RESUMEN GRUPO DE TRBAJO 61

GT 61.  DINÂMICAS RELIGIOSAS, FRONTEIRAS DO SAGRADO E PROCESOS IDENTITÁRIOS

Coordinadores:

Profa. Dra. Ana Keila Mosca Pinezi (Universidade Federal do ABC)

Comentarista: Profa. Dra. Emília Pietrafesa de Godoi. Departamento de Antropologia, Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). emilia.pietrafesa@gmail.com

 

 

Sesión 1: Processos Identitários e Dinâmicas religiosas

 

 

PROTESTANTES NA CATALUNHA: CATALÃES CRENTES NA ESPANHA E CRENTES IMIGRANTES EM BARCELONA

Vítor Hugo Adami. Pesquisador doutor do departamento de Antropologia da Universitat Rovira i Virgili – Universidad Publica de Tarragona – Espanha; vitorhugoadami@gmail.com

 

O objetivo desta comunicação é procurar realizar uma breve reflexão sobre identidades e alteridades constatadas em duas denominações protestantes na Catalunha. A primeira comunidade é formada, predominantemente, por fiéis catalães que procuram afirmar sua historicidade e catalanidade para sustentarem sua visibilidade e distinção diante das outras igrejas evangélicas espanholas. A segunda igreja protestante é uma sucursal norte americana composta por uma comunidade evangélica de imigrantes latinos americanos que buscam, acima de tudo, sua legitimidade como minoria religiosa em Barcelona. Para concluir, buscar-se-á analisar, a partir dos seus respectivos processos de transmissão e socialização religiosa, de que maneira são realizados os arranjos para coexistir em comum a identidade evangélica entre eles e, também, a alteridade de serem crentes catalães na Espanha e imigrantes crentes em Barcelona.

Palavras chaves: Protestantismo, identidade, alteridade.

 

 

EL FOCOLAR EXTENDIDO: TRANSITANDO LAS REDES DE LA MISIÓN RENOVADA

Dra. Agustina Adela Zaros. Universidad de Padova (UNIPD) Universidad de Buenos Aires (UBA); agostinazaros@gmail.comagustinaadela.zaros@studenti.unipd.it

 

El texto se propone analizar la manera en que un movimiento eclesial produce modos de significación colectiva en la relación del sujeto con sus prácticas cotidianas y en los alcances de lo familiar, lo comunitario y lo global en la transmisión y continuidad de un grupo creyente.

El Movimiento de los Focolares surgió en Italia durante la posguerra y en la actualidad tiene presencia en 182 países, representa un grupo de activistas por la observancia de sus prácticas y participación al interior del catolicismo.

Asimismo, se analizan las Mariapolis, pequeñas ciudades del grupo religioso que representan una metafora de territorialización, continuidad y proyección utópica de este movimiento.

Las dinámicas transnacionales del movimiento se evidencian en los tránsitos de personas, capitales y comunicaciones al interno de su estructura ramificada estableciéndose como una propuesta holística para sus miembros.

El trabajo ha sido abordado a través de la estrategia metodológica de la observación participante y las entrevistas con álbumes fotográficos y en profundidad.

La perspectiva analítica se refiere a la religión como memoria (Hervieu-Léger, 1993) en la reinterpretación de cada generación como un modo de continuidad entre el pasado y el presente, en la relación entre lo simbólico y sus prácticas; con los conflictos propios de cada generación en la socialización religiosa de una línea de creyentes.

Palabras claves: territorio, redes, religión, trasnacionalización.

 

“VIRADA RADICAL”: UMA ANÁLISE DAS ESTRATÉGIAS MUSICAIS DE CONVERSÃO DA COMUNIDADE CATÓLICA SHALOM DE JUAZEIRO DO NORTE, CEARÁ

Amanda Priscila Souza e Silva. Mestranda em Antropologia pela Universidade Federal de Pernambuco – UFPE; amandiita.st@gmail.com

Ruanna Gonçalves da Silva. Mestranda em Antropologia pela Universidade Federal da Paraíba – UFPB; ruannagoncalves@hotmail.com

O trabalho apresentado funda-se na articulação das temáticas musicais e religiosas, tendo como objetivo investigar a música inserida nas práticas de catequese da Comunidade Católica Shalom, em Juazeiro do Norte. Esta localidade, encontra-se num lócus de efervescência religiosa e cultural abundante de (res)significados, sobretudo na questão musical. A Shalom se apropria de gêneros musicais que consideram “mundanos”, atribuindo letras litúrgicas na música. Essa apropriação edifica um panorama farto de tensões e disputas simbólicas, provocando notáveis maneiras de adaptação das práticas de catequização da comunidade, dirigindo questionamentos frente ao poder da música enquanto mediadora da relação entre o “sacro” e o “terreno”. Enfatizando a análise de um evento denominado “Virada Radical”, um retiro que reúne crianças, jovens e adultos adeptos e não adeptos (possíveis convertidos) da religiosidade propagada pela Shalom. Em termos metodológicos, a pesquisa se utilizou da etnografia musical e do estudo de percursos, dialogando com autores como Guerra (2008), Bourdieu (1974) e Berger (1985). Além de uma escrita que incorpora ao texto ilustrações que tentam recompor os caminhos percorridos pelos agentes e que neles exercem suas práticas, buscando pontuar os percursos musicais, assim como o contexto cultural e social no qual estão inseridos.

Palabras claves: Apropriação musical; Comunidades Novas; Comunidade Católica Shalom.

EVANGÉLICOS EM REGIÃO FRONTEIRIÇA: PROCESSOS IDENTITÁRIOS, DINÂMICA E FLUXOS RELIGIOSOS

Anaxsuell Fernando da Silva (UNILA). Doutor em Ciências Sociais (concentração em Antropologia Social). Professor da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila)

 

Este trabalho se propõe discutir, por uma abordagem antropológica, o modo como os evangélicos têm se organizado e se mantido no cenário dinâmico e multiforme da região

conhecida como tríplice fronteira, um espaço de intenso fluxo religioso transnacional. Esta zona de intersecção entre três cidades: Ciudad del Este, no Paraguai, Puerto Iguaçu, na Argentina e Foz do Iguaçu, no Brasil. Por todos os lados, cerca de 400 mil habitantes compõem um campo religioso diversificado e complexo, cuja influência se manifesta pelas cidades próximas à fronteira. Estas inter-relações socioculturais se retroalimentam do fluxo intenso de bens materiais e simbólicos característico desta região Uma das marcas deste campo de pesquisa é a ausência de trabalhos acadêmicos. Nossa perspectiva partirá do método etnográfico, próprio à Antropologia, para caracterizar as especificidades do protestantismo da/na região. Depois, configuraremos o contexto sócio-histórico de surgimento dos grupos religiosos, seus fluxos fronteiriços e a relação estabelecida com as práticas sociais vigentes. E, por fim, discutiremos a transnacionalização do discurso teológico pastoral destas comunidades; Com ênfase na tentativa de compreender a relação entre diversidade cultural e doutrinamento religioso.

