RESUMEN GRUPO DE TRBAJO 56

GT 56.  CIDADE, MOBILIDADE E IMAGINÁRIO

Coordinadores:

Professor Dr. Euler David de Siqueira (doutor em sociologia pelo ICFS/UFRJ e pós-doutor em sociologia pela Université Paris Descartes Sorbonne). UFRRJ - Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, IM – Instituto Multidisciplinar; euleroiler@gmail.com

Professor Dr. Álvaro Banducci Júnior (doutor em antropologia social pela USP e pós-doutor em antropologia social pela UNICAMP). Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS; banducci@uol.com.br

Professor Ms. Alejandro Otamendi (doutorando em antropologia UBA). Instituto de Ciencias Antropológicas, Facultad de Filosofía y Letras, Universidad de Buenos Aires. (Institución abreviada: ICA, FFYL, UBA); alejandrootamendi@gmail.com

 

 

Sessão I – Cidade, fluxos e fronteiras

 

 

 “CENTRO DE SALVADOR: UMA CHINATOWN BRASILEIRA?”

 

Ana Claudia de Sá Teles Minnaert. Agência Nacional de Vigilância Sanitária; venegeroles@yahoo.com

 

O conceito de chinatonw vem sendo estudado por antropólogos, que pesquisam a diáspora chinesa. Essa forma de bairro étnico tem se constituído um local de segregação, onde os símbolos de uma chinesidade construída delimitam o espaço do estrangeiro dentro do novo lugar. Contudo, essa concepção de bairro étnico tem entrado em declínio e não constitui mais um local de atração para novos imigrantes, que têm buscado novas formas de instalação, com uma maior inserção na nova sociedade. A migração chinesa para a cidade de Salvador, Bahia, Brasil é recente e vem se intensificando nas últimas décadas. Apesar de apresentar algumas características das chinatowns, o aglomerado chinês na capital baiana apresenta um novo formato. E é nesse universo que esse estudo se insere. A partir de dados etnográficos, coletados na comunidade chinesa do Centro da cidade de Salvador, Bahia, Brasil ele busca analisar essa nova forma de aglomerado chinês. Em Salvador, os chineses escolherem o Centro para morar e trabalhar, mas não buscaram uma segregação. Eles se dispersaram no tecido urbano da capital baiana, em busca de uma invisibilidade. Esse espaço constitui uma heterotopia para a cidade e os chineses que aí residem e trabalham são absorvidos e encontram seu lugar, como parte dele, buscando uma proximidade, mesmo mantendo o distanciamento.

Palabras clave: migração chinesa, diáspora chinesa, chinatown.

 

 

 

 

INDÍGENAS EM CONTEXTO URBANO: BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE O PROCESSO DE ADAPTAÇÃO À VIDA NA CIDADE

 

Marlise Rosa (Museu Nacional/Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGAS/MN/UFRJ); marlise.mrosa@gmail.com

 

O fenômeno de migração de indígenas para a cidade tem crescido significativamente nos últimos anos, tanto que, atualmente, estima-se que aproximadamente 36% da população indígena brasileira resida em áreas urbanas. Motivados pela certeza de que na cidade terão acesso à educação, saúde e emprego, ou forçados a abandonar suas terras em virtude da violência sofrida, esses indígenas passam a engrossar a massa de pobres e excluídos residentes nas periferias dos centros urbanos, que com pouco ou nenhum grau de escolaridade, tornam-se mão de obra barata e desqualificada. Além disso, a vida na cidade lhes impõe uma série de dificuldades de inserção em um novo tecido social, exigindo-lhes a formulação de um novo instrumental analítico e operacional que comporte, a grosso modo, o transporte público, os diferentes hábitos alimentares e a economia monetária. Assim, por meio das narrativas de um grupo de mulheres indígenas – de diferentes etnias – residentes na periferia da cidade de Manaus (Amazonas), este artigo se propõe a refletir sobre o cotidiano de indígenas em contexto urbano, de modo a evidenciar alguns elementos que compõe aquilo que entendemos como urbanidade.

Palabras clave: indígenas em contexto urbano; índios na cidade; mulheres indígenas; urbanidade; modo de vida.

 

 

EM ARACAJU, TODO MUNDO É TABARÉU, EXCETO QUEM NÃO É!”: ESTUDO SOBRE AS DISPUTAS SIMBÓLICAS ENTRE TABARÉUS E CITADINOS

Lucas Martins Santos Melo (UFS-FAPITEC/SE); lucasmsmelo@gmail.com

 

Em Aracaju é utilizado corriqueiramente o termo tabaréu para se referir àquele oriundo do interior, da roça, do campo, que possua uma conduta, no meio urbano, acanhada, ingênua, tacanha. A expressão pode ser usada de forma agressiva, como um xingamento, ou de forma jocosa com algum conhecido. No entanto, tem sido observado durante a realização da pesquisa, que quando ocorre o uso do termo é para se fazer uma distinção entre o ser moderno, sofisticado, urbano, citadino e supostamente cosmopolita, daquilo que não pertence a essas categorias. Um uso marcado para diferenciação simbólica. É comum se ouvir expressões a respeito do tabaréu no estado de Sergipe, como: "o tabaréu deveria ter horário para entrar na cidade, porque só faz atrapalhar o fluxo dela" ou "o tabaréu é o bicho que mais se parece com gente". A partir disso, o presente trabalho tem como objetivo a investigação sobre as disputas simbólicas envolvendo citadinos e tabaréus numa cidade projetada para ser capital, o que por si só fomentou a migração no sentido interior-capital. Aracaju é um caso particular porque na capital sergipana, temos a impressão de que alguns dos habitantes da cidade fazem questão de renegar esse passado, quando associado à tradição agrária ou provinciana, embora ainda preservem, inadvertidamente, práticas e costumes considerados “tabaréus”, muito provavelmente adquiridos através dos seus ascendentes. Itens como gastronomia, expressões verbais, modos de entretenimento (como a Cavalgada do Aribé e a Festa de Santo Antônio), para citar alguns exemplos.

