RESUMEN GRUPO DE TRBAJO 55

GT 55.  ABORDAJES ETNOGRÁFICOS DE LA FAMILIA

Coordinadores:

Fernanda Figurelli. Investigadora asistente del Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas (CONICET) con sede en la Universidad Nacional de Misiones (UnaM), Argentina. Doctora em Antropología Social (Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro); ferfigus@yahoo.com.ar

Graziele Dainese. Pos Doctoranda. PPGAS/Museu Nacional/Universidade Federal do Rio de Janeiro. Doctora en Antropología Social, PPGAS/Museu Nacional/UFRJ; grazidainese@hotmail.com

John Comerford. Professor do Programa de Pós Graduação em Antropologia Social – Museu Nacional – UFRJ (PPGAS/MN/UFRJ). Doutor em Antropologia Social pelo PPGAS/MN/UFRJ; jcomerford@uol.com.br

Comentarista: Moacir Palmeira. Professor do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social – Museu Nacional – UFRJ (PPGAS/MN/UFRJ). Doutor em Antropologia Social pela Université René Descartes; moapalm@gmail.com

 

Sesión 1: Diversidade da construção de laços familiares: movimentações

 

 

SOBRE A AGREGAÇÃO DE PARENTES: MOBILIDADE E RELAÇÕES FAMILIARES NO SERTÃO CEARENSE (BRASIL)

 

Jorge Luan Rodrigues Teixeira. Aluno de Doutorado em Antropologia Social (PPGAS/MN/UFRJ); jorge.luant@gmail.com

 

Neste trabalho, discuto a vinculação entre as relações familiares e duas formas de mobilidade no Sertão dos Inhamuns, Ceará, Brasil. A primeira delas, mais diversa, se refere às movimentações ordinárias dos habitantes da Zona Rural. Tais movimentos são indissociáveis de uma certa forma de conhecimento: quem circula faz conhecer a si e as suas intenções e está  sujeito às práticas de mapeamento realizadas pelos que testemunham tal movimentação. Que esse "tornar-se conhecido" e "fazer-se conhecer" se deem lançando mão das filiações familiares (em associação à reputação e à localização territorial) é de especial interesse para os fins deste trabalho. O parentesco surge como um meio de localização dos agentes e as pessoas aparecem como um agregado de relações familiares. A segunda forma de mobilidade, mais extraordinária que a primeira, diz respeito às mudanças residenciais que os moradores (trabalhadores rurais que residem nas propriedades dos patrões) realizam ao longo de suas vidas. O afeto e a solidariedade familiares (mas também o conflito entre parentes) são comumente apontados como justificativas para tais mudanças e para a procura de novos arranjos residenciais e de trabalho. Nas duas situações, as relações familiares são tanto um idioma quanto um modo de conhecimento associados à mobilidade: no primeiro caso, tornam reconhecível quem se movimenta e quem testemunha o movimento, no segundo, são um motor para a movimentação. Levando adiante reflexões iniciadas na dissertação de mestrado, defendo que considerar essas formas de mobilidade dá meios para pensar o estatuto da pessoa e das coletividades familiares no sertão.

Palavras-chave: mobilidade; trabalhadores rurais; parentesco; família; sertão.

DANDO ASILO: AS FAMÍLIAS E O FENÔMENO DA ÈD NO HAITI PÓS-TERREMOTO

Ana Elisa Bersani (doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do IFCH – Unicamp - Brasil) – anabersani@hotmail.com

 

Baseado em pesquisa etnográfica realizada em 2013 na Grand’Anse, Haiti, este trabalho

busca revelar e problematizar dinâmicas sociais existentes no país que, postas em prática após o terremoto em janeiro de 2010, tiveram um papel fundamental no sentido de assegurar a manutenção da ordem e a sobrevivência de grande parte dos desabrigados. A resposta ao desastre articulada pela sociedade haitiana revela mecanismos de assistência e ajuda (èd), para além do alcance do estado e das organizações internacionais, que foram essenciais no socorro aos aflitos.

As consequências da tragédia deram origem a novos impasses que, na maioria, foram equacionados por uma dinâmica social singular sob a qual se reconfiguraram redes de relações tanto entre campo e cidade, como para além das fronteiras do país.

Mecanismos relacionados às instituições familiares, ao compadrio, a vizinhança e a amizade revelaram-se de extrema importância na gestão da catástrofe.

Estratégias coletivas e modos de ajuda baseados em uma economia moral singular e ordinária, centrada na partilha e nas obrigações recíprocas de auxílio, que extrapolam o

grupo doméstico e os limites territoriais, foram capazes de mobilizar uma grande variedade de estruturas organizacionais e responder à catástrofe de forma imediata.

Explorando as relações familiares e a natureza flexível do parentesco através da incorporação de um sentido particular para o termo ‘família’ ou ‘família extensa’ em um contexto que teria incorporado, processualmente, práticas próprias à instituição do lakou, pretende-se refletir sobre o momento da acolhida dos desabrigados na região enquanto momento de mobilização, atualização e transformação dos laços.

Palavras-chave: Haiti, família, lakou, pós-terremoto, èd.

