RESUMEN GRUPO DE TRBAJO 22

GT 22 FALAS ETNOGRÁFICAS. NARRATIVAS E POLÍTICAS DA EXPRESSÃO ENTRE GRUPOS TRADICIONAIS

Coordinadores:

Simone Silva (Professora Adjunta, UFF). Evandro Bonfim (Museu Nacional/UFRJ); evandrobonfim@hotmail.com. Lucía Tennina (UBA-CONICET)

 

Sessão I

CICLO DO PENSAMENTO INDÍGENA: TECIMENTO E CONFIGURAÇÃO

João Rivelino Rezende Barreto (doutorando em antropologia social – Universidade Federal de Santa Catarina/SC/Brasil); yupuribubera@gmail.com

O tecimento do pensamento tukano no âmbito das “figuras” e “conceitos” é um desafio constante na medida em que se corre risco em querer generalizar a partir de uma ideia. Isso, porque, se constitui de uma variação da variação. Assim, seja kumu (benzedor), seja yaí (pajé), seja bayá (músico) estabelecem seu próprio tecimento de pensamento ao mesmo tempo em que se trate de uma mesma coisa. De forma que, essa variação, é muito mais questão étnica pela particularidade variante. Assim, o tecimento do pensamento de um tukano varia em relação a um tuyuka, seja isso do ponto de vista de um pensar, bem como do ponto de vista de uma linguagem. Nesse ensaio, apresento alguns termos que podem ser as chaves de leitura àcerca do tecimento do pensamento tukano. Vale ressaltar que não se trata de uma visão geral, mas sim de um ponto de vista tukano, especificamente de uma versão apresentada por um kumu tukano, o senhor Luciano Barreto. Além disso, em certo momento, parece que tudo se inicia para o tecimento do pensamento tukano a partir do viés de acessibilidade com o qual a pessoa poder tecer, seja a partir de kumuáse, yayáse, bayáse, ukunse ou khití. Essa dinamicidade possibilita a entender que há uma circulação constante desses termos. Ao mesmo tempo, parece que não há um desvinculo de um termo para outro, pois, está em constante conexão a partir do momento em que entra em circulação viabilizada pelo discurso, uma dança, benzimento, um ritual, um conto, uma viagem espiritual. Passemos então para cada termo.

Palabras claves: tÅ«onhase; úkunse; khirtí.

 

 

LEMBRAR, ESCREVER, COMPARTILHAR. MEMÓRIAS E NARRATIVAS INDÍGENAS NUM EXERCÍCIO DE ETNOGRAFIA COMPARTILHADA

 

Jamerson Bezerra Lucena , Ruth Henrique da Silva , Estêvão Martins Palitot  (UFPB) e Maria das Neves Santana (Povo Potiguara); jamerson_lucena32hotmail.com

 

Na antropologia contemporânea muita atenção tem sido dada aos estilos de escrita e às formas de narrar o encontro etnográfico. Alguns trabalhos pioneiros tem se aventurado em distintas formas de representação da dialogia e da polifonia em campo. Porém, esses exercícios não tem se alargado nos meios de formação de antropólogos e poucos são os projetos compartilhados de escrita etnográfica. Nossa proposta é a de um exercício que vem se realizando na construção de uma pesquisa sobre indígenas vivendo na região metropolitana de João Pessoa/PB. Neste encontro etnográfico temos contado com a colaboração de Dona Maria das Neves Santana e de seu filho Daniel Santana. Dona Neves é indígena Potiguara que vive há mais de trinta anos na cidade de Bayeux/PB. Pertencente à uma família de lideranças indígenas, tem um trânsito intenso entre os contextos da aldeia e da cidade, acumulando experiências e tornando-se uma excelente narradora. Seu filho Daniel é graduado e mestrando em história pela UFPB, e foi através dele que conhecemos Dona Neves. Através desse encontro nos deparamos com uma senhora que possui uma memória narrativa riquíssima e que pontua de forma magistral a sua trajetória de vida da aldeia até a cidade. Tal fato despertou o interesse de avançarmos na construção de uma etnografia compartilhada, tendo como guia as narrativas de Dona Neves e os processos de descoberta e reconhecimento que suas histórias proporcionam. Nossa comunicação pretende evidenciar as questões metodológicas que envolvem a realização dessa empreitada compartilhada.

Palavras-chaves: Memória social. Povo indígena Potiguara. Pertencimento étnico. Redes sociais de parentesco.

