RESUMEN GRUPO DE TRBAJO 86

GT 86.  TRANSFORMACIONES ACTUALES EN EL CAMPO DE LA SALUD: CIENCIA, BIOMEDICINA Y SOCIEDAD

Coordinadores:

María Jimena Mantill. Doctora en Ciencias Sociales (UBA, Argentina). CONICET/Instituto de Investigaciones Gino Germani; jimenamantilla@yahoo.com.ar.

Rafaela Zorzanelli. Doutora em Saúde Coletiva (UERJ, Brasil). Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro/UERJ; rtzorzanelli@hotmail.com

Juan Pedro Alonso. Doctor en Ciencias Sociales. CONICET/Instituto de Investigaciones Gino Germani; juanpedroalonso79@gmail.com

 

 

Sesión 1: Biotecnología y nuevas formas de subjetivación

 

 

DO PSÍQUICO AO SOMÁTICO – A BIOTECNOLOGIA E A RECONFIGURAÇÃO DO SUJEITO CONTEMPORÂNEO

Jane A. Russo. Instituto de Medicina Social. Universidade do Estado do Rio de Janeiro / UERJ; jane.russo@gmail.com

 

O objetivo deste trabalho é examinar a passagem de uma compreensão psicológica da pessoa para uma compreensão somática / cerebral. Minha discussão centra-se na polaridade que, segundo alguns autores, marca a cultura ocidental moderna, entre a visão iluminista e racionalista do mundo e uma outra visão, normalmente subordinada, comum a determinadas searas do nosso universo cultural, como as artes ou as ciências humanas,  vistas como mais contaminadas pela subjetividade e, portanto, menos afeitas à objetivação racionalista. Busco compreender como a  “tensão inarredável entre essas duas idéias-força de nossa cultura que as caracteriza desde sua instauração”, nas palavras de L.F. Duarte, teria sido reconfigurada nos últimos 20 a 30 anos do século passado, levando a uma “re-encarnação” do espírito, e à negação da dualidade corpo/ mente, marca da produção de uma cultura psi no século XX. Argumento que o que hoje chamamos “interioridade somática”, cuja expressão mais conhecida é a do “sujeito cerebral”, pode ser vista como produto dessa reconfiguração. Apoiando-me em trabalhos etnográficos recentes sobre intervenções biotecnológicas, busco demonstrar que o materialismo que marca tais fenômenos é uma espécie de “materialismo reencantado”, em que o valor “vida” tem um papel crucial, articulando-se a um forte investimento afetivo e emocional nas experiências corporais. Tais intervenções, apesar de calcadas numa manipulação objetificante do corpo, produzem uma vivência totalizante nas pessoas a elas submetidos. Neste sentido o fisicalismo exacerbado que hoje marca a produção biotecnológica não pode ser compreendido sem que se leve em conta sua necessária articulação com a experiência dos sujeitos.

Palavras-chave: biotecnologia; materialismo; experiência corporal, vida.

 

 

 

A FARMACOLOGIZAÇÃO DE SI: MEDICALIZAÇÃO, SAÚDE E SUBJETIVIDADE CONTEMPORÂNEA 

Marianna Ferreira Jorge. Doutoranda em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense; mariannaferreirajorge@gmail.com; marianna_ferreira@hotmail.com 

 

O objetivo deste artigo consiste em examinar algumas características do fenômeno conhecido como "medicalização da vida”. Desdobrando a perspectiva de análise genealógica, desenvolvida por Michel Foucault, parte-se da suspeita de que estaria ocorrendo um deslocamento nas definições de saúde e de normalidade. Atualmente os discursos acerca da saúde se multiplicam na paisagem midiática; contudo, a predominância de tais discursos não parece ter como foco a cura de doenças ou a correção de comportamentos desviantes visando o retorno do enfermo a um estado de normalidade, como ocorria de modo prioritário até meados do século XX. Em vez disso, agora se propagam as possibilidades de remediação dos mal-estares cotidianos, o anestesiamento dos dissabores mais triviais do dia a dia e, sobretudo, a otimização das capacidades humanas e a busca constante por driblar a morte e por atingir certo ideal de felicidade. Numa época que estimula o empreendedorismo e o gerenciamento de si, de acordo com a lógica empresarial, bem como o “culto ao corpo” e a medicalização da vida sob uma permanente gestão dos riscos, cabe-nos compreender o que os discursos sociais nos apontam acerca dessas tendências tipicamente contemporâneas. Para isso, foi realizado um conjunto de entrevistas em profundidade, de cunho qualitativo, através de um roteiro semi-estruturado, com doze consumidores de medicamentos controlados; ou seja, aqueles que são mais propícios a causar dependências químicas e efeitos colaterais, cuja compra apenas pode ser efetuada através de prescrição médica. 

