RESUMEN GRUPO DE TRBAJO 59

GT 59.  RELIGIONES, IGUALDAD DE GÉNERO  Y DIVERSIDAD SEXUAL

Coordinadores:

Rafael Cáceres Feria. Universidad Pablo de Olavide de Sevilla (España); rcacfer@upo.es

Fátima Weiss de Jesus. Professora do Departamento de Antropologia e do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social

UFAM-Universidade Federal do Amazonas - Manaus/ Amazonas /Brasil; fatimaweiss@gmail.com

 

 

1ª SESSÃO: Gênero em contextos religiosos Católicos, Evangélicos e Afro-brasileiros

 

 

HOMENS (IN)FIÉIS?

Carla Figueiredo Marinho Saldanha. Universidade Federal do Pará; marinho_carla@ig.com.br

Denise Machado Cardoso. Universidade Federal do Pará; denise@ufpa.br

 

Pretende-se neste trabalho discutir a fidelidade sexual e afetiva de um grupo de jovens protestantes, partindo do pressuposto que o desejo mútuo entre um casal afasta a possibilidade de traição. A abordagem do problema seguiu a perspectiva de gênero uma vez que sexualidade implica em considerações sobre construções culturais acerca do masculino e feminino. A metodologia utilizada baseou-se na pesquisa bibliográfica e etnográfica. A ênfase na etnografia justifica-se por considerar os atos de olhar e de ouvir como funções de um modo de observação em que o pesquisador busca compreender a lógica do "outro". As análises interpretativas foram realizadas a partir de entrevistas informais com homens na faixa etária de 25 a 30 anos não casados. Esta opção pelo universo masculino justifica-se pelo fato de que a infidelidade masculina seria mais tolerada socialmente que a feminina, e que a maioria dos homens não expressam socialmente seus anseios e angústias referentes aos relacionamentos afetivos, pois para estes o amor romântico entraria em conflito com as regras da sedução. A busca do entendimento dos relacionamentos entre casais heterossexuais permite ultrapassar, a partir da perspectiva de gênero, a visão estereotipada de que "as mulheres querem amor e os homens querem sexo".

Palavras-chave: Gênero, fidelidade, traição e sexualidade.

 

 

 

 

DOMINAI”! A PRODUÇÃO DA MASCULINIDADE NA IGREJA UNIVERSAL DO REINO DE DEUS

Carlos Gutierrez. Universidade Estadual de Campinas; carlos.gutierrez9@gmail.com

 

A Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), uma das principais instituições evangélicas do país, com cerca de 1 milhão e 800 mil membros, tem voltado sua atenção para o projeto Intellimen, presente em todo o Brasil e em boa parte dos mais de 170 países em que a IURD está presente. A iniciativa, segundo os atores, visa formar “homens inteligentes, melhores” e prontos para lidar com as “mulheres modernas” e os desafios do relacionamento na modernidade. Um dos principais objetivos do curso é ensinar ao homem qual o papel que cabe a ele e a mulher, numa extensa produção discursiva acerca das diferenças entre os dois gêneros. Por meio de uma metodologia baseada em 53 desafios, que devem ser cumpridos rigorosamente na vida cotidiana, os Intellimen atingem o ideal de masculinidade da Igreja Universal: cavalheiro, bem-sucedido, asseado e pronto para assumir o papel de “líder” da relação. Valendo-se da noção de dispositivo, da sociologia pragmática, o trabalho pretende pensar como os atores incorporam uma série de referenciais normativos para produção de críticas e julgamentos de outros atores, situações e objetos. Como os atores pensam, a partir dessa matriz normativa, questões como machismo, heteronormatividade, desigualdade de gênero, naturalização de construções discursivas acerca das mulheres e relações de poder? É importante ressaltar que o projeto não visa apenas os membros da Igreja Universal, mas é aberto a todos os homens que queiram participar, independente da orientação religiosa, constituindo um importante dispositivo para produção de uma determinada masculinidade e heteronormatividade no Brasil.

