RESUMEN GRUPO DE TRBAJO 15

GT 15. ANTROPOLOGIA AUDIOVISUAL & ANTROPOLOGIA DO CINEMA: OLHARES CRUZADOS E CONEXÕES POSSÍVEIS

Coordinadores:

Debora Breder. Doutora em Antropologia pela Universidade Federal Fluminense/Brasil com Estágio Doutoral na École des Hautes Études en Sciences Sociales/Paris. Pesquisadora do Grupo de Análises de Políticas e Poéticas Audiovisuais (GRAPPA/UFFRJ) e Profª da UCAM/Brasil. deborabreder@hotmail.com

Francisco de La Peña Martínez. Doctor en Antropología Social y Etnología por la École des Hautes Études en Sciences Sociales/Paris. Profº da Escuela Nacional de Antropología e Historia/ENAH/México; paco61@prodigy.net.mx

Comentarista: Carlos Reyna. Professor Doutor de Cinema do IAD e de Antropologia Visual do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal de Juiz de Fora; creynna@gmail.com

 

 

IMAGENS & COSMOLOGIAS

 

A AUTO-MISE EN SCENE. UM OLHAR SOBRE A IMAGÉTICA DA COMISSÃO RONDON

 

Alexsânder Nakaóka Elias. Doutorando em Antropologia Social (PPGAS-UNICAMP). alexdefabri@yahoo.com.br

 

No presente artigo pretendo analisar, a partir de um viés antropológico (especificamente o da Antropologia Visual), um filme etnográfico da extensa produção cinematográfica documental realizada pela Comissão Rondon, na tentativa de delimitar as fronteiras de um Brasil até então desconhecido, indo ao encontro dos índios (por eles) considerados “selvagens”, personagens singulares e que mantinham, até então, pouco contato com o homem “branco civilizado”. Aqui, darei ênfase ao filme Kadiweu (1932), através do olhar do seu idealizador e produtor, o fotógrafo e cineasta (também major)Luiz Thomaz Reis, que sofreu grande influência editorial de seu superior imediato, o marechal Cândido Mariano da Silva Rondon. Pretendo analisar esta produção fílmica levando em consideração as vontades, ideologias e critérios destes militares,ou seja, quero aqui dar ênfase à análise da mise en scène (que significa, de forma sucinta, o conjunto de ações do cineasta, que emprega suas opções de escolha, sejam técnicas ou culturais)da produção do autor Thomaz Reis e das contribuições de Rondon, assim como da auto-mise en scène (a mise en scène dos “atores” e a relação estabelecida com seus interlocutores). Para tanto, farei uso do conceito de dominantes, definido por Claudine de France no livro “Cinema e Antropologia” (1998) para designar as atividades humanas que se desenvolvem de forma simultânea no nível do corpo, da matéria e do rito, sendo que um destes três aspectos, na maioria dos casos, fica em relevo em detrimento dos outros dois (que se esfumaçam, se diluem).

Palavras-chave: mise en scène, dominantes, Comissão Rondon, filme etnográfico.

 

 

 

CAMINHOS DA IMAGEM: ENTRE O SENSÍVEL E O VISÍVEL NO UNIVERSO ALTO-XINGUANO

 

Luiza de Paula Souza Serber. Mestranda em Antropologia Social no IFCH – Unicamp

luizaserber@yahoo.com.br

 

Proponho em minha pesquisa investigar no universo alto-xinguano como se dá o encontro entre um estilo particular de ver e mostrar - relacionado a um estilo próprio de pensar (Lagrou, 2013, p. 35) - com as possibilidades oferecidas pelas tecnologias audiovisuais. Assim, a análise se dará por meio do cruzamento de duas vertentes complementares. A primeira compreende a imagem em seu sentido mais amplo, como um elemento pertencente a um complexo universo estético/visual no qual atua como instrumento perceptivo que implica em operações mentais específicas (Lagrou, 2013, p. 35). A segunda vertente concebe a imagem como um produto visual particular, fruto do uso de tecnologias audiovisuais. Desta forma, pretendo revelar de que maneira as concepções alto-xinguanas de imagem podem estar se atualizando, transformando e reinventando a partir de novas tecnologias que trazem consigo novos usos, suportes e formas de circulação. Interesso-me, assim, particularmente pelas condições sociais de produção, circulação e recepção dessas narrativas visuais. Para tanto, pretendo acompanhar realizadores indígenas ao longo das etapas de produção audiovisual, enfocando particularmente em algumas realizadoras mulheres (que se formaram ou estão em formação em oficinas oferecidas pelo Instituto Catitu). Elegi este foco por considerar que a produção cinematográfica destas mulheres constitui um lócus privilegiado para se observar uma certa relação existente entre estética e agência (Gell, 1998). Relação que, amplamente atestada nas artes ameríndias, também parece se atualizar aqui e se evidenciar através da influência que a produção cinematográfica exerce sobre a atuação política destas mulheres.

Palavras chave: imagem; estética; cinema indígena; Xingu; mulheres xinguanas.