Palavras-chave: biotecnologias; saúde; medicalização da vida; subjetividade contemporânea.

 

 

LA FARMACOLOGIZACIÓN DE LA VIDA COTIDIANA A TRAVÉS DE LA CLÍNICA DE LA ANSIEDAD Y EL USO DE ANSIOLÍTICOS EN URUGUAY

Andrea Bielli, Pilar Bacci, Gabriela Bruno, Nancy Calisto y Santiago Navarro. Instituto de Psicología Clínica. Facultad de Psicología. Universidad de la República; abielli@psico.edu.uy

En la presente ponencia abordaremos los procesos de farmacologización de la vida cotidiana en torno a la construcción del diagnóstico de ansiedad y el uso de ansiolíticos benzodizepínicos. A través de entrevistas en profundidad a cuarenta y cinco profesionales de la salud pública de Uruguay (médicos generales, de familia, psiquiatras y psicólogos) y la realización de dos grupos de discusión (uno con médicos generales, de familia y otro con psicólogas) fue posible identificar el cruce de dos concepciones sobre la ansiedad: una que la concibe claramente como perteneciente al campo médico y que se sustenta en conceptos conceptos distantes de la experiencia y otra que concibe la ansiedad como perteneciente al campo social y que se sustenta sobre todo en la experiencia propia de los profesionales a la hora de recibir pacientes. Aquí surgen una serie de “hipótesis sociológicas” sobre la ansiedad desplegadas por los técnicos a partir de conceptos cercanos a la experiencia, que hacen posible la transformación de problemas de la vida diaria y problemas derivados de la situación socio-económica apremiante en la que viven los pacientes en problemas pasibles de una solución farmacológica a través del uso de benzodiazepinas. Dicho uso se asocia además a una noción de  salud principalmente funcional, que concibe a las benzodizepinas como instrumentos farmacológicos necesarios para aliviar los síntomas que impiden a los pacientes funcionar en su vida social.

Palabras clave: famacologizacióon, ansiedad, benzodiazepinas, Uruguay.

 

"OTIMIZAR O DESEMPENHO MUSCULAR E ESTÉTICO": INTERSEÇÕES DE DIAGNÓSTICOS, SINTOMAS E DESEJOS NO USO DA TESTOSTERONA COMO APRIMORAMENTO

Lucas Tramontano. Doutorando no Instituto de Medicina Social (IMS-UERJ) Professor Substituto no Instituto de Estudos em Saúde Coletiva (IESC-UFRJ); lucas.tramontano@gmail.com

 

Esse trabalho visa refletir sobre o uso masculino de testosterona na interface entre terapêutico e estético. O principal objetivo é pensar como um vocabulário médico é acionado para justificar a escolha pelo uso de um hormônio sexual para aprimoramento do corpo e da sexualidade. A discussão parte de um caso paradigmático na seleção de informantes para minha pesquisa de doutorado. Trata-se de um homem de 44 anos, homossexual, das camadas populares do Rio de Janeiro. Soropositivo, relata episódios de disfunção erétil e lipodistrofia decorrentes de mudanças na medicação antirretroviral, decidindo pela testosterona (associada à musculação) como forma de aliviar os sintomas. A referência a diagnósticos e efeitos adversos do medicamento é assumidamente usada para garantir a anuência do médico ao desejo de anabolismo muscular buscando um maior valor no mercado sexual. Sua idade permite ao médico uma associação com o diagnóstico de Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino (DAEM), solicitando exames para medir os índices de testosterona e prescrevendo a terapia de reposição hormonal, mesmo antes dos resultados laboratoriais. Esse caso lança luz sobre a busca contemporânea pela maximização da performance corporal via medicamentos, e destaca uma associação utilitarista com diagnósticos dúbios como forma de driblar o estigma decorrente do uso recreativo/estético de certos medicamentos, notadamente, da testosterona como anabolizante. Por fim, é interessante notar como novas concepções de masculinidade e envelhecimento emergem a partir das potencialidades advindas do recurso ao aprimoramento farmacológico, trazendo outras perspectivas para o debate acerca do natural versus artificial e da consequente (i)legitimidade das intervenções corporais.