Palabras clave: tabaréu, Aracaju, modernidade, tradição.

 

 

UMA ETNOGRAFIA DA CIDADE-SANTUÁRIO: TURISMO, RELIGIÃO E POLÍTICA

Adriano Santos Godoy. Unicamp; adrianosgodoy@gmail.com 

 

A cidade brasileira de Aparecida, localizada no estado de São Paulo, tem sua história confundida com a do Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Não por acaso, foi devido à devoção a imagem da santa que a cidade se emancipou, e por isso recebeu o mesmo nome. Com uma população fixa de 35 mil habitantes, conta com uma rede hoteleira com 40 mil leitos e recebe anualmente 11 milhões de turistas. Se a cidade comporta aquele que hoje é considerado o maior santuário católico do mundo, em número de visitantes, a dinâmica urbana também adquire características ímpares. Com o imaginário religioso latente, as sociabilidades cotidianas são intrinsecamente relacionadas com a devoção mariana: a economia municipal é voltada quase exclusivamente para o turismo religioso. Assim os aparecidenses comerciantes e hoteleiros enfrentam atritos diários tanto entre si, como com o poder público e principalmente com o clero, responsável pela administração da igreja. Essa apresentação tem como base uma etnografia de seis meses, para a minha pesquisa de mestrado, e tem por objetivo discutir os processos sociais que são configurados no espaço urbano da cidade-santuário, marcado pela religião, pelo comércio, pelo turismo e pelas multidões.

Palabras-clave: Cidade-Santuário; Turismo; Comércio; Religião Católica; Interior Paulista.

 

 

LA LEY 4353/12: ETNOGRAFÍA DE UN PROCESO DE RESEMANTIZACIÓN SIMBÓLICO

Ana Gretel Thomasz. ICA-FFYL-UBA; gretel2007@gmail.com

 

Este artículo examina el proceso de resemantización simbólico por el que atraviesa hoy el emblemático barrio porteño de La Boca. Explora el proceso de construcción e imposición de un nuevo imaginario urbano a ese espacio. Un nuevo imaginario que viene siendo motorizado por el poder público con el objeto de institucionalizar la modificación introducida en 2012 por medio de la aprobación de la Ley 4353/12, que re-categorizó al territorio boquense en términos de “Distrito de las Artes”. Si bien dicho imaginario se nutre de representaciones preexistentes, al mismo tiempo las resignifica y manipula, procurando condicionar las prácticas espaciales de la ciudadanía y subalternizar ciertas imagenes boquenses hasta ahora hegemónicas, que distinguen al barrio tanto en un sentido negativo como positivo (en especial, aquellas que remiten a los sectores populares y a sus condiciones de habitabilidad).

En el plano teórico, se retoman las nociones de hegemonía/ subalternidad de origen gramsciano, y se destaca su utilidad para trabajar en el campo de lo simbólico. El artículo recupera el trabajo etnográfico desarrollado en La Boca desde 2012, basado en el uso de técnicas cualitativas convencionales (observación con y sin participación, entrevistas abiertas, relevamiento de documentos públicos y fuentes secundarias).

Palabras clave: Representaciones sociales urbanas, resemantización simbólica, hegemonía/subalternidad, barrio de La Boca, etnografía.

 

 

ENTRE A CIDADE TURÍSTICA E A CIDADE DE MIGRANTES: MOVIMENTOS DE LUTA POR MORADIA E REPRESENTAÇÕES DE CIDADE EM DISPUTA (GRANDE FLORIANÓPOLIS, 1989 - 2015)

 

Francisco Canella. UDESC-PPCIS/UERJ; franciscocanella@hotmail.com

 

O crescimento da Região Metropolitana de Florianópolis se deu articulado a um discurso de metropolização da cidade, bastante presente na mídia local e estimulado por setores empresariais, o qual pretendeu divulgar Florianópolis como uma capital com excelente qualidade de vida, lugar tranquilo e cercado de belezas naturais. Nesse contexto, a trajetória do movimento dos sem-teto  tem explicitado as formas de segregação socioespacial que têm acompanhado o seu crescimento e evidenciado as relações de poder entre os diferentes atores políticos e sociais e suas disputas simbólicas e territoriais. No final da década de 1980 o movimento dos sem-teto denunciou a presença de migrantes pobres na cidade, confrontando o discurso oficial com a ação organizada de ocupação de terrenos em Florianópolis, logrando importantes conquistas. Em 2012 teve início um novo ciclo de ocupações organizadas. Tendo como foco a Ocupação Contestado, na qual tem sido realizada uma pesquisa que articula metodologias qualitativas e quantitativas de pesquisa (histórias de vida, grupos focais e questionários) o trabalho discute o novo padrão de segregação socioespacial presente na expansão das áreas de pobreza na Região Metropolitana e compara nos dois períodos históricos (1989-1992 e 2012-2015) as representações em disputa acerca da cidade e de seus personagens, em especial, dos trabalhadores migrantes.

Palabras clave:cidade; migrante; movimento dos sem-teto.

