RESUMEN GRUPO DE TRBAJO 67

GT 67.  COLONIALIDAD, RAZA Y PENSAMIENTO DIASPÓRICO. UN ESPACIO DE DEBATE DESDE LAS ANTROPOLOGÍAS DEL SUR

Coordinadores:

Profa.Dra.Anny Ocoró LOANGO.  Doctora en Ciencias Sociales. Facultad Latinoamericana de Ciencias Sociales (FLACSO); annyocoro@hotmail.com

Profa.Dra.Janaína DAMACENO. Doctora en Antropología/ Universidade de São Paulo (USP). Pós-Doutoranda en Sociología/ Programa de Pós-Graduação em Sociologia.  Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Brasil; djanaina@yahoo.com

Profa.Dra.Kassandra da Silva MUNIZ. Professora do Departamento de Letras da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Doctora en Linguística/ Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP); kassymuniz@gmail.com

Comentarista: Prof.Dr.Alex RATTS. Professor do Instituto de Estudos Sócio-Ambientais (IESA) da Universidade Federal de Goiás (UFG). Doctor en Antropología/ Universidade de São Paulo (USP); ratts@iesa.ufg.br

 

 

Sesión 1: Políticas, Relaciones Étnico Raciales y Producción de subjetividades 

 

 

DIÁSPORA HAITIANA, DA CONSTRUÇÃO DO “OUTRO” À REALIDADE

 

Renata Maria Brasileiro. Graduada em Antropologia e Diversidade Cultural Latino Americana (UNILA, Brasil) e pesquisadora do grupo de pesquisa: Migrações, Dinâmicas Territoriais e Integração Regional; natabrasileiraa@gmail.com

Thiago Augusto Machado. Graduando em Letras,  Artes e Mediação Cultural Universidade Federal da Integração Latino Americana (UNILA, Brasil) e  membro  do  grupo  de  pesquisa:  Migrações,  Dinâmicas Territoriais  e  Integração  Regional; machado.unila@gmail.com

 

Pensar Haiti é entender uma experiência única de um estado de liberdade política e igualdade social nas Américas que se reflete na história da independência deste país, o qual se apresenta como o  primeiro país  latino-americano independente que formulou o projeto  de  uma  república  propriamente  negra.  Nossa  reflexão  sobre  o  Haiti  parte  das sucessivas intervenções externas no país, que se iniciaram em 1915 com a interferência norte americana  e dar-se continuidade na atual intervenção brasileira  após  o desastre de 2010. Com efeito, toda a problemática se inicia ao observarmos os discursos acerca  do recrutamento dos haitianos para o Brasil e suas representações no cenário afrodiásporico brasileiro. A partir daí, temos por um lado, os haitianos como um “outro” sobre o qual se fala e se  constrói  a  chamada “Internacional  Comunitária”, que  segundo  Frank  Seguy, analisando as políticas internacionais, sempre se aparentou como apta a ocidentalização. De  outro,  percebe-se que através desses esboços políticos atuais acerca do  Haiti  estão articulados  simultaneamente  -  como  no  caso brasileiro  –  ao  mercado de trabalho que surge segundo um  centro  e  uma  zona  periférica  ambos concomitantemente ligados à uma hierarquia ético-racial estabelecida no contexto brasileiro, tendo em vista as propostas e condições de trabalho dos haitianos.  Nossa pesquisa parte de uma perspectiva etnográfica que  tem  por  objetivo  dar  continuidade a análise do trabalho vinculado ao projeto“Diáspora  Haitiana: da utopia a realidade” já realizado na cidade de Cascavel, no estado do Paraná, onde atualmente se concentram cerca de 3 mil haitianos segundo dados do projeto.

Palavras-Chave: Antropologia  do  Sul;  Diáspora  Haitiana;  Mercado  de  Trabalho;  Colonialidade; Cascavel/ Paraná.

