RESUMEN GRUPO DE TRBAJO 81

GT 81.  DIÁSPORAS: EXPERIENCIAS DE TRANSNACIONALISMO Y CONSTRUCCIONES IDENTITARIAS EN PERSPECTIVA ETNOGRÁFICA

Coordinadores:

Dra. Silvia Montenegro (CONICET/Argentina) silmarmont@gmail.com

Dr. Lindomar Coelho Albuquerque (Universidade Federal do Estado de São Paulo, UNIFESP, Brasil) joselindomar74@gmail.com

Dr. Lorenzo Macagno (Universidade Federal do Paraná, UFPR,  Brasil) lorenzom@ufpr.br

Comentaristas: Dr. Jean-Philippe Belleau (University of Massachusetts, Estados Unidos) jeanphilippe.belleau@umb.edu

Dra. Verónica Giménez Béliveau (CONICET, Universidad de Buenos Aires, Argentina) veronicagimenezb@gmail.com

 

 

Sessão 1: fronteiras, mobilidades e política

 

 

MOVILIDAD Y (NUEVAS) ESPACIALIDADES EN LAS FRONTERAS DE CHILE Y BOLIVIA: RUTAS Y ECONOMÍAS PARA NUEVOS CAMPOS TRANSNACIONALES

Alejandro Garcés H. Universidad Católica del Norte, Chile; ajgarces@gmail.com

 

Nos encontramos ante un nuevo momento de la movilidad en el norte de Chile, caracterizada por su dimensión fronteriza, por el crecimiento cuantitativo de los flujos, por su feminización, y por su vinculación a los diversos impactos del boom del mercado minero en el norte de Chile. Sin embargo, esto sólo nos produce un cuadro general. Intentando visibilizar formas no hegemónicas de comprensión del fenómeno (entenderlo mecánicamente en relación a criterios economicistas, producciones de una migración basada en la permanencia en destino, aquella que prefija la direccionalidad del movimientos), la presente comunicación aborda, fundamente a través de la etnografía, la construcción de nuevas espacialidades, campos transnacionales y transfronterizos, que se sirven de grupos, mercancías e imaginarios de las fronteras que conectan los espacios nacionales de Bolivia y Chile. Para ello intentaremos contrastar dos casos, la ruta y espacialidad que conecta Iquique (Chile) y Oruro (Bolivia) a través del desierto de Atacama, y la ruta y espacialidad que por el mismo desierto conecta el suroccidente boliviano (Sud Lípez) y el norte chileno a través de San Pedro de Atacama. Las superposiciones de identidades y territorialidades tanto indígenas como nacionales, son reordenadas, en cierto sentido subvertidas, rejerarquizadas y reforzadas en los nuevos campos transnacionales así construidos.

 

 

 

 

 

INTERSECCIONES, TENSIONES Y DESENCUENTROS DE LA POLÍTICA EN CIUDADES DE FRONTERA

Fernanda Maidana. UNILA, Brasil; maidanafernanda@gmail.com

 

Al observar ‘la política’ en las ciudades de frontera, de Puerto Iguazú (Argentina), Foz do Iguaçu (Brasil) y Ciudad del Este (Paraguay), encontraba conexiones y continuidades, formas de comunicación y de acción política que me resultaban novedosas y diferentes a los que estaba acostumbrada en mis investigaciones sobre dirigentes y líderes de Salta (Argentina), y distintas también a las que me eran familiares en otros contextos empíricos brasileros y argentinos. La acción política escapaba a los límites de los espacios nacionales, los eventos del ámbito nacional se localizaban fuertemente en estas ciudades, así como sus problemas translocales se nacionalizaban, creándose conexiones y continuidades poco frecuentes; la importante intervención y determinación de sus realidades locales por las políticas de los gobiernos centrales resultaba, además, en una constante búsqueda por los dirigentes de superar los límites de la experiencia política local – y así sobreponerse a la falta de poder jurisdiccional sobre la frontera- y de prolongar el efecto de sus acciones y entendimientos sobre ámbitos superiores; y la creación de lazos políticos ante la desterritorialidad de las prácticas cotidianas y la gran cantidad de población migrante de esas ciudades me parecían desafíos para la forma en que la política y los lazos políticos pueden ser construídos. A partir de estas cuestiones, busco aproximarme a sentidos translocales de la política, proponiendo que es posible reconocer modos similares de vivenciar, imaginar y actuar sentidos políticos, vinculados con la particular posición geopolítica y otras características fronterizas; así como observar divergencias y particularidades del ‘hacer política’ de esas ciudades. En este trabajo presento un avance de esos objetivos de investigación.

