RESUMEN GRUPO DE TRBAJO 83

GT 83.  ETNOBIOLOGÍA/ETNOECOLOGÍA  EN CONTEXTOS PLURI/INTERCULTURALES

Coordinadores:

María Lelia Pochettino, Facultad de Ciencias Naturales y Museo, Universidad Nacional de La Plata. pochett@fcnym.unlp.edu.ar

Gregorio Tabakián, Facultad de Humanidades y Ciencias de la Educación, Universidad de la República, gregoriotaba@gmail.com

Juan Martin Dabezies, Centro Universitario de la Región Este, Universidad de la República,  jmdabezies@cure.edu.uy

 

 

Sesión 1: Etnobiología, alimentación y conservación

 

 

ENTRE LA PRODUCCIÓN FAMILIAR Y LA AGROINDUSTRIAL. ESTRATEGIAS DE VIDA DE LOS COLONOS DEL NOROESTE DE MISIONES, ARGENTINA

Lucía Cariola. Instituto de Biología Subtropical, Universidad Nacional de Misiones-CONICET; lucia.cariola@gmail.com

Norma HilgertFacultad de Ciencias Forestales, UNaM

Antonio de la Peña. Universidade Federal da Integração Latino-Americana, Foz do Iguaçú, Brasil

 

En el norte de Misiones, la principal actividad productiva es forestal. Gran parte de las forestaciones son propiedad –o están bajo el manejo- de  grandes y medianas empresas y, en menor medida, de  productores familiares. La configuración del paisaje productivo regional ha cambiado en los últimos 40 años, con el avance de las empresas forestales y la reorganización de las familias de colonos preexistentes. En este proceso las familias agrícolas, con propiedades de entre 20 y 200 hectáreas, han desarrollado nuevas estrategias productivas que les permiten adaptarse a los cambios. Con el objeto de analizar la relación entre la matriz productiva y las familias locales, se comparan las estrategias seguidas en los sistemas productivos establecidos en los tres modelos de manejo forestal –MMF- antes citados, la capacidad familiar de incrementar su capital y el grado de acceso a distintos servicios (educación, salud, telefonía, transporte, etc.). Los resultados muestran que en todos los casos las familias mantienen una producción foresto-agropecuaria diversificada, independientemente del MMF en el que está inserta la unidad doméstica. Por el contrario, se observa una relación inversa entre disponibilidad y calidad de bienes e instituciones y la escala del MMF; relación inversa también presente en la capacidad de acumulación de capital y en el nivel educativo alcanzado en cada familia. Se concluye con una discusión sobre la necesidad de entender como los pequeños agricultores se integran y/o adaptan frente al modelo foresto-industrial y lo que estas acciones indican sobre diversificación de paisajes productivos y relaciones sociales agrarias.

 

Palabras clave:agricultura familiar, producción forestal, resiliencia sociocultural, diversificación productiva, adaptación

 

 

REPRESENTAÇÕES SOCIAIS E SIGNIFICADOS DO BINÔMIO “ARROZ E FEIJÃO” POR MÃES TRABALHADORAS DA BAIXADA SANTISTA

 

Isabel Cristina Gonçalves Perez. Mestranda do Curso de Pós-Graduação Mestrado em Nutrição em Saúde Pública na Universidade de São Paulo Faculdade de Saúde Pública; . isabelcgp@usp.br

João Gabriel Sanchez Tavares da Silva. Graduando do Curso de Nutrição da Universidade Federal de São Paulo

Priscila de Morais Sato. Doutoranda do Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências da Saúde da Universidade Federal de São Paulo.

Patrícia da Rocha Pereira. Mestre em Ciências da Saúde pela Universidade Federal de São Paulo

Fernanda Baeza Scagliusi. Pós-Doutora em Nutrição em Saúde Pública pela USP. Professora doutora da USP/FSP; fernanda.scagliusi@gmail.com 

Local de realização: Grupo de Pesquisa em Alimentação e Cultura, UNIFESP, São Paulo, SP, Brasil.

 

Objetivo: Analisar as representações sociais do binômio "arroz e feijão" de mães trabalhadoras da Baixada Santista. Casuística e Métodos: Amostra de 30 mães trabalhadoras adultas. Analisaram-se os dados pela Análise de Conteúdo, baseado na Teoria das Representações Sociais, de Moscovici. Resultados e Discussão: Observaram-se duas orientações referentes às Unidades de Registro (Arroz, Feijão, Binômio, Preparações), uma de manutenção do consumo e valorização das comidas, e outra, voltada ao não consumo das comidas. Nessa amostra, “Arroz” e “Feijão” foram representados principalmente como parte fixa do prato, servindo de base para variação de outros componentes. Ambos emergem como identidade alimentar brasileira, tendo significados enraizados culturalmente. Nota-se ambiguidade de significados, ao serem apresentados como necessários, fornecedores de energia e sustento e, ao mesmo tempo, incompletos e não saudáveis. O quadro de diminuição do consumo de arroz e feijão relatado nacionalmente não é refletido nesse estudo, que os traz como comidas cotidianas, apresentando diferentes estratégias para manutenção desse consumo. Tais estratégias refletem a inserção das mães no mercado de trabalho, implicando em redução no tempo para cozinhar, mas não no cuidado e carinho dedicados às comidas da família. Considerações Finais: As representações encontradas, em maioria, têm orientação positiva frente ao arroz e ao feijão, abarcando significados que privilegiam a manutenção destas comidas com papel, principalmente, de base no prato. A mãe, mesmo inserida no mercado de trabalho, tem papel central na manutenção e reformulação de representações sociais quanto ao arroz e ao feijão, pela passagem de cultura e cuidado com a alimentação da família.