 

 

DINÂMICA DE CONTATOS TRANSFRONTEIRIÇOS: TRABALHO E RELAÇÕES SOCIAIS NAS CIDADES GÊMEAS DE PONTA PORÃ (BR) E PEDRO JUAN CABALLERO (PY)

Álvaro Banducci Júnior. Universidade Federal do Mato Grosso do Sul; banducci@uol.com.br

 

As cidades fronteiriças de Pedro Juan Caballero, no Departamento de Amambay (PY), e de Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul (BR), têm no turismo de compras um setor expressivo de sua economia, alimentado pelo mercado reexportador paraguaio e pela oferta de serviços de hospedagem e lazer na cidade brasileira. O mercado fronteiriço propicia contato permanente entre compradores brasileiros e trabalhadores do comércio paraguaio, estimulando a dinâmica das representações étnicas e das identidades nacionais nessa área de divisa. A condição de conurbação desses núcleos urbanos e o fluxo intenso de pessoas, bens e símbolos entre as duas cidades aponta. Este estudo, cujo foco central é a dinâmica dos contatos transfronteiriços em contexto urbano, se volta para a análise de relações sociais e culturaisentre agentes dos países vizinhos que atuam no mercado de trabalho do outro lado da fronteira. A presença de trabalhadore(a)s paraguaio(a)s no mercado de Ponta Porã e de brasileiro(a)s no comércio de Pedro Juan Caballero, tem apontado para processos de interação importantes, regulados por assimetrias ou afinidades pessoais e coletivas, que evidenciam tanto a presença de barreiras étnicas e culturais advindas da situação de contato, quanto a existência de relações amigáveis e afetivas, que induzem a proximidade entre os dois povos. Investigar essas situações é o propósito deste estudo, da mesma forma que apontar para a maneira como referências de nacionalidade e questões de ordem moral e política têm se interposto e regulado a presença de trabalhadores fronteiriços em território estrangeiro.

Palabras clave: Fronteira nacional, cidades conurbadas, fluxo de trabalhadores, relações étnicas e nacionais.

 

 

Sessão II – Mobilidades, corpo e experiências urbanas

 

 

DANÇA EM ESPAÇOS URBANOS: CORPO, CRIAÇÃO E IMAGINÁRIO EM QUESTÃO

Bianca Christian Medeiros Sales. Universidade Federal de Viçosa y Grupo de Pesquisas Artes da cena Contemporânea; biancacmsales@gmail.com

Andréa Bergallo Snizek. Universidade Federal de Viçosa y Grupo de Pesquisa Artes da Cena Contemporânea-CNPq/MEC; anberg63@gmail.com

 

Entendendo a rua como um organismo vivo e dinâmico, este trabalho busca refletir acerca da relação entre corpo, criação e espaços de veiculação de obras de dança. Observou-se a importância de se estudar  processos de criação das obras artísticas destinadas a espaços públicos da cidade. Parte-se do pressuposto de que os locais onde são compostos os trabalhos e realizada a preparação corporal e a manutenção das coreografias possuem características distintas em relação aos espaços públicos de apresentação.

No artigo propõe-se a discussão de processos de construção de trabalhos coreográficos arquitetados para espaços urbanos. Trata-se da análise de modos de composição/manutenção de duas obras artísticas do Projeto NEPARC - Núcleo de Estudos e Práticas Artístico-Corporais. Configura-se como um estudo de abordagem qualitativa, do tipo exploratório descritivo, que teve como elemento central a coleta de informações na forma de observação participante e de entrevistas semiestruturadas realizadas com três dançarinos do projeto e com os dois coreógrafos que compuseram obras para o referido projeto, a saber: Alex Neoral, da Focus Companhia de Dança (RJ) e Vanilto Freitas (LAKKA) do Projeto Mono-Blocos (MG). A estratégia analítica da pesquisa teve como base o conteúdo categorial, destacando o imaginário da amostra do presente estudo quanto ao processo de composição das obras artísticas e as especificidades dos locais onde se processam as referidas ações.

As discussões feitas se fundamentaram em três eixos norteadores: Dança Contemporânea, Performance e arte nos espaços urbanos. Os principais autores utilizados foram Fazenda (2007), Cohen (1989), Lepecki (2011), Traquino (2010) e Britto & Jacques (2008a; 2008b; 2009).

Palabras clave: Cidade, Dança Contemporânea, Imaginário.

 

 

IMAGINAÇÃO ARQUITETÔNICA E EXPERIÊNCIA URBANA: O PROJETO DO CENTRO EDUCACIONAL UNIFICADO ALVARENGA

 

Vinícius Spira. Universidade de São Paulo; vinispira@gmail.com

 

Os Centros Educacionais Unificados (CEUs) reúnem num só local um conjunto de equipamentos de educação, cultura, lazer e esporte, e vêm sendo implementados há mais de uma década em áreas urbanas periféricas e carentes de diversas cidades brasileiras. O projeto de arquitetura é um dos fatores relevantes para a constituição da experiência urbana nestes lugares. Ao projetar espaços e construções, arquitetos tomam decisões com base no que podemos chamar de uma imaginação técnica-construtiva, sociológica, cultural e política. Esta imaginação envolve tanto a atribuição de comportamentos e identidades culturais a construtores, educadores e usuários futuros, como a definição de determinadas concepções de cidade que extrapolam os precedentes culturais e sociais supostamente presentes no contexto das intervenções. Assim, arquitetos desenham construções e espaços no intuito de favorecer ou inibir determinadas produções de significado, cursos de ação e possibilidades de interação.

Neste trabalho apresento resultados preliminares de uma etnografia do processo de projeto do CEU Alvarenga, previsto para ser construído nos próximos anos na cidade de São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo. Venho realizando a pesquisa na condição de arquiteto-antropólogo, e de membro da equipe do escritório Brasil Arquitetura - responsável pelo projeto deste CEU. Situando-me na interface entre investigação e intervenção, busco observar como os arquitetos sustentam e/ou modificam suas intenções - suas imaginações - face aos imprevistos e vicissitudes que aparecem no desenrolar do processo de projeto.