 

 

 “TRANSNACIONALISMO À REVELIA” E A CONSTRUÇÃO DE UM SUJEITO SOCIAL: MAGERMANE E A MODERNIZAÇÃO DE MOÇAMBIQUE (1980 - 2010)

Héctor Guerra Hernández. UFPR, Brasil; hec.gue@gmail.com

 

Entre 1979 e 1990 mais de vinte mil moçambicanos foram enviados para aprender e trabalhar nas industrias da antiga República Democrática Alemã (RDA). Embora seu enquadramento fora compulsórios, na maioria das narrativas que reproduzem sua experiência migratória, bem-estar material e sucesso social são os dois aspectos mais mencionados durante sua estadia nas fábricas alemãs. A extinção da RDA provocou o retorno acelerado dos conhecidos como “Magermane”, porém retornaram “como ricos” num país desintegrado social e economicamente pela guerra. As remessas de dinheiro transferidas durante seu período de trabalho em Alemanha, “sumiram”. Segundo eles, burocratas e altos funcionários da Frelimo (o partido no poder) teriam enriquecido ilicitamente com este dinheiro. Esta situação deu origem a um diferendo entre eles e o governo que dura até a atualidade. Um diferendo complexo que abre muitas possibilidade de abordagens. Nesta comunicação pretende-se explorar sua condição diaspórica, a qual denominarei provisoriamente de “transnacionalismo à revelia”. Condição provocada pela ida e o retorno ao país europeu e a qual pode ser pensada ao constatar na produção dessa memória, um relato nostálgico compartilhado sobre um passado de prosperidade e realização pessoal em um presente de marginalização e pobreza. Uma memória que combina ressentimento e desejo de reconhecimento, alimentado pela produção de imagens e relatos que exaltam uma utopia moderna ou modernizante vivida alhures, na contramão do processo de modernização moçambicano que a guerra marcou. Será a partir da produção destes relatos e imagens que os conceitos de modernização, transnacionalismo, diáspora, ressentimento e memória serão discutidos.

 

 

TERRITORIALIDADES E FRONTEIRAS EM UMA REGIÃO DO PARAGUAI COM GRANDE PRESENÇA DE IMIGRANTES BRASILEIROS

 

Andressa Szekut. UFPel, Brasil; andressaszekut@gmail.com  

Jorge Eremites de Oliveira. UFPel, Brasil; eremites@hotmail.com

 

Este trabalho trata das representações relacionadas à territorialização e às fronteiras percebidas no trabalho de campo com imigrantes (brasileiros) e nacionais (paraguaios) em Santa Rita, Alto Paraná, Paraguai. O objetivo maior é identificar e expor as múltiplas representações construídas nesse espaço com relação à apropriação do território em que o imigrante brasileiro se fixou no exterior (Paraguai) e sua ligação com o território de origem (Brasil), partindo da análise de discursos dos interlocutores e da observação participante realizada na região. Para isso, tem-se como base metodológica a antropologia social e textos teóricos que amparam as reflexões sobre migração, territorialidade, memórias, representações e fronteiras. Com isso, pode-se descrever e refletir sobre as construções de conexão internacional e integração nacional que estão presentes no referido espaço, com vistas a evidenciar memórias enquadradas que formam sentimento de pertencimento e continuidade em relação à realidade de migração e fronteira, e representações de integração territorial.