Palavras chave: cultura alimentar, arroz, feijão, significados, representações sociais, mães

 

 

ALIMENTOS SAUDÁVEIS E VARIADOS: UMA COMPARAÇÃO DA PRODUÇÃO ALIMENTAR NO SUL E NORTE DO BRASIL

 

Raquel Wiggers. Professora Doutora do Departamento de Antropologia da Universidade Federal do Amazonas; raqwig@hotmail.com

 

Os alimentos ancestrais de cultivos tradicionais produzidos por agricultura familiar no Brasil estão, desde a década de 1980, dando lugar aos alimentos industrializados e de cultivo uniformizados, com sementes compradas das grandes multinacionais e usos abusivos de adubos químicos e agrotóxicos. Nossa proposta é apresentar a dinâmica de produção alimentar da agricultura familiar que produz de forma tradicional em dois extremos do Brasil: Ilha de Santa Catarina, ao Sul, e Manaus, ao Norte. São diferentes atores em cena no esforço de resgatar a produção de alimentos saudáveis e variados, garantindo a segurança alimentar das famílias produtoras nas comunidades rurais e consumidoras nas cidades. Essa dinâmica de resgate de alimentos saudáveis, variados e com diferentes sabores e propriedades nutritivas e medicinais, envolve produtores, pesquisadores, comerciantes e organizações governamentais e não governamentais, e cada contexto estudado apresenta realidade diversa.

Palavras chave: alimentos tradicionais, conhecimentos tradicionais, segurança alimentar.

 

 

AMBIENTE, PRATICAS CULINÁRIAS TRADICIONAIS E SABERES  LOCAIS: O CASO  DAS QUITANDAS NA SERRA DA MANTIQUEIRA, MG

 

Rogéria Campos de Almeida Dutra. Professora Adjunta do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de Juiz de Fora, MG. Doutora em Antropologia (UFRJ/ Museu Nacional) rcadutra@uol.com.br

 

Este trabalho traz como proposta a reflexão sobre a integração das populações rurais do interior de Minas Gerais com o ecossistema em que vivem através dos saberes que os orientam na elaboração de seu alimento. As práticas alimentares, sendo resultado do processo histórico e cultural das comunidades rurais,  estão também  vinculadas ao contexto ambiental de sua produção. Esta integração ecológica tem permitido a sobrevivência destas populações através de sua sintonização com os ciclos das estações, e suas características climáticas, bem como com as espécies vegetais nativas ou que melhor se adaptaram ao ambiente através dos intercâmbios de espécies durante o processo de colonização do interior do Brasil. Interessa em particular a análise dos conhecimentos tradicionais envolvidos no processo de elaboração das quitandas, conjunto de bolos, roscas e biscoitos elaborados artesanalmente que faz parte do repertório culinário da região. A pastelaria caseira tem como contexto de origem o universo das propriedades rurais que se disseminaram na região após o declínio do ciclo do outro em Minas Gerais, caracterizadas pela autonomia de produção agropastoril e pelo relativo isolamento devido às dificuldades de transporte e comunicação.  Observa-se que ao longo dos últimos anos, com o desenvolvimento regional, os produtos da indústria da panificação tem se apresentado como substitutos à pastelaria caseira regional.  A valorização desta prática culinária envolve  o resgate de saberes locais. Estes, contudo, para além de se referir a receitas e modos de fazer registram a experiência coletiva de interação com o ecossistema tais como o cultivo de ingredientes utilizados, formas de fermentação e formas de assamento.

Palavras chave: práticas culinárias, ecossistema, ambiente, quitandas, comunidades rurais

 

 

IMPORTANCIA CULTURAL DE LAS PLANTAS MEDICINALES EN LA RESERVA DE BIOSFERA BIOMA PAMPA QUEBRADAS DEL NORTE, RIVERA, URUGUAY

E. Castiñeira1 elencasti@gmail.com

 A. Canavero2,3

 M. Arim3,4

M. L. Pochettino1,5

1Laboratorio de Etnobotánica y Botánica Aplicada, Facultad de Ciencias Naturales y Museo, Universidad Nacional de La Plata, Argentina.

2Centro Universitario de Rivera, Universidad de la República, Uruguay.

3Center of Applied Ecology and Sustainability (CAPES), Departamento de Ecología, Pontificia Universidad Católica de Chile, Santiago de Chile.

4Departamento de Ecología y Evolución, Centro Universitario Regional Este (CURE) & Facultad de Ciencias, Universidad de la República Uruguay, Montevideo, Uruguay.

5CONICET, Argentina

 

Consideramos el conocimiento etnobotánico como un sistema complejo con capacidad de auto-organización y respuesta frente a cambios en el ambiente. Nuestro objetivo es detectar patrones en el conocimiento de las plantas medicinales y el tratamiento de diversas patologías en la región de la Reserva de Biosfera Bioma Pampa Quebradas del Norte, Rivera, Uruguay. En este trabajo ponemos a prueba la hipótesis de apariencia ecológica (HAE), que relaciona el uso de las hierbas con el de las leñosas para tratamientos medicinales. Para ello calculamos el índice de valor de uso (VU), el cual mide la importancia relativa de una especie en una población humana, y el índice de prominencia (P) que muestra la importancia cultural de la especie en base a los parámetros: frecuencia, posición media del término y número de informantes. Ambos índices se elaboraron utilizando los datos de entrevistas semiestructuradas. Realizamos una correlación de Sperman para los índices y estos se correlacionan positivamente, indicando que las personas tienden a utilizar más aquellas plantas que identifican con un alto potencial de uso. Si bien los resultados muestran valores más altos de VU para las hierbas que para las leñosas, nuestros datos no permiten sostener la HAE. Finalmente discutimos la relación entre los patrones encontrados, ambientes de alta biodiversidad, contextos pluriculturales, características del sistema socioecológico frente al conocimiento y uso del recurso medicinal.

