RESUMEN GRUPO DE TRBAJO 47

GT 47.  PROCESSOS DE PRODUÇÃO DE ALTERIDADES EM CONTEXTOS PLURAIS

 

Coordinadores:

Luiz Henrique Passador (Unifesp/Cebrap). Professor de antropologia do cmapus Baixada Santista/Universidade Federal de São Paulo e Pesquisador Associado do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento; lhpassador@gmail.com

Melvina Araújo (Unifesp/Cebrap). Professora de antropologia do departamento de ciências sociais/EFLCH/Universidade Federal de São Paulo e Pesquisadora Associada do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento; melvinaafra@yahoo.fr

Michel Cahen. Directeur de recherche CNRS, HDR UMR n° 5115 "Les Afriques dans le monde"CNRS/Sciences Po Bordeaux; m.cahen@sciencespobordeaux.fr

 

A CISÃO DA CRISTANDADE: MISSIONÁRIOS PROTESTANTES VERSUS A CIRCUNCISÃO FEMININA KIKUYU

Alessandra Gando Guerra. Mestranda em Ciências Sociais pela UNIFESP; alessandra.gandoguerra@gmail.com

 

No Quênia, na década de 1920, uma situação começa a se configurar: missionários protestantes de algumas denominações, entre elas Church Missionary Society, Gospel Missionary Society e African Inland Mission, entendem que a prática da circuncisão feminina entre os Kikuyu (grupo populacional majoritário no Quênia) era uma prática “selvagem” e deveria ser banida. Entretanto, a circuncisão feminina, assim como a masculina, era considerada fundamental para um kikuyu, pois, se situava no contexto de passagem para a idade adulta e sem ela o homem ou a mulher kikuyu não eram considerados aptos para participarem das decisões de sua comunidade e seriam, portanto, marginalizados. Nesse momento, porém, muitos kikuyus já eram cristãos e quando chegou a notícia de que se praticassem ou incentivassem a circuncisão feminina seriam excomungados, além de serem banidos de qualquer atividade oferecida à eles pela missão, como trabalho e escola, parte deles decidiu pela criação de suas próprias igrejas cristãs e seus fiéis poderiam e deveriam manter os “costumes tradicionais”, em especial, a circuncisão.

Tendo isso em vista, a proposta de comunicação em questão pretende analisar como se deu o processo de criação das igrejas independentes, observando as relações dos missionários protestantes e dos kikuyus cristãos com a circuncisão, buscando com isso compreender os conflitos que levaram esses kikuyus a fundarem suas próprias igrejas e se assumirem como cristãos independentes.

 

 

 

O FEITIÇO DOS “OUTROS”: BREVE ANÁLISE SOBRE A PRODUÇÃO DE ALTERIDADES NAS VIGÍLIAS DO “RETETÉ” E NOS RITUAIS ZIONISTAS

 

Clayton Guerreiro. Mestrando em Ciências Sociais pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e pesquisador do Grupo de Estudos Sobre Mediação e Alteridade (Gema/Cebrap).

 

Esta comunicação tem o intuito de analisar a questão da produção de alteridades, a partir da circulação da categoria “feitiçaria”, nas vigílias dos pentecostais do “reteté”, na Baixada Fluminense, e nas Igrejas Zione, em Moçambique. No que concerne ao caso brasileiro, os “trabalhos de feitiçaria” são associados, sobretudo, às práticas das religiões afro-brasileiras. Entre os africanos, os feiticeiros a serem combatidos são os curandeiros das religiões tradicionais. Em ambos os casos, os agentes religiosos realizam intenso combate simbólico aos supostos feiticeiros, através do poder atribuído ao Espírito Santo, considerado por eles como mais poderoso do que os “demônios” que possuiriam os “outros” e causariam diversos males nas vidas daqueles que são atingidos pelos feitiços.