 

 

Sessão 2: Trajetorias, Genero e Sensibilidades

 

 

DO SUL AO NORTE, 'ORIENTE' AO 'OCIDENTE': MULHERES EM MOVIMENTO POR BÂ, DIOME, MERNISSI E DJEBAR

 

Miriam Adelman. UFPR, Brasil; miriamad2008@gmail.com   

Lennita Ruggi. UFPR, Brasil; lennitaruggi@hotmail.com

 

Assim como os intensos debates dos anos 80 sobre feminismo e pós-colonialismo deram lugar a novas concepções sobre as múltiplas maneiras de ser mulher e “sujeito da história”, a perspectiva de gênero apresentou vários desafios às abordagens clássicas sobre diáspora, migração e fluxos internacionais. Há um maior reconhecimento tanto das formas ricas, complexas e por vezes contraditórias da circulação de idéias feministas pelo globo, quanto das diversas maneiras em que mulheres participam, e por vezes protagonizam o movimento de pessoas entre espaços, países e regiões geopolíticas. Discutiremos aqui como quatro escritoras do mundo árabe e africano - Assia Djebar, argelina, Fatima Mernissi, marroquina, Mariama Ba e Fatou Diome, ambas do Senegal - representam suas experiências, e as de outras mulheres - personagens da 'vida real' e/ou da 'ficção' - nestes trânsitos norte-sul, sul-norte. Sendo todas mulheres que viveram ou vivem intensamente situações pessoais de migração ou deslocamento entre culturas e contextos, priorizando estas questões nas suas obras também, examinaremos neste trabalho como elas evocam e interpretam construções culturais e institucionais como gênero, família e casamento, tradição e modernidade, 'ocidente e oriente', colonialismos -antigos e modernos- e o feminismo que surge de e responde a contextos culturais diferentes. Embora não pretendamos 'etnografar' seus romances, acreditamos que os complexos cenários que elas constroem através da narrativa literária (ou auto-biográfica, no caso da Mernissi) nos permitem uma aproximação à subjetividade e às diferenças parecida aquilo que possa se apreendida através do trabalho do etnógrafo em campo.

 

 

TRANSNACIONALISMO E PERSPECTIVAS ETNOGRÁFICAS: A TRAJETÓRIA DE DOIS AFRICANOS ATÉ O BRASIL

 

Letícia Marques Camargo (UFF, Brasil); leticiamarques@id.uff.br

 

O artigo a ser apresentado possui como tema principal as migrações internacionais contemporâneas. A partir da análise dos fluxos migratórios de africanos para o Brasil, pretendo compreender os processos de significação dos deslocamentos, destacando a dimensão transnacional desses fluxos e colocando em relevo alguns dos principais debates, noções e controvérsias da literatura pós-colonial. Tendo as diásporas contemportâneas em mente, analisarei etnograficamente dois casos de dois artistas residentes em duas das maiores cidades do Brasil: Rio de Janeiro, capital do Estado que recebe o mesmo nome e Salvador, capital do Estado da Bahia. Fabricio Dom e Justine Ankai Mac Aidoo, dois africanos nascidos em locais bem distintos: Angola e Gana, mas, que tiveram como “fim” (temporário ou não) um país chamado Brasil. Trajetórias diferentes que podem nos servir de exemplos para apreender as motivações da saída do local de origem, as redes que possibilitam a execução do projeto migratório, as estratégias cotidianas para a integração no novo espaço e as relações entre dinâmicas migratórias e dinâmicas urbanas em cada uma dessas cidades.

 

 

MUSEKA FALASTINIA: APONTAMENTOS ACERCA DA CIRCULAÇÃO E LOCALIZAÇÃO DAS PRODUÇÕES MUSICAIS PALESTINAS

 

Rafael Gustavo de Oliveira. UFPR; rafael_antrop@yahoo.com.br

 

Este trabalho é parte de uma etnografia realizada na Palestina entre janeiro e junho de 2014, acerca das produções e práticas musicais palestinas. Pensar as produções musicais palestinas implica refletir não apenas acerca das produções provenientes da Cisjordânia e Faixa de Gaza. Estes dois espaços compõem os Territórios Palestinos (segundo resoluções da ONU) atualmente reconhecidos pela comunidade internacional. Contudo, seguindo as narrativas apresentadas pelos interlocutores nesta pesquisa, a relação espacial referente aos territórios palestinos engloba a chamada “Palestina histórica”, ou seja, a Palestina em todo seu território até o ano de 1948, quando do surgimento do Estado de Israel. Assim, para além dos chamados Territórios Palestinos, o espaço hoje referente ao Estado de Israel é referido pelos interlocutores como “Palestina 48”, sugerindo três espaços cartograficamente distintos, mas apontando para uma unicidade em termos de territorialidade (a “Palestina hsitórica” como um todo) nas narrativas que, por sua vez, se relaciona com expressões identitárias palestinas diversas, referentes à estes diferentes espaços. A circulação dos sujeitos entre estes espaços e suas estratégias de movimentação são de central reflexão, ao se  pensar a circulação das produções musicais, a formação de bandas e trânsito dos sujeitos por estes espaços. Deste modo, para entender as produções musicais palestinas se faz preciso diluir as fronteiras cartográficas em favorecimento dos fatores que se relacionam com expressões identitárias em diferentes espaços. Em outras palavras, as produções musicais palestinas são algo que vão além das produções musicais feitas nos Territórios Palestinos apenas. Estas reflexões compõe o tema deste trabalho.

