RESUMEN GRUPO DE TRBAJO 54

GT 54. AGENCIAMENTOS SOCIAIS E POLÍTICAS PÚBLICAS DE SAÚDE: CRUZANDO E CONFRONTANDO PERSPECTIVAS

Coordinadores:

Sônia Weidner Maluf. Professora Doutora Associada IV da Universidade Federal de Santa Catarina, soniawmaluf@gmail.com

Érica Quinaglia Silva. Professora Doutora Adjunta II da Universidade de Brasília, equinaglia@yahoo.com.br

Comentaristas: Ana Paula Müller de Andrade, Mirella Alves de Brito e Nádia Heusi Silveira

 

 

Sesión 1: O “Estado em ação”: políticas públicas, serviços de saúde e cuidado

 

 

LA ESPERA EN EL ACCESO A LA ATENCIÓN MÉDICA. LA ENTREGA DE TURNOS EN LOS HOSPITALES PÚBLICOS DE LA ZONA SUR DE LA CABA

 

María Emilia Villalba. IIGG/FCS/UBA/USAL; emivillalba2802@gmail.com

Ana Mines Cuenya. IIGG/FCS/UBA – CONICET; anamines@yahoo.com.ar

 

El objetivo del presente trabajo es indagar y caracterizar la relación entre el Sistema Público de Salud de la Ciudad Autónoma de Buenos Aires y los/as usuarios/as del mismo. Para ello haremos foco el fenómeno de entrega de turnos para diferentes servicios.

Partimos de la idea de que la espera constituye una forma particular de disciplinamiento y control de la vida. La misma consiste en un proceso temporal en el cual y a través del cual se reproduce la subordinación política. Este tipo de dominación funciona materializándose en la reducción de posibilidades de uso del tiempo, como un proceso represivo, y como una forma de sometimiento. Cabe señalar que tal mecanismo funciona diferencialmente en las distintas clases sociales. Para los sectores populares, la situación de la espera se inscribe un discurso aleccionador que indica que para lograr una respuesta por parte del Estado deben simplemente esperar, pacíficamente e indefinidamente, hasta ser reconocidos/atendidos/visibilizados.

Para abordar nuestros objetivos analizaremos el sistema de entrega de turnos en dos hospitales de la zona sur de la Ciudad (el Hospital General de Agudos “Donación Francisco Santojianni” y el Hospital General de Agudos “Parmenio Piñero”), la entrega de turnos a través del servicio telefónico que ofrece el Gobierno de la Ciudad, y, por último, el sistema de entrega de turnos vía página web.

Palavras-chave: espera, poder, salud, acceso a la salud, violencia.

 

 

 

 

RELATOS ETNOGRÁFICOS SOBRE O TEMPO: O CUIDADO DE PESSOAS IDOSAS COM DEMÊNCIA E AS PESQUISAS SOBRE USOS DO TEMPO

 

Cíntia Liara Engel - Mestre em Sociologia pela Universidade de Brasília (UnB) e assistente de pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA); cintiaengel@gmail.com

 

No segundo semestre de 2012 realizei uma pesquisa qualitativa no Centro de Referência para portadores da Doença de Alzheimer, que faz parte do Centro de Medicina do Idoso (CMI) do Hospital Universitário de Brasília (HUB), tratou-se de uma pesquisa com viés etnográfico, com o objetivo de compreender as vivências dos sujeitos com esse tipo de demência diagnosticada e também com o cuidado. O exercício proposto aqui tem o objetivo de estabelecer um diálogo entre o material etnográfico produzido com essa pesquisa, que dimensiona qualitativamente o cuidado realizado para pessoas idosas com a demência de Alzheimer – seus tempos envolvidos, atividades, atenções, dilemas e especificidades – com um indicador quantitativo que vem orientando a discussão em torno de políticas públicas de cuidado, saúde e gênero: o uso do tempo. Com esse diálogo, são propostas algumas revisões da métrica de pesquisas contemporâneas sobre usos do tempo, especialmente da pesquisa piloto sobre usos do tempo, a ser incorporada na Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios (PNAD) contínua, principal e mais abrangente instrumento para medir o tempo gasto com o cuidado no Brasil. O intuito é discutir os indicadores e somas de tempo, interpondo exemplos etnográficos do cotidiano do cuidado de idosos com demência e, assim, qualificar o debate político e a busca por compartilhamentos das atividades de cuidado com o Estado.

Palavras-chave: cuidado, Doença de Alzheimer, tempo, pesquisas de usos do tempo.

 

 

RESIDENCIAIS ASSISTIDOS PARA IDOSOS EM FLORIANÓPOLIS-SC, BRASIL: INSTITUCIONALIZAÇÃO E AGÊNCIA

 

Rudemar Brizolla de Quadros. Mestre em Antropologia Social pela Universidade Federal de Santa Catarina (2015), Especialista em Atividade Física e saúde (2010), Especialista em Educação Física Escolar (2009), Graduado em Educação Física Licenciatura Plena pela Universidade Federal de Santa Maria (2007); rudemarbq@yahoo.com.br

 

Este texto é uma síntese de minha dissertação de mestrado em Antropologia Social concluído na universidade Federal de Santa Catarina em 2015. Os dados foram coletados por meio de pesquisa etnográfica, entre março e junho de 2013, em quatro Residenciais Assistidos para Idosos (RAIs) de Florianópolis, Brasil. Os RAIs, particulares ou públicos, são instituições que seguem rígidas regras impostas pelo estado brasileiro para aplicar políticas de cuidados aos idosos que não tem mais possibilidade de permanecer no convívio da família. A legislação brasileira impõe, de certa forma, que estes ambientes sigam um padrão “para-hospitalar”, o que nem sempre é o esperado pelos idosos que procuram por estes lugares. Essas instituições, para atrair o novo perfil de idosos, tem tentado se afastar do estigma a que sempre estiveram envoltos os “asilos” e reivindicar para si um caráter menos “institucional” e mais próximo de um “ambiente familiar” ou “profissional”. Sendo assim, proponho pensar: que tipos de experiências e expectativas esses residenciais fornecem para seus residentes e profissionais? Como estas instituições trabalham as tensões derivadas da tentativa de conciliar o caráter institucional e “para-hospitalar” com as novas expectativas de seus frequentadores, que reivindicam uma qualidade de vida pautada no descanso, harmonia e manutenção de vínculos familiares? E qual é a agência que os residentes tem na construção de novas formas de RAIs?

Palavras-chave: Residenciais Assistidos para Idosos, institucionalização, cuidado, controle, agência.