Palavras-chave: religião; gênero; masculinidade; Igreja Universal; pragmática

 

 

ENTRE RESSIGNIFICAÇÕES E ANTIGOS TABUS: CONFIGURAÇÕES SOBRE O USO DE PRODUTOS ERÓTICOS POR EVANGÉLICOS NO BRASIL

Daniel Victor Alves Borges Rodrigues. Universidade Federal do Rio Grande do Norte; danieluece@hotmail.com

 

As práticas de consumo de produtos eróticos representam uma fatia considerável no mercado de bens na cena cotidiana. É cada vez mais presente a tendência de englobamento de novos grupos sociais no consumo de mercadorias, neste caso, o consumo vem se dando pelos evangélicos ou público gospel. Como é possível a (re)formulação dos significados atribuídos pelos sujeitos/sujeitas que consumem estas mercadorias? Por outro lado, a religião protestante e seus seguidores defendem (em diferentes matizes) valores e normas sociais que buscam a separação do universo secular. Que modelos de representação e classificação social estão em jogo e que são acessadas nesta forma de consumo? Para responder estas questões foi possível realizar diálogo com autores: Porfirio, Campbell, Appadurai. É possível um objeto que estaria destinado ao uso de não-evangélicos passar por uma reformulação discursiva para se adequar a um consumo? Essas reformulações passam pela forma de explicação do uso dos produtos, pela maneira como são distribuídos (assegurar o anonimato e discrição), pelo público-alvo pretendido (casais heterossexuais), pelo discurso do fortalecimento da relação do casamento (momentos de intimidade). Uma peculiaridade da estratégia de marketing desses produtos é o seu apelo ao público feminino, a fuga da vulgaridade e a sua relação mais aproximada entre produção e consumo. Há dentro desse cenário, uma profusão de diferentes gramaticas dessas práticas, que vão desde a respeito aos dogmas professados pelos evangélicos, a manutenção do discurso da submissão da mulher, a possíveis novos enquadramentos da experiência, baseados na busca pela felicidade e do prazer dentro do relacionamento.          

Palavras-chave: Consumo. Evangélicos. Produtos eróticos.

 

 

A SOCIEDADE CIVIL, A IGREJA E AS POSSIBILIDADES DE (DES)CRIMINALIZAÇÃO DA VIOLÊNCIA SEXUAL CONJUGAL

 

Níobe Neves Henriques. Universidade Federal da Paraíba; niobe.n.henriques@hotmail.com

 

Este artigo tem a pretensão de realizar uma reflexão teórica e metodológica acerca dos bastidores iniciais de uma etnografia sob a possibilidade de criminalização de violência sexual nas relações amorosas e conjugais ocorridos em Campina Grande – Paraíba. Realizaremos a análise dessa possibilidade de criminalização através das seguintes instituições: a Delegacia da Mulher, Centro de Referência da Mulher, um PSF (Programa de Saúde da Família) e em duas igrejas - uma católica e outra evangélica. Para tanto será realizado alguns pontos de releitura teórica sobre esse tipo de violência sexual, para percebermos quais são os dispositivos de poder existentes nessas relações conjugais, os processo que legitimam este ato, bem como o silenciam. Será estabelecido um debate sobre o conceito de estupro, de débito conjugal, de violência doméstica e de gênero, bem como a possibilidade da criminalização da violência sexual conjugal por entidades como a igreja, o estado e a própria sociedade civil. Pelo fato da violência doméstica sexual conjugal apresentar um caráter peculiar, privado, isto vem a dificultar sua revelação, ora pelas estratégias e simulacros apresentados pela família, ora pela dificuldade dos profissionais em se deparar com o indesejável, visto que tal fenômeno apresenta um papel incompatível com as expectativas sociais criadas sob a figura de marido e mulher, tendo em vista que existe uma obrigação conjugal e que o marido “não poderia” figurar como polo ativo do crime de estupro, atribuindo assim a vítima postura incoerente diante de suas obrigações matrimoniais; bem como pelo fato da própria “vítima” não perceber este ato como uma violência.

Palavras - chave: Etnografia, Violência sexual, Estupro, Poder, Igreja.

