RESUMEN GRUPO DE TRBAJO 44

GT 44.  GÊNERO, SEXUALIDADE, IDADE/GERAÇÃO E INTERSECÇÕES COM OUTROS MARCADORES SOCIAIS DA DIFERENÇA

Coordinadores:

Prof. Dr. Julio Assis Simões (Departamento de Antropologia, FFLCH, USP); julio.assis.simoes@gmail.com

Prof. Dr. Ernesto Meccia (Profesor Regular en la Universidad de Buenos Aires y la Universidad Nacional del Litoral); ernesto.meccia@gmail.com

Prof. Dr. Carlos Eduardo Henning (Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social, UFG); carloseduardohenning@gmail.com

 

 

Sessão 1: Curso da Vida, Transformações Sociais, Sexualidade e Gênero

 

 

IMAGINATE DOS VIEJOS CHOTOS” EXPERIENCIAS FESTIVAS Y PROCESOS DE ENVEJECIMIENTO DE VARONES HOMOSEXUALES EN LA CIUDAD DE CÓRDOBA (ARGENTINA)

Agustín Liarte Tiloca. Instituto de Humanidades/CONICET – UNC; agustinliarte@hotmail.com

 

La presente ponencia parte de una pesquisa etnográfica centrada en formas de producción de subjetividades en eventos nominados fiestas de osos, organizados mensualmente en un bar de la ciudad de Córdoba. Estos encuentros apuntaban a un llamamiento hacia varones que se sintiesen autoidentificados con la categoría oso o atraídos por la misma, esbozada durante el trabajo de campo como portadora de una presentación de sí masculina, en detrimento de otras formas del devenir varón homosexual vistas como afeminadas. Para muchos de sus participantes, este espacio y sus celebraciones significaron una oportunidad de volver a salir una noche de fin de semana, puesto que en otros locales comerciales percibían una sensación de incomodidad que los (auto)excluía, tanto por su edad como por su porte físico. Dichos establecimientos eran concebidos -en su mayoría- como boliches para pendejos. En este sentido, a través de observaciones participantes durante las fiestas y entrevistas biográficamente centradas con algunos de sus asistentes, me propongo en esta instancia indagar acerca del entrecruzamiento entre ciertos marcadores sociales de la diferencia. En otras palabras, me pregunto por cómo los sujetos construían una experiencia festiva a partir de sus trayectorias nocturnas y sus representaciones sociales en relación a la edad, la sexualidad y el erotismo.  

Palabras Clave: Noche – Experiencia Festiva – Envejecimiento – Homosexualidad – Osos.

 

 

 

 

 

 

LÉSBICAS, ENTENDIDAS, SAPATONAS E SANDALINHAS: QUANDO AS PALAVRAS QUESTIONAM AS REPRESENTAÇÕES

 

Andrea Lacombe- Pagu/Unicamp

 

O presente trabalho tem como objetivo compreender a relação entre  sociabilidade e ativismo lésbico no que tange às autodenominações, enquanto categorias identitárias e políticas, acionadas por mulheres que se relacionam sexo-afetivamente com outras mulheres dentre 40 e 70 anos, nas cidades de São Paulo e Buenos Aires. O que acontece quando sujeitos que se autodefinem politicamente como lésbicas interpelam, a partir desse lugar, outras mulheres que também mantêm relações homoafetivas, mas rejeitam essa palavra como modo de autodenominação? Os termos utilizados mudaram no decorrer das trajetórias de vida dessas mulheres? Quais são os que escolhem e quais os motivos para utilizá-los? O correlato entre as categorias de auto-referencialidade e o tipo de sociabilidade que esses sujeitos desenvolvem permite enxergar uma trama de sentidos que têm os regimes de visibilidade/invisibilidade como ponto nodal. Esse correlato é uma pista importante para pensar os lugares por onde passariam as pontes que alinhavam linhas de sentido nas narrativas sociopolíticas entre ambos países.

Tentarei achar, nos relatos, marcas visíveis sobre a influência das moralidades dos diferentes períodos sócio-históricos (ditaduras e democracias pré e pós ditaduras) nos modos de vivenciar as relações homoafetivas e às mudanças nos regimes de visibilidade/invisibilidade nas trajetórias de vida, relacionados com as novas legislações de direitos para o coletivo LGBT.

Palavras chave: 1-lesbianismo; 2-regimes de visibilidade /invisibilidade; 3-curso de vida.

 

 

HOMOSSEXUALIDADE E JUVENTUDE NA COMUNIDADE DE HELIÓPOLIS, SÃO PAULO, BRASIL: REFLEXÕES SOBRE AS TENSÕES EXISTENTES ENTRE CONCEITOS E PRÁTICAS DE PREVENÇÃO AO HIV/AIDS

Carolina Mazzariello. USP

 

A epidemia de HIV/Aids está avançando progressivamente entre a população jovem homossexual. Diante desse cenário, parto da minha pesquisa de mestrado, em fase inicial, realizada com jovens de camadas populares, que mantém relações homoafetivas, para argumentar sobre as tensões existentes entre conceitos e práticas das políticas públicas brasileiras de prevenção ao vírus HIV. Substituída pelo conceito de vulnerabilidade, a categoria grupos de risco deixou de orientar a prevenção à Aids, a partir de então entendida sob a ótica dos direitos humanos. No entanto, é possível pensar que à medida que o termo vulnerabilidade é utilizado para enfatizar que todas as pessoas estão suscetíveis ao vírus, algumas populações perdem o foco da atenção. Soma-se a isso o avanço de camadas conservadoras e religiosas, que compõe as equipes responsáveis por formular as políticas, e que dificultam a produção de campanhas e materiais de prevenção voltados para a população homossexual. A epidemia de aids não é igualitária, os grupos populacionais não vivem da mesma forma e não enfrentam os mesmos dilemas. Por isso, a necessidade de se levar em conta que os cruzamentos de diferentes eixos de desigualdade, como, por exemplo, a pobreza e a desigualdade de gênero são fatores essenciais para pensar a epidemia de hiv/aids. Nesse sentido, refletir sobre as tensões entre conceitos e práticas de prevenção é levar em conta a existência de diferentes processos de subjetivação, influenciados por distintas e hierarquizadas relações de poder, além da diversidade de modos e contextos em que ocorrem as práticas sexuais e eróticas.

Palavras chave: jovens; homossexualidade, HIV/Aids, políticas de prevenção, Heliópolis.

 

 

APESAR DE TUDO, EU SOU UMA DAS POUCAS TRAVESTIS SOBREVIVENTES DA MINHA GERAÇÃO

Francisco Jander de Sousa Nogueira. Universidade Federal do Piauí – UFPI; jander.sociosaude@gmail.com 

Emylio César Santos da Silva. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUCSP; emylios@gmail.com

 

Este estudo apresenta reflexões acerca dos processos de envelhecimento e da velhice na travestilidade. Busca-se analisar a partir das narrativas biográficas (KOFES, 2001), os sentidos e os significados que são atribuídos aos seus corpos. Na velhice travesti, elementos sociais e culturais passam a questionar a existência de uma ordem cronológica, geracional e biológica, mesmo não as negando completamente. As travestis que de alguma maneira estão ligadas à prostituição, quando sobrevivem às ruas e à violência, vão construindo outros espaços de sociabilidade. Ainda que marcadas pelo silêncio e pela invisibilidade, elas constroem alguns subterfúgios, o que as permitem transitar com mais fluidez e exercerem suas práticas sexuais. Este estudo etnográfico foi produzido a partir de uma pesquisa de campo em Fortaleza e em Lisboa. Neste sentido, nota-se que os corpos das travestis acabam por se apresentar como campos de fluxos e intensidades que nos faz hesitar de toda verdade que para si são traçadas. Tencionam limites. Fissuram estruturas. Fendem sentidos e rom­pem com a linearidade que os interpela, e que a velhice e o envelhecimento podem ser lugares de contestação privilegiados das normas de gênero e da sexualidade.

