RESUMEN GRUPO DE TRBAJO 69

GT 69.  CONHECIMENTO, ARTES, MEMÓRIA E ESPAÇO: MODOS DE FAZER E PODER

Coordinadores:

Dr. Eduardo Álvarez Pedrosian (Universidad de la República, Uruguay) 

Dra. Julia Ruiz Di Giovanni (Universidad de São Paulo, Brasil)

Dra. María Florencia Girola (CONICET-UBA, Argentina)

Comentarista: Dra. Fernanda Arêas Peixoto (Universidad de São Paulo, Brasil)

 

 

Sesión 1: Memoria y representación: artes del poder

 

 

“A PRESENÇA BANDEIRANTE NA SÃO PAULO DOS ANOS 1920”

 

Thaís Chang Waldman. Universidade de São Paulo, Brasil

 

Criado a partir de documentos, mapas, inventários e dos textos dos cronistas do século XVIII, em um momento de forte metropolização da cidade, o bandeirante se torna, na década de 1920, o personagem mais evocado, enaltecido e duradouro da São Paulo de então. Sua criação normalmente é associada ao período que se convencionou chamar “segunda fundação de São Paulo”: quando a cidade, na passagem para o século XX, começa a se transformar em metrópole. Extensamente trabalhada pela historiografia, tal expressão comumente abrange um período que começa no final do século XIX, com o início do processo de metropolização da cidade, e se encerra em 1929, com as crises da economia cafeeira. A presença do bandeirante na capital paulista encontra-se assim intrinsecamente ligada a um novo contexto, marcado por extensas e profundas mudanças que levaram à crise das instituições do Segundo Reinado. Atenta às reelaborações locais e às tantas historicidades, pretendo, neste trabalho, dialogar com suas variadas apropriações e seus diferentes modos de expressão, em campos e domínios diversos, observando seu percurso, nos anos 1920, em uma cidade na qual convivem universos e tempos sociais distintos. Trata-se de acompanhar os passos de um personagem que por condensar diferentes tensões, temporalidades e sentidos, nos permite capturá-las de forma sintética e coordenada. Ao trazê-lo para o primeiro plano, este trabalho fornece um acesso privilegiado para pensarmos nas relações estreitas entre as cidades, a memória, as ideias e as representações.

Palavras-chave: São Paulo; bandeirantes; década de 1920.

 

 

CONMEMORAR Y SUBVERTIR LAS NARRATIVAS DE LA NACIÓN. SANTIAGO, BUENOS AIRES Y BRASILIA

Francisca Márquez, Universidad Jesuita Alberto Hurtado, Chile

 

Desde la investigación urbana se pregunta por las conmemoraciones y performance que dan forma al ordenamiento de los cuerpos en torno a la monumentalidad de la nación. A través de trabajo etnográfico y análisis de archivos se pregunta por las formas disputadas de la monumentalidad en los espacios públicos de tres ciudades latinoamericanas. Se afirma que así como la ciudad utópica o ideal está implícita en las formas y estéticas de la monumentalidad nacional; ella se actualiza en los programas y relatos de conmemoración y celebración. A través del análisis de marchas, fiestas, performance y graffits se observa el ejercicio de des-substancialización de las narrativas de la nación y su relato histórico. Se concluye que en Santiago, la monumentalidad es siempre disputada en la especificidad de su vocación; en Buenos Aires, la ciudad completa será ocupada, subvertida y rayada, relegando la forma monumental a un objeto más de la escenografía urbana; en Brasilia en cambio, la ciudad entera en tanto objeto monumental, se impone y subyuga todo intento de disputa y subversión, dejando la línea del horizonte y la gran cúpula azul, en manos de las expresiones performáticas y artísticas. La ponencia se basa en resultados de la investigación “Utopía(s) y forma en el patrimonio de ciudades latinoamericanas: Brasilia. Santiago y Buenos Aires”.

Palavras-chave: ciudad, patrimonio, Nación, performance, identidad nacional.

 

 

MUSEU NA FAVELA. OBJETOS, TESTEMUNHOS, TRABALHO MEMORIAL

 

Lygia Segala, Universidade Federal Fluminense, Niterói-RJ, Brasil

 

Interessa discutir, tomando como referência o movimento cultural  Museu Sankofa Memória e História da Rocinha - maior favela do Rio de Janeiro -  o sentido de museu para os moradores, as especificidades desta proposta de mediações e de trabalho memorial. Como enunciam e estabilizam simbolicamente o espaço enquanto “lugar praticado”? O que importa no contexto conflitual contemporâneo de “pacificação das favelas” guardar para transmitir? Quais critérios e valores definem e qualificam a doação de objetos para o museu? Objetos e coisas: coisas velhas, coisas usadas, coisas curiosas, relíquias, objetos de estimação. Em que medida abrem correspondências ou descontinuidades com coleções museais reconhecidas? Como se articulam às narrativas locais de “testemunhos”, à comunicação pela oralidade calçadas na autoridade da experiência e na pedagogia da exemplo? Qual a singularidade das fotografias como objeto, como linguagem, como “memória portátil”, nesse repertório  de lembranças concorrentes? 

Palavras-chave: Museu. Favela. Objetos. Memória.

 

 

MUSEUS, FORMAS EXPOSITIVAS E MATERIALIDADES RELIGIOSAS

 

Fernanda Heberle, PPGAS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil

 

A exibição de objetos relacionados aos cultos religiosos afro-brasileiros em museus e outras instituições públicas tem uma longa história no Brasil. Nas últimas décadas, a constituição dos chamados "novos museus afro-brasileiros" têm contribuído para multiplicar as possibilidades de associação entre religião, cultura e arte.

Tomando como ponto de partida o espaço expositivo do Museu Afro Brasil, inaugurado em 2004 na cidade de São Paulo, esta pesquisa procura explorar o modo como a categoria religião é, por um lado, construída e operada na elaboração de narrativas museais e, por outro, materializada nesses espaços a partir da mediação de objetos e de outros elementos sensoriais. Em diálogo com trabalhos que apostam em uma abordagem material da religião para dar conta das redefinições de sua presença e de seu lugar na modernidade, proponho um exercício inicial de contraste e aproximação entre formas expositivas e formas materiais religiosas. O objetivo mais geral deste trabalho é refletir sobre a especificidade dos engajamentos e das técnicas envolvidas na prática de justapor objetos e coleções e sua relação com a criação de sentidos e ambiências passíveis de serem reconhecidos como religiosos.