 

 

DOENÇA, (IN)CAPACIDADE E (IN)VALIDEZ: UM ESTUDO ANTROPOLÓGICO SOBRE O PAPEL DA PERÍCIA MÉDICA EM QUESTÕES DE PREVIDÊNCIA SOCIAL NO BRASIL

Liziane Gonçalves de Matos. Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (PPGAS) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); liziane.gm@gmail.com

 

A pesquisa constitui-se em um estudo antropológico que trata da Previdência Social, tendo como foco analítico a perícia médica exigida e realizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para concessão de benefícios por incapacidade, tais como auxílio-doença e aposentadoria por invalidez; e de benefícios assistenciais, como o Benefícios de Prestação Continuada (BPC), destinado a idosos e jovens portadores de deficiência. O estudo busca problematizar as moralidades e sensibilidades envolvidas nas decisões da perícia médica previdenciária na concessão (ou não) de tais benefícios. Trata, da mesma forma, das controvérsias em torno da definição de conceitos como incapacidade e doença, cerne de todo o conflito envolvendo o INSS e os solicitantes dos benefícios citados. Neste sentido, uma das questões que estão sendo ressaltadas neste estudo é a da judicialização do acesso à direitos previdenciários e assistenciais, que tem se constituído em uma alternativa na resolução destes conflitos no que tange ao indeferimento da concessão de auxílio-doença e do BPC. Por conta da demanda envolvendo situações como esta na Defensoria Pública da União (DPU) em Porto Alegre que a instituição tornou-se lócus privilegiado na realização do trabalho de campo para esta pesquisa. O interesse dirige-se, igualmente, em como se dá a composição da prova, a comprovação da incapacidade ou da deficiência, bem como a avaliação, por parte dos médicos peritos (neste caso, como agentes do Estado), dos casos deferidos ou indeferidos através de um laudo pericial.

Palavras-chave: previdência social, perícia médica, moralidades, Antropologia, Estado.

 

 

 

TRABAJADORAS SOCIALES EN LA ATENCIÓN HOSPITALARIA. DE “BURÓCRATAS DE NIVEL DE CALLE” A MEDIADORAS EN LOS “MÁRGENES DEL ESTADO”

Gisela Gagliolo. Programa Antropología y Salud – UBA; giselagagliolo@gmail.com

 

Se ha reflexionado ampliamente respecto del papel de los/as trabajadores sociales en la “aplicación” de políticas públicas. Algunos/as autores de ese campo caracterizan la práctica profesional como reproductora del orden social, mientras otros/as postulan que el trabajo social crítico ha conseguido apartarse de ese rol asignado para colocarse en el lugar de agentes de cambio. Destacando la proximidad con las personas “beneficiarias” y la autonomía en la aplicación de programas, también se los caracterizó como agentes estatales “de nivel de calle”. Subrayando su autonomía o caracterizándolos como engranajes de una maquinaria, poniendo énfasis en la reproducción o el cambio, este tipo de estudios parecen compartir un sentido sobre las políticas bastante arraigado, aunque también cuestionado por estudios antropológicos. Me refiero a la idea de que en una “esfera” institucional/ administrativa (en algún sentido ajena a lo social) se diseñan, ejecutan y controlan las políticas. Así, en este esquema “de arriba hacia abajo” a los/as trabajadores social sólo les quedaría el lugar de ejecutar o escamotear las políticas que les “bajan”.

En esta presentación me propongo recuperar estos debates a partir del análisis de las prácticas de las trabajadoras sociales de un hospital del GBA que relevé en el marco de un estudio etnográfico sobre la atención del VIH-Sida, realizado entre 2007 y 2009. El enfoque etnográfico me ha permitido analizar la tarea  de las trabajadoras sociales del hospital situada en un conjunto de relaciones que iluminan la complejidad de la práctica estatal en la que se modelan las políticas públicas.

Palabras clave: trabajo social, políticas públicas, VIH-Sida.

 

 

A CONSTRUÇÃO E NOÇÃO DE SAÚDE POR FUNCIONÁRIOS DA LIMPEZA EM CONTATO COM A UNIVERSIDADE: UMA DISCUSSÃO

Douglas dos Santos Vasco. Graduando em Saúde Coletiva na Universidade de Brasília;  douglas.vasco3@gmail.com

Andréia Alves Puttini Ramos. Graduanda em Enfermagem na Universidade de Brasília;  andreiaputtini@hotmail.com

Ricardo Frota dos Santos. Graduando em Fisioterapia na Universidade de Brasília;  ricardo.frota2@yahoo.com.br

Walter Massa Ramalho. Professor Adjunto da Universidade de Brasília; walter.ramalho@gmail.com

A Saúde do Trabalhador constitui uma área da Saúde Pública que tem como objeto de estudo as relações entre o trabalho e a saúde. O presente estudo teve por objetivo conhecer melhor a relação trabalho-saúde, a noção e construção de saúde, o desempenho e o desenvolvimento do trabalho, as dificuldades quanto ao fornecimento de recursos necessários para a aplicação de seus serviços e ações de prática de reciclagem e sustentabilidade no ambiente de funcionários da limpeza terceirizados que prestam serviços a duas universidades diferentes. O estudo realizado foi do tipo descritivo-exploratório e a coleta de dados ocorreu por meio de questionários entre o período de 1 de setembro a 5 de outubro de 2013. Estas foram realizadas em duas universidades do Distrito Federal: a Universidade de Brasília - UnB, Faculdade de Ceilândia, localizada na Ceilândia; e a Universidade Católica de Brasília - UCB, localizada em Taguatinga. Quanto aÌ€s vertentes antropológicas abordadas, percebeu-se que: os funcionários não apresentam conhecimento da relação saúde, ambiente e trabalho; a construção de um ambiente reciclável e sustentável está sendo construída, porém, ainda com déficits na separação e coleta seletiva dos resíduos. E todavia, notou-se por parte da equipe, que há entre as instituições, grandes diferenças no ambiente, e na ausência de distribuição de materiais e equipamentos de segurança, como luvas e máscaras, que podem comprometer significativamente a ocasionalidade das doenças que acometem esses funcionários, e que também, impedem que a coleta seletiva seja realizada.

Palavras-chave: meio ambiente, sustentabilidade, Antropologia da saúde, saúde, trabalho.

 

 

ENTRE O CORPO E AS NORMAS PARA O CORPO: O PARTO EM QUESTÃO

Fernanda Loureiro Silva. Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva IMS/UERJ; fernandaloureirosilva@gmail.com

Este trabalho aborda a atual discussão acerca dos elevados índices de cesarianas no Brasil e as medidas que vêm sendo tomadas para reverter esse quadro. O lançamento da Resolução Normativa Nº 368 para a realização de partos na rede privada de saúde no país suscitou pontos de vista conflitantes: foi comemorado pelo movimento de mulheres mobilizadas em torno da valorização do parto normal, mas foi criticado por aquelas que se sentiram negativamente atingidas pela resolução. O objetivo deste trabalho é propor uma reflexão acerca da repercussão gerada pelas novas regras da Agência Nacional de Saúde Suplementar.

