RESUMEN GRUPO DE TRBAJO 42

GT 42. SEGREGAÇÃO, ALTERIDADE E CULTURAS JUVENIS NA AMÉRICA DO SUL

Coordinadores:

Dr. Pedro R. Bodê de Moraes – Universidade Federal do Paraná; pedrobode@terra.com.br

Mestre Mariana Corrêa de Azevedo – Universidade Federal do Paraná; mariana@azevedo.com

Magíster Prof. Carolina Cravero – Universidad Nacional de Córdoba / Instituto Superior del Profesorado Juan Mantovani; carocravero@yahoo.com

 

 

Sesión 1: Identidades, culturas juvenis e consumos culturais

 

 

OS ESTRANHOS NO SHOPPING: A ERA DO CONSUMO E OS JOVENS INDESEJÁVEIS

Diego Nogueira. Mestre em Políticas Públicas na Universidade Federal do Paraná Docente na Escola Superior de Segurança Pública. Membro do Núcleo de Investigações Constitucionais da UFPR

 

A busca pela ordem reflete “o interesse humano pela pureza. Os padrões de pureza podem mudar de uma época para outra, de uma cultura para outra, mas cada época e cada cultura expressam um certo modelo de padrão ideal a ser mantido incólume às disparidades. Na sociedade pós-moderna “marcada pelas amplas possibilidades de escolhas e necessidade de satisfação rápida e efêmera dos desejos” , o endeusamento do consumo faz com que as pessoas, para alcançarem a condição e sujeito de direitos, estejam inseridas no mercado.

Para a expansão da pretensa liberdade dos consumidores, porém, deve-se deter, pelo menor custo possível, os não consumidores, tratados como estranhos (pessoas que não se encaixam no mapa cognitivo, moral ou estético proposto pelas instituições). A criminalização desta classificação de pessoas constitui suplemento indispensável da “integração mediante sedução numa sociedade de consumidores guiada pelo mercado”.

O presente trabalho visa apresentar as representações dos movimentos de jovens, geralmente provenientes da periferia, nos shoppings centers (os “rolezinhos”, iniciados no final de 2013) que indicam uma alteração na estrutura de consumo gerada fundamentalmente por mudanças na distribuição de renda, enxergados, porém, pela sociedade como vandalismo, uma "oportunidade para crimes”, que ensejam a intervenção policial.

Palavras chaves: ordem, pós-modernidade, consumo, exclusão, jovens.

PODEROSAS: IDENTIDADES E AGENCIAMENTOS DE FUNKEIRAS E HIP HOPPERS

Izabela Nalio Ramos. Mestranda pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo/Brasil (PPGAS/USP); izanalio@gmail.com/izabela.ramos@usp.br

 

O presente trabalho abordará os resultados parciais de pesquisa de mestrado junto a mulheres integrantes das culturas juvenis do Funk e do Hip Hop no Brasil, com alguns recortes específicos para a cidade de São Paulo. A ideia inicial de pesquisa era realizar uma observação comparativa de como, através das expressões culturais e artísticas de ambas as manifestações juvenis, as mulheres formulavam identidades de gênero, raça, sexualidade, classe, entre outros marcadores sociais da diferença – como algumas referências bibliográficas denominam estas e outras categorias similares – acionados em intersecção. No atual ponto de desenvolvimento da pesquisa, sobre o qual se centrará este texto, destaca-se a atuação destas ativistas e/ou artistas na busca por reconhecimento e espaço dentro das culturas juvenis citadas, bem como a elaboração de identidades individuais e coletivas: quanto às hip hoppers, a elaboração de identidades coletivas enquanto mulheres negras e periféricas, positivando categorias direcionadas a elas em contextos de discriminação e segregação, chama a atenção; quanto às funkeiras, são constantemente discriminadas por suas letras e performances que tratam muitas vezes de temas como sexo e sexualidade, mas também podem tratar destes conteúdos dentro de um âmbito de agenciamento político – não ilimitado, vale dizer – embora não necessariamente construindo as mesmas identidades que as hip hoppers.

Palavras-chave: culturas juvenis; intersecções; marcadores sociais da diferença.

 

 

“ME CLAVÓ EL VISTO”: LOS JÓVENES Y LAS ESPERAS EN EL AMOR A PARTIR DE LAS NUEVAS TECNOLOGÍAS

Maximiliano Marentes. IDAES-UNSAM/IIGG-UBA/CONICET; maximarentes@hotmail.com

Mariana Palumbo. IIGG-FSOC-UBA/CONICET; mrnpalumbo@gmail.com

Martín Boy. CONICET/IIGG-FSOC-UBA/UNPAZ; mgboy_99@yahoo.com

 

Esta ponencia analizará escenas de espera mediadas por las nuevas tecnologías (facebook, whatsapp) en relaciones erótico-afectivas de jóvenes heterosexuales de clase media del Área Metropolitana de Buenos Aires. Se problematizará cómo estas vías de comunicación facilitan la generación de situaciones de espera atravesadas por el (des)control en la propia subjetividad y sobre el sujeto amado.