Palavras-Chave:  Museus, Formas Expositivas, Materialidades Religiosas.

 

 

MEMÓRIAS EM PRETO E BRANCO: O COLONIALISMO PORTUGUÊS EM MOZAMBIQUE NAS FOTOGRAFIAS DE RICARDO RANGEL

 

Bruna Nunes da Costa Triana Universidade de São Paulo, Brasil

 

Busca-se, aqui, analisar algumas imagens do fotógrafo moçambicano Ricardo Rangel (1924-2009), entre os anos 1950 a 1975. O recorte temporal abarca o acirramento das militâncias anticoloniais em Moçambique, o auge repressivo de exploração colonial no país e o início da luta armada de libertação, até sua independência. Foi nesse período que Rangel, trabalhando nos principais jornais moçambicanos enquanto fotojornalista, produziu imagens que lograram entrelaçar denúncia social, engajamento político e composição poética – o que o tornou referência no campo da fotografia africana. Assim, a partir de suas fotografias, gostaria de apreender os mecanismos narrativos envolvidos na composição do que chamo de “experiência fotográfica” – um ponto de vista e uma forma de conhecer o cotidiano e a violência colonial, que esboça um panorama sociopolítico e urbano ambivalente. A fotografia é, nesse sentido, um informante privilegiado, por meio da qual se podem observar tensões, significados, memórias, experiências. De que forma, então, com as fotografias de Ricardo Rangel, é possível verificar outras memórias, materialidades e visibilidades do período colonial e da luta por independência em Moçambique? Seguindo Didi-Huberman, problematizo, na obra de Rangel, a transmissão de experiências a partir do instantâneo fotográfico, a possibilidade de salvar o que não pode ser esquecido e que deve, portanto, construir a memória de algo que, de outro modo, perde-se por não encontrar uma saída transmissível. Este trabalho busca pensar com, através e além das imagens do fotógrafo moçambicano, estabelecendo uma interlocução possível entre fotografia, memória e experiência.

Palavras-Chave: Ricardo Rangel; Fotojornalismo; Memória; Colonialismo; Moçambique.

 

 

 

ARTES DE FAZER O MUNDO E PERFORMANCES NEGRAS EM PELOTAS: 'REINVENTANDO MEMÓRIAS’

Maria Helena Sant´Ana Univ. Federal de Pelotas/Univ. de Santa Cruz do Sul, Brasil

 

Etnografia de “jogos da memória” coletivos que se desenvolvem diferentemente entre gerações mais novas de militantes negros - na cidade de Pelotas, Brasil  - e gerações mais velhas, nos modos como performatizam e conformam  distintas comunidades de interpretação do tempo e das imagens de tempo sobre as quais agem a modo de interferir como práticas estéticas e políticas do cotidiano numa auto declarada “reinvenção da memória”. Esta é mesmo categoria que situa um certo posicionamento reflexivo diante das configurações dos lugares construídos aos negros e os espaços interditos dos seus percursos sociais, no contexto brasileiro de relações sociais racializadas e desiguais. A reinvenção é busca intelectualizada mas é também agência, forma de fazer mundo em artes de reinventar cotidianos e agir sobre paisagens constituídas pela memória social. Interpreta-se o transbordamento da experiência,o que resulta e manifesta em empoderamento por emergência de uma poética da memória que imprime uma outra política ao cotidiano. Artes de fazer o mundo - para além da identidade - é a pragmática desta poética que põe em correspondências paisagens vividas e sonambulizadas de antigamente e de hoje. Agencia camadas que se tocam como objetos-fronteira: intertextualidades e pragmática que entre a reflexividade, o sonambulismo das imagens e ação conformam performances que se produzem em direção aos textos narrados e fantasmagorizados da Pelotas da escravidão e das referências sonhadas e imaginadas em territórios africanos e brasileiros - a pureza africana encantada da Bahia e da África, os ancestrais, seus espíritos e os sujeitos que corporificam o encontro.

Palavras-Chave: Memória Social, Performance, Poéticas do Cotidiano, Militância Negra.

 

Sesión 2: Técnica-táctica: imagen y narrativa

 

MICROCONTOS ILUSTRADOS: ARTE E POLÍTICA PARA A CRIAÇÃO DE PARENTESCO

Aline Lopes Murillo Universidade Federal de Goiás, Brasil

 

Durante a última ditadura militar argentina (1976 – 1983), uma das políticas adotadas para conter a subversão foi o desaparecimento forçado de pessoas vinculadas à militância política. Além dessa prática catastrófica, outro feito foi sistematizado pela campanha anti-subversiva: a apropriação de filhos sequestrados com seus pais e de recém-nascidos durante o cativeiro de suas mães. Estima-se que 500 crianças foram apropriadas pelos militares no período da repressão. A mobilização para a recuperação dessas crianças começou em outubro de 1977, quando as avós criaram a Asociación Civil Abuelas de Plaza de Mayo. Desde então, por meio de ações coletivas que misturam arte e ativismo, essas mulheres lutam pela restituição de seus netos apropriados pelo Estado ditatorial. Uma de suas estratégias é a mostra "TwitteRelatos por la Identidad". Tratam-se de microrelatos centrados no tema da apropriação de crianças durante a última ditadura militar enviados pela rede social Twitter com o hashtag #TwI. Os textos vencedores são ilustrados por uma equipe de artistas e o resultado é uma mostra gráfica itinerante com vistas a contribuir com a busca dos netos apropriados. Isso posto, neste trabalho, o objetivo é privilegiar a mostra itinerante como modo criativo de manipulação do parentesco. Nesse sentido, reflito como a mostra, enquanto prática social que dialoga com arte e ativismo político, coloca em movimento táticas de criação de parentesco entre avós e netos na sociedade argentina.

Palavras-Chave: Arte, Ativismo, Parentesco.