 

 

KIRINGUE ARANDU SIG E A IMAGEM CINEMATOGRÁFICA

 

Paola Correia Mallmann de Oliveira. Mestranda em Antropologia /UFF. Nickcm2@hotmail.com

  

O trabalho é sobre cinema indígena e crianças Mbyá Guarani, a partir da transversalidade entre o estatuto da imagem cinematográfica Mbyá e um dos elementos formadores da educação das crianças: os cantos. A pesquisa traz ao cinema a perspectiva do jeguatá – principio cosmológico e ensinamento tradicional - compreendendo o ato de fazer imagens em movimento como um gênero narrativo próximo ao canto. Entra nesta abordagem a concepção de cinema pelos Mbyá como transmissor coletivo de conhecimento entre gerações que se coaduna com as práticas de oralidade. Desde este ponto, percebo formas de relação entrecruzadas, a saber, como as crianças protagonizam certas narrativas especificas sobre o conhecimento/aprendizagem próprio, atentando para as questões que suas vozes transportam, e, quais a imagens que produzem nestas experiências de alteridade. Minha aproximação com esta temática acontece em 2013 em comunidades da região metropolitana de Porto Alegre (RS), mas, o que retrato são experiências de subjetivações singulares de crianças com imagens que se situam em multiplicidade de planos e localizações. A pesquisa é permeada pela utilização inicial de oficinas pin-hole e seus efeitos de luz e contra-luz com crianças que cantam, como método para analisar séries imagéticas sobre seus pontos de vistas e versões das narrativas míticas. Por fim, escolhi a dimensão política do corazonar e o método cartográfico para compreender os desdobramentos diferenciados de se deslocar entre uma pesquisa que produz imagens e um cinema que documenta visões de mundo. Se produzir imagens é transmitir ensinamentos, o que ensinam as crianças sobre imagens?

Palavras-chave: crianças, imagens cinematográficas, canto, conhecimento.

 

 

COSMOPISTA PUTUXOP – CINEMA TIKMŨ’ŨN-MAXAKALI EM UM PERCURSO PELAS TERRAS DOS POVOS-PAPAGAIO

 

Bruno Vasconcelos. Mestrando em Antropologia Social – UFMG. guanambis@gmail.com

 

Esta pesquisa investiga a dinâmica transformacional dos povos indígenas TikmÅ©’Å©n-Maxakali, falantes do Maxakali (Macro-Jê) e habitantes do nordeste de Minas Gerais, Brasil, em sua apropriação dos recursos expressivos do cinema. Sua produção audiovisual tem trânsito por festivais de cinema, galerias de arte, assim como começa a fazer frente a situações de abuso e violência por parte dos vizinhos e invasores brancos de seu território. Acompanho uma viagem de mapeamento e filmagem de pontos de seu território ancestral e de estabelecimento de novos laços com o povo Pataxó, antigo aliado, identificado pelos Maxakali com os povos-espíritos de um de seus conjuntos rituais – o Putuxop, ou povos-papagaio. Proponho pensar a eventual continuidade de elementos do sistema cosmológico maxakali em sistemas estéticos atuando a partir dos recursos expressivos do cinema. Ao longo desta viagem fílmica por seus territórios e o de seus aliados, aponto como os pajés Maxakali, em seus esforços de formação de cineastas indígenas, dirigindo filmes junto a eles, ou em suas declarações acerca do cinema, demonstram identificar certos procedimentos afins entre práticas xamanísticas e procedimentos cinematográficos. Haveria proximidade entre certas propriedades dos regimes enunciativos dos seres que cantam e habitam as histórias dos antigos, e procedimentos de distribuição da pessoa maxakali no processo de sua “transformação em imagem”. Sugiro que a apropriação do cinema pelos Maxakali pode ser compreendida como uma transformação de transformações, isto é de procedimentos metamórficos previamente atuantes em sua vida social através do concurso dos YãmÄ©yxop, seus aliados povos-espíritos.

Palavras-chave: cinema indígena, xamanismo, antropologia audiovisual.

 

 

XINGU: CINEMA SOBRE O FIM DO MUNDO

 

Thais Brito da Silva. Doutoranda em Antropologia Social / UFBA. taisoueu@gmail.com

 

No Alto Xingu, convive uma sociedade multilíngue onde vivem os povos Mehinako, Yawalapiti e Waurá – falantes de língua aruak; Kalapalo, Kuikuro, Matipu, Ikpenng e Nahukuá – de fala karib; Aweti, Kamaiurá, Juruna e Caiabi – de fala tupi; Kisêdjê, do tronco linguístico Macro-jê e Trumai – falantes de uma língua isolada. Um lugar onde a sensação, no primeiro contato, é de choque cultural, semelhante ao que descreve um viajante em seu breve estudo de mitologia Kamayurá, quando se viu limitado ao português num espaço onde vicejam várias línguas e diálogos diglóssicos acontecem com certa frequência, sem que haja babel. São aproximadamente 5.500 indígenas de quatorze etnias diferentes pertencentes aos quatro grandes troncos linguísticos indígenas do Brasil. O artigo aborda a formação da sociedade xinguana a partir da perspectiva dos povos que saíram de suas terras e foram levados ao Parque Indígena do Xingu, passando por uma espécie de fim de mundo, em diálogo com as reflexões do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro. A análise é feita a partir dos filmes Contato com uma tribo hostil (1967), de Jesco von Puttkamer, sobre os Ikpeng; A Tribo que se esconde do homem (1966), de Adrian Cowell, sobre o contato com os Panará; e dos filmes feitos pelos próprios indígenas em parceria com o Vídeo nas Aldeias: De Volta a Terra Boa (2008), de Vincent Carelli e Mari Correa, Prîara Jõ - Depois do ovo, a guerra (2000), de Komoi Panará e Piriñop: Meu primeiro contato (2007), de Mari Corrêa e Karané Ikpeng.

Palavras-chave: Xingu, Cinema, Panará, Ikpeng.