 

 

O METAL CRISTÃO: MÚSICA, RELIGIOSIDADE E PERFORMANCE

 

Patrícia Villar Branco. Mestre em Antropologia Social pela UFPR – Universidade Federal do Paraná. Atual docente do ensino superior na Associação Educacional Luterana BOM JESUS/ IELUSC

 

Este trabalho é resultado de uma pesquisa etnográfica realizada entre os anos de 2009 e 2011, no mestrado em Antropologia Social. O estudo buscou analisar a vertente cristã do Heavy Metal - um gênero musical que, desde o seu surgimento, é popularmente rotulado como subversivo, demoníaco e rude – como um fenômeno estético, discursivo e performático. Uma adaptação discursiva que pode ser compreendida a partir de um determinado ponto na história do campo religioso protestante que trouxe, para a atualidade, configurações religiosas das quais antigos conceitos, noções e comportamentos, no que refere ao “viver e fazer a fé cristã”, são relativizados. O trabalho etnográfico foi realizado em uma comunidade religiosa reconhecida nacionalmente como “underground”, e, de acordo com seu líder, deve ser caracterizada como “Igreja Emergente”. A Comunidade Gólgota oferece a liberdade de cultuar e viver a fé que podemos entender como fruto de uma forma secularizada bastante adequada aos dias atuais: uma configuração que oferece flexibilidade na criação do “culto a Deus”, o que propicia fenômenos performáticos interessantes, como é o caso do louvor golgotano (considerado um verdadeiro happening religioso na cidade) e sua junção perfeitamente equilibrada entre o “sagrado” e o “profano”.

Palavras-chave: religião, música e juventude.

 

 

MIGRAÇÃO DE MULHERES  DE ÁREAS RURAIS PARA ÁREAS METROPOLITANAS  - RUPTURAS  E CONTINUIDADES NAS RELAÇÕES DE GÊNERO L

Ana Keila M. Pinezi,; Programa de Pós-Graduação em Ciências Humanas e Sociais da Universidade Federal do ABC (UFABC) , Brasil, Coordenadora do GP IPLURES

Marilda A. Menezes, Programa de Pós-Graduação em Ciências Humanas e Sociais da Universidade Federal do ABC (UFABC) , Brasil

 

Esse trabalho tem como objetivo analisar a experiência de mulheres migrantes pentecostais no que se refere às relações de gênero tanto na sua família de origem, especialmente na relação com os pais, como na relação com seus parceiros.  Tomamos como estudo de caso mulheres que migraram de áreas rurais da região nordeste do Brasil  para a região metropolitana de São Paulo  e são membros da Igreja Evangélica Avivamento Bíblico, localizada em um bairro de concentração de  nordestinos na fronteira entre São Caetano do Sul (na região do ABC paulista) e São Paulo.  A situação das mulheres migrantes é configurada não apenas pela precariedade socioeconômica, mas também pelas relações de dominação e controle familiar. Na família camponesa, são, em geral, socializadas através do trabalho na agricultura e doméstico, têm a expectativa de formação escolar até ensino médio e devem se tornar esposas e donas de casa.  A decisão de migrar sozinhas, sem os pais ou maridos, significou, muitas vezes, a ruptura com laços familiares e também uma ressignificação do papel de gênero. Embora perceba-se a dinâmica da identidade de gênero entre as mulheres migrantes pentecostais, em que há um empoderamento `relativo´ dessas mulheres por meio da inserção nas atividades religiosas e dos princípios pentecostais, há, ainda, o ideal de família tradicional com a manutenção do casamento, em que os homens devem também ter um compromisso moral com as mulheres, embora haja ainda a ideia de submissão feminina ao marido.

Palavras- chave: migrações; religião; gênero; identidades.

VIDA RELIGIOSA, GÊNERO E TRAJETÓRIAS DE VIDAS: UMA ETNOGRAFIA NO CONVENTO

Joyce Aparecida Pires. Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”. Graduação em Ciências Sociais

 

A presente pesquisa financiada pela FAPESP teve como tema as trajetórias de vidas das freiras do instituto conventual católico denominado “Pobres Filhas de São Caetano” de origem italiana (1884), localizado na cidade de Cândido Mota, SP, Brasil. Uma congregação canonicamente estabelecida, com sua sede localizada na cidade de Turim - IT e tradicionalmente dedicada à manutenção de obras de assistência social, de saúde e de educação; nos últimos anos ela vem se internacionalizando, formando institutos e casas de missões em outros países, como Togo, Equador e Brasil, são regiões de onde as jovens “vocacionadas” proveem atualmente. A revisão bibliográfica e a pesquisa empírica tiveram como fio condutor dois temas centrais: gênero e religião, elencados em conjunto com análises geracionais. A metodologia pautada na trajetória social de vida construída pelo indivíduo (BOURDIEU, 1996), ajudou a entender e comparar as escolhas, experiências e contextos sociais que levam as mulheres rumo à vida consagrada aos respectivos moldes tradicionais da instituição. O método utilizado em campo estabeleceu uma clara articulação entre biografia individual com o contexto histórico-social das freiras, no qual, as transformações sociais características das últimas décadas incidem sobre noções de autonomia e emancipação feminina. Foi possível verificar através do trabalho etnográfico e das análises da rede de complexas relações sociais, as temporalidades em que essas mulheres religiosas estão situadas e de onde vieram suas motivações pessoais e espirituais, como dados objetivos das estruturas e conjunturas sociais presentes em suas trajetórias de vidas.

Palavras-chave: Religião; Gênero; Freira; Trajetória de vida.

