RESUMEN GRUPO DE TRBAJO 63

GT 63.  ESTÉTICA, CRIAÇÃO E ARTE

Coordinadores:

Mylene Mizrahi. Instituto de Filosofia e Ciências Sociais/Universidade Federal do Rio de Janeiro; mylenemizrahi@gmail.com

Pablo Frederico Seman, Instituição: CONICET/UNSAM; pabloseman@hotmail.com

 

 

1ª Sessão – Corpo e performance

 

 

“#NãoéSóPorCabelo – Estética crespa e Identidade” 

 

Larisse Louise Pontes Gomes

 

A partir da observação sistemática de grupos organizados em uma rede social – Facebook -, somada a entrevistas realizadas entre 2014 e 2015, busca-se tecer uma discussão que problematize o “ser negra” a partir da estética crespa e suas tensões. Ignorar os conflitos provenientes de uma discussão identitária e de gênero seria um equívoco capaz de comprometer o entendimento desse contexto. Por isso, essa dimensão será evidenciada a partir da relação de mulheres negras, predominantemente, com seus cabelos crespos e suas experiências sui generis. Afinal o que o cabelo, principalmente crespo, tem a ver com o racismo? Por que o cabelo crespo se mostra como elemento que aciona uma identidade?

Através da hashtag sempre postada em diversos grupos virtuais #Nãoésóporcabelo, de movimentos e eventos como Encrespa Geral e a Marcha do orgulho crespo (ocorrida recentemente) esse trabalho revela mais uma dimensão do fenômeno da transição capilar, tema da minha pesquisa de dissertação e da qual tenho trabalhado desde 2013; uma dimensão que tensiona conflitos e busca através da estética articular questões se suma importância para a população negra.

Palavras-chave: Estética crespa; Cabelo; Identidade; Ser Negra.

 

 

ARTE Y POLÍTICA FEMINISTA EN EL COLECTIVO HILANDO LAS SIERRAS. SOBRE CUERPOS, PERFORMANCE Y ESPACIO PUBLICO

 

Sofia Menoyo

 

El presente escrito retoma anteriores trabajos que indagan la relación entre arte - teoría feminista - arte feminista y política, a partir del colectivo de artistas “Hilando las Sierras” de la Ciudad de Río Ceballos, Córdoba. En esta oportunidad nos proponemos en una “lectura distante”, y por tanto arriesgada, “modelar categorías” que nos permitan pensar las formas que toman dichas articulaciones en las prácticas actuales de un grupo artístico.

Partimos del trabajo de campo realizado por medio de observación participante, registro fotográfico, fílmico y entrevistas a las artistas del colectivo y retomamos el legado que nos proporciona la crítica de arte feminista y el arte feminista en la Argentina. Interesados en pensar las re-configuraciones devenidas de la producción de dicho colectivo, como prácticas que re-actualizan los desafíos o el “carácter herético”, en palabra de Rosas (2014), del arte feminista y que contribuyen a conceptualizaciones actuales en torno a la relación entre arte y política.

 

 

A imagem como arma – uma proposta de pesquisa sobre a trajetória das mulheres indígenas cineastas

 

Sophia Ferreira Pinheiro

 

A pesquisa em andamento, é sobre a trajetória de mulheres indígenas que produzem sua auto-imagem, utilizando-se dos métodos audiovisuais através da passagem de representação da “imagem do índio”, face às representações realizadas por políticas coloniais não-indígenas; para “o olhar indígena”, ou seja, a imagem auto-representada, política e do dispositivo cinematográfico, a partir do olhar compartilhado, de repertórios e experiências das mulheres indígenas, tornando-as protagonistas de suas reivindicações. Portanto, se contrapõem ao pressuposto lugar de passividade que é atribuído, frequentemente, na relação de produção imagética ativa/homem e passiva/mulher. Elas se afastam dessa visão romantizada e exotica (“do outro”) por meio das apropriações de seus discursos sendo sua própria agência artística, na produção de uma cinematografia indígena feminina. Deste modo, nos deparamos com uma tensão entre fronteiras e suas possibilidades discursivas abertas pelo exterior constitutivo das posições hegemônicas. É a partir dessa fissura que pretendo fazer uma experiência etnográfica de vídeo-cartas com as realizadoras audiovisuais indígenas. As vídeo-cartas são trocas de mensagens vídeográficas dos mais diversos temas. Neste projeto, elas são interétnicas e interculturais. Pesquiso dois projetos brasileiros com mulheres indígenas cineastas: o Vídeo Nas Aldeias e o Instituto Catitu, atrelados aos projetos da Associação das Mulheres Xinguanas e do Pelas Mulheres Indígenas para tentar compreender parte da questão da mulher indígena no atual panorama dos direitos indígenas brasileiro, sendo elas antropófagas das metodologias e técnicas imagéticas, para sua própria etnogênese.

Palavras-chave: mulher indígena, cinema, cineastas indígenas, vídeo-cartas, imagem.

 

 

Queers, indocumentados, sem medo e sem desculpas: Artivismos Undocuqueer of color e latina/o

Glauco B. Ferreira

 

Este ensaio trata das performances artivistas em torno de movimentos pró-imigratórios nos Estados Unidos, mais especificamente na região da Baía de San Francisco, abordando particularmente o projeto “I am Undocuqueer”, do artista e ativista Julio Salgado. Busca-se ressaltar as maneiras locais pelas quais o movimento social contemporâneo em torno dos direitos imigratórios catalisa também outras formas de pensar sobre arte, política e agência, principalmente entre populações latina/os em suas dinâmicas de organização social e cultural. Enfocam-se aqui algumas das características e processos culturais abordados em muitos dessas criações artísticas: as iniciativas e individualidades que se auto-definem como queer of color (numa tradução, “queer de cor”) e latina/os; os pertencimentos étnicos, culturais e sociais, relacionados aos lugares de origem na América Latina destes sujeitos; e seu status imigratório enquanto “indocumentados” (sem reconhecimento e sem documentos estatais oficiais) nos EUA. Neste contexto, Julio Salgado articula sentidos locais para seu artivismo (neologismo que reúne as palavras arte e ativismo), explorando o que seja o Undocuqueer (indocumentado e queer) em projetos de arte profundamente envolvidos na reclamação de direitos civis e comprometidos em abrir espaços para a configuração de distintos processos identitários interseccionais. Estas ações fomentam debates sobre o que seja a “nação americana” em suas relações orgânicas com características socioculturais latino-americanas, remetendo ainda a debates abrangentes sobre cidadania e mudança social no século XXI.