 

 

CATÓLICAS PELO DIREITO DE DECIDIR: VOZES FEMINISTAS NA IGREJA CATÓLICA

Julia do Carmo da Silva Universidade Federal de Santa Maria docarmojulia@gmail.com

 

O presente trabalho busca analisar, através do modus operandi da ONG feminista Católicas Pelo Direito de Decidir (CDD), as formas como o feminismo e o catolicismo se relacionam em suas práticas e discursos. Para isso, irá se trabalhar com a etnografia multisituada, através de quatro distintos campos de pesquisa, que busquem dar um panorama geral de como o CDD concilia suas visões abertamente feministas a sua identidade enquanto católica. A ONG “Católicas pelo Direito de Decidir” foi fundada em 8 de março de 1993 e é uma organização não governamental feminista, que busca o diálogo inter-religioso e a mudança dos padrões culturais e religiosos que cerceiam a autonomia e a liberdade das mulheres, especialmente no exercício da sexualidade e da reprodução. Entre as suas preocupações estão a luta pela igualdade nas relações de gênero, tanto na sociedade como no interior da Igreja Católica e de outras religiões e a divulgação do pensamento religioso em favor da autonomia das mulheres. Analisar a forma como o CDD se configura enquanto grupo feminista e católico também leva a análise de com a modernidade e sua concepção de indivíduo influenciam na esfera religiosa, através da primazia da autonomia e do livre-arbítrio.

Palavras-Chave: Catolicismo, Feminismo, Modernidade.

 

 

NAGÔ SANTA BÁRBARA VIRGEM, UMA RELAÇÃO DE EMPODERAMENTO FEMININO NUMA CASA DE CULTO AFRO-BRASILEIRO EM SERGIPE

Díjna Andrade Torres. Universidade Federal de Santa Catarina; dijnatorres@gmail.com

 

O terreiro Nagô Santa Bárbara Virgem tem uma história peculiar dentro da linhagem de casas de culto afro-brasileiro no estado de Sergipe.  Conhecido na região como o único terreiro Nagô puro do país, a Irmandade tem uma relação forte com a Igreja Católica e elementos centrais de sua configuração simbólica que constituem o processo ritual da casa sincretizadas com a religião cristã. Porém, esse sincretismo com o catolicismo não se aplica ao se tratar do maior cargo hierárquico da casa. Dentro desta esfera, as mulheres apresentam um crescente empoderamento, ocupando não só os cargos de maior importância ritual atualmente, como também desde o passado secular do local. Porém, em se tratando de decisões acerca do sobrenatural, esse empoderamento também passa por uma regulação do masculino, de maneira velada e cautelosa. Esse trabalho pretende trazer dados e uma discussão acerca da configuração dessa liderança feminina dentro de uma religião afro-brasileira, que apresenta igualdade de gênero ou até mesmo certa superioridade feminina, mas que ao mesmo tempo traz em sua linhagem elementos de uma religião que traz a mulher sempre em papeis secundários e subjugados pelo masculino.

Palavras-chave: Liderança Feminina; Nagô; Empoderamento; Religião Afro-brasileira.

 

 

A MULHER NA UMBANDA ESOTÉRICA: UM DESAFIO À IGUALDADE DE GÊNERO

Giovanna Helena Teixeira da Cruz Silva. Universidade Federal de Minas Gerais; gio.helena@gmail.com

 

Apesar de várias pesquisas atestarem que mulheres investem mais em religião do que homens, verifica-se que, em maior parte das religiões, são os homens que dominam a produção do sagrado, a construção das doutrinas e das regras religiosas. A mulher está, assim, ausente dos espaços definidores das crenças e das políticas pastorais e organizacionais das instituições religiosas. Em contrapartida, o Candomblé, surgido no Brasil colônia sob influência das crenças africanas, vai de encontro à tendência de liderança masculina. Estudos recentes atestam a predominância feminina na hierarquia mais alta dos terreiros. O mesmo, entretanto, não ocorre em todas as religiões de matriz africana como é o caso de alguns terreiros de umbanda. Isso tem sido observado de forma inicial num terreiro de Umbanda Esotérica na cidade de Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil, local onde se dará esta investigação. Tem se percebido que, neste terreiro, além de não ocorrer a mesma predominância feminina do Candomblé, há uma associação da mulher à natureza e seu corpo, torna-se pouco compreendido ou “controlável”. As justificativas são baseadas em sua natureza física ou fisiológica que a relegam a uma atuação secundária no terreiro. Há também uma literatura clássica de teologia umbandista que corrobora para propagar essa visão. Tendo em vista esses elementos, percebe-se a necessidade de se analisar e repensar o lugar que a mulher vem ocupando na Umbanda Esotérica. Para tanto, serão realizadas observações de campo e análise da literatura de teologia umbandista com o viés das teorias de gênero.

Palabras claves: Gênero, Mulher, Religiões afro-brasileiras, Umbanda, Igualdade.