 

 

BELEZA, FELICIDADE, CONSUMO E HIBRIDISMO CULTURAL EM SALÕES DE BELEZA EM LISBOA E MADRID

Marcelo Alario Ennes. UFS; m.ennes@uol.com.br

 

Os traços fenótipos são importantes marcadores identitários entre migrantes e populações locais. Esses traços estão carregados de significados e, em grande parte, são produzidos sob a forma de estigma. A literatura demonstra que relação entre beleza e etnia é antiga. A cirurgia estética é prova disso. Alguns autores demonstram que as cirurgias plásticas étnicas são tão antigas quanto as cirurgias estéticas. O contexto formado pelos novos fluxos migratórios e a sociedade de consumo insere à relação entre etnia e beleza o elemento felicidade e a torna mais complexa. Meu interesse sobre a relação entre beleza, etnia e felicidade levou-me aos salões de beleza localizados nos bairros da Mouraria em Lisboa e Lavapiés em Madri durante minha pesquisa de pós doutorado. A esse respeito, tive oportunidade de observar o trabalho em seis salões de beleza e de entrevistar alguns de seus funcionários, todos imigrantes. Eram mãos de angolanas, senegalesas, brasileiros, dominicanos, nigerianos e marroquinos a fazer extensões com cabelos brasileiros e indianos, frizamentos, alisamentos em portuguesas, espanholas e em mulheres de outras nacionalidades. Alguns dos resultados da pesquisa permitem-me inferir que a beleza, na sociedade de consumo, é uma forma de busca pela felicidade e que, a beleza tem referências étnicas diretas e indiretas. Podem aparecer como cabelo de brasileira, cabelo black, cabelo de espanhol, ou indiretamente, por meio de referências a celebridades cujo traços fenótipos são claramente hibridizados.

 

 

 

 

 

 

PENSANDO A ESTRANGEIRIDADE, EXPERIÊNCIAS DO INTERCÂMBIO

Suzana Duarte Santos Mallard. UFPR; suzana.dsm@gmail.com


 

Na medida em que o reconhecimento do lugar ocupado na condição de estrangeiridade se dá, existe a possibilidade de resgatar um saber a respeito da condição humana. Condição esta que reedita a todo o instante a solidão do ser. Muito pouco é passível de ser compartilhado com o próximo, sendo o sujeito radicalmente só em sua dimensão subjetiva. Paradoxalmente isso que diz de um sujeito inescrutável se repete enquanto elemento constitutivo da subjetividade humana, aproximando o eu ao outro. Ser sozinho sem estar sozinho, todos sob a insígnia da falta que marca de maneira original e única cada um. Nesse sentido resgatar os discursos sobre experiências de estrangeiridade possibilitam um saber sobre um desejo descolado de crenças e dogmas. A luz da perspectiva psicanalítica organizamos uma compreensão da condição de estrangeiridade. Entrevistamos um grupo de estudantes vinculados a programas de formação superior vindos de países de língua oficial portuguesa. A partir da análise das unidades de significado das entrevistas, identificamos alguns dos conflitos experimentados. Além da língua, a escolha do país, a chegada, a integração, o conveÌ‚nio, os relacionamentos, a percepção do outro e as dificuldades compõem o cenário da pesquisa. Conflitos que uns sentem mais do que outros e que tomam corpo somente na experiência.

