RESUMEN GRUPO DE TRBAJO 18

GT 18: “DROGAS, POLÍTICAS PÚBLICAS, SAÚDE E CONSUMIDORES”

Coordenadores:

 

Beatriz Caiuby Labate - Professora Visitante do Centro de Pesquisa e Estudos de Pós-Graduação em Antropologia Social (CIESAS), em Guadalajara e Cofundadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (NEIP). blabate@bialabate.net

 

Frederico Policarpo - Doutor em Antropologia, professor do curso de Políticas Públicas na Universidade Federal Fluminense. Pesquisador do Instituto de Estudos Comparados em Administração de Conflitos (InEAC/UFF) e do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (NEIP). fredericopolicarpo@yahoo.com.br

 

Comentaristas: Sandra Lucia Goulart - Doutora em Ciências Sociais (Unicamp); Professora da Faculdade Cásper Líbero (São Paulo); Pesquisadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (NEIP). sluciagoulart@gmail.com

Jardel Fischer Loeck - Doutor em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Pesquisador do Núcleo de Estudos Interdisciplinares de Psicoativos (NEIP), Sociólogo do Observatório de Segurança Pública de Canoas (OSPC). jardelfischer@gmail.com

Andrés Góngora. PPGAS, Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Centro de Estudios Sociales –CES, Universidad Nacional de Colombia algongoras@unal.edu.co; ilongote@gmail.com

 

Sessão I: Consumos

 

ENTRE CLUBES E MATAGAIS: UMA REFLEXÃO SOBRE A POLÍTICA DE DROGAS NAS PRÁTICAS, REPRESENTAÇÕES E SOCIABILIDADES DO CONSUMO DE MACONHA

Aknaton Toczek Souza - Doutorando em Sociologia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Oesquisador do Centro de Estudos em Segurança Pública e Direitos Humanos da Universidade Federal do Paraná. aknatontoczek@gmail.com

Pablo Ornelas Rosa - Doutor em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC/SP e Professor da Universidade Vila Velha e Pesquisadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (NEIP). pablorosa13@gmail.com

Pedro Rodolfo Bodê de Morais - Prof. Associado UFPR - PPGSociol e PPGDireito UFPR. - Coord. do Centro de Estudos em Segurança Pública e Direitos Humanos URPR. pedrobode@terra.com.br

 

Esse artigo propõe refletir sobre duas práticas e experiências com o uso da cannabis observadas através do olhar etnográfico. Procurando discutir a relação entre as representações coletivas e individuais oriundas das políticas de drogas e analisar o processo de sociabilização específico em cada uma dessas experiências. Cruzando as análises das observações e entrevistas realizadas em um clube cannabico em Barcelona, Espanha; e por outro lado a prática de cultivo outdoor decannabis em regiões silvestres na cidade de Ponta Grossa – Paraná, Brasil, chamada de “guerrilha”. O ponto central da reflexão são os processos de sociabilidades que derivam da política pública destinada às drogas, onde por um lado um uso de drogas não criminalizado, permitindo inclusive agremiações – clubes – com plantio próprio, alimentação e “agenda cultural”. Por outro lado, a prática de “guerrilha” que envolve uma rotina bem definida, com motivações, objetivos e representações particulares, todavia, imersa em representações coletivas oriundas da política proibicionista antidroga vigente no Brasil. Os processos sociais que envolvem o consumo de drogas são influenciados pela política destinada às drogas, ao analisar essas práticas iremos refletir sobre as sociabilidades oriundas da política de drogas no Brasil e em Barcelona.

Palavras-chave: Politicas de drogas; uso de drogas; cultivo de drogas; sociabilidade.

 

 

CLASSIFICAÇÕES NATIVAS SOBRE AS IDEIAS DE CONTROLE NO USO DE COCAÍNA A PARTIR DE DIFERENTES CONSUMIDORES

 

Victor Cesar Torres de Mello Rangel. PPGA/UFF, NUFEP/UFF e INCT/InEAC. vctmrangel@id.uff.br

 

Em minha pesquisa de doutorado, procuro analisar diferentes saberes e técnicas ligadas ao consumo de cocaína. Na primeira parte do trabalho de campo, estou analisando o universo do consumo a partir dos usuários. Suas formas de uso, locais de compra, diferentes qualidades, com quem e onde usar, controle da quantidade, problemas com a polícia e justiça e classificações sobre vício e uso recreativo sobre cocaína são pontos a serem analisados. A pesquisa empírica foi iniciada em um bar, situado em um bairro da região norte da cidade de Niterói – RJ, que reúne grande quantidade de usuários de cocaína e outras drogas. Junto as representações nativas sobre a cocaína, estou analisando como os peritos criminais da Polícia Civil e Polícia Federal constroem seus conhecimentos sobre a substância a partir das técnicas e saberes constituídos nos laboratórios de análise de entorpecentes dessas instituições. Nesse presente texto, procuro analisar os diferentes discursos dos consumidores de cocaína sobre as ideias de controle no uso. Acho importante ressaltar que não pretendo assumir qualquer postura que leve a uma visão denuncista ou arbitral sobre os procedimentos adotados pelos usuários. Nem pretendo trazer explicações etiológicas sobre o porquê de tais atores agirem de uma forma e não de outra. Minha preocupação se resume em tentar acessar as esferas de sentido dessas pessoas e grupos que conformam o público assíduo do bar e entender como consideram coerentes e legítimas suas concepções sobre uso e controle no consumo de cocaína.

Palavras-chave: Cocaína; Representações sobre o consumo; Controle no uso

 

 

O NU DO ALMOÇO E A SERINGA: SUBSTÂNCIAS PSICOATIVAS POR MEIO DE WILLIAM BURROUGHS

Wander Wilson Chaves Júnior. Doutorando em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e Pesquisador do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (NEIP). wanderwi@gmail.com

 

William Burroughs, em meio à efervescência cultural e literária da década de 1950 chamada geração beat, foi um importante escritor sobre o tema das substâncias psicoativas.  Seus livros partem de suas experiências com estas substâncias, em forma de um relato cru ou  a  partir de um trabalho literário não linear que mistura junkies, médicos sádicos, ladrões, detetives e todo tipo de seres estranhos;  duas formas de lidar com o tema que podemos encontrar em Junky, livro de 1953, e Almoço Nu, publicado pela primeira vez em 1959.  No primeiro livro encontramos os relatos da experiência de Burroughs como um junkie, o que o escritor considera um estilo de vida ligado ao uso constante de opiáceos durante a década de 1940 e início de 1950, com a intenção de combater o proibicionismo das drogas vigente. O segundo é um livro escrito em routines, fragmentos esparsos e desconexos, que aglutinam o uso destas substâncias como um tema dentro de muitos trabalhados, mas, ao mesmo tempo, o extrapola ao comparar os sintomas daquilo que chamamos de adicção ou dependência com questões políticas e o que chamou de controle. Este trabalho parte destas duas abordagens para refletir sobre possibilidades de experimentação de pensamento abertas por estes flancos sem cair na tentativa de engessar o escritor em uma sistematização rígida de sua obra, mas pensando com William Burroughs.