Palavras-chave: Travestilidade; Gênero; Velhice; Itinerários Corporais e Sociais.

 

 

A MARIA-HOMEM DO PANTANAL: ENVELHECIMENTO, CONDUTAS HOMOSSEXUAIS E REGIMES DE VISIBILIDADE

 

Guilherme R. Passamani. Doutorando em Ciências Sociais (IFCH-Unicamp). Professor do Curso de Ciências Sociais da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul; grpassamani@gmail.com

 

Esta investigação problematiza a intersecção entre envelhecimento, memória e condutas homossexuais em duas cidades de pequeno e médio porte na região do Pantanal de Mato Grosso do Sul, nas cercanias da fronteira com a Bolívia. O universo de interlocutores é composto por uma gama variada de pessoas com condutas homossexuais, entre 52 e 82 anos, pertencentes a diferentes camadas sociais. Através de uma metodologia qualitativa, envolvendo a observação de situações, entrevistas semi-estruturadas e conversas informais, procurou-se analisar trajetórias, curso da vida, perfil sociológico, e entre outras características destes sujeitos. Descreve-se, assim, a complexa engenharia a edificar as relações e práticas entre as pessoas com condutas homossexuais que criam ou tensionam marcadores de diferença social. Entre os principais resultados obtidos está a discussão sobre temporalidades a partir da contraposição entre experiências passadas e presentes; sobre regimes de visibilidade com os quais os sujeitos estão dialogando; e, sobre o modo como o curso da vida, particularmente, juventude, envelhecimento e velhice podem ser representados e experienciados em contextos urbanos distantes das grandes cidades. Para esta comunicação, problematizo a trajetória da interlocutora Soninha (54 anos), por meio da qual, podemos perceber muitas das questões acima expostas.

Palavras-chave: condutas homossexuais, envelhecimento, curso da vida, regimes de visibilidade, memória.

 

 

DE AFETOS, DIFERENÇAS E SUPERAÇÕES: SUBJETIVIDADES E TRANSFORMAÇÃO SOCIAL ENTRE HOMENS HOMOSSEXUAIS EM SÃO PAULO

Gustavo Santa Roza Saggese. Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP); gsrsaggese@gmail.com

 

Com base em entrevistas realizadas, entre 2011 e 2013, com homens homossexuais de meia-idade residentes na cidade de São Paulo, este trabalho se propõe a investigar suas histórias de vida, especialmente no que diz respeito aos afetos. Atravessados por discursos que apresentam uma trajetória marcada pelo sofrimento no que concerne ao manejo da própria orientação sexual, esses relatos revelam a angústia decorrente de um autorreconhecimento numa época em que o suporte social para sua validação era ainda muito tímido. Ao mesmo tempo, parece haver uma segurança subjetiva cada vez maior em relação à experiência da homossexualidade na esfera das relações pessoais, sendo frequentes as disparidades que os interlocutores apontam entre o modo como viviam no passado e as possibilidades das quais podem desfrutar no presente. Tais histórias contêm elementos interessantes para pensar processos coletivos de transformação, entrando em jogo experiências amorosas, relações familiares e a inserção em determinadas redes de amizade.

Palavras-chave: homossexualidade, afetividade, geração, transformação social.

 

 

MEMÓRIA E TRAJETÓRIAS INDIVIDUAIS: NOTAS SOBRE CAMPO DE POSSIBILIDADES, PROJETOS E EXPERIÊNCIAS GERACIONAIS

 

Jainara Gomes de Oliveira [NIGS/PPGAS/UFSC] Doutoranda em Antropologia Social pelo Programa de PósGraduação em Antropologia Social [PPGAS] da Universidade Federal de Santa Catarina [UFSC]; Pesquisadora do NIGS Núcleo de Identidade de Gênero e Subjetividades da UFSC; Bolsista de doutorado do CNPq.; gomes.jainara@gmail.com

 

Tarsila Chiara Albino da Silva Santana [NAVIS/PPGAS/UFRN] Mestranda em Antropologia Social pelo Programa de PósGraduação em Antropologia Social [PPGAS] da Universidade Federal do Rio Grande do Norte [UFRN]; Pesquisadora do NAVIS Núcleo de Antropologia Urbana e Visual da UFRN; Bolsista de mestrado da CAPES; tarsila.chiara@gmail.com

 

Nesta comunicação pretendemos analisar, sob a ótica da categoria geração, como diferentes indivíduos vivenciam suas experiências homoeróticas no espaço urbano das cidades de João Pessoa e Recife, localizadas nos Estados da Paraíba e de Pernambuco, respectivamente, ambos situados n a Região Nordeste do Brasil. Para tanto, apresentamos as trajetórias e biografias individuais de Pedro (45 anos, negro) e Luiza (40 anos, negra), ambos de camadas médias, assim, a partir das teias de significados que estes indivíduos conferem as suas experiências homoeróticas, procuramos ressaltar como estas experiências são organizadas nas suas curvas de vida, projetos e campo de possibilidades. Deste modo, pretendemos apontar para a ampliação do campo de autonomia destes indivíduos em uma sociabilidade dada e como estes negociam a realidade concreta, de modo a perceber a margem de manobra e o potencial de metamorfose destes indivíduos no jogo de interação entre projetos e campo de possibilidades. As experiências geracionais de Pedro e Luiza, por sua vez, serão analisadas a partir do compartilhamento por códigos de significados particulares, de modo que buscamos entender quais os sentidos que estes indivíduos atribuem ao lugar que a sexualidade possui na conformação das suas trajetórias individuais. Para findar, os resultados que serão analisados, na presente comunicação, foram produzidos a partir dos trabalhos de campo realizados nas duas cidades elencadas, no período de 2012 a 2015.

Palavras chave: Campo de possibilidades; projetos; experiências geracionais; trajetórias

individuais; homoerotismo.

 

 

NASCE UMA ESTRELA? JEJÉ DE OYÁ OU COMO “UM GAY ASSUMIDO, NEGRO E POBRE” REINOU EM COLUNAS SOCIAIS DE CUIABÁ

 

Moisés Lopes. Professor do Departamento de Antropologia da UFMT; Coordenador do GPAC – Grupo de pesquisas em Antropologia do Contemporâneo: Sujeitos, sociabilidades e visualidades; Coordenador do NAPlus – Núcleo de Antropologia e Saberes Plurais/UFMT; sepolm@gmail.com

 

Partindo do projeto “Reconstruindo a história do movimento LGBT na Baixada Cuiabana: Narrativas de ativistas e construção de subjetividades políticas” que busca trazer à tona narrativas de sujeitos LGBTs e de integrantes do movimento LGBT com o fim de reconstruir a história deste movimento em Cuiabá e a influência de marcadores sociais da diferença neste processo, esta comunicação tem como objetivo abordar as narrativas sobre “Jejé de Oyá”, um colunista social gay e negro de Cuiabá, e as representações sobre a (in)tolerância à LGBTs nessa cidade. Cumpre salientar a relevância desta pesquisa, ainda em desenvolvimento, que tem por objetivo romper o vácuo bibliográfico referente à realidade do movimento LGBT na cidade de Cuiabá. Vale lembrar que este município foi considerado junto com Manaus, a capital mais homofóbica do país segundo o Relatório Anual de Assassinatos de Homossexuais no Brasil (2013) produzido pelo GGB e, de acordo com os dados do 2º Relatório Sobre Violência Homofóbica (2012) da SDH/PR, o estado que ocupa a 2ª Posição no ranking nacional de violações praticadas contra sujeitos LGBTs. Assim, apesar desse cenário de intensa violência direcionada à LGBTs emerge a representação de um passado recente mais receptivo a “diversidade sexual”, que se altera com a chegada de migrantes do sul e sudeste que trazem consigo os preconceitos e a violência oriunda das grandes cidades. Jejé de Oyá, nesse cenário emerge como um personagem ímpar que catalisa a representação de “Éden tropical” de tolerância à LGBTs vivida em Cuiabá nos finais do século XX.

