RESUMEN GRUPO DE TRBAJO 45

GT 45. TRANSFORMAÇÕES DO ESPAÇO AMERÍNDIO NA AMÉRICA DO SUL

Coordinadores:

José Glebson VieiraUFRN, Brasil; jglebson@gmail.com

Susana de Matos Viegas, ICS, Portugal; susanadematosviegas@gmail.com

Marta Amoroso, USP, Brasil; mramoroso@usp.br

 

 

Sesión 1: Política indigenista e agência indígena

 

 

POLÍTICAS DE POBLACIÓN ENTRE LAS PARCIALIDADES CHIRIGUANAS DE LA INTENDENCIA DE COCHABAMBA A FINALES DEL SIGLO XVIII

 

Muriel Morgan (Facultad de Filosofía y Letras. Universidad de Buenos Aires); muriel_morgan@hotmail.com

 

Hacia finales del siglo XVIII, gran parte de las parcialidades de los indómitos chiriguanos habían sido reducidas. Este proceso, comenzado en el siglo XVII, recrudeció en el marco de las políticas del reformismo borbónico, que buscaron asegurar y consolidar sus fronteras internas. Sin embargo, el establecimiento de las reducciones estuvo marcado por levantamientos y resistencias, particularmente porque la posición de las distintas parcialidades frente al Estado colonial y las órdenes religiosas no fue uniforme. Por este motivo, paralelamente a las políticas de carácter asimilacionista, se desarrollaron proyectos que proponían la continuidad del enfrentamiento bélico y el establecimiento de campañas de dominación y exterminio. A su vez, estas reducciones chiriguanas formaron parte de un conflicto jurisdiccional. En efecto, la región que ocuparon fue disputada por la ciudad de Santa Cruz de la Sierra, cuyo Obispo solicitaba su traspaso, y la ciudad de Chuquisaca, que fue apoyada por la orden franciscana. A partir del análisis de distintos proyectos diseñados para las poblaciones indígenas que habitaban los márgenes orientales de la Intendencia de Cochabamba, buscamos establecer que éstas no sólo respondieron a la imposición de políticas establecidas por el Estado colonial, sino también a las distintas relaciones mantenidas entre las diferentes parcialidades chiriguanas y los colonizadores españoles. En este sentido proponemos que la heterogeneidad al interior de los grupos chiriguanos influyó en los diferentes vínculos con los colonizadores españoles, lo que se tradujo en el diseño de distintos proyectos.

Palabras claves: Reformismo borbónico – políticas de población – Poblaciones indígenas.

 

 

 

 

 

PADRINHOS E PRESENTES: RELAÇÕES DE COMPADRIO E ESTRATÉGIAS INDÍGENAS NO ALDEAMENTO SÃO PEDRO DE ALCÂNTARA (PARANÁ/BRASIL, 1855-1895)

 

Maicon Fernando Marcante (Mestre em História Social pelo Programa de Pós-Graduação em História, da Universidade Federal do Paraná/Brasil) -mfmarcante@gmail.com

 

O presente trabalho resulta de análises sintetizadas em minha dissertação de mestrado, defendida na área de História Social, voltadas às relações de compadrio tecidas por indígenas aldeados no aldeamento São Pedro de Alcântara, o qual localizava-se no norte da província do Paraná/Brasil no período entre 1855 e 1895. Este empreendimento – constituído no âmbito da política indigenista imperial brasileira – contava com a atuação do missionário frei Timóteo de Castelnuovo no investimento dos sacramentos católicos aos aldeados e ao longo do tempo abrigou indígenas das etnias Kaingang e Guarani (subgrupos dos Kaiowá e dos Ñandeva). Parte expressiva dos indígenas aldeados, em particular dos subgrupos Guarani, recebeu o sacramento batismal e os registros destes batismos constituem a principal fonte documental mobilizada. Empregando como recurso metodológico o rastreamento nominativo de agentes específicos no conjunto das fontes documentais, o objetivo foi o de apreender a atuação dos aldeados frente ao sacramento batismal e à instituição do compadrio e, a partir disso, cotejar as formas e as estratégias de inserção das distintas etnias junto ao aldeamento São Pedro de Alcântara. Inicialmente apresenta-se breve discussão bibliográfica sobre o batismo de indígenas e uma descrição dos aspectos gerais dos registros de batismo utilizados na pesquisa. Em seguida expõem-se as análises compreendendo lideranças, famílias e parentelas indígenas que foram identificadas e rastreadas na documentação. Finalmente, apresenta-se o cotejamento das estratégias de atuação e inserção das etnias indígenas no referido aldeamento depreendidas a partir das análises das relações de compadrio tecidas.    