 

 

Sesión 2: Sensibilidades e Hierarquias Religiosas

 

 

A EVANGELIZAÇÃO DA CONJUGALIDADE: A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE CONJUGAL CATÓLICA EM CURSOS DE PREPARAÇÃO PARA A VIDA MATRIMONIAL

Breno Rodrigo de Oliveira Alencar. Doutorando. Programa de Pós-graduação em Sociologia e Antropologia (UFPA/Brasil); breno.alencar@ifpa.edu.br

 

O trabalho discute a relação entre religiosidade, casamento e identidade, tendo como campo de análise os cursos de preparação para a vida matrimonial, conhecidos no Brasil como "cursos de noivos" e considerados como uma "burocracia imposta pela Igreja”(PEREIRA, 2012) ou uma tentativa de interferência ideológica no cotidiano conjugal (SOUZA, 2002). Os resultados apresentados foram obtidos por meio de pesquisa etnográfica baseada na observação participante realizada junto à Pastoral Familiar pertencente à Paróquia da Santíssima Trindade localizada na cidade de Belém, capital do Estado do Pará. Demos ênfase a estrutura social da Pastoral Familiar, às relações que o casal coordenador e seus membros mantém com o pároco e as demais pastorais, bem como às visões de mundo sobre casamento, conjugalidade e família que constituem o imaginário paroquial. O objetivo foi analisar a relação entre a secularização dos rituais católicos e o imaginário paroquial buscando identificar a eficácia simbólica alcançada com a metodologia de evangelização por meio de palestras e testemunhos oferecidas ao longo do curso. Concluímos que os organizadores do curso recorrem a uma linguagem pedagógica que ao mesmo tempo tenta reaproximar os casais das atividades paroquiais como convertê-los a práticas consideradas moral e religiosamente ajustadas ao praticante do catolicismo.

Palavras-chave: Noivado; Catolicismo; Ritual; Identidade; Conjugalidade.

 

 

RITUAIS DE SOFRIMENTO, SENSIBILIDADES E PROCESSOS IDENTITÁRIOS NO OPUS DEI

Asher Brum. Doutorando em Ciências Sociais. UNICAMP. Bolsista FAPESP; asherbrum@gmail.com

 

O processo de formação da identidade no Opus Dei de perfil Brasileiro está fundamentado na concepção do sofrimento e martírio de Cristo. Para esses atores, todos os homens deveriam buscar voluntariamente o sofrimento para, desse modo, tomar parte no sofrimento redentor de Cristo na cruz. Em termos práticos, isso se dá por meio de um conjunto de práticas que chamo de rituais de sofrimento - práticas essas que têm por intuito, não somente provocar sofrimento a si mesmo, tais como as práticas de mortificação corporal, mas, também, cerimonias que o celebram simbolicamente, tais como a Missa. Isso posto, o objetivo dessa comunicação é discutir como a tomada de parte nesses rituais pelos atores do Opus Dei relaciona-se com o cultivo de sensibilidades específicas e disposições incorporadas associadas à produção de uma identidade católica conflitante com outras no interior da Igreja. Mais especificamente, pretendo problematizar a relação conflituosa, ainda que não declarada, entre os primeiros membros do Opus Dei no Brasil e os membros da Ação Católica e, principalmente, da Teologia da Libertação, a partir da década de 1960. Minha hipótese é que essa tensão surgiu tendo por bases diferentes sensibilidades para o sofrimento que produziram identidades católicas antagônicas: uma que tinha por elemento central o sacrifício e o mantinha e presente por meio de práticas rituais, outra que combatia o sofrimento das classes populares através do envolvimento na política. Para essa discussão, utilizarei as narrativas dos primeiros membros e de ex-membros do Opus Dei coletadas durante minha pesquisa de campo em São Paulo, além de dados etnográficos que tem sido coletados desde 2011.

PALAVRAS-CHAVE: Opus Dei; rituais de sofrimento; sensibilidades; identidades católicas.

 

 

 

 

TRADICIÓN, RITUAL Y JERARQUÍA: UN ESTUDIO COMPARATIVO ENTRE LA FRATERNIDAD SACERDOTAL SAN PIO X Y LOS HERMANOS LIBES EN EL ENTRAMADO DEL CAMPO RELIGIOSO ARGENTINO 

Mariana Espinosa. CONICET/UNC; marianaestherespinosa@gmail.com

María Bargo. UNSAM/IDAES; merytoflins@hotmail.com

La presente ponencia buscar situar en sus homologías y diferencias el marco de relaciones específicas que componen dos comunidades cristianas, una católica y otra evangélica de la Argentina. La comunidad católica se denomina Fraternidad Sacerdotal San Pio X y la denominación evangélica es conocida como Hermanos Libres. Desde génesis y estructuras paralelas, ambos grupos presentan equivalencias al momento de afirmar una posición en el campo religioso contemporáneo: La apelación a la autoridad de la tradición en los discursos de los especialistas; acciones orientadas a la sacralización de determinados rituales; y una política para la administración del cuerpo componen un repertorio de representaciones y prácticas que se oponen a un contexto de creciente diversificación y visibilización de alternativas religiosas. El ejercicio comparativo permite ir más allá de la comprensión de las relaciones de los campos religiosos concretos (católico y evangélico) y orientar la mirada hacia los procesos sociales y las formas estructurales que balizan las prácticas religiosas. En este sentido, postulamos que el peculiar ejercicio de construcción de una tradición en estos casos debe comprenderse en relación a las encrucijadas de la reproducción social de una particular camada social y como nueva forma de jerarquización en el espacio social.

Palabra claves: Tradición; identidad; católicos; evangélicos; Argentina

 

 

CATOLICISMO CONSERVADOR: PROXIMIDADES INCONFESSAS

 

Sabrina Testa. Doutoranda PPGAS/UFSC; sabritesta@yahoo.com.ar

 

A proposta deste trabalho é analisar a constituição de fronteiras identitárias (BARTH, 1976) por parte de um movimento católico conservador localizado numa cidade do sul do Brasil. O grupo em questão constitui um movimento eclesial e como tal se orienta aos setores médios instruídos dos centros urbanos (SONEIRA 2002, 2007), apresenta, contudo, a peculiaridade de uma proposta de fé de caráter congregacional e racionalista. Conforme isto, o grupo procura traçar suas fronteiras respeito do catolicismo de massas, por um lado, e respeito dos diversos grupos carismáticos, por outro, bem como procura se contrapor a grupos ateístas e setores arreligiosos. Em todos os casos, o movimento traça suas fronteiras apelando ao compromisso com a comunidade e a uma concepção da fé racional e racionalizada. Ora, a pesquisa mostrou que uma configuração semelhante é correlata de uma aproximação não explícita com o protestantismo de corte histórico (WEBER, 2003; TROELTSCH, 1987) e com diversos grupos evangélicos de tendência igualmente racionalista (FERNANDES, 1982; RODRIGUES BRANDÃO, 1980) . Esta aproximação se faz evidente na importância outorgada à fé subjetiva perante o sacramento e na importância dada à doutrina perante a emoção, no minimalismo litúrgico, na intensidade da vida comunitária entendida como amizade e na cristianização da existência motivada pelo exercício ativo de uma atitude reflexiva no dia a dia. A não explicitação destas semelhanças chama a atenção para a necessidade de estudos transdenominacionais e comparativos, bem como coloca a pergunta pelos modos concretos pelos quais o chamado catolicismo conservador se inscreve no campo religioso.