 

  

FAMÍLIA ASSIM NÃO PRESTA. PERCEPÇÕES SOBRE O IDEAL E O REAL EM FAMÍLIAS DO NORTE DE MINAS

Lívia Tavares Mendes Froes. Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Antropologia UFF. Orientadora: Delma Pessanha Neves; liviafroes@gmail.com

 

Em Água Boa II, localidade rural do Norte de Minas Gerais, a constituição das famílias é sucessivamente marcada por momentos de prolongados distanciamentos físicos de alguns dos seus membros, especialmente o esposo e, mais tarde, os filhos, quando socialmente alcançam idade considerada adequada ao assalariamento. Levando em consideração a recorrência dos distanciamentos, em especial de seus companheiros, convidei, durante minha pesquisa de mestrado, algumas mulheres casadas a elaborarem relatos a respeito de como percebiam as condições de constituição das famílias delas. A valorização do ideal da família unida foi insistentemente reafirmada pela formulação de concepções que devem balizar a experiência cotidiana do casal, sentenciada por expressões alçadas em forte valor moral e referencial – o casaldeve estar sempre junto. Entretanto, a objetivação desse referencial é duramente alcançada e envolve grande desgaste físico e emocional por parte do casal. Interessada em acessar as formas de concretização desta unidade, proponho-me, neste trabalho, a apresentar e comentar os impasses vividos por algumas famílias, a partir das narrativas e avaliações das mulheres que permanecem nas localidades. Expressões que qualificavam um status civil ambíguo como nem casada, nem solteira, ou a sensação de sentir-se de perna e mão quebrada durante a ausência do marido e a constante menção à falta do companheiro culminando na constatação de que família assim não presta, guiaram minha atenção para a necessidade de desnaturalização dessa unidade, considerando os vários constrangimentos, tanto materiais quanto emocionais, que a integram.

Palavras-chave: família, deslocamentos, constrangimentos.

 

 

LOS FENÓMENOS MIGRATORIOS COMO UN APORTE PARA REPENSAR LA FAMILIA

Denise Zenklusen  (Becaria del CONICET – CIECS/CONICET-UNC) desnisezenklusen@gmail.com

 

En Córdoba (Argentina), la migración peruana representa, luego de la boliviana, el principal origen de la población migrante que llega a la provincia, concentrándose en la ciudad capital (Falcon y Bologna, 2013). Al igual que lo sucedido en Buenos Aires, el proceso migratorio peruano en Córdoba registró una importante feminización en la década de 1990 y comienzos del año 2000 como consecuencia de la demanda femenina migrante para ciertos sectores del mercado laboral cordobés.

A partir de un incipiente trabajo etnográfico esta ponencia propone comprender el modo en que las relaciones de género y generacionales se definen y redefinen en estos nuevos contextos familiares. En este sentido, puntualmente me pregunto por los cambios y continuidades en las relaciones de género y generacionales en las familias migrantes de origen peruano en la ciudad de Córdoba.

El hecho de pensar cambios y continuidades en las relaciones de género y generacionales no significa dar por hecho que la migración en sí genera o es un factor de cambio. En este trabajo, me interesa poder reflexionar sobre las implicancias de cambio social vinculadas a los procesos migratorios y a las relaciones de género y generacionales en familias migrantes de origen peruano en Córdoba. Así como también, el modo en que es pensada la familia en los fenómenos migratorios y el lugar que ocupa en la producción y la explicación de los desplazamientos. Por último, me interesa poder repensar, a partir del trabajo de campo, la categoría familia y como se pone en tensión con los fenómenos migratorio. 

Palabras clave:Familias migrantes; Migración peruana; Relaciones de Género; Relaciones generacionales; Ciudad de Córdoba.

 

 

UM OLHAR SOBRE FAMÍLIAS RURAIS A PARTIR DO CUIDADO À SAÚDE

 

Teila Ceolin. Professora da Faculdade de Enfermagem, Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem (PPGEnf)/UFPel; teila.ceolin@gmail.com

Renata Menasche. Professora do Bacharelado e do Programa de Pós-Graduação em Antropologia (PPGAnt) da UFPel. Professora do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Rural da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PGDR/UFRGS). Doutora em Antropologia Social.

 

Entre as famílias rurais estudadas, as práticas de cuidado à saúde se valem do modelo biomédico hegemônico (público e privado), mas certamente – e ainda mais por se tratarem de agricultores ecológicos – não se restringem a ele, na medida em que lançam mão da religiosidade do grupo – são camponeses pomeranos e/ou alemães, membros de igreja luterana – e envolvem a autoatenção, associada a plantas medicinais, alimentação e rede de relações. Tomando como ponto de partida que a sociabilidade camponesa é perpassada pela circulação, entre parentes e vizinhos, também de serviços, alimentos e plantas de uso medicinal, este trabalho conduz a atenção para as relações de cuidado à saúde entre famílias rurais, propondo-se a refletir sobre como agem na constituição de laços que extrapolam a família como dada pelo parentesco. Os dados são da pesquisa “Sistema de cuidado em saúde dos agricultores ecológicos do Sul do Rio Grande do Sul”, tendo sido obtidos, em 2014, em localidade rural do município de Canguçu – município situado ao sul do Rio Grande do Sul, Brasil –, através de observação participante e entrevistas semiestruturadas realizadas junto a 14 agricultoras e suas famílias.

Palavras-chave: campesinato, família, cuidado, saúde.

 

 

COMER ENTRE NOSOTROS”: VÍNCULOS, CONFIANZA Y AFECTO ENTRE LOS QOM (TOBA) DEL CENTRO DE FORMOSA (ARGENTINA)

 

Gala Coconier. Facultad de Filosofía y Letras, UBA; gala.coconier@gmail.com

 

En este trabajo presentaremos el tema de la comensalidad y la construcción de los vínculos a partir de nuestras experiencias etnográficas con grupos indígenas qom del centro de Formosa.

La comensalidad es entendida como el acto de compartir el momento de la incorporación alimenticia. Además ella se estructura en torno a un universo que integra formas particulares de obtención, distribución y consumo de los alimentos, en términos de pautas de reciprocidad y códigos de sociabilidad.

En esta ponencia aportaremos datos etnográficos sobre las comensalidades qom atendiendo a su desarrollo en contextos privados, familiares y reducidos en cantidad de comensales –unidades domésticas– y públicos y mayormente poblados –fiestas de aniversario de las iglesias evangélicas; reuniones de organización política y religiosa.- Asimismo revisaremos bibliografía sobre grupos indígenas chaqueños, de las TBS y sobre la comensalidad, convivialidad y la economía moral de la intimidad.

Haremos hincapié en las relaciones entre el acto de “comer juntos” y la construcción del parentesco, la confianza y las expresiones de afecto entre los comensales. Asimismo, describiremos algunos aspectos sobre la circulación de alimentos, dinámicas de reciprocidad y la dimensión moral del compartir.