 

 

“ARTE VERBAL E INTERCULTURALIDAD. DIÁLOGOS DISCIPLINARIOS Y DISCUSIONES METODOLÓGICAS”

 

Fernando Fishman (UBA/CONICET); ffischman@sinectis.com.ar

 

En este trabajo abordo algunas de las preguntas planteadas en la propuesta del GT. Específicamente aquellas referidas al lugar de la palabra en la sociedad estudiada y a los límites en la representación del “otro”. Con el objetivo de dialogar con dichos interrogantes focalizo en la recuperación de las formas creativas del habla como una manera de acceder al conocimiento de lo social y en las implicancias para el trabajo antropológico de un abordaje que tome en cuenta las dimensiones contextuales del habla poética.  De ese modo, hago un recorrido crítico por investigaciones que he llevado a cabo desde fines de la década de 1980 acerca del uso de formas de arte verbal en numerosos procesos socioculturales, entre ellos el de construcción de identidades étnicas, el de elaboración de memoria social y el de trasmisión de conocimientos en contextos pedagógicas. El propósito de dicho itinerario es plantear reflexiones surgidas a partir de las conclusiones de las investigaciones realizadas en más de dos décadas de trabajo y vincularlas con las que estoy llevando a cabo en la actualidad sobre relaciones interculturales en contextos trasnacionales, para discutir las maneras en que formas de habla poética operan en procesos de articulación entre colectivos sociales diversos.

Palabras clave: arte verbal, interculturalidad, habla poética,  alteridad

 

ORIXÁS EM LIBRAS: ELEMENTOS NÃO SONOROS DA ORALIDADE EM RELIGIÕES AFRO BRASILEIRAS

 

Evandro Bonfim (Museu Nacional/UFRJ); evandrobonfim@hotmail.com

 

A prática das religiões afro-brasileiras reserva grande importância às experiências auditivas, visto que cantos, instrumentos musicais e conversas com os sacerdotes são elementos importantes do aprendizado religioso. No entanto, nestas comunidades de oralidade se encontram adeptos surdos, que se beneficiam da mesma transmissão de conhecimento através de outras modalidades de "fala", que lançam mão de elementos como "ritmo" e "iconicidade" para se realizar. O objetivo da comunicação é apresentar estas outras dimensões da oralidade através do recém-criado vocabulário de termos das religiões afro-brasileiras para a Língua Brasileira de Sinais, onde a expressão dos orixás se dá através de marcas não sonoras reconhecíveis igualmente por falantes do Português.

 

 

ME CHAMAM DE CABO TOCO: NARRATIVAS DE DONA OLMIRA, A PRIMEIRA MULHER RIO-GRANDENSE A ASSUMIR FARDA MILITAR

 

Renata Colbeich da Silva (Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal de Santa Maria); renatacolbeich@hotmail.com

 

Nascida em 18 de junho de 1902 em Caçapava do Sul – RS (Brasil), Olmira Leal de Oliveira, popularmente conhecida como Cabo Toco, foi a primeira mulher gaúcha a ostentar a farda da Brigada Militar. Recrutada aos 21 anos de idade para servir como enfermeira durante os movimentos armados de 1923, 1924 e 1926 quando Borges de Medeiros lutava pela legitimidade de sua reeleição ao governo do estado do Rio Grande do Sul, durante a Revolução Tenentista. As narrativas de guerra contadas pela mesma se (re)produzem elaborando imaginários, desde sua condição de enfermeira até assumir o posto de combatente, tomando forma enquanto texto, colocando os interlocutores numa posição semântica do contar apresentando a imagem da mulher dos anos 20 e o impacto de sua participação numa revolução armada. Neste sentido, o texto proposto, compreende como Cabo Toco se representa através de narrativas, partindo da utilização do passado no presente e seus desdobramentos, articulados por diálogos entre heróis gaúchos, tradição, gênero e representação.

Palavras-chave: Narrativas, Cabo Toco, Imaginário e Representação, Heróis Gaúchos.