 

 

FILME ETNOGRÁFICO, ETNOFICÇÃO, ETNOBIOGRAFIAS E OUTROS CINEMAS

 

 

“A BATALHA DE ADWA”: MEMÓRIA COLETIVA E SÍMBOLOS NACIONAIS ETÍOPES NO DOCUMENTÁRIO DE HAILE GERIMA

 

Prof. Carlos P. Reyna UFJF/PPGCSO/IAD. creynna@gmail.com

 

Uma das motivações é procurar saber, como o documentário A Batalha de Adwa(1999) de Haile Gerima lança mão de histórias de vida (memória individual e coletiva) e lugares de memória para construir identidade social. Ao abordar temas ligados à história, o documentário revela áudio-visualmente o ponto de vista do cineasta sobre um determinado tema. O documentário ao tentar reconstruir a realidade vai enunciar um discurso sobre o mundo histórico. Porém, de que maneira o cinema documentário se aproxima da reconstrução da Batalha de Adwa? São inquietações iniciais que esta comunicação procurará saber. Grosso modo, o cineasta utiliza narrativas oficiais quanto narrativas do universo acadêmico, variando com fontes orais para interpretar este fato e apresentar as memórias coletivas construídas desde então. Para reforçar essas formas de representação, Gerima se vale também de imagens pictóricas que ilustram o discurso, demonstrando assim, o interesse dos artistas em retratar o fato que se tornou mundialmente conhecido. Em suma, o diretor nos propõe perceber os mecanismos complexos utilizados para reconstruir o passado da batalha e nos quais as formas comemorativas ocidentais estão sendo incorporadas às comemorações (relevância do museu, selos, símbolos da vitória e construção de monumentos, bandeira).

Palavras chave: Documentário, Antropologia do Cinema e Memória

 

 

 

 

“AS MARCAS DO MUNDO”: HISTÓRIA, MEMÓRIA E IMAGEM NA OBRA SANS SOLEIL (1983) DE CHRIS MARKER

 

Elaine Zeranze. Doutoranda em Ciência da Literatura / UFRJ / CNPq. elainezeranze@gmail.com

Vinicius Esperança. Doutorando em Sociologia pelo IESP/UERJ / Capes

viniciusesperanca@globo.com

 

O objetivo deste trabalho é analisar na obra Sans Soleil (1983), do cineasta francês Chris Marker, o modo pelo qual são relacionados história, memória e imagem. Trata-se de uma obra difícil de ser descrita devido a sua organização singular. Composta por fragmentos da vida cotidiana, o documentário funciona como um mosaico da memória feito de imagens e relatos recolhidos de viagens do Japão à Guiné-Bissau, uma busca pelos extremos da sobrevivência, segundo o próprio autor. Penso que, Sans Soleil traz elementos que problematizam e desconstroem certas categorias, tais como, documentário, ficção e documentário etnográfico. É documentário por sua montagem em imagens diretas, ou seja, sem encenação. Ao tempo que não é documentário pelo uso de um personagem fictício que teria escrito relato. Seu inverso também vale para defini-lo como ficção. De mesmo modo é documentário etnográfico por ser fruto da observação participante do estudo de certos grupos sociais e não o é por não seguir os cânones consagrados deste gênero. Nesse ponto podemos aproximá-la da obra do Lévi-Strauss de Tristes Trópicos (1955). É nas fronteiras destas categorias que pretendo analisar o papel da memória, tanto coletiva quanto individual, na construção/recriação da história, uma história escovada à contrapelo, termo cunhado por Walter Benjamin, ou seja, uma história contada pelo lado dos vencidos.

Palavras-chave: Documentário Etnográfico; Chris Marker; Memória; História.

 

 

O CINEMA IMPROVISACIONAL DE JEAN ROUCH

 

Kelen Pessuto. Doutoranda em Antropologia Social / USP. kelen.novo@hotmail.com

 

O cinema de Jean Rouch é baseado na improvisação, seja seus filmes etnográficos ou suas etnoficções. O antropólogo-cineasta utiliza a improvisação tanto dos sujeitos que trabalham em suas películas, quanto de filmagem e de roteiro (enredo), pois as ideias surgem da convivência que se estabelece entre o diretor, os atores e o meio social no qual eles vivem. Quase nunca há um roteiro completo com diálogos e marcações a não ser premissas, que servem de guia para o diretor, mas a história é construída a partir do encontro do cineasta com seu(s) sujeito(s). Neste caso, a filmagem é toda improvisada. Tudo é decidido na hora de filmar. A partir do cinema improvisacional rouchiano, esta comunicação aborda os conceitos de improvisação, “cinema-verdade” e “cine-transe” em Jean Rouch.

Palavras-chave: improvisação, etnoficção, Jean Rouch.

 

 

 

AMBIENTALIZAÇÃO, AUDIOVISUAL E DESENVOLVIMENTO: PERCURSOS ETNOBIOGRÁFICOS

 

Luisa Godoy Pitanga. Mestranda PPGSA/IFCS-UFRJ. luisapitanga@gmail.com

 

A presente comunicação é fruto da pesquisa desenvolvida para a dissertação de mestrado Ambientalização, audiovisual e desenvolvimento: percursos etnobiográficos na qual a autora produz uma “autoetnografia” andarilha ou pedestre, nos termos das enunciações pedestres de Michel de Certeau, que entende o percurso do pedestre na cidade como uma enunciação, um relato de suas táticas para lidar com as tentativas de fixação e coerção do sistema.  Um indivíduo na consultoria ambiental, em um mercado de trabalho que emprega cientistas sociais, experimentando uma nova inserção profissional que surge de processos de ambientalização (Leite Lopes, 2006), com o uso de novas tecnologias digitais e audiovisuais na pesquisa para estudos de impacto ambiental e em oficinas participativas com futuros ou já impactados por grandes empreendimentos. Nesses percursos o audiovisual surge como tática para lidar com o emaranhado de lógicas sociais que envolvem o licenciamento ambiental e seus agentes: grandes empresas, IBAMA, consultores e população impactada. Filmes para sensibilizar, para pesquisar, para levar mensagens para instituições e grandes empresas. Filmes como meios, como agentes sociais numa aproximação com Alfred Gell e uma antropologia da arte que pensa a ação, não o simbólico, a qual interessa as relações de mediação produzidas nos circuito de produção e circulação pela a agência de objetos de arte. Assumindo diversas pessoas-personagem etnobiográficas como: a estudante de iniciação científica que acompanhou a transição tecnológica do analógico ao digital, a consultora que se desdobra em militante, empresária e técnica, a educadora audiovisual e a cientista social-documentarista etnografo situações vividas em pesquisas de campo e em oficinas de cinema ambiental de projetos de desenvolvimento do licenciamento ambiental de petróleo e de hidrelétricas nas quais está envolvido o uso do audiovisual e da pesquisa de inspiração antropológica.