Palavras-chave: William Burroughs, psicoativos, ética

 

 

O CONTEXTO DA ILEGALIDADE: PERCEPÇÕES DE USUÁRIOS DE MACONHA SOBRE SUAS PRÁTICAS

Natália de Campos. Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – PPGAS/UFRN. natalia262@gmail.com

 

A partir da pesquisa etnográfica desenvolvida durante o curso de mestrado, na qual acompanhei a organização dos coletivos que compõem o Movimento Antiproibicionista em Natal – RN, parte dos dados coletados em entrevistas se referem aos contextos de vida dos participantes deste movimento, os quais são primordiais para entendermos as motivações desta organização. No presente artigo, fazemos um recorte deste material, buscando explicitar e analisar as questões centrais expostas por nossos interlocutores. Tabus, preconceitos, repressão, relações familiares, direito de uso do próprio corpo, redução de danos, posicionamentos e argumentos acionados, engajamento político, dentre outros aspectos, serão abordados a partir das falas de usuários frequentes de maconha.

Estas questões se mostram relevantes para entender a formação do movimento antiproibicionista como um desdobramento das questões pessoais que envolvem o uso deste psicoativo ilícito, pois a articulação coletiva possibilita a reivindicação desta demanda que é de cada um dos seus participantes e que, apenas coletivamente, encontra condições para ser exposta e reivindicada. As pessoas que protagonizam um movimento organizado com fins de reivindicação por direitos e reconhecimento social estão organizadas pelos seus propósitos individuais de não sofrerem mais repressão e preconceitos em função de suas práticas relacionadas ao uso de maconha e encontram força e legitimidade para mobilizarem-se na coletividade.

Embasam teoricamente esta explanação autores clássicos como Howard Becker (1960), Frederick Barth (1998) e Erving Goffman (1988), bem como antropólogos brasileiros que se dedicaram ao tema dos psicoativos e sociabilidades como Gilberto Velho (2008), Alba Zaluar (2007) e Edward Macrae (1990).

 

Sessão II: Regulações

 

“EFECTOS EN MÉXICO DE LA REGULACIÓN DEL CANNABIS EN ESTADOS UNIDOS: LA EXPERIENCIA DE LA FRONTERA SAN DIEGO, CALIFORNIA – TIJUANA, BAJA CALIFORNIA”

 

Jaime Andrés Vinasco Barco. Estudiante de doctorado en Ciencias Sociales con Especialidad en Estudios Regionales, El Colegio de la Frontera Norte (México). Jvinascodcs@colef.mx; Jailau52@hotmail.com

 

Estados Unidos es una de las naciones que reconociendo el consumo de cannabis como un fenómeno perenne en la sociedad, ha optado por -además de castigar esta práctica- construir paulatinamente una normativa socio-legal que orienta y controla el conjunto de prácticas de consumo en su territorio (Regulación del cannabis). En California, esto se ha dado progresivamente desde 1996, y no ha tenido consecuencias perjudiciales como el aumento de la delincuencia, las sobredosis por drogas o la deserción escolar. Lo llamativo de esto, es que la estructura creada en California para orientar las prácticas de consumo de cannabis de sus ciudadanos, parece estar influyendo de manera transfronteriza en las prácticas de consumo -e incluso de tráfico y venta- de su vecino del sur Baja California, en donde, investigaciones como las de Juan F. Gamella (2012), Ricardo Sánchez y Jorge Arellanez (2006) (2011), Víctor Zúñiga (1990) e Iraís Salazar (2012), han mostrado que los consumidores mexicanos de la frontera en Tijuana, están teniendo -probablemente por la intensa interacción con la población estadounidense de San Diego- prácticas sociales compartidas en relación al consumo de drogas. Sin embargo, aunque dichos trabajos han revelado que los individuos mexicanos adoptan patrones de consumo de drogas de la sociedad norteamericana, dejan dos importantes vacíos que son: uno, que los resultados de los análisis no pueden ser aplicables ni la actualidad del contexto ni del cannabis; y dos, que se está aseverando que individuos mexicanos están adoptando patrones de consumo de drogas de la sociedad norteamericana, sin darse la explicación de cómo, de qué forma, o de qué manera se da este proceso. Justamente para ayudar a llenar este vacío teórico, y en consecuencia, aportar mayores elementos al análisis de los factores sociales que inciden en las prácticas de consumo de drogas de México y Estados Unidos, esta investigación (Efectos en México de la regulación del cannabis en Estados Unidos: la experiencia de la frontera San Diego, California – Tijuana, Baja California) está analizando; por un lado, la manera en que incide en la práctica de consumo de cannabis del tijuanense, la experiencia de observar y vivir la regulación del cannabis en la ciudad de San Diego; y por otro lado, la forma en que se despliega y articula la regulación del cannabis implementada en San Diego, en las prácticas de consumo de cannabis de los tijuanenses en Tijuana.

Palabras clave: cannabis, prácticas de consumo de cannabis, regulación del cannabis.

 

 

AS “BOCAS DE FUMO” E A CIDADE: NOTAS PARA UMA ATUALIZAÇÃO DO CONHECIMENTO SOBRE A REGULAÇÃO DO COMÉRCIO DE MACONHA NO RIO DE JANEIRO

Marcos Veríssimo. Bolsista do Programa Nacional de Pós Doutorado da CAPES. Pesquisador associado ao Instituto de Estudos Comparados em Administração Institucional de Conflitos (INCT-InEAC). Professor Colaborador no Bacharelado em Segurança Pública da Universidade Federal Fluminense. maverissimo.silva@gmail.com

 

O objetivo desta proposta é colocar sob descrição as formas contemporâneas de regulação clandestina dos mercados de maconha na cidade do Rio de Janeiro e sua chamada região metropolitana, que há décadas é feito passando ao largo da Lei através do que se convencionou chamar de “bocas de fumo”. A metodologia é de caráter qualitativo, a partir de observação direta do autor em áreas assim denominadas, com atenção aos processos mais recentes que buscaram intervir nos regimes tradicionais de controle armado e arbitrário destes mercados, como é o caso das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). Por este motivo, o trabalho de campo no qual se baseia este trabalho inclui a observação direta em pontos de venda de maconha e outras “drogas” em favelas com e sem a implementação de UPPs. Desse modo, esta proposta se coloca em consonância com um dos eixos de discussão propostos por este GT, a saber, o da “análise de políticas de drogas e das instituições que atualizam regimes de controle”.

