RESUMEN GRUPO DE TRBAJO 32

GT 32.  SER ANIMAL, SER HUMANO: SABERES Y HACERES EN LAS RELACIONES ENTRE HUMANOS Y ANIMALES

Coordinadores:

Felipe Vander Velden. Departamento de Ciências Sociais, Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Brasil; felipevelden@yahoo.com.br

Martha Ramírez-Gálvez. Departamento de Ciências Sociais, Universidade Estadual de Londrina (UEL), Brasil.

Celeste Medrano. Instituto de Ciencias Antropológicas, Universidad de Buenos Aires/ CONICET, Argentina; celestazo@hotmail.com

 

 

Sesión 1: Animais em contextos Indígenas

 

 

TORSIONES A LOS ANÁLISIS METEOROLÓGICOS Y CLIMÁTICOS: PENSAMIENTO AMERINDIO, CORPORALIDAD Y ANIMALIDAD

 

Julián Antonio Moraga Riquelme. Mestrando (PPGAS/MN/UFRJ);  jnmoraga.r@gmail.com

 

¿Cómo se relaciona el medio ambiente y una cultura? Esta pregunta que la antropología del medio ambiente formuló en sus primeros años, fue contestada a través del tiempo de maneras diferentes, siendo los últimos treinta los más intensos. Este trabajo busca realizar nuevamente torsiones y transformaciones a esta amplia pregunta con el objetivo de agregar a esa discusión la idea de que los fenómenos meteorológicos y climáticos no son en principio fenómenos exteriores, problematizándose así una clara división entre unidades discretas, entre un interior y un exterior, entre un ambientado y un ambientante.

Como ha sido demostrado por diversas investigaciones etnológicas (Lévi-Strauss 1964-1971; Århem 1990; Descola 1992; Viveiros de Castro 1996), las relaciones humano-animales son centrales para dar cuenta de un modo de pensar y analizar diversos problemas que son propiamente indígenas. A pesar de las posibles diferencias entre los modelos etnológicos explicativos, en todas ellos se presenta al “cuerpo” como un eje de análisis central, desplegándose por consecuencia un idioma corporal relacional que conecta diversos existentes interespecíficos. (Overing 1977; Seeger et al. 1979; Viveiros de Castro 1996; Vilaça 2005).

A modo de hipótesis en este trabajo señalo que los fenómenos meteorológicos y climáticos entre los amerindios son analizados por varias vías debido a la amplitud de la corporalidad, sin embargo, las relaciones humano-animales son una manera de pensarla. Específicamente los súper-animales dan cuenta del plano ontológico de estos fenómenos y los animales de la temporalidad asociada a los ciclos anuales.

Palabras claves: amerindios, cuerpos, animalidad, meteorología y clima

 

 

 

 

 

 

DE OBJETOS ANIMAIS, RELAÇÕES INTERESPECÍFICAS NO ALTO RIO NEGRO

Thiago Lopes da Costa Oliveira.

 Pós doutor (PNPD/CAPES) PPGAS MN – UFRJ.

 

Esta comunicação discutirá as relações interespecíficas – humanos – animais – no Alto Rio Negro, recorrendo, como mediador, a um terceiro termo: os adornos cerimoniais utilizados nesta região. Tais adornos são feitos de partes de animais – peles, penas, pelos, ossos, dentes, cascos, asas, etc. Estes objetos tem um status particular são tidos por componentes não‐humanos dos clãs de alto nível hierárquico o que significa que se pode infligir um dano ao clã – diminuir o seu poder – subtraindo ou destruindo seus adornos. De um lado, pretende se demonstrar como a produção, circulação e uso destes adornos se relaciona a práticas rituais observadas no consumo de alimentos e na criação de xerimbabos. De outro, pretende se abordar o envolvimento (entanglement) com estes animais objetos à luz das práticas rituais de reprodução dos clãs da região. O enfoque da comunicação será a análise dos chamados “benzimentos de proteção e cura” utilizados na produção destes artefatos para retirar o potencial maléfico (linupana) dos seres animais e vegetais utilizados na confecção destes adornos. O enfoque analítico será nas relações entre pessoas e coisas, humanos e animais, destacando se o impacto da noção Baniwa de clã (newik) para o questionamento da oposição humano/animal/objeto. A comunicação se baseia em pesquisa etnográfica realizada, entre 2011 e 2014, junto aos Baniwa, um povo Arawak desta região. Esta base empírica articula se a dados bibliográficos disponíveis sobre povos Tukano e Maku que, junto aos Baniwa, compõem o sistema multiétnico rionegrino. Por meio desta articulação apresenta‐se um panorama para o tema das relações interespecíficas nesta região

 

 

LOS NO-ANIMALES EN LA ZOOSOCIOCOSMOLOGÍA DE LOS QOM DEL GRAN CHACO ARGENTINO

Celeste Medrano. Becaria posdoctoral CONICET / Instituto de Ciencias Antropológicas (UBA); celestazo@hotmail.com

 

En los estudios generales desarrollados por la autora sobre la etnozoología de los qom (toba), un grupo indígena del Gran Chaco, se concluyó que la misma conforma una “zoo-sociocosmología”. Esto es, una forma de relacionarse y conceptualizar a los animales, que se lee a la luz de la sociocosmología mediante la que se piensan los humanos. Uno de los aspectos más relevantes de esta etnozoología se vincula con la existencia de continuidades (anatómicas, fisiológicas y de interioridad, en el sentido que Descola le da al término) entre los humanos y la fauna que torna difuso su límite. Particularmente en esta contribución se analizan las categorías en las que se divide el mundo de los existentes involucrados en la sociocosmología de qom. La propuesta se basa en comparar atributos que definen a los humanos y a los no-humanos con el fin de complejizar a estos últimos dentro de los cuales se encuentran los animales. En primer término, se examinan algunas particularidades del aspecto externo, las preferencias alimentarias, el régimen sexual y reproductivo y el comportamiento y hábitat de aquellos a los que los qom llaman shiỹaxaua (persona) para, en una segunda parte, explorarlas entre quienes son identificados como “animales”. Finalmente, se problematiza la categoría “animal” y se propone una macrotaxonomía que aporta un marco de análisis dentro del cual se pueden ahondar aspectos de la zoo-sociocosmología de este grupo indígena.