 

 

Sessão 3: Transnacionalismo, Religião e Sociabilidades

 

 

TRANSNACIONALISMO E EXPERIÊNCIA RELIGIOSA: PRODUÇÕES SUBJETIVAS DO ESPAÇO NA IMIGRAÇÃO DE SUFIS SENEGALESES EM CAXIAS DO SUL/RS

Renan de Araujo Rodrigues. UFF, Brasil; rodderik@yahoo.com.br

 

O conceito de transnacionalismo, que vem sendo empregado no âmbito dos estudos migratórios nas duas últimas décadas, descreve, sobretudo, dois fenômenos inter-relacionados: fluxos humanos, de bens e ideias em larga escala, e a construção de territorialidades que se situam, local e globalmente, para além dos marcos do moderno estado-nação. Mobilizados principalmente em decorrência da reestruturação do sistema capitalista global, estes processos resultam da revolução das tecnologias da informação, comunicação e transporte, com um lugar especial para as migrações, caracterizando-se pela formação de redes. Dentro deste quadro, a atuação de redes religiosas permanece um terreno ainda pouco explorado, principalmente na sua relação com as dimensões políticas e econômicas. Partindo de uma etnografia em andamento sobre as dimensões religiosas da imigração senegalesa em Caxias do Sul/RS, mobilizada por uma rede sufi muçulmana transnacional, busco aqui apontar algumas questões sobre a produção de espaços religiosos transnacionais. O sufismo é a mística islâmica, tendo por característica principal a construção da subjetividade religiosa através de experiências existenciais, onde o corpo e a realidade concreta, mais do que as doutrinas, constituem os valores por excelência. A imigração constitui, assim, um locus privilegiado, onde as experiências de mobilidade e territorialidade são os meios pelos quais se constrói um projeto religioso global, através de interações rituais e simbólicas locais. A existência concreta de espaços sufis translocais, depende, portanto, da relação oscilante, e não predeterminada, entre as condições objetivas (políticas e econômicas) da vida diaspórica e as experiências subjetivas, construídas e compartilhadas pelos imigrantes através de um habitus religioso comum. 

 

 

HIZMET PARA BRASILEIROS: NEGOCIAÇÕES LOCAIS DE UM MOVIMENTO TURCO-ISLÂMICO NO BRASIL

Liza Dumovich. PPGA/UFF; lizadumovich@gmail.com

 

Esse artigo se fundamenta no trabalho de campo, que realizo há cerca de um ano para o meu doutorado em Antropologia, numa comunidade turca no Brasil. Essa comunidade faz parte de um movimento civil transnacional de origem turca e de fundo islâmico que surgiu no final dos anos 1970 e se espalhou pelo mundo através, sobretudo, de escolas e dormitórios para estudantes. Presente em cerca de 150 países, o Hizmet, como costumam chamar seus adeptos, chegou ao Brasil há 10 anos, onde atualmente possui duas escolas próprias e uma parceria com duas escolas públicas, assim como centros culturais e um centro de diálogo inter-religioso. O Hizmet, que quer dizer “serviço” em turco, é também conhecido como Movimento Gülen, em referência ao seu fundador e líder, Fethullah Gülen. O artigo visa apresentar os dados iniciais do trabalho de campo, ao delinear alguns aspectos da configuração do movimento na realidade brasileira, como as articulações entre o Hizmet, através dos seus adeptos e suas instituições locais, e as instituições e os atores sociais brasileiros. Embora o secularismo seja um valor constantemente reafirmado pela comunidade, os códigos morais e as práticas cotidianas são informados pelo islã - de acordo com as interpretações de Gülen, por sua vez, produto do cenário religioso turco contemporâneo. Nesse contexto, aproximadamente 30 famílias e 35 estudantes turcos (divididos entre homens e mulheres) constituem novos atores na produção e circulação de significados, tanto secular quanto religioso, no espaço público brasileiro.