Utilizaremos la metodología de las escenas como recurso para explorar estas experiencias de espera retomando las perspectivas de Vera Paiva y Filomena Gregori. También apelaremos a una multiplicidad de fuentes (relatos de entrevistas, fragmentos de literatura y canciones) para dar cuenta de la importancia que tiene pensar al amor como un bricolage.

El trabajo se estructurará en tres apartados. En el primero se analizarán las dinámicas y efectos que tienen sobre los sujetos las situaciones de espera vinculadas al amor. En el segundo se reflexionará sobre los vínculos amorosos entre jóvenes. En el tercero se problematizará cómo son experimentadas las escenas de amor y espera durante la juventud.

Esta ponencia se enmarca en el proyecto UBACyT en el que se problematizan situaciones de espera que implican aspectos económicos, afectivos y/o de salud. Este proyecto es dirigido por el Dr. Mario Pecheny y tiene como lugar de trabajo el Instituto de Investigaciones Gino Germani de la Universidad de Buenos Aires.

Palabras clave: Amor – Jóvenes – Esperas – Nuevas tecnologías – Escenas.

 

 

NEM NEM: CARTOGRAFIAS DO DESEJO DE JOVENS EM TRÊS LOCALIDADES DA RESEX TAPAJÓS-ARAPIUNS

 

Thais Helena Medeiros. Professora e doutoranda CPDA/ UFRRJ; thais.ouricoamazonia@gmail.com

Lígia Augusta Camargo Avisar. Pesquisadora e estudante de Publicidade e Propaganda na FIT/ Pará; ligiaamazonas@gmail.com

Fábio Pena. Coordenador de Educação e Comunicação/ PSA; fabinho@saudeealegria.org.br

 

Este trabalho centra foco na compreensão da subjetividade de jovens moradores das localidades de Suruacá e Solimões, no Tapajós e Anã, no rio Arapiuns, Santarém, Oeste Paraense. Mais específico, delinear os desejos e vontades desses jovens na interação entre a tradição e contemporaneidade. Espaços sociais são construídos e reformatados pela mobilidade onde as práticas dos indivíduos se misturam, (re)significando mundos. Não pretendendo separações, mas entrever os jovens na ação e relação cotidiana. Partimos das análises em torno das abordagens relacionais na intersecção do indivíduo constituindo fluxos de sociabilidade e que possibilitaram a construção das cartografias do desejo. A metodologia é mista de métodos etnográficos e grupo focal.

Palavras-chaves: Jovens rurbanos - Resex Tapajos Arapiuns – subjetividades

 

 

ETNOGRAFIAS E REPRESENTAÇÕES DE UMA JUVENTUDE ENTRE O RURAL E O URBANO*

Rodrigo Kummer. Doutorando CPDA/UFRRJ; kummer2004@yahoo.com.br

 

A discussão que evoca o presente artigo está circunscrita as múltiplas formas de vivência dos jovens rurais. Essa categoria analítica se insere numa conturbada situação que pende entre a permanência no meio rural e a migração para o meio urbano. A dúvida que cerca essas decisões é também fator de sociabilidade e responde a variação comportamental e aos aspectos identitários manifestos e perceptíveis. Pode-se dizer que essa juventude está cercada não apenas pela definição de um projeto de vida no sentido produtivo e rentista, mas que implica nas relações de gênero, nas relações geracionais e familiares, nas carências, nos gostos e preferências, nos medos, enfim, numa dicotomia plural de dilemas cotidianos. A pesquisa tem como lócus uma pequena comunidade rural do interior de Santa Catarina e foi objeto da dissertação de mestrado defendida pelo autor em 2013, sob o título: “Juventude rural, entre ficar e partir: a dinâmica dos jovens rurais da comunidade de Cerro Azul, Palma Sola/SC”. O estudo contemplou a etnografia como forma de compreender as dinâmicas internas desses jovens e é agora objeto de discussão melhor depurado. Infere-se que essas dinâmicas apresentam uma noção eminente, isto é, a conjunção do jovem rural entre o ficar e o partir é subscrita pela dúvida, pela oscilação. Fato este que permite afirmar que um conjunto de representações pulula entre esses atores e que aí se abrem várias oportunidades para pensar sua condição como categoria polissêmica e possíveis melhorias a serem estendidas, seja no caso da permanência, seja na migração.

Palavras-chave: juventude rural; permanência; migração; representações.

 

 

Sesión 2: Criminalização juvenil: discursos, narrativas e mídias

 

 

FOLHETIM POLICIAL DAS LIÇÕES PERIGOSAS ÀS PEDAGÓGICAS

 

Elena Camargo Shizuno, Doutora, UTFPR – Universidade Tecnológica do Paraná / Centro de Estudos em Segurança Pública e Direitos Humanos (CESPDH/UFPR)

 

Pretendemos abordar o folhetim e o conto policial a partir da publicação intitulada Vida Policial, revista editada na cidade do Rio de Janeiro, entre os anos de 1925 a 1927. Mais especificamente as análises ambivalentes que versaram sobre as possibilidades de recepção do tipo de literatura por crianças e jovens.  Nesse sentido, haviam duas possibilidades, a primeira do tipo de literatura poder contribuir para construir personagens e ações a serem imitados, portanto, potenciais manuais do crime, atestando assim um cunho pedagógico negativo. Segundo, a questão da cientificidade e da ação investigativa literária ser seguida pelos próprios policiais que liam romance policial, aspecto positivado e considerado um aspecto educativo

Palavras chave: criminalização, folhetim policial, mídia e juventude.

