RESUMEN GRUPO DE TRBAJO 95

GT 95.  "ANTROPOLOGÍA, MIGRACIONES Y SALUD"

Coordinadores:

Dr. Alejandro Goldberg (ICA, SEANSO-CONICET/UNISANTOS)

Dra. Denise Martín (UNISANTOS)

Dr. Cássio Silveira (FCMFCSP)

Comentarista: Dra. Mara Helena De Andrea Gomes (UNIFESP)

 

 

Sesión 1: "Regularidad/irregularidad migratoria, acceso a la salud pública y experiencias/procesos de atención"

 

 

DO ESTATUTO DO ESTRANGEIRO A UM MARCO LEGAL PELA CIDADANIA DO IMIGRANTE NO BRASIL

Ana Paula Risson (Universidade Comunitária da Região de Chapecó), anarisson@unochapeco.edu.br

Ana Cristina Costa Lima (Universidade Comunitária da Região de Chapecó), analima@unochapeco.edu.br; Regina Matsue (Universidade Federal de São Paulo), rymatsue08@yahoo.com

 

Este trabalho tem a intenção de expor a condição legal do imigrante no Brasil. A Lei do Estrangeiro é defasada, a começar pelo nome, e é premente a necessidade de construção de um marco legal, diante do intenso fluxo imigratório para o país, destacando-se o número significativo de haitianos, aproximadamente 60.000, que chegaram desde 2010. Os imigrantes, ao adentrarem as fronteiras brasileiras estão submetidos à Lei nº 6.815/1980, o Estatuto do Estrangeiro, promulgada no período da ditadura militar, e que concebe e trata os imigrantes como ameaças à segurança nacional. Na tentativa de atualizar a normatização, há três propostas em tramitação para uma nova lei de migrações: na Câmara dos Deputados está em tramitação o Projeto de Lei nº 5.655/2009; no Senado Federal está em tramitação o Projeto de Lei nº 288/2013 e no Ministério da Justiça encontra-se para análise o Anteprojeto de Lei de Migrações e Promoção dos Direitos dos Migrantes no Brasil, elaborado em 2014. No entanto, os projetos apresentam posicionamentos diversos, desde os mais conservadores até a avançada proposta construída em coletivos. A aprovação de uma nova lei de migrações possibilitará agilizar desde os papeis até o cumprimento dos direitos humanos, para o desenvolvimento da cidadania dos que imigram para o Brasil. A defesa das autoras é pelo fim da vida clandestina, do tráfico de pessoas, do trabalho escravo e da impossibilidade de viver de forma digna.

Palavras-chave: Legislação defasada; Políticas públicas; Migração internacional; imigração haitiana; cidadania.

 

 

 

 

 ENTRE REIVINDICAÇÕES DE VISIBILIDADE E DE ACESSO A SERVIÇOS: A ATUAÇÃO DAS ORGANIZAÇÕES CIVIS JUNTO AOS NOVOS MIGRANTES INTERNACIONAIS PARA A GARANTIA DO DIREITO À SAÚDE, NA CIDADE DE SÃO PAULO

Patrícia Tavares de Freitas (Centro de Estudos da Metrópole-CEBRAP), tavaresdefreitas@gmail.com

 

Nesta comunicação, consideraremos os processos políticos subjacentes às transformações contemporâneas na abordagem e localização dos novos migrantes internacionais no espaço social da cidade de São Paulo. Embora a legislação nacional não preveja nenhuma política de integração dos novos migrantes, associando-os a questões de segurança nacional, nos últimos anos, esses migrantes vem assumindo centralidade crescente para os governos local e estadual. 

Tendo em vista analisar o papel das organizações civis nessas transformações, partiremos da estrutura analítica proposta pela literatura sobre movimentos sociais. Utilizando, especificamente, as abordagens ancoradas no neo-institucionalismo histórico que focalizam não apenas os movimentos sociais, mas esses movimentos em relação com as estruturas institucionais estatais. Nesse sentido, consideraremos a sua atuação, durante os anos 2000, na formação da “Rede Somos Hermanos” para dar visibilidade às especificidades socioculturais dos migrantes latino-americanos na cidade e garantir o seu acesso aos serviços de atenção primária em saúde.

Palavras chave:Migração latino-americana; organizações civis, defesa de direitos, atenção primária em saúde.

 

 

MIGRAÇÃO E SAÚDE: A EXPERIÊNCIA DOS MIGRANTES BRASILEIROS NO JAPÃO

Regina Yoshie Matsue (Universidade Federal de São Paulo/Universidade Comunitária da Região de Chapecó), rymatsue08@yahoo.com

Pedro Paulo Gomes Pereira (Universidade Federal de São Paulo), pedropaulopereira@hotmail.com.