Palabras clave: antropologia urbana, arquitetura, centro educacionais unificados, cidades, práticas cotidianas.

 

 

MEDOS E HABILIDADES DA MOBILIDADE EM BICICLETA: NOTAS INICIAIS DE UMA PESQUISA EM ANDAMENTO NO DISTRITO FEDERAL

 

                                                   Rodrigo Carlos da Rocha. Universidade de Brasília; rocha.rodrigoc@gmail.com

 

Oriundo de uma pesquisa doutoral em andamento e inspirado principalmente pela antropologia dos ambientes urbanos e pelo chamado New Mobilities Paradigm, o artigo aborda o tema dos medos associados ao estar no espaço público de bicicleta em trajeto “utilitário”, tendo como lastro empírico as relações estabelecidas ao longo do ano corrente entre o autor e “ciclistas urbanos” do Distrito Federal do Brasil. Diferentemente da maior parte das pesquisas sobre o tema, que trata do medo quase exclusivamente enquanto tópico referente à reflexão sobre “escolha modal”, o artigo enfatiza a pertinência dos vários medos associados ao uso da bicicleta como elementos que podem ser úteis para pensar aspectos importantes da própria experiência móvel da locomoção em bicicleta. Com este norte em mente, inventariam-se, na primeira parte, alguns medos associados ao deslocamento em bicicleta, para além dos mais óbvios, como o de ser atropelado. Na segunda metade do trabalho, são apresentadas e discutidas algumas das formas pelas quais os medos “agem” sobre os estilos de pedalagem, destacando-se, em especial, seus impactos sobre a dimensão das habilidades, um dos aspectos-chave da motilidade humana.

Palabras clave: mobilidade por bicicleta; cidade; espaço público; medo; perigo.

 

 

 VINDO A SER EM UM TERMINAL DE TRANSPORTE EM FLORIANÓPOLIS/SC

Marcelo Giacomazzi Camargo. Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal de Santa Catarina (PPGAS/UFSC). Universidade Federal de Santa Catarina, SC, Brasil; marcelo.giacomazzi@gmail.com

 

O Terminal de Integração do Centro (TICEN) é o maior e principal terminal de transporte público de Florianópolis/SC. Servindo como foco importante para a movimentação da cidade, constitui-se diariamente como local onde passageiros, funcionários, máquinas, prédios, a administração pública, moradores de rua e comerciantes estabelecem correspondências entre si através de negociações e experiências no ambiente. Com base na análise destas práticas ambientais, busco neste trabalho discutir a diferenciação mútua destes grupos através das formas distintas, porém interdependentes, que configuram seus movimentos e localizações no terminal. Avalio que os corpos no TICEN tornam-se inclusos em categorias a partir do momento em que passam a compartilhar determinados aspectos e características com o ambiente imediato de que fazem parte. Estudo alguns exemplos de situações cotidianas no terminal para evidenciar o modo que humanos diferentes, assim como não-humanos, trocam e compartilham características entre si nos seus movimentos diários para virem a se constituir como entes em um momento crucial de navegação por uma cidade média.

Palavras-chave: ambiente; antropologia urbana; espaço público.

 

 

MULHERES DE BICICLETA REIVENTANDO BRASÍLIA

 

Leila Saraiva Pantoja. Universidade de Brasília – PPGAS DAN/UNB; leiloca1@gmail.com

 

Parto aqui da percepção de que o espaço urbano, de cujo a rua é símbolo, é marcado essencialmente pelo conflito entre distintos atores da cidade (Delgado, 2007). A rua, permeada por um emaranhado de olhares e negociações, traz à tona as intranquilidades, as convivências difíceis, as disputas de poderes. Por meio do trabalho etnográfico, ao acompanhar a trajetória e os trajetos cotidianos de onze mulheres que optaram pela bicicleta enquanto principal meio de transporte em Brasília, alguns desses conflitos se fizeram latentes. Em primeiro lugar, a disputa pelo direito de locomoção, em uma cidade planejada enquanto propaganda do carro, na ascensão da indústria automobilística brasileira. Em segundo lugar, no desafio de frequentar o espaço público enquanto mulheres já que, se aventurar na rua é, sob ponto de vista feminino, se arriscar a enfrentar situações para as quais se foi diversas vezes alertada. Busco analisar a ocupação cotidiana do espaço público e as fronteiras transpassadas por esses corpos duplamente marcados na cidade: enquanto mulheres em um espaço eminentemente masculino, enquanto ciclistas em vias destinadas ao automóvel. Tal análise faz emergir não apenas dimensões da violência vivenciada por minhas interlocutoras, mas principalmente outras formas de circular e experimentar a cidade, que acabam constituindo novas resistências, laços afetivos e imaginários do espaço urbano.

Palabras claves: Brasília, Bicicleta, Conflito, Gênero, Direito à cidade.

 

 

UM OLHAR SÓCIO-ETNOGRÁFICO SOBRE A PRÁTICA DOS SKATISTAS NA TRINDA (FLORIANÓPOLIS – SC)

Julio Gabriel de Sá Pereira. Universidade Federal de Santa Catarina; jugabrielsp@hotmail.com

 

Este trabalho pretende refletir sobre as relações que os skatistas constroem em um determinado espaço da cidade de Florianópolis, a saber, a pista de skate do bairro Trindade – a Trinda –, investigando na apropriação do espaço, as relações de sociabilidade entre os indivíduos e a construção do campo skatista através da disposição de seus habitus. Trataremos destas noções a partir de Pierre Bourdieu, que pensou o campo esportivo onde circulam discursos que disputam o monopólio da definição de certa prática, sendo que nesta relação tem papel fundamental o habitus do esportista, considerado produtor das práticas e de seus esquemas de percepção e julgamento. A sociabilidade, entendida como aspecto que perpassa o campo skatista, é analisada segundo estudos de José Magnani e suas pesquisas sobre o meio urbano, principalmente quando trata do conceito de pedaço. A abordagem metodológica se deu através de entrevistas semiestruturadas, etnografia e observação participante. Como resultado, percebeu-se a importância de estudar a prática do skate, no que se refere à participação dos atores estudados no desenvolvimento dos discursos sobre o meio urbano.