 

 

LA REPRESENTACIÓN DE LOS JÓVENES EN LOS MEDIOS DE COMUNICACIÓN GRÁFICOS DE CÓRDOBA – EL CASO DEL “OPERATIVO DE SATURACIÓN” Y SU TRATAMIENTO EN LA VOZ DEL INTERIOR

 

Luciana Verde (IAPCS/UNVM) – luciana.verde@hotmail.com

María Inés Solans (IAPCS/UNVM) – mariainessolans@hotmail.com

 

El trabajo que presentamos se propone de manera general indagar el tratamiento que se le dio a las noticias en torno al llamado “Operativo de saturación” en el diario La Voz Del Interior de la Provincia de Córdoba. Dicho operativo estuvo en manos de la policía y  se sucedió en la ciudad de Córdoba los días 2 y 3 de Mayo. Durante esos días, se detuvo arbitrariamente y sin orden judicial a cientos de personas.

Nos centraremos en analizar el tratamiento que realizó La Voz del Interior, en tanto instrumento de legitimación influyente en la opinión pública y como medio de reproducción de representaciones sociales, de los sucesos durante los días en los que transcurrían (las noticias a analizar pertenecen a los días 2 y 3 de Mayo), evidenciando cómo caracterizó a los actores intervinientes (policía, gobierno provincial y detenidos) y cómo describió el hecho. En este sentido, nos proponemos observar cómo construye la noticia del suceso contribuyendo a un proceso social de estigmatización de los jóvenes.

Consideramos que este tema cobra importancia enmarcado en una provincia como Córdoba en donde prevalece la construcción de un estereotipo social señalado como delictivo de acuerdo a ciertas características físicas, etarias, socioeconómicas y culturales lo que posibilita la vigencia de ciertas políticas de seguridad. Ejemplo de ello lo constituye la existencia del Código de Faltas que habilita a la institución policial a generar detenciones de carácter arbitrario.

Palabras claves: Operativo de Saturación – Medios de comunicación –– La Voz del Interior – Estigmatización –Jóvenes.

 

 

POLÍCIA E JUVENTUDE: NARRATIVAS POLICIAIS SOBRE JOVENS NA CIDADE DO RIO DE JANEIRO

Dr. Jonas Henrique de Oliveira. Universidade Estadual do Piauí – UESPI; jonashenri@yahoo.com.br

 

Este trabalho tem por objetivo compreender a relação entre policiais militares e diferentes segmentos juvenis que transitam na cidade do Rio de Janeiro. A análise da relação entre policiais e jovens contribui para compreendermos melhor como a noção de espaço social orienta as ações e práticas tanto dos policiais quanto dos jovens. Esse trabalho é fruto de uma pesquisa de campo realizada entre os anos de 2003 e 2004 com um grupo de dezoito policiais militares que atuavam em diferentes batalhões e regiões da cidade do Rio de Janeiro. Através da pesquisa, busquei compreender as classificações associadas aos jovens. A juventude é fase da vida ambígua. Ora os jovens são considerados como “problema social” e, por isso, precisam de um controle maior por parte do Estado, ora os jovens são considerados atores sociais fundamentais para o futuro da sociedade. De certo modo, esse trabalho procura analisar as ambivalências que se constroem em torno das categorias juventude e polícia.

Palavras-chave: juventude, polícia, violência, espaço social, sociedade.

EXPERIENCIAS DE ENFRENTAMIENTO DE LA VIOLENCIA EN PERSPECTIVA COMPARADA: LOS CASOS DE RIO DE JANEIRO, SALVADOR Y CIUDAD DE PANAMÁ

 

Fabiano Dias Monteiro. Profesor Adjunto IEAR/UFF; fdmrio@gmail.com 

Jonas Pereira Araujo. Licenciado en Ciencias Sociales; jonas.araujo20@yahoo.com.br

Sandro Costa Santos. Especializado en Derecho e Proceso Penal; sandro@vivario.org.br

 

El presente trabajo tiene como objetivo llevar a cabo una aproximación comparativa acerca de iniciativas de prevención de la violencia y la confrontación de la delincuencia en tres ciudades de América Latina, a saber: Rio de Janeiro, Salvador y Ciudad de Panamá.

Resultado de una investigación financiada por el Banco de Desarrollo de América Latina (CAF), con vistas a descubrir una cartografía para tecnologías sociales en el ámbito de la seguridad humana, el presente documento busca aclarar un conjunto de contrastes y puntos de contacto entre las estrategias políticas o policiales y la inclusión social de jóvenes, especialmente los que están en situación de vulnerabilidad.

Palabras clave: violencia urbana; delincuencia; inclusión social; juventud; policía de proximidad.