Palavras-chave: Mercados de Maconha – Ilegalidade – Regulação Clandestina – Políticas de Drogas.

 

 

APONTAMENTOS SOBRE A REGULAMENTAÇÃO DA MACONHA MEDICINAL, EM UMA PERSPECTIVA COMPARADA ENTRE AS CIDADES DO RIO DE JANEIRO, BRASIL, E DE SAN FRANCISCO, EUA

           

Frederico Policarpo. Doutor em Antropologia, professor do curso de Políticas Públicas na Universidade Federal Fluminense. Pesquisador do Instituto de Estudos Comparados em Administração de Conflitos (InEAC/UFF) e do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (NEIP). fredericopolicarpo@yahoo.com.br

 

Neste artigo estabeleço uma comparação entre as cidades do Rio de Janeiro, Brasil, e de San Francisco, EUA, acerca da regulação da maconha medicinal. Argumento que o ponto que está em jogo em San Francisco é a luta por direitos. O direito de ter acesso a um remédio, a medical cannabis. É a cannabis que se transforma num medicine, não o usuário que se transforma em um doente. Já no Rio, a estratégia proibicionista acaba transformando os usuários em “dependentes químicos” ou “traficantes”. Os usuários não são vistos como cidadãos plenos de direitos, só aparecendo na esfera pública de forma tutelada pelo Estado, seja como doentes ou criminosos. As estratégias de regulação sobre a maconha medicinal nessas cidades nos ajudam a ver os contrastes. Por exemplo, o nosso “uso compassivo” só autoriza o uso do canabidiol – e não da planta inteira – exclusivamente para o tratamento de epilepsias na infância e adolescência refratárias às terapias convencionais, enquanto que o compassionate act de San Francisco, além de autorizar o uso da planta inteira, permite a sua utilização em uma série de doenças, como câncer e AIDS, “ou quaisquer outras doenças que a maconha sirva de alívio” (Prop.215). Neste artigo, eu discuto esses e apresento outros contrastes relativos aos modos de regulamentação do uso da maconha nesses contextos com o objetivo de problematizar os aspectos culturais que atualizam os controles institucionais sobre o seu uso.

Palavras-chave: Maconha medicinal – Rio de Janeiro – San Francisco – Comparação – Controles institucionais

 

 

CONTROL SOCIAL EN BOLIVIA: UNA ALTERNATIVA A LA ERRADICACIÓN FORZOSA DE CULTIVOS DE COCA

 

Thomas Grisaffi. University College London, Leverhulme Post -Doctoral Fellow. thomasgrisaffi@gmail.com

 

Dos décadas de erradicación forzada fracasaron rotundamente, generando pobreza y gruesas violaciones a los derechos humanos sin que cumplieran su objetivo: reducir los cultivos de coca. En 2004 el gobierno Boliviano otorgó derechos para cultivar un cato de coca (1600 metros cuadrados) a cada una de las familias cocaleras registradas en Chapare (una de las dos regiones más importantes de cultivo de coca en Bolivia). Los responsables políticos y los cocaleros acordaron conjuntamente el tamaño de la parcela de coca en un esfuerzo por proveer a cada familia con el equivalente de un salario mínimo como ingreso proveniente de la coca y para reducir la violencia. La administración de Morales ha continuado con esta política y en los últimos seis años uniones de productores cocaleros, funcionarios y miembros de la comunidad internacional han construido un complejo y sustentable sistema de monitoreo, licenciamiento y reducción de la coca. Sobre la base de 28 meses de trabajo etnográfico este articulo describe la nueva aproximación de Bolivia al control de la coca. Evalúa la efectividad del programa como también los importantes desafíos a su implementación. Se argumenta que, al concentrarse en el bienestar social, los derechos humanos y la estabilidad económica de las familias cocaleras la aproximación colaborativa de Bolivia puede ser mucho más efectiva reduciendo la superficie de cultivo de coca en el largo plazo que las estrategias anteriores de erradicación forzada

 

 

APORTES PARA UN DEBATE EN TORNO A LA REGULACIÓN DE LA AYAHUASCA EN EL URUGUAY

Juan Scuro- Doctorando en Antropología Antropología Social (PPGAS), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). juanscuro@gmail.com

Ismael Apud - Doctorando en Antropología, Universitat Rovira i Virgili. Docente de la Facultad de Psicología, Universidad de la República. ismaelapud@psico.edu.uy

 

En el siguiente artículo analizaremos los procesos legales y políticos relacionados con la regulación de la sustancia psicoactiva denominada “ayahuasca”. Nos centraremos en la relación entre las nuevas prácticas terapéuticas, espirituales y religiosas vinculadas al uso de ayahuasca, y su regulación en el contexto internacional y local. Comenzaremos con algunas breves consideraciones antropológicas de la categoría “droga”, y cómo occidente y sus políticas prohibicionista ha influenciado en nuestra manera de ver el problema. Luego proseguiremos analizando el caso específico de la ayahuasca en el contexto internacional, analizando algunos acontecimientos importantes en el marco legal de EEUU, Brasil y otros países. Finalmente analizaremos el caso específico de Uruguay.

Palabras Clave: Ayahuasca; Regulación; Drogas; Espiritualidad/religiosidad.

 

Sessão III: Políticas

 

“DESDE LA HERIDA DEL PROHIBICIONISMO”: LA LUCHA POR LA LIBERACIÓN DE LA MARIHUANA EN COLOMBIA

 

Andrés Góngora. PPGAS, Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Centro de Estudios Sociales –CES, Universidad Nacional de Colombia; algongoras@unal.edu.co; ilongote@gmail.com

 

Este ponencia describe la agencia de diferentes actores sociales implicados en la transformación de las actuales políticas de drogas en Colombia. Los resultados son fruto del trabajo de campo realizado durante los años 2014 y 2015 en la ciudad de Medellín. En la primera parte realizó una lectura etnográfica sobre la lucha por la liberación de la marihuana a partir de dos perspectivas: la de Olmes, el “maestro” del movimiento cannábico quien opera como un articulador de los diferentes momentos y eventos considerados claves en la construcción de la “causa” y la de Karoty un comerciante de papeles que ha construido su riqueza al margen del mercado ilícito de la planta y otras “drogas”. En la segunda parte describo la llegada a Medellín del historiador español Antonio Escohotado, autor de la Historia General de las Drogas, resaltando algunas implicaciones antropológicas relativas a su experiencia como intelectual, consumidor activo y militante “antiprohibicionista”. Al final, planteo algunas cuestiones teóricas relevantes basado en la comparación de perspectivas y prácticas de mis interlocutores. El hilo conductor del relato serán las distintas valoraciones, espacios de la experiencia y horizontes de expectativas que mis interlocutores le asignan a la “libertad”, pensada como práctica emancipadora, relación económica, reajuste de valores, producción de verdades y desasimiento del poder instituido.