 

 

“O CASO DO DUPLO ARQUIVO DE MICHEL LEIRIS”

Luís Felipe Sobral, Universidade de São Paulo, Brasil

 

O espólio intelectual do escritor e etnógrafo francês Michel Leiris (1901-1990) encontra-se atualmente em dois arquivos parisienses: a Bibliothèque littéraire Jacques Doucet e a Biblio-thèque du Laboratoire d’anthropologie sociale. Sua origem equivale igualmente a uma divisão espacial: os papéis alojados no primeiro arquivo vieram de sua residência; aqueles depositados no segundo, de seu escritório no Musée de l’Homme. Essa classificação espacial corresponde por sua vez às duas atividades praticadas por Leiris durante toda sua vida: de um lado, a escrita poética e autobiográfica; de outro, a investigação etnográfica por meio de técnicas científicas. “Leiris jamais escreveu um texto literário no Musée de l’Homme nem um texto etnográfico em sua residência”, afirma o antropólogo Jean Jamin, seu executor testamentário. Há portanto uma articulação intrincada entre a disposição espacial e a classificação do conhecimento que, elaborada na prática por Leiris, persiste na organização de seu espólio. No entanto, ao examinar esse duplo arquivo, encontrei no arquivo literário alguns documentos etnográficos produzidos no entre-guerras, momento no qual a distinção entre etnografia e literatura estava sendo elaborada; compreendo tais documentos como uma fissura nesse sistema classificatório, isto é, como um fator imponderável decorrente de sua aplicação e que desafia seus fundamentos. Com o objetivo de descrever a transformação das categorias em jogo (etnografia e literatura) ao longo do tempo, enfocando a partir de suas fissuras a classificação que elas sustentam, este trabalho propõe o exame desses documentos etnográficos anômalos por meio de duas perspectivas inter-relacionadas: de um lado, segundo sua disposição arquivística atual; de outro, no momento de sua produção e circulação no entre-guerras.

Palavras-chave: Etnografia; Literatura; Michel Leiris (1901-1990); Arquivo; Sistema Classificatório.

 

 

LA FOTOGRAFÍA ETNOGRÁFICA EN LA ESCENA VISUAL CONTEMPORÁNEA - EXPERIENCIAS ARTÍSTICAS Y CONSTRUCCIÓN DE DISENSOS EN TORNO A LA ALTERIDAD INDÍGENA ARGENTINA

 

Alejandra Reyero CONICET-UNNE, Argentina

 

La intención de este trabajo es discutir la potencialidad de la fotografía contemporánea sobre pueblos originarios para asumir un compromiso político y erigirse como “arte crítico”, generador de disenso. El estudio analiza una serie de imágenes obtenidas por diferentes fotógrafos desde 1990 en la región argentina de Chaco, y a partir del análisis contrastivo con algunos registros históricos paradigmáticos, reflexiona sobre el poder de la fotografía contemporánea para otorgar a los sujetos históricamente considerados “modelos” de representación, la posibilidad de decidir cómo visibilizarse. De esta manera, los retratados devienen actores de un cambio sustancial en la historia de los usos y prácticas de visibilidad que los ha involucrado tradicionalmente. Abandonan un círculo de dominación y sujeción cultural que los ha restringido a una condición de espera que significaba “posar ante la cámara”, para transformarse en intérpretes activos, capaces de cuestionar la oposición entre mirar y actuar, y de comprender que “mirar es también una acción que confirma o que transforma la distribución de las posiciones” (Rancière, 2010). De este modo, los artistas contemporáneos reconfiguran una topografía de la mirada que desplaza la asimetría entre fotógrafos y fotografiados tan común en los registros etnográficos pretéritos. Desafían lo que la sociedad hegemónica considera visualmente verosímil del otro y ello se expresa en las decisiones técnicas y compositivas de las tomas. Si bien la cámara continúa siendo un instrumento de poder, deja de ser únicamente metáfora de la “imposición” para de desarticular su entramado y propiciar otras formas de organizar lo real.

Palabras Clave: Fotografía, Disenso, Política, Estética, Indígena, Chaco Argentino.

 

 

GAUCHO GIL: UNA FORMA DE FE 'BESTIAL' Y UNA SANTIDAD BELIGERANTE - VISIBILIZACIÓN DE LÓGICAS DIVERSAS DE LA RELIGIOSIDAD ARGENTINA EN LA FOTOGRAFÍA ARGENTINA CONTEMPORÁNEA

Cleopatra Barrios Universidad Nacional del Nordeste-CONICET, Argentina

 

Algunas experiencias artísticas-documentales de los últimos años en la Argentina logran dar lugar a las demandas de visibilidad, identificación y reconocimiento de  grupos sociales que se mantenían al margen de la escena pública. En este sentido, diversas propuestas fotográficas contemporáneas están asumiendo el desafío de mapear y dar a ver prácticas y figuras de la cultura popular que formaban parte de un retazo oculto dentro de la trama del orden social y discursivo legitimado. Este trabajo propone abordar las producciones  Gauchito Gil, la fe en la piel (2013), de Eduardo Longoni y Gaucho Gil (2008), de Marcos López, con el objetivo de reflexionar acerca de los modos en que estas imágenes con apelación a uno de los fenómenos de religiosidad popular más expandidos en los últimos años en el país  permean  los espacios mediáticos gráficos tradicionales, así como los nuevos medios en internet, y los espacios de exhibición artística,  para construir nuevas cartografías de la religiosidad argentina diversificada.  La atención de la indagación está centrada en las formas de religiosidad que visibilizan estas fotografías y los modos en que ellas cuestionan y/o dialogan con las representaciones hegemónicas restringidas a la a la visión institucional eclesial.  Asimismo,  observamos  cómo  estas propuestas interpelan construcciones identitarias establecidas y posibilitan la reconfiguración de representaciones nodales de la argentinidad con base en la articulación de las diferencias desde estéticas también diversas.

Palabras clave: Fotografía, Representaciones, Identidades, Religiosidad Argentina, Gaucho Gil.