En esta ponencia intentaremos mostrar a la luz del caso qom que al tratarse de una práctica productora del espacio para el intercambio social cara a cara, la comensalidad plasma la proximidad parental y afectiva de los comensales. Sin embargo advertimos que ésta no es una práctica desprovista de tensiones. En efecto a través de ella pueden manifestarse conflictos interpersonales y divisiones entre familias.

Palabras clave: [Comensalidad]; [vínculos]; [confianza]; [qom (toba)].

 

 

A PRÁTICA DO XITIKI FAMILIAR COMO MEIO DE CRIAÇÃO E FORTALECIMENTO DE LAÇOS AFECTIVOS

Catarina Casimiro Trindade. Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Campinas-SP, Brasil; catiluva@gmail.com

 

A apresentação parte da pesquisa de mestrado sobre o xitiki familiar, prática de poupança e crédito rotativo comum na cidade de Maputo, Moçambique. Uma vez que a maior parte dos autores centra a sua análise no carácter económico da prática, a pesquisa buscou compreender os múltiplos sentidos atribuídos ao xitiki. Através da observação dos encontros mensais de dois grupos de xitiki familiar e dos diferentes momentos que os compõem, assim como de entrevistas com mulheres xitikeiras, buscou-se entender como são construídas, fortalecidas e tencionadas as relações entre as participantes. O trabalho mostrou que a definição do xitiki apenas como uma forma de poupança e crédito rotativo não dá conta dos significados articulados e das relações estabelecidas pelo xitiki.

Partindo dos encontros de xitiki familiar, onde os participantes se reúnem para socializar e reforçar relações de confiança e de união, pretendo com esta apresentação mostrar como esta prática cria relações familiares para além do núcleo ordinário daquilo que supostamente se considera família.

Palavras-chave: família; sociabilidade; práticas de poupança e crédito rotativo; relações familiares.

 

 

Sesión 2: Diversidade da construção de laços familiares: narrativas e enunciados

 

 

PARENTES NA DOR: OS CAMINHOS DA FAMÍLIA E DA COMUNIDADE ENTRE OS ALEMÃES DA ENCOSTA DA SERRA, RS

Everton de Oliveira. Doutorando em Ciências Sociais. Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp)

 

Neste trabalho, procuro analisar como preceitos morais partilhados produzem de modo transitivo os caminhos narrativos sobre família. Para tanto, parto de minha pesquisa de campo em um município da Encosta da Serra, RS. Como as demais cidades da região, ele se forma enquanto uma colônia ou comunidade de alemães, ocupado em meados do século XIX por imigrantes alemães. Sobre o período de ocupação ou sobre a organização social, um termo era comum: se judiar, que era relacionado à alta valoração do trabalho por alemães e alemoas, um índice moral que permitia relações e hierarquizações sociais, de modo a traçar heterogeneidades transitivas de acordo com a partilha dos efeitos de se judiar no trabalho. Sobre o nascimento da comunidade, o que se dizia é que as famílias pioneiras se judiaram quando chegaram às matas virgens, responsáveis pela construção dos aparelhos de direção – burocracia administrativa, escolas, igrejas e serviços de saúde. Aqueles que ainda hoje se judiam em suas roças, partilham a dor de seus antepassados, assim como o cuidado para com sua casa, numa trama narrativa que oferece os limites da família, assim como as distancias relacionais das tramas de parentesco, os parentes. Neste sentido, na definição de família definiam-se igualmente lugares, agrupamentos e pessoas correlatas nos caminhos narrativos de se judiar no trabalho, índice de distinção moral no qual a partilha unia famílias, parentes, vizinhos, comunidade e sua direção administrativa, mas o desdém separava preguiçosos, encostados e os de fora, heterogeneidades necessárias na definição e valoração de si.

Palavras-chave: Família – Moral – Organização Social – Dor – Encosta da Serra.

 

 

FAMILIA Y OTROS ENTRETEJIDOS: NARRATIVAS DE UNA GRAN PROPIEDAD RURAL EN EL NORDESTE DE BRASIL

 

Fernanda Figurelli (CONICET/UNaM); ferfigus@yahoo.com.ar

 

En base a un trabajo de campo realizado en tierras antes pertenecientes a una gran propiedad rural del Nordeste de Brasil, analizo la historia que archivos públicos y otras instituciones municipales así como los antiguos dueños transmiten sobre dicha propiedad. La noción de familia es central en esas narrativas. Por un lado, no es posible pensar la propiedad sin aludir a los lazos de parentesco de quienes la poseían. Por otro lado, cuando abordamos esos lazos vemos que su significado se ilumina a partir de los movimientos de la propiedad. Lo familiar se entreteje con las dinámicas de concentración de tierras y la centralidad de la propiedad en los registros públicos refuerza la posibilidad de su historización. El trabajo intenta mostrar que más que una entidad reificada, la familia muestra un proceso permanente de conformación que es inseparable de las acciones de cesión, compra, venta, remate y herencia de tierras.

Palabras clave: Familia, Propiedad, Narrativas, Nordeste de Brasil.