Palavras-chave:1. Artivismo; 2. Movimentos sociais contemporâneos; 3. Queer of color e latina/os; 4. Micropolíticas e agência; 5. Modos de subjetivação.

 

 

Brincar a Fantasia: uma discussão sobre performance e figuração em fantasias de blocos de rua

 

Priscila Lopes de Medeiros Garcia da Costa

 

Este artigo é parte da pesquisa que se está realizando junto ao PPGSA da UFRJ sobre os blocos de rua do Rio de Janeiro durante o Carnaval, mas especificamente no bairro de Santa Teresa. Pretendendo analisar a fantasia de carnaval no contexto dos blocos de rua, procurando jogar luz sobre a relação do brincar com o lugar que possibilita figurar, que é a própria fantasia. Lugar de reafirmação de identidades dentro do bairro, da cidade, onde os foliões, como agentes, trazem suas regiões de origem para a festa e reafirmam seu lugar dentro da cidade e do próprio bairro.

Onde seriam as fantasias de carnaval, elas mesmas, tratadas como coisas e não objetos, seguindo a trilha proposta por Tim Ingold. Artefatos abertos num processo relacionando-se com o meio ao redor onde vazam entre outros materiais, ações agentivas da natureza, porém, aqui ampliando  contanto com a colaboração humana também continuada em seu processo. Conciliando com o que DaMatta diz sobre a fantasia carnavalesca, lugar que revela, sendo a ela o traje de carnaval por excelência, operando de forma metafórica, onde há conjunção de domínios ao passo que sintetiza um papel imaginário e provisório.

Os foliões nos blocos de rua, durante os ritos momescos, permitem e tem a permissão de figurar algo sobre si,  fundindo suas criações sobre seus corpos, na fantasia carnavalesca que brincam durante o breve tempo do carnaval.

Palavras-chave: Bloco de rua. Carnaval. Fantasia de carnaval. Estética. Rio de Janeiro.

 

 

TENDÊNCIAS ORIENTAIS NA MODA FEMININA: O DISCURSO DAS REVISTAS BRASILEIRAS

Blanca Shung Luen Menezes Li

 

A problematização da análise do discurso em editoriais de moda pode ser fomento para um estudo no âmbito cultural. Tem se observado que as revistas do Brasil tem aberto espaço para temática do oriental adaptado. Sabemos que existe uma diferença cultural relativamente grande entre a cultura brasileira se comparada à cultura de países asiáticos como China/Japão em estudo. São países que construíram identidade através de marcos históricos e políticos diferentes do nosso. Bem como, possuem outros tipos de crenças e comemoram festas populares de outra maneira. Até, porque, o comportamento oriental ainda esta preso a amarras do tradicional que o povo ocidental em grande parte já se desvencilhou. Inclusive, se pode perceber entre ambos que os valores não só morais como também de vida são distintos. O antropólogo que escreve sobre a práxis social moda, quando realiza este tipo de abordagem, constrói um texto que visa à aproximação do leitor com um mundo do qual ele desconhece ou não está habituado. Na realidade, as revistas seriam veículos de transmissão de paradigma de uma cultura paralela. Os leitores muitas vezes acabam adotando posturas mantidas como modelo para não sair de padrões introjetados pela mass media. Os dois casos estão ligados diretamente ao consumo. Consumo de uma cultura metonímica, através do elemento moda. O discurso das revistas brasileiras incita hibridização entre culturas do Brasil e China/Japão de forma adaptada para que a mulher brasileira se identifique. Ao haver a negociação cria-se nova dimensão de território, entre lugar que miscigena culturas.

Palavras-chave: antropologia visual, moda, consumo, revista, discurso.

 

 

Ciudades que rugen. Un estudio sobre los usos del animal print

Jimena Inés Garrido

 

                                   “As far as Im concerned, leopard is neutral” Jenna Lyons

 

Las personas aparecen en pieles y máscaras que les permiten estar en el mundo, confirmarlo, transformarlo. Me detengo en el rugido arrollador de las ciudades que caminé. Las pieles se vistieron  con estampas felinas. Ropas, collares, pulseras, cinturones y aros, carteras y zapatos, ollas para cocinar, tapas de cuaderno, sombreros, colchas, alfombras, juguetes, tortas, se han teñido de “animal print”.

En el siguiente trabajo propongo, a partir de una lectura de publicaciones especializadas en moda y decoración, analizar cómo en los usos del “animal print” se disputa y hace género, clase, ecología. A la vez que el animal print es valorado en su potencial “democratizador” en tanto “todos” lo usan, se erigen modos de usarse que distinguen y resguardan grupos. 

Podemos pensar el rugido del “animal print” como un gesto revelador de unos animales que llegaremos a ser, de unos animales que irrumpen con imaginaciones renovadas. Con estos estampados, se reactualizan las disputas por distinguirse y encontrar un lugar de estima entre tantos felinos. 

Palabras Claves: animal print; gesto revelador; distinción.

 

 

O espetáculo do não-branco: Representação e consumo do "étnico" na moda

Fernanda Martinelli e Tayã Queiroz

 

Essa proposta de trabalho investiga a representação do "étnico" na moda em editoriais da revista Vogue brasileira. Analisamos como se estabelece a relação com a alteridade nesses contextos, com um olhar atento às narrativas que marcam as diferenças e constroem a fronteira da identidade étnica. Sobretudo, pensamos o papel do consumo de moda nesta fronteira, e como ele a torna porosa e fluída a partir de apropriações esteticizadas, ou seja, de estereótipos. Delimitamos o lugar da revista Vogue na manutenção dos discursos sobre o que é “moda étnica”, se inserindo em um “regime de representações” como um painel de sonhos e de orientação para o consumo.

