RESUMEN GRUPO DE TRBAJO 20

GT 20 – ETNOGRAFIAS AUDIOVISUAIS E A PRODUÇÃO PARTILHADA DO CONHECIMENTO

Coordenação

Sérrgio Bairon, Universidade de S. Paulo

 Zilda Iokoi, Universidade de S. Paulo

José da Silva Ribeiro, Universidade Aberta de Portugal

 

Sesión 1

 

A IMAGEM COMO ARMA – UMA PROPOSTA DE PESQUISA SOBRE A TRAJETÓRIA DAS MULHERES INDÍGENAS CINEASTAS

Sophia Ferreira Pinheiro, Universidade Federal de Goiás

A pesquisa em andamento, é sobre a trajetória de mulheres indígenas que produzem sua auto-imagem, utilizando-se dos métodos audiovisuais através da passagem de representação da “imagem do índio”, face às representações realizadas por políticas coloniais não-indígenas; para “o olhar indígena”, ou seja, a imagem auto-representada, política e do dispositivo cinematográfico, a partir do olhar compartilhado, de repertórios e experiências das mulheres indígenas, tornando-as protagonistas de suas reivindicações. Portanto, se contrapõem ao pressuposto lugar de passividade que é atribuído, frequentemente, na relação de produção imagética ativa/homem e passiva/mulher. Elas se afastam dessa visão romantizada e exótica (“do outro”) por meio das apropriações de seus discursos sendo sua própria agência artística, na produção de uma cinematografia indígena feminina. Deste modo, nos deparamos com uma tensão entre fronteiras e suas possibilidades discursivas abertas pelo exterior constitutivo das posições hegemônicas. É a partir dessa fissura que pretendo fazer uma experiência etnográfica de vídeo-cartas com as realizadoras audiovisuais indígenas. As vídeo-cartas são trocas de mensagens vídeográficas dos  mais diversos temas. Neste projeto, elas são interétnicas e interculturais. Pesquiso dois projetos brasileiros com mulheres indígenas cineastas: o Vídeo Nas Aldeias e o Instituto Catitu, atrelados aos projetos da Associação das Mulheres Xinguanas e do Pelas Mulheres Indígenas para tentar compreender parte da questão da mulher indígena no atual panorama dos direitos indígenas brasileiro, sendo elas antropófagas das metodologias e técnicas imagéticas, para sua própria etnogênese.

 

A CÂMERA QUE VÊ TAMBÉM É VISTA: PRODUÇÃO COMPARTILHADA EM OFICINAS AUDIOVISUAIS INTERÉTNICAS ENTRE POVOS ORIGINÁRIOS LATINO-AMERICANOS

Pedro de Andréa Gradella, Universidade Federal Fluminense

Em 2014 iniciei um trabalho de oficinas de vídeo com povos originários, foram realizadas cinco oficinas em diferentes territórios: Dourados-MS (Kaiowá), Aldeia Pirajuí-MS (Nhandeva), Inquivisi - Bolívia (Aymara) e duas em Maricá - RJ (M´bya). Entre setembro e dezembro deste ano, mais duas serão realizadas em territórios, Terena e Kaiowá, todas estas oficinas congregaram grupos interétnicos nestes territórios. Procuro identificar nestas experiências: Que novas narrativas ou não-narrativas, são produzidas nestas oficinas, que (re) existências provocam? Será possível produzirmos a partir de pressupostos de alteridade que não os clássicos da antropologia, mas sim pressupostos de alteridade ameríndios? Qual o entendimento cosmológico das interações entre indígenas e não-indígenas, entre humanos e não-humanos (tecnologias audiovisuais) que ocorrem nestas oficinas? Quais reconfigurações políticas empreendidas nestas aldeias por esses coletivos audiovisuais indígenas? Utilizando-me dos métodos da produção audiovisual compartilhada, do estudo de caso das oficinas realizadas, com seus debates de roteiro, escolhas de linguagem. Do trabalho de campo com seus encontros as margens da programação oficial, diálogos, evocações cosmológicas e também da análise fílmica. Identifico preliminarmente: A forte atuação destes personagens como realizadores audiovisuais e importante papel político em suas comunidades e regiões como jovens lideranças. A prolífica diferenciação interétnicas nestas oficinas, geradas nos encontros e fricções, vislumbrando elementos iniciais de uma antropologia reversa, onde estes pesquisadores/realizadores audiovisuais refletem e recriam não só a si mesmos, mas ativamente também os seus outros indígenas, não-indígenas, humanos e não-humanos. Este trabalho se desenvolve como dissertação de mestrado através da minha atuação como facilitador e realizador de antropologia-audiovisual.

