelar el modelo monocultor cafetero, sino también dar valor la vida de los que viven y trabajan en el campo, en particular, a la vida de los jóvenes y maestros.

Palabras Clave: Paisaje cultural cafetero, patrimonialización, saberes escolares, valor de uso, valor de cambio.

 

 

 

 

 

MOMPOX, ENCRUCIJADA ENTRE PATRIMONIO DE LA HUMANIDAD Y TERRITORIO DE LOS MOMPOSINOS

 

Mario Perilla Perilla. mario2p3000@gmail.com. Arq. Magister en Hábitat, Docente.

Diego Quintana Tovar. diegoquintanat@yahoo.es, Constructor y Gestor en Arquitectura, Especialista en Gestión Cultural.

Integrantes Grupo de Investigación: Patrimonio Construido: Texto y Contexto, adscrito a la Universidad Colegio Mayor de Cundinamarca, Bogotá, Colombia.

 

Mompox, ciudad Patrimonio de la Humanidad, localizada en la Cuenca momposina, en el territorio Caribe colombiano, con una gran riqueza potencial en términos ambientales, patrimoniales y turísticos, está abocada en un futuro cercano a vivir posibles escenarios los cuales pueden ser plausibles o negativos dependiendo de aspectos como participación activa de la población en las decisiones territoriales y generación de alternativas en planes transversales de tipo cultural y social a las acciones meramente  físicas.

Confluyen en la actualidad acciones políticas tanto de la administración nacional y local como privadas que están transformando paisajes tanto físicos como culturales con una clara dirección hacia el imaginario turístico global.

Se perciben como indicios de la tendencia en relación con el impacto de su relevancia en términos patrimoniales, con la definición de nuevo destino turístico de índole cultural, capaz de competirle a la saturada y sobreexplotada Cartagena de Indias. Es así como ya aparecen hoteles-boutique, se hacen obras de adecuación paisajística ajenas a la tradición local y se han generado nuevos actos rituales impuestos como el festival de jazz, apoyado por la administración y las élites.

El trabajo postulado se ha nutrido con entrevistas semiestructuradas en trabajo decampo participativo con diversos actores de la comunidad que han aportado sus miradas en el fenómeno percibido.

Palabras clave. Territorio. Patrimonio. Lugar. Identidad.

 

 

LA ARTESANÍA CHAPACA: TENSIONES COLONIALES EN LA EXPRESIÓN ESTÉTICA CAMPESINA DE LOS VALLES TARIJEÑOS

 

Carlos Vacaflores Rivero. Comunidad de Estudios Jaina, Bolivia/Posgrado en Desarrollo Rural, UAM-X, México. vacaflores.carlos67@gmail.com

 

La producción artesanal campesina de los valles tarijeños, al sur de Bolivia, tiene una diversidad y calidad técnica notables, heredera de ricos procesos formativos de mestizaje hispano-indígena en la frontera entre tierras altas y tierras bajas, sometida a procesos coloniales de explotación que la obliga a desarrollar una producción artesanal diversificada de autoabastecimiento de artefactos necesarios para su vida cotidiana, que irónicamente terminan configurando su identidad cultural, pero las transformaciones producidas en su forma de vida por la modernidad ocasionan que sus usos tradicionales se vean desplazados en diversas medidas por productos industriales, aunque siguen cumpliendo un rol central en la construcción de la identidad cultural regional, de manera que su producción sigue siendo demandada, aunque adaptada a nuevas condiciones de consumo no tradicional, más diversificado, fomentado tanto por políticas municipales que buscan mercantilizarla y adaptarla a las necesidades de consumidores urbanos y turistas para generar opciones económicas para los campesinos; como por una notable politización de discursos descolonizadores generados desde su propia lucha por retomar el control de su territorio pero desde su propia identidad cultural, generando una tensión en la expresión estética de los campesinos, que buscan acceder a la modernidad, pero desde una historia de lucha contra el sometimiento colonial desde donde se ha producido su identidad cultural.

 

 

BONECAS KARAJÁ COMO PATRIMÔNIO CULTURAL DO BRASIL: DA PESQUISA À SALVAGUARDA

 

Nei Clara de Lima. Doutora em Antropologia, pela Universidade de Brasília, professora adjunta aposentada da Faculdade de Ciências Sociais e pesquisadora colaboradora do Museu Antropológico da Universidade Federal de Goiás.

Rosani Moreira Leitão. Doutora em Antropologia pela Universidade de Brasília, de Antropologia do Museu Antropológico, docente do Programa de Direitos Humanos e docente colaboradora do curso de Licenciatura em Educação Intercultural da Universidade Federal de Goiás.

 

As ritxoko, bonecas de cerâmica confeccionadas pelas mulheres Karajá, que vivem em aldeias da Ilha do Bananal e vale do rio Araguaia, no Brasil Central, foram registradas, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), como patrimônio cultural imaterial brasileiro em janeiro de 2012. A pesquisa Bonecas Karajá: arte, memória e identidade indígena no Araguaia, que deu origem ao reconhecimento nacional acima mencionado foi realizada, com o objetivo de produzir informações etnográficas para compor a documentação referente ao processo de registro, por uma equipe do Museu Antropológico da Universidade Federal de Goiás. No presente texto faremos um relato e algumas reflexões acerca da pesquisa e de alguns dos seus desdobramentos, principalmente do projeto Bonecas Karajá como patrimônio cultural do Brasil: contribuições para a sua salvaguarda, em fase inicial também no Museu Antropológico sob a coordenação das autoras.

Palavras-chave: Patrimônio cultural – Karajá – Ritxoko

 

 

TURISMO Y DESARROLLO RURAL EN LA PROVINCIA DE MISIONES: PATRIMONIO CULTURAL GASTRONÓMICO COMO ELEMENTO DE LA IDENTIDAD TERRITORIAL

 

María Inés Montenegro. Maestría en Desarrollo Rural/EPG FAUBA. montenegro.maria@inta.gob.ar; mara_montenegro@hotmail.com

 

En este trabajo se analiza un estudio de caso en la región este, centro y sur de la provincia de Misiones, República Argentina, que se desprende de mi tesis de Maestría, en escritura, “Turismo y desarrollo rural en la provincia de Misiones”, con el propósito de mostrar en estas tres zonas, la importancia del desarrollo rural a través de la gastronomía y su incorporación en el turismo rural como revalorización del patrimonio cultural. El objetivo que se desprende de esta tesis consiste en describir  y comprender la conformación de una trayectoria cultural gastronómica que da lugar a las prácticas culinarias actuales, considerando que la misma constituye un recurso turístico  que servirá de insumo a otros proyectos y políticas de desarrollo.

La metodología empleada se sustenta en: información primaria a partir de la sistematización de entrevistas semi-estructuradas y de entrevistas y observaciones no estructuradas a informantes calificados, y en información secundaria, mediante análisis documental  proveniente de los propios ámbitos locales (instituciones locales públicas y privadas). También se ha utilizado documentación bibliográfica pública y privada.

Analizaremos: Los tipos de producciones y prácticas de consumo, el patrimonio cultural  culinario, la gastronomía e inmigración, la identidad gastronómica, turismo como herramienta del desarrollo rural, construcción de una identidad territorial a partir del patrimonio gastronómico, políticas públicas y regionalización.

Se concluye que en estas tres zonas, se manifiestan hábitos alimentarios diferentes,  influenciados por la formación cultural y social de quienes la habitan. Son  destacables, la  influencia brasileña de la zona Este, el  protagonismo de distintas etnias en la zona Centro y la cocina regional guaraní con incorporación de las comidas  modernas o cocina fusión en la zona Sur.

Palabras clave: desarrollo rural- turismo rural- identidad cultural- patrimonio cultural.

 

 

LOS CAMINOS DEL PATRIMONIO: EL CERRO DE LOS BURROS Y UNA EXPERIENCIA PARTICIPATIVA DE HACER PATRIMONIO

 

Laura Brum Bulanti (CURE-Udelar). lbrum@cure.edu.uy

 

La ponencia reflexiona sobre el proceso de patrimonialización de la localidad arqueológica Cerro de los Burros – Valle del Tarariras (Maldonado, Uruguay). Ubicada en una zona costera balnearia, con fuerte variación poblacional anual estacional, está inserta en un territorio donde confluyen lo rural y lo urbano, que en las últimas décadas es objeto de cambios profundos en su paisaje, en los usos y actividades que allí se desarrollan, y poblaciones que la habitan. Desde las primeras noticias conocidas sobre esta localidad arqueológica en 1960 hasta el reconocimiento del Cerro de los Burros como patrimonio departamental y nacional en el año 2014, ha sido fundamental el trabajo y las acciones promovidas desde la sociedad civil organizada local en coordinación con otros actores (academia, gobierno, medios de comunicación, entre otros). Se analizan los cambios en las formas de uso y apropiación de este territorio, la permanencia de algunas prácticas y la emergencia de otras, y las significaciones en torno a este lugar. Se exponen diferentes escenarios normativo-institucionales que han operado a través del tiempo en el área, vinculándolos con políticas públicas que allí se vienen instrumentando. Finalmente se discuten desafíos para esta localidad en el contexto de la planificación territorial regional y de las tensiones que operan en un territorio donde coexisten modelos de desarrollo vinculados al turismo tradicional (sol y playa) y al desarrollo inmobiliario y otros orientados al ecoturismo, la conservación de los recursos naturales y culturales locales, y nuevas formas de residencialidad que valoran el paisaje y naturaleza del lugar.

Palabras clave: patrimonio arqueológico – sociedad civil organizada- turismo–  costa - desarrollo local.

RESCATE DE PETROGLIFOS EN SAN VICENTE Y LAS GRANADINAS. PATRIMONIO, AGENCIA Y MEMORIA EN UN TERRITORIO DE DISPUTA ENTRE LO GARÍFUNA Y LA SOCIEDAD COLONIAL

 

Mónica Berón. CONICET, Museo Etnográfico “Juan B. Ambrosetti”, Univesidad de Buenos Aires y Universidad del Centro de la provincia de Buenos Aires, INCUAPA- CONICET, FACSO. monberon@retina.ar; monberon56@yahoo.com.ar

 

En el marco de un convenio de Cooperación Internacional entre la República Argentina y San Vicente y las Granadinas (Antillas Menores), correspondiente al Programa FO-AR del Ministerio de Relaciones Exteriores y Culto de la República Argentina, denominado “Cooperación en la investigación y Preservación del Patrimonio Arqueológico”, se rescató durante mayo y junio de 2014 un conjunto de petroglifos en un sitio patrimonial, denominado Yambou 1. Ello constituyó la última etapa de  una serie de acciones destinadas a la recuperación del patrimonio cultural en riesgo de pérdida total, a raíz de la construcción de un aeropuerto internacional  (Argyle Airport) en la isla de San Vicente.  El organismo local que ampara estas acciones es el SVG National Trust. Dicho patrimonio pertenece a las antiguas poblaciones de las Antillas Menores, tanto los Black Caribs como los Garífuna, surgidos estos últimos de la etnogénesis con esclavos africanos de la Costa de Marfil.

Para el rescate de los bloques con imágenes grabadas se desarrolló una estrategia adaptada al caso y en la cual actuó un grupo de  geólogos bajo la coordinación de la arqueóloga a cargo del proyecto, que firma este resumen. Como continuación de estas acciones se están desarrollando tareas museográficas, de investigación- acción y de conservación que aportan a la puesta en valor de este patrimonio.

En esta presentación se detallarán las etapas y estrategias del rescate y se discutirán los usos actuales de dichas manifestaciones, su valoración y puesta en uso público y participativo.   

Palabras claves:, rescate de petroglifos, San Vicente y las Granadinas, cooperación internacional, garífunas.

 

 

LA DIVULGACIÓN CIENTÍFICA COMO HERRAMIENTA EN LOS PROCESOS DE PATRIMONIALIZACIÓN. LA EXPERIENCIA DE “MÁS CERCA DEL CIELO”

Moira Sotelo. Laboratorio de Arqueología del Paisaje y Patrimonio/Departamento de Arqueología, FHCE, unidad asociada al CURE, Universidad de la República (Uruguay). moira.sotelo@lappu.edu.uy

Silvia Soler. Escritora/Editora en +Cerca Ediciones.silviagsoler@gmail.com

 

Este trabajo presenta una experiencia de divulgación científica, que tuvo como objetivo la socialización de una investigación sobre un fenómeno arqueológico poco conocido en Uruguay. Entre los vestigios de interés para la arqueología nacional, se encuentran cairnes y vichaderos, construcciones en piedra que probablemente fueron enterramientos indígenas, centros rituales, lugares de observación, señaladores de puntos del territorio. En general ubicados en lugares altos como sierras y cerros, son sitios de singular belleza y valor patrimonial, de dominio visual pleno del paisaje y el horizonte. Estos hallazgos suponen aportes reveladores para la comprensión del pasado y del patrimonio cultural. En tal contexto, difundir estos estudios y abrir un espacio con los lugareños para dar a conocer esta realidad resultó de especial significación. Para ello, diseñamos un proyecto que transmitió el conocimiento generado por la academia, a la vez que permitió integrar los saberes de los pobladores locales. Las actividades se concretaron en un producto para niños y adolescentes que incluye cuatro formatos: un libro de arqueología,  tres cortos en video, contenidos para una revista escolar, y un concurso de fotos para niños. El equipo tuvo investigadores de la academia, una comunicadora, un fotógrafo y productor audiovisual y un ilustrador infantil. La participación de los pobladores en las tareas de búsqueda, los relatos orales y la participación en los videos, logró crear un interés por el patrimonio arqueológico. Por otro lado, a nivel nacional la difusión de los productos sensibiliza a la población a la que va dirigida.

Palabras claves: Divulgación científica/ arqueología/ pobladores.

 

 

OS CONSTRUTORES DE TAIPA EM CANÁRIAS (MA) E A VALORIZAÇÃO DE SEU SABER-FAZER PARA UMA MORADIA POPULAR SUSTENTÁVEL

 

Luiza de Albuquerque Leite Vieira. Estudante de mestrado profissional do Programa de Pós-Graduação em Artes, Patrimônio e Museologia pela Universidade Federal do Piauí/ BR. brunnhalk@gmail.com

 

Neste trabalho, tenho, como eixo central da discussão, o saber-fazer ligado à construção tradicional de casas de taipa, por construtores da comunidade de Canárias, localizada na Ilha das Canárias, no estado do Maranhão, em uma região de proteção ambiental. O ato de construir é influenciado por múltiplos fatores, entre eles, o clima ou materiais disponíveis no local, mas também pela cultura, o que dá a cada lugar uma arquitetura idiossincrática. Desejando entender o vínculo entre os “taipeiros” e suas técnicas de construção tradicional em terra crua, guio-me sob a luz da Antropologia Simétrica para traçar uma cartografia do social, aproximando-me dos conceitos dos atores sobre as habitações feitas com essas técnicas. A partir desta aproximação, caminho em direção ao processo de sensibilização da comunidade em relação à valorização de seu “saber-construir” tradicional. Ademais, aponto possibilidades de soluções das adversidades construtivas reveladas pelo trabalho de campo, a partir da contribuição dos conhecimentos e práticas sustentáveis das áreas da Bioconstrução e da Permacultura.

Palavras-chave: Patrimônio. Saber-fazer. Bioconstrução. 

 

 

 

 

 

 

 

A PATRIMONIALIZAÇÃO E OS DESAFIOS DA SALVAGUARDA: A EXPERIÊNCIA DO PAÇO DO FREVO NO BRASIL

 

Leonardo Leal Esteves. Coordenador de Pesquisa e Documentação do Paço do Frevo Programa de Pós-Graduação em Antropologia da UFPE; leonardo.esteves@frevo.org.br; leonardolesteves@gmail.com

 

As políticas públicas voltadas ao patrimônio imaterial no Brasil têm sido implementadas a partir de experiências e debates acumulados nos âmbitos nacional e internacional. Além disto, foram criadas por meio da ratificação do Estado brasileiro a convenções para a proteção da diversidade cultural entre os povos. 

Neste contexto, percebe-se cada vez mais o reconhecimento de que é fundamental a participação ativa das diferentes coletividades e atores sociais nos processos de identificação dos bens culturais, bem como no debate, planejamento e execução de ações que contribuam para a sua salvaguarda.

Em 2007, o frevo foi registrado como Patrimônio Cultural Imaterial, pelo IPHAN, e, em 2012, incluído na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial pela UNESCO. A partir deste registro, foi elaborado um Plano Integrado de Salvaguarda que apontou algumas diretrizes centrais para a sua salvaguarda.

Como um dos primeiros eixos deste plano, foi criado o Paço do Frevo, um equipamento público com a missão de consolidar o frevo como referência cultural, contribuir para difusão, pesquisa, capacitação e apoio profissional de seus agentes e coletividades e propagar sua prática para as futuras gerações, valorizando sua memória e reafirmando as políticas públicas de salvaguarda.

Neste trabalho, procuro analisar como este equipamento tem buscado cumprir com sua ampla missão, frente aos diversos desafios e demandas históricas dos próprios detentores do frevo. Considerando que a patrimonialização deste bem cultural chegará a sua primeira década em 2017, é importante esboçar uma avaliação inicial do processo de registro e das ações de salvaguarda até então implementadas.    

Palavras Chave: Patrimonialização; Salvaguarda; Frevo.

 

 

TURISMO E PATRIMÔNIO: ELABORAÇÕES SIMBÓLICAS E MEMORIAIS NO PARQUE ARQUEOLÓGICO E AMBIENTAL DE SÃO JOÃO MARCOS (RJ)

Maria Amália Silva Alves de Oliveira. Doutora em Antropologia (IFCS/UFRJ). Professora Adjunta do Departamento de Turismo e Patrimônio (DETUR) e do Programa de Pós Graduação em Memória Social (PPGMS). Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO/RJ) m_amali@hotmail.com

 

Os distintos discursos que permeiam a transformação de lugares patrimonializados em atrativos turísticos constitui o tema do presente trabalho. Tal proposta, elaborada a partir de dados recolhidos para minha tese de doutorado, apresenta uma série de discursos que acompanharam a edificação do Parque Arqueológico e Ambiental de São João Marcos, anteriormente localizado no antigo município de São João Marcos e atualmente é um distrito da cidade de Rio Claro (RJ). Na década de 1940 São João Marcos foi despovoado e demolido para dar lugar a ampliação de uma represa de produção de energia elétrica. Da memória da demolição e inundação do conjunto arquitetônico do núcleo urbano da referida Cidade emerge um conjunto de disputas pelas ruínas remanescentes daquela demolição. Em 2008, após o tombamento estadual das ruínas do antigo núcleo urbano, o Instituto Light iniciou o projeto de construção do referido Parque, com o objetivo de contribuir para a preservação histórica e cultural da região e para o desenvolvimento do turismo local. A memória coletiva associada a noções de passado e presente revelam uma gama de significados atribuídos a esse processo social em distintos contextos históricos. Assim ao propor a presente reflexão, busco compreender a lógica presente nesse campo, onde prioridades que aparecem como coletivamente construídas são objeto permanente de disputas simbólicas que revelam interesses de diferentes atores sociais.

Palavras-chave: Discursos; Patrimônio; Memória; Turismo; São João Marcos

 

 

POTENCIALIDAD Y LÍMITES DE LA EXPERIENCIA PARTICIPATIVA. UNA REFLEXIÓN A PARTIR DE LA POSTULACIÓN DEL FILETE PORTEÑO A LA LISTA REPRESENTATIVA DE PATRIMONIO INMATERIAL DE UNESCO

Nélida Barber (UBA)

Mercedes González Bracco (UBA-CONICET)

Liliana Mazettelle (UBA)

Patricia Salatino (UBA)

 

El presente trabajo reflexiona sobre la reciente experiencia llevada a cabo por el equipo de Patrimonio Inmaterial de la Dirección General de Patrimonio e Instituto Histórico (DGPeIH) para la postulación en 2014 del Filete Porteño, técnica pictórica tradicional, para formar parte de la Lista Representativa de Patrimonio Cultural Inmaterial de la UNESCO. Dicha postulación fue realizada con la participación activa de la comunidad de fileteadores y fileteadoras que, en diálogo con nuestro equipo, discutieron y acordaron criterios de definición y valoración sobre su práctica. Esta experiencia generó diversos desafíos, tanto para el equipo como para la comunidad. Como equipo, se nos planteó la necesidad de traducir los sentidos, las lógicas y categorías expresadas por la comunidad a una modalidad discursiva acorde con los marcos de referencia que dispone la UNESCO. En cuanto a la comunidad, el proceso reflexivo de poner en palabras percepciones y valoraciones sobre una práctica compartida, inició una disputa en torno a sentidos de autenticidad y tradicionalismo, que no obstante resultó una experiencia ampliamente valorada por sus protagonistas y que, según nos lo manifestaron, constituía un objetivo que se habían planteado cumplir dentro de la Asociación de Fileteadores.

Como resultado de esta experiencia, entendemos que esta modalidad de trabajo con la comunidad involucrada es indispensable en el proceso de activación del patrimonio cultural inmaterial, tanto en términos de participación en la toma de decisiones por parte de la comunidad como de institucionalización por parte de los organismos estatales vinculados a su salvaguarda y difusión.

 

 

 

 

TRAZOS DEL PASADO COLONIAL EN LOS MAPAS DE LAS PLANIFICACIONES ESTATALES ARGENTINAS DE PRINCIPIOS DEL SIGLO XXI: EVOCACIONES Y SILENCIOS

 

Laura Aylén Enrique. Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas (CONICET) – Universidad de Buenos Aires (UBA). aylenle@yahoo.com.ar

 

La conmemoración de los bicentenarios de las luchas independentistas en Argentina ha repercutido en la argumentación de las planificaciones estatales de la última década en cuanto a la elección de fechas y plazos de implementación de las mismas así como de referencias a determinadas “identidades” y “culturas” características de las diversas regiones de nuestro país. De esta manera, se han establecido y reforzado ciertos lazos entre el territorio y el patrimonio al tiempo que se han desdibujado otros. El análisis de los mapas utilizados en las planificaciones públicas actuales en materia de ordenamiento territorial, turismo y patrimonio nos ofrece la posibilidad de un acercamiento novedoso al modo en que se construyen estos nexos. En particular, nos centramos en aquellos mapas utilizados para dar cuenta del pasado colonial y representar el territorio de esa etapa previa a los sucesos que son propuestos como hitos fundacionales de la nación. Así, prestamos especial atención a cómo se muestra ese pasado y a los silencios y vacíos que se ponen de manifiesto en dichos mapas en el contexto de los aniversarios patrios.

Palabras clave: mapas, pasado colonial, planificaciones estatales, bicentenarios, Argentina.

 

 

PATRIMONIALIZAÇAO E RECONHECIMENTO ÉTNICO: O CASO DE UM GRUPO DE CAMPONESES QUE FAZEM MÚSICA PATIA – CAUCA – COLOMBIA

Janeth A. Cabrera Bravo

Doutoranda em Antropologia Social

Universidade de Brasília

janethcabrera05@gmail.com

O objetivo deste artigo é refletir sobre os processos pelos quais o patrimônio cultural imaterial -PCI- no marco das “políticas de patrimônio” estruturam e veiculam reconhecimentos étnicos. Me proponho explorar o campo discursivo de tais políticas desde a problematização dos processos de patrimonialização das expressões musicais das populações negras na Colômbia, particularmente no caso das agrupações presentes no vale interandino do Patía (Cauca – Colômbia), conhecidos sob o genérico de “violinos caucanos” ou “violinos de negros”, eles interpretam ritmos de denominações regionais, relacionados com festividades, santos padroeiros, cerimônias fúnebres e, mais recentemente, em eventos exclusivos para a exibição artística. A partir desse contexto etnográfico tentarei rastrear as dimensões praticas das politicas de patrimônio e a forma como elas se articulam com distintos processos sociais. Ressaltando que a noção de patrimônio cultural surge em um contorno semântico moderno no qual as políticas públicas têm acionado o sentido de nação e, atualmente, destacado a ideia de diversidade ou de nação multicultural. Este trabalho procura explorar como estes processos legitimadores potencializam negociações de sentido e de identidade étnica. Palavras-chaves: patrimônio cultural, musica, reconhecimento, etnicidade.

 

 

CONFLITOS NO E PELO ESPAÇO

 

Elena Lucía Rivero.

Mestre em Ambiente Construído e Patrimônio Sustentável (UFMG - Brasil).

Graduada em História (UNL - Argentina).

elenaluciarivero@gmail.com

 

A seguinte pesquisa partiu da observação de um conflito em torno de uma praça, a Praça da Estação em Belo Horizonte (MG), Brasil. O conflito se estabeleceu, ou tomou caráter público, quando, em 16 de janeiro de 2010, ocorreu a primeira “Praia da Estação”, em que jovens convocados pelas redes sociais ocuparam a Praça da Estação para questionar um decreto, criado pelo prefeito da cidade Marcio Lacerda (Partido Socialista Brasileiro - PSB) em 9 de dezembro de 2009, que estabelecia: “fica proibida a realização de eventos de qualquer natureza na Praça da Estação nesta capital”. É importante ressaltar que a cidade de Belo Horizonte não tem praias e que a representação da “Praia” como espaço público e democrático é frequente no imaginário dos belo-horizontinos, que costumam dizer que os espaços públicos por excelência da cidade são os bares (botecos) e as praças. Os argumentos que sustentavam o decreto eram as dificuldades de limitar o número de pessoas e garantir a segurança pública, decorrentes da concentração de pessoas no local, assim como a depredação do patrimônio público - lembrando que a Praça forma parte do Conjunto Arquitetônico e Paisagístico Praça da Estação. A esse argumento, acrescentou-se a ideia de que o espaço, revitalizado havia pouco tempo, estava sendo depredado. A Praça tornou-se assim um espaço de disputa, mas as leituras dessa disputa foram estabelecidas, pelos diversos atores, em registros diferentes. Se, de um lado, o poder público atrelava a gestão do espaço e o decreto a um discurso de defesa do patrimônio e de segurança pública, de outro, os manifestantes estabeleceram o conflito em torno das noções de espaço público, o que, entendemos, possibilitou ampliar a escala da disputa: da Praça ao direito à cidade. O conflito revelou a potência que os espaços de representação - o espaço vivido - têm sobre o espaço concebido e a prática espacial contemporânea, enquanto prática que segrega e fragmenta a vida na cidade.

 

 

LUGARES DE TERRITORIALIZAÇÕES: REFLEXÕES A PARTIR DE UMA CONSTRUÇÃO MUSEAL

Irene C. M. Portela. Aluna de doutorado do PPGCP/UFF. Mestre em Antropologia Social pelo PPGAS/MN/UFRJ. Trabalha na Coordenação de Educação em Ciências - CED do MAST/MCTI. eoneill@oi.com.br

 

Pretende-se refletir sobre representações ligadas a astronomia e ciência, bem como Portugal e Brasil, e à sua ancoragem territorial, expressas no desenho da exposição Olhar o Céu, Medir a Terra do MAST, como escolhas que exprimem construções e atualizações de memória e patrimonialização. Faz-se isso através do recurso a uma perspectivação próxima dos eixos centrais da exposição, mais derivada de um 'olhar português'. Aporta-se com autores que destacam a importância de considerar múltiplas vozes - vontade que os museus ultimamente parecem refletir -, embora de certa forma restritas às de 'especialistas' e 'disciplinares', para compor quadros de representações sobre nacional, que guardam um propósito de afetar a vida. Dentre as instituições de memória inventadas na modernidade ocidental, os museus de história natural desempenharam a tarefa de procurar conciliar a memória de uma universalidade do saber científico com a  construção das particularidades da nação - explicitando uma 'tensão' entre falas que é correlata à crescente reclusão assumida pelo fazer da ciência, e ao estatuto que se lhe confere, em que pese a centralidade da 'natureza nacional' como tema da história política e científica moderna, aspectos que se refletem nos museus. Por fim, parte-se da noção do museu como "intelectual coletivo" para  refletir sobre possibilidades de correlação entre "lugares de memória" e memórias coletivas, e, sobretudo, de incorporação de falas e discursos alargados, em produções museais, em particular ligadas a território, a nacional, e a sua inter-relação com 'ciência'.

Palavras-chave: representações de nacional; desenhos de território; universalidade e particularidade; falas nos discursos museais; patrimonializações.

 

 

DE RUINAS Y YACIMIENTOS ARQUEOLÓGICOS, MONUMENTOS HISTÓRICOS AL PAISAJE CULTURAL. ETAPAS DE LA PATRIMONIALIZACIÓN DE LA QUEBRADA DE HUMAHUACA (JUJUY, ARGENTINA)

Clara Elisa Mancini. Instituto de Arqueología. Facultad de Filosofía y Letras. UBA; claraemancini@gmail.com

 

En este trabajo se propone examinar cómo se fueron valorando y seleccionando los objetos y sitios dignos de protección y estudio de la Quebrada de Humahuaca (Jujuy, Argentina) cuyo corolario ha sido el reconocimiento como Paisaje Cultural Patrimonio Mundial por UNESCO en el 2003. Dentro de un largo proceso de patrimonialización que se inició en a principios del siglo XX, detectamos un quiebre que manifiesta en el traspaso del reconocimiento de objetos, bienes y sitios a la valorización del Paisaje que reunió todos los bienes antes destacados de forma aislada, así como otros nunca antes valorados. La trayectoria de reconocimiento y valoración patrimonial de cada bien particular ha sido muy diferente. A la par que se fue delimitando el patrimonio cultural de la Quebrada e institucionalizando a través de normativas, se fue conformando un discurso patrimonial autorizado o predominante. Este discurso se formó en gran medida por el desarrollo de disciplinas como la arqueología y la arquitectura que se posicionaron como guardianes del patrimonio cultural.

Como resultado de este proceso los lugares y los vestigios “arqueológicos” e “históricos” de la Quebrada de Humahuaca se consideraron de dominio público, bajo la tutela nacional y provincial. En este contexto, los reclamos en relación al patrimonio por parte de las comunidades locales e indígenas se vieron frustrados. Con el retorno de la democracia en 1983, esta situación comenzó a cambiar

Palabras clave: Patrimonio – arqueologia – arquitectura – comunidad local – Quebrada de Humahuaca.

 

DO CENTRO HISTÓRICO À “FEIRINHA DE TAMBAÚ”: O USO DOS ESPAÇOS PÚBLICOS NA CIDADE DE JOÃO PESSOA

 

Luzicleide Sousa de Lima. Graduada em Antropologia (UFPB), Mestranda em Antropologia (UFPB), Pós graduando do Curso de Especialização em Gestão de Políticas Públicas em Gênero e Raça- GPPGER (UFPB). (cleclelima@gmail.com).

Ingrydy Patrycy Schaefer Pereira. Graduada em Serviço Social (UFPB), Mestranda em Antropologia (UFPB) (ingrydymota@hotmail.com).

Tatiana Lilia do Carmo Irineu. Graduada em História (UFPB), Pós graduada em Historia da Paraíba (FIP). (tatiana_lilia@hotmail.com).

Universidade Federal Da Paraíba – Campus I

A presente proposta busca relacionar a interferência dos setores públicos e privados nas decisões para o uso de dois espaços públicos da cidade de João Pessoa, respectivamente: o seu centro histórico (reconhecido como patrimônio nacional do Brasil) e a “feirinha de Tambaú” (localizada na orla marítima). A mesma é a terceira cidade mais antiga do Brasil que possui um centro histórico com bens de vários períodos da história que vai desde o barroco à arquitetura eclética das décadas de 1920 e 1930 com detalhes de Rococó, Art-nouveau e Art-déco. Não diferente de outras cidades brasileiras, ela também “nasceu” próximo a um rio (Sanhauá) para facilitar as embarcações destinadas aos negócios. Com a crescente urbanização essa parte da cidade (o seu centro) passou a perder seu valor imobiliário e com isso a população migrou à “feirinha de Tambaú” e para os outros bairros. Por meio do trabalho etnográfico, evidenciou-se que houve uma apropriação privada desses espaços públicos. O setor público passou a transferir algumas festas consideradas pela população como “tradicionais” (realizadas no centro histórico) para a orla marítima. Isso foi conseqüência do crescimento hoteleiro. Nessa perspectiva, as manipulações do poder público junto com o setor privado se apropriaram desses espaços que deveriam ser “públicos”.

Palavras-Chaves: Patrimônio, espaço público, sociabilidade.

 

 

EL DISCURSO MUSEOGRAFICO: REFLEJO Y EXPRESIÓN DE UNA IDEOLOGÍA

Luciana Siqueira Guedes Coelho. Doctoranda en Antropologia Social -  Universidad de Buenos Aires. lsgcoelho@gmail.com.

Claudomilson Fernandes Braga. Doctor en Psicología – Universidade Federal de Goiás,  Brasil. milsonprof@gmail.com

El tema Patrimonio Cultural ha adquirido una dinámica específica. Una diversidad de asociaciones civiles, organizaciones no gubernamentales y movimientos sociales tomaron la iniciativa respecto a reivindicar, establecer e, incluso, manifestarse contra los patrimonios culturales. Hablase de una democratización social de la memoria que sugiere la desvinculación del poder de la verdad de las formas de la hegemonía social, económica y cultural. Grupos que antes eran olvidados o subalternados pasan a tener voz activa en el establecimiento de la memoria colectiva.

Esa democratización englobó igualmente los museos. Ahora, la museografia pasa a tener un rol fundamental en la estrategia museológica con la finalidad de explotar en máximo la capacidad de comunicación del material expuesto. Considerando que ese material expuesto es una representación del contenido real podemos decir que los mensajes comunicados en los museos actúan como reflejo y al mismo tiempo como expresión de una ideología.

Este trabajo es consecuencia de una investigación cualitativa que fue efectuada en noviembre y diciembre de 2014, teniendo como metodología de coleta de datos la observación no participativa, posibilitando un análisis del discurso museográfico de la exposición Evita. Ese análisis tuvo como objetivo comprender el conjunto de significados que construyeron una “mujer argentina exitosa” y que fueron comunicados por la exposición y reflexionar sobre las reales posibilidades de la promoción del cambio social en espacios musealizados.

Palabras clave: patrimonio, museos, discurso museográfico, género.

 

 

TRANSFERENCIA MULTIMEDIAL DEL CONOCIMIENTO ACADÉMICO. EL CASO DE LA DE LA INSTRUCCIÓN  PÚBLICA EN PALPALÁ (PROVINCIA DE JUJUY) A MEDIADOS DEL SIGLO XX.

Melisa Jimena Iglesias. CONICET- UNJu.

Valeria Daniela Macía. Facultad de Humanidades y Ciencias Sociales- UNJu. valefhycs@gmail.com

 

El presente trabajo parte de la concepción de que resulta necesario de abordar de forma interdisciplinaria el complejo proceso de la producción de conocimientos académicos; y su transferencia multimedial de manera conjunta, y desde los inicios de toda investigación.

 La importancia radica en abordar el diseño de una investigación desde el amplio campo de la comunicación (transferencia multimedial), de esta manera su difusión no es una materia aislada, sino por el contrario, es un eje central que debe modelar cada fase y su divulgación.

 Para afrontar este desafío proponemos la narrativa audiovisual y los beneficios de la comunicación en soportes visuales. El objetivo es brindarle al científico social una mirada multifocal sobre el producto académico. Un agente clave para esta transformación es la universidad como institución.

En una segunda instancia se aplica este modelo en la tesis “Desarrollo de la instrucción  pública en Palpalá (provincia de Jujuy) a mediados del siglo XX (1943-1955). El centro siderúrgico militar Altos Hornos Zapla, Estado, Iglesia y Educación, elementos de una relación estructurante de la sociedad”. Esta tesis contribuye a la gestión del patrimonio de Palpalá, realizando un aporte al conocimiento histórico-pedagógico y social que, aparte de enriquecer el acervo cultural de Palpalá, potencia su historia regional, reivindica a sus actores y pobladores como sujetos sociales, históricos y culturales, protagonistas de su pasado.

Palabras claves: Comunicación Audiovisual, Conocimiento Académico, Patrimonio, Historia Regional de la Educación  

PATRIMONIALIZACIÓN: CONSIDERACIONES CONCEPTUALES, TEÓRICAS Y POLÍTICAS

 

Fernando Acevedo

                                                                       Centro Universitario de Rivera, Universidad de la República

face@cur.edu.uy

Con esta ponencia sometemos a discusión algunos planteos suscitados en dos investigaciones realizadas recientemente en contextos espaciales, temporales y temáticos diferentes: “Minas de Corrales: identidad y patrimonio cultural inmaterial”(2004-2009), “Rotas Turísticas e Heritage Tourism na API Pampa”(2011-2012). Dichos planteos se condensan en las siguientes preguntas –y en las respuestas que cada una de ellas pretende propiciar–: ¿a quién(es) le(s) corresponde determinar cuáles son los bienes culturales de valor patrimonial y cuáles no lo son? ¿Sobre la base de qué criterios de pertinencia epistemológica y de legitimación social alguien puede erigirse con la potestad de efectuar esa determinación? ¿Corresponde someter la declaración de valor patrimonial de un bien cultural a una compulsa popular, con los previsibles riesgos de caer en demagogia populista? ¿O eso debe quedar en manos de los supuestos “expertos”, con los previsibles riesgos de caer en elitismo cultural y alimentar complejos de superioridad, cientificismos engañosos o hasta veleidades mesiánicas en los pantanosos territorios de la ciencia, la estética, la ética, la cultura? En cualquier caso, ¿es lícito plantear(nos) que pueda existir algún sentido comercial operando en las prácticas de producción de patrimonio? ¿Es lícito plantear(nos) que pueda resultar funcional para ciertos sectores sociales atribuir valor patrimonial a ciertos bienes culturales? ¿Qué otros réditos o intereses –ya sean bienintencionados y legítimos o malintencionados y espurios– pueden estar en juego detrás de la declaración oficial de un bien de valor patrimonial? Conocidos esos réditos o intereses, ¿qué efectos e implicancias puede tener esa declaración? 

Palabras claves: patrimonialización, legitimación social, juegos de poder.

 

 

GT 9. ETNOGRAFÍA, COMPARACIÓN Y ANÁLISIS PROCESUAL EN EL ESTUDIO ANTROPOLÓGICO DE LA POLÍTICA

Coordinadores:

Mauricio Boivin  -Sección de Antropología Social, Instituto de Ciencias Antropológicas-UBA(mboivin@fibertel.com.ar)

Beatriz Heredia IFCS-URFRJ (heredia.b@gmail.com)

Ana Rosato Instituto Gino Germani-UBA (anarosato@fibertel.com.ar)

 

ENTRE LA TECNOCRACIA Y LOS PROCESOS POLÍTICOS: REFLEXIONES EN TORNO AL “MANEJO”, LA “GESTIÓN” Y LA “GOBERNANZA” DE LOS RECURSOS HÍDRICOS

Adrián Koberwein

FFyL – UBA / CONICET adriankoberwein@gmail.com

 

En el amplio y diverso campo de los análisis sobre los usos sociales de los recursos hídricos, suelen destacarse tres formas de denominar a un mismo problema analítico y práctico. Me refiero a los términos “manejo”, “gestión” y “gobernanza” del agua o de los recursos hídricos. Estos tres términos, que se corresponden con enfoques sutilmente diferentes, refieren a un mismo objeto de análisis: las posibles maneras en que se configura socialmente todo aquello relativo al acceso, la distribución y el consumo de agua. En esta ponencia, mi objetivo es recuperar críticamente las concepciones teóricas que estos términos conllevan, en el entendimiento de que cada una de ellas denota sólo una parte de una complejidad o totalidad más amplia. Basándome en una investigación antropológica propia sobre los conflictos en torno al agua en las Sierras Chicas de Córdoba, Argentina, consideraré que una manera de dar cuenta de aquella totalidad puede ser la de considerar a los procesos en torno a los recursos hídricos desde el punto de vista de su análisis como procesos políticos.

Palabras clave: procesos políticos; recursos hídricos; gestión; gobernanza.

 

 

RESPONSABILIDAD SOCIAL: UN NUEVO MODELO DE GESTIÓN PÚBLICA

 

Victoria Arribas y Susana de Pina

FFyL y FCS –UBA victoriaarribas@hotmail.com; susana_depina@hotmail.com

La noción de Responsabilidad Social está presente en la narrativa oficial y en la formulación de políticas públicas desde la asunción de Néstor Kirchner como Presidente de la Nación, en el 2003. Desde entonces dicha noción es objeto de un continuo proceso de producción de sentidos y prácticas en cuyo devenir el Estado, las personas, las organizaciones sociales y los empresarios crean y recrean sus relaciones. En un principio se formuló y promocionó por las políticas de Estado como atributo deseable y exigible de actividades y fines, tales como los relativos al Consumo y la Producción (responsables), en el marco de una ética del desarrollo, de la sustentabilidad y de la construcción de derechos, obligaciones e intereses individuales y colectivos. En el 2011, la Responsabilidad Social se constituyó ella misma en política pública y en nombre de un tipo particular de acciones e incumbencias del Estado. Se creó entonces la Subsecretaría de Responsabilidad Social, dependiente del Ministerio de Desarrollo Social. El Gobierno calificó este hecho como un salto cualitativo innovador en la gestión pública.

En la presente ponencia nos proponemos indagar dicho proceso, identificando y analizando núcleos problemáticos de sentido y de acción en contextos sociales específicos y situados de implementación de la Responsabilidad Social como una nueva política y un nuevo modelo de gestión estatal.

Palabras Clave: Gestión Estatal, Responsabilidad Social

 

 

ENTRE TÉCNICA E POLÍTICA: ESTRATÉGIAS DE ATUAÇÃO E CARREIRA DE SECRETÁRIOS DE MEIO AMBIENTE

 

João Vicente Marques Lagüéns

IBAM - Instituto Brasileiro de Adminitraçãp Municipal e NuAP – Museu Nacional /UFRJ joaolaguens@gmail.com

 

Qual a natureza da atuação de um secretário municipal, “técnica” ou “política”? Boa parte da discussão no processo de organização do Fórum de Secretários Municipais de Meio Ambiente, que venho acompanhando no estado do Pará, se deu entorno dessa questão. A discussão foi colocada pela necessidade de definir se os técnicos das secretarias participariam ou não das reuniões da entidade, mas acabou dando acesso a um conjunto de elementos que delimitam um espaço peculiar de atuação política desses secretários. Estes, em seu trabalho, têm de negociar entre o cumprimento de suas atribuições de controle sobre as atividades econômicas e a gestão das relações com o prefeito e com os empresários aliados a seu “grupo político”. Na construção desse delicado equilíbrio, que admite as mais diversas posições, um elemento importante é a composição de apoios e de uma reputação entre os demais secretários de meio ambiente. Nesse contexto, o presente trabalho é analisa as diversas formas e estratégias de atuação dos secretários de meio ambiente, tendo como base a comparação entre as formas como estas são enquadradas, ora como “política”, ora como “técnica”. A análise parte das discussões promovidas no grupo de discussão (através do aplicativo Whatsapp) no processo de institucionalização do Fórum de Secretários, observando como seus membros constroem, paralelamente, uma “carreira como secretário” e sua inserção na “política municipal”, jogando ativamente com a distinção entre os dois universos.

 

 

 

 

EL FEDERALISMO COMO MATRIZ SIMBÓLICA DE LA PLANIFICACIÓN ESTRATÉGICA DE LAS PROVINCIAS ARGENTINAS: LAS MISIONES COMERCIALES INTERNACIONALES DE LA REGIÓN CENTRO

 

Julieta Gaztañaga

CONICET/UBA satarsa@gmail.com

 

A doscientos años de conformada la Argentina, el concepto de federalismo sigue siendo fundamento material y simbólico de alianzas estratégicas entre actores que moldean la representación territorial del Estado y de la inserción del país en la región y en el mundo. En este trabajo buscamos comprender desde una perspectiva etnográfica cómo el federalismo conforma, al mismo tiempo, un universo sensible a las relaciones entre nación y provincias, y una matriz simbólica donde opera la planificación estratégica en el escenario internacional. Nuestro punto de partida son los resultados de una investigación antropológica en torno del proceso político de la Región Centro conformada por las provincias de Córdoba, Entre Ríos y Santa Fe. En este marco, recortamos operativamente en el desarrollo de “misiones comerciales e institucionales internacionales de la Región Centro”, y las modalidades de acción y relacionamiento promovidas por los gobiernos provinciales en torno de la promoción comercial de “sus empresariados”. Este recorte remite a un enfoque procesual y comparativo acerca de cómo diversos actores sociales y agencias gubernamentales y no gubernamentales van construyendo el entramado político e ideológico de las “capacidades nacionales” e “internacionales” de las provincias, y se basa en una interpretación del federalismo como articulador simbólico entre las voluntades políticas y las instituciones. El trabajo se inscribe en un interés teórico y metodológico más amplio acerca de la importancia de los procesos de integración regional como locus de observación y problematización de los fundamentos materiales y simbólicos de la heterogeneidad de las dinámicas estatales.

Palabras claves: procesos políticos, comparación, enfoque procesual, valor, Estado.

 

 

ETNOGRAFÍA POLÍTICA EN LA CARACAS SOCIALISTA

 

Víctor Pineda. Instituto Venezolano de Investigaciones Científicas, Centro de Estudio de Transformaciones Sociales, Ciencia y Conocimientos, Laboratorio de Estudios de Espacio Público. victoralonsopineda@gmail.com

 

La siguiente investigación tiene como objetivo acercarse a una definición de lo político a través de la etnografía. Basada en un trabajo de campo realizado en dos sectores populares de Caracas, esta presentación dará elementos para reconocer el proceso constitutivo de dos organizaciones, tomando en cuenta principalmente el cotidiano de éstas para observar su dimensión política. La observación y contextualizada aplicada a estas organizaciones, así como la comparación con otras organizaciones en espacios y momentos históricos distintos, aportará características a menudo ignoradas y hasta despreciadas en el análisis político, pero que rescatadas a través de la etnografía fina nos proporcionará datos para una aproximación y caracterización de lo político dentro del contexto venezolano.

Utilizar la etnografía como herramienta metodológica al momento de profundizar sobre “colectivos políticos” nos permitiría principalmente caracterizarlos, tomando en cuenta las particularidades que presenta el contexto latinoamericano con respecto a movilización política (aparición de nuevos sujetos políticos, reconfiguración de figuras “tradicionales de la política); pero además sería un instrumento para profundizar sobre los procesos internos de las organizaciones y sus vínculos con sujetos de otras escalas (Alcaldías, Asamblea Nacional, Colectivos Nacionales, entre otros), y reflexionar sobre la importancia de lo procesual para construir una explicación de lo político.

 

 

REVISITANDO A POLÍTICA NA FAVELA: CONTRIBUIÇÕES DO PONTO DE VISTA ETNOGRÁFICO

Beatriz Bobadilla Kassia

Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP/ Brasil. kassiabobadilla@yahoo.com.br

Em artigo publicado em 1967, intitulado “A política na favela”, Luiz Antônio Machado da Silva analisa os processos políticos numa favela carioca a partir da relação e troca entre os “favelados” e demais grupos e indivíduos de dentro e fora da favela. Ao analisar a ação política dos favelados, o autor estabelece clivagens e características próprias do que classifica como “burguesia favelada” e “político favelado”, estabelecendo diferenciações internas no grupo oriundas de sua própria concepção de política, clientelismo político e paternalismo.

A partir de inquietações oriundas de minha pesquisa etnográfica numa favela paulistana, pude perceber como algumas nomenclaturas e categorias presentes nesse artigo, bem como outras concepções disciplinares e normativas do campo da ciência política, não se sustentavam empiricamente. Com base nos dados prévios de campo de minha pesquisa, a qual visa compreender as formas e significados da ação política nessa favela historicamente, busco comparar como as leituras e compreensão da política acerca dos estudos de Machado da Silva diferenciam-se de concepções antropológicas que buscam captar a política do “ponto de vista nativo” e que privilegiam o olhar etnográfico.

Partindo da perspectiva que a política é uma categoria construída etnograficamente, busco trazer algumas reflexões sobre o que se compreende e denomina-se como política em meio ao cotidiano de organizações e atores atuantes numa favela paulistana. Além disso, procuro mostrar as estratégias e dilemas da socialização entre antropólogo e grupo pesquisado no que concerne a minha entrada no “mundo da política” na favela.

Palavras-chave: favela, favelados, antropologia política, etnografia

 

 

 

 

UMA ANÁLISE ETNOGRÁFICA DO FAZER POLÍTICA DO IDOSO E PARA O IDOSO NOS CONSELHOS”

Glaucia da Silva Destro de Oliveira

(UNICAMP). gdestro@gmail.com

 

A sociedade contemporânea, no Brasil e no contexto internacional, tem apresentado a velhice como um problema social. No Brasil, ela é entendida a partir dos 60 anos e o Estatuto do Idoso (2003) é a garantia legal dos mais velhos. Os direitos das minorias foram ampliados e repensados, sob o viés democrático, na Constituição de 1989. É nesse debate de participação da sociedade mais ampla na tomada de decisões do Estado que se formulam os conselhos de direitos, os quais consistem em organismos compostos por representantes da sociedade civil (os representantes da minoria em questão e, ainda, instituições que oferecem serviços para esse público) e de órgãos estatais, a fim de propor e avaliar políticas públicas.

A partir do método etnográfico, na pesquisa de doutorado (recém finalizada) foram estudados quatro conselhos de idosos de diferentes instâncias – municipais (de Santos (SP) e de São Paulo (SP)), estadual (São Paulo) e o nacional –, a fim de se apreender relações, intersecções e diferenças entre eles na gestão da velhice, considerando as dinâmicas e disputas entre os diferentes agentes envolvidos na definição do que é ser velho, das medidas voltadas para garantir os direitos da pessoa idosa e, ainda, do fazer político pelo idoso e para o idoso.

Palavras-chave:

velhice - idoso - conselhos de direitos - democracia - direitos

 

MÚLTIPLOS ATORES, PRÁTICAS E REPRESENTAÇÕES EM UM MOVIMENTO SOCIAL : O CASO DO MOVIMENTO “QUEM DERA SER UM PEIXE” EM FORTALEZA-CE, BRASIL

Linda M. P. Gondim

Universidade Federal do Ceará  lindagondim@uol.com.br

 

O trabalho apresenta resultados de pesquisa sobre um movimento social contra o Acquário do Ceará, oceanógrafo em construção pelo governo estadual na Praia de Iracema, em área do antigo porto de Fortaleza. Esse empreendimento provavelmente trará valorização imobiliária para a área, fazendo recrudescer as ameaças de remoção do Poço da Draga, assentamento de cerca de 500 famílias de baixa renda. Utiliza-se um enfoque etnográfico para compreender as práticas e representações dos sujeitos, de modo a captar, nos detalhes e nas diferenças, aquilo que for significativo para compreender o objeto pesquisado. Analisam-se as estratégias utilizadas pelo movimento social, que adotou o nome “Quem dera ser um peixe”, ressignificando a frase de uma canção de amor para sugerir que o governo estaria preterindo as necessidades da população ao investir R$ 250 milhões de reais em empreendimento de retorno duvidoso. O movimento tem utilizado tanto a internet como a mídia convencional para fazer denúncias, e tem procurado o apoio de organizações não governamentais dedicadas à defesa de direitos humanos e Ministérios Públicos. Estão em andamento diversas ações iniciadas pelo Ministério Público Federal e Estadual para investigar ilegalidades no contrato da empresa americana que vai construir o equipamento. Mesmo não tendo conseguido sustar a construção do oceanógrafo, o QDSP teve êxitos parciais, como paralisações das obras por mais de dois meses. Embora não se possa generalizar com base em estudos de caso, estes fornecem parâmetros para comparação, como constatou Grangeia em estudo sobre a relação entre Ongs e Ministério Público no Rio de Janeiro.

Palavras Chave: Movimento Social; Acquário Do Ceará; Poço Da Draga.

 

 

ORGANIZAÇÃO E MOBILIZAÇÃO DE CATADORES DE MATERIAIS RECICLÁVEIS EM PERSPECTIVA COMPARADA

 

Rosina Pérez Menafra. Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia. Universidade Federal de Rio de Janeiro. perezmenafra@gmail.com

 

Este artigo apresenta elementos de uma pesquisa em andamento que examina o processo mediante o qual os catadores de materiais recicláveis emergem como ator coletivo no Brasil e no Uruguai nos últimos 15 anos, partindo da perspectiva de que a análise do processo de articulação e mobilização desta categoria de trabalhadores pode revelar dinâmicas sociais mais amplas dos contextos estudados, principalmente no que refere ao tratamento da questão social e à relação Estado-sociedade. A pesquisa aborda o material culturalmente disponível e os elementos que delimitam os contornos do “fazer-se” da organização de catadores (THOMPSON, 2011), buscando chaves explicativas que permitam refletir sobre os alcances de experiências de articulação de trabalhadores pobres e desestruturados, sem tradição de organização e participação, em sujeitos coletivos com capacidade de atuar em defesa dos seus interesses. Introduz o debate sobre o lugar dos fatores contextuais nas diferentes perspectivas comparativas e argumenta sobre a relevância da comparação de contextos (GOODWIN e TILLY, 2006) como forma de fazer, além de uma descrição dos elementos presentes em cada processo analisado, um exercício analítico capaz de abordar as particularidades assumidas pelas organizações de catadores em cada país, levando em conta os repertórios culturais e de ação coletiva disponíveis.

Palavras-chave: catadores de materiais recicláveis; comparação de contextos; organização de trabalhadores precários; Uruguai; Brasil.

 

  SEGURIDAD URBANA, POLÍTICAS ESTATALES Y PROBLEMAS SOCIALES

Noemí González

noemi.r.gonzález@hotmail.com

 

En este trabajo busco analizar las acciones políticas desde el municipio de San Isidro y desde los ciudadanos del distrito en relación a la “(in)seguridad urbana”. Esta ponencia está basada en el trabajo de campo que realizo para mi tesis de licenciatura en Antropología social en la Facultad de Filosofía y Letras en la Universidad de Buenos Aires. La investigación no sólo trató de entrevistas y diálogos con vecinos y agentes estatales, sino también en realizar los recorridos necesarios para hacer denuncias o buscar respuestas en cuanto a las competencias de los distintos departamentos municipales dentro del programa “Prevención y Seguridad” del distrito, en orden de saber a quién le corresponde responder determinados reclamos.

Mi primer objetivo es, a través de un análisis etnográfico, exponer la burocracia y las problemáticas que componen el proceso de demanda de “seguridad urbana” de parte de los vecinos y de garantía de la misma de parte del Estado.

El segundo objetivo del trabajo es mostrar cómo las situaciones de “(in)seguridad” vividas por los vecinos y por las organizaciones vecinales están traspasadas por políticas no sólo municipales, de todo el distrito, sino también provinciales. Y cómo aspectos históricos, sociales y económicos, más amplios que el contexto del barrio y de los hechos delictivos específicos, atraviesan las acciones de los individuos.
Me propongo visibilizar, desde una perspectiva procesual, cómo los conflictos por demandar y garantizar la seguridad, tanto desde el Estado como desde los vecinos, se inscriben en procesos que los sobrepasan y los componen.

Palabras claves: Seguridad urbana- Políticas públicas- Vecinos- Estado.

 

 

DEMOCRATIZAR LA UNIVERSIDAD: CIFRA DE UN CONFLICTO CONTEMPORÁNEO

 

Pablo Cottet Soto. Normalidad, Educación y Diferencia (NDE), CONICYT P. U. Católica de Chile, Académico U. de Chile y U. Academia de Humanismo Cristiano pcottet@yahoo.com 

 

La democratización de la gobernanza universitaria, es una de las condiciones gravitantes para el campo de lucha por el sentido del cambio universitario contemporáneo. Se trata de un asunto que, coyunturalmente en Chile, aparece otra vez los últimos años, primeros del siglo XXI.

La argumentación se organizan según la siguiente proposición: la universidad moderna es un privilegiado lugar de la conflictividad de la propia modernidad, que se ha difuminado globalmente poniendo a la universidad al centro del conflicto contemporáneo. En ese centro, la gobernanza universitaria requiere de un demos, para ello habría que sortear algunas dificultades específicas de nuestras universidades latinoamericanas.

El centro del conflicto contemporáneo: ¿Para quiénes y para qué se conoce en el siglo XXI? Responder esta pregunta pasa por la democratización del gobierno universitario, en dirección a dirimir la disputa universitaria del siglo XXI entre ajuste capitalista o reforma universitaria ¿Es posible la democracia en la universidad? Responder favorablemente requiere asumir que el sentido que permitiría a la comunidad universitaria convertirse en un demos, radica en la generación de prácticas universitarias que realicen lo común a quienes son universitarias y universitarios: cultivar diversos saberes y creaciones en común con las mayorías nacionales. Esta condición enfrenta obstáculos propios a cada estamento universitario en el contexto del capitalismo cognitivo contemporáneo.

 

   

 

 

SIGUIENDO UN INFORME DE INVESTIGACIÓN: ANÁLISIS DEL PROCESO DE PRODUCCIÓN DE CONOCIMIENTO DEMANDADO POR EL MINISTERIO DE EDUCACIÓN

 

Alejandra Cardini. Universidad de San Andrés. lulicardini@gmail.com.ar

 

A partir de una mirada interdisciplinaria que toma conceptos de la antropología del Estado y las políticas públicas (Soprano, Bohosvavsly, Balvi y Boivin), la antropología de la producción científica (Latour, Knorr Cetina, Kreimer) y la sociología de la Acción Pública (Delvauz, Mangez, Lascoumes, etc.) este artículo recorre el proceso de producción de un informe de investigación demandado por el Ministerio de Educación para orientar las decisiones de una política educativa específica.

 En el marco de una investigación doctoral que indaga acerca de la articulación entre investigación y política educativa en nuestro país, este trabajo propone una mirada centrada en la perspectiva de los actores para “abrir la caja negra” de los procesos de producción de conocimiento de un proyecto de investigación demandado por el Ministerio de Educación Nacional en el 2008. Seguimos la producción del “informe” a través de un trabajo de campo de más de dos años (2008-2010) donde se combinaron entrevistas, análisis de documentos y observaciones participantes en diversos espacios institucionales. Los propios actores nos fueron guiando en un recorrido que mostró un entramado complejo de significados en un espacio social de fronteras difusas, impreciso y ambiguo.