Palavras-chave: indígenas aldeados; compadrio; relações inter-étnicas; política indigenista imperial.

 

 

OS BRINDES COMO PONTO DE SUTURA – PRESENÇAS E AÇÕES INDÍGENAS E A DOAÇÃO DE BRINDES DO SERVIÇO DE PROTEÇÃO AOS ÍNDIOS (SPI)

Lucybeth Camargo de Arruda. Professora da Universidade Federal do Oeste do Pará/UFOPA; lucybeth.arruda@gmail.com

 

O exercício desta comunicação será feito a partir da análise de imagens e de documentação do SPI nos anos iniciais da década de 1940. Nos primeiros planos das fotografias está um evento/solenidade de entrega de brindes para índios do Xingu, dentro do espaço do Posto de Atração Simões Lopes que, também, abrigava índios Bakairi. Esse encontro, de funcionários e índios, é proporcionado e mediado pelos brindes/presentes. De início vamos pontuar a corporificação do ato em si que foi montado pela Inspetoria Regional 06 e pela Delegacia Regional do SPI e tentar ir além, para pensar sobre os movimentos de ir e vir; de ir, estar e sair do posto indígena e/ou da aldeia. Pois, a análise aqui pretendida, entende que a doação de brindes revela a relação, revela um dos pontos de sutura (Conforme Lefebvre (2000) que fora bastante praticado dentro dos postos. A partir dessa articulação, a documentação do Serviço, contribui para trazer outras ações e agências indígenas demonstrando a mobilidade e outras relações dos índios do Xingu dentro e fora do posto.

Palavras-chave: Encontro colonial, Posto Indígena Simões Lopes (SPI), Brindes, Presenças e ações indígenas, Índios do Xingu e Bakairi.

 

 

ESPAÇOS DE LUTA E CONFRONTAÇÃO. DESAPROPRIAÇÃO TERRITORIAL INDÍGENA NO SUL DE MATO GROSSO DO SUL 1940 – 1960

José Manuel Flores. Pós-doutorando, Centro de Estudos Rurais/CERES - Departamento de Antropologia, Universidade Estadual de Campinas/UNICAMP, Brasil; floreslopezjm@hotmail.com

 

Na presente ponencia se descrevem os conflitos territoriais guaranis no sul do estado de Mato Grosso do Sul entre as décadas de 1940 e 1960. Propõe-se estudar como um processo simultâneo as formas de luta indígena e a formação do Estado nacional brasileiro. Dentro desta perspectiva, os grupos dominados e as elites são formados em relação uns aos outros em um contexto – um campo de força – caracterizado por lutas desiguais de poder e por apropriações, expropriações e transformações recíprocas. Este marco metodológico pretende ir além das interpretações predominantes baseadas em concepções essencializadas da cultura indígena e em noções acríticas e reificadas de conceitos como “Estado” e “resistência” e, desta maneira, contribuir com novos argumentos ao debate sobre movimentos territoriais indígenas na região.

 

 

DESLOCAMENTOS COMPULSÓRIOS DE POPULAÇÕES INDÍGENAS NO PERÍODO MILITAR: ESPECULAÇÕES PRIMEIRAS

 

Edilene Coffaci de Lima. Professora do Departamento de Antropologia da UFPR e Pós-doutoranda na USP; edilene.c.lima@gmail.com

 