Palabras clave: skate; pedaço; campo; habitus; Trinda.

 

 

DESCALÇO EU NÃO ERRO O CAMINHO" - A CIDADE DELINEADA PELOS SENTIDOS

Lanna Beatriz Lima Peixoto. UFPA; lanna.blp@gmail.com

Nesse trabalho reflito acerca da cidade e das experiências sensíveis que a delineiam. Em foco Salvaterra e Damasceno. Ela é cidade localizada no Arquipélago do Marajó, Estado do Pará, Brasil. Ele é homem que nada vê, mas tudo percebe. Uma cegueira o acometeu quando jovem, sem poder ver anda pela cidade de pés descalços para não errar o caminho, da época que podia ver lembra-se dela em detalhes, das esquinas, das cores, dos mercados, dos rostos. Narra a Salvaterra da memória. Hoje, a cidade para ele são seus cheiros, a rugosidade dos asfaltos, a voz dos moradores, Damasceno nunca se perde por suas ruas, nem tropeça por terrenos acidentados, inscreve-se no lugar e vice-versa. As mudanças espaciais, as marcas do tempo, a arquitetura das casas, a localização de uma árvore e mais uma infinidade de rastros contam a história dos seus habitantes. Seu território é constituído por lugares emocionalmente vividos onde ocorre a sociação que afronta a passagem do tempo, sedimenta as histórias passadas, reúne pessoas em rituais diários, dinamizam o espaço. São afetos, conflitos, a série de dramas sociais vividos no lugar que o delineiam, para além de toda a infraestrutura que a cidade proporciona. Antes de ser constituída pelas entidades e instituições é composta de interações e sensações somente isoladas abstratamente. Seus habitantes não são meros espectadores das transformações e imposições de um urbano devastador. É antes como escritura, onde autores e leitores se confundem e se entrecruzam, onde se emaranham trajetórias em diferentes tempos e espaços.

Palabras clave: Cidade; Sensível; Memória; Habitar; Marajó.

 

 

CIDADES E DESLOCAMENTOS: UM ESTUDO DE TRAJETÓRIAS DE ESTUDANTES EM MOBILIDADE ACADÊMICA E SEUS MÚLTIPLOS PERTENCIMENTOS

Ruan Vinícius Faustino Coelho Universidade Federal de São Carlos (Brasil) ruancoelho@id.uff.br

 

Neste trabalho, fruto de pesquisa realizada por dois anos, busco refletir acerca dos processos contemporâneos de identificação atrelados as dinâmicas migratórias de jovens estudantes estrangeiros em mobilidade acadêmica vinculado Universidade Federal Fluminense. Assim busco pensar, através do estudo das formas de identificação e consumo cosmopolita, entendido como escolha efetuadas por sujeitos a partir de projetos elaborados em um campo de possibilidades, a relação entre projetos indivíduos e as contradições de afirmação de vínculos locais e globais. Nesse sentido, as experiências na cidade e o percurso de sua descoberta como objeto faz-se fundamental para o entendimento dos processos que desencadearam estilos de vida tão peculiares e elencaram novos valores de urbanidade. Desse modo, basear-me-ei no estudo da narrativas de três estudantes estrangeiras vinculadas ao curso de Ciências Sociais. Desse modo, podemos apontar que as dinâmicas que organizam as trajetórias dessas estrangeiras, revelam o potencial de metamorfose e capacidade de ressignificação das redes e códigos culturais, expondo seus cosmopolitismos. Ao acionar distintas redes de sociabilidades, num complexo conjunto de códigos, culturas, estilos de vida essas estrangeiras revelam um cosmopolitismo não homogêneo, compreendido de forma simples e pura.

Palabras clave: mobilidade acadêmica; mediação; cosmopolitismo; identidade; cidade.

 

 

 

Sessão III – Imaginários

 

COZUMEL, A ILHA QUE SE REINVENTA: ONDE O TURISMO FAZ ECLODIR MÚLTIPLOS IMAGINÁRIOS E TEMPORALIDADES

 

Lea Carvalho Rodrigues. Universidade Federal do Ceará (UFC), Brasil; leaufc@gmail.com

 

Cidades turísticas têm a qualidade de concentrar, simultaneamente, diferentes signos que caracterizam a contemporaneidade: fluxos, diversidade, produção de símbolos e simulacros, a conformar novas paisagens, imagens e sensibilidades. Elas têm em comum, ainda, a necessidade constante de criar produtos para ofertar ao visitante, que atraiam seu interesse e suscitem os desejos de ali estar, ver e viver experiências ímpares, distantes de tudo o que forma parte do seu cotidiano. Como é particular a toda experiência turística, de alguma forma estas cidades também permitem ao turista entrar em contato com a dimensão do sagrado, faça-se ele presente na contemplação da natureza, no assombro causado pelo espetáculo da arquitetura presente ou pretérita, ou mesmo na possibilidade de uma interiorização profunda. O que dizer então quando esta cidade se encontra em uma ilha detentora de um passado repleto de situações que estimulam esse imaginário de aventura, exotismo e ação, e seu presente propicia o contato com uma natureza exuberante? Assim é Cozumel, uma ilha do caribe mexicano a partir da qual, e dos dados etnográficos ali colhidos, pretende-se expor e refletir sobre como acontecimentos históricos, mitologias indígenas e da conquista, além dos abalos causados por eventos naturais, podem compor um imaginário múltifacetado que perpassa a vida cotidiana da cidade e da ilha, sobretudo em seu núcleo urbano, e, ainda, em como esta situação específica traz acréscimos às reflexões tanto sobre as dinâmicas próprias às cidades turísticas, como para incrementar as discussões no âmbito da antropologia urbana e do turismo. 