 

 

"TEMPO DE ESTIO: DOIS TEMPOS, UM MESMO VAZIO"

 

Diego Ferreira Marques. Professor do Depto. de Antropologia e Etnologia da Universidade Federal da Bahia – UFBA

 

Considerando dados de pesquisas conduzidas entre comunidades pastoris de língua OtjiHerero, na bacia do Cunene/deserto do Namibe, em Angola, e entre comunidades de fundo de pasto no sertão semiárido do São Francisco,no extremo norte do Estado da Bahia, a reflexão aqui proposta ensaia um duplo movimento. Por um lado, trata-se de compreender como dinâmicas coloniais e movimentos de ocupação territorial historicamente singulares incidem sobre contextos de crise socioambiental convergentes, inclusive porque decorrentes de fenômenos complexos e verificáveis em escala global, produzindo "proximidades relativas" quanto aos modelos de resiliência, resposta e reelaboração cultural dessas comunidades diante de tais quadros críticos. Por outro, no espírito de um debate mais específico no campo dos Estudos Africanos no Brasil, trata-se de se servir de comparações como esta para discutir as potencialidades (e eventuais limites) de caminhos de pesquisa em que a opção comparativa relacionada a contextos africanos possa incidir sobre problemas do espaço nacional brasileiro - ou latino-americano, de forma mais ampla - sem necessariamente estar vinculada à agenda de preocupação dos chamados Estudos Afro-Brasileiros (ou das comunidades afro-diaspóricas na América).

Palavras-chave: Namibe, Vale do São Francisco, pastorícia, pós-colonialismo, crise socioambiental.

 

 

 

TRADIÇÃO COMO ALTERIDADE EM MOÇAMBIQUE

 

Luiz Henrique Passador. Doutor em Antropologia Social, docente do Departamento de Políticas Públicas e Saúde Coletiva da Unifesp, e pesquisador associado do Cebrap

 

Nessa comunicação nos propomos a analisar o papel que a categoria tradição assume nos processos de mediação e produção de alteridades em Moçambique, operando como um sentido indexado que codifica alteridades num contexto histórico de disputas e conflitos que remetem ao período colonial, mas que são atualizadas de formas diversas no contexto pós-colonial.

A tradição em Moçambique é um campo reconhecido emicamente pelos diversos agentes inscritos naquele contexto. Ela é uma categoria que estabelece campos semânticos, discursivos e pragmáticos que os agentes mobilizam e manipulam constantemente. O campo social definido por eles como tradição, contudo, tem fronteiras móveis que ora incorporam, ora excluem elementos por um movimento constante de classificação de pessoas, ações, espaços e eventos, produzindo e definindo alteridades. Não há um consenso fixo sobre o que é ou não tradicional. Porém, há um consenso permanente em torno do reconhecimento de que a tradição é um dado de realidade, e esse reconhecimento legitima formas de atuar sobre aquele contexto. A consequência disso é que a tradição atravessa as várias instâncias da vida social e política em Moçambique: das relações interpessoais à esfera do Estado, passando pelas noções de pessoa e corpo, pela forma de classificar crenças e religiões, pela maneira de interpretar desordens e doenças, pelas formas de estabelecer a autoridade e instâncias de poder legitimadas pelo consenso informal e/ou pelas instituições oficiais, e pela maneira de interpretar os eventos e processos históricos – o que inclui as guerras. Assim, a tradição é uma categoria a partir da qual se organizam agências e os campos social, político, econômico, jurídico, moral, religioso, educacional, médico, etc.

Palavras-chave: Moçambique, tradição, mediação, alteridade, antropologia.