Palabras clave: hipótesis de apariencia ecológica, índice de prominencia, tratamientos medicinales, valor de uso.

 

 

RESIGNIFICACIONES LOCALES ANTE EL DISCURSO PATRIMONIALISTA: LOS CASOS DE ANDALUCÍA Y CANARIAS (ESPAÑA)

 

José A. Cortés Vázquez. Institute of Development Policy and Management, Universidad de Manchester; joseantonio.cortesvazquez@manchester.ac.uk / jacorvaz@gmail.com

Pablo Díaz Rodríguez. Instituto Universitario de Ciencias Políticas y Sociología (Universidad de La Laguna); pablo.diaz@ull.es / diazrodriguez@gmail.com

 

El proceso de patrimonialización de la naturaleza que acompaña a la introducción de políticas de conservación y la declaración de espacios naturales protegidos, no sólo lleva aparejado un conjunto de prohibiciones y limitaciones de determinadas actividades económicas, sino también un proceso de re-definición ambiental. Esta re-definición se sustenta en una concepción concreta de la naturaleza, de los pobladores tradicionales del espacio protegido y de la relación mantenida históricamente por ambos, donde tienen un fuerte peso discursos y visiones ambientalistas y patrimonialistas globales. En este contexto, resulta frecuente que determinados habitantes de estos espacios protegidos, principalmente agricultores, ganaderos y pescadores, reaccionen contra esta re-significación, porque difiere sustancialmente de sus propias visiones y formas históricas de comprender y relacionarse con el medio, y porque además legitima las limitaciones impuestas por la política de conservación. Pero estos grupos locales no sólo contestan y ponen en cuestión las nuevas lecturas del medio, sino que además se las apropian, asimilan, manipulan e instrumentalizan. Se pone así de manifiesto su papel activo al interpretar y reinterpretar el discurso ambientalista y patrimonialista global para alcanzar sus propios fines e intereses locales. Mediante el análisis de este proceso en dos contextos distintos en España (un caso en Andalucía y uno en Canarias), buscamos contribuir a la discusión sobre el carácter dinámico y complejo de los conocimientos ambientales de los pobladores locales y las transformaciones que tienen lugar a raíz de la entrada de procesos políticos y económicos globales. 

Palabras clave:población local, patrimonialización, conservación, discursos, naturaleza.

 

 

ESPECIES ARBÓREAS COMO “TEXTO” EN CONTEXTOS PLURICULTURALES… LA CONSERVACIÓN COMO PRETEXTO

 

María Lelia Pochettino; pochett@fcnym.unlp.edu.ar1, 2

Daniela Alejandra Lambaré1, 3

Pablo Stampella1, 2

María Belén Doumecq2

Naiquen Ghiani-Echenique4

1 CONICET

2 Laboratorio de Etnobotánica y Botánica Aplicada (FCNyM-UNLP)

3 Laboratorio de Botánica Sistemática y Etnobotánica (FCA-UNJu)

4 Laboratorio de Análisis Cerámico (FCNyM-UNLP)

 

A 100 años de su definición como disciplina, Alcorn (1995) proponía considerar el objeto de estudio etnobotánico a modo de texto (sensu Ricoeur) cuyo significado se derivaría parcialmente del contexto natural, social y cultural. Desde esta perspectiva, el objeto de esta contribución es analizar el significado de tres taxones arbóreos que presentan características similares y disímiles en su relación con las poblaciones humanas de sendas áreas de Argentina. Estas especie son: 1- “durazno” (Prunus persica) de la Quebrada, introducido tempranamente en la provincia de Jujuy, asimilado a los cultivos locales y considerado identitario por los pobladores locales; 2-  varios ”cítricos” (Citrus sp.), también introducidos precozmente por los jesuitas, altamente apreciados por los pobladores de Misiones, pero dado su carácter de asilvestrados y exóticos, combatidos por los gestores de las áreas protegidas; 3- “tala” (Celtis ehrenbergiana), árbol nativo del litoral del Río de la Plata, donde da nombre a formaciones boscosas, utilizado localmente a nivel de sobre-explotación y motivo de diseño de áreas protegidas. Mediante el análisis diacrónico del uso y gestión de estas especies en las zonas mencionadas, se discuten: 1- las similitudes y diferencias ya referidas en su vinculación con las comunidades locales, 2- las estrategias de conservación,  a partir de los diferentes contextos en que se insertan y  3- su constitución como patrimonio inmaterial  de estas poblaciones.

 

Alcorn, J. 1995. The scope and aims of ethnobotany in a developing world. En: Schultes, R. E. & S. von Reis (eds.). Etnobotany. Evolution of a discipline. Portland, Dioscorides Press.

 

Palabras clave: Prunus persica, Celtis ehrenbergiana, Citrus sp. , especies identitarias, patrimonio inmaterial.