 

No final da década de oitenta os nipo-brasileiros começaram a migrar para trabalhar no Japão. Estima-se que 215 mil brasileiros vivem no país, maioria vive isolada em suas comunidades. Este estado de alienação social aliado às condições de trabalho torna os migrantes vulneráveis a problemas de saúde e transtornos mentais. Ao buscarem ajuda profissional, estes enfrentam diversas barreiras. Este estudo visa analisar as dificuldades vivenciadas pelos trabalhadores brasileiros no Japão ao buscar o serviço médico. O artigo é baseado em uma pesquisa etnográfica. A pesquisa de campo foi realizada sistematicamente na região de Kanto; províncias de Tóquio, Ibaraki, Gunma e Saitama no período de janeiro a junho de 2006, sendo complementado por coleta de dados em junho de 2008. Neste período o pesquisador realizou visitas e observação participante em diversos grupos de apoio social existentes nas comunidades de brasileiros, participando de eventos e celebrações destes grupos e das comunidades em geral. Adicionalmente foram realizadas entrevistas narrativas com brasileiros sobre questões relacionadas à saúde e os itinerários terapêuticos utilizados pelo grupo para lidar com problemas de saúde. O atual contexto transcultural da sociedade japonesa trazem desafios e embates concernentes ao enfrentamento dos problemas saúde, pelos migrantes que residem no país. Os migrantes, em sua maioria, ficam à margem do sistema de saúde e à mercê de tratamentos alternativos e religiosos. O estudo aponta para as dificuldades vivenciadas por brasileiros acometidos de problemas de saúde, principalmente os transtornos mentais, e os caminhos percorridos por estes no enfrentamento do problema.

Palavras chave: Migrantes brasileiros; Japão; Problemas de saúde; Etnografia.

 

 

SALUD Y MIGRACIONES: EL ROL DE LOS PROFESIONALES DE SALUD

 

Beatriz Padilla (CICS.Nova.UMinho-Portugal) padilla.beatriz@gmail.com

 

Por un lado, los sistemas de salud (ya sean los universalistas como los basados en seguros) establecen el tipo de acceso y accesibilidad a la salud que los diversos grupos sociales tienen en cada sociedad, incluyendo los inmigrantes. Por el otro, las llamadas políticas de integración diseñan instrumentos que en principio facilitan la forma como los inmigrantes se insertan en la sociedad receptora desde lo laboral hasta en lo educacional y en la salud. Ambos sistemas, el sanitario y jurídico-legal de integración, encuadran a nivel macro el nivel de inclusión de los inmigrantes. Sin embargo, si nos enfocamos en los aspectos específicos de la salud de los inmigrantes, el papel que juegan los diferentes profesionales de salud juegan, es muy relevante y no siempre ha sido analizado de forma pormenorizada. En este trabajo, pretendemos desmenuzar de forma crítica el papel que los profesionales de la salud tienen en concretizar la ciudadanía en salud. Para ello iremos a identificar barreras y estrategias que dificultan, facilitan o promueven la ciudadanía en salud desde la perspectiva de estos profesionales. El trabajo de campo cualitativo incluye entrevistas a inmigrantes mujeres y a profesionales de la salud, así como también observación participante y algunos estudios de caso, en el Área Metropolitana de Lisboa, Portugal. La colonialidad y alteridad caracterizan la condición de las inmigrantes mujeres por un lado, y por el otro, se resalta la posición de poder y la intersección de clase/raza/etnicidad como elementos marcan la visión/percepción de los profesionales de salud.

Palabras clave: migraciones, salud, profesionales de la salud, accesibilidad, discriminación.

 

 

Sesión 2: "Regularidad/irregularidad migratoria, acceso a la salud pública y experiencias/procesos de atención"

 

EL PARTO IMPOSIBLE. CIRCUITOS DE ATENCIÓN, DISCRIMINACIÓN Y MALTRATO A MIGRANTES BOLIVIANAS EN EL DEPARTAMENTO DE ORÁN, SALTA, ARGENTINA

Pía Leavy (Becaria doctoral de CONICET, Instituto de Ciencias Antropológicas, Facultad de Filosofía y Letras-UBA), pialeavy@gmail.com.

 

Las zonas rurales del departamento salteño de Orán, reciben entre abril y noviembre aproximadamente cinco mil migrantes bolivianxs que trabajan en las fincas de producción agrícola y que son atendidos por los agentes sanitarios del sistema de Atención Primaria de la Salud. Si bien desde dicho programa se promociona y promueve al parto hospitalizado y la atención focalizada materno-infantil, las mujeres bolivianas sufren una serie de discriminaciones y maltratos que no permiten ni el acceso al parto hospitalizado – que se promueve desde el sistema oficial-, ni el desarrollo de un parto humanizado. El objetivo del trabajo es describir y analizar las leyes y las políticas sanitarias hacia las poblaciones migrantes, para luego relacionarlo con el material etnográfico y los análisis de caso relevados en el campo. Se utiliza el concepto de doble vínculo de Bateson para reflexionar en torno al rol del sujeto de derechos migrante y al paciente del sistema oficial de salud. Por último se describen las estrategias e itinerarios terapeúticos de las mujeres bolivianas migrantes e indígenas.