Palavras-chave: Testosterona. Aprimoramento. Masculinidades. Farmacologização. Envelhecimento.

 

Sesión 2: Nuevas tecnologías y construcción biomédica de los cuerpos

 

 

REIVINDICAÇÕES POR PARTICIPAÇÃO EM PESQUISAS CLÍNICAS E DESAFIOS À REGULAMENTAÇÃO ÉTICA DA INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA NO BRASIL

Rosana Castro. Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social Doutorado. Universidade de Brasília  Brasil; rosacastro27@gmail.com

 

Em uma consulta pública realizada entre os meses de setembro e novembro de 2011, aproximadamente 1890 comentários a todos os artigos e incisos da minuta de uma nova resolução para regulamentação oficial da pesquisa científica envolvendo seres humanos no Brasil foram postados online por profissionais do campo da biomedicina, associações de pesquisadores de diversos campos do conhecimento e portadores de diversas doenças e seus familiares. Dentre diversas críticas ao novo e ao antigo documento regulatório, destacam-se neste trabalho as mais de duzentas manifestações desses grupos que expressam a percepção de que determinadas disposições éticas, como a garantia de medicamentos aos participantes do estudo após seu término, desestimulam o investimento de laboratórios farmacêuticos no Brasil e, portanto, são prejudiciais ao acesso de indivíduos às pesquisas clínicas envolvendo novas terapêuticas – sobretudo para tratamento de doenças congênitas raras e graves. Tais comentários criticam as perspectivas bioéticas e sanitárias que embasam tais documentos ao reivindicarem explicitamente a necessidade de modificações na regulamentação ética brasileira, de modo a garantir aos pacientes com doenças graves e degenerativas raras o direito à saúde por meio da participação em estudos com medicamentos experimentais. A partir de uma análise etnográfica das contribuições à referida consulta pública, este trabalho reflete a respeito desses posicionamentos que aproximam a participação em estudos científicos do acesso a tratamentos de saúde; e acerca de como tal posicionamento desafia perspectivas e práticas de regulamentação bioética e sanitária da pesquisa clínica no Brasil, sobretudo no que toca às noções de autonomia, vulnerabilidade e proteção.

Palavras-chave: pesquisa clínica; regulamentação; ética em pesquisa; medicamentos; tratamentos experimentais.

 

 

TERAPIA CELULAR NO BRASIL – ENTRE PROMESSAS, ESPERANÇAS E ESCOLHAS

Angela Vasconi Speroni (Doutoranda IESC/UFRJ)

 

A terapia celular desponta como a grande revolução da biomedicina do século XXI. O protagonismo das células-tronco decorre das promessas de uma tecnologia regenerativa, capaz de superar os desafios do adoecer e do envelhecimento. No horizonte de um novo mercado de saúde, os meios de comunicação de massa revelam-se agentes de disseminação dos progressos da “medicina que faz milagres”, repercutindo na mobilização de doentes e familiares, em busca de novos recursos terapêuticos. Por outro lado, pesquisadores e agências regulatórias nacionais são cautelosos ao afirmar as controvérsias das ditas “células da esperança”, e destacam o desafio da passagem do âmbito das pesquisas básicas para aplicações clínicas em pacientes.

A partir da investigação do panorama brasileiro de pesquisas com células-tronco, este paper apresenta uma reflexão acerca de diferentes estratégias de mobilização social, que garantem materialidade à esperança: o movimento conhecido como “turismo de células-tronco”, com trânsito de enfermos entre fronteiras intercontinentais, na busca por tratamentos experimentais; o incremento de processos judiciais para acesso a ensaios clínicos; e o aumento progressivo do armazenamento de sangue do cordão umbilical em bancos públicos e privados, para fins da terapia celular.