Palavras-Chave: Sexualidades, diferença, tolerância e homofobia.

 

 

 “SAINDO DO ARMÁRIO”– A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE GAY EM TRÊS GERAÇÕES

Murilo Peixoto da Mota – sociólogo, Doutor em Serviço Social pela Escola de Serviço Social da UFRJ; murilomota@nepp-dh.ufrj.br; muriloufrj@gmail.com

Ana Paula Santoro P. de Carvalho Almeida -  Advogada

Alexandre N. Mathias França – Psicóloga

Diego da Silva Santos – Psicólogo

Yuri J. Magalhães Simão – Psicólogo

Trata-se de uma pesquisa em andamento que tem por objetivo estudar os processos sociais de afirmação da identidade sexual de homens gays tomando-se como objeto de análise as histórias do “sair do armário”. Buscar-se analisar o contexto social e sexual no qual os entrevistados deram visibilidade ao desejo homossexual no espaço público. Contextualiza-se o fato do “armário” definir-se pela falta de amparo social e garantias de possibilidades de aceitação social em relação homossexualidade e a tolerância às diferenças sociossexuais. Assim, o “armário” representa não só a proteção pelo silêncio, mas também atesta a prática subjetiva de todo um contexto social heteronormativo permeado pela violência simbólica fortemente caracterizada por homofobia. Nesta pesquisa, as análises das influencias sobre os recentes movimentos sociais que envolvem lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais que se pressupõe impactarem a subjetividade desses homens serão aprofundados. A partir de uma metodologia de pesquisa qualitativa com tópicos de questões semiestruturados, estão sendo realizadas entrevistas com indivíduos pertencentes a três recortes etários que representaram todo um contexto geracional, homens entre as faixas etárias: 19 e 30 anos, 31 e 40 anos e com 50 anos. Tais indivíduos são moradores na capital da cidade do Rio de Janeiro, pertencentes a camadas médias no âmbito de diversos níveis educacionais e são abordados a partir de redes de amizades que possam caracterizar a diversidade de entrevistados em diversos segmentos social e econômico.

Palavra chave: Geração, homossexualidade; Identidade Gay.

 

DA “ARTE DE PECAR” AO “REFÚGIO DOS ANJOS”: RESISTÊNCIAS, HOMOSSEXUALIDADES E AMIZADES EM UM BAR NA “PERIFERIA” DE BELÉM

Ramon Pereira dos Reis. Doutorando em Antropologia Social – PPGAS/USP. Bolsista FAPESP; ramonreis@usp.br; ramonrei@gmail.com

 

A presente etnografia faz parte de um projeto de doutorado, em curso, sobre sociabilidades homossexuais nas “periferias” de São Paulo e Belém. Para este paper, lanço mão de um percurso espaço-temporal com vistas a compreender como se articulam homossexualidades, amizades, e a noção êmica de resistência presentes no espaço de sociabilidade homossexual mais antigo de Belém, localizado em um dos bairros de “periferia” mais populosos da capital paraense, o Guamá. Em 2015 o bar, popularmente conhecido como bar da Ângela (mesmo nome da proprietária), completará 19 anos. Cabe notar que durante esses anos, a história do bar, inclusive a mudança de nome – de “A arte de pecar” para “Refúgio dos Anjos” -, possui íntima relação com a maneira pela qual a proprietária maneja laços familiares, sexualidade, amizades, relações com a polícia, o respeito e a popularidade. Mapeio, assim, três momentos que servirão de suporte para a constituição, permanência e visibilidade do bar no cenário de sociabilidade homossexual belemense, procurando articula-los aos marcadores sociais recorrentes nesse espaço, tais como: classe, sexualidade, gênero, idade/geração, “raça”/cor. Portanto, acredito que a existência e resistência do bar da Ângela, na “periferia” de Belém, me possibilita uma maior compreensão sobre as homossexualidades que ali se estabelecem, bem como da constituição de determinadas trajetórias e amizades. Etnografar esse bar é sobretudo perceber as transformações da cidade tomando como ponto de partida a “periferia” pela chave da sociabilidade homossexual.

Palavras-chave: Amizades. Belém. Homossexualidades. “Periferia”. Resistências.

 

 

Sessão 2: Narrativas, Curso da Vida e Relações de Gênero

 

 

DESPERTEMOS EL INSTINTO”: UN DIÁLOGO ENTRE REFLEXIONES ANTROPOLÓGICAS FEMINISTAS SOBRE TALLERES DE PARTO Y MATERNIDAD EN EL ÁREA METROPOLITANA DE BUENOS AIRES

 

Gaitán, Ana Cecilia (UBA-UNSAM) ce_gaitan@yahoo.com.ar

Jerez, Celeste (IIEGE-CAF)  celestemjerez@gmail.com

 

En sintonía con investigaciones que han analizado las relaciones de género y la sexualidad en su entrecruzamiento con otros clivajes identitarios, esta ponencia busca aportar al conocimiento respecto de cómo el proceso de parto y la maternidad, se encuentran complejamente atravesados por diversos marcadores sociales. En este sentido, la actual presentación se centra en un diálogo entre dos investigaciones feministas y de corte etnográfico. Una de ellas aborda la descripción de dos agrupaciones que atienden a la cuestión del parto pero desde diferentes enfoques de género y con diferencias de clase y, la otra, analiza cómo ciertas regulaciones sobre la maternidad y sexualidad de jóvenes de sectores populares se (re)producen en el marco de la implementación de un taller de educación maternal impartido por el Estado. El objetivo de esta ponencia es, a través de la puesta en diálogo de ambas investigaciones, trazar algunos lineamientos acerca de cómo la clase social, el género y la edad, inciden en la construcción de normatividades respecto de cómo transitar el parto y ser madre. Es decir, recuperando los aportes del(os) feminismo(s) respecto de la interseccionalidad, se trata de analizar cómo los discursos que circulan en dichos talleres, relacionados con el parto y la maternidad e impartidos en el Área Metropolitana de Buenos Aires, establecen pautas de regulación respecto de las conductas de las mujeres destinatarias, a la vez que, condicionan las posibilidades de representar la diversidad de formas de experimentar ser mujeres.

Palabras clave: diálogo- parto- maternidad- interseccionalidad- feminismo.

 

 

PAPEIS DE GÊNERO E VIVÊNCIAS DE MULHERES IDOSAS: ENTRE MUDANÇAS E/OU PERMANÊNCIAS

Carla Maria Lobato Alves. Doutoranda do PPGCSoc da Universidade Federal do Maranhão; carlamaria125@hotmail.com 

 

Este estudo analisa processos de mudanças e/ou permanências nos papeis de gênero a partir das vivências familiares de quatro mulheres, na faixa etária de 64 a 79 anos, que participam dos grupos Gerenciamento do Envelhecimento Natural (GEN) e Universidade da Terceira Idade (UNITI), ambos localizados na cidade de São Luís-Maranhão. Através da articulação entre Memória e da História de Vida, enquanto recursos técnico-metodológicos, aquelas mulheres resgatam reminiscências, registram variados contextos percorridos ao longo da vida e destacam diferenças entre os modos nos quais homens e mulheres são socializados diante dos “padrões sociais” de conduta de cada época. Desse modo, foi possível perceber mudanças e/ou permanências nos papeis de gênero em vivências no casamento/outras formas de conjugalidade, na criação e orientação dos filhos, netos e bisnetos, nos cuidados com a saúde, no conhecimento de mudanças corporais e em práticas da intimidade. Nesse sentido, em alguns momentos aquelas mulheres registram que o sistema de demarcações dos papeis de gênero aparece de modo polarizado e fixo (preconizando o masculino e o feminino a atributos demarcados como opostos e excludentes), e em outros projetam mudanças traçadas, ao longo da passagem do tempo, nas práticas cotidianas (devido ao contato com os diversos espaços em que transitam na contemporaneidade). Assim, em alguns casos a flexibilização dos papeis de gênero é ressaltada como positiva, e em outros, como negativa. Essa avaliação depende, em suma, dos referenciais religiosos, familiares e morais que direcionam as vivências daquelas quatro mulheres idosas.