 

 

A AMETRAMO EM MOÇAMBIQUE: JAMAIS FOMOS MODERNOS​

Mario Teixeira de Sá Junior. Professor Adjunto PPAnt/UFGD; –mariosa@ufgd.edu.br; profmariosa@gmail.com

A Associação de Médicos Tradicionais de Moçambique foi criada em setembro de 1992, como forma de solução a um impasse surgido com a Guerra Civil em Moçambique (1977/1992), após o processo de separação de sua metrópole (Portugal) em 1975. Após um período de perseguição às manifestações religiosas tradicionais, considerada pela FRELIMO (partido de base Marxista vencedor da Guerra Civil) como fruto da ignorância e do obscurantismo tradicional, ocorreu o processo de reconhecimento e institucionalização das práticas tradicionais. A associação se constitui em um órgão regulamentado pelo governo e reúne os curandeiros (médicos tradicionais) que realizam atendimentos através de consultas com um oráculo ou recebimento de espíritos de antepassados. Os médicos tradicionais, para atuarem, necessitam de uma carteira da Associação que comprove sua filiação. Dentre os serviços prestados por esses profissionais estão: a cura para doenças físicas e espirituais, normalmente ligadas entre si, soluções de conflitos familiares, questões de terra, problemas de ordem natural (ex: falta de chuva, morte de animais), problemas judiciais (roubo, furto) e interferem em grandes questões, como os problemas gerados pela Guerra Civil. Desde o nascimento até após a morte os curandeiros interferem na vida da comunidade. A proposta é apresentar o papel dos curandeiros na História de Moçambique e, de forma especial, o da AMETRAMO como intermediária na releitura sócio-cultural 'tradicional' e 'moderna' em Moçambique.

 

DOS ORFANATOS À FORMAÇÃO DE UMA NOVA ELITE KIKUYU: UM ESTUDO DE CASO SOBRE A FORMAÇÃO DE ALDEIAS CATÓLICAS NO QUÊNIA

                       Melvina Afra Mendes de Araújo. Doutora em antropologia social, professora do departamento de ciências sociais da Unifesp e pesquisadora associada do Cebrap

 

Nessa comunicação nos interessa pensar sobre o papel do recolhimento e adoção de órfãos por missionários da Consolata, no Quênia, entre 1902 e 1930, na constituição da “nova elite católica kikuyu”. Nesse sentido, interessa, sobretudo, refletir sobre o destino que tiveram esses órfãos após terem se tornado adultos, atentando para as posições eles ocuparam na sociedade queniana e nos tipos de relações que mantinham com seus concidadãos. Isso será feito tomando como ponto de partida a sugestão de Lonsdale de que as “novas elites não-oficiais”, formadas nas missões cristãs, assumiram o controle do processo de descolonização e estabelecimento de um estado nacional queniano. Assim sendo, avento a hipótese de que uma parte dessa “nova elite não oficial” seria constituída pela “nova elite católica kikuyu” que, por sua vez, tinha entre seus membros alguns dos órfãos recolhidos por missionários da Consolata nas florestas próximas às aldeias junto às quais atuavam. Essa afirmação se ancora no fato de que, de acordo com o padre Perlo (1922 e 1923), alguns desses órfãos, ao chegarem à idade adulta, contraíram matrimônio e construíram suas casas no entorno das missões. Essas casas teriam dado início à fundação de aldeias católicas, nas quais seria formada a “nova elite católica kikuyu”.

A demonstração dessa hipótese será feita a partir da análise de documentos produzidos pelos missionários da Consolata, uma congregação católica italiana, dentre os quais se incluem relatórios sobre as realizações da missão, cartas e diários, alguns deles publicados na revista La Consolata (um instrumento de divulgação dessa congregação), que serão confrontados com relatos de viajantes, administradores coloniais, textos de etnólogos, historiadores e demais pesquisadores cujo trabalho foi dedicado ao contexto estudado.

Palavras-chave: novas elites não oficiais, Quênia, missionários da Consolata, alteridade, antropologia.