Sabemos hoje sobre a história dos índios no Brasil bem mais do que há pouco tempo atrás, não só porque aumentou significativamente o número de antropólogos, mas porque nas duas últimas décadas um impulso foi dado à história indígena. É preciso indicar, contudo, que esse impulso seja mais intensamente concentrado nos períodos colonial e imperial. E tal lacuna é tão expressiva que faz com que talvez possamos falar sem muito pudor que hoje conhecemos um tanto mais sobre o que se passou com os índios no período colonial e no Império que sobre anos recentes. Sabemos menos ainda, se quisermos insistir, sobre os últimos 50 anos, o que inevitavelmente abrange não só o período republicano, mas particularmente o período militar.   A recente divulgação do relatório da Comissão Nacional da Verdade permitiu mostrar o quão pouco conhecemos. Assim, nesta comunicação irei tratar dos deslocamentos compulsórios de populações indígenas que se deram no período militar, particularmente nos primeiros anos da década de 1970. Não são poucas as populações removidas e algumas delas ensaiaram fazer o retorno às suas terras originárias. Não é possível ainda ser mais exaustiva, começo apenas agora a tatear a temática. De todo modo, irei tratar aqui, a partir de pesquisa bibliográfica, de três casos que me parecem emblemáticos da violência perpetrada naquele período: são os casos dos Tapaiuna, dos Kaiabi e dos Ofaié-Xavante, o primeiro e o último falantes de uma língua do tronco Macro-Jê e os Kaiabi de uma língua tupi-guarani. Os três separados por centenas de quilômetros e inúmeras diferenças em suas histórias particulares, mas com a coincidência do deslocamento de suas terras originárias. O lema “integrar para não entregar”, menos que um jogo de palavras, supunha a expansão das frentes de colonização que, inevitavelmente, alcançavam os índios em duplo (e dúbio) sentido.

 

 

NUEVOS ESCENARIOS PARA LA ETNOGRAFÍA MBYÁ GUARANÍ EN ARGENTINA

Noelia Enriz (CONICET- UBA)

Alfonsina Cantore (UBA)

Clara Boffelli (UBA)

 

Las investigaciones etnográficas con población mbyá guaraní en el territorio argentino se iniciaron hace menos de cuatro décadas y han tendido a dar cuenta de la totalidad sin perder el eje en ciertos tópicos.  En la última década se pone de manifiesto un aumento creciente de las indagaciones y consecuentemente la ampliación de los tópicos que se abordan. En este texto nos proponemos sistematizar la actual situación de los estudios etnográficos con población mbyá guaraní en Argentina en el período mencionado,  estableciendo cruces entre autores, relaciones entre temáticas de estudio y marcos de investigación. Pero al mismo tiempo, nos proponemos poner de manifiesto cómo se expresan en las investigaciones las transformaciones que la población mbyá guaraní atraviesa actualmente en el territorio argentino. Metodológicamente, este texto se nutrirá de otras textos etnográficos publicados en la última década, relativos a población mbyá guaraní de Argentina, de autores argentinos. Estas investigaciones serán interpeladas a la luz de los propios trabajos de campo en curso, realizados por las autoras.

 

 

Sesión 2: Paisagem, território e territorialidade

 

 

ESCOLA, PARENTESCO E TERRITÓRIO: O QUE NOS DIZEM OS TUPINAMBÁ DE OLIVENÇA/BA

José Valdir Jesus de Santana. Professor da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia; santanavaldao@yahoo.com.br

Clarice Cohn. Professora adjunta da Universidade Federal de São Carlos; clacohn@ufscar.br

Neste trabalho interessa-nos apresentar como e por que os Tupinambá de Olivença fazem escola e do como esta tem se tornado central na produção de pessoas fortes na cultura, na atualização e produção de parentesco, aparentamento e no estar na cultura, como costumam afirmar. Dessa forma, interessou-nos pensar como o estar na cultura e tornar-se forte na cultura vão sendo produzidos a partir da escola e das relações que esta possibilita e articula, tanto interno quanto externamente, no movimento que multiplica a escola pelo Território Indígena, em especial pelas áreas de retomadas. Esta distribuição nos permitirá ver como se organizam, hoje, as escolas, mas também o movimento atual pelo território, pelas retomadas e como as escolas estão ligadas a ele, uma vez que este movimento aciona a produção de parentesco, de pessoas fortes na cultura e o estar na cultura, como já referido.

Palavras-chave: Escola – estar na cultura - parentesco - território

 

 

PAISAGENS MURA NO BAIXO MADEIRA. O CASO SAPUCAIOROCA

 

Marta Amoroso. Professora do Departamento de Antropologia e do CESTA – USP; mramoroso@usp.br

 