Palavras-chave: Mulheres, Velhice, Memória e Papeis de Gênero.

 

 

 

 

 

 

"HAY UN ANTES Y UN DESPUÉS DE LA VARIG": UNA APROXIMACIÓN ANTROPOLÓGICA A LOS RELATOS DE VIDA DE AZAFATAS DE LA VARIG

Carolina Castellitti. PPGAS, Museu Nacional (UFRJ); doctoranda, becaria CAPES; carocastellitti@yahoo.com.ar

 

Las mujeres que querían ser azafatas de la Varig en los años 1970-80 debían pasar por una variedad de observaciones y pruebas. Para tener derecho a una entrevista, debían por lo menos tener el secundario completo, algún conocimiento de idioma extranjero, "un peso acorde a su altura", y una bonita sonrisa. Después del ingreso y de algunos meses de un exigente curso de preparación, comenzaban una "carrera" que les prometía un buen salario, un atractivo régimen de promociones y la oportunidad de "conocer el mundo". Una vez adentro, la aviación es como la "cachaça", ellas afirman: no se puede abandonar. Sin embargo, toda la estabilidad, el "glamour" y los beneficios de trabajar en una de las mayores empresas brasileñas del siglo XX, acabaron con la quiebra de esa compañía, en agosto de 2006. Actualmente, estas mujeres tienen entre 50 y 60 años, y continúan trabajando dentro y fuera de la aviación, según las oportunidades que tuvieron de reinsertarse profesionalmente. Algunas están conformes con sus profesiones actuales, otras no tanto; pero para todas la "época de la Varig" fue la mejor de sus vidas. En esta comunicación, basada en las primeras impresiones del trabajo de campo para mi investigación de doctorado, pretendo reflexionar sobre cómo el género y la edad son marcadores sociales relevantes en esas trayectorias. Propondré una lectura antropológica exploratoria de experiencias y percepciones ligadas al trabajo, la conyugalidad y la maternidad, el cuerpo, la juventud y la vejez, según como estos temas comienzan a aparecer en los relatos de vida.

 

 

DE LA CHICA TRANQUI AL GATO: RECORRIDOS IDENTITARIOS EN DOS CAMPOS DE TRABAJO ETNOGRÁFICO

 

Celeste Bianciotti; celestebianciotti@yahoo.com.ar

Sandra Ruiz; sadra_li@hotmail.com

Programa Subjetividades y Sujeciones contemporáneas, Centro de Investigaciones de la Facultad de Filosofía y Humanidades, Universidad Nacional de Córdoba. CIFFyH– UNC

 

En este trabajo nos proponemos trazar algunos modos de clasificación jerarquizantes de adscripción estético/erótico/moral utilizados y reproducidos por mujeres jóvenes heterosexuales universitarias de sectores medios que formaron parte de dos investigaciones distintas realizadas paralelamente entre 2011 y 2013 en la ciudad de Córdoba, Argentina.

Una de estas etnografías registró un conjunto de ofertas sexuales destinadas a varones heterosexuales y trabajó con mujeres autodefinidas “escorts” que prestaban servicios sexuales y/o de acompañamiento, mientras que la segunda etnografía se propuso comprender modos específicos de sujeción y subjetivación femenina por medio del estudio de performances de seducción de mujeres jóvenes.

Estas mujeres compartían pertenencias etarias, de clase y de grado de escolarización, pero unas desarrollaban performances erótico-sexuales en el marco de relaciones mercantilizadas mientras que las otras performaban la seducción y el erotismo socialmente. Al poner en diálogo las investigaciones, encontramos que a pesar de esta no menor particularidad de unas jóvenes respecto de las otras, ambos grupos desplegaban iguales figuras estereotipadas tales como “el gato”, “la perra”, “la puta” y “la trola”. Los dos campos abordados parecían estar regulados bajo la misma lógica de representación: dichas categorías, de marcado carácter acusatorio y denigratorio, eran estratégicamente utilizadas para definir a otras jóvenes mientras que quien enunciaba, escort o no, se autodefinía como la chica “tranqui” o “normal” que se ajustaba, aunque no siempre exitosamente, a los ideales regulatorios de la feminidad contemporánea. De esta manera, categorías como “trola”, “perra”, “puta” y “gato” se establecían en función de la categoría identitaria de referencia: “la chica tranqui” o “normal”, la cual determinaba los parámetros y las  condiciones de comparación que ubicaban a las otras con un valor negativo.

Poniendo en diálogo, entonces, los dos campos de estudio intentaremos responder, aquí: ¿cómo se sujetaban estas jóvenes a dichas categorías?, ¿cómo se subjetivaban por intermedio de las mismas?, ¿pueden pensarse, éstas, como dispositivos erótico/estético/morales diferenciadores y disciplinantes?

Palabras clave: categorías identitarias, subjetividad, modos de clasificación estético/erótico/moral, mujeres jóvenes.

 

 

NARRATIVAS BIOGRÁFICAS DE MULHERES AUTORAS DE VIOLÊNCIA: SUBORDINAÇÃO E PROTAGONISMO

Hermílio Santos. Doutor pela Freie Universität Berlin, coordenador do CAES-PUCRS (Centro de Análises Econômicas e Sociais) e professor e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da PUCRS; hermilio@pucrs.br. Artigo elaborado no âmbito de pesquisa financiada pelo CNPq (PQ)

 

O envolvimento de mulheres em ações violentas e atividades criminosas cresce no Brasil, de acordo com dados do Conselho Nacional de Justiça - CNJ. O artigo discute a relação entre mulheres e violência no Brasil, chamando a atenção para as principais interpretações disponíveis nas ciências sociais brasileiras, que enfatizam, por um lado, a posição secundária da mulher, dominadas por seus parceiros masculinos e, por outro lado, para as condições estruturais da sociedade brasileira – por exemplo, desigualdade, incerteza no mercado, uso de drogas e evasão escolar – como as principais razões para esse fenômeno. Além desses aspectos, a literatura acentua a posição da mulher como vítima de ações violentas, praticamente monopolizando a análise quando o tema de violência e mulheres é abordado.

Uma outra ênfase dada nas abordagens mais influentes parece ser aquelas interpretações que acentuam o rompimento de normas e regras legais, negligenciando desta maneira outro componente da prática da violência, ou seja, uma interpretação subjetiva da realidade. O artigo apresenta as principais posições encontradas na pesquisa em andamento, ou seja, entre subordinação e protagonismo no papel exercido por mulheres, com ênfase aqui a um caso que expressa protagonismo. Os resultados preliminares demonstram que narrativas biográficas permitem obter novos elementos para analisar o problema pesquisado, em que o papel da mulher como vítima e autora não são sempre bem definidos. Os estudos disponíveis sobre o tema podem ser divididos em dois grupos: o primeiro deles se dedica exclusivamente a analisar o problema da violência contra a mulher, que compõe uma vasta produção; o segundo grupo, menos frequente, identifica o papel da mulher em ações violentas como sendo subordinado ao protagonismo masculino ou seduzido por um “ethos da masculinidade”. Mais recentemente, pode-se identificar estudos, em especial na literatura internacional, que apontam para diferentes formas de protagonismo feminino em ações violentas, sobretudo em ações politicamente motivadas. O artigo pretende contribuir para a compreensão do envolvimento da mulher com ações violentas no Brasil nos anos mais recentes, mas que raras vezes tem merecido a atenção de pesquisadores.