 

 

Sesión 2: Aspectos teóricos y casos sobre los conocimientos etnobiológicos

 

 

CONOCIMIENTO BOTÁNICO Y CAMBIOS DE SIGNIFICADO EN CONTEXTOS PLURICULTURALES URBANOS

Julio A. Hurrell. Laboratorio de Etnobotánica y Botánica Aplicada (LEBA), FCNM, UNLP, La Plata. CONICET, Argentina; juliohurrell@gmail.com

 

El conocimiento botánico (CB) es un conjunto complejo de presupuestos (saberes, creencias) acerca del entorno vegetal (vegetación, plantas, partes de las mismas, productos derivados), que emerge de la trama de relaciones entre las personas y su entorno biocultural. El CB local se corporiza en acciones (discursos, prácticas, estrategias de selección, pautas de uso) a partir de las cuales es posible evaluar el CB que las generó: el conocimiento no nos es accesible de forma directa, sino indirecta, a través de las acciones que orienta. En Etnobotánica, a menudo, esta distinción entre conocimiento y acción no es tenida en cuenta, lo que tiene incidencia en el plano teórico-metodológico. En la línea de investigación en Etnobotánica urbana del LEBA se han establecido estrategias metodológicas que revelan que la circulación de los productos vegetales en los contextos pluriculturales expresa acciones que hacen posible “reconstruir” el CB que las ha orientado. En la circulación de productos vegetales, mediatizada por diversas vías de comunicación, el CB local se modifica a base de cambios de significado en los usos asignados y estrategias de selección de los productos circulantes. A diferencia de los modelos unidireccionales de transmisión del conocimiento, los cambios de significado (reasignación de usos, asignación de usos nuevos) en el escenario urbano, implican una rápida transmisión en múltiples direcciones, en un modelo recursivo, del conocimiento a la acción y de esta al conocimiento, que genera nuevas acciones, y así recursivamente, acorde con la complejidad del contexto pluricultural urbano, aplicable también a contextos culturales más homogéneos.

Palabras clave:etnobotánica, conocimiento botánico, contextos pluriculturales, cambios de significado, modelos recursivos.

 

 

ETNOECOLOGIA, SABERES LOCAIS E SEUS POTENCIAIS EXPLICATIVOS PARA AS RELAÇÕES AMBIENTAIS DE POPULAÇÕES HUMANAS: UMA COMPARAÇÃO CRÍTICA DE TRÊS CASOS

 

Peter Schröder. Programa de Pós-Graduação em Antropologia (PPGA) Departamento de Antropologia e Museologia (DAM) Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); pschroder@uol.com.br

 

Pesquisas etnoecológicas costumam produzir grandes quantidades de informações detalhadas sobre classificações de ambientes percebidos e sobre as mais diversas práticas econômicas e não econômicas relativas a ambientes físicos e bióticos. No entanto, um dos maiores desafios epistêmicos e metodológicos muitas vezes é demonstrar empiricamente a relação entre saberes e práticas. Outro desafio é verificar em que medida saberes ambientais locais e/ou nativos/indígenas de fato ajudam a explicar as relações ambientais de determinadas coletividades humanas. A partir da década de 1980, esses saberes até se transformaram em grande esperança para uma parte do cenário desenvolvimentista sob o rótulo de “local knowledge/ LK” ou “indigenous knowledge systems/ IKS”. Algumas euforias iniciais, contudo, transformaram-se em visões mais sóbrias. O objetivo desta comunicação é problematizar o potencial explicativo de pesquisas etnobiológicas para entender relações ambientais. Para isso são apresentadas informações de três cenários regionais diferentes, baseadas em pesquisas de campo do autor em diversos períodos. A primeira foi realizada com agricultores no Cariri Cearense (Nordeste do Brasil), de 1996 a 1998; a segunda com indígenas na região do médio rio Purus (Amazônia brasileira), em 2000/2001, no âmbito de uma consultoria da cooperação internacional para testar uma metodologia de diagnósticos ambientais abreviados; e a terceira se baseia em pesquisas, em andamento desde 2002, sobre a territorialidade dos Fulni-ô, povo indígena no estado de Pernambuco. Nos três casos fica evidente que o potencial explicativo dos saberes ambientais das populações respectivas é insuficiente para entender suas relações ambientais, sem levar em conta os ambientes sociais e econômicos em perspectiva tanto contemporânea quanto histórica.

 

 

ENTRE PLANTAS E ENTIDADES: O CONHECIMENTO ETNOBOTÂNICO DOS GUARANI-MBYA DE TEKOA PYAU

Luciana Galante. Bióloga, mestre em Antropologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), professora de Antropologia e Etnologia Indígena da Faculdade AGES – Paripiranga-BA; lugalante@hotmail.com

 