 

 

COTIDIANO (IN)VISIBLE. LOS SENEGALESES MÁS ALLÁ DE LA VENTA AMBULANTE

 

M. Luz Espiro. Licenciada en Antropología / Universidad Nacional de La Plata, Argentina. mluzespiro@gmail.com

 

En la ciudad de La Plata, capital de la provincia de Buenos Aires viven y trabajan en la venta ambulante un centenar de senegaleses, que forman parte una gran comunidad transnacional. Estas presencias negras despiertan, desde su llegada, sentimientos y significados latentes en el resto de los habitantes de la ciudad, herederos de una historia que ha sabido imponer un mito de nación argentina blanca y de ascendencia estrictamente europea.  Mediante este corto audiovisual que muestra parte de mi trabajo antropológico con la comunidad de senegaleses residentes en La Plata busco poner en evidencia las tensiones de sentido existentes. Por ello se recuperan algunas experiencias cotidianas de los senegaleses, relatadas y vividas por uno de ellos, quien trabajaba en una esquina especial de la ciudad, lugar común de vendedores ambulantes. Una mirada y escucha atentas desde su puesto de bijouterie permiten captar las representaciones de los platenses en torno a estos migrantes. Y es que los puestos de bijouterie se constituyen en fronteras simbólicas desde las cuales se reproduce una interacción estereotipada con la comunidad local. Entonces, se vuelve necesario atravesarlas para dar a conocer la intimidad de un hogar signado por el compartir entre senegaleses de aquí y más allá. Pese a las dificultades que Argentina, y en particular la sociedad platense, le imponen a estos migrantes, los senegaleses son protagonistas de su proyecto migratorio, su risa es la fuerza de su comunidad, que migra por sus costumbres, por el trabajo, por el futuro, por la identidad.

Palabras-clave: migración, antropología audiovisual, representaciones sociales, senegaleses, Argentina.

 

 

CORPOS, GÊNEROS, SEXUALIDADES

 

 

E A VIDA CONTINUA: REFLEXÕES ACERCA DE UMA EPIDEMIA

 

Zulmira Newlands Borges. Prof. Associado IV, Programa de Pós Graduação em Ciências Sociais /  UFSM  zulmiraborges@gmail.com

 

Este trabalho se enquadra na perspectiva de debater o cinema como objeto antropológico. O objetivo deste texto é analisar as representações e interpretações possíveis que a narrativa cinematográfica propõe sobre a sexualidade e a AIDS, no filme intitulado “E a vida continua”. Realiza-se aqui uma etnografia do filme, centrada sobre a narrativa fílmica da epidemia da AIDS e os mecanismos de construção de sentido daquele contexto histórico do final dos anos 80.  Há mais de 20 anos do lançamento do filme a sua análise ainda traz boas contribuições para o debate atual em torno da doença. A AIDS e especialmente os agentes envolvidos transformaram a maneira de ver a saúde e a doença e aproximaram de um modo inédito as Ciências Sociais da área da saúde. O filme mostra essa trajetória de forma exemplar, abordando primeiramente o medo em torno da epidemia, a forma como foi se construindo a estigmatização em torno do doente, os diferentes discursos que atuaram nesse processo como o Estado, as religiões, a mídia, os interesses econômicos, o movimento social, dentre outros. O filme contribui para expor pré-conceitos ainda vigentes e por isso ainda é um filme contemporâneo, atual e útil para um debate em torno de uma antropologia do cinema. Através dele podemos tecer reflexões sobre as dinâmicas culturais envolvidas quando surge uma nova doença e também analisar os atores que entram em cena nesses casos e especialmente as relações de forças que atuam nesse contexto. 

 

 

TATUAGEM, DESBUNDE E CARNAVAL: ALGUMAS REFLEXÕES SOBRE A POLÍTICA LGBT CONTEMPORÂNEA A PARTIR DE UMA ANTROPOLOGIA DO CINEMA E DE UMA FESTA QUE NÃO EXISTE MAIS

 

Marcos Aurélio da Silva. PPGAS/UFMT - INCT Brasil Plural. marcoaureliosc@hotmail.com

 