Palabras clave: Palabras clave: Salud, Migración, Etnografía, Atención Primaria de la Salud, Salta.

 

 

MULHERES BOLIVIANAS EM SÃO PAULO: SAÚDE PÚBLICA NA ZONA LESTE, TRAJETÓRIAS E ESPECIFICIDADES

Tatiana Solimeo (Universidade de São Paulo), tatiana.solimeo@usp.br

 

O presente trabalho apresenta uma análise da migração boliviana no Brasil, destacando o papel da mulher em seu contexto de indocumentada na cidade de São Paulo, no bairro Penha/Cangaiba. Será apresentado sob ótica das políticas públicas de maternidade e a sua relação com as mulheres bolivianas. Para realização desta análise foram utilizadas entrevistas com pesquisadores e crítica de pesquisas na área de saúde e migração. Os resultados proporcionaram um quadro analítico referencial para políticas públicas a respeito da migração internacional, com foco em políticas de maternidade.

Palavras-chave: Gênero; Políticas-Públicas; Migração boliviana; Maternidade.

 

 

UTILIZAÇÃO DOS SERVIÇOS DE SAÚDE PELOS IMIGRANTES BOLIVIANOS NA CIDADE DE SÃO PAULO/SP-BRASIL

 

Rosângela Elaine Minéo Biagolini (Secretaria de Saúde do Município de São Paulo, Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo e Universidade Nove de Julho), romineo@ig.com.br

 

Introdução: Muito embora haja dificuldade em precisar o número de imigrantes bolivianos na cidade de São Paulo, o aumento destes e a crescente procura pelos serviços de saúde tem sido observada. Objetivo: Analisar as características sociodemográficas de um grupo de imigrantes bolivianos, bem como identificar que utilização fazem dos serviços de saúde. Método: Estudo transversal, descritivo, com abordagem quantitativa realizado em uma ONG na região Leste da Cidade de São Paulo/SP-Brasil. Utilizou-se um formulário aplicado a 200 bolivianos. Resultados: Dos entrevistados 54,0% (108) são do sexo masculino, 80,5% (161) com faixa etária entre 20 e 39 anos, 45,0% (98) solteiros, 82,0% (164) tem mais de 9 anos de estudo, 23% (46) estão há mais de 10 anos no Brasil, sendo 71,0% (142) originários de La Paz e 87,0% (174) trabalham no setor de confecções. Informaram ter cartão SUS 82,5% (165) e 72,5% (145) utilizaram serviço de saúde, nos últimos 6 meses, sendo 68,3% procuraram a atenção primária a saúde, e os principais motivos foram dores de diferentes etiologias e acidentes de trabalho. Dos entrevistados 22,5% referiram ter tido problema no atendimento, sendo mais referida a demora e o mau atendimento. A discriminação foi percebida por 54 entrevistados expressa por “olhar estanho”, “ouvi falar por que não volta para seu país”, “me chamaram de boliva de forma má”, entre outros. Conclusões: Os entrevistados são adultos jovens, com escolaridade elevada, que perceberam discriminação no atendimento. Os resultados indicam a necessidade de sensibilização dos profissionais para o atendimento à este grupo populacional.

Palavras chave: Processos migratórios; Acesso aos serviços de saúde; Bolívia; Serviços de Saúde.

 

 

PERCEPÇÕES DE TRABALHADORES DE SAÚDE NO ATENDIMENTO A MIGRANTES HAITIANOS

Maria Angela Conceição Martins (Instituto de Saúde Coletiva/Universidade Federal de Mato Grosso), fisioangela@hotmail.com

Cássio Silveira (Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo), cassio.silveira@fcmscsp.edu.br

Ana Paula Muraro (Instituto de Saúde Coletiva/Universidade Federal de Mato Grosso), muraroap@gmail.com

Fabiano Tonaco Borges (Instituto de Saúde Coletiva/Universidade Federal de Mato Grosso), fabianotonaco@yahoo.com.br)

Marta de Lima Castro (Instituto de Saúde Coletiva/Universidade Federal de Mato Grosso), martafarm@hotmail.com

Cássia Carraco Palos (Instituto de Saúde Coletiva/Universidade Federal de Mato Grosso), cacapalos@gmail.com)

Luís da Costa Leão (Instituto de Saúde Coletiva/Universidade Federal de Mato Grosso), luis_leao@hotmail.com

 