Longe de estabelecer relações dicotômicas entre natureza e cultura, grande parte das sociedades indígenas compreende a "natureza" como uma extensão de sua própria existência, diferentemente da concepção ocidental que lhe atribui o caráter de alteridade. Os Guarani Mbya de Tekoa Pyau vivem na cidade de São Paulo e estão inseridos numa área reduzida, não demarcada e próximos a uma Unidade de Conservação. Estabelecem uma relação complexa com a mesma, em que as fronteiras entre humanos e não-humanos não estão muito bem definidas. A religião e cosmologia Guarani estão intrinsecamente ligadas à Mata Atlântica e esta adquire sacralidade, seja por encerrar divindades, espécies sagradas ou mesmo o acervo biológico para a cultura material. O conhecimento que os Guarani acumulam sobre o universo vegetal, isto é, a forma como classificam,  concebem e o utilizam, fornece um valioso arsenal para compreendermos a complexidade dessas relações, a ecologia da Mata Atlântica, bem como a importância desta para a sobrevivência física e cultural da comunidade. A destruição sistemática desses ambientes e também o estabelecimento de Unidades de Conservação sobrepostas em áreas de ocupação tradicional, há tempos vêm exigindo dos Guarani um esforço descomunal para lidar com a ausência deste referencial e buscar novas saídas ao impasse. Dessa forma, é urgente o estabelecimento de um diálogo entre as diversas instâncias envolvidas para que novas possibilidades sejam avaliadas, incluindo a participação das populações tradicionais na gestão de espaços e recursos naturais de uso coletivo.

Palavras chave: Guarani-Mbya, etnobotânica, conhecimento, sacralidade, Mata Atlântica.

 

 

CRÍTICA AL CONOCIMIENTO CIENTÍFICO. NOTAS SOBRE LOS CONOCIMIENTOS HÍBRIDOS Y SITUADOS

Bárbara Bartl. Laboratorio  de  Etnobotánica  y  Botánica  Aplicada  (LEBA),  Facultad  de  Ciencias  Naturales  y  Museo, Universidad Nacional de La Plata. CONICET; anacoreta14@hotmail.com

 

Los  saberes  de  los  científicos  no  suelen  ser  incorporados  en  los  trabajos  de etnobotánica,  quedando  así  circunscriptos  al  ámbito  del  conocimiento  científico  en oposición  al  conocimiento  local,  tradicional  o  popular.  Si  justificamos  esta  separación tajante,  los  conocimientos  como  su  transmisión  son  simplificados  y  homogeneizados; asímismo, ocurre que  conocimiento e identidad  son  consideradas  cualidades  sociales  y culturales que unen a los actores, sin admitir que existen diferencias sociales y políticas entre los individuos relacionadas a los conocimientos que poseen. El  punto  de  partida  de  este  trabajo  fue  la  realización  de  entrevistas  a  médicos veterinarios profesionales de la ciudad de La Plata (Buenos Aires), en el marco de una investigación de etnobotánica urbana enfocada en los usos de fitoterápicos en medicina veterinaria.  Aquí  se  plantea  profundizar  la  discusión  de  la  dicotomía  conocimiento local/científico  ­fundamentalmente  repensando  lo  que  es  llamado  “conocimiento científico”­. Para ello, consideramos como situados los conocimientos de todos los actores involucrados  en  la  investigación,  nos  enfocamos  en  los  procesos  de  hibridación,  y abordamos  las  consecuencias  que  tiene  esta  perspectiva  para  las  investigaciones  en etnobotánica.  Se  concluye  con  las  implicancias  que  tienen  estos  conceptos  ­y  su articulación en el trabajo de campo­, en la realización de un ejercicio de reflexividad sobre nuestras prácticas y conocimientos como investigadores.

Palabras  clave: etnobotánica  urbana,  medicina  veterinaria,  conocimiento  científico, conocimientos situados, hibridación.

 

 

PRÁTICAS E TRANSMISSÃO DE SABERES TRADICIONAIS NO ASSENTAMENTO QUILOMBO DOS PALMARES II

Luna Dalla Rosa Carvalho. Mestranda em antropologia social PPGAS/UFRN. Universidade Federal do Rio Grande do Norte/ Brasil; lunac22@gmail.com

 

A forma como o campesinato vem se reproduzindo socialmente nos assentamentos de reforma agrária brasileiros nos indica que há um conjunto de saberes e conhecimentos simbolicamente construídos sobre o meio ambiente que permeiam as práticas agrícolas e as praticas cotidianas como um todo. Esses saberes transmitidos de geração em geração e gestados nas relações sociais extrapolam um sentido de adaptação do ser com o meio o que é visível no processo de reterritorialização por que passam os camponeses quando são assentados. Eles trazem uma herança, ou um patrimônio familiar que lhes habilita a trabalhar na e a viver da terra.  Entrando frequentemente em contato com conhecimentos de outra natureza, como o conhecimento técnico ou científico e sendo ajustado e ressignificados por essas influências, os saberes eco-agrícolas tradicionais tem sido resgatados em decorrência de um movimento que é ao mesmo tempo um novo campo de saber e de técnicas entendidos como agroecologia. A forma como os agricultores em suas diversas expressões (pois trata-se de um grupo marcado por uma multiculturalidade)estão vivendo e pensando suas práticas à luz da agroecologia é o que nos inquieta ao estudarmos um assentamento de reforma agrária na região metropolitana de Natal/RN. Mas também a forma como crianças, homens e mulheres através de suas representações, gestos e práticas podem nos informar sobre suas cosmologias e ordenações do mundo presentes na forma de preparar os alimentos, no trabalho na lavoura, na criação dos animais, etc.

Palavras chave: camponeses, saberes eco agrícolas tradicionais, agroecología.