Palabras clave: Etnografía, marihuana, prohibicionismo, consumo de drogas, libertad.

 

PANORAMA DA LITERATURA SOBRE A INTERNACIONALIZAÇÃO DAS RELIGIÕES AYAHUASQUEIRAS BRASILEIRAS

 

Beatriz Caiuby Labate - Professora Visitante do Centro de Pesquisa e Estudos de Pós-Graduação em Antropologia Social (CIESAS), em Guadalajara e Cofundadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (NEIP). blabate@bialabate.net

Glauber Loures de Assis - Doutorando em Sociologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte, Brasil, e Pesquisador do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (NEIP). glauberloris@hotmail.com

 

Nascidas durante o século XX, a Barquinha, o Santo Daime e a União do Vegetal, conhecidas como as religiões ayahuasqueiras brasileiras, se mantiveram circunscritas à região norte do Brasil pelo menos até o início dos anos de 1970. Desde então, o Santo Daime e a União do Vegetal tem se expandido significativamente, cada qual à sua maneira, alcançando todas as regiões do país, cruzando as fronteiras brasileiras e o Oceano Atlântico. O processo de internacionalização desses grupos envolve complexas redes e alianças e transnacionais, suscitando questões intrigantes sobre tradução cultural e diáspora religiosa. Entretanto, esse tema continua pouco explorado e a produção a respeito é fragmentada e esparsa. Esse artigo propõe uma revisão crítica da literatura sobre a internacionalização desses grupos, incluindo artigos, dissertações de mestrado e teses de doutorado em várias línguas, publicadas ou não, bem como textos sobre os aspectos legais. Através de uma abordagem comparativa, procuramos identificar as principais características, tendências e perspectivas do campo de estudos sobre a ayahuasca. Nesse sentido, esperamos chamar atenção para as possibilidades e lacunas dessa discussão, e ao mesmo tempo estimular o desenvolvimento de futuras pesquisas. Este artigo almeja tornar-se uma espécie de guia para pesquisadores da área, assim como para outras pessoas interessadas no assunto, sendo especialmente importante em tempos que a internacionalização das religiões ayahuasqueiras brasileiras alcança dezenas de países do mundo. Este tema, argumentamos, oferece um interessante lócus de estudo sobre a interação entre psicodélicos, religião e cultura.

 

 

CULTIVAR LOS DERECHOS: NOTAS SOBRE EL ACTIVISMO CANNÁBICO EN ARGENTINA

María Cecilia Díaz. PPGAS/MN – UFRJ; mcecilia.diaz@gmail.com

 

En esta comunicación presento algunas reflexiones originadas en el trabajo de campo que realizo entre movimientos cannábicos de Argentina. Luego de acompañar la preparación de la marcha de la marihuana, y de participar de talleres, reuniones y conferencias en las ciudades de Córdoba y Buenos Aires, me propongo atender a un punto recurrente en los discursos de los activistas: la idea del cultivo de las plantas, de los movimientos y de los derechos, que permite establecer un vínculo entre el calendario político y el cannábico. Al intentar una descripción de las prácticas a partir del cultivo como metáfora, entiendo que los cuidados de las plantas por parte de los cultivadores y la movilización política emprendida a nivel local y nacional, constituyen fenómenos que pueden ser considerados de manera paralela. Estas reflexiones se enmarcan en una investigación en curso que procura atender a la cuestión de cómo se estructura una demanda colectiva a partir de un apego individual y cómo comenzar a desentrañar los discursos accionados por los sujetos en los diferentes espacios en que ellos se movilizan. Mi pesquisa acerca de los movimientos sociales que se construyen en torno de la despenalización y legalización del consumo de marihuana en Argentina se integra en un planteo más amplio que busca aportar al conocimiento de la historia de los usos medicinales y recreativos de las sustancias psicoactivas, mapear las políticas públicas en vigencia y dar cuenta de los discursos que se objetivan en la literatura científica y periodística.

Palabras clave: cultivo, marihuana, activismo

 

DISPUTAS NARRATIVAS NO DEBATE PÚBLICO SOBRE POLÍTICA DE DROGAS: ETNOGRAFIAS DO CONSUMO, TRÁFICO E POLÍTICAS DE DROGAS EM SÃO PAULO

Paulo Malvasi – Mestrado Profissional adolescente em Conflito com a Lei (UNIAN) e Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP). paulomalvasi@hotmail.com

Taniele Rui – Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP) e Pesquisadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (NEIP).. tanielerui@yahoo.com.br

Maurício Fiore - Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP), Plataforma Brasileira de Política de Drogas (PBPD)e Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (NEIP). maufiore@gmail.com

 

No debate público brasileiro, os discursos políticos sobre drogas têm se desenvolvido em torno de paradigmas marcados por oposições polarizadas denominados por militantes e especialistas engajados como proibicionismo e antiproibicionismo, alimentando, mais que nunca, uma disputa de narrativas. A presente comunicação propõe analisar tais disputas em cenários empíricos bastante concretos, que resultaram nas teses de doutorado dos proponentes, defendidas entre 2012 e 2013.  Nelas, observamos como o dispositivo das drogas organiza um sistema classificatório de pessoas, substâncias, espaços e revela choques políticos que não podem ser facilmente organizados na polaridade do debate público. A partir da descrição da engrenagem de ações individuais, estatais e políticas que temos acompanhado em nossas pesquisas atuais -- o embate entre o Programa De Braços Abertos e o Programa Recomeço, ambos voltados para os usuários de crack na região central de São Paulo, o Sistema Socioeducativo, particularmente em sua frente de repressão ao tráfico de drogas realizado por adolescentes em bairros da periferia de São Paulo, e o consumo de drogas por grupos de amigos de distintos estratos das classes médias – pretendemos problematizar os desafios colocados pelo probicionismo, que encapsula todas as políticas sobre drogas e as experiências de consumo. No cenário legislativo atual, qualquer ação que aborde o tema das drogas esbarra nos limites repressivos da “guerra às drogas”. O que se pretende nesse paper, portanto, é esmiuçar a heterogeneidade desses desafios, atentando para as suas especificidades empíricas.