 

YAWALAPITI: UMA EXPERIÊNCIA ENTRE MULHERES E IMAGEM

Thais Brito da Silva, Universidade Federal da Bahia

O texto apresenta a experiência de uma oficina multimídia com produção de imagens entre mulheres yawalapiti, no Parque Indígena do Xingu, região do Mato Grosso, na Amazônia brasileira. As mulheres, estimuladas a fotografar, fazem imagens de si mesmas e dirigem a câmera também para mim, transformando aquele encontro num processo de descoberta e alteridade. Com essa narrativa, teço o fio condutor do texto a partir do encontro, que inspirou a realização de uma pesquisa etnográfica sobre o cinema no Xingu. Considerando que as imagens realizadas pelos povos indígenas evocam, tanto do ponto de vista técnico como das linguagens e narrativas, diferentes processos criativos e estéticos na apropriação das tecnologias audiovisuais, o texto esboça uma perspectiva sobre essa apropriação em contato com as mulheres indígenas da etnia yawalapiti, notado na experiência de formação da Rede de Cultura Yawalapiti, a partir de uma perspectiva particular, o olhar das mulheres. Nesse sentido, a pergunta sobre a forma particular como as tecnologias chegam nas aldeias e interagem com as cosmovisões indígenas, levou a considerar outro questionamento sobre como esses processos acontecem na perspectiva das mulheres: por que as mulheres teriam escolhido participar daquela oficina e não outra? Por que decidiram mesmo participar, já que, na maioria dos processos de oficinas com as novas tecnologias e nos filmes realizados por cineastas no Xingu, elas não costumam assumir funções técnicas como realizadoras, com a câmera na mão, mas, geralmente, aparecem como personagens e narradoras? E, por fim, por que apontaram a câmera na minha direção?

 

COSMOPISTA PUTUXOP – CINEMA TIKMŨ’ŨN-MAXAKALI EM UM PERCURSO PELAS TERRAS DOS POVOS-PAPAGAIO

Bruno Vasconcelos, Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil

Esta pesquisa investiga a dinâmica transformacional dos povos indígenas TikmÅ©’Å©n-Maxakali, falantes do Maxakali (Macro-Jê) e habitantes do nordeste de Minas Gerais, Brasil, em sua apropriação dos recursos expressivos do cinema. Sua produção audiovisual tem trânsito por festivais de cinema, galerias de arte, assim como começa a fazer frente a situações de abuso e violência por parte dos vizinhos e invasores brancos de seu território. Acompanho uma viagem de mapeamento e filmagem de pontos de seu

território ancestral e de estabelecimento de novos laços com o povo Pataxó, antigo aliado, identificado pelos Maxakali com os povos-espíritos de um de seus conjuntos rituais – o Putuxop, ou povos-papagaio. Proponho pensar a eventual continuidade de elementos do sistema cosmológico maxakali em sistemas estéticos atuando a partir dos recursos expressivos do cinema. Ao longo desta viagem fílmica por seus territórios e o de seus aliados, aponto como os pajés Maxakali, em seus esforços de formação de cineastas indígenas, dirigindo filmes junto a eles, ou em suas declarações acerca do cinema, demonstram identificar certos procedimentos afins entre práticas xamanísticas e procedimentos cinematográficos. Haveria proximidade entre certas propriedades dos regimes enunciativos dos seres que cantam e habitam as histórias dos antigos, e procedimentos de distribuição da pessoa maxakali no processo de sua “transformação em imagem”. Sugiro que a apropriação do cinema pelos Maxakali pode ser compreendida como uma transformação de transformações, isto é de procedimentos metamórficos previamente atuantes em sua vida social através do concurso dos YãmÄ©yxop, seus aliados povos-espíritos.

 

 

LAS CORRIDAS DE GANADO EN MOLINOS. UNA PROPUESTA DE ETNOGRAFÍA VISUAL SOBRE LA TRASHUMANCIA DE GANADO EN LOS VALLES CALCHAQUÍES SEPTENTRIONALES, SALTA, ARGENTINA

 

Laura Teves, Andrés A. Jakel, Universidad Nacional de La Plata

 

El presente trabajo constituye una aproximación preliminar al estudio de la actividad de las corridas de ganado en el Departamento de Molinos en los Valles Calchaquíes septentrionales, Salta, Argentina. Se toma como caso el evento de la “separada” de animales, que es la culminación del gran evento de la “corrida”, el cual consta de un desarrollo secuenciado y pautado, de alcance temporal y espacial en la región. Proponemos un abordaje desde la etnografía visual que apunta a una doble aproximación verbal / visual, de manera de crear un complemento novedoso entre datos textuales recopilados a través de entrevistas, y datos visuales producidos a través de fotografías.

Sobre la base del material fotográfico y entrevistas relevadas entre los años 2012 y 2014 en el Departamento de Molinos, se reconstruyen las secuencias narrativas de la experiencia etnográfica, de forma de aportar un fuerte anclaje empírico al conocimiento de esta actividad colectiva, y su importancia a nivel local y regional y su impacto económico, ecológico, social y político, local y regional. A grandes rasgos este trabajo pretende realizar un aporte al estudio de las estrategias de manejo del ambiente en los Valles Calchaquíes salteños septentrionales, a través del caso de las corridas de ganado en Molinos. Al mismo tiempo buscamos testear la aplicabilidad y eficacia de la metodología de la etnografía visual para el estudio de las relaciones hombre – medio, y sus implicancias en la percepción, manejo y movilidad de estas comunidades en su entorno natural y social.