Palavras chave: catolicismo, conservador, protestantismo, congregacional, racionalista

 

 

Sesión 3: Sociabilidades, conflitos e espaço público

 

 

FESTAS PÚBLICAS DAS RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS: ESTRATÉGIAS DE SOBREVIVÊNCIA FRENTE A INTOLERÂNCIA RELIGIOSA.

 

Ivete Miranda Previtalli.Doutora em Antropologia pelo programa em Estudos Pós-graduados em Ciências Sociais da PUC- SP. Autora do livro Candomblé: agora é angola . Editora Annablume, PETROBRÁS. São Paulo, 2008. Docente da FV- UNIESP. Pesquisadora do GP IPLURES, UFABC; ivete.previtalli@gmail.com

 

Este trabalho parte da observação de duas festas públicas do candomblé, a Lavagem da Catedral Metropolitana de Campinas e a Lavagem da Capela de Nossa Senhora Aparecida em Carapicuíba, e como se dá  as relações dos adeptos com a Igreja Católica e as igrejas neopentecostais. Quando os rituais e as manifestações religiosas afro-brasileiras saem da esfera privada e são realizadas em lugares públicos, seus adeptos ficam expostas e são alvo de preconceitos e ataques.

Característica da formação de identidades de povos que foram separados para sempre da sua terra natal, os africanos que vieram para o Brasil, ao atravessarem  e intersectarem as fronteiras naturais, reinterpretaram os elementos católicos numa cosmovisão afro-brasileira. Mesmo com a presença desses símbolos a relação com o catolicismo não se dá de maneira fácil. Além disso, observa-se que devido ao acirramento, nas últimas décadas,  dos ataques das igrejas neopentecostais às religiões afro-brasileiras, as cerimônias religiosas públicas afro-brasileiras expõe seus adeptos a diversos tipos de ofensivas, desde  a distribuição de panfletos aos participantes, sermões proselitistas, ofensas verbais até a tentativa de interrupção à força dos ritos.

No entanto, o momento histórico marca a necessidade  das religiões afro-brasileiras de criar estratégias de sobrevivência frente às condições adversas. Assim, podemos pensar que a iniciativa de colocar o candomblé nas ruas, pode ser traduzida como uma atitude de resistência às perseguições que sofreu e que vem sofrendo desde seus primórdios. A visibilidade  que o evento proporciona às religiões e à cultura afro-brasileiras, é uma forma de se posicionar politicamente perante as instituições e a sociedade.

Palavras Chaves: Religiões afro-brasileiras, intolerância religiosa, identidade, hibridações, conflitos.

 

 

CRIANÇAS CANDOMBLECISTAS: CONFLITOS E REFORÇOS NA CONSTRUÇÃO IDENTITÁRIA INFANTIL

 

JORGE, Érica. Doutoranda em Ciências Humanas e Sociais pela Universidade Federal do ABC. Mestra em Ciências Humanas e Sociais pela mesma instituição. Membro do Grupo de Pesquisa Identidades Plurais e Representações Simbólicas (UFABC/CNPQ); ericafcj@gmail.com 

PINEZI, Ana Keila. Docente do Programa de Ciências Humanas e Sociais da UFABC. Pesquisadora coordenadora responsável pelo Grupo de Pesquisa IPLURES; ana.pinezi@ufabc.edu.br

 

A proposta deste trabalho é discutir a importância do candomblé para a construção identitária de crianças que fazem parte deste universo religioso. Partindo da ideia de que a religião está amparada em um corpo doutrinário e que o mesmo se reflete em símbolos, imagens e discursos, pretende-se analisar a importância desse conjunto de mitos, ritos e práticas para a construção identitária de crianças adeptas do candomblé jeje-nagô. A escolha pelo grupo infantil deve-se ao fato de o mesmo evidenciar os conflitos e tensões entre o mundo religioso e várias outras esferas da vida social que sofrem influência de outras racionalidades como a lógica de consumo e a competição infantil na escola.  Nas sociedades complexas o indivíduo compõe sua individualidade a partir de várias identidades sendo a religião apenas uma delas. De todo modo, para o desenvolvimento infantil e, na medida da vinculação dos pais e responsáveis, a religião pode ter uma grande centralidade estabelecendo um estilo de vida bastante peculiar o qual incide, diretamente, na construção da identidade infantil. Pretende-se, portanto, a partir de uma abordagem qualitativa abordar essas questões à luz da teoria antropológica.

Palavras-chave: crianças – identidade – candomblé

 

 

PRÁCTICAS RITUALES, PERFORMANCES Y DRAMAS SOCIALES EN EL CENTRO ESPIRITUAL UMBANDISTA JUREMA OGUM DE LA CIUDAD DE MONTEVIDEO

Lic. Valentín Magnone (DAS-FHCE-UDELAR; DCHS-FIC-UDELAR); valentinmagnone@gmail.com; vmagnone@fhuce.edu.uy; valentin.magnone@fic.edu.uy

 

En este trabajo se buscará comprender los dramas sociales presentes en las performances y prácticas rituales umbandistas, a través del análisis etnográfico del Centro Espiritual Umbandista Jurema Ogum.

Estas performances y prácticas rituales serán entendidas como metáforas que dialogan con diferentes dimensiones de la sociedad montevideana, tales como las relaciones de clase y de género. A su vez la Umbanda se concebirá como una forma de religiosidad cuyo elemento central reside en el ritual de posesión, donde el médium incorpora a diferentes entidades espirituales. Por otra parte, las creencias religiosas afroumbanditas serán caracterizadas por su codificación flexible, que permite una amplia libertad en la ejecución ritual.

De esta manera, las diferentes entidades umbandistas a pesar de que respetan su codificación  original realizada en Brasil, colocan en juego diferentes problemáticas propias del contexto montevideano. El caboclo y preto-velho, que en su contexto brasileño expresan los dilemas de las poblaciones indígenas y afrodescendientes en la sociedad urbana e industrial, pueden escenificar en este caso la vida cotidiana del trabajador urbano, quien debe permanecer fuerte y sereno frente a las adversidades socio-económicas. Por su parte el exu y la pombagira expresan el poder de los “márgenes”, el malandro que transgrede los límites impuestos por la sociedad, y la “mujer de mundo” que cuestiona el orden sexual dominante.

A través de estos análisis se intentará comprender la fuerza de estas performances y prácticas rituales, que generan un importante dinamismo de la religión afroumbandista en la ciudad de Montevideo.

Palabras clave: Umbanda, Performances, Prácticas rituales, Dramas Sociales, Montevideo.