 

 

RESISTÊNCIA E FRUSTRAÇÃO: REPRESENTAÇÕES E PRÁTICAS DA VIOLÊNCIA POLÍTICA PELOS JOVENS ADEPTOS DA TÁTICA BLACK BLOC

Diego Coletti Oliva. Doutorando pelo programa de Pós-graduação em Sociologia da UFPR; oliva.dc@gmail.com

 

Este artigo se baseia em uma fase inicial da pesquisa realizada para a tese de doutorado em Sociologia em que o tema desenvolvido desdobra-se em compreender o recurso à violência enquanto forma de ação política, seja como ferramenta do aparelho repressivo do Estado, seja como tática de ação direta de desobediência civil, buscando identificar e compreender a violência política, como esse conceito é acionado e quais as justificativas que orientam essas ações. Neste contexto, estabelecendo como recorte para análise as recentes manifestações ocorridas no Brasil desde junho de 2013 e a atuação dos adeptos da tática black bloc, foi identificada uma importante e expressiva representação da juventude nestas ações, que foi criminalizada e estigmatizada pela mídia enquanto perpetradora de vandalismos e esvaziada de sentido político. No entanto, os dados encontrados por meio do contato com os adeptos da tática, através da aplicação de questionários e de conversas informais on-line, bem como de dados secundários, revelaram posicionamentos políticos claros e bem definidos nessa juventude, que recorre à ação direta violenta impulsionadas por um sentimento de resistência e também de frustração, e é esse contraste entre a representação e a prática nesses episódios de violência política que busco explorar por meio de uma análise interseccional procurando problematizar e tensionar a legitimidade do uso político da violência e as consequências de seu emprego.

Palavras-chave: Violência política. Vandalismo. Juventude. Representação. Black Bloc.

Sesión 3: Governamentalização juvenil: vulnerabilidades, sociabilidades, drogas

 

 

ENTRE A VITIMIZAÇÃO E A CRIMINALIZAÇÃO: JUVENTUDE, SEGURANÇA PÚBLICA E CONTROLE SOCIAL PERVERSO

 

Letícia Figueira Moutinho Kulaitis. Universidade Federal do Paraná – Programa de Pós-Graduação em Sociologia

 

A juventude tem ocupado lugar central na discussão das políticas de segurança pública no Brasil, em especial, a partir dos anos 2000. Nos chama atenção o fato de os jovens ora serem apresentados como vítimas da criminalidade e da violência, ora como vitimizadores, potenciais ameaças a sociedade. Em agosto de 2007, o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania foi criado para atender a demanda social e política por retirar os jovens brasileiros da rota da criminalidade e da violência. O Programa promoveu o deslocamento de ações de suas tradicionais esferas de atuação para a área de segurança. Parte-se da noção de que estas ações sociais, sob a forma de políticas públicas, podem se concretizar apenas com o acompanhamento prévio e permanente das forças municipais e ou estaduais de segurança pois, são realizadas em regiões da cidade que concentram a violência, a criminalidade e a descoesão social. Sob a ótica do controle social perverso, podemos afirmar que uma política pública que aponta os jovens moradores de periferia como responsáveis pela violência e a criminalidade resta por produzir um efeito contrário ao do pretendido pela própria política, ou seja, agravando os problemas sociais que pretendiam amenizar ou resolver e produzindo medo e insegurança. Neste artigo serão analisados os dados referentes à execução orçamentária do Programa no período compreendido entre os anos de 2008 e 2012 bem como os dados sobre os homicídios de jovens no mesmo período com o objetivo de avaliar os efeitos produzidos por esta política de segurança.

Palavras-chave: Juventude; Violência e Políticas Públicas.

 

 

DA PREVENÇÃO DA VIOLÊNCIA À PREVENÇÃO DE CONDUTAS DE RISCO: CONTROLE SOCIAL E PROCESSOS DE SUBJETIVAÇÃO

 

Tiago Nogueira Hyra Chagas Rodrigues. Doutor em Antropologia Social. UFSC; tiagohyra@hotmail.com

 

Esta apresentação examina os discursos e práticas dos agentes sociais que, utilizando as tecnologias sociais da «prevenção de condutas de risco», tentam evitar a entrada dos jovens e adolescentes na criminalidade e nos tráficos. Ela busca descrever duas ações coletivas inovadoras no campo da prevenção dos problemas sociais na França: fundadas para realizar um trabalho preventivo com usuários de substâncias psicoativas, passaram a utilizar a experiência adquirida para se dedicarem à prevenção de outros fenômenos sociais, como violência urbana, delinquência e criminalidade. Estas instituições aplicam técnicas de prevenção inspiradas principalmente por dois modelos não-excludentes: um que valoriza a (re)subjetivação, o empowerment e o desenvolvimento da autoestima; e outro que utiliza metodologias de prevenção da área da saúde (em especial a abordagem da harm reduction) para prevenir as condutas de risco. Suas intervenções, no entanto, são permeadas por inúmeros paradoxos, assim como o próprio conceito de risco. Quem é o Sujeito que se torna o público-alvo dessas iniciativas? O que elas tentam prevenir: o risco que este Sujeito assume ao praticar estas condutas, ou o risco que ele representa para o resto da sociedade? Por um lado, a caracterização dos sujeitos como “em risco” pode ser uma justificativa para políticas intervencionistas e de gestão securitária (estatal ou não) de populações consideradas marginais, desviantes ou vulneráveis. Por outro, as técnicas empregadas por estas instituições podem se revelar frutíferas e inovadoras ao favorecerem a subjetivação e o empowerment político e social da população atendida.