A apresentação focaliza as transformações no espaço tomadas enquanto heterotopias panameríndias, que nos remetem a uma apreensão do mundo vivido dos Mura, através de sua inserção no panorama das filosofias amazônicas descritas pela etnologia. Em foco, narrativas que conectam no tempo coletivos mura e que se reportam a determinados lugares identificados na região da Amazônia meridional banhada pelo sistema hidrográfico do rio Madeira. Em trabalhos anteriores (M. Amoroso 2013) partiu-se de narrativas contemporâneas sobre lugares associados a eventos xamânicos, como o surgimento de aldeias junto a portais de pedra, que associam a humanidade às entidades que habitam o plano subterrâneo do cosmos. Nesta apresentação, para além da dimensão do espaço - constitutivo da pessoa nos Mura, pretende-se focalizar narrativas sobre tempos passados, como as do lugar Sapucaioroca, no rio Madeira, registros que se abrem para distintas chaves interpretativas. De um lado, são registros da territorialidade de antigos aldeamentos mura do século XIX, indiciários de políticas públicas voltadas para índios na região. De outro, são narrativas sobre eventos xamânicos de ampla notoriedade entre os Mura, que refletem sobre malocas rituais e seus regimes de alteridade.

Palavras-chave: Mura, Amazônia, territorialidade, corporalidade, xamanismo.

 

 

HISTÓRIAS DE ALMOFALA: UMA APROXIMAÇÃO ETNOGRÁFICA SOBRE TERRA E TERRITÓRIO

Janaína Ferreira Fernandes. Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade de Brasília; jffernandes@gmail.com

 

O presente trabalho trata a respeito da análise de alguns mitos e narrativas orais encontrados entre os Tremembé do Ceará. Tais narrativas giram em torno de discursos sobre Almofala, local considerado como terra “por excelência” daqueles índios, a partir do qual vivências e experiências sobre a etnicidade têm sido criadas e transformadas. As narrativas a serem trazidas para debate colocam em evidência o processo colonizador da região e as interações daquele povo com o Estado, culminando na construção da Igreja Nossa Senhora da Conceição de Almofala e a doação das terras para o empreendimento missionário ali existente até o século XIX. O objetivo central é compreender as narrativas sobre a história dos Tremembé e de Almofala a partir de um viés que leve em consideração a diferenciação entre a ideia de território como lugar de ocupação tradicional do espaço por povos indígenas, objeto de luta política e de delimitação e demarcação, e a noção de terra como elemento de uma relação simbiótica entre pessoas e suas vivências sensoriais. Esta última noção, a ser priorizada no trabalho, será elaborada a partir dos discursos e narrativas Tremembé, nos quais o contato com frentes colonizadoras e a imposição de formas espaciais burocratizadas são elaborados, dentro da mitologia e da história indígenas, à luz dos elementos que constituem a vivência sensorial e perceptiva das pessoas que experienciam Almofala como sua terra.

Palavras-chave: Narrativas. Povos Indígenas. Território. Terra. Colonização.

 

 

ENTRE CIDADES E ALDEIAS: AS PAISAGENS E OS ESPAÇOS DE RECIPROCIDADE NA CONFIGURAÇÃO DO TERRITÓRIO KAINGANG

 

Alexandre Aquino. Doutorando em Antropologia Social, PPGAS-UFRGS; antropoaquino@gmail.com

 

Analiso o contexto etnológico e histórico que relaciona a territorialidade kaingang às transformações decorrentes do surgimento dos primeiros núcleos urbanos que se estabeleceram em seu território tradicional. A partir de uma releitura de documentos históricos, Tommasino e Motta (2002) observaram que essas relações foram constituídas seguindo a lógica existente entre parentes e afins no âmbito do grupo local, a qual se estende para incorporação de coisas e pessoas provenientes do mundo dos brancos em seu circuito de reciprocidade. Estes processos contrastam com etnografias realizadas por diversos autores nas aldeias do planalto, que se pautaram por uma compreensão exclusiva do espaço aldeão, e envolvem acampamentos no contexto urbano – inicialmente orientados para produção e venda de artesanatos, mas que, posteriormente, se constituíram em aldeias, com infraestrutura semelhante às Terras Indígenas demarcadas (escola, igrejas, “centros culturais”, entre outros). Para tanto, discute-se a interação entre espaços virtuais e aldeias, observada por Tommasino (1999) na reivindicação de um sítio ancestral na cidade de Chapecó, para compreender a reivindicação do Morro do Osso, em Porto Alegre. Em ambos os casos, as distintas paisagens configuram o território e tem implicações específicas para o incremento das relações sociais e políticas, bem como para os aspectos sociocosmológicos e o conteúdo das narrativas na busca por uma “terra antiga”. Nesta última região, verifica-se uma série de técnicas rituais, envolvendo as capacidades de liderança e do xamanismo na (re)constituição do ideal aldeão e suas respectivas mediações na relação com diversos outros, que interagem na relação entre a aldeia e a cidade.