 

 

DINHEIRO, AFETOS E HORIZONTES DE ASPIRAÇÃO: OS USOS DAS MÍDIAS DIGITAIS POR MULHERES POBRES NO BRASIL

 

Lara Rodrigues Facioli. Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar); larafacioli@yahoo.com.br

 

Este trabalho é fruto de uma pesquisa de mestrado terminada e de um doutorado em andamento. O objetivo dessa proposta é analisar a ressignificação da experiência de subalternidade tal qual experenciada, principalmente, por mulheres das classes populares que se relacionam em rede por meio das mídias digitais no país. Pretendo compreender como este fenômeno é vivido pelos sujeitos em um entrelaçamento de mudanças político-estruturais no mundo econômico e do trabalho e de novas formas de comunicação em rede. Direciono-me a promover uma observação do uso das mídias digitais como tecnologias de si, uso este que aponta para novas formas de subjetivação que interseccionam diferenças de classe, raça, gênero e sexualidade, dentre outras. Minha hipótese central é que estes sujeitos vivenciam momentos de transformações intensificados nos últimos anos e apresentam experiências permeadas por uma tensão entre sua origem subalterna e novas realidades materiais e simbólicas. Para isso realizo pesquisa etnográfica mediada e multisituada tanto em plataformas e aplicativos constituidores das redes sociais como o Facebook, o site Bolsa de Mulher, grupos criados via whatsapp - aplicativo de conversas dos smartphones; como em ambientes off-line que compõe o cotidiano de sujeitos, no caso, a Baixada Fluminense e a região pobre da Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro, espaços com público que interessa ao recorte desta pesquisa. Penso as mídias digitais como tecnologias de si (Lauretis, 1994) por meio das quais se pode manter ou modificar concepções de feminilidade, masculinidade, heterossexualidade, homossexualidade, relações afetivas, intimidade, projetos de aspiração, dentre outros. Por meio delas os sujeitos compartilham vivências e experiências em um contexto possibilitador de melhorias das condições de vida, mas ainda permeado por incertezas e inseguranças.

Palavras-chave:marcadores sociais da diferença, mídias digitais, tecnologias de si.

 

 

APUNTES SOBRE TRAYECTORIAS DE MUJERES EN MUNDOS MUSICALES DE LA CIUDAD DE CÓRDOBA (ARGENTINA)

 

María Sol Bruno (IDH/CONICET- Universidad Nacional de Córdoba); maríasolbruno@yahoo.com.ar

 

Como parte de nuestro proyecto de doctorado, analizamos un conjunto de producciones musicales que tuvieron lugar en la ciudad de Córdoba durante la década de 1980. Las sonoridades de las que nos ocupamos tenían diferentes nominaciones, como música contemporánea, progresiva, latinoamericana o de fusión e incluían un amplio abanico que iba desde el rock al folklore, pasando por el jazz o el punk. Nuestra investigación busca reconstruir ciertos circuitos de divertimento juveniles y analizar consumos culturales ligados a la producción de las sonoridades que organizaban ciertos mundos de la noche. En el análisis de estos mundos del arte nos dimos con una recurrencia, las mujeres ocupaban una posición subalterna. Raramente llegaban a ser artistas, e incluso cuando lo hacían aparecían invisibilizadas. Las mujeres tampoco eran dueñas de locales ni participaban en la producción musical como técnicas de sonido y grabación. Proponemos abordar cómo fue significado el papel de las mujeres a partir de algunas trayectorias puntuales, ya sea como público, artistas o en otros espacios relevantes de los mundos de arte que investigamos.

Palabras Clave: músicas, subjetividades, juventudes.

 

GÊNERO E VELHICE EM UMA COMUNIDADE MINERADORA DO NORTE DO CHILE, INCA DE ORO

Pamela Jorquera Álvarez. Doutoranda Antropologia Social Universidade Federal de Rio Grande do Sul, Brasil; pjorquera@facso.cl

O trabalho problematiza as formas de ser homem e mulher em idosos de uma localidade mineradora localizada na região norte do Chile, Inca de Oro. Esse vilarejo contem uma forte atividade económica mineradora tradicional ou artesanal, conhecida como pirquinería. A ideia de base do trabalho é que a forma de extração do mineral – ouro - condiciona diferentes manifestações socioculturais como é o gênero e a velhice. Nas palavras de Guita Debert (1999), falar da periodização da vida a partir da Antropologia é mostrar como um processo biológico é investido culturalmente. Algumas pesquisas efetuadas em comunidades mineradoras (Viezzer, 1978; Gascho, 1982; Eckert, 1985; Vivallos, 2007; Cioccari, 2011, Eckert; 2012) mostram que estas comunidades caracterizam-se por uma cultura própria ligada à história, à identidade gerada em torno do trabalho minerador e do produto de extração. Aspectos próprios dessa cultura giram em torno às condições de trabalho, perigo e risco de acidentes, problemas de saúde crônica, salários baixos além das transformações que devem enfrentar, como as mudanças no cenário nacional e mundial. Nesse contexto, existe uma tendência de compreender as categorias de gênero a partir de uma visão tradicional, com forte presencia de obrigações e papeis a ser cumpridos por ambos gêneros bem como as expectativas sobre as formas de ser idoso ou idosa. Desta forma, objetivo mostrar como as categorias do gênero e da velhice apresentam dimensões próprias nos idosos que moram no povoado atualmente, as quais encontram-se além das visões tradicionais predominantes no vilarejo.

Palavras chaves: Gênero, velhice, mineração, trabalho, pirquinería.

ENVELHECER NO FEMININO: IMAGENS E NARRATIVAS MIDIÁTICAS CONTEMPORÂNEAS SOBRE CORPORALIDADES E SEXUALIDADES DE MULHERES EM PROCESSO DE ENVELHECIMENTO

Rodolfo Moraes Reis. Doutorando, PPGAS/Unicamp

 

Neste trabalho pretendo explorar, a partir de uma seleção de textos midiáticos publicados em sites de notícia na internet, uma série de construções narrativas produzidas sobre o envelhecimento feminino, refletindo a respeito dos diversos elementos semânticos acionados para tratar desta questão. Os principais pontos a serem discutidos serão: a valorização da beleza e da estética corporal como marco do projeto de envelhecimento feminino; a revisão da concepção de que a sexualidade feminina se encerraria após o climatério, durante a maturidade e velhice, baseando-se em um ideal essencializado da natureza do corpo feminino; e o modelo relacional de sexualidade feminina que pressupõe um diálogo constante com o olhar desejante masculino. Dialogando com a produção acadêmica que analisa os novos valores e códigos que dão sentido ao envelhecimento, bem como com as pesquisas que tratam das especificidades que os marcadores de gênero trazem às discussões sobre as classificações e relações etárias e geracionais, pretendo mapear este campo discursivo com suas convenções e tensionamentos. Buscarei refletir em que medida as concepções de maturidade feminina pensadas como tradicionais continuam exercendo papel decisivo na apreciação moral das novas trajetórias de envelhecimento de mulheres, a despeito dos modelos mais individualistas e igualitários propagados na contemporaneidade. Esse empreendimento está assentado na ideia de que os textos a serem analisados não somente informam os seus leitores, mas também atuam na constituição e circulação dos sentidos atribuídos ao envelhecimento, constituindo-se, portanto, em uma fonte de extrema relevância para a investigação antropológica.

Palavras-chaves: envelhecimento, gênero, corporalidade, mídia.