Palabras clave: cidades turísticas, imaginários, temporalidades.

 

 

RIO VOCÊ FOI FEITO PRÁ MIM: REFLETINDO SOBRE REPRESENTAÇÕES E USOS DA CIDADE

Ludmila Moreira Lima Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro-UNIRIO; mlima.lud@gmail.com

 

A proposta desta comunicação parte de um estudo integrado a uma pesquisa na área de antropologia urbana, cujo objeto incidiu sobre representações sociais envolvendo espaço público e usos da cidade, tendo em vista os impactos provocados no Rio de Janeiro, a partir dos eventos que a cidade sediou e irá sediar entre 2014 e 2016. Além das políticas de intervenção urbana e de segurança ensejadas pelas parcerias governamentais e empresariais, diversos grupos passaram a reivindicar maior influência na gestão do espaço público, o que resultou num ativismo urbano marcado por mensagens e ações plurais. Sob marcos teórico-metodológicos da antropologia, este estudo focalizou o movimento Rio Eu Amo Eu Cuido, criado, segundo seus idealizadores, para sensibilizar os cariocas sobre o uso adequado e responsável da cidade e do espaço público. Apesar da polissemia que envolve o termo espaço público, quando articulado ao espaço urbano, seu entendimento refere-se a uma construção social e simbólica que tem sua representação espacial na cidade, onde pactos formais e informais orientam as relações, explicitam interdições, definem e reduzem direitos, assim como revelam arranjos e conflitos que engendram tanto mudanças como a permanência de dimensões que tornam a cidade partida e hierarquizada. O estudo examinou as representações, as narrativas e as propostas do movimento para a apropriação da cidade e uso do espaço público; os sentidos conferidos às noções de cidadania, identidade, diversidade cultural, bairrismo e pertencimento, bem como as formas de interação e trocas estabelecidas entre o movimento e os que vivem na cidade.

Palabras Clave: representações sociais, cidadania, espaço público, pertencimento.

 

 

LA CIUDAD EXTRATERRESTRE: TRANSFORMACIONES URBANAS, MOVILIDADES E IMAGINARIOS EN LA LOCALIDAD DE CAPILLA DEL MONTE, CÓRDOBA (ARG.)

Alejandro Otamendi. ICA-FFYL-UBA; alejandrootamendi@gmail.com

 

En la localidad de Capilla del Monte (provincia de Córdoba, Arg.) desde mediados de la década del ochenta, las constantes migraciones, el crecimiento de la infraestructura urbana, conjuntamente con el incremento de la actividad turística, fueron transformando al antiguo pueblo serrano en la tercera ciudad, según su densidad de población, del Valle de Punilla, una de las áreas de turismo más importantes del país. El nuevo escenario evidencia distintas formas de sociabilidad, ritmos, flujos y disputas, que favorecen, nutren y constituyen originales imágenes y representaciones que se funden en el imaginario contemporáneo de la localidad. De esta forma, y a partir del trabajo etnográfico y la investigación histórica-documental, se analizan diferentes momentos en la producción simbólica local, con el objeto de dar cuenta de las prácticas sociales e interacciones culturales modernas de esta ciudad incipiente que, en ocasiones, todavía se piensa como pueblo. De manera similar se problematizan las disputas y conflictos que reconfiguran la construcción simbólica de la imagen turística de la ciudad, en la que convergen narrativas disímiles que condensan la energía, el misterio, la naturaleza, los comechingones (habitantes prehispánicos de la región), y especialmente los extraterrestres, todas las cuales diferencian y posicionan turísticamente a dicho emplazamiento como único en la región.

Palabras Clave: Turismo, imaginarios, Capilla del Monte, ciudad, narrativas.

 

 

RIO DE JANEIRO, MUSEU DE 450 ANOS DE IMAGENS

 

Euler David de Siqueira. Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro/Instituto Multidisciplinar; euleroiler@gmail.com 

Denise da Costa Oliveira Siqueira. Universidade do Estado do Rio de Janeiro, PPGCOM; denisedacosta@ig.com.br

 

Assim como a cultura, o imaginário é inventado através do processo de atribuir significados à vida cotidiana. A mídia e a propaganda são dois dos muitos agentes envolvidos nesse processo chamado por Roy Wagner de “cultura interpretativa”. A fabricação do imaginário turístico da cidade do Rio de Janeiro se alimenta de imagens e representações produzidas em contextos que pouco ou nada têm a ver com o turismo. A celebração dos 450 anos da cidade do Rio coloca em evidência o lugar privilegiado que as imagens possuem à pesquisa do imaginário. Museu ou bacia semântica, o imaginário reúne imagens e representações da metrópole carioca cuja investigação crítica e sistemática nos permite compreender o papel que diferentes agentes sociais jogam na fabricação de um imaginário permeado de conflitos e contradições. Característica central da imaginação simbólica, a redundância nos permite dar conta do intrincado e nada óbvio processo de seleção e de valorização de imagens. Cenário à produção de imagens, a cidade não é constituída somente pela soma dos meios técnicos, isso que Simmel chamou de cultura objetiva. Metodologicamente, esta é uma pesquisa de cunho qualitativo e que faz uso da pesquisa bibliográfica assim como da análise interpretativa. O material de análise é composto por imagens de bondes presentes em cartões telefônicos e que representam cenas do Rio de Janeiro turisticamente valorizadas. Os primeiros resultados assinalam a presença da redundância ou da insistência, característica marcante da imaginação simbólica, e apontam para o surgimento do significado através do trajeto antropológico.