Palavras-chave: Drogas, Política de Drogas, Etnografia, Proibicionismo, Antiproibicionismo.

Comentador: Jardel Fischer Loeck

Sessão IV: Controles Institucionais

 

AS REPRESENTAÇÕES SOBRE O TRAFICANTE DE DROGAS EM RITUAIS DE JULGAMENTO NA CIDADE DO RIO DE JANEIRO

 

Artur Dalla Cypreste. Programa de Pós Graduação em Sociologia Política da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro. Artur.dalla@gmail.com

 

Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública (2014) informam que em 2012, no Estado do RJ, o tráfico de drogas correspondeu à aproximadamente 47% de todos os atos infracionais registrados. Portanto, a pesquisa objetiva analisar representações em discursos e interações dos operadores do campo jurídico em observações de Audiências de Instrução e Julgamento de acusados por tráfico de drogas em duas varas criminais da capital entre 2013 e 2015.

Preliminarmente constata-se que a maioria das prisões é efetuada em flagrante, por policiais cujo depoimento deveria gozar de “fé pública” mediante a apresentação de provas. No entanto, o que atribui caráter probatório ao depoimento policial é a presunção de veracidade de suas palavras. Assim, a instância judiciária onde esta presunção deveria ser questionada, na prática, apenas a ratifica.

Em muitos casos a droga não estava na posse do acusado, ou seja, o vínculo foi estabelecido pelos policiais. Esta posse, não é determinada por investigação prévia, mas com base nos depoimentos dos policiais que “montam” o flagrante. Seus testemunhos embasam a maioria dos casos de “prisão provisória”, que precedem o julgamento, fazendo com que na prática, haja o cumprimento da pena antes mesmo da condenação.

Logo, ao se considerar o elevado número de prisões por tráfico e o baixo número de casos de esclarecimento de homicídio, entre 5 e 8%, segundo dados de 2012 do Conselho Nacional do Ministério Público, denota-se a elevada estima da política de segurança pública pelos crimes de tráfico em detrimento dos crimes contra a vida.

 

 

REPRIMIR OU LIBERAL? UMA ANÁLISE DAS AUDIÊNCIAS PÚBLICAS SOBRE A REGULAMENTAÇÃO DA MACONHA NO SENADO FEDERAL DO BRASIL

Guilherme Alves Elwanger &Letícia Estivalet Pereira. Estudantes do Mestrado em Ciências Sociais da Universidade Federal de Santa Maria; elwanger@hotmail.com

 

Este trabalho visa analisar o conflito discursivo presente nas Audiências Públicas promovidas pelo Senado Federal do Brasil em 2014, que discutiram a proposta de regulamentação do uso da maconha no Brasil. Apesar da discussão sobre a mudança da legislação referente ao uso de drogas ser pautada por um debate jurídico e médico, é possível perceber que há outro elemento nesta discussão que envolve questões morais/valorativas (percebe-se que os grupos envolvidos no debate frequentemente fazem alusão a concepções de ‘bem’ e ‘mal’ para se referir ao consumo da droga). Os indivíduos envolvidos no debate fazem parte de grupos sociais que tem interesses específicos em relação ao tema e fazem uso de diferentes ‘discursos’ (jurídicos, médicos e morais) para sustentar suas proposições sobre o que consideram ‘certo’ ou ‘errado’ em relação ao uso da maconha. Sendo assim, é possível considerar que os debates nestas Audiências Públicas são protagonizados por indivíduos e grupos de ‘empreendedores morais’ que visam construir um novo fragmento da constituição moral da sociedade. Dito isto, o trabalho tem por objetivo compreender como os empreendedores morais envolvidos neste debate empregam discursos médico-científicos e jurídico-legais para sustentar suas proposições. Para tanto, foi resgatada a relação entre ‘poder-saber’ estabelecida por Foucault, visto que a discussão sobre a regulamentação da maconha se desenvolve de tal maneira que o conflito é entre o que é ‘verdadeiro’ e que é ‘falso’ e as falas dos ‘especialistas’ são utilizadas para embasar os argumentos dos empreendedores que estão em conflito para estabelecer qual é a posição ‘correta’.

Palavras-chave: política de drogas; regulamentação da maconha; empreendedores morais; discurso jurídico-legal; discurso médico-científico.

 

 

POLÍTICAS DE DROGAS E AS MUDANÇAS NO CENÁRIO INTERNACIONAL

Laura Girardi Hypolito. Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul; laura.hypolito@yahoo.com.br

 

O presente trabalho pretende discorrer acerca das mudanças percebidas no cenário internacional referente às políticas de drogas. Inicialmente, será realizada uma breve reflexão sobre a criminalização da produção, da venda e do consumo das substâncias consideradas ilícitas e a sua ineficiência, visto que o viés proibicionista além de não reduzir os problemas de violência, reproduz desigualdades e exclusões. Em um segundo momento, com a finalidade de pensar modelos que rompam com o paradigma de proibição, o foco do estudo orbitará nas políticas públicas sobre drogas desenvolvidas em Portugal, Estados Unidos e Uruguai. Sobre os três modelos, serão tecidas considerações acerca do funcionamento e das peculiaridades de cada um e também no que se refere ao papel dos agentes públicos que possibilitaram tais implementações. Será também discutido de que maneira a figura do usuário foi pensada na criação e aplicação dos modelos e, por fim, serão expostos os resultados que já podem ser sentidos, em cada um dos casos. Com base nos dados obtidos por meio da investigação deste trabalho, pretende-se pensar possíveis soluções para enfrentar os problemas advindos da política proibicionista, inclusive para o caso brasileiro.

Palavras-chave: Política de Drogas, Proibicionismo, Regulação das Drogas, Descriminalização do Consumo de Drogas.