 Alejándose de las miradas prescriptivas que evalúan los procesos de articulación entre investigación y política como desviaciones o anormalidades de la actividad normativa burocrática estatal; este trabajo propone una actitud eminentemente comprensiva para dar cuenta del sentido que estas prácticas tienen tanto para los actores que participan y a la vez constituyen como para los procesos más generales de política pública.

Palabras clave: procesos de producción de conocimiento, etnografía, estado Argentino, política educativa, vínculos entre el conocimiento y la política.

    PENSANDO POLÍTICAS UNIVERSITARIAS: LA COMPARACIÓN Y LA ETNOGRAFÍA EN EL ANÁLISIS DE PROCESOS

 

Mauricio Boivin  y Ana Rosato. UBA mboivin@fibertel.com.ar. UBA / UNER anarosato@fibertel.com.ar

 

Nos proponemos centrarnos sobre la relación entre los métodos comparativo y etnográfico a partir de un trabajo que presentamos en un simposio donde se examinaron trabajos sobre las historias y la situación actual de la antropología de los países latinoamericanos y caribeños (54 Congreso Internacional de Americanistas, 2012). Dentro de ese contexto —que ya incluía a la comparación entre sus objetivos—, nuestra ponencia abordó el proceso de desarrollo de la enseñanza de la Antropología Social en la carrera de Ciencias Antropológicas (FFyL-UBA) a partir de 1984, partiendo de la hipótesis de que se constituyó en clara oposición con las antropologías del “proceso militar”. Como el análisis se centró en nuestras propias experiencias de formación, apelamos al método etnográfico, constituyéndonos en nativos de una casi etnografía, adecuándonos al vicio profesional de utilizar la observación participante (el yo estuve ahí) como herramienta descriptiva y analítica. De la presentación de nuestros resultados nos surgieron dos  cuestiones sobre las cuales queremos reflexionar aquí. La primera se refiere a que en esa exposición comprendimos que habíamos asumido  una actitud comparativa que había sido la base de la construcción de los parámetros de nuestra etnografía y nos preguntamos si la actitud comparativa —incluso el método comparativo— no es condición necesaria de la descripción etnográfica. La segunda  también es consecuencia de la exposición: habíamos comparado procesos  militares y procesos democráticos, nos preguntamos si en definitiva la comparación no fue la que nos llevó a comprender procesos que sin duda, deben ser definidos como políticos.

 

 

LA SUSTITUCIÓN DE ELITES DIRIGENCIALES EN EL PARTIDO JUSTICIALISTA (PJ) DE SALTA EN LOS AÑOS 1995 A 2011

 

Fernanda Maidana. Posdoctoranda IELA/UNILA (Brasil) maidanafernanda@gmail.com

 

Busco analizar un proceso de sustitución de elites dirigenciales a lo largo de dieciséis años de gobierno del PJ, tomando como punto de inflexión la disputa por la sucesión en la gobernación en 2007. Propongo que a lo largo de esos años se redefinen en dos oportunidades los atributos personales para la carrera política -las competencias, sensibilidades y afinidades que deben expresar los dirigentes para promoverse en los organismos gubernamentales-; no obstante, se cristalizan definitivamente transformaciones del vínculo y los sentidos del ‘hacer política’ articulando una estructura de oportunidades política a la reproducción de grupos socio-económicos altos. Me detengo en aquellos entendimientos que siguen el anclaje socioeconómico en clave ideológica partidaria, que configuran la disputa interna como tratándose de sagas entre cholos (oligarcas) y negros -sagas que remiten, incluso, a los años ’40 y ‘70 del PJ en Salta- y al actual momento como “el triunfo de los cholos”, para decir que la profundidad temporal en el análisis del devenir del proceso de sustitución permite observar una sociodicea partidaria de la militancia, la vocación política, etc.

Esta ponencia es parte de un capítulo de mi tesis de doctorado ya defendida “Salta y su política de sucesión: caída, emergencia y ascenso de líderes y seguidores del Partido Justicialista entre 2007 y 2011”, donde abordo un proceso de construcción de liderazgo acelerado y de dramática reconfiguración del escenario político que afecta los vínculos estabilizados durante doce años.

Palabras claves: elites dirigenciales – sucesión política - carrera política – reclutamiento - peronismo –

 

 

CIDADE & POLÍTICA: CAMPANHAS ELEITORAIS NO VALE DO PARAÍBA PAULISTA

 

Carlos Eduardo Pinto Procópio. Instituto Federal de São Paulo – Campus São Paulo (docente) procopiocso@yahoo.com.br

 

A cada dois anos a socialidade citadina e a produção de campanhas políticas se aproximam, levando a ambas um tipo de experiência onde não só uma é a causa da outra, mas onde também elas se modificam por conta das negociações inerentes à relação estabelecida. Tendo esse cenário como base, a proposta deste trabalho é demonstrar, a partir de dados etnográficos coletados durantes as eleições proporcionais de 2014 no Vale do Paraíba Paulista, que uma compreensão antropológica das campanhas políticas depende do reconhecimento de que estas campanhas não são apenas feitas nas cidades, mas ao longo delas. Nesse sentido, antes que um funcionamento extracotidiano, diluindo-se na cidade como um corpo estranho que quer deixar sua marca e se fazer reconhecido, uma campanha política, ao contrário, se faz imersa na cidade, compondo seu movimento e evoluindo com ela. Com isso, o que as candidaturas ajudam a provar é a existência de uma intimidade entre elas e a localidade na qual procuram ganhar adesões, o que faz com que as campanhas incorporem as dinâmicas internas e externas das cidades na mesma proporção que as cidades incorporam as campanhas e seus efeitos. Na medida em que os candidatos passam pela cidade (através da inauguração de comitês, comícios, caminhadas, reuniões e visitas), passam a conhecê-la, na mesma medida em que passam a ser conhecidos por ela. Nesse processo proliferam tipos de mediadores e formas de mediações que passam por ruas, prédios, praças, monumentos, objetos, comportamentos e costumes, que tornam as campanhas políticas marcadas por uma composição heterogênea e que não pode ser resumida simplesmente a uma lógica instrumental.

Palavras-Chave: Eleições; Cidade; Campanhas Políticas.

 

EL VOTO TRANSNACIONAL DE BOLIVIANOS Y PERUANOS EN ARGENTINA EN MIRADA COMPARATIVA

 

Brenda Canelo. ICA, UBA / CONICET brendacanelo@yahoo.com.ar

 

Habitualmente al cruzar la frontera del Estado nación donde nacieron, las personas pierden su derecho a votar a las autoridades a cargo de gobernarlo, aun cuando se identifiquen como parte de ese espacio político, tengan allí a sus familiares y afectos, o envíen remesas de impacto sustancial para la economía del mismo.

Si bien este es el cuadro general, en los últimos años se vienen  produciendo experiencias de voto transnacional que muestran nuevas expresiones de pertenencia política y prácticas ciudadanas, e invitan a repensar los límites territoriales, sociales y simbólicos del Estado nación moderno.

A fin de contribuir a pensar estas cuestiones, propongo realizar un trabajo inicial de sistematización y análisis comparativo acerca de las características que asumió el establecimiento y ejercicio de voto transnacional de ciudadanos bolivianos y peruanos residentes en Argentina en las elecciones generales de sus países de origen efectuadas en 2009 y 2011, respectivamente.

Para esto revisaré materiales bibliográficos, hemerográficos y documentales considerando: a) qué actores sociales promovieron ambas experiencias transnacionales y con qué argumentos lo hicieron; b) cuáles fueron las principales características que asumieron esas jornadas y qué nivel de convocatoria alcanzaron; y c) qué vínculos entre ambos Estados de origen y sus ciudadanos en el exterior promovieron sendas experiencias de voto transnacional.  

Palabras clave:voto transnacional, comparación, Argentina, bolivianos, peruanos

 

  FUEGO Y ASFALTO. PROTESTAS, INSURGENCIAS Y GESTIÓN DEL CONFLICTO EN SANTIAGO DE CHILE

 

 

Andrea Soledad Roca Vera. Programa de Pós-graduação em Sociologia, Universidade de São Paulo. andrearocav@gmail.com

 

El 2011, ciudades tanto del sur global como del norte desarrollado fueron escenario de multitudinarias protestas, muchas de ellas, movilizadas por la justicia global y una crítica a la expansión del neoliberalismo en diferentes esferas de la vida social. En esta ponencia discutiremos dos fenómenos que han ganado centralidad en en el reciente ciclo de protestas. De un lado, la incorporación de una violencia performática, no letal y de pequeña escala contra símbolos del Estado y Capital, en los repertorios de contestación de grupos minoritarios, como fue verificado en los últimos años, en ciudades tan dispares como El Cairo, Atenas y Rio de Janeiro. De otro lado, el recrudecimiento del uso de la fuerza física y adopción de una lógica militarizada en el policiamiento de las protestas, movimiento concomitante a la circulación de tecnologías desarrolladas para el control de las multitudes. Dentro del contexto global, discutiremos elementos para analizar el entrecruzamiento de esos fenómenos en las movilizaciones convocadas desde el 2011, por el movimiento estudiantil en Santiago de Chile, protestas que inauguraron el mayor ciclo de contestación pública, en ese país, desde el retorno de la democracia en 1990 y donde, en los últimos años, bombas molotovs y piedras, gas lacrimógeno, balines de goma y carros lanza-aguas, forman parte del elenco habitual. Reflexionaremos sobre parámetros analíticos que contribuyan a comprender el estatuto de esas rebeldías “mal comportadas” en la cartografía política de la ciudad contemporánea. 

Palabras claves: protestas urbanas, repertorios de violencia, gestión del conflicto, policiamiento de la protesta, Chile.

 

TERRITÓRIOS DE PROTESTO AO REDOR DO MUNDO: AS PRAÇAS COMO CENÁRIO E EXPRESSÃO DA LUTA POLÍTICA

 

Aldrey Cristiane Iscaro. Pesquisadora do Laboratório Estado, Trabalho, Território e Natureza (ETTERN/IPPUR/UFRJ)  Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional – IPPUR Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ aldreycris@hotmail.com

 

O urbano vem se constituindo com a principal forma de acumulação de capital no mundo, resultando em barbarismo e violência de populações inteiras em nome do lucro, seja por conta do transporte público, da insegurança e violência urbana ou da precariedade dos serviços públicos urbanos. Ou seja, a destruição criativa não somente influenciou questões físicas dos grandes centros urbanos, mas também destruiu as solidariedades sociais, aumentou as desigualdades sociais, deixou de lado as questões da governança urbana democrática e tem aumentado o terror como seu modo principal de regulação social. E esta crise urbana mundial constitui o ponto nodal de vários conflitos urbanos que vem acontecendo ao redor do mundo.

O objetivo deste paper, assim, é analisar e comparar a relevância do espaço público, em especial, das praças, nas recentes ondas de protesto, a saber, a Praça Syntagma, na Grecia, a Praça Taksim, em Istambul, juntamente com as manifestações ocorridas no Brasil do movimento Occupy e as Jornadas de Junho.

Para tal, utilizaremos como metodologia o levantamento bibliográfico, os materiais produzidos pelos manifestantes e pela sua rede de apoiadores, observação direta, materiais compartilhados pela rede de pesquisadores do laboratório de pesquisa.

Nossa hipótese de pesquisa é de que o espaço público, isto é, praças, parques, ruas e avenidas não foram somente local de acolhimento das populações, mas o fato politico que impulsionou a onda de protestos, e estes espaços públicos, além disso, foram muito mais que uma união de corpos, a saber, foram a retomada da esfera pública. 

 

 

GT 10. TEORIAS ETNOGRÁFICAS DA (CONTRA)MESTIÇAGEM

 

Coordinadores:

Dr. Marcio Goldman. Professor Associado, Programa de Pós-graduação em Antropologia Social (PPGAS), Departamento de Antropologia, Museu Nacional, UFRJ, Brasil; marcio.goldman@gmail.com

Dra. Julia Frajtag Sauma. Pós-doutoranda, Programa de Pós-graduação em Antropologia Social (PPGAS), Departamento de Antropologia, FFLCH, Universidade de São Paulo, Brasil; Bolsista PNPD-CAPES. juliasauma@gmail.com

Mg. Maria Belén Hirose. Doctoranda ; Instituto de Altos Estudos Sociales, Universidad Nacional de San Martín ; Ides Argentina. belenhirose@gmail.com

 

 

I. “Pureza, mistura, indiscernibilidade”

 

 

REFLEXÕES SOBRE O (CONTRA)SINCRETISMO MÁGICO

 

Lucas Marques. Mestrando em Antropologia Social pelo Programa de PósGraduação em Antropologia Social (PPGAS), Museu Nacional, UFRJ, Brasil.

 

Este trabalho busca refletir sobre o conceito de “sincretismo mágico”, proposto por Roger Bastide, que indica um modo de agenciamento que não opera nem por assimilação, nem por justaposição ou correspondência; mas que, antes, age por acumulação e intensificação de forças. Ao reverberar este conceito etnograficamente, proponho pensar num modo de agenciamento entre distintos territórios existenciais (afro-brasileiros, católicos, pentecostais e indígenas) que parta do ponto de vista das religiões de matriz africana no Brasil e, especialmente, do ponto de vista de José Adário dos Santos, mais conhecido como Zé Diabo, sacerdote e ferreiro da Bahia.

Para isso, é necessário mobilizar os conceitos nativos de força e de parte; pois, se para Zé Diabo todos esses domínios cosmológicos são repletos de forças – ou seja, padres, pastores e indígenas também podem ser grandes feiticeiros –, cada força mobilizada possui a sua parte específica, que deve ser trabalhada através de distintas práticas rituais de modo a incrementar a força daquele que a agencia. Agenciar partes e suas forças faz parte de um saber-fazer específico, que visa, a partir das práticas rituais, compor multiplicidades, conectando heterogêneos enquanto heterogêneos. Assim, ao invés de uma “mistura” entre distintos elementos,  o que esse modo de agenciamento propõe é uma cosmopolítica afro-religiosa específica da relação com outras práticas religiosas.

Palavras-Chave: sincretismo mágico; Roger Bastide; cosmopolítica; teoria etnográfica; feitiçaria.

 

 

 

O SINCRETISMO COMO RELAÇÃO

Clara Flaksman

 

A fala que pretendo apresentar baseia-se em uma reflexão acerca de observações sobre o sincretismo que me foram feitas durante a minha pesquisa de campo em um terreiro de candomblé em Salvador, na Bahia.

No que tange ao universo das religiões de matriz africana no Brasil, o termo sincretismo normalmente aparece como a expressão de uma tática de conservação da religião dos escravos africanos para cá trazidos à força. Porém, às explicações recorrentes sobre a sobrevivência da religião africana permitida pelo ocultamento dos orixás pelos santos católicos, somaram-se visões que tratavam do sincretismo como algo que revela uma relação entre estas entidades. Ou, nas palavras de uma filha de santo, o sincretismo revela um “enredo” entre o santo e o orixá.

“Enredo” é um termo com uma ampla gama de significados, extensamente utilizado no candomblé de Salvador. Atenho-me aos três mais frequentes: enredo como relação, como narrativa e como emaranhamento. Utilizando esse conceito, pretendo pensar sobre o sincretismo de maneira que não coloquemos um de seus elementos à frente do outro, e sim ambos em relação – atentando para a capacidade de apropriação do candomblé, de dissolver em sua cosmologia elementos a ela estranhos.

Da mesma maneira que pensar em contra mestiçagem coloca culturas muitas vezes relegadas a uma posição inferior (ou oculta) como protagonistas de suas próprias teorias e reflexões, proponho pensarmos, portanto, em um contra-sincretismo, e com ele destacar uma teoria que se pretende mais do encontro que da síntese.

Palavras chave: sincretismo, candomblé, enredo, religiões afro-americanas, Bahia.

 

 

O COINCIDIR DOS SANTOS. IMAGENS E REVERSÕES NO CANDOMBLÉ NAGÔ

Olavo de Souza Pinto Filho. Doutorando PPGAS-USP; olavosouza@gmail.com

 

            A discussão sobre sincretismo aparece como um tema incontornável nos diversos trabalhos sobre o candomblé em Recife. Para além dos seus usos teóricos, o tema também é mobilizado pelos praticantes do candomblé. Contudo, diferentemente do que preconizam os pesquisadores, meus anfitriões do Ilê Iyemanja Ogunte do Recife são categóricos em afirmar a “não mistura” como condição da existência de seu sincretismo.

            O objetivo desse trabalho é perseguir etnograficamente os desdobramentos dessa afirmação, bem como seus efeitos sobre as nossas teorias sobre o sincretismo. Nesse sentido, focalizo certas composições rituais presentes no candomblé nagô que engajam elementos tidos como católicos (missas, imagens de santos, entre outras) e aqueles de outros domínios tidos do candomblé (jogo de búzios, ebós, culto aos ancestrais). Ao invés de fixar tais elementos como categorias fixas e dadas a priori, atento às relações contextuais em que a diferença entre eles é precipitada, e qual a importância dada pelos praticantes do candomblé em destacá-la. Tais composições entre domínios entendidos como separados (não fechados), não ocorrem em relação apenas ao catolicismo, mas são presentes entre os diferentes contextos e espaços do candomblé nagô; eles coexistem necessariamente uns a partir dos outros, sem que suas diferenças sejam subsumidas.

Esse movimento coloca um duplo desafio conceitual: (1) pensar em um sincretismo sem mistura e, (2) imaginar analogias entre santos católicos e orixás, catolicismo e candomblé, que prescindam da noção de equivalência.

Palavras chave: Sincretismo. Reversões. Nagô. Candomblé. Recife.

 

 

 “O SEU SETE ENCRUZILHADAS VEM E TRAZ TODA A TRIBO DELE”: COSMOPOLÍTICA E CRUZAMENTOS AFROINDÍGENAS NA LINHA CRUZADA

João Daniel Dorneles Ramos – Professor do Instituto de Filosofia, Sociologia e Política da Universidade Federal de Pelotas; Doutor em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

 

Nesta comunicação proponho discutir o processo de cruzamento, que se dá na Religião de Linha Cruzada, entre diferentes ontologias (africana, ameríndia, cristã, kardecista, do Oriente, Povo Cigano, Linha de Exus...). Compreendo que essas diferenças ou “lados” são parte de uma relação cosmopolítica e, portanto, de uma “diplomacia cósmica” (ANJOS & ORO, 2009). Indico que a conectividade e o jogo das diferenças que compõem as religiosidades de matriz africana nos mostram elementos-chave para percebermos outros modos de existência que vão além das formas essencialistas de identidade. É pela lógica rizomática que se torna possível pensarmos a religião como “percurso nômade”. Os elementos de interpenetração cosmos e sociopolítica, humano e extrahumano são tomados pelas/os umbandistas como possibilidades de conectividade entre cosmología ameríndia e afro-brasileira. Assim, o intermediário para o Orixá que trabalha na pedreira será algum(a) caboclo/a da linha de Xangô. O Sete Encruzilhadas, que abriu a Umbanda para que os espíritos de negros escravizados, de indígenas e de outros povos pudessem chegar, é intensivamente ligado a práticas rituais tanto do Batuque como da Quimbanda. O caboclo Sete Encruzilhadas se cruza e pode vir como Exu das Sete Encruzilhadas. É da noção de encruzilhada que podemos tirar respostas potencialmente fortes para os conceitos de sincretismo e mestiçagem.

Palavras-Chave: Cosmopolítica. Linha Cruzada. Encruzilhada. Diferença. Sincretismo.

 

 

LA ANTROPOLOGÍA Y EL MESTIZAJE COMO TÁCTICAS DE EXTERMINIO Y DOMINACIÓN. EL INDIGENISMO MEXICANO EN LOS AÑOS POSREVOLUCIONARIOS (1920-1940)

 

Rafael Antonio Rodrigues. Universidade de

Brasília – UnB; deviintoster@gmail.com

 

En el México posrevolucionario (1920-1940), el saber antropológico se convirtió en una

herramienta conceptual e ideológica fundamental en la construcción de un nuevo horizonte discursivo alrededor de la identidad nacional. A partir de la apropiación del elemento indígena, ganaba fuerza un nuevo sentido de México y mexicanidad. El indio era incorporado a la nación a partir de su metamorfosis en mestizo, categoría que emergía como el nuevo arquetipo nacional, supuestamente capaz de conciliar la pugna histórica evidenciada por la Conquista y forjar un sentido de patria unívoco y homogéneo.

Sin embargo, el discurso en torno al ser mestizo era una forma de blanquear al indígena,

negándole los trazos que le caracterizaban como tal para que él se transformara en un “igual”, es decir, un hombre blanco. Al indígena no le estaba permitido revelarse a partir de sus propios caracteres culturales e identitarios, su incorporación era una forma de legitimar un proyecto nacional, que se le imponía desde el Estado, que poseía como marco civilizatorio el mundo Occidental. Se creía que el hombre blanco, en el cruce racial, habría de predominar sobre el indígena en función de su “superioridad” de raza y civilización.

En ese sentido, el indigenismo moderno no se diferenciaba de los antiguos postulados

teóricos decimonónicos en torno al indígena. Aunque se le comprendiera como una realidad viva y pulsante al tiempo de la revolución, el lugar que le estaba reservado al interior del nuevo orden mestizo revolucionario era el de su extinción.

Palabras Clave: antropología, indigenismo, mestizaje.

 

 

VARIAÇÕES DE TEORIAS DA DIFERENÇA NO CONTEXTO CABO-VERDIANO

Natalia Velloso Santos – PPGAS-UFRJ

nataliavellososantos@gmail.com

 

Entre 1951-52, Gilberto Freyre visita diversas colônias portuguesas na África a convite da ditadura salarazista. O principal propósito da viagem era a propagação dos referenciais da teoria luso-tropicalista como justificativa para a manutenção dos regimes coloniais de Portugal em pleno século XX.  A visita do sociólogo era aguardada com particular interesse por representantes da elite intelectual em Cabo Verde, onde as teorias freyrianas da mestiçagem foram utilizadas como referência daquilo que seria entendido como a especificidade da sociedade cabo-verdiana. Tratada então como um caso típico de unidade cultural e racial forjada a partir de um processo de fusão entre europeus e africanos, nos moldes, e inclusive antecipando, o caso brasileiro. Essa interpretação fundamentou um processo de criação de uma identidade cabo-verdiana, por tal elite, marcado pela ambiguidade da reivindicação de uma autonomia local, em detrimento da dominação colonial, ao mesmo tempo associada ao enfraquecimento da identificação com a África. O que explica o desapontamento desta mesma elite com a constatação de Gilberto Freyre ao diagnosticar a sociedade cabo-verdiana como essencialmente negra. Este trabalho pretende analisar as variações entre os distintos regimes de diferença presentes tanto nas análises de Gilberto Freyre sobre o arquipélago, quanto em suas versões elaboradas pela intelectualidade cabo-verdiana (anterior e posteriormente à visita de Freyre), para então de contrastá-la com problemas e teorias da diferença colocados a partir de outros contextos locais que, ainda que não tratem diretamente do tema da miscigenação, ofereçam a este um contraponto.

Palavras-chave: Gilberto Freyre, Mestiçagem, Cabo Verde.

 

 

 

 

 

II. “Devir outro, ser gente”

 

ESTRANHOS COMPADRES: QUILOMBOLAS DE FAMÍLIA MAGALHÃES E OS ENCONTROS COM SEUS OUTROS

 

Daniela Carolina Perutti. Doutoranda em Antropologia Social – Universidade de São Paulo; daniperutti@yahoo.com.br

 

O paper a ser apresentado tem como intuito desenvolver uma questão surgida em minha tese de doutorado acerca das relações dos membros do quilombo Família Magalhães (GO) com “índios” com quem convivem nas beiras do rio Paranã. Estes são definidos como seres silenciosos, que “andam demais”, além de bravos e com saberes mágicos, tendo o poder de ficar invisíveis. A relação com eles ocorre em grande medida por meio dos sinais de sua existência que deixam para trás, o rastro, ou ainda o assovio.

Estes seres, como as crianças, “fazem pinturas”. Não costumam matar ou bater em gente, mas bagunçam casas e tiram objetos do lugar. Caso alguém os encontre pela frente, deve cumprimentá-los e chamá-los de “compadres”, de modo a apaziguar sua braveza. Dizer a palavra “índio” ou “tapuio” irá desagradá-los, e ninguém com quem conversei a respeito quis “pagar para ver um compadre bravo”. Eles também teriam uma linguagem própria, e só se fariam entender pelos outros quando quisessem.

O fato de terem poderes mágicos e serem “agitados”, propensos a relações agonísticas, faz com que seja necessário se cercar de cuidados na tessitura de tais relações. Assim, chamá-los de “compadres” aparece como forma de estabilizar relações pela fala de um nome que denota vínculo (“compadre”) no lugar de outra que denota perigo (“índio”).

Se por um lado “índios” são percebidos como alteridade radical com a qual é necessário ter precaução, por outro, reconhecem que possuem algo de “sangue de índio”, lembrando que neles próprios está contido esse outro que requer cuidados.

 

 

O RIO COMO EIXO DE TRANSFORMAÇÃO: ENTRE A CIDADE O LAGO GRANDE

Fernando Augusto Fileno. Agência de fomento: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Programa de Pós graduação em Antropologia Social da Universdade de São Paulo (PPGAS-USP). Mestrando; fernando_fileno@hotmail.com

 

Encontramo-nos aqui em um mundo eminentemente transformacional, baseado em processos desencadeados tanto entre relações como entre deslocamentos, do qual focaremos a indeterminação produzida nas idas e vindas sobre o rio. Os Mura são os atores desse sistema, grupo indígena de língua mura, hoje falantes do português, são habitantes do complexo hídrico dos rios Amazonas, Madeira e Purus, bem como residentes em diversos municípios da região. O que abordaremos como teoria nativa da (contra)mestiçagem traduz-se no movimento pendular entre a cidade e o Lago Grande (limite extremo da T.I. Cunhã Sapucaia), as aldeias localizadas no rio Igapó-Açu guardam  distâncias diametralmente equivalentes dessas duas forças de gravitação existentes: o ambiente urbano e a floresta respectivamente. Os movimentos de curso a jusante são tão desejados e plenos quanto os a montante. Entretanto, não tratamos aqui apenas de desejos, mas também de posicionamentos ontológicos, esses espaços são origens de morfologias corporais distintas, ensejam como o fazem certas substâncias, determinadas afecções e capacidades, os modos de viver e experienciar (comer, andar, dormir, reunir) são aqui transubstanciáveis ou, poderíamos dizer translocalizáveis, pois o lugar faz toda diferença. Nesse contexto, a aldeia mura, como terceiro termo, está simultaneamente nos dois lugares ao mesmo tempo, um quadro que ressoa a teoria yanomami sobre o “virar branco” descrita por José Kelly Luciani e que aqui será trazida como referência comparativa para falar do rio como espinha dorsal de um sistema de transformação ou de mistura com o Outro, seja ele um índio bravo ou um branco.

Palavras-chave: Mura, Amazônia, transformação, ontologia, corporalidade.

 

 

TEMPO E PESSOA NA VILA DE CIMBRES

 

Clarissa Martins Lima. Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal de São Carlos; clarissa.martins.lima@gmail.com

 

Aqui tem gente de toda qualidade, dizem os moradores da Vila de Cimbres, aldeia Xukuru do Ororubá, localizada entre o agreste e o sertão pernambucano: católicos, evangélicos, catimbozeiros, médiuns, índios; caboclos, entidades, encantos, espíritos, finados, defuntos, santos. Mas nem todas essas qualidades existem do mesmo modo ou são igualmente desejáveis: tão boas que nem prestam ou ruins, sebosas,algumas estão vivas, outras mortas, umas fazem parte do presente, outras de um tempo que já passou, mas que, nem por isso, deixam de existir. Nesse trabalho, exploro etnograficamente estes muitos modos que a pessoa pode assumir na Vila de Cimbres através das noções de qualidade e tempo. Aqui, tempo e qualidades são noções que funcionam como figura e fundo de um só movimento, e que, passado ou presente, não deixam de se perpetuar, alargando as possibilidades de ser e estar no mundo. Assim, busco mostrar como a pessoa aparece ora como mistura, ora como purificações instáveis destas qualidades-tempos que em alguns momentos se sobrepõem, em outros apenas se tocam e, em outros ainda, se repelem. Ao mesmo tempo, busco me valer dos usos que os Xukuru fazem de termos comumente apartados em especialidades da antropologia, e explorar os efeitos desse encontro para o fazer antropológico.

Palavras-chave: Xukuru do Ororubá; pessoa; tempo; antropologia

 

 

A MESTIÇAGEM COMO BAIXA ANTROPOFAGIA: ALGUNAS REFLEXÕES A PARTIR DOS TIKMŨ’ŨN (MAXAKALI)

 

Roberto Romero. PPGAS. Museu Nacional, UFRJ; roberomerojr@gmail.com

 

Os brancos, dizem os TikmÅ©’Å©n, surgiram dos Ä©nmõxa, seres canibais e ferocísimos que vagam solitários pelas matas e que são capazes de matar aldeias inteiras num lance de poucos minutos. Mais do que monstros estrangeiros a ameaçar os humanos, entretanto, os Ä©nmõxa são um perigoso destino, sobretudo para aqueles que descumprem o resguardo. É possível, em suma, tornar-°©â€se inmõxa. Neste trabalho, pretendo aproximar os perigos transformacionais implicados neste “tornar-°©â€se Ä©nmoxa” àqueles suscitados pela experiencia igualmente perigosa e indesejável do “tornar-°©â€se branco”. A partir de algunas reflexões em torno de teorías tikmÅ©’Å©n da transformação, pretendo ainda desestabilizar os principios de uma certa “metafísica canibal”, implícita

nos esquemas neoevolucionistas das “teorías da mestiçagem”, qual seja, a ideia da captura inexorável–por “assimilação”, “integração”,“fusão”ou“síntese”-°©â€ das potencias do múltiplo pelo Um, dos Outros pelo Eu.

palavras-°©â€chave: contramestiçagem; cosmologías do contato; antropofagia.

 

A CORRENTEZA DAS ÁGUAS E O QUE ELAS CARREGAM: VIVOS, MORTOS E O ESPAÇO NA ILHA DO MASSANGANO, RIO SÃO FRANCISCO

Márcia Maria Nóbrega de Oliveira. Doutoranda, Unicamp; marciamnobrega@gmail.com

Esta apresentação parte de uma pesquisa de doutorado em andamento em que busco compreender como se dão as relações de uma comunidade com seus mortos, tomando-as a partir da mediação com o ambiente em que habitam. A comunidade em questão é a Ilha do Massangano, uma ilha situada no semi-árido nordestino, ali no trecho submédio do Rio São Francisco, entre as cidades de Petrolina, em Pernambuco, e de Juazeiro, na Bahia. Dentre camponeses, feirantes, pescadores e, em outros tempos, marinheiros, convivem na Ilha do Massangano no decorrer de pelo menos quatro gerações cerca de 180 famílias, ou 700 pessoas, quase todas negras. Ilhéus, mas não ilhados, vivem a cerca de vinte quilômetros de onde foi o porto final da travessia Pirapora-Juazeiro, rota fluvial que conectava o nordeste ao sudeste brasileiro e que movimentou intensa troca de mercadorias (dentre sal, rapadura e cachaças), mas não apenas: ali circulava pessoas, seus sambas, toadas e benditos, mas também seus mortos e caboclos. De fato, a Ilha do Massangano cuja população predominantemente católica já comportou, nos tempos de intensa navegação, mais de quatro “casas de caboclo” ou “mesa branca”. Atualmente existem apenas dois centros que funcionam intermitentemente. Diante desse quadro, me interessa pensar como, a partir do marco da construção da Barragem Hidrelétrica de Sobradinho à montante da Ilha do Massangano, a alteração dos fluxos das águas afetou o regime dos encontros propiciados pelo rio: seja entre mortos e vivos, ou entre os vivos e eles mesmos.

 

 

CABOCLOS E PRETOS VELHOS: POSSESSÃO E VOO XAMÂNICO NA COMUNIDADE SÃO JOSÉ

 

Marina Guimarães Vieira. Universidade Federal da Bahia

marinaguimaraesvieira@gmail.com

 

Partindo de uma releitura do material etnográfico apresentado em minha tese de doutorado sobre os trabalhos espirituais realizados pelos moradores da comunidade São José, localizada na Reserva Extrativista Arapixi, no Estado do Amazonas, o trabalho apresentará uma discussão a respeito do conceito de caboclo. Seu uso será perseguido não na acepção acadêmica tradicional do termo, que aponta para a questão da miscigenação, mas nos contextos nos quais é ativado pelos nativos, como categoria introduzida de “fora” para “dentro”. O coletivo aqui acompanhado, comumente definido pelos pesquisadores como uma população cabocla, utiliza o termo como modo de identificação da alteridade (indígenas da região e espíritos), mas não como auto-identificação. Definem-se, antes de mais nada, como cristãos, termo equivalente ao estatuto de humano em várias regiões da Amazônia. No intuito de compreender melhor a ontologia do coletivo, serão analisadas as relações que estabelecem com os não humanos chamados caboclos e pretos velhos, que se dão através das práticas conceitualizadas pelos nativos como atuação. Essas práticas, que englobam os processos comumente caracterizados em separado, pelas subdisciplinas antropológicas dos estudos afro-americanos e da etnologia indígena, como possessão e voo xamânico, serão analisadas em profundidade, tal como vividas e pensadas pelos moradores da comunidade São José.

Palavras chaves: caboclos, pretos velhos, possessão, xamanismo 

 

 

III. “Desterritorizações e reterritorizações”

 

 

NO SOMOS CHOLAS Y LLEVAMOS POLLERAS. Debates sobre las construcciones de identidad Tocañera, La Paz-Bolivia.

Luis Reyes Escate. Programa de Posgrado en Antropología Social - Maestría Académica. Universidad Federal de Río Grande do Sul. Agencia de fomento de investigación: CAPES. Orientador: Prof. Dr. Carlos Steil; luisreyes_2703@hotmail.com

Venía con su pausado caminar, a lo lejos. “Suma aruma, saludó desde la oscuridad. De ojotas, pollera esmeralda, camiseta negra, sombrero hongo de color negro, cabello amarrado en dos pequeñas trenzas. Vi sus grandes ojos saltones y su inmensa sonrisa blanca, ligeramente manchada por restos de la coca que piqchaba, aparecer paulatinamente en la habitación. Era la tía Marta, mujer negra habitante de la comunidad afro-boliviana de Tocaña. Nos saludamos y, después de invitarme a piqchar, comenzamos a conversar.

 

-En la mañana ha llegado un gringo loco buscando ‘cholitas negras’, me ha dicho- afirmó con molestia.

-¿Y usted que respondió, tía? Sobre las cholitas.

-¿Cholitas? ¡Ninguna cholita, carajo! Aquí somos negras nomás.

-Tía, pero… ¿no cree que algunas personas de aquí son una mezcla entre negros y aimaras? ¿afro-aimaras?

-¿Afro-aimara? Nunca he escuchado eso. Mezcla hay, pero eso que dices… ¡no!

 

El objetivo principal de este trabajo es, partiendo de un diálogo simétrico entre la discursividad académica y Tocañera, plantear algunas hipótesis sobre las gradientes ontológicas de racialidad y mestizaje.  Asimismo, se busca reflexionar sobre los procesos de construcción de identidades Tocañeras, los cuales rebaten la concepción “occidental” de procesos identitarios únicos de fusión. 

Palabras claves: (contra)mestizaje, Tocaña, afro-bolivianidad, aimara.

 

 

MODERNIDADES PERIFÉRICAS Y TRANSICIONES AMERINDIAS: UNA MIRADA ETNOGRAFÍA DEL PARENTESCO AL ETHOS ULWA. CARIBE NICARAGÜENSE

Dra. Denia Román Solano. Docente Escuela de Antropología e Investigadora Instituto de Investigaciones Sociales. Universidad de Costa Rica; dennia.roman@ucr.ac.cr y denia_rs@yahoo.com

 

El Caribe Nicaragüense se caracteriza por la imposibilidad de definiciones étnicas y raciales, su literatura etnológica e histórica da cuenta de ello. El escaso control colonial, así como el dominio indígena del territorio hasta prácticamente mediados del siglo XIX, generó una particular manera de delimitar grupos, lenguas e identificaciones étnicas. Amerindios, africanos y las configuraciones colectivas que estos gestaron fueron, y son, categorías inéditas en el contexto Centroamericano, que desafían los parámetros académicos.

Los Ulwa, un grupo indígena y minoritario de esta región, son un claro ejemplo de esta condición, y son así mismo, el foco de este trabajo. Se concentran en la cuenca baja del rio Grande de Matagalpa, específicamente en la comunidad de Karawala, que fue constituida hace más de cien años por grupos familiares de origen diverso: Mayangnas (especialmente Ulwas, pero también Panamahkas Tawahkas), Miskitos, y afro-descendientes. El estudio detenido en las explicaciones locales sobre lo que comúnmente llamamos como mestizaje, y en los recursos del parentesco y el ethos ulwa evidencian la originalidad con que este colectivo piensa las diferencias y sus transformaciones. Así, este trabajo describe histórica y etnográficamente estas explicaciones, que apuntan a la constitución de una geométrica sociocultural y regional, evidenciada y activada a la luz de la modernidad, y más recientemente, de las políticas multiculturales que la Autonomía Regional sigue.

Palabras claves: Ulwa, Caribe Nicaragüense, parentesco, ethos y autonomía política.

 

 

NOTAS SOBRE A ALIANÇA ENTRE NEGROS E ÍNDIOS NO MARACATU LEÃO DE OURO DE CONDADO (PE)

Noshua Amoras de Morais e Silva. Graduada em Ciências Sociais, com habilitação em Antropologia, pela Universidade de Brasília (UnB); noshua.amoras@gmail.com

 

A partir de minha pesquisa de campo junto ao Maracatu Leão de Ouro de Condado (PE), procuro, neste trabalho, acompanhar a narrativa dos folgazões sobre a relação entre negros e índios nesta brincadeira.

A discussão sobre a presença de elementos “indígenas” e “afro-brasileiros” no maracatu aparece com alguma frequência, ainda que pouco explorada, na breve literatura sobre o tema. Durante minha pesquisa, Fábio e Derivan, dois jovens folgazões com os quais convivi, chamaram minha atenção sobre o começo do maracatu, dizendo-me como a brincadeira surgiu pela aliança entre índios e negros numa guerra contra o senhor de engenho. Não obstante, eles apontaram também para uma espécie de relação entre as mudanças provocadas pelas violentas intervenções do senhor de engenho contra o maracatu antigamente, e aquelas reproduzidas e praticadas pelo estado contra a brincadeira nos dias atuais. Eles afirmam, então, que essa guerra não terminou.

Assim, o objetivo desse trabalho é pensar a relação entre negros e índios no maracatu, enfocando também a articulação temporal trazida por essa atualização da guerra de um passado sempre presente, e os efeitos da intervenção estatal mapeados pelos folgazões (que convergem em uma tentativa de pacificação do maracatu).

Palavras-chave: maracatu; afroindígena; estado.

 

 

RELAÇÕES AFROINDÍGENAS NO JARÊ DA CHAPADA DIAMANTINA, BAHIA

Gabriel Banaggia. Pós-doutorando no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social – Museu Nacional (UFRJ); (gbanaggia@gmail.com)

 

O jarê é uma religião de matriz africana existente somente na Chapada Diamantina, área do interior da Bahia, estado localizado no nordeste do Brasil. No interior do campo de estudos afro-brasileiros, o jarê exemplifica um desenvolvimento paralelo ao dos candomblés litorâneos dos quais é aparentado, tendo sido elaborado por um conjunto de senhoras africanas, ou suas descendentes diretas, chamadas nagôs, que chegaram deliberadamente ou foram levadas escravizadas para a região. Aí habitando, esse conjunto estabeleceu uma prática primeva do jarê com base em um compromisso com potências ligadas a indígenas que, apesar de não mais habitarem a região, continuavam sendo os donos legítimos daquela terra, ao contrário dos brancos que passaram a explorá-la na cata de pedras preciosas.

Diferentemente do que aconteceu com outras tradições similares, entretanto, no jarê as forças indígenas se insinuaram de forma mais contundente, fazendo com que ele se transformasse levando todas as entidades cultuadas nas cerimônias a serem consideradas caboclas. Se os caboclos do jarê contemporâneo travam uma luta que é antes de tudo espiritual, seus efeitos em última instância envolvem uma retomada de territórios tanto existenciais como físicos, já que fez parte do compromisso estabelecido no passado o retorno das populações indígenas às terras que por direito são suas. Essa comunicação apresentará as formas pelas quais esse desiderato tanto foi ensaiado morfologicamente numa comunidade local de remanescentes de quilombolas de origem afroindígena quanto permanece vivo nas manifestações rituais que se desenrolam em todo jarê.

Palavras-chave: Jarê; religiões afro-brasileiras; sincretismo; cosmopolítica; afro-indígena.

 

 

O PARLAMENTO DOS DEUSES E AS DIVINDADES DO CONTRABANDO: “PERDA DA CULTURA” E TÉCNICAS DE CAPTURA

 

Mauricio Machado Siqueira Filho. Programa de Pós-graduação em Antropologia Social do Museu Nacional (UFRJ) – Mestrando (2° ano)

O trabalho consiste numa apropriação de algumas sugestões elaboradas por Tobie Nathan, a partir de sua experiência terapêutica junto ao Centre George Devereux (FR), para uma redefinição pragmática ou experimental da noção de pertencimento cultural. Interessam aqui suas contribuições para uma desestabilização de certo modelo usual de conexão- indissociável daquilo que descrevemos, tradicionalmente, como multiculturalismo- entre os fluxos de dispersão espacial dos povos e os movimentos de diferenciação sociocósmica aos quais estão relacionados. Vinculado, ainda que sob versões aparentemente muito distintas, à uma retórica da assimilação ou mistura, esse modelo parece ter conduzido, inevitavelmente, a descrições muito enfraquecidas das relações de força imanentes ao desafio de “acolher o estrangeiro”. O trabalho se concentra, portanto, na apresentação de um outro repertório conceitual no qual os dilemas da interculturalidade são desestabilizados em favor de um pensamento da Terra como arena de confronto entre divindades. É esse o sentido de instaurar um parlamento dos deuses: produzir um dispositivo capaz de explorar as diferentes modalidades de fuga e captura implicados no comércio com (e entre) os deuses estrangeiros.

Palavras-Chave: Tobie Nathan, Cosmopolítica, Etnopsiquiatria

 

 

 

 

 

 

 

SOBRE O TRAÇADO

Clarisse Q Kubrusly. (PPGAS/MN/UFRJ); clarisseqk@gmail.com

 

A partir do trabalho de campo com os Xangôs (religião afro) e Juremas (afroindígena) da nação Xambá, localizados no Quilombo Urbano do Portão do Gelo, Olinda-PE; aponto os caminhos para uma discussão sobre o traçado na arte da feitura da vida junto aos deuses africanos (orixás) e entidades da terra (caboclos e mestres). O traçado diz respeito a arte de resistência, ao movimento criativo que articula essas duas formas de práticas em novos arranjos, sem que no entanto, uma se sobreponha a outra. A vida dos Xambás é traçada entre o lado da Jurema e o lado do Xangô, que atravessa os corpos de modo indissociável da noção de pessoa. As composições realizadas variam a cada caso na medida das exigências cosmopolíticas realizadas pelos seres espirituais em questão com a colaboração dos sacerdotes humanos. Apresento para a discussão dois casos contrastantes de Madrinhas Juremeiras: Marinalva de Oxum com Mestre Zé Pretinho e Cristina de Oyá com Zé da Pinga. O ato de traçar, em ambos os casos, cria novas formas de fazer o Xangô e a Jurema coexistirem em cruzamentos únicos que excluem integramente a ideia de mistura. Por um lado estão totalmente separados e por outro, funcionam como opostos complementares. Assim, gostaria de testar Junto a esse GT se é possível fazer do traçado um conceito para uma teoria etnográfica de alcance mais amplo do que o contexto nativo do qual ele provém.

Palavras chaves: Traçado, Xangô, Jurema, Cosmopolítica.  

 

IV. “Cosmopolíticas e heterogêneses”

 

 

THIS IS NOT PERFORMANCE. THIS IS CULTURE ». PERFORMANCE ORNAMENTAL E AUTORIDADE ENTRE OS BLACK INDIANS DA NOVA ORLEANS

Laure Garrabé. Dra, Prof. Visitante Antropologia, UFSM DAM/UFPE. Colaboradora Maison des Sciences de l’Homme Paris Nord (USR 3258, Axe 1 Thème 5); laure.garrabe@gmail.com

 

This is not performance, this is culture! Eis a resposta que recolhi de um Black Indian ao perguntar se procedia qualquer ritual antes sua performance. Organizados em tribos, os Mardi Gras Indians, brincadeira carnavalesca da Nova Orleans, saem a rua ao ritmo do pandeiro, cantando o próprio prestigio num tom desafiante, “mascarados” de suas indumentárias. Minuciosamente costuradas a mão, inspiradas dos trajes do Índios dos Planaltos, eram tradicionalmente queimadas após um só uso. Se a historiografia aponta como sua origem a criação do Creole Wild West, após a temporada do Buffalo Bill Show em 1884, eles a remetem à homenagem espontânea dos negros quilombolas aos indígenas locais, entre os quais se refugiaram durante a escravatura. A luz da etnografia de suas modalidades de expressão – o desfile e o desafio entre os dois Big Chieves centrado na inclinação de um diante a autoridade e a beleza do outro – a “emergência” vira um instrumento de visibilidade da história escondida dos afro-indígenas e seus descendentes subalternizados.

Com dados apontando uma dialética constante da economia e do dispêndio, analisarei aqui as diversas dimensões dessa visibilização a partir de uma crítica das leituras performance- e cultural-based das expressões simbólicas. Entre “performance ornamental” e a tensão dos discursos authoritative/authorial sempre em jogo, refletirei sobre os movimentos de (des)identificação dos Black Indians com sua sociedade. Poderia revelar o paradoxo inicial segundo o qual, contra todas as aparências, eles não participam aos dispositivos do espetáculo da sociedade política global para reconducir sua memória, mas a despendem.

Palavras-chaves: Mardi Gras Indians; afro-indígenas; performance; reverse, anthropology; decolonialidades.

 

 

AS PROPAGAÇÕES DA GUERRA: CONTRIBUIÇÕES A UMA ANTROPOLOGIA AFROINDÍGENA

 

Luiza Dias Flores. Doutorado - segundo ano. Museu Nacional/PPGAS/UFRJ; ldiasf@gmail.com

 

As tribos carnavalescas Os Comanches e Os Guaianazes são grupos que disputam no carnaval da cidade de Porto Alegre. São índios carnavalescos cuja apresentação na avenida é denominada de guerra. Cada tribo dedica-se o ano inteiro para construir seu carnaval a partir da articulação de elementos que caraterizam como “afro” e “indígena”. É na articulação destes elementos que os índios produzem-se índios e fazem a guerra. O trabalho desenvolvido na minha dissertação é uma etnografia realizada especificamente com a tribo Os Comanches. A intenção neste artigo é rever meus dados etnográficos para apresentar as articulações afroindígenas que constituem a guerra comancheira para então expandir o próprio conceito de guerra para além do carnaval. Em um primeiro momento descrevi a guerra para pensá-la como uma teoria nativa afroindígena, agora pretendo pensar se essa teoria nativa afroindígena pode se constituir enquanto uma espécie de  máquina de guerra no âmbito da teoria antropológica. Que propagações da guerra comancheira podem ser pensadas na produção antropológica sobre o carnaval de Porto Alegre?

 

 

ENCONTROS, DESENCONTROS E REENCONTROS COM E ENTRE SERES ESPIRITUAIS: AS MISAS ESPIRITUALES DE INTEGRANTES DA RED DE ANANSE DA COLÔMBIA

Luis Meza Alvarez

Doutorando PPGAS-MN-UFRJ, Brasil

lgmezaa@gmail.com

 

Nessa proposta de comunicação procuro explorar como na prática religiosa/espiritual e, especialmente, nas misas espirituales realizadas por integrantes da Red de Ananse na Colômbia, são vivenciadas e pensadas as relações entre afros e indígenas e com outros coletivos e seres espirituais. Trata-se de um exercício muito pontual de descrição que se insere numa pesquisa etnográfica em andamento na qual tento traçar os envolvimentos de um grupo de docentes, pesquisadoras, ativistas e mães com variados espaços de ação social (escola, universidade, movimento social afro-colombiano) e seus vínculos com uma espiritualidade afro (afro-cubana e afro-colombiana), como centro de seus posicionamentos ético-políticos. No marco mais geral do que seria o campo das religiões de matriz africana na Colômbia e, especialmente, no que diz respeito às religiões de matriz afro-cubanas (espiritismo cruzado, palo, santería, Ifá, que no caso deste grupo são praticadas em momentos e espaços diferenciados), as misas espirituales permitem explorar etnograficamente reflexões e posicionamentos políticos nativos em torno de noções como sincretismo, mestiçagem, assim como as classificações e os modos de relacionamentos muito concretos com esses “outros” no plano religioso/espiritual, embora definam sua prática religiosa como sendo ioruba.

Palavras-chave: relações com/entre seres espirituais, misas espirituales, religiões de matriz africana na Colômbia, Red de Ananse, etnografia.    

 

 

TUPI GUARANI: ENTRE USOS E EXEGESES PARA NÃO INDÍGENAS

 

Camila Mainardi – Pós-doutoranda, Programa de Pós-graduação em Antropologia Social da Universidade Federal de Goiás, Brasil. Bolsista PNPD-CAPES; mainardi.camila@gmail.com

 

A recorrência da palavra conflito em minhas anotações e suas variações em expressões, como “é muita desunião” e “não têm mais paz”, são o ponto de partida desse ensaio realizado entre as famílias tupi guarani da T.I. Piaçaguera, litoral sul de São Paulo. A cada retorno a campo, contavam-me que “aconteceram muitas mudanças”, elencando, por vezes, para onde tinha ido cada parente. Tal comentário mostra meu interesse em encontrar determinadas pessoas, mas também aponta para o movimento, o incessante descompor e compor coletivos. Vale mencionar que os conflitos – que sintetizam a ideia de ruptura, e consequente reorganização das relações – longe de serem considerados de modo negativo, como um mal degenerador da “sociedade”, são tidos como produtores desta. Tendo isto em vista, interessa-me discutir os usos dos etnônimos. Os Tupi Guarani não aceitaram um nome imposto de fora, por pesquisadores ou outros coletivos indígenas, mas trataram de ensinar aos não indígenas que são Tupi Guarani. São Tupi e Guarani – não uma coisa ou outra – o que desloca o problema de “quem” ou “o que é” Tupi Guarani, para os modos como as categorias são construídas em relação. Além disso, seguindo as reflexões nativas, o etnônimo revela a mistura (Tupi e Guarani) em detrimento da pureza (Tupi ou Guarani), o que entendo como uma tradução para os não indígenas do pensamento ameríndio. “Tupi Guarani” não se enquadra no ideal étnico de unidade coesa, mas indica a junção de dois. O nome expressa antes a multiplicidade do que a unidade.

Palavras-chave: Tupi Guarani, mistura, etnônimos, conflito.

 

 

O “ÍNDIO DO ARAPIUNS” E A FIGURA DE “MIRANDOLINO COBRA GRANDE”: ELEMENTOS ETNOGRÁFICOS EM TORNO DA (CONTRA)MESTIÇAGEM

Leandro Mahalem de Lima. Doutor em Antropologia Social. Professor substituto

DAA-Fafich/UFMG. Pesquisador CEstA/USP.

 

Esta comunicação problematiza elementos etnográficos em torno da (contra)mestiçagem, entre camponeses tradicionais, indígenas e agroextravistas, que habitam o baixo Arapiuns, próximo à sua confluência com rios Tapajós e Amazonas (Santarém, Pará). No contexto da “segunda colonização da Amazônia” (1970s), estas e outras populações da região, passaram a formar comunidades eclesiais e associações políticas intercomunitárias (sindicatos rurais). Nos anos 1990, incorporaram ao mesmo campo de agência política, um sistema formal de tipos socioculturais (indígenas, quilombolas, agroextrativistas) que delineia sistemas correlatos de categorias jurídicas (TIs, RESEXs, PAEs), órgãos estatais (Funai, Incra, INCBio) e associações representativas (conselhos indígenas, federações agroextrativistas, sindicatos rurais) para o acesso a direitos coletivos e difusos como “populações tradicionais”. As reivindicações conformam um complexo mosaico que sobrepõe e justapõe tipos socioculturais e figuras jurídicas destinadas a finalidades análogas. Não raro, as divergências redundam em discussões sobre a exclusividade (ou incompatibilidade) do acesso a direitos como “índio, negro ou branco”, permeado por boatos e acusações de agressões físicas e xamânicas (“fazer para matar”). Em meio a disputas políticas, as teses em antropologia, fundamentais à legitimação do acesso a direitos, acabam por recair em variantes reificadas do relativismo e do universalismo cultural, expressos em falsos dualismos como mestiços vs puros. No contexto do baixo Arapiuns, a comunicação debate sentidos e relações em torno da figura do pajésacaca Mirandolino Cobra Grande, “dono” de um “encante”, que impulsionou a escolha do nome “Cobra Grande” para terra indígena e o conselho indígena que envolvem os Arapium, Jaraqui e Tapajó.

Palavras chave: Amazonia central, Mestiçagem, Etnogênese, Política, Cultura.

 

 

O QUILOMBO CANHAMBOLA E OUTRAS CRIATIVIDADES POLÍTICAS: RESISTÊNCIAS E TRANSFORMAÇÕES AFROINDÍGENAS

 

Suzane de Alencar Vieira. professora da Universidade Federal de Goiás, doutora em antropologia social pelo Museu Nacional da UFRJ; suzanealencar@gmail.com

 

As pessoas da comunidade Quilombo de Malhada, do município baiano de Caetité, concebem a si próprias como uma nação de negro com tapuia. Essa conexão afroindígena do passado é atualizada em um novo agenciamento cosmopolítico, o “quilombo canhambola”, ao longo das lutas de resistência a empreendimentos de exploração energética e mineral no alto sertão da Bahia.  A proposta desta comunicação é deslocar e descentrar, através da teoria etnográfica e da abordagem cosmopolítica, o Estado enquanto modelo político e analítico da "sociedade dos brancos" e paradigma ao qual convencionalmente se recorre para traduzir a política quilombola. Essa nova modalidade de criatividade política quilombola/canhambola se serve não apenas das categorias jurídicas para criar a possibilidade de resistência, mas também de uma cosmopolítica afroindígena. Os conceitos nativos da “pirraça” e da “treta” agenciam, em uma teoria política própria, rivalidade, segmentaridade e recusa ao poder unificado. O agenciamento da “pirraça” recobra o plano simétrico e a reversibilidade do diálogo político e faz proliferar divergências, enquanto que a “treta” sinaliza a recusa ao consenso da representação política e da síntese totalizante das diferenças. A cosmopolítica afroindígena, enquanto um agenciamento minoritário, aponta para outra maneira de lidar com a diferença. Ao invés de submeter os agenciamentos e a forma de enunciação quilombola às categorias da política do Estado, uma abordagem cosmopolítica deixa que essa outra criatividade transforme o modo como concebemos a política. A diferença é tomada como um devir que modifica ou coloca em risco a forma convencional de pensar e fazer política.

Palavras-chave: resistência, comunidades quilombolas, sertão da Bahia (Brasil), cosmopolíticas afroindígenas

 

 

GT 11. MEMÓRIAS E PATRIMONIALIZAÇÕES: ANÁLISES DOS BENS CULTURAIS AFRICANOS E AFRO-DESCENDENTES NA AMERICA LATINA

Coordinadores:

Sandra Pelegrini. Univ. Estadual do Maringá/Brasil. sandrapelegrini@yahoo.com.br

Ana Cristina de Souza Mandarino. Univ. Estadual de Santa Cruz/Brasil. anamandarino@gmail.com

Javier Tobar. Universidad del Cauca, Popayan/Colombia. javo@unicauca.edu.co

Comentarista: Estélio Gomberg. Univ. Estadual de Santa Cruz/Brasil. estelio68@gmail.com

 

 

Sessão1 Melodias e Performances em Pauta

 

 

MARACATUS NAÇÃO EM PROCESSO DE PATRIMONIALIZAÇÃO: IDENTIDADES EM DISPUTA

Anna Beatriz Zanine Koslinski. Doutoranda do Programa de Posgrado en Ciéncias Antropológicas de la Universidad Autónoma Metropolitana (UAM), México, DF; abzk82@gmail.com

 

Após anos de invisibilização e previsões de intelectuais de que estariam fadados ao desparecimento, os maracatus nação enfrentaram adversidades mantendo-se ativos até os dias de hoje. Atualmente, Pernambuco conta com pelo menos 27 nações de maracatu, além de um grande número de grupos culturais compostos por jovens de classe média, brancos em sua maioria que reproduzem o ritmo e a dança dos maracatus, num formato de grupo parafolclórico. O surgimento desses grupos, também conhecidos por grupos percussivos, se inserem num contexto de valorização da referida forma de expressão, bem como o processo de patrimonialização dos maracatus nação que se iniciou em 2011 por meio de um Inventário Nacional de Referências Culturais (INRC) e que se encerrou em dezembro de 2014, quando o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) concederam-lhe o título de Patrimônio Imaterial. Nesse contexto de valorização, muito favorecido também pelo mercado cultural, surgem também disputas identitárias e questões éticas relativas à apropriação que brancos realizam sobre a cultura negra. O processo de inventário revelou-se como cenário para essa disputa, já que grupos percussivos reivindicavam para si a identidade de maracatu nação e o direito de serem favorecidos pelo título de patrimônio e políticas de salvaguarda. A partir do exposto, o presente trabalho pretende analisar as disputas identitárias existentes entre os maracatus nação e os grupos percussivos utilizando o processo do inventário dos maracatus como pano de fundo para a questão, considerando também as dicotomias entre as noções de local, nacional e global dentro dessa disputa.

Palavras-chave: maracatus nação – patrimônio imaterial – identidade – mercado cultural – globalização.