 

 

NA TRILHA DA ALIANÇA ENTRE O CONHECIMENTO LOCALIZADO, A SUBJETIVIDADE CORPÓREA E O COMPROMISSO: a perspectiva feminista e descolonial interpeladas pelo sul do sul

Suely Aldir Messeder. Professora Doutora em Antropologia da Universidade do Estado da Bahia (UNEB, Brasil); suelymesseder@gmail.com

 

A construção do conhecimento localizado prometido na perspectiva feminista ao contrapor-se ao relativismo e a ideologia do objetivismo da Ciência Moderna, nos conduz a formular as seguintes questões: a) Como, para quem e para quê se produz conhecimento localizado? b) Como o/a pesquisador/a poderá posicionar-se em sua subjetividade corpórea sem necessariamente ocupar uma posição identitária? c) Qual o sentido da solidariedade na política nas redes de conexões? Caminhar por estas interpelações nos permitirá entabular um dialogo com três autoras Haraway (1995 2004,2009); bell hooks(1984,1994,2013) e Mãe Stella de Oxossi (1988,1993,2004,2006,2013), tendo como conceitos a serem articulados: conhecimento localizado; subjetividade corpórea e compromisso. Este caminho trilhado nos torna pesquisador/a em alerta ao imbróglio da epistemologia do Norte, cujos tentáculos invadiram espaços importantes da academia brasileira, agenciando desejos de produção de conhecimentos sob a crença de que somos modernos e civilizados, e com isto, origina-se a enunciação daqueles/as “soberanos e soberanas” da autoridade que acreditam que somente eles/as podem fazer teoria, enquanto o restante do país meramente produz vivências e/ou material empírico.

Palavras chaves: Compromisso; subjetividade corpórea; conhecimento localizado. 

 

 

DEL LÁPIZ “COLOR PIEL” A LAS MUÑECAS NEGRAS. Educación inicial  y literatura afrocolombiana 

Elizabeth Castillo Guzmán. Centro de Memorias Étnicas, Universidad del Cauca (Colombia); elcastil@gmail.com

 

El racismo se ha convertido en una forma de violencia latente en el sistema escolar colombiano, a la que nos hemos acostumbrado y de la que no nos gusta hablar mucho. Se expresa en frases, apodos, chistes, gestos y ridiculizaciones que habitan los patios de recreo, las paredes de las aulas, los restaurantes escolares y los programas de televisión. Sus estragos en la vida de las personas, es algo realmente doloroso y terrible, y  demanda en el ámbito de la educación y la pedagogía, una seria reflexión seria y profunda. Especialmente en el caso de las niñas y los niños, desde hace varios años Mena (2011); Escobar (2012) y Castillo & Caicedo (2011) vienen insistiendo en la urgencia de encarar este asunto del racismo en las prácticas e instituciones comprometidas con la educación inicial, pues la situación es tan grave, que sobrevive la práctica del lápiz "color piel", con el cual las maestras motivan a los niños y las  niñas para que reconozcan y aprendan a dibujar el tono de su cuerpo como "rosado". Desde su orilla como poeta y maestra, Mary Grueso Romero creó una literatura infantil afrocolombiana para acercar a nuestra niñez a ese acervo estético, espiritual y cultural que reposa en los cuentos e historias de la diáspora africana. Consciente de las carencias de una escuela envejecida en sus ilustraciones y narrativas, ella inventó una “Muñeca Negra”, con una historia espléndida que ahora viaja por cuenta propia, enseñando  y seduciendo con sus metáforas a madrinas-maestras de todo país. Esta “Muñeca Negra” ha demostrado que el asunto del “color de la piel” en la escuela importa y mucho. La relevancia de este flujo entre el “lápiz color piel” y las “muñecas negras” de Mary Grueso  pone en tensión objetos que representan de modo esencial la historia de la educación inicial y sus prácticas con respecto a la diferencia étnico-racial.