Palabras clave: etnozoología, no-animales; macro-taxonomía, qom (toba); Gran Chaco.

 

 

O FRIGORÍFICO NA ALDEIA: SOBRE AS IMPLICAÇÕES DO TRABALHO NAS INDÚSTRIAS DE CARNE PARA OS KAINGANG DO TOLDO CHIMBANGUE

Míriam Rebeca Rodeguero Stefanuto. Programa de Pós Graduação em Antropologia Social – PPGAS. Universidade Federal de São Carlos – UFSCar; miriamrodeguer@hotmail.com

 

Este trabalho, derivado de uma pesquisa em nível de mestrado em andamento, dedica-se a investigar quais as implicações para os Kaingang do Toldo Chimbangue de sua recente inserção nas indústrias de produção de carne na região da cidade de Chapecó, Santa Catarina. O trabalho nos frigoríficos, que apresenta uma organização específica e que abate animais e produz carne em quantidades industriais, se contrapõe a diversas práticas e conhecimentos Kaingang no que diz respeito ao trabalho, aos animais e à alimentação. Grande parte dos moradores do Toldo Chimbangue se aproxima de alguma forma tanto do modo industrial de se abater animais e produzir carne quanto da caça e da criação, uma vez que a maioria da população já esteve ou continua empregada em algum frigorífico da região de Chapecó e que muitos mantêm criações – normalmente de suínos e aves – nas proximidades de casa, e que a caça vem sendo retomada aos poucos acompanhando a recuperação das florestas. Assim, a partir da pesquisa etnográfica e da contraposição desses elementos, pretende-se ampliar o conhecimento a respeito das aldeias que passaram a fornecer trabalhadores indígenas para estes frigoríficos.

Palavras chave: Kaingang; frigoríficos; animais; alimentação.

 

 

COMO SE FAZ UM CACHORRO CAÇADOR ENTRE OS KARITIANA (RONDÔNIA)

Felipe F. Vander Velden. Departamento de Ciências Sociais, Universidade Federal de São Carlos; felipevelden@yahoo.com.br

Os Karitiana, povo de língua Tupi-Arikém no sudoeste da Amazônia brasileira (estado de Rondônia, cerca de 350 indivíduos) apreciam muito caçar e têm a carne de caça como seu alimento predileto. Várias técnicas de caça são conhecidas e aplicadas, entre elas o uso de cães especialmente treinados para perseguir, acuar e matar presas, especialmente aqueles animais terrestres e de pequeno e médio porte. Há um conjunto de técnicas empregadas para se “fazer” um bom cachorro caçador – e o verbo “fazer”, aqui, evidencia a qualidade artefactual, por assim dizer, dos animais entre os Karitiana, tanto daqueles animais “do mato” (selvagens), feitos em tempos míticos, como dos animais “de criação” (domésticos), feitos continuamente pela ação humana: todos os seres parecem ser, ao mesmo tempo, “feitos” no sentido de serem montados ou construídos, e “feitos” no sentido de fazer desenvolver ou crescer. Tal duplo movimento – bem expresso no duplo sentido do verbo “criar” em português (fazer, montar, ou cuidar, familiarizar) – pode ser encontrado na feitura de bons cachorros caçadores, nos quais estes processos encontram, ainda, um terceiro fator, que pode ser sumarizado pela noção Karitiana de “jeito” (que poderíamos traduzir como “modo de ser ou de estar no mundo”), e que fala, em certo sentido, das aptidões demonstradas por cada animal na atividade venatória e na maestria das técnicas e práticas de caçar. Com efeito, há cães melhores e cães que “não prestam”, como dizem os Karitiana, para a caça, e tal consideração parece estar diretamente vinculada a avaliações individuais de cada animal, e às escolhas realizadas pelos próprios cachorros quanto a se engajarem, ou não, na faina de procurar e “matar caça” na companhia dos homens Karitiana. Este trabalho busca, assim, descrever etnograficamente este conjunto de relações entre caçadores humanos e caninos, no seu processo contínuo e delicado de se fazerem predadores de sucesso.

Palavras-chave: caça – cachorros – Karitiana – Rondônia – Amazônia.

 

 

Saberes occidentales y saberes otros

 

 

CARTOGRAFIAS DA NATUREZA E DA CULTURA - OS CAIPIRAS, OS CIENTISTAS, A CAÇA E OS MACACOS-PREGO

 

Eliane Sebeika Rapchan. Professora Associada da UEM (Universidade Estadual de Maringá - Paraná - Brasil); esrapchan@gmail.com

 

A pesquisa primatológica sobre macacos-prego (Sapajus nigritus) do Parque Estadual Carlos Botelho (PECB) associa humanos e não humanos numa cartografia complexa e singular e a perseguição desses animais em situações de pesquisa é, obviamente, distinta da caça. Entretanto, há entre ambas paralelos técnicos, comportamentais e metafóricos. Como caçadores, primatólogos seguem pacientemente seus macacos. Ouvem seus sons, seguem suas trilhas, buscam indícios de seus hábitos. A caça, prática caipira, aparece, assim, ao mesmo tempo, como modelo possível dessa pesquisa primatológica e prática proibida nos limites do parque.

Como os caçadores, os primatólogos conhecem muito dos hábitos dos animais. De fato, os pesquisadores seguem os macacos tão perto quanto possível e, como os caçadores, devem ser capazes de antecipar seus movimentos. O conhecimento do primatólogo sobre a rede de trilhas, os sons e muitos dos hábitos dos animais advém de suas próprias experiências, de outras pesquisas e do apoio dos mateiros.

A pesquisa é um trabalho esgotante que não depende exclusivamente dos primatólogos. É preciso, também, que os macacos aceitem a presença humana. A observação só ocorre nos termos e tempos dos próprios macacos, de acordo com seus hábitos e em seu espaço.

Segundo as convenções antropológicas clássicas, os comportamentos e símbolos envolvidos na caça tradicional são expressões culturais humanizadas. Ingold (2000) enfatiza a necessária fusão das múltiplas variáveis presentes nessas situações para compreender sua complexidade. Não há natureza ou cultura separadamente. Elas são simultâneas e integram um todo singular. O mesmo, nesse caso, parece se aplicar a primatólogos e macacos-prego.