 

 

2ª SESSÃO: Religiões, Moralidades e Diversidade Sexual

 

 

RELIGIÃO E POLÍTICA: ATORES E DISPUTAS NO CENÁRIO BRASILEIRO E URUGUAIO

Luis Gustavo Teixeira da Silva. Universidade de Brasília; gustavoteixeira2519@gmail.com

 

A relação entre religião e política é objeto de estudo recorrente nas ciências sociais desde sua formação, porém os acontecimentos recentes das últimas décadas têm mobilizado ampla atenção dos pesquisadores para a interface entre estas esferas no mundo contemporâneo. Na América Latina o fenômeno apresenta contornos e variações singulares, haja vista a influência social e política do cristianismo em valores presentes nas constituições de alguns países. Na região, Brasil e Uruguai se constituem como paradigmas de análise para estudos sobre a relação entre religião e política e, por conseguinte do debate de legislações que interfiram em valores morais. Por isso, recorrer a entre estes modelos antípodas é inevitável, seja para analisar processos internos, compará-los entre si ou ainda mencioná-los caso a pesquisa esteja concentrada no estudo de algum outro país.

Com base neste objeto, este artigo de revisão bibliográfica pretende desenvolver duas linhas de raciocínio. Assim, a linha principal almeja diagnosticar o modo em que se constrói a relação entre religião e política no Brasil e no Uruguai. Dessa forma, captar as principais dinâmicas de enfretamento e aproximação entre estas esferas em distintos períodos da história destes países ao longo do século XX. A partir disso, estabelecer reflexões e comparações que permitam compreender os arranjos sociais, políticos e religiosos que tornam estes países tão distintos no que tange a este fenômeno e a discussão de temas relacionados a valores morais. Uma linha auxiliar será traçada para apreender o contexto em que surgem e se afirmam os atores sociais e religiosos que promoverão reconfigurações no debate acerca dos valores morais, seja para desconstruí-los como princípio norteador das ações do estado ou para reafirmá-los enquanto preceitos centrais às constituições destes países.

Palavras-chave: religião, política, laicidade, movimentos sociais.

A IDEOLOGIA DE GÊNERO E O PNE: A OFENSIVA RELIGIOSA NO CAMPO DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA

Amanda André de Mendonça. Universidade Federal Fluminense; amandademendonca@gmail.com        

 

O Plano Nacional de Educação – PNE sancionado em 2014, documento que apresenta 10 diretrizes e 20 metas para as políticas voltadas à educação no próximo decênio no Brasil e a base da política educacional para este mesmo período, passou tanto pelo Senado quanto pela Câmara dos Deputados, e foi tema central de discussão por inúmeros movimentos, por cerca de dois anos. O projeto sofreu uma série de questionamentos de líderes religiosos e da “bancada religiosa” no que tange à presença de dispositivos sobre a questão de gênero e orientação sexual em seu texto original. A dita "ideologia de gênero" foi identificada por esses religiosos no Congresso, como munição dos movimentos que agem no Brasil para "a destruição da família". Esses grupos religiosos de ampla representatividade na esfera política no Brasil de hoje vem combatendo fortemente essa temática, não só na esfera política institucional, mas por meio do apoio de diferentes lideranças que amplificam o tema nos espaços das igrejas e nas redes digitais. A supressão da referência a gênero e orientação sexual no PNE foi efetivada e os agentes religiosos que protagonizaram esse embate com alguns segmentos da sociedade civil foram vitoriosos. Essa ofensiva de lideranças religiosas na educação brasileira através da temática de gênero e orientação sexual, não é nova, e ilustra um contexto no qual a educação tem sido um campo de batalha alimentado com combustível religioso. O tema tratado neste trabalho se insere, portanto, na problemática do conflito entre o campo educacional e os valores, normas, padrões morais rígidos e hegemônicos defendido pelo campo religioso em questão. Nesta perspectiva, este trabalho pretende explorar o alcance religioso na disputa de projetos políticos, com especial destaque para os que tangem a questão de gênero e da sexualidade na educação. Busca-se por meio de revisão de pesquisas sobre sexualidade, gênero e laicidade do Estado, desenvolvidas por autores como Débora Diniz, Carlos Roberto Jamil Cury, Roseli Fischmann, Luiz Antônio Cunha, Emerson Giumbelli e utilizando como referencial teórico conceitos e categorias tais como: gênero, habitus de gênero, violência simbólica, e laicidade do Estado, investigar as estratégias e mecanismos criados pelos diferentes credos para vetar o debate e a abordagem da temática de gênero e da sexualidade na política educacional brasileira. Para isso, aliada a referida revisão bibigráfica dos autores mencionados, será apresentada análise sobre a tramitação do PNE vigente, com destaque para a ação dos agentes religiosos. O objetivo também é demonstrar o quanto esta ingerência religiosa nas políticas públicas pode representar um obstáculo concreto para a implementação de projetos políticos comprometidos com relações de gênero igualitárias e com a liberdade sexual, podendo até mesmo disseminar preconceitos e diversas formas de exclusão social.