Palabras clave: Imaginário, cidade, semiologia, interpretação, turismo.

 

 

TURISMO E FRONTEIRA: DINÂMICAS E REPRESENTAÇÕES DO TURISMO EM JAGUARÃO/RS

Vera Maria Guimarães. Universidade Federal do Pampa/Campus Jaguarão-Brasil; veraguimaraes@unipampa.edu.br

 

Este trabalho faz parte de um conjunto de reflexões sobre o desenvolvimento do turismo em regiões de fronteira, no Brasil, mais especificamente, na fronteira Brasil/Uruguai. Nosso foco é a fronteira entre os municípios de Jaguarão (Rio Grande do Sul) e Rio Branco (Cerro Largo), municípios divididos pela Ponte Internacional Barão de Mauá. Frente aos atuais processos de mobilidade, as fronteiras são afetadas por uma dinamização e ressignificação, por diferentes grupos, enquanto espaços geopolíticos, de ocupação e movimento transitório de pessoas. Região tradicionalmente agrícola e voltada à criação de gado, Jaguarão vem passando, na última década, por transformações, principalmente econômicas, decorrentes da implantação de lojas de free shops, na cidade vizinha de Rio Branco. Esta situação tem levado ao crescimento de visitantes na região, para consumo de bens importados a preços mais acessíveis, o que ocorre também em outras regiões de fronteira no Brasil onde existe um contexto semelhante. Porém, particularmente, em Jaguarão, a cidade passa por uma fase de valorização do fluxo de visitantes para o desenvolvimento do turismo a partir do tombamento de um conjunto arquitetônico de bens, na parte central de cidade. Considerando-se este contexto de valorização do turismo, como estratégia de desenvolvimento econômico, podemos observar vários discursos e representações ou práticas voltadas para este fim, através de diferentes atores, que diretamente, ou indiretamente, tornam-se agentes do desenvolvimento turístico. Para fins deste estudo, através de observações e conversas informais, buscaremos explorar algumas representações sobre o turismo na região, através de moradores e visitantes que atravessam a Ponte para distintas finalidades.

Palabras-clave: Turismo. Fronteira. Mobilidade. Representações.

 

 

UMA ETNOGRAFIA DA PAISAGEM DE PARQUES URBANOS NO BRASIL

 

Margarida do Amaral-Silva. UFG; amaral@ufg.br

 

Este estudo foi desenvolvido na tese que etnografou a paisagem conforme experiência e representação social. A paisagem foi apreciada por uma perspectiva multidisciplinar que encaminhou o estudo da paisagem, primeiro, como tema da Antropologia e, depois, da Geografia Cultural e da Psicologia Social. Em vista disto, observamos esse fenômeno de cultura como construção social emergente da experiência direta em estruturas materiais de mediação. A Teoria da Instalação, assim, possibilitou-nos a interpretação da paisagem de parques urbanos enquanto experiência que aciona a formulação da instalação topográfica e psicossocial do lugar. Os estudos de caso deram-se no contexto do Parque Ibirapuera, localizado na cidade de São Paulo, e no Lago das Rosas e no Bosque dos Buritis, situados em Goiânia, Goiás. A produção desta tese foi acompanhada pelo exame quanti-qualitativo de evocações coletadas pela aplicação de questionários em dois parques goianienses e no maior parque paulistano. Em seguida, a segunda fase do estudo de caso voltou-se para a interpretação das experiências paisagísticas de dois participantes que se apropriaram do Parque Ibirapuera pela captação de imagens fotográficas, videogravadas (subcam), desenhadas e narradas em entrevistas semiestruturadas. Diante dos delineamentos interpretativos desta pesquisa, podemos inferir que, embora a paisagem seja polissêmica, ela também possui um campo de representações socialmente limitado, estável e organizado. Compreendemos, então, que a paisagem somente comportou análises mediadas pela Teoria das Representações Sociais e pela Teoria da Instalação porque é construída física, psicológica e socialmente e, portanto, usufrui de estabilidade e organização no contexto dos parques urbanos que foram pesquisados.

Palabras clave:Etnografia da paisagem; Parques urbanos brasileiros; Experiência paisagística; Representação Social.

 

A CONSTRUÇÃO DE UM BALNEÁRIO TURÍSTICO: NOTAS SOBRE TURISMO, MIGRAÇÃO, IDENTIDADE E TERRITÓRIO EM PIPA-RN-BRASIL

Priscilla Carla Leite Marques. UNINASSAU; priscillaclm@gmail.com

Patrícia Lins de Arroxelas Galvão. UFRN; parroxelas@yahoo.com

 

A intenção desse artigo é discutir como o turismo e a migração contribuem para a construção de uma localidade e de sua identidade. Nesse caso, a localidade estudada é a badalada praia do litoral potiguar, Pipa, que, ao longo dos anos, vem se tornando uma referência no turismo de sol e mar no Brasil. Por conta da circulação de pessoas de diferentes origens, Pipa tornou-se um lugar de hibridez cultural notável. Alguns turistas viram migrantes que se instalam na praia, desenvolvendo equipamentos e serviços turísticos, trazendo à tona sua cultura, mesclando sua identidade a identidade do local, conformando e construindo um espaço diferenciado por conta dessa interseção de elementos culturais. Utilizou-se como método o trabalho de campo com ênfase na observação participante. As visitas que coletaram o material para esse estudo vêm ocorrendo desde 2010. Contudo, o olhar mais apurado para as questões de construção identitária do balneário ocorreram em 2014 e em 2015. É relevante comentar que esse fenômeno não acontece somente em Pipa. Outros balneários turísticos passam por processos bastante semelhantes, pois, turisticamente, os procedimentos de construção de um destino litorâneo perpassam pelo uso de marcas identitárias e mercadológicas que ajudam na compreensão do tipo de prática turística que o lugar oferta. As questões de território ou a pouca utilização dessas questões também interferem na construção da Pipa atual, híbrida e globalizada.