Palabra clave: Muñecas negras, Educación inicial  y literatura afrocolombiana.

 

 

AVANÇOS E RECUOS NA EDUCAÇÃO PARA AS RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS NO MUNICÍPIO DE GOIÂNIA

Tainara Jovino dos Santos. Mestra em Direitos Humanos - Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Direitos Humanos/ Núcleo Interdisciplinar de Estudos e Pesquisas em Direitos Humanos (UFG, Brasil). Linha de pesquisa: Alteridade, Estigma e Educação em Direitos Humanos; tainarajovino@hotmail.com

Rosani Moreira Leitão. Doutora em Antropologia pela UNB, Coordenadora da Divisão de Antropologia do Museu Antropológico e docente do Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Direitos Humanos e docente da licenciatura em Educação Intercultural (UFG, Brasil); rmleitao@terra.com.br

 

Este trabalho pretende socializar parte dos resultados da pesquisa “Educação e relações étnico-raciais: avanços e recuos numa prática pedagógica antirracista no município de Goiânia”. A pesquisa objetivou compreender o processo de construção e desenvolvimento da Educação das relações étnico-raciais e do ensino de história e cultura afro-brasileira, africana e indígena no contexto da Rede Municipal de Educação de Goiânia tendo como referência um estudo de caso etnográfico realizado na Escola Municipal Marcos Antônio Dias Batista. A análise foi realizada a partir dos referenciais teórico-conceituais da Educação Libertadora, do Pós-Colonialismo e da Antropologia Interpretativa. A pesquisa demonstra que o processo de implementação da Educação das relações étnico-raciais por meio das Leis 10.639/03 e 11.645/08 está permeado por avanços e recuos, caracterizando-se em uma proposta educacional em processo em fase inicial. Apesar de atualmente a escola estar aberta às discussões sobre as diferenças étnico-raciais, sobre o racismo ainda não se chegou a um projeto de educação antirracista. A pesquisa evidencia algumas dificuldades, no que se refere ao assunto, incluindo falta de formação docente, resistência dos professores em relação ao tema, além de dificuldades relacionadas à própria estrutura do sistema educacional. As referidas leis estão sendo efetivadas nas unidades escolares de Goiânia, mas o modo como os trabalhos acontecem ainda é alvo de questionamentos por estâncias superiores e pelos (as) próprios educadores (as).

Palavras-chave: Educação; Relações étnico-raciais; Direitos Humanos.

 

 

ANTROPOLOGIA NA UNIVERSIDADE DA INTEGRAÇÃO INTERNACIONAL DA LUSOFONIA AFRO-BRASILEIRA: vivências, desafios e perspectivas

Vera Rodrigues. Professora Adjunta no Instituto de Humanidades e Letras da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro–brasileira (UNILAB, Brasil); vera.rodrigues@unilab.edu.br

 

Na  Universidade  da  Integração  Internacional  da  Lusofonia  Afro-brasileira (UNILAB)  existe  o  curso  de  Bacharelado  em  Humanidades  na  modalidade interdisciplinar. Entre as disciplinas do curso temos “Colonização e Pensamento Antropológico” I e  II,  cujas ementas  visam  “abordar a história da colonização e suas  consequências,  fazendo  referência  ao  surgimento  do  pensamento antropológico da Europa em relação à África,  aos africanos  e  ameríndios”. No contexto  de  sala  de  aula  composta  por  estudantes  brasileiros  e  africanos oriundos dos países de língua  portuguesa, o  tema colonização e,  ainda vinculado ao pensamento  antropológico  suscita questionamentos e tensões relativos ao fazer antropológico e as implicações políticas.  Dessa situação resultam  alguns desafios: como pensar uma antropologia na perspectiva das epistemologias sulsul? Como o trabalho do antropólogo (a) pode ser (re) visto no contexto africano e  diaspórico?  Neste  quadro  situacional  quais  os  desafios  que  se  colocam  a operacionalização  dos  conceitos  de raça e racismo?  Estas questões  se projetam também  para  o  curso  de  graduação  em  antropologia,  o  qual  é  uma  das terminalidades oferecidas aos estudantes,  após a conclusão do Bacharelado em Humanidades. O curso de antropologia iniciou sua primeira turma recentemente e,  será o primeiro no Ceará e um dos poucos  no nordeste brasileiro.  Diante disso, busca-se  dialogar  em  torno  da  experiência  vivenciada  em  sala  de  aula  e problematizar a relação entre antropologia e colonialismo, buscando inserir essa discussão, talvez, no campo dos estudos descoloniais.