 

 

 

ESTRATÉGIAS IDENTITÁRIAS E DEMANDAS POLÍTICAS ENTRE POVOS INDÍGENAS EM PERÍMETRO URBANO

Luciana Marinho de Melo  Doutoranda em Antropologia – Programa de pós-graduação em Antropologia – Universidade Federal do Pará marinhodeluciana@gmail.com

 

A presente discussão se situa na atribuição de contornos políticos às alteridades de grupos étnicos residentes em perímetros urbanos, tomando como foco de análise os povos indígenas na cidade de Boa Vista, capital do Estado de Roraima, situado no extremo-norte do Brasil. O objetivo do artigo é refletir acerca da construção de demandas sociais pautadas da legitimidade e visibilidade identitária em face aos agentes do Estado. Como eixo argumentativo para o desenvolvimento do debate, parto da percepção de que o reconhecimento do pertencimento étnico, bem como o auto-reconhecimento, é negado perante a sociedade civil e poder público, em seus amplos setores, o que exclui os indivíduos que se identificam enquanto indígenas da participação em políticas públicas. Como forma de dialogar, negociar e pressionar tais agentes, iniciou-se um processo de engajamento e consequente empoderamento político de indígenas pertencentes à diferentes grupos étnicos situados em Roraima, onde passaram a construir objetivamente estratégias no sentido da visibilidade e reconhecimento de suas alteridades na cidade. Essas estratégias circundam, basicamente, a criação de movimentos sociais voltados para a defesa dos sujeitos em questão, a apropriação da linguagem e aparelhos burocráticos, a construção de espaços de sociabilidades específicos em contexto urbano, entre outros.

Palavras-chave: Indígenas da cidade; Identidade política; Etnicidade.

 

 

CABOCLOS: POPULAÇÃO DIFERENCIADA SOCIAL E CULTURALMENTE

 

Onete da Silva Podeleski. Historiadora, Mestre em Agroecossistemas e graduanda em Antropologia. Departamento de Antropologia – Centro de Filosofia e Ciências Humanas. Universidade Federal de Santa Catarina; podeleski@hotmail.com

 

Esta reflexão traz breves apontamentos sobre a categoria ou termo “caboclo” no meio rural, entendendo esses como um grupo diferenciado socialmente e culturalmente, apoiando-se em estudo de caso, realizado na comunidade rural de Taquaruçu, no município de Fraiburgo, na região oeste de Santa Catarina, em 2013, junto aos Remanescentes da Guerra do Contestado. Nesta região, os remanescentes do Contestado, descendentes de caboclos tinham uma orientação de vida dedicada à subsistência familiar. A sua relação com a terra não era de acumulação, e sim dos meios de subsistência garantindo o atendimento das necessidades do seu núcleo familiar, as relações com a floresta como medicina, a criação de animais a solta, não se apropriando de práticas capitalistas de produção comercial com fins lucrativos, predominando as trocas. A partir de pesquisa bibliográfica se traz aportes sobre a formação da população cabocla na região Sul do Brasil, aqui como uma categoria historicamente estigmatizada, principalmente por questões étnico-raciais e práticas culturais diferenciadas.

Palavras-chaves: Caboclos, Guerra do Contestado, Práticas Culturais e Sociais diferenciadas; Questões étnicas.

 

 

POLÍTICAS DE RECONHECIMENTO, ANTAGONISMOS SOCIAIS E MEDIAÇÃO

Renata Medeiros Paoliello. Faculdade de Ciências e Letras. Universidade Estadual Paulista

 

A pesquisa focaliza o problema das relações entre mediadores e beneficiários das políticas de reconhecimento, em particular em comunidades remanescentes de quilombos. Tais políticas orientam-se para o equacionamento da heterogeneidade social e cultural, direcionando-a ao Estado nacional. No entanto, o Estado não é homogêneo, rebatendo-se em seu âmbito as lutas sociais. Isto é notório nesses contextos em que distintas agências atuam, com agendas e orientações diversas sobrepondo-se, e freqüentemente entrando em conflito no que diz respeito à tradução das demandas localizadas aos termos dos seus projetos e programas.  Tais contextos são, assim, plurivocais e, ao mesmo tempo, exigem a compatibilização entre demandas diversas e a intencionalidade unificadora do Estado. Aqui, são entendidos como contextos de mediação intercultural, como proposto por Paula Montero, de acordo com a qual o termo interculturalidade remete a processos político-culturais nos quais se observam práticas discursivas que produzem realidades sociais, e os atos de nominação e classificação com intenção performativa do Estado dependem da produção do acordo entre os grupos em interação, nos processos de auto-identificação como quilombolas.