 

 

EXPERIÊNCIAS COMPARTILHADAS: COMUNIDADES ACADÊMICAS E CULTURAS ORAIS

Sérgio Bairon, Universidade de S. Paulo

Serão apresentadas experiências junto de comunidades orais no sentido de buscar refletir sobre a proposta conceitual da Produção Partilhada do Conhecimento. A abordagem da proposta acontece em meio ao universo dos estudos interdisciplinares, contando, sobretudo, com a colaboração do encontro entre a Antropologia Visual, a História da Cultura e a Comunicação. As reflexões e ações que envolvem estas experiências estão presentes tanto no campo das investigações em parceria com comunidades indígenas (Bororos, Xavantes e Karajás), quanto no nível de proposições no âmbito da educação e das políticas públicas

 

Sesión 2

Coordenação: Zilda Iokoi, Universidade de S. Paulo. José da Silva Ribeiro, Universidade Aberta de Portugal. Sérrgio Bairon, Universidade de S. Paulo

 

FOTOGRAFANDO PERFORMANCE DE CRIANÇAS BRINCANTES DO “NÊGO FUGIDO” EM ACUPE/ BAHIA/ BRASIL

Maria José Villares Barral Villas Boas, Universidade de Brasília

Através da antropologia visual, a trabalho reflete sobre performance das crianças de Acupe que brincam do “Nêgo Fugido”, manifestação da cultura popular que acontece nessa comunidade da Bahia/Brasil. Partindo da pesquisa de campo realizada em Julho de 2015, observei o impactante e autêntico engajamento das crianças que encenam a personagem chamada “nega”, escravo fujão que canta e dança após a fuga, mas agoniza quando aprisionado e mendiga dinheiro para a compra da alforria. Isso me levou a questionar como seriam as infâncias onde “Nêgo Fugido” toma forma como expressão polissêmica de caráter altamente performático em que meninos (as), homens e mulheres simulam o sofrimento da vida escrava. Fotografar foi um dispositivo primeiro em busca de aproximação com as crianças brincantes. Estar com a câmera em mãos quase sempre despertava o interesse delas em mim, ou nas imagens delas através de mim. Meninas e meninos pediam para mexer na câmera, demandavam que eu as fotografasse em certas poses e/ou durante a performance. Houve poucas crianças intimidadas ou que fingiam não perceber meus registros. Atenta a esse encontro, comecei a perceber que elas constroem a imagem de si mesmas, muito além do meu olhar através do visor óptico do equipamento. Em muitos momentos, elas constituíam suas próprias realidades, protagonistas também da manifestação, apreendendo e construindo o mundo de um modo particular. Por fim, a investigação tem a intenção de problematizar a participação desses interlocutores no contexto do “Nêgo Fugido” e em frente à câmera, demonstrando serem agentes do mundo em que vivem.

 

BRINCANDO DE REPRESENTAR: A EXPERIÊNCIA DE UMA ETNOGRAFIA AUDIOVISUAL COM AS CRIANÇAS KALAPALO

Veronica Monachini de Carvalho, Universidade de Campinas

Thomaz Marcondes Garcia Pedro, Pontifícia Universidade Católica de S. Paulo

O objetivo desta apresentação é discutir como as crianças Kalapalo, (um povo falante de Karib do Alto Xingu-MT), enquanto agentes e protagonistas de sua própria história, percebem os processos próprios de formação de Pessoa e atuam neles, se apropriando e reformulando constantemente os conhecimentos tradicionais. Para isso, será relatada uma oficina de vídeo realizada em julho de 2015 na aldeia Kalapalo Aiha, na qual as crianças apresentaram sua Cultura. Nesta oficina, as crianças puderam participar ativamente como interlocutoras e se apropriar de algumas técnicas audiovisuais. A ideia da oficina surgiu de uma conversa com os professores Kalapalo, que apontaram a necessidade de produção de materiais educativos audiovisuais. A oficina contou com a participação ativa de dois adultos homens, sendo um deles o cineasta da aldeia. A partir deste recorte etnográfico pode-se perceber a agência das crianças, como elas se vêem e querem ser representadas enquanto interlocutoras ativas.

 

MEMÓRIAS DO FUTURO: BRINCARES DA COSTA DA LAGOA DA CONCEIÇÃO

Lianor Maria Mattos e Silva Basso, Núcleo de Estudos Arte, Cultura e Sociedade na América Latina e Caribe – MUSA

Memórias do Futuro é uma etnografia da comunidade da Costa da Lagoa da Conceição, situada em Florianópolis - SC - Brasil, a partir de uma investigação audiovisual realizada com e por crianças da região. A pesquisa constrói de forma integrada sentidos do lugar através de fragmentos que demostram visualmente o sentir, o pensar, saber, o fazer, o querer - estes aqui considerados Brincares -  resultando no ambiente da comunidade através das percepções dos meninos e meninas com e para o ambiente em que vivem. A pesquisa foi realizada durante 5 meses de imersão com as crianças nas trilhas e ruelas da Costa da Lagoa da Conceição, e se coloca como mais um meio de se conhecer lugares, saberes e pessoas a partir de fragmentos recortados dos seus cotidianos e contados por seus atores. Segundo Ingold (2012), habitar o mundo é se juntar ao seu processo de formação. Neste sentido aqui são compreendidos estes Brincares, como maneira de estar, sentir, absorver e comunicar o ambiente, habitando-o, vivendo-o, fazendo jus à etimologia da palavra brincar, derivada de vincullum, que significa laço. Portanto nesta investigação, o brincar  está sendo observado e descrito como elo e canal: de união e também de transformação, que implica em um movimento contínuo do fluxo de informações, interações, inovações e estabelece uma relação direta com o corpo sensível das crianças, provocando diversos tipos de “comportamentos”, apreensões, reações que possibilitam novas experiências entre “pessoas” x ambientes físico e social, por estes contatos acontecerem através de diferentes linguagens de expressão.