Este trabalho pretende a realização de uma antropologia do cinema a partir do filme Tatuagem (dir. Hilton Lacerda, Brasil, 2013) para pensar temas caros às discussões políticas LGBTs contemporâneas como a luta por direitos civis e a dicotomia entre carnaval e política que ronda as paradas gays ou da diversidade sexual, como se o fato de serem mais carnavalescas lhes tirasse a força política. Tatuagem traz à tona antigas possibilidades do estar junto para os “modos de vida”, como a amizade, num tempo como o atual em que os moldes da família e do casamento tradicional passaram a compor os mais caros ideais coletivos LGBTs. O filme também aponta a possibilidade de se pensar o desbunde e o humor camp enquanto formas políticas legítimas e contestadoras. Nesse sentido, esse trabalho também vai pensar também numa festa que não existe mais, o carnaval do Roma, realizado na cidade de Florianópolis, do final dos anos 1970 até o ano de 2008, reconhecido nesse período como um carnaval LGBT que reunia moradores e turistas que performavam e carnavalizavam nesse espaço suas identidades. Defendo que a força política desse carnaval e das manifestações narradas em Tatuagem está em grande medida ancorada nos aspectos audiovisuais que podemos encontrar em carnavais, paradas e outras festas quando estes se espraiam, com seus sons e imagens, por espaços privilegiados da paisagem urbana. Pensar na audiovisualidade e sua força política, acredito, é uma das tarefas possíveis de uma antropologia do cinema, preocupada além do filme em tela e com o papel das multissensorialidades para a reflexão antropológica contemporânea.

Palavras-chave: carnaval, desbunde, política LGBT, antropologia do cinema.

 

 

SÉRIES CHILENAS DE FICCIÓN Y REPRESENTACIÓN DE GÉNERO

 

Gloria Ochoa Sotomayor. Antropóloga social y Directora de Germina, conocimiento para la acción, gochoa@germina.cl. Javier Mateos Pérez. Instituto de la Comunicación e Imagen de la Universidad de Chile, javiermateos@u.uchile.cl

 

La televisión chilena del siglo XXI ha enfrentado un nuevo fenómeno: la producción y emisión de series de ficción nacionales que han alcanzado un lugar prioritario en la programación televisiva y en el seguimiento del público. Las series más representativas de este fenómeno son Los 80, Los archivos del cardenal y El reemplazante. Estas producciones conforman un corpus en el que se representa, desde la ficción y de manera cronológica, un periodo histórico definitorio para la conformación de la actual sociedad chilena; abarcando, desde la dictadura militar del general Pinochet hasta la actualidad, los cambios sociales acontecidos y la evolución de la sociedad en los últimos cuarenta años. Además, han conseguido los primeros lugares en las listas de los programas más vistos en sus franjas horarias, han sido bien valoradas por la audiencia, han recibido distintos reconocimientos por su calidad y, por último, han alimentado y motivado el debate social.

En el presente trabajo se analizará la representación de género que estas producciones audiovisuales de éxito han construido. El objeto principal consiste en indagar cómo un producto innovador en la temática que aborda -la historia reciente del país-, construye la representación de género. Esta reflexión es parte de una investigación mayor denominada La representación de la historia reciente de Chile en las series de ficción nacionales de máxima audiencia y su recepción en el público juvenil 2015-2018, que investiga estas tres series desde sus condiciones de producción, su contenido y su recepción en la audiencia juvenil.

Palabras clave: antropología social, series de ficción, representación género, televisión, Chile.

A CONSTRUÇÃO VISUAL DO GÊNERO EM VOLVER, DE PEDRO ALMODÓVAR

 

Paula Alves. Doutoranda em População, Território e Estatísticas Públicas ENCE/IBGE. paula@feminafest.com.br. Paloma Coelho. Doutoranda em Ciências Sociais / PUC-MG. palomafcs@gmail.com

O presente artigo visa analisar a construção de discursos em torno das relações de gênero em Volver, de Pedro Almodóvar. Pretende-se refletir, a partir da imagem de “universo feminino” elaborada pelo filme, como se constituem as relações entre os gêneros e como, ao mesmo tempo em que se criam formulações discursivas sobre o “feminino”, se delineiam significados atribuídos ao “masculino”, às posições de sujeito e às relações de poder entre homens e mulheres. Volver leva suas personagens a reviver questões do passado que precisam ser resgatadas e resolvidas no presente, entre tradições e superstições de um pequeno povoado, histórias trágicas e relações familiares que se reproduzem entre as gerações, a presença constante da morte e a iminência da solidão, através da cumplicidade entre as mulheres, de uma mesma família, ou vizinhas, clientes, amigas. Chama a atenção como Almodóvar constrói o “universo feminino” na cozinha, na casa, no cuidado com o outro, com a marca característica de seu cinema: a mistura de tragédia, melodrama, comédia absurda e sensualidade, gerando questionamentos referentes aos discursos construídos pelo diretor no tocante ao gênero. Pretende-se, ainda, discutir sobre a imputação de sentidos às relações de gênero por meio da construção visual de questões como a maternidade, a família, a sexualidade, o incesto e a violação sexual. Por outro lado, problematiza-se a elaboração imagético-discursiva empreendida pelo filme, e a maneira como a linguagem cinematográfica pode ressignificar e deslocar sentidos contidos tanto nos discursos explícitos, como nas zonas de silêncio que a película confere.

Palavras-chave: Relações de gênero; Cinema; Linguagem cinematográfica; Pedro Almodóvar.

 

 

“A DIFFERENT SET OF JAWS”: SEXUALIDADE ALIENÍGENA EM HOLLYWOOD

Thais Farias Lassali. Mestranda em Antropologia Social/ IFCH (Unicamp). thaislassali@gmail.com.

    Rafael do Nascimento Cesar. Mestrando em Antropologia Social/ IFCH (Unicamp). rafael_nascimento1989@yahoo.com.br.