Palavras-chave:Antropologia; Unilab; colonização; descolonialidad.

 

 

POLÍTICAS AFIRMATIVAS E DESCOLONIALIDADE DE SABERES DENTRO DAS UNIVERSIDADES BRASILEIRAS: Programa UNIAFRO/UFOP

 

Kassandra Muniz. UNIAFRO/ Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP, Brasil); kassymuniz@gmail.com

José Américo Martins Júnior. UNIAFRO/ Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP, Brasil); zecadykalimba@gmail.com

 

Pretendemos, nesta comunicação, interrogar a universidade brasileira e mostrar a partir de uma discussão sobre descolonialidade do saber e questões negras alguns fatos históricos que marcaram a luta por ações afirmativas e que assumiram a forma de leis, como é o caso da 10.639/03, que institui o ensino de História de África e dos afro-brasileiros nas instituições de ensino. A Lei atende às reivindicações dos movimentos negros para que a educação não “vire as costas” para a contribuição histórica desses povos para a constituição da cultura, da educação e da intelectualidade do Brasil. Muito se discute em termos de educação básica mas a Universidade se mantém acima desses questionamentos e reivindicações, alegando que precisa salvaguardar sua autonomia na implementação da Lei. Neste sentido, com seus olhares acusadores, silêncios barulhentos, apagamentos das diferenças e discriminações produz não só sentimentos de vergonha e revolta, mas a exclusão de milhares de jovens negras e negros dos bancos universitários, além da ausência da história dessa população nos currículos dos cursos de licenciatura. Entre outras razões, isso acontece porque a Academia se recusa a adaptar-se a essas novas realidades, instauradas por leis, que colocaram, mas não incluíram a mulher, o negro, o trabalhador rural, o índio, o deficiente, o imigrante nos bancos escolares. É para tentar mudar esse modelo de produção científica nas universidades que alguns programas visam promover e preencher a lacuna dessas temáticas nos currículos da licenciatura e na formação dos professores que já se encontram nas escolas. Neste sentido, o Uniafro é um dos programas afirmativos que contribuem para uma mudança de paradigma dentro das universidades, uma vez que sua presença instaura possibilidades de pesquisas, ensino e extensão dentro da temática das africanidades no Brasil.

Palavras-Chave: Descolonialidade; políticas afirmativas; UNIAFRO.

 

 

Sesión 2: Intelectualidad, Pensamiento Diaspórico y Producción del Conocimiento

 

 

OS INTELECTUAIS AFRICANOS NO CAMPO DOS ESTUDOS PÓS-COLONIAIS: a antropologia endógena de Archie Mafeje

Michelle Cirne. Doutoranda em Antropologia na Universidade de São Paulo (USP, Brasil); miantropo@gmail.com

 