Palabras claves: Turismo. Migração. Identidade. Território. Pipa.

 

 

O TRABALHO ETNOGRÁFICO NA PESQUISA EM TURISMO URBANO: ESCOLHA E DOMÍNIO DE SUAS LINGUAGENS

Priscila Gayer. Universidade Federal do Rio Grande; pgayer.furg@gmail.com

 

Primeiramente, o presente artigo busca apresentar brevemente as características do espaço urbano e as possibilidades metodológicas de investigação dos seus aspectos culturais a partir de uma discussão acerca da etnografia tradicional, sustentada pela escrita, e sua desconstrução epistemológica através da abordagem proposta pela Antropologia Visual. Se por um lado a imagem pode ser utilizada enquanto recurso narrativo, para além de um procedimento de coleta de dados realizado no trabalho de campo, evidenciando a generalidade da condição humana e analogicamente da condição urbana, o recorte empreendido pelo etnógrafo ainda revela um conjunto de saberes sustentados por argumentações discursivas construídas por meio da escrita. Por outro viés, a escrita é capaz trazer elementos imagéticos via transgressões poéticas.  No que tange ao ofício prático do etnólogo, em um segundo momento apresentar-se-á a aplicabilidade da etnografia visual em um estudo de caso voltado para análise do Turismo Urbano e sua atratividade, demonstrando que a escolha das cenas e cenários encontra-se orientada por teorias articuladas por meio da escrita, o que os torna inteligíveis. O objetivo geral do artigo reside em colocar em pauta a relativização acerca das escolhas das diferentes linguagens etnográficas desenvolvidas na contemporaneidade, bem como compartilhar o exercício realizado no trabalho de campo do estudo de caso da pesquisa ‘Mediações culturais e a experiência turística no espaço urbano: formalidades do olhar turístico sobre a cidade de Buenos Aires’. O debate contribui de forma ampla com os rumos metodológicos de pesquisas que vislumbram os aspectos culturais do Turismo e do Urbano.

Palabras claves: etnografia; antropologia visual; turismo; espaço urbano; Buenos Aires.

 

 

 

 

PARA ALÉM DA VISTA DE UM PONTO: REPENSANDO A FORMAÇÃO DA IMAGEM TURÍSTICA

Roque Pinto. Universidade Estadual de Santa Cruz, Bahia, Brasil; roquepintosantos@gmail.com

 

Pretende-se aqui discutir criticamente aspectos teórico-metodológicos a respeito da formação da imagem no destino turístico, partindo-se de uma análise dos estudos da formação da imagem turística (Tourism Destination Image) tanto no seu enfoque estático – isto é, na relação entre a conduta do turista e a imagem do destino – quanto no seu enfoque dinâmico – no que tange à formação e às mudanças da imagem turística no tempo –, propondo um modelo metodológico que relaciona, numa perspectiva processual e sistêmica, várias etapas do processo de formação da imagem dentro de uma perspectiva multidimensional e que leva em consideração não só o ponto de vista do turista, mas também – e sobretudo – o conjunto mais amplo de atores sociais que fazem parte do sistema turístico como um todo, inscritos numa ambiência necessariamente política e em permanente disputa pela atribuição de sentidos do lugar turístico e do seu entorno ambiental, econômico, sociocultural e simbólico.

Palavras-chave: antropologia do turismo; turismo; formação da imagem turística; TDI.

 

 

RUÍNAS TRZAN: CARTOGRAFIA, SOCIABILIDADES, EXPERIÊNCIAS E UM NOVO PROJETO

Thaís Fernanda Salves de Brito. Universidade Federal do Recôncavo da Bahia; thaisbritobackup@gmail.com

Raissa Silva Lima. Universidade Federal do Recôncavo da Bahia; raissa-lima@hotmail.com

Roney Gusmão do Carmo. Universidade Federal do Recôncavo da Bahia; guzmao@hotmail.com

 

As cidades modernas, segundo Agier (2011), podem ser entendidas como um dispositivo cultural, com multiplicidade de referências identitárias, definindo um espaço de ação. Em si, as cidades inscrevem lugares em um complexo de histórias, memórias e relações sociais. Em Santo Amaro – Bahia, as ruínas da Fundição Trzan, como um lugar de vivência e de fluxo, se revelam como um destes espaços que publicizam várias temporalidades e camadas de cidade (ROSSI: 2001 [1996]. Apesar de inabitada, essa ruína tem sido um local de sociabilidade e de refúgio que fomenta manifestações artísticas, religiosas e culturais naquela região e que, atualmente, está vivenciando um novo processo com a possível ocupação deste território por uma universidade federal brasileira. Esta pesquisa, amparada pela etnografia, apresenta uma (a) cartografia deste espaço e de suas relações com a comunidade circunvizinha, (b) um levantamento sobre discursos e representações sobre a arquitetura em ruínas e da apropriação criativa do espaço e (c) as projeções dos usuários deste espaço a partir da possível ocupação.

Palabras clave: ruínas, cartografia, experiência, memória, usos do espaço.