Palabras claves: relações humano-animal, relações natureza-cultura, comportamento animal, primatologia, mata atlántica.

 

 

PREDAÇÃO E COMPAIXÃO: OUTRAS RELAÇÕES ENTRE HUMANOS E ANIMAIS NOS MEIOS AQUÁTICOS AMAZÔNICOS

 

Guilherme Antunes. Doutorando em Antropologia Social (Universidade Estadual de Campinas - Brasil); guilhantun@gmail.com

 

As interações com a fauna a partir da caça e pesca na Amazônia figuram nos relatos de viagem dos antigos naturalistas e nas narrativas de populações costeiras e ribeirinhas, além de serem objeto de ações e políticas preservacionistas - contextos narrativos estes onde espécies de mamíferos aquáticos (alguns dos quais ameaçados de extinção) surgem, por vezes, como protagonistas. No que tange às sensibilidades ecológicas e ao estatuto jurídico de determinadas espécies (tais como cetáceos e sirênios), o enfrentamento do tema dentro da antropologia ainda carece de uma contribuição mais aprofundada. Propõe-se aqui revisitar textos naturalistas e literários que versaram de forma menos contida sobre as relações com a fauna aquática, partindo da abordagem de práticas predatórias e seus desdobramentos legais e morais em contextos fluviomarítimos, (re)constituindo uma etno-historicidade dessas relações, junto às observações de campo de uma pesquisa em andamento entre comunidades que vivem principalmente do extrativismo pesqueiro na Amazônia. Seja a predação um evento fundamental das relações interespecíficas em contextos amazônicos, trata-se aqui de atentar a outras possibilidades de interações, para além de cosmologias específicas, numa Amazônia que não é exclusivamente indígena. Considerando a atuação do Estado e seu poder de fiscalização frente a práticas extrativistas tradicionais, pretende-se pensar sobre as eventuais tensões entre ambientalismo e extrativismo, e como as sensibilidades humanas são acionadas durante diante de – e durante – atividades predatórias, tais como a caça e a pesca nos contextos amazônicos.

Palavras-chave: cultura e natureza; pesca na Amazônia; relações interespecíficas; sensibilidades ecológicas.

 

 

RELACIONES HUMANOS-FAUNA EN PASO CENTURIÓN, CERRO LARGO.

APROXIMACIONES INTERDISCIPLINARIAS

Carlos Santos (SCEAM)

Florencia Grattarola (IIBCE-FCien)

Gabriel Perazza (FAgro)

 Lucía Bergós (Fcien)

Lucía Gaucher (FAgro)

 Magdalena Chouhy (Fhuce); magdalenachouhy@gmail.com

Andrea Garay (FAgro)

 

Mediante esta ponencia nos proponemos compartir aproximaciones interdisciplinarias al campo de las relaciones sociedad-naturaleza en Paso Centurión, departamento de Cerro Largo, Uruguay en la frontera con Brasil. Estas parten de un Espacio de Formación Integral (EFI) de la UdelaR, que desarrolló en 2013 un monitoreo participativo de fauna, integrando actividades de enseñanza, investigación y extensión.

El área de estudio presenta una alta biodiversidad y alberga especies únicas en el país, varias de las cuales se consideran prioritarias para la conservación. El monitoreo tuvo como objetivo relevar la presencia de especies de mamíferos combinando metodologías de las ciencias naturales y sociales. La propuesta de hacerlo participativo partía de la necesidad de incluir conocimientos locales sobre la fauna para complementar los datos obtenidos mediante muestreos biológicos no invasivos (colecta de fecas y análisis de ADN; colocación de cámaras trampa). Sin embargo la profundización de la interdisciplina y la problematización del concepto de participación llevó a replantear el status asignado a los conocimientos locales en relación al conocimiento científico, y a considerar posible que el objeto de estudio propuesto no tuviera equivalencias con saberes y prácticas locales. La redefinición de objetivos y protocolos de monitoreo dejaron lugar a la alteridad, es decir, la condición del otro y su forma de ver, construir y clasificar naturaleza y cultura.

El equipo docente integrado por biólogos y antropólogos, continuó su trabajo sobre co-producción de conocimientos; reedita el EFI en 2015 y alberga un proyecto de tesis de Maestría en antropología sobre relaciones humanos-fauna en Paso Centurión.

Palabras clave: Humanos-fauna; Paso Centurión; interdisciplina; participación; alteridad

 

 

Sesión 2: Animales en contextos urbanos (redes de proteção, políticas públicas)

 

A CIDADE E OS ANIMAIS: EXPULSÃO, PROTEÇÃO E NOVAS SENSIBILIDADES URBANAS ENTRE OS SÉCULOS XIX E XXI

 

Andréa Osório. Dra. em Antropologia, Universidade Federal Fluminense; andrea_osorio1@yahoo.com.br; andrea.osorio@ig.com.br

 

O trabalho compara duas formas distintas de retirada de animais da rua: uma expulsiva, empreendida entre os séculos XIX e XX, pela qual uma série de proibições e perseguições a animais foi empreendida, em especial aos cães e aos animais de âmbito rural; outra, mais contemporânea, desenvolvida por grupos de proteção animal que resgatam animais da rua e os encaminham para adoção. O que permite sua ação na cidade é a ideia de que os humanos são responsáveis pelos animais, desenvolvida junto com o conceito de posse responsável, traduzido em um protocolo de manejo de animais de estimação. Embora as ideologias de fundo sejam radicalmente diferentes, mantém-se a noção de que o lugar dos animais não é a rua. Tais relações da cidade com os animais apontam para representações específicas sobre o meio urbano e os animais, para a emergência contemporânea de novas sensibilidades urbanas acerca dos animais e seu (não) lugar na cidade, bem como para um progressivo e contínuo afastamento entre campo e cidade. A emergência de políticas municipais de proteção animal parece corroborar esse novo momento, visível em legislação específica e em secretarias e programas de atenção ao bem-estar animal. Percebe-se, portanto, que as demandas dos grupos de proteção são progressivamente atendidas e que sua organização em ONGs e redes têm conseguido inserir parte de sua demanda nas agendas políticas locais.