A pesquisa investiga a produção de conhecimento em ciências sociais na África, através da mais relevante associação destes profissionais no continente africano, que é o CODESRIA – Conselho para o Desenvolvimento da Pesquisa em Ciências Sociais em África. Através da instituição, conhecemos nomes como o de Archie Mafeje, antropólogo negro sul-africano, um dos poucos estudantes negros da Universidade de Cape Town durante o regime do apartheid. Mafeje foi atuante na antropologia desde a década de 50, e em 1971 (sete anos antes de “Orientalismo”, portanto) escreve um artigo demonstrando as falácias do que chamou de “ideologia do tribalismo”, etiqueta antropológica de carga colonialista para classificar as formações sociais africanas. Mafeje (1937-2007) em toda sua obra buscou pelo pensamento endógeno africano, e dessa forma foi nome importante nos debates teóricos do CODESRIA, pela postura por produzir conhecimento a partir da África, que caracteriza também essa instituição, desde sua fundação em 1973. Nessa apresentação iremos debater a trajetória profissional e as proposições teóricas de Archie Mafeje e questionar o lugar dos intelectuais africanos no interior do campo dos estudos pós-coloniais. Em pesquisas que se interessam por pensar outras epistemologias possíveis, consideramos fundamental investigar processos de silenciamento e de eleição do cânone no interior do próprio campo.

Palavras-chave: antropologia africana; pensamento pós-colonial; Archie Mafeje; CODESRIA.

 

 

REPRESENTAÇÕES DA “ÁFRICA” NO PENSAMENTO DE OLIVEIRA SILVEIRA: a trajetória de um intelectual diaspórico no extremo sul do Brasil

 

Santa Julia da Silva. Mestre em Antropologia pela Universidade Federal de Pelotas/RS (UFPel, Brasil); giuliadasilva@gmail.com

 

O objetivo  desse  texto  é  apresentar  algumas  reflexões  resultantes  do  meu projeto  de  mestrado,  onde  pesquisei  a  trajetória  do  poeta  Oliveira  Silveira,  no  qual  (re)defino como  um  intelectual da diáspora contemporânea,  produzido  na  experiência histórica e  cultural,  a saber, homem negro,  poeta, e  estudioso preocupado  em produzir contranarrativas  sobre  a  presença  negra  no  Brasil.  Me  aproprio  das  reflexões de Said (2005), para pensar o lugar dos intelectuais no mundo  contemporâneo. Ao longo do trabalho  cotejo  a  produção  de  Oliveira  Silveira  com  o  aporte  teórico  fornecido  por Hall (2003),  para  pensar  a  diáspora  negra  e  as  diferentes  forma  de  apropriação  dessas referências  culturais.    Dialogo  também  com  o projeto de  Gilroy  (2007),  onde busca  a desvinculação  da relação entre “identidade’ e  “raça”. O conceito  de diáspora proposto  por Gilroy  busca  uma identificação  “desenraizada”  de um território ou de  uma  nação.  Por fim,  ao  dar  um tratamento  etnográfico  a  trajetória  desse sujeito  procuro pensar  em  que medida o pós- colonialismo dialoga e se aproxima da antropologia.

Palavras-chave: identidade; diáspora; pós-colonialismo.

 

 

A DISTORÇÃO DO SAGRADO EM IDEOLOGIA: a contribuição de Roger Bastide para o entendimento da ação dialética no Brasil.

 

Dora Vianna Vasconcellos. Pós-doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação de Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade (UFRRJ/CPDA, Brasil); doravasconcellos@ig.com.br

 

Intenta-se chamar a atenção para um aspecto na obra de Roger Bastide nem sempre destacado: a interconexão entre as religiões africanas, o princípio de cisão e de participação e a ação dialética no Brasil. Embora o nome do artigo remeta a um tema já trabalhado por alguns estudiosos do assunto, qual seja, a evolução do candomblé em umbanda, ou, caso se preferir, o tema da distorção do sagrado em ideologia, iremos acentuar especificamente o significado que Roger Bastide deu a essa transformação para o entendimento do desenvolvimento histórico brasileiro. Cumpre ressaltar que, para ele, havia uma associação entre cultura religiosa e classe no país; por esta razão, os conflitos entre dominados e dominadores, durante a escravidão, se davam não pela via dos interesses opostos, mas pelo pertencimento a culturas religiosas distintas. Por meio da conversão do candomblé em umbanda, o autor retratou a perda da interação dialética entre as camadas sociais e teorizou sobre as condições que permitiam ao homem subjugado pela dominação colonial gozar de maior liberdade criativa. A descoberta do princípio de cisão permitiu a Roger Bastide reconhecer a possibilidade da ação se tornar dialética ou não ser totalmente prefigurada pela estrutura social mesmo em sociedades escravocratas, como a brasileira. É justamente a essa sua teorização sobre o homem colonizado que o artigo se dedica.  