 

 

AS CONTRIBUIÇÕES DE OSCAR DA PENHA (O BATATINHA) PARA O SAMBA BAIANO

Oyama dos Santos Lopes. Programa de Pós-Graduação em Crítica Cultural/UNEB (Universidade Estadual da Bahia; oyama.lopes@yahoo.com.br/ oyama.lopes@educacao.ba.gov.br

 

No século XX, o samba baiano teve em Batatinha, Oscar da Penha, um dos seus maiores poetas e compositores.  Autor de mais de 100 canções, muitas destas nunca foram gravadas. Batatinha tinha um jeito singular de compor, uma vez que lhe bastava uma caixa de fósforos para que elaborasse letras muito inspiradas, repletas de sentimentos e ironia. Este artigo pretendeincluir e analisar a contribuição do cantor e compositor baiano Oscar da Penha, levando-se em consideração os principais aspectos de sua obra, contribuinte direto para a música e cultura baiano-brasileira além de também poder analisar a afirmação identitária do indivíduo e/ou do sujeito coletivo negro e pobre nas letras das suas canções. Além disso, o gênero musical samba receberá um importante enfoque, de modo a compreender de que forma a trajetória social e histórica deste gênero musical e suas características distintas influenciaram a vida, a obra e a identidade artística de Batatinha.

Palavras Chaves: Samba – Bahia – Batatinha – Música.

 

 

A CONTRIBUIÇÃO DO CONCEITO DE MEMÓRIA COLETIVA DE HALBWACHS PARA A MÚSICA E A MEMÓRIA NO BATUQUE DA COMUNIDADE DE PONTO CHIQUE

Pâmilla Vilas Boas Costa Ribeiro. Mestranda em  Antropologia pela Universidade Federal de Minas Gerais; pamillaribeiro@gmail.com

 

No cerne das representações coletivas, Durkheim marca uma passagem das teorias apriorísticas para uma sociologia pautada pela importância da coletividade. Sua inegável influência reverbera até hoje nos estudos sociológicos e, desde a época de sua intensa produção, foi transformando o pensamento de diferentes teóricos. Um deles, Maurice Halbwachs, cunhou o termo memória coletiva a partir dos conceitos durkheimianos das representações coletivas. Compreender a memória produzida na coletividade, e a difusão e perpetuação dessas categorias pelos indivíduos, também marcou um passo importante nos estudos da memória. Memória essa que se transfere pela música e pelo ritmo em diferentes grupos sociais como o batuque da comunidade de Ponto Chique, cidade ribeirinha do rio São Francisco, situada no norte de Minas Gerais. Nesse sentido, o artigo pretende discutir a importância do pensamento de Durkheim na obra de Halbwachs e como essa ideia de uma memória coletiva nos ajuda a compreender manifestações sociais   que ressignificam a tradição pela música, como no caso do batuque da comunidade de Ponto Chique. Para Halbwachs, é o ritmo que desempenha o papel principal em nossa memória. O ritmo não existe na natureza, ele é um produto da vida em sociedade. O ritmo no batuque  de Ponto Chique, manifestação com origem na diáspora africana, é dado pelo grupo no momento da roda. Batem as caixas, puxam o roncolho, o homem chama o canto e as mulheres respondem, dançam e batem o ombro-a-ombro. Todas essas relações são eternizadas e perpassam o momento do batuque, ou seja, para além das palavras, é o ritmo que produz novas significações sobre os acontecimentos.

Palavras Chave: batuque, memória coletiva, transmissão de memória, música, diáspora.

 

 

SAMBA DE TERREIRO: MEMÓRIA, MÚSICA E RELIGIÃO NO SUL DA BAHIA, BRASIL

André Luiz Rosa Ribeiro. Professor Titular Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC (Brasil) andre.5@bol.com.br

 

A pesquisa buscou identificar e divulgar um conjunto de musicas e ritmos de sambas tradicionais característicos de cerimônias religiosas e festivas nas comunidades dos mais tradicionais terreiros do Território Litoral Sul da Bahia, a saber: Matamba Tombenci Neto, Ilê Axé Guaniá de Oiá, Terreiro de Luando, em Ilhéus e Ilê Axé Oiá Funké, em Itabuna. Os roteiros das entrevistas foram elaborados com a participação efetiva dos membros das comunidades citadas com o objetivo de construir coletivamente uma abordagem da identidade afro-brasileira pela música, entendida como elemento fundamental de resistência e de memória do povo negro. É muito forte a influência da música negra no Sul da Bahia, historicamente definida pela presença de povos africanos e dos seus descendentes desde o período colonial. Dentro deste panorama destaca-se a presença marcante do samba de terreiro (também conhecido como samba de roda) nas comunidades religiosas de matriz afro-brasileira e nas atuações dos mestres da cultura popular. O Sul da Bahia recebeu todas essas influências vindas das comunidades de povos de terreiro, especialmente de origem banto. Influências incorporadas culturalmente em seu dia-a-dia, como forma de expressão e filosofia de vida nas rodas de capoeiras, nas cerimônias festivas dos templos religiosos de matriz afro-brasileira.

 

 

PATRIMONIALIZAÇAO E RECONHECIMENTO ÉTNICO: O CASO DE UM GRUPO DE CAMPONESES QUE FAZEM MÚSICA PATIA – CAUCA – COLOMBIA

Janeth A. Cabrera Bravo. Doutoranda em Antropologia Social. Universidade de Brasília

janethcabrera05@gmail.com

O objetivo deste artigo é refletir sobre os processos pelos quais o patrimônio cultural imaterial -PCI- no marco das “políticas de patrimônio” estruturam e veiculam reconhecimentos étnicos. Me proponho explorar o campo discursivo de tais políticas desde a problematização dos processos de patrimonialização das expressões musicais das populações negras na Colômbia, particularmente no caso das agrupações presentes no vale interandino do Patía (Cauca – Colômbia), conhecidos sob o genérico de “violinos caucanos” ou “violinos de negros”, eles interpretam ritmos de denominações regionais, relacionados com festividades, santos padroeiros, cerimônias fúnebres e, mais recentemente, em eventos exclusivos para a exibição artística. A partir desse contexto etnográfico tentarei rastrear as dimensões praticas das politicas de patrimônio e a forma como elas se articulam com distintos processos sociais. Ressaltando que a noção de patrimônio cultural surge em um contorno semântico moderno no qual as políticas públicas têm acionado o sentido de nação e, atualmente, destacado a ideia de diversidade ou de nação multicultural. Este trabalho procura explorar como estes processos legitimadores potencializam negociações de sentido e de identidade étnica. Palavras-chaves: patrimônio cultural, musica, reconhecimento, etnicidade.

 

 

Do patrimônio às construções identitárias: As práticas e AS festividades das Irmandades dos Homens Petros em São Paulo (Brasil)

Sandra de Cássia Araújo Pelegrini, Doutora em História pela Universidade de São Paulo/USP e docente da Universidade Estadual de Maringá/ UEM/PR; sandrapelegrini@yahoo.com.br

 

O estudo da construção identitária dos afrodescendentes no Brasil implica a percepção dos espaços onde se desenvolveram suas representações do mundo e o fortalecimento de suas redes de sociabilidade que se instituem em várias instâncias, inclusive nas irmandades religiosas emergentes nos séculos XVIII e XIX. Entende-se, portanto, que a apreensão das práticas cotidianas dessa instituições pode contribuir para a compreensão das trocas e traduções realizadas entre as culturas africanas e o catolicismo praticado nas colônias portuguesas. No Brasil, as confrarias de homens pretos dedicadas ao tributo a Nossa Senhora do Rosário continuam em evidência entre as festividades celebradas em parte significativa do território nacional. Elas cresceram e foram apoiadas pela Igreja e pelos senhores de escravos até a Abolição da Escravatura, proclamada pela Leia Áurea, em 13 de maio de 1888, mas para que se institucionalizassem foram necessários enfrentamentos e negociações capazes de contemplar os interesses de todos os envolvidos. A análise de atas, relatos e registros de memorialistas, embasados nos aportes da História Cultural nos permite pensar o patrimônio paulista e investigar as fronteiras fluídas do universo social que envolveu a edificação de templos dedicados a Nossa Senhora do Rosário e as celebrações realizadas em sua reverência na cidade de São Paulo, Brasil.

Palavras-chave: Patrimônio Afro-brasileiro, Cultura material e imaterial, celebrações.

 

LAMBE SUJOS E CABOCLINHOS : DA FESTA COMO PERFORMANCE E CONTRADIÇÃO SOCIAL

Vanessa Regina dos Santos. Mestranda pelo Programa de Antropologia da Universidade Federal de Sergipe; vanessajun@ig.com.br

A festa conhecida como “teatro a céu aberto” tem como cenário as ruas da cidade de Laranjeiras, uma pequena cidade localizada no interior do Estado de Sergipe em que sua historia social foi construída por conflitos sociais dos três grupos: branco, negro e o índio, seu nome é Festa dos Lambe sujos contra os Caboclinhos. A luta apresentada teatralmente é a saga do negro em busca de liberdade, fugidos das fazendas de cana de açúcar, constroem seus refúgios nas matas e são caçados e capturados pelos índios.

O presente trabalho tem como objetivo assinalar a contribuição das principais teorias sobre festa que compreende ritos, mitos e performance, destacando os nomes de Émile Durkheim, Victor Turner, Van Gennep, Mariza Peirano e Richard Schechener entre outros autores. Primeiro fazer uma descrição etnográfica do enredo para pontuar as diversas composições que o conceito Festa esta inserido, como a ideia de quebra de rotina, uma desordem consciente e a representação dos papeis ali apresentados, ou seja, toda a ação performática segue uma logica social, perpassa além dos muros do teatro já que possui sentido e sua fundamentação é legitimada pelo momento festa.

O diálogo apresentado entre a teoria da performance e festa enaltece durante o evento dramas e as contradições sociais no sentido de se festejar a própria derrota  (lambe sujos) embasada pelo contexto , mas tomam destaque pela euforia , pela efervescência coletiva , apontam para outra ótica , a da identidade , reluzem a memoria coletiva Laranjeirensse na busca de solidificar através da patrimonialização e é pelos gestos, pelas músicas , pela roupa e demais símbolos que se observa a historia social da cidade.

Palavras-Chave: Festa, Mito/ Rito, Teatro, Performance , Dramas Sociais.

 

 

Sessão 02 – Atenções Múltiplas sobre Patrimônios

 

 

KIT DE LITERATURA AFRO-BRASILEIRA E O COMBATE AO RACISMO NA EDUCAÇÃO BÁSICA EM BELO HORIZONTE 

 

Aiano Bemfica Mineiro, Elisa Hipólito do Espírito Santo, Nathalie do Carmo Carvalho. 

Estudiantes de antropología social en Universidade Federal de Minas Gerais, Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, Minas Gerais, Brasil; aiano.bemfica@gmail.com; elisa_hipolito@hotmail.com; nathalie-carvalho@live.com 

 

En 2003 fue promulgada la ley 10.630/03 que incluye, en carácter obligatorio, la enseñanza de Historia y Cultura Africana y Afro-brasilera en la educación básica nacional. Para el cumplimento de dicha ley, la municipalidad de Belo Horizonte (MG) creó el Kit de Literatura Afro-Brasilera. Estudios de los impactos generados por la adopción de tal Kit por las escuelas son importantes para la mejor comprensión de las contingencias experimentadas por los estudiantes negros y para enfatizar la constante necesidad de actualización de las políticas públicas. Nuestros objetivos son discutir en qué medida las obras elegidas para componer ese material realizan lo previsto por la ley y si hay, efectivamente, una inclusión del debate sobre raza y rotura de prejuicios naturalizados; cuestionar los criterios de selección de los textos; interrogar si la escuela se encuentra preparada para ese trabajo sin reproducir racismos institucionales; cómo el joven negro puede romper con el sentimiento de exclusión para tornarse sujeto conocedor y admirador de su cultura e historia. Anhelamos un futuro fin de las privaciones y perjuicios sufridos por la población negra brasilera, principalmente los niños. Este proyecto se configura por medio de investigaciones y acciones de intervención cualitativas y cuantitativas. Fueron desarrolladas acciones efectivas como el análisis de libros inseridos en el kit y entrevistas con profesionales que con él trabajan. Sin embargo, planeamos nuevas acciones que se realizarán hasta la mitad del semestre, con la producción de ciclos de conversaciones, talleres de dibujo y fotografía, entrevistas a estudiantes negros e intervenciones institucionales. 

Palabras clave:juventud, raza, educación, emponderamiento, literatura.

 

 

ACERVO DA ESCRITORA MARIA CAROLINA DE JESUS: MEMÓRIAS E ESCRITAS

Flávia Silvestre Oliveira - graduada em História e Mestre em Ciência da Informação pela UFMG

Maristela Martiniano - mestranda em Ciência da Informação pela UFMG

 

O arquivo da escritora Maria Carolina de Jesus foi recebido pelo Acervo dos Escritores Mineiros em 2014, ano do centenário de seu nascimento. O acervo foi doado doados pelo historiador paulista José Carlos Sebe Bom Meihy, um dos maiores conhecedores da literatura “caroliana” e, até então, responsável pela guarda de todo o material, que já se encontrava microfilmado. Sua obra mais conhecida, Quarto de Despejo, trata-se de um diário onde Carolina de Jesus narra a vivência de uma mulher negra, pobre, solteira em uma favela paulista. A preservação de seu arquivo no Acervo dos Escritores Mineiros é bastante representativo já que é então o único acervo de uma mulher com tais características. Diante da representatividade desse acervo para preservação de histórias e também da memória desse grupo marginalizado, o qual a escritora se inseria, é que objetivamos apresentar seu acervo, identificando o processo de acumulação e guarda nesse espaço, que não apresenta apenas como um lugar de memória, mas também de manutenção da cultura hegemônica.

 

 

RESCATE DE PETROGLIFOS EN SAN VICENTE Y LAS GRANADINAS. PATRIMONIO, AGENCIA Y MEMORIA EN UN TERRITORIO DE DISPUTA ENTRE LO GARÍFUNA Y LA SOCIEDAD COLONIAL

 

Mónica Berón. CONICET, Museo Etnográfico “Juan B. Ambrosetti”, Univesidad de Buenos Aires y Universidad del Centro de la provincia de Buenos Aires, INCUAPA- CONICET, FLACSO; monberon@retina.ar; monberon56@yahoo.com.ar

 

En el marco de un convenio de Cooperación Internacional entre la República Argentina y San Vicente y las Granadinas (Antillas Menores), correspondiente al Programa FO-AR del Ministerio de Relaciones Exteriores y Culto de la República Argentina, denominado “Cooperación en la investigación y Preservación del Patrimonio Arqueológico”, se rescató durante mayo y junio de 2014 un conjunto de petroglifos en un sitio patrimonial, denominado Yambou 1. Ello constituyó la última etapa de  una serie de acciones destinadas a la recuperación del patrimonio cultural en riesgo de pérdida total, a raíz de la construcción de un aeropuerto internacional  (Argyle Airport) en la isla de San Vicente.  El organismo local que ampara estas acciones es el SVG National Trust. Dicho patrimonio pertenece a las antiguas poblaciones de las Antillas Menores, tanto los Black Caribs como los Garífuna, surgidos estos últimos de la etnogénesis con esclavos africanos de la Costa de Marfil.

Para el rescate de los bloques con imágenes grabadas se desarrolló una estrategia adaptada al caso y en la cual actuó un grupo de  geólogos bajo la coordinación de la arqueóloga a cargo del proyecto, que firma este resumen. Como continuación de estas acciones se están desarrollando tareas museográficas, de investigación- acción y de conservación que aportan a la puesta en valor de este patrimonio.

En esta presentación se detallarán las etapas y estrategias del rescate y se discutirán los usos actuales de dichas manifestaciones, su valoración y puesta en uso público y participativo.   

Palabras claves:, rescate de petroglifos, San Vicente y las Granadinas, cooperación internacional, garífunas.

 

 

DE DETENTORES DE SABER A SUJEITOS COLETIVOS AFROBRASILEIROS

Caio Csermak. Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade de São Paulo. Orientação: Profª. Drª. Manuela Carneiro da Cunha; caio.csermak@gmail.com

 

O presente trabalho tem por objetivo discutir a ativação e/ou constituição de sujeitos coletivos afrobrasileiros em contextos de execução de políticas de patrimônio cultural imaterial, tendo como referências os casos do samba de roda do Recôncavo Baiano e dos congados de Minas Gerais e São Paulo. Deste modo, busco dialogar com a literatura antropológica que se debruça sobre processos de autoconstituição e ressurgimento étnico para pensar como sujeitos coletivos que compõem o universo de atores denominados como detentores de saber pelo IPHAN – como associações, grupos de cultura popular e comunidades tradicionais – têm se colocado em relação ao Estado e a academia em processos de canalização de demandas sociais, religiosas e étnicas para o campo das políticas culturais. Partindo da compreensão de que a cultura não se confunde com a etnicidade, mas que entra de modo essencial nesta, discuto como a etnicidade opera tal qual uma linguagem na medida em que traços diacríticos são capazes de criar contrastes e singularidades em processos de execução de políticas de registro, inventário e salvaguarda de bens imateriais afrobrasileiros. Por fim, elaboro uma compreensão teórica de tais processos que não se reduz a visão de que tais sujeitos coletivos são criados pela ação do Estado ou de que apresentam uma reação utilitarista a este, mas sim de que o universo de execução de tais políticas pode ativar e reconfigurar sujeitos coletivos que mobilizam elementos territoriais e étnicos para a ação social, enfatizando tanto um passado como um destino comuns.

Palavras-chave: Samba de Roda; Congado; Autoconstituição étnica; Patrimônio cultural imaterial.

 

 

MARCAS CULTURAIS E IDENTIDADE ETNICORRACIAL REPRESENTADA NAS NARRATIVAS ORAIS DA COMUNIDADE QUILOMBOLA DE VOLTA GRANDE

Carlene Vieira Dourado, Mestranda em Crítica Cultural - UNEB/Campus II,  karlenedourado10@hotmail.com

 

O presente estudo, em fase de desenvolvimento tem como objetivo identificar as representações sociais, as marcas culturais e a identidade etnicorracial representada nas narrativas orais da Comunidade Quilombola de Volta Grande, município de Barro Alto-Ba. A coleta de dados ocorre através do registro das narrativas orais, observação participante e prática da história oral.  No que tange a fundamentação teórica, estão sendo feitas revisões bibliográficas sobre o conceito de cultura, identidade, memória, comunidades quilombolas, raça e etnicidade. Para a complementação do arcabouço teórico, a pesquisa teve como base o estudo da literatura voltada para a oralidade, uma vez que o corpus deste trabalho está focado na valorização da memória e o método para a realização deste é a história oral e sua técnica da entrevista. Espera-se, assim, identificar, mapear e analisar as marcas culturais da comunidade, bem como contribuir para a visibilidade e valorização da memória quilombola.

Palavras-chave: Comunidade quilombola; Narrativas orais; Memória; Identidade étnico-racial.

 

 

MEMÓRIAS AFRO-BRASILEIRAS NO ESTADO DO PARANÁ: AS PRÁTICAS DE VIDA DA COMUNIDADE QUILOMBOLA PAIOL TELHA

 

Delton Aparecido Felipe

 

Discutir memórias afro-brasileira implica em entender que as práticas de vida da população negra estiveram em processo de conflito com o projeto nacional brasileiro no decorrer do século XX. Os territórios tradicionais além de assegurar a sobrevivência dos povos e comunidades quilombolas constituem a base para a produção e a reprodução do seu patrimônio cultural. Na Comunidade Quilombola Paiol de Telha no centro sul do estado do Paraná-Brasil, os saberes e as práticas são transmitidos de geração a geração e envolvem um acúmulo de conhecimentos sobre os modos de vida dos descendentes de homens e de mulheres escravizados. Em seus diversos núcleos, a Comunidade resguardar suas tradições, que consiste na necessidade de registrar a sua memória por meio de suas histórias, saberes e fazeres. Ao analisarmos as suas práticas percebemos que os processos de sociabilidade que organizam a identidade desse grupo têm ultrapassado as fronteiras espaciais no qual está inserido e vem sendo gradualmente construída mediante dos novos elos que a comunidade agrega. Concluímos que a memória é o fio condutor que nos leva a entender o território quilombola da “Comunidade Paiol de Telha” como Patrimônio cultural negro no Paraná.

Palavras-chave: Memórias afro-brasileira; Patrimônio cultural; Práticas de vida; Saberes e fazeres; Comunidade Paiol de Telha.

 

 

 

 

A LUTA PELO FORTALECIMENTO DA IDENTIDADE QUILOMBOLA NO POVOADO MESQUITA

Luana Luizy Rodrigues Santos. Tema de tese de Conclusão de Curso (TCC), para bacharel em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), em 2°/2014; luanaluizy@gmail.com

Mesmo não sendo assumida devidamente pelo Estado, a situação precária dos territórios descendentes e quilombos e os diferentes sítios de matriz africana de resistência constituem uma das questões estruturais da sociedade brasileira. Os territórios quilombolas estão inseridos no bojo das comunidades tradicionais brasileiras e são grupos de grande relevância para a configuração da identidade nacional.

A quase 40 km de Brasília existe um quilombo, o Mesquita. A comunidade é formada por ex-escravos trazidos na época da mineração na antiga Santa Luzia, hoje Luziânia, em Goiás. É a comunidade quilombola mais próxima da capital. A proximidade dos poderes públicos locais e nacionais não garante necessariamente a efetivação das políticas para preservação dos modos de vida dos quilombolas, que sofrem na luta pela manutenção de suas tradições culturais e território, cada vez mais ameaçados pela expansão urbana que se iniciou com a construção da nova capital e que se intensifica com a especulação imobiliária que todo o Distrito Federal e Entorno enfrentam.

São os quilombolas responsáveis pela preservação de uma área de cerrado nativo presente na área reivindicada para demarcação. Nesta área preservam a flora local, contribuindo, consequentemente, para a preservação da fauna, das águas da região e também de seus costumes e tradições.

Existe hoje uma exclusão das matrizes africanas como formadoras do Brasil, o que prejudica o fortalecimento da identidade nacional. O artigo enfoca a luta pelo fortalecimento da identidade quilombola no povoado Mesquita, com enfoque na história e tradições que ainda preservam e os principais desafios que enfrentam.

Palavras-chave: quilombo; resistência negra; ancestralidade; território; identidade.

 

 

A INTERNET E OS USOS DE VEGETAIS NA RELIGIÃO CANDOMBLÉ: TENSÕES E PRESERVAÇÕES PATRIMONIAIS

 

Clarice Moreira Portugal. Doutoranda de Saúde Coletiva, Universidade Federal da Bahia/Brasil; clariceportugal@gmail.com

Estelio Gomberg. Professor Adjunto II da Universidade Estadual de Santa Cruz, Bahia/Brasi, Pós-Doutor em Ciências Sociais, Universidade Federal da Bahia/Brasil; estelio68@gmail.com

 

As transmissões dos saberes no Candomblé são estruturadas eminentemente na oralidade e nas vivências formais e informais e entre as ações estruturantes desta religião, registram-se os usos de vegetais como elementos de preservações religiosas e terapêuticas. Em tempos contemporâneos, estes espaços religiosos defrontam-se com diversos dilemas e desafios na sua manutenção, entre eles, a busca do equilíbrio entre a tensão da tradição e a modernidade. Como manter as tradições, valores do grupo e uma organização social que se estrutura na hierarquia religiosa, especialmente, no awo (segredo) dos saberes e das práticas e, conjuntamente, dialogar com a sociedade mais ampla em diversas instâncias sociais? Uma das formas deste diálogosão espaços virtuais referentes a vegetais desta religião e colocando em debate a relação entre a tensão apontada, ou seja, quais as informações que podem ser codificadas nesta linguagem visto que os conteúdos do Candomblé são eminentemente transmitidos oralmente e vivenciais; quais elementos e saberes tradicionais deste poderão estar acessíveis em um veículo público e a sujeitos diversificados? É interessante apreender as estratégias concebidas por estes veículos na disseminação destes saberes, diálogos com diversos espaços das cidades e interesses de ratificações do status patrimonial nas ações de fitoterapia nesta religião.

 

 

Sessão 03 Coleções e Preservações

 

ACERVO E MEMÓRIA AFROPERNAMBUCANA

 

Maria Elisabete Arruda de Assis. Diretora Museu da Abolição/Ibram/Minc / Doutora em Antropologia (UFPE) maria.elisabete@uol.com.br/flavel@uol.com.br

 

Este trabalho examina dois acervos musealizados, um do Centro Cultural São Paulo e outro do Museu do Estado de Pernambuco, os quais foram produzidos a partir da perseguição aos cultos de matriz africana ocorrida em Pernambuco, nordeste do Brasil, durante os anos 1930. Ambos os acervos fazem parte do mesmo período e contexto histórico, todavia, parte dele foi salvaguardado pela Missão Folclórica Mário de Andrade, que esteve em Pernambuco em 1938, e passou a fazer parte de um conjunto maior de objetos coletados pela Missão.

Esta análise compreende a formação deste acervo, sua forma de salvaguarda, e a inacessibilidade dos herdeiros destes terreiros que foram violados e tiveram seus objetos de culto apreendidos. O acervo sob a guarda do Centro Cultura São Paulo, em especial, em virtude da distância geográfica que o separa do povo de terreiro pernambucano, é exemplar para pensar ou repensar a forma de salvaguarda, que prioriza os objetos em detrimentos da sociedade que lhes tem interesse e aproximação simbólica e afetiva. Obviamente que não se ignora, nem se despreza o valor da salvaguarda. A questão a ser considerada diz respeito à acessibilidade aos objetos salvaguardados, pela sociedade como um todo, e, em particular, às comunidades que foram vítimas de violência física e simbólica a partir da qual acervos e coleções foram formados. Isto se torna mais significativo quando esta violência foi praticada pelo próprio Estado Brasileiro.

Palavras chaves: patrimonio, museu, memória, cultura afrobrasileira, religião afrobrasileira.

 

ROUPAS DE AXÉ: A COLEÇÃO DE INDUMENTÁRIAS LITÚRGICAS DO MUSEU AFRO-BRASILEIRO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA

 

Daisy Conceição Santos. Possui graduação em Museologia pela Universidade Federal da Bahia (2009), Especialização em Arte e Patrimônio Cultural pela Faculdade São Bento da Bahia (2010) e Mestrado em Estudos Étnicos e Africanos pelo Pós-Afro/ Universidade Federal da Bahia (2014). Atualmente é aluna do Doutorado em Antropologia da Universidade Federal de Pernambuco (ingresso turma 2015) e funcionária do Instituto Brasileiro de Museus, trabalhando no Museu da Abolição. Tem experiência na área de Museologia, como profissional atuante na área, e como pesquisadora de cultura material afro-religiosa; daisy.santos@museus.gov.br; daisysantos1716@gmail.com

 

O presente trabalho é parte resultante da pesquisa de mestrado realizada em 2014, com o objetivo de analisar dezesseis peças do acervo de indumentária afro-religiosa do Museu Afro-Brasileiro da Universidade Federal da Bahia (MAFRO/UFBA). Buscou-se entender a indumentária afro-religiosa como partícipe de uma memória coletiva. A doação de peças relacionadas a orixás, voduns, e inquices – assim como vestes pertencentes a sacerdotisas de conhecimento notório no culto afro-religioso baiano – ao MAFRO/UFBA, feita por terreiros de Candomblé conhecidos enquanto “tradicionais” na cidade de Salvador e na região do Recôncavo Baiano, foi analisada e entendida como resultado de um diálogo estabelecido entre a instituição museal com a comunidade de terreiro (como assim são conhecidos os adeptos do candomblé). No entanto, as peças doadas demonstram além do apoio da comunidade afro-religiosa à instituição (valorizando a memória material dessas comunidades), também demonstra o discurso de valorização e preservação da instituição MAFRO/UFBA no seu período de idealização e inauguração (em 1982) que, não por acaso, coincide com as datas de doação do acervo de indumentárias analisado.

Deste modo, a pesquisa demonstra que o discurso preservacionista ocorre a partir das indumentárias afro-religiosas (roupas de axé) em duas vidas, comunidade e museu. Trata-se de um acervo que já adentra a instituição museal, não no sentindo de fetiche e/ou folclore como algumas coleções anteriores relacionadas à questão; as indumentárias saem dos terreiros em direção ao MAFRO/UFBA já com a necessidade e intuito de preservação e valorização, entendo-as assim como agente do patrimônio cultural afro-religioso.

Palavras-chave: Museu Afro-Brasileiro, memória, indumentária, candomblé, patrimônio.

 

 

“SALVAGUARDAR O QUE NOS MESTRES SEMPRE SALVAGUARDAMOS”: AS POLÍTICAS PÚBLICAS NA GINGA DA CAPOEIRA

                                                                                                 Geslline Giovana Braga

                                                                                              Doutoranda USP – Universidade de São Paulo

 

A Capoeira recebeu o duplo de registo como manifestação e saber, tornando patrimônio cultural imaterial do Brasil a Roda de Capoeira e o Ofício de Mestres,  registrados em 2008, num processo que iniciou-se 2004. Desde então, os “rituais de patrimonialização” deste bem afro-brasileiro, apresentam “dramas” que traduzem as tensões entre as dinâmicas das manifestações culturais - caracterizadas por sua iminência - e as políticas públicas culturais de patrimônio, com a finalidade de eximinência. O presente artigo pretende compreender o conceito de patrimônio dos capoeiristas e como este impõem ao estado - tanto no processo de registro quanto na execução da salvaguarda - a flexibilização das políticas das políticas públicas,  que pode ser compreendida de forma análoga a ginga, movimento característico da prática, que garante graça ao jogo/arte/luta, a torna multidimensional e transforma o golpe em esquiva.               

Palavras-chave: Capoeira, Patrimônio Imaterial, Cultura Afro-brasileira, Registro e Salvaguarda

 

 

A REDUÇÃO DE SENTIDO E OS PROCESSOS DE OBJETIFICAÇÃO DE INSTITUIÇÕES CULTURAIS NO ECÚMENO ATLÂNTICO (BRASIL, CABO VERDE E GUINÉ-BISSAU)

Wilson Trajano Filho

Universidade de Brasilia

 

A patrimonialização dos bens culturais implica um processo de escolha, seleção e redução do significado a eles atribuído. O Estado e suas instituições são atores centrais nesse desenrolar. Dada a sua lógica operacional, que trabalha no sentido de produzir definições de natureza normativa, suas escolhas podem parecer arbitrárias e alienantes. Por envolver seleção (dos significados dados aos artefatos, de uma versão dentre tantas outras da história ou memória do grupo), a patrimonialização opera no sentido de reconfigurar as tradições e é parte da dinâmica da cultura política das sociedades nacionais. Assim, mais do que alienação ou seleção arbitrária, a objetificação dos bens culturais é uma evidência de sua apropriação por parte dos atores sociais envolvidos no debate da política cultural de um modo tão transformado que raramente se mantêm os sentidos “originais” dados pelas comunidades ao bem cultural no decorrer do processo de patrimonialização.

Pelo exame dos processos de pré-patrimonialização (que atecedem as candidaturas formais e institucionais aos diplomas de patrimônio cultural) de um bem cultural da Guiné-Bissau (as manjuandadis), de Cabo Verde (as tabancas) e da patrimonialização do samba de roda do recôncavo baiano, pretendo mostrar o processo de redução semântica que transforma essas instituições totais de solidariedade, reciprocidade e convivialidade em ícones das culturas nacionais e em gêneros musicais.

 

 

COLEÇÃO ETNOGRÁFICA AFRO-RELIGIOSA DA UFPA: A MEMÓRIA DO POVO DE SANTO

Alessandro Ricardo Pinto Campos – doutorando pelo Programa de pós-graduação em Sociologia e Antropologia, Universidade Federal do Pará; ricardocamps@yahoo.com.br

 

O acervo da Reserva Técnica do Laboratório de Antropologia Arthur Napoleão Figueiredo - LAANF/UFPA - é uma imensa coleção formada por objetos que foram coletados durante pesquisas realizadas por antropólogos desta instituição, a partir da década de 1960. A formação deste acervo se confunde com a formação da própria Antropologia na Universidade Federal do Pará. A coleção etnográfica População Urbana/Cultos Afro-Brasileiros, que faz parte deste acervo, possui 629 peças coletadas pelos pesquisadores Arthur Napoleão Figueiredo e Anaíza Vergolino Silva em diversos terreiros de Tambor de Mina, em Belém, que inauguram os estudos acerca da religiosidade afro-brasileira pela antropologia no estado do Pará. Durante décadas depositadas na referida reserva e com acesso restrito, os tambores, guias, imagens e indumentárias, peças de incalculável valor simbólico e cultural, contam a história do povo de santo da cidade. Somam a esse acervo uma vasta coleção de fotografias da época, de pesquisas de campo, rituais, casas de santo, pais, mães e filhos de santo.  “Nossa memória está guardada aí”, disse certa vez, uma famosa mãe de santo, se referindo às peças do acervo e às pesquisas feitas por Arthur Napoleão e Anaíza Vergolino, muito queridos e respeitados. Este artigo trata das pesquisas, coleta e formação desta coleção, bem como das inquietações e a dificuldades em tornar público o acesso a tais peças.

Palavras-chave: Reserva Técnica da UFPA, Cultura Material, Religiosidade Afro-brasileira, Tambor de Mina, Patrimonialização.

 

 

DAS SENZALAS AOS MUSEUS: MEMÓRIA E PATRIMONIALIZAÇÃO DA ARTE AFRO-BRASILEIRA

Hélio Santos Menezes Neto. Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade de São Paulo (PPGAS-USP); mestrado; heliosmenezes@gmail.com

 

Este trabalho versa sobre o tema inconstante da categoria afro-brasileira, simultaneamente aplicada a populações e obras de arte, e atrelada à constituição e processos de diferenciação das identidades negras no Brasil. Nosso objetivo é refletir de que modo se desenvolve(u) a patrimonialização da arte afro-brasileira, apontando para as contradições de sua capacidade classificatória no interior de uma sociedade pluriétnica como a nossa e para os circuitos de sua produção, recepção e transmissão. Destarte, tomaremos o Museu Afro-Brasil (MAB-SP), a partir das exposições que o antecederam e lhe deram corpo (e.g. A Mão Afro-brasileira, 1998; Vozes da Diáspora, 1993; Negro de corpo e alma, 2000, entre outras), como espaço privilegiado de análise etnográfica.

Seu enfoque se realiza em duas dimensões complementares: dos caminhos dessa arte, tomada por diferentes objetivos políticos como discurso de fronteira estético-identitária, e de como o MAB, na medida em que se propõe um espaço de memória para (segundo sua própria descrição) “registrar, preservar e argumentar a partir do olhar e da experiência do negro a formação da identidade brasileira”, encaminha para uma reflexão necessária sobre mestiçagem e racismo, questionando a já surrada perspectiva de sujeição/assimilação/aculturamento dos afrodescendentes às estruturas socioculturais dominantes, para pôr em relevo sua capacidade de agenciamento e criatividade como colonizadores ativos, ainda que silencioso(-ado)s, do país da “democracia racial”. Subjaz ao entendimento geral do estudo a existência de uma relação incerta, porém constante, entre os domínios da especificidade desse campo artístico e as contingências da taxinomia racial engendrada na sociabilidade brasileira.

Palavras-chave: arte afro-brasileira; museu afro-brasil; raça; identidade nacional.

 

 

TOMBAR O AXÉ: POSSIBILIDADES E DESAFIOS DA PATRIMONIALIZAÇÃO DOS BENS CULTURAIS RELIGIOSOS DE MATRIZ AFRICANA NO BRASIL

Bruno Barbosa Heim. Professor de direito da Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Mestre em Ecologia Humana e Gestão Socioambiental. Especialista em Direito Público; brunoheimadv@gmail.com

Thiago de Azevedo Pinheiro Hoshino. Mestre em Direito do Estado pela Universidade Federal do Paraná. Pesquisador do INCT Observatório das Metrópoles. Membro do Fórum Paranaense das Religiões de Matriz Africana e do Instituto Brasileiro de História do Direito. Professor da disciplina de “Patrimônio Histórico-Cultural” na Especialização em Direito à Cidade e Gestão Urbana (Universidade Positivo/AMBIENS Cooperativa); hoshino.thiago@gmail.com

 

Do tombamento da Casa Branca do Engenho Velho (um dos templos-matrizes dos cultos afro-brasileiros na cidade de Salvador), em 1986, ao registro do Ofício das Baianas de Acarajé (alimento votivo dedicado a Iansã, divindade de origem nagô-iroubá) como patrimônio nacional, em 2004, urge avaliar criticamente as experiências de patrimonialização levadas a cabo até o momento. Nesta perspectiva, a interpretação sobre as disputas que emergem na eleição e gestão dos bens culturais das religiões de matriz africana, seja com outros grupos sociais, seja com o próprio Estado, tem de considerar o contexto contemporâneo de acirramento das tensões inter-religiosas e dos conflitos sócio-territoriais, nacionalmente. Sob este enfoque espacial, que articula a dinâmica da materialidade e da imaterialidade, destacam-se três tipologias conflituais que desafiam os instrumentos e regimes de proteção existentes: a) a regularização fundiária dos terreiros e a garantia de privacidade de suas práticas, em face da pressão avassaladora da urbanização no entorno imediato; b) as sanções oficiais como oficiosas sofridas pelo uso ritual (conjugado, por vezes, a usos comerciais, como no caso das baianas vendedoras de acarajé) do espaço urbano, sobretudo dos logradouros públicos, como ruas, encruzilhadas, cemitérios e praças; c) os obstáculos ao acesso a locais de culto de natureza sagrada, como matas, praias, rios e cachoeiras, amiúde propriedade privada. Esse conjunto de ‘lugares de axé’ compõe uma intricada trama urbano-rural, em si mesma um relevante bem cultural. Em certa medida, o diálogo e o sincretismo cognitivo entre as concepções institucionais sobre o ‘tombar’ ou ‘inventariar’ o patrimônio e as categorias comunitárias-nativas de ‘plantar’ ou ‘levantar’ o axé podem oferecer interessantes contribuições para repensar as formas de proteção de tradições que, embora plantadas, circulam e se ramificam incessantemente.

Palavras-chave: patrimônio cultural; diáspora negra; religiões de matriz africana; conflitos territoriais; lugares de axé.

 

 

MEMORIAL DE TERREIRO DE CANDOMBLÉ NA CIDADE DE ILHÉUS, BAHIA: MEMÓRIAS E PRESERVAÇÕES

Ana Cristina Mandarino. Professora Adjunta I. Universidade Estadual de Santa Cruz, Bahia

Matheus Santos Lobo. Bacharelando em Geografia Bacharelado Universidade Estadual de Santa Cruz, Bahia. bolsista de Iniciação Científica/FAPESB

 

Memoriais de Terreiros de Candomblé foram organizados a partir dos anos 90 como um instrumento efetivo para a preservação da memória afro brasileira religiosa agregando a políticas de tombamento a estes espaços religiosos, efetuadas pelo poder público na década anterior.

Os Terreiros de Candomblé possuem uma tradição baseada na oralidade, onde os valores são repassados nas tarefas cotidianas e no aprendizado ritual. No entanto, esta memória, que durante muito tempo foi o alicerce que possibilitou a transmissão de práticas e de saberes, se viu fragmentada pelas mortes de mais velhos, pelos tabus da iniciação e pela perda dela própria.

Assim, em uma atitude pioneira, surge na década de 90 no Rio de Janeiro, o primeiro Memorial erguido neste espaço religioso com o objetivo de preservar a memória da Casa e seguida por Terreiros no Estado da Bahia.

Diante do exposto, o estudo apreende a criação do Memorial Inzo Mutemba, instalado no Terreiro Matamba Tombeci Neto, fundado em 1885, na Cidade de Ilhéus, Estado da Bahia, identificando os motivos de seu funcionamento, analisando os conteúdos presentes de homenagens e nas repercussões sociais deste espaço museal sacro afro-brasileiro na região.

Palavras- Chaves: Candomblé, Memorial, Terreiro Tombeci Neto, memória, preservação patrimonial

 

 

COLEÇÃO PERSEVERANÇA – UM DOCUMENTO SILENCIOSO DOS XANGÔS DE MACEIÓ (ALAGOAS), BRASIL 

Larissa Fontes(PPGA-UFBA); fontesla@gmail.com 

 

O objeto desta pesquisa, ainda em andamento, é a Coleção Perseverança, uma reunião de objetos roubados dos terreiros de xangô, no episódio de repressão político-religiosa intitulado Quebra de Xangô. Este episódio ocorreu no ano de 1912, em Maceió e adjacências e talvez tenha sido o mais brutal episódio de repressão a cultos de matriz africana no Brasil. A Coleção está sob tutela do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas (IHGAL), um museu silencioso. Não conta a história das peças, não conta sua origem. Não as analisa e nada argumenta. Reifica a violência sofrida. O estado das peças é deplorável. Uma das peculiaridades dessa Coleção é que sua exposição museológica não resultou de uma pesquisa etnográfica e as informações que referenciam suas peças são duvidosas quanto a seus empregos rituais e mesmo quanto à identificação primária. A análise das peças, depois de devidamente identificadas e referenciadas, permitirá a criação de hipóteses de como eram as práticas dos xangôs alagoanos à época da repressão, no século passado, com destaque para um possível grande intercâmbio entre Alagoas, Bahia e África. O objetivo desta pesquisa é prover informações que irão além da descrição formal do objeto como matéria-prima, mas também seus usos e significados, a importância e simbologia para o grupo de origem. Isso se dará a partir de entrevistas com religiosos, pesquisadores e mantenedores do acervo, bem como análises comparativas com outras coleções etnográficas afro-brasileiras. Assim, será possível dar à Coleção um real estatuto de Coleção Etnográfica, o que ela hoje não tem. 

Palavras-chave: Xangôs; Museu; Coleção Etnográfica; Afro-brasileira; Alagoas. 

 

 

A COLEÇÃO PERSEVERANÇA DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DE ALAGOAS: VESTÍGIOS DA VIOLÊNCIA CONTRA OS TERREIROS DE MACEIÓ (ALAGOAS, BRASIL), EM 1912

 

Ulisses Neves Rafael. Professor Associado III da Universidade Federal de Sergipe. Doutorado em Sociologia e Antropologia (Instituto de Filosofia e Ciências Sociais/Universidade Federal do Rio de Janeiro). Pós-doutorado (Centro de Estudos Sociais/Coimbra/Portugal); ulisses38@hotmail.com

 

Na primeira década do século passado, no Estado de Alagoas, Brasil, período que ficou conhecido como “Era dos Malta”, devido à longa permanência do então governador Euclides Vieira Malta no poder, as casas de culto afro-religioso foram vítimas de um dos episódios mais violentos de que se tem notícias na literatura brasileira sobre o assunto e que implicou na destruição dos principais terreiros da capital Maceió e arredores, além de forçar a  dispersão das principais lideranças religiosas do local.

Aqueles que permaneceram no local, foram forçadas a manter suas práticas religiosas de forma discreta e silenciosa, modalidade que trinta anos depois seria registrada pelo pesquisador pernambucano, Gonçalves Fernandes, como “xangô rezado baixo”.

Algumas poucos peças sobreviveram à devassa aos terreiros, realizada por membros da Liga dos Republicanos Combatentes e que hoje compõem a Coleção Perseverança do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas, a partir da qual é possível, não apenas indagar acerca do sentido da preservação e conservação de tais objetos, como também, refletir sobre a reconstituição da memória do período em que essas casas supostamente gozaram da proteção do Governador do Estado.

Palavras chave: Religião afro-brasileira; Perseguição religiosa; Coleção Perseverança.

 

 

GT 12. MULTIPLICIDADES, DIVERSIDADES E IDENTIDADES EN SALUD. DIVERGENCIAS Y CRUCES EN PROCESOS DE TRANSFORMACIÓN

Coordinadores:

Dra. Mónica de Martino. Universidad de la República - Facultad de Ciencias Sociales; monicad@fcs.edu.uy

Dr. Marcos Cezar de freitas. Universidade Federal de São Paulo – Unifesp, Programa de Pós-Graduação Educação e Saúde na Infância e na Adolescência, LEVI - Laboratório de Ensino e Vulnerabilidades Infantis.

Mag. Virginia Rial. Programa Antropologia y Salud- FHCE; vrial@adinet.com.uy

 

 

 “A MINHA MÃE NÃO QUER”: DESAFIOS PARA A DISSEMINAÇÃO DO PROJETO DE “HUMANIZAÇÃO” DO PARTO E DO NASCIMENTO ENTRE MULHERES DE CAMADAS POPULARES NO RIO DE JANEIRO

 

Olivia Nogueira Hirsch. Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (professora); olivianh@gmail.com

 

A proposta de parto “humanizado” tem ganhado terreno nas últimas décadas no Brasil, procurando atribuir um novo significado e uma nova representação ao parto e ao nascimento. De acordo com seus divulgadores, a proposta surge em resposta às práticas médicas altamente tecnológicas e institucionalizadas que predominam nas sociedades ocidentais, onde as parturientes geralmente são excluídas do processo de tomada de decisões relativas a seus corpos. O projeto se disseminou inicialmente entre mulheres de camadas médias, mas, nos últimos anos, através de sua incorporação ao sistema público de saúde, tem atingido um novo público, qual seja: jovens de camadas populares, que muitas vezes têm dificuldades em assimilar a proposta, principalmente no que se refere à redução das intervenções de rotina – um de seus pilares. Nessa comunicação, que resulta de uma tese de Doutorado concluída em 2014, pretende-se apresentar os resultados de uma pesquisa de campo realizada em uma casa de parto pública na cidade do Rio de Janeiro, durante a qual foram entrevistadas 24 mulheres. No estudo foi possível observar o esforço feito pelas enfermeiras obstetras na disseminação da proposta e na ressignificação do chamado parto “natural”, com o intuito de reduzir a resistência das mulheres e de suas famílias à desmedicalização. Com efeito, constatou-se que, no contexto das camadas populares, as escolhas referentes ao parto são em geral tomadas coletivamente, o que impõe novos desafios à disseminação em larga escala desse projeto, como tem fomentado o Ministério da Saúde.

Palavras chaves: humanização, parto, camadas populares, sistema público de saúde, Brasil

 

 

NEGOCIANDO LO SOCIAL. UNA APROXIMACIÓN ETNOGRÁFICA A LOS SENTIDOS Y REPRESENTACIONES DE LA REHABILITACIÓN PSICOSOCIAL

Fernanda Gandolfi. Facultad de Humanidades y Ciencias de la Educación. Universidad de la República Montevideo, Uruguay; fer.gandolfi@hotmail.com

 

Esta presentación surge de una investigación etnográfica comenzada en el año 2014 enmarcada en la tesina de grado. El trabajo busca analizar los sentidos y representaciones que giran en torno a la rehabilitación psicosocial de las personas con padecimientos mentales. Para ello, el universo fue conformado por los distintos actores que componen el Centro Nacional de Rehabilitación Psíquica “Doctor Alberto Martínez Visca”. La rehabilitación entendida como el proceso que atraviesan los llamados “usuarios” al intentar desarrollar mecanismos para adquirir autonomía, una mejor calidad de vida y bienestar emocional, y que a su vez, los incluyan en la sociedad. Se conoció el proceso como una instancia de transformación que atraviesan las personas con una enfermedad mental, que las exponen a pensarse a sí mismas “desde otro lugar” distinto al que caracteriza sus trayectorias.

Se analizaron las vivencias y auto-percepciones de las personas bajo rehabilitación. Conocer sus trayectorias en torno al padecimiento mental fue necesario para entender sus relatos. También se observó el trabajo realizado por los técnicos en tanto agentes institucionales que guían el proceso. Y sobre todo se intentó poner en relación la mirada de los técnicos con respecto a la de los usuarios. Se observaron las sensaciones y los valores que sustentan sus prácticas en ambos casos.

Palabras clave: rehabilitación - padecimiento mental - inclusión – trayectorias – autonomia.

 

EL PROCESO DE SALUD – ENFERMEDAD- ATENCIÓN Y CUIDADO COMO CONSTRUCCIÓN SOCIAL

 

Leticia Grippo, Selva Sena, Victoria Vidal. Universidad Nacional de Quilmes (UNQ) - Programa de Investigación: Problemáticas del cuidado. Metamorfosis socioculturales y producción de subjetividades en los espacios sociales contemporáneos. Departamento de Ciencias Sociales; leticiagrippo@gmail.com; selva_sena@yahoo.com.ar; victoriaavidal@yahoo.com.ar 

 

En el campo de la salud, como en cualquier campo desde la perspectiva de Bordieu (1966), se ponen en juego intereses y objetivos contrapuestos que generan diversas concepciones, visiones y representaciones que tienden a validarlos. Nos proponemos en este trabajo reflexionar sobre las formas de construcción que permiten dar cuenta de estos distintos posicionamientos sobre el proceso de salud – enfermedad- atención- cuidado de los actores involucrados.

Entendemos este proceso como una construcción social y nos proponemos, en la misma línea de Ana María Fernández (2007:27) “pensar desde una noción de subjetividad que implique la indagación de los procesos de producción más que de sustancias, esencias, o invariantes universales.”

El campo sanitario por medio de lo académico, el sentido común, las instituciones de salud, entre otros, es productor del concepto de salud - enfermedad, al mismo tiempo que cada persona según el contexto se constituye como una singularidad de una subjetividad instituida. Tomamos a los procesos de institucionalización como el interjuego permanente de fuerzas entre lo instituido y lo instituyente que nos hacen pensar en la dimensión grupal e institucional, sin perder de vista la incidencia de factores socioeconómicos, históricos y políticos (Bleichmar, 2006).

Considerar la dimensión histórica y política implica recuperar la noción de participación social en salud  (Menéndez, 2002, 2006), reconocida formalmente en la Conferencia de Alma Ata de 1978 y nos lleva a preguntarnos sobre las maneras de participación que promueve / obstaculiza el campo y las modalidades de participación que efectivizan los distintos actores.

Palabras clave: salud, enfermedad, construcción, transformación, atención, participación

 

ENFERMAGEM E RELIGIÃO: ABORDAGEM EM SAÚDE NAS COMUNIDADES DE CULTURA AFRO-BRASILEIRA

 

Fioravanti, Sandra Ceschin. Aluna Especial no Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Federal da Grande Dourados-UFGD. Graduanda em Educação Permanente em Saúde no Programa de Pós Graduação na Universidade Federal do Rio Grande do Sul-UFRGS. Graduada em Enfermagem no Centro Universitário da Grande Dourados-UNIGRAN; fioravanti_sandra@hotmail.com

 

O presente artigo busca gerar uma reflexão junto aos profissionais de enfermagem sobre o fenômeno popular religioso como apoio terapêutico para os problemas relacionados à saúde. As comunidades religiosas de cultura Afro-brasileiras possuem um conjunto de conhecimento e um modelo de atenção estruturados em valores tradicionais, os quais contribuem de forma relevante para a compreensão do fenômeno religioso relacionado à saúde. Neste momento em que o modelo biomédico se mostra incapaz de atender de forma integral a complexidade do ser humano, as comunidades de religião afro-brasileira possibilitam uma abordagem que permite através do seu sistema de crença, múltiplas escolhas para uma atenção em saúde. Realizou um levantamento bibliográfico com metodologia de pesquisa exploratória. A discussão se aproxima dos elementos que permitem a transferência de conhecimentos da cultura afro-brasileira no sentido de complementariedade ao modelo oficial de saúde, e as práticas de saúde propostas pelo Sistema Único de Saúde/SUS. Considerou a importância dos limites e possibilidades do cuidado cultural realizado pela enfermagem, através da contribuição da antropologia, no sentido de permitir possíveis interpretações para o processo saúde/doença e a construção de novas práticas de saúde. Tal compreensão se torna fundamental para a formação e a atuação da enfermagem no trabalho em saúde coletiva, ao qual a visão de mundo nas comunidades de matriz afro-brasileira extrapola os valores do sistema oficial de saúde, ampliando o espaço das possibilidades de cuidado, transformando a atenção em saúde em uma ato de cidadania e de inclusão social.

Palavras chaves: Afro-brasileira, saúde-doença, cuidado cultural, pluralismo terapêutico, enfermagem.

DEBATES SOBRE EL CUERPO, LA ANORMALIDAD Y LA ENFERMEDAD, EXPLORACIONES ENTRE LOS ESTUDIANTES DE LA FACULTAD DE MEDICINA DE LA UNIVERSIDAD DE ANTIOQUIA

 

Mg. Natalia Botero Jaramillo (UdeA) Docente e investigadora, Facultad de Medicina, UdeA.

Jairo Camilo Guevara (UdeA) Estudiante décimo semestre Medicina, Facultad de Medicina, UdeA; nboterj@gmail.com, jcguevaraf@gmail.com

 

La presente ponencia busca explorar las significaciones de los conceptos de cuerpo, de anormalidad y de enfermedad entre los estudiantes de la Facultad de Medicina de la Universidad de Antioquia, analizando las tensiones y las confluencias entre los mismos. En la formación en medicina y en instrumentación quirúrgica, se imparten una serie de conocimientos centrados en un cuerpo en principio biológico, que el estudiante va aprendiendo y reconociendo en su trayectoria académica y su experiencia clínica, como un cuerpo que además es social y cultural. En este espacio, el estudiante se ve abocado a una práctica centrada la enfermedad y en la identificación de condiciones específicas (embarazo, niñez, etc), para las cuales debe dar respuestas concretas, rápidas y efectivas, basado en la fundamentación biomédica, los libros manual y las guías, que establecen mediante rangos, promedios y una serie de algoritmos las condiciones y los límites entre la salud y en la enfermedad. Sin embargo, pocas veces se abre un espacio de discusión y de análisis que indague por lo qué significa el cuerpo, la anormalidad y la enfermedad, y las implicaciones de los mismos en la construcción epistemológica de la medicina. En este sentido, este trabajo investiga estas concepciones en los estudiantes, mediante metodologías cualitativas como el grupo de discusión, entrevistas semiestructuradas, y la etnografía en el marco del curso “Cuerpo, anormalidad y diferencia” de la Facultad de Medicina.

 

 

AÇÕES E POLÍTICAS PÚBLICAS DE SAÚDE INDÍGENA NO BRASIL: DO ENFRENTAMENTO AOS DIAS ATUAIS

 

Antônio Alves de Souza. Mestrando do Programa de Pós Graduação em Saúde Coletiva da Universidade de Brasília (UnB). Secretário Especial de Saúde Indígena do Ministério da Saúde (SESAI/MS); antonio.souza@saude.gov.br

Bianca Coelho Moura. Mestrando do Programa de Pós Graduação em Saúde Coletiva da Universidade de Brasília (UnB). Gestora de Projetos da Secretaria Especial de Saúde Indígena do Ministério da Saúde (SESAI/MS); bianca.moura@saude.gov.br

Edson Oliveira Pereira. Mestrando do Programa de Pós Graduação em Saúde Coletiva da Universidade de Brasília (UnB); edsondirec@gmail.com

 

O presente trabalho objetiva avaliar e discutir de forma estrutural a Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas (PNASPI), levando em consideração os primeiros relatos de enfrentamento que levaram as primeiras ações no campo da saúde indígena no Brasil. Com base nesses preceitos históricos, ao descrever a trajetória de saúde dos povos indígenas, buscou-se identificar seus sujeitos e traçar perspectivas futuras no campo da saúde pública indígena brasileira. Os processos de colonização e enfrentamento dos povos indígenas levaram ao desaparecimento de muitos povos, porém ainda existe em ascensão um grande número diverso de povos indígenas e seus indivíduos representam 2% da população brasileira e em alguns municípios se constitui maioria. A lacuna causada pela assistência à saúde esporádica e emergencial ao longo do tempo e a negligencia referente às questões de saúde dessa população geraram problemas de saúde que imperam até os dias atuais. A PNASPI visa então à concretização do Sistema Único de Saúde à população indígena no Brasil, fazendo com que uma saúde integral, universal e equânime seja viável a uma população historicamente massacrada pelos interesses econômicos ligados a terras e à exploração de recursos naturais. Contudo, espera-se apresentar subsídios para compreensão da política, além de promover uma reflexão teórica a respeito da evolução da assistência através das diversas politicas e ações públicas de saúde aos povos indígenas até o século XXI.

Palavras chave: Saúde de Populações Indígenas; Políticas Públicas de Saúde; Gestão em Saúde; Ações Públicas de Saúde.

 

 

FAMILIA  Y CRIANZA EN SECTORES POPULARES URBANOS: ¿CUÁL ES EL LUGAR DEL PADRE?

 

Eloisa Rodriguez Lussich

 

Esta investigación propone producir conocimiento original sobre causales de vulnerabilidades dentro de familias de sectores pobres urbanos, focalizando en las consecuencias que trae la ausencia de la figura del padre. El tema familia es el núcleo duro de la Antropología, por tanto hace falta en nuestro país una investigación de esta envergadura que sirva como insumo para políticas sociales para prevenir y mejorar esta problemática. Desde el Programa  Antropología y Salud  del departamento de Antropología Social de la Facultad de Humanidades y Ciencias de la Educación, se han realizado varias investigaciones donde se ha comprobado el debilitamiento de los vínculos en dichas familias causando gran impacto en la reproducción de la pobreza. Este fenómeno se vincula no sólo con determinantes económicas, sino con  problemáticas familiares, con la proporción de embarazos adolescentes, con la existencia de vínculos violentos, con efectos de lugar o efectos de arrastre de entornos urbanos carenciados, hechos que provocan riesgos de tipo cultural. No es sólo la mujer con sus hijos que necesita apoyo sociocultural sino que también es fundamental que el padre y/o cónyuge esté dentro de los programas sociales, estimulando y reforzando su rol en la familia y corrigiendo a la vez sus expectativas con respecto a la distribución del poder y la división en el hogar.  Se pondrá énfasis en hogares monoparentales femeninos, así como hogares con hijos con rotación de figuras masculinas.