 

ETNOBOTÁNICA DE PLANTAS MEDICINALES EN EL DEPARTAMENTO DE TACUAREMBÓ, URUGUAY

Gregorio Tabakián. Maestrando en Ciencias Humanas, opción Antropología de la Cuenca del Plata, FHUCE, UdelaR. Uruguay; gregoriotaba@gmail.com

Nuestro país se conformó a partir de los aportes de diferentes grupos culturales, los cuales con sus tradiciones propias, se han arraigado y entremezclado contribuyendo a la construcción de nuestra identidad. Diversos estudios indican que las poblaciones ubicadas al norte del Río Negro recibieron en el pasado, una importante contribución indígena misionera y africana. Actualmente, son poblaciones sometidas a una situación de emigración de sus jóvenes y con un profundo envejecimiento, acarreando con ello la posible pérdida de conocimientos locales relacionados a la etnobotánica. Por tal motivo, esta investigación se centra en los saberes etnobotánicos trasmitidos vinculados a prácticas relacionadas al uso medicinal de plantas en poblaciones urbanas y rurales del departamento de Tacuarembó. A través del método etnográfico, se explora en los mecanismos actuales de transmisión, en los diferentes espacios de sociabilización así como los conocimientos que poseen los pobladores de mayor edad. Esto permite conocer las distintas prácticas cotidianas que se transmiten a nivel generacional sobre dichos saberes. Se entrevistaron diferentes actores sociales que mantiene un vínculo con las plantas medicinales: vendedores y recolectores; herbolarias y herbolarios; personas adultas mayores; curanderos y profesionales de la salud que utilizan plantas con fines medicinales. De esta manera se rescatan prácticas y discursos de quienes se consideran poseedores de este conocimiento popular; y participan activamente en los procesos de conservación, reproducción y transmisión de estos conocimientos en poblados y ciudades seleccionados del departamento de Tacuarembó. Así mismo, se logra una sistematización en el uso y trasmisión del conocimiento etnobotánico vinculado a los aportes poblacionales locales.

Palabras clave: etnobotánica, plantas medicinales, herbolarios, Tacuarembó.

 

 

ETNOFICOLOGÍA Y CONOCIMIENTO FICOLÓGICO URBANO EN LA CIUDAD DE LA PLATA Y SUS ALREDEDORES, ARGENTINA

 

Patricia M. Arenas. Laboratorio de Etnobotánica y Botánica Aplicada, Facultad de Ciencias Naturales y Museo, Universidad Nacional de La Plata, Argentina. Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas (CONICET), Argentina; parenas@ fcnym.unlp.edu.ar

Melisa Rago. Laboratorio de Etnobotánica y Botánica Aplicada, Facultad de Ciencias Naturales y Museo, Universidad Nacional de La Plata, Argentina.

 

Desde hace aproximadamente veinte años, las algas se venden en las dietéticas como alimento, como suplemento dietético y como fitoterápico, en diferentes formas de presentación. Este estudio se enmarca en un concepto amplio de Etnobotánica, como es el estudio de las relaciones complejas entre las personas y su entorno vegetal. En particular, los aquí realizados corresponden a una línea de investigación en Etnobotánica urbana del Laboratorio de Etnobotánica y Botánica Aplicada (LEBA), que estudia la relación entre personas y plantas, sus partes y productos derivados en contextos pluriculturales urbanos. Con el fin de relevar la percepción y el conocimiento que tienen los expendedores de las dietéticas acerca de las algas, se realizaron entrevistas semiestructuradas, listados libres y observación participante. Se relevaron 30 sitios de expendio y se entrevistaron, previo consentimiento informado, los responsables o empleados, considerados informantes calificados. Se indagó sobre aspectos referidos a qué algas se venden, qué forma tienen en la naturaleza, cuál es su hábitat, qué tamaño tienen, qué propiedades, qué beneficios y qué contraindicaciones tienen. Factores tales como la falta de tradición en el consumo de algas, la preferencia de otros alimentos, los precios elevados, su restricción a determinados niveles socio-económicos, la asociación a olores y texturas desagradables y una legislación incipiente acerca de su comercialización, inciden en el Conocimiento Ficológico Urbano (CFU), caracterizado como fragmentario y parcial, en el que se combinan conceptos erróneos con otros correctos.

Palabras clave: etnobotánica urbana, algas, adelgazantes, dietéticas.

 

 

Sesión 3: Sanaciones, terriotrio y simbolismo en etnobiología

 

 

QUEBRANTO OU MAU-OLHADO? SABERES TRADICIONAIS E PRÁTICAS DE CURA

Letícia de Faria Ferreira. Universidade Federal do Pampa; leticiadefaria@hotmail.com 

Zilma Martins. Universidade Federal do Pampa; zilmartins73@gmail.com

 

O uso de plantas medicinais para o tratamento de doenças humanas e de animais doméstico é um fenômeno cultural com diagnósticos, terapias e recursos avaliados como apropriados ou inadequados, definições estas interiorizadas por cada tradição cultural, revelando variações na associação de tal doença com determinado tratamento fito terapêutico. Saberes, tradições, rituais que nos acompanham enquanto humanidade desde longa data são retransmitidos, reconfigurados e reempregados, memorizados no tempo por gerações subsequentes que transmitem, de modo geral, por meio oral e prático e conduzem sempre e constantemente a novas possibilidades dessa prática. O conhecimento das plantas tradicionais e das ervas medicinais é sempre uma recomposição do mundo anterior de onde sobreveio, inaugurando conforme possibilidades e novas precisões uma recriação permanente dos saberes e da aplicabilidade de cada planta para determinada necessidade. Assim, este estudo visa identificar práticas, reconhecer saberes e registrar diferentes modos de usos das plantas e ervas medicinais nos seus pertencimentos ao universo da cura do corpo e da alma por benzedeiros e curandeiros moradores de uma cidade de Jaguarão/RS, fronteira entre o Brasil e o Uruguay, ligados a diferentes tradições religiosas.