 

ETNOGRAFIA E CONSTRUÇÃO COLABORATIVA DE NARRATIVAS AUDIOVISUAIS INFANTIS NAS SÉRIES INICIAIS DE DUAS ESCOLAS PÚBLICAS DA REGIÃO DA GRANDE FLORIANÓPOLIS/SC - BRASIL

Juliane Di Paula Queiroz Odinino

 Geovana Mendonça Lunardi Mendes

 Universidade, Federal de Santa Catarina

 

O objetivo da pesquisa foi o de compreender a partir das experiências culturais infantis as implicações políticas, tecnológicas e sócio-culturais que incidem sobre as categorias infância e gênero, a partir da realização de pesquisa etnográfica em duas realidades cotidianas distintas de séries iniciais do ensino público da região da grande Florianópolis. Como estratégia metodológica buscou-se realizar além de uma etnografia do contexto escolar também uma proposta de intervenção fazendo uso das tecnologias digitais disponíveis em tais realidades, com vistas a construção colaborativa de narrativas audiovisuais infantis. Esta última insurgiu como um convite na direção de garantir e registrar as expressões culturais infantis. A investigação-ação também esteve voltada para o processo de edição e produção fílmica, com vistas a retratar tais realidades infantis pelo olhar das crianças, além de provocar e questionar possíveis estereotipias de gênero, classe e etnia que viessem a surgir, por meio do exercício da alteridade. A última etapa consistiu no intercâmbio cultural de tais produções audiovisuais por meio da experiência do cinema vivenciada pelas turmas participantes das duas escolas interlocutoras do projeto. Todo o processo esteve voltado a garantir espaços de expressão, reflexão, questionamento, empoderamento, valorização e circulação de saberes para além dos conteúdos de caráter escolarizante e normatizador tão recorrentes nos currículos escolares, a partir das potencialidades e dos desafios proporcionados pelas mediações tecnológicas.

 

CONHECENDO O UNIVERSO GUARANI: A FOTOGRAFIA COMO ESTRATÉGIA DE INVESTIGAÇÃO E VIVÊNCIA DE PESQUISA

Ana Paula Maciel Soukef Mendes,  Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil.

As reflexões propostas neste trabalho são parte de uma tese de doutorado em desenvolvimento. A partir da vivência de campo de sete meses na aldeia Guarani Itaty (Santa Catarina, Brasil), durante a qual foram realizadas semanalmente oficinas de fotografia junto às crianças e jovens indígenas, a tese busca compreender como os Guarani representam imageticamente a própria comunidade. Para este GT especificamente propõe-se discutir como a fotografia, além de estratégia de luta e acção política, é também uma importante estratégia de pesquisa, que permite um contato profundo com diferentes olhares e percepções de mundo e caracteriza-se justamente por uma troca de saberesexperiências, em um processo de produção compartilhada. Esta discussão parte de um referencial teórico interdisciplinar, em especial das áreas de Fotografia, Artes Visuais, História e Antropologia.A pesquisa constrói-se sob a percepção de que a imagem está para além de qualquer imediaticidade e objetividade que em aparência possa ter. A fotografia apresenta-se como uma importante e complexa fonte, capaz de revelar visões de mundo, ideologias, subjetividades e identidades.

 

ENSINO DE SOCIOLOGIA: TEORIA E PRÁTICA DO USO DA IMAGEM COMO CONHECIMENTO NA ESCOLA ESTADUAL BERILO WANDERLY

Raphaella Pereira dos Santos Câmara, Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Trabalhar a imagem como recurso metodológico em sala de aula no Ensino Médio na Escola Estadual Berilo Wanderley/RN é uma das ações que tive como bolsista do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) na área de Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Nessa ferramenta pedagógica é fundamental primeiramente realizar um estudo etnográfico da sala de aula para conseguir uma aproximação dos alunos a realidade, experiências, tendo como objetivo construir diversas percepções de relações sociais, costumes, valores por meio da leitura de fotografias, imagens, vídeos que permitem integração e dinamismo na aula, despertando a curiosidade dos alunos. A leitura da imagem estimula maior visão autônoma, social e cultural de forma crítica, cria percepções de comparações como objeto de aprendizagem e questionamentos para além de seus significados sociais ou ideológicos, possibilitando uma comparação entre a teoria e prática. Está na missão do aluno como leitor ir além da suposta epistemologia do olhar e é nesse plano que a imagem pode tornar-se um recurso atrativo e eficaz para compreensão do conteúdo. Alguns embasamentos teóricos que utilizei como base foram: José Martins (2013) no seu livro “Sociologia da Imagem”, Paulo Freire (2014) na obra “Pedagogia da autonomia” e Roberto Cardoso Oliveira (1996) – “O Trabalho do Antropólogo: Olhar, Ouvir, Escrever.”