A partir da análise do processo de medicalização do parto, observa-se como uma visão médica do corpo feminino pode ser tanto aceita e incorporada, como combatida e ressignificada. Distintas concepções de corpo podem influenciar a forma como se percebe as diferentes vias de nascimento. Contudo, em um contexto de “escolhas” de tipos de parto, é preciso considerar que as decisões não são neutras, nem individuais, mas são construídas em meio a um conjunto de relações sociais, sustentadas por valores, crenças e ideologias diversas.

Observo que traçar um direcionamento de ações mediante a negação de outra via de nascimento, seja ela qual for, mantém a padronização e o enquadramento das mulheres em uma certa concepção de corpo, que pode não ser percebido/entendido dessa maneira. Cabe refletir sobre as formas e as circunstâncias em que categorias, como “liberdade” e “escolha”, emergem e são acessadas pelas mulheres na legitimação de uma determinada via de nascimento.

Palavras-chave: parto normal, cesariana, corpo, resolução normativa em saúde.

 

 

MEDICALIZACIÓN DE LA REPRODUCCIÓN HUMANA: UNA MIRADA DESDE EL ESTUDIO DEL PROCESO DE PROFESIONALIZACIÓN DE LAS PARTERAS EN LA PROVINCIA DE BUENOS AIRES

 

Maria Victoria Salsa Cortizo - Facultad de Cs. Médicas - UNLP / Comisión de Investigaciones Científicas de la Provincia de Buenos Aires;victoriasalsa@yahoo.com

 

Desde finales del Siglo XIX se inicia un proceso de medicalización que ha ido transformando problemas de salud-enfermedad en asuntos de agenda pública. El mercado, el Estado y la profesión médica ganaron poder y fueron regulando y definiendo distintos aspectos del ciclo vital como problemas médicos. Los procesos reproductivos quedaron atravesados por relaciones de poder y por nuevas relaciones entre saberes y disciplinas: avanzó y se afianzó la biomedicina y se relegó y subordinó a las parteras del proceso de atención de la reproducción.

En esta ponencia, propongo describir y analizar los campos de disputa por la definición, control y atención de los procesos de reproducción humana en relación al modo en el que se reconfiguraron saberes, alcances y quehaceres de la disciplina obstétrica. Pondré el foco en las estrategias llevadas adelante por las parteras, en un escenario que les ha ido quitando protagonismo en la atención del embarazo, parto y puerperio.

Se analizarán entrevistas realizadas a parteras y a funcionarios de programas materno-infantiles. Trabajaré con registros y notas de campo recabados durante mi estadía en dos Congresos de Obstétricas en Argentina y con el análisis de fuentes documentales y normativas relacionadas.

Palabras clave: Antropología de la reproducción, políticas públicas, regulación del embarazo, parto y puerperio, proceso de profesionalización de la partería.

 

 

MUITOS SENTIDOS PARA UMA MESMA PALAVRA: A IDEIA DE RAÇA NO COTIDIANO DA SAÚDE

Rosamaria Giatti Carneiro. Professora Adjunta da Universidade de Brasília; rosagiatti@yahoo.com.br

A saúde de negras e de negros brasileiros tornou-se explicito objeto de cuidado e de controle do Estado a partir da criação da “Política Nacional de Assistência à Saúde da População Negra” (2009). Uma iniciativa que pauta o “racismo institucional” e as doenças mais frequentes nessa parcela da população. Para tanto, a pressão do movimento negro foi de suma importância. Trata-se de uma política de ação afirmativa, já que visa reconhecer as diferenças entre as pessoas e sanar eventuais desigualdades sociais. Em sua proposta, entretanto, desafia a ideia de igualdade do Sistema Único de Saúde, pautando a questão racial como decisiva na vivência do bem-estar. Em que pese a sua existência, múltiplas parecem ser as acepções de raça no campo da saúde brasileira. Partindo desse pano de fundo, empreendi a etnografia de dois serviços de saúde do Distrito Federal com o objetivo de compreender os usos da ideia de raça e sua relevância para o bem-estar daqueles que buscam pelo cuidado. A pesquisa foi realizada durante 2013 e 2014 e contou com marcado interesse na produção dos corpos e da pessoa da mulher negra nas cenas de parto. Isto posto, o intuito é refletir sobre aproximações e distanciamentos do que se compreende por negro e negra no campo da saúde, considerando as linhas da política nacional; o discurso dos profissionais e o de mulheres negras assistidas nesses serviços. Para, ao final, desvelar que tanto ação quanto omissão pode ensejar biopolítica e definir existências, sem apagar, entretanto, a atividade dos sujeitos.

Palavras-chave: raça, saúde, biopolítica, agência, mulheres.

 

CORPO, GENÉTICA E IDENTIDADE: NOTAS PARA PENSAR A RACIALIZAÇÃO DA SAÚDE NA CONTEMPORANEIDADE

 

Tatiane Pereira Muniz. Mestre em Antropologia pela Universidade Federal da Bahia e professora de Sociologia do Instituto Federal da Bahia (IFBA); taty_rp@yahoo.com.br 

 

Evidencia-se a partir do Projeto Genoma e das possibilidades de escrutínio do corpo, daí decorrentes, um conjunto de esforços de pesquisa no campo médico, com vistas a provar a determinação racial de certas doenças. Estudos epidemiológicos apontam para a prevalência de certos problemas de saúde em determinados grupos populacionais, racialmente classificados, tendo em vista a situação de vulnerabilidade sócio-econômica à qual este grupo populacional está, historicamente, submetido. Entretanto, na medida em que se buscam, em âmbito molecular, elementos para a afirmação de diferenças biológicas que os colocariam em situação de propensão ao desenvolvimento e agravo de certas patologias, um discurso essencializante acerca da raça pode emergir, levando a conclusões e construções sociais equivocadas sobre esta categoria. Entretanto, persiste o uso de nomenclaturas raciais para a classificação de doenças, corroborando para um discurso diferencialista, do ponto de vista biológico, que remete ao discurso evolucionista do século XIX, amparado, agora, pela biotecnologia. Neste cenário, reacende-se o debate entre os mais distintos campos do conhecimento, no sentido de afirmar e negar a existência da raça enquanto uma realidade empírica e sobre a importância e riscos de sua utilização, seja no âmbito das ciências da vida ou no cotidiano das relações sociais. O presente trabalho consiste na discussão da forma com as categorias raça e saúde tem sido relacionadas no contexto brasileiro, demonstrando as diversas disputas políticas e ideológicas e econômicas em torno da sua utilização, ensejado pelo novo paradigma da genética, quando ocorrem novos processos de subjetivação relacionado as identidades.