 

Sessão II

 

ACONSELHAR PARA ATUALIZAR. REFLEXÕES SOBRE OS ENUNCIADOS DE UM LÍDER

Amanda Cristina Danaga (PPGAS, UFSCAR); adanaga@gmail.com

 

O cenário do movimento indígena no Brasil, atualmente, segue com a proeminência de lideranças indígenas que passam a narrar memórias contadas na primeira pessoa do singular, na tentativa de falar em nome de seus grupos. Tal fato não aloca o individuo como símbolo da manifestação da representação coletiva, porém problematiza a ideia de individuo para além do individuo durkheminiano (oposto do social) e amplia as possibilidades que a antropologia tem de representar o outro. Esses discursos se tornam importantes meios para compreender os regimes de subjetivação ameríndios, o surgimento dos sujeitos autobiográficos dentro da etnologia indígena e suas implicações na escrita do texto etnográfico. Partindo dessa discussão, busco abordar as memórias (arandu kue) e narrativas de uma liderança Tupi Guarani que vive na aldeia Ywytu Guaçu (Renascer) localizada no município de Ubatuba/SP, o cacique Antonio da Silva Awá. A opção por fazer uma etnografia ancorada nas narrativas e memórias dessa liderança Awá conduz a uma complexificação das ideias de individuo e sociedade, subjetividade e objetividade, cultura e personalidade. Minha tentativa incide em apresentar partes de uma reflexão que tem seu foco nos efeitos do encontro com tal liderança, efeitos esses expressados através de enunciados, falas (omonbe’u) e aconselhamentos (omongetá) cotidianos.

Palavras-chave: Liderança, aconselhamentos, memórias e narrativas.

 

 

PROCESSOS DE APRENDIZAGEM E FORMAÇÃO DE SÁBIOS YE’KWANA

 

Karenina Vieira Andrade (Professora Adjunta do Departamento de Antropologia e Arqueologia, UFMG); andrade.karenina@gmail.com

 

As narrativas wätunnä são passadas através das gerações, via de regra oralmente. Todo indivíduo ye’kwana, povode língua caribe cuja população está em parte no território brasileiro (04 aldeias) e em parte no território venezuelano (59 aldeias) conhece em alguma medida ao menos as principais wätunnä. O processo de aprendizagem das narrativas, que dura toda a vida, poderá transformar o estudioso em um historiador, um especialista a quem se recorre sempre que é necessário e que fica responsável pelo treino de estudantes da nova geração.

Há uma aura ritual no processo oral de contar uma história, um protocolo a ser seguido, por diversas razões. Ao longo do processo de formação de um especialista nas narrativas, há também uma série de restrições que envolvem aprendiz e mestre, que passam por restrições alimentares e diversos outros protocolos, que revelam não apenas uma teoria nativa do conhecimento, mas também sobre o conceito de pessoa ye’kwana.

Este trabalho pretende refletir sobre o processo de aprendizagem e formação do historiador especialista nas wätunnä, apoiando-se especialmente na interação estabelecida entre a antropóloga, ela própria tornada uma aprendiz, e seu mestre. Para além da reflexão sobre o próprio processo de aprendizagem, pretende-se explorar aqui a natureza da construção textual etnográfica entre a pesquisadora e seu interlocutor, um renomado historiador ye’kwana.

Palavras-chave: ye’kwana, narrativas ameríndias, processos de aprendizagem

 

 

 

 

A CONVERSA CANTADA: OS SENTIDOS DAS FALAS POÉTICAS NUMA PAISAGEM RURAL

Simone Silva (Professora Adjunta do Departamento de Ciências Sociais - UFF); simonesilvabr@gmail.com

 

Esta comunicação visa a apresentar as questões acerca do processo de construção da sociabilidade na mesorregião da mata pernambucana (Brasil). A partir do lugar das pessoas no contexto poético da cantoria de pé-de-parede, trabalho com a concepção nativa de casa, buscando assinalar as especificidades quanto às formas de construção e de manutenção de relações sociais e, por conseguinte, da alteridade. A fim de demonstrar as lógicas plurais que fazem com que essa casa rural não esteja encerrada nela mesma, procurei compreender e explicar o lugar da poesia na vida das pessoas, por meio de uma análise acerca da função poética na comunicação verbal da região. Refletindo sobre a importância da forma versificada para comunicar, expressar, convencer, etc., na arte verbal nativa, levantei questões sobre a proeminência da audição no processo de construção e significação do espaço. Identificamos a partir da ideia de função emotiva da linguagem, que os versos poéticos, devido a ambiguidade de seus recursos estruturantes, em muitas situações, podem neutralizar o conflito, sem coibir a emissão da mensagem ou o debate.

Palavras-chave: cantoria, casa rural, sociabilidades, campesinato.