 

USO DA IMAGEM FOTOGRÁFICA NOS ESTUDOS CULTURAIS

Maria Aparecida de Lima, Universidade do Estado da Bahia

O objetivo do presente artigo é analisar possíveis conceitos de cultura entre os pesquisadores Malinowski, Levi-Strauss e Achutti e como estes utilizaram a fotografia em seus estudos. No transcorrer do texto é possível identificar que os teóricos utilizam-se da fotografia como um recurso metodológico para estudar seus objetos de pesquisas. No universo científico inicialmente a fotografia era utilizada como uma imagem que servia para documentar uma ação, mas em fins do séc. XIX e início do século XX já é possível observar cientistas utilizando a fotografia para estudar fenômenos culturais e narrar o cotidiano das pessoas ou grupo de pessoas. A fotografia hoje é usada por diversos antropólogos como instrumento investigativo e como um produto capaz de desenvolver uma narrativa cultural. A escolha por estes teóricos se deve ao motivo de que todos estudam aspectos culturais de determinados grupos sociais, utilizando-se da técnica da fotografia, apesar dos objetos de estudo serem bem diferentes, a saber: O Kula,  praticado com os nativos das ilhas Trobriand, a fotografia de povos indígenas no Brasil  e a narrativa fotoetnografica. Com isto espero trazer para este momento de reflexão as contribuições que estes três antropólogos trouxeram para os novos pesquisadores, mostrando como desenvolveram estratégias de investigação etnográficas utilizando-se do recurso fotográfico.  

 

DESENHOS ANIMADOS NO ENSINO DE GEOGRAFIA NA ESCOLA PÚBLICA

Elidete Oliveira da Silva Barros, Faculdade de Ciências Humanas da Paraíba

O tema ao qual me proponho estudar foi motivado devido à constatação em minha práxis pedagógica das dificuldades que os estudantes do 6º ano do ensino fundamental II sentiam para se apropriar dos conceitos básicos da Geografia. Como professora de Geografia, ao utilizar alguns filmes em desenho animado percebi um despertar reflexivo dos estudantes que o assistiam. Buscando compreender como funciona o processo de aprendizagem da Geografia nas crianças do 6º ano me propus pesquisar como filmes infantis de desenho animado podem contribuir para o processo de ensino aprendizagem. Pretendo com esta pesquisa identificar e analisar de que forma posso utilizar este recurso audiovisual pautado em conhecimentos científicos já desenvolvidos na área de aprendizagem e neurociência na tentativa de compreender como o cérebro reage a esse tipo de motivação. Penso que este estudo é relevante porque possibilita lançar propostas de atividades interativa e lúdica aos professores que desejam trabalhar com desenho animado em suas turmas. Para dar suporte metodológico a esse estudo tem-se como referências: Antoni Zabala (2010), Howard Gardner (1994), Leonor Guerra (2011) e Milton Santos (2014).

 

Sesión 3:

 

Coordenação: José da Silva Ribeiro, Universidade Aberta de Portugal. Zilda Iokoi, Universidade de S. Paulo. Sérrgio Bairon, Universidade de S. Paulo

 

UNA EXPERIENCIA DE ANTROPOLOGÍA VISUAL COMPARTIDA. EL RINOCERONTE Y LA CEBRA. ANTROPOLOGÍA SUBURBANA

Gabriel O. Alvarez, Universidade Federal de Goiás

Esta comunicación reflexiona sobre la experiencia de de construcción de un film construido a partir de la experiencia de observación participante de los alumnos de Antropología Visual en un barrio suburbano de la ciudad de Goiania. El contacto de los estudiantes con la cámara con los personajes del barrio nos lleva al mundo fascinante de los moradores, retratados en sus performances y sus universos simbólicos que hibridan lo rural y lo urbano. A partir de este material fueron realizados los cortes y edición del material para presentar una película de 25 minutos que retrata el cotidiano, con sus particularidades, emociones, conflictos y esperanzas, con una pitada de humor. La risa es un fenómeno espontaneo, performático, poco explorado en cine documental. La película fue exhibida en el barrio lo que abrió nuevos canales de comunicación y la demanda por seguir construyendo retratos de los personajes del barrio que no fueron incluidos en este primer ejercicio de Antropología Visual.    