Palavras Chaves: Gênero, Educação e Laicidade.

 

 

SALIDA POR LA PUERTA DE EMERGENCIA: TRAYECTORIA DE SALIDA FRENTE A LA TENSIÓN SEXUALIDAD-RELIGIOSIDAD EN VARONES GAYS DE CÓRDOBA / ARGENTINA

Hugo H. Rabbia. CONICET/ Universidad Católica de Córdoba; hrabbia@gmail.com

 

La condena institucional a las expresiones sexuales no heteronormadas por parte de numerosas instituciones religiosas genera disonancias y tensiones a nivel subjetivo, las cuales se gestionan de modos hetereogéneos. Si bien muchos trabajos recientes se han focalizado en los procesos de convivencia, integración o complementación entre ambas dimensiones, diversos cuestionarios revelan que la mayoría de los varones gays de Córdoba/Argentina optan por la desconversión religiosa, es decir, por diversas opciones de salida de la religión.

El trabajo focaliza específicamente en las narrativas de sí y en las trayectorias biográficas de tres varones gays que actualmente se identifican como “sin religión de pertenencia”, pero han tenido previamente experiencias de socialización religiosa intensas. Cada entrevistado refleja de forma paradigmática una de las opciones de salida identificadas en una muestra total de 28 varones gays: la indiferencia religiosa, la increencia y la desinstitucionalización (creer sin pertenecer). Los modos en que se conciben y narran estas trayectorias de salida permiten intuir los múltiples pliegues y experiencias en torno a los procesos de desconversión religiosa, los diferentes puntos de inflexión identificados y cómo opera la crítica a la institución religiosa (en particular, la Iglesia Católica). Los datos se recuperaron a partir de entrevistas en profundidad, y los casos fueron seleccionados por un muestreo teórico por “bola de nieve”. El trabajo reporta resultados parciales del proyecto SECyT-UNC 2012-2014: “Ovejas negras. Experiencia religiosa y sexualidad en trayectorias biográficas gays”, coordinado por el Dr. Vaggione y el Dr. Mattio.

Palabras claves: desconversión religiosa; tensión sexualidad – religiosidad; varones gays; salida de la religión; increencia.

 

 

LESBIANIDADES E DINÂMICAS RELIGIOSAS: UMA RELAÇÃO ENTRE VIOLÊNCIAS COTIDIANAS E “MANOBRAS” EM GOIÂNIA

 

Tanieli de Moraes Guimarães Silva. Universidade Federal de Goiás; tanielimgs@gmail.com

Daniela Maroja. Universidade Federal de Goiás; danielamaroja@gmail.com

 

O seguinte trabalho tem como proposta apresentar a atual conjuntura política-religiosa brasileira em âmbito nacional e regional, a partir do Estado de Goiás e da cidade de Goiânia. A partir disso, buscamos evidenciar algumas relações existentes entre lesbianidades e dinâmicas religiosas por meio das histórias de Gabriela, Laura e Bruna. A intenção aqui é refletir sobre vivências religiosas que algumas mulheres lésbicas possuem, levando em conta que não é possível fazer um deslocamento de tais vivências do contexto histórico e social, dos marcadores sociais que as perpassam e principalmente das experiências de conflito e abuso existentes. Assim, foi possível perceber que os segmentos religiosos, que as interlocutoras em questão vivenciaram desde muito cedo na vida, constroem a homossexualidade como 1. um pecado que leva direto ao inferno; e 2. algo que pode ser negado e curado. A partir dessa realidade, as interlocutoras tiveram que “manobrar” e se defender buscando abrir brechas para vivenciarem suas sexualidades e para conciliarem mais ou menos seus desejos afetivo-sexuais com suas dinâmicas religiosas. As “manobras” realizadas são entendidas como uma forma de agência, mas ainda fica uma pergunta: a que custo o agenciamento é possível? As histórias evidenciam que trajetórias de mulheres lésbicas estão marcadas por violências cotidianas, as quais ressoam em suas vidas a todo o momento. A reafirmação diária de seus desejos reatualiza a violência internalizada. Há uma relação entre desejo-violência-culpa que perpassa a vida dessas mulheres e é dessa forma que ainda continuam construindo suas trajetórias.