Palavras-chave: animais, proteção animal, cidades, ruas.

ETNOGRAFIA DAS INTERAÇÕES HUMANAS E NÃO-HUMANAS EM DIFERENTES ESPAÇOS PRATICADOS DE BELÉM (PA): O CASO DOS COMMUNAL ROOSTING DE TRÊS ESPÉCIES DA AVIFAUNA AMAZÔNICA NO MUNDO URBANO CONTEMPORÂNEO COMO FORMAS SOCIAIS INTERESPECÍFICAS

Flávio Leonel Abreu da Silveira/UFPA; flabreu@ufpa.br

 

A proposta em questão visa compreender as relações entre humanos e não-humanos em três contextos diferentes da cidade de Belém, a partir das interações interespecíficas de humanos com não-humanos, mais especificamente a avifauna urbana que utiliza três áreas da cidade com grande circulação de pessoas. A partir da perspectiva de uma Antropologia produzida na cidade busco refletir sobre as complexidades de uma ecologia urbana no âmbito da metrópole paraense. As três espécies de aves que interagem com os humanos concentram-se em grande número de indivíduos em busca de alimentação, de descanso e para pernoitar em communal roosting.

Palavras-chave: Amazônia, cidade, heterogeneidade cultural, paisagens, interespécies, avifauna urbana

 

 

COMENTARIO SOBRE LA “CUESTIÓN ANIMAL” DURANTE EL PRIMER PERONISMO.  SOCIEDADES PROTECTORAS, ESTADO Y CONCEPCIONES DE “ANIMALIDAD”

Sosa, Sebastián. Universidad Nacional de Luján (UNLU), Universidad Nacional Arturo Jauretche (UNAJ); sebastian_sosa_727@hotmail.com

 

Esta ponencia intenta rastrear la dinámica de las sociedades protectoras de animales de la Ciudad de Buenos Aires durante los primeros gobiernos peronistas,  interesándonos en el desarrollo que concluirá en la sanción de la Ley Nacional 14.346 de Protección Animal. El trabajo se inserta en la frondosa historiografía del asociativismo, reconstruyendo estrategias y prácticas propias de las sociedades para alcanzar sus propósitos, pero también en función de la lógica estatal y su recepción de la problemática. La especificidad de estas asociaciones sirve también al objetivo de indagar históricamente algunos aspectos de la relación hombre-animal poco explorados en la bibliografía histórica argentina. El discurso proteccionista contiene en sí múltiples aspectos que permiten  reconstruir la historicidad de una relación que pareciese tener como estructura inmutable y a-histórica un borde, una división por la cual ambas partes se definirían. Por un lado el “hombre”, cuya aptitud al lenguaje y al raciocinio lo posicionarían no sólo por encima sino por fuera de la “animalidad”, y del otro lado el armazón taxonómico de los privados de estas cualidades. Esas privaciones que se han impuesto como definitorias de lo “animal” son las que históricamente justificaron y justifican la domesticación, la utilización científica de sus cuerpos, las matanzas con fines dietarios, etc. El proteccionismo conmociona ese límite por el cual se “naturaliza” la explotación sin más de lo que llamamos “animal”, al poner en el centro la cuestión del sufrimiento  y su estatus ético- político.

Palabras claves: Protección animal - Asociaciones -  Peronismo – Historia.

 

 

HACIA UNA REVISIÓN DE LA TEORÍA DE LA DOMESTICACIÓN DE ANIMALES EN CONTEXTO URBANO

Karen López. PPAS- Programa de Postgrado en Antropología Social – Universidad Nacional de Misiones – Argentina. CIDUNAE – Universidad Autónoma de Encarnación – Paraguay. Instituto Municipal De Vigilancia y Control de Vectores – Dirección de Epidemiologia y Vigilancia de La Salud – Municipalidad de Posadas – Argentina; karenlopez34@yahoo.com.ar

 

La ponencia pretende dar cuenta de los principales resultados de un proceso de investigación antropológica que toma como objeto “la domesticación de perros” en una ciudad del nordeste argentino marcada por una zoonosis cuya letalidad en personas humanas llegará en su peor momento al 20% de la población afectada. En el espacio urbano también poblado por faunas heterogéneas, sobresaldría una de ellas capaz de desplegar miradas que sirven para nombrar y crear un dominio de ese territorio y con ello de todas las faunas con las que interactuará. Esta ha sido la narración tradicional de las formas en que el hombre se ha adaptado valiéndose por ejemplo de la domesticación que ha sido y continúa siendo su condición y su resultado. Pero, a diferencia de lo que posiblemente ha ocurrido con la mayor parte de los animales domesticados para alimentación y servidumbre, la de los que no servirían para comida ni para transporte desafían los conocimientos alcanzados en materia de teoría de domesticación, a juzgar por la diversidad de actos y categorías humanas que necesitan ser inventariadas y analizadas para entender su papel en el universo cultural humano relacionado con el perro y con la co-evolución de las faunas urbanas y más allá de las ciudades.

Palabras claves: Cultura - domesticación- perro - zoonosis - urbana

 

 

Animales en contextos domésticos y terapêuticos

 

 

A PROTEÇÃO ANIMAL URBANA COMO EMPREENDEDORISMO MORAL: UM DIÁLOGO TEÓRICO E ETNOGRÁFICO

Bernardo Lewgoy. PPG em Antropologia Social UFRGS e pesquisador do CNPq; mlewgoy.bernardo@gmail.com

 