 

SABERES E SABORES DA COLÔNIA EM IMAGENS: REFLETINDO SOBRE A PESQUISA E SUA RESTITUIÇÃO

Renata Menasche, UFRGS

Carmen Janaina Batista Machado, UFRGS

Patrícia dos Santos Pinheiro, UFRJ

Claudia Turra Magni, UFPel

Receitas herdadas, pratos tradicionais, produtos e ingredientes locais, espécies e variedades nativas, práticas da alimentação cotidianas ou rituais, utensílios e objetos que conformam a cultura material relacionada à produção e consumo de alimentos, mecanismos de sociabilidade em que acontece sua circulação e, ainda, espaços em que se realizam atos associados ao comer são percebidos enquanto elementos que compõem sistemas culinários, cuja diversidade é expressão de modos de vida e visões de mundo de grupos sociais específicos, marcando pertencimentos e distinções identitárias. Entre 2011 e 2013, a equipe multidisciplinar reunida em torno da agenda de pesquisa Saberes e Sabores da Colônia percorreu a Serra dos Tapes, região situada ao sul do Rio Grande do Sul, Brasil, buscando conhecer, especialmente a partir da observação das práticas alimentares, a complexidade existente neste espaço rural e a cultura camponesa compartilhada por famílias rurais de origens diversas. Para isso, a produção de imagens foi tomada como constitutiva da pesquisa etnográfica realizada junto a distintos grupos e localidades rurais, processo que resultou em artigos, livro e em um conjunto de produtos imagéticos. Em 2015, a equipe iniciou o processo de restituição desses produtos junto aos interlocutores, processo que tem oportunizado entre eles novas reflexões sobre a pesquisa e sobre sua participação nos produtos. A proposta deste trabalho consiste em, partindo de abordagem que toma o uso de imagens como constitutivo da pesquisa, refletir especialmente sobre as dinâmicas e processos de sua restituição a partir dos materiais imagéticos produzidos e do diálogo com os interlocutores aí gerado.

 

APRENDENDO A TRABALHAR COM VÁRIAS SENSIBILIDADES, SOBRE O VER TORNAR-SE EXPERIÊNCIA NO FACEBOOK

Cleiton Machado Maia, Universidade Estadual do Rio de Janeiro

Em minha dissertação de mestrado (MAIA, 2013) a fotografia foi usada em vários momentos de sua elaboração. Como coleta de material etnográfico sobre a Tenda Cigana Espiritualista Tzara Ramirez, durante cerimônias e rituais, e entendendo a formação e compreensão dos adeptos sobre sua sociabilidade. Isso sem contar na utilização dessas imagens como ferramenta de diário de campo, para observar e entender o que não pode ser observado (MARTINS, 2013), por qualquer que seja o motivo, durante o momento que aconteceu. Após a defesa da dissertação as imagens foram entregues aos membros do grupo estudado e esses puderam utilizar em suas redes sociais, apesar desse ponto não ter entrado em minhas análises da dissertação, mas acompanhei essas mudanças e se tornaram fomento da pergunte que rege esse trabalho: “Como as imagens que produzi em meu campo mudaram as representações desses médiuns em suas redes sociais, principalmente o Facebook?” Nesse trabalho analiso essas mudanças e as reconfigurações de como esses sujeitos se entendem pelas publicações em suas contas de Facebook.

 

ENCUENTRO EN LA LÍNEA, LA AVENIDA REFORMA EN EL DISTRITO FEDERAL, MÉXICO

Fabián Perciante García – Uruguay 

La presente ponencia intenta dar cuenta de algunos procesos de la investigación realizada en la Avenida Reforma del Distrito Federal en México. A partir de la experiencia en el trabajo de campo con un enfoque en la interdisciplinaridad apoyados en la etnografía y los estudios de la imagen, se aborda este lugar como espacio-tiempo en uno de los sitios más neurálgicos y emblemáticos de la capital mexicana. La avenida también conocida como Paseo de la Reforma es sin duda una arteria principal de la ciudad, al tiempo que evoca de manera constante una historia que continúa reelabora su contexto a través de la insistente contemporaneidad urbana. El trabajo buscó interactuar en ese contexto a través del acercamiento a diversos modos de apropiarse del espacio y su relación entre el tiempo vivido y el tiempo pensado. Se indaga en las representaciones también desde el propio investigador teniendo en cuenta tanto las fragmentaciones como las reivindicaciones del trayecto de la avenida, sus diversos usos y desusos, las proyecciones temporales, y los acuerdos para esas representaciones. Para trazar la coyuntura se hace referencia a la idea de -acuerdo latente como acontecimiento- y a una idea de línea (tiempo-espacio) que se dispersa.  Estos dos componentes y su relación con la imagen aparecen de modos diversos en el contexto de la avenida planteando un entramado práctico-teórico como proceso y metodología. 

 

 