Palavras-chave: raça, saúde, genética, identidade.

 

 

 

Sesión 2: Agenciamentos sociais no campo da saúde: resistências, tratamentos complementares e alternativos, práticas de auto-cuidado e saberes locais e tradicionais

 

 

“DE GRAÇA ATÉ INJEÇÃO NA TESTA” SERÁ?: CONSTRUÇÃO SOCIAL ACERCA DA VACINAÇÃO DO HPV

Natália Almeida Bezerra - Mestranda em Antropologia pela Universidade de Brasília (UnB); natalia.almeida.unb@gmail.com

 

Vacina é, antes de tudo, uma marca de adequação, de disciplina. O Estado, ao promover políticas de proteção à saúde, cria mecanismos de controle, e a vacina é um deles. O fenômeno vacinal se revela de alta complexidade, em especial, para uma disciplina como a Antropologia que pensa as diferentes interações entre saúde, sistema biomédico, estado e indivíduo. Na perspectiva de uma antropologia das vacinas e da vacinação é possível revelar as múltiplas facetas históricas, geográficas e políticas de uma história aparentemente única – a da imunização, e se interrogar a respeito da unidade das práticas humanas, do confrontamento para com essas práticas naturalizadas, dos novos agenciamentos/resistências, e de possíveis rupturas com esse discurso médico. Diante desse cenário, os recortes possíveis de pesquisa são variados. Entretanto, uma escolha temática foi necessária. Quando nos deparamos com uma vacina que chegou ao Brasil há pouco, realizada apenas em corpos femininos muito jovens, esses ainda representados por seus pais, e que recebem a dose fora de seu campo jurisdicional “natural” – as unidades médicas – mas sim, dentro de uma instituição de ensino, o contexto se torna ainda mais interessante. E é sobre a construção social acerca da vacinação do HPV e seu agenciamento que esta pesquisa se debruça.

Palavras-chave: Antropologia, Estado, políticas públicas, vacinação/HPV, agenciamento.

 

 

PRATICAS ALTERNATIVA E O SUS EM FLORIANÓPOLIS

 

Hélio Barbin Junior - Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); hbarbinjunior@gmail.com

 

A rede de saúde publica no município de Florianópolis há várias décadas conta com experiências pessoais e raras experiências institucionais na implantação e oferta de praticas de medicina alternativo e complementar a população. A partir de 2006 com do Plano Nacional de Praticas Integrativa e Complementar (PNPIC) dentro do Sistema Único de Saúde (SUS) do Brasil, e em 2010 com a criação de uma gerencia de PICs dentro da Secretaria Municipal de Saúde, levanta-se a possibilidade de maiores discussões sobre a implantação destas praticas junto às equipes da saúde da família.

Porem as PICs quando implantadas dentro da ESF se tornam somente mais uma ferramenta de apoio terapêutico ao sistema biomédico prevalecente, sendo em toda sua filosofia, visão diferenciada do processo saúde e doença são “domesticadas” pela hegemonia biomédica. Somente duas profissionais em todo o município são contratadas como especialistas uma em acupuntura e outra em homeopatia que atuam dentro das policlínicas municipais.

A partir das entrevistas com médicos (as) nos Centro de Saúde e nas Policlínicas Municipais podemos constatar que ainda falta vontade política dos gestores e coordenadores dos Centros de Saúde na implantação deste sistema alternativo de saúde dentro da rede pública em Florianópolis.  Pela persistência, ideologia e reconhecimento de sua eficácia, elas continuam existindo por vários anos na saúde pública do município através de experiências individuais.

Palavras-chave: política publica, SUS, medicina alternativa, biomedicina.

 

 

ATRAVESANDO LOS CUERPOS: SINESTESIA Y VIBRACIÓN EN LA PERFORMATIVIDAD CURATIVA DEL YOGA

 

Ana D´Angelo. UNMdP-CONICET, Argentina; dangelo_ana@yahoo.com.ar

 

El objetivo de estetrabajo es investigar los significados curativos que la práctica de yoga guarda para instructores y practicantes, a partir de la descripción etnográfica de algunos actos de la performance ritual que inducen particularmente una experiencia sinestésica y una vivencia de vibración (tanto del aire como del sonido), como el canto de mantras y la ejecución de instrumentos. La observación participante da cuenta de una concepción plural de sus cuerpos (definido por los practicantes principalmente en sus dimensiones física, emocional-mental y espiritual). Tanto el control de los sentidos (pratyahara) como el de la respiración (por medio de prānāyamas y bandhas) y la realización de gestos reflexológicos (mudras) persiguen gestionar la energía que atraviesa los cuerpos de los practicantes. Al constituir pasos hacia el objetivo final o Yoga: la re-unión del ser de los practicantes con el principio energético universal, permiten vivenciar una continuidad ontológica o comunión, no sólo entre los practicantes sino entre éstos y el mundo con el cual están hechos carne.

Palavras-chave: yoga, cura ritual, sinestesia, vibración, continuidad ontológica.

 

 

UMA CHAVE NA PONTA DO NARIZ: A ARTE E PERFORMANCE CLOWN NOS HOSPITAIS

Camila Maurício Zedron - Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); camilafisioclar@yahoo.com.br

Há algum tempo, a prática da performance clown, ou o palhaço, tem se tornado cada vez mais frequente em instituições de saúde, principalmente nos hospitais. Atuando tradicionalmente através de ONGs e iniciativas privadas, os grupos de palhaçaria, a partir da PNH (Política Nacional de Humanização) também passaram a ser incluídos na agenda das políticas públicas. Esse é o caso dos Terapeutas da Alegria, grupo que tenho estudado durante minha pesquisa de mestrado, que busca entender principalmente o movimento da arte e da performance clown enquanto política pública de saúde para a humanização dos hospitais. Assim, a ideia de eficácia simbólica relacionada a uma prática que pode ser tomada como uma ação de Estado é o foco deste estudo, que também busca enxergar como processos de afecção se manifestam em ambientes tidos tradicionalmente como obrigatoriamente distanciados do afeto.

Palavras-­chave: Antropologia da saúde, Antropologia da performance, eficácia simbólica.