 

 

DOS CANTEIROS PRA FAVELA: O 'LADO B' DE UMA SÉRIE SOBRE BRASÍLIA

Juliana Arruda Sampaio Universidade de São Paulo, Brasil

 

A proposta visa tomar a “série Brasília” produzida por Thomaz Farkas entre 1958 e 1960 como uma narrativa poética e política sobre a construção de Brasília. Ao deslocar o enquadramento de parte da série, dos canteiros de Brasília para as construções do que veio a ser a primeira favela do plano piloto (o Núcleo Bandeirante), apostamos que tal deslocamento produz um contra-discurso, muito dissonante da representação oficial produzida pelo Estado brasileiro. Como iremos demonstrar, neste contra-discurso o foco recai sobre os trabalhadores fora dos canteiros de obra, mas também no enquadramento das condições precárias nas quais viviam os candangos. Paralelamente, a leitura dessas imagens nos possibilitará perceber a produção de uma paisagem que não estava nos planos dos empreendedores de Brasília, mas que foi erguida com igual afinco pelos mesmos trabalhadores que construíram a cidade. Por fim, tentaremos entender como Farkas, ao representar aquele espaço (a construção de Brasília) conseguiu criar um espaço de representação para aqueles que até então e por muito tempo não eram figurados no discurso oficial, formulado e divulgado pelo Estado brasileiro.

Palavras-Chaves: Thomaz Farkas, Brasília, Fotografia, Produção De Espaço, Espaço De Representação.

 

 

ALCÂNTARA MACHADO E A CRIAÇÃO DE SÃO PAULO: PERSONAGENS, ESPAÇOS E EXPERIÊNCIAS

Diogo Barbosa Maciel, Universidade de São Paulo, Brasil

 

Este trabalho investiga as relações entre cultura, literatura e cidade a partir da trajetória e obra do escritor Antônio de Alcântara Machado e de suas reflexões sobre São Paulo nos anos 1920. Autor de inspiração marcadamente urbana, Alcântara Machado tem o coração de sua produção nos novos personagens, nos espaços e nas experiências ao mesmo tempo criativas e desagregadoras das novas tecnologias proporcionadas pela então nascente modernização da cidade, as quais ele registrou de ângulos particulares e privilegiados ao longo de seus textos, tributários de seu pertencimento a umas das famílias mais eminentes da cidade e de sua posição como jornalista, crítico de teatro, bacharel, viajante e escritor ativamente ligado ao modernismo. Através de uma abordagem sensível à experiência do autor na cidade e aos aspectos visuais e iconográficos sugeridos por sua obra, seguem-se as pistas encontradas nos diferentes momentos de sua produção, nos registros de suas viagens para a Europa e para os países platinos e em sua trajetória pessoal e intelectual, redesenhando o amplo panorama da vida social paulistana que se revela através deles e mostrando uma cidade marcada por mudanças aceleradas, pela convivência de diferentes grupos sociais, e, ao mesmo tempo, por imagens, personagens, espaços e práticas até então pouco observados.

Palavras-Chave:Antropologia e literatura; Antônio de Alcântara Machado; Modernismo em São Paulo; Práticas e Imaginários Urbanos; Trajetórias Intelectuais. 

 

 

Sesión 3: Alter/Contra/Urbanismos: proyectos e usos

 

 

ENTRE CASAS, DEPARTAMENTOS, Y VIVIENDAS. LA REDEFINICIÓN DE SUJETOS EN LA ARQUITECTURA DOMESTICA DE UN PUEBLO PUNEÑO DE LA ARGENTINA. CORANZULÍ, PROVINCIA DE JUJUY

Julieta Barada, CONICET-FADU-UBA, Argentina

 

En este trabajo analizaremos el modo en el que se produce la arquitectura doméstica en el pueblo de Coranzulí en la puna de la provincia de Jujuy, Argentina, a la luz de las relaciones que se han ido constituyendo, desde el plano político, económico y social, entre las poblaciones pastoriles puneñas y las agencias estatales. En este contexto, el rol que el espacio y en particular la arquitectura han tenido en la progresiva ‘institucionalización’ de la vida de las comunidades locales resulta central en un contexto en el cual históricamente la población se ha caracterizado por tener un patrón de asentamiento disperso y un alto grado de movilidad. Así, las acciones que directa e indirectamente el estado ha ido ejerciendo sobre las características de sus casas, así como también sobre sus relaciones familiares y formas de vivir, han tenido un impacto significativo en los modos locales de hacer arquitectura. Con el nombre de casas, departamentos o viviendas se clasifican hoy, desde Coranzulí, los lugares en los que viven las familias en el pueblo. Sin embargo, la relación entre estas categorías, sus espacios y las prácticas que allí tienen lugar no se da de un modo lineal, en tanto tampoco lo ha sido el modo en el que los modelos generados por el estado sobre la arquitectura doméstica puneña se operaron desde las lógicas locales. Problematizaremos entonces a la materialidad como relación que se constituye en los procesos de producción de arquitecturas domésticas en Coranzulí, y que posibilita el reposicionamiento de las familias locales como sujetos ante las acciones de las agencias estatales. Así, propondremos a lo largo del análisis de este trabajo que es desde la propia materialidad que las personas en su vida cotidiana, dialogan, discuten y negocian las categorías, las formas espaciales y los modelos sociales construidos por el estado y es en ese mismo proceso que se reposicionan y redefinen como sujetos.

Palabras Clave: Arquitectura Doméstica, Vivienda, Materialidad, Vida Cotidiana, Estado.

 

 

ASENTAMIENTOS RECIENTES EN VILLA 15: NUEVAS CONFORMACIONES EN LA PRODUCCIÓN DEL HÁBITAT”

 

Ricardo de Sárraga, FADU-UBA, Argentina

Inés Fernández, FADU-UBA, Argentina

 