A proposta central consiste em revelar discursos que sustentam a formação de novas sensibilidades e moralidades, a partir de uma perspectiva analítica que considera as “células da esperança” como metáforas de uma nova arena biopolítica e de um horizonte cosmológico mais amplo, assentado nos ideais de autonomia e empoderamento, nas retóricas do cuidado de si e do progresso da ciência e do homem.

Palavras-chave: Terapia Celular, Células-tronco, Esperança, Antropologia da Saúde.

 

 

CORPO, GENÉTICA E IDENTIDADE: NOTAS PARA PENSAR A RACIALIZAÇÃO DA SAÚDE NA CONTEMPORANEIDADE

Tatiane Muniz

 

Evidencia-se a partir do Projeto Genoma e das possibilidades de escrutínio do corpo, daí decorrentes, um conjunto de esforços de pesquisa no campo médico, com vistas a provar a determinação racial de certas doenças. Estudos epidemiológicos apontam para a prevalência de certos problemas de saúde em determinados grupos populacionais, racialmente classificados, tendo em vista a situação de vulnerabilidade sócio-econômica à qual este grupo populacional está, historicamente, submetido. Entretanto, na medida em que se buscam, em âmbito molecular, elementos para a afirmação de diferenças biológicas que os colocariam em situação de propensão ao desenvolvimento e agravo de certas patologias, um discurso essencializante acerca da raça pode emergir, levando a conclusões e construções sociais equivocadas sobre esta categoria. Entretanto, persiste o uso de nomenclaturas raciais para a classificação de doenças, corroborando para um discurso diferencialista, do ponto de vista biológico, que remete ao discurso evolucionista do século XIX, amparado, agora, pela biotecnologia. Neste cenário, reacende-se o debate entre os mais distintos campos do conhecimento, no sentido de afirmar e negar a existência da raça enquanto uma realidade empírica e sobre a importância e riscos de sua utilização, seja no âmbito das ciências da vida ou no cotidiano das relações sociais. Em um contexto marcado pelo multiculturalismo, no qual os sujeitos são chamados a afirmar suas identidades, em mobilizações coletivas, a problematização de tais questões aparece como um imperativo irrefutável, tendo em vista que “raça” tem sido, historicamente, no Brasil, uma categoria estruturante das relações sociais, recorrentemente, acionada para definições identitárias, como parâmetro de participação democrática e plural, bem como para a elaboração de políticas públicas. O presente trabalho consiste na discussão da forma com as categorias raça e saúde tem sido relacionadas no contexto brasileiro, demonstrando as diversas disputas políticas e ideológicas e econômicas em torno da sua utilização, desde o século XIX, momento em que começa a se esboçar um campo de Antropologia no país, cuja agenda estava centrada nas relações raciais, até o recente debate acerca da raça, ensejado pelo novo paradigma da genética, quando ocorrem novos processos de subjetivação relacionado as identidades.

 

 

ENTRE A POLÍTICA E A PATOLOGIA: CLASSIFICAÇÕES PSIQUIÁTRICAS DA SEXUALIDADE

Bruno Zilli. Instituto de Medicina Social Universidade do Estado do Rio de Janeiro; brunozilli@gmail.com

 