Com o movimento migratório de haitianos para Mato Grosso e, em especial, para a capital Cuiabá entre os anos de 2012 e 2015, emerge a necessidade de compreender como os trabalhadores de saúde percebem o contato com essa população, quanto ao acesso aos serviços de saúde. Realizou-se estudo qualitativo através da técnica de entrevistas individuais com roteiro semi estruturado aplicado a enfermeiros, médicos, técnicos de enfermagem e assistente social de três unidades de saúde de níveis de complexidade diferenciados (Estratégia de saúde da família, Unidade de Pronto Atendimento e Policlínica), selecionados na regional de abrangência do Centro de Pastoral para Migrantes em Cuiabá-MT. Foram realizadas 14 entrevistas e, dentre as categorias de análise, destacou-se o direito à saúde. De modo geral, a percepção dos trabalhadores quanto ao direito á saúde mostra-se diretamente ligada ao conceito da universalidade do Sistema Único de Saúde (SUS), no entanto as opiniões dos trabalhadores apontam também para o fato de que tanto a documentação no país de acolhimento, quanto à existência de recursos disponíveis nos serviços de saúde seriam fatores condicionantes para a efetivação desse direito, ou seja, em condição de priorização no acesso se priorizaria um usuário brasileiro.

Palavras chave: Migração Internacional; Haiti; Trabalhador de saúde; Direito á  saúde.

 

 

RELATOS DE LA COMUNIDAD CHINA EN MAR DEL PLATA. SALUD Y ETNICIDAD

María Florencia Incaurgarat (CONICET–UNSAM–UNMdP) flor.incaurgarat@gmail.com

 

A partir del actual escenario histórico de migraciones y globalización las posibilidades de recibir pacientes pertenecientes a diferentes grupos étnicos en los diferentes servicios de salud, aumentan progresivamente. El encuentro de maneras diversas de entender la salud, la enfermedad, su prevención, tratamiento, etc., genera situaciones que no pueden dejar de ser contempladas. La presente ponencia desarrolla las representaciones culturales y prácticas de salud de inmigrantes provenientes de China que residen en la ciudad de Mar del Plata, como así las situaciones de tensión que se dan entre las representaciones y prácticas de salud del grupo étnico y las propias de los profesionales de la salud. Mediante un primer acercamiento a las familias chinas que acuden a uno de los Centros de Atención Primaria de la Salud de la ciudad de Mar del Plata, se continúa con el trabajo de campo en sus ámbitos cotidianos familiares y laborales. Se analizan representaciones referidas a la Medicina Tradicional China halladas en el campo, las cuales denotan una notoria distancia con las representaciones occidentales referidas al proceso de salud-enfermedad-atención.

Palabras clave: Comunidad china, Proceso salud-enfermedad-atención, Etnicidad.

 

 

Sesión 3:"Refugiados y procesos de salud-enfermedad-atención"

 

 

ITINERÁRIOS TERAPÊUTICOS DE REFUGIADOS CONGOLESES NA CIDADE DE SÃO PAULO

Marcelo Haydu (Universidade Federal de São Paulo), marcelo.haydu@adus.org.br

 Denise Martin (Universidade Federal de São Paulo), demartin.c@gmail.com

 

O processo migratório em busca de refúgio é traumático e gerador de sofrimentos do período que antecede a fuga ao momento em que essas pessoas se encontram no país no qual buscam proteção e uma oportunidade para reconstruírem suas vidas de maneira digna. Os sofrimentos que afligem os refugiados não estão relacionados somente com acontecimentos traumáticos do seu passado, mas também pela incerteza do presente e do futuro que a vida no país de acolhimento lhes reserva. Neste contexto, cabe a essas pessoas a difícil tarefa de buscar soluções para os seus sofrimentos. Essa busca ocorre por vários meios, entre eles o biomédico. O objetivo deste estudo é investigar os itinerários terapêuticos para a preservação e recuperação da saúde entre pessoas em situação de refúgio. Trata-se de um estudo qualitativo, com referencial teórico baseado na Antropologia. Técnicas: observação etnográfica e entrevistas em profundidade. Participaram do estudo pessoas em situação de refúgio oriundas da República Democrática do Congo e residentes na cidade de São Paulo. Observa-se que os caminhospercorridos por pessoas em busca de cuidados terapêuticos nem sempre coincidem com esquemas ou fluxos pré-determinados. Os itinerários terapêuticos construídos sustentam-se pelas diferentes noções de corpo, saúde e doença mobilizadas em suas buscas pelo alívio do sofrimento, revelando a maneira pela qual os sujeitos compreendem os sentidos dos tratamentos, das suas narrativas no contexto da clínica e o seu diagnóstico.

Palavras-chave: Itinerário Terapêutico; República Democrática do Congo; Sofrimento; Refugiado; Etnografia.

 

 

CUIDADOS EM SAÚDE MENTAL PARA IMIGRANTES E REFUGIADOS NA CIDADE DE SÃO PAULO, BRASIL

Luciana de Andrade Carvalho (Universidade Federal de São Paulo), l_carvalho03@yahoo.com.br.