Palavras-chave: dinâmicas religiosas, lesbianidades, violências cotidianas, Goiânia.

 

 

QUEER JIHAD Y ESFERA PÚBLICA MUSULMANA: EL CASO DEL MOVIMIENTO THE INNER CIRCLE

Mari-Sol García Somoza. Université Paris Descartes y Universidad de Buenos Aires; marisolgarciasomoza@gmail.com

Vanessa Rivera de la Fuente. Universidad Nacional Mayor de San Marcos/ Al-Rawiya College; vriveradelafuente@gmail.com

Mayra Soledad Valcarcel. Becaria Doctoral CONICET/IIEGE; mayravalcarcel@yahoo.com.ar

 

De un tiempo a esta parte, el Islam se ha constituido -por diversas razones- en un enclave central de la geopolítica mundial. En este contexto, no sólo emergieron grupos y regímenes islamistas sino que también, en contraposición, se han conformado movimientos reformistas y colectivos feministas y LGBTQIA dentro de la comunidad musulmana. Esta ponencia reflexionará sobre las formas en que el movimiento LGBTQIA musulmán enfrenta y deconstruye -desde lo que concibe y define como queer jihad- tecnologías de género y narrativas heteronormativas imperantes en pos de desarrollar una hermenéutica coránica sensitiva o sensible a la sexualidad (sexuality sensitive) (Kugle, 2003). En este sentido, analizaremos cómo esta lucha y praxis político-religiosa posibilita la inclusión y despenalización de los seres abyectos por el discurso islámico hegemónico; permitiendo la articulación y reconfiguración de sus distintas pertenencias identitarias (identidad de género, orientación sexual, musulmanidad, entre otras). Para ello, tomaremos el caso de  The Inner Circle, una organización transnacional con base en Sudáfrica, fundada en 1996 por el Imam Muhsin Hendricks junto a sus compañeros de halqaat (circulo de estudios). Actualmente desarrollan distintas actividades y proyectos de apoyo y difusión de los derechos de las minorías sexuales en comunidades musulmanas dentro y fuera de países de mayoría islámica; entre sus objetivos de trabajo se incluye la promoción de mezquitas inclusivas.

Palabras claves:Queer jihad, The Inner Circle, diversidad sexual, mezquitas inclusivas, esfera pública musulmana.

 

 

ENTRE MORALIDADES E DISCIPLINAMENTOS: HOMOSSEXUALIDADE, FAMÍLIA, IGREJA E O PROCESSO DE “SE ASSUMIR”

 

Isabelle Brambilla Honorato. Universidade Federal do Amazonas; isahonorato@hotmail.com

Fátima Weiss de Jesus. Universidade Federal do Amazonas; fatimaweiss@gmail.com

 

Compreendendo as profundas mudanças no campo religioso atual como produtora de novos sentidos e discursos, a presente comunicação tem como objetivo discutir as articulações entre juventude, homossexualidade e família, a partir de pesquisa etnográfica em andamento realizada com a Igreja Apostólica da Renovação Inclusiva (IARI), da cidade de Manaus. Segundo Weiss (2012) “Igreja Inclusiva”, um termo êmico e controverso pelo qual se designam as igrejas, que em geral podem ser definidas em termos de compatibilizar sexualidades não heterossexuais e religiosidades cristãs, majoritariamente evangélicas; tais igrejas não são discriminatórias a LGBTs. Nesse sentido, a IARI na cidade de Manaus congrega pessoas, predominantemente, não heterossexuais, advindas de famílias evangélicas tradicionais. O foco deste trabalho, portanto, é sobre as vivências e tensionamentos vividos por jovens oriundos de famílias evangélicas que após o processo de “se assumirem” como homossexuais foram desligados ou se desligaram de suas igrejas de origem e buscaram uma reinterpretação de sua religião na IARI. Nessa perspectiva, apontamos que o processo de “se assumir” pode gerar um rompimento que aparta os sujeitos de suas famílias, sem conectá-los a outro grupo, marcando as trajetórias das pessoas daquele grupo. Dessa forma buscamos entender as intersecções entre as vivências religiosas e familiares e o processo de subjetivação dessas pessoas.