 

 

 

 

OS DISCÍPULOS DE BRUNO: A RELAÇÃO DE FAMILIARIDADE E CONSTRUÇÃO DE UM PARENTESCO SIMBÓLICO NA COMUNIDADE DE NAZARÉ DO BRUNO

Poliana de Sousa Nascimento. Mestre em Antropologia. Universidade Estadual do Maranhão; polianadsn@gmail.com; polly-geo@hotmail.com

 

Esse trabalho traz uma discussão de como Nazaré do Bruno, uma comunidade localizada zona rural da cidade de Caxias, Estado do Maranhão – Brasil se configurou em torno de um homem (José Bruno de Moraes), que considerado um “mestre”, apresentava dons de vidência e conhecimentos sobre ervas e que reuniu grupos de famílias de diferentes lugares em uma terra sem que nada lhe fosse cobrado. Sua fama de curandeiro se espalhou principalmente pelos Estados do Ceará, Piauí e Maranhão, atraindo ao local, famílias inteiras em busca de cura para suas enfermidades que versava principalmente em torno do que eles chamavam de perturbação. Esses recém-chegados à Nazaré do Bruno tornam-se discípulos de Bruno, por realizarem trabalhos de acompanhamento para procedimentos de cura para aqueles que ali se situavam. Esse vínculo de proximidade se configurou em um elo de familiaridade e cumplicidade entre José Bruno de Moraes e seus discípulos, estabelecendo entre eles uma relação de apadrilhamento. José Bruno de Moraes era chamado com muita intimidade de Padrinho por seus discípulos. Dessa forma, o que me proponho a entender é justamente o parentesco simbólico construindo entre os discípulosde Bruno e José Bruno de Moraes, baseado em processos contínuos de adaptação e transformação, que refletiu em uma organização social compondo uma comunidade claramente diferenciada.

Palavras-chave: Comunidade, Familiaridade e Parentesco.

 

 

CORA, A VELHA E A TERRA – FAMÍLIA, CONFLITO, USO DA TERRA, POLÍTICA PÚBLICA – NA ILHA DE MARAJÓ

 

EUZALINA DA SILVA FERRÃO/DOUTORANDA DO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ANTROPOLOGIA E SOCIOLOGIA (PPGSA), DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ (UFPA), BRASIL; PROFESSORA DE SOCIOLOGIA DA SECRETARIA DE EDUCAÇÃO DO ESTADO DO PARÁ; euzalina@ufpa.br

MARIA ANGELICA MOTTA-MAUÉS/PROFESSORA DO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM SOCIOLOGIA E ANTROPOLOGIA (PPGSA), LABORATÓRIO DE ANTROPOLOGIA ARTHUR NAPOLEÃO FIGUEIREDO (LAANF), UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ (UFPA); PESQUISADORA DO GRUPO DE PESQUISA ENEIDA DE MORAES (GEPEM)/UFPA; BOLSISTA DE PRODUTIVIDADE EM PESQUISA DO CONSELHO NACIONAL DO DESENVOLVIMENTO CIENTÍFICO E TECNOLÓGICO (CNPq); angelicamaues@uol.com.br

 

Família e conflito são pontos centrais desse artigo em que vamos mostrar aspectos da organização social de moradores das margens do rio Atuá, Muaná, na Ilha de Marajó (PA/BR), ocupando propriedades de terras de 50 a 150 hectares aproximadamente. Dentre eles trataremos especialmente de Cora, uma velha senhora de 90 anos de idade, dona de uma terra em que uma parte foi herança paterna e a outra comprada de sua única irmã, porém a terra “herdada” nunca foi transferida para o nome de Cora. Nas terras da propriedade há mais duas famílias e todos vêm entremeando sempre, por longo período, relações amistosas e conflituosas (casamentos e brigas “de faca”). Nos últimos anos o conflito tem se acirrado devido à presença, no local, do Grupo Regional de Patrimônio da União – GRPU, demarcando terras das margens do rio e re-nomeando proprietários. Entre esses, um grupo que já morava nas terras por permissão de Cora, com a demarcação do GRPU passou ser dono da terra cedida por ela e a própria Cora recebeu uma notificação para deixar as (suas) terras dentro de 48 horas. Neste sentido, olhamos um processo em que de um lado temos uma mulher, viúva, idosa, negra e de outro lado membros de gerações subseqüentes incluindo parentes (filhos, netos e bisnetos) de Cora nesse jogo conflituoso que pretendemos examinar.

Palavras-chaves: família, geração, conflitos, organização social, terra, herança.

 

 

FAMÍLIA ESPORTIVA: NARRATIVAS E TRAJETÓRIAS DE JOVENS FUTEBOLISTAS EM SÃO PAULO/SP 

Enrico Spaggiari. Doutor em Antropologia Social/USP; enricospaggiari@yahoo.com.br 

 

Baseado em minha tese de doutorado em que analisei o processo de produção de jogadores de futebol em bairros periféricos de São Paulo, este paper trata da composição de família esportiva, que tem como base relacionalidades e as formas de fazer família no sistema futebolístico (amador e profissional), a partir da constituição de um projeto familiar que articula diversos contextos e atores. Descreverei trajetórias de futebolistas que são orientadas por estratégias que dificultam o fechamento da família sobre si mesma e permitem aos jovens explorar uma profusão de vínculos, que gravitam em torno da parentela, mas que incorporam outros atores, atualizados de forma contínua às trajetórias. O envolvimento de professores, diretores e agentes de futebol, também imersos em conjuntos de relações atravessadas por afetividades e interesses, revela que engajamentos e reciprocidades não se restringem ao domínio familiar. A ampliação das relações, ao mesmo tempo em que contribui para desnaturalizar os modelos nucleares e conjugais, reforça a centralidade da família no projeto, pois atualiza e expande os arranjos familiares. Modelo de constituição e atualização de relacionalidades do projeto familiar futebolístico, a família esportiva é um constructo mais vasto do que o de família, e tem como base a produção de relacionalidades, aqui entendida como a constituição relacional de contextos e pessoas nas experiências cotidianas que atravessam o sistema futebolístico. O conjunto de tais relacionalidades é o que chamo de família esportiva, ou seja, a objetificação das relações que produzem e são produzidas por jovens futebolistas. 

Palavras-chave: Família. Futebol. Etnografia. Relacionalidade. 