Esta pesquisa trata da medicalização da sexualidade, tomando como eixo analítico as vicissitudes do campo psiquiátrico, em especial os transtornos da sexualidade como definidos pela Associação Americana de Psiquiatria (APA) em seu Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), cuja edição mais recente foi lançada em 2013, o DSM-5. Estes transtornos estão ali especificados, por um lado, como “transtornos parafílicos” – que descrevem comportamentos sexuais considerados desviantes, correspondendo parcialmente às "perversões sexuais" classificadas pela psiquiatria no fim do século XIX. E, por outro, como “disfunções sexuais” – possíveis dificuldades encontradas no exercício da sexualidade tida como normal, que correspondem a problemas de desempenho associados a termos já em desuso como "impotência" e "frigidez", cunhados pela sexologia. Inaugurando nova seção está a “Disforia de Gênero”, tradicionalmente classificada entre os transtornos sexuais. O objeto específico desta investigação são artigos produzidos pelo Sexual and Gender Identity Disorders Workgroup, grupo da Força Tarefa do DSM 5 responsável por conduzir as revisões dos diagnósticos ligados à sexualidade e ao gênero, bem como artigos que dialogam com estes. Em especial, o volume de 2010 do Archives of Sexual Behavior dedicado ao DSM 5. A discussão nestes artigos, bem como os critérios diagnósticos finalmente publicados no DSM 5, demonstram uma explícita interpenetração do campo político no campo psiquiátrico no que diz respeito à sexualidade. A psiquiatria vem perdendo sua posição como detentora legítima destes fenômenos, tanto pela via de uma medicalização mais estrita, que os recaptura no emergente campo da medicina sexual, quanto pela via da politização identitária.

Palabras claves: DSM 5, psiquiatria, política, gênero, sexualidade.

 

 

“EL CUERPO COMO REALMENTE ES”: UNA ETNOGRAFÍA SOBRE EL SABER BIOMÉDICO EN CÁTEDRAS ANATOMÍA

María Belén López Castro. UBA/ Licenciada en Ciencias Antropológicas con Orientación Socio-Cultural; lopezcastromb@gmail.com

 

La utilización de determinados recursos y estrategias didácticas en la formación de  los profesionales de la salud suelen ser poco problematizada a la hora de reflexionar sobre la producción del conocimiento en biomedicina. Partiendo de la idea que tiene un gran potencial para pensar el rol del profesional y sus prácticas en la determinación del diagnóstico y el tratamiento, se presenta este trabajo cuyo objetivo es indagar sobre las formas de producción y circulación del conocimiento en cátedras de anatomía.

A partir de una etnografía realizada en instituciones públicas argentinas dedicadas a la formación de médicos se buscará analizar las clases y el trabajo de los laboratorios como dos espacios complementarios de la construcción del conocimiento entorno del cuerpo, su normalidad y su patología. La selección de tecnologías y procedimientos en la construcción de los recursos didácticos utilizados en la clase son el eje de la reflexión, haciendo mayor énfasis en el uso del “cuerpo muerto”. Dichos recursos develan en la interacción cotidiana de los agentes las tensiones en torno a la objetividad y certeza del saber biomédico. A su vez, implican discusiones acerca de la formación de los futuros profesionales y la política del diseño curricular en un contexto de creciente incorporación de tecnología en los procesos diagnósticos.

Palabras claves: biomedicina, anatomía, cuerpo muerto, cuerpo.

 

 

LA CONFECCIÓN DE LA DIFERENCIA SEXUAL EN LA FORMACIÓN DE MÉDICOS/AS EN LA CARRERA DE MEDICINA DE LA UBA

Ana Mines Cuenya. IIGG/FCS/UBA – CONICET; anamines@yahoo.com.ar

El objetivo de la ponencia es indagar en el modo en el que se construye la diferencia sexual en la formación de médicos/as en la Carrera de Medicina de la UBA.

La diferencia sexual será pensada como efecto dinámico de una serie de prácticas y discursos que operan performativamente en su confección. Por la misma entendemos el modo en el que se establecen, en términos de naturaleza, biología, normalidad y patología, las fronteras entre lo que correspondería a “un varón” y “una mujer”. Por otra parte, la diferencia sexual va a ser pensada de modo situado (histórico y contingente) en un contexto particular: la carrera de Medicina de la UBA. La mencionada Carrera está organizada en dos momentos: el Ciclo Biomédico y el Ciclo Clínico. Aquí intentaremos caracterizar tales instancias e identificar, si las hubiese, dislocaciones en la construcción de la diferencia sexual.

Para ello, se analizará de modo cualitativo el siguiente corpus: los relatos surgidos de 24 entrevistas realizadas en los años 2013 y 2014 a estudiantes de medicina y los programas curriculares de una selección de materias y cátedras vigentes en los años 2014 y 2015.

Palabras claves: diferencia sexual – biomedicina – normal- patológico.