Palavras-chave:Homossexualidade, Família, Juventude e Religião (Igreja Inclusiva)

 

 

IGLESIAS INCLUSIVAS (LGTBI) .LA LUCHA CONTRA LA INTOLERANCIA RELIGIOSA, IGUALDAD DE SEXO, LIBERTAD DE CULTO: “AMAROS UNOS A LOS OTROS COMO YO LOS HE AMADO”

 

Patricia De Las Mercedes Rodriguez Ferreiro. Universidade Federal Fluminense; delasmercedesrfp@hotmail.com

 

El presente trabajo tiene por objetivo evaluar la unión de la institución matrimonial, como unión de libertad sexual y o inclusiva de los movimientos LGTBI, en la República Federal Argentina y en la República Federativa del Brasil.

Esta manifestación está presente en la actualidad en el casamiento Wiccano, por medio del rito Handfasting. El presente culto, coloca al género en condición de igual sin reprimir y castigar la elección de la sexualidad, las parejas pueden ser heterosexuales  u homosexuales, el espíritu humano, está por encima del género. Además la unión sacral familiar, puede ser monogamicas o poligamicas según la tradición.

Se realizó investigación fotográfica y audiovisual. El marco de fundamentación teórica, se basa en diversos instrumentos Internacionales de Derechos Humanos incorporados a las cartas magnas de ambos Estados, entre ellos, la Declaración Universal de los Derechos Humanos (1948); que proclaman valores de igualdad y libertad, reafirmando la normativa interna, artículo 226 de la Constitución Brasilera y el nuevo Código Civil Argentino, que incorpora la ley de matrimonio igualitario.

Resultados alcanzados: Hay indicios suficientes para visualizar la vuelta de valores de antiguas religiones que posibilitan la inclusión social del movimiento LGTBI al culto.            

Palabras-clave: Libertad, Culto, Amor, Igualdad: Handfasting.

DA IGREJA LGTB PARA A IGREJA DOS DIREITOS HUMANOS – O ATIVISMO POLÍTICO DA IGREJA DA COMUNIDADE METROPOLITANA NO BRASIL

Aramis Luis Silva. Universidade Federal de São Paulo; aramisluis@uol.com.br

Analisando o processo de criação e implementação do Comitê de Direitos Humanos da Igreja da Comunidade Metropolitana (ICM) no Brasil, ocorrido recentemente a partir da mobilização de lideranças dos vários núcleos dessa instituição religiosa espalhados no país, nossa proposta é discutir os rendimentos de enquadrar tais unidades institucionais enquanto específicas comunidades de sentido modeladoras de ativismos políticos articulados em torno das categorias religião e direitos humanos.

Por meio da comparação dos perfis das lideranças e dos diversos modos de mobilização dos públicos de alguns dos núcleos regionais dessa igreja de caráter transnacional (origem norte-americana), pretendemos compreender de que modo um projeto institucional de uma entidade religiosa que se pensa translocal ganha suas específicas feições locais a partir das experiências, repertórios e agendas de suas lideranças regionais. Em nosso foco estarão as igrejas dos Estados do Paraná (Londrina), São Paulo (São Paulo), Rio de Janeiro (Baixada Fluminense), Ceará (Fortaleza) e Piauí (Teresina).

Se uma forma comum a esses agentes religiosos de vivenciar a exclusão social (e outros tipos de violências) é mediada pelo que foi descrito socialmente como “homossexualidade” e/ou “homossexualismo”, quais sentidos são atribuídos a essas categorias e de que forma tais sentidos configuram formas de atuação cívica? Alçada a uma dimensão política, mais que uma prática, uma sociabilidade homossexual em reconfiguração torna-se uma inesperada chave heurística para se compreender a articulação entre crenças religiosas e valores políticos.

Palavras-chave: Cristianismo, Igreja Inclusiva, Sexualidade, Diversidade Sexual, Ativismo.