 

O MÉDICO TRADICIONAL INDÍGENA NO PUTUMAYO COLOMBIANO: UMA FIGURA DE PODER

Pedro Musalem Nazar - Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e pesquisador do INCT Instituto Brasil Plural; pedromusalem@gmail.com

 

Aborda-se neste trabalho, baseado em 14 meses de campo entre os Siona (tucano ocidental no sul da Colômbia), os poderes de agência do assim chamado complexo do yagé, rede xamânica interétnica cuja etnohistória é brevemente comentada em ordem a compreender suas transformações contemporâneas. Sobre esta base, busca-se refletir acerca das possibilidades da antropologia pensar as interações entre esse dispositivo indígena, que produz verdades sobre o corpo e seus cuidados, e institui uma série de práticas autônomas, e as biopolíticas do Estado colombiano que, nessa região, podem considerar-se ainda em formação.   

Levam-se em consideração as dinâmicas específicas da política pública colombiana, num entorno definido pelo extrativismo econômico, a desproteção social e a disputa territorial entre corpos militares; num contexto histórico marcado pela marginação e a ilegalidade. Nessas condições, observa-se a emergência de uma consciência política singular entre os indígenas contemporâneos, a qual permeia também as manifestações locais do complexo xamânico aludido. 

Desde os anos 90, os taitas (xamãs) da área se apresentam a si mesmos –também- como médicos tradicionais indígenas: interessa examinar aqui os contextos e implicações desta autodenominação, assim como as experiências e tentativas de articulação com agentes e instituições oficiais de saúde, indagando nas suas formas de apropriação de outros discursos e dispositivos médicos (incluindo o da biomedicina).

Palavras-chave: xamanismo, Putumayo, indígenas, yagé, Siona.

 

 

SOBRE UMA “INTERVENÇÃO POSITIVA”: PRÁTICAS DE GOVERNO E MORALIDADE NO CONTEXTO DO POSTO DE SAÚDE DE UMA ALDEIA MBYÁ-GUARANI NO SUL DO BRASIL

Rita Becker Lewkowicz. Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PPGAS/UFRGS); ritalewkowicz@gmail.com

 

Este artigo se propõe a analisar as políticas públicas de saúde direcionadas aos povos indígenas no Brasil, considerando o processo através do qual esses grupos vão aparecendo como uma “população governável”, como sujeitos de políticas de um campo que passa a ser entendido como “saúde diferenciada”. Indissociável das diretrizes internacionais e políticas globais, esse formato de governo e produção de cidadania ganha uma forma específica com a criação da Secretaria Especial de Saúde Indígena, em 2010, e reconfigura as relações entre indígenas e profissionais de saúde, assim como entre os gestores dos diferentes níveis de governo. São introduzidas novas formas burocráticas e biopolíticas, mas muito da estrutura anterior se mantém, considerando especialmente que até o presente ano as medidas de criação dessa secretaria ainda não terminaram de ser implementadas. A partir da etnografia junto ao posto de saúde de uma aldeia Mbyá-Guarani no sul do país, esse artigo se propõe a problematizar as formas de governo da conduta, controle e normatização nas práticas e políticas voltadas a essa população indígena, trazendo questionamentos à categoria de “saúde diferenciada” a partir da crítica dos Mbyá-Guarani, assim como buscando refletir sobre a consolidação de um campo profissional fundamentado na razão humanitária que acaba por conformar toda uma economia moral (Fassin, 2005) em torno do atendimento a essas populações.

Palavras-chave: biopolítica, saúde diferenciada, Mbyá-Guarani, economia moral, governamentalidade.

 

 

EQUIPAMENTOS DE SAÚDE E PROCESSOS DE ATENÇÃO - TÓPICOS PARA PENSAR A AÇÃO DO ESTADO

Nádia Heusi Pesquisadora do INCT Instituto Brasil Plural; nheusi@yahoo.com.br 

 

Nesta comunicação tratarei de uma tentativa de ação intersetorial do Estado que diz respeito à abordagem do problema de abuso de álcool entre os povos kaiowá e guarani. Os agentes envolvidos pertenciam a diferentes setores do governo federal e realizaram uma serie de encontros para consensuar diretrizes de atenção, tendo por eixo de discussões a instalação ou não de um Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD) na Terra Indígena Dourados. Partindo da dinâmica dos encontros, de convergências e divergências de pontos de vista a partir da unanimidade sobre a necessidade de implementar uma ação planejada entre vários órgãos de assistência, refletirei sobre minha posição no grupo, enquanto antropóloga trabalhando como agente de governo. Sobretudo, dos limites da prática antropológica diante de processos envolvendo múltiplos tomadores de decisão. Ao tratar do contexto para o qual tais ações foram pensadas, também pontuarei alguns desafios relacionados à implementação de políticas públicas em saúde quando o alvo de tais políticas abarca questões sociais, para além de enfermidades.

Palavras-chave: políticas de saúde, intersetorialidade, Antropologia no Estado, Kaiowá e Guarani, saúde mental.

 

 

Sesión 3: O fazer etnográfico e suas potencialidades: experiências sociais e políticas públicas no contexto da saúde mental

 

 

BIOLEGITIMIDADE, DIREITOS E RECONHECIMENTO: NOVOS REGIMES BIOPOLÍTICOS NO CAMPO DAS POLÍTICAS DE SAÚDE MENTAL NO BRASIL

            Sônia Weidner Maluf Professora Doutora Associada IV da Universidade Federal de Santa Catarina; soniawmaluf@gmail.com

O objetivo da proposta é dar continuidade a reflexão sobre um aspecto cada vez mais presente nas políticas sociais contemporâneas: a biolegitimidade como um dispositivo de produção de direitos, de reconhecimento e de acesso a serviços e atendimento por parte do Estado, e também como meio de reivindicação e de conquista de direitos. Biolegitimidade se articula com um contexto mais amplo de deslocamento do político, com ênfase nos processos de patologização, medicalização ou biologização das experiências sociais, sobretudo no que diz respeito à produção de políticas públicas e às ações do Estado no campo dos direitos e da cidadania. Apesar da amplitude das questões que podem ser abordadas através desse conceito, a partir de sua formulação por Didier Fassin, o foco deste artigo são as políticas de saúde mental no Brasil no contexto da Reforma Psiquiátrica brasileira, particularmente aquelas dirigidas às mulheres. Se por um lado a Reforma Psiquiátrica tem como princípios de base os direitos humanos dos doentes e dos pacientes psiquiátricos, assim como a democratização e a universalização do acesso à saúde, por outro, em diversos de seus aspectos essas mesmas políticas reproduzem o dispositivo da biolegitimidade. O foco é a noção de ciclo de vida das mulheres, um princípio largamente utilizado nos documentos e diretrizes principalmente naqueles especificamente voltados à saúde da mulher.

Palavras-chave: biopolítica, biolegitimidade, saúde mental, gênero, políticas públicas.