 

 

CRÔNICAS DA MORTE REVIVIDA NA LUTA: UMA ETNOGRAFIA DA ROMARIA DOS MÁRTIRES DA CAMINHADA EM RIBEIRÃO CASCALHEIRA-MT, BRASIL

Edimilson Rodrigues de Souza. Doutorando em Antropologia Social (PPGAS-UNICAMP); edimilsonrondon@gmail.com

 

O foco de análise deste estudo são os rituais de sacralização de lideranças populares, assassinadas em áreas de intenso conflito fundiário no Brasil e o processo de transformação dessas lideranças em mártires da terra. A Romaria dos Mártires da Caminhada, que fundamentará esta incursão analítica, aconteceu entre os dias 16 e 17 de julho de 2011, em Ribeirão Cascalheira-MT. Nesta localidade foi assassinado, em 11 de outubro de 1976, o padre João Bosco Penido Burnier, sua morte revela-se como marco na fabricação da ideia de martírio pelas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). Ao rememorar lideranças assassinadas violentamente em zonas de intenso conflito fundiário, esses grupos e movimentos sociais fabricam o martírio de líderes mortos, através dos atos de ritualização e sacralização. Um dos aspectos fundantes da Romaria dos Mártires da Caminhada é a ideia de continuidade da luta, para tanto, recorre-se a modalidades de santificação e sacralização, a partir das quais emergem as experiências de luta pela terra de povos indígenas e camponeses no Brasil. O rito possibilita a produção de sentimentos que unem esses grupos em torno de um elemento comum: suas lideranças violentamente assassinadas. Nessa direção, os relatos sobre a morte e vida dos líderes são transformados em narrativas do martírio.

Palavras-chave: sacralização, mártir da terra, romaria, narrativas.

 

 

FORMAS (DES)CONSAGRADAS: A MORTE POSTA A NU

 

Michelangelo Giampaoli. Grupo de Pesquisa CNPq NAIP – UNESP (Campus de Araraquara). Grupo de Pesquisa CNPq IPLURES – Universidade Federal do ABC (UFABC)

 

Se a morte é o mais transgressivo dos acontecimentos – trans-gredi, do latim ir além de, atravessar – não é surpreendente que alguns de seus lugares privilegiados, os cemitérios, sejam espaços em que sua representação ultrapasse os cânones estéticos e morais, estabelecidos por quem, querendo explicá-la, muitas vezes pretende guiar a vida dos homens: as religiões e seus representantes oficiais. Por meio de uma etnografia conduzida nos três principais cemitérios históricos de São Paulo – do Araçá, da Consolação e o São Paulo – iremos analisar a mensagem estética, simbólica e erótica

veiculada por algumas das principais esculturas ali expostas. Modelos clássicos que emanam uma mensagem ultra-moderna não somente em relação à época em que foram concebidas, como também ao tempo presente. O desafio em responder à necessidade do luto e da morte (Thanatos) por meio das formas e das palavras do amor (Eros).

Palavras-chave: Cemitério; Eros; Religião; Escultura funerária; São Paulo.

 

 

CAVEIRA: IDENTIDADE E RELIGIOSIDADE MEXICANA

 

Syntia Alves. Doutora em Ciências Sociais pela PUC-SP. Docente pela FIAM-FAAM e Belas Artes, e pesquisadora do Iplures (UFABC) e Neamp (PUC-SP); syntiaalves@yahoo.com.br

 

A caveira é tema de um importante evento que acontece há vinte anos na cidade mexicana de Aguascalientes, o “Festival das Caveiras”. Haver um festival de caveiras, para a maioria das culturas ocidentais, pode parecer algo macabro, mas no caso mexicano é apenas o reflexo de uma cultura que associa a caveira não apenas à morte, mas também à vida, festa e arte. Levando-se em consideração o fato do México apresentar uma história de colonização europeia e cristianização semelhante aos demais países latino-americanos, cabe-nos perguntar o que há na cultura e religião mexicana que tornam este país tão singular em sua identidade e importante símbolo: a caveira.

Assim, o presente resumo se propõe apresentar resultados parciais da pesquisa em andamento sobre a caveira, elemento fundamental da cultura mexicana em âmbito nacional e internacional, no âmbito religioso — em especial nas expressões de religiosidade popular, como no caso do culto à Santa Morte — e nas expressões artísticas do país. A partir de dados bibliográficos e de campo, a ideia é refletir sobre as relações entre morte e vida — presentes na Festa dos Mortos —, religião, arte e identidade mexicanas que se constroem em torno da imagem da caveira.

Palavras-chave: caveiras mexicanas; morte; tradições pré-colombianas; México.

 

 

Sesión 4: Dissolução de Fronteiras espaciais e simbólicas do sagrado

 

 

           

QUANDO OS OBJETOS REVELAM O SAGRADO: AS DINÂMICAS RELIGIOSAS E IDENTITÁRIAS EM UM MUSEU CARIOCA

 

Andréa Lúcia da Silva de Paiva. Professora Adjunta do Departamento de Ciências Sociais da UFF/Campos dos Goytacazes. Doutora em Ciências Humanas (Antropologia Cultural) pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais pela UFRJ. Mestre em Memória Social e Documento (MMSD) pela UNIRIO, bacharel e licenciada em Ciências Sociais pela UFRJ; andrealpaiva@gmail.com

 

Localizado no centro do Rio de Janeiro, no segundo andar de uma igreja setecentista encontra-se o Museu do Negro. Trata-se de museu devoção onde seus objetos se personificam, se deslocam e se transformam em objetos de culto.

A categoria de museu-devoção é construída pelas próprias ações dos fiéis enquanto espaço de trocas simbólicas entre os indivíduos e seus objetos. É nesse museu que podemos identificar tensões e confrontos entre os diversos modelos de articulação da identidade social e religiosa dos negros, simbolicamente articuladas por objetos materiais e práticas rituais.

Dentre os diversos objetos materiais expostos nos espaços dessa igreja católica e que operam dimensões simbólicas encontramos a opa e a murça, vestimentas usadas por uma irmandade negra. Estas vestes compõem enquanto objetos aquilo que os devotos acreditam ser algo sagrado, a sua identidade de fiel. Nesse sentido, esses objetos revelam ao campo de investigação sobre os rituais alguns parâmetros como a demarcação ritual de como um indivíduo se torna “irmão”, membro da irmandade, e as mediações simbólicas presentes neste ritual e que operam diversas categorias: o mundo dos mortos e dos vivos; do catolicismo e os cultos afro-brasileiros; acusações e segredos; vivos e mortos; passado e presente; céu e terra; sujeitos e objetos; monarquia e movimento negro; o sagrado e o profano; e “povo” e “irmão”. O objetivo central deste trabalho é descrever estas análises observadas no campo diante de uma perspectiva antropológica a fim de problematizar e contribuir para os estudos sobre objetos, identidade e religiosidade.