 

 

Sesión 3: Debates en torno a la medicalización de la muerte y el duelo

 

 

PATOLOGIZAÇÃO DO LUTO: A APROPRIAÇÃO DO SOFRIMENTO PELA CIÊNCIA

Renata de Morais Machado. Mestranda em Saúde Coletiva na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); renatammachado@gmail.com

 

Neste trabalho abordo as mudanças do conceito de luto apresentadas no Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais 4 e 5. A partir do exame de conteúdos veiculados em cursos de especialização e nas propostas terapêuticas para o luto, analiso como este fenômeno vem sendo construído e produzido como objeto científico. Embora os “saberes psi” considerem o luto como um afeto ‘normal’ frente a uma perda, suas definições sofrem variações segundo o contexto histórico, social e cultural. A partir da comparação entre a conceituação de luto nas duas últimas edições do DSM, verifica-se a elaboração de uma concepção de luto patológico. No DSM-4, de 2000, o luto é apresentado como diagnóstico diferencial do transtorno de humor Episódio Depressivo Maior. No DSM-5, de 2013, além da mesma distinção, observa-se a inserção do Transtorno do Luto Complexo Persistente, no tópico “Condições para estudos posteriores”. Apesar de ainda não ser categorizado como um diagnóstico oficial, o Manual propõe o conceito de luto patológico, distinto do luto normal pelo tempo de sua vivência. A apropriação deste fenômeno pelas disciplinas psi fornece um modelo de elaboração das perdas ocorridas na vida, e uma possibilidade de ação pelos “experts da conduta humana”. Nas sociedades ocidentais contemporâneas, caracterizadas pela busca contínua do prazer, configura-se um campo científico, com especializações para profissionais, direcionado ao controle do sofrimento pela perda. Assim, são criadas clínicas com uma oferta cada vez maior de serviços para acompanhamento do luto.

Palavras-chave: luto; luto patológico; sofrimento; perda.

 

 

“NO ME VOY, ME QUEDO AQUÍ”. DEBATES PÚBLICOS EN TORNO A LAS NOCIONES DE PERSONA Y LAS DEFINICIONES SOBRE LA MUERTE: EL CASO GUSTAVO CERATI (2010-2014)

Sabrina Calandrón (IdIHCS – CONICET/UNLP);  sabrinacalandron@gmail.com

Santiago Galar (IdIHCS – CONICET/UNLP); santiago_galar@hotmail.com

 

 

Abordamos en este trabajo el procesamiento público del accidente cerebro vascular que en 2010 llevó al coma y en 2014 al fallecimiento al músico Gustavo Cerati. En el análisis reconstruimos la trama pública de una muerte en la cual los sentidos usualmente otorgados al morir fueron puestos en debate y complejizados. El evento permitió la disputa sobre los alcances de la muerte social y la muerte biológica, las interpretaciones sobre las interacciones y la agencia del músico en estado de coma, y la necesidad de legislar sobre la cuestión de la “muerte digna”. La investigación se apoya en un nutrido corpus de publicaciones de la prensa escrita, programas televisivos y revistas de espectáculos, revisadas para la coyuntura de la muerte de Cerati, en septiembre de 2014, y retrospectivamente hasta el momento del ACV, en 2010. Además desarrollamos observaciones y entrevistas en el velatorio y entierro del cuerpo del cantante.

Palabras clave: Muerte digna - Fama - Estado de coma -  Muerte trágica.

 

 

 

 O RITUAL DE CURA DAS VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA SEXUAL NO NORTE NO POTENGI 

Maynara Costa de Oliveira Silva. Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social – UFRN; maycosta_13@hotmail.com 

 

Foi percebido em 2014 que o número de denuncias de casos violência sexual contra a mulher aumentou no Brasil e com isso houve um crescimento na procura do serviço de saúde para realizar a profilaxia de emergência ou em casos tardios o abortamento legal, a partir deste dado nasce à curiosidade de analisar o processo de cura das mulheres que procuram a instituição hospitalar para o procedimento do aborto legal. Fez-se necessário uma pesquisa etnográfica dentro de uma localizada na zona norte da cidade de Natal/RN, Brasil. Haja vista que dentro desta instituição hospitalar funciona o Programa de Assistência as Vítimas de Abuso Sexual – PAVAS, que tem por objetivo prestar atendimento às vítima. Concorrente ao período da pesquisa de campo houve uma pesquisa bibliográfica, com a pré-leitura de artigos, livros, periódicos nacionais e internacionais. 