 

 

FESTA AFRICANA EM TERRAS BRASILEIRAS: SOCIABILIDADE E TRÂNSITOS IDENTITÁRIOS ENTRE ESTUDANTES AFRICANOS EM JUIZ DE FORA – MG

Aline Cristina Laier. UFJF; alineclaier@gmail.com

 

O presente artigo pretende uma reflexão sobre a Festa Africana na cidade brasileira de Juiz de Fora -MG, como lócus privilegiado de uma pesquisa etnográfica cujo foco foram os estudantes africanos no contexto universitário juizforano. Esta festa tradicional é realizada há dezesseis anos na cidade e mobiliza um grande número de estudantes e ex-estudantes africanos que migraram para cursar o ensino superior na cidade, além de brasileiros conectados as suas redes sociais na região. A motivação principal da festa é comemorar a criação da OUA (Organização da Unidade Africana) em 1963, cujo discurso remete a uma memória coletiva que, por sua vez, elucida o pertencimento a um passado de colonização; luta pelas independências, desenvolvimento econômico, político e social do continente. Diante da condição de estudantes migrantes, há uma reelaboração de atributos identitários que se deslocam da nacionalidade de origem para a perspectiva de uma “africanidade” em comum. “Ser africano” no contexto da vivência da sociabilidade de uma juventude universitária, é uma faceta identitária que se (re)afirma cotidianamente e as festas podem ser apreendidas como estratégias para forjar rituais de solidariedade em contexto estrangeiro. O objetivo é entender quais os aspectos culturais da África – e de seus respectivos países - eles pretendem evidenciar através da celebração de uma “cultura” que se aciona para aplacar a saudade e para reafirmar pertencimentos. Neste contexto é possível observar uma África que se pretende apresentar aos brasileiros de forma positivada e entender o intercâmbio cultural experimentado nesta festa como parte da experiência migratória destes jovens na sociedade brasileira.

 

 

O LEÃO E O CRESCENTE: CONSTRUÇÕES DAS IDENTIDADES NACIONAIS E RELIGIOSAS ENTRE IRANIANOS NO BRASIL

 

Ana Maria Gomes Raietparvar. UFF; ana.raietparvar@gmail.com

 

Esse estudo antropológico traz um trabalho etnográfico sobre a construção das identidades nacionais e das identidades religiosas na diáspora iraniana no Brasil. A partir do conceito de diáspora, o estudo explora as configurações entre os iranianos no Brasil a partir das suas posições na sociedade de origem, seu deslocamento transnacional e o confronto com a sociedade receptora. A partir dessas variáveis, são pensadas a separação no Brasil de três grupos de iranianos: Seculares-Liberais, Muçulmanos xiitas praticantes, e seguidores da Fé Bahá'i; ao longo do trabalho, são desenvolvidas as vivências por esses grupos dos símbolos nacionais iranianos, assim como as vivências particulares de suas identidades religiosas, que representam diferentes projetos pensados para o Irã.

 

 

IDENTIDADE E REPRESENTAÇÃO NA FRONTERA PAN-AMAZÔNICA: ÁRABES-MUÇULMANOS EM CONTEXTO TRANSFRONTEIRIÇO (BRASIL-VENEZUELA)

Jakson Hansen Marques. UFAM, Brasil; jakson_marques@hotmail.com

Heloísa Helena Corrêa da Silva. UFAM, Brasil; hhelena@ufam.edu.br

 

O presente trabalho faz parte de minha tese de doutorado que esta em processo de construção no Programa de Pós-Graduação em Sociedade e Cultura na Amazônia (PPGSCA) na Universidade Federal do Amazonas (UFAM) tem como foco central analisar a significação e ressignificação da identidade de árabes-muçulmanos em um contexto de intenso fluxo de migrações na fronteira pan-amazônica, entre Brasil e Venezuela, mais precisamente, a cidade de Santa Elena de Uaíren no município de Gran Sabana, Venezuela. Apresenta-se como um dos objetivos interpretar as representações elaboradas por esse grupo diaspórico étnico-religioso no contexto de uma cidade localizada em uma área de intenso fluxo migratório. Metodologicamente, se apoia na abordagem da pesquisa etnográfica pois considera que o trabalho propõe compreender o universo de significados produzidos pelos árabe-muçulmanos de Santa Elena de Uairén e como este universo produz pertencimentos e posições para este grupo em contraste com os outros grupos da cidade. A hipótese deste trabalho é de que tal identidade tem como foco um pertencimento étnico-religioso, que funciona como um ethos para este grupo, elaborando, significando e ressignificando tal pertencimento invariavelmente em condição de contato com outras identidades que são elaboradas também em relação contextual em constante movimento onde estão inseridos fluxos culturais e dinâmicas transnacionais.