Palavras-chave: objetos- religião-identidade-irmandade negra-museu.

 

 

REVISTA VIDA E SAÚDE: REPRESENTAÇÃO E PRÁTICA RELIGIOSA SOBRE CORPO E A SAÚDE

Carla Figueiredo Marinho Saldanha. Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia – PPGSA da Universidade Federal do Pará – UFPA. Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, Belém, Pará; marinho_carla@ig.com.br

Leila Cristina Ferreira Leite. Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia – PPGSA da Universidade Federal do Pará – UFPA. Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, Belém, Pará. Mestre em Ciências Sociais pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia – PPGSA da Universidade Federal do Pará – UFPA. Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, Belém, Pará; leilaleiteferreira@hotmail.com

 

A revista Vida e Saúde publicada pela Editora Casa Publicadora Brasileira (CPB), pertence à Igreja Adventista do Sétimo Dia. Mesmo não fazendo referência direta à instituição religiosa, tem seus artigos pautados na concepção da igreja sobre o corpo e a saúde, que são reforçados pelo discurso médico.  As temáticas que são publicadas estão diretamente relacionadas ao princípio doutrinário de “conduta cristã”, uma das doutrinas fundamentais da igreja. Neste trabalho as edições da revista correspondentes ao período de um ano foram catalogadas, classificadas, analisadas e interpretadas numa perspectiva sócio antropológica. O olhar antropológico possibilitou identificar princípios da ‘modéstia cristã’ que são pregados na igreja, tornando possível pensar as “representações e práticas”, que estão atreladas a valores culturais, morais e no caso deste trabalho ao religioso, pois a concepção de saúde defendida pela Igreja Adventista do Sétimo Dia pode ser entendida como “capital religioso”, uma vez que as modificações nas práticas e representações dos fiéis ocorrem através do inculcamento processual de um “habito religioso”, que neste caso está relacionado com a saúde.

Palavra-chave: Revista Vida e Saúde, saúde, corpo.

 

 

QUANDO DEUS ENTRA EM CAMPO: FUTEBOL FEMININO E AS RELIGIOSIDADES FUTEBOLÍSTICAS

Leandro Durazzo. Professor no Departamento de Antropologia da UFRN; - leandrodurazzo@gmail.com

Mariane S. Pisani. Doutoranda do PPGAS/USP; marianepisani@gmail.com

 

Durante o trabalho de campo, desenvolvido de agosto de 2013 a agosto de 2014, junto à equipe de futebol feminino paulistana Guerreiras Futebol Clube (GFC), notou-se certa centralidade da religião e da religiosidade entre atletas e comissão técnica. Rodas de oração, rezas coletivas, agradecimentos de gols a Deus, jogadoras lendo e citando passagens da biblia umas para as outras eram situações bastante comuns e corriqueiras. Antes dos treinos, jogos e amistosos elas juntavam-se em roda, ali, abraçadas, rezavam juntas um Pai Nosso e uma Ave Maria. Porém, diferente de como se reza do jeito cristão – em um tom de voz ameno, calmo, quase que monótono – elas rezavam como se entoassem um grito de guerra: alto, forte, poderoso, ritmado.

Apontaremos algumas relações que tais práticas, dentro de um contexto esportivo, estabelecem com certa tradição já longamente consolidada, sobretudo a partir do advento do  cristianismo e do reforço de uma “ética de superação”. Essa tradição, cosmovisão baseada na aliança de uma comunidade/povo eleito com seu Deus criador e guia, ganha ainda mais ênfase em séculos recentes, a partir da retomada de uma visão teísta de mundo, da configuração de ideologias evangélicas diretamente embasadas sobre a relação de troca e salvação/redenção por parte de Deus - ou, para o que aqui nos interessa, também de sua parte-feita-carne, Jesus. Tentaremos articular, assim, perspectivas teóricas das ciências das religiões e da teologia com o que pudemos, por força de nossa experiência etnográfica, observar em campo: como Deus e Cristo, juntos do GFC, participam diretamente das partidas de futebol.
Palavras-chave: futebol feminino; religiosidades; esportes.

 

 

TEMPLOS RELIGIOSOS E SEUS DIREITOS NO BRASIL: REGIMES DE IDENTIFICAÇÃO NA PRÁTICA E DINÂMICAS DE DEMARCAÇÃO DO SAGRADO NO ESPAÇO PÚBLICO


Jorge Scola (PPGAS/UFRGS); jhsgomes@gmail.com

Mônica Backes Kerber (PPGAS/UFRGS); kerber.monica@gmail.com

 

Reconhecer edificações como ‘’templos religiosos’’ em contextos pluralistas e democráticos, certificados pelo Estado como interessado na defesa da ‘’liberdade religiosa’’, produz consequências. Sob a égide da liberdade religiosa, se garantiu na Constituição de 1988 a imunidade tributária para ‘’templos de qualquer culto’’ (Leite, 2014). Apesar da referência generalizante aos templos, a matriz de referência para as relações entre Estado e religião no Brasil foi o catolicismo (Montero, 2006). Assim, esta denominação fortaleceu-se de ‘’direitos religiosos’’ para templos, incluindo a dimensão patrimonial partindo da identificação com o próprio Estado-Nação. Tal característica é evidenciada por políticas de preservação patrimonial desenvolvidas pelo Estado cuja ênfase na materialidade reforça uma concepção que destaca o catolicismo e outras religiões cristãs (Cavalcante, 2007).

A entrada de religiosos na política institucional (Freston, 1992) produziu outra acepção da liberdade religiosa. Percebeu-se nas últimas décadas uma produção de leis acerca de direitos para templos religiosos e tais garantias legais se dão sem previsão de denominações. Concomitantemente, cresce o movimento por demandas de patrimonialização de representações vinculadas a grupos religiosos minoritários, entre eles os afro-religosos (Velho, 2006; UNESCO, 2014; Giumbelli, 2014).

O que queremos discutir é que os direitos religiosos vinculados aos bens identificados como templos assim como patrimônio apontam para uma relação do Estado para com o sagrado (Koptyoff, 2009; Durkheim, 2010). Nossa intenção é entender as formas de construção e identificação de edificações religiosas como templos partindo de alguns estudos de caso bem como compreender quais ‘’direitos’’ são acionados pelas diferentes vias de acesso a tal reconhecimento.

Palavras-chave: religião, sagrado, patrimônio religioso, templos, liberdade religiosa.