 

O presente trabalho tem por objetivo descrever os componentes de uma rede de atenção psicossocial para imigrantes e refugiados na cidade de São Paulo, também trazer reflexões sobre esse processo e perspectivas futuras para a melhoria do cuidado em saúde mental. O trabalho se inicia com uma breve descrição do aumento migratório dos últimos quatro anos no Brasil, ressaltando a importância de se atentar aos cuidados em saúde desta população, uma vez que muitos utilizarão o Sistema Único de Saúde (SUS). Com isso, discutem-se algumas barreiras ao acesso e a cuidados de saúde adequados a partir dos princípios do SUS e, assim, fazendo uma ponte com os cuidados em saúde mental. A partir da discussão de algumas especificidades do cuidado em saúde mental na perspectiva da migração, fala-se de como se estruturou uma rede de saúde mental na cidade de São Paulo para esta população, composta por centros de acolhida, organizações da sociedade civil e serviços de saúde. Diante desse panorama, algumas reflexões sobre formas de melhorar o cuidado e desafios futuros são apresentados e discutidos com referência na literatura.

Palabras clave: Migración; salud mental; psiquiatría transcultural.

 

 

REFÚGIO E SAÚDE MENTAL NUMA PERSPECTIVA ANTROPOLÓGICA

 

Renato Müller Pinto (Universidade Federal de São Paulo), reno.mrp@gmail.com.

 

A relação de interdependência entre os mais diversos códigos linguísticos, construções sobre os conceitos de saúde, corpo e doença e a especificidade de sua condição de refugiado, impõem novas reflexões sobre a maneira pela qual o Estado deve garantir o direito ao pleno acesso aos serviços de saúde. A proposta desta apresentação é analisar a construção social da figura do refugiado num ambulatório transcultural (AT) de psiquiatria, especializado no atendimento aos migrantes e surdos. Uma das vigilancias epistemológicas em que apostei foi a de não caracterizar os profissionais de saúde apenas como agentes da biomedicina e em suas relações de poder. Assim, realizei uma etnografia no ambulatório. Acompanhei consultas, discussões de casos clínicos, atividades didáticas e realizei entrevistas com os fundadores e os profissionais de saúdes do AT. Na tentativa de dar conta deste encontro clínico com a diferença, é possível notar “cultura” como uma categoria fundamental na imaginação sociológica dos meus nativos, subsidiando diversas aulas com os residentes de psiquiatria, além de estar presente nas publicações dos fundadores do AT e nas entrevistas realizadas.

Palavras chave: Refúgio e Saúde Mental; Competência Cultural;  Antropologia e Psiquiatria.

 

 

Sesión 4: Inmigración y enfermedades infecciosas y vectoriales

 

 

VALIDEZ DE LOS ESTUDIOS ETNOGRÁFICOS COMPARATIVOS SOBRE MIGRACIONES Y SALUD A NIVEL DEL MERCOSUR: TUBERCULOSIS EN INMIGRANTES BOLIVIANOS DE BUENOS AIRES Y SÃO PAULO

 

Alejandro Goldberg (Instituto de Ciencias Antropológicas, sección de Antropología Social-Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas de la República Argentina/Universidade Católica de Santos), alejandro.goldberg@gmail.com

Denis Martin (Universidade Católica de Santos), demartin@unisantos.br

Cássio Silveira (Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo), cassio.silveira@fcmscsp.edu.br.

 

Este trabajo colectivo es fruto de la relación de colaboración, intercambio y producción científico-académica conjunta, comenzada en forma relativamente reciente entre los investigadores argentinos y brasileños que conformamos, respectivamente, el Grupo de Investigación e Intervención Sociocultural con Población Inmigrante (GIISPI-UBA) y el GrupoProcessos migratórios e saúde: perspectivas interdisciplinares” (FCMSCSP, UNISANTOS, UNIFESP).

Nos trazamos como objetivo principal de investigación realizar una indagación comparativa sobre la incidencia de la tuberculosis en inmigrantes bolivianos de São Paulo y de Buenos Aires, abordando etnográficamente su vinculación con los modos de vida, vivienda y trabajo de estos conjuntos socioculturales en cada contexto migratorio, y analizando los procesos de atención que desarrollan en cada caso.

En líneas generales, la investigación en curso se inscribe dentro de una perspectiva interdisciplinaria, y por medio de un enfoque regional-comparativo de la Salud Pública y la Salud Colectiva a nivel del MERCOSUR, como una contribución al campo problemático de las relaciones entre procesos migratorios y salud, de alcance regional/internacional.

Palabras clave: Tuberculosis; inmigrantes bolivianos;  São Paulo/Buenos Aires; contextos de vulnerabilidad social; procesos de atención.