Se analizan los nuevos asentamientos producidos por tomas de tierras en los márgenes de la Villa 15: Barrio Scapino (ocupación de una traza ferroviaria hacia Av Gral. Paz en 2006) y los barrios sobre Av. Santander, San Pablo (2008), Santa Lucía (2010) y San Cayetano (2012). Presenta los resultados de la convergencia en el territorio de actores académicos, gubernamentales y organizaciones barriales 1 . El enfoque transdisciplinar adoptado para analizar conjuntamente el desarrollo territorial y sus actores articula aspectos técnicos, sociales y legales de los diferentes campos de la arquitectura, del urbanismo, de la gestión y la administración del territorio. Es a su vez, un enfoque comprensivo, que nos permite indagar acerca de las acciones de los habitantes y sus sentidos, a los fines de dar cuenta de las alianzas y los conflictos que motorizan las acciones de gestión de su territorio. Combina los resultados de la aplicación de un “mix” de técnicas cuantitativas (mensuras, relevamiento gráfico, análisis constructivo) y metodologías cualitativas (observación, registros, entrevistas) cuyos resultados son analizados conjuntamente. La captación de datos se realiza con la participación activa de habitantes del barrio mediante técnicas de mapeo social, relevamientos y reuniones en las que se da cuenta del proceso a la población. Las técnicas se aplican como herramientas para percibir, reflexionar y construir colectivamente estrategias que aporten efectivamente a la gestión social del hábitat y a la construcción colectiva de saberes, para lo cual se combinan las técnicas de investigación descriptas con la dinámica social propia que se expresa a través de asambleas, votaciones, demandas urgentes, instancias de gestión, instancias de análisis debate y capacitación, registro audiovisual, difusión y comunicación a través de distintas piezas gráficas (boletines, volantes afiches, etc.).

Palabras Clave: Producción Y Gestión Social Del Hábitat, Producción De Saberes, Cartografías, Etnográficas, Reflexividad.

 

 

PARA ALÉM DA MORADIA: OLHAR ETNOGRÁFICO SOBRE A REGULAMENTAÇÃO DE ATIVIDADES COMERCIAIS E DE SERVIÇO EM CONJUNTOS HABITACIONAIS DA CIDADE DE SÃO PAULO

 

Taís Jamra Tsukumo Universidade de São Paulo, Brasil

 

Dentre as mudanças na legislação urbana que vêm sendo implementadas na cidade de São Paulo, estão as discussões para regulamentar a implantação de atividades comerciais e de serviço nos térreos de conjuntos habitacionais de interesse social. A pesquisa realiza uma análise etnográfica do processo de construção dessa política, cotejando os pontos de vista dos distintos agentes envolvidos, e sua conformação a requisitos jurídicos, financeiros e de gestão. O ponto de ancoragem da análise está na posição dos técnicos municipais, especialmente dos arquitetos e urbanistas da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano, dentre os quais me incluo. A iniciativa em pauta é justificada em termos teóricos e abrangentes, a partir da necessidade de aproximar os locais de emprego e moradia na cidade, reduzir os deslocamentos diários da população e diversificar as atividades nos bairros mais periféricos, incentivando o chamado uso misto nas edificações. Outros pontos de vista compõem a análise e estão informados por diferentes expectativas e concepções de cidade. Do alto escalão do governo municipal provêm metas, prazos e discursos oficiais que demandam atenção. Também, são consideradas as práticas e anseios de moradores e comerciantes, interessados em manter o acesso a bens e serviços nas proximidades do local de moradia. Finalmente, para os agentes ligados à indústria da construção civil, as alterações sugeridas levantam questões sobre a viabilidade econômica dos empreendimentos. A pesquisa acompanha a interação complexa entre estes diversos agentes, com base na análise de entrevistas e relatos de reuniões, ocorridas nos últimos meses.

Palavras-Chave: Política Pública, Política Habitacional, Urbanismo, Etnografia Urbana.

 

 

DUAS IMAGENS DA AVENIDA SÃO JOÃO - DO TRAÇADO DO URBANISMO À BATIDA DO SAMBA E VICE-VERSA

 

Bruno Ribeiro da Silva Pereira. Universidade de São Paulo, Brasil

 

A Avenida São João, no centro da cidade de São Paulo, foi uma das vias mais privilegiadas ao longo da implantação do projeto modernizador do prefeito-engenheiro Francisco Prestes Maia, o Plano de Avenidas. Entre os anos 1938 a 1945, Prestes Maia exerceu seu primeiro mandato e teve como grande norte a remodelação do sistema viário da cidade construindo um imenso círculo que até hoje contorna todo o centro de São Paulo. A ligação entre esse círculo central, foco de todos os investimentos dessa gestão, e os bairros se dava através de grandes vias como as Avenidas Anhangabaú, 9 de julho, 23 de Maio, Rangel Pestana e a São João. É justamente na Avenida São João, para o urbanismo uma via de ligação entre o centro e bairro, na qual as diferentes agremiações carnavalescas (cordões e escolas de samba) representantes dos bairros do Bexiga, da Barra Funda, da Baixada do Glicério, e tantos outros, reuniam-se para realizar seus desfiles durante o período do carnaval em direção ao centro. Os desfiles do período eram grandes caminhadas entre os bairros e o centro nas quais o samba produzia suas territorialidades, insinuando-se pelo traçado das ruas. Samba e urbanismo produziam duas imagens da Avenida São João a partir de saberes e conhecimentos diversos, mas que aqui tento simetrizar. Essa é uma parte de minha pesquisa de mestrado na qual, inspirado por Kevin Lynch e Michel de Certeau, me debruço sobre as práticas de espaços e imagens de cidade do urbanismo moderno, encarnado no Plano de Avenidas de Prestes Maia, e pelo.

samba paulista. Palavras-Chave: Urbanismo, Reformas Urbanas, Samba Paulista, Práticas de espaço, Imagens de cidade, São Paulo (1938-1945).

 

 

LA CONSTRUCCIÓN DE PATRIMONIO BARRIAL EN LO COTIDIANO

 

Caroline de Saint Pierre ENSA Paris Malaquais - EHESS, Francia

 

La construcción de patrimonio barrial, en la situación que expondré aquí, aparece como una tentativa de territorializar un sector atravesado, al igual que todos, por fenómenos globales, para reconfigurarlo y sacar a luz espacios que son relativamente invisibles a las miradas exteriores. En la zona de Boedo se intenta producir un barrio «auténtico». Hasta el momento, hay que señalar que, en las indicaciones de las oficinas de turismo, no figura en el perímetro de lo que tendría un interés particular en Buenos Aires. Para lograrlo, los vecinos y adherentes al proyecto, movilizan elementos históricos de los años 1920-1930, como el del compromiso social y una cultura artística popular, la cual se prolonga hasta el día de hoy, en contraste con otras evoluciones de la ciudad y de la sociedad. Estas acciones son impulsadas por actores asociativos o privados (cafés, comercios), aunque igualmente agrupados en una misma instancia (Red de Cultura de Boedo), intentando dotar al barrio de una encarnación espacial, ya que éste tiene la particularidad de haber existido, sobre todo, como una referencia cultural y artística, fundamentalmente a través del tango y la literatura, en la primera mitad del siglo XX. Boedo no tuvo un reconocimiento administrativo, sino a partir de 1972. A través de las puestas en escena y en relatos de objetos y espacios se está conformando un pasado susceptible de darse a leer y de ordenar un presente singular. Se provee así un marco a diferentes posicionamientos en el mundo y se intenta abrir otros horizontes posibles.