 

 

 

OS PRAZERES DO BALNEÁRIO, SOB AS BÊNÇÃOS DE YEMANJÁ: RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS E ESPAÇO PÚBLICO EM PELOTAS (RS) 

 

Isabel Soares Campos. Universidade Federal de Pelotas, Mestre em Antropologia; isabelsoaresc@gmail.com 

Rosane Aparecida Rubert. Universidade Federal de Pelotas. Profa. Mestrado em Antropologia; rosru@uol.com 

 

O texto abordará as polêmicas envolvendo a realização de uma manifestação religiosa afro-brasileira, que ocorre no dia 2 de fevereiro há mais de cinquenta anos no Balneário Nossa Senhora dos Prazeres, localizado na cidade de Pelotas (RS): a Festa de Iemanjá. No entanto, há alguns anos surgiram diferentes formas de regramento da orla deste balneário, popularmente conhecido como Barro Duro, em razão de uma maior preocupação, por parte do poder público local, com a situação ambiental do mesmo, sendo este transformado recentemente em Área de Preservação Permanente (APP). A partir desta problemática ambiental, a Festa passou a sofrer diversas formas de regramento e condicionamento para a sua realização, o que acarretou uma série de negociações e embates entre os organizadores do evento (comunidade religiosa, Federação Sul-Riograndense de Umbanda e Cultos Afro-brasileiros, representantes do poder legislativo local e secretarias da Prefeitura), representantes do poder executivo, operadores jurídicos e ambientalistas. Partindo-se de uma etnografia multissituada, aborda-se esta manifestação religiosa a partir da perspectiva de distintos atores sociais, situados em diferentes arenas, suas aproximações e conflitos. A configuração do campo etnográfico também possibilitou perceber a estreita relação entre entidades representativas da umbanda e do batuque e a arena política pelotense em relação ao evento. A Festa configura-se como um evento emblemático de um contexto local marcado pela intolerância religiosa em relação às religiões de matriz africana, a qual culminou, no ano de 2015, com o incêndio da Gruta de Iemanjá e respectiva imagem da divindade, localizada na orla do balneário. 

Palavras chaves: religiões afro-brasileiras; conflitos socioambientais, intolerância religiosa; religião e espaço público.

 

 

Sesión 5: Memória, Rituais e Religiosidade Popular

 

 

ACALMANDO OS ESPÍRITOS DA FLORESTA: CRENÇA E RITUAL NO INTERIOR DA AMAZÔNIA

Marcos Flávio Portela Veras. Doutorando em Antropologia Social pela Universidade Federal do Amazonas. LEPAPIS/PPGAS/UFAM; flavio.mara@gmail.com

 

Com o propósito de propor caminhos de compreensão da religiosidade amazônica, analiso nesta comunicação uma manifestação religiosa indígena de um grupo que se identifica como Baré e que remete a um longo processo histórico de formação dos grupos sociais que habitam esta região, onde houve trocas, misturas, mudanças, transformações.  A situação analisada por meio de uma abordagem etnográfica ocorreu no ano de 2009 no rio Cuieiras, margem esquerda do baixo rio Negro, zona rural do município de Manaus, Amazonas. Na construção deste texto apresento um breve relato desta experiência que fornece elementos de reflexão, um breve relato do histórico de configuração religiosa no Brasil, enfocando especialmente a Amazônia, bem como alguns aportes teóricos sobre a temática que se aplicam ao caso etnográfico fazendo considerações sobre crença e ritual dos grupos amazônicos. Com isso pretendo pensar formas de crenças que nem sempre seguem rigidamente os moldes religiosos conhecidos e que se constituem formulações identitárias produzidas em contextos etnográficos específicos.

Palavras-chave: Crenças; Amazônia; Ritual; Identidade.

PARA LÁ E DE VOLTA A ALLAH: IDENTIDADE E RELIGIOSIDADE ENTRE MUÇULMANOS SUNITAS NO NORDESTE DO BRASIL

 

Vanessa Karla Mota de Souza Lima. Aluna do Programa de Pós-Graduação (Mestrado) em Antropologia Social da Universidade Federal da Paraíba(PPGA/UFPB); vkmota@hotmail.com.

Dra. Maria Patrícia Lopes Goldfarb. Professora do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal da Paraíba (PPGA/UFPB); patriciagoldfarb@yahoo.com.br,

 

Na trilha de Magnani (2009) e na busca por desenvolver um olhar “de perto e de dentro”, nossa pesquisa etnográfica desenvolveu-se no ambiente citadino, caracterizando a comunidade muçulmana em João Pessoa, no nordeste do Brasil, como resultado do fenômeno de ressurgimento e migração da fé, próprias da pós-modernidade vivenciada nos centros urbanos.

Destacamos que o islamismo é uma religião que se propõe ser acontextual, heterogênea (GEERTZ, 2004) e, portanto, compreendemos o universo islâmico como diverso e complexo (RAMOS, 2003, p.13; BARBOSA-FERREIRA, 2007, p. 21).

O objetivo é demonstrar como brasileiros revertidos ao islamismo se percebem, sobretudo, enquanto muçulmanos? Como se dá a construção da identidade religiosa destes sujeitos, ante a dogmática e práticas de uma religião de princípios rígidos e fortemente marcada por sinais diacríticos, aparentemente externos à cultura latina?

Como essa nova forma de ser, de pensar, de se entender enquanto um sujeito que pensa, age, se comunica e crê, é construída a partir da adesão do fiel as doutrinas performáticas e ideológicas do se fazer muçulmano; e ao mesmo tempo como velhas questões que fomentam a ideologia religiosa e as práticas cotidianas do islamismo se mantêm a partir de experiências em um país da América-Latina? Como o fiel se propõe a enxergar sua realidade de modo diverso dos seus pares? Como essa nova identidade é expressa na sua vida cotidiana? (BARBOSA-FERREIRA, 2007).

Entendeu-se que a construção da identidade se dá a partir da assimilação do discurso da religião, bem como na ortopáxis da sua vida.

Palavras-chaves: identidade; Sagrado; Islamismo; Antropologia.

 

 

Divina performance: O menino Imperador DA FESTA DO DIVINO ESPÍRITO SANTO EM SALVADOR/BA

Viviane Paraguaçu Nunes. Programa de pós-graduação multidisciplinar em Cultura e Sociedade (POSCULT) UFBA (Universidade Federal da Bahia); viviane.nunes1@educacao.ba.gov.br  / vivianeparaguacu.tvat@gmail.com

 

A tradicional festa do Divino Espírito Santo na cidade do Salvador acontece há mais de dois séculos e tem como personagem principal um menino, que durante a sua performance Imperial realiza a libertação de preso (s) do sistema penitenciário da Bahia. Estes festejos são organizados e mantidos por uma Irmandade pertencente a Igreja Católica, no entanto, podemos inferir que eles também compõem uma fronteira entre a Arte e o Sagrado, entre a “performance” do menino Imperador e a “fé” no Divino. Reflexões acerca da dinâmica religiosa destes festejos, as formas como eles se alimentam e são alimentados pela comunidade religiosa e não religiosa (assistência), bem como, os seus processos identitários na contemporaneidade, farão parte desse estudo multidisciplinar. Neste sentido, este texto, tem por objetivo analisar os elementos estéticos e religiosos, a tênue fronteira entre religião e arte. Inscrevendo-se também, nos estudos da teoria da performance.