Palavras-chave: Estrutura social; ação social; dialética.

 

 

O PENSAMENTO DESCOLONIZADOR EM GILBERTO FREYRE: hispanidade tropical e o tempo freyreano

Maria Luiza Arruda. Universidade Federal de Pernambuco (UFPE, Brasil)

Roberta Bivar Carneiro Campos. Universidade Federal de Pernambuco (UFPE, Brasil)

 

Cientistas sociais de países periféricos vêm questionando a dominação do pensamento europeu na construção das ciências sociais com base nas críticas realizadas por Edward Said (2007) e por intelectuais indianos (Veena Das 1995). A América Latina não está ausente dos debates acerca da crítica pós-colonial. Aqui também tem se ressaltado a dominação no pensamento oriunda da colonização europeia e a ausência de tradição dos países periféricos (Boaventura 2002). Mais especificamente no Brasil, Gilberto Freyre já apresentava em sua obra uma reflexão a respeito de uma hispanidade tropical (ver Aguiar 2009), conceito desenvolvido pelo autor para explicar a realidade brasileira assimilando-se à ideia de Unamuno sobre uma América dinâmica, onde nos refúgios mais altos deveriam ser preservadas as tradições consideradas eternas. A partir dessa reflexão, Freyre faz a sua consideração a respeito das ciências sociais brasileiras e o seu futuro. Este trabalho está voltado para a trajetória de Gilberto Freyre e a formação do seu projeto intelectual, buscando analisar, a partir de uma metodologia histórico-antropológica, o alcance desse impacto especialmente no que se refere à constituição da epistemologia freyreana. Entendemos que em Freyre já é possível, em certa medida, encontrar um pensamento que se propõe descolonizador. Através da hispanidade tropical, o pensamento freyreano faz frente às  ideias importadas do mundo anglo-saxão.  Nessa perspectiva, a categoria tempo é fundamental para compreender a crítica de Gilberto Freyre ao mundo anglo-saxão (Inglaterra, EUA e Alemanha), uma civilização “escravizada pelo tempo” em contraste com o mundo hispânico, “senhor do tempo”.

Palavras-chave: Gilberto Freyre; pós-colonialismo; hispanidade tropical; tempo.

 

 

ARRANJOS DA IDENTIDADE BRANCA NO BRASIL: a branquitude como conceito antropológico e como problemática das relações raciais

 

Willian Luiz da Conceição. Historiador e Mestrando em Antropologia Social na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC, Brasil); ligaspartakus@gmail.com

 

Desde 1935 com a publicação de Black Reconstruction in the United States de Du Bois que a branquitude passou a ser objeto de teorização, principalmente motivado por olhares afro-americanos em relação ao “outro”, o branco. Outro marco teórico da problemática que reconhece a existência da identidade racial branca foi publicada em 1952, pelo psiquiatra martinicano Frantz Fanon. Em sua obra Peau Noire, Masques Blancs propõe a superação das ideias de raça como fator constituinte do colonialismo. Fanon reconhece que a identidade racial branca exerce um forte poder do mundo simbólico que sustentou o colonialismo. E por que não dizer que continua exercer importante força em sociedades pós-coloniais e contemporâneas? A identidade branca que envolve nossa pesquisa surge como problemática através da constatação da ausência dos brancos nos estudos raciais no Brasil. Desta ausência e invisibilidade da branquitude nos estudos atuais (CARDOSO, 2008) as pesquisas de relações raciais tem focado quase que constantemente no negro como objeto de análise, isso se torna uma problemática importante para pensarmos as implicações das dominações raciais e os privilégios históricos adquiridos pelos brancos. A principio uma pergunta nos parece importante como nosso eixo norteador: quais as implicações, significados e efeitos da branquitude na sociedade brasileira? A partir destas e outras reflexões contemporâneas sobre a temática pretendo dar continuidade ao esforço de pensar a branquitude como problemática histórica e antropológica, das identidades e como marco teórico/analítico para pensarmos as relações raciais e as desigualdades discorridas destas.