 

 

O TRABALHO E O ADOECIMENTO POR TUBERCULOSE ENTRE IMIGRANTES BOLIVIANOS ATENDIDOS EM UMA REGIÃO DA CIDADE DE SÃO PAULO/SP – BRASIL

Rosângela Elaine Minéo Biagolini (Secretaria de Saúde do Município de São Paulo, Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo e Universidade Nove de Julho), romineo@ig.com.br

Maria Rita Bertolozzi (Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo), mrbertol@usp.br.

 

Introdução: A tuberculose (TB) entre bolivianos tem apresentado importante magnitude epidemiológica no Município de São Paulo. Objetivo: Analisar características sociodemográficas, de trabalho e relativas ao processo saúde-doença de um grupo de imigrantes bolivianos com TB. Métodos: Estudo de abordagem qualitativa que entrevistou 22 bolivianos, em tratamento nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) da região da Supervisão Técnica de Saúde da Penha (STS-Pe), da Secretaria da Saúde do Município de São Paulo. As entrevistas foram analisadas segundo técnica de análise de discurso e interpretadas à luz da Hermenêutica-Dialética e da Teoria da Determinação Social do Processo Saúde Doença. Resultados: Dos entrevistados 59,1% eram do sexo masculino, 90,9% entre 20 a 39 anos, 72,8% originários de La Paz, 59,1% encontravam-se no Brasil há menos 5 anos, 90,9% tinham 8 ou mais anos de estudo, 85,6 eram costureiros, 71,4% trabalhavam 50 ou mais horas/semana. Em relação à doença: para 81,8% a TB foi diagnosticada em serviços de urgência e internação; 81,8% eram novos casos, 90,9% tinham a forma pulmonar, 77,3 % tiveram menos de 80% dos contatos examinados e 27,3% realizaram Tratamento Supervisionado. Dos depoimentos dos entrevistados emergiram 3 categorias analíticas: Trabalho, Processo Saúde-Doença e Assistência. Identificou-se a preponderância da categoria Trabalho sobre o processo saúde-doença. De fato, o trabalho desenvolvido pelos sujeitos do estudo revelou sobretudo processos de desgaste: jornadas de trabalho extensas, baixa remuneração, fragmentação e parcelamento do trabalho. Conclusões: O processo saúde-doença dos imigrantes mostrou-se intrinsecamente relacionado às condições de trabalho a que este grupo está submetido.

Palavras chave: Processos migratórios; Acesso aos serviços de saúde; Trabalho; Tuberculose.

 

 

 

 

 

DOENÇAS DE CHAGAS E POPULAÇÃO BOLIVIANA: LIMITES E POSSIBILIDADES NA ASSISTÊNCIA À SAÚDE NO SUS NA CIDADE DE SÃO PAULO (SP), BRASIL

Nivaldo Carneiro Junior (Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo),nicarneirojr@uol.com.br

Cássio Silveira (Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo), cassio.silveira@fcmscsp.edu.br

Lia Maria Brito da Silva (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo),  liamariabs@yahoo.com.br

Eimi Makino (Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo), eimi.cepedisa@gmail.com

Maria Aparecida Shikanai-Yasuda (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), shikanaiyasuda@gmail.com.

 

Nos fluxos migratórios, bolivianos predominam na cidade de São Paulo. Emergem necessidades, particularmente para Saúde Pública. Doença de Chagas desponta-se nesse cenário - prevalente na Bolívia, transmissão controlada em SP, baixa preocupação nos serviços de saúde. Objetivos desse trabalho reconhecer o acesso aos serviços de saúde; identificar as demandas de saúde dos bolivianos atendidos nos serviços de saúde; perceber a atuação do profissional de saúde. Metodologia abordagem qualitativa. Entrevistas semi-estruturadas, análise de conteúdo. Entrevistados 19 profissionais de saúde de diferentes setores de três níveis da atenção à saúde primário, secundário e terciário localizados na região central da cidade de SP, segundo semestre de 2014. Uso de serviços de saúde pelos bolivianos caracteriza-se por demandas espontâneas e alto absenteísmo nas consultas agendadas. Queixas respiratórias e dermatológicas são comuns. Barreira linguística limita na assistência, dificultando o cuidado e da organização da atenção à saúde. Os profissionais recorrem estratégias de comunicação mimicas, desenhos, ajuda de terceiros, etc. É comum não fornecimento correto de dados pessoais pelos bolivianos e alta rotatividade de moradia dificultam ações de cuidados continuados. A maioria dos profissionais desconhecem a realidade da Chagas na Bolívia e não atentam para isso. Consideram importante capacitações e apoio técnico-assistencial da rede de saúde. Formulação de políticas públicas específicas para a Doença de Chagas, em particular para a população migrante, entre eles os bolivianos se faz necessária. Na área da saúde gestão do cuidado específico e processo de educação permanente são dimensões a serem introduzidas na organização e nas práticas dos serviços de saúde.