Este artigo constitui-se como um recorte da pesquisa de mestrado ainda em andamento.

Palavras-chave: Divino, performance, fronteira, religião, contemporaneidade.

 

 

MEMORIA VIVA: “LA TRAGEDIA - MILAGRO DE LOS ANDES” EN UNA ENTOGRAFÍA DEL GRUPO DE SEGUIDRES “RE-VIVEN!”

Shalako Scotto Walker, Universidad de La República, Antropología social, sh4l4ko@gmail.com. Tutor: Prof. Agr. Dr. L. Nicolás Guigou, Universidad de La República, Director del Departamento de Antropología Social; lelio.guigou@gmail.com

Este trabajo presenta el adelanto de mi etnografía sobre el grupo de seguidores denominado “Re-Viven. La tragedia de los Andes-El Milagro de los Andes”. En el mismo indago el proceso que hace posible las reconfiguraciones de sentido de los relatos y memorias del accidente ocurrido en los Andes en el año 1972 protagonizado por jóvenes uruguayos provenientes del colegio católico Stella Maris. Se procuró un abordaje antropológico-hermenéutico que permita aunar las disyuntivas entre “relato” y “vida”, que parecen alejar el relato de la vida en tanto que vivida y confina el relato en el campo de la ficción (Ricoeur, 1984).  De esta forma es posible comprender cómo la historia ha ayudado, -a quienes se identifican con ella-, a lograr superar “sus propias cordilleras”. Además exploró el tratamiento del “Milagro de los Andes” como un mito nacional (e internacional), aunque esto definitivamente no signifique reificar La Historia de los Andes como un “mito en sí”, sino en este caso en relación con la “cultura uruguaya” en su devenir histórico de representaciones emblemáticas y mitos en permanente actualización y reactualización que hacen posible la particular mito-praxis Uruguaya de “nación laica” (Guigou, 2000). Con respecto al abordaje empírico, se participó en las prácticas del grupo, en su relación con los lugares de Memoria relevantes, como la “peregrinación” al lugar del accidente en la cordillera de los Andes, en donde aparecen relaciones de sentido entre el mundo humano y no-humano.

Palabras Clave: Mito/ Religiosidad/ Memoria/ Identidades/ Narrativas.

 

 

 

RELIGIOSIDAD POPULAR E IDENTIDAD CULTURAL EN EL NORTE GRANDE DE CHILE: BARRIOS Y BAILES RELIGIOSOS.

 

Dr. Bernardo Guerrero Jiménez. Sociólogo. Profesor Titular Universidad Arturo Prat. Iquique, Chile; bernardo.guerrero@gmail.com

 

Afirmamos la idea de que la religiosidad popular en el Norte Grande de Chile, opera como un dispositivo que produce identidad cultural, a través de los bailes religiosos que año a año, peregrinan a los santuarios de La Tirana, San Lorenzo, Las Peñas y Ayquina.

Estas cofradías religiosas, afirman una identidad cultural sostenida en el cuerpo, a través del lenguaje del bailar y del cantar. Asumiendo la identidad de un Otro, como chunchos, cuyacas, pieles rojas, sambos, morenos, chinos, entre otros, actualizan una discursividad en la que lo andino, es su sustentación.  La base territorial de los bailes es el barrio. Allí, y desde las familias se desarrolla una sociabilidad que transcurre durante todo el año.

Esta identidad andina, coexiste con la nacional chilena, en tanto, el Norte Grande, desde fines del siglo XIX, fue sometido a un fuerte proceso de chilenización, movilizado, entre otros, por la escuela nacional. La idea era civilizar tierras "paganas". El habitante de este parte de Chile, fue visto como indio, con toda la carga peyorativa, que eso implica. Los bailes religiosos representaron para las elites nacionales esa idea/prejuicio.

Durante todo el siglo XX, los bailes religiosos, en alianza con la iglesia católica, desarrollaron estrategias para mostrar que eran chilenos, a través del uso de emblemas en sus trajes y estandartes. En esta ponencia, discutimos la utilización de esos recursos. Nos ponemos en la perspectiva de la interseccionalidad para ver como los andino se mezcla con lo nacional.

 

 

CULTURAS POPULARES E RELIGIOSIDADES AFROBRASILEIRAS EM CIRCULAÇÃO NO MARACATU DE BAQUE SOLTO DE PERNAMBUCO, BRASIL

José Roberto Feitosa de Sena. Mestre em Ciências das Religiões (UFPB). Doutorando em Sociologia (UFPB); joserobertosena86@gmail.com

Antonio Giovanni Boaes Gonçalves. Pós-doutorado em Antropologia (USP). Doutor em Sociologia (UNESP) Docente do PPGS (UFPB); giboaes@gmail.com

 

O Maracatu de Baque Solto ou Maracatu Rural é uma manifestação de cultura popular do Estado de Pernambuco, Brasil, que em suas apresentações carnavalescas percebem-se moventes circularidades entre cultura popular e religiosidades marcadas por polifonias religiosas que entrelaçam rituais diversos do campo religioso brasileiro. Estes ritos são permeados de símbolos e significados formados pelo processo contínuo de hibridismos e interconexões culturais. Os processos de inserção estratégica na modernidade no intuito de galgar reconhecimento, aliado ao resistente e dinâmico universo religioso que povoa o ethos comunitário, resultam em reinvenções de práticas religiosas e reafirmações de identidade cultural/religiosa. Longe de separadas, as categorias dicotômicas clássicas sagrado e profano, no maracatu pernambucano, são dialogáveis, entrelaçadas, e, em muitos aspectos, indissociáveis.

Interpretando parte do universo simbólico da agremiação cultural supracitada, a presente pesquisa, visa refletir sobre as relações interdependentes e circulares entre festas populares, religiosidades plurais e espetáculo cultural, trazendo à baila a realidade desses grupos de cultura popular e comunidades devocionais como mote para o debate sobre fenômenos culturais e religiosos marcados por relações porosas, múltiplas e circulares, envoltos entrelaçadamente, mas não passivamente, na espetacularização cultural da contemporaneidade.

Palavras-chave: Maracatu de baque solto; cultura popular; religiosidade popular.