 

 

 

 

 

A NOÇÃO DE FAMÍLIA A PARTIR DE TRAJETÓRIAS DE MORADORES DE RUA

Natália Maximo e Melo. Doutoranda em Sociologia – UFSCar; natmmelo@gmail.com

 

Nesta comunicação pretendo trazer subsídios para uma discussão acerca da diversidade de significados da família entre moradores de rua. O interesse em dedicar esta reflexão às noções família surgiu como parte da pesquisa de doutorado que tem como objetivo a compreensão da política assistencial pública destinada a essa população. Para a política de Assistência Social a família é considerada base da sociedade, núcleo comunitário mais básico a partir do qual os indivíduos se relacionam com as demais esferas da sociedade. No que concerne a política para a população em situação de rua, este público é definido pela fragilidade ou ausência dos vínculos familiares, extrema pobreza e uso do espaço público para moradia ou sobrevivência. No entanto, ao pressupor a família como núcleo da sociedade desconsideram-se as várias relações que são construídas na vida da rua. Este trabalho visa então, trazer elementos empíricos a fim de refletir acerca de algumas noções de família identificadas na vida da rua, as quais diferem da perspectiva da Política de Assistência Social. A pesquisa foi realizada a partir do acompanhamento de dois moradores de rua membros de dois grupos de rua distintos na cidade de São Carlos-SP, Brasil. Acompanhando essas trajetórias percebemos diferentes formas de se aproximar ou afastar da família de origem. Além disso, também mostraremos que os grupos de rua podem ser entendidos como famílias.

Palavras-chave: morador de rua, família, assistência social.

 

FAMÍLIA: À LUZ DA ANTROPOLOGIA E DO UNIVERSO SOCIAL DE CABOCLOS (PB)

Carolina Barbosa de Albuquerque. Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal de Pernambuco – UFPE; albuquerquecarolina1@gmail.com.

 

A proposta desse trabalho se constrói a partir da relevância que a categoria família apresenta para a compreensão da construção de identidade e estigma da comunidade Caboclos em contraste com o Centro, ambos localizados no município de Barra de Santana, interior da Paraíba - BR. Família não é uma categoria que na prática aparece isolada, ela é acompanhada de termos como sangue, raça e honra e com isso me ajuda a perceber como no cotidiano de um grupo e em contraste com outros se delineia distinções, diferenças e desigualdades. Dessa maneira, o termo família fica desautorizada a ser pensado enquanto um conceito isolado capaz de oferecer qualquer explicação única acerca de processos sociais que atingem os moradores de Caboclos como os do Centro diante de acontecimentos da vida social. Dessa maneira, o uso que faço da abordagem da categoria familia me permite refletir sobre os mecanismos que são gerados quando as pessoas acionam ou não determinados vínculos familiares. Assim busco pensar a noção de família não como uma entidade pré-existente analisada em si mesma, mas como uma chave para entender as dinâmicas sociais em toda a sua criatividade tanto de maneira interna ao grupo – pensando as configurações internas de

Caboclos, como também de modo externo – relações instauradas entre os moradores de Caboclos com outros grupos.

Palavras-chave: Família; Marcadores de diferença; Cotidiano.

Sesión 3: Instituições estatais, eclesiais e família




 

DOS ENUNCIADOS DE FAMÍLIA: CONFLITOS TERRITORIAIS E INSTITUCIONALIZAÇÃO DO SER PARENTE NUMA VILA PESQUEIRA

 

Ana Luísa Nobre. Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Federal de Sergipe (UFS); lisboanobre@gmail.com

Hippolyte Brice Sogbossi. Professor do Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Federal de Sergipe (UFS)

 

Neste trabalho, penso sobre os usos do parentesco em uma situação de conflitos territoriais a partir de pesquisa realizada na Vila do Estevão, comunidade pesqueira do estado do Ceará/Brasil. Após a emissão de um título de domínio da terra válido por dez anos e reversível caso não se cumpram as normas estabelecidas pelo Instituto de Desenvolvimento Agrário do Ceará (IDACE), a Associação de Moradores do Estevão de Canoa Quebrada (AMECQ) produz uma interpretação das normas impostas e cria sua forma de gestão: como regra local, o direito à moradia é reservado estatutariamente aos parentes. Para limitar as margens da imprevisibilidade diante da polissemia dos sentidos de família e dos possíveis usos indesejados da terra, define-se que parente próximo é aquele originário do lugar, com grau comprovável de consanguinidade, preferencialmente pela filiação, e que tenha declaradamente um compromisso moral com a coletividade. Ao institucionalizar-se a descendência como condição, é criado um conflito entre os grupos familiares e o coletivo da AMECQ, especialmente quando sujeitos que ocupam cargos institucionais punem aqueles que fazem usos irregulares do território, inclusive seus parentes. A fixidez de tais critérios destoa da fluidez das práticas familiares locais que conformam os modos de tornar-se parente na Vila - seja pelo ofício da pesca, pela convivialidade, por princípios como criação, consideração - abalando significativamente o sentimento de mutualidade. Entretanto, tais práticas aparecem como estratégias de enfrentamento ao modelo desenvolvimentista que ameaça a seguridade territorial e as condições de existência do grupo. É sobre essa negociação complexa que pretendo refletir.

Palavras-chave: Parentesco; Família; Conflitos territoriais; Populações costeiras.

 

 

‘LA SAL DE LOS BIOLÓGICOS Y LA PIMIENTA DE LOS ADOPTIVOS’. LAS RECETAS DE UN MOVIMIENTO DE IGLESIA PARA UNA PRÓSPERA ADOPCIÓN

Carolina Ciordia. FFyL- UBA / CONICET; carolinaciordia@yahoo.com.ar

 

Esta ponencia se propone analizar los sentidos atribuidos a la adopción que son movilizados por los integrantes de un grupo de apoyo a la adopción, pertenecientes a un “movimiento de iglesia” católica, con sede en Argentina. A partir del trabajo de campo realizado en ese grupo, radicado en el área metropolitana de Buenos Aires, indago, primero, en las concepciones sobre las relaciones de parentesco que se gestan en la adopción. En particular, focalizamos en los significados atribuidos a “lo biológico” (el material biogenético, los progenitores, los rasgos fenotípicos) y, en base a ello, las prescripciones atribuidas a los “padres adoptivos” para con los hijos adoptados. De este modo, analizo las modalidades consideradas “adecuadas” en que debe realizarse la adopción de niños para que esta prospere, según las representaciones de los integrantes de este grupo.