 

 

 

 

AS RELIGIÕES AYAHUASQUEIRAS NO ESPAÇO PÚBLICO BRASILEIRO: DROGA, RELIGIÃO E SECULARIDADE

Sandra Lucia Goulart. Doutora em Ciências Sociais (Unicamp); Professora da Faculdade Cásper Líbero (São Paulo); Pesquisadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (NEIP); sluciagoulart@gmail.com

 

A proposta é desenvolver uma análise sobre os modos de inserção das religiões ayahuasqueiras brasileiras num espaço público. Focarei a atenção no processo de construção dos relacionamentos entre estas religiões, o Estado brasileiro e demais agentes da sociedade. Procurarei identificar mudanças nas formas destes relacionamentos conforme aumentou a visibilidade destas religiões. Por se caracterizarem pelo uso de uma bebida psicoativa tais religiões, com sua maior disseminação, passam a ser associadas, na sociedade mais abrangente, ao debate público contemporâneo sobre drogas. Simultaneamente, na medida em que constroem seu reconhecimento público, elas elaboram para si novas identidades e autodefinições, que as desvinculam da associação com a questão das drogas. Analisarei como estas religiões vão alterando sua imagem social e seu modo de presença no espaço público brasileiro: da sua legitimação como “religiões genuinamente brasileiras” à sua inserção, mais recente, nos debates sobre patrimônio cultural. Minha análise se fundamenta em discussões teóricas acerca das relações entre religião e secularidade. Sigo autores como Jürgen Habermas e Talal Asad, os quais sustentam que no mundo pós-secular o religioso não desaparece, mas, adquire novas formas, tecendo mediações e diálogos tensos com outras racionalidades não religiosas. Inspiro-me, também, no argumento de Emerson Giumbelli segundo o qual diferentes religiões brasileiras se elaboram a partir de uma interlocução complexa com a secularização. Meu objetivo é comparar o caso das religiões ayahuasqueiras com outras religiões brasileiras, no que tange a seu modo de legitimação pública e às suas tensões com a lógica secular e o princípio de laicidade.      

Palavras-chaves: Drogas; Ayahuasca; Religião; Secularidade

 

 

A MEDICALIZAÇÃO DA ATENÇÃO: APONTAMENTOS SOBRE A PROMOÇÃO PUBLICITÁRIA DA RITALINA (1956-1975)

 

Miguel Hexel Herrera. Doutorando no Programa de Pós-graduação em Antropologia Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul; h.miguel@gmail.com

 

Este trabalho explora o tema da medicalização a partir de uma perspectiva antropológica. A pesquisa é um recorte de minha dissertação de mestrado e toma como objeto a promoção e consolidação do fármaco Cloridrato de Metilfenidato, amplamente conhecido por seu primeiro nome comercial: Ritalina®. Trata-se de uma droga psicoestimulante atualmente estabelecida como tratamento de primeira linha para o Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH). A literatura especializada afirma que o TDAH é uma doença de alta prevalência em crianças em idade escolar, sendo o “distúrbio neurocomportamental” mais comum na infância. O trabalho acompanha a trajetória do metilfenidato a partir da análise de material promocional destinado a profissionais da área médica. As peças examinadas compreendem o período de 1956 – quando o metilfenidato foi lançado nos EUA, Canadá e Europa - até 1975. As propagandas mostram que este psicofármaco foi inicialmente indicado para tratar adultos acometidos de condições como depressão e fadiga crônica. No fim dos anos 1960 o metilfenidato passa a ser reconhecida como um tratamento eficaz para “crianças hiperativas”, especialmente meninos, que se tornam os principais consumidores deste medicamento. A análise das propagandas do metilfenidato a partir de um distanciamento histórico, demonstra os processos de transformação de sua promoção desde o uso para depressão, narcolepsia e fadiga crônica até sua utilização para o TDAH. E ao mesmo tempo, permite relativizar as concepções mais recorrentes de que seu uso teria estado inicialmente associado de forma exclusiva ao tratamento de crianças hiperativas.

Palavras-chave: medicalização, biomedicalização, metilfenidato, transtorno do déficit de atenção/hiperatividade.

Comentador: Jardel Fischer Loeck

 

SessãoV: Percepções sobre o consumo

ANTIPROIBICIONISMO E AUTONOMÍA

 

Júlio Delmanto. Mestre e Doutorando em História Social na Universidade de São Paulo (USP), Pesquisador do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (NEIP). juliodelmanto@hotmail.com

 

O trabalho busca discutir de que forma determinadas proposições e atuações políticas que visam o fim da guerra às drogas dialogam com o conceito de autonomia reivindicado por coletivos e movimentos sociais urbanos contemporâneos. Se a própria etimologia da palavra autonomia já indica seu significado - com auto remetendo ao indivíduo e nomia às normas, ou seja a busca por viver de acordo com suas próprias normas -, este termo ganha contornos mais precisos ao ser reivindicado por uma determinada tradição política e teórica, de uma esquerda urbana crítica à institucionalidade e ao eleitorialismo. A apresentação desenvolverá de que forma estas reflexões e tradições ativistas dialogam com o antiproibicionismo, consolidado no Brasil no início dos anos 1980 e hoje conformado por uma amplitude muito maior de componentes, e com o atual cenário de debate de alternativas às cada vez mais evidentemente falidas políticas de guerra às drogas, buscando apresentar um olhar que evite o enfoque único na nem sempre tão dicotômica dicotomia entre Estado e Mercado. O antiproibicionismo nos moldes atuais conforma-se no Brasil no período de formação do Partido dos Trabalhadores (PT), mas em parte inspira-se no ideário propagado pela contracultura dos anos 1960 e 1970 – momento que também tem conexões com o campo político (auto) identificado com a autonomia a partir do final dos anos 1990, e o destrinchamento de alguns destes aspectos, espera-se, podem ajudar a entender as articulações entre movimentos sociais urbanos e a luta pela legalização das drogas.

Palavras-chave: Drogas, autonomia, guerra às drogas, movimentos sociais.

 

APONTAMENTOS SOBRE O PAPEL POLÍTICO DA ANTROPOLOGIA NOS ESTUDOS SOBRE DEPENDÊNCIA QUÍMICA: A ESCUTA DAS ONTOLOGIAS INDIVIDUAIS DE PACIENTES ENQUANTO CRÍTICA AOS MODELOS DE CUIDADO

Jardel Fischer Loeck. Doutor em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS),Pesquisador associado ao Núcleo de Estudos Interdisciplinares de Psicoativos (NEIP),Sociólogo do Observatório de Segurança Pública de Canoas (OSPC). jardelfischer@gmail.com

 