Palavras chave: tradições culturais, etnobotânica, etnografia, plantas medicinais.

 

 

SABER LOCAL E PRÁTICAS TERAPÊUTICAS DA DOUTORA RAIZ: SOBRE O CUIDADO E A CRENÇA

Cristina Diógenes Souza Bezerra. Graduanda em Ciências Sociais. Universidade Federal do Rio Grande do Norte/ Brasil; cristina.dsb@gmail.com

 

Buscando compreender as práticas terapêuticas tradicionais associadas às práticas alimentares contemporâneas, inseridas no contexto urbano-rural do bairro do Pium na cidade de Parnamirim/RN/Brasil, encontramos “uma rua cheia de farmácias” como explicita Dona Francisca, ou para alguns, Doutora Raiz. Ela nos indica os caminhos para perfazer nosso auto-cuidado a partir do conhecimento do ambiente em que vivemos.

Dentre os elementos que compõem a eficácia da prática terapêutica que Francisca facilita, podemos ver que a crença é eleita por ela como central, agregada ao poder das plantas que compõem as garrafadas, chás e sabonetes produzidos por ela. Nesse estudo de caso vemos que ela materializa em produtos artesanais, a análise que faz da necessidade de cada pessoa, com o conhecimento passado pela sua mãe e avó da utilidade de cada raiz, casca, folha, flor que são encontradas no seu quintal e na rua.

Assim discutimos como Dona Francisca agrega esse saber transmitido pela oralidade e convívio familiar e o saber acessado pelos livros científicos que consulta, e os incorpora a seu modo de vida, sendo sua fonte de renda, um modo de sociabilidade e um marcador no seu conceito de alimentação saudável, já que consome cotidianamente o que produz. Sendo “o alimentar” um conjunto de práticas e processos sociais, desde matéria-prima ao produto e suas consequências, situado em tempo, espaço e contexto social buscamos os conectores entre a agência dela, a relação com a comunidade e com o ambiente, por meio das narrativas, itinerários e práticas culturais que a permeiam.

Palavras chave: práticas terapéuticas,  conhecimento tradicional, alimentação, crença.

 

 

POSTMODERNIDAD, TURISMO Y ETNOBOTÁNICA. TRANSFORMACIONES EN EL USO ORNAMENTAL E ICONOGRÁFICO DE LA PALMA BUTIA ODORATA EN EL SURESTE DEL URUGUAY

 

Juan Martin Dabezies. Centro Universitario de la Región Este, Universidad de la República, Uruguay; jmdabezies@cure.edu.uy

 

En este trabajo presento el análisis del uso ornamental e iconográfico de la  palma Butia odorata (Barb. Rodr.) Noblick en el sureste del Uruguay. Estas palmas conforman unos bosques de palmas mono específicos que se extienden en la zona estudiada y en parte del Estado de Río Grande del Sur, Brasil. Este trabajo está focalizado en el palmar de Castillos, ubicado en el sureste del Uruguay.

Existen evidencias arqueológicas que hacen referencia al consumo de los frutos de esta palma y el uso de sus hojas desde hace unos 8500 años. Durante la época de la colonización de la región, entre el siglo XVIII y el XIX, las palmas fueron utilizadas para construir corrales de palmas, utilizados para la gestión del ganado vacuno en la frontera entre Uruguay y Brasil. A finales del siglo XIX y durante el siglo XX, las hojas de la palma fueron utilizadas para extraer fibras y elaborar diversos productos lo cual se realizó a través de la industrialización de estas actividad, marcando un momento muy particular entre las relaciones humano - Butia. A finales del siglo XX y en la actualidad, el fruto de la palma es lo más aprovechado y el uso más frecuente es la elaboración de productos alimenticios que se venden a los turistas y habitantes de la zona.

Si bien los usos del Butiá más destacados en la literatura etnobotánica científica son los vinculados a la alimentación y la construcción de viviendas, existen otros usos vinculados a lo iconográfico y ornamental que han sido menos estudiados. Esos dos usos derivados de la visualidad de las palmas de Butiá son los que presento y discuto en esta presentación. A partir de un trabajo etnográfico en la zona aledaña del palmar de Castillos pude identificar un aumento en el uso ornamental de la palma Butia, en detrimento del uso de la palma Phoenix canariensis, muy utilizada con fines ornamentales a principios y mediados del siglo XX. Por otro lado también pude notar que el uso ornamental de la palma Phoenix está asociado a construcciones estatales donde predomina una alineación rectilínea de estas palmas. En el caso de Butiá, de uso más reciente, no existe un patrón espacial ornamental rectilíneo ya que, generalmente, son utilizadas de forma aislada como decoración de casas en lugares de turismo de sol y playa. Esta sustitución ornamental dada por un cambio en el patrón espacial y un cambio en las especies utilizadas, se corresponde con un cambio en el modelo de turismo de sol y playa que se está dando en la faja atlántica rochense. En este marco, el uso iconográfico de la palma Butiá, apunta a una tropicalización donde domina la estética curvilínea de la palma.