Palabras claves: Buenos Aires, patrimonio, barrio, performatividad, globalización.

 

 

IMAGINAÇÃO ARQUITETÔNICA E EXPERIÊNCIA URBANA: O PROJETO DO CENTRO EDUCACIONAL UNIFICADO ALVARENGA

Vinícius Spira Universidade de São Paulo, Brasil

 

Os Centros Educacionais Unificados (CEUs) reúnem num só local um conjunto de equipamentos de educação, cultura, lazer e esporte, e vêm sendo implementados há mais de uma década em áreas urbanas periféricas e carentes de diversas cidades brasileiras. O projeto de arquitetura é um dos fatores relevantes para a constituição da experiência urbana nestes lugares. Ao projetar espaços e construções, arquitetos tomam decisões com base no que podemos chamar de uma imaginação técnica-construtiva, sociológica, cultural e política. Esta imaginação envolve tanto a atribuição de comportamentos e identidades culturais a construtores, educadores e usuários futuros, como a definição de determinadas concepções de cidade que extrapolam os precedentes culturais e sociais supostamente presentes no contexto das intervenções. Assim, arquitetos desenham construções e espaços no intuito de favorecer ou inibir determinadas produções de significado, cursos de ação e possibilidades de interação. Neste trabalho apresento resultados preliminares de uma etnografia do processo de projeto do CEU Alvarenga, previsto para ser construído nos próximos anos na cidade de São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo. Venho realizando a pesquisa na condição de arquiteto-antropólogo, e de membro da equipe do escritório Brasil Arquitetura - responsável pelo projeto deste CEU. Situando-me na interface entre investigação e intervenção, busco observar como os arquitetos sustentam e/ou modificam suas intenções - suas imaginações - face aos imprevistos e vicissitudes que aparecem no desenrolar do processo de projeto.

Palavras-chave: arquitetura, centro educacionais unificados, cidades, práticas cotidianas.

 

 

 

 

 

 

Sesión 4: Zonas de tránsito: práctica artística y experiencia social

 

INSURGÊNCIAS CONTEMPORÂNEAS: ESTÉTICA E POLÍTICA NAS PRÁTICAS E REPRESENTAÇÕES DE COLETIVOS ARTÍSTICO-ATIVISTAS EM SÃO PAULO E RIO DE JANEIRO

Guilhermo Aderaldo Universidade de São Paulo, Brasil

 

O trabalho – decorrente de uma pesquisa de pós-doutorado em andamento – têm como objetivo perscrutar as ações e relações que vêm sendo desenvolvidas por uma diversidade de atores dedicados a práticas de intervenção visual, politicamente orientadas, em variados territórios marcados por processos de segregação. Buscarei dar inteligibilidade ao campo de possibilidades responsável pela modulação do engajamento desses sujeitos em torno de associações coletivas voltadas a iniciativas de fortalecimento de imaginários alternativos àqueles comumente reproduzidos pelos veículos corporativos de comunicação ou pelas “vozes oficiais” vinculadas aos poderes públicos, no tocante à interpretação do sentido social/simbólico das fronteiras urbanas e seus desdobramentos políticos. Por meio da análise de intervenções protagonizadas pelos coletivos Imargem (São Paulo) e Projetação (Rio de Janeiro), intenciono apontar para o modo pelo qual o sentido da categoria “cidade” têm sido razão de uma verdadeira batalha narrativa e iconográfica que, por vezes, opõe representações hegemônicas e contra-hegemônicas da alteridade nos espaços públicos das grandes metrópoles.

Palavras chave: Cidade, Associativismo, Coletivos, Intervenção visual, Engajamento.

 

 

UM BLOCO DE FUNK E A RUA: EXPRESSÕES ARTÍSTICAS E MANIFESTAÇÃO POLÍTICA

Francisca Marcela Andrade Lucena Universidade Federal Fluminense, Brasil

 

A APAFUNK, Associação de Profissionais e Amigos do Funk, mixando produção artística e cultural e manifestação política, traz, desde sua criação, o intuito de “defender os direitos dos funkeiros e lutar pela Cultura Funk, contra o preconceito e a criminalização”. No elenco de suas atividades pode-se contar com a Roda de Funk, os saraus de poesia e o mais novo componente da Associação, o Bloco Apafunk. Neste trabalho tentaremos uma incursão na “batucada” feita pelo Bloco. Onde a apresentação artística se funde com a reivindicação política? Trazendo a tona o caráter performativo e político das apresentações, tendo a música como elemento comunicador, buscaremos analisar como as apresentações contribuem para uma gramática social que conjuga prática cultural e política feitas através desse “coletivo musical de ocupação dos/nos espaços públicos. Que mediações são feitas a partir dessas intervenções? E quais elementos emergem através de um empoderamento através do direito de fala, feito através do funk?

Palavras-chave: funk, arte, espaço público, expressões artísticas.