As políticas públicas de atenção em saúde para usuários de álcool e outras substâncias psicoativas no Brasil contemplam uma rede heterodoxa de espaços terapêuticos, tanto em sua constituição institucional quanto em sua maneira de definir e incidir sobre o problema-alvo. Atualmente, a maioria dos espaços terapêuticos em ação são baseados na abstinência, ainda que as políticas públicas do país tenham como diretriz principal a redução de danos. Ressalta-se que os modelos de tratamento baseados em abstinência tendem a singularizar as individualidades dos pacientes a partir de noções patológicas de alteridade como “dependente químico”, “adicto”, “usuário problemático de drogas”.O silenciamento dos pacientes em termos ontológicos é uma característica desse tipo de alteridade. Parte-se do pressuposto que eles não podem responder por si próprios ou organizar a si mesmos. Lhes é permitido expressar apenas sintomas, problemas, desvios e alteridade. A presente comunicação tem como objetivo, então, chamar a atenção para a importância do trabalho antropológico nesses locais, principalmente levando em consideração as experiências dos pacientes. A relação de pesquisa com esses indivíduos através da antropologia permite que eles se expressem ontologicamente, habilitando a visada sobre outro tipo de rede de cuidado materializado na descrição de vivências e deslocamentos no tempo-espaço. Através do diálogo com autores como Latour, Law e Mol, e exemplos retirados de trabalho de campo desenvolvido em espaços terapêuticos baseados em abstinência, aponta-se para a importância política do trabalho antropológico, na busca por contemplar de maneira concreta as ontologias individuais dos pacientes enquanto forma de crítica a esses modelos de cuidado.

 

 

PET SAÚDE AKWEN UFT E DSEI-TO: DISCUTINDO AS PERCEPÇÕES INDÍGENAS SOBRE O ALCOOLISMO NA ÁREA AKWEN XERENTE

 

Reijane Pinheiro da Silva - Doutora em Antropologia Social pela UFRGS e Professora de Antropologia da Universidade Federal do Tocantins; reipinheiro@gmail.com

 

Este trabalho propõe a problematização das representações ocidentais acerca do alcoolismo entre os Akwen Xerente, presentes nos discursos da sociedade envolvente, a fim de comparar as perspectivas nativas e o saber biomédico, bem como dar voz e visibilidade ao povo indígena em questão. Fruto de uma pesquisa-extensão em andamento, no âmbito do Programa de Educação pelo Trabalho (PET- Saúde Indígena), as reflexões aqui apresentadas são resultado das vivências realizadas pelos alunos envolvidos no projeto, no período de novembro de 2013 a julho de 2014. O registro das narrativas foi realizado através da observação participante e de diários de campo. É possível perceber que os estigmas que associam os indígenas ao ócio e ao alcoolismo não correspondem à realidade e, além de desconsiderar a alteridade em questão, não favorecem abordagens que contribuam para o protagonismo indígena em relação ao tema.

Palavras-chave: Uso do álcool, representações, narrativas indígenas.

 

 

DA FLORESTA AO MUSEU: NOTAS SOBRE A COLABORAÇÃO ARTÍSTICA ENTRE ERNESTO NETO E OS HUNI KUIN

 

Ilana Goldstein - Professora do Departamento de História da Arte da Universidade Federal de São Paulo – Unifesp. ilagolds@yahoo.com

Beatriz Caiuby Labate - Professora Visitante do Centro de Pesquisa e Estudos de Pós-Graduação em Antropologia Social (CIESAS), em Guadalajara e Cofundadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (NEIP). blabate@bialabate.net

 

Recentemente, instalações do artista brasileiro Ernesto Neto, com diferentes graus de participação indígena, ganharam destaque em museus de arte em Bilbao, São Paulo e Viena. As belas instalações em tecido de Neto tiraram parte de sua força do fato de remeterem a rituais de cura dos Huni Kuin do Acre. É interessante observar a convergência da chegada dos índios ao circuito urbano da ayahuasca, com a sua conquista de espaço em instituições artísticas. No Brasil, o consumo da bebida foi promovido primordialmente por religiões cristãs até os anos 2000, quando grupos indígenas começaram a organizar experiências com ayahuasca para turistas e para a classe média urbana. A circulação de novas formas de xamanismo e de consumo da ayahuasca em redes urbanas nacionais e internacionais atesta o grande vigor e a capacidade de adaptação das práticas culturais indígenas. Já a inserção de artistas indígenas em museus de arte contemporânea, para além da visibilidade, talvez represente uma alternativa fértil para diálogos interculturais. Ao mesmo tempo, ambos os movimentos levantam questões espinhosas. Em primeiro lugar, o consumo de ayahusca, no Brasil, é limitado a apenas algumas situações; no exterior, é normalmente proibido. Em segundo lugar, no caso das instalações/performances artísticas, pode-se questionar como fica a propriedade intelectual coletiva e quais os riscos de se estereotipar ou folclorizar a alteridade. Nossa comunicação partirá destes trabalhos de Neto, em colaboração com os Huni Kuin, para apresentar reflexões preliminares sobre essas questões e também sobre “autenticidade”, apropriação e comoditização cultural.

Palavras-chave: ayahuasca; Ernesto Neto; Huni Kuin; arte; museus. 

 

 

 

 

Sessão VI: TRATAMENTOS

 

LOS TRIBUNALES DE TRATAMIENTO DE ADICCIONES EN MÉXICO: UNA COPIA FORZADA

Jorge Javier Romero Vadillo. Profesor invitado del Programa de Política de Drogas del Centro de Investigación y Docencia Económica región centro, Aguascalientes. Profesor Titular del Departamento de Política y Cultura de la Universidad Autónoma Metropolitana-Xochimilco; romero.jorgejavier@gmail.com

 

Desde hace unos años, en diferentes estados de la república Mexicana se han hecho reformas legales para la creación de unos llamados Tribunales de Tratamiento de Adicciones, con la intención de canalizar hacia el sistema de salud a procesados con delitos menores en los que se detecte un uso problemático de sustancias psicotrópicas, legales o ilegales. El modelo es una copia del sistema de DrugCourts que se h extendido por diversos estados de los Estados Unidos y que el gobierno norteamericano ha tratado de difundir en los países de América Latina y ha llegado a México como parte de los acuerdos para canalizar los recursos de la Iniciativa Mérida.En este ensayo describiré las características que han adoptado en México estos tribunales, los compararé con las DrugCourts de diferentes estados norteamericanos y plantearé algunas líneas críticas sobre su implementación.