 

 

PLANTAS E SABERES: A EXPERIÊNCIA ETNOBOTÂNICA ENTRE O TEMPLO DE UMBANDA E O LABORATÓRIO

Pedro Crepaldi Carlessi. Centro de Estudos Etnobotânicos e Etnofarmacológicos
- Universidade Federal de São Paulo; pccarlessi@gmail.com

 

Como disciplina de interface entre as ciências biológicas e humanas a etnobotânica dedica-se ao estudo da relação entre homens e plantas apresentando quão variados e particulares são os significados que as culturas são capazes de atribuir a este elemento da natureza. Em meio as comunidades religiosas afro-brasileiras as plantas desempenham um papel de grande importância, mostrando-se indispensáveis à manutenção destas práticas. Como pretende-se mostrar, neste universo as plantas não finalizam na superfície de suas folhas; possuem corpos e formas para além da matéria, interligam homens e deuses, condição que fornece um interessante modelo de pensamento justamente pelo fato de não apresentar barreiras bem definidas entre estes polos natureza-cultura. No intuito de conhecer as particularidades da flora empregada nos rituais de uma comunidade religiosa afro-brasileira da cidade de São Paulo, um estudo etnobotânico foi empregado associando a atividade de coleta botânica ao trabalho etnográfico. Neste procedimento, cerca de noventa espécimes foram coletados e levados ao Herbário Municipal de São Paulo para identificação taxonômica. O que pode-se perceber neste processo é que ao passo que as plantas do templo eram coletadas e levadas ao laboratório, significados e cosmologias minguavam e renasciam em outros contextos. A partir dos aportes contemporâneos reunidos na chamada 'virada ontológica' a pesquisa busca indicar que não são os significados atribuídos às plantas por cientistas e religiosos que varia, e sim as próprias naturezas, condição que permite uma leitura crítica a respeito das práticas etnobotânicas, bem como oferece uma nova compreensão a respeito das exercícios e alcances desta disciplina.

Palavras chave: antropologia simétrica, etnobotánica, fluxo dos materiais, plantas sagradas, umbanda.

 

 

“DESDE LA HERIDA DEL PROHIBICIONISMO”: LA LUCHA POR LA LIBERACIÓN DE LA MARIHUANA EN COLOMBIA

 

Andrés Góngora. PPGAS, Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Centro de Estudios Sociales –CES, Universidad Nacional de Colombia; algongoras@unal.edu.co, ilongote@gmail.com

 

Esta ponencia describe la agencia de diferentes actores sociales implicados en la transformación de las actuales políticas de drogas en Colombia. Los resultados son fruto del trabajo de campo realizado durante los años 2014 y 2015 en la ciudad de Medellín. En la primera parte realizó una lectura etnográfica sobre la lucha por la liberación de la marihuana a partir de dos perspectivas: la de Olmes, el “maestro” del movimiento cannábico quien opera como un articulador de los diferentes momentos y eventos considerados claves en la construcción de la “causa” y la de Karoty un comerciante de papeles que ha construido su riqueza al margen del mercado ilícito de la planta y otras “drogas”. En la segunda parte describo la llegada a Medellín del historiador español Antonio Escohotado, autor de la Historia General de las Drogas, resaltando algunas implicaciones antropológicas relativas a su experiencia como intelectual, consumidor activo y militante “antiprohibicionista”. Al final, planteo algunas cuestiones teóricas relevantes basado en la comparación de perspectivas y prácticas de mis interlocutores. El hilo conductor del relato serán las distintas valoraciones, espacios de la experiencia y horizontes de expectativas que mis interlocutores le asignan a la “libertad”, pensada como práctica emancipadora, relación económica, reajuste de valores, producción de verdades y desasimiento del poder instituido.

Palabras clave:  etnografía, marihuana, prohibicionismo, consumo de drogas, libertad.

 

 

MEIO AMBIENTE E DOCUMENTOS TÉCNICOS NA CONFIGURAÇÃO DO TERRITÓRIO: ASPECTOS SOCIO-COSMOLÓGICOS DE REIVINDICAÇÃO DE TERRAS ENTRE OS KAINGANG NO SUL DO BRASIL

Alexandre Aquino. Doutorando em antropologia social – PPGAS-UFRGS; antropoaquino@gmail.com

 

Analiso o território no qual a aldeia kaingang do Morro Osso está inserida, a partir das relações dos indígenas com o meio-ambiente, isto é, com a flora, a fauna, as pedras, entre outros seres animados e inanimados que, ao mesmo tempo, constituem os elementos importantes de sua vida ritual. Por sua vez, este etnoconhecimento remete a uma ênfase nativa na paisagem, à qual os antropólogos têm chamado atenção em suas etnografias no que se refere às “unidades territoriais”, compostas por serras (krin), campos (rê) e florestas (nén). Esses termos traduzem certa ordenação kaingang do espaço de acordo com suas características, pois “percebem uma associação entre o tipo de ambiente e recursos neles disponíveis ou de quais objetos naturais apresentam” (Haverroth, 1997). No caso analisado, esses “ambientes diferenciados” foram registrados por meio de etnomapeamento, associando a paisagem encontrada aos limites da área reivindicada como terra ancestral, quando constatamos que os indígenas se referem às mesmas características registradas nas narrativas dos antigos. Desse modo, mesmo considerando que as aldeias kaingang faziam parte de um território maior e que, nas últimas três décadas, o entorno do Morro do Osso vem sendo ocupado tanto por condomínios de luxo, quanto por áreas destinadas a população de baixa renda, o etnomapeamento realizado remete à possibilidade de relacionar a reivindicação indígena e a Constituição Federal, que estabelece princípios imprescindíveis para demarcação de terra indígena, reunindo o meio ambiente necessário ao bem estar e um lugar propício para preservação das tradições, além de espaço de subsistência.