APOLOGÍAS DEL HÉROE PATRIO: IMÁGENES DE MASCULINIDAD Y GESTIÓN DE LA GUERRA EN COLOMBIA

Darío Muñoz Onofre,  IFCH-UNICAMP

Con base en mi investigación doctoral, en esta ponencia desarrollaré un análisis cultural de una muestra de imágenes de masculinidad que circularon a través de los medios masivos de comunicación en Colombia, durante la primera década del siglo XXI. La producción y la circulación masiva de estas imágenes se efectuó a partir de la reactivación de la guerra con las Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia –FARC en 2002, luego del fracaso de las negociaciones políticas con este grupo armado y en el marco de la denominada “guerra global contra el terrorismo”. Reconociendo este contexto, mostraré cómo las imágenes fabricaron un tipo de masculinidad heroica asociada a la guerra, y cómo esa masculinidad se convirtió en ícono del nacionalismo y el patriotismo. Analizaré en las imágenes el tipo de masculinidad producido y su función en la perpetuación y normalización de la guerra. A partir del análisis y con el fin de aportar al campo de la antropología de la imagen y la cultura visual, propondré una discusión conceptual que relacione las categorías de masculinidad, imagen y gubernamentalidad. En Colombia la gestión de la guerra y su aceptabilidad se efectuó alrededor de la producción discursiva, iconográfica y material de masculinidades heroico-bélicas. Sin embargo, este tipo de masculinidades no sólo se erigieron como ícono del nacionalismo y el patriotismo producidos en medio y a través de la guerra, sino fundamentalmente como tecnología de gobierno. Una tecnología de gobierno cuyo modo de funcionamiento fue la reactivación de la guerra y la promoción de su aceptación por parte de la opinión pública colombiana.

 

CUMBUCA.ORG.BR, UMA EXPERIÊNCIA ETNOGRÁFICA?

Oswaldo Giovannini Junior (UFPB)

Na história da antropologia brasileira um dos temas fortes são os estudos de rituais e festas populares ou folclore (VILHENA, 1997). Registros audiovisuais foram usados desde folcloristas como Mário de Andrade nas Missões Folclóricas (MONTE-MÓR, 1995). O registro audiovisual e o colecionamento foi prática recorrente dentro do Movimento Folclórico Brasileiro, sendo uma de suas expressões mais fortes a criação dos Museus de Folclore. Dos folcloristas aos etnógrafos e documentaristas atuais corre uma história que envolve ressonâncias (GRENBLATT, 1991) e poeticidades (ZUMTHOR, 2010), onde a atividade de registro, colecionamento e exposição é motivado pela documentação e por uma experiência estética. A patrimonialização da cultura (FONSECA, 2009) intensificou o interesse pelo tema da cultura popular e ampliou a participação de camadas populares na produção e no consumo, horizontalizando o conhecimento. As novas mídias digitais permitiram o acesso aos produtos e aos meios de produção audiovisuais. Com a ampliação do acesso à internet coleções passaram a ser disponibilizadas através de museus virtuais, fazendo da hipermídia um meio de expressão de pesquisas etnográficas (ECKERT, 2004). Ações educativas, caras aos folcloristas e ao patrimônio, formaram parte do público desses museus. Em 2010,  em meio a esses processos de interfaces entre antropologia visual, etnografia, estudos de folclore, registro e formação de acervos e disponibilização digital, políticas públicas, patrimônio e educação surgiu o projeto www.cumbuca.org.br.  Realiza microdocumentários sobre cultura popular e folclore formando um acervo digital inspirando-se na ideia de um museu virtual do folclore e da cultura popular. Nasceu no âmbito de um coletivo formado por antropólogo, artistas e estudantes, inspirado na antropologia brasileira mas fora do meio acadêmico e apoiado por Leis de Incentivo, a meio caminho da experiência artística e da reflexão científica. Utilizando ferramentas gratuitas, como blogs, flogs e rede social, foge dos altos custos dos sites mais complexos e permite uma interface com o público (pesquisadores, professores, estudantes e comunidades populares alvo de pesquisas e registros). Produz suas pesquisas e seus documentos hipermidiáticos (texto, foto, áudio e vídeo) num livre diálogo com a etnografia e com a estética audiovisual, produzindo registros e edições coletivas e colaborativas à distância através da internet. O presente ensaio procura avaliar criticamente estes anos de produção e realização do acervo com a finalidade de repensar sua prática para uma possível reorientação para um fazer mais etnográfico no âmbito acadêmico sem perder sua liberdade criativa e de interdisciplinaridade e horizontalidade dentro das quais foi concebido. Pretendo narrar as últimas experiências realizadas em sala de aula no curso de antropologia Visual da cidade de Rio Tinto (UFPB) onde foi usada a mesma metodologia de criação coletiva e colaborativa na produção audiovisual e etnográfica

OLHARES DA VILA: NOTAS SOBRE O FAZER COLABORATIVO E A PRODUÇÃO DE IMAGENS NA PESQUISA DE CAMPO COM JOVENS DA VILA DA BARCA EM BELÉM – PA

Deylane Corrêa Pantoja Baía, (UFPA/FAPESPA/SEMEC)

Esta comunicação trata da produção e uso da imagem numa pesquisa antropológica realizada com jovens moradores da Vila da Barca, Belém, Pará, Brasil. A pesquisa pretendeu ser um exercício de uma antropologia “com” (Ingold & Lucas, 2007) e que, em alguma medida, se propôs a apresentar aos jovens uma possibilidade de participação mais ativa no processo de construção dos resultados. Além disso, acenou para uma abertura a diferentes propostas de utilização dos dados gerados no campo e de seu compartilhamento em variados contextos. O mote da proposta consistiu no uso de ferramentas audiovisuais na pesquisa a partir de vivências colaborativas com esses jovens, seja na produção de fotografias digitais e conversas coletivas sobre as mesmas, seja no processo de construção de um vídeo experimental pautado na “tecnologia do possível”. Aos jovens coube a produção de imagens que divergissem daquelas já disponíveis sobre seu universo social, bem como a construção de imagens de si e de suas vivências. As reflexões acerca do processo serviram para pensar o fazer etnográfico no contexto de uma interseção de saberes, pois a presença da pesquisadora não deixou de influenciar (ou mediar) esse processo de construção. Os resultados indicam que os jovens construíram uma representação (quase) própria do que é viver a Vila da Barca através de dispositivos acessíveis a eles, a exemplo da câmera de celular. Em alguma medida, as imagens se opunham aos discursos que facilmente imputavam aos jovens apenas o lugar da pobreza e da violência, revelando possibilidades outras de estar no mundo.