A partir de uma pesquisa com proteção animal em redes de protetoras de animais em Porto Alegre realizado desde 2013, pretende-se,  a partir da etnografia, ressaltar a importância da dimensão moral no modo de existência e operacionalização das relações entre humanos e animais, bem como na dimensão  intraespecífica humana.  Teoricamente, parte-se das revisões do conceito de domesticação de François Sigaut  (1988) e Nerissa Russel (2007), que apontam para a sua polissemia e multidimensionalidade (jural, genética e etológica, filo e ontogenética), assim como o aspecto co-evolutivo (diminuindo o império evolucionário da agência humana nas diversas domesticações registradas ) aproximando essa discussão da idéia de "processos civilizadores" de Norbert Elias (1992) onde a força de uma dimensão pedagógica e as tecnologias de formação de sujeitos psicológicos e morais estão envolvidas (Michel Foucault,1977 Niklas Rose, 1988) para dar conta do empreendedorismo moral (Howard Becker, 2008) e dos processos  práticos de subjetivação exercido pelas protetoras de animais sobre os adotantes e o público em geral, agora entendido como uma espécie de "interdomesticação do humano". Há todo um um conjunto de princípios éticos, processos pedagógicos, contratos, negociações e controles morais pós-adoção relacionados ao processo que vai do “resgate” de animais de rua até a sua adoção que remetem ao surgimento de uma nova moralidade e de uma nova "polícia da família multiespécies" (ampliando o sentido intraespecífico humano, emprestado do trabalho clássico de Jacques Donzelot, 1986) que adequam os seres humanos ao convívio com os animais (diferentemente de abordagens anteriores,centradas no adestramento, destinadas a corrigir e adequar o comportamento de animais de estimação aos humanos) dentro de um modelo idealizado de família conjugal de classes médias urbanas. Assim, pretende-se,a partir da etnografia discutir as diferentes dimensões morais envolvidas no processo de proteção animal, seus conflitos e impasses.

 

 

CUIDADOS, AFECTOS Y COMPAÑÍA: RELACIONES FAMILIARES ENTRE HUMANOS Y ANIMALES

Martha Ramírez-Gálvez. Profesora del Depto y del Programa de Posgrado en Ciencias Sociales – Universidade Estadual de Londrina, Brasil; marthacerg@gmail.com

 

Vários campos del conocimiento apuntan para las transformaciones familiares, como también para la necesidad de encontrar diferentes modelos para el estudio de famílias. Sin embargo, grande parte de los estudios antropológicos mantienen el análisis de las relaciones de filiación y de afinidade como definidoras de las diversas configuraciones familiares. En este trabajo se problematiza esa tendência mediante la introducción de las nociones de cuidado, afecto y compañía, a partir de las cuales se procura ampliar el concepto de relaciones familiares y con ello abrir el campo de observación de las diversas formas como las personas organizan sus existências y relaciones, al margen o mas allá de las relaciones de las relaciones de filiación y de alianza. Partiendo del concepto de relatedness de Janet Carsten; de las discusiones sobre la relación entre espécies, de Donna Haraway; y de las contribuciones de Tim Ingold se propone explorar la incorporación de mascotas (pets) en la relaciones familiares. Se trata de uma reflexión inicial a partir de la exploración de algunos casos de “relación familiar” construída entre caninos y humanos, como también del lugar que cada vez ganan las espécies compañeras en el mercado pet y en el planeamiento de lugares específicos como, por ejemplo, condomínios residenciales.

Palabras clave: Parentesco. Família. Espécies compañeras. Relaciones entre espécies.

 

 

LA EXPERIENCIA DE ENVEJECER EN UNA RESIDENCIA PÚBLICA. CUERPO, INTERACCIONES Y EL ROL  DE  LAS MASCOTAS

 

Matías Paschkes Ronis. CONICET   Instituto  de  Investigaciones “Gino  Germani”,  Facultad  de Ciencias Sociales, Universidad de Buenos Aires; matiasronis85@gmail.com

 

En una conferencia pronunciada en el Congreso Médico de Salzuflen (Alemania) en el año 1983, titulada “El envejecimiento y la muerte: algunos problemas sociológicos”, el sociólogo Norbert Elias exponía sobre el contraste existente entre los avances científicos dedicados al conocimiento de los procesos fisiológicos vinculados al envejecimiento frente al escaso tratamiento científico de la experiencia misma de envejecer. Estos estudios tendrían carácter de urgente pues, según el sociólogo, en las sociedades industriales altamente urbanizadas los viejos y moribundos están sometidos a un proceso de aislamiento que los invisibiliza socialmente. Las experiencias de estudios cualitativos desde las ciencias sociales en residencias de adultos mayores no sólo son escasas sino que también muestran notables diferencias en sus conclusiones. La controversia principal se encuentra en la cuestión de la autonomía, en especial en el debate acerca de si dichas instituciones coadyuvan al desenvolvimiento autónomo del sujeto o si, por el contrario, lo obstaculizan, generando dependencia y desubjetivación. El presente trabajo tiene como objetivo indagar la experiencia del envejecimiento al interior de una residencia pública para adultos mayores ubicada en el conurbano bonaerense (Argentina). Desde una perspectiva etnográfica se analizará el uso y a propiación de los espacios y las relaciones entre los residentes. El análisis de dichas dimensiones estará atravesado por el lugar que ocupan tanto las mascotas como las plantas al interior de la residencia, explorando el valor de estos objetos simbólicos y afectivos en la experiencia de los residentes al habitar la institución.

Palabras claves: Envejecimiento, experiencia, residencia pública, mascotas.

 

 

SOBRE A COMPLEXA RELAÇÃO ENTRE HUMANOS E NÃO HUMANOS: REFLEXÕES ANTROPOLÓGICAS SOBRE DESDOBRAMENTOS POSSÍVEIS ENTRE MEDICINA HUMANA E MEDICINA VETERINÁRIA 

 

Rosimery Medeiros de Mello Graduanda em Ciências Sociais; rosedalmaso@hotmail.com 

Fagner Carniel - Doutor em Sociologia, professor adjunto do Departamento de Ciências Sociais; fagnercarniel@yahoo.com.br . Universidade Estadual de Maringá (UEM)

 