 

 

FIRMES NOS PROPÓSITOS: ETNOGRAFIA DA INTERNAÇÃO DE USUÁRIOS DE “DROGAS” EM COMUNIDADES TERAPÊUTICAS

 

Matheus Caracho Nunes. PPGS UFSCar. matheus.carachonunes@gmail.com

 

Atualmente, as Comunidades Terapêuticas (CTs), desempenham papel fundamental na gestão de usuários de crack e outras “drogas” no âmbito das políticas públicas vigentes. Considerando este cenário, este artigo focaliza uma Comunidade Terapêutica (CT) denominada Associação Amigos da Vida (AAVIDA), localizada em Araraquara/SP. O objetivo geral aqui proposto é descrever e analisar o cotidiano desta CT, com especial atenção para a sujeição dos residentes perseguida neste contexto. Os objetivos específicos são: i) compreender as normas, códigos de conduta, valores e moralidades que emergem no convívio entre os internos, funcionários e visitantes, que operam no cotidiano da Comunidade Terapêutica, e as regras institucionais que orientam o trabalho dos funcionários; ii) compreender os dispositivos disciplinares mobilizados pela instituição, e como se processa sua intenção de  fazer surgir “novos sujeitos”; iii) entender as reelaborações feitas pelos residentes, como resistência à metodologia institucional. A hipótese é de que inscrita nas práticas das CTs estrutura-se simultaneamente: i) a construção de um padrão moral de condutas socialmente aceitas; ii) uma estratégia estatal e religiosa de gestão de populações de risco e os modos de resistência a esses ordenamentos. O artigo é fruto de pesquisa realizada desde a graduação e estende-se pelo mestrado. É amparado por trabalho etnográfico, que comporta: i) visitas intercaladas, realizadas desde 2012; ii) imersão de “internamento” com dois períodos de quinze dias.

Palavras-chave: Drogas, Margens Urbanas, Política de Drogas, Comunidades Terapêuticas.

 

 

“ TAMO JUNTO”: MEDIAÇÕES LEIGAS NA AJUDA MÚTUA ENTRE “ADICTOS”

Rosa Virgínia Melo. UFPB, UnB, NEIP; rosavmelo@gmail.com

 

O objetivo da exposição é analisar a categoria de “doença” segundo participantes em grupo de ajuda mútua ligado à Comunidade Terapêutica Fazenda do Senhor Jesus, no Distrito Federal, Brasil. O fio condutor da discussão atravessa a noção de doença, tida como característica da “dependência química”, e problematiza os aspectos sociais de tal classificação, cuja recuperação adviria da introjeção moral coletivamente exercitada e baseada no método do Alcóolicos Anônimos. A compreensão de tais categorias tem como objetivo provocar uma reflexão acerca das afinidades eletivas entre família, religião e estado que levam à proposta de regulamentação e inclusão no Sistema Único de Saúde desse modelo de tratamento.

Tal modelo, de cunho religioso e disciplinar, relativiza os valores da autonomia individual moderna contemporânea e interroga a eficácia dos artefatos de laboratório no tratamento da dependência química.

Contudo, a mediação religiosa no campo da chamada saúde mental não se dá sem conflitos, devido, entre outros fatores, ao lugar ocupado pelalaicidade no contexto da modernidade. O projeto de regulamentação das CT’s via inclusão no SUS evoca a presença do religioso no espaço público e suscita polêmicas e acusações aqui interpretadas em diálogo com os estudos dos modos de articulação, expansão e retração da religião no mundo contemporâneo.

Palavras-chave: dependência química, ajuda mútua, religião, laicidade.

 

 

COMUNIDADES TERAPÊUTICAS: TENSÕES E NEGOCIAÇÕES NO TRATAMENTO DA DEPENDÊNCIA QUÍMICA

 

Sara Godoy Brito. New School For Social Research. sara.godoybrito@gmail.com

 

O artigo se insere na discussão sobre as políticas de assistência a usuários de drogas, buscando compreender como funciona e se estrutura a dinâmica de tratamento de uma comunidade terapêutica. Tal estudo é fruto de uma pesquisa etnográfica realizada em 2013, onde procurou-se entender o cotidiano da casa de internação de uma CT do DF, bem como identificar as relações e mediações entre os profissionais de saúde e os meninos ali internados como forma de melhor compreender a proposta terapêutica em questão. Procurou-se investigar tais questões sob a luz dos conceitos de agência (ORTNER, 2006) e poder (Foucault,1979,2004). As comunidades terapêuticas entram no cenário da rede de atenção aos usuários de drogas, como uma alternativa que reforça a abordagem biopsicossocial como estratégia de intervenção ao na forma consumo de substâncias psicoativas. São instituições onde se observa uma complexa rede de interações, estando presentes constantes tensões e negociações que operam a partir  do exercício dos profissionais da instituição e a forma como os sujeitos ali internados se apropriam ou reatualizam esse projeto terapêutico para seus próprios projetos e desejos. O trabalho contribui para o reforço da antropologia como saber cientifico estratégico para se pensar sobre as intervenções e políticas de saúde, na medida em que propõe uma reflexão e problematização da proposta terapêutica a partir dos discursos dos próprios sujeitos ai envolvidos.

Palavras-Chaves: Drogas, Comunidades Terapêuticas,  Subjetividades.

 

 

UMA ETNOGRAFIA DO ENCONTRO: AGENTES COMUNITÁRIOS/AS DE SAÚDE E HOMENS USUÁRIOS DE CRACK

 

Talita Nunes Costa. Aluna regular do Curso de Mestrado oferecido pelo Programa de Pós-Graduação do Departamento de Antropologia, Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, da Universidade Federal da Bahia, Brasil. talitanc@yahoo.com.br

 

A atenção básica deve desenvolver ações de prevenção e/ou cuidado dos agravos à saúde decorrentes do uso de drogas, visto que esta prática social adquiriu a dimensão de problema de saúde pública, diante das consequências sanitárias e sociais resultantes do consumo prejudicial, especialmente das substâncias ilícitas. No Programa de Saúde da Família (ESF), o trabalho se fundamenta no Agente Comunitário de Saúde (ACS), habitualmente morador da comunidade pela qual deve zelar. Esta característica o destaca entre os demais profissionais, e é crucial para garantir a adesão e a eficácia das ações. O ACS vê a si mesmo como “cuidador” da população e “elo” entre ela e o serviço, como previsto na Política Nacional de Atenção Básica. Porém, sua abordagem não alcança o homem adulto consumidor de crack, o que acentua a vulnerabilidade social deste público. A dificuldade do ACS em garantir este cuidado relaciona-se ao paradigma biomédico que orienta o serviço e sua atuação; à resistência masculina em acessar e/ou aderir ao atendimento oferecido na ESF; e à associação, real ou imaginária, do usuário de drogas à marginalidade e à violência, sobretudo o tráfico de drogas – o que se aproxima do senso comum a este respeito. Esta etnografia busca problematizar, do ponto de vista antropológico, as questões sociais e culturais do trabalho do ACS, considerando como sua concepção sobre o usuário influencia o atendimento deste segmento; e compreender os limites e possibilidades das políticas públicas voltadas à saúde do homem e ao consumo de drogas, especialmente o Crack, na ESF.