Entender como esses processos vêm acontecendo empiricamente conduziu a pesquisa às situações de produção de laudos, relatórios técnicos, textos programáticos e demais produções textuais, bem como à observação de práticas organizativas e relações cotidianas com as agências, em algumas áreas remanescentes do médio Ribeira de Iguape. Agregou, ainda, uma elaboração comparativa em relação a uma forma institucionalizada de mediação intercultural junto ao judiciário francês, estudada durante um período de participação nos seminários do Laboratório de Antropologia Jurídica de Paris.

 

 

QUILOMBOLAS DE MUNDO NOVO: CAMPESINOS Y TRABAJADORES

 

Rodrigo Domenech de Souza. Mestrando em Ciências Sociais - UNIFESP (Brasil); rodrigo.domenech@yahoo.com.br 

 

A presente comunicação busca analisar o processo sócio-histórico de autorreconhecimento da comunidade de Mundo Novo, comunidade negra rural localizada no município de Areia, Estado da Paraíba, Brasil, em sua construção e agenciamento enquanto categoria social de comunidade quilombola, de acordo com direitos estabelecidos em legislação.

Tendo como base a caracterização da história social da comunidade, a análise do o grupo quilombola de Mundo Novo propõe contribuir para a discussão acerca da constituição histórica das categorias sociais, da afirmação de identidades e das instâncias ‘tradicionais’ de organização e interação coletivas, em um contexto de conflito fundiário.  

Palavras-chave: populações tradicionais; quilombos; comunidade rural; identidade.

 

 

QUANDO O NEGRO VIRA O “OUTRO”?  CONVERGÊNCIAS E DIVERGÊNCIAS DA CIÊNCIA E DA POLÍTICA NA PRODUÇÃO DE DISCURSOS RACIAIS A PARTIR DOS LIVROS DIDÁTICOS NO BRASIL 

 

Fabiano Dias Monteiro. Doutor em Antropologia Cultural (IFCS/UFRJ)

 

Ao longo do século XX,  pelo menos três grandes discursos foram erigidos sobre o negro e sua relação com o desenvolvimento da nação brasileira.

De elemento nocivo ao projeto civilizatório nacional, na versão de saberes como a antropologia criminal da virada do século XX, a componente central do projeto  miscigenacionista de inspiração freyreana, o negro (e a negritude) passa(m) a ser redimensionado(s) no imaginário nacional a partir da contribuição da sociologia brasileira pós-1950, quando questões como o papel do racismo na obliteração da ascensão social da população negra e a interpretação das desigualdades sociais em termos raciais passam a compor o repertório investigativo sobre as relações de cor no Brasil.    

A apresentação em tela tem como objetivo perscrutar o papel dos livros didáticos oficiais  (regulamentados pelo Programa Nacional do Livro Didático – PNLD) na composição de versões da brasilidade e da negritude e seu condicionamento a forças discursivas vezes originadas nos movimentos sociais, vezes informadas pelas ciências sociais – não se negligenciando a convergência entre esses dois campos.

 O material empírico utilizado na pesquisa consiste em livros didáticos adotados pela rede pública do estado do Rio de Janeiro e entrevistas realizadas com professores de ensino fundamental e médio que se constituem em um elemento chave de interpretação e ressemantização dos conteúdos. 

Palavras-chave: livros didáticos, brasilidade, identidades, Programa Nacional do Livro Didático – PNLD, desigualdades.