Palavras chaves: Territorialidade kaingang, narrativas, rituais, paisagens urbanas e aldeias.

 

TERRITÓRIO E TERRITORIALIDADE DOS POTIGUARA DO RIO GRANDE DO NORTE

Bruno Ronald Andrade da Silva. Doutorando em Antropologia Social da UFRN; operabruno@hotmail.com

José Glebson Vieira. Professor do Departamento de Antropologia da UFRN; jglebson@gmail.com

 

Os índios Potiguara da aldeia Sagi/Trabanda, localizada no município de Baía Formosa no estado do Rio Grande do Norte (Brasil), organizam-se politicamente desde o início da década DE 2000. Sua principal pauta de reivindicação em torno de direitos diferenciados assenta-se na regularização fundiária de seu território. No presente ano (2015), depois de quase quinze anos de mobilizações, esses índios obtiveram uma importante conquista em prol desse objetivo: o estabelecimento via FUNAI (Fundação Nacional do Índio) de um Grupo Técnico (GT), para os estudos de identificação e delimitação de suas terras. Dentro dos procedimentos jurídicos necessários para a regularização de uma terra indígena, essa etapa significa um primeiro e importante passo para esse fim. O propósito deste comunicação é entender como os Potiguara estão a elaborar suas noções de um território indígena a partir de suas apropriações de determinadas categorias jurídicas concernentes ao modelo de identificação e delimitação de uma terra indígena pelo Estado brasileiro. Nesse processo, por exemplo, emergem distintas ideias, produzidas tanto pelos índios como pelos pesquisadores do GT, acerca do que é “necessário à reprodução física e cultural” dos povos inseridos nesse pleito. Assim, propõe um debate acerca da relação/tensão entre a dimensão da territorialidade e a natureza da terra indígena a partir da experiência entre os Potiguara de Sagi/Trabanda.

Palavras-chaves: território, territorialidade, tradicionalidade, Potiguara.

 

 

REDUÇÃO POPULACIONAL, MISTURA E DIFERENCIAÇÃO ENTRE OS MATIPU E NAHUKWÁ: TRANSFORMAÇÕES PÓS-CONTATO

 

Diogo Henrique Cardoso (UNICAMP); di.henriquecardoso@gmail.com

Antonio Guerreiro Junior (UNICAMP); d116634@dac.unicamp.br

 

Até o começo do século XX, os Matipu e Nahukwá, dois povos falantes de língua Karib e habitantes do complexo multiétnico e multilíngue do Alto Xingu (Parque Indígena do Xingu, MT), viviam em aldeias distintas e pertenciam, cada um, a diferentes blocos no interior do subsistema karib (um Kuikuro-Matipu e outro Kalapalo-Nahukwá). Quando a Expedição Roncador-Xingu alcançou o rio Kuluene, em 1946, já encontrou estes povos muito reduzidos, e, após a epidemia de sarampo de 1954, cada um deles contava com cerca de 15 indivíduos. Na tentativa de se reorganizarem, reuniram-se em uma mesma aldeia, onde conviveram até meados da década de 1980. Após uma série de conflitos, os Matipu se separaram e criaram uma aldeia própria. Nos anos 2000, questões ligadas ao dilema da “mistura” e da “pureza” emergiram e as aldeias Matipu e Nahukwá se dividiram novamente, dando origem a pequenos grupos chefiados por homens considerados como os únicos “chefes puros” destes povos. O objetivo desta pesquisa de Iniciação Científica é analisar o depoimento de um descendente destes chefes, que abdicou de sua posição e cuja complexa trajetória de vida condensa os principais eventos envolvendo os Matipu e Nahukwá nos últimos 70 anos. Trançando fenômenos de ordem cognitiva e discursiva, envolvidos no ato de narrar indígena, com as dinâmicas socioculturais dos povos do Alto Xingu, esta pesquisa visa contribuir para o entendimento dos fenômenos políticos que intervêm na produção de pessoas e de coletivos no interior de uma rede multiétnica em transformação.

Palavras-chave: Etnologia Indígena, políticas ameríndias, biografias indígenas, Matipu, Nahukwá.