 

Em setembro de 1975, o musical Rocky Horror Picture Show ganhava as telas do Westwood Theather, em Los Angeles, depois de uma aclamada temporada nos teatros da Broadway. Um de seus principais cartazes de divulgação aludia ao filme de Spielberg, trazendo apenas uma boca de lábios carnudos pintados de vermelho, o título e os dizeres “um conjunto diferente de jaws [trocadilho entre “mandíbula” e o título original de Tubarão]”. Parodiando os gêneros de terror e ficção científica, extremamente familiares ao público norte-americano das décadas de 1940 e 1950, o filme tornar-se-ia o ícone cultuado de uma juventude vivendo entre os ideais libertários dos movimentos sociais de esquerda – sobretudo os referentes às liberdades política e sexual – e os valores arraigados de uma sociedade tradicional predominantemente anticomunista. Sabendo da relação constitutiva, sustentada pela antropologia, entre experiência social e as formas culturais, este trabalho procura compreender como os dilemas e tensões inerentes ao contexto norte-americano da década de 1970 são abordados em Rocky Horror Picture Show a partir da relação paródica com gêneros cinematográficos consagrados. Torcendo os chavões narrativos do terror e da ficção científica e atribuindo-lhes novos significados (como nas personagens típicas do “monstro”, “heróis” e “cientista”), o filme tem seu potencial expressivo na subversão das expectativas do público, e na encruzilhada entre normalidade e desvio, prazer e destruição, que ele dará voz às ansiedades de uma geração.

Palavras-chave: Rocky Horror Picture Show; sexualidade; antropologia do cinema; cultura norte-americana.

 

 

CINEMA & IMAGINÁRIOS

 

IT’S ALL TRUE E A DESCONSTRUÇÃO RACIAL DA FORMA CINEMATOGRÁFICA

Luis Felipe Kojima Hirano. Universidade Federal de Goiás / UFG. lfhirano@gmail.com

 

Pretende-se discutir It’s all true documentário inacabado de Orson Welles sobre a América Latina. Encomendado pelos governos estadunidense e brasileiro durante a política de boa-vizinhança, na 2ª Guerra Mundial. Tal documentário tinha como mote retraçar o continente americano através de similaridades e diferenças culturais passando pelo jazz em New Orleans, as touradas no México, o Carnaval e os jangadeiros no Brasil. Apesar do patrocínio de ambos os países da RKO, Orson Welles, um dos mais promissores diretores hollywoodianos da época, não conseguiu a contragosto finalizar esse projeto. Há uma série ensejos que explicam a perda de apoio de Welles de seus patrocinares, entre os estudos mais recentes e as fontes coletadas durante a pesquisa há uma série de indícios que indicam que a forte presença de atores e figurantes negros e mestiços foi uma das principais razões para o embargo que o documentário sofreu ao longo do processo de filmagem. Do lado dos Estados Unidos, a enorme quantidade de negros e mestiços comprometia a exibição do filme nos estados segregados racialmente. Do lado brasileiro, o destaque dado aos afrodescendentes e as favelas se contrapunha a imagem que o governo e a imprensa gostaria de exibido do Brasil internacionalmente. O episódio de It’s all true permite não apenas discutir as relações raciais no Brasil e nos Estados Unidos, mas também refletir de que maneira as convenções e a forma cinematográfica também se ancoram em concepções raciais, étnicas, entre outros marcadores sociais da diferença.

Palavras-chave: cinema, It’s all true, marcadores sociais da diferença, Política de boa-vizinhança.

 

 

CINEMA E IMAGINÁRIO NACIONAL: REPRESENTAÇÕES DA ARGENTINA E DO BRASIL EM SEUS FILMES RECENTES DE ÊXITO INTERNACIONAL

Vitáli Marques Corrêa da Silva. Mestrando em Antropologia Social pela UFRGS. vitalimcs@gmail.com.

 

Este trabalho analisa a relação entre filmes argentinos e brasileiros bem-sucedidos no exterior com o imaginário construído acerca desses países na contemporaneidade. Filmes produzidos na Argentina e no Brasil não raras vezes fazem sucesso em países do Norte. Essa posição expoente das indústrias cinematográficas serve como campo propício para o entendimento das representações nacionais a respeito de ambos os países. A suposição deste trabalho é a de que o conteúdo veiculado por filmes de maior abrangência assume uma posição de construção/reforço do imaginário desenvolvido sobre o Brasil e a Argentina. A questão central que se levanta é a de que forma os imaginários, as representações e as identidades nacionais desses países são estruturados e refletidos pelas criações cinematográficas de maior destaque. Afinal, de que se tratam esses imaginários, representações e identidades? A análise fílmica das narrativas permitirá a sistematização de características da representação nacional. Argumentamos que o modelo representacional brasileiro se assenta no "exotismo", ao passo que a Argentina se insere de forma mais "cosmopolita", considerando os parâmetros ocidentais.

Palavras-chave: cinema, imaginário nacional, Brasil, Argentina, identidade.

 

 

NATUREZA, CULTURA E TECNOLOGIA EM CONEXÕES PARCIAIS: UM ESTUDO COMPARATIVO ENTRE STEVEN SPIELBERG E JAMES CAMERON

Vitor França Netto Chiodi. Mestrando em Divulgação Científica e cultural - LABJOR/ Unicamp. yama.chiodi@gmail.com

 

James Cameron e Steven Spielberg são os dois diretores com a maior soma de bilheteria da história de Hollywood, o que os coloca em posição privilegiada para a execução de blockbusters com narrativas muito mais passíveis de autonomia que o padrão da indústria. Dentre as várias abordagens possíveis nas obras dos autores, existe uma que remonta uma controvérsia sobre a relação entre natureza-cultura e tecnologia. A controvérsia é caracterizada pelos processos de hibridização entre humano e tecnológico que desmantelam algumas configurações tradicionais de natureza e cultura e criam novas conexões. Por um lado uma visão moderna dessa hibridização que organiza natureza e cultura como humano x tecnológico, natural x artificial. De outro uma visão contra-moderna que enxerga potências na hibridização e rompe a binariedade entre humano e tecnológico, os pensando como parte de um mesmo processo. A visão moderna caracteriza o ponto de vista de Spielberg e pode encontrar fundamento téorico em autores como Virilio (2009) e Le Breton (2010). A visão contra-moderna, ou simétrica, se aproxima da de James Cameron e pode se apoiar em autores como Donna Haraway (2010) e Latour (2009). As duas perspectivas acima descritas são centrais nos debates da antropologia e na obra dos dois diretores. O objetivo desse artigo é recuperar a interdisciplinariedade do debate e propor uma reflexão sobre estratégias políticas para se pensar as diferenças, assumindo que o cinema pode ilustar a antropologia e vice-versa, e que a relação cinema-antropologia se apresenta como possibilidade de crítica política.