As representações do que a revista define como “moda étnica” são constantemente associadas a referências externas à cultura branca-ocidental-moderna, centradas na oposição binária ao branco – tecnológico, intelectual, desenvolvido – enquanto o não-branco é relacionado ao natural, primitivo, “exótico”, “selvagem”.A interlocução das identidades oposicionadas se dá em função dos corpos das modelos serem majoritariamente brancos, mas adornados com indumentárias esteticamente estereotipadas por apropriações de culturas não-brancas. Por outro lado, os títulos e legendas dos editoriais que representam a moda “étnica” marcam a diferença enfatizando os contrastes, como nas chamadas “Rasta Chique”, “Tribal Deluxe” e “Cacique Hi-tech”. O percurso analítico tem como base a metodologia proposta por Stuart Hall em “The Spectacle of Other” (1997). O autor procura entender como o ‘outro’ é significado a partir dos discursos de exibição (poética) e das relações de poder (política). Desta forma, a representação é pensada como comunicação de múltiplos significados de diferenças, tanto em termos conotativos quanto denotativos. Hall orienta a pensar quais significados, tanto textuais quanto imagéticos, o emissor – neste caso a revista Vogue - tenta privilegiar ou fixar. Atentamo-nos, sobretudo, à fronteira da identidade étnica, ou seja, às marcações de diferenças do ‘eu’ para o ‘outro’, nos termos de Fredrik Barth em “Grupos étnicos e suas fronteiras” (1997).

Palavras-chave: moda; etnicidade; representação; consumo; cultura.

 

 

Do croqui à academia: a biografia cultural de um vestido

 

Aline Lopes Rochedo

 

Um vestido criado há mais de quatro décadas pelo estilista Rui Spohr, em Porto Alegre, e adquirido por Heloisa Pinto Ribeiro, membro da aristocracia rural gaúcha, conduz esta pesquisa que resultou em minha dissertação de mestrado em Antropologia Social (2015). Ao ingressar no campo, no final de 2012, identifiquei três eventos que alteraram significativamente o status do vestido e sua relação com os sujeitos a ele ligados: a criação/apresentação/venda do bem, em 1971; o resgate da roupa do próprio roupeiro pela proprietária para sua festa de 80 anos, em 2011; e uma exposição temporária sobre moda realizada no Museu de Arte Brasileira (MAB), em 2012, em São Paulo, onde o artefato sintetizou a carreira de quase seis décadas do criador durante dois meses. Após este último evento, a roupa retornou à capital gaúcha e continuou provocando os sujeitos a ela alinhavados. Converteu-se, por exemplo, em alvo de disputa entre o estilista e a cliente: para Rui, a peça se tornou “obra de arte” e deveria ser doada ao seu acervo de “artista”; para Heloisa, o mais importante estaria no fato de ela, a dona, ter guardado e zelado pelo item por 40 anos, e este deveria permanecer em seu roupeiro. A partir de um mesmo objeto, portanto, dois personagens constroem narrativas divergentes, cada um se impondo como protagonista. Nesse processo, tranço as três trajetórias e me esforço para demonstrar como este vestido exerce agência por onde e com quem circula.

Palavras-chave: Objeto biográfico, biografia cultural, agência, moda.

 

 

RITUAIS DE PASSAGEM BORORO: CONSERVAÇÃO, FABRICAÇÃO E DESTRUIÇÃO DO CORPO

Junior José da Silva

 

No final da década de 1970 um grupo de antropólogos, chamou a atenção para o papel da corporalidade nas sociedades indígenas brasileiras estabelecendo que as características adquiridas pela pessoa, ao longo do seu crescimento, não são concebidas por meio de determinação genética ou biológica, mas sim fabricados pela comunidade, ou seja, corpo e pessoa são moldados, esculpidos segundo as prerrogativas e estilos do grupo. Tal processo de objetivação ocorre mediante a sua máxima particularização, promulgada a partir de uma complexa linguagem simbólica em torno da decoração e exibição do corpo, durante os vários ritos que marcam o clico da vida comunitária. Neste sentido, o trabalho proposto aqui, tem por objetivo fazer uma análise dos processos de estetização do corpo a partir dos rituais de passagem Bororo, buscando entender a classificação da vida social e as categorias de identidade pessoal que se expressão nos idiomas corporais, ora sendo afirmado, por meio da alimentação, das restrições sexuais, da ornamentação e produção, ora sendo negado, mediante os resguardos por doença, a escarificação, o luto e o horror pelo corpo morto.

Palavras-chave: Ritos de Passagem; Bororo; Corpo; Estética do Corpo.

 

 

2ª sessão – Visualidade e experimentos artísticos

 

 

CAMINHOS DA IMAGEM: ENTRE O SENSÍVEL E O VISÍVEL NO UNIVERSO ALTO-XINGUANO

Luiza de Paula Souza Serber

 

Proponho em minha pesquisa investigar no universo alto-xinguano como se dá o encontro entre um estilo particular de ver e mostrar - relacionado a um estilo próprio de pensar (Lagrou, 2013, p. 35) - com as possibilidades oferecidas pelas tecnologias audiovisuais. Assim, a análise se dará por meio do cruzamento de duas vertentes complementares. A primeira compreende a imagem em seu sentido mais amplo, como um elemento pertencente a um complexo universo estético/visual no qual atua como instrumento perceptivo que implica em operações mentais específicas (Lagrou, 2013, p. 35). A segunda vertente concebe a imagem como um produto visual particular, fruto do uso de tecnologias audiovisuais, compreendido enquanto criação artística. Desta forma, pretendo revelar de que maneira as concepções alto-xinguanas de imagem podem estar se atualizando, transformando e reinventando a partir destas novas tecnologias. Para tanto, pretendo acompanhar realizadores indígenas ao longo das etapas de produção audiovisual, enfocando particularmente em algumas realizadoras mulheres (formadas em oficinas oferecidas pelo Instituto Catitu). Elegi este foco por considerar que a produção cinematográfica destas mulheres constitui um lócus privilegiado para se observar uma relação existente entre estética e agência (Gell, 1998). Relação que, amplamente atestada nas artes ameríndias, também parece se atualizar aqui e se evidenciar através da influência que a produção cinematográfica exerce sobre a atuação política destas mulheres. Em diálogo com a proposta deste GT, proponho uma análise não centrada na produção audiovisual em si, mas no modo pelo qual ela nos permite adentrar mundos complexos, seus sujeitos e valores cosmológicos.