 

 

A PALAVRA CANTADA NO FANDANGO CAIÇARA: POÉTICAS DO CORPO E A PERFORMATIVIDADE DA MEMÓRIA

 

Patrícia Martins (Doutoranda em Antropologia Social, UFSC); patricia.martins@ifpr.edu.br

 

O fandango caiçara apresenta uma imensa diversidade de versos e de respectivas performances em bailes de fandango, compondo um grande mosaico de tocadores, dançadores, personagens, falas e imagens que vão se transformando à medida em que são experenciados nas situações em relevo. Isto porque a prática de tocar, ouvir e dancar o fandango nesta região (litoral  norte  do  Paraná  e  sul  de  São  Paulo/Brasil)  está  inserida  num complexo   contexto   polifônico   onde   o   ressoar   destas   várias   “vozes”, representa a vitalidade de uma tradição que é recriada dia após dia. No fandango, sobretudo, as letras estão imbuídas de fortes percepções do ambiente, juntamente com aspectos de seus cotidianos e temas envolvendo sentimentos, emoções e afetos de ordem subjetiva. Além disso, o processo de “bricolage” que ocorre na composição das letras, onde recortes e trechos de autorias variadas vão se misturando no trânsito destes versos entre tempo e espacos diferenciados, demonstra o aspecto relacional e multiagentivo da “criatividade” no fandango. Portanto, não se trata de uma não-autoria, mas de versos que circulam e se incorporam uns aos outros. A maneira de um bricoleur, os versos são compostos, colecionando restos, miudezas, fragmentos, completando-os e recombinando-os numa nova composição (Lévi-Strauss,  1976).  O  caminho  que  proponho  para  a  visualização  da “palavra cantada” no fandango é metaforizar a noção de voz, ampliando-a, incluindo a voz do violeiro, a poética dos versos, a sonoridade dos instrumentos musicais, e ainda, os burburinhos do baile. Todas estas são manifestações do mundo sonoro, e como tais, comportam qualidades simbólicas essenciais. Proponho pensar o texto e a poesia oral enquanto performance, percebendo a simultaneidade destas expressões (Bauman e Briggs, 2008). Considerando estes elementos, é importante retomarmos a centralidade do corpo para a produção e reprodução da socialidade que reveste o fandango, assim, o corpo é o veículo que dá forma ao que se quer comunicar,  seja  através  dos  versos,  da  voz,  das  sonoridades  ou  dos bailados, a performance contida nos bailes envolvem o uso da linguagem poética pensada enquanto potência criativa.

Palavras-chave: poética musical; performance; bricolagem.

 

 

CONTEXTOS RITUALIZADOS NUMA NARRAÇÃO MÍTICA TIKUNA: SUL DO TRAPÉZIO AMAZÔNICO COLOMBIANO

 

W. Eduardo Gómez-Pulgarín (Doutorando em Sociologia e Antropologia, Universidade Federal do Pará UFPA); eduardogomez81@yahoo.com

 

Os relatos míticos do povo Tikuna apresentam algumas características interessantes para as expressões orais indígenas de uma área de estudo tipológico: Noroeste da Amazônia; mas cada mito pode ter distintas versões e formas de conta-los. O exercício proposto para esta comunicação toma como ponto de partida a amostra de um tipo de narração Tikuna que ainda está por construir e debater. O relato mítico coletado no povoado de Arara (Trapézio Amazônico Colombiano) foi gravado com o sabedor local Yoní em 2008, consta de 15 minutos e se transcreve em 247 linhas. Ele conta a historia da aparição dos clãs Tikuna e descreve em pequenos apartados experiências pessoais da suas praticas rituais como pajé na festa da “moça nova”.  Igualmente, o  tratamento dos dados- linhas, versos e estrofes- é baseado nos postulados da etnopoética (Hymes 1998) e nos deixam examinar alguns elementos de valor deíctico e de dialogismo como “novidade” neste tipo de narrações. Mas, tal “novidade” vem acompanhada de “mudanças” na maneira tradicional do ato de narrar? Outras narrações mostram um padrão interessante com exemplos diferentes. Trata-se assim da conformação de um novo gênero ou simplesmente um cenário do branco para exprimir o pensamento indígena? Claramente há uma mensagem por descobrir neste relato que falará da existência ou não de contextos ritualizados.

Palavras-chave:Tikuna, Etnopoética, Traços linguísticos, Contextos Ritualizados.