Palavras-chave: Antropologia do cinema; tecnologia; hollywood; diferença; ciborgue

 

 

A REPRESENTAÇÃO DA LOUCURA NO CINEMA BRASILEIRO – 1994 A 2004

Irma Viana. Pós-Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da UFBA. irmaviana@hotmail.com

 

Com o objetivo de dar continuidade à pesquisa que vem sendo realizada no campo de intersecção entre a análise sócio-antropológica da arte e da saúde, este trabalho procura investigar como questões de saúde/doença mental têm sido apresentadas pelo cinema brasileiro entre os anos de 1994 e 2004. Cabe observar que esse período foi bastante significativo para o desenvolvimento de concepções relacionadas ao sistema da saúde mental, quando as reflexões sobre os cuidados com os sofrimentos mentais adquiriram novos contornos, principalmente devido aos rumos tomados pelo processo da “Reforma Psiquiátrica”. Trata-se ainda de um período em que a produção cinematográfica brasileira se intensificou com a criação de novos incentivos, como é o caso da chamada “retomada do cinema nacional”. Além de seu poder de penetração em diversos segmentos da população, o cinema, por outro lado, reflete aspectos fundamentais do imaginário nacional, lançando um conjunto de preocupações relacionadas às transformações socioculturais, econômicas e políticas. Nesse âmbito, a presente pesquisa volta-se para discutir as formas pelas quais, ao longo do tempo, o cinema brasileiro (ficção e documentário) representou as mudanças ocorridas com o “mundo” da doença mental, contribuindo para a instituição de imaginários sociais relacionados com a loucura. Vale salientar que a análise das representações da saúde/doença mental não está separada das questões relativas à corporalidade, pois a “construção” do corpo e da pessoa é um elemento fundamental para a compreensão do adoecer. E o cinema desempenha um papel significativo para essa construção na sociedade moderna.

Palavras-chave:Cinema, Doença Mental, Corpo, Pessoa, Contemporaneidade.

 

 

O MUNDO NATIVO DO OUTRO EM JAUJA E SUAS PAISAGENS POÉTICAS

 

Juliano Gonçalves da Silva. Integrante do Grupo de Análises de Políticas e Poéticas Audiovisuais. juliano.gds@ig.com.br

 

Neste artigo pretendo discutir a visão do "outro" a partir de uma viagem empreendida por um "colonizador europeu" no ano de 1882 por ocasião do "descobrimento" da Patagônia Argentina. Este está envolvido em um projeto de mineração de ouro, levando consigo na viagem sua filha uma bela e rara figura feminina numa terra onde existe de tudo menos "códigos civilizados". A partir dessa narrativa presente no filme Jauja (2014) do cineasta Lisandro Alonso, realizarei uma análise sobre as possíveis paisagens construídas em sua busca após o rapto dela por um soldado mestiço e a representação dos não europeus através da sua poética fílmica. Logo no início do filme vê-se um pai, o capitão Gunnar Dineses (Vigo Mortensen), conversando com a sua filha (Vilbjørk Mallin Agger); falam dinamarquês, abordam a viagem que está por vir – e olham para o horizonte, emoldurado por uma janela. Em sua trajetória no Novo Mundo, que vai paulatinamente relativizando tempos e espaços acabam por nos remeter a possíveis outros olhares sobre estes estranhos habitantes locais chamados de "cabeça de cocô" por um dos subalternos do capitão e para eles mesmos "europeus" deslocados de sua terra natal. Tal qual nos é apresentado em um epílogo posterior o filme nos remete a possíveis elos perdidos recorrentes entre as duas narrativas (um soldadinho de madeira, cães magros e esguios que guiam os personagens, entre outros...) dos mesmos personagens em um presente possível na Europa atual. Assim este movimento contínuo e cíclico, próximo aos tempos míticos atualiza em novas interpretações e sentidos o próprio processo colonizador e seus sentidos e significados atuais.

Palavras-chave: antropologia do cinema; cinema argentino; mundos indígenas; paisagens no cinema; poética fílmica.

                                                                                                                             

 

CINEMA, CIDADES E OUTRAS PAISAGENS

 

 

CIDADES, POÉTICAS E POLÍTICAS: O NORDESTE URBANO EM PRODUÇÕES CINEMATOGRÁFICAS NACIONAIS CONTEMPORÂNEAS

 

Luiz Gustavo Pereira de Souza Correia. Professor Adjunto I do Departamento de Ciências Sociais e Programa de Pós-Graduação em Antropologia / UFS. luizgustavopsc@gmail.com.