 

 

VOCÊS NÃO FODEM? A GENTE FODE, MAS NÃO CHEGA A ARRANCAR A PELE DA PICA! NOTAS DO DIÁRIO DE CAMPO SOBRE SEXO E RELAÇÕES DE GÊNERO NA PESCA DA TAINHA DE ENCANTADAS 

 

Simone Frigo. Doutoranda do PPGAS\UFSC

 

A proposta aqui apresentada está sendo formulada no campo, literalmente onde estou no momento realizando mais uma etapa de minha pesquisa de doutorado intitulada “Gênero, Ambiente e Técnica na Pesca da Tainha de Encantadas, Ilha do Mel (Paraná – Brasil)”. Em meio ao turbilhão de vivências, reflexões e anotações próprias do período de campo, uma das questões que chamam minha atenção são as piadas, brincadeiras e “causos” que abordam os temas sexuais e as relações de gênero. Arrisco dizer que a dinâmica das piadas, brincadeiras e “causos” é constituinte da socialidade cotidiana no acampamento de pesca. “A gente fode, mas não chega a arrancar a pele da pica” é a conclusão de um “causo” que me foi contado sobre uma pescadora que não conhecia preservativos. Durante um lanço de tainha (técnica de pesca), ao limpar os peixes, ao lenhar (cortar ou buscar lenha), ao mariscar (retirada e processo de limpeza e cozimento do marisco), ou, mesmo nos momentos de descanso, a jocosidade é a característica que marca grande parte das relações na pesca da tainha de Encantadas. Assim, proponho entremear meus registros do diário de campo apresentando algumas piadas, brincadeiras e “causos” como forma de exprimir algumas de suas relações afetivas, como falam sobre sexo e, também, quais os limites para este tipo de discussão. 

Palavras-chave: Gênero; sexo; pesca.

 

 

Sessão 3: Interseccionalidade, Marcadores Sociais da Diferença e Curso da Vida

 

 

UMA FEMINISTA INCOMODA MUITA GENTE, UMA FEMINISTA NEGRA INCOMODA MUITO MAIS: A MILITÂNCIA COMO FORMA DE ENFRENTAMENTO DO ESTIGMA DE COTISTA NA UFSC

 

Eveline Pena da Silva. Graduada (2009) em Comunicação Social – Publicidade e Propaganda, pelo Centro Universitário Franciscano/UNIFRA – Santa Maria/RS, mestre em Ciências Sociais (2014), pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal de Santa Maria/UFSM – Santa Maria/RS e doutoranda do Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas da Universidade Federal de Santa Catarina/UFSC – Florianópolis/SC; evelinepena@yahoo.com.br

Luzinete Simões Minella. Graduada (1972) e mestre em Ciências Sociais (1977) pela Universidade Federal da Bahia/UFBA – Salvador/BA, doutora (1989) em Sociologia pela Universidade Nacional Autônoma do México/UNAM – Cidade do México, realizou o pós-doutorado (1998) na Universidade Estadual de Campinas/UNICAMP – Campinas/SP, professora aposentada da Universidade Federal de Santa Catarina/UFSC – Florianópolis/SC; simoesluzinete@gmail.com

 

O presente trabalho foi elaborado a partir de um recorte temático da proposta de tese que pretende, através de uma abordagem etnográfica, interdisciplinar e de gênero, com algumas contribuições teóricas da história, da sociologia e da antropologia, realizar um estudo comparativo envolvendo as mulheres negras dos cursos de medicina e engenharia civil, ambos extremamente concorridos, contrapondo com as estudantes dos cursos de enfermagem e serviço social, entendidos no senso comum como “menos prestigiados”, que ingressaram através da Política de Cotas nos anos de 2015 e 2016 na UFSC e na UFBA. Essas mulheres sofrem diversos tipos de preconceito e discriminações, afinal, além de já serem discriminadas pelo fato de serem cotistas, estas mulheres, negras, de baixa renda, muitas vezes também sofrem preconceito e discriminação com relação à sua aparência (traços fenotípicos, tom de pele, textura dos cabelos), o que, em muitos casos, pode gerar uma crise e uma negação da identidade negra. Somado a isso, existe toda uma questão financeira, que em muitos casos faz com que estas mulheres sejam forçadas a abandonar os cursos, em função da necessidade de trabalhar para sustentarem a si mesmas, e não raro, a família toda, já que muitas dessas estudantes são também mães, majoritariamente solteiras, o que faz com que toda a responsabilidade sobre a educação e as despesas dos/as filhos/as recaiam sobre elas. A partir de dados preliminares, pode-se perceber que uma das vias de enfrentamento utilizadas por essas mulheres negras cotistas é a militância e o feminismo negro.

Palavras-chave: Política de Cotas; Mulheres Negras; Feminismo Negro.

 

 

ENTRE O JORNALISMO MUSICAL E O TRANSE: GÊNERO, RAÇA E SEXUALIDADE NAS CANÇÕES DE LECI BRANDÃO

 

Fernanda Kalianny Martins Sousa. Mestranda em antropologia social no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social na Universidade de São Paulo – PPGAS/USP; fernanda.kalianny.sousa@usp.br

 

O presente artigo foi produzido a partir de questões e problemáticas que têm sido levantadas em minha pesquisa de mestrado, em andamento, intitulada “A filha da Dona Lecy: estudo da trajetória de Leci Brandão”. Selecionada como interlocutora por apresentar um percurso peculiar se comparada a outras mulheres de sua época, Brandão  com 40 anos de carreira, 22 álbuns e 2 DVDs gravados, pode ser destacada por ter sido a primeira mulher a ingressar na ala de compositores da escola de samba Mangueira; uma das primeiras artistas da Música Popular Brasileira a declarar ser homossexual para o público; e, por fim, ser a segunda mulher negra a tornar-se deputada estadual de São Paulo, em 2010 e reeleita em 2014. Nesse momento da pesquisa, tem-se notado o quanto Brandão articula em sua narrativa marcadores sociais da diferença como raça, gênero, classe social, geração e sexualidade, o que se faz presente também em suas composições. Pensando o momento em que compõe como um transe e considerando suas composições como retratos de suas experiências ou daquilo que observa, o objetivo principal desse texto é articular as entrevistas realizadas com Brandão e a análise da letra de suas canções para refletir de que modo o tema da sexualidade – que é atravessado por outros marcadores sociais da diferença – passa por modificações no decorrer de sua carreira.

Palavras-chave: trajetória, marcadores sociais da diferença, sexualidade, geração, samba

 

 

marcas da surdez: ALGUMAS REFLEXÕES

Maria Izabel dos Santos Garcia. Doutora/UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Profa Adjunta/UFF (Universidade Federal Fluminense) Brasil; misgarcia@hotmail.com

 