A partir dos anos 70 a fronteira natureza e cultura passou a ser repensada pela antropologia, estabelecendo um novo debate que coloca em perspectiva uma nova maneira de se pensar humanidade e animalidade. Essa relação estabelecida entre humanos e não humanos vêm de longa data na história da humanidade, sofrendo transformações nas ultimas décadas, estreitando as relações entre humanos e os animais hoje chamados “domésticos”. Estudos recentes têm demonstrado que esses animais compartilham de hábitos, casas, alimentação, problemas de saúde – como depressão e obesidade – necessidades e tecnologias humanas. Essa pesquisa ainda em andamento, vinculada ao LEEH – Laboratório de Estudos Evolutivos Humanos – tem por objetivo analisar os estudos recentes da medicina veterinária ao qual estão em debate as questões relacionadas e compartilhadas entre humanos e animais de estimação, principalmente, aquelas que envolvem o compartilhamento de doenças, medicalização, tratamentos e comportamentos. Destarte, os desdobramentos da medicina humana para a medicina veterinária tem se tornado cada vez mais recorrente, fazendo suscitar debates que passam pelas ciências humanas e as biociências. A perspectiva teórica metodológica tem como análise os periódicos que privilegiam as novas reconfigurações do tema aqui proposto: humanos e não humanos. Considerando que as construções teóricas objetivadas também são fatos científicos criados. Temos concluído que esse fenômeno da proximidade entre humanos e animais, não somente tem modificado a composição do que entendemos como “social”, como também trás benefícios para ambos, seja na convivência ou na descoberta de novos tratamentos que podem salvar vidas e modificar a história das doenças humanas. 

Palavras-chave: antropologia; humanos e não humanos; medicina humana; medicina veterinária; doenças e tratamentos. 

 

 

“‘O QUE É QUE CAVALO SABE’: O VÍNCULO ANIMAL-HUMANO NA EQUOTERAPIA”

Luna Castro Pavão. Mestre pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Brasil; lunacpa@gmail.com

 

A partir de visitas a um Centro Hípico da cidade de São Carlos (São Paulo, Brasil), procurei examinar o nexo entre pessoas e cavalos na “equoterapia”, um método terapêutico que, conforme definido pela Ande Brasil (2010), se propõe ao “desenvolvimento biopsicossocial de pessoas com deficiência e/ou necessidades especiais”. Concentro minha análise nas sessões terapêuticas, quando praticantes − termo nativo, usado em referência às pessoas que fazem equoterapia e que, em sua maioria, são também chamadas de especiais−, seus familiares, terapeutas e auxiliares-guia conectam-se entre si e aos cavalos de modos distintos. Seguindo os atores em seus modos relacionais de comunicação e ação, o corpo e suas disposições corporais emergem como o eixo comum para negociarem certos tipos de contato, comando, disciplina e controle. Neste cenário, examino de que maneira as relações entre os humanos e os cavalos, de um lado, e as relações entre as pessoas consideradas com e sem “deficiência”, de outro lado, aparecem juntas e como, neste encontro, podem deslocar as noções de “humano” e “animal”, em seus impactos mútuos. Espera-se que os tópicos etnográficos aqui delineados possam contribuir para a temática das socialidades transespecíficas e, quiçá, aprofundar nossa compreensão sobre possíveis reformulações das categorias de humano e não humano.

Palavras chave: relações humano-animal, cavalos, pessoas com “deficiência”, equoterapia, corpos.

 

 

Sesión 3: Animales en laboratório

 

PRODUZINDO QUIMERAS: ROEDORES E CIENTISTAS EM AMBIENTES EXPERIMENTAIS

Marcos Castro Carvalho. Doutor em Antropologia Social pelo Museu Nacional/UFRJ; dabata@gmail.com

A apresentação pretende-se uma breve exposição em torno das experimentações com(em) cobaias realizadas em um laboratório de engenharia biomédica. Trata-se de um laboratório voltado para os estudos de tecnologias ultrassônicas com finalidades médicas (diagnósticas e terapêuticas). Entre outras modalidades experimentais, o laboratório em questão também desenvolve pesquisas in vivo por meio do modelo murino. Ou seja, estudos com camundongos e ratos (no caso, oncomouses e oncorats) a partir da tecnologia diagnóstica denominada biomicroscopia ultrassônica. Tendo em vista tal panorama, a exposição busca apresentar nuances, tensões e complexidades a partir da discussão da experimentação animal cotidiana na vida de laboratório. Entre outras questões, busca-se abordar primordialmente a dinâmica relacional dos pesquisadores no trato diário com as cobaias e na produção de um corpo animal útil para a ciência. Porém, se a objetificação dos animais e inevitável nesse contexto, isto não impede que outros modos de relação e afetação também se faça presente na lida dos pesquisadores com as tecnologias estudadas e com seus bichos de biotério.

Palavras-chave: etnografia de laboratório; roedores; corpos experimentais; ultrassom biomédico.

 

 

EL VIAJE DEL CANGREJO: DE LOS CANGREJALES AL LABORATORIO

Luana Ferroni. CIS, CONICET-IDES/CONICET; luanaferroni@hotmail.com

 

El cangrejo Neohélice granulata es uno de los habitantes de la Bahía de Sambormbón en la Provincia de Buenos Aires. Desde 1984 científicos de un laboratorio de neurobiología argentino viajan hacia estas costas cada 15 días a “pescarlos” y en su laboratorio investigan con estos animales la memoria. Este trabajo aborda la relación que se establece entre investigadores y animales a partir de un análisis etnográfico del viaje del cangrejo hacia el laboratorio, los modos a través de los cuales los científicos involucran su cuerpo en la manipulación de los animales y el lugar que ocupan estos en las investigaciones. Se retoman aspectos de la propuesta vertida por Tim Ingold de una antropología para la vida a fin de incorporar la dimensión afectiva al estudio del vínculo entre animales de laboratorio y científicos. También se examina la concepción ontológica de lo animal y lo humano presente en estas prácticas. 

 

Animales de cria y de caza. Selección de razas, lida y dominación

 

‘CRIOULOS’ E ‘CRIOULISTAS’: HUMANOS, EQUINOS, E SENTIDOS DE PASSADO E PRESENTE

Miriam Adelman. Professora de Sociologia e Estudos Literários, UFPR.