 

 

Sessão III

 

PELAS MARGENS DO RIO, PELAS MARGENS DA FLORESTA E PELAS MARGENS DA CIDADE: ESTUDO ANTROPOLÓGICO DAS NARRATIVAS POPULARES EM BENJAMIN CONSTANT – AMAZONAS

 

Ismael da Silva Negreiros (Antropólogo, UFAM); maelufambc@hotmail.com

 

Este estudo pretende apresentar um panorama de “histórias narradas” pelos contadores de histórias de Benjamin Constant- Amazonas, envolvendo uma discussão sobre oralidade e memória. Narrativas que se voltam para distintos lugares, tempos, localidades e com as mais diversas situações, histórias que retratam uma realidade vivida pelo contador ou não. Aqui contos de vidas, contos de histórias, pelas margens do rio, pelas margens da floresta e pelas margens da cidade, em virtude das narrativas contadas estarem inseridas nesses contextos: no urbano, no rural, no rio, na floresta e tantos outros lugares, uso também a representação das margens como um elemento para situar as histórias. O estudo que fundamentou está discussão é resultado do Trabalho de Conclusão de Curso apresentado no Bacharelado de Antropologia do Instituto de Natureza e Cultura - UFAM. Intenção de apresentar essas histórias, classificando-as, é sistematizar e demonstrar a diversidade de elementos existentes em suas estruturas, ao mesmo tempo de ressaltar seus contextos e os locais em que essas narrativas se passam. Assim, com a contribuição do saber tradicional e popular dos contadores foi possível classificar as histórias narradas nessas categorias de análises. Proponho considerar do ponto de vista antropológico que essas histórias contribuem para a cultural local, nos aspectos sociais, educacionais e entre outros, mostra a realidade de um passado e influência no contexto atual do município.

Palavras-chaves: Contadores. Narrativas. Cultura Popular.

 

 

PROJETOS DE VIDA DE ADOLESCENTES E JOVENS DE COMUNIDADES REMANESCENTES DE QUILOMBO DO MUCURI/MG/BRASIL

 

Eva Aparecida da Silva (Universidade Estadual Júlio de Mesquita Filho – UNESP);evasilva@unesp.fclar.br/evasilva5@hotmail.com

 

Este trabalho resulta da pesquisa “Jovens quilombolas e seus projetos de vida”, realizada no período de 2012 a 2014, com financiamento da FAPEMIG, e coloca em evidência os projetos de vida de adolescentes e jovens de três comunidades remanescentes de quilombo (Cama Alta, Córrego Novo e São Julião) pertencentes ao município de Teófilo Otoni, Vale do Mucuri, Minas Gerais, Brasil. Aderiram à pesquisa 60 sujeitos adolescentes e jovens, distribuídos por comunidade da seguinte forma: 23 da Córrego Novo, 17  da Cama Alta  e 20  da São Julião. A coleta de dados foi feita por meio de três instrumentos: questionário socioeconômico e cultural, para traçar o perfil dos jovens e adolescentes investigados e entrevistas individuais e em grupo. Esses projetos de vida foram apreendidos por meio das narrativas dos próprios adolescentes e jovens e são representativos de quem são esses sujeitos, em que condições vivem, o que pensam, sentem e como agem frente às questões de ordem social, econômica, cultural e educacionale os enfrentamentos vivenciados pelos quilombos contemporâneos para a sua efetiva inserção cidadã junto à sociedade envolvente.

           

 

MEMÓRIAS EMERSAS: DIÁLOGOS ANTRO-POÉTICOS COM ATINGIDOS PELA BARRAGEM DE IRAPÉ-MG

Amaralina Maria Gomes Fernandes (Mestranda em Antropologia Social, UFG); amaralinamgf@gmail.com

 

A etnografia na comunidade de Riacho da Porta, composta por famílias atingidas e reassentadas pela usina hidrelétrica de Irapé, Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais (Brasil), foi um encontro com narrativas de memórias de um processo sem fim. São delas também que provem as práticas sociais, vínculos e memórias que produzem o enraizamento objetivo e simbólico do grupo (VALENCIO, 2013.), com o território do qual foram obrigados a deixar pela força das águas do “progresso”. Quando uma das moradoras fala: “De pouco a pouco a gente vai se acostumando... não é?”, numa resignação forçada, pude perceber o quão marcado e presente é esse tempo de reconstrução do grupo. É um processo paulatino que vai sedimentando as lembranças e reorganizando as memórias em novas camadas de sentido. O acostumar não é só físico, é também cultural e sensível. É ele que também ordena as memórias do que deve ser lembrado e o que deve ser esquecido, os traumas, os medos e as tristezas, provocados pela violência de ser não apenas atingido como arrancado de seu lugar de pertencimento. Neste trabalho, estarão transcritos alguns dos relatos da memória, lembranças e narrativas sensíveis dos moradores de Riacho da Porta com as reminiscências poéticas que foram trazidas na releitura das conversas. Este exercício, próprio do oficio do poeta, pareceu apropriado na tentativa de compreensão dos principais sentimentos evocados e construídos passados quase um década do reassentamento.