 

CORPO, GENÉTICA E IDENTIDADE: NOTAS PARA PENSAR A RACIALIZAÇÃO DA SAÚDE NA CONTEMPORANEIDADE

 

Tatiane Muniz

 

Evidencia-se a partir do Projeto Genoma e das possibilidades de escrutínio do corpo, daí decorrentes, um conjunto de esforços de pesquisa no campo médico, com vistas a provar a determinação racial de certas doenças. Estudos epidemiológicos apontam para a prevalência de certos problemas de saúde em determinados grupos populacionais, racialmente classificados, tendo em vista a situação de vulnerabilidade sócio-econômica à qual este grupo populacional está, historicamente, submetido. Entretanto, na medida em que se buscam, em âmbito molecular, elementos para a afirmação de diferenças biológicas que os colocariam em situação de propensão ao desenvolvimento e agravo de certas patologias, um discurso essencializante acerca da raça pode emergir, levando a conclusões e construções sociais equivocadas sobre esta categoria. Entretanto, persiste o uso de nomenclaturas raciais para a classificação de doenças, corroborando para um discurso diferencialista, do ponto de vista biológico, que remete ao discurso evolucionista do século XIX, amparado, agora, pela biotecnologia. Neste cenário, reacende-se o debate entre os mais distintos campos do conhecimento, no sentido de afirmar e negar a existência da raça enquanto uma realidade empírica e sobre a importância e riscos de sua utilização, seja no âmbito das ciências da vida ou no cotidiano das relações sociais. Em um contexto marcado pelo multiculturalismo, no qual os sujeitos são chamados a afirmar suas identidades, em mobilizações coletivas, a problematização de tais questões aparece como um imperativo irrefutável, tendo em vista que “raça” tem sido, historicamente, no Brasil, uma categoria estruturante das relações sociais, recorrentemente, acionada para definições identitárias, como parâmetro de participação democrática e plural, bem como para a elaboração de políticas públicas. O presente trabalho consiste na discussão da forma com as categorias raça e saúde tem sido relacionadas no contexto brasileiro, demonstrando as diversas disputas políticas e ideológicas e econômicas em torno da sua utilização, desde o século XIX, momento em que começa a se esboçar um campo de Antropologia no país, cuja agenda estava centrada nas relações raciais, até o recente debate acerca da raça, ensejado pelo novo paradigma da genética, quando ocorrem novos processos de subjetivação relacionado as identidades.

 

ETNOGRAFIA DEL HOSPITAL PASTEUR- MONTEVIDEO

 

Lic. Gabriel Mega- Programa de Antropologia y Salud. FHCE- UDELAR

 

El presente trabajo etnográfico se realizó en una sala de internacion de un hospital público, el hospital Pasteur. Desde una mirada antropológica se pretende aportar conocimiento sobre las transformaciones y las representaciones sociales que los diversos agentes de la salud tienen como procesos de subjetivaciones tanto a nivel del discurso, como de las practicas sociales, del uso del espacio y del lenguaje que utilizan dentro de dicha institución sanitaria.

Para poder analizar cómo se construyen y transforman estos procesos de subjetivaciones individuales, los internados y sus familiares elaboran diferentes estrategias creativas y de resistencias frente al orden y al poder de la medicina institucionalizado, buscando poder permanecer y completar el proceso de internacion que le es impuesto, de tal manera de que puedan mantener un sentido social de pertenencia que le permita consolidar su estado personal de integración social y colectivo.

Ante esto, se plantea que en dicha sala de internacion estudiada existe una red de solidaridad colectiva que se construye y enriquece diariamente, la cual "ayuda"a potenciar y a contener esa capacidad de creación de estrategias por parte de los internados que allí se relacionan.

 

 

KARU GUASU: ENTRE ENCUENTROS Y DESENCUENTROS, LOS AVA-GUARANÍ Y SU REPRESENTACIÓN Y PRÁCTICA DEL ALCOHOL DE LOS “KARAI”

Fabrizio Martínez Dibarboure. Profesor de Filosofía (IPA), licenciado en Enfermería (UdelaR),  magíster en Ciencias Humanas, opción Antropología de la Cuenca del Plata (UdelaR) y doctorando en Humanidades, opción Antropología (UdelaR). Se desempeña como profesor de Filosofía en Educación Secundaria, como licenciado en Enfermería en el Hospital Vilardebó y como docente de Epistemología del Centro de Posgrado de la Facultad de Enfermería (UdelaR).

 

La disertación resumida es un trabajo de investigación etnográfica en el campo de la salud. La misma tiene como objetivo determinar las representaciones y las prácticas que los Ava-Guaraní, del Chaco Boliviano, tienen con respecto al alcohol introducido por los “Karai”. Para eso partimos del modo de ser guaraní, “conociendo” el uso y el consumo actual de bebidas fermentadas tradicionales (chicha) que tiene éste grupo étnico. Por otro lado “reconocimos” el uso y el consumo problemático de alcohol y la repercusión, de éste problema, en comunidades Ava-Guaraní cordilleranas, abordándolo desde la prevalencia y las representaciones de los comunarios. Por último, desde la zona ava en la cual nos ubicamos, confrontamos ambos “conocimientos” desde las prácticas de los Ava-Guaraní.

Palabras claves: Antropología de la Salud, Ava-Guaraní, Karai, Chicha, Alcohol.

 

GT 13. MUSEOS, OBJETOS E IMÁGENES DE OTROS Y DE SÍ: ARTE, POLÍTICA Y ANTROPOLOGÍA

Coordinadores:

Dra. Barbara M. Arisi (UNILA - Universidad Federal de la Integración Latinoamericana, Brasil) barbara.arisi@unila.edu.br

Dra. Marian Moya (IDAES - Universidad Nacional de San Martín, Argentina) mmoyaac@gmail.com

Dda. Helena M. Schiel (UFOPA - Universidade Federal do Oeste do Pará, Brasil) - helenaschiel@gmail.com

Comentaristas: Dr. Marcos Lanna (UFSCar, Universidade Federal de São Carlos, Brasil) Bia Lessa - artista, escenógrafa

 

 

Sesión 1:

 

EL ROL DE LOS MUSEOS Y SOCIEDADES CIENTÍFICAS EN LA REPRESENTACIÓN DEL "OTRO INDÍGENA". INSTITUCIONALIZACIÓN DE LAS CIÊNCIAS DEL HOMBRE EN CHILE (1880 - 1954)

 

Héctor Mora Nawrath. Departamento de Antropología, Universidad Católica de Temuco; hectmora@uct.cl

 

Este trabajo analiza la constitución del campo científico de las denominadas ciencias del hombre o ciencias antropológicas entre 1880 y 1954 –fecha de fundación del Centro de Investigaciones Antropológicas de la Universidad de Chile. En dicho periodo prima a nivel nacional –lo que es común para América Latina- una concepción de ciencia integral y unificada de raigambre Europea, lo que genera un espacio amplio para el desenvolvimiento de intelectuales, quienes encarnan las prescripciones del modelo de ciencia de la época. En este sentido, la práctica científica involucró a sujetos de formaciones muy diversas –botánica, zoología, química, física, etc.- que de oficio y movidos por inquietudes individuales, se interesaron por el estudio de los vestigios materiales, físicos, y por la forma de vida y lenguaje de los otros exóticos que habitaron o habitaban el territorio nacional. Junto con reflexionar acerca de las condiciones socio-históricas, intelectuales y orgánicas tras la emergencia y desarrollo de este nuevo campo de estudio, el trabajo profundiza en la forma que dicho campo adquiere forma considerando las agencias, temáticas, aproximaciones y contextos en los cuales se desenvuelven los impulsores de disciplinas como la arqueología, antropología física, etnología, etnografía, lingüísticas y Folklore. La orientación de la investigación es de corte histórico, y tiene como base el análisis de las publicaciones que comunican formas de representación del otro generadas en el marco de los muesos y sociedades científicas, integrando fuentes documentales que permiten acceder a las dinámicas de la comunidad de especialistas en Chile. Ello se complementa con análisis estadísticos a través de los cuales se caracterizan las líneas de producción científica en función de áreas temáticas y contenidos.

Palabras claves: institucionalización; campo científico; arenas transfronteirizas; ciências del hombre.

 

RESSIGNIFICAÇÕES E NOVAS ARTICULAÇÕES POSSÍVEIS DE COLEÇÕES ETNOGRÁFICAS: TRILHANDO NOVOS E VELHOS CAMINHOS


Nádia Philippsen Fürbringer. Doutoranda em Antropologia Social na Universidade Federal de Santa Catarina; nadiapf@gmail.com

Retoma-se o lugar das pesquisas antropológicas acerca de coleções etnográficas. A análise da prática do colecionismo na Antropologia parte das coleções do antropólogo Sílvio Coelho dos Santos além de diapositivos e Diários de Campo que foram acumulados em décadas de pesquisa e foram doados ao Marque/UFSC. Esta pesquisa acompanhou vários processos de reapropriações dessas coleções, as novas articulações que tem ressignificado tais objetos e o próprio sistema museal. Foram acompanhadas o processo da exposição de curadoria compartilhada de longa duração (curadoria que integra técnicos do Museu e indígenas); e o interesse dos alunos da Licenciatura Indígena da UFSC (Kaingang, Xokleng e Guarani) em conhecer essas coleções. Além também da constituição de uma galeria virtual de imagens produzidas em contextos de pesquisa etnográfica do Professor Silvio Coelho dos Santos, como estratégia de comunicação e documentação de acervos museológicos, através do processo de compartilhamento de imagens em ambientes virtuais, em exposições museográficas e em oficinas de extensão universitária. Primeiramente com a contribuição dos Tikuna e em seguida dos Xokleng na construção das informações sobre estas imagens. São diversos sujeitos que contribuem na construção das memórias que contornam tanto o próprio Silvio Coelhos dos Santos e seus interlocutores em outrora, quanto o que o seu olhar enfocou em tantas imagens e descrições de seus diários de campo.

Palabras clave: Coleções etnográficas, objetos, imagens, narrativas.

 

 

MUSEUS ETNOGRÁFICOS E MOVIMENTOS INDÍGENAS: EXPERIÊNCIAS DO MUSEU NACIONAL COM A EXPOSIÇÃO “OS PRIMEIROS BRASILEIROS”

Crenivaldo Veloso Jr.Museu Nacional/Universidade Federal do Rio de Janeiro (MN/UFRJ). Mestre em História pela Universidade Federal Fluminense. Historiador do Setor de Etnologia do Museu Nacional/UFRJ e pesquisador do LACED; veloso@mn.ufrj.br

 

O objetivo deste trabalho é refletir sobre os desafios colocados aos museus nacionais e etnográficos a partir do avanço das mobilizações indígenas. Esta análise gira em torno do Museu Nacional e suas relações com indígenas da região Nordeste a partir exposição “Os Primeiros Brasileiros”, sob a curadoria do antropólogo João Pacheco de Oliveira. O Museu Nacional foi criado em 1818 com o objetivo de propagar conhecimentos das ciências naturais no Brasil. Desde então foram formadas vastas coleções etnográficas, sendo as maiores provenientes de povos indígenas do Brasil, principalmente das regiões amazônica e central. Poucos foram os objetos de indígenas da região Nordeste do país. As aldeias indígenas do Nordeste foram extintas gradativamente na segunda metade do século XIX, afirmando-se que nestas áreas não haveria mais índios, pois estariam misturados à massa da população regional. Contudo, em diferentes situações, famílias indígenas continuaram a ocupar cenários políticos, reivindicando o reconhecimento de direitos, principalmente às terras que lhe foram destinadas e tomadas desde tempos passados. A partir das últimas décadas do século XX observou-se o aumento dos movimentos indígenas na região.

Em itinerância desde 2007, “Os Primeiros Brasileiros” propõe uma revisão da história do Brasil a partir do eixo da presença indígena no Nordeste. Para tal, foi formada uma coleção composta por mais de 200 objetos, oriundos de várias etnias da região. Pretende-se, assim: analisar o caráter pedagógico da mostra; refletir sobre as apropriações por parte de lideranças indígenas, que vêm utilizando-a como instrumento político para dar visibilidade às suas pautas.

Palabras clave: Museus etnográficos; índios do Nordeste (Brasil); Exposição “Os Primeiros Brasileiros”.

 


A VANGUARDA INDÍGENA


Marcos Alexandre dos Santos Albuquerque. Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ); marcosdada@yahoo.com.br

Nesta apresentação faço uma genealogia das performances indígenas na contemporaneidade. Começo com o que me parece ser paradigmático da constituição do espaço de visibilidade dos indígenas, os zoológicos humanos. Desde o Séc. XIX. exposições coloniais promoveram a popularização do racismo e, desse modo, a legitimidade da empresa colonial. No fim do séc. XIX e inicio do séc. XX houve a transformação das exposições coloniais e o advento do cinema renovando o projeto da empresa colonial. Neste mesmo período, a pintura moderna emerge como crítica a instituição da Arte e do Belo através da apropriação da “arte primitiva”. O “primitivo” aparece como modelo ideal do inorgânico contra o orgânico da pintura Clássica (naturalista). A partir de fins do sec. XX performances indígenas são percebidas pelos pesquisadores como agência e consciência da instituição colonial e do racismo. Mas ao entrar no imaginário ocidental como performances autênticas elas são percebidas como orgânicas, naturalistas, quando na verdade são inorgânicas e contra hegemônicas. A vanguarda indígena é uma ação em direção a instituição colonial, é uma crítica através de uma apropriação inorgânica da diferença cultural-racial, mas é revelada no espetáculo como peça orgânica e naturalista. Paradoxo da vanguarda indígena: ser inorgânica e contra hegemônica, mas somente ter visibilidade social se passando por orgânica e não contemporânea. A vanguarda indígena acessa a instituição colonial como espaço da não coetaneidade (Fabian).

Palabras claves: indígenas; museus; colonialismo; vanguarda; arte.

Sesión 2:

 

MICROPOLÍTICA Y MUSEOGRAFÍA CHILENA

Paulina Barrenechea Vergara. Docente de la Universidad de Concepción; ultrasol@gmail.com

 

El museo debe ser comprendido y abordado –como los estudios culturales- en un análisis constante de las prácticas culturales en intersección con las relaciones de poder. En efecto, la noción misma de patrimonio cultural, condición de posibilidad para el espacio museográfico, (re)produce un conocimiento que al mismo tiempo silencia otros; pero que, actualmente, producto de la migración y la emergencia de las políticas de representación de los procesos de identidad raciales y de sexo-género, resulta necesario discutir y problematizar. Lo que se figura y representa en las narrativas escritas y visuales, adquiere su validación en tanto no figura y no representa otras subjetividades, otros cuerpos y otros territorios.  A través de la intromisión de las categorías de género/feminismos críticos y los estudios decoloniales que sitúan los procesos de racialización (igualmente los de patriarcado) como estructurantes del proyecto de la modernidad -a partir del cual el museo se erige como dispositivo de poder aliado- realizaremos una lectura de carácter interseccional acerca de las relaciones (o ausencias de relaciones) que las subjetividades de género y raciales, especialmente las negras, establecen con este espacio en Chile.

Palabras claves: museografía-narrativas de la nación-racialización y patriarcado.

 

 

LA FUNCIÓN DE TRANSMISIÓN CULTURAL DE LOS MUSEOS. UNA MIRADA DESDE UNA PERSPECTIVA HISTÓRICA

Silvia Liliana Calvo. Museo Etnográfico Juan B. Ambrosetti. Facultad de Filosofia y Letras. UBA; silvialcalvo@gmail.com

 

El museo reconoce su origen en la modernidad; el acto de hacer públicas las colecciones privadas puso en evidencia cierta convicción sobre el efecto que esta institución podía tener en amplios sectores de la población. La creación del dispositivo de la exposición, a fines del SXIX, reafirma la voluntad de transmisión de valores sociales, artísticos y científicos, ligados a una idea de sociedad.

La ruptura con el modelo de museo propiciado por la modernidad ha llevado a repensar su función social e impulsar su transformación, en especial en lo que hace a su dimensión educativa, que hoy se reconoce como constitutiva de este tipo de instituciones. Sin embargo, al estudiar la historia de esta institución en tanto aparato cultural, es posible advertir como algunos rasgos persisten pese a los cambios que ha sufrido a lo largo de casi 500 años.  Estos rasgos dejan marcas, sobre todo en lo que hace a la función de transmisión cultural. La persistencia de estas marcas de origen se desliza periódicamente en las prácticas, pese a los deseos de transformación. Esta ponencia intentará dar cuenta de algunos de estos rasgos que de forma residual continúan operando en el presente. 

 

 

DO LADO DE DENTRO E DO LADO DE FORA DA GALERIA ETNOGRÁFICA: OS USOS DE OBJETOS ETNOGRÁFICOS NO NAIROBI NATIONAL MUSEUM (KENYA).

Aline Rabelo. Doutoranda do PPGAS - Museu Nacional/Universidade Federal do Rio de Janeiro; arabelo.anthropology@gmail.com

 

Fundado durante o período colonial, na primeira década do século XX, o Nairobi National Museum – NNM é hoje considerado o principal museu nacional do Kenya. Seus mais de 60.000 objetos etnográficos não se dividem somente entre a galeria etnográfica, intitulada “Cycles of Life”, e a reserva técnica, mas também constituem partes substanciais das construções narrativas de algumas das outras onze galerias do museu. Em comum, as peças etnográficas em exposição apresentam a característica de serem todas originárias apenas de “comunidades tradicionais quenianas”. Este trabalho, um recorte específico de uma pesquisa etnográfica mais ampla em museus nacionais do leste africano, procura produzir análises e reflexões acerca das resignificações de coleções etnográficas nos discursos curatoriais do atual NNM. Além do olhar que recorre frequentemente a comparativos relacionados a concepções coloniais, o artigo pretende lançar luz sobre determinadas formas de descolonização do acervo etnográfico que cumprem importante papel simbólico dentro da contínua reafirmação e consolidação do Estado-Nação, meio século depois da independência do Kenya.

Palabras clave: objetos etnográficos, museu nacional, Kenya, descolonização.

 

 

OBJETO, COSMOLOGIA E RITUAL EM MUSEUS ETNOGRÁFICOS

 

Laércio Fidelis Dias. Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp-Marília/SP) laercio@marilia.unesp.br

 

As reflexões apresentadas a seguir tratam do tema que envolve os museus, as populações indígenas, os professores, pesquisadores (museólogos, arqueólogos e antropólogos), tomando como referência o Museu Kuahí, localizado no município de Oiapoque, Estado do Amapá, e, Museu Histórico e Pedagógico Índia Vanuíre, localizado em Tupã, município do Estado de São Paulo. Qual a problemática da reflexão? A construção de museus participativos, na sua formulação, gestão e organização das exposições, bem como, a ampliação do conceito e processos de patrimonialização. Museus que apresentem a transversalidade entre os museus sobre os índios, museus com os índios e museus dos índios.

No campo da antropologia, essas discussões têm sido teoricamente travadas a partir de interrogações acerca da dimensão ética do trabalho do antropólogo. O conceito de “antropologia da ação” serve para pensar as responsabilidades éticas do trabalho antropológico é central para a reflexão apresentada aqui. Responsabilidade esta que, como sugere a transversalidade entre os três tipos de museus, implica um fazer antropologia comunicativo, um “agir comunicativo”, nas palavras de Habermas. Ou seja, realizar o trabalho etnográfico, dentro desta perspectiva, impõe-se abrir para as questões (éticas) que esse trabalho propõe.

Assim sendo, o objetivo da apresentação é tomar os objetos de cultura material, expostos nos dois museus, ligados aos rituais e cosmologia para pensar como as exposições foram organizadas obedecendo aquilo que se entende por museus participativos.

Metodologicamente os dados foram levantados segundo os procedimentos clássicos da antropologia: etnografia. E, também, material bibliográfico.

Palabras clave: Museu; Cosmologia; Ritual; Objetos; Índios Sul-americanos.

 

 

CURADORIA NATIVA NO MUSEU DO QUAI BRANLY: ESTRATÉGIAS EXPOSITIVAS, AGÊNCIA E DIÁLOGO CULTURAL

Nina Vincent Lannes. Doutoranda no Programa de Pós-graduação em Sociologia e Antropologia/PPGSA, da Universidade Federal do Rio de Janeiro/UFRJ; ninavincent@gmail.com

 

Analiso a exposição “Maori. Seus tesouros têm alma”, que apresentou a arte e a cultura dos Maori – povo nativo da Nova Zelândia – no Museu do quai Branly, em Paris, em 2011/2012, com curadoria do Museu Te Papa Tongarewa-NZ. Esta primeira experiência de “curadoria nativa” na instituição francesa possibilita contrastar concepções de arte, museu e construção identitária, sem abandonar jogos de poder coloniais, mas trazendo novos elementos reflexivos. A expografia cria uma relação estética entre objetos heterogêneos, textos e espacialidade, transformando a própria exposição em “objeto de arte” e conferindo-lhe agência, uma “agência do display”. Diferentes estratégias apresentam um mundo no qual objetos são “tesouros”, carregam mana, têm “alma”; simultaneamente, demarcam os limites do diálogo cultural deixando claro quem deve ter controle sobre estes objetos e suas representações. Exploro o papel do objeto-exposição como mediador de relações no episódio que propiciou a exposição: o repatriamento de 20 crânios maori, pertencentes a coleções francesas. Dois museus se encontram: um herdeiro de coleções coloniais e idéias modernistas de apreciação da “arte etnográfica” que tenta abrir brechas para supostos “diálogos culturais”, e outro que representa a cultura maori de forma homogênea, reconfigurando discursos locais em nível nacional e colocando o tratamento de objetos musealizados no centro da política identitária. Percebe-se uma complexa questão política articulada a diferentes cosmovisões sobre objetos de arte, materializada na exposição, que pretendeu tornar visível a concepção estética dos Maori, demarcar sua luta identitária através da autorrepresentação e invizibilizar os objetos repatriados, servindo, ao mesmo tempo, como resposta do museu francês às críticas à omissão política.

Palabras clave: Museu do quai Branly; Maori; exposição; curadoria; agência.

 

Sesión 3:

 

OS OBJETOS DA/NA AÇÃO EDUCATIVA DO MUSEU DE ARQUEOLOGIA E ETNOLOGIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ (MAE-UFPR)

 

Aline da Silva Araújo Vörös

Ronaldo de Oliveira Corrêa

 Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR); alinevoros@gmail.com; rcorrea@ufpr.br

 

O texto apresenta as articulações entre as teorias de cultura material e as trajetórias biográficas de objetos para problematizar as relações, práticas e usos dos objetos na constituição de representações de indivíduos e suas formas de estar no mundo. Para isso, recorreremos a analise dos materiais de apoio das práticas educativas do MAEUFPR, a saber, as caixas didáticas. Buscamos compreender os/as agentes protagonistas e os processos que compuseram a coleção manipulável da caixa. Selecionou-se, como objeto de estudo, a “caixa didática Padrões de Beleza”, produzida em 2009/2010, por ser a primeira caixa com o propósito de promover reflexões e discussões sobre um tema específico. A caixa didática Padrões de Beleza, é constituída por objetos selecionados no acervo do Museu, textos descritivos e de contextualização, e conjunto de atividades para ser utilizado por professores e professoras e estudantes de escolas públicas e privadas de Curitiba-PR. Como resultados, verificou-se que as decisões a respeito do tema, os artefatos e seu uso como mediadores do processo de interação e aprendizado foram orientadas por teorias e práticas curatoriais e museológicas discutidas no MAEUFPR; atentou-se para o fato da caixa Padrões de Beleza ser desenvolvida por pesquisadoras, o que permitiu questionar as marcações de gênero da temática e da constituição do material; e compreender que os objetos e textos agenciados como coleção, também, agenciam as interações por que passam e/ou promovem, entre tantas, as relações entre sociedades e suas práticas, as representações de gênero e identidades, os processos de educação patrimonial em museus de antropologia.

Palabras clave: Cultura Material. Interação social. Museu. Educação.

 

 

CUERPO Y ANATOMÍA EN EL MUSEO “PEDRO ARA”. EDUCACIÓN Y SALUD EN EL CONTINUUM MUSEO- HOSPITAL PÚBLICO- UNIVERSIDAD

Karina del Valle Generoso. Integrante del Espacio Laboratorio de Arte/s. Performance/s y Subjetividad/es. Facultad de Psicología. Universidad Nacional de Córdoba. Profesora Asistente en la Cátedra de Antropología Cultural, Contemporánea y Latinoamericana. Facultad de Psicología. Universidad Nacional de Córdoba; karinageneroso@gmail.com

 

El presente trabajo presenta una aproximación a los sentidos y prácticas en torno al cuerpo y la Anatomía (como enseñanza oficial del cuerpo biológico) de los agentes que forman parte del Museo Anatómico “Dr. Pedro Ara”, institución que conforma al Instituto “Ángel Roque Suárez”, junto a la Cátedra de Anatomía Normal, de la Facultad de Ciencias Médicas de la Universidad Nacional de Córdoba.  Para comprender la producción y circulación de estos discursos, saberes y prácticas en torno al cuerpo humano y su devenir como objeto de estudio de la Anatomía, en el proceso de formación de médicos, se aborda la relación museo- hospital- universidad, en el contexto de la educación superior y la salud pública.En este acercamiento se problematiza la invisibilización de la historia de las piezas exhibidas, asociada a la tendencia a destemporeizarse del conocimiento científico, como forma de volverse hegemónico ya que, aislados, los preparados cristalizan el cuerpo humano, único, universal, anatomizado, transformándose en “bienes” que resulta difícil valuar. A partir de la experiencia de (Des) Montaje transdisciplinar en “La Noche de los Museos” (2010-2012), se pone en juego la relación entre la reflexión crítica y el análisis de formas ritualizadas y naturalizadas de mirar y construir la realidad y los vínculos, tanto en la vida cotidiana como en los diferentes campos sociales.

Palabras Claves: Cuerpo- Anatomía- Museo- Universidad- Salud.

 

 

MUSEU RONDON: O TEMPO, AS NARRATIVAS E O COLONIALISMO (OU COMO ESTAVA VESTIDO MARECHAL RONDON)

Ryanddre Sampaio. Museólogo (COREM - 0851-I / 2ª Região). Especialista em Gestão Pública (FAeCC/UFMT). Mestrando em Antropologia Social (PPGAS/UFMT),
Museu Rondon de Etnologia e Arqueologia da UFMT; r.museu@gmail.com

 

O presente trabalho tem como objetivo apresentar análises preliminares da etnografia que estou produzindo sobre a formação do acervo no Museu Rondon da Universidade Federal de Mato Grosso, uma reflexão antropológica do processo de constituição dos bens culturais preservados neste espaço com vistas a compreender as formas pelas quais estes artefatos foram musealizados e quais perspectivas orientaram estas práticas. Será analisado o contexto de criação do museu durante a ditadura militar brasileira e a "Marcha para o Oeste", cabendo questionamentos acerca da fundação da universidade como uma "Universidade da Selva" e seu discurso político de formação de "novos colonizadores" no Centro-Oeste do país. Além disso, pretendo problematizar a participação do Sistema de Proteção aos Índios e sua política indigenista e a inclusão do museu em um projeto de incorporação dos povos indígenas ao Estado-Nação por meio, principalmente, da figura do seu patrono Marechal Cândido Mariano Rondon. Percebendo as pressões contraditórias no interesse do Estado em fixar identidades através da formação do acervo, o Museu Rondon será analisado como um dispositivo no sentido foucaultiano alicerçado em dois eixos de articulação recíproca e de mútua dependência: a relação saber-poder e subjetivação. As práticas discursivas e não-discursivas presentes nos regimes de subjetivação contribuem para a construção do dispositivo "museu" tanto na constituição da formação discursiva quanto dos próprios discursos. Assim, buscar-se-á compreender as relações entre agentes e objetos que atuaram neste espaço museológico e quais as ações que produziram regimes de visibilidade ou invisibilidade acerca da diferença ou dos povos indígenas nele representados.

Palabras clave: Museus; Colonialismo; Indigenismo; Discurso; Nação.

 

 

FICHÁRIOS E LISTAGENS: PESSOA E RELACIONALIDADE EM ARTEFATOS DE CONTROLE DOCUMENTAL

Luísa Valentini. Doutoranda da Universidade de São Paulo; luisa.valentini@gmail.com

 

Gostaria de apresentar aqui os resultados de uma linha de investigação que abri em meu mestrado, que tratou da experiência da Sociedade de Etnografia e Folclore (São Paulo, 1937-1939), ensaio institucional conjunto de Mário de Andrade, Dina Dreyfus e Claude Lévi-Strauss. Este caso me permitiu explorar uma série de dispositivos do laboratório antropológico do período do entre-guerras, entre os quais se destaca o fichário, que constituía então um centro de listagem e articulação de diferentes corpi documentais: coleções, bibliotecas, mapotecas etc. Estendendo a observação desse dispositivos a outros momentos na obra de Mário de Andrade e de Claude Lévi-Strauss, é possível identificar importantes tensões no manejo deste artefato de controle e tradução. Um segundo movimento da apresentação incide sobre a reverberação de documentos deixados por Mário de Andrade no ano em que sua morte completou 70 anos e que incidiram de modo relevante sobre as relações entre documento e pessoa, em particular no que tange à dimensão da duração. Finalmente, gostaria de ensaiar algumas aproximações desses casos com meu tema atual de investigação, que diz respeito à constituição de acervos relativos a povos indígenas, especialmente aqueles replicados ou nativos em suporte digital.

Palabras clave: pessoa, arquivo, cultura, controle, documento.

 

 

ARTE EM TRANSIÇÃO NO MAM/RJ NA DÉCADA DE 1960

 

Carollina Rodrigues Ramos. Bacharel em Museologia pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – UNIRIO. Diretora do Museu Histórico e Artístico do Maranhão – MHAM; carollaramos@gmail.com

 

O trabalho visa analisar o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, ao longo da década de 1960, como uma instituição que evidenciou as transições da arte moderna para a arte contemporânea, cujas propostas curatoriais fogem da perspectiva moderna da instituição e indica um “espírito do tempo” contemporâneo. Tal análise se dará através do estudo de seis exposições realizadas nesse período: Arte Neoconcreta (1959), Cães e Caça (1961), Opinião 65 (1965), Opinião 66 (1966), Nova Objetividade Brasileira (1967) e Salão da Bússola (1969). Estas exposições apresentaram um caráter de inovação, experimentação e investigação na arte. Essas questões são abordadas tendo como base o conceito de contemporâneo do filósofo Giorgio Agamben, apresentado no texto O que é Contemporâneo?(2009), caracterizando o MAM-RJ, daquela época como intempestivo e anacrônico.

Palabras clave: Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro; Arte Moderna; Arte Contemporânea; Giorgio Agamben.

 

Sesión 4:

 

REPRESENTAÇÕES SOBRE O BRASIL CENTRAL E SEUS POVOS NOS DIÁRIOS DE ACARY DE PASSOS OLIVEIRA

 

Rosani Moreira Leitão. Doutora em antropologia pela UnB, coordenadora da Divisão de Antropologia do Museu Antropológico, docente do PPGIDH e docente colaboradora da Licenciatura em Educação Intercultural/UFG, Brasil; rmleitao@terra.com.br

Gabriel de Almeida Souza. Estudante de graduação em Ciência Sociais e estagiário do Museu Antropológico / UFG, Brasil; gabriel.vtn@gmail.com

 

O presente trabalho é um desdobramento do projeto Imagens e relatos de um sertão desconhecido: organização e tratamento técnico do acervo de Acary de Passos Oliveira, desenvolvido no Museu Antropológico da UFG, no ano de 2012, contando com apoio financeiro do Instituto Brasileiro de Museus. O projeto teve como objetivo organizar, digitalizar, divulgar e disponibilizar o acervo documental referente aos mais de 40 anos de experiência de Acary de Passos Oliveira, sertanista, indigenista, primeiro diretor e um dos fundadores do Museu Antropológico da Universidade Federal de Goiás (UFG), reunido por ele próprio ou por seus familiares, ao longo de mais de quatro décadas. O acervo faz referências a 30 etnias indígenas do Brasil Central, que viviam e ainda vivem, sobretudo, no Parque Indígena do Xingu e nas regiões dos rios Araguaia e Tocantins. Também retrata situações de contato interétnico entre esses povos e entre eles e agentes da sociedade nacional não-indígena, principalmente instituições públicas, como é o caso da FAB - Força Aérea Brasileira, do SPI - Serviço de Proteção aos Índios e da Fundação Brasil Central. Referências também são feitas a personalidades importantes, tais como os presidentes Juscelino Kubitschek e Getúlio Vargas. O texto trata especificamente do diário Diauarum, no qual Acary de Passos narra sua experiência como sertanista no contexto da criação do Parque Nacional do Xingu. Os autores refletem sobre concepções e representações acerca desta região e de seus povos reveladas a partir da análise e interpretação do referido manuscrito. Palavras-chave: indigenismo, sertanismo, Região Central do Brasil.

 

PRESENÇAS DE OUTROS E CONSTRUÇÕES DE SI: DIÁLOGOS COM UMA EXPOSIÇÃO

Eoin O'Neill Irene Portela. Aluna de doutorado do PPGCP/UFF. Mestre em Antropologia Social pelo PPGAS/MN/UFRJ. Trabalha na Coordenação de Educação em Ciências - CED do MAST/MCTI; eoneill@oi.com.br

 

Parte-se de uma reflexão sobre representações ligadas a astronomia e ciência, mas, sobretudo, a Portugal e Brasil, no desenho da exposição Olhar o Céu, Medir a Terra do MAST, como escolhas que exprimem construções e atualizações de memória correntes. Faz-se isso através do recurso a uma perspectivação próxima dos eixos centrais da exposição, embora a partir de um 'olhar português'. Aporta-se com autores que destacam a importância de considerar múltiplas vozes - vontade que os museus ultimamente parecem refletir -, mesmo que restritas às de 'especialistas' e 'disciplinares', para compor quadros de representações sobre nacional, que guardam um propósito de afetar a vida. Dentre as instituições de memória inventadas na modernidade ocidental, os museus de história natural desempenharam a tarefa de procurar conciliar a memória de uma universalidade do saber científico com a  construção das particularidades da nação - explicitando uma 'tensão' entre falas que é correlata à crescente reclusão assumida pelo fazer da ciência, e ao estatuto que se lhe confere, em que pese a centralidade da 'natureza nacional' como tema da história política e científica moderna, aspectos que se refletem nos museus. Por fim, parte-se da noção do museu como "intelectual coletivo" para  refletir sobre possibilidades de correlação entre "lugares de memória" e memórias coletivas, e, sobretudo, de incorporação de falas e discursos alargados, em produções museais, em particular ligadas a território, a nacional, e a sua inter-relação com 'ciência'.

Palabras clave:  construções de imagens; representações de nacional; desenhos de território; universalidade e particularidade; falas nos discursos museais;

 

 

A MÁSCARA QUE COMEU O ACERVO: ECONOMIA DA CULTURA GAVIÃO PYHCOP CATI JI (TIMBIRA ORIENTAIS - MA)

 

Maycon Melo. Doutorando no Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais,  Universidade Federal do Maranhão (UFMA); mayconmelodoc@gmail.com

 

O artigo descreve as transações que objetos de um ritual de máscara acionam entre humanos e estrangeiros de diferentes matizes na economia da cultura Gavião. No ritual de Wyty o uso de alguns objetos por pessoas específicas permite que se realize uma série de transações econômicas entre humanos (me hẽeh), animais (pryyhre) e com o homem branco (cohpẽ), com os quais os Gavião precisam afinizar para colocar em ação uma economia de pessoas, conhecimentos e tecnologias. Na etnografia dessas transações, primeiro entre os humanos, me hẽeh (índio, “na carne”), descrevo parte do sistema de nominação Gavião e como os objetos parecem construir os corpos humanos assim como faz o nome pessoal. Nas transações com os animais de caça (pryyhre), descrevo a origem mítica de algum destes objetos e sua fabricação, uso e circulação como parte dos conhecimentos relacionados a noção de contágio e de carõo (alma). Por fim, descrevo como estes mesmos objetos, identificados e registrados para compor um acervo digital como forma de pagamento pela pesquisa, foram eles próprios agenciando o antropólogo dentro da economia de imagens Gavião. Geertz disse que os museus são zonas de contato entre pessoas separadas geográfica e historicamente. A construção de um acervo etnográfico com os Gavião sugere que essas zonas de contato podem ser alargadas, já que as imagens interligam mundos e seres diferentes em formas de socialidade que o acervo parece ainda não conter.  

Palabras clave: Ritual, grafismo indígena, acervo etnográfico, Gavião Pyhcop cati ji.

 

 

¿MUSEOS COMO ESPACIOS DE RESISTENCIA O DE COLONIZACIÓN DE TIERRAS Y MENTES?

Barbara Maisonnave Arisi. Doutora em Antropologia Social (UFSC). Docente no Programa de Pós-Graduação em Estudos Latino-Americanos (PPG-IELA), Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), Paraná, Brasil; barbara.arisi@gmail.com

 

Muchas veces los museos comunitários o alternativos son presentados como espacios de resistencia, como una tentativa de proponer alternativas narrativas a las hegemónicas o estatales. Sus objectivos son adentrar en las arenas de la economia cultural con el objectivo de enseñar otras imágenes, cuerpos, objetos y crear nuevas imágenes de ciertos pueblos o grupos específicos que se quieren diferentes y muchas veces están (o estaban) alijados de los museos existentes en ciertas ciudades, regiones o países. Mi ponéncia busca provocar a pensarmos si es posible que los museos puedan ser espacios de resistencia o si siempre serán espacios de colonización ya que empiezan como siendo de pueblos o grupos que se quieren empoderar através de la creación misma de esos espacios de poder y visibilización que son (o desean ser) los museos. Presento algunas acciónes artísticas y políticas de museos comunitários o de grupos que se consideraban marginalizados o poco visibilizados y que se utilizaron de esa palabra "museos" para tener su espacio en la arena de la economia de la cultura sobre las cuales me gustaría debatir con ustedes.

Palabras clave: museos alternativos; espacios de resistencia, espacios de colonización; economia de la cultura.

 

 

GT 14. ETNOGRAFÍAS ENTRE LO LEGAL E ILEGAL: FRONTERAS, CONTROLES Y MERCADOS

Coordinadores:

Brígida Renoldi (CONICET-Universidad Nacional de Misiones, Argentina); brire@hotmail.com

Lenin Pires (INCT-InEAC/Universidade Federal Fluminense, Brasil); leninpires@gmail.com

 Efrén Sandoval Hernández (Centro de Investigaciones y Estudios Superiores en Antropología Social, México – Unidad Noreste); esandoval@ciesas.edu.mx

Comentarista: Mariano Perelman (Universidad de Buenos Aires)

 

 

AS NOÇÕES DE ILEGALISMOS E DELINQUÊNCIA E O MERCADO DE DROGAS NO RIO DE JANEIRO

 

Antônio Rafael Barbosa – Professor do Departamento de Antropologia da Universidade Federal Fluminense e do Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Federal Fluminense. antonio.rafael.barbosa@gmail.com

 

Nesta comunicação busco examinar algumas práticas de uso e comércio de drogas no Rio de Janeiro, especialmente o mercado varejista que se processa nas favelas e periferias da cidade, através do emprego dos conceitos de “ilegalismos” e de delinquência como instrumentos heurísticos. Interessa-me explorar, simultaneamente, tanto as torções que a aplicação de tais noções produz na análise e descrição etnográfica do meu material de pesquisa, quanto as possíveis variações de ambos os conceitos, suas virtualidades transformacionais que podem ser aventadas a partir do exame deste mesmo material.

Palavras-chave: ilegalismos, delinquência, comércio de drogas, Rio de Janeiro.

 

 

LA REGULACIÓN DEL CANNABIS EN ESTADOS UNIDOS Y SU IMPACTO EN LA FRONTERA TIJUANA-SAN DIEGO

Alberto Hernández Hernández. Profesor investigador Departamento de Estudios de Administración Pública El Colegio de la Frontera Norte (México). Jaime Andrés Vinasco Barco. Estudiante de doctorado en Ciencias Sociales con Especialidad en Estudios Regionales, El Colegio de la Frontera Norte (México). ahdez@colef.mxy/o Jvinascodcs@colef.mx

 

A lo largo del siglo XX, el panorama de la producción y consumo del cannabis generó un intenso debate, caracterizado por acciones de prohibición y de castigo para productores, distribuidores y  consumidores. Dicha postura estaría encabezada por Estados Unidos, quien la llegó a considerar a una severa amenaza a la seguridad nacional. Al mismo tiempo, esto coincidió con que México se convertiría en un productor importante del cannabis, y su frontera norte un lugar de tráfico ilegal de esta droga. Este paradigma cambió radicalmente cuando varios estados de la Unión Americana, en pleno siglo XXI, emprendieron acciones de legalización de esta droga. California, fue el primer en despenalizar la provisión de cánnabis medicinal, en él han confluido algunos de los procesos de cambio normativo más notables, como la instalación de dispensarios para su venta. Pese a la cercanía geográfica entre las ciudades Tijuana-San Diego, que comparten una frontera de 50 kilómetros y es la más cruzada del mundo, ambos lados se caracterizan por tener diferentes posturas en cuanto a legalización e ilegalización, tanto de armas como del cannabis. El presente trabajo buscar analizar las formas en que consumidores que residen en Tijuana conviven en un contexto de legalización e ilegalización en cuanto a la posesión, adquisición y distribución de cannabis. Estos usuarios, coexisten cotidianamente en ambos lados de la frontera ya sea por motivos escolares, laborales o recreativos. Se parte de la delgada línea que separa los fines medicinal y terapéutico, de los recreativos, haciendo de lo legal e ilegal una frontera muy tenue.

Palabras clave: fronteras, regulación del cannabis, prácticas legales e ilegales

 

 

ZONAS DE INTERSECCIÓN: UN ITINERARIO DE LA NOCIÓN DE INFORMALIDAD EN LAS CIENCIAS SOCIALES

 

María Maneiro (IIGG-UBA/ CONICET)

 

El trabajo que presentamos busca reflexionar respecto de la dimensión política que se inscribe en el binomio formalidad/informalidad. Nos aproximaremos a esta cuestión retomando las sugerencias de Agamben quien propone transformar las dicotomías en bipolaridades heterogéneas y asimétricas. Con este objeto en primera instancia nos proponemos explorar la categoría analítica informalidad, remitiendo a los estudios sobre marginalidad, para ello abordaremos el desplazamiento del concepto y trataremos de aproximarnos a su dimensión política. Seguidamente ingresaremos en la noción de informalidad propiamente dicha, para llegar desde allí a la cuestión de la informalidad política. Aquí, la noción aparece, desde el planteo propuesto, indisolublemente ligada a los poderes del estado. Posteriormente rastrearemos los solapamientos y las articulaciones entre lo formal y lo informal en el mundo popular, entendiendo a la informalidad tanto como la dimensión política de las prácticas informales como la dimensión informal de las prácticas políticas. Luego revisaremos dos nociones que pretenden asir el espacio de intersección referido: por un lado retomaremos la noción de estado de excepción, como nudo gordeano que puede ayudar a la comprensión de la génesis de la bipolaridad formal/informal; por el otro lado abordaremos la noción de zona gris, como condensadora de un espacio social de relaciones distorcidas e intrincadas entre grupos sociales e individuos con diversas investiduras sociales y estatales. Finalmente explicitaremos una serie de reflexiones y nuevos interrogantes que serán retomados en trabajos posteriores.

 

 

 

 

 

 

CONTROLE SOCIAL DE PRÁTICAS (I)LÍCITAS NA TRÍPLICE FRONTEIRA BRASIL-COLÔMBIA-PERU

 

Gilse Elisa Rodrigues. Professora da Universidade Federal do Amazonas(Brasil) y Doutoranda- Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais/PUCRS. gilseelisa@ig.com.br

 

O estudo sócio-antropológico sobre o controle das práticas ilícitas que se desenrolam na tríplice fronteira Brasil-Colômbia-Peru, alvo da presente proposta de comunicação, sinaliza uma possibilidade de problematização do que se entende por fronteira do ponto de vista político-geográfico-administrativo. Na medida em que indivíduos e grupos sociais delimitam seus espaços de negociação estabelecem novas regras de ocupação do território, estendendo ou reduzindo os limites da fronteira, reduzindo ou aumentando os obstáculos para transpô-la, promovendo novas fronteiras culturais, sociais, simbólicas, bem como redefinições, conflitos e mesmo confronto às fronteiras definidas pelo poder político-governamental. A existência da fronteira em si já pressupõe uma possibilidade latente de circulação de pessoas, mercadorias, moeda, bens materiais de forma lícita ou não. Pode-se afirmar que este contexto possui uma dinâmica própria e instável que congrega a dimensão do conflito, da diferença, da integração e do poder entre os grupos locais e os Estados nacionais. Isto provoca reconfigurações tanto sobre as práticas legais quanto ilegais, redefinindo as estratégias pelas quais o Estado passa a dar respostas aos ilegalismos. Portanto, interessa compreender as diferentes práticas (i)lícitas que circulam na tríplice fronteira e as estratégias locais formais e informais de controle sobre as mesmas.

Palavras-chave: controle social na fronteira; fronteiras transnacionais; tríplice fronteira Brasil-Colômbia-Peru

 

 

A OPERAÇÃO “NO CAMINHO”: DISPUTAS ENTRE OS COMÉRCIOS INFORMAL E FORMAL NA FRONTEIRA BRASIL-BOLÍVIA

 

Pedro Rabello Paes de Andrade. Mestre em Antropologia/Universidade Federal da Grande Dourados. pedro.rabello@yahoo.com.br

 

A investigação constitui parte da pesquisa de mestrado do autor, concluída no ano de 2014. A cidade fronteiriça de Corumbá-MS tem observado com atenção, nos últimos anos, diversas ações do poder público que têm como objetivo combater o contrabando e o descaminho, além de coibir o comércio informal na cidade. Tais ações têm nos comerciantes nativos da Bolívia - país com a qual a cidade faz fronteira – seus principais alvos. Dialogando com pesquisas anteriormente realizadas na região, abordo aqui principalmente a operação “No caminho”. Parceria entre Receita e Polícia Federal, com apoio logístico do Exército Brasileiro. Esta operação mobilizou ao menos 270 pessoas e capitalizou grande atenção da mídia local. O objetivo era cumprir 38 mandados de busca e apreensão em estabelecimentos comerciais suspeitos em Corumbá, cujos responsáveis eram, em sua maior parte, bolivianos. Onze caminhões-baú foram preenchidos com as mercadorias apreendidas em apenas um dia de operação, que surpreendeu todos os donos dos estabelecimentos atingidos. Através da observação e do diálogo com interlocutores – principalmente bolivianos da região do altiplano, presença maciça no comércio da fronteira em questão –, além da análise de discursos das autoridades e notícias da mídia local, procuro entender como as disputas entre o comércio formal e informal criam um ambiente de predominante hostilidade para com os bolivianos que buscam melhorar suas vidas beneficiando-se do comércio fronteiriço. Além disso, tento entender as motivações dos atores em questão, suas condições de vida, as diferentes táticas comerciais e como conseguem suas mercadorias.

Palavras-chave: Fronteira; comércio; bolivianos; Corumbá

 

 

ÉTICA CONTRABANDISTA

 

Enrique Da Rosa,  Diplomado Gestor de Proyectos por CLAEH, Diplomado en Gestión Cultural en FLACSO, Diplomado en Gestión del Patrimonio Cultural Inmaterial por CRESPIAL-UNESCO, Diploma de Gestión Cultural del Espacio Interdisciplinario de la UDELAR (tesis final)

 

Ivonne Dos Santos, estudiante Ciencias Antropológicas (tesis en curso), Diploma “Gestión Cultural Local” Universitat de Girona. Investigadora y Educadora OSC-ECA Hilando Vidas.

 

Este trabajo presenta avances de la investigación en curso “Frontera imaginada” que realizamos en el marco de “Jodido Bushinshe” (Ciclo de exposiciones organizadas por Centros MEC que buscan la postulación del Portuñol como Patrimonio Cultural Inmaterial ante la Comisión del Patrimonio de la Nación en Uruguay). El análisis del proceso de gestación y puesta en escena del Ciclo permitió encontrar emergentes no

solo en relación al portuñol como componente lingüístico de la cultura de frontera, sino también las prácticas y estrategias que, desde diversos actores, nos llevan a lo que denominamos “ética contrabandista”. Este componente del etos social lleva a que tanto funcionari*s como ciudadan*s realicen adaptaciones de las leyes y normas usando los intersticios de estas como líneas de fuga donde se construyen las identidades fronterizas. Identidades que desde una historia continua se articulan desde un discurso subalterno con relación al discurso del estado nación. Nuestra investigación busca identificar estos componentes que dan cuenta de una identidad fronteriza particular, donde la frontera se sostiene en una linea imaginaria y las identidades culturales se disuelven y concentran en conformaciones contra-hegemónicas a la “identidad nacional”.

Palabras clave: Portuñol, Frontera, Estado, Etos, Contrabando

 

 

“YO NACI NUNA FRONTERA DONDE SE JUNTAN DOS PUEBLOS”: UMA (AUTO)ETNOGRAFÍA ENTRE O URUGUAI E O BRASIL

 

Isis Karinae Suárez Pereira, Graduanda em Antropologia Social e Cultural na Universidade Federal de Pelotas- UFPel- isiskspereira94@gmail.com

 

O presente trabalho em Antropologia apresenta o modo de vida dos fronteiriços -como se autodenominam-moradores das cidades de Santana do Livramento (Brasil) e Rivera (Uruguai). Uma fronteira ao norte do Uruguai e sul do Brasil, apresentando um panorama único para estudos sociais. A pesquisa foi desenvolvida no âmbito de um projeto de conclusão de curso. Na atualidade, as fronteiras tem sido alvo de inúmeras pesquisas; muitos estudos na antropologia colocam a inexistência de fronteiras culturais, existindo apenas as de cunho simbólico, as estatais. A partir da etnografia apresento a trajetória de algumas famílias da região, o seu dia-a-dia e como vivem a fronteira (simbólica e física) com seus saberes e modos de fazer, demonstrando, desse modo, a existência das fronteiras. Para isso, escolhem-se as dinâmicas diárias desenvolvidas na informalidade como ponto central de observação. O que nos apresentou a fronteira entre o legal e ilegal, tornada ínfima na região, reconstruindo-se nas situações observadas. A pesquisa foi realizada através de visitas às famílias, momento em que os relatos contados de eventos e micro-eventos se tornaram roteiros das conversas. Após algumas idas a campo o objetivo tornou-se  compreender o conceito de identidade para essas pessoas, analisando os relatos de obtenção e uso de documentos, assim seja certidão de nascimento, registro geral, CPF, carnê de saúde, registro de propriedades, entre outros. As etnografias foram somadas à experiência do pesquisador apresentadas pela autobiografia, o ser da região propiciou novos olhares na pesquisa. Tornando possível repensar os métodos antropológicos, como os desafios da antropologia para antropólogos em formação, o aplicar novos métodos, sendo um deles a auto-antropologia. O analisar criticamente a presença do Estado em fronteiras tornou-se crucial na pesquisa, os dados apresentados são um passo inicial do trabalho, o qual continuará sendo desenvolvido com o objetivo de compreender essa relação com os documentos, colocando em evidência o papel dos Estados.

Palavras-chave: antropologia; fronteira; Estado; etnografia; família;

 

 

CIRCUITOS DE BAILES DE REGGAE, MERCADO DE ENTORPECENTES E DE BENS ROUBADOS: ETNOGRAFIA DE POSIÇÕES INFORMAIS, LEGAIS E ILEGAIS EM MERCADOS DE DIVERSÕES EM PERIFERIAS DE MACEIÓ, ALAGOAS, BRASIL

 

Fernando de Jesus Rodrigues, Profº do Instituto de Ciências Sociais e membro do Programa Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal de Alagoas. Líder do Grupo de Pesquisa CNPq Ambientes, Afetos e Economia das Simbolizações (GRUPAAES), ferssa@gmail.com

 

Pretendo problematizar maneiras de representar entrelaçamentos entre pessoas em bailes de reggae e em trocas envolvendo dinheiro, entorpecentes e bens roubados em “periferias urbanas” de Maceió. Considero as pressões de agentes estatais sobre esses empreendimentos, e assim, busco indicar os significados do legal e do ilegal entre os agentes nesses contextos e as ambivalências de orientações que formam. A partir de visitas a bailes de reggae, entrevistas com DJ’s, donos de “discotecas”, visitas a unidades de internação, onde entrevisto jovens enovelados a mercados de entorpecentes e mercadorias roubadas, capturados pela polícia e incriminados em varas da infância e juventude, apresento uma etnografia do mercado de diversões que gravitam em torno das discotecas e das drogas em “periferias urbanas” de Maceió. Um aspecto importante deste funcionamento que destacarei são os desdobramentos das pressões de agentes estatais, policiais e judiciais, sobre os frequentadores e promotores desses negócios e, assim, as suas dimensões ambivalentes de gratificações e sofrimentos.

Palavras-chaves: Mercado informal, Mercado ilícito, Diversões, Periferia urbana, Maceió.

 

 

“LOS ESTUDIANTES NORTEÑOS DE LA UNNE Y LA HOJA DE COCA: UNA CASO PECULIAR DE COSTUMBRES Y ESTIGMAS”

 

Romina de la Cruz Brabo Guerra. Alumna de maestría en el Programa de Posgrado en Antropología Social de la Universidad Nacional de Misiones y Docente en la Universidad Nacional del Nordeste (UNNE)-Instituto de Ciencias Criminalísticas y Criminología (Corrientes-Argentina).

 

Esta presentación se enfoca en los jóvenes salteños y jujeños, que todos los años llegan a la ciudad de Corrientes (Corrientes-Argentina) atraídos por la oferta académica de grado brindada por la Universidad Nacional del Nordeste. En este territorio, el paisaje, tanto natural como cultural, presenta diferencias marcadas con respecto a sus lugares de origen. La cultura del Noroeste Argentino (NOA) encarnada por estos jóvenes, se expresa en costumbres como el coqueo, y en el lugar significativo que productos naturales, como la hoja de coca, adquieren para ellos. La coca es una planta empleada por las comunidades andinas debido a sus propiedades beneficiosas para el organismo humano y se inscribe históricamente en un espacio cosmológico y religioso. Sin embargo, desde la colonización española carga con estigmas, de los cuales el más resonante hasta la actualidad la concibe como estupefaciente: nocivo e ilegal. Aún cuando la evidencia científica contradice este posicionamiento llegó a conformarse un discurso dominante, que también se manifiesta en Argentina, mostrando diferenciaciones, tensiones y nuevas significaciones en los contextos de uso. Describiré estas prácticas según los jóvenes norteños que se han desplazado hacia la ciudad de Corrientes para estudiar en la Universidad Nacional del Nordeste, considerando sus perspectivas, experiencias y percepciones. En este sentido, problematizaré el coqueo y otros usos que los estudiantes norteños le dan a la hoja de coca, en un contexto donde su consumo llega a ser objeto de prejuicios por su relación con la cocaína, y donde se evidencian diferentes expresiones de legitimación para contrarrestar las miradas negativas sobre quienes coquean.

Palabras Clave: Cultura/hoja de coca/cocaína/estigma/universidad.

 

 

¿LA EVASIÓN IMPOSITIVA, ES UN DELITO? REFLEXIONES ACERCA DEL ILEGALISMO DE LA EVASIÓN IMPOSITIVA COMO FENÓMENO SOCIAL Y CULTURAL

Antonella Comba, Facultad de Ciencias Sociales. UBA. CONICET-IIGG. antocomba@gmail.com

 

El actual escenario agrícola argentino que denominamos Nueva Ruralidad, es producto de un largo proceso de transformaciones que ocurrieron a la luz de múltiples reconfiguraciones económicas, sociales y políticas como por la emergencia de nuevos y diversos actores sociales en el ámbito rural. Específicamente, la provincia de Córdoba se ha vuelto una región agrícola predominantemente basándose principalmente en el cultivo de la oleaginosa soja. Este ámbito de producción ha generado en la última década cuantiosos dividendos, convirtiéndose en terreno fértil para la realización de diversos tipos de ilegalidades, entre ellos, la evasión tributaria. Este tipo de delitos son escasamente castigados y el orden social ha instituido, de manera paradójica “paraísos fiscales” para refugiar el producto de ese tipo de delito, a la vez que sanciona leyes para perseguirlos y “castigarlos”. En esta ponencia presentaremos los avances de nuestra investigación que se encuentra actualmente en curso, en el marco de una beca doctoral. El insumo a partir del cual realizaremos este artículo son una serie de entrevistas semi-estructuradas que realizamos en nuestro trabajo de campo a partir de una metodología cualitativa. En el mismo, buscaremos reconstruir las diferentes técnicas de neutralización creadas y utilizadas por las distintas personas que realizan esta ilegalidad para “anular” la carga negativa de su práctica. Al mismo tiempo, buscaremos identificar su legítimo funcionamiento en el marco de códigos culturales locales compartidos tanto por los evasores como por aquellos que se dedican a perseguir esa ilegalidad y el público en general. Así, buscamos reconstruir que significan las fronteras entre lo legal y lo ilegal para ese entramado de actores en la realización de ese ilegalismo. Y entender, cómo esta significación, configura la práctica de este ilegalismo.

Palabras clave: ilegalismos-evasión-delito de cuello blanco-técnicas de neutralización

 

 

OS LIMITES ENTRE O LEGAL E O ILEGAL EM UMA FRONTEIRA AGRÍCOLA: REFLEXÕES SOBRE AS RELAÇÕES DE TRABALHO NO “AGRONEGÓCIO CAFÉ” DO CERRADO MINEIRO (MINAS GERAIS, BRASIL)

Hailton Pinheiro De Souza JR., Doutorando em Sociologia e Antropologia – PPGSA / IFCS / UFRJ,Professor Assistente – Departamento de Ciências Jurídicas – ICHS / UFRRJ, hailtonpinheiro@ufrrj.br / hpsjunior1@gmail.com

 

Esta comunicação apresenta um conjunto de reflexões sobre relações de trabalho, conflitos e seus sistemas de resolução em dois municípios do “cerrado mineiro” – Patrocínio e Araguari (MG) – que figuram entre os dez maiores produtores de café (arábica) do país; o estudo comparativo entre as “práticas produtivas”, particularmente, as relações destinadas à “contratação” de mão-de-obra sazonal (“safristas”, ou seja, migrantes do norte do Estado ou nordeste do país, via de regra), com maior ou menor participação de intermediários (arregimentadores de mão-de-obra, chamados “gatos”) – o que ocorre distintamente nas duas localidades estudadas –, bem como, os diferentes modos de encaminhamento e resolução de conflitos decorrentes das relações laborais, com a participação de instituições como os Sindicatos e Núcleos de Conciliação (Núcleos Intersindicais), nos coloca diante da possibilidade de analisar os limites da incidência da norma jurídica “formal” (do direito do trabalho “positivo”, neste caso) e, consequentemente, da atuação do Estado em uma região que já foi caracterizada como “nova fronteira agrícola” e nos últimos anos vai sendo alçada à condição de área de agricultura consolidada, com uma reconfiguração da síntese de contradições produzidas na “dialética” entre norma e prática, legal e ilegal, imposições formais exteriores e interesses concretos dos sujeitos em relação sobre questões como “salário”, “jornada”, enfim, representações sobre seus “direitos” em geral. Uma vez que tal problema se estabeleceu como central à tese de doutorado a ser por nós elaborada, a possibilidade de diálogo aberta pelo presente Grupo de Trabalho afigura-se preciosa à consecução dos melhores resultados para nosso estudo.