Palavras-chave: Doença de Chagas; Migrações; Profissionais de Saúde; Cuidado em Saúde; Práticas de Saúde.

 

 

 

 

Sesión 5: Migraciones y el impacto en la salud de las familias"

 

GANANCIAS Y SUFRIMIENTOS DE NIÑAS Y NIÑOS COLOMBIANOS VIVIENDO MIGRACIÓN PARENTAL INTERNACIONAL

 

María Claudia Duque (Pontificia Universidad Javeriana), mcduque@javeriana.edu.co

 

La migración internacional de madres y padres que dejan a sus hijos en el país de origen ha sido analizada y considerada desde diferentes perspectivas. Mientras unos se han centrado en juzgar a la migración de los padres de manera negativa como una forma de abandono, otros se han enfocado en resaltar los beneficios económicos y los impactos positivos de las remesas en los ingresos de los hogares y en la salud y la educación de los niños. Asimismo, la migración de los padres se ha analizado en el marco de los estudios de género y de las familias transnacionales, en los que las voces de las niñas y niños y particularmente sus alegrías y sufrimientos, no son tenidos en cuenta. Sin embargo, los niños que se quedan viven las migraciones de manera diferente a los adultos y al igual que sus padres son agentes que construyen realidades y mundos culturales a través de sus interacciones con sus hermanos, padres, familiares, pares, profesores y otros actores sociales. Esta presentación, basada en investigaciones mixtas –cualitativa-cuantitativa, realizadas entre 2008 y 2011,  con niñas y niños viviendo migración parental internacional en tres ciudades de Colombia, se centra en tres aspectos: narrar sus experiencias cotidianas, definir sus sufrimientos y las ganancias de la migración parental, y por último enunciar algunas recomendaciones para los niños, sus familias y otros actores institucionales.

Palabras clave:  Migración parental; Niños; Colombia; Migración internacional.

 

 

ENTRE LA INCERTIDUMBRE Y EL DESARRAIGO: UNA APROXIMACIÓN ANTROPOLÓGICA A LAS EXPERIENCIAS DE MIGRACIÓN ‘ASISTENCIAL’ POR CÁNCER INFANTIL

Eugenia Brage (Facultad de Filosofía y Letras, Universidad de Buenos Aires-CONICET) eugebrage@gmail.com

 

Esta ponencia está basada en una investigación doctoral que aborda los procesos migratorios – migración asistencial- que se desarrollan en relación a enfermedades crónicas en la infancia, concretamente el cáncer, desde las regiones del Noroeste (NOA) y Noreste (NEA) Argentinos, hacia la Ciudad Autónoma de Buenos Aires (CABA) con el objeto recibir diagnósticos y asistencia médica que no se obtienen en el lugar de origen.

Estas migraciones, escasamente conceptualizadas, constituyen un paso central dentro de los itinerarios terapéuticos dado que aproximadamente la mitad de los/las niños/as que enferman de cáncer en el país se trasladan para ser diagnosticados y/o atendidos a centros de alta complejidad, lo que generalmente implica el cambio de residencia por un tiempo indefinido, dependiendo de la evolución de la enfermedad, los ritmos del tratamiento y las posibilidades de continuar con la asistencia en el lugar de origen. El objetivo de la ponencia es, por lo tanto, analizar los recorridos desarrollados en la búsqueda de atención médica articulando la perspectiva de análisis sobre los procesos de salud, enfermedad, atención, cuidados y los procesos migratorios. A partir del análisis de registros  obtenidos en un trabajo de campo etnográfico realizado en un hospital público de pediatría ubicado en la CABA y entrevistas en profundidad, espero dar cuenta de los múltiples procesos estructurales que determinan y condicionan el acceso a la salud, así como también, los recorridos que desarrollan estas personas. Para eso, analizo, por un lado, la agencia de los/las usuarios –madres/padres y cuidadoras/es- y su capacidad de movilizar recursos tanto materiales como simbólicos, a partir de sus relatos y narrativas y, por otro lado, las perspectivas de los/las profesionales de salud y otros/as actores/as que intervienen en estos procesos. 

Palabras clave: migración asistencial; infancia; enfermedades crónicas; itinerarios terapéuticos.

 

 

Sesión 6: Abordajes teórico-metodológico-conceptuales sobre procesos migratorios y salud"

 

 

 CONFLICTOS EN TORNO A LA SALUD EN PROCESOS MIGRATORIOS

 

Ángel Modrego Navarro (Universidad Autónoma de Madrid-IMEDES),             amnfis@hotmail.com.

 

En contextos con una realidad social  compleja, como son los escenarios de América latina o Europa, donde se producen al mismo tiempo procesos de emigración, inmigración, tránsito y retorno, la conflictividad en torno a la salud y la enfermedad envuelve el ámbito privado y el público, lo individual y lo colectivo, lo autóctono y lo aloctono, lo local y lo global.