 

 

 

No ir e vir das mirações: Poéticas dos pintores Juan Carlos Taminchi e Ruysen Flores Venancino

Luísa Helena Figueiredo Peixoto

 

A Antropologia tem se dedicado desde a sua criação ao estudo da cultura material e das artes. No entanto, os referenciais teóricos e abordagens metodológicas para investigar acerca da teoria das artes na antropologia expandiram seu repertório para novos olhares e espaços. Os pontos de partida deste estudo são os relatos etnográficos recolhidos por mim recentemente no distrito de Yarinacocha, na amazônia peruana. Nesse sentido, busca-se refletir a respeito da poética de dois pintores mestiços, a saber, Ruysen Flores e Juan Carlos Taminchi, os quais vivenciam tanto o contexto indígena ucayalino, quanto possuem formação em Artes (clássicas européias) em uma escola de pintura da região. Propõe-se compreender também conceitos como de intenção, apropriação dentro do estilo que tais pintores designam por arte visionária ou ayahuasqueira. Estes conceitos podem ser ainda mais problematizados quando se pensa que tais expressões estéticas são recebidas em alguns contextos como arte indígena, e, em outros, como arte contemporânea, dando relevo à ambigüidade que porta o termo ‘arte indígena contemporânea’.

Palavras-chave: arte visionária, apropriação, intenção, arte indígena contemporânea.

 

 

Interfaces criativas e experimentações estéticas: Paulo Nazareth, Laura Lima e Jun Nakao

Mari Lúcie da Silva Loreto

 

As artes visuais se manifestam não apenas nos espaços institucionalizados, pois os processos criativos estão em constante movimento e geram transformações que permitem mudanças na percepção. O lugar da estética se desloca no campo previamente institucionalizado e incorpora uma dinâmica com facetas as mais sugestivas. Este estudo interroga as questões conceituais das margens artísticas e a inserção da estética e visualidade a partir de produções que incorporam o diálogo e tensão entre moda, comportamento e o próprio cotidiano. A natureza polissêmica dos processos criativos permite diversas interações entre o artista, o pesquisador, o público e o objeto de estudo, proporcionando informações valiosas para a realização de diversos tipos de pesquisa em uma reflexão que integra campos de conhecimento como a antropologia, a sociologia, os estudos culturais.

O presente trabalho discute aspectos de alguns exemplos dos limiares dos processos de criação e apreciação das obras tendo como enfoque as produções de Paulo Nazareth, Laura Lima e Jun Nakao.   As ideias de Reinaldo Laddaga, Michel Maffesoli, Nicolas Bourriaud e outros autores complementam esta reflexão sobre arte contemporânea e os territórios de transformações profundas e confluências instigantes, o que não surpreende no cenário dinâmico do nosso tempo.

Palavras-chave: Processos criativos, arte contemporânea, cotidiano, experiência estética.

 

 

Teatralidades Engajadas: representações político-sociais a partir de experimentos teatrais

Susan Deisi Weisheimer

 

Esse trabalho apresenta o processo investigativo em andamento, acerca da pesquisa formação (NOVOA, 1992), que tem por objetivo trabalhar processos estéticos e reflexivos com jovens através do teatro político. Trata-se de uma reflexão sobre as estratégias criativas utilizadas pelos sujeitos para soluções estéticas e políticas durante exercícios de improvisação teatral. Essas ações serão estimuladas a partir de suas experiências pessoais e também de debates realizados a respeito de questões políticas e sociais através da problematização dos eventos atuais ocorridos no Brasil.

É importante esclarecer que os sujeitos envolvidos na pesquisa são estudantes do Ensino Médio da rede pública, residentes de uma cidade do interior do Rio Grande do Sul – BR. Outro fator interessante de análise é que os jovens envolvidos não possuem referências teatrais teóricas e práticas anteriores a essa pesquisa. Trata-se de uma iniciação desses estudantes aos processos criativos teatrais a fim de construir de forma coletiva e experimental uma estética própria do grupo, a qual eu chamarei de teatralidade engajada.

Dessa forma, esse trabalho apresenta os estudos bibliográficos para a pesquisa, os procedimentos metodológicos, as experiências criativas, as construções estéticas e as estratégias políticas elaboradas pelos estudantes.

Essa pesquisa se constitui através de dois procedimentos metodológicos. O primeiro na produção de dados para análise através do Teatro Político de Bertold Brecht e Estética do Oprimido de Augusto Boal. E o segundo, para a coleta e análise para as reflexões por meio de estudos etnográficos.

Palavras-chave: Teatro Político. Estética do Oprimido. Estudos Etnográficos. Teatralidade Engajada.

 

 

O GRAFFITI COMO EXPRESSÃO ARTÍSTICA E INTERVENÇÃO URBANA – PRÁTICA E LINGUAGEM ESTÉTICA ENTRE RUAS E GALERIAS

 

Beatriz Novo Rodrigues Silva

 

O graffiti, no âmbito das artes visuais, sempre transitou entre ruas e galerias e, passa, cada vez mais, de uma posição periférica para uma mais central, ganhando legitimidade enquanto arte reconhecida por um padrão valorativo e estético na sociedade. Nesse contexto, me interessa pensar quem é esse novo artista que surge na cena contemporânea da arte? Em que ambientes ele quer se expressar? Como ele atua e, em que tipos de condições deseja pintar? Quais os elementos que compõe a estética desse “novo artista”? Ele solicita para si o reconhecimento como artista ou o renega?

A proposta destas reflexões é compreender as especificidades da prática do graffiti na subjetividade de artistas-grafiteiros, e refletir sobre como o graffiti se constrói enquanto linguagem estética. Desse modo, busco tensionar diferentes perspectivas sobre o graffiti como temática de estudo e investigação na esfera das Artes Visuais e, ao mesmo tempo, das Intervenções Urbanas.

Ao longo dos trabalhos de campo e entrevistas que tenho realizado para investigar mais profundamente as questões aqui colocadas, meus interlocutores têm se mostrado em circulação bastante ativa entre diversos ambientes de produção e, exposição, de graffiti, isto é, eles pintam: em muros, em telas, em paredes de residências, assim como paredes de restaurantes, hotéis, centros culturais, entre outros ambientes privados e públicos.