Palavras-chave: prevenção; violência; controle social; subjetivação; risco.

 

 

DISPOSITIVO DE INTERVENÇÃO ESTATAL: VULNERABILIDADE SOCIAL COMO JUSTIFICATIVA PARA A SEGREGAÇÃO A PARTIR DAS EXPERIÊNCIAS DAS UPSS EM CURITIBA

 

Pablo Ornelas Rosa, realizou o estágio Pós-Doutoral em Sociologia pela Universidade Federal do Paraná – UFPR, Doutorado em Ciências Sociais com área de concentração em Política pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC/SP, Mestrado em Sociologia Política e Bacharelado em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC. Atualmente é Professor Titular I nos Programas de Mestrado em Sociologia Política e em Segurança Pública da Universidade Vila Velha – UVV e coordenador do Grupo de Pesquisa Subjetividade, Poder e Resistência.

Aknaton Toczek Souza.Bacharel em Direito pelo Centro de Ensino Superior dos Campos Gerais – CESCAGE, Especialista em Direito Penal e Criminologia pelo Instituto de Criminologia e Política Criminal da Universidade Federal do Paraná – UFPR e Mestrando em Sociologia na Universidade Federal do Paraná – UFPR. Atua como advogado criminalista e como professor nos Cursos de Graduação em Direito do Instituto Superior do Litoral do Paraná – ISULPAR e da Sociedade Educativa e Cultural Amélia – SECAL.

Pedro Rodolfo Bodê de Morais. Doutor e Sociologia pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro – IUPERJ, Mestre em Antropologia Social pelo Museu Nacional / Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ e graduado em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Fluminense – UFF. Atualmente é Professor Adjunto no Departamento de Ciências Sociais, no Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Professor Convidado do Programa de Pós-Graduação em Direito da Universidade Federal do Paraná – UFPR. Consultor da Comissão de Estabelecimentos Prisionais da Ordem das Advogados do Paraná – OAB/PR. Membro da Comissão da Verdade – PR. Publicou 3 livros e diversos artigos em periódicos especializados e livros. Atua nas áreas de Sociologia e Antropologia

 

Em pesquisas anteriores desenvolvidas a partir de uma perspectiva genealógica sobre as políticas de redução de danos promovidas no Brasil, verificamos que a noção de risco, quando associou-se a vulnerabilidade social, passou a operar como justificativa para a adesão de estratégias estatais intervencionistas que inicialmente se fundamentavam em políticas de saúde pública, mas que paulatinamente passaram a serem associadas e adotadas no campo da segurança pública, possibilitando a emergência de ações cada vez mais repressivas, a exemplo das ascendentes Unidades de Polícia Pacificadora – UPPs, na cidade do Rio de Janeiro e Unidades Paraná Seguro – UPSs, em Curitiba. Sendo assim, vimos que essa noção passou a operar como dispositivo de intervenção estatal que ao invés de minimizar os conflitos sociais no campo da saúde, passou a fomentar sua intensificação no campo da segurança pública através da judicialização das eventuais situações problemas ocorridas naquelas comunidades pobres e tratadas como violentas que se encontravam em suposta situação de vulnerabilidade social que passaram a ter como alvo a juventude pauperizada. Nessa pesquisa cartográfica, mostraremos não apenas como a noção de vulnerabilidade social passou a ser utilizada como dispositivo de intervenção estatal, como também mostraremos como os índices de criminalidade aumentaram com a implementação das UPSs em Curitiba, através da judicialização daqueles conflitos que eram anteriormente mediados pelos próprios moradores daquelas comunidades.

Palavras-chave: Segurança pública, vulnerabilidade, risco.

 

 

HISTÓRIAS DE AREIA: CULTURA DA POBREZA E VIOLÊNCIA NAS GANGUES NO DISTRITO DE VENTANILLA, LIMA-PERU

 

Juliana Paola Rosales Luna. Universidade Federal do Paraná – Brasil; paolarosales123@gmail.com

Prof. Dra. Ana Luisa Fayet Sallas. Universidade Federal do Paraná - Brasil

 

Na heterogênea e multicolorida paisagem peruana, a juventude representa quase 30% da população total. Atualmente, muitos desses jovens estão em "becos sem saída", em áreas-chave para a sua existência, tornando-se um "problema" para a sociedade. Um desses problemas é o aumento da violência juvenil, representada e expressada através das gangues. Nesse sentido, o presente trabalho, ainda em desenvolvimento, aborda a questão das gangues juvenis, a pesquisa está centralizada no distrito de Ventanilla, localizada na periferia da cidade de Lima, Peru.  O trabalho tem por objetivo compreender como se articulam as tramas entre a manifestação de violência dos membros das gangues e a cultura da pobreza, na que eles vivem. O tema é examinado a partir de uma perspectiva qualitativa, com base em uma abordagem etnográfica. O trabalho é desenvolvido a partir da análise das trajetórias de vida dos membros das gangues, mas também considera o contexto e os diversos atores os quais se encontram relacionados neste fenômeno, a fim de reconstruir o ambiente social em que interagem os jovens membros das gangues. Isso permite explorar as ligações entre a violência, a cultura da pobreza, as instituições sociais, a pertença, a exclusão e a moralidade, questões que considero necessárias para entender esses jovens.