(Universidade Federal do Paraná, Brasil); miriamad2008@gmail.com

 

O cavalo é elemento histórico da cultura material dos grupos e sociedades  – um elemento sui generis, companheiro milenar do ser humano que viabiliza práticas sociais diversas, de trabalho, guerra e festa, frequentemente adquirindo um alto valor emocional e estética. Faremos aqui algumas reflexões sobre o sentido atribuído atualmente ao ‘cavalo crioulo’, raça sul-americana de equino: indagações que fazem parte de  trabalho etnográfico mais amplo sobre culturas equestres populares  do Paraná. Hoje em dia, o discurso sobre o crioulo, assim como as práticas a eles associadas, se apoiam em diversas instâncias institucionais mas são também construídos e reproduzidos no cotidiano de praticantes e entusiastas de equitação ‘campeira’ de esporte e lazer, homens e mulheres de classes e origens sociais diversas.  Fazem parte também de um cenário contemporâneo complexo, de novas configurações de e trocas entre o rural e o urbano. Sem deixar de reconhecer que o equino também é ‘agente’ da sua relação com o ser humano, focaremos neste trabalho os significados profundos dos discursos e práticas construídos em torno do cavalo crioulo, como valor simbólico e como ‘cultura material’: o que é que as pessoas procuram viver e expressar através de sua relação com estes equinos ( como, por exemplo, o equino intermedia relações entre pessoas ou entre as pessoas e a ‘natureza’; como diferenças entre  pessoas podem ser exprimidas ou até criadas através de uma linguagem que  por vezes ‘essencializa’ raças equinas) e como tradição e cultura regional se articulam com relações e interesses sociais, culturais, econômicos e políticos.

Palabras claves: culturas equestres populares, cavalo crioulo, humanos e não humanos, tradição, rural e urbano.

 

 

ALÉM DA DOMINAÇÃO: MORALIDADE E ÉTICA ENTRE VAQUEIROS E ANIMAIS NAS CORRIDAS SERTANEJAS DE PEGA DE BOI NO MATO

 

Renan Martins Pereira (mestrando, PPGAS/UFSCar); zinhotravis@gmail.com

 

O objetivo deste trabalho é analisar uma suposta natureza moral das relações entre humanos (vaqueiros) e não humanos (caatinga, cavalos e bois, por exemplo) existentes no contexto de minha pesquisa: em suma, as corridas de pega de boi no mato de Floresta, município do sertão de Pernambuco. Práticas sob as quais proponho uma intersecção entre o campo da moral idade e o das relações interespecíficas, a fim de problematizar minha hipótese segundo a qual as relações entre humanos e animais estão definidas por princípios morais produtores de sujeitos humanos, os vaqueiros, assim como de singularidades animais para certos tipos de cavalos e bois. A centralidade do meu debate provém do fato de que, do ponto de vista dos vaqueiros, as corridas caracterizadas por uma disputa em função da derrubada do gado na caatinga - não são práticas que submetem os animais, de maneira absoluta (principalmente o gado) a condições de violência física e moral. Em contrapartida, eles ressaltam que as corridas são atividades que os colocam sob  o  prestígio  de certas habilidades  e  conhecimentos, atributos  e  qualidades, valorizações  e  diferenciações. Disso  resulta que as  relações interespecíficas são conduzidas por um jogo moral e ético que tem por finalidade não o controle e a dominação absoluta dos animais em si, mas a gerência e o controle de relações construídas ora por laços de dominação, ora por laços de confiança (ou aliança). E que, por sua vez, produzem homens de agilidade e de prestígio em conjunção às singularidades inferidas a certos tipos de animais.

Palavras-chave: relações interespecíficas, moralidade e ética, dominação e confiança

 

 

 

DE PUREZAS E MISTURAS. SOBRE “RACEAMENTOS” DE REBANHOS BOVINOS

Natacha Simei Leal. Doutora em Antropologia Social – PPGAS/USP; natachaleal@gmail.com

 

Esta comunicação, desde uma perspectiva antropológica, pretende discutir a centralidade da produção de raças zootécnicas na pecuária bovina brasileira.  Através da descrição e comparação de dois processos de “raceamento” e melhoramento de rebanhos bovinos selecionados especialmente a fim de abastecerem demandas da indústria frigorífica, a hegemônica “epopeia do zebu” (Leal: 2014, Medrado: 2013) empreendida por pecuaristas do Triângulo Mineiro e do Centro-Oeste brasileiro a partir da virada do século XIX para XX e os recentes investimentos de elites ganadeiras nordestinas e pesquisadores da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) na seleção e preservação do mestiço gado Pé-Duro do Piauí, este trabalho, em diálogo com uma literatura que, do ponto de vista etnográfico, trata da consolidação de indústrias de estoque de sangue e pedigree e de práticas de pastoreio e pecuária, pretende descrever como os enunciados da genética, da economia, mas também da “cultura”, da história e da tradição produzem e purificam raças zootécnicas. Ademais, anseia analisar as purezas, misturas, códigos, substâncias e saberes que ao “racearem” rebanhos produzem reses, mas também criadores.

Palavras-Chave: Raça, Pecuária, Pé-Duro, Zebu.

 

BICHOS DO MATO (E DA PEDRA): A IMPLICAÇÃO DE HUMANOS, DEUSES E O MERCADO NA CRIAÇÃO DE CAPRINOS NA REGIÃO DO ALTO CAMAQUÃ/RS

 

Marília Floôr Kosby. Universidade Federal do Rio Grande do Sul; marilia_kosby@yahoo.com.br

 

Atentando para a diversidade dos modos de vida constituídos na região do pampa sul-rio-grandense, este estudo se propõe a cartografar os múltiplos agentes implicados na criação de caprinos, uma das únicas atividades agropecuárias possíveis de serem executadas nas áreas de terreno com aclive, solo pedregoso e densa vegetação arbórea da região do Alto Camaquã (especificamente áreas dos municípios de Bagé e Caçapava do Sul). Os principais consumidores da produção de caprinos dessa região são as casas de religiões de matriz africana das regiões de Pelotas e Porto Alegre, o que gera algumas controversas entre os produtores: aqueles mais afinados com órgãos técnicos, como Embrapa e Emater, acreditam ser “um desperdício” que uma carne tão saudável seja destinada massivamente a rituais religiosos, podendo haver investimento na criação de um mercado de consumo da mesma como comoditie;outros, mais voltados para o pastoreio tradicional (extensivo), não querem e nem podem fazer tal investimento, como a construção de abrigos e a compra de alimentos específicos, pois o mato sempre deu tudo que é preciso para uma produção alta de animais saudáveis.  Vistas as peculiaridades atribuídas a cada animal destinado à sacralização (ciclo de vida completo, ausência de maus tratos, controle da reprodução, cor da pelagem), busca-se também conhecer como criadores, comerciantes e compradores agenciam técnicas de criação, rituais religiosos e as condições do mercado agropecuário na conformação de tais redes sociotécnicas.