 

 

CONSTRUCCIÓN ESTATAL DE ALTERIDADES Y REPRESENTACIONES SOBRE LOS “OTROS” EN EL CONTEXTO DE LAS CONMEMORACIONES DE LOS BICENTENARIOS DE 2010 Y 2016 EN ARGENTINA

 

Laura Aylén Enrique. Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas (CONICET) - Universidad de Buenos Aires (UBA); aylenle@yahoo.com.ar

Luisina Inés Tourres. Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas (CONICET) - Universidad de Buenos Aires (UBA); luisinatourres@gmail.com

 

Las conmemoraciones de los doscientos años de la “Revolución de Mayo” en 2010 y de la “declaración de la independencia” a celebrarse en 2016 nos brindan un ámbito propicio para repensar aquello que se significa como o a lo que se atribuye rasgos de alteridad desde el estado argentino. Estos sucesos son evocados como hitos fundacionales de la nación y configurados de forma tal que parecieran emerger de un vacío atemporal. De forma paralela, la “historia oficial” ha fomentado y legitimado procesos de marginalización e invisibilización de actores sociales determinados, tales como los grupos indígenas y los afrodescendientes. Aquí nos proponemos indagar en los modos en que estos actores sociales son considerados y representados en una serie de obras de carácter monumental creadas en relación con las conmemoraciones de dichos aniversarios patrios. Entendemos que estas obras constituyen una expresión de las políticas estatales nacionales actuales y por ello el análisis de las mismas ofrece la posibilidad de reflexionar sobre ciertos silencios del pasado y de su reproducción en tanto “olvidos” presentes. Pensamos que estudiarlas como manifestaciones que además ponen en juego el reconocimiento o no de los grupos étnicos que formaron y forman parte de nuestra sociedad nos permitirá echar luz sobre las negociaciones de sentidos en torno a las diversas identidades mediante las cuales se (re)construyen los bicentenarios.

Palabras clave: bicentenarios, alteridades, conmemoraciones, olvidos, Argentina.

 

 

DE MIGRANTES AFRICANOS EN BUENOS AIRES A  AFRODESCENDIENTES ESCLAVIZADOS EN LA PROVINCIA DE CUYO. UN TRASLADO EN TIEMPO Y ESPACIO, MUDANDO DE CAMPOS DE SABER, PARA INDAGAR LA CONSTRUCCIÓN DE ALTERIDADES

 

Orlando Gabriel Morales. INCIHUSA-CCT CONICET-Mendoza Argentina; omorales@mendoza-coniet.gob.ar

 

Esta ponencia propone una reflexión teórico-metodológica acerca del investigador como constructor de alteridad a partir de poner en relación dos investigaciones distintas y sucesivas del autor, lo que implica en este caso un cambio de referentes empíricos (aunque enlazados por construcciones sociales y teóricas que recuperamos y debatimos) con traslado de contexto histórico y espacio geográfico, y mudanza de la antropología social a la microhistoria.

Referimos, por una parte, a un estudio de corte antropológico de las representaciones actuales de afrodescendientes y migrantes africanos en las ciudades de Buenos Aires y La Plata, a través de abordar interacciones personales de migrantes, producciones discursivas de afrodescendientes y discursos de medios de prensa acerca de ambos grupos.

Por otra parte, a un micro análisis histórico que restituye prácticas de integración social y representación de africanos y afrodescendientes esclavizados y libertos en la Provincia de Cuyo (actuales provincias de Mendoza, San Luis y San Juan, Argentina) en la primera década del período independiente (1810-1820).

Esta relación atiende al hecho de que se trata de producciones de conocimiento en una coyuntura multiculturalista de reconocimiento y visibilización de los afrodescendientes; también al registro de un debate abierto, al menos en el campo de los estudios afrolatinoamericanos en Argentina, en torno del papel del sector académico en la construcción de la histórica invisibilidad de estos grupos.

Palabras clave: afrodescendencia, construcción de alteridad, subalternidad, invisibilización académica, multiculturalismo.