A análise a partir destes sujeitos, que transitam entre diferentes espaços, e pertencimentos, ajuda a vislumbrar complexidade de seus processos criativos, e as diferentes dimensões que envolvem a produção estética do graffiti.

 

 

Encuentro en la línea, la Avenida Reforma en el Distrito Federal, México

Fabián Perciante García

 

La presente ponencia intenta dar cuenta de algunos procesos de la investigación realizada en la Avenida Reforma del Distrito Federal en México.

A partir de la experiencia en el trabajo de campo con un enfoque en la interdisciplinaridad apoyados en la etnografía y los estudios de la imagen, se aborda este lugar como espacio-tiempo en uno de los sitios más neurálgicos y emblemáticos de la capital mexicana.

La avenida también conocida como Paseo de la Reforma es sin duda una arteria principal de la ciudad, al tiempo que evoca de manera constante una historia que continúa reelabora su contexto a través de la insistente contemporaneidad urbana. El trabajo buscó interactuar en ese contexto a través del acercamiento a diversos modos de apropiarse del espacio y su relación entre el tiempo vivido y el tiempo pensado. Se indaga en las representaciones también desde el propio investigador teniendo en cuenta tanto las fragmentaciones como las reivindicaciones del trayecto de la avenida, sus diversos usos y desusos, las proyecciones temporales, y los acuerdos para esas representaciones.

Para trazar la coyuntura se hace referencia a la idea de -acuerdo latente como acontecimiento- y a una idea de línea (tiempo-espacio) que se dispersa. 

Estos dos componentes y su relación con la imagen aparecen de modos diversos en el contexto de la avenida planteando un entramado práctico-teórico como proceso y metodología. 

Palabras clave: Avenida, conflicto, acuerdo, tiempo, imagen.

 

 

Modos de produção cultural no Brasil: práticas em disputa

Victoria Irissari

Nas últimas décadas têm aparecido novas tensões, mudanças e interrogações em torno a produção cultural. O dispositivo socio-técnico configurado a partir da rede digital Internet, as tecnologias de informação e comunicação, os produtores, os intermediários e os consumidores (e as combinações possíveis entre todos eles), abriram novos interrogantes sobre a forma de organização social e as práticas associadas a ela. No Brasil, com a chegada de Gilberto Gil ao Ministério de Cultura se colocaram no debate as políticas públicas as quais eram apresentadas como políticas em sintonia com as mudanzas que desde na década do noventa aconteciam no mundo a partir da massificação do uso de tecnologias digitais para a produção, circulação e consumo de diferentes bens culturais. Desde o Estado se redefiniu o conceito de cultura; de participação cidadã através da cultura; e de desenvolvimento de capacidades de gerenciamento ou gestão de cultura dos grupos da sociedade civil.

A partir de um trabalho etnográfico desenvolvido no Brasil, o presente trabalho busca analisar os modos de produção cultural de um movimento artístico-cultural emergente, o movimento Fora do Eixo, organizado em rede ao longo do país. O artigo explora o tipo de produção cultural que se produz a partir da convergencia tecnologias digitais em rede, formas de organização e de participação política, concepções sobre o trabalho artístico e suas formas de remuneração, que disputam seu lugar no campo da produção cultural.

Palavras-chave: rede artístico-cultural, tecnologias digitais, produção.

 

OLHANDO E PENSANDO: UMA EXPOSIÇÃO DE CARICATURAS DE PENSADORES ENQUANTO DIMENSÃO PEDAGÓGICA

Marcio José Melo Malta

A proposta do trabalho é refletir sobre a recepção do público visitante a uma exposição de caricaturas de pensadores. As imagens foram realizadas pelo pesquisador, que conjuga o ofício de cartunista com o de professor do curso de Ciências Sociais. Uma série de exposições de desenhos de pensadores clássicos internacionais e brasileiros foi realizada no âmbito de vários campus universitários do Estado do Rio de Janeiro.

Existe na proposta uma busca pela dimensão sinestésica, que se dá através da junção da apresentação das artes impressas e a execução de músicas relacionadas a cada temática, discursos proferidos pelos pensadores, assim como a leitura de trechos de suas obras e projeção de vídeos e da temática ensejada.

O objetivo do trabalho é dimensionar através da reflexão etnografia a percepção  do público visitante, na sua maioria da comunidade acadêmica universitária, sobre o conteúdo exposto em um local público como a Universidade. A questão central é como dinamizar o aprendizado e a percepção do conteúdo do pensamento clássico e nacional  através da ferramenta pedagógica em questão. Cabe destacar o uso de tecnologias múltiplas contemporâneas, como a projeção de arquivos digitais e o poder do audiovisual na produção de significados para as gerações contemporâneas. Dentre o rol de autores que auxiliam a discussão estão, dentre outros, Barthes, Weber, Darnton, Koselleck e Hobsbawn.

Palavras-chave: arte, filosofía, sinestesia, ensino, caricaturas.

 

 

SOBRE A PELE, O RIO: VIAGENS, FLUXOS CONTÍNUOS, AMBIENTES, EXPERIÊNCIAS INTUITIVAS, O CORPO OS ATLAS DE R(EX)SISTÊNCIA

 

Cláudia Leão

Luana Peixoto

 

Este artigo pretende pensar as viagens como processos artísticos dentro de um circuito de vivências intensas entre paisagens e passagens e relações com o outro, por meio do diálogo entre antropologia e arte, a que chamo de fluxos contínuos. Assim esse procedimento vem constituir as tessituras entre corpo, mapas e desenhos de r(ex)istências, nas tentativas de compreender o sentido de pertença, relações de amor, saudade, experiências intuitivas, arte, cultura e política na região Amazônica. As viagens a que me remeto, são as realizadas em barco pelos rios Amazonas e Xingu. A base teórica, onde está fundamentada esta pesquisa, está no conceito de paisagem, ambiente e corpo entrelaçados a partir do filósofo japonês Tetsuro Watsuji, de vivências e experiencia do antropólogo Ryuta Imafuku, e o sentido de viagem para o poeta japonês, Matsuo Bashô.