En segundo lugar, emprendo el análisis de los sentidos que dichos actores adjudican a “la familia” en dos ámbitos de interacción: en los “talleres” que brindan para aquellas personas que desean adoptar niños y en las “prácticas de incidencia” que llevan a cabo con el fin de producir efectos en la gestión de las políticas dirigidas a la infancia y sus familias.

En suma, la ponencia tiene por fin describir y analizar etnográficamente, las concepciones de la adopción de niños y de la “familia” que despliegan los miembros de este grupo de un movimiento de iglesia católica.

Palabras clave:adopción de niños- gestión de la infancia y sus familias- movimiento de iglesia- prácticas de incidencia.

 

 

DINÂMICAS DE PARENTESCO E FAMÍLIA NO EXÉRCITO BRASILEIRO: SOBRE UMA VILA MILITAR NA FRONTEIRA AMAZÔNICA

 

Cristina Rodrigues da Silva. Estudante de doutorado no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal de São Carlos (PPGAS/UFSCar – São Carlos/SP/Brasil); crisyellow@gmail.com; cristinasilva@ufscar.br

 

O Exército brasileiro apreende a “família” enquanto categoria que traduz uma ideia de coletivo da organização. Estabelece relações que devem ser calcadas em solidariedade e respeito entre seus membros (afetos e deveres morais que os militares compreendem como condutas “naturais” da família), estendendo-se também para as relações entre seus cônjuges e filhos/as com outras famílias de militares, que se percebem como parentes circunstanciais nesse universo (a proximidade física dessas pessoas dentro de vilas militares e o compartilhamento de relações do cotidiano permitiria uma experiência familiar para além das relações consanguíneas). A família é um elemento essencial nesse universo, e embora seja compreendida como dado, simultaneamente, sabe-se que ela precisa ser fabricada. Por um lado há uma intervenção institucional na vida das famílias de militares, com regras e prescrições definidas pelo exército, que visam garantir o funcionamento da comunidade militar como uma família ordenada por princípios de hierarquia e disciplina (dimensões estruturantes da instituição). No entanto, essa aparente uniformidade da vida no quartel não significa que tudo seja “como deveria ser”. Assim, por outro lado, há as ações das pessoas que se dizem e sentem familiares nesse contexto, que fazem e desfazem relações, se envolvendo em conflitos, fofocas, alianças. Em ambas as situações que são constituintes uma da outra e relacionáveis entre si (relações do exército e práticas dos familiares), a família é alvo de um cuidado constante. Nesse contexto, a comunicação explora a dinâmica na vida de esposas e filhos de militares em uma região de fronteira amazônica no Brasil.

Palavras-Chave: Família; Gênero; Vila Militar; Tramas; Parentesco.

AS FAMÍLIAS DAS CUNHADAS: O DESLOCAR DE PONTOS DE VISTAS E OS DIFERENTES SENTIDOS DO CONCEITO

Jacqueline Ferraz de Lima/Mestre pelo PPGAS-UFSCar

 

Ser-família, ter-família, família-sagrada, família-imperfectiva, família-manutenção, família-completa e família como sinônimo de visita. Estes são os variados sentidos conferidos à noção de família pelas cunhadas. Mulheres assim denominadas por estabelecerem vínculos afetivos com homens presos relacionados ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A proposta é mostrar como o deslocamento do ponto de vista das cunhadas sobre família, passando pelos pontos de vista do corpo funcional da prisão, dos presos, além das próprias cunhadas, iluminam diferentes sentidos à noção. Assim, antes de propor uma descrição de determinada conformação familiar atravessada pela experiência do cárcere, a intenção é, de alguma maneira, apresentar uma discussão sobre o uso do conceito de família como instrumento metodológico para escrita etnográfica. Diante dessa ideia, torna-se inviável sugerir uma definição sólida ou um sentido único à família das cunhadas. Em suma, pretende-se mostrar, a partir dos enunciados das mulheres que visitam seus maridos em cadeias do PCC, como família é algo considerado bom, ao mesmo tempo que considerada algo negativo. Família é sagrada, família é visita, família é Comando, é PCC. Família também é incompleta, é manutenção e é projeto.

 

 

ENTRE “MALUCOS” E “MILICOS”: ESTEREÓTIPOS FAMILIARES E O PAPEL DA MULHER NAS RELAÇÕES DE CUIDADO

Sílvia Monnerat. Doutora em Antropologia Social PPGAS/MN/UFRJ. Pesquisadora bolsista LEM/CPDOC/FGV

 

Utilizo no título deste trabalho duas categorias que marcam estereótipos relacionados aos universos estudados. A utilização desses termos: “malucos” e “milicos” se relaciona ao próprio fazer etnográfico. Aparentemente termos tabus, eles  mostraram, durante o desenvolvimento do trabalho de campo, como categorias largamente utilizadas. Como a intenção aqui é pensar as formas de organização familiar, parece-me oportuno utilizar esses termos, estereotipados (como o sub-título desta comunicação indica), mas que são capazes de explicitar noções de senso-comum sobre os dois universos estudados.

Tendo como base etnografias desenvolvidas com pacientes psiquiátricos e seus familiares mais próximos (de 2008 a 2011) e com esposas de oficiais do exército brasileiro (desde o início de 2015), esta comunicação tem como objetivo entender como meus interlocutores de pesquisa representam suas próprias famílias. Dessa forma, não pretendo chegar a uma definição única e geral sobre família, e sim discutir como diferentes famílias se significam e quais sistemas e redes englobantes podem ser relacionadas a elas.

O trabalho aqui apresentado se configura, portanto, em um esforço de ampliação da lente de análise, saindo de um olhar voltado para etnografias específicas sobre “família louca” e/ou “família militar” e pensar de maneira mais ampla as dificuldades, semelhanças e distinções existentes ao se estudar grupos familiares em seus diferentes contextos sociais. Dessa forma, esta comunicação versa sobre relações familiares, sobre o lugar social que mulheres/mães ocupam nessas famílias e, ainda, sobre o próprio fazer etnográfico e suas especificidades relacionadas ao tema.