 

 

 

OS MÚSICOS AMBULANTES: UMA ETNOGRAFIA MUSICAL DA CIDADE DE MONTREAL NO CANADÁ

Dalila Vasconcellos de Carvalho Université de Montréal, Canadá

 

Embora a presença dos músicos ambulantes na província do Québec no Canadá remonte ao século XVIII, esta apresentação irá abordar uma tema que, de modo geral, é muito pouco estudado pela antropologia da música ou pela antropologia urbana: as práticas e as trajetorias dos músicos ambulantes e o significado destas na vida quotidiana da cidade. Ao contrário de outras profissões ambulantes que desapareceram dos grandes centros urbanos modernos, os músicos ambulantes permanecem pelas ruas mais movimentadas do centro de Montreal e pelos corredores do metrô desde a sua inauguração em 1966. Entretanto, pouco se sabe sobre eles: quem são? De onde vêm? Como vivem? Porque escolheram os espaços de circulação como a rua e/ou híbridos como os corredores do metrô para a prática musical? Na escassa bibliografia encontrada sobre o tema e em particular sobre os músicos ambulantes da cidade de Montréal, estes são vistos ora como artistas marginais descartados do mundo cultural estabelecido ora como personagens históricos. Assim que através de uma perspectiva etnográfica, a proposta deste trabalho é mostrar como, à partir de suas práticas musicais quotidianas, os músicos ambulantes mobilizam formas inéditas do fazer musical, bem como, de viver e fazer a cidade. Dito de outro modo, nosso objetivo é compreender como este fazer musical quotidiano, efêmero, banal, improvisado, que escapa as classificações do saber musical tradicional, estabelece uma relação social e simbólica com os pedestres, os espaços e a cidade.

Palavra-chave: músicos ambulantes, práticas, cidades, etnografia urbana.

 

 

PRÁCTICAS MUSICALES SUBALTERNAS EN LA CONSTRUCCIÓN DEL ESPACIO PÚBLICO CONTEMPORÁNEO

Olga Picún, UDELAR, Uruguay 

 

Este trabajo problematiza la presencia del músico callejero en el marco de las transformaciones que experimentan las ciudades en un camino consolidado o no hacia la postindustrialización o globalización. Tomando como punto de partida una definición del término “músico callejero”, se propone una mirada en la que se articulan varios ejes temáticos o dimensiones, a saber: el lugar que este actor social ocupa en el campo de la música; las prácticas musicales; los conflictos por el uso o apropiación del espacio público (tanto físico como sonoro) y por el rápido crecimiento de la población de músicos en las calles, influenciado por diversos factores (aumento de los flujos migratorios, múltiples crisis económicas, restricciones en el acceso a los espacios más legítimos de la música); los procesos de interacción e intercambio entre el músico y el público y la legalidad como eventuales medios de validación de la presencia del músico en las calles. Estos ejes temáticos dialogan entre sí y con la legitimidad política de la música como institución de orden cultural. Las referidas dialógicas se sustentan en el trabajo de campo realizado en varias ciudades de América Latina y Europa.

Palabras clave: Ciudades, Postindustrialización, Músico callejero.

 

 

 

A RUA E A PERFORMANCE: PRÁTICAS, ARTISTAS E ESPAÇOS

 

Fernando Salum Alvares Da Luz Universidade Federal Fluminense, Brasil

 

Este trabalho pretende realizar uma análise espacial de teatros e performances que utilizam-se da rua como espaço de acontecimento na cidade a partir da pesquisa realizada na cidade de Belo Horizonte/Minas Gerais - Brasil. Esta escolha de recorte foi feita para que se pudessem articular o acontecimento artístico e seus agentes, com a questão da produção do espaço urbano. Neste sentido deseja-se articular, enquanto eixos de força da análise, os produtores destas formas de iniciativas artísticas e os espaços escolhidos para o acontecimento artístico. A partir dessa premissa discute-se possíveis formas de leitura entre as relações estabelecidas entre essas práticas culturais e os espaços urbanos em que acontecem. Como um artista interage com a materialidade da rua, seus usuários e seus usos são perguntas chave para se entender como se estabelecem as dinâmicas temporárias do espaço e que tipo de efeitos as mesmas podem ter sobre a rua, os espectadores e, principalmente, os próprios artistas. Tal esforço converge então nas duas questões a serem discutidas por este artigo: quais as estratégias e táticas utilizadas pelos artistas para se relacionarem com a rua e como esta relação (re)constrói suas representações da cidade, seus territórios vividos, suas práticas artísticas e a forma como ocupam o espaço urbano com sua arte.

Palavras-chave: Performance Artística, Rua, Espaço Urbano, Subjetividades e Território.

 

 

TEATRALIDADES ENGAJADAS: REPRESENTAÇÕES POLÍTICO-SOCIAIS A PARTIR DE EXPERIMENTOS TEATRAIS

Susan Weisheimer Universidade Federal de Santa María, Brasil

 

Esse trabalho apresenta o processo investigativo em andamento, acerca da pesquisa formação (NOVOA, 1992), que tem por objetivo trabalhar processos estéticos e reflexivos com jovens através do teatro político. Trata-se de uma reflexão sobre as estratégias criativas utilizadas pelos sujeitos para soluções estéticas e políticas durante exercícios de improvisação teatral. Essas ações serão estimuladas a partir de suas experiências pessoais e também de debates realizados a respeito de questões políticas e sociais através da problematização dos eventos atuais ocorridos no Brasil. É importante esclarecer que os sujeitos envolvidos na pesquisa são estudantes do Ensino Médio da rede pública, residentes de uma cidade do interior do Rio Grande do Sul – BR. Outro fator interessante de análise é que os jovens envolvidos não possuem referências teatrais teóricas e práticas anteriores a essa pesquisa. Trata-se de uma iniciação desses estudantes aos processos criativos teatrais a fim de construir de forma coletiva e experimental uma estética própria do grupo, a qual eu chamarei de teatralidade engajada. Dessa forma, esse trabalho apresenta os estudos bibliográficos para a pesquisa, os procedimentos metodológicos, as experiências criativas, as construções estéticas e as estratégias políticas elaboradas pelos estudantes. Essa pesquisa se constitui através de dois procedimentos metodológicos. O primeiro na produção de dados para análise através do Teatro Político de Bertold Brecht e Estética do Oprimido de Augusto Boal. E o segundo, para a coleta e análise para as reflexões por meio de estudos etnográficos.

Palavras-chave: Teatro Político, Estética do Oprimido, Estudos Etnográficos, Teatralidade Engajada.