Palavras-chave: Memória, deslocamento forçado, narrativa, poesia.

 

 

PALAVRA EM ATO E PALAVRA EM TEXTO NOS SARAUS DAS PERIFERIAS DE SÃO PAULO

Lucía Tennina (UBA – CONICET); luciatennina@gmail.com

 

Esta apresentação concentra-se nos saraus das regiões suburbanas de São Paulo que tem se expandido a cada vez mais desde o ano 2001, acontecendo a maioria deles em bares chamados de “botecos”. O trabalho resulta de uma pesquisa etnográfica e literária realizada desde o ano 2010 até o ano 2014 e se concentra em sete saraus : o Sarau da Cooperifa, que durante o período da pesquisa acontecia toda quarta feira no bar do Zé Batidão no bairro de Piraporinha (zona Sul), o Sarau do Binho que durante o período da pesquisa acontecia toda segunda feira no Bar do Binho no bairro de Campo Limpo (zona Sul), o Sarau de Ademar que na época da pesquisa acontecia um domingo por mês no Bar do Carlinhos, primeiro, e depois numa quadra abandonada do mesmo bairro Cidade Ademar (zona Sul), o Sarau da Fundão que acontecia toda quinta feira na Sede da Vila Fundão no bairro de Capão Redondo (zona Sul), o Sarau da Brasa que acontecia dois sábados por mês no bairro de Brasilândia (zona Norte) no bar do Carlita, o Sarau Elo da Corrente que acontecia toda quinta feira no bar do Santista no bairro de Pirituba (zona Oeste) e o Sarau Suburbano Convicto que começou a funcionar em julho de 2010 dois terças por mês na Livraria Suburbano Convicto no Bairro de Bixiga (centro) . A literatura produzida nesses espaços evidencia uma consciência em relação com a questão da “oralidade” e a produção escrita e publicada. A partir desta apresentação pretendemos refletir sobre a questão da palavra em ato e a palavra em texto a partir das próprias afirmações de uma seleção de poetas de ditos saraus e as suas produções.

 

 

OS BACAMARTEIROS DE CARUARU: HISTÓRIA ORAL E PERFORMANCE NOS BATALHÕES DO AGRESTE DE PERNAMBUCO 

 

George Michael Alves de Lima (Mestre em Antropologia – UFPE); george_michael_a@hotmail.com

 

O presente artigo nasce a partir de reflexões tecidas ao longo dos últimos três anos, período voltado à análise e compreensão dos grupos de Bacamarteiros da região agreste do estado de Pernambuco e procura tecer considerações sobre alguns pontos específicos desta singular manifestação cultural, a saber: a transmissão dessa tradição que se dá através da história oral e a performance dos grupos no período de festas juninas. A dissertação defendida em fevereiro de 2013 no programa de Pós-Graduação em Antropologia da UFPE, estudo etnográfico que busca identificar a história e as especificidades dessa tradição centenária, é o fio condutor do trabalho. O folguedo consiste em uma apresentação cênico-performática de um grupo de quinze a vinte pessoas (homens e mulheres) que- vestidos com calça e camisa de zuarte, lenço vermelho no pescoço, chapéu de palha ou couro adornado com uma rosa vermelha, alpercatas ou tênis, bisaco com munição e seu bacamarte (arma de fogo, de cano curto e largo)- desfilam e fazem suas apresentações/coreografias na cidade ou mesmo na zona rural do município, dando salvas de tiros em homenagem aos santos católicos reverenciados no mês de junho na região: Santo Antônio, São João e São Pedro. Essa tradição se perpetua há aproximadamente cento e cinqüenta anos, quanto às origens, a versão mais difundida refere-se ao surgimento desses grupos após a Guerra do Paraguai (1865).

Palavras-chaves: Bacamarteiros; História Oral; Performance.