Palavras-chave: Legalidade. Relações de Trabalho. Fronteira Agrícola. Agronegócio. Cafeicultura.

 

 

REDES ALIMENTARIAS ALTERNATIVAS: PRODUCIR SIN EL ESTADO. UN ESTUDIO COMPARATIVO FRANCO-MEXICANO

 

David Monachon, Estudiante de Doctorado en Antropología Social CIESAS – Centro de Investigación y Estudios Superiores en Antropología Social, México – Unidad DF, david.monachon@gmail.com

 

En el marco de nuestras investigaciones de doctorado nos enfocamos sobre el análisis de redes alimentarias alternativas con una perspectiva comparativa Franco-Mexicana: los Mercados Alternativos de Tlaxcala y las Asociaciones de Mantenimiento de la Agricultura Campesina. Son grupos de consumidores y de productores preocupados por los riesgos vinculados a la producción industrial y agroquímica, para la salud y el medio ambiente, y que se orientan hacia las alternativas que ofrecen las prácticas agroecológicas u orgánicas. Las dinámicas observadas en Francia parecen hacer parte de una reacción de resiliencia más amplia de la sociedad civil frente a las presiones ejercidas en su contra por el sistema económico globalizado, la búsqueda de nuevas estrategias de abastecimiento en alimentos de calidad y a favor del vínculo social entre los seres humanos. En paralelo, en México se están experimentando iniciativas análogas donde consumidores y productores reivindican sus derechos a la alimentación y su participación política a nivel local. Todos entran en esta dinámica de emancipación de los canales de distribución tradicionales que invisibilizan al productor, lo vuelven dependiente de una cadena de intermediarios y de transición hacia una agricultura sostenible donde se privilegian más los valores ecológicos y sociales que la economía de mercado destructiva para los recursos naturales, humanos y económicos de las familias campesinas. Pero para fortalecer este vínculo directo consumidor-productor y legitimarlo de manera “más formal” en los dos países se desarrollaron sistemas participativos de garantía, en paralelo a las reglamentaciones nacionales y que buscan justamente independizarse del control y de las presiones gubernamentales.

Palabras claves: Agroecología, Garantía, Campesinos, Políticas, Globalización

 

 

O LADO SOMBRIO DA ESTRADA: VITIMIZAÇÃO, GESTÃO COERCITIVA E PERCEPÇÃO DE MEDO NOS ROUBOS A ÔNIBUS INTERURBANOS

Eduardo Paes-Machado Sociólogo e criminólogo, Professor do Departamento de Sociologia e do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia. epaesm@gmail.com

 

Silvia Viodres-Inoue Psicóloga, Professora do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade Católica de Santos. Apoio: CNPq e Capes.

Este trabalho discute a vitimização e a percepção de medo nos roubos a ônibus interurbanos no estado da Bahia, Brasil. Analisa entrevistas com rodoviários e passageiros, e matérias jornalísticas. Compara a vitimização nos roubos efetuados na estrada com a dos roubos em que os ônibus são desviados do seu percurso. Argumenta que o emprego da violência psicológica e física para manipular a percepção de medo é influenciado pelas características dos veículos, pela multiplicidade de vítimas e pela duração da interação entre estas e os assaltantes. Relaciona as variações no tipo e no nível de vitimização com o estilo de gestão dos assaltantes, os papéis diferenciados e as respostas dos tripulantes e passageiros nas distintas fases da transação coercitiva. Conclui defendendo a regulação destes crimes e da segurança do transporte de ônibus interurbanos.

Palavras chave: transporte de passageiros, vitimização por roubos, transação coercitiva, percepção de medo, resistência

 

 

CORRELACIÓN HISTÓRICA ENTRE ACTORES LÍCITOS E ILÍCITOS EN EL NORESTE MEXICANO

 

Carlos Antonio Flores Pérez (CIESAS-México). cafp72@gmail.comcflores@ciesas.edu.mx

 

La crisis de violencia que ha asolado a la región noreste de México es el resultado de una disfuncionalidad profunda en la estructura del poder político y económico, caracterizada en el primer caso por una reconfiguración cooptada del Estado, en la que actores políticos con influencia federal y local bloquearon de origen el funcionamiento normal de instituciones del Estado para proteger los intereses delictivos de una red criminal de la que formaban parte, en una de las zonas del país más favorables para el desarrollo de diversos tráficos ilícitos que les rindieron considerables ganancias ilegales.En esta ponencia pretendo mostrar que estas mismas redes de actores favorecerían, a partir de la puesta en marcha de operaciones que hoy son concebidas como propias del lavado de dinero, la integración de ganancias de procedencia ilícita en circuitos económicos legales que, de esta manera, tuvieron desde su origen una vinculación con los ámbitos criminales. Estos antecedentes y su continuidad a lo largo del tiempo desvirtúa cualquier intento de enfrentar a la delincuencia organizada en la región y la violencia que genera, sin reformar profundamente la estructura de poder político y económico en su conjunto. Este trabajo aportará una visión panorámica a estos procesos, a partir de documentos públicos.

 

 

“NA HORA SAI” (NHS): A PRECARIEDADE COMO MECANISMO INFORMAL ORGANIZADOR DOS PROCESSOS DE RESPONSABILIZAÇÃO E CULPABILIZAÇÃO NA POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Leonardo Mazzurana, Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (PPCIS/UERJ) (leonardomzv@gmail.com)

 

A expressão “na hora sai” – ou “NHS”, como é mais conhecida – é uma máxa informal da PMERJ e remonta a ideia de “improviso”, sendo mobilizada significativamente para marcar que, a despeito de todo e qualquer esforço antecipatório de planejamento (logístico, operacional, educacional etc.), os resultados de suas intervenções dependeriam mais do “bom senso” de seus agentes (sem mencionar uma boa dose de “sorte”) para “desenrolar” as contingências que se apresentam no plano dos acontecimentos. Como um bricoleur, que recorre a um repertório heteróclito de matérias-primas para compor sua obra, o policial deve “improvisar” com os “fragmentos” de que dispõe (experiências profissionais, biográficas, leis, normas, histórias etc.) para operar o NHS, uma espécie de “discricionariedade marginal”, legitimada pela prática social, mas negada pelo dever-ser do direito. A partir de relatos extraídos de pesquisas empíricas em que os autores encontram-se implicados, espera-se, ao explorar os contextos de aplicação desta categoria nativa, desdobrar seus efeitos para a consolidação de uma instituição pouco suscetível (e mesmo refratária) aos expedientes de controle e responsabilização burocrático-legais, uma vez que uma cadeia de “precariedades” se interpõem entre aqueles que dão as ordens e os que as executam na ponta. Essas “precariedades” tendem a converter-se em discursos de justificação, que correriam em socorro da instituição policial confrontada com a dura constatação de que, na hora, as coisas podem não sair como esperado.

 

 

EU ATUO ILEGALMENTE, MAS REPRESENTO O ESTADO: UMA REFLEXÃO DA GESTÃO DO ESPAÇO PÚBLICO PELA LÓGICA DA PRECARIEDADE

 

Gabriel Borges da Silva- Doutorando em Sociologia e Direito pela Universidade Federal Fluminense. borges.silva0705@gmail.com

 

A presente proposta de trabalho, pretende refletir dados construídos pela elaboração da minha Dissertação de Mestrado, a partir de um processo de recadastramento dos comerciantes que atualmente exercem atividades no Mercado Popular da Rua Uruguaiana (MPU), localizado no Centro da Cidade do Rio De Janeiro desde 1994. Este processo, foi realizado com por agências da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, bem como por ações policiais, justificadas pelo combate a venda de mercadorias falsificadas. Neste sentido, pretendo refletir as práticas policiais, com foco na atuação da polícia civil, que promoveu o fechamento de todo o MPU, sob a tutela judicial de investigar pouco menos de 1/3 dos comerciantes, acusados de venda de mercadorias falsificadas. De acordo com relatos, este processo se deu de forma arbitrária, inclusive, com o fechamento de todo o MPU e com a investigação estendida para os demais comerciantes: “A operação foi Ilegal! Fechou boxes e levou mercadorias de camaradas quem não vendiam pirataria!”. Com isso, por meio dos relatos, bem como pelo acompanhamento da cobertura midiática, procurarei refletir esses processos a partir da lógica da Precariedade, que rege a gestão disponibilizada pelo Estado para a atividade comercial exercida no MPU, transitando, além de outras, pelas fronteiras do legal e do Ilegal.   

Palavras- Chaves: Precariedade; Mercado Popular Uruguaiana; Espaço Público; Policia Civil.

LOS DIFERENTES SISTEMAS POLÍTICOS QUE INTERVIENEN EN LA PRODUCCIÓN DEL ORDEN Y LA SEGURIDAD EN UNA CÁRCEL DEL SERVICIO PENITENCIARIO BONAERENSE

 

Mónica Evangelina Montero Olivo, Doctoranda en Antropología Social IDAES/UNSAM. monicaemo@yahoo.com y monicaemo31@gmail.com

En el marco de mi tesis de doctorado, cuyo propósito es investigar con perspectiva de género los sistemas políticos que conviven a lo interno de los muros de una cárcel de la provincia de Buenos Aires, la ponencia pretende reflexionar sobre el funcionamiento del sistema penal frente a la delegación de la garantía de la seguridad intracarcelaria. La reflexión buscará líneas para evidenciar la coexistencia de distintas formas de gobierno intracarcelario y, la manera como se estructuran dichos sistemas políticos para garantizar la seguridad de las/os interno/as y trabajadores/as. Proyecto retomar la interpretación que hizo Pritchard del sistema político en la Nuerlandia como marco para detectar cuáles son los valores políticos y cuáles son las funciones de las relaciones políticas dentro del conjunto total que es la cárcel. Cómo son las relaciones estructurales que genera la delegación en la población interna de la seguridad, sus autoridades dentro de los pabellones, qué institución las define. Por su parte, ¿En los recintos de reclusión femenina se puede corroborar la existencia de alguna figura que contribuya con el orden y la seguridad de las internas? Precisar en los pabellones evangélicos y entre los internos por delitos sexuales, alejados de la población común, las figuras de autoridad con quienes el servicio penitenciario negocia el control y la seguridad de la población. Cómo interactúan estas formas de gobierno, cómo son las prácticas de ejercicio de poder y cómo se encuentran y se separan del sistema de gobierno que establece la burocracia penal.

Palabras claves: Seguridad intracarcelaria, formas de gobierno, sistemas políticos, género, sistema penitenciario.

 

 

A INSTITUCIONALIZAÇÃO DA CORRUPÇÃO EM ÂMBITO POLICIAL

Paula Lessa – Mestre em Direito pela UFG, Policial Federal

 

O presente trabalho pretende discutir a partir da percepção de pessoas que moram em comunidades; diálogo com policiais da área de segurança pública do estado do Rio de Janeiro e da experiência da pesquisadora em âmbito de Polícia Federal: desde a prática do Plantão Policial à prática na Corregedoria Regional de Polícia, a imagem dos interlocutores e os fatos que se materializam em arbitrariedade ou corrupção policial, mas que, nem sempre, são vistos como tais pelos que praticam, ou mesmo para os que sofrem com tais atos, ou, ao menos, lhes parecem justificáveis.  Busca-se apresentar exemplos ilustrativos de como a corrupção se materializa na prática cotidiana de ações corriqueiras, tais como: uma perseguição, uma blitz, um flagrante ou, até mesmo, em práticas institucionais, como o uso de viaturas e insumos do Órgão Público. Este trabalho pretende apresentar alguns casos concretos e a partir deles expor a naturalização de tais práticas por seus agentes.

 

“QUEM PAGA, BOTA PARA TRABALHAR”: TENSÕES ENTRE A REGULAÇÃO DO “BICO CLANDESTINO” E A REGULARIZAÇÃO DO “BICO OFICIAL” NOS SERVIÇOS DE POLICIAMENTO NA PMERJ

 

Luciane Patrício. Mestre e Doutora em Antropologia (PPGA/UFF). Professora adjunta do Departamento de Segurança Pública da Universidade Federal Fluminense (DSP/UFF). luciane.patricio@uol.com.br

 

Jacqueline de Oliveira Muniz. Mestre em Antropologia Social (Museu Nacional/UFRJ) e Doutora em Ciência Política (IUPERJ/UCAM). Professora adjunta do Departamento de Segurança Pública da Universidade Federal Fluminense –  DSP/UFF. jacquelinedeoliveira.muniz@gmail.com

 

O “bico clandestino” ou a prática informal e não legal do segundo emprego, inscreve-se numa ampla malha de negociações das escalas de trabalho que atravessa as regulações formais de alocação do policiamento na polícia militar do estado do Rio de Janeiro. O mercado de compra e venda de folgas, uma “política salarial informal”,  é apresentado como um “modo honesto” do policial complementar sua renda e resistir à corrupção vinda dos apelos do “mercado criminoso”. Nos negócios (con)sentidos da segurança observa-se uma dinâmica de particularização do mandato policial que conecta-se com empresas de vigilância, legais e ilegais, assentadas numa rede formada por policiais, parentes e apadrinhados que operam como proprietários, sócios e prestadores de serviços. Recentemente, o governo estadual publicou três decretos que regulamentam e “terceirizam” os serviços policiais, de forma compulsória ou voluntária, durante a folga. Estes regimes adicionais de serviços, os “bicos oficiais”, incluem o emprego de PMs para suplementar as guardas municipais, prover segurança às concessionárias de serviços públicos e complementar efetivo em eventos extraordinários. Com a gestão estatal da folga tem-se uma disputa entre os arranjos de controle informal e formal do bico. Isto evidencia práticas conflituosas de contorno aos dispositivos normativos e procedimentais, dentro do governo, que borram as fronteiras entre o legal e o ilegal nas ofertas privadas e institucionais, particularizadas ou não, de policiamento público, estatal e privado. Busca-se refletir sobre os mercados de folgas policiais, problematizando como estes mesclam-se e insinuam uma gestão diferencial de tolerâncias, transgressões consentidas e sanções a partir das normatividades existentes e das percepções dos PM sem suas manifestações discursivas nas redes sociais.

Palavras-chave –“bico”, polícia militar, mercados, segundo emprego, regulação.

 

 

"CAMELÓDROMOS" NO RIO DE JANEIRO E EM CAMPOS DOS GOYTACAZES: JOGO POLÍTICO E COMÉRCIO INFORMAL

 

Hernán Armando Mamani, Instituto de Ciências da Sociedade e Desenvolvimento Regional (ESR/UFF), hernan_a_mamani@yahoo.com.br

 

A criação de mercados populares constitui um "modelo" de política municipal, implementada a partir de 1983, na cidade do Rio de Janeiro e imitado nas principais cidades do estado, como Campos dos Goytacazes em 1991. Instituídos por lei ou por decreto municipal nos quais os comerciantes informais receberam uma autorização precária para ocupação de um "box", os "camelódomos", reduziram o conflito entre informais e comerciantes e estimularam um comércio popular rentável e integrado a redes econômicas mundiais. Mas, a partir de 2005, a perseguição ao contrabando e aos produtos pirateados, as novas concepções de política social, bem como a implantação de projetos de renovação urbanos coíbem estes mercados. E as tentativas de remoção dos mercados populares expande-se ao interior do estado e põe a mostra os atores e as práticas envolvidos em sua regulação. Assim, o trabalho descreve e analisa a produção, transformação e difusão de políticas destinadas a tratar do comércio informal na rede urbana do Rio de Janeiro, mediante a comparação das políticas do Rio de Janeiro e de Campos dos Goytacazes nos quais as administrações municipal assumem posturas opostas.

 

 

PRÁTICAS PEDAGÓGICAS E SUJEITOS LEGAIS DO ESTADO: ETNOGRAFIA SOBRE A ADMINISTRAÇÃO DO CAMELÓDROMO PORTO-ALEGRENSE E SUAS PRODUÇÕES DE LEGIBILIDADE

Andressa Nunes Soilo, UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), Doutoranda/ 2º semestre. andressansoilo@outlook.com

 

Este trabalho aborda, sobretudo, as práticas pedagógicas de conversão do “ilegal” para o “legal” direcionadas aos comerciantes do camelódromo da cidade de Porto Alegre/RS pela empresa privada que o administra. O camelódromo porto-alegrense corresponde a um prédio que abarca, desde 2009, comerciantes informais que trabalhavam nas ruas da cidade – comumente conhecidos como camelôs. Tal prédio é fruto de parceria público-privada junto a uma construtora que hoje administra o espaço, esforçando-se em ressignificar o comerciante “fora-da-lei” em micro-empresário legalizado. É nesse cenário que investigo as práticas pedagógicas despendidas pela gestão do espaço a fim de que atividades consideradas legais substituam atividades consideradas ilegais que são praticadas por alguns comerciantes. Esta etnografia foi realizada através do emprego de técnicas de observação participante, pesquisa documental, e entrevistas semi

estruturadas e conversas informais com a diretora do camelódromo e com comerciantes. No recente cenário comercial do camelódromo foi possível perceber a implantação de práticas como “compensações” aos comerciantes que apresentavam notas fiscais; realização de palestras envolvendo a temática da legalidade e de seus benefícios; e programas direcionados à conscientização de crianças, filhos de comerciantes que convivem no camelódromo, sobre atividades ilegais no meio comercial.

Palavras-chave: camelódromo, legibilidade, Estado, práticas pedagógicas

 

 

JOGOS LISBOETAS; DESDOBRAMENTOS REFLEXÕES COM JOGOS DE APOSTAS NA REGIÃO METROPOLITANA DE LISBOA -PT.-

Rômulo Bulgarelli Labronici INCT-InEAC/ UFF, doutorando, romulolabronici@gmail.com

 

O mercado de jogos de aposta, também conhecidos como jogos de azar ou sorte, insere-se numa temática altamente controversa no âmbito das fronteiras entre o “legal” e o “ilegal”. Atividade cujos valores comumente atribuídos ao do “ilegal” pelos códigos de leis em geral não são inteiramente reconhecidos pelos praticantes quando esta se escapa do monopólio estatal. Assim, o trabalho desenvolve-se a partir de uma breve experiência realizada no período em Lisboa Portugal, onde tive a oportunidade de ter contato com diversos modelos e percepções da construção do jogo na sociedade portuguesa. Proponho explorar dois tipos de jogos populares. O primeiro com os Jogos da Santa Casa de Misericórdia de Lisboa (SCML) e suas controvérsias. A SCML detém o monopólio dos jogos de loteria em Portugal que administra e controla com uma moral católica de auxílio aos “necessitados” e em situação de “carência social”, mas que utiliza o jogo como fonte de receita. Um segundo foco são espaços de carteado “informais” e “espontâneos” criados por frequentadores de uma tasca(bar). Local onde os frequentadores apostam entre si jogos fora do controle estatal. Neste espaço as regras do jogo são flexíveis constantemente (re)negociadas. Assim, busco ressaltar como se desdobram as dinâmicas relacionadas a esta atividade, em um universo que se estende em meio urbano com dinâmicas, moralidades e regras de sociabilidades distintas.

Palavras Chave: Jogo, apostas, mercados, Ilegalismo; informalidade.

 

 

FISCALIZAÇÃO, APREENSÕES E SOFRIMENTO: NARRATIVAS SOBRE A ILEGALIDADE ENTRE CAMELÔS EM PELOTAS/RS

 

Claudia Cardoso Goularte, Atualmente vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Federal de Pelotas (PPGAnt/UFPel) e Mestre em Sociologia (IFISP/UFPel), claudiasociologia@gmail.com

 

O objetivo deste resumo é apresentar parte fundamental da pesquisa realizada no decorrer do Mestrado em Sociologia pela Universidade Federal de Pelotas, concluída no ano de 2008, que tem como título; Cotidiano, Identidade e Memória: Narrativas de Camelôs em Pelotas (RS). Tem-se assim a intenção de discutir criticamente, as questões concernentes a “legalidade/ilegalidade” e “formalidade/informalidade”, a partir das narrativas dos trabalhadores, que versam em inúmeros momentos sobre as situações vivenciadas com a fiscalização e as apreensões de produtos contrabandeados, tanto no espaço de trabalho denominado Camelódromo, como nas estradas que fazem a fronteira Brasil/Paraguai. As narrativas sobre esse cotidiano de sofrimento e tensão são pontos fortes e centrais nas falas dos interlocutores, momentos em que explicitam todo o drama que tais vivências trazem, com os prejuízos e humilhações ocasionados pelas perdas das mercadorias adquiridas, assim como traz à tona as identidades construídas a partir da atividade de trabalho escolhida por esse grupo. É através desses momentos de tensão e conflito que se observa a união dos camelôs como um todo, as narrativas trazem assim a percepção dos sujeitos sobre as suas atividades, que mesmo consideradas pelos trabalhadores como dignas, encontram-se situadas em uma constante fronteira entre legal/ilegal e formal/informal.

Palavras-chave: Mercados populares - regulação -conflito - mercados políticos - economia informal.

 

 

 

MODOS DE GOVERNO E PROCESSOS DE LEGALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO DE QUEIJOS ARTESANAIS NA REGIÃO DA CANASTRA  MINAS GERAIS – BRASIL

 

Rosângela Pezza Cintrão, Doutoranda – CPDA/UFRRJ, bibicintrao@gmail.com

 

Neste trabalho buscaremos analisar os modos de governo na produção e comercialização de queijos artesanais na região da Serra da Canastra, em Minas Gerais, Brasil. Ali, pequenos atravessadores, denominados localmente de “queijeiros”, percorrem as estradas rurais recolhendo os queijos de pequenos produtores e distribuem estes queijos para mercados consumidores urbanos de fora da região. A partir dos anos 1990, aprofundam-se a nível internacional e nacional, instrumentos e dispositivos de fiscalização e controle sanitários que têm a produção industrial como parâmetro e percebem a produção artesanal de queijos como apresentando elevados riscos à saúde dos consumidores. Como reação a este processo, desencadeia-se uma busca de reconhecimento e legalização dos queijos artesanais em Minas Gerais, que levam, a partir de 2002, à diferenciação de um novo setor (minoritário) de produtores chamados de “cadastrados”, que buscam se legalizar, em oposição aos que permanecem na ilegalidade, os “não cadastrados”. Observaremos em que medida este processo leva a uma perda de legitimidade e acentua o caráter “clandestino” das atividades relacionadas aos queijos artesanais. Procuraremos debater com visões que pressupõem a necessidade de legalização de atividades econômicas informais como necessárias para a garantia de segurança sanitária e para a inclusão social e promoção de processos de desenvolvimento. A legislação sanitária, apresentada como embasada em parâmetros científicos e neutros, voltados para proteção da saúde dos consumidores, é resultado de disputas sociais onde estão presentes diferentes visões de mundo, jogos de mercado e interesses econômicos e, no caso analisado, tende a acentuar desigualdades sociais e processos de exclusão.

Palavras-chave: Queijos Artesanais, Legislação Sanitária

 

 

ENTRE AS FORMAS ESCOLARES E A SOCIALIZAÇÃO INFORMAL: REFLEXÕES SOBRE POSSÍVEIS PERCURSOS DE CONSTRUÇÃO IDENTITÁRIA NA POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

 

Elizabete Ribeiro Albernaz, Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Federal Fluminense (PPGA/UFF) betealbernaz@gmail.com

 

As relações entre ensino escolar e práticas de trabalho na Policia Militar no Estado do Rio de Janeiro é o foco da presente comunicação. As tensões existentes entre o conhecimento codificado, escolarizado e, portanto, formalizado por tecnologia escrita e outras codificações que rementem ao domínio do conhecimento tradicional e, portanto, formatado por outros métodos que não são registrados de maneira a poder ser de domínio universal, nem tampouco universalizável. O trabalho explora dados construídos em pesquisa de campo junto a policias em ambiente de socialização em escolas de formação; em plantões nos Batalhões de Policia Militar; em Unidades de Polícia Pacificadora, bem como em contexto de socialização universitária, atráves de entrevistas com estudantes de curso de tecnólogo em segurança pública oferecido pela UFF. O objetivo é refletir sobre a aludida tensão e imaginar de que maneira a mesma participa do desenvolvimento do que é o objeto da minha pesquisa para o doutorado: a instituição do “faro” policial, atributo que distingue um profissional considerado apto para o desenvolvimento pleno, na perspectiva da corporação, do trabalho de policiamento ostensivo.

Palavras-chave: Igualdade, Sensibilidades Jurídicas, Trabalho doméstico remunerado, Justiça do Trabalho, Precarização.

 

GT 15. ANTROPOLOGIA AUDIOVISUAL & ANTROPOLOGIA DO CINEMA: OLHARES CRUZADOS E CONEXÕES POSSÍVEIS

Coordinadores:

Debora Breder. Doutora em Antropologia pela Universidade Federal Fluminense/Brasil com Estágio Doutoral na École des Hautes Études en Sciences Sociales/Paris. Pesquisadora do Grupo de Análises de Políticas e Poéticas Audiovisuais (GRAPPA/UFFRJ) e Profª da UCAM/Brasil. deborabreder@hotmail.com

Francisco de La Peña Martínez. Doctor en Antropología Social y Etnología por la École des Hautes Études en Sciences Sociales/Paris. Profº da Escuela Nacional de Antropología e Historia/ENAH/México; paco61@prodigy.net.mx

Comentarista: Carlos Reyna. Professor Doutor de Cinema do IAD e de Antropologia Visual do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal de Juiz de Fora; creynna@gmail.com

 

 

IMAGENS & COSMOLOGIAS

 

A AUTO-MISE EN SCENE. UM OLHAR SOBRE A IMAGÉTICA DA COMISSÃO RONDON

 

Alexsânder Nakaóka Elias. Doutorando em Antropologia Social (PPGAS-UNICAMP). alexdefabri@yahoo.com.br

 

No presente artigo pretendo analisar, a partir de um viés antropológico (especificamente o da Antropologia Visual), um filme etnográfico da extensa produção cinematográfica documental realizada pela Comissão Rondon, na tentativa de delimitar as fronteiras de um Brasil até então desconhecido, indo ao encontro dos índios (por eles) considerados “selvagens”, personagens singulares e que mantinham, até então, pouco contato com o homem “branco civilizado”. Aqui, darei ênfase ao filme Kadiweu (1932), através do olhar do seu idealizador e produtor, o fotógrafo e cineasta (também major)Luiz Thomaz Reis, que sofreu grande influência editorial de seu superior imediato, o marechal Cândido Mariano da Silva Rondon. Pretendo analisar esta produção fílmica levando em consideração as vontades, ideologias e critérios destes militares,ou seja, quero aqui dar ênfase à análise da mise en scène (que significa, de forma sucinta, o conjunto de ações do cineasta, que emprega suas opções de escolha, sejam técnicas ou culturais)da produção do autor Thomaz Reis e das contribuições de Rondon, assim como da auto-mise en scène (a mise en scène dos “atores” e a relação estabelecida com seus interlocutores). Para tanto, farei uso do conceito de dominantes, definido por Claudine de France no livro “Cinema e Antropologia” (1998) para designar as atividades humanas que se desenvolvem de forma simultânea no nível do corpo, da matéria e do rito, sendo que um destes três aspectos, na maioria dos casos, fica em relevo em detrimento dos outros dois (que se esfumaçam, se diluem).

Palavras-chave: mise en scène, dominantes, Comissão Rondon, filme etnográfico.

 

 

 

CAMINHOS DA IMAGEM: ENTRE O SENSÍVEL E O VISÍVEL NO UNIVERSO ALTO-XINGUANO

 

Luiza de Paula Souza Serber. Mestranda em Antropologia Social no IFCH – Unicamp

luizaserber@yahoo.com.br

 

Proponho em minha pesquisa investigar no universo alto-xinguano como se dá o encontro entre um estilo particular de ver e mostrar - relacionado a um estilo próprio de pensar (Lagrou, 2013, p. 35) - com as possibilidades oferecidas pelas tecnologias audiovisuais. Assim, a análise se dará por meio do cruzamento de duas vertentes complementares. A primeira compreende a imagem em seu sentido mais amplo, como um elemento pertencente a um complexo universo estético/visual no qual atua como instrumento perceptivo que implica em operações mentais específicas (Lagrou, 2013, p. 35). A segunda vertente concebe a imagem como um produto visual particular, fruto do uso de tecnologias audiovisuais. Desta forma, pretendo revelar de que maneira as concepções alto-xinguanas de imagem podem estar se atualizando, transformando e reinventando a partir de novas tecnologias que trazem consigo novos usos, suportes e formas de circulação. Interesso-me, assim, particularmente pelas condições sociais de produção, circulação e recepção dessas narrativas visuais. Para tanto, pretendo acompanhar realizadores indígenas ao longo das etapas de produção audiovisual, enfocando particularmente em algumas realizadoras mulheres (que se formaram ou estão em formação em oficinas oferecidas pelo Instituto Catitu). Elegi este foco por considerar que a produção cinematográfica destas mulheres constitui um lócus privilegiado para se observar uma certa relação existente entre estética e agência (Gell, 1998). Relação que, amplamente atestada nas artes ameríndias, também parece se atualizar aqui e se evidenciar através da influência que a produção cinematográfica exerce sobre a atuação política destas mulheres.

Palavras chave: imagem; estética; cinema indígena; Xingu; mulheres xinguanas.

 

 

KIRINGUE ARANDU SIG E A IMAGEM CINEMATOGRÁFICA

 

Paola Correia Mallmann de Oliveira. Mestranda em Antropologia /UFF. Nickcm2@hotmail.com

  

O trabalho é sobre cinema indígena e crianças Mbyá Guarani, a partir da transversalidade entre o estatuto da imagem cinematográfica Mbyá e um dos elementos formadores da educação das crianças: os cantos. A pesquisa traz ao cinema a perspectiva do jeguatá – principio cosmológico e ensinamento tradicional - compreendendo o ato de fazer imagens em movimento como um gênero narrativo próximo ao canto. Entra nesta abordagem a concepção de cinema pelos Mbyá como transmissor coletivo de conhecimento entre gerações que se coaduna com as práticas de oralidade. Desde este ponto, percebo formas de relação entrecruzadas, a saber, como as crianças protagonizam certas narrativas especificas sobre o conhecimento/aprendizagem próprio, atentando para as questões que suas vozes transportam, e, quais a imagens que produzem nestas experiências de alteridade. Minha aproximação com esta temática acontece em 2013 em comunidades da região metropolitana de Porto Alegre (RS), mas, o que retrato são experiências de subjetivações singulares de crianças com imagens que se situam em multiplicidade de planos e localizações. A pesquisa é permeada pela utilização inicial de oficinas pin-hole e seus efeitos de luz e contra-luz com crianças que cantam, como método para analisar séries imagéticas sobre seus pontos de vistas e versões das narrativas míticas. Por fim, escolhi a dimensão política do corazonar e o método cartográfico para compreender os desdobramentos diferenciados de se deslocar entre uma pesquisa que produz imagens e um cinema que documenta visões de mundo. Se produzir imagens é transmitir ensinamentos, o que ensinam as crianças sobre imagens?

Palavras-chave: crianças, imagens cinematográficas, canto, conhecimento.

 

 

COSMOPISTA PUTUXOP – CINEMA TIKMŨ’ŨN-MAXAKALI EM UM PERCURSO PELAS TERRAS DOS POVOS-PAPAGAIO

 

Bruno Vasconcelos. Mestrando em Antropologia Social – UFMG. guanambis@gmail.com

 

Esta pesquisa investiga a dinâmica transformacional dos povos indígenas TikmÅ©’Å©n-Maxakali, falantes do Maxakali (Macro-Jê) e habitantes do nordeste de Minas Gerais, Brasil, em sua apropriação dos recursos expressivos do cinema. Sua produção audiovisual tem trânsito por festivais de cinema, galerias de arte, assim como começa a fazer frente a situações de abuso e violência por parte dos vizinhos e invasores brancos de seu território. Acompanho uma viagem de mapeamento e filmagem de pontos de seu território ancestral e de estabelecimento de novos laços com o povo Pataxó, antigo aliado, identificado pelos Maxakali com os povos-espíritos de um de seus conjuntos rituais – o Putuxop, ou povos-papagaio. Proponho pensar a eventual continuidade de elementos do sistema cosmológico maxakali em sistemas estéticos atuando a partir dos recursos expressivos do cinema. Ao longo desta viagem fílmica por seus territórios e o de seus aliados, aponto como os pajés Maxakali, em seus esforços de formação de cineastas indígenas, dirigindo filmes junto a eles, ou em suas declarações acerca do cinema, demonstram identificar certos procedimentos afins entre práticas xamanísticas e procedimentos cinematográficos. Haveria proximidade entre certas propriedades dos regimes enunciativos dos seres que cantam e habitam as histórias dos antigos, e procedimentos de distribuição da pessoa maxakali no processo de sua “transformação em imagem”. Sugiro que a apropriação do cinema pelos Maxakali pode ser compreendida como uma transformação de transformações, isto é de procedimentos metamórficos previamente atuantes em sua vida social através do concurso dos YãmÄ©yxop, seus aliados povos-espíritos.

Palavras-chave: cinema indígena, xamanismo, antropologia audiovisual.

 

 

XINGU: CINEMA SOBRE O FIM DO MUNDO

 

Thais Brito da Silva. Doutoranda em Antropologia Social / UFBA. taisoueu@gmail.com

 

No Alto Xingu, convive uma sociedade multilíngue onde vivem os povos Mehinako, Yawalapiti e Waurá – falantes de língua aruak; Kalapalo, Kuikuro, Matipu, Ikpenng e Nahukuá – de fala karib; Aweti, Kamaiurá, Juruna e Caiabi – de fala tupi; Kisêdjê, do tronco linguístico Macro-jê e Trumai – falantes de uma língua isolada. Um lugar onde a sensação, no primeiro contato, é de choque cultural, semelhante ao que descreve um viajante em seu breve estudo de mitologia Kamayurá, quando se viu limitado ao português num espaço onde vicejam várias línguas e diálogos diglóssicos acontecem com certa frequência, sem que haja babel. São aproximadamente 5.500 indígenas de quatorze etnias diferentes pertencentes aos quatro grandes troncos linguísticos indígenas do Brasil. O artigo aborda a formação da sociedade xinguana a partir da perspectiva dos povos que saíram de suas terras e foram levados ao Parque Indígena do Xingu, passando por uma espécie de fim de mundo, em diálogo com as reflexões do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro. A análise é feita a partir dos filmes Contato com uma tribo hostil (1967), de Jesco von Puttkamer, sobre os Ikpeng; A Tribo que se esconde do homem (1966), de Adrian Cowell, sobre o contato com os Panará; e dos filmes feitos pelos próprios indígenas em parceria com o Vídeo nas Aldeias: De Volta a Terra Boa (2008), de Vincent Carelli e Mari Correa, Prîara Jõ - Depois do ovo, a guerra (2000), de Komoi Panará e Piriñop: Meu primeiro contato (2007), de Mari Corrêa e Karané Ikpeng.

Palavras-chave: Xingu, Cinema, Panará, Ikpeng.

 

 

FILME ETNOGRÁFICO, ETNOFICÇÃO, ETNOBIOGRAFIAS E OUTROS CINEMAS

 

 

“A BATALHA DE ADWA”: MEMÓRIA COLETIVA E SÍMBOLOS NACIONAIS ETÍOPES NO DOCUMENTÁRIO DE HAILE GERIMA

 

Prof. Carlos P. Reyna UFJF/PPGCSO/IAD. creynna@gmail.com

 

Uma das motivações é procurar saber, como o documentário A Batalha de Adwa(1999) de Haile Gerima lança mão de histórias de vida (memória individual e coletiva) e lugares de memória para construir identidade social. Ao abordar temas ligados à história, o documentário revela áudio-visualmente o ponto de vista do cineasta sobre um determinado tema. O documentário ao tentar reconstruir a realidade vai enunciar um discurso sobre o mundo histórico. Porém, de que maneira o cinema documentário se aproxima da reconstrução da Batalha de Adwa? São inquietações iniciais que esta comunicação procurará saber. Grosso modo, o cineasta utiliza narrativas oficiais quanto narrativas do universo acadêmico, variando com fontes orais para interpretar este fato e apresentar as memórias coletivas construídas desde então. Para reforçar essas formas de representação, Gerima se vale também de imagens pictóricas que ilustram o discurso, demonstrando assim, o interesse dos artistas em retratar o fato que se tornou mundialmente conhecido. Em suma, o diretor nos propõe perceber os mecanismos complexos utilizados para reconstruir o passado da batalha e nos quais as formas comemorativas ocidentais estão sendo incorporadas às comemorações (relevância do museu, selos, símbolos da vitória e construção de monumentos, bandeira).

Palavras chave: Documentário, Antropologia do Cinema e Memória

 

 

 

 

“AS MARCAS DO MUNDO”: HISTÓRIA, MEMÓRIA E IMAGEM NA OBRA SANS SOLEIL (1983) DE CHRIS MARKER

 

Elaine Zeranze. Doutoranda em Ciência da Literatura / UFRJ / CNPq. elainezeranze@gmail.com

Vinicius Esperança. Doutorando em Sociologia pelo IESP/UERJ / Capes

viniciusesperanca@globo.com

 

O objetivo deste trabalho é analisar na obra Sans Soleil (1983), do cineasta francês Chris Marker, o modo pelo qual são relacionados história, memória e imagem. Trata-se de uma obra difícil de ser descrita devido a sua organização singular. Composta por fragmentos da vida cotidiana, o documentário funciona como um mosaico da memória feito de imagens e relatos recolhidos de viagens do Japão à Guiné-Bissau, uma busca pelos extremos da sobrevivência, segundo o próprio autor. Penso que, Sans Soleil traz elementos que problematizam e desconstroem certas categorias, tais como, documentário, ficção e documentário etnográfico. É documentário por sua montagem em imagens diretas, ou seja, sem encenação. Ao tempo que não é documentário pelo uso de um personagem fictício que teria escrito relato. Seu inverso também vale para defini-lo como ficção. De mesmo modo é documentário etnográfico por ser fruto da observação participante do estudo de certos grupos sociais e não o é por não seguir os cânones consagrados deste gênero. Nesse ponto podemos aproximá-la da obra do Lévi-Strauss de Tristes Trópicos (1955). É nas fronteiras destas categorias que pretendo analisar o papel da memória, tanto coletiva quanto individual, na construção/recriação da história, uma história escovada à contrapelo, termo cunhado por Walter Benjamin, ou seja, uma história contada pelo lado dos vencidos.

Palavras-chave: Documentário Etnográfico; Chris Marker; Memória; História.

 

 

O CINEMA IMPROVISACIONAL DE JEAN ROUCH

 

Kelen Pessuto. Doutoranda em Antropologia Social / USP. kelen.novo@hotmail.com

 

O cinema de Jean Rouch é baseado na improvisação, seja seus filmes etnográficos ou suas etnoficções. O antropólogo-cineasta utiliza a improvisação tanto dos sujeitos que trabalham em suas películas, quanto de filmagem e de roteiro (enredo), pois as ideias surgem da convivência que se estabelece entre o diretor, os atores e o meio social no qual eles vivem. Quase nunca há um roteiro completo com diálogos e marcações a não ser premissas, que servem de guia para o diretor, mas a história é construída a partir do encontro do cineasta com seu(s) sujeito(s). Neste caso, a filmagem é toda improvisada. Tudo é decidido na hora de filmar. A partir do cinema improvisacional rouchiano, esta comunicação aborda os conceitos de improvisação, “cinema-verdade” e “cine-transe” em Jean Rouch.

Palavras-chave: improvisação, etnoficção, Jean Rouch.

 

 

 

AMBIENTALIZAÇÃO, AUDIOVISUAL E DESENVOLVIMENTO: PERCURSOS ETNOBIOGRÁFICOS

 

Luisa Godoy Pitanga. Mestranda PPGSA/IFCS-UFRJ. luisapitanga@gmail.com

 

A presente comunicação é fruto da pesquisa desenvolvida para a dissertação de mestrado Ambientalização, audiovisual e desenvolvimento: percursos etnobiográficos na qual a autora produz uma “autoetnografia” andarilha ou pedestre, nos termos das enunciações pedestres de Michel de Certeau, que entende o percurso do pedestre na cidade como uma enunciação, um relato de suas táticas para lidar com as tentativas de fixação e coerção do sistema.  Um indivíduo na consultoria ambiental, em um mercado de trabalho que emprega cientistas sociais, experimentando uma nova inserção profissional que surge de processos de ambientalização (Leite Lopes, 2006), com o uso de novas tecnologias digitais e audiovisuais na pesquisa para estudos de impacto ambiental e em oficinas participativas com futuros ou já impactados por grandes empreendimentos. Nesses percursos o audiovisual surge como tática para lidar com o emaranhado de lógicas sociais que envolvem o licenciamento ambiental e seus agentes: grandes empresas, IBAMA, consultores e população impactada. Filmes para sensibilizar, para pesquisar, para levar mensagens para instituições e grandes empresas. Filmes como meios, como agentes sociais numa aproximação com Alfred Gell e uma antropologia da arte que pensa a ação, não o simbólico, a qual interessa as relações de mediação produzidas nos circuito de produção e circulação pela a agência de objetos de arte. Assumindo diversas pessoas-personagem etnobiográficas como: a estudante de iniciação científica que acompanhou a transição tecnológica do analógico ao digital, a consultora que se desdobra em militante, empresária e técnica, a educadora audiovisual e a cientista social-documentarista etnografo situações vividas em pesquisas de campo e em oficinas de cinema ambiental de projetos de desenvolvimento do licenciamento ambiental de petróleo e de hidrelétricas nas quais está envolvido o uso do audiovisual e da pesquisa de inspiração antropológica.

 

 

COTIDIANO (IN)VISIBLE. LOS SENEGALESES MÁS ALLÁ DE LA VENTA AMBULANTE

 

M. Luz Espiro. Licenciada en Antropología / Universidad Nacional de La Plata, Argentina. mluzespiro@gmail.com

 

En la ciudad de La Plata, capital de la provincia de Buenos Aires viven y trabajan en la venta ambulante un centenar de senegaleses, que forman parte una gran comunidad transnacional. Estas presencias negras despiertan, desde su llegada, sentimientos y significados latentes en el resto de los habitantes de la ciudad, herederos de una historia que ha sabido imponer un mito de nación argentina blanca y de ascendencia estrictamente europea.  Mediante este corto audiovisual que muestra parte de mi trabajo antropológico con la comunidad de senegaleses residentes en La Plata busco poner en evidencia las tensiones de sentido existentes. Por ello se recuperan algunas experiencias cotidianas de los senegaleses, relatadas y vividas por uno de ellos, quien trabajaba en una esquina especial de la ciudad, lugar común de vendedores ambulantes. Una mirada y escucha atentas desde su puesto de bijouterie permiten captar las representaciones de los platenses en torno a estos migrantes. Y es que los puestos de bijouterie se constituyen en fronteras simbólicas desde las cuales se reproduce una interacción estereotipada con la comunidad local. Entonces, se vuelve necesario atravesarlas para dar a conocer la intimidad de un hogar signado por el compartir entre senegaleses de aquí y más allá. Pese a las dificultades que Argentina, y en particular la sociedad platense, le imponen a estos migrantes, los senegaleses son protagonistas de su proyecto migratorio, su risa es la fuerza de su comunidad, que migra por sus costumbres, por el trabajo, por el futuro, por la identidad.

Palabras-clave: migración, antropología audiovisual, representaciones sociales, senegaleses, Argentina.

 

 

CORPOS, GÊNEROS, SEXUALIDADES

 

 

E A VIDA CONTINUA: REFLEXÕES ACERCA DE UMA EPIDEMIA

 

Zulmira Newlands Borges. Prof. Associado IV, Programa de Pós Graduação em Ciências Sociais /  UFSM  zulmiraborges@gmail.com

 

Este trabalho se enquadra na perspectiva de debater o cinema como objeto antropológico. O objetivo deste texto é analisar as representações e interpretações possíveis que a narrativa cinematográfica propõe sobre a sexualidade e a AIDS, no filme intitulado “E a vida continua”. Realiza-se aqui uma etnografia do filme, centrada sobre a narrativa fílmica da epidemia da AIDS e os mecanismos de construção de sentido daquele contexto histórico do final dos anos 80.  Há mais de 20 anos do lançamento do filme a sua análise ainda traz boas contribuições para o debate atual em torno da doença. A AIDS e especialmente os agentes envolvidos transformaram a maneira de ver a saúde e a doença e aproximaram de um modo inédito as Ciências Sociais da área da saúde. O filme mostra essa trajetória de forma exemplar, abordando primeiramente o medo em torno da epidemia, a forma como foi se construindo a estigmatização em torno do doente, os diferentes discursos que atuaram nesse processo como o Estado, as religiões, a mídia, os interesses econômicos, o movimento social, dentre outros. O filme contribui para expor pré-conceitos ainda vigentes e por isso ainda é um filme contemporâneo, atual e útil para um debate em torno de uma antropologia do cinema. Através dele podemos tecer reflexões sobre as dinâmicas culturais envolvidas quando surge uma nova doença e também analisar os atores que entram em cena nesses casos e especialmente as relações de forças que atuam nesse contexto. 

 

 

TATUAGEM, DESBUNDE E CARNAVAL: ALGUMAS REFLEXÕES SOBRE A POLÍTICA LGBT CONTEMPORÂNEA A PARTIR DE UMA ANTROPOLOGIA DO CINEMA E DE UMA FESTA QUE NÃO EXISTE MAIS

 

Marcos Aurélio da Silva. PPGAS/UFMT - INCT Brasil Plural. marcoaureliosc@hotmail.com

 

Este trabalho pretende a realização de uma antropologia do cinema a partir do filme Tatuagem (dir. Hilton Lacerda, Brasil, 2013) para pensar temas caros às discussões políticas LGBTs contemporâneas como a luta por direitos civis e a dicotomia entre carnaval e política que ronda as paradas gays ou da diversidade sexual, como se o fato de serem mais carnavalescas lhes tirasse a força política. Tatuagem traz à tona antigas possibilidades do estar junto para os “modos de vida”, como a amizade, num tempo como o atual em que os moldes da família e do casamento tradicional passaram a compor os mais caros ideais coletivos LGBTs. O filme também aponta a possibilidade de se pensar o desbunde e o humor camp enquanto formas políticas legítimas e contestadoras. Nesse sentido, esse trabalho também vai pensar também numa festa que não existe mais, o carnaval do Roma, realizado na cidade de Florianópolis, do final dos anos 1970 até o ano de 2008, reconhecido nesse período como um carnaval LGBT que reunia moradores e turistas que performavam e carnavalizavam nesse espaço suas identidades. Defendo que a força política desse carnaval e das manifestações narradas em Tatuagem está em grande medida ancorada nos aspectos audiovisuais que podemos encontrar em carnavais, paradas e outras festas quando estes se espraiam, com seus sons e imagens, por espaços privilegiados da paisagem urbana. Pensar na audiovisualidade e sua força política, acredito, é uma das tarefas possíveis de uma antropologia do cinema, preocupada além do filme em tela e com o papel das multissensorialidades para a reflexão antropológica contemporânea.

Palavras-chave: carnaval, desbunde, política LGBT, antropologia do cinema.

 

 

SÉRIES CHILENAS DE FICCIÓN Y REPRESENTACIÓN DE GÉNERO

 

Gloria Ochoa Sotomayor. Antropóloga social y Directora de Germina, conocimiento para la acción, gochoa@germina.cl. Javier Mateos Pérez. Instituto de la Comunicación e Imagen de la Universidad de Chile, javiermateos@u.uchile.cl

 

La televisión chilena del siglo XXI ha enfrentado un nuevo fenómeno: la producción y emisión de series de ficción nacionales que han alcanzado un lugar prioritario en la programación televisiva y en el seguimiento del público. Las series más representativas de este fenómeno son Los 80, Los archivos del cardenal y El reemplazante. Estas producciones conforman un corpus en el que se representa, desde la ficción y de manera cronológica, un periodo histórico definitorio para la conformación de la actual sociedad chilena; abarcando, desde la dictadura militar del general Pinochet hasta la actualidad, los cambios sociales acontecidos y la evolución de la sociedad en los últimos cuarenta años. Además, han conseguido los primeros lugares en las listas de los programas más vistos en sus franjas horarias, han sido bien valoradas por la audiencia, han recibido distintos reconocimientos por su calidad y, por último, han alimentado y motivado el debate social.

En el presente trabajo se analizará la representación de género que estas producciones audiovisuales de éxito han construido. El objeto principal consiste en indagar cómo un producto innovador en la temática que aborda -la historia reciente del país-, construye la representación de género. Esta reflexión es parte de una investigación mayor denominada La representación de la historia reciente de Chile en las series de ficción nacionales de máxima audiencia y su recepción en el público juvenil 2015-2018, que investiga estas tres series desde sus condiciones de producción, su contenido y su recepción en la audiencia juvenil.

Palabras clave: antropología social, series de ficción, representación género, televisión, Chile.

A CONSTRUÇÃO VISUAL DO GÊNERO EM VOLVER, DE PEDRO ALMODÓVAR

 

Paula Alves. Doutoranda em População, Território e Estatísticas Públicas ENCE/IBGE. paula@feminafest.com.br. Paloma Coelho. Doutoranda em Ciências Sociais / PUC-MG. palomafcs@gmail.com

O presente artigo visa analisar a construção de discursos em torno das relações de gênero em Volver, de Pedro Almodóvar. Pretende-se refletir, a partir da imagem de “universo feminino” elaborada pelo filme, como se constituem as relações entre os gêneros e como, ao mesmo tempo em que se criam formulações discursivas sobre o “feminino”, se delineiam significados atribuídos ao “masculino”, às posições de sujeito e às relações de poder entre homens e mulheres. Volver leva suas personagens a reviver questões do passado que precisam ser resgatadas e resolvidas no presente, entre tradições e superstições de um pequeno povoado, histórias trágicas e relações familiares que se reproduzem entre as gerações, a presença constante da morte e a iminência da solidão, através da cumplicidade entre as mulheres, de uma mesma família, ou vizinhas, clientes, amigas. Chama a atenção como Almodóvar constrói o “universo feminino” na cozinha, na casa, no cuidado com o outro, com a marca característica de seu cinema: a mistura de tragédia, melodrama, comédia absurda e sensualidade, gerando questionamentos referentes aos discursos construídos pelo diretor no tocante ao gênero. Pretende-se, ainda, discutir sobre a imputação de sentidos às relações de gênero por meio da construção visual de questões como a maternidade, a família, a sexualidade, o incesto e a violação sexual. Por outro lado, problematiza-se a elaboração imagético-discursiva empreendida pelo filme, e a maneira como a linguagem cinematográfica pode ressignificar e deslocar sentidos contidos tanto nos discursos explícitos, como nas zonas de silêncio que a película confere.

Palavras-chave: Relações de gênero; Cinema; Linguagem cinematográfica; Pedro Almodóvar.

 

 

“A DIFFERENT SET OF JAWS”: SEXUALIDADE ALIENÍGENA EM HOLLYWOOD

Thais Farias Lassali. Mestranda em Antropologia Social/ IFCH (Unicamp). thaislassali@gmail.com.

    Rafael do Nascimento Cesar. Mestrando em Antropologia Social/ IFCH (Unicamp). rafael_nascimento1989@yahoo.com.br.

 

Em setembro de 1975, o musical Rocky Horror Picture Show ganhava as telas do Westwood Theather, em Los Angeles, depois de uma aclamada temporada nos teatros da Broadway. Um de seus principais cartazes de divulgação aludia ao filme de Spielberg, trazendo apenas uma boca de lábios carnudos pintados de vermelho, o título e os dizeres “um conjunto diferente de jaws [trocadilho entre “mandíbula” e o título original de Tubarão]”. Parodiando os gêneros de terror e ficção científica, extremamente familiares ao público norte-americano das décadas de 1940 e 1950, o filme tornar-se-ia o ícone cultuado de uma juventude vivendo entre os ideais libertários dos movimentos sociais de esquerda – sobretudo os referentes às liberdades política e sexual – e os valores arraigados de uma sociedade tradicional predominantemente anticomunista. Sabendo da relação constitutiva, sustentada pela antropologia, entre experiência social e as formas culturais, este trabalho procura compreender como os dilemas e tensões inerentes ao contexto norte-americano da década de 1970 são abordados em Rocky Horror Picture Show a partir da relação paródica com gêneros cinematográficos consagrados. Torcendo os chavões narrativos do terror e da ficção científica e atribuindo-lhes novos significados (como nas personagens típicas do “monstro”, “heróis” e “cientista”), o filme tem seu potencial expressivo na subversão das expectativas do público, e na encruzilhada entre normalidade e desvio, prazer e destruição, que ele dará voz às ansiedades de uma geração.

Palavras-chave: Rocky Horror Picture Show; sexualidade; antropologia do cinema; cultura norte-americana.

 

 

CINEMA & IMAGINÁRIOS

 

IT’S ALL TRUE E A DESCONSTRUÇÃO RACIAL DA FORMA CINEMATOGRÁFICA

Luis Felipe Kojima Hirano. Universidade Federal de Goiás / UFG. lfhirano@gmail.com

 

Pretende-se discutir It’s all true documentário inacabado de Orson Welles sobre a América Latina. Encomendado pelos governos estadunidense e brasileiro durante a política de boa-vizinhança, na 2ª Guerra Mundial. Tal documentário tinha como mote retraçar o continente americano através de similaridades e diferenças culturais passando pelo jazz em New Orleans, as touradas no México, o Carnaval e os jangadeiros no Brasil. Apesar do patrocínio de ambos os países da RKO, Orson Welles, um dos mais promissores diretores hollywoodianos da época, não conseguiu a contragosto finalizar esse projeto. Há uma série ensejos que explicam a perda de apoio de Welles de seus patrocinares, entre os estudos mais recentes e as fontes coletadas durante a pesquisa há uma série de indícios que indicam que a forte presença de atores e figurantes negros e mestiços foi uma das principais razões para o embargo que o documentário sofreu ao longo do processo de filmagem. Do lado dos Estados Unidos, a enorme quantidade de negros e mestiços comprometia a exibição do filme nos estados segregados racialmente. Do lado brasileiro, o destaque dado aos afrodescendentes e as favelas se contrapunha a imagem que o governo e a imprensa gostaria de exibido do Brasil internacionalmente. O episódio de It’s all true permite não apenas discutir as relações raciais no Brasil e nos Estados Unidos, mas também refletir de que maneira as convenções e a forma cinematográfica também se ancoram em concepções raciais, étnicas, entre outros marcadores sociais da diferença.

Palavras-chave: cinema, It’s all true, marcadores sociais da diferença, Política de boa-vizinhança.

 

 

CINEMA E IMAGINÁRIO NACIONAL: REPRESENTAÇÕES DA ARGENTINA E DO BRASIL EM SEUS FILMES RECENTES DE ÊXITO INTERNACIONAL

Vitáli Marques Corrêa da Silva. Mestrando em Antropologia Social pela UFRGS. vitalimcs@gmail.com.

 

Este trabalho analisa a relação entre filmes argentinos e brasileiros bem-sucedidos no exterior com o imaginário construído acerca desses países na contemporaneidade. Filmes produzidos na Argentina e no Brasil não raras vezes fazem sucesso em países do Norte. Essa posição expoente das indústrias cinematográficas serve como campo propício para o entendimento das representações nacionais a respeito de ambos os países. A suposição deste trabalho é a de que o conteúdo veiculado por filmes de maior abrangência assume uma posição de construção/reforço do imaginário desenvolvido sobre o Brasil e a Argentina. A questão central que se levanta é a de que forma os imaginários, as representações e as identidades nacionais desses países são estruturados e refletidos pelas criações cinematográficas de maior destaque. Afinal, de que se tratam esses imaginários, representações e identidades? A análise fílmica das narrativas permitirá a sistematização de características da representação nacional. Argumentamos que o modelo representacional brasileiro se assenta no "exotismo", ao passo que a Argentina se insere de forma mais "cosmopolita", considerando os parâmetros ocidentais.

Palavras-chave: cinema, imaginário nacional, Brasil, Argentina, identidade.

 

 

NATUREZA, CULTURA E TECNOLOGIA EM CONEXÕES PARCIAIS: UM ESTUDO COMPARATIVO ENTRE STEVEN SPIELBERG E JAMES CAMERON

Vitor França Netto Chiodi. Mestrando em Divulgação Científica e cultural - LABJOR/ Unicamp. yama.chiodi@gmail.com

 

James Cameron e Steven Spielberg são os dois diretores com a maior soma de bilheteria da história de Hollywood, o que os coloca em posição privilegiada para a execução de blockbusters com narrativas muito mais passíveis de autonomia que o padrão da indústria. Dentre as várias abordagens possíveis nas obras dos autores, existe uma que remonta uma controvérsia sobre a relação entre natureza-cultura e tecnologia. A controvérsia é caracterizada pelos processos de hibridização entre humano e tecnológico que desmantelam algumas configurações tradicionais de natureza e cultura e criam novas conexões. Por um lado uma visão moderna dessa hibridização que organiza natureza e cultura como humano x tecnológico, natural x artificial. De outro uma visão contra-moderna que enxerga potências na hibridização e rompe a binariedade entre humano e tecnológico, os pensando como parte de um mesmo processo. A visão moderna caracteriza o ponto de vista de Spielberg e pode encontrar fundamento téorico em autores como Virilio (2009) e Le Breton (2010). A visão contra-moderna, ou simétrica, se aproxima da de James Cameron e pode se apoiar em autores como Donna Haraway (2010) e Latour (2009). As duas perspectivas acima descritas são centrais nos debates da antropologia e na obra dos dois diretores. O objetivo desse artigo é recuperar a interdisciplinariedade do debate e propor uma reflexão sobre estratégias políticas para se pensar as diferenças, assumindo que o cinema pode ilustar a antropologia e vice-versa, e que a relação cinema-antropologia se apresenta como possibilidade de crítica política.