Os surdos ainda têm muito a nos dizer sobre suas práticas, sua modalidade de língua, suas crenças, valores e formas de organização. Esse trabalho pretende apresentar um pouco desse “mundo próprio” a partir de um breve recorte etnográfico. O mote principal foi o entendimento de como as redes de socialidade impuseram uma nova visibilidade da surdez/surdos, instituindo e gerando novas palavras de ordem e linhas de fuga em meio ao movimento social dos surdos brasileiros, que emergiu com força a partir do final dos anos 90, produzindo novos processos de minorização, de subjetividades atravessadas pelo emprego e a valorização da ideia de uma identidade/cultura/povo surdo como marca de um território que pretende – a partir da diferença marcada principalmente pelo uso da língua de sinais – alcançar a tão almejada acessibilidade aos bens culturais de uma sociedade em caráter de equidade. Como fruto de um movimento mundial, os surdos vêm criando diversos marcadores sociais, dentre eles o Dia do Orgulho Surdo que adota o uso da fita azul como símbolo da luta desse grupo social. Ao buscar entender o percurso dos movimentos sociais de surdos, é importante considerar a criação de marcadores territoriais – essencialmente linguísticos – e a adoção de novas palavras de ordem. Tal fato parece emergir da necessidade de dar certa visibilidade a um grupo social minoritário, no sentido atribuído por Guattari, e a partir daí forjar novas possibilidades de subjetivações. Como fruto de uma rede de socialidade crescente, a WFD (World Federation on the Deaf) propõe o Dia Nacional do Surdo. O objetivo declarado pela diretoria das instituições filiadas à WFD é que a consolidação de uma data de celebração construa uma memória na sociedade majoritária – de ouvintes – que incorpore os surdos. A WFD celebra a data no dia 30 de setembro e, no Brasil, foi escolhido o dia 26 de setembro de modo a provocar certo emparelhamento com a instituição que carrega muito da história dos surdos no país: o INES (Instituto Nacional de Surdos). Esse espaço educacional de surdos é, por si só, um outro elemento territorial e linguístico do grupo em questão. Importa deixar claro que, para a militância desse grupo social, é importante a participação das crianças e jovens surdos nas passeatas realizadas por ocasião dessas datas comemorativas e outros eventos. O entendimento é que ao observarem surdos adultos, membros da liderança ou não, bem como ouvintes que partilham os mesmos anseios, as crianças/jovens surdos possam ser afetados por suas ações e, com isso, se tornem membros ativos da comunidade. É importante ressaltar que para muitos surdos um evento fundamental em suas vidas é o encontro – pela primeira vez – com outros surdos. Assim, produzir novas experiências dentro das condições históricas da vida atual é apostar na emergência de subjetividades que causem rupturas em diversos pontos da rede de poder forjada pelos marcadores sociais.

Palavras-Chave: Surdo, Dia Nacional do Surdo, marcadores sociais, movimento social.

 

 

CUERPOS Y ESTÉTICAS. IDENTIFICACIONES, DIFERENCIACIONES Y JERARQUÍZACIONES ENTRE MUJERES JÓVENES

Marina Tomasini; Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas (CONICET) y Universidad Nacional de Córdoba, Argentina; marinatomasini@hotmail.com

Paula Bertarelli; Centro de Investigaciones de la Facultad de Filosofía y Humanidades. Universidad Nacional de Córdoba, Argentina; paubertarelli@hotmail.com 

María Gabriela Morales, Facultad de Psicología y Centro de Investigaciones de la Facultad de Filosofía y Humanidades, Universidad Nacional de Córdoba, Argentina; gmorales3969@yahoo.com.ar 

La ponencia presentará resultados parciales de un proyecto que investiga prácticas y experiencias de género y sexualidad en la sociabilidad escolar. En esta ocasión nos centraremos en las significaciones sobre una determinada estética corporal y cómo a partir de las mismas se construyen identificaciones, diferencias y jerarquías entre mujeres jóvenes. Para ello tomaremos como analizador las producciones discursivas generadas en grupos de discusión con estudiantes de escuelas secundarias de Córdoba (Argentina), a partir de la visualización de una imagen de Miley Cyrus. Esta actriz y cantante fue protagonista de la serie de Disney Channel Hannah Montana. Con el paso de los años su imagen fue cambiando desde una presentación “infantil” e “ingenua” hacia una mujer “sexy” y “transgresora”. 

En general en los grupos de discusión se reprueba la estética y las prácticas corporales de Cyrus; en particular aparece para las chicas como un referente con quien no pueden identificarse tras su transformación. Sin embargo valoran su figura en tanto, según dicen, ella ‘pone sobre la mesa temas que todos saben que hacen al adolescente’ y que desde el mundo adulto ‘suelen callarse o negarse’

En torno a las valoraciones y sanciones sobre la imagen de Cyrus se abre un conjunto de consideraciones sobre lo que podríamos denominar disidencias estéticas -en relación con guiones dominantes de cuerpo y moda en los casos estudiados – que permiten analizar las construcciones de sentido juveniles como también sus percepciones acerca de las regulaciones escolares de los cuerpos. A partir de la línea de análisis propuesta esperamos abordar una serie de sentidos en tensión sobre cuerpo, género y sexualidad de las mujeres jóvenes. 

Palabras Clave: Cuerpos – Estéticas - Mujeres jóvenes – Género – Sexualidad.

 

 

 “O CORPO TAMBÉM É POLÍTICO: REFLEXÕES EM FLUXO SOBRE CORPO, GERAÇÃO, CLASSE, ‘RAÇA’ E OUTROS MARCADORES SOCIAIS DA DIFERENÇA NA MARCHA DAS VADIAS DE GOIÂNIA/GO”

 

Paula Nogueira Pires Batista. Mestranda pelo Programa de Pós-graduação em Antropologia Social da Universidade Federal de Goiás – PPGAS/UFG, na linha de pesquisa “corpo, representações e marcadores sociais da diferença”;  paulanogueirajornal@gmail.com 

 

Esta proposta tem o objetivo de jogar luz e debater questões envolvendo as intersecções entre corpo, geração, sexualidade, formação acadêmica, “raça”, classe, entre outros marcadores, que trago em minha pesquisa etnográfica em curso, cujo objeto é a Macha das Vadias (MdV) da cidade de Goiânia/GO, no Brasil. Tais reflexões têm sido aferidas desde mapeamento de campo em 2014 junto às feministas organizadoras da marcha. Sua relevância pode ser pensada especialmente no sentido de que as Marchas das Vadias têm colocado o corpo em foco, o que demonstra a importância do corpo enquanto um objeto político para a geração de jovens mulheres universitárias, principalmente pós-1990. A partir disso, torna-se relevante uma análise que compreenda que assim como a segunda onda feminista, que trouxe o slogan “o pessoal é político”, uma terceira onda tomaria o corpo como elemento central. Em termos locais, a experiência da Marcha das Vadias de Goiânia é frutífera por suas especificidades periféricas de país latino-americano e estado situado à margem do centro político-cultural brasileiro, pois contrapõe críticas que afirmam que transnacionalmente a MdV seja composta apenas por mulheres detentoras de determinados privilégios, relacionados à formação acadêmica, “raça” e classe. Organizada também por mulheres periféricas, negras e mesmo sem título acadêmico, a marcha goiana inclusive mudou de nome em 2014 em razão de tais críticas, quando passou a ser chamada “Marcha das Libertas”, fato que representou uma ruptura significativa com a denominação “vadias” e trouxe implicações locais, as quais podem ser especialmente úteis para pensar aspectos de interseccionalidade. 

 

 

SOLIDÃO POR UMA ERÓTICA DAS DISTÂNCIAS NA JUVENTUDE CONTEMPORÂNEA

Raphael Bispo. Professor Adjunto do Instituto de Ciências Humanas da UFJF – Mestre e Doutor em Antropologia Social pelo Museu Nacional/ UFRJ – Pesquisador Associado do CESAP/ IUPERJ/ UCAM)

Oswaldo Zampiroli. Mestrando em Antropologia Social do Museu Nacional/ UFRJ – Pesquisador Associado do CESAP/ IUPERJ/ UCAM)

 

A associação entre juventude e solidão revela-se como algo improvável, remoto e disfuncional no âmbito da sociedade contemporânea e do espírito de época em que vivemos. Isto porque o convite quase que onipresente a que esta sociedade nos convoca – sobretudo no plano de sua população jovem – é o do gregarismo, o da conexão no plano da coletividade e da tendência permanente ao convívio interativo e partilhado. Nesse sentido, a presente comunicação – que compõe uma pesquisa coletiva mais ampla desenvolvida no âmbito do CESAP/ IUPERJ/ UCAM – tem como objetivo central encontrar as “solidões” tal como vividas pelas “juventudes”, percebendo em tal experiência emocional uma via privilegiada para afirmar e reconhecer a multiplicidade de modos de vida que compõem o contemporâneo e que fazem a densidade deste tempo. O nosso interesse ancora-se sobre a ampliação e a re-significação da condição da solidão entre os jovens, procurando avançar sobre as conotações de invenção, criação e potência dos modos de vida solitários. Nesse sentido, o foco específico da apresentação incidirá sobre uma de nossos eixos etnográficos investigados: as dinâmicas afetivo-sexuais juvenis. A proposta é atentar principalmente para as ambivalências deles em relação ao coletivo, ou seja, perceber como o “estar sozinho” é buscado no âmbito dos relacionamentos a dois, a três, etc. (seguindo uma indagação preciosa de Roland Barthes em trabalho homônimo, “Como viver junto?”). Para isso, as redes sociais, seja para pensar as aproximações e afastamentos afetivos desses jovens, seja como base para decisões de “desplugar temporário”, ganham destaque na análise.