 

 

“ESSA MEDIDA DE SEGURANÇA É INFINITA OU TEM PRAZO DE VENCIMENTO?”: INTERLOCUÇÕES E DESAFIOS ENTRE
O DIREITO E A PSICOLOGIA NO CONTEXTO JUDICIÁRIO

Caroline Quinaglia Araújo Costa Silva Brandi. Psicóloga do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios; cquinaglia@hotmail.com

Érica Quinaglia Silva - Professora Adjunta II da Universidade de Brasília; equinaglia@yahoo.com.br

A Seção Psicossocial da Vara de Execuções Penais do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios ocupa-se do atendimento a pessoas que cumprem medida de segurança, ou seja, uma sentença judicial que as define como doentes e criminosas. Encaminhadas ao contexto judiciário, há dois caminhos a serem percorridos por elas: o tratamento ambulatorial e a internação em hospital de custódia e tratamento psiquiátrico. Nesses percursos, requisitos, como exames para verificar a cessação de periculosidade, tempo de reclusão e existência de parente que as acolha, são observados para permitir uma decisão judicial favorável à desinternação condicional, ou seja, a uma desvinculação da Justiça. Trata-se de um terceiro caminho possível. Por meio da análise de um caso emblemático, este estudo busca inquirir sobre a disciplina infligida a essas pessoas. Intenta-se, assim, dar voz a inimputáveis e/ou semi-imputáveis, pessoas consideradas inteiramente ou parcialmente incapazes de responder pelo caráter ilícito do ato que cometeram, de acordo com o Código Penal. As interlocuções e os desafios existentes entre o Direito e a Psicologia no contexto judiciário emergem como possibilidade de construção de outro discurso por elas, de uma fala que busque a aquisição de autonomia e a responsabilização.

Palavras-chave:saúde mental, Direito, Psicologia, medida de segurança.

 

 “LOUCO TODO MUNDO É UM POUCO”: “LOUCURA” E “DOENÇA MENTAL” NO CONTEXTO DA POLÍTICA PÚBLICA DE SAÚDE MENTAL

 

Ana Paula Müller de Andrade. Universidade Federal de Pelotas; psicopaulla@yahoo.com.br

 

Este trabalho visa discutir os tensionamentos produzidos em torno das categorias que permeiam os diferentes planos da política pública de saúde/saúde mental, especialmente “loucura”, “doença mental” e seus “sintomas”. As reflexões apresentadas têm como base os dados parciais de uma pesquisa de caráter etnográfico, desenvolvida a partir de 2015, tendo como sujeitos os/as usuários/as de um Centro de Atenção Psicossocial da cidade de Pelotas/RS. A pesquisa visa analisar os efeitos da transformação cultural em relação à loucura na produção de subjetividades de usuários/as dos serviços de saúde mental. A política pública de saúde mental no Brasil e os processos de desinstitucionalização dela decorrentes tem sido construídos tanto por iniciativas institucionais quanto por experiências de sujeitos que instituem formas singulares de subjetivação e estratégias para lidar com seus sofrimentos. As experiências destes sujeitos tem tensionado algumas categorias presentes no âmbito das iniciativas institucionais como, por exemplo, “doença mental” e seus “sintomas” e demonstrado o caráter heterogêneo e rizomático dos processos de desinstitucionalização. Como apontam os dados parciais da pesquisa, tais categorias são desnaturalizadas e relativizadas pelos sujeitos que confrontam e articulam diferentes modelos interpretativos no enfrentamento de suas experiências de sofrimento. Demonstram também que apesar do modelo biomédico ser hegemônico no contexto estudado, “doença mental” e “loucura” são categorias distintas, não podendo a última ser reduzida a primeira. A “doença mental” em geral está relacionada aos sujeitos acometidos por sofrimentos da ordem do mental enquanto a “loucura” está associada a experiências difusas não necessariamente ligadas ao sofrimento de um sujeito singular.

Palavras-chave: política pública de saúde mental, desinstitucionalização, modos de subjetivação, loucura, doença mental.

 

 

DENTRE MUROS: UMA ETNOGRAFIA SOBRE CONSTRUÇÃO DE UM HOSPITALPSIQUIÁTRICO

Michelle Alcântara Camargo. Doutoranda em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP); michelleacamargo@gmail.com

Maria Conceição da Costa. Prof. Dra Associada da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)

 

Nas ciências sociais a bibliografia clássica parte da perspectiva de que as instituições psiquiátricas desenrolam-se como práticas seculares de disciplinarização, moralização e contenção de indivíduos socialmente desviantes (Carrara, 1998). A reclusão dos diagnosticados como loucos, tem um caráter institucional, iniciado no século XVII, e ao ter como medida questões econômicas e de precaução social, a internação ganha o valor de intervenção (Foucault, 2010).

A proposta desta pesquisa não é pensar a internação dos diagnosticados como doentes mentais como alienação ou banimento social, embora os referenciais de Foucault se constituem enquanto um dos alicerces teóricos deste trabalho. O que se pretende aqui é pensar questões sobre a experiência de mulheres internadas voluntariamente ou compulsoriamente em hospitais psiquiátricos e como isto se reflete nas políticas públicas de saúde mental no interior do estado de São Paulo. Este paper, buscará, a partir de uma investigação etnográfica, refletir sobre como ocorre e é vivenciada a experiência de internação de mulheres em um lócus específico, o Hospital Psiquiátrico Benedita Fernandes, localizado no interior do estado de São Paulo, no qual são internadas mulheres que receberam diagnósticos de portadoras de doenças mentais e que por algum motivo se encontram em situação de proteladas pelo Estado na instituição acima mencionada.

Palavras-chave: saúde mental, gênero, mulheres, instituição psiquiátrica.

 

 

AGENCIAMENTOS SUBJETIVOS INUSITADOS EM UM HOSPITAL PSIQUIÁTRICO

Mário Eugênio Saretta - Doutorando em Antropologia Social na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PPGAS/UFRGS); msaretta@gmail.com

 

A partir da realização de uma etnografia com as pessoas em situação de pacientes psiquiátricos, proponho-me a problematizar as políticas públicas em saúde mental através da descrição de situações que permitem questionar dispositivos específicos de ordem e moralidade assentados tanto nas novas políticas quanto no modelo de funcionamento tradicional ainda imperante em hospitais psiquiátricos. Deste modo, o interesse é priorizar as perspectivas daqueles que estão no hospital psiquiátrico em condição de pacientes frente aos rearranjos institucionais.