Palavras-chave: juventude; gangue; cultura da pobreza; violência.

 

 

RECORTES ETNOGRÁFICOS SOBRE  JOVENS LUTADORES EM UM MORRO DE NITERÓI – RJ

Betânia Mueller. Mestre em Antropologia pelo Programa de Pós-graduação em Antropologia da Universidade Federal Fluminense (PPGA-UFF); b.etania@hotmail.com

 

Esse trabalho é fruto de minha pesquisa de mestrado em Antropologia na Universidade Federal Fluminense. A pesquisa consistitu em uma etnografia com um grupo de jovens de um projeto social em uma comunidade de Niterói -RJ. O projeto tinha como objetivo “tirar os jovens da rua” e prevenir seu envolvimento com o tráfico de drogas, bastante presente no local, e consistia no ensino e prática da arte marcial Jiu Jitsu, além de ser um projeto de cunho religioso. Por possuir uma influência religiosa, sendo seu fundador membro de uma pequena igreja evangélica local, o projeto ressaltava aspectos moralizantes em relação aos jovens, tais como os perigos de “ficar na rua”, de as meninas namorarem muito cedo, dentre outras coisas. Além disso, se faziam presentes representações a respeito da juventude local ora enquanto vítimas, ora em termos de um potencial envolvimento com o crime, ressaltando estigmas de quem é de “fora”, ou “lá de baixo”, em relação aos moradores “do morro”. Ao longo da pesquisa, pude problematizar o quanto a categoria “jovem” é múltipla, e o quanto os jovens, crianças e adolescentes constroem suas próprias representações a respeito do contexto onde vivem e de diversas questões, dando atenção em especial às crianças, um público historicamente negligenciado enquanto sujeitos de pesquisa na antropologia. O objetivo desse trabalho, então, é o de descrever algumas dessas representações apresentadas pelos jovens do projeto, bem como características do contexto e representações a eles atribuídas.

Palavras-chave: Jovens; Crianças; Projeto social; Tráfico de drogas; Comunidade.

 

 

Sesión 4: Instituições, controle social e políticas públicas de juventude

 

 

REPRESENTACIONES JUVENILES EN GOBIERNOS LOCALES. ESTUDIO DE CASO

Eduardo Javier Pereyra. Becario Tipo I CONICET. Doctorando en Política y Gobierno - Universidad Católica de Córdoba – Argentina; eduardopereyra_24@hotmal.com

 

El presente trabajo consiste en la presentación de los principales resultados obtenidos de la investigación realizada en el marco de la tesis presentada en la Maestría de Diseños y Gestión de Programas Sociales de la Facultad Latinoamericana de Ciencias Sociales- Sede Argentina. La Tesis fue aprobada por el tribunal con calificación distinguida.

El eje central del trabajo consiste en analizar y comprender las conceptualizaciones y visiones sobre las juventudes a través de las políticas públicas juveniles que diseñó e implementó la Municipalidad de Jesús María, provincia de Córdoba, durante la gestión de Marcelino Gatica como Secretario de Gobierno a finales de 2002 y sus posteriores mandatos como intendente entre el periodo 2003-2011.

Nos centraremos en las políticas de juventud en el nivel de la administración dedicado específicamente en problemas de juventud: el estudio sobre los Organismos Gubernamentales de Juventud, entendiendo este nivel como las políticas de juventud en sentido estricto. Para el caso en estudio el organismo es el Área de Juventud de la Municipalidad de Jesús María.

Para el análisis de las políticas, se adopta el enfoque constructivista y análisis argumentativode Marcos Roggero(2009), que a través del análisis del núcleo y periferia de las políticas públicas permiten identificar los conceptos, visiones, representaciones y paradigmas que el Estado posee sobre la juventud.

Palabras Claves: Estado -  Juventudes - Políticas Públicas.

 

 

JOVENS BRASILEIROS E A EXPERIÊNCIA DE PRIVAÇÃO DE LIBERDADE

 

Paola Caroline Carriel. Universidade Federal Do Paraná; paolacarriel@gmail.com

 

Este artigo tem o objetivo de discutir a privação de liberdade entre jovens brasileiros com base em uma pesquisa de mestrado realizada em 2013 em um centro de “socioeducação”. A partir de dados coletados por meio de entrevistas com sete adolescentes, além de informações colhidas durante um período de voluntariado, debateremos como a prisão, o que de fato essa instituição é, afeta suas trajetórias, socialização e cidadania. Entre as perguntas, havia questionamentos sobre a rotina no Cense, a vida pregressa e familiar e o motivo da privação de liberdade.