 

Sessão 4: Reinvenções do local e o global

 

 

UMA OUTRA DIÁSPORA: UMA CORTE NO EXILIO

Jean-Philippe Belleau. U. Massachusetts ; jeanphilippe.belleau@umb.edu

 

Esta apresentação examina a vida, o lugar e as questões da corte do rei da Araucania e Patagônia, no exílio em Tourtoirac em Périgord, desde 1862. Fundada em 1860 em Perquenco (Cautín) por um camponês francês e mentiroso patológico notório, Antoine de Tourens, este reino continua sendo uma questão simbólica significativa em uma região rural, uma vez conhecido por seu ethos profundamente anti-aristocrático, o Périgord. Estudamos, em particular, o lugar e a função do "generoso povo Mapuche" e, mais amplamente do "Chile" e "Argentina" na memória e nos discursos desta corte.

 

 

COMUNIDADES DE DEVOCIÓN EN TORNO AL SANTUARIO DE SHEIJ AHMED EN ARGENTINA: LA DIÁSPORA ALAUITA Y SU “SANTO”

 

Silvia Montenegro. CONICET; silmarmont@gmail.com

 

Dentro de las distintas expresiones del Islam en Argentina, los alauitas presentan ciertas singularidades. Con un mismo origen en los procesos migratorios de finales del siglo IXX y comienzos del siglo XX, los musulmanes sirios alauitas crearon instituciones separadas orientadas a la reproducción cultural y religiosa de los inmigrantes y sus descendientes.  Con  presencia en Buenos Aires, Santa Fe, Tucumán y otras regiones del país también se localizan en un “enclave” cultural y religioso de la provincia de Buenos Aires, la localidad de La Angelita, conocida como la “pequeña siria”. A partir de trabajo de campo en esa localidad esta presentación sigue el itinerario de las devociones al Sheij Ahmed,  inmigrante sirio que fuera líder religioso en Argentina y que hoy, erigido en “santo milagroso”,  reune a la diáspora alauita en torno a su mausoleo, localizado en un pequeña comuna sin presencia musulmana.  Tendremos en cuenta en nuestro análisis la construcción de una hagiografía “popular” sobre el santo que circula dentro del circuito de devotos  y que cimenta memorias e imaginarios en torno a un lugar de origen compartido.  Al mismo tiempo, a través de un abordaje etnográfico de las actividades de los fieles en el espacio del santuario, consideraremos  tanto las narrativas como los soportes materiales de la fe que, en la forma de objetos, ofrendas y mensajes,  condensan un lenguaje ritual complejo en que la diáspora alauita imbrica sus nexos con el lugar de origen y su ya antigua localización en Argentina.

 

“EXISTE UMA COMUNIDADE CHINESA NO SENTIDO DE AMIZADE”: COMUNIDADE NA DIÁSPORA E “SER CHINÊS” NO CONTEXTO DE ALGUMAS IGREJAS ETNIFICADAS

Marcelo Araújo. UFF, Brasil; marc.araujo.rj@gmail.com

Partindo da afirmação de um dos sujeitos entrevistados, esta proposta discutirá a intercessão entre proveniência geográfica e administração da alteridade entre chineses evangélicos no Rio de Janeiro. Protagonistas de um processo migratório de várias décadas, estes e seus descendentes têm conquistado indiscutível presença nos debates de variados espaços – da academia à mídia -, espalhando-se profissional e socialmente por distintos ambientes. Dentre eles, há um pequeno grupo residente no Rio de Janeiro que se reúne em 4 igrejas evangélicas. Com graus variáveis de permeabilidade no tocante ao ingresso de não chineses (brasileiros) e na condução da liturgia (a língua portuguesa como majoritária, complementar ou inexistente nos cultos, por exemplo), estas igrejas servem, ao mesmo tempo, como espaço de sociabilidade e de trocas (matrimoniais, econômicas etc.) e de exercício da etnicidade. No tocante a este último elemento, tanto a proveniência (continente ou “ilha”, no caso de Taiwan) quanto o pertencimento nacional (“ser” ou “não ser” chinês) acabam por formatar simbolicamente a questão da alteridade: esta surge não mais como oposição ao brasileiro mas sim ao “outro” que, apesar de compartilhar em alguma medida o que se define por cultura, diferencia-se quanto à perspectiva política (socialistas versus capitalistas), linguística (mandarim simplificado versus tradicional), possibilidades religiosas (igrejas tuteladas pelo Estado versus liberdade de culto), entre outros. Por fim, a comunicação pretende mostrar como estes marcadores norteiam, pela ativação dos instrumentos de diferenciação acima citados, as noções de comunidade e do “ser chinês”, o que descamba para a tensão entre identidade étnica e identificação espiritual.