Palavras-chave: Aborto legal; objeção de consciência; violência sexual; maternidades; cura psicofisiológica. 

 

 

MOVIMENTO E CONTINUIDADE: A VIDA NO PÓS-TRANSPLANTE HEPÁTICO

Vitor Jasper. Mestrando. Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia. Universidade Federal do Rio de Janeiro; vitorjasper@gmail.com

 

O transplante de fígado é um procedimento terapêutico indicado para pessoas acometidas por doenças hepáticas graves e irreversíveis. Dados os riscos inerentes ao transplante, este procedimento é o último recurso utilizado pela biomedicina para o tratamento destas doenças. Assim, reconhecendo a complexidade do procedimento, o objetivo deste trabalho é analisar o modo como transplante se insere na vidas das pessoas que se submetem a este tratamento. Para isso, será apresentado e analisado o caso de um transplantado, a partir de dados que foram obtidos por meio de entrevista semi-estruturada. Parte-se do pressuposto, como definiu Ingold, que a vida, enquanto um emaranhado de linhas, está mais para processo, para fluxo e continuidade, que para retorno ou estagnação. Argumenta-se que a experiência de estar doente e passar por um procedimento altamente tecnológico e invasivo se inscreve na vida e nas relações dos indivíduos, não ficando circunscrita ao momento de realização de tal procedimento. Portanto, isso implica dizer que, após a realização do transplante, não é possível retornar a condição anterior. O transplante, enquanto nova experiência, torna-se parte do indivíduo. Entretanto, isto demanda do sujeito um esforço normalizador, uma vez que é preciso resignificar certas noções e sentidos, bem como reorientar-se no mundo vivido da cultura a partir desta nova condição.

Palavras-chave: Transplante Hepático, Antropologia da Saúde, Experiência de Doença.

 

 

O PARTO DESEJADO E O PARTO POSSÍVEL: DISCURSOS E ESTRATÉGIAS DE MULHERES QUE PARIRAM EM CASA DE PARTO

 

Camila Manni Dias do Amaral. Estudante de mestrado; camilamanni@gmail.com

 

A comunicação proposta trata do tema do "parto natural" e do "parto humanizado", dos sentidos da medicalização, de poder, corpo e agência. Tem como local de pesquisa a Casa de Parto David Capistrano Filho e tem como sujeitos mulheres de camadas populares da cidade do Rio de Janeiro. A pesquisa é realizada em dois momentos, com as mesmas mulheres, durante o acompanhamento pré-natal e depois do parto.

O "natural", abordado pela primeira vez pelo médico obstetra Dick­Read, é aquele em que há a busca de minimizar as intervenções, apontadas como algo que gera complicações durante o parto. O "humanizado" pode se referir ao parto em que se respeitam os direitos humanos, sexuais e reprodutivos das mulheres ou a uma série de práticas e valores que se colocam como constitutivos de um "parto humanizado" (TOURNQUIST, 2003).

Durante a graduação realizei duas pesquisas com mulheres que optaram pelo parto domiciliar, ­ambas com mulheres que pertenciam às camadas médias. A migração para outro grupo socioeconômico não está relacionada a um desejo de fazer comparações entre eles, na contramão desse raciocínio comparativo, o que busco são as estratégias e os discursos dessas mulheres, partindo de um pressuposto inicial de que elas são dotadas de agência.

Esta comunicação versa sobre os discursos elaborados pelas mulheres sobre corpo, gestação e parto e sobre como elas estruturam suas escolhas e suas narrativas para alcançar o que querem. Outro ponto que, apesar de não ser central, merece atenção, é a resistência que essas mulheres fazem a algumas propostas da Casa de Parto e como elas lidam com os pontos inegociáveis típicos de uma instituição de saúde.

Palavras-chave: Corpo, parto, saúde, agência