Palavras-chave: Juventude – sexualidade – solidão – redes sociais.

 

 

QUANTAS MACHEZAS ENCENA JOÃO DO CRATO? DESLOCAMENTOS, MASCULINIDADES E CRIAÇÃO DE MUNDOS NO INTERIOR DO NORDESTE BRASILEIRO

Roberto Marques. Professor da Universidade Regional do Cariri- URCA. Doutor em Antropologia Cultural (PPGSA-UFRJ); enleio@yahoo.com.br

 

Em atuação como cantor desde a década de 1980, identificado com o movimento de contracultura e sua recepção no Ceará de então, João do Crato se apresenta até hoje nos centros culturais da região do Cariri (CE) em performances sempre impactantes. Com cabelos louros em desalinho, calças leggings apertadas, gestos sinuosos e uma voz grave de tenor sua presença no palco remonta ao mesmo tempo a presença do projeto intelectual da contracultura no interior do Ceará, a uma vontade de maior variedade de expressões da sexualidade e aos grupos populares em que milita.

João tem desenvolvido militância contínua junto a grupos da cultura popular locais, tais como as mulheres do coco da Batateira, o reisado de mestre Aldenir, o maneiro pau de mestre Cirilo e os penitentes de Barbalha. Milita também com jovens de periferia e cultiva ali encontros musicais como forma de sensibilização desses jovens.

Nosso interesse aqui é pensar como se deu a articulação de João a mundos aparentemente tão distintos e como sua expressividade como artista e homossexual fundam e conectam esses mundos.

Para isso, nos reportaremos às descrições realizadas por ele de suas performances em palco, refletindo sobre como tais narrativas revelam o Cariri e a ele mesmo como personagem e como pessoa nesse mundo em movimento.

Palavras-chave: Sexualidade, Espacialidades; Cariri; Cultura Popular.

 

 

APROXIMACIONES A LAS REPRESENTACIONES DE LA EXPLOTACIÓN SEXUAL COMERCIAL DE ADOLESCENTES EN LA PRENSA ESCRITA URUGUAYA

Susana Rostagnol (coord.)

 Serrana Mesa

 Federica Turban

 Valeria Grabino

 Magdalena Caccia

 CSIC-Udelar

 

Esta ponencia se enmarca en la Etapa II de un proyecto de Investigación en Innovación Orientado a la Inclusión Social (CSIC-Udelar), que aborda el problema de la explotación sexual comercial de adolescentes (ESCA). La ESCA se basa en una relación de poder entre un/a adulto/a y un/a adolescente, donde se habilita el intercambio de dinero o especias por relaciones de carácter sexual. La ESCA está considerada como una de las principales violaciones a los derechos humanos y a las libertades individuales. Uruguay ha ratificado tratados donde se busca erradicar el fenómeno, por considerarlo una forma moderna de esclavitud. La prensa juega un rol fundamental al momento de generar opiniones y posicionamientos en la sociedad. El presente estudio pretende aproximarse a los sentidos que cobra la ESCA a través de las publicaciones en la prensa escrita uruguaya durante el período que comprende de enero de 2013 a junio de 2015. Las conclusiones preliminares a las que arriba el presente análisis dan cuenta del reforzamiento de los estereotipos de género y la violencia simbólica que ejercen la mayoría de los medios de prensa, al colocar a los/as adolescentes como los principales responsables del fenómeno, vinculando sus conductas a factores principalmente socio-económicos y culturales, sin profundizar en un análisis de las causas que habilitan y legitiman la existencia de la ESCA.

 

 

O GÊNERO CRIANÇA: A CONSTITUIÇÃO DAS IDENTIDADES DE GÊNERO EM NÃO-ADULTOS

Tiago Figueiredo (UFF)

 

Este trabalho se inscreve nos debates entre sociabilidades de não-adultos e a antropologia das relações de gênero, tendo como finalidade observar os possíveis conflitos entre meninos e meninas e as interações que esses estabelecem com o universo dos adultos. Em diferentes termos, trago com este esforço uma análise das diferentes representações das identidades de gênero entre gerações, além de problematizar a categoria criança a partir do ponto de vista delas mesmas. Considerando as crianças como produtoras de cultura, o desafio desta investigação é despir-se das pré-noções que meninas e meninos são seres incompletos, em processo de construção pela cultura dos adultos. Nesse sentido, a proposta é compreender como se dão as relações de poder que delimitam as fronteiras de gênero neste universo. Nas relações que observei entre meninas e meninos de nove a treze anos, em uma escolinha de futsal no subúrbio de Niterói, entre 2010 e 2012, o termo criança é contextual, utilizado pelos responsáveis e por aqueles que estariam circunscritos dentro dessa categoria de maneira diversa. A mobilidade dessa categoria revela, nos contextos observados, que “estar” criança exprime um jogo de poder, onde aquele que se inscreve dentro dela é deslocado ao polo feminino nas estruturas das relações de gênero.

Palavras-chaves: Gênero,Geração, sociabilidade, sexualidade, relações de poder.

 

 

DESEJOS DISSIDENTES: JOVENS VIVENDO COM HIV E AIDS, SEXUALIDADE E PRÁTICAS SEXUAIS

 

Vinícius Mauricio-Lima, graduando em licenciatura em Ciências Sociais. Universidade

Metropolitana de Santos e mestre em Ciências (Fundação Oswaldo Cruz - Fiocruz); vmlima9@gmail.com

Adriana Kelly-Santos, professora e pesquisadora do Instituto de Informação Científica e Tecnológica em Saúde (ICICT/Fiocruz)

 

No mundo, os jovens são uma das “populações chave” no enfrentamento do HIV/aids, devido o número de pessoas infectadas até os 29 anos, especialmente por vias sexuais.

Neste artigo, o objetivo é dialogar sobre sexualidade e práticas sexuais de “jovens vivendo com HIV e aids” e o que pensam da juventude. Referenciado em Michel Foucault, nele é feita uma discussão acerca de normas sexuais e sociais impostas a esses

jovens, e do desejo deles. Para isso, foram utilizados dados de uma etnografia, realizada

entre julho de 2013 e dezembro de 2014, em uma policlínica do município do Rio de Janeiro. Sendo discutidos dados de entrevistas semiestruturadas com sete jovens, de 18 a 27 anos, pacientes da policlínica, os quais eram de diferentes gêneros, orientações sexuais, acessos ao trabalho e estudo, crenças/religiões e origens regionais da cidade; e da observação participante de atividades da policlínica. Analisados a partir de elementos

discursos e extradiscursivos, os resultados apontaram que os jovens tinham conhecimentos de prevenção. No entanto, usavam o preservativo conforme o parceiro e

a prática sexual (anal, vaginal e oral). Assim, podemos dizer que viviam nos limites da sexualidade, nos termos de Maria Filomena Gregori. Desse modo, o vínculo com profissionais de saúde era importante para conversarem dessas e de outras questões relativas à sexualidade. Além disso, nem sempre se consideravam jovens, devido à influência da sorologia e do que lhes era imposto socialmente para entrada na vida adulta, portanto, da idade, e do acesso ao trabalho e estudo.

Palavras chave: jovens; sexualidade; AIDS; SUS.