Palavras-chave: branquitude; racismo; identidades; privilégios; invisibilidade.

 

 

AL OTRO LADO DEL ATLÂNTICO NEGRO: epistemologías de la negritud en la diáspora intelectual afropacifica en Sudamerica

 

José Caicedo. Centro de Memorias Étnicas, Universidad del Cauca (Colombia); joseantoniocaic@gmail.com

 

En América Latina y el Caribe, la producción intelectual negra se ha concentrado en lo que Paul Gilroy denominó el Atlántico Negro, una metáfora geopolítica y geo cultural que da cuenta de los procesos identitarios y de producción intelectual, cultural y estética de las zonas antillanas, especialmente anglófona y francófona. Esta amplia, variada y dispersa producción ha sido de vital importancia para analizar los fenómenos del racismo, el colonialismo y la colonialidad en esta región del continente. No obstante, en lo que respecta a los procesos y las epistemologías provenientes de intelectuales negros en otras regiones del continente latinoamericano, es menos conocido tanto sus figuras, sus militancias intelectuales y sus posicionamientos epistemológicos. Me interesa analizar las producciones epistemologías de los intelectuales negros de lo que denomino el Afropacífico Sudamericano (Ecuador, Perú y Colombia), con el fin de develar sus contribuciones al desarrollo del pensamiento anticolonial y decolonial, más allá de las fronteras geográficas y epistémicas del Atlántico.

Palabra clave:  Atlántico Negro, epistemologías de la negritud, diáspora intelectual afropacifica.

 

 

¿HAY QUE ABRIR UN ESPACIO PARA TODOS O PARA LOS QUE LLEGARON PRIMERO? Riquezas y tensiones entre la “identidad afrodescendiente” y la “identidad afroargentina”

Anny Ocoró Loango. Doctora en Ciencias Sociales Flacso (Argentina) Universidad del Salvador; annyocoro@hotmail.com

 

La diáspora afrodescendiente en la Argentina es muy heterogénea.  No sólo confluyen una diversidad de historias, expresiones y proyectos sino también la imbricación histórica de múltiples diásporas: la africana, las afrolatinas y las afroargentinas.  Estas distintas diásporas superpuestas en suelo argentino configuran un movimiento afro bastante heterogéneo que le aporta riqueza a las luchas y reivindicaciones pero que también comporta tensiones importantes en el campo político afrodescendiente.  Así entonces, esta ponencia, que se desprende de nuestra tesis doctoral, explora la riqueza y las tensiones que la pluralidad del movimiento afro genera en la Argentina, analizando en forma específica las tensiones que existen entre la “identidad afroargentina” y “la identidad afrodescendiente”.  Para algunos activistas del movimiento el debate debe instalarse en la reivindicación de la diáspora afrodescendiente para dar lugar así no sólo a los afroargentinos sino también los afrodescendientes, africanos y afro-latinoamericanos.  Para otros, se debe hacer la distinción pues a su juicio el Estado debe atender en primer lugar las demandas de los afroargentinos ya que históricamente los invisibilizó. Son estas discusiones las que guiarán la reflexión propuesta en esta ponencia, analizando las tensiones, los límites y las posibilidades de ambas propuestas. 

Palabra clave: identidades afroargentinas; identidades afrodescendientes; riqueza y tensiones diaspóricas.