Palavras-chave: Antropologia do cinema; tecnologia; hollywood; diferença; ciborgue

 

 

A REPRESENTAÇÃO DA LOUCURA NO CINEMA BRASILEIRO – 1994 A 2004

Irma Viana. Pós-Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da UFBA. irmaviana@hotmail.com

 

Com o objetivo de dar continuidade à pesquisa que vem sendo realizada no campo de intersecção entre a análise sócio-antropológica da arte e da saúde, este trabalho procura investigar como questões de saúde/doença mental têm sido apresentadas pelo cinema brasileiro entre os anos de 1994 e 2004. Cabe observar que esse período foi bastante significativo para o desenvolvimento de concepções relacionadas ao sistema da saúde mental, quando as reflexões sobre os cuidados com os sofrimentos mentais adquiriram novos contornos, principalmente devido aos rumos tomados pelo processo da “Reforma Psiquiátrica”. Trata-se ainda de um período em que a produção cinematográfica brasileira se intensificou com a criação de novos incentivos, como é o caso da chamada “retomada do cinema nacional”. Além de seu poder de penetração em diversos segmentos da população, o cinema, por outro lado, reflete aspectos fundamentais do imaginário nacional, lançando um conjunto de preocupações relacionadas às transformações socioculturais, econômicas e políticas. Nesse âmbito, a presente pesquisa volta-se para discutir as formas pelas quais, ao longo do tempo, o cinema brasileiro (ficção e documentário) representou as mudanças ocorridas com o “mundo” da doença mental, contribuindo para a instituição de imaginários sociais relacionados com a loucura. Vale salientar que a análise das representações da saúde/doença mental não está separada das questões relativas à corporalidade, pois a “construção” do corpo e da pessoa é um elemento fundamental para a compreensão do adoecer. E o cinema desempenha um papel significativo para essa construção na sociedade moderna.

Palavras-chave:Cinema, Doença Mental, Corpo, Pessoa, Contemporaneidade.

 

 

O MUNDO NATIVO DO OUTRO EM JAUJA E SUAS PAISAGENS POÉTICAS

 

Juliano Gonçalves da Silva. Integrante do Grupo de Análises de Políticas e Poéticas Audiovisuais. juliano.gds@ig.com.br

 

Neste artigo pretendo discutir a visão do "outro" a partir de uma viagem empreendida por um "colonizador europeu" no ano de 1882 por ocasião do "descobrimento" da Patagônia Argentina. Este está envolvido em um projeto de mineração de ouro, levando consigo na viagem sua filha uma bela e rara figura feminina numa terra onde existe de tudo menos "códigos civilizados". A partir dessa narrativa presente no filme Jauja (2014) do cineasta Lisandro Alonso, realizarei uma análise sobre as possíveis paisagens construídas em sua busca após o rapto dela por um soldado mestiço e a representação dos não europeus através da sua poética fílmica. Logo no início do filme vê-se um pai, o capitão Gunnar Dineses (Vigo Mortensen), conversando com a sua filha (Vilbjørk Mallin Agger); falam dinamarquês, abordam a viagem que está por vir – e olham para o horizonte, emoldurado por uma janela. Em sua trajetória no Novo Mundo, que vai paulatinamente relativizando tempos e espaços acabam por nos remeter a possíveis outros olhares sobre estes estranhos habitantes locais chamados de "cabeça de cocô" por um dos subalternos do capitão e para eles mesmos "europeus" deslocados de sua terra natal. Tal qual nos é apresentado em um epílogo posterior o filme nos remete a possíveis elos perdidos recorrentes entre as duas narrativas (um soldadinho de madeira, cães magros e esguios que guiam os personagens, entre outros...) dos mesmos personagens em um presente possível na Europa atual. Assim este movimento contínuo e cíclico, próximo aos tempos míticos atualiza em novas interpretações e sentidos o próprio processo colonizador e seus sentidos e significados atuais.

Palavras-chave: antropologia do cinema; cinema argentino; mundos indígenas; paisagens no cinema; poética fílmica.

                                                                                                                             

 

CINEMA, CIDADES E OUTRAS PAISAGENS

 

 

CIDADES, POÉTICAS E POLÍTICAS: O NORDESTE URBANO EM PRODUÇÕES CINEMATOGRÁFICAS NACIONAIS CONTEMPORÂNEAS

 

Luiz Gustavo Pereira de Souza Correia. Professor Adjunto I do Departamento de Ciências Sociais e Programa de Pós-Graduação em Antropologia / UFS. luizgustavopsc@gmail.com.

Anike Mateus Lamoso.Graduada em Comunicação Social / UFS. nikilamoso@gmail.com

 

A presente comunicação pretende discutir as relações entre estética, política e cinema a partir de recentes produções cinematográficas do nordeste brasileiro. O foco das análises é dirigido às narrativas e experiências de cidades desveladas nos filmes e a potencialidade do cinema em propor, através desses múltiplos olhares e sensibilidades, distintas formas de sentir e pensar o urbano. A cidade é aqui compreendida como uma composição de diversas temporalidades e memórias de onde emergem individualidades e coletividades como possibilidades únicas de experiência e de atribuição de significados a tais vivências. Seguindo as proposições de Lefebvre, é necessário pensar as descontinuidades e instabilidades do cotidiano e as possibilidades daí advindas de subversão e transgressão pelos sujeitos nos instantes de reapropriação e ressignificação dos cenários urbanos em meio às suas práticas banais. Por sua vez, Benjamin aponta o papel da narração como trabalho de tessitura do tempo, uma luta contra o esquecimento, o silenciamento e a supressão da memória. Como possibilidade de redenção do passado através da fusão ou condensação dos tempos, a narração é a subversão do tempo banalizado da cotidianidade, pois na rememoração o tempo não é vivido “nem como vazio, nem como homogêneo”. Assim, ao fazer dialogar tais autores com o conjunto de filmes selecionados, espera-se não apenas lançar novos olhares às cidades narradas e seus imaginários, mas também às cidades contemporâneas como objeto de análise antropológica.

Palavras chave: Cinema nordestino contemporâneo; Cidades; Cotidiano; Experiência

 

 

DOCUMENTÁRIO PERNAMBUCANO DE CURTA-METRAGEM: NARRATIVAS E ESPACIALIDADES NOS FILMES CÂMERA ESCURA E A CLAVE DOS PREGÕES

Wendell Marcel Alves da Costa. Graduando em Ciências Sociais. UFRN. marcell.wendell@hotmail.com

 

Como o espaço urbano é representado na produção de dois curtas-metragens locados na cidade de Recife–PE? Mais do que essa indagação inicial, este ensaio busca compreender como o ordenamento narrativo audiovisual das produções de curtas-metragens, Câmera Escura (Marcelo Pedroso, 2012) e A Clave dos Pregões (Pablo Nóbrega, 2015), identificam e constituem o espaço urbano recifense. Analisa-se como o imaginário social é construído acerca da cidade, a partir da leitura e/ou tradução de suas paisagens urbanas e das interações sociais nelas existentes no contexto do processo de subjetivação do espaço. Trabalhando com categorias como representação, construção do espaço, imaginário social e narrativas, a partir das contribuições de Barbosa (2000), Costa (2011) e Oliveira Jr. (2012), este trabalho debate questões referentes à representação e/do espaço. Nesse cenário, os estudos na antropologia urbana colocam-se prontamente para traçar uma corrente teórica que dialogue com outros campos de estudos neste trabalho, como a antropologia do cinema e do audiovisual e a geografia cultural. Finalmente, considera-se a distinção entre duas construções de realidade urbana nos curtas em questão para compreender como estas são construídas por meio de narrativas fílmicas que mesclam o antropológico e o geográfico no fazer cinematográfico.

Palavras-chave: Espaço urbano, Representação, Narrativas, Curta-metragem

 

 

TEM CINEMA NO SERTÃO! UM RELATO SOBRE A EXPERIÊNCIA DE PESQUISA NOS FESTIVAIS CINECONGO E CURTA COREMAS NO SERTÃO PARAIBANO

Pedro Henrique Pinheiro Xavier Pinto. Doutorando do PPGS/UFPB. phpxavier@yahoo.com.br

 

Coremas é uma cidade que fica na microrregião do piancó, sertão da paraíba. Congo, um município do cariri paraibano. Ambas têm em comum importantes festivais de cinema no circuito fora da capital e de Campina Grande, outro centro urbano e referência na produção audiovisual do Estado da Paraíba. O curta Coremas está em sua quarta edição e o Cinecongo, em novembro de 2014, chegou a sua sexta edição com o tema "cinema de identidade". Estes são festivais que considero bastante significativos para a pesquisa de doutorado na qual estou realizando um estudo sistemático das transformações recentes no circuito de distribuição das obras audiovisuais produzidas no Nordeste, sob a forma de festivais e mostras que ocorrem fora do eixo das capitais. O Cinecongo e o Curta Coremas são eventos consolidados em seus municípios e constam na base de dados dos principais fóruns audiovisuais, portanto, estão no circuito nacional e se comunicam com os demais realizadores de mostras e festivais Brasil a fora. Tenho desde 2013, na condição de observador participante, acompanhado vários festivais e mostras de cinema principalmente na Paraíba, Rio Grande do Norte e Pernambuco. Venho também captando imagem e som destes eventos como aporte metodológico para a pesquisa que está em andamento. Proponho aqui comunicar este recorte sobre a minha experiência no Cinecongo e no Curta Coremas ajustando o foco sobre temas da antropologia visual e da sociologia da imagem e da cultura.

Palavras-chave: Cinema, festivais, audiovisual, sociologia e antropologia da imagem

 

 

CINEMA & INCESTO

 

UMA MULHER, DOIS IRMÃOS E UM ÚTERO TRIFURCADO: UMA NARRATIVA CONTEMPORÂNEA SOBRE GEMEIDADE, ESTERILIDADE E INCESTO

Debora Breder. UCAM

 

Inspirado na ideia de textura mítica – essa trama persistente e flexível capaz de se entrelaçar a outros fios ou tecidos narrativos –, esta comunicação propõe uma reflexão sobre o modo pelo qual o ideal de uma perfeita gemeidade, comum à tradição indo-europeia, vem sendo atualizado nas narrativas contemporâneas. Tendo como fio condutor desta reflexãoo longa-metragem Dead Ringers (1989), de David Cronenberg – que apresenta gêmeos ginecologistas como personagens centrais – analisa-se o discurso simbólico da trama, que entretece gemeidade, esterilidade e incesto. Em última instância trata-se de destrinçar, no emaranhado de suas malhas, a coerência de um discurso simbólico sobre a gemeidade, em seus limites e utopia.

Palavras-chave: Cinema, Mitologia, Incesto, Gemeidade, Dead Ringers

 

 

EL INCESTO COMO SÍMBOLO DOMINANTE EN EL MELODRAMA CINEMATOGRÁFICO.

Francisco de La Peña. ENAH.

 

Un elemento mayor del cine melodramático es el incesto, real o potencial, entre los personajes. El incesto puede ser de primer tipo, es decir entre consanguíneos, o bien de segundo tipo, es decir entre dos sujetos emparentados que comparten uma misma pareja sexual. De hecho, es más común este último tipo de incesto en el cine melodramático, lo cual resulta altamente significativo. En este trabajo se presentarán algunas reflexiones sobre este tema desde una perspectiva antropológica, en la que destacan los aportes de Francoise Heritier para el estudio del incesto de segundo tipo, y se explorará su presencia en una serie de obras fílmicas de distintos países y tradiciones cinematográficas..

 

 

GT 16.  ANTROPOLOGÍA DE LA BASURA: DETRITUS DEL CONSUMO E INSUMOS INDUSTRIALES

Coordinadores:

Dr. Schamber Pablo J. Antropólogo (UNaM-UBA), Docente-Investigador de la Universidad Nacional de Lanús e investigador de la Universidad Nacional de Quilmes; pschamber@hotmail.com; schamber@unla.edu.ar

Mg. Daniela Gomes Metello. Universidad Federal de Río de Janeiro. Asesora y coordinadora del Comité Interministerial para la Inclusión Social y Económica de Recolectores de Materiales Reciclable de Brasil; danielametello@gmail.com

Mg. Lucía Fernández. Universidad Nacional de la República. Coordinadora Global de Recicladores de WIEGO y responsable de la coordinación internacional de la Alianza Global de Recicladores; lucia.fruy@gmail.com

 

 

Procesos de construcción de identidades en torno a los materiales recuperables

 

 

ATORES VISÍVEIS: INCLUSÃO SOCIAL E RECONHECIMENTO EM TORNO DA GESTÃO DE RESÍDUOS NA CIDADE DE PORTO ALEGRE (BRASIL)

 

Helisa Canfield de Castro, Maria Eunice Maciel. Programa de Pós Graduação em Antropologia Social (PPGAS- UFRGS/BRASIL); helisa_nut@hotmail.com; mariaeunicemaciel@gmail.com

 

Este trabalho busca focalizar, com base em uma pesquisa etnográfica realizada entre 2014 e 2015, a trajetória de um grupo de recicladores que trabalha em uma Unidade de Triagem e Compostagem de resíduos (UTC) na cidade de Porto Alegre (Brasil), local popularmente conhecido como “Lixão”. Por meio de relatos de vida pretende-se expor as dinâmicas de trabalho atuais e passadas, evidenciando o processo de ascensão social experienciado a partir do rearranjo desta atividade sob o âmbito da gestão compartilhada de resíduos sólidos adotada pelo município desde o início dos anos 2000. Nesse cenário, tomando o cotidiano como foco privilegiado para captar processos sociais mais amplos, busca-se analisar as formas de vidas engendradas pelo contexto e o desenvolvimento de uma identidade coletiva em torno da valorização da figura do “reciclador”. Sob o ponto de vista processual e cambiente é possível identificar um estreito vinculo entre a melhoria das condições sociais e econômicas desses atores e a mudança de status experienciada pelos mesmos no que diz respeito a sua condição de catador, caracterizado pelo trabalho individual e informal para a de “recicladores”, hoje organizado em torno de uma associação formal a qual atua em parceria com a prefeitura. Assim se busca arguir que tais mudanças incidiram e incidem no imaginário e nas formas de vida dessas pessoas. Se bem que apontando para a manutenção de uma condição de classe -  a de pobre - a vida e o trabalho na UTC informaram um passado difícil e estigmatizante frente a um presente mais prazeroso e valorizado.            

Palavras-chave: Recicladores, inclusão social, formas de vida, políticas públicas de gestão de residuos.

 

 

MÁS ALLÁ DE LA CLASIFICACIÓN: ANÁLISIS SOCIOTÉCNICO DE PÅ”ACTICAS DE EXPERIMENTACIÓN Y PROCESAMIENTO DE MATERIALES “SIN MERCADO” EN UNA COOPERATIVA DE “CARTONEROS” DEL GRAN BUENOSAIRES

 

Sebastián Carenzo. Instituto de Estudios sobre la Ciencia y la Tecnología, Universidad

Nacional de Quilmes (IESCT/UNQ); sebastian.carenzo@unq.edu.ar

 

En esta ponencia busco compartir y discutir resultados preliminares de una investigación etnográfica que vengo desarrollando sobre prácticas de experimentación y procesamiento de materiales que si bien son pasibles de ser recuperados en esquemas de recolección diferenciada, carecen de un mercado consolidado donde ser comercializados posteriormente. En este sentido, mi foco ha estado puesto en sistematizar prácticas de experimentación sobre cualidades de estos materiales, así como el diseño de procesos y artefactos destinados a posibilitar su procesamiento, que son realizadas en el marco una cooperativa de “cartoneros” del Gran Buenos Aires.

El análisis en curso recupera una perspectiva socio-t.cnica desde la cual problematizo la relación determinista y lineal que evidencia buena parte de la literatura que aborda la relación entre producción de valor y desarrollo/adaptación de tecnologías por parte de organizaciones de base. En particular, propongo discutir el sentido “inclusivo” de políticas públicas y proyectos de organizaciones no gubernamentales en relaci.n al denominado “trabajo informal” vinculado a la gestión de residuos, que limitan su alcance a la “formalizaci.n” de prácticas laborales vinculadas a la recuperación y clasificación de materiales de los residuos. En forma complementaria, la ponencia busca aportar a un tema escasamente debatido que tiene que ver con a quiénes reconocemos como agentes sociales de innovaci.n en este campo. Esto supone entonces repensar las condiciones que posibilitan o impugnan la construcción de procesos innovación “legítimos” considerando que la praxis creativa/experimental analizada es protagonizada por “cartoneros” que carecen de los capitales simbólicos, económicos y técnicos requeridos para acreditar estas socialmente estas competencias.

Palabras Clave: Procesamiento Posconsumo - Creatividad – Socio-t.cnico - Cartoneros – Gran Buenos Aires.

 

 

DIFERENCIAS ENTRE LAS IDEAS ACERCA DE LAS PRIORIDADES, LAS IDENTIDADES Y EL ACCIONAR COLECTIVO EN UNA DE LAS PLANTAS SOCIALES DE RECICLAJE DE JOSÉ LEÓN SUÁREZ

Rosario Espina. Estudiante de Maestría en Antropología IDES-IDAES-UNSAM; espinarosario@gmail.com

 

Esta ponencia se basa en un trabajo de campo realizado desde junio de 2014 a junio de 2015 en una de las Plantas Sociales de reciclaje del Ceamse, en José León Suárez (Buenos Aires, Argentina).

Este trabajo se enmarca en la línea de los estudios sobre los vínculos y/o conflictos propios de los procesos de construcción de identidad colectiva de los ¨cirujas¨ y las estrategias para su reconocimiento en la esfera pública. En mi trabajo de campo encontré que muchos actores públicos tienen ideas previas acerca de estas identidades colectivas y que esas ideas previas no son ni propias ni prioritarias para los involucrados. Estas diferencias se dan principalmente en torno a las prioridades, las diferentes temporalidades en la gestión, las escalas de incidencia y de relacionamiento social, y la segmentación y versión acotada de la realidad. En esta ponencia me concentraré en el análisis de las diferencias en las prioridades ya que es a partir de las prioridades que se definen el resto de las diferencias en juego.

Primero, haré una descripción de mi trabajo de campo y un recuento de los autores que han abordado esta problemática. Luego, presentaré las diferentes posiciones de los actores públicos y de los involucrados en el caso que me convoca, concentrándome en el contraste de las diversas ideas acerca de las prioridades en su ¨accionar colectivo¨. Concluiré analizando dichas diferencias s y verteré algunos comentarios sobre su implicancia en relación con la implementación de políticas públicas.

Palabras Clave: prioridades colectivas, identidades, acción colectiva, cartoneros, antropología política.

 

 

A ORGANIZAÇÃO DAS MULHERES CATADORAS DE MATERIAIS RECICLÁVEIS NO BRASIL

 

Isabella de Carvalho Vallin. Gestora Ambiental, mestranda em ciências ambientais pelo Programa de Pós Graduação em Ciências Ambientais (PROCAM / USP). Formadora na Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da Universidade de São Paulo (ITCP USP); isabella.vallin@usp.br

Sylmara Lopes Francelino Gonçalves-Dias. Administradora e pedagoga, mestre em administração, doutora em administração de empresas (FGV) e em ciências ambientais (USP). Professora doutora da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH / USP) e do Programa de Pós Graduação em Ciências Ambientais (PROCAM / USP); sgdias@usp.br

 

Apesar de os catadores terem se organizado através do Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) e alcançado algumas conquistas, ainda precisam lidar com a exclusão social, o estigma do trabalho, a apropriação e exploração da indústria da reciclagem, os impasses com o poder público e os dilemas dos interesses do mercado. Contudo, para além desses fatores, e mesmo sendo maioria nas associações e cooperativas, as mulheres catadoras ainda tem que lidar com a divisão sexual do trabalho e as assimetrias de poder, tanto na esfera domiciliar, quanto no trabalho. Por essa razão, conquistas como os Encontros Regionais e Nacionais de Mulheres Catadoras, espaços nos quais as mulheres tem a oportunidade de discutirem pautas exclusivas, e a constituição da Secretaria Estadual de Mulheres Catadoras de Materiais Recicláveis de São Paulo (SEMUC), são significativas para indicar um processo de empoderamento da mulher catadora. A partir disto, o objetivo deste estudo é compreender o processo de organização das catadoras dentro do MNCR, bem como, a construção de uma identidade coletiva para este grupo de mulheres. Para tanto, foi analisado o período de 2008 a 2015, sendo que, foram adotadas as entrevistas semi-estruturadas por pautas, observações indiretas em campo e análise documental como técnicas de coleta de dados. Desse modo, este estudo se caracteriza como qualitativo, feminista e interpretativista, fundamentando-se na corrente do feminismo descolonial.

Palavras chave: Catadoras de materiais recicláveis, Brasil, Gênero, Empoderamento, Identidade.

 

 

EVOLUCIÓN DE LA IDENTIDAD SOCIAL DE LOS RECUPERADORES URBANOS DE MAR DEL PLATA Y SU POSICIONAMIENTO EN LA CADENA DE VALOR DE RECICLAJE LOCAL

 

Mariana González Insúa,1,3, Greta Liz Clinckspoor2,3 Rosana Ferraro3

1CONICET; 2CIC, 3Instituto del Hábitat y del Ambiente-Faud-UNMDP

 

La Conferencia de Naciones Unidas sobre Medio Ambiente y Desarrollo (CNUMAD-92) sienta las bases a partir de las cuales, en el año 2005, Argentina desarrolla la Estrategia Nacional de Gestión de Residuos Sólidos Urbanos (ENGIRSU). El partido de General Pueyrredón realiza en el año 2012 la reapertura de la Planta de Separación y Clasificación de Residuos Municipal (PSCM) que, conjuntamente con la inauguración del primer relleno sanitario, materializan dos de los objetivos que contempla la implementación de la ENGIRSU en la ciudad de Mar del Plata.

Una parte de la  separación de los Residuos Sólidos Urbanos (RSU) en la ciudad es realizado por la Cooperativa C.U.R.A. (Cooperativa Común Unión de Recuperadores Argentinos), conformada por recuperadores informales que desarrollaban sus actividades en el predio del antiguo vertedero, quienes estimulados por la concreción de un convenio con el Municipio  se agrupan bajo la figura de Cooperativa mixta y obtienen  la concesión de la PSCM hasta el 2015.

El presente trabajo tiene como objetivos por un lado, contribuir al conocimiento  del proceso de conformación de C.U.R.A., como nuevo actor formal en la cadena de valor del reciclaje y su posicionamiento actual dentro de la misma. Por otro lado, se analizarán los conflictos emergentes en su proceso de consolidación como prestadora de servicios ambientales urbanos, desde el año 2004 hasta la fecha. Los resultados obtenidos evidencian las relaciones y tensiones en la constitución de la cooperativa, dado el carácter mixto de la misma, en la gestión de la Planta de Separación y Clasificación de Materiales y con el Municipio.

Palabras clave: Gestión de RSU – Identidad social – Recuperadores urbanos – Cadena de valor – Cooperativa mixta.

 

 

Interrelaciones y organización del trabajo en la ciudad

 

CLASIFICADORES DE RESIDUOS SÓLIDOS URBANOS: UN ANÁLISIS DESDE EL CAMPO DE RECUPERACIÓN DE DESECHOS Y LAS DIVERSAS FORMAS DE SUJECIÓN DEL TRABAJO QUE PRODUCE

 

Mariana Fry. Docente de Facultad de Ciencias Sociales de la UdelaR, integrante del Núcleo de estudios e intervención con clasificadores de residuos urbanos sólidos del Servicio Central de Extensión y Actividades en el Medio, UdelaR; marianfry@gmail.com

 

El presente trabajo sintetiza las principales líneas desarrolladas en la tesis de maestría de la autora, la cual se propuso describir las condiciones de trabajo de los clasificadores de residuos y analizar los factores que contribuyen a su reproducción. De este modo, se describen aquí las diversas formas de organización del trabajo de los clasificadores: la modalidad individual/familiar, que funciona enteramente en la informalidad; las cooperativas creadas en el departamento de Montevideo en los años posteriores al 2005, entre las que pueden ubicarse experiencias impulsadas por clasificadores e iniciativas promovidas por ONGs y por políticas públicas; y las cooperativas creadas en Canelones a partir de 2007 en el marco de la implementación de la ley Nº 17.849 de “Uso de envases no retornables”. En cada una de estas modalidades, se analizan las condiciones de trabajo, producción y comercialización. Para ello, se utiliza la información estadística disponible a nivel nacional, y se incorpora también información producida en el marco de un relevamiento realizado por la autora que abarcó a todos los emprendimientos asociativos de clasificadores existentes en Montevideo y Canelones entre diciembre de 2013 y febrero de 2014.

La situación actual de los clasificadores es analizada a partir de su inserción en el campo de recuperación de desechos, incluyendo en el mismo al complejo económico de los residuos y a las políticas estatales que lo regulan.

Palabras clave: clasificadores de residuos, precariedad laboral, campo de recuperación de desechos.

 

 

“LOS ACOPIADORES DE RESIDUOS: UNA APROXIMACIÓN SOBRE LOS SITIOS DE COMERCIALIZACIÓN DE MATERIALES RECICLABLES EN QUILMES, BS. AS. ARGENTINA”

 

Molina, Nadia. Maestría en Ambiente y Desarrollo Sustentable, Universidad Nacional de Quilmes; nadia_molina@hotmail.com

 

Este trabajo de investigación indaga acerca de la segunda instancia dentro del circuito del reciclado, aquella compuesta por los intermediarios, quienes se dedican a la compra y venta de materiales reciclables.

Al respecto cabe preguntarse: ¿Cuántos intermediarios existen en el distrito?, ¿Cuáles son sus principales características?, ¿Qué tipología puede establecerse?.

El motivo por el cual se define la elección del tema tiene que ver con la ausencia de estudios específicos que intenten dar a conocer el universo de este sector dentro del circuito productivo del reciclaje. Por el contrario en la mayoría de los casos se pone énfasis en el rol del ciruja, recolector o cartonero.

Por lo expuesto, el objetivo principal perseguido es caracterizar y analizar la figura de los “intermediarios de la basura” que actualmente trabajan en el distrito de Quilmes.

La metodología utilizada en el trabajo de campo tiene un enfoque mixto, lo que comprende la utilización de técnicas cuantitativas como así también cualitativas integrándolas de manera sistemática, con el fin de conocer, caracterizar y clasificar el universo de los intermediarios de la basura.

En relación al enfoque cuantitativo se procura medir la cantidad de depósitos relevados, su distribución espacial, se pretende cuantificarlos según las herramientas de trabajo, la cantidad de personal contratado, y la cantidad y tipo de material comercializado. En relación a la perspectiva cualitativa se pretende dar cuenta de las  historias de vida más representativas, que no son objeto de esta ponencia. 

Por ultimo se exponen los principales resultados alcanzados durante el trabajo de campo.

Palabras clave: Acopiador-comercialización-reciclables- informalidad.

 

 

A ECONOMIA INFORMAL DA RECICLAGEM E A FORMALIZAÇÃO DO TRABALHO DOS CATADORES: RECONFIGURAÇÕES E TENSÕES

 

Maria Raquel Passos Lima. Dra. em Antropologia Cultural pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia da UFRJ e Professora substituta de sociologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro – Brasil; mariarpl@yahoo.com.br / mariaraquel.passoslima@gmail.com

 

A indústria da reciclagem no Brasil se constituiu através da mediação dos catadores de materiais recicláveis e do trabalho destes atores em circuitos comerciais informais de recuperação dos objetos descartados. Recentemente, em 2010, este cenário sofre uma inflexão com a instituição de um marco regulatório inédito representado pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, que tinha dentre suas metas a formalização da atividade dos catadores. A apresentação tem como base o trabalho de campo desenvolvido em 2011 e 2012 em uma associação de catadores, onde também funcionava uma cooperativa, situada nos arredores de um dos maiores aterros de resíduos do país, posteriormente desativado. Objetiva-se descrever os processos sociais, materiais e simbólicos que conformavam determinadas práticas econômicas dos catadores, para através delas apresentar como esta atividade articulava o sistema de gestão de resíduos e a indústria da reciclagem dentro de um arranjo informal que funcionou durante mais de três décadas na região metropolitana do Rio de Janeiro. Partindo da hipótese da segurança como a questão que adquire relevo na discussão sobre a ideia de "informalidade", apresento episódios etnográficos envolvendo fenômenos relativos a perdas na produção, assim como os mecanismos nativos desenvolvidos para lidar com eles. A partir da justaposição entre o arranjo informal e o enquadramento normativo fornecido pela lei, busca-se evidenciar contradições e tensões que emergem do processo de formalização da categoria. Por fim, são tecidas considerações a respeito de algumas tendências que se delinearam conformando um modelo que parece estar na base da reconfiguração da gestão de resíduos neste contexto.

Palavras-chave: Catadores; Reciclagem; Economia informal; Gestão de resíduos; Cooperativismo.

 

 

AS ROTAS DE COLETA DOS MATERIAIS RECICLÁVEIS E AS REDES DE RELAÇÕES: Os catadores da Associação dos Agentes Ambientais Rosa Virgínia e o trabalho na rua

Ellen Garcia da Silveira. Licenciada em Ciências Sociais pela Universidade Estadual do Ceará – UECE; Mestre do Programa de Mestrado Acadêmico em Políticas Públicas e Sociedade – MAPPS / UECE; ellen_garcia_s@yahoo.com.br.

Jouberth Max Maranhão Piorsky Aires. Professor Adju nto de Antropologia na Universidade Estadual do Ceará – UECE; Coordena o Mestrado em Políticas Públicas e Sociedade – MAPPS; Pós-Doutor em Antropologia – Instituto Nacional de Antropologia e História; maxmaranhão@gmail.com.

 

Expomos neste artigo a relação constituída entre os catadores da Associação dos Agentes Ambientais Rosa Virgínia, na cidade de Fortaleza, Estado do Ceará-Brasil, e aqueles que doam os materiais recicláveis durante as rotas de coleta, conhecidos comumente como “padrinhos”. Este vínculo, intermediado principalmente pela Igreja Católica do bairro, é fortalecido por laços de confiança e ajuda mútua. Através do mapeamento e acompanhamento das rotas de coleta dos materiais recicláveis com os catadores associados nas ruas de alguns bairros de Fortaleza, analisamos como se estabelecem e se mantém as redes de relações e apoio entre padrinhos e catadores no trabalho de coleta de materiais na rua. Organizados em associações ou não, os catadores estabelecem formas diferenciadas de convivência e de apropriação do espaço urbano, que originam uma sociabilidade própria, seja na relação com os padrinhos, entre eles mesmos ou outros atores com quem compartilham o mesmo ambiente na cidade. A rede de articulação (Hall, 1986) tecida pelos catadores associados possibilita a criação de uma nova representatividade, a do “trabalhador da catação”, diferente daquelas construídas por outros agentes sociais, sejam elas baseadas na estigmatização e marginalização, ou na ideia da função pública de limpeza da cidade.

Palavras-Chave: Catadores de Material Reciclável; Cotidiano de Trabalho; Rede de

Relações; Cadeia da Reciclagem.

 

 

¿QUÉ PUEDE UN CUERPO? APROXIMACIONES AL CUERPO “CARTONERO” DESDE UNA PERSPECTIVA CORPORAL

Verónica V. Puricelli (Facultad de Filosofía y Letras-Universidad de Buenos Aires; veronicapuricelli@hotmail.com

El presente estudio tiene por objetivo explorar el proceso de trabajo llevado a cabo por los recolectores de residuos sólidos urbanos (mayormente conocidos como "cartoneros") en relación a los procesos de subjetivación individual y colectiva que éste supone. En tanto ocupación laboral fundamentalmente física, la investigación tomará como punto de referencia los sentidos construidos en torno al cuerpo (específicamente el cuerpo "cartonero"), contemplando la relación material que establece con el contexto laboral inmediato de la práctica cotidiana y los discursos que en torno suyo se traman.
La línea de análisis a seguir parte de concebir al cuerpo como la conjugación simbólica de los discursos y representaciones sociales que circulan en la sociedad así como de la figuración que el sujeto realiza sobre su propio cuerpo en términos senso-perceptivos (Csordas, 2008). En este sentido, este trabajo explorará las representaciones elaboradas subjetiva e intersubjetivamente del cuerpo "cartonero" en relación a las concepciones que sobre este cuerpo se inscriben con el objetivo de vislumbrar cómo a partir del cuerpo y sobre éste la experiencia laboral es (re)formulada.

Palabras claves: Corporalidad, procesos de subjetivación, recolectores urbanos.

 

Sentidos y reconfiguraciones de la basura

 

 

LA DÉBROUILLE COMPAGNIE: TENSIONES EN TORNO A LOS VALORES Y LAS PRÁCTICAS EN LA REUTILIZACIÓN DE RESIDUOS

Verónica J. Mandelbaum. Estudiante de Ciencias Antropológicas. FFyL – UBA; veromandelbaum@gmail.com

La problemática de residuos en grandes centros urbanos ha promovido transformaciones en la percepción de los objetos así como también el surgimiento de diversas asociaciones de la sociedad civil que promueven prácticas “sustentables” tales como el reciclaje y la reutilización. A partir de la combinación entre una metodología visual, trabajo de campo y entrevistas realizadas a algunos integrantes de la asociación civil “Débrouille Compagnie”, cooperativa creada en 2005 en la comuna 19 de París, propongo hacer un análisis de los diversos sentidos del valor que se articulan en torno a los residuos en el marco de distintas teorías del valor que la antropología económica ha producido y que nos permiten dar cuenta de que las complejidades que permean esta categoría tienen anclajes histórico-espaciales diversos.

El trabajo de esta asociación, su ubicación geográfica en uno de los barrios marginados de la capital francesa y la participación de artistas y artesanos que provienen de países tales como Mali, Brasil y Finlandia entre otros, tienen como correlato una propuesta que pone en evidencia las negociaciones y desnaturalización que los integrantes de la cooperativa ponen en práctica respecto de los residuos/materiales y las tensiones que esto supone en cuanto a los objetivos perseguidos por la misma.

Desde esta perspectiva, podemos pensar la relación conflictiva entre las estrategias desarrolladas al interior de la asociación en torno a los valores y prácticas en la transformación de los residuos.

Palabras clave: reutilización, residuos, asociación civil, teorías del valor, negociación.

 

DA MARGEM AO CENTRO: A RE-MERCANTILIZAÇÃO DO “UNIVERSO DO DESCARTÁVEL” EM BOCA DE LIXO, ESTAMIRA E LIXO EXTRAORDINÁRIO

Gyssele Mendes. Mestre em Comunicação Social (2014), com dissertação defendida na linha de pesquisa “Mídia, Cultura e Produção de Sentido”, e bacharela em Estudos de Mídia (2011), ambos pela Universidade Federal Fluminense (UFF-RJ); gyssele@gmail.com

 

Este artigo investiga como vêm sendo disputados os sentidos em torno da midiatização do lixo no Brasil. Para isso, destacamos três documentários que abordam esta temática: Boca de Lixo (1993), Estamira (2004) e Lixo Extraordinário (2009). A partir da análise das representações destes filmes, especialmente da prática discursiva de construção dos personagens, propomos observaros deslizamentos dos sentidos produzidos sobre o “universo do descartável”, termo que abrange os espaços, sujeitos e coisas marcados pela presença simbólica e material do lixo. Por contados sentidos atribuídos ao lixo, principalmente a poluição e a impureza (DOUGLAS, 1976), os catadores de material reciclável são igualmente percebidos como impuros, invisíveis e marginais. Entretanto, estes sujeitos estão ativos no mundo concreto, construindo relações sociais e afetivas. Então, o que faz com que estes sujeitos sejam percebidos como invisíveis? Por que, de antemão, estes sujeitos são classificados como “rudes” e “drogados” (adjetivos utilizados em um dos filmes)? Quais os discursos que permeiamas representações destes sujeitos? Nosso objetivo principal será investigar o jogo discursivo em torno dessa temática. De modo complementar, conversamos com catadores da Associação de Catadores do Aterro Metropolitano de Jardim Gramacho (ACAMJG), representada em um dos documentários. Como hipótese central, sustentamos que os “sujeitos descartáveis”, ao serem representados via mídia, adquirem visibilidade e “vida” diante dos espectadores. Em outros termos, estes sujeitos são fetichizados e re-mercantilizados (KOPYTOFF, 2008), colocando em questão as fronteiras entre sujeito e mercadoria na contemporaneidade.

Palavras-chave: Consumo, Representação, Mídia, Re-mercantilização, Lixo.

 

 

CATADORES DE LIXO: COLEÇÃO, ARTESANATO E REUSO COMO NOVAS PRÁTICAS DE CONSUMO

Simone Lira da Silva. Doutoranda em Antropologia Social pela Universidade Federal de Santa Catarina- SC, Brasil; simoneliradasilva@yahoo.com.br

Este texto é uma síntese de minha tese de doutorado em Antropologia Social. Os dados analisados foram coletados por meio de pesquisas etnográficas realizadas com catadores em duas cidades brasileiras: Palhoça-SC, durante os anos de 2012 e 2013 e Santa Maria-RS, entre os anos de 2005 e 2009. Problematizo as diversas práticas de apropriação de objetos encontrados no lixo, ou seja, todo o ato de retirar do lixo e do circuito de reciclagem industrial determinados objetos e direcioná-los para outras categorias de classificação, como o comércio de usados, artesanato e coleções. Busco demonstrar como os catadores, através da alteração dos significados e valores atribuídos ao lixo, estabelecem novas relações com objetos que encontram no lixo e, por conseguinte, com a sociedade a sua volta. Trata-se de uma análise das formas como Catadores de lixo, em meio às adversidades oriundas dos conflitos que travam diariamente com os setores governamentais e privados de gerenciamento do lixo no Brasil, conseguem transcender ao estigma associado a sua atividade e criar novas categorias para expressarem e organizarem o mundo a sua volta. A tese que defendo é de que tais práticas de apropriação de objetos encontrados no lixo ressignificam categorias prescritas pelas ordens de classificações do sistema de produção de bens (sujo/limpo, reciclável/não reciclável), ora alterando a estrutura de consumo da nossa sociedade, ora a reproduzindo. Há, portanto, a pretensão de repensar o conceito antropológico de consumo através das práticas de um grupo social, geralmente considerado excluído do mundo do consumo.

Palavras chaves: Catadores de lixo, consumo, estética, etnografia, reciclagem.

 

 

IMÁGENES RESIDUALES

Ernesto Livon-Grosman. Boston College; livongro@bc.edu

Gisela Heffes. Rice University; gisela.heffes@rice.edu

 

Las últimas dos décadas hicieron más visibles las problemáticas ambientales que se agudizaran como consecuencia de las múltiples crisis políticas y económicas latinoamericanas que tuvieran lugar desde fines de los años 90. Una de ellas es la relacionada con los residuos, tantos reales como simbólicos y el lugar que ocupan en la esfera pública. La conciencia ambiental que se desarrollara a partir de estas crisis y sus implicaciones sociales, económicas y culturales excede la especificidad de los estudios antropológicos, sociológicos y de planeamiento urbano y se han vuelto temas cada vez más presentes en la esfera cultural. Temáticas como la incorporación de materiales de descarte en la producción editorial, el impacto de la presencia cartonera en la vida urbana y las cooperativas de materiales recuperados como nuevas formas de organización social están presentes en las artes plásticas, la literatura y el cine. El panel se propone presentar algunos de los temas más recurrentes de una temática que como la de los residuos atraviesa la producción simbólica y que en el proceso ha naturalizado una temática que en el pasado se considerara extraña a las discusiones sobre la relación entre estética y política.

Una presentación se enfocará en la relación entre basura y un número significativo de producciones literarias, visuales, performativas y estéticas que han surgido desde mediados del siglo XX hasta el presente. En particular, se hará hincapié en cómo estas representaciones se encuentran atravesadas por una retórica de los desechos, esto es, lo que se descarta, se recicla y se conserva, y que se vincula, a su vez, con el problema, ya más general, de la destrucción y preservación ambiental.

Las otra presentación  del panel está dedicada a hacer una breve historia de la relación entre basura y cine documental y propone una mirada crítica de cómo el cine latinoamericano en general, y el rioplatense en particular, ha vuelto más visible la basura como un personaje urbano. El foco de la presentación estará en como el tratamiento de un tema como la basura y el reciclaje es también una búsqueda en la relación entre arte y esfera publica.

 

 

CONSTRUCCIÓN SOCIAL DE LA BASURA EN LA CIUDAD DE BUENOS AIRES

Diana Martínez Herrera. Tesista; dianamartinezh@gmail.com

 

En la ponencia se presentarán algunos de los resultados de un proyecto de investigación que comenzó en el marco del grupo de investigación de la carrera de Ciencias de la Comunicación (UBA) “Enfoque semiótico sobre prácticas económicas”. A partir del análisis de doce entrevistas en profundidad, se describirán las diversas representaciones y prácticas que aparecen en torno a la basura y que definen las categorías de lo desechable. Se indagarán qué concepciones del valor y de la utilidad de las cosas aparecen a lo largo del circuito de adquisición, consumo y desecho, y cómo se articulan con concepciones sobre la organización cotidiana de los objetos, la limpieza y la salud del hogar.

Se entiende que toda concepción de la “basura” es un producto sociohistórico y se busca reflexionar en torno a cómo los hábitos de consumo y desecho, y el tratamiento de los residuos por parte de los individuos se asocian a un sentido común sobre la basura. La hipótesis inicial de este proyecto es que en la producción cotidiana de basura convergen representaciones y verosímiles sociales con múltiples orígenes (e incluso contradictorios entre sí) que abarcan desde la relación hombre-naturaleza hasta los problemas de la vida en común y la gestión de lo público.

Palabras clave: basura – valor – utilidad – higiene. 

 

Aproximaciones diversas al detritus del consumo

 

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE UMA ETNOGRAFIA DE COMIDAS QUE ‘VEM’ DO LIXO

Lis Furlani Blanco. Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social – IFCH- Unicamp – Brasil. Orientador: Ronaldo Rômulo Machado de Almeida; lisfblanco@gmail.com

Classificar um alimento como comestível perpassa relações de poder, higiene, saúde, status e classe.  Quando este objeto foi considerado previamente como lixo, como sobra e como resto, sua classificação enquanto ‘comida’ traz um importante questionamento para se pensar a classificação daqueles que estariam relegados a comer dejetos dos outros.

Assim, proponho compartilhar algumas considerações sobre minha dissertação de mestrado, a qual tinha como objetivo analisar a trajetória da vida dos alimentos e sua classificação enquanto comestível. Foi a partir da escolha da categoria analítica do podre como conceito liminar que permite pensar as variáveis da desta classificação e da classificação das pessoas, que desenvolvi uma etnografia da trajetória de certos alimentos na cidade de São Paulo, em feiras livres e no programa Mesa Brasil do SESC, buscando compreender a crueza da máxima “você é o que você come”.

Através dos estudos de Mauss e Durkeim sobre classificação, mas também em relação às analises de Mary Douglas acerca de noções de pureza e perigo, em consonância com os estudos sobre alimentação que destacam a importância do processo de incorporação, que encontrei um referencial teórico que permitia pensar sobre a trajetória dos objetos/comida e daqueles que os consomem em uma relação que define ambas as vidas. Por meio das noções de objeto e abjeto apresento desta maneira, algumas cenas etnográficas que visam levar o leitor a caminhar comigo por algumas ruas e bairros de São Paulo para compreender os limites ou ainda a extensibilidade daquilo que chamamos de ‘comida’.

Palavras chave: Comida, comestibilidade, lixo, podre, vida.

 

QUANDO O “LIXO” NÃO É LIXO: UM ESTUDO ETNOGRÁFICO SOBRE A XEPA

Kamila Guimarães Schneider. Mestranda da Universidade Federal de Santa Catarina. (UFSC); kamilaschneider@uol.com.br

Caroline Soares de Almeida. Doutoranda da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); almeidacarol82@gmail.com

 

O presente artigo tem como objetivo apresentar uma reflexão e quiça propor um novo olhar sobre o conceito de lixo. Em especial, trataremos aqui sobre os restos de feira. Em muitos casos esses restos são descartados mesmo ainda podendo ser utilizados para preparos de patos e mesmo para consumo in natura. Estes são chamados de xepas. Para a realização deste trabalho foi utilizado à observação participante, como abordagem metodológica de pesquisa, em duas edições em um evento denominado Disco Xepa. O evento já foi realizado em várias partes do globo, tendo sua primeira edição na Alemanha. Contudo as etnografias foram realizas na cidade de Florianópolis, capital do estado de Santa Catarina, Brasil. Os locais da realização do evento demarcam uma clara distinção social, demarcando uma dicotomia entre centro e periferia e suas práticas e visões sobre o lixo.

Palavras chave: Lixo, Xepa, Distinção, Evento, Centro-Periferia.

 

 

RELEVAMIENTOS DE ESTUDIOS SOBRE RESIDUOS DE APARATOS ELECTRÓNICOS Y ELÉCTRICOS (RAEES), LAS EXPERIENCIAS LATINOAMERICANAS

Greta Liz Clinckspoor. Diseñadora Industrial.CIC (Centro de Investigaciones Científicas, Buenos Aires, Argentina), Instituto del Hábitat y del Ambiente-Faud-UNMDP. Dr. Francisco Suárez.

Los RAEEs son considerados el residuo urbano de mayor generación actualmente, significando una nueva problemática a abordar a nivel mundial para la cual, si bien existen experiencias realizadas en diferentes contextos del Sur Global, su Gestión Integral no se presenta en ninguna localidad de América Latina.

Las singularidades legislativas, culturales, económicas y del contexto en general resultan puntos cruciales para colaborar y compartir en los abordajes académicos, para la completa comprensión de las complejidades que enfrenta la gestión de este tipo particular de residuos, no reconocido aún como tal.

Por estas cuestiones y por las características contrapuestas propias de los RAEEs; ya que suponen por un lado desafíos en cuanto al tratamiento de sus componentes y sustancias altamente peligrosas para la salud humana y el medio ambiente, y por otro, son considerados factibles de ser revalorizados (en un alto porcentaje) con diferentes opciones de tratamiento; resulta fundamental asumir los conocimientos desarrollados en contextos latinoamericanos con la finalidad de elaborar procedimientos sustentables.

El presente trabajo tiene como objetivo relevar las experiencias más relevantes en estudios de RAEEs que se han desarrollado en América Latina. La ponencia en su carácter exploratorio sistematizará  los saberes y experiencias relacionadas al tema, efectuando especial hincapié en los criterios desarrollados, así como en los puntos comunes y propios de cada contexto analizado, por ciudad y/o por país.

Asimismo, el estudio pretende reconocer los aportes de las distintas experiencias de investigación con la finalidad de elaborar una herramienta de análisis.

Palabras clave: Gestión - Residuos Electrónicos – Latinoamérica.

 

 

PROCESOS DE INVESTIGACIÓN ACCIÓN PARTICIPATIVA UTILIZANDO METODOLOGÍAS AUDIOVISUALES CON COOPERATIVAS DE CARTONEROS/RECUPERADORES/RECICLADORES

 

Prof. Alex Portugheis (Profesor/Coordinador Programa de Extensión Universitaria “Filo Recupera Trabajo y Residuos” Facultad de Filosofía y Letras - UBA)

 

En la presente investigación se propone reflexionar sobre las trayectorias del rol investigador como partícipe de los procesos de fortalecimiento de cooperativas de reciclado. Desde el año 2007 hasta la fecha se han cumplido funciones requeridas por las cooperativas para realizar  acciones que promuevan el fortalecimiento de la gestión interna  y la difusión externa de las cooperativas.  Se han realizado distintas actividades desde talleres de comunicación popular, producción de documentos audiovisuales que reflejen la realidad de los espacios de trabajo, formulación y redacción de proyectos para programas estatales de asistencia, coordinación de asambleas de socios, planificación institucional para el desarrollo de espacios educativos vinculados con el oficio reciclador. En el siguiente texto se analizan correspondencias entre las metodologías de investigación-acción en las ciencias sociales y en  la fabricación de dispositivos institucionales de formación y comunicación para el fortalecimiento de organizaciones sociales.  Dichos procesos se enmarcan en tres procesos asociativos de cooperativas de procesamiento de materiales reciclables, la cooperativa COOCASSIS en la ciudad de Assis en el sudoeste del estado de San Pablo, la cooperativa Nuevamente en la ciudad de Morón y la cooperativa Nuestro Ambiente Limpio en la ciudad de José C. Paz en el conurbano bonaerense. La planificación conjunta entre el investigador y los cooperativistas obedece a una anticipación para vencer el fatalismo de una historia inmodificable, donde es preferible ser sujeto planificador del futuro, a ser objeto viviente de la planificación por otro.

Investigación acción participativa /cooperativismo/reciclaje.

 

Gestión integral de residuos y políticas públicas

 

 

ESTRATEGIAS REGIONALES PARA UNA GESTIÓN INTEGRAL DE RESIDUOS EN ARGENTINA

Corallo, Ana (2015). Abogada especialista en Derecho Ambiental; anncorallo@gmail.com

 

La Ley Nacional de Gestión integral de Residuos domiciliarios promueve la implementación de estrategias regionales para alguna o la totalidad de las etapas de la gestión. Si bien en la actualidad no existe una norma que regule de manera específica la regionalización, el país cuenta con numerosas experiencias; mayormente en las etapas de trasferencia, transporte y disposición final.

La regionalización, entendida como una herramienta de política ambiental diseñada para potenciar los resultados y esfuerzos municipales individuales, enfrenta una serie de desafíos tanto a nivel normativo e institucional, así como a nivel  social, técnico-ambiental y económico.

El presente trabajo apunta por un lado a conocer los casos de regionalización que se han implementado en Argentina; y por el otro, a analizar cuáles han sido las principales lecciones aprendidas y los desafíos que enfrentaron los municipios en el abordaje de soluciones regionales.  Se pretende así, generar un documento de utilidad para poder comparar otras experiencias en la Región, y comenzar a delinear los aspectos normativos que deberían tomarse en consideración para una futura reglamentación en materia de regionalización.

Palabras Claves: Gestión Integral de Residuos, regionalización, lecciones aprendidas, desafíos.

 

 

Políticas Públicas y Gestión de  residuos, el sector de los recuperadores Urbanos en el Municipio de La Matanza.

 

Lic. Lopez Guadalupe; guadalupeanahilopez@gmail.com

 

La gestión de los residuos en las grandes urbes es un tema ineludible para las administraciones no solamente por su dimensión ambiental sino porque también se refiere a la organización de un sistema económico de producción. A la vez  la actividad  de miles de cartoneros/as (Recuperadores/as Urbanos/as: RU) obliga a repensar esta situación en relación a la formalización y dignificación de ese trabajo. En esta presentación se presenta un diagnóstico territorial realizado entre julio de 2013 y julio de 2014 como el primer acercamiento a la caracterización de la actividad y al conocimiento de la situación socio económica de la población de R.U.en el partido.

Se han registrado 269 R.U. El número de encuestas realizadas es de 187.

Puede afirmarse que de mínima existen en el municipio 1172 personas que realizan la actividad. Se estima que el número total podría ser superior a 2500 personas.

Se desarrollará el abordaje metodológico con el que se trabajó para luego  presentar varios de los datos relevados y las conclusiones sobre el estado de situación de esta actividad.

Palabras claves: Residuos / Recuperadores Urbanos / Informalidad / Trabajo

 

 

A Política nacional de resíduos sólidos e suas implicações socioambientais no aproveitamento de gás de aterros: O CASO DO ATERRO DE JARDIM GRAMACHO - RJ.

 

Ana Paula Beber Veiga, Instituto de Energia e Ambiente – Universidade de São Paulo (IEE/USP), anapbveiga@usp.br

Sonia Seger Mercedes, Instituto de Energia e Ambiente – Universidade de São Paulo (IEE/USP), seger@usp.br

 

Promulgada em 2010, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) representa um grande avanço na questão sanitária do país. Além de privilegiar a redução da geração de resíduos com vistas à diminuição da necessidade de destinação final, a PNRS prevê o aproveitamento energético dos resíduos.

Antes mesmo de sua aprovação, diversos projetos de aproveitamento energético do biogás extraído de aterros sanitários de maneira forçada foram implantados, com o objetivo principal de produzir energia elétrica destinada ao Sistema Interligado Nacional. Mais recentemente, a produção de biometano a partir do gás de aterro tem se mostrado atrativa, uma vez que este produto tem potencial de substituir o gás natural de petróleo.

No entanto, estes projetos reproduzem experiências bem sucedidas no exterior, mas que não apresentavam cenário semelhante ao verificado no setor de resíduos brasileiro. Com uma população de catadores de materiais recicláveis estimada entre 400 a 600.000, a adequação de aterros para a implantação de projetos de aproveitamento energético do biogás pode trazer consequências às pessoas que dependem da coleta seletiva, muito embora as condições de trabalho destes não sejam adequadas.

O presente trabalho discute as implicações do cumprimento dos objetivos da PNRS, principalmente com relação à diminuição da disposição final e aproveitamento energético dos resíduos, frente à questão dos catadores, a partir da observação do caso do Aterro Metropolitano de Jardim Gramacho, cuja operação foi encerrada em Junho de 2012, e contava, à época de seu fechamento, com a presença de mais de 1.500 catadores trabalhando em seus limites.

Palavras-chave: Política Nacional de Resíduos Sólidos, coleta seletiva, biogás, aterro sanitário.

 

 

RECICLAGEM POPULAR: UM CONCEITO E UMA PRÁTICA EM CONSTRUÇÃO

 

Angelique J. W. M. van Zeeland. Mestra em Economia, doutoranda em Economia em Desenvolvimento na Universidade Federal do Rio Grande do Sul/UFRGS, assessora programática de Justiça Econômica da Fundação Luterana de Diaconia, membro do Conselho Nacional de Economia Solidária e membro do Conselho da Aliança ACT; angelique@fld.com.br, angelique_van_zeeland@hotmail.com

Marluí Tellier Ferreira Acadêmica do curso de Serviço Social na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS; Coordenadora de Projetos da Fundação Luterana de Diaconia – FLD; marluí@fld.com.br, luitellier@gmail.com

 

Este artigo aborda o conceito e o processo de construção da reciclagem popular e tem por objetivo sistematizar os principais fatores que contribuem para sua sustentabilidade. A mobilização das/os catadoras/es através do Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), resultou em avanços nas políticas públicas no Brasil da última década. O conceito de reciclagem popular, elaborado pelo MNCR, aborda o modelo de gestão integrada de resíduos sólidos onde a reciclagem é feita por catadoras/es organizadas/os em associações e cooperativas autogestionárias, através da prestação de serviços como da Coleta Seletiva Solidária (CSS) ou apenas da triagem dos materiais, além do avanço na cadeia de reciclagem via beneficiamento e comercialização coletiva, garantindo a gestão compartilhada e a distribuição da renda, da riqueza, do poder e do conhecimento gerado a partir do manejo dos resíduos. Será apresentada uma análise de características culturais, educacionais e socioeconômicas de 700 catadoras/es e outra das características sócio-políticas, econômicas e das capacidades potenciais, de 30 organizações de catadoras/es no Estado do Rio Grande do Sul no Brasil. Será apresentada a experiência de Coleta Seletiva Solidária da cooperativa Cootracar de Gravataí e o processo de inclusão socioeconômica de catadoras/es que saíram do lixão e assumiram a CSS em Uruguaiana. Foram examinados vários aspectos como gestão compartilhada, inserção socioeconômica de catadoras/es, participação das catadoras, atuação em rede, articulação com políticas sociais, relações de poder e processos de formação. O artigo finaliza com considerações sobre avanços e desafios para as práticas de reciclagem popular e a consolidação do seu modelo.

Palavras chaves: Reciclagem Popular. Coleta Seletiva Solidária. Gestão Integrada de Resíduos Sólidos.  Economia Solidária. Redes

 

 

OBSERVAÇÃO PARTICIPANTE NO PROCESSO DE DESATIVAÇÃO DO ATERRO METROPOLITANO DE JARDIM GRAMACHO, BRASIL

 

Andréa de Moraes Barros. Associada da associação civil CIRCUS – Circuito de Interação de Redes Sociais, doutoranda em Ciências Sociais pela Universidade de Osnabrück/Alemanha, especialista em Direito pela Universidade Ludwig Maximilian/Alemanha e bacharel em Direito/Brasil; andrea@circus.org.br

Em 2010 a Lei de Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) determinou o encerramento de lixões no Brasil e a inclusão socioprodutiva de catadores/as.  Este artigo tem como objetivo analisar as relações entre os diversos atores sociais envolvidos em processos de desativação de lixões, a partir da experiência da autora como pesquisadora no processo de desativação do Aterro Metropolitano de Jardim de Gramacho, situado no Bairro de Jardim Gramacho, no Município de Duque de Caxias, Estado do Rio de Janeiro, Brasil. A pesquisa utilizou o método da observação participante, realizada entre maio de 2011 e junho de 2012 no GT Trabalho e Renda. Este GT tinha como recorte de ação a inclusão socioprodutiva e representava um espaço de participação para os catadores atuarem na elaboração das estratégias para minimizar os impactos da desativação do Aterro. Neste GT participaram o Governo do Estado do Rio de Janeiro, o Município de Duque de Caxias, organizações de catadores/as e o Consórcio Novo Gramacho responsável pela operação do Aterro. Pode-se observar no GT Trabalho de Renda a reprodução de aspectos da descriminação estrutural, ou seja, “aquela que existe de forma sistemática e decorre das relações de poder e que se enreda no seio da sociedade, confundindo-se com os valores culturais e sociais”. 

Palavras chave: gestão de resíduos sólidos, catadores de materiais recicláveis, inclusão socioprodutiva, descriminação estrutural.

 

EL RECONOCIMIENTO DE LOS RECICLADORES COMO PRESTADORES DE SERVICIOS PÚBLICOS EN COLOMBIA: LOS RETOS DE LA TRANSICIÓN HACIA LA FORMALIZACIÓN O COMO NO BORRAR CON EL CODO LO HECHO CON LA MANO IZQUIERDA

Federico Parra. Candidato a doctor, Doctorado Estudios Políticos y Relaciones Internacionales, Facultad de Derecho Ciencias Políticas y Sociales, Universidad Nacional de Colombia. Miembro del Grupo de Investigación en Derechos Ambientales y Colectivos, Facultad de Derecho Ciencias Políticas y Sociales, Universidad Nacional de Colombia. Coordinador del programa de Recicladores para América Latina, WIEGO (Mujeres en Empleo Informal: Globalizadas y Organizadas); federico.parra@wiego.org / fedeparra75@gmail.com

Tras más de 20 años de lucha por sus derechos, la población recicladora organizada en Colombia logró un cumulo de sentencias proferidas por la Corte Constitucional Colombiana en defensa de su derecho a permanecer y crecer  en su oficio con el apoyo del Estado. En particular el auto 275 de 2011 marco un hito jurisprudencial para este sector poblacional en Colombia, pues reconoció que la labor de los recicladores hace parte "integral" del servicio público de aseo y por tanto debe ser remunerada en iguales o mejores condiciones que las empresas prestadoras del servicio de recolección de basuras. Este Auto de la Corte se concentra en el caso Bogotano en tanto el proceso jurídico fue animado por la Asociación de Recicladores de Bogotá, ante las políticas de exclusión del los recicladores de la gestión publica de los residuos en esta ciudad. 