As indagações que geraram a dissertação e, posteriormente, a escrita deste artigo surgiram porque antes do Estatuto da Criança e do Adolescente, o Código de Menores (1979) tratava as crianças e adolescentes em “situação de vulnerabilidade” de forma semelhante, com o conceito de “menor em situação irregular”. Entretanto, se por um lado o ECA trouxe avanços na proteção de direitos, por outro criou uma divisão entre os adolescentes “em perigo” e os “perigosos” (SCHUCH, 2005). A partir de autores como Coelho (2005), Goffman (1982, 1995, 2001) e Elias (2000) apontamos que há uma criminalização da pobreza, baseada em políticas com viés punitivo, que reforçam, por sua vez, a profecia auto-cumprida da vida desses jovens. Ou seja, a criminalidade como única saída.

Palavras-chave: Privação de liberdade. Punição. Sociabilidade juvenil. Controle social perverso.

 

COMO UMA MENINA PÔDE FAZER ISSO?

Marina Zminko Kurchaidt. Universidade Federal do Paraná; zk.marina@gmail.com

 

Uma onda de pânico moral estourou sobre a maioria dos países ocidentais. Vivemos sob uma cultura de medo que reivindica mais parafernálias eletrônicas de segurança e mais muros. Disseminou-se um discurso de ódio que nega realidades diferentes, ocupando grande papel na naturalização do inimigo. No Brasil, entre o retrocesso penal e uma alarmante expansão do poder punitivo e do controle social perverso, tenta-se aprovar a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. Aqui, a imagem do inimigo é clara: o jovem pobre e negro. Essas vidas são descartáveis. Contrária à educação, essa pedagogia do medo propaga mortes. A relação de crime e juventude traz a imagem de meninos. Afinal, o masculino constitui a quase totalidade da população atrás das grades: 93,52%. Por desigualdades sociais e raciais, o perfil das mulheres presas é igual ao masculino; no entanto, para elas, há outro fator: o gênero. O discurso patriarcal domina o sistema carcerário, que foi desenvolvido para e por homens. A estrutura física e humana do cárcere não está preparada para receber mulheres. A masculinização do imaginário da criminalidade atinge também a sociedade, que relaciona a presa à prostituta, quando o mais comum é que tenha sido presa por transportar drogas para parceiro e filhos ou por ter assumido a culpas por eles. Entre 2005 e 2013, a população prisional masculina cresceu 78%, enquanto a feminina teve um aumento de 153%. Se a redução da maioridade for aprovada, o que acontecerá com as meninas que irão mais cedo à prisão?

Palavras-chave: meninas, redução da maioridade penal, medo, controle social.

O PROCESSO DE POLICIALIZAÇÃO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS JUVENIS BRASILEIRAS POR MEIO DO PRONASCI (PROGRAMA NACIONAL DE SEGURANÇA PÚBLICA COM CIDADANIA)
 

Rodrigo Bueno Gusso. Bacharel em Direito, Especialista em Segurança Pública (PUC-RS), Mestre em Direito, Doutor em Sociologia (UFPR); Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Coimbra – Portugal. Pesquisador do Laboratório de Estudos sobre Polícia (LEPOL) do Centro de Estudos em Segurança Pública e Direitos Humanos (CESPDH) da Universidade Federal do Paraná (UFPR); gusso@gusso.com.br

 

Na sociedade contemporânea, assim como em outros momentos históricos, o sentimento de insegurança e os medos, reais ou imaginários, estão intimamente associados àquilo que entendemos como violência. O fenômeno da criminalidade juvenil, como uma espécie desta violência, estrutura discursos e práticas sobre a ordem social e as formas de controle do conflito. É mediante tais discursos que as expectativas sociais e as relações de poder devem ser interpretadas, assim como as políticas públicas e, em particular, aquelas relacionadas à diminuição da violência. A criminalidade juvenil brasileira fundamenta a existência de dispositivos de poder realizados pelo agir estatal em dois campos: a política criminal repressiva (polícia) e as políticas de proteção social. Tais campos confundem-se nos procedimentos de controle provenientes das instituições públicas. Mediante tal confusão, o controle social pela penalização e pela policialização do social torna-se a regra geral e o mais fácil mote a ser proposto e seguido. Os jovens residentes nas periferias das grandes cidades brasileiras, membros das classes excluídas social e economicamente, passam a ser vistos como classes perigosas, e, por conseguinte, alvos de políticas públicas policializadas. Tal postura camufla-se sob os discursos humanísticos da integração e da reinserção social, mas esconde a prática perversa da criminalização da marginalidade. O jovem tido como “vulnerável” ou “em situação de risco social” é categorizado como o inimigo que precisa ser controlado, agora não mais por um dever moral relativo à proteção social, mas sim porque são ameaças ao establishment que os torna, pelo medo que infundem, em componentes eleitorais de projetos políticos. Estes projetos não visam a protegê-los, mas a usá-los tais como são e estão. O projeto singular intitulado PROTEJO (Programa de Proteção de Jovens em Território Vulnerável), oriundo do Programa Nacional de Segurança Pública (PRONASCI) do Ministério da Justiça do Brasil, é o exemplo paradigmático do modo pelo qual uma das principais políticas públicas preventivas da atual política criminal juvenil brasileira materializa o discurso e as práticas do controle social perverso. O ambiente escolhido e os jovens selecionados pelo respectivo programa passam a ser os objetos ideais, contextualizados em um campo de poder e ganho político. Para tanto, utilizando como método uma política pública policializada, ainda que travestida de política social. As consequências do processo de marginalização e de criminalização da juventude pobre são por nós analisadas, no presente artigo.