 

 

PROCESOS DE UNIFICACIÓN Y MOVIMIENTOS DIASPÓRICOS GITANOS/ROMA. ARTICULACIONES GLOBALES Y LOCALES

 

Matías Dominguez. UBA; matias.dmgz@gmail.com

 

Los movimientos diaspóricos gitanos/roma tienen su foco en Europa hace aproximadamente medio siglo, y a partir de allí fueron tomando una relevancia creciente y expansiva lo largo de los años. Sin embargo, estos procesos políticos de unificación global gitana/romaní presentan una serie de tensiones, tanto en su relación con los diferentes grupos gitanos, como en su vínculo con la población mayor y los estados nación. En este trabajo se expondrán cuatro puntos de discusión referentes a estas diásporas: el rol del territorio en los discursos asociativos, la cuestión del genocidio gitano (porrajmos), los elementos simbólicos nacionales constituidos por estos movimientos, y la articulación de estas diásporas con los grupos gitanos locales, principalmente en nuestra región.

 

 

RELIGIÓN, MIGRACIONES, MOVILIDADES. ETNICIDAD, CREENCIAS Y ALTERIDADES EN LAS FRONTERAS DEL CONO SUR

 

Verónica Giménez Béliveau. CEIL-CONICET/UBA; veronicagimenezb@gmail.com

 

El estudio de la religiosidad y las creencias de las personas que migran se ha afirmado, desde hace décadas, como un campo de investigación que permite no sólo ampliar el conocimiento de grupos y comunidades específicas, sino también profundizar la reflexión sobre dinámicas sociales más generales que afectan a las sociedades contemporáneas. Uno de los temas que surgen en las investigaciones contemporáneas sobre la vida de los migrantes tiene que ver con la afirmación de las identidades y la construcción de las alteridades en los intercambios con las sociedades en las que los migrantes se instalan. Se vuelve interesante aquí analizar las formas religiosas de comunitarización, y las interacciones que éstas establecen con otros posibles agrupamientos, que plantean un recorte de base étnica, nacional o política. Estos grupos a su vez se articulan entre sí, y se insertan en las formas que cada nación dibuja sobre la alteridad. Las tensiones entre pertenencias religiosas, étnico-nacionales, político-ideológicas, y las adscripciones etarias y de género, combinadas con el período de migración, se juegan al interior de las instituciones, y hacia fuera de las mismas. En esta oportunidad, presentaré un trabajo comparativo entre tres comunidades, en los que la relación entre adscripción religiosa, pertenencia étnico-nacional y tipo de comunitarización se combinan de maneras diferentes, generando respuestas distintas a los procesos de relación de los grupos migrantes con las sociedades receptoras. Trabajaré aquí con el análisis de tres casos, en espacios fronterizos del cono Sur: el primero, la migración de descendientes de alemanes (que se instalaron en su territorio actual hacia principios de los años ’70, articulándose con oleadas migratorias anteriores de la misma proveniencia y adscripción religiosa), congregados en una iglesia luterana que, luego de pasar por distintas locaciones, se instalaron en la zona limítrofe entre Argentina, Brasil y Paraguay. El segundo caso está constituido por los grupos de migrantes bolivianos que se instalan en el extremo sur de Argentina (en la ciudad de Usuhaia, provincia de Tierra del Fuego), desde los años ’80. El tercer caso se refiere a los católicos agrupados en comunidades y movimientos nacidos en el cono sur, que circulan entre distintas territorialidades, redefiniendo espacios, etnicidades y pertenencias religiosas. Las miradas cruzadas sobre campos de investigación diversos me permitirá desarrollar una reflexión sobre las distintas articulaciones entre adscripciones e institucionalidades religiosas en los variados procesos migratorios y proyectos de movilidad.