A partir de 2012 inicia la administración del alcalde mayor Gustavo Petro, quien debe afrontar el reto dar cumplimiento a las ordenes de la Corte Constitucional; es así como formula un Plan de Inclusión de Población Recicladora inscrito en su Programa de Gobierno Bogotá basura Cero.

De manera casi simultánea, el Gobierno Nacional inicia su proceso de ajuste interno para cumplir los requisitos que le permitirían ingresar a la Organización para la Cooperación y el Desarrollo Económicos (OCDE). Entre estas exigencias esta el aumento de las tasas de reciclaje, y como un nuevo aderezo la inclusión de población recicladora.

Este ensayo pretende registrar y analizar las diferentes acciones, las tensiones y contradicciones derivadas de  este proceso de cambio de paradigma en Colombia: de modelos de transporte y enterramiento controlado de basuras en manos de empresas privadas, a modelos que priorizan el  reciclaje y aprovechamiento de residuos con el reconocimiento de la población recicladora, como prestadores del servicio de recolección transporte y aprovechamiento de residuos reciclables.

 

ENTRE LA EXCLUSIÓN SOCIAL Y LA EXPLOTACIÓN ENCUBIERTA: LOS CLASIFICADORES DE RESIDUOS Y SU PARTICIPACIÓN EN EL COMPLEJO ECONÓMICO DE RECUPERACIÓN DE DESECHOS

 

Mariana Fry. Docente de Facultad de Ciencias Sociales de la UdelaR, integrante del Núcleo de estudios e intervención con clasificadores de residuos urbanos sólidos del Servicio Central de Extensión y Actividades en el Medio, UdelaR; marianfry@gmail.com

Siboney Moreira. Docente del Servicio Central de Extensión y Actividades en el Medio y de la Facultad de Información y Comunicación de UdelaR.

Federico Pritsch. Docente del Servicio Central de Extensión y Actividades en el Medio de la UdelaR.

Martín Sanguinetti. Docente del Servicio Central de Extensión y Actividades en el Medio de la UdelaR, integrante del Núcleo de estudios e intervención con clasificadores de residuos urbanos sólidos del Servicio Central de Extensión y Actividades en el Medio, UdelaR.

Gerardo Sarachu. Docente del Servicio Central de Extensión y Actividades en el Medio de la UdelaR, integrante del Núcleo de estudios e intervención con clasificadores de residuos urbanos sólidos del Servicio Central de Extensión y Actividades en el Medio, UdelaR.

Fernando Texeira. Docente del Servicio Central de Extensión y Actividades en el Medio y de la Facultad de Psicología de la UdelaR, integrante del Núcleo de estudios e intervención con clasificadores de residuos urbanos sólidos del Servicio Central de Extensión y Actividades en el Medio, UdelaR.

 

El presente trabajo se propone plantear una mirada económica y social del problema de los clasificadores de residuos, a partir del análisis de su inserción en el complejo económico de recuperación de desechos. Para ello, se describe el funcionamiento del complejo y se analizan sus distintas fases. Se busca aquí dar cuenta del proceso de generación y apropiación de valor realizado a partir de los residuos, de la participación de los actores implicados y del modo en que se combinan distintas modalidades de intervención estatal. Para reconstruir cada una de estas etapas se utiliza la información estadística disponible a nivel nacional, así como también datos primarios producidos por este equipo de investigación. De este modo, se obtiene una descripción cuantitativa de cada una de las fases, así como también un análisis de los actores que participan y sus relaciones. Complementariamente, el trabajo analiza los cambios introducidos en este complejo a partir de la implementación en Montevideo de la ley Nº 17.849 de “Uso de envases no retornables”, y de las transformaciones que la misma supone en el trabajo de los clasificadores.

Desde esta perspectiva, se busca estudiar la relación entre el funcionamiento del complejo y la situación de los clasificadores, sustentando la hipótesis de que el conjunto de relaciones en que se inscribe esta actividad contribuye a reproducir la situación de explotación encubierta, en la cual la informalidad es funcional a la apropiación del beneficio por parte de las grandes empresas.

Palabras clave: Clasificadores de residuos, complejo económico de recuperación de desechos, explotación encubierta.

 

 

LA RELACIÓN ENTRE LAS COOPERATIVAS DE RECUPERADORES URBANOS Y EL ESTADO DE LA PROVINCIA DE BUENOS AIRES ENTRE EL AÑO 2013 Y EL 2014

Faustina Sarandón. Estudiante avanzada de la Lic. en Sociología de la Universidad Nacional de La Plata; faustinasarandon@gmail.com

 

El propósito del trabajo que se presenta es analizar cómo se construye la relación entre las Cooperativas de Recuperadores Urbanos y el Estado de la provincia de Buenos Aires, en el marco de la implementación de las Resoluciones sobre Grandes Generadores de residuos del año 2013.

En el año 2013 la provincia de Buenos Aires, mediante su Organismo Provincial para el Desarrollo Sostenible (OPDS), presentó tres Resoluciones de Grandes Generadores de residuos N° 137, 138 y 139. Las mismas resuelven que los Grandes Generadores (GG), deberán realizar un Plan de Gestión diferenciado de sus RSU, debiendo separar en origen en al menos dos fracciones y teniendo que costear el traslado y el tratamiento de la fracción reciclable. La fracción de residuos reciclables deberá ser llevada a un “Destino Sustentable”, el cual les otorgará un certificado por el tratamiento adecuado y el reciclado del residuo. Los “Destinos Sustentables” a los que deben llevar los GG la fracción seca de sus residuos, pueden ser Cooperativas de Recuperadores Urbanos, Asociaciones Civiles, Fundaciones o empresas privadas que cumplan los requisitos para inscribirse en el Registro de Tecnologías de RSU de la Provincia de Buenos Aires.

Ante la puesta en marcha de las Resoluciones, las Cooperativas de Recuperadores Urbanos conformaron una “Mesa de Trabajo” junto con técnicos y directores del OPDS, que tenía por función la socialización de las problemáticas de las Cooperativas frente a las nuevas Resoluciones, y el acompañamiento para su incorporación como “Destinos Sustentables”.

Palabras clave: Cooperativas - Residuos Sólidos Urbanos – diálogo – relaciones de poder.

 

 

ALGUNAS REFLEXIONES EN TORNO A LA GESTIÓN DE LA BASURA EN CONTEXTOS DE POBREZA URBANA A PARTIR DEL ESTUDIO DE CASO EN LOS BARRIOS LA UNIÓN Y EL MERCADITO (LA PLATA, ARGENTINA)

 

Ana Pilar Pi Puig. Centro Interdisciplinario de Metodología de las Ciencias Sociales – Instituto de Investigaciones en Humanidades y Ciencias Sociales – Facultad de Humanidades y Ciencias de la Educación – Universidad Nacional de La Plata (Argentina); pilarpipuig@gmail.com

 

El presente trabajo se propone ofrecer las primeras reflexiones en torno al trabajo de campo realizado en el marco de un proyecto de tesis doctoral que tiene como objetivo indagar las posibilidades de una gestión integral de residuos sólidos urbanos en contextos urbanos con barrios pobres. A partir de un estudio de caso, los barrios La Unión y El Mercadito (La Plata, Argentina), se busca caracterizar las prácticas de manejo y el significado de la basura, y las percepciones en torno a la actividad del trabajo con la basura, que tienen los habitantes de estos barrios. Cabe mencionar que se trata de dos barrios contiguos ubicados en la periferia de La Plata, y cuya población vive mayormente bajo condiciones de pobreza y vulnerabilidad sanitaria y ambiental.

Las aproximaciones iniciales al campo mediante observación participante y entrevistas informales no estructuradas, han provisto algunos elementos que redireccionaron el interés inicial de la investigación y, en este sentido, la comunicación buscará dar cuenta de este proceso.

Si bien en un principio se consideraba la posibilidad de vincular los circuitos informales de la basura con el Programa de Separación de Basura en origen del municipio, a la luz de un primer análisis, se reconoce la pertinencia de indagar las relaciones y tensiones de los trabajadores informales de la basura –carreros- con el Estado, desde una perspectiva más amplia, y no necesariamente circunscripta al mencionado Programa.

Palabras clave: basura – carreros – pobreza – urbano – GIRSU 

 

 

GOBERNAR LOS DESECHOS: REFLEXIONES SOBRE LA IMPLEMENTACIÓN DE TU DÍA VERDE EN EL MUNICIPIO DE MORÓN

 

Carolina Montera. IIGG / CONICET; carolinamontera@gmail.com

 

En los últimos años, la gestión de los residuos sólidos urbanos de la Región Metropolitana de Buenos Aires ganó visibilidad en el debate público gracias a la confluencia de diversos procesos, entre los que destacan, la emergencia del fenómeno cartonero, la sanción de nuevas disposiciones legales, el agotamiento de los sitios de disposición final y la multiplicación de demandas sociales por el cierre de los rellenos sanitarios. Frente a este contexto, los municipios comenzaron a modificar sus formas tradicionales de intervención, creando áreas ambientales y desarrollando estrategias para avanzar en el manejo integral de los residuos. Desde el año 2013, el municipio de Morón lleva adelante Tu Día Verde, un programa de separación en origen y recolección diferenciada de residuos domiciliarios.

A partir de este caso, el presente trabajo busca reflexionar sobre los modos de intervención pública local en materia de residuos. Las preguntas que guían esta indagación son: ¿cómo un programa de residuos logra ingresar en la agenda gubernamental local? ¿Quiénes son los actores clave en este proceso? ¿Qué tipo de relaciones establecen entre ellos? ¿Qué diferencias y similitudes existen en la forma de comprender la cuestión? Para responder dichos interrogantes, se sigue una estrategia cualitativa basada en el análisis de entrevistas en profundidad y documentos elaboradores por los actores involucrados.

Palabras clave: acción pública - gobierno local - políticas ambientales - residuos sólido urbanos.

 

 

OBSERVATÓRIO DA LOGÍSTICA REVERSA: RESULTADOS DO PROGRAMA PILOTO

 

Edinei João Garcia. Graduação: Psicologia; edinei@circus.org.br

 

A Política Nacional de Resíduos Sólidos instituída no Brasil em 2010 está em regulamentação. Para atender ao princípio da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida do produto foi concebido o instrumento da logística reversa - LR. A LR interfere no mercado e na cadeia produtiva de recicláveis, na rede de atores sociais, e no papel do município no serviço de coleta seletiva. As associações civis CIRCUS e Abuela Naturaleza instalaram o Observatório de Logística Reversa - OLR. O objetivo do OLR é reunir dados em series históricas para produzir informações e gerar conhecimentos que compreendam quais os impactos da LR no empreendimento cooperativo dos catadores de material reciclável. Os resultados do OLR piloto foram obtidos em entrevistas de campo em junho e julho de 2015. A base de dados contempla 03 grupos de catadores em 03 países: Brasil, Uruguai e Argentina. Conclusão: Os 3 países comportam padrões correspondentes, o que favorece a projeção do campo de observação para os países do MERCOSUL. Foram identificados impactos na constituição jurídica do coletivo de trabalho, na gestão administrativa, na estrutura física, no resultado da produção, e na relação com o poder público. Os distintos estágios de regulamentação e implementação contribuirão para a comparação entre modelos, e no processo de pesquisa, produziremos conhecimentos e sínteses para a modelagem de uma LR que contribua com o desenvolvimento dos empreendimentos cooperativos dos catadores, que efetive um serviço de coleta seletiva transparente e eficiente, e desenvolva a cadeia da reciclagem com maior distribuição de riqueza e renda.

Palavras chave: logística reversa; cooperativas de catadores; coleta seletiva; modelos; observatório.

 

 

             

GT 17. ANTROPOLOGÍA POLÍTICA DE LA SEXUALIDAD: PROCESOS ORGANIZATIVOS Y POLÍTICAS PÚBLICAS EN DEBATE

Coordinadores:

Dr. Horacio Sívori. Instituto de Medicina Social. Universidade do Estado do Rio de Janeiro; hfsivori@gmail.com

Dr. Diego Sempol. Facultad de Ciencias Sociales. Universidad de la República; sempoluy@yahoo.com

Prof. Soledad Cutuli. Instituto de Ciencias Antropológicas. Universidad de Buenos Aires. soledadcutuli@gmail.com

 

Comentarista: Lucía Ariza, Regina Facchini, Isadora Lins França, Silvia Aguião, Soledad Cutuli, Diego Sempol y Horacio Sívori

 

 

Sesión 1: Activismos y Estado: disputas en la regulación de la sexualidad

 

POLÍTICAS PÚBLICAS E CIDADANIA LGBT: CONFIGURAÇÕES DA AGENDA ANTI-HOMOFOBIA EM SERGIPE

Sérgio Lima Dos Santos. Doutorando em Sociologia do Programa de Pós Graduação em Sociologia da Universidade Federal de Sergipe e Professor Efetivo do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Sergipe; souslima@hotmail.com

Nos últimos anos, a violência homofóbica tem sido bastante debatida, tanto na esfera sociopolítica quanto nas pesquisas acadêmicas. Borrillo (2010), em estudo sobre o termo, explica que inicialmente este foi utilizado para analisar os traços da “personalidade homofóbica”, “ser homofóbico” significava ter fobia a homossexuais. Contudo, para o autor, essa rejeição subjetiva aos LGBTs não é suficiente à explicação do fenômeno na prática, pois tende a legitimar um silenciamento à hierarquização das sexualidades, por meio da qual a heterossexualidade é imposta como “natural” e “normal”, em contraposição à homossexualidade. Em decorrência dos antagonismos, defende que este deve ser tomado como uma categoria historicamente contextualizada. No Brasil, a questão da violência homofóbica ganhou centralidade na agenda do Movimento Lésbico, Gay, Bissexual, Travesti, Transexual e Transgênero desde 1980, sobretudo em decorrência da AIDS, que transformou algumas das relações marcadas pelo confronto entre o movimento e o Estado, em estratégias de cooperação na luta contra o vírus. Considerada a complexidade que permeia, tanto o termo homofobia quanto as lutas contra práticas de violências homofóbicas aos LGBTs, este trabalho, que está sendo desenvolvido em pesquisa de doutoramento, tem como objetivo apresentar algumas reflexões acerca das complexidades que norteiam a relação entre políticas públicas e cidadania LGBT na contemporaneidade, com foco na produção das ações públicas anti-homofobia em Sergipe – Brasil. A análise pretende dar condições de compreender em que medida, através de quais atores sociais, instâncias estatais, tensões, disputas e estratégias a violência homofóbica tem sido contestada como um problema público no Estado.

Palavras-chave: Ações Públicas, cidadania LGBT, Homofobia, Sergipe, Brasil.

AS IDENTIDADES POLÍTICAS EM PROCESSO NO MOV. LGBT DE SÃO PAULO - DISPUTAS, RECONHECIMENTO E NORMATIZAÇÃO

 

Lucas Bulgarelli Ferreira. Mestrado em curso no Programa de Pós Graduação em Antropologia Social da Universidade de São Paulo (PPGAS/USP). Orientador: Prof. Julio Assis Simões; lucasbulgarelli@gmail.com / lucasbulgarelli@usp.br

 

Esta proposta de trabalho lança algumas análises prévias derivadas de pesquisa de campo em curso que buscam analisar os processos constitutivos e reconstitutivos das identidades políticas que organizam e aglutinam sujeitxs dentro e por meio do movimento LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) da cidade de São Paulo. Buscando entender os mecanismos de cooperação e diferenciação nos processos de construção e reconstrução de identidades dentre aqueles reconhecidos(íveis) no movimento LGBT, e entre estes e as instâncias e dinâmicas do Estado nos processos de formulação de políticas sexuais, a proposta se vale da observação participante a fim de empreender uma etnografia que possibilite compreender mecanismos de assimilação entre os participantes do movimento, representantes estatais e as demandas políticas do movimento LGBT nas instâncias do Conselho Municipal de Atenção à Diversidade Sexual da Prefeitura Municipal de São Paulo, além dos critérios de produção de demandas de políticas sexuais a partir das dinâmicas dentre as diversas identidades políticas em processo e entre os participantes do movimento LGBT e da comunidade LGBT. A pesquisa vem sendo complementada por entrevistas e análise documental e bibliográfica, privilegiando situações de campo que reúnam aqueles identificados e identificáveis como parte do movimento LGBT, da comunidade LGBT, além de agentes do estado e demais membros da sociedade que estejam diretamente ligados à produção de políticas públicas sexuais em São Paulo.

 

GÉNERO Y SEXUALIDAD DURANTE LA DÉCADA GANADA EN ARGENTINA: TRAYECTORIAS DISCONTINUAS DEL MOVIMIENTO FEMINISTA Y LGBTTI EN LAS REFORMAS LEGISLATIVAS

Tabbush Costanza (CONICET-UBA)

 Diaz Ma. Constanza (UBCyT-UBA)

 Keller Victoria (UBA)

Trebisacce Catalina (CONICET-UBA)

Los gobiernos progresistas del Cono Sur en materia socioeconómica no tienen la misma trayectoria en el avance de los derechos de las mujeres y de los colectivos LGBTTI. Lo distintivo de la Argentina parece ser la tensión entre el éxito de la agenda de movimientos LGBTTI -marcado por la legislación aprobada sobre matrimonio igualitario e identidad de género- por un lado, y los esfuerzos frustrados del feminismo por pasar una normativa que legalice el derecho al aborto de las mujeres por el otro. ¿A qué se debe esta supuesta tensión? Esta ponencia pondera los argumentos de las ciencias sociales que la explican, destacando las alianzas de los movimientos sociales, sus estrategias de incidencia frente al Estado, el comportamiento del poder ejecutivo y de los partidos mayoritarios en el recinto parlamentario y la situación de cooperación o conflicto con la iglesia católica.

 

 

SEXOPOLÍTICA DURANTE LA DICTADURA DE AUGUSTO PINOCHET. LA ‘CORRECCIÓN’ DEL SEXO DURANTE EL TERRORISMO DE ESTADO

 

Fernanda Carvajal. UBA-CONICET

 

Durante la dictadura de Augusto Pinochet (1973-1990), no hay registros de una política represiva de persecución directa sobre las minorías sexuales. En esta ponencia nos preguntamos sobre otros tipos de control y disciplinamiento ejercidos en ese período sobre los cuerpos que no logran ser codificados desde el binomio masculino/femenino.

Se abordarán un conjunto de discursos médicos y legales, pero también visuales y testimoniales sobre lo que en ese momento se denominó “cambio de sexo” y que permiten pensar cómo funciona la regulación del género y la sexualidad en ese período.

Tomaremos básicamente dos ejes: analizaremos (1) cómo los discursos sobre la transexualidad reconfiguran los códigos de la masculinidad y de la feminidad, también (2) bajo qué mecanismos la norma sexo-genérica organiza y fija sus propias desviaciones. Si todo diagnóstico es a la vez un modo de clasificación y diferenciación de signos/síntomas, una pregunta transversal de este texto es por los efectos que tiene la distinción entre transexualidad y homosexualidad y consecuentemente, entre género y sexualidad en los discursos que prescriben el “cambio de sexo”.

Se analizaran documentos de prensa, médicos y jurídicos de la época, además de entrevistas a médicos y a personas que se sometieron a intervenciones de reasignación sexual durante el mencionado período.

Palabras clave: Sexopolítica, dictadura, discusos medico-legales, estudios visuales. 

 

 

UN VIDEO SOBRE LA EDUCACIÓN SEXUAL INTEGRAL: APRENDER Y ENSEÑAR CON PERSPECTIVA DE GÉNERO EN LA ERA DIGITAL

 

Catalina González del Cerro. UBA/CONICET; catalinagc@gmail.com

El artículo presenta resultados de una investigación en curso que aspira a constituir un aporte los estudios sobre educación formal, relaciones de género y sexualidades, y también al campo de los estudios sobre educación y nuevas tecnologías.  Se trata de un trabajo enmarcado en la tradición etnográfica, que tiene por objeto analizar las formas que adquieren la enseñanza y el aprendizaje de la sexualidad en el escenario actual y a la luz de las transformaciones en el campo de la educación sexual en los últimos 10 años.

El artículo incluye los resultados de observaciones de clases de un curso de 5to año en una escuela secundaria de gestión estatal de la Ciudad Autónoma de Buenos Aires. Se relevaron clases de Lengua y Literatura en las que se llevaron a cabo una serie de actividades con el fin de elaborar de forma colaborativa un material audiovisual sobre la implementación de la Educación sexual Integral.  El eje de análisis es la transversalización del enfoque de género y derechos en los contenidos trabajados, la recuperación y diálogo con los saberes y las experiencias culturales de los/las jóvenes y las estrategias de validación, evaluación y  acreditación de conocimientos desplegados en  la asignatura observada.

Palabras clave: perspectiva de género, escuela secundaria, cultura digital, sexualidad

 

 

NIÑEZ Y SEXUALIDAD: UN ANÁLISIS DE LOS MATERIALES CURRICULARES DE LA EDUCACIÓN SEXUAL INTEGRAL

Marcela Bilinkis

ICA, FFyL, UBA

marcela.bilinkis@gmail.com

 

Desde la sanción de la Ley Nacional de Educación Sexual Integral (26.150) en el año 2006 en Argentina, se elaboraron lineamientos curriculares junto con un conjunto de textos y materiales para los distintos niveles educativos de enseñanza con el propósito de generar un proceso de acompañamiento a los/as docentes en la implementación de propuestas pedagógicas acordes al nuevo encuadre normativo. El objetivo de esta ponencia es explorar la producción de los documentos curriculares especialmente pautados para el trabajo con los/as niños/as en los jardines de infantes, procurando indagar las premisas a partir de las cuales pareciera ceñirse la transmisión escolar acerca de la sexualidad en la niñez.

El análisis que desarrollaremos buscará, por un lado, reconstruir el marco de discusiones sociales desde el cual ha sido tematizada la educación sexual y, por el otro, considerar las diferentes especificidades discursivas que ésta ha adquirido al tener como destinatarios/as a niños/as pequeños/as. A partir de un recorrido por los tópicos más importantes de los materiales curriculares (tales como la insistencia en el uso de un lenguaje científico para nombrar los genitales, el respeto por el propio cuerpo, la construcción de la noción de intimidad o la necesidad de autoprotección, entre otros), la intención de este escrito será ponderar la configuración de un orden discursivo particular en el modo de significar las relaciones entre la sexualidad, la niñez y la educación.

Palabras claves: Niñez – Sexualidad – Políticas públicas – Educación

 

 

CONSERVADORISMO RELIGIOSO, SEXUALIDADE E EDUCAÇÃO NO BRASIL

Marcos Carvalho

 Horacio Sívori

Os direitos das mulheres e LGBT, a saúde reprodutiva, a prostituição, a educação sexual e outras agendas da política sexual tem se tornado o foco das mais recentes ‘guerras sexuais’ no mundo e na América Latina em particular. As disposições antipluralistas comumente rotuladas como ‘fundamentalistas’ parecem constituir o maior obstáculo para a equidade de gênero e o exercício da sexualidade como direito humano. Na arena educativa, a discussão de gênero e sexualidade, bem como a educação sexual, têm encontrado resistência ferrenha entre os conservadores religiosos e seus aliados. Paralelamente, esses mesmos atores promovem a interpretação e aplicação do ensino religioso (estabelecido como cláusula pétrea na Constituição política brasileira) exclusivamente pela via confessional, além da tentativa de inclusão da doutrina criacionista no currículo escolar. Neste trabalho abordaremos esses debates a partir de uma revisão de fontes secundárias, registros hemerográficos e debates públicos em torno da implementação da educação religiosa e a inclusão da educação sexual nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) para a educação básica no Brasil. Exploraremos os argumentos religiosos, científicos, políticos, e as estratégias discursivas do ativismo conservador na sua resistência contra o ingresso dos debates sobre equidade de gênero, diversidade e direitos sexuais na educação. Ao focarmos no entrelaçamento de convicções, ansiedades morais e de disputas pela mudança dos discursos oficiais sobre política sexual, abordaremos a complexidade envolvida na introdução de uma perspectiva pluralista da sexualidade na educação, para além da prescrição formal da do Estado Laico.

 

Sesión 2: Maternidades y Reproducción

 

 

CONCEPCIONES NATIVAS ALREDEDOR DE LA COMATERNIDAD POS “MATRIMONIO IGUALITARIO”

Florencia Paz Landeira. Facultad de Filosofía y Letras – UBA. Estudiante de grado de la carrera Ciencias Antropológicas; flor.pazlandeira@gmail.com

En este trabajo se presentan reflexiones preliminares de un proyecto de investigación en curso que se propone indagar, desde un enfoque etnográfico, en las experiencias y las concepciones nativas de familia y maternidad de mujeres lesbianas con hijos/as (o en proyecto de tenerlos/as) mediante el uso de técnicas de reproducción humana asistida (“trha”) en la Ciudad de Buenos Aires. La investigación se inscribe en el contexto abierto por la sanción del llamado “Matrimonio igualitario” y la creciente incorporación a regulaciones jurídicas-estatales de las parentalidades gays y lesbianas, como también el acceso a “thra” que le sucedió.

El proyecto se nutre de un contexto de discusión específico en la antropología en torno a los cambios que se están produciendo en los sentidos otorgados a la reproducción, la sexualidad y el parentesco a partir de la existencia y aplicación de las tecnologías reproductivas (Bestard, 2004 y 2009; Fonseca, 2005; Hayden, 1995), como también en el marco de discusiones sobre el impacto del feminismo y los movimientos sociosexuales en la antropología del parentesco, reelaboraciones en torno al género y el parentesco como mutuamente implicados y constituyendo un único campo de estudio (Yanagisako y Collier, 1994; Tarducci, 2013) y los aportes de la antropología de la sexualidad para comprender la sexualidad como producto de regulaciones sociopolíticas y jurídicas que establecen normatividades, clasificaciones y jerarquías y fundamentalmente producen formas institucionalizadas de sexualidad (Rubin, 1989).

Desde un enfoque socio-antropológico, me centraré en el estudio de las prácticas y narrativas de las sujetas de estudio, en la reconstrucción de sus modos y trayectorias de vida, recuperando los espacios por los que transitan y las relaciones que constituyen y por las que son constituidas.

Palabras clave: familia, comaternidad, sexualidad, “matrimonio igualitario”.

 

SALUD SEXUAL Y REPRODUCTIVA. CONCEPTUALIZACIONES Y ACCIONES POLÍTICAS EN LA CIUDAD DE BAHÍA BLANCA

 

Lic. A. Florencia Quiroga. Docente Investigadora Dpto. Economía, UNS; polequiroga@yahoo.com.ar/ ana.quiroga@uns.edu.ar

 

La siguiente propuesta se desprende de un proyecto de investigación denominado “Aportes antropológicos en la consideración de las representaciones sociales respecto del embarazo en la adolescencia. Significados y prácticas en el ámbito de la salud en Villa Harding Green, Bahía Blanca”, que la autora viene desarrollando en el marco de la Carrera de Doctorado de Ciencias Naturales (UNLP). El mismo tiene entre sus objetivos generales construir representaciones sociales del embarazo en la población de 12 y 19 años de edad del barrio Villa Harding Green, de la ciudad de Bahía Blanca,  entre los profesionales de los servicios de salud, así como en las políticas públicas de salud sexual y reproductiva.

Se presentan aquí resultados parciales de este proyecto, referentes a la caracterización de construcciones terminológicas vinculadas a la salud sexual y reproductiva de la población de 12 a 19 años de edad, en el devenir de las políticas públicas vigentes en la ciudad de Bahía Blanca, y específicamente en el contexto de diseño y ejecución de prácticas institucionales llevadas a cabo en Villa Harding Green.

El análisis de la información conjuga datos de fuentes documentales, tomando como punto de referencia el Programa Nacional de Salud Sexual y Procreación Responsable y el Programa de Salud Reproductiva y Procreación Responsable de la provincia de Buenos Aires y, testimonios de profesionales de la salud de la Unidad Sanitaria Villa Harding Green. Se problematizan categorías sociales que resultan directrices en el accionar estatal en pos de la promoción de la salud sexual y reproductiva.

Palabras Claves:Adolescencia, Salud sexual y reproductiva, Políticas Públicas, Prácticas Institucionales, Villa Harding Green.

 

 

“MATERNIDADES SEGURAS Y CENTRADAS EN LA FAMILIA”. REFLEXIONES SOBRE UNA INICIATIVA PARA LA ATENCIÓN PERINATAL DESDE LA ANTROPOLOGÍA DE LAS POLÍTICAS PÚBLICAS

 

Morena Díaz. FFyL-UBA y Hospital Italiano de Buenos Aires; diaz.morenaa@gmail.com

 

La atención institucional del parto es un evento en el que se condensan los dispositivos de dominación y gestión de la sexualidad, mediante la regulación del Estado y del saber médico/obstétrico. Como respuesta a un contexto de extrema vulneración de derechos de las mujeres en situación de trabajo de parto y parto, a partir del año 2004 opera en nuestro país un marco legal orientado hacia la “desmedicalización” de la atención del parto en las instituciones hospitalarias.
A su vez, desde el año 2006, UNICEF y el Ministerio de Salud vienen implementado una iniciativa para la atención perinatal en algunas maternidades del país. Dicha iniciativa promueve la transformación de estructuras y procesos de atención del parto, proponiendo a las familias y a la mujer como “verdaderos dueños de casa” en las maternidades.
En este trabajo me propongo analizar desde una perspectiva de la antropología de las políticas públicas los ejes fundamentales sobre los que se sostiene dicha iniciativa, basándome en la guía que orienta su implementación: ¿qué transformaciones propone en relación al “parto medicalizado”? ¿Cómo se articula ésta iniciativa con otras políticas referentes a la atención del parto?

Por otra parte, partiendo de un trabajo de campo en proceso realizado en una maternidad pública del GBA, me propongo reflexionar sobre los sentidos y experiencias de obstetras y obstétricas en torno a esta iniciativa, en un contexto donde sus prácticas tradicionales están siendo cuestionadas en pos de transformaciones que pretenden ampliar los derechos de las mujeres. 

Palabras claves: atención del parto – medicalización – políticas públicas – antropología.

 

 

DE MAMÍFERAS, EMPODERADAS Y ESPIRITUALES. DISCURSOS SOBRE LA MATERNIDAD Y LA SEXUALIDAD TRAS LAS CRÍTICAS AL MODELO BIOMÉDICO DE EMBARAZO, PARTO Y PUERPERIO.

 

Ana Sabrina Mora (GEC-CICES-IdIHCS-UNLP. CONICET); sabrimora@gmail.com

Graciela Tabak (GEC-CICES-IdIHCS-UNLP. UNTREF); gratabak@yahoo.com.ar

Juliana Verdenelli (GEC-CICES-IdIHCS-UNLP. IDAES-UNSAM. CONICET); juliverdenelli@gmail.com

Grupo de Estudio sobre Cuerpo. Centro Interdisciplinario Cuerpo, Educación y Sociedad. Instituto de Investigaciones en Humanidades y  Ciencias Sociales. Universidad Nacional de La Plata. Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas. (GEC-CICES-IdIHCS-UNLP/CONICET).

 

Este trabajo se propone indagar en torno a un conjunto de discursos y prácticas en relación con el embarazo, el parto, el puerperio y el vínculo temprano de apego, que han florecido durante los últimos años en el Área Metropolitana de Buenos Aires. En el contexto de algunas transformaciones ocurridas durante las últimas décadas en el campo de la vida cotidiana y asociadas a las sexualidades (solo para mencionar algunas: autonomización de la sexualidad respecto de sus fines reproductivos, transformaciones en los vínculos afectivos y sexuales, visibilización de las minorías sexuales, diversificación de la sexualidad, etc.), junto con la implementación de políticas y programas de educación y de salud sexual, y otras que consideran la cuestión de la violencia obstétrica y el respeto por las decisiones de las mujeres en los momentos del embarazo, el parto y el puerperio, se han configurado modos particulares de situarse ante estos momentos vitales intensos. Encontramos que en este contexto, ciertos discursos que nacen del cuestionamiento de la hegemonía del discurso biomédico (parto respetado/parto humanizado y crianza con apego) apelan al recurso de lo “natural” en oposición a lo “cultural” como fuente de legitimidad y autoridad discursiva. Al alinear lo “correcto” con lo “natural” estos discursos se vuelven fuertemente normativos, generando una serie de imperativos, malestares, tensiones y disputas. Proponemos realizar un relevamiento en perspectiva crítica de estos discursos, presentes tanto en leyes y programas como en círculos de mujeres que se encuentran atravesando estas circunstancias.

Palabras clave: sexualidad – maternidad – debate naturaleza/cultura – políticas del cuerpo.

ENTRE LOS DERECHOS, LA VIOLENCIA Y EL PLACER: DIÁLOGO ENTRE DOS ANTROPÓLOGAS FEMINISTAS SOBRE LAS REPRESENTACIONES SOCIALES DEL PARTO

                       

Fornes, Valeria (IIEGE-CAF) valufornes@gmail.com

Jerez, Celeste (IIEGE-CAF) celestemjerez@gmail.com

 

Hace 11 años, en Argentina se promulgó una ley sobre los derechos de las mujeres e hija/os durante el parto. A su vez, la violencia obstétrica es desde hace 6 años objeto de reglamentación legal integrada como artículo de la ley que protege a las mujeres de la violencia de género. Este cambio en la retórica para referirnos al parto, el pasaje del reconocimiento de los derechos a la identificación de la violencia obstétrica, muestra una tensión en el lenguaje, en relación a cómo se problematiza el parto como evento social. ¿Cómo dialogan los lenguajes de los derechos, las violencias y los placeres en relación al parto de las mujeres? ¿Quiénes logran utilizar cada lenguaje?

El presente trabajo indaga, desde la antropología feminista, las representaciones ligadas a la violencia de género en el marco de la atención de parto, posparto y posaborto; legalmente identificadas como violencia obstétrica. La enajenación del cuerpo de las mujeres producto de esta modalidad de violencia, se expresa a través de la sentencia lo hubieras pensado antes, que resume actualmente las representaciones y mandatos culturales acerca de la sexualidad de las mujeres.

Nuestro objetivo será analizar la disociación entre prácticas vigentes y marco legal establecido que expresan desigualdades de género y clase y visibilizan la plasticidad histórica del disciplinamiento institucional a la sexualidad femenina. Así también, nos interesa plantear los desafíos que actualmente plantea la traducción del “lo personal es político”, propio del movimiento feminista, al “parirás con placer” como acto político de ciertas mujeres.

Palabras clave: partos- feminismo- derechos - placer- violencia.

 

 

REPRESENTAÇÃO DO ABORTO LEGAL PARA OS PROFISSIONAIS DE SAÚDE EM UMA MATERNIDADE DO NORDESTE BRASILEIRO

 

Maynara Costa de Oliveira Silva. Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social – UFRN; maycosta_13@hotmail.com 

 

O Código Penal Brasileiro 1940 tipifica o aborto como sendo um ato ilegal passível de pena, todavia em seu bojo elenca duas exceções de permissibilidade, o chamado aborto legal, são as formas: não se punirá aborto, desde que realizado por um médico, fruto de uma violência sexual; nem se punirá aborto que seja para salvar a vida da mãe. No Brasil, segundo Elisabeth Vieira (2012) o aborto legal é restrito aquelas mulheres que estão de algum modo na situação de vítima, ou seja, mulheres que engravidaram em consequência de uma violência sexual, mulheres estão gestando um feto com anencefalia (decidida pelo Supremo Tribunal Federal), mulheres que estão com risco de morte. Verificando-se a existência destas exceções de permissibilidade do aborto legal, para as vítimas de violência sexual, se faz necessário entender como se dá a percepção dos profissionais de saúde acerca do aborto legal, bem como verificar como se é acionada a objeção de consciência (escusa invocada para não realizar tal procedimento por motivos de éticos, filosóficos, morais ou religiosos) por estes mesmos profissionais. A pesquisa se deu em hospital maternidade localizado na zona norte de Natal, capital do estado do Rio Grande do Norte, Brasil, referência em realizar o aborto legal. Concorrente ao período da pesquisa de campo houve uma pesquisa bibliográfica, em que se buscou investigar sobre as práticas de aborto legal dentro das maternidades e a utilização da objeção de consciência, para tanto se fez necessário à pré-leitura de artigos, livros, periódicos nacionais. 

Palavras-chave: Aborto legal; objeção de consciência; violência sexual; maternidades. 

 

 

ABORTO NO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL DO BRASIL: O JULGAMENTO DA ADPF 54 E O DEBATE SOBRE DIREITOS HUMANOS

 

Naara Luna. Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS) e Departamento de Ciências Sociais (DCS) da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro; naaraluna@globo.com

 

O trabalho analisa os votos dos ministros do Supremo Tribunal Federal no julgamento da Arguição de Descumprimento de Direito Fundamental 54 (ADPF 54). A ADPF 54 foi movida pela Confederação Nacional de Trabalhadores na Saúde e teve por objetivo obter a permissão para antecipação de parto de anencéfalo, comprovada por diagnóstico médico, sem necessidade de autorização judicial para a gestante ou para os profissionais de saúde envolvidos. A ação visa ampliar os permissivos para o abortamento no Brasil que não é punido segundo o Código Penal Brasileiro apenas em dois casos: se não há outro meio de salvar a vida da gestante e em gravidez decorrente de estupro. A anencefalia, mais conhecida como ausência de cérebro no feto, é representada como anomalia incompatível com a vida. A petição inicial argumenta pela inconstitucionalidade dos artigos do Código Penal nesse caso, pois violariam os princípios constitucionais de dignidade da pessoa humana, de autonomia da vontade e do direito à saúde. A argumentação nos votos dos ministros vai considerar o direito de decisão da mulher contrabalançado ao direito à vida do feto. Representações de pessoa fundamentam os argumentos de ambos os lados na construção política de sujeitos de direitos: mulheres e fetos anencefálicos. O julgamento é oportunidade para verificar como se constroem os direitos humanos na perspectiva da corte mais alta do Estado. O julgamento, ao enfocar a disputa a partir de uma anomalia incompatível com a vida, representa a mulher ora como sujeito da gravidez, ora como suporte para o desenvolvimento fetal.

Palavras-chave: aborto, direitos humanos, ADPF 54, Supremo Tribunal Federal

 

Sesión 3: Producción de conocimiento, categorías y memoria

 

 

PRÁCTICAS DE SALUD INTERCULTURAL: DIÁLOGOS ENTRE LOS DERECHOS SEXUALES Y REPRODUCTIVOS Y LA NOCIÓN DE CUERPO NÜKÁK

Kelly Peña

 

Los Derechos Sexuales y Reproductivos son producto de la movilización social por la inclusión y la autonomía y se cimientan en la noción de cuerpo, no obstante este último se constituye desde una perspectiva occidental. Cuál es el alcance de dichos derechos cuando la concepción de cuerpo difiere de dicha perspectiva?.

En el nordeste de la amazonía colombiana habita la comunidad indígena nómada Nükák que concibe el cuerpo Mik como un elaboración que se va definiendo durante los ciclos vitales en cuerpo verdadero Mik Baka, que “es como el pensamiento, como la guía de una persona en la vida", "es mi orientación, mi vida mía", "es como su conocimiento" y "es el propio cuerpo y espíritu"(Franky, 2011). El cuerpo no se posee, se construye. Sin embargo, este proyecto colectivo está en crisis dado que el relacionamiento ha transformado los cuerpos en reflejos de la cultura individualizada, circunscripta al cultivo de coca para fines ilícitos.

Este documento pone en diálogo el cuerpo Nükák y transformaciones con los DSR, buscando la complementariedad para el acceso efectivo de derechos que se sostenga y se fortalezca en el Mik baka como eje en la construcción de persona y por supuesto, del sujeto de derechos.

 

 

EL DERECHO A LA IDENTIDAD DE GÉNERO EN URUGUAY DESDE UN ABORDAJE ETNOGRÁFICO: RELACIONES ENTRE LOS DISCURSOS DE LA LEY Nº 18.620 Y LOS DE SU APLICACIÓN

 

Valentina Gómez Sóñora. Programa Género, Cuerpo y Sexualidad, Facultad de Humanidades y Ciencias de la Educación, Universidad de la República; vale.gomezsonora@gmail.com

 

Esta presentación surge de una investigación etnográfica comenzada en el 2014 en el marco de la tesina de grado que busca analizar las trayectorias de quienes hicieron su cambio registral en el marco de la ley Nº 18.620. El derecho a la identidad de género que crea esta ley es un derecho humano fundamental; permite que las personas puedan modificar sus documentos identificatorios en el caso de que éstos no reflejen su identidad de género. La antropología jurídica ve al Derecho como un discurso que funciona a la vez como instrumento de dominación y como espacio de resistencia. Entre el anteproyecto de ley y la normativa resultante promulgada en 2009 surgen modificaciones que tienen que ver con la judicialización del derecho. Estos cambios influyen directamente en las trayectorias de las personas que atraviesan ese procedimiento que enmarca la normativa. Estas personas son socialmente llamadas “trans”, antónimo de “cis”: “trans” son quienes tienen una identidad de género diferente a la que les asignaron al nacer.

En ese “entre” que conecta a las personas “cis” con las “trans” se ubica la necesidad de regular las identidades “trans” a través de un procedimiento judicial. Esta investigación espera ser un insumo desde el pensamiento decolonial sobre las identidades de género en Uruguay para entender las diferentes experiencias, y desde ellas intenta ser un aporte para flexibilizar las categorías.

Palabras clave: transgénero, identidad, derechos humanos, cuerpo, etnografía

 

NUEVAS PRÁCTICAS Y DISCURSOS SANITARIOS EN TORNO A LA ATENCIÓN A PERSONAS TRANS: EL CASO DE LA UDA DE SAINT BOIS

 

Diego Sempol (ICP-FCS, sempoldiego@gmail.com)

Maia Calvo (ICP-FCS, maiacalvo169@gmail.com)

Cecilia Rocha (ICP-FCS, ceciliacarpiuc@gmail.com)

Marcela Schenck (ICP-FCS, marcela.schenck@gmail.com)

 

El presente trabajo pretende mapear la experiencia de atención a personas trans que desde el año 2014 se desarrolla en la Unidad Docente Asistencial (UDA), que funciona en el Centro Hospitalario del Norte Gustavo Saint Bois,

Debido a la originalidad de esta experiencia en el contexto del sector salud en Uruguay y a los cambios que a través de su práctica asistencial ha generado en el plano más amplio de la política sanitaria, interesa profundizar en este caso desde un abordaje cualitativo, que permita contemplar la perspectiva de los actores involucrados. A través de entrevistas en profundidad con actores médicos, no médicos y usuarios/as del servicio se describe el proceso de construcción de este espacio, describiendo su institucionalidad, recursos disponibles y los principios que lo orientan. También se sistematizan aspectos que refieren a los efectos que un experiencia de estas características tiene en cuerpos concretos, desde el análisis del vínculo que la misma establece con sus usuarios/as. Por último se profundiza sobre los desafíos que este servicio enfrenta y los que le plantea al sistema de salud, dado que se fundamenta en un nuevo paradigma que despatologiza las identidades trans, situando el contexto de la intervención desde un modelo de atención que profundiza el reciente abordaje clínico sobre la salud sexual y reproductiva en tanto derecho.

Palabras clave: Políticas públicas, Política sanitaria, Derechos sexuales y reproductivos, Diversidad.

 

 

MARCELO POMBO, DEL GAG AL ROJAS. UNA TRAYECTORIA DESDE LOS MÁRGENES DEL CAMPO INTELECTUAL

Mariana Cerviño. UBA- Instituto Gino Germani- CONICET; marianacerv@gmail.com

 

El trabajo propone comprender procesos de transformaciones en el campo intelectual de Buenos Aires vinculados a la historia del movimiento gay a través de la trayectoria de un actor: el artista Marcelo Pombo. El propósito es contribuir a la historia de los colectivos sociopolíticos LGTB, a través del análisis sociológico de un tipo social de intelectual que marcó el campo de la cultural de la transición democrática.

A partir de su relato biográfico, proponemos analizar, por un lado, distintas modalidades de vínculos, transferencias y  marcas entre la historia del movimiento gay y la del campo intelectual. Y por otro lado,  el modo de construcción de un ethos intelectual disidente que determina su posición en el campo de la cultura.

En especial nos detendremos en la relación entre sus opciones intelectuales y artísticas con las experiencias colectivas de una “subcultura” que deja su impronta en la manera de vincularse con las jerarquías del campo cultural y artístico, en particular. Desde su viaje a Brasil en el año 1982, donde se vincula con activistas LGTB, a su propio activismo en el GAG a mediados de los ochenta y su ingreso en campo del arte, en 1987, distintas inserciones en colectivos gays, permiten entender de manera articulada la evolución de ambos espacios. A través de su caso, podremos observar un aspecto del campo de producción cultural de la transición democrática que es el ingreso de nuevos tipos de artistas y de intelectuales que marcaron la renovación estética, en la década del ochenta.

Palabras clave: movimiento gay- sociología de los intelectuales- ethos- campo artístico

 

 

REFLEXIONES SOBRE EL ROL DE LOS ESPACIOS DE CELEBRACIÓN Y TRASGRESIÓN EN EL PROCESO DE CONSTRUCCIÓN DE LA MEMORIA MARICA

Soledad Cutuli. Universidad de Buenos Aires; soledadcutuli@gmail.com

Joaquín Insausti. Universidad de Buenos Aires; sinsau@gmail.com

 

En esta ponencia examinamos el rol de teatros de revista, corsos y cabarets, en tanto escenarios privilegiados para el devenir de subjetividades y experiencias transgresoras del binarismo sexo-genérico, a partir del análisis de una serie de textos autobiográficos y otros relatos recuperados durante el trabajo de campo realizado para nuestras tesis doctorales. En la confluencia de una investigación sociológica sobre el devenir de paradigmas identitarios pre y post años ’80, y una etnografía sobre la politización del travestismo en Buenos Aires, focalizamos en una serie de relatos biográficos, entrevistas y registros fotográficos para describir y analizar los espacios performativos donde transformistas, travestis y maricas podían expresarse. Al mismo tiempo, nos proponemos reflexionar sobre el papel otorgado a estos sitios clave en un proceso más amplio de disputas en torno a las categorías identitarias, y de recuperación y construcción de una memoria marica.

Palabras claves: memoria marica; sociabilidad; trasgresión.

 

 

CONEXÕES ENTRE ATIVISMO E PESQUISA, POLÍTICAS SEXUAIS E CO-PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO NO BRASIL CONTEMPORÂNEO

Regina Facchini. Pesquisadora doutora no Núcleo de Estudos de Gênero Pagu - Universidade Estadual de Campinas (São Paulo, Brasil); re.facchini@gmail.com

O Brasil dos anos 1970 foi cenário da emergência das primeiras iniciativas tidas como politizadas de associativismo homossexual e das primeiras articulações de pesquisadores em torno do que se conhece hoje por estudos de gênero e sexualidade. Entre os anos 1980 e 90, ambos os campos passam por processos de institucionalização que seguem de modo paralelo até os anos 2000. Pesquisa realizada a partir de 906 grupos de pesquisa brasileiros e de 60 entrevistas com pesquisadores de quatro gerações com destacada atuação no fortalecimento do campo de estudos indica fortemente proximidades e tensões entre ativismo e pesquisa. A partir de 2010, contudo, com o fortalecimento de políticos conservadores com inserção religiosa e de sua ação sobre o legislativo e o executivo em vários níveis de governo, observa-se um processo de desinstitucionalização do movimento LGBT. Esta apresentação pretende contribuir para o estudo das conexões entre ativismo e pesquisa acadêmica no Brasil contemporâneo. Para tanto focaliza processos de mudança nas trajetórias de cada um dos campos nos últimos 40 anos, traça paralelos entre seus processos de (des)institucionalização e conclui com a análise preliminar de dados etnográficos de caráter exploratório sobre a co-produção do conhecimento científico e de políticas sexuais por parte de ativistas e de pesquisadores. Além de entrevistas com pesquisadores e análise de trabalhos acadêmicos recentes, serão mobilizadas observações preliminares a partir de duas iniciativas: um canal de vídeos voltados para LGBT no youtube, o Canal das Bee, e uma rede nacional de homens trans ativistas, o Instituto Brasileiro de Transmasculinidades.

Palabras claves: políticas sexuais - Brasil; co-produção científica; movimento LGBT; movimentos sociais - Brasil; estudos de gênero e sexualidade.

 

Sesión 4: Las políticas y sus públicos

 

 

“REFUGIADOS LGBTI”: ARTICULAÇÕES ENTRE DIREITOS, CATEGORIAS E RECONHECIMENTOS

Isadora Lins França. Professora do Departamento de Antropologia IFCH/UNICAMP; isa.linsf@gmail.com

 

Desde 2002, agências internacionais têm reconhecido o status de refugiado a solicitantes que o fazem com base na sua orientação sexual e identidade de gênero. A categoria “refugiados LGBTI” tem sido utilizada para denominar solicitantes nessas bases, a partir da articulação entre dois campos de direitos, os relacionados ao refúgio e os relacionados a gênero e sexualidade. Na apresentação, pretendo reconstituir a recente emergência da categoria "refugiados LGBTI" no contexto internacional de direitos, permitindo delinear um campo discursivo em que gênero e sexualidade entrecruzam-se com a noção de “refugiados”, encontrando paradas provisórias na nomeação de novos sujeitos de direitos. Tal reconstituição se dará a partir da análise da articulação entre os principais instrumentos de construção do refúgio no campo dos direitos, definindo o estatuto legal do refúgio, e sua releitura de acordo com desenvolvimentos recentes no campo dos direitos sexuais. O cenário também será composto da análise de documentos tais como guias e diretrizes publicados no âmbito do universo institucional do refúgio, particularmente da Agência da ONU para Refugiados (UNHCR), tematizando orientação sexual e identidades de gênero. Como pano de fundo da discussão, tematizo um contexto de reconhecimento dos direitos relacionados a gênero e sexualidade na agenda internacional nas últimas duas décadas, procurando visualizar avanços, mas também contradições desses processos.

Palavras-chave: refugiados; gênero; sexualidade; LGBTI; direitos.

 

 

PERCORRENDO DOCUMENTOS: UMA LEITURA DA PRODUÇÃO DO CAMPO DE DIREITOS LGBT NO BRASIL ATRAVÉS DOS "PAPÉIS"

 

Silvia Aguião. Pesquisadora associada do Laboratório Integrado em Diversidade Sexual e de Gênero, Políticas e Direitos  (LIDIS/UERJ). Doutora em Ciências Sociais (UNICAMP/2014); saguiao@gmail.com

 

Alguns documentos podem ser compreendidos como peças-chave para o processo de constituição do que hoje convencionou-se chamar população LGBT no Brasil. Com a proposta de acompanhar as mudanças de vocabulário, como as identidades aparecem nos papéis ou como a “população” aparece por escrito, percorro alguns documentos buscando também destacar como são estruturados. Os principais documentos analisados são: as três versões do Programa Nacional de Direitos Humanos (1996, 2002 e 2009); o Relatório da participação do Brasil na Conferência de Durban (2001), o Programa Federal Brasil Sem Homofobia (2004), o Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de LGBT (2009) e os relatórios finais das duas conferências nacionais LGBT realizadas no Brasil até o momento (2008 e 2011). Essa comunicação faz parte de uma pesquisa mais ampla realizada para o doutoramento (concluída em 2014) a respeito do processo de constituição da população designada, no momento, "LGBT", como sujeitos de direitos no Brasil contemporâneo. Invisto em uma análise que a partir das estratégias políticas dos atores envolvidos nos debates em torno dos “direitos LGBT”, considera processos de criação e recriação de morfologias de Estado, mantendo como pano de fundo a questão de como certos “direitos” corporificam certas “identidades” e vice-versa. Procura-se enfatizar as controvérsias e as dinâmicas internas dos processos de constituição de determinados sujeitos políticos e apontar tanto para as formas através das quais o Estado produz os sujeitos que governa (administra), quanto para o processo de constituição desses sujeitos como parte de um fluxo contínuo de produção do próprio Estado.  

Palavras-chave: Direitos LGBT; Direitos Humanos;  Antropologia do Estado. 

 

 

SINGULARIZANDO DIVERSIDADES, INTERSECCIONANDO DIFERENÇAS: NOTAS ETNOGRÁFICAS SOBRE AS POLÍTICAS DE PROMOÇÃO DA EQUIDADE DO MINISTÉRIO DA SAÚDE BRASILEIRO

 

Margareth Cristina de Almeida Gomes. Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IMS/UERJ); margacris@hotmail.com

O uso do termo equidade pelas políticas de saúde brasileiras remete ao período pós-promulgação da Constituição Federal de 1988 e incorpora a noção de justiça à distribuição igualitária das ações de saúde pública. A partir de 2012, foi adotado em normativas do Ministério da Saúde sob a alcunha de “Políticas de Promoção da Equidade em Saúde”, em consonância à prioridade do governo federal em reduzir as desigualdades sociais. Para enfrentar as iniquidades, abarcam estratégias para promoção da saúde e prevenção de agravos da população negra, população de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT), população do campo, floresta e águas, população em situação de rua e população cigana. Se, por um lado, enuncia-se que todas estas populações estão expostas a condições sociais de alta vulnerabilidade, por outro, são evocadas as características que cada qual guarda, em seus contornos bastante particulares. Nesta mistura entre atravessamentos e fronteiras que compõem as políticas de promoção da equidade, destacam-se as técnicas de gestão da população LGBT, conjunto “híbrido” que busca abarcar distintos sujeitos através de processos de medicalização dos corpos e da sexualidade. A experiência de etnografar a articulação das políticas de promoção da equidade no Ministério da Saúde, em particular a Política Nacional de Saúde Integral de LGBT, permitiu conhecer as práticas de gestão lançadas pelos técnicos institucionais a fim de garantir a singularização das diversidades sexuais e de gênero, bem como promover a intersecção das diferenças. Também possibilitou reflexões em torno da operacionalidade do modelo teórico-metodológico e político das interseccionalidades.

Palabras claves: Equidade, política, saúde, Estado.

 

 

NOTAS PARA EL ESTUDIO DE LA SOCIABILIDAD HOMOERÓTICA EN LA CIUDAD DE BUENOS AIRES

Máximo Javier Fernández. IIEGE-UBA/CONICET; maximojavierfernandez@gmail.com

 

A partir de una aproximación histórico- etnográfica a algunos espacios de yire homoerótico en la ciudad de Buenos Aires, este artículo indaga en algunas características históricas y socioculturales de la sociabilidad homoerótica y en sus implicancias para una historia de la homosexualidad en el contexto local.

Algunos trabajos locales pensaron la sociabilidad homoerótica en el espacio urbano como prácticas compensatorias o de resistencia (Rapisardi y Modarelli, 2001), como síntoma cultural del grado de represión hacia la homosexualidad (Ben, 2004) o como el reflejo de un estadio de la relación entre Estado y sociedad (Meccia, 2006; Meccia, 2011). Aunque estos marcos interpretativos no pueden desestimarse del todo, nuestro argumento es que los espacios de yire homoerótico pueden ser vistos como instancias centrales en la producción de sentidos y prácticas en torno al deseo erótico entre varones en el escenario local; es decir, no únicamente como un resquicio de la represión estatal y/o social o una práctica marginal de carácter meramente sexual.

En última instancia, se expondrán algunos argumentos que permiten dar cuenta de la “persistencia” de esta forma de sociabilidad homoerótica frente a algunas novedades del escenario actual que parecieran ir en detrimento de dicha sociabilidad. En otras palabras, la sanción del Matrimonio Igualitario o el fin de los edictos policiales así como ciertas iniciativas destinadas a hacer de Buenos Aires una ciudad gay friendly parecieran constituir – al menos desde el marco interpretativo de los trabajos a los que nos referimos más arriba- el marco ideal para el fin del yire homoerótico en el espacio urbano. Por el contrario, antes que sucumbir, la sociabilidad homoerótica es resignificada y revitalizada al calor de las distintas novedades del contexto actual.

Palabras claves: sociabilidad homoerótica; sujetos; Estado.

 

 

DE LA DESPROTECCIÓN DEL ESTADO A LA AUTODEFENSA FEMINISTA. ESTRATEGIAS DE RESISTENCIA EN LA LUCHA CONTRA LA VIOLENCIA HACIA LAS MUJERES


Rosario Castelli. Universidad de Buenos Aires; rosicastelli@gmail.com

 

Este trabajo consiste en una primera aproximación a pensar las tensiones existentes entre las políticas públicas y su implementación, partiendo de las complejidades que representa diseñar y gestionar programas de formación con perspectiva feminista en materia de violencia hacia las mujeres.

Concretamente analizaré una experiencia de trabajo en la zona sur del conurbano bonaerense, -desde mi rol de tutora pero en una investigación colectiva en conjunto con las estudiantes-, a modo de ensayo y sistematización de un trayecto formativo de pregrado, de un año de duración, para “operadoras sociales en prevención de las violencias y promoción de la equidad de género”. En este sentido los ejes contemplarán a lxs actorxs participantes, las diferentes instituciones que intervinieron en el proceso, los contenidos y materiales de trabajo, las particularidades del territorio y la experiencia de organización de una red de mujeres a partir de una política pública.

Los dos aspectos que me interesa destacar fundamentalmente se expresan por un lado en la construcción de un espacio formativo feminista, que busca “democratizar el acceso a la universidad” y formar líderes y referentes políticxs que promuevan “relaciones de género más justas” apuntando a recuperar las identidades locales y las experiencias de organización de resistencias frente a la violencia. Por otro lado, el objetivo es identificar las tensiones que aparecen frente a este tipo de iniciativas, reflejadas en las resistencias de las diferentes instituciones a implementar las distintas políticas de género a nivel local que garanticen el efectivo acceso a los derechos. En este sentido, este trabajo busca recuperar las experiencias de empoderamiento y resistencias posibles a través de la organización y la implementación de otras formas posibles de solidaridad y acción ante a las violencias, frente a la falta de respuestas efectivas del estado.