Palavras-chave: etnografias da pecuária – religiões de matriz africana – antrozoologia

 

 

A “NAÇÃO DE GADO”: PECUÁRIA EXTENSIVA E PRODUÇÃO DO ESPAÇO EM DOIS MUNICÍPIOS MINEIROS

Luzimar Paulo Pereira. Doutor / UFJF; mazinhop@gmail.com

Carmen Silvia Andriolli. Doutora / UFRRJ; carmen.andriolli@gmail.com

 

A circulação do gado por sítios, fazendas, estradas, cerrados, veredas, várzeas e rios é um importante tópico da vida cotidiana dos moradores das áreas rurais dos municípios de Urucuia e Chapada Gaúcha, localizados nos limites das regiões norte e noroeste de Minas Gerais. Tema de conversações e foco de algumas das principais preocupações dos seus habitantes, os deslocamentos – que podem ser resultado de desígnios humanos ou frutos das intenções dos próprios bichos - dão contornos específicos às noções de “criação” e “mexer com criação”, entendidas como modos de se definir o meio ambiente envolvente, os seres da natureza que vivem sob os cuidados dos homens e as formas de se lidar com eles.  A partir de material etnográfico recolhido ao longo de viagens de campo realizadas entre os anos de 2007 e 2014, pretendemos descrever e analisar as maneiras pelas quais o movimento dos animais é percebido e entendido pelos seus donos e demais moradores. Em especial, tentamos compreender o papel que a circulação do gado desempenha nas atividades de produção, manutenção e eventual destruição dos espaços de vida e trabalho, além de avaliar sua relação com diversas formas de sociabilidade inter-humana. O eixo descritivo desta apresentação será construído através do inventário dos saberes e práticas associados à atividade do criatório, expressos no trabalho dos criadores e nos relacionamentos cotidianos estabelecidos entre homens e animais. A este material serão somadas narrativas recolhidas junto a informantes selecionados.

Palavras-chave: campesinato; pecuária; relações humanos e não-humanos; espaço.

 

 

“LIDA BRABÍSSIMA”: A CULTURA DA CAÇA COMO CONSTITUIDORA DA RELAÇÃO ENTRE HUMANOS, ANIMAIS E ARTEFATOS NA PECUÁRIA EXTENSIVA NO PAMPA BRASILEIRO

Profa. Drª. Flávia Maria Silva Rieth (PPGAnt/ICH-UFPEL) – riethuf@uol.com.br

M.e Daniel Vaz Lima ( PPGAnt/ICH-UFPEL) –dvlima.vaz@gmail.com

M.e  Eric Barreto ( PPGAnt/ICH-UFPEL) - ericsbbarreto@gmail.com

 

Esta etnografia trata sobre a lógica da caça como constituidora do modo de vida dos campeiros no manejo das atividades da criação extensiva de rebanhos bovinos, equinos e ovinos em continuidade a reflexão do “INRC – Lidas Campeiras na Região de Bagé”, pesquisa que descreveu as práticas associadas à atividade da pecuária no pampa brasileiro. O pampa é concebido como uma trama de tentos, tecida por meio da mobilidade de humanos e não humanos que se encontram e se tramam criando diferentes combinações. Atenta - se para os diferentes manejos dos rebanhos – o “tradicional” e o “racional”-, em que figuram diferentes percepções a cerca das relações entre humanos e não humanos. O modo de vida dos campeiros, que tem habilidade no manejo das lidas, está diretamente relacionado com os outros animais, os artefatos e os ambientes do pampa. O aprendizado consiste numa “educação da atenção” (INGOLD, 2010) em que as habilidades são incorporadas por meio da percepção e da convivência entre os humanos e não humanos. A lida campeira é concebida como brabíssima pelo que esta tem de selvagem, em que se faz necessário encarar as forças da natureza, o gado bravio, cavalos xucros, demandando muita força física que, na linguagem do campeiro, significa “ter força no braço”. A partir da descrição do gosto dos peões por manter com animais de criação relações próximas à caça – correr atrás do boi, laçá-lo, propomos refletir sobre as noções de caça e domesticação tanto de humanos quanto de animais.

Palavras chave: Modo de vida campeiro, cultura da caça, relação entre humanos e não humanos.

 

 

MÁQUINA DE CORRER: BALA BALI DEIFICADO

 

Rafael Velasquez . Mestre em Antropologia pela Universidade Federal Fluminense ; rafaelvelasqueztg@gmail.com 

 

paper pretende analisar o processo de “deificação” do cavalo de corrida Bal A Bali, que no ano de 2014 foi tríplice coroado e, também, vencedor do GP Brasil. Na idade hípica de 2 anos, o potro, junto com outros de sua geração (2010), estreou nas pistas do Hipódromo da Gávea (Rio de Janeiro). Das suas 12 apresentações no prado carioca – antes de ir para os Estados Unidos – Bal A Bali obteve 11 vitórias e um 3º lugar. Em todas as apresentações ele foi o favorito dos apostadores, tanto por seu pedigree (bem como pela reputação e o prestígio do seu criador e do seu proprietário), como pela boa campanha que estava apresentando. Com a vitória na 1ª etapa da tríplice coroa o Puro-Sangue ganhou notoriedade. Porém, foi com a vitória do GP Cruzeiro do Sul, 3ª etapa da tríplice, que Bal A Bali saiu do status de simples competidor para se tornar um herói, figurando no panteão dos grandes corredores. E como todo grande herói, Bal A Bali atraiu tanto admiradores como inimigos, que queriam vê-lo derrotado no GP Brasil – independentemente do envolvimento das apostas. A partir da etnografia dos páreos hípicos, pretendo pensar a relação homem-animal, pela perspectiva dos apostadores, de quando um cavalo é, simbolicamente, deificado. 

Palavras-Chaves: Corrida de Cavalo; Relação Humano-Animal; Natureza e Cultura; Antropologia da Aposta