Palavras-chave:  Jovens, pesquisa de campo, vivências colaborativas, produção de imagens.

 

 

“CULTURA” E SUAS DEMANDAS PELA PATRIMONIALIZAÇÃO: SENTIDOS PARA A ANTROPOLOGIA AUDIOVISUAL

Fernando Firmo Luciano, Universidade Federal da Bahia, Salvador, Brasil

Atualmente, assistimos a uma crescente demanda de diferentes grupos sociais pela patrimonialização de suas expressões culturais, especialmente, aquelas relacionadas aos saberes-fazeres, aos lugares, à memória, aos artefatos, às celebrações... Nesse sentido, há quase dois anos acompanho as atividades de (re)invenção e valorização de manifestações culturais da Vila de Matarandiba, com pouco mais de 700 habitantes, localizada na contra costa da Ilha de Itaparica. Com a fundação de uma associação sociocultural na localidade uma série de ritos, festividades e atividades que haviam desaparecido na Vila ligadas à sociabilidade e ao trabalho dos ilhéus, passaram a ser reeditadas, reinventadas, revividas e recolocadas no cotidiano local. Dentre as demandas deste coletivo de cultura e trabalho, sobressai-se a produção de uma memória social consistente de suas tradições, no intuito de sensibilizar as novas gerações da Vila e o Estado sobre seus direitos no que tange às políticas culturais, sobretudo, políticas de fomento e de patrimonialização. Por isso, a partir das reivindicações da própria localidade de registro deste processo sociocultural de afirmação identitária por meio de suas práticas sociais, é possível dar um sentido prático e teórico para a antropologia, tais como, i) elaborar filmes etnográficos compartilhados, que podem servir a várias finalidades para este coletivo, ii) repensar o lugar do registro audiovisual na prática etnográfica que visa produzir um conhecimento compartilhado, atravessado por múltiplas autorias.

 

PARTICIPANDO DA FOTOGRAFIA E FOTOGRAFANDO PARA PARTICIPAR: REFLEXÕES SOBRE MÉTODOS E ESTRATÉGIAS NA PESQUISA ANTROPOLÓGICA

Maria Claúdia Martinelli M. Pitrez,   Universidade Estadual do Rio de Janeiro           

A participação dos interlocutores no processo de captação das imagens é uma temática abordada por diferentes óticas na antropologia visual. O presente trabalho busca contribuir com este debate relatando práticas e estratégias desenvolvidas na pesquisa etnográfica realizada com pescadores e veranistas na praia de Atafona no Norte Fluminense. Dois casos serão explorados mais especificamente no trabalho: o uso da fotografia para participar e a participação na fotografia. No primeiro caso, destaca-se a importância da mudança de papel de pesquisadora para documentarista no registro da festa de nossa Senhora da Penha, enquanto no segundo, apresenta-se a participação de pescadores fotografando e filmando suas atividades em alto-mar. Ao apresentar estas duas experiências, busca-se debater questões em torno da participação e autoria nas pesquisas antropológicas que utilizam recursos audiovisuais, reconhecendo a ambiguidade com que os intervenientes interferem e condicionam o modo como se produz as imagens.

 

 

REVELANDO A PESQUISA PARTILHADA NUMA CRÓNICA DO QUOTIDIANO JUVENIL URBANO EM CHRONIQUE D’UN ÉTÉ

José da Silva Ribeiro, CEMRI – Media e mediações culturais, Universidade Aberta de Portugal

 

O filme Chronique d’un Été tornou-se um objecto único tanto para o cinema quanto para a antropologia e as ciências sociais em geral (Bellour). 50 anos depois da sua realização as imagens que ficaram fora da montagem final do filme  Florence Dauman realizou em 2011 o filme Un été + 50. O filme recupera uma parte importante dos aquivos de Chronique d’un Été (1960), reencontra seus atores principais: Marceline, Regis Debray, Jean-Pierre Sergent, Nadine Ballot e Edgar Morin. Mostra também as divergências entre Morin e Rouch, os percursos que Chronique d’un éte abriu a alguns dos atores e revela o papel que alguns dos jovens atores viriam a ter no cinema, na academia, na desconstrução política dos contextos de sua realização – guerra da Argélia e independência do Congo, mas sobretudo a transformações que se estão a operar na sociedade francesa e que desembocam no Maio de 1968. Procuraremos nesta comunicação explorar sobretudo os processos de participação dos atores na realização do filme e a influência do filme na vida dos atores.