Neste paper, privilegiarei a narrativa de uma interna do hospital psiquiátrico, não como um estudo de caso, mas como um meio de expor relações institucionais a partir de agenciamentos subjetivos singulares. Em mais de cinco décadas de internamento, através dela se estende uma série de pessoas, voluntários e profissionais. Ao acompanhá-la nas mudanças dos seus locais de moradia por motivos institucionais, estamos acompanhando também a própria instituição e a singularidade de um corpo em uma instituição-total provocando linhas de fuga em um ambiente normatizador.

Desse modo, atento a processos subjetivos inusitados potencialmente capazes de problematizar os modelos dominantes de codificação, os quais poderiam ser desconsiderados em nome da autoridade de saberes especializados no campo da política pública em saúde mental, esta abordagem visa multiplicar o tecido político ao evidenciar processos de singularização por parte de usuários e moradores de um hospital-que-foi-hospício.

Palavras-chave: agenciamentos subjetivos, desinstitucionalização, micropolítica, etnografia em hospital psiquiátrico.

 

 

ESTUDO DE CASO DE UMA PACIENTE DISGNOSTICADA COM DEPRESSÃO: ABORDAGEM TERAPÊUTICA E ASSISTÊNCIA EM SAÚDE MENTAL

Douglas dos Santos Vasco. Graduando em Saúde Coletiva na Universidade de Brasília; douglas.vasco3@gmail.com,

Andréia Alves Puttini Ramos. Graduanda em Enfermagem na Universidade de Brasília; andreiaputtini@hotmail.com

Ricardo Frota dos Santos. Graduando em Fisioterapia na Universidade de Brasília;  ricardo.frota2@yahoo.com.br

Diane Maria Scherer Kuhn Lago. Professora Assistente da Universidade de Brasília; diane@unb.br

De acordo com a OMS (2001), os transtornos mentais mais comuns são depressão, transtornos devido ao uso de substâncias, esquizofrenia, doença de Alzheimer, retardo mental e distúrbios da infância e da adolescência. O estudo de caso a ser abordado evidencia o diagnóstico de depressão. O objetivo da prática em campo é compreender a assistência ao paciente de saúde mental e planejar os cuidados necessários para o tratamento psicossocial. O CAPS II é um serviço ambulatorial de média complexidade que dispõe de uma equipe multidisciplinar (enfermeiros, médicos, técnicos de enfermagem, assistente social, psicólogos, estagiários, voluntários) que trabalham para prestar a melhor assistência possível a seus pacientes. O serviço conta ainda com atividades terapêuticas voltadas para o tratamento do portador de TM. São oficinas de artesanato, grupos de psicoterapia, trabalhos com temas relacionados a gênero, reuniões com os familiares dos pacientes, além das consultas individuais para acompanhamento dos pacientes. Como definido pela OMS, um completo estado de bem-estar físico, mental e social, torna-se imprescindível o conhecimento e habilidade de profissionais de saúde nas áreas de saúde mental. Este trabalho possibilitou um contato maior com uma paciente que sofre de depressão, sendo a depressão um dos transtornos mentais mais prevalentes, gerando alta utilização dos serviços de saúde, e a percepção nos cuidados com pacientes portadores de transtornos sociais-mentais, evidenciando a desenvoltura do relacionamento interpessoal, pois isso levará ao fortalecimento do vínculo terapêutica e promoção da assistência em saúde mental.

Palavras-chave: depressão, transtornos, saúde mental, assistência, Antropologia da saúde.

 

QUANDO O ESTIGMA SE INSTITUCIONALIZA: UM ESTUDO DE CASO DE UM PACIENTE ATENDIDO EM SERVIÇOS ESPECIALIZADOS EM SAÚDE MENTAL

Priscila Farfan Barroso. Bacharela (2009) e licenciada (2010) em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e mestra pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul; prifarfan@yahoo.com.br

Daniela Riva Knauth. Graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1988), com mestrado em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1991) e doutorado em Etnologia e Antropologia Social. Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales (1996), professora Titular do Departamento de Medicina Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, atuando também como docente e orientadora no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social e no Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia; daniela.knauth@gmail.com

 

O presente estudo tem como objetivo analisar o processo de institucionalização da discriminação entre usuários em situações vulneráveis que estão tratamento de saúde em serviços públicos. Através do estudo de caso de um paciente HIV positivo, usuário de droga, ostomizado (sem intestino) e homossexual atendido por profissionais de saúde de um serviço especializado em saúde mental, percebe-se o julgamento da sua história de vida, a dificuldade de lidar com esse paciente entre outros homens e mesmo o desconforto dos profissionais para realizar encaminhamentos na rede de atenção. Assim, destaca-se o preconceito e estigma (PARKER; AGGLETON, 2001) sofrido por quem vive em um contexto de vulnerabilidade, principalmente em relação aos HIV/Aids, no qual o serviço de saúde pública reforça essas diferenças oferecendo um tratamento desigual agenciado no cotidiano de atendimento. Essa situação gera conseqüências nas práticas de cuidados com a saúde/doença nos fazendo refletir sobre os desafios relacionados ao estigma vivido no âmbito da saúde a fim de rebater diretamente as questões fundamentais sobre garantia dos direitos humanos do mais vulneráreis (MONTEIRO; VILELLA, 2013). Trazer esses relatos e a experiência vivida pelo paciente é evidenciar as camadas nas quais a subjetividade é desafiada na explicação da dor sentida que se torna mais explícita. (DAS et al., 2001). Dessa forma, é possível apontar para os limites do processo de discriminação institucionalizada que devem ser tencionados no atendimento de uma saúde com qualidade – e pública – para a maior parte da população (MONTEIRO; VILELLA; KNAUTH, 2012).

Palavras-chaves: institucionalização, estigma, serviços de saúde, pessoas em situação de vulnerabilidade.

 

 

SAÚDE COLETIVA E ATENÇÃO PSICOSSOCIAL: O PAPEL DO SANITARISTA NA IMPLANTAÇÃO DO SERVIÇO RESIDENCIAL TERAPÊUTICO NO DISTRITO FEDERAL

Vanessa Andréa de Souza Carnevale. Graduanda do curso de Saúde Coletiva na Universidade de Brasília; carnevale.vanessa1@gmail.com

Érica Quinaglia Silva. Professora Adjunta II da Universidade de Brasília; equinaglia@yahoo.com.br  

 

Residências terapêuticas são locais de moradia para pessoas com transtornos mentais há muito tempo institucionalizadas. O presente trabalho apresenta a importância da implantação do Serviço Residencial Terapêutico como forma de reintegrar essas pessoas à sociedade. Para tanto, é realizada uma pesquisa comparativa entre os serviços disponíveis no Distrito Federal e aqueles dos estados de Goiás e de Minas Gerais. Nesse contexto, é ressaltada a importância do papel do sanitarista não apenas para o planejamento, a (re)formulação e a implementação de políticas públicas e ações de saúde, como também, e por conseguinte, para a desinstitucionalização das pessoas com transtornos mentais. Especificamente no âmbito da saúde mental, o sanitarista pode (e deve) atuar na realização de programas de (re)inserção dessa população em centros de convivência e cultura, Centros de Atenção Psicossocial e demais serviços de uma rede da qual a comunidade faça parte. O Serviço Residencial Terapêutico é, particularmente, entendido como uma forma de atenção à saúde engajada na desconstrução da loucura como perigo e do louco como alguém que deva ser isolado. Em última análise, a implantação do Serviço Residencial Terapêutico intenta efetivar o que está preconizado nas Leis 8.080/90 e 10.216/2001, que resguardam a atenção à saúde como dever do Estado e direito de todos os cidadãos, entre eles as pessoas com transtornos mentais.