 

 

ADOPCIONES ‘MONOPARENTALES’: TENSIONES, CONTINUIDADES Y POTENCIALIDADES

Mariela Pena. Doctora en Antropología por la Facultad de Filosofía y Letras, Universidad de Buenos Aires y Licenciada en Ciencias Antropológicas por la misma Universidad. marielapena6@gmail.com.

 

En este trabajo exploramos, desde un enfoque etnográfico, los modos de construir el parentesco por parte de las mujeres que adoptan en Buenos Aires como familias “monoparentales”. Estos desarrollos se desprenden a su vez de una investigación de mayor alcance, que se ha propuesto indagar la problemática local de la adopción, atendiendo a las valoraciones y las prácticas que la construyen contemporáneamente. Allí hemos observado frecuentemente en las parejas heterosexuales la presencia de sentidos que refuerzan la pertenencia del adoptado al nuevo grupo, sin desafiar el modelo tradicional de sustitución de familias.

Sin embargo, durante el trabajo de entrevistas también nos dedicamos a mujeres que deciden adoptar debido a un fuerte deseo de ser madres, independiente de la conformación de pareja. Aunque ellas provienen del mismo entorno cultural, y atraviesan los mismos procesos legales y burocráticos que las personas casadas, suele suceder que se les otorgan niños o adolescentes de mayor edad, con vínculos afectivos más presentes y/o que recuerdan o desean visitar a sus familias.

Aquí planteamos que dadas estas circunstancias -a veces no deseadas- las adopciones “monoparentales”, si bien no representan en sí mismas un modelo alternativo, pueden auspiciar construcciones diferentes. La adopción más frecuente de niños de mayor edad, o la necesidad de estas madres de separarse de discursos discriminatorios hacia ellas, han propiciado en algunas ocasiones reflexiones más flexibles e inclusivas de las vivencias y los afectos previos de los adoptados. Para desarrollar esto recuperamos dos casos paradigmáticos, desde los cuales hemos podido observar distintos tránsitos en relación a estos asuntos.

Palabras clave: parentesco, familia, maternidad, infancia, adopción.

 

 

 

Sesión 4: Família, gênero, maternidade e filiação

 

 

AS RAINHASMÃES: FAMÍLIA, CARREIRA E DESLOCAMENTO SOCIAL ENTRE JOVENS DRAG QUEENS EM CAMPINAS, SPBRASIL

 

Rubens Mascarenhas Neto. Universidade Estadual de Campinas. Estudante de Mestrado; rubensmascneto@hotmail.com

 

Esta proposta fundamentase em minha pesquisa de mestrado sobre os deslocamentos espaciais e sociais de drag queens da cidade de Campinas, no interior do estado de São Paulo, no sudeste brasileiro. A metodologia empregada é de cunho etnográfico, baseada em observação participante e entrevistas. Na pesquisa, trabalho com um conjunto de drag queens que se consideram n†egras†e da f†avela†, e procuro observar como estes, e outros m†arcadores†sociais†da diferença†se intersectam numa trama onde circulam estilos, performances e discursos.

Tais interlocutoras se unem a outras drags e admiradores naquilo que chamam de família, partilhando, inclusive, um sobrenome. A família tem papel fundamental na constituição da identidade drag queen, uma vez que possibilita um suporte nos primeiros shows, tanto pela circulação de técnicas, conhecimentos artísticos e objetos (como perucas, roupas, saltos e maquiagens), quanto pelo apoio oferecido em termos de público (de importância visível nos concursos de beleza, dublagem e dança promovidos sobretudo por casas noturnas). Nessas relações familiares são mobilizados nomes e sobrenomes investidos de uma valoração simbólica, a partir de sua circulação nas redes de drag queens.

Nesta proposta, pretendo explorar e dialogar com as reflexões sobre novas configurações de família, dando ênfase ao significado assumido por essa categoria, ao analisar as formas como minhas interlocutoras estabelecem relações nas quais dimensões profissionais, artísticas, afetivas e políticas são combinadas possibilitando deslocamentos e ascensão na carreira de drag queen.

Palavraschave: Família; Drag Queens; Carreira; Sexualidade; Gênero.

 

 

CIRCULANDO COMO FILHO: MORALIDADE, EMOÇÕES E DIFERENÇAS.

 

Everton Rangel (Doutorando, PPGAS/MN/UFRJ) Orientadora: Maria Elvira Díaz-Benítez

 

Em meados de 2013, iniciei uma pesquisa sobre a vida cotidiana de dançarinas(os) brasileiras(os) em um dos maiores circos dos Estados Unidos. Naquele momento, importava compreender a produção simbólica e comercial de corpos nacionalizados neste segmento específico do mercado do entretenimento. Interessa agora demarcar que ese empreendimento tanto cria as condições para junção de profissionais de nacionalidades diversas em um mesmo local de trabalho e moradia quanto atua sobre relações ao distanciar aqueles que as vivem: refiro-me, por um lado, aos casais conformados no circo e, por outro, aos familiares afastados durante o processo de migração. Neste trabalho, proponho retomar a análise do laço maternal que tornou possível a minha dissertação e dos vínculos que estabeleci em campo com as figuras que me queriam bem por quererem bem à minha mãe biológica – antiga dançarina do circo. Refiro-me a um ego e a um laço firmados no meu corpo através do olhar alheio. Lá, o ex-namorado ucraniano da mina mãe foi considerado como meu pai e a chefe das(os) brasileiras(os) se autodenominou como minha mãe na ausência da mesma. Isto aconteceu exclusivamente porque a mina presença neste lugar mobilizava sentimentos e contraprestações anteriores à existência da própria pesquisa. A família que descrevo é mais fruto da aliança do que da biologia.