Palavras-chave: Arte; viagens, fluxos contínuos; Intuição; paisagens, rios da Amazônia.

 

 

A dialética do novo e do tradicional em “A vida como ela é”

 

Rosano Freire

 

Buscamos mostrar como, em “A Vida Como Ela É...”, os elementos mobilizados do social para a organização interna da obra são justamente aqueles relativos aos valores sociais, que orientam o comportamento dos sujeitos. Orientamo-nos pelo postulado metodológico de Antônio Candido, que sustenta que as condições externas importam na medida em que atuam na estrutura interna do texto, trabalhando como força motriz da sua composição. Isso permite que o meio seja usado não apenas como enquadramento histórico para o objeto literário, mas como fator explicativo dele. Localizamos, em “A Vida Como Ela É...”, duas ordens de valor. A primeira, a do Rio de Janeiro, em um processo de “metropolização”, e, assim, trazendo em seu bojo características próprias à cidade moderna, como a diferenciação dos espaços sociais e a maior possibilidade de realização individual. A segunda, a da Família, que postula regras tradicionais de comportamento e maior hierarquia entre os indivíduos. Como característica marcante da família patriarcal brasileira, estaria o seu papel na organização social e seu desejo de controlar os membros do grupo. Na ficção elaborada por Nelson Rodrigues, as duas ordens concorrem para orientar os indivíduos e em permanente atrito. De acordo com a sua visão conservadora, o mundo moderno está dotado de um caráter disruptivo e desagregador, que atua principalmente sobre os laços tradicionais da família. Pode-se falar, portanto, de uma dialética do novo e do tradicional em “A Vida Como Ela É...” – cuja síntese pende sempre para o primeiro elemento, estando refletida pelo elemento trágico dos seus escritos.

Palavras-chave: A Vida Como Ela É...; Nelson Rodrigues; modernização; valores.

 

 

3ª Sessão – Sonoridades e materialidades

 

 

“CULTURA DO VINIL”: UM ENSAIO SOBRE OS DISCOS “OBSCUROS”

 

Felipe Viana Gomes Brandão

 

Esta comunicação é um desdobramento do projeto de pesquisa intitulado “‘Cultura do Vinil’: práticas e representações entre os amantes do LP no Rio de Janeiro” que realizo sob orientação da profa. Renata de Sá Gonçalves e como parte da minha formação no Mestrado em Antropologia pelo PPGA/UFF.

A partir de uma “observação de perto e de dentro” (MAGNANI, 2002), acompanho “amantes do vinil” em seus "garimpos", escutas domésticas e os entrevisto acerca de seus acervos pessoais. Tanto na observação de campo, como na pesquisa bibliográfica, a categoria nativa “Cultura do Vinil” é constantemente evocada, usada geralmente no sentido de indicar idiossincrasias de um possível "mundo do vinil". Assim, a presente investigação toma como objeto de análise as práticas sociais engendradas a partir da relação entre objeto e agente sociais, ou seja, LP’s e “amantes do vinil”.

No léxico dos possuidores de discos na “cultura do vinil” apresentam-se uma série de categoriais sociais para classificar LP’s. “Lixo”, “básico”, “mosca branca”, “obscuros”, seriam exemplos de categorizações que constroem a experiência social neste universo. Neste artigo, pretendo fazer uma análise acerca da construção social do que é chamado um disco "obscuro” e sua relação e importância para a “cultura do vinil”, a partir da trajetória social (KOPYTOFF, 2008) de obras como “Krishnanda” (1968) de Pedro Sorongo e “Arthur Verocai” (1972) de Arthur Verocai.

Palavras chave: discos de vinil; antropologia urbana; cultura material.

 

 

Dar la talla del artista”: la conformación de un catálogo musical para un sello musical emergente de la zona metropolitana de Buenos Aires

Ornela Boix

 

La investigación de doctorado que da lugar a esta ponencia propone analizar en su emergencia la configuración mutua de organizaciones socio-musicales y de trayectorias “profesionales” en la música para sujetos que se visualizan como una nueva generación en la música y que se identifican, no sin conflictos, con la categoría de lo “emergente”, a partir de la descripción y análisis de un caso en el que ocurre esa imbricación para el período 2011-2015 en la ciudad de La Plata. Para ello se ha realizado una etnografía con el sello musical Concepto Cero, sus participantes y sus redes, con rango de acción en la ciudad de La Plata y la zona metropolitana de Buenos Aires.

En este contexto, el objetivo de esta ponencia es mostrar el punto de encuentro entre la conformación de Concepto Cero como organización socio-musical “profesional” con el desarrollo del catálogo de discos. Se entiende de esta manera al catálogo como un punto de llegada de un proceso de profesionalización, a la vez de un punto de llegada de nuestra investigación. En este plan, en un primer momento, se presentan los discos que forman parte del catálogo al cierre del período a partir de su sonoridad, su materialidad y su estética. En un segundo momento se relacionan estos objetos con el proceso de profesionalización: ¿por medio de qué procesos se fueron incorporando estos discos?, ¿bajo qué criterios y expectativas tensionadas?, ¿a partir de qué categorías estéticas y morales? Por último, a partir de las discusiones anteriores, se sistematizan las categorías que entran en juego en la elaboración y presentación de este catálogo para volver sobre un interrogante central de nuestra investigación: ¿Qué es lo efectivamente emergente en la música juvenil contemporánea en la zona metropolitana de Buenos Aires?