 

Sesión 5: Cruces, fronteras: habitar el conflicto y el encuentro

 

 

ZHONGGUANCUN: ESPAÇO PÚBLICO E MOBILIDADE TRANSNACIONAL EM UM BAIRRO DE PEQUIM

Cristina Patriota de Moura Universidade de Brasilia, Brasil

 

O bairro de Zhonguancun, em Pequim, se caracteriza pela proximidade à prestigiosa Universidade de Pequim e à Academia Chinesa de Ciências, além de abrigar diversas empresas ligadas à alta tecnologia. Nas últimas décadas, o bairro também tem se caracterizado como um local de abrigo e passagem de jovens provenientes de diversas partes da China que almejam sair do país para realizar estudos de nível universitário no exterior. O trabalho a ser apresentado é uma narrativa etnográfica dos espaços públicos de uma área do bairro, incluído shopping centers, estações de metrô, praças, ruas e recepções de edifícios que abrigam empresas especializadas em assistir estudantes chineses em seus percursos transnacionais. Acompanhada de um ensaio fotográfico, a comunicação pretende refletir sobre processos de mobilidade social e geográfica e a inscrição de “pórticos” transnacionais em espaços específicos de uma grande metrópole. Ao colocar em foco a materialidade pulsante de um espaço de intenso trânsito, pretende-se pensar relações entre diversas dimensões da vida urbana vinculados a dinâmicas estéticas, econômicas e políticas onde o acesso a conhecimentos específicos é o fio condutor.

Palavras-chave: Espaço público, mobilidade, educação transnacional, China.

 

LAS SIETE CASAS: MEMORIA, REPRESENTACIONES Y PRÁCTICAS EN TORNO A LAS EXCLUSIONES-INCLUSIONES ÉTNICAS Y LAS DESIGUALDADES URBANAS

Soledad Laborde, UBA, Argentina

 

El trabajo analiza ciertas formas de habitar y de producir “ciudad” ocurridas en el conocido “Barrio General San Martín” o “Barrio Charrúa” ubicado en Pompeya en la ciudad de Buenos Aires a fin de comprender la relación entre la incidencia de la producción de la bolivianidad -a travésde las expresiones culturales tales como la Celebración de la Virgen de Copacabana en la construcción  del sentido de lugar- y su correspondencia con las formas de configuración del “barrio”, un proceso de más de cuarenta años de constante disputa por el acceso a mejores condiciones urbanas y de ciudad. A través del trabajo etnográfico se presenta desde el plano cultural-simbólico cómo los sujetos -en especial la población residente- representan  y construyen memorias, prácticas culturales y formas de organización que ponen en tensión la relación entre la inclusión y la exclusión étnica, las estructuras urbanas dominantes persistentes -de carácter moderno y occidental- junto con los procesos de segregación socioespacial contemporáneos en la ciudad. Se propone, aportar a una perspectiva de antropología de la ciudad que permita comprender la relación de la estructura urbana con la experiencia del habitar sociocultural a fin de dialogar con las clásicas nociones tradicionales de “barrios étnicos” y las actuales conceptualizaciones de fragmentación en los estudios urbanos.

Palabras clave: etnicidad, habitar, cultura, segregación

 

 

CIUDAD, CONVIVENCIA Y ESPACIOS PÚBLICOS

Alicia García Dalmás UDELAR, Uruguay

 

La convivencia en la ciudad, en particular en Montevideo y el área metropolitana, ha pasado a ser uno de los principales temas de preocupación en los últimos años para la población. Contracara de la (in)seguridad, muchas de las propuestas y respuestas desde las políticas públicas tienen el “territorio”, el “espacio público” y la participación ciudadana como ejes. Partiendo de cambios que se sienten como pérdidas, pero también del supuesto de la existencia de aspiraciones, pautas, valores, compartidos por “mayorías”, las propuestas parecen ir hacia la recuperación de un “tiempo perdido”. Acciones muchas veces acotadas en tiempo y espacio, con inyección de recursos e infraestructura, supone su posterior gestión por organizaciones locales o algún tipo de voluntariado. Sin tener en cuenta transformaciones que se han dado en las modalidades organizativas y los roles, en la relación Estado-Sociedad Civil, suponen un otro dispuesto a jugar un juego ya definido, más que a ser parte de la definición de uno nuevo. Desde un abordaje  de la comunicación como campo complejo, históricamente situado, buscamos aportar miradas que busquen comprender pero a la vez desnaturalizar las prácticas cotidianas, un abordaje crítico que permita profundizar en los sentidos, las modalidades de reproducción, producción, creación cotidiana del “mundo” y las relaciones, de lo privado y lo público, que no sólo complejice las explicaciones sino que aporte a la construcción de alternativas.

Palabras clave: ciudad, convivencia, espacios públicos, comunicación.

 

 

DE BARES NOTABLES, GOURMETS Y BODEGONES: ESTÉTICA Y SENSIBILIDAD EN LOS NEGOCIOS GASTRONÓMICOS PORTEÑOS

 

Mercedes González Bracco, CONICET-UBA, Argentina

Cecilia Arizaga, UBA, Argentina

 

Como parte del proceso de recualificación de ciertos espacios urbanos y nuevos sentidos simbólicos asociados al consumo, en las últimas décadas la Ciudad de Buenos Aires sufrió un proceso de reconfiguración y resemantización de muchos de sus locales gastronómicos. Este trabajo muestra un primer avance que sistematiza algunas observaciones que venimos realizando en torno a la jerarquización de estos espacios en torno a lo que entendemos como una nueva sensibilidad de las clases medias profesionales urbanas asociada a la estetización y el gusto por lo auténtico. De acuerdo con nuestra hipótesis, entendemos que estos espacios promueven  prácticas y estéticas que permiten analizar cambios materiales y simbólicos en relación a la articulación entre el ámbito público (social) y el emocional (individual). A partir de observaciones de campo y un exhaustivo análisis de fuentes escritas (diarios, revistas, páginas web, redes sociales) configuramos una tipología que distingue tres formas discursivas y estéticas de dicha sensibilidad: bares notables (asociados a una sensibilidad patrimonial), bares gourmet (asociados a una sensibilidad emocional) y bodegones (asociados a una sensibilidad vinculada a la autenticidad). Si bien estas propuestas parecen presentar a priori una apelación a sensibilidades diferentes, sostendremos que en realidad resultan caras diversas de un mismo proceso, que fomenta la recualificación de ciertas zonas de la ciudad sostenida a partir de las nuevas prácticas y sensibilidades de las clases medias profesionales urbanas.

Palabras clave: consumos culturales, nueva sensibilidad, clases medias, Buenos Aires.