Argumento que a administração dos corpos revela-se uma administração das relações afetivas e/ou sexuais que escapam ao domínio da intimidade porque fundadas em uma empresa detentora de capitais que lhe conferem indiretamente autoridade para distribuir o direito de permanecer ou não nos Estados Unidos. Busco descrever o modo como sentimentos específicos (dor, pena, compaixão) numa confluência necessária com demarcações de gênero, de nacionalidade e de origem social produziam o arranjo conjugal estabelecido entre a minha mãe biológica e o seu então namorado ucraniano após ambos terem sido afastados por razões contratuais.

Palavras Chave: maternidade – arranjo conjugal – gênero – nacionalidade – circo.

 

 

MUJERES E IDENTIDAD: LOS CASOS DE CONCEPCIÓN Y AGUSTINA EN EL SIGLO XIX EN LA CIUDAD DE SALTA (ARGENTINA) A TRAVÉS DE LA CORRESPONDENCIA FAMILIAR

Isabel Zacca (ICSOH – CONICET - CIUNSa- Universidad Nacional de Salta)

isabelzacca@gmail.com

Lilia Kurril (ICSOH – CONICET - CIUNSa- Universidad Nacional de Salta)

liliakurril@gmail.com

 

Hemos trabajado en los inicios de esta investigación, dentro del marco general de las representaciones sociales, desde la perspectiva de la historia de las mujeres y de género en el campo de las investigaciones familiares, para captar la diversidad de las experiencias de las mujeres como esposas, viudas, solteras y hermanas.

Las fuentes principales son las cartas familiares de fondos documentales de los antepasados de historiadores fundadores de los mitos de la salteñidad, especialmente, de la heroicidad del Güemes. La correspondencia estudiada es la que intercambiaron Eusebio Martínez de Mollinedo desde su exilio en Bolivia, con su esposa Concepción Ormaechea y sus hijos en Salta y, las cartas entre Agustina Mollinedo Ormaechea desde Salta y su hijo Bernardo Fábregas, en el Colegio Monserrat de Córdoba y en el Pío Latino de Roma (1855-1863).

El objetivo en el presente trabajo es indagar en estos casos las relaciones de los hombres y de las mujeres, sea el caso de los esposos (Eusebio y Concepción) como el de madre e hijo (Agustina y Bernardo), tratando de comprender la diversidad de las experiencias de vida de estos sujetos, trascendiendo la noción de familia patriarcal y de familia de elite con raigambre colonial y aproximarnos a las formas en las que esta familia, va construyendo una identidad familiar y un importante patrimonio articulada por el protagonismo de las mujeres.

 

 

O CASO E O GÊNERO: PAIXÕES DE PAIS E MÃES DE FAMÍLIA E OUTROS ACONTECIMENTOS DA MORALIDADE CAMPONESA

Graziele Dainese. Pós-Doc. PPGAS/Museu Nacional/UFRJ; grazidainese@hotmail.com

 

A presente comunicação trata das experiências afetivas de homens e mulheres, mais especificamente, das relações extraconjugais vividas pelos moradores da Terceira Margem, localidade rural situada no estado de Minas Gerais.  Denominadas como ‘casos’, essas relações não mexem apenas com a vida conjugal, também afetam as dinâmicas da família e do parentesco. Por sua vez, o aporte sobre essas vivências afetivo-sexuais remete ao universo do gênero, à medida que estão associadas às expectativas e experiências que tecem as condições femininas e masculinas na comunidade. O interesse aqui é reconstruir a trama de relações que são afetadas pelos ‘casos’ e os rearranjos que sofrem os vínculos e as expectativas quando as pessoas se envolvem com outro par. É a partir dessa chave analítica que os ‘casos’ nos falam não apenas sobre casamento, amor, mas também sobre paixão, descontrole, fofocas e evitações.

Palavras-chave: camponeses, conjugalidade, família, parentesco, gênero.

 

 

ARTICULANDO PESSOA E PARENTESCO NA GRAVIDEZ NO RIO DE JANEIRO

Claudia Barcellos Rezende, Departamento de Antropologia, Instituto de Ciências Sociais. Universidade do Estado do Rio de Janeiro

 

Nesta comunicação, discuto a articulação entre pessoa e parentesco no modo como o bebê esperado era pensado por mulheres gestantes de camadas médias do Rio de Janeiro. A partir de entrevistas e participação em um grupo de gestantes, analiso como, desde os primeiros meses de gravidez, o bebê era visto pelas mulheres como pessoa, entendido a partir de marcadores específicos: com gênero definido, nome escolhido e traços subjetivos já “perceptíveis”. Esta noção de pessoa é também articulada aos laços de parentesco– através do sobrenome, dos traços físicos (em vários casos simbolizando pertencimento étnico) e subjetivos. Busco discutir como o modo de imaginar o bebê faz parte do processo continuo de tecer e manter as relacionalidades, não somente revendo constantemente seu significado e peso afetivo, como também alinhavando as gerações passadas e presentes à futura. 

 

 

 

 

SIGNIFICADOS DA MATERNIDADE: UM OLHAR SOBRE A FAMÍLIA NO PERÍODO DO PÓS-PARTO

Marta Pereira Militão da Silva. Mestranda no Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais na Universidade Federal de São Paulo, Brasil (UNIFESP)

A presente comunicação busca analisar os sentidos atribuídos à maternidade por mulheres que se tornaram mães, a partir da experiência do período do pós-parto. O estudo teve como material etnográfico pesquisa qualitativa com mulheres das camadas médias da cidade de São Paulo e buscou observar as principais noções de família e arranjos familiares operados pelas mulheres etnografadas no período após o nascimento do bebê. A posição ocupada pelo pai da criança e pela parentela em relação à responsabilidade sobre o cuidado com as crianças, as relações entre as gerações e a divisão dos trabalhos domésticos também foram objeto de análise desse estudo. Discutiu-se também o papel desempenhado pelo Estado para a construção dos diferentes arranjos familiares, e as visões subjacentes de mãe, mulher e família.

Palavras chave: maternidade, família, gênero.