 

 

Festivais de música eletrônica: práticas e representações

 

Maria Carolina Soares

 

No final do século passado, a música eletrônica contribuiu para definir um conjunto de

práticas e representações que ficariam conhecidos como culturas clubber†e raver†. De

espaços underground a celebrações da cultura urbana, este estilo musical se tornou parte de um mercado internacional de festivais de grande escala, que no Brasil se manifesta a partir de versões importadas e interpretações locais. Diferentes subestilos

da música eletrônica e audiências se relacionam à esses eventos, porém cada um deles acentua e celebra uma forma particular de estilo de vida projetada através do uso coletivo e compartilhado de um conjunto de imagens, textos e objetos. Os festivais são eventos transmidiáticos, com seus enredos ampliados e perpetuados através de vídeos, fotos, redes sociais, jogos, roupas e inúmeros produtos associados. Esses eventos são, portanto, parte de uma indústria da experiência, que cria performances, identidades visuais e fluxos de mediação entre as esferas físicas e digitais. A experiência do festival deixa de existir em um espaço tempo determinado para se antecipar e estender através de diversos canais digitais. Assim, o objetivo deste trabalho é analisar o sistema de símbolos e valores que se estabelecem a partir das celebração de festivais de música eletrônica através da circulação de imagens, mensagens e objetos e que configuram a experiência de participar desses eventos. As reflexões se elaboram a partir do trabalho de campo realizado em festivais de música eletrônica bem como em grupos de discussão nas redes sociais, além de entrevistas com participantes desse tipo de evento.

Palavras-chave: cultura jovem, entretenimento, estilo de vida.

 

 

INTERSEÇÕES ENTRE ACORDOS ÉTICOS, RESPOSTAS ESTÉTICAS E IDENTIFICAÇÃO MUSICAL

Paulo Henrique Barbosa Dias

 

A análise proposta no paper parte do princípio de que a música – como demais expressões artísticas -, na medida em que as coletividades se reconhecem a si mesmas como grupo por meio da atividade cultural e  de juízos estéticos, é uma  maneira de estar no mundo.  No texto discuto como as práticas e as sensibilidades musicais funcionam provendo elementos para interpretações das relações coletivas e individuais. Admitindo que normas sociais e definições do que é moral e culturalmente aceitável informam aqueles juízos, proponho uma averiguação de como, na música, ideologias sociais, códigos éticos  e sentimentos cívicos, articulam-se com.

 

 

Criatividade e iconicidade sônica nas performances narrativas de raps (e entre rappers) do sul do Brasil

 

Luana Zambiazzi dos Santos

 

Partindo de um estudo etnográfico de orientação etnomusicológica sobre as narrativas sônicas de uma Cohab, conjunto habitacional popular da Região Metropolitana de Porto Alegre/RS, sul do Brasil, procuro neste trabalho discutir especificamente como raps produzidos por operários da indústria do metal tornam-se estetizações, performances da vida urbana. Ao girar em torno das políticas de participação de raps do grupo Mesclã, procurarei mostrar como o conflito, narrado através da ambiência da violência urbana e da revolta, na iconicidade sônica, não faz parte exclusivamente da memória coletiva do rap, ou como diria Steve Goodman (2010), da força sônica proveniente das músicas afrofuturistas, mas, mais intensamente, torna-se uma forma de lidar com territórios e agenciar posicionalidades de meus interlocutores em face dos seus espaços de circulação, inclusive em relação aos seus imaginários e figurações sociais a respeito de processos globais. A articulação desses diferentes territórios nos raps, nas performances narrativas, em que as imagens da “luta” diária e do cotidiano “maquínico” do “chão de fábrica” são compartilhadas entre meus interlocutores, permite aos rappers construir algo que, na rítmica de seus cotidianos, torna-se “novo” e é interpretado pelos próprios como ação criativa nos seus projetos de narrar da cidade, “de reportar o som da rua”. Esses raps, portanto, em sintonia com este GT, possibilitam uma discussão sobre a noção de criatividade como tônica narrativa nas dinâmicas populares e urbanas na contemporaneidade.

Palavras-chave: criatividade; iconicidade sônica; performances urbanas; performances narrativas; raps.

 

 

BATALHA DO MERCADO: PERFORMANCES E POÉTICAS DO DUELO DE RIMADORES

Vinícius Teixeira Pinto

 

O rap e outros conceitos relativos têm se atualizado em uma gama diversificada de performances musicais ao longo dos últimos anos no Brasil. Partindo das contribuições da Antropologia da música, é possível tratá-lo como um gênero musical de poética própria que cria o mundo e recria a si mesmo de acordo com variáveis contextualizações. Não obstante, para uma abordagem aprofundada em relação a estas atualizações é adequado propor descrições que busquem elencar a maior quantidade de componentes linguísticos que fazem parte de suas performatizações, sem restringir-se a aspectos meramente sonoros. Assim, é importante lembrar que elementos verbais e visuais também fazem parte da elaboração de tais músicas. Para o artigo em questão, propõe-se uma análise de performatizações do rap na Batalha do Mercado, uma rinha de rimadores em Porto Alegre (RS), cidade do sul do Brasil. Trata-se aqui a música e também o duelo entre rimadores enquanto obra aberta, isto é, composições construídas nos diálogos estabelecidos entre emissores e receptores. Dentro do rap, é provável que a principal característica de tal modalidade musical seja a diminuição da demarcação entre cantores e audiência, afinal neste caso os resultados finais das disputas entre MC's são sempre dependentes da participação do que convenciona-se chamar por público. O principal interesse será apresentar a contextualização de alguns conceitos recorrentes nestes duelos, especialmente o modo como recria-se a cidade e o chamado “rap gaúcho”. Todo material utilizado para a abordagem é oriundo de pesquisa etnográfica realizada no primeiro semestre de 2014 no referido duelo de cantores.

Palavras-chave: Rap; Antropologia da música; Performance; Duelos musicais.

 

 

Nuevas estéticas en el tango actual

Victoria Polti

 

En los últimos 30 años se ha ido configurando en Buenos Aires una escena local a partir de una búsqueda de renovación en el tango signada por el surgimiento y consolidación de numerosas formaciones musicales (variadas en cuanto a cantidad de músicos, instrumentación y propuestas estéticas), conformadas por jóvenes que desde los comienzos renovaron significativamente los cánones tradicionales del tango y que en muchos casos se han definido en términos de tango joven, nuevo tango, tango contemporáneo, o tango de ruptura, generando nuevos circuitos de producción, distribución y consumo musicales.

Estas nuevas formaciones comparten algunos sentidos y tradiciones estéticas con generaciones anteriores pero en muchos casos confrontan y disputan otros sentidos colaborando en la conformación de paradigmas estéticos ligados a subjetividades contemporáneas más porosas, flexibles, multiculturales y fragmentadas.