 

GT 18: “DROGAS, POLÍTICAS PÚBLICAS, SAÚDE E CONSUMIDORES”

Coordenadores:

 

Beatriz Caiuby Labate - Professora Visitante do Centro de Pesquisa e Estudos de Pós-Graduação em Antropologia Social (CIESAS), em Guadalajara e Cofundadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (NEIP). blabate@bialabate.net

 

Frederico Policarpo - Doutor em Antropologia, professor do curso de Políticas Públicas na Universidade Federal Fluminense. Pesquisador do Instituto de Estudos Comparados em Administração de Conflitos (InEAC/UFF) e do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (NEIP). fredericopolicarpo@yahoo.com.br

 

Comentaristas: Sandra Lucia Goulart - Doutora em Ciências Sociais (Unicamp); Professora da Faculdade Cásper Líbero (São Paulo); Pesquisadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (NEIP). sluciagoulart@gmail.com

Jardel Fischer Loeck - Doutor em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Pesquisador do Núcleo de Estudos Interdisciplinares de Psicoativos (NEIP), Sociólogo do Observatório de Segurança Pública de Canoas (OSPC). jardelfischer@gmail.com

Andrés Góngora. PPGAS, Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Centro de Estudios Sociales –CES, Universidad Nacional de Colombia algongoras@unal.edu.co; ilongote@gmail.com

 

Sessão I: Consumos

 

ENTRE CLUBES E MATAGAIS: UMA REFLEXÃO SOBRE A POLÍTICA DE DROGAS NAS PRÁTICAS, REPRESENTAÇÕES E SOCIABILIDADES DO CONSUMO DE MACONHA

Aknaton Toczek Souza - Doutorando em Sociologia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Oesquisador do Centro de Estudos em Segurança Pública e Direitos Humanos da Universidade Federal do Paraná. aknatontoczek@gmail.com

Pablo Ornelas Rosa - Doutor em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC/SP e Professor da Universidade Vila Velha e Pesquisadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (NEIP). pablorosa13@gmail.com

Pedro Rodolfo Bodê de Morais - Prof. Associado UFPR - PPGSociol e PPGDireito UFPR. - Coord. do Centro de Estudos em Segurança Pública e Direitos Humanos URPR. pedrobode@terra.com.br

 

Esse artigo propõe refletir sobre duas práticas e experiências com o uso da cannabis observadas através do olhar etnográfico. Procurando discutir a relação entre as representações coletivas e individuais oriundas das políticas de drogas e analisar o processo de sociabilização específico em cada uma dessas experiências. Cruzando as análises das observações e entrevistas realizadas em um clube cannabico em Barcelona, Espanha; e por outro lado a prática de cultivo outdoor decannabis em regiões silvestres na cidade de Ponta Grossa – Paraná, Brasil, chamada de “guerrilha”. O ponto central da reflexão são os processos de sociabilidades que derivam da política pública destinada às drogas, onde por um lado um uso de drogas não criminalizado, permitindo inclusive agremiações – clubes – com plantio próprio, alimentação e “agenda cultural”. Por outro lado, a prática de “guerrilha” que envolve uma rotina bem definida, com motivações, objetivos e representações particulares, todavia, imersa em representações coletivas oriundas da política proibicionista antidroga vigente no Brasil. Os processos sociais que envolvem o consumo de drogas são influenciados pela política destinada às drogas, ao analisar essas práticas iremos refletir sobre as sociabilidades oriundas da política de drogas no Brasil e em Barcelona.

Palavras-chave: Politicas de drogas; uso de drogas; cultivo de drogas; sociabilidade.

 

 

CLASSIFICAÇÕES NATIVAS SOBRE AS IDEIAS DE CONTROLE NO USO DE COCAÍNA A PARTIR DE DIFERENTES CONSUMIDORES

 

Victor Cesar Torres de Mello Rangel. PPGA/UFF, NUFEP/UFF e INCT/InEAC. vctmrangel@id.uff.br

 

Em minha pesquisa de doutorado, procuro analisar diferentes saberes e técnicas ligadas ao consumo de cocaína. Na primeira parte do trabalho de campo, estou analisando o universo do consumo a partir dos usuários. Suas formas de uso, locais de compra, diferentes qualidades, com quem e onde usar, controle da quantidade, problemas com a polícia e justiça e classificações sobre vício e uso recreativo sobre cocaína são pontos a serem analisados. A pesquisa empírica foi iniciada em um bar, situado em um bairro da região norte da cidade de Niterói – RJ, que reúne grande quantidade de usuários de cocaína e outras drogas. Junto as representações nativas sobre a cocaína, estou analisando como os peritos criminais da Polícia Civil e Polícia Federal constroem seus conhecimentos sobre a substância a partir das técnicas e saberes constituídos nos laboratórios de análise de entorpecentes dessas instituições. Nesse presente texto, procuro analisar os diferentes discursos dos consumidores de cocaína sobre as ideias de controle no uso. Acho importante ressaltar que não pretendo assumir qualquer postura que leve a uma visão denuncista ou arbitral sobre os procedimentos adotados pelos usuários. Nem pretendo trazer explicações etiológicas sobre o porquê de tais atores agirem de uma forma e não de outra. Minha preocupação se resume em tentar acessar as esferas de sentido dessas pessoas e grupos que conformam o público assíduo do bar e entender como consideram coerentes e legítimas suas concepções sobre uso e controle no consumo de cocaína.

Palavras-chave: Cocaína; Representações sobre o consumo; Controle no uso

 

 

O NU DO ALMOÇO E A SERINGA: SUBSTÂNCIAS PSICOATIVAS POR MEIO DE WILLIAM BURROUGHS

Wander Wilson Chaves Júnior. Doutorando em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e Pesquisador do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (NEIP). wanderwi@gmail.com

 

William Burroughs, em meio à efervescência cultural e literária da década de 1950 chamada geração beat, foi um importante escritor sobre o tema das substâncias psicoativas.  Seus livros partem de suas experiências com estas substâncias, em forma de um relato cru ou  a  partir de um trabalho literário não linear que mistura junkies, médicos sádicos, ladrões, detetives e todo tipo de seres estranhos;  duas formas de lidar com o tema que podemos encontrar em Junky, livro de 1953, e Almoço Nu, publicado pela primeira vez em 1959.  No primeiro livro encontramos os relatos da experiência de Burroughs como um junkie, o que o escritor considera um estilo de vida ligado ao uso constante de opiáceos durante a década de 1940 e início de 1950, com a intenção de combater o proibicionismo das drogas vigente. O segundo é um livro escrito em routines, fragmentos esparsos e desconexos, que aglutinam o uso destas substâncias como um tema dentro de muitos trabalhados, mas, ao mesmo tempo, o extrapola ao comparar os sintomas daquilo que chamamos de adicção ou dependência com questões políticas e o que chamou de controle. Este trabalho parte destas duas abordagens para refletir sobre possibilidades de experimentação de pensamento abertas por estes flancos sem cair na tentativa de engessar o escritor em uma sistematização rígida de sua obra, mas pensando com William Burroughs.

Palavras-chave: William Burroughs, psicoativos, ética

 

 

O CONTEXTO DA ILEGALIDADE: PERCEPÇÕES DE USUÁRIOS DE MACONHA SOBRE SUAS PRÁTICAS

Natália de Campos. Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – PPGAS/UFRN. natalia262@gmail.com

 

A partir da pesquisa etnográfica desenvolvida durante o curso de mestrado, na qual acompanhei a organização dos coletivos que compõem o Movimento Antiproibicionista em Natal – RN, parte dos dados coletados em entrevistas se referem aos contextos de vida dos participantes deste movimento, os quais são primordiais para entendermos as motivações desta organização. No presente artigo, fazemos um recorte deste material, buscando explicitar e analisar as questões centrais expostas por nossos interlocutores. Tabus, preconceitos, repressão, relações familiares, direito de uso do próprio corpo, redução de danos, posicionamentos e argumentos acionados, engajamento político, dentre outros aspectos, serão abordados a partir das falas de usuários frequentes de maconha.

Estas questões se mostram relevantes para entender a formação do movimento antiproibicionista como um desdobramento das questões pessoais que envolvem o uso deste psicoativo ilícito, pois a articulação coletiva possibilita a reivindicação desta demanda que é de cada um dos seus participantes e que, apenas coletivamente, encontra condições para ser exposta e reivindicada. As pessoas que protagonizam um movimento organizado com fins de reivindicação por direitos e reconhecimento social estão organizadas pelos seus propósitos individuais de não sofrerem mais repressão e preconceitos em função de suas práticas relacionadas ao uso de maconha e encontram força e legitimidade para mobilizarem-se na coletividade.

Embasam teoricamente esta explanação autores clássicos como Howard Becker (1960), Frederick Barth (1998) e Erving Goffman (1988), bem como antropólogos brasileiros que se dedicaram ao tema dos psicoativos e sociabilidades como Gilberto Velho (2008), Alba Zaluar (2007) e Edward Macrae (1990).

 

Sessão II: Regulações

 

“EFECTOS EN MÉXICO DE LA REGULACIÓN DEL CANNABIS EN ESTADOS UNIDOS: LA EXPERIENCIA DE LA FRONTERA SAN DIEGO, CALIFORNIA – TIJUANA, BAJA CALIFORNIA”

 

Jaime Andrés Vinasco Barco. Estudiante de doctorado en Ciencias Sociales con Especialidad en Estudios Regionales, El Colegio de la Frontera Norte (México). Jvinascodcs@colef.mx; Jailau52@hotmail.com

 

Estados Unidos es una de las naciones que reconociendo el consumo de cannabis como un fenómeno perenne en la sociedad, ha optado por -además de castigar esta práctica- construir paulatinamente una normativa socio-legal que orienta y controla el conjunto de prácticas de consumo en su territorio (Regulación del cannabis). En California, esto se ha dado progresivamente desde 1996, y no ha tenido consecuencias perjudiciales como el aumento de la delincuencia, las sobredosis por drogas o la deserción escolar. Lo llamativo de esto, es que la estructura creada en California para orientar las prácticas de consumo de cannabis de sus ciudadanos, parece estar influyendo de manera transfronteriza en las prácticas de consumo -e incluso de tráfico y venta- de su vecino del sur Baja California, en donde, investigaciones como las de Juan F. Gamella (2012), Ricardo Sánchez y Jorge Arellanez (2006) (2011), Víctor Zúñiga (1990) e Iraís Salazar (2012), han mostrado que los consumidores mexicanos de la frontera en Tijuana, están teniendo -probablemente por la intensa interacción con la población estadounidense de San Diego- prácticas sociales compartidas en relación al consumo de drogas. Sin embargo, aunque dichos trabajos han revelado que los individuos mexicanos adoptan patrones de consumo de drogas de la sociedad norteamericana, dejan dos importantes vacíos que son: uno, que los resultados de los análisis no pueden ser aplicables ni la actualidad del contexto ni del cannabis; y dos, que se está aseverando que individuos mexicanos están adoptando patrones de consumo de drogas de la sociedad norteamericana, sin darse la explicación de cómo, de qué forma, o de qué manera se da este proceso. Justamente para ayudar a llenar este vacío teórico, y en consecuencia, aportar mayores elementos al análisis de los factores sociales que inciden en las prácticas de consumo de drogas de México y Estados Unidos, esta investigación (Efectos en México de la regulación del cannabis en Estados Unidos: la experiencia de la frontera San Diego, California – Tijuana, Baja California) está analizando; por un lado, la manera en que incide en la práctica de consumo de cannabis del tijuanense, la experiencia de observar y vivir la regulación del cannabis en la ciudad de San Diego; y por otro lado, la forma en que se despliega y articula la regulación del cannabis implementada en San Diego, en las prácticas de consumo de cannabis de los tijuanenses en Tijuana.

Palabras clave: cannabis, prácticas de consumo de cannabis, regulación del cannabis.

 

 

AS “BOCAS DE FUMO” E A CIDADE: NOTAS PARA UMA ATUALIZAÇÃO DO CONHECIMENTO SOBRE A REGULAÇÃO DO COMÉRCIO DE MACONHA NO RIO DE JANEIRO

Marcos Veríssimo. Bolsista do Programa Nacional de Pós Doutorado da CAPES. Pesquisador associado ao Instituto de Estudos Comparados em Administração Institucional de Conflitos (INCT-InEAC). Professor Colaborador no Bacharelado em Segurança Pública da Universidade Federal Fluminense. maverissimo.silva@gmail.com

 

O objetivo desta proposta é colocar sob descrição as formas contemporâneas de regulação clandestina dos mercados de maconha na cidade do Rio de Janeiro e sua chamada região metropolitana, que há décadas é feito passando ao largo da Lei através do que se convencionou chamar de “bocas de fumo”. A metodologia é de caráter qualitativo, a partir de observação direta do autor em áreas assim denominadas, com atenção aos processos mais recentes que buscaram intervir nos regimes tradicionais de controle armado e arbitrário destes mercados, como é o caso das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). Por este motivo, o trabalho de campo no qual se baseia este trabalho inclui a observação direta em pontos de venda de maconha e outras “drogas” em favelas com e sem a implementação de UPPs. Desse modo, esta proposta se coloca em consonância com um dos eixos de discussão propostos por este GT, a saber, o da “análise de políticas de drogas e das instituições que atualizam regimes de controle”.

Palavras-chave: Mercados de Maconha – Ilegalidade – Regulação Clandestina – Políticas de Drogas.

 

 

APONTAMENTOS SOBRE A REGULAMENTAÇÃO DA MACONHA MEDICINAL, EM UMA PERSPECTIVA COMPARADA ENTRE AS CIDADES DO RIO DE JANEIRO, BRASIL, E DE SAN FRANCISCO, EUA

           

Frederico Policarpo. Doutor em Antropologia, professor do curso de Políticas Públicas na Universidade Federal Fluminense. Pesquisador do Instituto de Estudos Comparados em Administração de Conflitos (InEAC/UFF) e do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (NEIP). fredericopolicarpo@yahoo.com.br

 

Neste artigo estabeleço uma comparação entre as cidades do Rio de Janeiro, Brasil, e de San Francisco, EUA, acerca da regulação da maconha medicinal. Argumento que o ponto que está em jogo em San Francisco é a luta por direitos. O direito de ter acesso a um remédio, a medical cannabis. É a cannabis que se transforma num medicine, não o usuário que se transforma em um doente. Já no Rio, a estratégia proibicionista acaba transformando os usuários em “dependentes químicos” ou “traficantes”. Os usuários não são vistos como cidadãos plenos de direitos, só aparecendo na esfera pública de forma tutelada pelo Estado, seja como doentes ou criminosos. As estratégias de regulação sobre a maconha medicinal nessas cidades nos ajudam a ver os contrastes. Por exemplo, o nosso “uso compassivo” só autoriza o uso do canabidiol – e não da planta inteira – exclusivamente para o tratamento de epilepsias na infância e adolescência refratárias às terapias convencionais, enquanto que o compassionate act de San Francisco, além de autorizar o uso da planta inteira, permite a sua utilização em uma série de doenças, como câncer e AIDS, “ou quaisquer outras doenças que a maconha sirva de alívio” (Prop.215). Neste artigo, eu discuto esses e apresento outros contrastes relativos aos modos de regulamentação do uso da maconha nesses contextos com o objetivo de problematizar os aspectos culturais que atualizam os controles institucionais sobre o seu uso.

Palavras-chave: Maconha medicinal – Rio de Janeiro – San Francisco – Comparação – Controles institucionais

 

 

CONTROL SOCIAL EN BOLIVIA: UNA ALTERNATIVA A LA ERRADICACIÓN FORZOSA DE CULTIVOS DE COCA

 

Thomas Grisaffi. University College London, Leverhulme Post -Doctoral Fellow. thomasgrisaffi@gmail.com

 

Dos décadas de erradicación forzada fracasaron rotundamente, generando pobreza y gruesas violaciones a los derechos humanos sin que cumplieran su objetivo: reducir los cultivos de coca. En 2004 el gobierno Boliviano otorgó derechos para cultivar un cato de coca (1600 metros cuadrados) a cada una de las familias cocaleras registradas en Chapare (una de las dos regiones más importantes de cultivo de coca en Bolivia). Los responsables políticos y los cocaleros acordaron conjuntamente el tamaño de la parcela de coca en un esfuerzo por proveer a cada familia con el equivalente de un salario mínimo como ingreso proveniente de la coca y para reducir la violencia. La administración de Morales ha continuado con esta política y en los últimos seis años uniones de productores cocaleros, funcionarios y miembros de la comunidad internacional han construido un complejo y sustentable sistema de monitoreo, licenciamiento y reducción de la coca. Sobre la base de 28 meses de trabajo etnográfico este articulo describe la nueva aproximación de Bolivia al control de la coca. Evalúa la efectividad del programa como también los importantes desafíos a su implementación. Se argumenta que, al concentrarse en el bienestar social, los derechos humanos y la estabilidad económica de las familias cocaleras la aproximación colaborativa de Bolivia puede ser mucho más efectiva reduciendo la superficie de cultivo de coca en el largo plazo que las estrategias anteriores de erradicación forzada

 

 

APORTES PARA UN DEBATE EN TORNO A LA REGULACIÓN DE LA AYAHUASCA EN EL URUGUAY

Juan Scuro- Doctorando en Antropología Antropología Social (PPGAS), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). juanscuro@gmail.com

Ismael Apud - Doctorando en Antropología, Universitat Rovira i Virgili. Docente de la Facultad de Psicología, Universidad de la República. ismaelapud@psico.edu.uy

 

En el siguiente artículo analizaremos los procesos legales y políticos relacionados con la regulación de la sustancia psicoactiva denominada “ayahuasca”. Nos centraremos en la relación entre las nuevas prácticas terapéuticas, espirituales y religiosas vinculadas al uso de ayahuasca, y su regulación en el contexto internacional y local. Comenzaremos con algunas breves consideraciones antropológicas de la categoría “droga”, y cómo occidente y sus políticas prohibicionista ha influenciado en nuestra manera de ver el problema. Luego proseguiremos analizando el caso específico de la ayahuasca en el contexto internacional, analizando algunos acontecimientos importantes en el marco legal de EEUU, Brasil y otros países. Finalmente analizaremos el caso específico de Uruguay.

Palabras Clave: Ayahuasca; Regulación; Drogas; Espiritualidad/religiosidad.

 

Sessão III: Políticas

 

“DESDE LA HERIDA DEL PROHIBICIONISMO”: LA LUCHA POR LA LIBERACIÓN DE LA MARIHUANA EN COLOMBIA

 

Andrés Góngora. PPGAS, Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Centro de Estudios Sociales –CES, Universidad Nacional de Colombia; algongoras@unal.edu.co; ilongote@gmail.com

 

Este ponencia describe la agencia de diferentes actores sociales implicados en la transformación de las actuales políticas de drogas en Colombia. Los resultados son fruto del trabajo de campo realizado durante los años 2014 y 2015 en la ciudad de Medellín. En la primera parte realizó una lectura etnográfica sobre la lucha por la liberación de la marihuana a partir de dos perspectivas: la de Olmes, el “maestro” del movimiento cannábico quien opera como un articulador de los diferentes momentos y eventos considerados claves en la construcción de la “causa” y la de Karoty un comerciante de papeles que ha construido su riqueza al margen del mercado ilícito de la planta y otras “drogas”. En la segunda parte describo la llegada a Medellín del historiador español Antonio Escohotado, autor de la Historia General de las Drogas, resaltando algunas implicaciones antropológicas relativas a su experiencia como intelectual, consumidor activo y militante “antiprohibicionista”. Al final, planteo algunas cuestiones teóricas relevantes basado en la comparación de perspectivas y prácticas de mis interlocutores. El hilo conductor del relato serán las distintas valoraciones, espacios de la experiencia y horizontes de expectativas que mis interlocutores le asignan a la “libertad”, pensada como práctica emancipadora, relación económica, reajuste de valores, producción de verdades y desasimiento del poder instituido.

Palabras clave: Etnografía, marihuana, prohibicionismo, consumo de drogas, libertad.

 

PANORAMA DA LITERATURA SOBRE A INTERNACIONALIZAÇÃO DAS RELIGIÕES AYAHUASQUEIRAS BRASILEIRAS

 

Beatriz Caiuby Labate - Professora Visitante do Centro de Pesquisa e Estudos de Pós-Graduação em Antropologia Social (CIESAS), em Guadalajara e Cofundadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (NEIP). blabate@bialabate.net

Glauber Loures de Assis - Doutorando em Sociologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte, Brasil, e Pesquisador do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (NEIP). glauberloris@hotmail.com

 

Nascidas durante o século XX, a Barquinha, o Santo Daime e a União do Vegetal, conhecidas como as religiões ayahuasqueiras brasileiras, se mantiveram circunscritas à região norte do Brasil pelo menos até o início dos anos de 1970. Desde então, o Santo Daime e a União do Vegetal tem se expandido significativamente, cada qual à sua maneira, alcançando todas as regiões do país, cruzando as fronteiras brasileiras e o Oceano Atlântico. O processo de internacionalização desses grupos envolve complexas redes e alianças e transnacionais, suscitando questões intrigantes sobre tradução cultural e diáspora religiosa. Entretanto, esse tema continua pouco explorado e a produção a respeito é fragmentada e esparsa. Esse artigo propõe uma revisão crítica da literatura sobre a internacionalização desses grupos, incluindo artigos, dissertações de mestrado e teses de doutorado em várias línguas, publicadas ou não, bem como textos sobre os aspectos legais. Através de uma abordagem comparativa, procuramos identificar as principais características, tendências e perspectivas do campo de estudos sobre a ayahuasca. Nesse sentido, esperamos chamar atenção para as possibilidades e lacunas dessa discussão, e ao mesmo tempo estimular o desenvolvimento de futuras pesquisas. Este artigo almeja tornar-se uma espécie de guia para pesquisadores da área, assim como para outras pessoas interessadas no assunto, sendo especialmente importante em tempos que a internacionalização das religiões ayahuasqueiras brasileiras alcança dezenas de países do mundo. Este tema, argumentamos, oferece um interessante lócus de estudo sobre a interação entre psicodélicos, religião e cultura.

 

 

CULTIVAR LOS DERECHOS: NOTAS SOBRE EL ACTIVISMO CANNÁBICO EN ARGENTINA

María Cecilia Díaz. PPGAS/MN – UFRJ; mcecilia.diaz@gmail.com

 

En esta comunicación presento algunas reflexiones originadas en el trabajo de campo que realizo entre movimientos cannábicos de Argentina. Luego de acompañar la preparación de la marcha de la marihuana, y de participar de talleres, reuniones y conferencias en las ciudades de Córdoba y Buenos Aires, me propongo atender a un punto recurrente en los discursos de los activistas: la idea del cultivo de las plantas, de los movimientos y de los derechos, que permite establecer un vínculo entre el calendario político y el cannábico. Al intentar una descripción de las prácticas a partir del cultivo como metáfora, entiendo que los cuidados de las plantas por parte de los cultivadores y la movilización política emprendida a nivel local y nacional, constituyen fenómenos que pueden ser considerados de manera paralela. Estas reflexiones se enmarcan en una investigación en curso que procura atender a la cuestión de cómo se estructura una demanda colectiva a partir de un apego individual y cómo comenzar a desentrañar los discursos accionados por los sujetos en los diferentes espacios en que ellos se movilizan. Mi pesquisa acerca de los movimientos sociales que se construyen en torno de la despenalización y legalización del consumo de marihuana en Argentina se integra en un planteo más amplio que busca aportar al conocimiento de la historia de los usos medicinales y recreativos de las sustancias psicoactivas, mapear las políticas públicas en vigencia y dar cuenta de los discursos que se objetivan en la literatura científica y periodística.

Palabras clave: cultivo, marihuana, activismo

 

DISPUTAS NARRATIVAS NO DEBATE PÚBLICO SOBRE POLÍTICA DE DROGAS: ETNOGRAFIAS DO CONSUMO, TRÁFICO E POLÍTICAS DE DROGAS EM SÃO PAULO

Paulo Malvasi – Mestrado Profissional adolescente em Conflito com a Lei (UNIAN) e Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP). paulomalvasi@hotmail.com

Taniele Rui – Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP) e Pesquisadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (NEIP).. tanielerui@yahoo.com.br

Maurício Fiore - Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP), Plataforma Brasileira de Política de Drogas (PBPD)e Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (NEIP). maufiore@gmail.com

 

No debate público brasileiro, os discursos políticos sobre drogas têm se desenvolvido em torno de paradigmas marcados por oposições polarizadas denominados por militantes e especialistas engajados como proibicionismo e antiproibicionismo, alimentando, mais que nunca, uma disputa de narrativas. A presente comunicação propõe analisar tais disputas em cenários empíricos bastante concretos, que resultaram nas teses de doutorado dos proponentes, defendidas entre 2012 e 2013.  Nelas, observamos como o dispositivo das drogas organiza um sistema classificatório de pessoas, substâncias, espaços e revela choques políticos que não podem ser facilmente organizados na polaridade do debate público. A partir da descrição da engrenagem de ações individuais, estatais e políticas que temos acompanhado em nossas pesquisas atuais -- o embate entre o Programa De Braços Abertos e o Programa Recomeço, ambos voltados para os usuários de crack na região central de São Paulo, o Sistema Socioeducativo, particularmente em sua frente de repressão ao tráfico de drogas realizado por adolescentes em bairros da periferia de São Paulo, e o consumo de drogas por grupos de amigos de distintos estratos das classes médias – pretendemos problematizar os desafios colocados pelo probicionismo, que encapsula todas as políticas sobre drogas e as experiências de consumo. No cenário legislativo atual, qualquer ação que aborde o tema das drogas esbarra nos limites repressivos da “guerra às drogas”. O que se pretende nesse paper, portanto, é esmiuçar a heterogeneidade desses desafios, atentando para as suas especificidades empíricas.

Palavras-chave: Drogas, Política de Drogas, Etnografia, Proibicionismo, Antiproibicionismo.

Comentador: Jardel Fischer Loeck

Sessão IV: Controles Institucionais

 

AS REPRESENTAÇÕES SOBRE O TRAFICANTE DE DROGAS EM RITUAIS DE JULGAMENTO NA CIDADE DO RIO DE JANEIRO

 

Artur Dalla Cypreste. Programa de Pós Graduação em Sociologia Política da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro. Artur.dalla@gmail.com

 

Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública (2014) informam que em 2012, no Estado do RJ, o tráfico de drogas correspondeu à aproximadamente 47% de todos os atos infracionais registrados. Portanto, a pesquisa objetiva analisar representações em discursos e interações dos operadores do campo jurídico em observações de Audiências de Instrução e Julgamento de acusados por tráfico de drogas em duas varas criminais da capital entre 2013 e 2015.

Preliminarmente constata-se que a maioria das prisões é efetuada em flagrante, por policiais cujo depoimento deveria gozar de “fé pública” mediante a apresentação de provas. No entanto, o que atribui caráter probatório ao depoimento policial é a presunção de veracidade de suas palavras. Assim, a instância judiciária onde esta presunção deveria ser questionada, na prática, apenas a ratifica.

Em muitos casos a droga não estava na posse do acusado, ou seja, o vínculo foi estabelecido pelos policiais. Esta posse, não é determinada por investigação prévia, mas com base nos depoimentos dos policiais que “montam” o flagrante. Seus testemunhos embasam a maioria dos casos de “prisão provisória”, que precedem o julgamento, fazendo com que na prática, haja o cumprimento da pena antes mesmo da condenação.

Logo, ao se considerar o elevado número de prisões por tráfico e o baixo número de casos de esclarecimento de homicídio, entre 5 e 8%, segundo dados de 2012 do Conselho Nacional do Ministério Público, denota-se a elevada estima da política de segurança pública pelos crimes de tráfico em detrimento dos crimes contra a vida.

 

 

REPRIMIR OU LIBERAL? UMA ANÁLISE DAS AUDIÊNCIAS PÚBLICAS SOBRE A REGULAMENTAÇÃO DA MACONHA NO SENADO FEDERAL DO BRASIL

Guilherme Alves Elwanger &Letícia Estivalet Pereira. Estudantes do Mestrado em Ciências Sociais da Universidade Federal de Santa Maria; elwanger@hotmail.com

 

Este trabalho visa analisar o conflito discursivo presente nas Audiências Públicas promovidas pelo Senado Federal do Brasil em 2014, que discutiram a proposta de regulamentação do uso da maconha no Brasil. Apesar da discussão sobre a mudança da legislação referente ao uso de drogas ser pautada por um debate jurídico e médico, é possível perceber que há outro elemento nesta discussão que envolve questões morais/valorativas (percebe-se que os grupos envolvidos no debate frequentemente fazem alusão a concepções de ‘bem’ e ‘mal’ para se referir ao consumo da droga). Os indivíduos envolvidos no debate fazem parte de grupos sociais que tem interesses específicos em relação ao tema e fazem uso de diferentes ‘discursos’ (jurídicos, médicos e morais) para sustentar suas proposições sobre o que consideram ‘certo’ ou ‘errado’ em relação ao uso da maconha. Sendo assim, é possível considerar que os debates nestas Audiências Públicas são protagonizados por indivíduos e grupos de ‘empreendedores morais’ que visam construir um novo fragmento da constituição moral da sociedade. Dito isto, o trabalho tem por objetivo compreender como os empreendedores morais envolvidos neste debate empregam discursos médico-científicos e jurídico-legais para sustentar suas proposições. Para tanto, foi resgatada a relação entre ‘poder-saber’ estabelecida por Foucault, visto que a discussão sobre a regulamentação da maconha se desenvolve de tal maneira que o conflito é entre o que é ‘verdadeiro’ e que é ‘falso’ e as falas dos ‘especialistas’ são utilizadas para embasar os argumentos dos empreendedores que estão em conflito para estabelecer qual é a posição ‘correta’.

Palavras-chave: política de drogas; regulamentação da maconha; empreendedores morais; discurso jurídico-legal; discurso médico-científico.

 

 

POLÍTICAS DE DROGAS E AS MUDANÇAS NO CENÁRIO INTERNACIONAL

Laura Girardi Hypolito. Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul; laura.hypolito@yahoo.com.br

 

O presente trabalho pretende discorrer acerca das mudanças percebidas no cenário internacional referente às políticas de drogas. Inicialmente, será realizada uma breve reflexão sobre a criminalização da produção, da venda e do consumo das substâncias consideradas ilícitas e a sua ineficiência, visto que o viés proibicionista além de não reduzir os problemas de violência, reproduz desigualdades e exclusões. Em um segundo momento, com a finalidade de pensar modelos que rompam com o paradigma de proibição, o foco do estudo orbitará nas políticas públicas sobre drogas desenvolvidas em Portugal, Estados Unidos e Uruguai. Sobre os três modelos, serão tecidas considerações acerca do funcionamento e das peculiaridades de cada um e também no que se refere ao papel dos agentes públicos que possibilitaram tais implementações. Será também discutido de que maneira a figura do usuário foi pensada na criação e aplicação dos modelos e, por fim, serão expostos os resultados que já podem ser sentidos, em cada um dos casos. Com base nos dados obtidos por meio da investigação deste trabalho, pretende-se pensar possíveis soluções para enfrentar os problemas advindos da política proibicionista, inclusive para o caso brasileiro.

Palavras-chave: Política de Drogas, Proibicionismo, Regulação das Drogas, Descriminalização do Consumo de Drogas.

 

 

 

 

AS RELIGIÕES AYAHUASQUEIRAS NO ESPAÇO PÚBLICO BRASILEIRO: DROGA, RELIGIÃO E SECULARIDADE

Sandra Lucia Goulart. Doutora em Ciências Sociais (Unicamp); Professora da Faculdade Cásper Líbero (São Paulo); Pesquisadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (NEIP); sluciagoulart@gmail.com

 

A proposta é desenvolver uma análise sobre os modos de inserção das religiões ayahuasqueiras brasileiras num espaço público. Focarei a atenção no processo de construção dos relacionamentos entre estas religiões, o Estado brasileiro e demais agentes da sociedade. Procurarei identificar mudanças nas formas destes relacionamentos conforme aumentou a visibilidade destas religiões. Por se caracterizarem pelo uso de uma bebida psicoativa tais religiões, com sua maior disseminação, passam a ser associadas, na sociedade mais abrangente, ao debate público contemporâneo sobre drogas. Simultaneamente, na medida em que constroem seu reconhecimento público, elas elaboram para si novas identidades e autodefinições, que as desvinculam da associação com a questão das drogas. Analisarei como estas religiões vão alterando sua imagem social e seu modo de presença no espaço público brasileiro: da sua legitimação como “religiões genuinamente brasileiras” à sua inserção, mais recente, nos debates sobre patrimônio cultural. Minha análise se fundamenta em discussões teóricas acerca das relações entre religião e secularidade. Sigo autores como Jürgen Habermas e Talal Asad, os quais sustentam que no mundo pós-secular o religioso não desaparece, mas, adquire novas formas, tecendo mediações e diálogos tensos com outras racionalidades não religiosas. Inspiro-me, também, no argumento de Emerson Giumbelli segundo o qual diferentes religiões brasileiras se elaboram a partir de uma interlocução complexa com a secularização. Meu objetivo é comparar o caso das religiões ayahuasqueiras com outras religiões brasileiras, no que tange a seu modo de legitimação pública e às suas tensões com a lógica secular e o princípio de laicidade.      

Palavras-chaves: Drogas; Ayahuasca; Religião; Secularidade

 

 

A MEDICALIZAÇÃO DA ATENÇÃO: APONTAMENTOS SOBRE A PROMOÇÃO PUBLICITÁRIA DA RITALINA (1956-1975)

 

Miguel Hexel Herrera. Doutorando no Programa de Pós-graduação em Antropologia Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul; h.miguel@gmail.com

 

Este trabalho explora o tema da medicalização a partir de uma perspectiva antropológica. A pesquisa é um recorte de minha dissertação de mestrado e toma como objeto a promoção e consolidação do fármaco Cloridrato de Metilfenidato, amplamente conhecido por seu primeiro nome comercial: Ritalina®. Trata-se de uma droga psicoestimulante atualmente estabelecida como tratamento de primeira linha para o Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH). A literatura especializada afirma que o TDAH é uma doença de alta prevalência em crianças em idade escolar, sendo o “distúrbio neurocomportamental” mais comum na infância. O trabalho acompanha a trajetória do metilfenidato a partir da análise de material promocional destinado a profissionais da área médica. As peças examinadas compreendem o período de 1956 – quando o metilfenidato foi lançado nos EUA, Canadá e Europa - até 1975. As propagandas mostram que este psicofármaco foi inicialmente indicado para tratar adultos acometidos de condições como depressão e fadiga crônica. No fim dos anos 1960 o metilfenidato passa a ser reconhecida como um tratamento eficaz para “crianças hiperativas”, especialmente meninos, que se tornam os principais consumidores deste medicamento. A análise das propagandas do metilfenidato a partir de um distanciamento histórico, demonstra os processos de transformação de sua promoção desde o uso para depressão, narcolepsia e fadiga crônica até sua utilização para o TDAH. E ao mesmo tempo, permite relativizar as concepções mais recorrentes de que seu uso teria estado inicialmente associado de forma exclusiva ao tratamento de crianças hiperativas.

Palavras-chave: medicalização, biomedicalização, metilfenidato, transtorno do déficit de atenção/hiperatividade.

Comentador: Jardel Fischer Loeck

 

SessãoV: Percepções sobre o consumo

ANTIPROIBICIONISMO E AUTONOMÍA

 

Júlio Delmanto. Mestre e Doutorando em História Social na Universidade de São Paulo (USP), Pesquisador do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (NEIP). juliodelmanto@hotmail.com

 

O trabalho busca discutir de que forma determinadas proposições e atuações políticas que visam o fim da guerra às drogas dialogam com o conceito de autonomia reivindicado por coletivos e movimentos sociais urbanos contemporâneos. Se a própria etimologia da palavra autonomia já indica seu significado - com auto remetendo ao indivíduo e nomia às normas, ou seja a busca por viver de acordo com suas próprias normas -, este termo ganha contornos mais precisos ao ser reivindicado por uma determinada tradição política e teórica, de uma esquerda urbana crítica à institucionalidade e ao eleitorialismo. A apresentação desenvolverá de que forma estas reflexões e tradições ativistas dialogam com o antiproibicionismo, consolidado no Brasil no início dos anos 1980 e hoje conformado por uma amplitude muito maior de componentes, e com o atual cenário de debate de alternativas às cada vez mais evidentemente falidas políticas de guerra às drogas, buscando apresentar um olhar que evite o enfoque único na nem sempre tão dicotômica dicotomia entre Estado e Mercado. O antiproibicionismo nos moldes atuais conforma-se no Brasil no período de formação do Partido dos Trabalhadores (PT), mas em parte inspira-se no ideário propagado pela contracultura dos anos 1960 e 1970 – momento que também tem conexões com o campo político (auto) identificado com a autonomia a partir do final dos anos 1990, e o destrinchamento de alguns destes aspectos, espera-se, podem ajudar a entender as articulações entre movimentos sociais urbanos e a luta pela legalização das drogas.

Palavras-chave: Drogas, autonomia, guerra às drogas, movimentos sociais.

 

APONTAMENTOS SOBRE O PAPEL POLÍTICO DA ANTROPOLOGIA NOS ESTUDOS SOBRE DEPENDÊNCIA QUÍMICA: A ESCUTA DAS ONTOLOGIAS INDIVIDUAIS DE PACIENTES ENQUANTO CRÍTICA AOS MODELOS DE CUIDADO

Jardel Fischer Loeck. Doutor em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS),Pesquisador associado ao Núcleo de Estudos Interdisciplinares de Psicoativos (NEIP),Sociólogo do Observatório de Segurança Pública de Canoas (OSPC). jardelfischer@gmail.com

 

As políticas públicas de atenção em saúde para usuários de álcool e outras substâncias psicoativas no Brasil contemplam uma rede heterodoxa de espaços terapêuticos, tanto em sua constituição institucional quanto em sua maneira de definir e incidir sobre o problema-alvo. Atualmente, a maioria dos espaços terapêuticos em ação são baseados na abstinência, ainda que as políticas públicas do país tenham como diretriz principal a redução de danos. Ressalta-se que os modelos de tratamento baseados em abstinência tendem a singularizar as individualidades dos pacientes a partir de noções patológicas de alteridade como “dependente químico”, “adicto”, “usuário problemático de drogas”.O silenciamento dos pacientes em termos ontológicos é uma característica desse tipo de alteridade. Parte-se do pressuposto que eles não podem responder por si próprios ou organizar a si mesmos. Lhes é permitido expressar apenas sintomas, problemas, desvios e alteridade. A presente comunicação tem como objetivo, então, chamar a atenção para a importância do trabalho antropológico nesses locais, principalmente levando em consideração as experiências dos pacientes. A relação de pesquisa com esses indivíduos através da antropologia permite que eles se expressem ontologicamente, habilitando a visada sobre outro tipo de rede de cuidado materializado na descrição de vivências e deslocamentos no tempo-espaço. Através do diálogo com autores como Latour, Law e Mol, e exemplos retirados de trabalho de campo desenvolvido em espaços terapêuticos baseados em abstinência, aponta-se para a importância política do trabalho antropológico, na busca por contemplar de maneira concreta as ontologias individuais dos pacientes enquanto forma de crítica a esses modelos de cuidado.

 

 

PET SAÚDE AKWEN UFT E DSEI-TO: DISCUTINDO AS PERCEPÇÕES INDÍGENAS SOBRE O ALCOOLISMO NA ÁREA AKWEN XERENTE

 

Reijane Pinheiro da Silva - Doutora em Antropologia Social pela UFRGS e Professora de Antropologia da Universidade Federal do Tocantins; reipinheiro@gmail.com

 

Este trabalho propõe a problematização das representações ocidentais acerca do alcoolismo entre os Akwen Xerente, presentes nos discursos da sociedade envolvente, a fim de comparar as perspectivas nativas e o saber biomédico, bem como dar voz e visibilidade ao povo indígena em questão. Fruto de uma pesquisa-extensão em andamento, no âmbito do Programa de Educação pelo Trabalho (PET- Saúde Indígena), as reflexões aqui apresentadas são resultado das vivências realizadas pelos alunos envolvidos no projeto, no período de novembro de 2013 a julho de 2014. O registro das narrativas foi realizado através da observação participante e de diários de campo. É possível perceber que os estigmas que associam os indígenas ao ócio e ao alcoolismo não correspondem à realidade e, além de desconsiderar a alteridade em questão, não favorecem abordagens que contribuam para o protagonismo indígena em relação ao tema.

Palavras-chave: Uso do álcool, representações, narrativas indígenas.

 

 

DA FLORESTA AO MUSEU: NOTAS SOBRE A COLABORAÇÃO ARTÍSTICA ENTRE ERNESTO NETO E OS HUNI KUIN

 

Ilana Goldstein - Professora do Departamento de História da Arte da Universidade Federal de São Paulo – Unifesp. ilagolds@yahoo.com

Beatriz Caiuby Labate - Professora Visitante do Centro de Pesquisa e Estudos de Pós-Graduação em Antropologia Social (CIESAS), em Guadalajara e Cofundadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (NEIP). blabate@bialabate.net

 

Recentemente, instalações do artista brasileiro Ernesto Neto, com diferentes graus de participação indígena, ganharam destaque em museus de arte em Bilbao, São Paulo e Viena. As belas instalações em tecido de Neto tiraram parte de sua força do fato de remeterem a rituais de cura dos Huni Kuin do Acre. É interessante observar a convergência da chegada dos índios ao circuito urbano da ayahuasca, com a sua conquista de espaço em instituições artísticas. No Brasil, o consumo da bebida foi promovido primordialmente por religiões cristãs até os anos 2000, quando grupos indígenas começaram a organizar experiências com ayahuasca para turistas e para a classe média urbana. A circulação de novas formas de xamanismo e de consumo da ayahuasca em redes urbanas nacionais e internacionais atesta o grande vigor e a capacidade de adaptação das práticas culturais indígenas. Já a inserção de artistas indígenas em museus de arte contemporânea, para além da visibilidade, talvez represente uma alternativa fértil para diálogos interculturais. Ao mesmo tempo, ambos os movimentos levantam questões espinhosas. Em primeiro lugar, o consumo de ayahusca, no Brasil, é limitado a apenas algumas situações; no exterior, é normalmente proibido. Em segundo lugar, no caso das instalações/performances artísticas, pode-se questionar como fica a propriedade intelectual coletiva e quais os riscos de se estereotipar ou folclorizar a alteridade. Nossa comunicação partirá destes trabalhos de Neto, em colaboração com os Huni Kuin, para apresentar reflexões preliminares sobre essas questões e também sobre “autenticidade”, apropriação e comoditização cultural.

Palavras-chave: ayahuasca; Ernesto Neto; Huni Kuin; arte; museus. 

 

 

 

 

Sessão VI: TRATAMENTOS

 

LOS TRIBUNALES DE TRATAMIENTO DE ADICCIONES EN MÉXICO: UNA COPIA FORZADA

Jorge Javier Romero Vadillo. Profesor invitado del Programa de Política de Drogas del Centro de Investigación y Docencia Económica región centro, Aguascalientes. Profesor Titular del Departamento de Política y Cultura de la Universidad Autónoma Metropolitana-Xochimilco; romero.jorgejavier@gmail.com

 

Desde hace unos años, en diferentes estados de la república Mexicana se han hecho reformas legales para la creación de unos llamados Tribunales de Tratamiento de Adicciones, con la intención de canalizar hacia el sistema de salud a procesados con delitos menores en los que se detecte un uso problemático de sustancias psicotrópicas, legales o ilegales. El modelo es una copia del sistema de DrugCourts que se h extendido por diversos estados de los Estados Unidos y que el gobierno norteamericano ha tratado de difundir en los países de América Latina y ha llegado a México como parte de los acuerdos para canalizar los recursos de la Iniciativa Mérida.En este ensayo describiré las características que han adoptado en México estos tribunales, los compararé con las DrugCourts de diferentes estados norteamericanos y plantearé algunas líneas críticas sobre su implementación.

 

 

FIRMES NOS PROPÓSITOS: ETNOGRAFIA DA INTERNAÇÃO DE USUÁRIOS DE “DROGAS” EM COMUNIDADES TERAPÊUTICAS

 

Matheus Caracho Nunes. PPGS UFSCar. matheus.carachonunes@gmail.com

 

Atualmente, as Comunidades Terapêuticas (CTs), desempenham papel fundamental na gestão de usuários de crack e outras “drogas” no âmbito das políticas públicas vigentes. Considerando este cenário, este artigo focaliza uma Comunidade Terapêutica (CT) denominada Associação Amigos da Vida (AAVIDA), localizada em Araraquara/SP. O objetivo geral aqui proposto é descrever e analisar o cotidiano desta CT, com especial atenção para a sujeição dos residentes perseguida neste contexto. Os objetivos específicos são: i) compreender as normas, códigos de conduta, valores e moralidades que emergem no convívio entre os internos, funcionários e visitantes, que operam no cotidiano da Comunidade Terapêutica, e as regras institucionais que orientam o trabalho dos funcionários; ii) compreender os dispositivos disciplinares mobilizados pela instituição, e como se processa sua intenção de  fazer surgir “novos sujeitos”; iii) entender as reelaborações feitas pelos residentes, como resistência à metodologia institucional. A hipótese é de que inscrita nas práticas das CTs estrutura-se simultaneamente: i) a construção de um padrão moral de condutas socialmente aceitas; ii) uma estratégia estatal e religiosa de gestão de populações de risco e os modos de resistência a esses ordenamentos. O artigo é fruto de pesquisa realizada desde a graduação e estende-se pelo mestrado. É amparado por trabalho etnográfico, que comporta: i) visitas intercaladas, realizadas desde 2012; ii) imersão de “internamento” com dois períodos de quinze dias.

Palavras-chave: Drogas, Margens Urbanas, Política de Drogas, Comunidades Terapêuticas.

 

 

“ TAMO JUNTO”: MEDIAÇÕES LEIGAS NA AJUDA MÚTUA ENTRE “ADICTOS”

Rosa Virgínia Melo. UFPB, UnB, NEIP; rosavmelo@gmail.com

 

O objetivo da exposição é analisar a categoria de “doença” segundo participantes em grupo de ajuda mútua ligado à Comunidade Terapêutica Fazenda do Senhor Jesus, no Distrito Federal, Brasil. O fio condutor da discussão atravessa a noção de doença, tida como característica da “dependência química”, e problematiza os aspectos sociais de tal classificação, cuja recuperação adviria da introjeção moral coletivamente exercitada e baseada no método do Alcóolicos Anônimos. A compreensão de tais categorias tem como objetivo provocar uma reflexão acerca das afinidades eletivas entre família, religião e estado que levam à proposta de regulamentação e inclusão no Sistema Único de Saúde desse modelo de tratamento.

Tal modelo, de cunho religioso e disciplinar, relativiza os valores da autonomia individual moderna contemporânea e interroga a eficácia dos artefatos de laboratório no tratamento da dependência química.

Contudo, a mediação religiosa no campo da chamada saúde mental não se dá sem conflitos, devido, entre outros fatores, ao lugar ocupado pelalaicidade no contexto da modernidade. O projeto de regulamentação das CT’s via inclusão no SUS evoca a presença do religioso no espaço público e suscita polêmicas e acusações aqui interpretadas em diálogo com os estudos dos modos de articulação, expansão e retração da religião no mundo contemporâneo.

Palavras-chave: dependência química, ajuda mútua, religião, laicidade.

 

 

COMUNIDADES TERAPÊUTICAS: TENSÕES E NEGOCIAÇÕES NO TRATAMENTO DA DEPENDÊNCIA QUÍMICA

 

Sara Godoy Brito. New School For Social Research. sara.godoybrito@gmail.com

 

O artigo se insere na discussão sobre as políticas de assistência a usuários de drogas, buscando compreender como funciona e se estrutura a dinâmica de tratamento de uma comunidade terapêutica. Tal estudo é fruto de uma pesquisa etnográfica realizada em 2013, onde procurou-se entender o cotidiano da casa de internação de uma CT do DF, bem como identificar as relações e mediações entre os profissionais de saúde e os meninos ali internados como forma de melhor compreender a proposta terapêutica em questão. Procurou-se investigar tais questões sob a luz dos conceitos de agência (ORTNER, 2006) e poder (Foucault,1979,2004). As comunidades terapêuticas entram no cenário da rede de atenção aos usuários de drogas, como uma alternativa que reforça a abordagem biopsicossocial como estratégia de intervenção ao na forma consumo de substâncias psicoativas. São instituições onde se observa uma complexa rede de interações, estando presentes constantes tensões e negociações que operam a partir  do exercício dos profissionais da instituição e a forma como os sujeitos ali internados se apropriam ou reatualizam esse projeto terapêutico para seus próprios projetos e desejos. O trabalho contribui para o reforço da antropologia como saber cientifico estratégico para se pensar sobre as intervenções e políticas de saúde, na medida em que propõe uma reflexão e problematização da proposta terapêutica a partir dos discursos dos próprios sujeitos ai envolvidos.

Palavras-Chaves: Drogas, Comunidades Terapêuticas,  Subjetividades.

 

 

UMA ETNOGRAFIA DO ENCONTRO: AGENTES COMUNITÁRIOS/AS DE SAÚDE E HOMENS USUÁRIOS DE CRACK

 

Talita Nunes Costa. Aluna regular do Curso de Mestrado oferecido pelo Programa de Pós-Graduação do Departamento de Antropologia, Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, da Universidade Federal da Bahia, Brasil. talitanc@yahoo.com.br

 

A atenção básica deve desenvolver ações de prevenção e/ou cuidado dos agravos à saúde decorrentes do uso de drogas, visto que esta prática social adquiriu a dimensão de problema de saúde pública, diante das consequências sanitárias e sociais resultantes do consumo prejudicial, especialmente das substâncias ilícitas. No Programa de Saúde da Família (ESF), o trabalho se fundamenta no Agente Comunitário de Saúde (ACS), habitualmente morador da comunidade pela qual deve zelar. Esta característica o destaca entre os demais profissionais, e é crucial para garantir a adesão e a eficácia das ações. O ACS vê a si mesmo como “cuidador” da população e “elo” entre ela e o serviço, como previsto na Política Nacional de Atenção Básica. Porém, sua abordagem não alcança o homem adulto consumidor de crack, o que acentua a vulnerabilidade social deste público. A dificuldade do ACS em garantir este cuidado relaciona-se ao paradigma biomédico que orienta o serviço e sua atuação; à resistência masculina em acessar e/ou aderir ao atendimento oferecido na ESF; e à associação, real ou imaginária, do usuário de drogas à marginalidade e à violência, sobretudo o tráfico de drogas – o que se aproxima do senso comum a este respeito. Esta etnografia busca problematizar, do ponto de vista antropológico, as questões sociais e culturais do trabalho do ACS, considerando como sua concepção sobre o usuário influencia o atendimento deste segmento; e compreender os limites e possibilidades das políticas públicas voltadas à saúde do homem e ao consumo de drogas, especialmente o Crack, na ESF.

 

 

GT 19 ANTROPOLOGÍA DE LA ENSEÑANZA Y EL APRENDIZAJE

 

Coordinadores:

Amurabi Oliveira (UFSC); Maximiliano Rúa (UBA-FFyL) y María Mercedes Hirsch (UBA-FFyL)

Comentaristas: Marita Mena (UNR) y Lucia Caisso (UNC)

 

La enseñanza de la Antropología en el contexto universitario

 

LA ANTROPOLOGÍA SOCIAL EN LA FORMACIÓN DE TRABAJADORES SOCIALES. REFLEXIONES DESDE UNA EXPERIENCIA DE CÁTEDRA

 

Amilibia, Ivone R.; Colangelo, María Adelaida; Danel, Paula Mara; Rodríguez, Pablo César; Tello, Claudia B. (UNLP)

 

Se presentan algunas reflexiones acerca de la enseñanza de la Antropología como parte de la formación de trabajadores sociales en la Universidad Nacional de La Plata. Éstas surgen de la experiencia de más de quince años de dictado de la materia Antropología Social II en la Licenciatura en Trabajo Social de la UNLP. Se exponen y analizan algunas de las prácticas educativas implementadas en diferentes instancias de la enseñanza de la materia, orientadas a la construcción de conocimiento crítico y enmarcadas en el desafío de contribuir a la formación de profesionales que tendrán en la intervención social el eje de su quehacer. Ello ha implicado el debate del equipo de cátedra tomando la propia práctica docente como objeto de análisis, formulándose varios interrogantes, entre ellos: ¿cuáles son los aportes teóricos y metodológicos de la antropología a la formación del trabajador social? ¿Cómo enseñar antropología para que esos aportes sean visualizados e incorporados por los/as estudiantes? ¿Qué seleccionar de la disciplina para su enseñanza? ¿Cómo evaluar el proceso de construcción de conocimiento transitado? ¿Cómo abordar la diversidad del aula? ¿Cómo articular con las otras materias  de la curricula?  Se coincide en que el foco de los aportes de la materia no está puesto tanto en la enseñanza de corrientes de pensamiento o de tópicos de la antropología social, como en la aprehensión de una perspectiva teórico-metodológica orientada a la reflexión sobre la “alteridad” -condición ineludible de nuestra práctica docente en el aula- y a la desnaturalización de los fenómenos sociales.

Palabras claves: antropología social, enseñanza, formación de trabajadores/as sociales

 

 

EL ROL DEL TUTOR EN LA FORMACIÓN DOCENTE EN CIENCIAS  ANTROPOLÓGICAS

Prof. Verónica Isabel Messina (FFyL, UBA)

Prof. Verónica Lía Zallocchi (FFyL, UBA)

 

La presente ponencia intentará reflexionar  en torno  a los ejes problemáticos propuestos por GT 19, centrándonos en el eje que hace referencia al “análisis y la reflexión de las prácticas que desplegamos al asumir el desafío de enseñar nuestra propia disciplina”. Estas reflexiones estarán enmarcadas desde múltiples escenarios, por un lado desde nuestra práctica docente cotidiana en la escuela secundaria y en el ámbito universitario, por otro lado, desde las prácticas de investigación que estamos llevando a cabo, en el marco de estudios de postgrado, y por último, desde lo ya trabajado en artículos/ponencias anteriores (Messina, Puente y Zallocchi: 2012,2014) donde intentamos problematizar el lugar que ocupa la formación docente dentro de la formación disciplinar, como también los aportes metodológicos y teóricos de la antropología para la enseñanza de la Ciencias Sociales.  En el marco de la materia del profesorado de Ciencias Antropológicas, Didáctica Especial de la Antropología y Prácticas de la Enseñanza (FFyL, UBA), retomaremos algunas reflexiones en torno al rol del tutor en el momento de las prácticas docentes, intentando explicitar y desnaturalizar nuestras prácticas inmersas en el espacio de las tutorías, explicitando supuestos a partir de la experiencia y repensando este concepto desde el aporte de otras disciplinas y experiencias formativas. Estos desafíos y habilidades que entran en juego en la formación docente actual nos interpelan en tanto nos invita a reflexionar en relación a nuevos conocimientos sobre comunicación, destrezas metodológicas para tratar con distintos colectivos y situaciones, una actitud abierta al cambio y a la empatía.

Palabras claves: Formación docente- Antropología- rol del tutor- prácticas docentes.

 

 

 “MÁS ALLÁ DE CUATRO PAREDES Y UN PIZARRÓN”: LA IMPORTANCIA DE LA CONSTRUCCIÓN DE UN EJE PARA LAS PRÁCTICAS DE LA ENSEÑANZA

María Mercedes Hirsch  (PAE-ICA-FFyL-UBA)

 

Este trabajo pretende reflexionar sobre los aportes que produce, a las prácticas de enseñanza, la explicitación de una problemática en tanto eje de una programación que articula las planificaciones de clase. Para realizar dicha reflexión, recupero el enfoque producido en la cátedra Didáctica Especial y Prácticas de la Enseñanza en Antropología (FFyL, UBA) para abordar procesos de construcción de conocimiento y parte del trabajo de campo realizado para mi tesis doctoral “Construyendo futuro en contextos de desigualdad social: Una etnografía en torno a las elecciones de los jóvenes en la finalización de la escuela secundaria”. Desde este marco, la construcción de dicho eje de trabajo, permite incorporar a la construcción de conocimiento escolar dimensiones que trascienden, a la vez que construyen, la escuela en la que se despliegan las prácticas de enseñanza. En este sentido,  la construcción del eje de trabajo pretende integrar tres niveles centrales a la hora de construir una planificación: la contextualización de la práctica, la apropiación de un marco teórico y el posicionamiento político e ideológico del docente. ¿Qué queremos enseñar?, ¿a quiénes? y ¿para qué?, se convertirán en las preguntas que nos permitirán poner en tensión que los procesos de enseñanza que planificamos van más de allá de cuatro paredes y un pizarrón.

Palabras claves: construcción de conocimiento - problematización – programación/planificación – práctica docente.

 

 

 

 

 “TIENE QUE TENER UN ABORDAJE ANTROPOLÓGICO” O CÓMO UN ANTROPÓLOGO CONSTRUYE UN PROGRAMA DE UNA MATERIA QUE NO ES ANTROPOLOGÍA

Javier García (UBA)  Maximiliano Rúa (UBA)

 

En nivel de la enseñanza secundaria en la Ciudad de Bs. As. son muy escasas las escuelas en donde se puede dictar la materia “Antropología”, sólo se trata de dos “Normales” que la tienen en la orientación en Turismo. No obstante, tanto en otras ofertas de éste nivel como del Área del Adulto y del Adolescente, el título de profesor en esta disciplina otorgado por la FFyL-UBA está habilitado para el dictado de diversas asignaturas. Asumiendo esta situación, desde la cátedra “Didáctica Especial y Prácticas de la Enseñanza de la Antropología” les proponemos a los estudiantes que, más allá de la materia que les toque llevar adelante sus prácticas docentes, ya sea que los temas sean seleccionados por ellos o solicitados por los docentes a cargo, deben realizar un “abordaje antropológico”. Pero ¿qué queremos decir con esto? En esta ponencia respondemos este interrogante a partir de poner el foco en la vinculación de dos cuestiones que consideramos centrales. Primero, aquello que denominamos “contextualización” haciendo referencia, a cómo pueden ser abordas y descripta