Palavras-chave:Saúde Coletiva, sanitarista, saúde mental, Serviço Residencial Terapêutico, reforma psiquiátrica.

 

 

AGRUPACIONES DE USUARIOS DEL SERVICIO DE SALUD MENTAL: PARTICIPACIÓN SOCIAL Y ACTIVISMO ANTE LA REGLAMENTACIÓN DE LA NUEVA LEY DE SALUD MENTAL

Federico Manuel Nadal Viñals. FFyL, UBA; fedenadal@hotmail.com

Me propongo realizar un estudio sobre la participación social y política en grupos de personas con padecimientos mentales indagando en torno a la participación de agrupaciones de usuarios del servicio de salud mental en la elaboración de políticas públicas relacionadas con la aplicación de la ley Nacional de Salud Mental (2010). El trabajo presenta los resultados preliminares de mi tesis de grado, realizada en colaboración en el proyecto interdisciplinario UBACyT: “Articulaciones entre salud mental y atención primaria de la salud en la Argentina 2014-2017”

Busco estudiar cómo influye la participación social y la injerencia de esta participación en la regulación y aplicación de la nueva Ley Nacional de Salud Mental en los procesos de sociabilidad y subjetivación que atraviesan las prácticas cotidianas de estos sujetos y los constituyen como actores dotados de agencia

La atención de los padecimientos psíquicos comprendidos en el ámbito de la salud mental es hoy en día un campo en plena transformación, particularmente en el marco de la aplicación de una nueva ley de salud mental que cuestiona, al menos formalmente, al modelo médico hegemónico y la forma que la modernidad ha adoptado para comprender y tratar estos padecimientos, cuestionando principalmente el dispositivo de la manicomialización.

Palavras-chave:salud mental, ley de salud mental, APS, participación social, procesos de subjetivación.

 

ETNOGRAFIA COM JOVENS ATENDIDOS EM SERVIÇO DE SAÚDE MENTAL: ESTRATÉGIAS E DESAFIOS

Denise Martin

Aline Milhomens

Universidade Federal de São Paulo, Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva; demartin.c@gmail.com

 

O conceito de juventude  é  uma construção sociocultural e histórica.  É um período de transitoriedade para a vida adulta com diferenças nos percursos traçados.  Alguns jovens experimentam a primeira crise psicótica caracterizando uma ruptura deste processo, dando início a uma forma particular nesta transição. Novos processos  se iniciam com esta ruptura, nos quais em alguns momentos o controle sobre suas escolhas, desejos, pensamentos e ações fogem de si. A pesquisa busca conhecer o significado da transição para a vida adulta em jovens que realizam acompanhamento em um serviço de atendimento em saúde mental. Pretende-se problematizar a realização de etnografia  com jovens portadores de transtorno mental grave. A pesquisa foi realizada em um Centro de Atenção Psicossocial II Adulto (CAPS), em um bairro periférico no município de São Paulo. Os participantes  estão  em regime de tratamento intensivo ou semi-intensivo e participam de um grupo de jovens como proposta terapêutica. O grupo realiza atividades fora do serviço (passeios a parques, shoppings e outras atividades culturais).  As estratégias de pesquisa envolvem a observação etnográfica do serviço e das atividades realizadas fora dele, além de acompanhamento da vida cotidiana. É importante discutir a pesquisa de campo com a vinculação dos jovens no contexto institucional do CAPS, as questões éticas e práticas sobre como abordar projetos futuros com pessoas que sofreram uma ruptura causada pela crise psicótica, as limitações nas entrevistas causadas por características do sofrimento ou por medicação, e o lugar das pesquisadoras no contexto particular desta pesquisa.

Palavras-chave: etnografia, serviços de saúde, juventude, saúde mental, crise psicótica.

 

 

CRIANÇAS E ADOLESCENTES NOS CAMPOS DA GARANTIA DOS DIREITOS E DA SAÚDE MENTAL

Mirella Alves de Brito. Docente da Universidade Estácio de Sá – Unidade São José, docente da Universidade Barriga Verde – UNIBAVE e pesquisadora do Instituto Brasil Plural – IPB; mirebrito@gmail.com; brito_mirella@yahoo.com

 

O trabalho consiste em apresentar algumas reflexões oriundas de pesquisa etnográfica (em andamento), junto ao Conselho Tutelar de São José. Tal pesquisa tem como questão norteadora a forma como os documentos de registro de violação de direitos, no Conselho Tutelar de São José, apresentam indicadores para uma compreensão da recorrência de psicodiagnósticos que legitimam uma crescente medicamentalização de crianças e adolescentes. Ao analisar os prontuários do Conselho Tutelar é possível identificar as características que levam a suspeita de Transtorno de Déficit de Atenção e Hipertatividade (TDAH) e/ou ansiedade; verificar os encaminhamentos dados para os casos; acessar as práticas de atenção aÌ€ saúde mental, oferecidas pelo CAPSi – São José; analisar os discursos que compõem aÌ€s suspeitas de TDAH e/ou ansiedade, além de nos oferecer subsídios para observarmos que a articulação entre políticas públicas no campo da saúde mental e políticas de proteção aÌ€s crianças e adolescentes produzem modos de vida que ampliam e retroalimentam tanto as reflexões antropológicas sobre construção de sujeitos, quanto aos modos de governo a partir da noção de Estado. As bases teóricas sobre as quais temos trabalhado resultam de um diálogo interdisciplinar entre a antropologia, a psicologia e a saúde mental, sem perder de vista que nosso campo de investigação está ancorado no que hoje chamamos de sistema de garantia de direitos da criança e do adolescente.

Palavras-chave: política de saúde mental, garantia de direitos de crianças e adolescentes, medicamentalização de crianças e adolescentes, formulários oficiais de registro para bases epidemiológicas, formação de profissionais em psicologia.