Estos nuevos sentidos resitúan estilística, estética, sonora y políticamente al tango interpelando a una tradición que aún hoy nos ofrece tensiones y debates sobre el alcance y la “autenticidad”, el “adentro” y el “afuera” de un género que más bien parece estar corriéndose de la cristalización de emociones como la tristeza, las normas y la etiqueta en la danza, la moral o la pertinencia espacial y temporal de sus letras.

En el presente trabajo propongo algunas reflexiones en torno al contexto de surgimiento de esta considerada nueva etapa que numerosos grupos de tango actual reconocen o asumen como propios, y el abordaje de esta escena local a partir de ciertas trayectorias musicales y sonoras.

Palabras claves: nuevo tango – nuevas estéticas – espacio sonoro – experiencia musical – biografía sonora.

 

 

Modos de dar sustentabilidad a una carrera artística y un home-studio de rap en el conurbano bonaerense

 

Sebastián Muñoz

 

El trabajo a presentar intentará explorar las prácticas y discursos que el “referente-administrador” de un estudio de producción musical casero de rap de Buenos Aires (llamado Núcleo) elabora para dar sustentabilidad económica y simbólica al estudio y a su proyecto artístico personal. En este proceso interesa observar las articulaciones entre lo estético, lo social y lo económico, y es fruto de los primeros meses de una etnografía en marcha.

Tiene tres dimensiones de análisis relacionadas. Primero, explorar cómo Núcleo hace y mantiene su carrera artística y laboral y su estudio de producción musical. Segundo, indagar en los discursos y los soportes (estéticos, sociales, familiares y tecnológicos) que usa para ello, a la vez que en sus motivaciones para el desarrollo de un vínculo intenso y permanente con la música. Finalmente, vislumbrar, de forma muy inicial, algunos de los elementos diferenciales del rap porteño, como modo de entender la especificidad de este mundo social. Esto como una manera de comprender a Núcleo y “El Triángulo” dentro de un mundo social con ciertas pautas comunes y redes particulares, que lo influencian y que él ayuda a generar.

En este marco interesa comprender una serie de interrogantes sobre la búsqueda estética que Núcleo  realiza con el rap, los procesos de afirmación personal y grupal que realiza y los modos en que intensifico su vínculo con el rap en la perspectiva de su profesionalización. En este sentido,  se indagará en prácticas como la organización de eventos y establecimiento de relaciones con productores, gestión de su difusión, diseño y producción de merchandising, vínculos con los fans y con quienes van a grabar al estudio.

Palabras clave: música, rap, carrera artística, profesionalización.

 

 

“Qual música te anima?”: memória, visibilidade e representação ao som da música gospel

Olívia Bandeira

 

Nos últimos anos, os evangélicos têm ganhado visibilidade no espaço público no Brasil. Essa visibilidade não advém somente do aumento numérico, mas da forte presença de representantes desses grupos na política e nas mídias e da diversificação e profissionalização de suas manifestações culturais. Essa criação artística é acompanhada de transformações nas formas de culto e do crescimento de espaços rituais não convencionais como shows, congressos e eventos públicos como festivais e marchas.

O presente trabalho tem interesse nas formas como as manifestações culturais estão envolvidas em processos de visibilização de grupos e de disputas por representação e visões de mundo no espaço público. O trabalho se foca na chamada música gospel brasileira questionando os sentidos que ela adquire para os sujeitos em processos de produção, circulação e consumo, para além do mais conhecido debate sobre a relação entre religião, mercado e espetáculo. Os dados utilizados são de uma etnografia em espaços (gravadoras, shows, festivais, feiras e redes sociais, entre outros) por onde circulam dois artistas reconhecidos no segmento: a cantora e compositora do gênero louvor e adoração Eyshila e o rapper Pregador Luo. A investigação aponta que a música gospel dialoga com as manifestações culturais de outros grupos, religiosos ou não, criando e recriando performances e imagens que estão presentes no cotidiano de artistas e fiéis para além dos momentos de culto, fazendo parte de processos que envolvem a fabricação de memórias e estilos de vida e a disputa por representações e visões de mundo.

Palavras-chave: música gospel; visibilidade; representação

 

 

Funk carioca: entrecruzando estética e cotidiano: Análise dos usos da música na periferia carioca

Marildo José Nercolini

 

O que se pretende nesse texto é refletir sobre a importância do funk enquanto criação estética/artística híbrida e seu papel fundamental no cotidiano das periferias do Rio de Janeiro. Penso aqui o estético imbricado na vida cotidiana, servindo como elemento aglutinador e forma de, ao mesmo tempo, construir e expressar o cotidiano desses agentes periféricos, suas lutas, desejos, auto-representação e valores. Pretendo analisar as estratégias usadas e as disputas que ocorrem em um momento em que muitas comunidades periféricas do Rio de Janeiro passam por profundas transformações advindas, entre outras razões, da maior intervenção do Estado (através da implantação das Unidades de Polícia Pacificadoras – UPPs) e também da rearticulação de forças que estão em processo nessas mesmas comunidades. Para isso, a intenção é apresentar a pesquisa de cunho etnográfico que está sendo realizada nas favelas da Babilônia e Chapéu Mangueira, localizadas na Zona Sul do Rio de Janeiro, em torno do funk e suas conexões no dia-a-dia dessas favelas, de seus agentes e suas práticas. Com a implantação da UPP e o fortalecimento das religiões neopentecostais, acentuaram-se nessas comunidades os embates em torno da dificuldade de circulação do funk, sobretudo em eventos públicos. Por outro lado, também se percebe o uso do funk pelos jovens dessas favelas como maneira de se expressar e de serem ouvidos. Mesmo os jovens que não criam, mas escutam o funk e o performatizam em suas danças, dele se apropriam para expressarem suas vivências e o desejo de serem respeitados e notados como agentes-cidadãos. A música (nesse caso específico o funk) e os usos que dela se fazem são instrumentos privilegiados de trocas, diálogos e disputas pelo significar social, utilizados estrategicamente pelos agentes periféricos na construção de representações (individual e coletiva), tendo em vista o situar-se no mundo, tendo vez e voz própria, possibilitando a construção/reconstrução de si e dos espaços onde vivem e circulam.

Palavras-chave: Funk; auto-representação; estética; cotidiano; performance urbana.