La persona migrante, hablando del caso español, se enfrenta no solo a las dificultades institucionales o legales  de acceso al sistema de salud, sino a otras situaciones llenas de complejidad como la expresión de su enfermedad en un sistema biomédico y simbólico que no pertenece a su imaginario, o una nueva situación personal, laboral, económica, familiar y social que se da en el proceso migratorio y perjudica su estado físico y mental.

A través de una diferenciación de los conflictos en torno a la salud, englobándolos en privados o públicos, en naturales o culturales, daremos ejemplos de algunos de estas situaciones que viven las personas migrantes pero que creemos extrapolables también al resto de la población.

Partiendo del planteamiento multifactorial  en intervención en contextos multiculturales que hace Carlos Giménez (2002), citaremos además diferentes factores  que debemos tener en cuenta en el proceso de atención sanitaria entre usuarios y profesionales.

Concluiremos sosteniendo que la antropología aplicada a la salud, la mediación intercultural  y el método etnográfico son pertinentes no solo para el análisis de estos conflictos sino en la formulación de propuestas que ayuden a la resolución de los mismos.

Palabras clave: Conflicto; Migración; Salud; Planteamiento multifactorial.

 

 

PENSANDO A ESTRANGEIRIDADE, EXPERIÊNCIAS DO INTERCÂMBIO

 

Suzana Duarte Santos Mallard
 (Universidade Federal do Paraná) suzana.dsm@gmail.com


 

Na medida em que o reconhecimento do lugar ocupado na condição de estrangeiridade se da, existe a possibilidade de resgatar um saber a respeito da condição humana. Condição esta que reedita a todo o instante a solidão do ser. Muito pouco é passível de ser compartilhado com o próximo, sendo o sujeito radicalmente só em sua dimensão subjetiva. Paradoxalmente isso que diz de um sujeito inescrutável se repete enquanto elemento constitutivo da subjetividade humana, aproximando o eu ao outro. Ser sozinho sem estar sozinho, todos sob a insígnia da falta que marca de maneira original e única cada um. Nesse sentido resgatar os discursos sobre experiências de estrangeiridade possibilitam um saber sobre um desejo descolado de crenças e dogmas. A luz da perspectiva psicanalítica organizamos uma compreensão da condição de estrangeiridade. Entrevistamos um grupo de estudantes vinculados a programas de formação superior vindos de países de língua oficial portuguesa. A partir da análise das unidades de significado das entrevistas, identificamos alguns dos conflitos experimentados. Além da língua, a escolha do país, a chegada, a integração, o convênio, os relacionamentos, a percepção do outro e as dificuldades compõem o cenário da pesquisa. Conflitos que uns sentem mais do que outros e que tomam corpo somente na experiência.

Palavras-chave: estrangeiridade, língua, intercâmbio, psicanálise, sofrimento.

 

 

REFLEXÕES ACERCA DA COMPLEXIDADE RELACIONAL NAS ABORDAGENS DOS SUJEITOS DE PESQUISA: OS IMIGRANTES NA CIDADE DE SÃO PAULO, BRASIL

Cássio Silveira (Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo), cassio.silveira@fcmscsp.edu.br

Denise Martin, (Universidade Católica de Santos), demartin@unisantos.br

Alejandro Goldberg (Instituto de Ciencias Antropológicas, sección de Antropología Social-Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas de la República Argentina/Universidade Católica de Santos), alejandro.goldberg@gmail.com

Mara Helena de Andréa Gomes (Universidade Federal de São Paulo), maradeandrea@gmail.com

 

Estudos sobre o processo saúde-doença-cuidados de imigrantes estabelecidos na cidade de São Paulo têm evidenciado uma complexa trama de relações nas demandas dos imigrantes e nas ações concebidas e planejadas pelos serviços de saúde. Neste contexto a intermediação dos trabalhadores da saúde na relação imigrantes-investigadores constitui importante forma de acesso a estes últimos aos imigrantes sul-americanos, principalmente os bolivianos. Durante as investigações o acesso aos imigrantes ocorre dentro dos contextos das ações em saúde, facilitando aos pesquisadores o acesso às residências dos imigrantes, seus locais de trabalho ou mesmo organizações associativas. A compreensão dos processos de adoecimento dos imigrantes, dentro da complexa trama de relações entre trabalhadores institucionalizados em espaços organizacionais configurados por modelos de pensamento fundados na biomedicina, conduz-nos a problematizar sobre as possibilidades de aproximação junto aos sujeitos que compõem esse universo. As inflexões teóricas e metodológicas decorrentes deste processo impõem-nos conjunturas eticamente problemáticas, ainda que instigantes em seus desdobramentos, provocando a constante revisão de nossos valores enquanto pesquisadores implicados neste campo de relações.

Palavras-chave:pesquisa em saúde; complexidade relacional; imigrantes; trabalhadores da saúde.