Palavras chaves: controle social; juventude ; estigmatização; políticas públicas.

 

 

 

 

 

LA EDUCACIÓN PÚBLICA EN EL PARANÁ Y LA “REINVENCIÓN” DEL SANTO OFICIO: REVISITANDO DURKHEIM Y MARX

 

Leandro Lechakoski (UFPR). Estudiante de maestría en Sociología por el Departamento de Pós-Graduação em Sociologia da UFPR. lelechakoski@gmail.com

Maria Emília Rodrigues (UFPR). Maestra en Sociología por el Departamento de Pós-Graduação em Sociologia da UFPR. mariem_rodrigues@yahoo.com.br

 

La presente análisis es el resultado de más de media década de práctica docente en sociología y otras disciplinas, en la red pública de enseño en el Estado de Paraná, en Brasil. Esa experiencia personal y profesional, compartida entre lxs pesquisadorxs/professorxs, se ha resuelto en un fértil campo de análisis. Durante todo esto tiempo, demasiadas reflexiones surgieran y aún surgen. Así, tenemos algunas variantes de análisis esenciales, que deben ser miradas con atención: género, clase, sexualidad, etnias y hecha etaria. Buscamos revisitar Durkheim y Karl Marx piedras fundacional de la Sociología, y relacionar sus estudios con los relatos, observaciones y reflexiones hechas en más de media décadas de investigaciones y práctica docente, siempre, observando las as cuestiones  de la distinción y de la violencia simbólica, conceptos que fueran posteriormente mejores explorados por Bourdieu. Así, la violencia simbólica es una cuestión latente cuando pensamos en educación pública en el Estado de Paraná. Todo esto si convierte en un retroceso conservador, que transforma la educación pública como la institución central en el forjamiento de subjetividades. De acuerdo con Durkheim, esto es una cosa corriente: si la sociedad es como un organismo vivo, y cada órgano debe desempeñar una función, cuando uno órgano falla, el cuerpo todo adose molesta. En la sociología durkheimiana, el cuerpo humano es una analogía de sociedad y los órganos serian las instituciones sociales. Cuándo una institución  presenta problemas, la sociedad se queda en anomía. Actualmente, la centralidad de la familia no se hace clara cuando analizamos la situación de la educación pública en Brasil. Según teorías socio-antropológicas, la familia seria la institución  que es responsable en hacer la “pasaje” entre lo individuo y la sociedad. La familia está en crisis, ¡irrealidad! La responsabilidad en hacer esa puente está en las manos de la escuela, ¿y ahora? Debido a las nuestras experiencias etnográficas buscamos relatar casos de represión, dominación, exclusión, prejuicios, violencia simbólica y física, ocurridas en el interior de esas instituciones. Metafóricamente,  la Escuela puede ser considerada una institución que está “reinventando” una lógica medieval de Inquisición, haciendo un proceso que podemos llamar de “retroceso conservador” que es algo muy ¡preocupante!

Palabras-clave: violencia, derechos humanos, educación, juventud, género.

 

 

VIOLÊNCIA JUVENIL FEMININA: ETNOGRAFIA NO SISTEMA SOCIOEDUCATIVO CEDUC PADRE JOÃO MARIA/RN

 

Raphaella Pereira dos Santos Câmara. Acadêmica de Graduação em Ciências Sociais. Universidade Federal do Rio Grande do Norte; raphaella_camara@hotmail.com

 

O presente trabalho visa analisar a violência juvenil feminina no Rio Grande do Norte, identificando o perfil das adolescentes em conflito com a lei, particularmente daquelas que se encontram no sistema socioeducativo Padre João Maria, localizado em Natal/RN. Nesse contexto, procurei realizar uma pesquisa de campo na Instituição, analisando o contexto histórico e a aplicabilidade das medidas socioeducativas em termos normativos e sociais. Foco, especialmente, a prática do ato infracional, buscando compreender, a partir dos diferentes discursos produzidos por essas jovens, os significados dessas práticas a partir de suas próprias visões de mundo. Outrossim, é fundamental investigar os discursos produzidos nesse contexto como uma dimensão simbólica da vida social, onde os sujeitos constroem suas identidades e, ao mesmo tempo, demarcam diferenças sociais, econômicas, ideológicas, entre outros aspectos. Esta pesquisa de campo é uma investigação empírica que se baseia na observação participante (MALINOWSKI, 1978), análise documental (fotos, documentos, processos, dados históricos e estatísticos), entrevistas e conversas informais. Foi estabelecido que as pessoas que participaram do trabalho deverão ter seus nomes mantidos em anonimato, utilizei nomes fictícios nas entrevistas, uma vez que é essencial a preservação de sua integridade, tal como previsto legalmente. As fotos disponíveis, nos anexos, foram obtidas com autorização do Ceduc (Centro Educacional) para poder usá-las na minha pesquisa.

Palavras chave: Violência Juvenil; Sistema socioeducativo; Ato infracional; Adolescentes.