Anike Mateus Lamoso.Graduada em Comunicação Social / UFS. nikilamoso@gmail.com

 

A presente comunicação pretende discutir as relações entre estética, política e cinema a partir de recentes produções cinematográficas do nordeste brasileiro. O foco das análises é dirigido às narrativas e experiências de cidades desveladas nos filmes e a potencialidade do cinema em propor, através desses múltiplos olhares e sensibilidades, distintas formas de sentir e pensar o urbano. A cidade é aqui compreendida como uma composição de diversas temporalidades e memórias de onde emergem individualidades e coletividades como possibilidades únicas de experiência e de atribuição de significados a tais vivências. Seguindo as proposições de Lefebvre, é necessário pensar as descontinuidades e instabilidades do cotidiano e as possibilidades daí advindas de subversão e transgressão pelos sujeitos nos instantes de reapropriação e ressignificação dos cenários urbanos em meio às suas práticas banais. Por sua vez, Benjamin aponta o papel da narração como trabalho de tessitura do tempo, uma luta contra o esquecimento, o silenciamento e a supressão da memória. Como possibilidade de redenção do passado através da fusão ou condensação dos tempos, a narração é a subversão do tempo banalizado da cotidianidade, pois na rememoração o tempo não é vivido “nem como vazio, nem como homogêneo”. Assim, ao fazer dialogar tais autores com o conjunto de filmes selecionados, espera-se não apenas lançar novos olhares às cidades narradas e seus imaginários, mas também às cidades contemporâneas como objeto de análise antropológica.

Palavras chave: Cinema nordestino contemporâneo; Cidades; Cotidiano; Experiência

 

 

DOCUMENTÁRIO PERNAMBUCANO DE CURTA-METRAGEM: NARRATIVAS E ESPACIALIDADES NOS FILMES CÂMERA ESCURA E A CLAVE DOS PREGÕES

Wendell Marcel Alves da Costa. Graduando em Ciências Sociais. UFRN. marcell.wendell@hotmail.com

 

Como o espaço urbano é representado na produção de dois curtas-metragens locados na cidade de Recife–PE? Mais do que essa indagação inicial, este ensaio busca compreender como o ordenamento narrativo audiovisual das produções de curtas-metragens, Câmera Escura (Marcelo Pedroso, 2012) e A Clave dos Pregões (Pablo Nóbrega, 2015), identificam e constituem o espaço urbano recifense. Analisa-se como o imaginário social é construído acerca da cidade, a partir da leitura e/ou tradução de suas paisagens urbanas e das interações sociais nelas existentes no contexto do processo de subjetivação do espaço. Trabalhando com categorias como representação, construção do espaço, imaginário social e narrativas, a partir das contribuições de Barbosa (2000), Costa (2011) e Oliveira Jr. (2012), este trabalho debate questões referentes à representação e/do espaço. Nesse cenário, os estudos na antropologia urbana colocam-se prontamente para traçar uma corrente teórica que dialogue com outros campos de estudos neste trabalho, como a antropologia do cinema e do audiovisual e a geografia cultural. Finalmente, considera-se a distinção entre duas construções de realidade urbana nos curtas em questão para compreender como estas são construídas por meio de narrativas fílmicas que mesclam o antropológico e o geográfico no fazer cinematográfico.

Palavras-chave: Espaço urbano, Representação, Narrativas, Curta-metragem

 

 

TEM CINEMA NO SERTÃO! UM RELATO SOBRE A EXPERIÊNCIA DE PESQUISA NOS FESTIVAIS CINECONGO E CURTA COREMAS NO SERTÃO PARAIBANO

Pedro Henrique Pinheiro Xavier Pinto. Doutorando do PPGS/UFPB. phpxavier@yahoo.com.br

 

Coremas é uma cidade que fica na microrregião do piancó, sertão da paraíba. Congo, um município do cariri paraibano. Ambas têm em comum importantes festivais de cinema no circuito fora da capital e de Campina Grande, outro centro urbano e referência na produção audiovisual do Estado da Paraíba. O curta Coremas está em sua quarta edição e o Cinecongo, em novembro de 2014, chegou a sua sexta edição com o tema "cinema de identidade". Estes são festivais que considero bastante significativos para a pesquisa de doutorado na qual estou realizando um estudo sistemático das transformações recentes no circuito de distribuição das obras audiovisuais produzidas no Nordeste, sob a forma de festivais e mostras que ocorrem fora do eixo das capitais. O Cinecongo e o Curta Coremas são eventos consolidados em seus municípios e constam na base de dados dos principais fóruns audiovisuais, portanto, estão no circuito nacional e se comunicam com os demais realizadores de mostras e festivais Brasil a fora. Tenho desde 2013, na condição de observador participante, acompanhado vários festivais e mostras de cinema principalmente na Paraíba, Rio Grande do Norte e Pernambuco. Venho também captando imagem e som destes eventos como aporte metodológico para a pesquisa que está em andamento. Proponho aqui comunicar este recorte sobre a minha experiência no Cinecongo e no Curta Coremas ajustando o foco sobre temas da antropologia visual e da sociologia da imagem e da cultura.

Palavras-chave: Cinema, festivais, audiovisual, sociologia e antropologia da imagem

 

 

CINEMA & INCESTO

 

UMA MULHER, DOIS IRMÃOS E UM ÚTERO TRIFURCADO: UMA NARRATIVA CONTEMPORÂNEA SOBRE GEMEIDADE, ESTERILIDADE E INCESTO

Debora Breder. UCAM

 

Inspirado na ideia de textura mítica – essa trama persistente e flexível capaz de se entrelaçar a outros fios ou tecidos narrativos –, esta comunicação propõe uma reflexão sobre o modo pelo qual o ideal de uma perfeita gemeidade, comum à tradição indo-europeia, vem sendo atualizado nas narrativas contemporâneas. Tendo como fio condutor desta reflexãoo longa-metragem Dead Ringers (1989), de David Cronenberg – que apresenta gêmeos ginecologistas como personagens centrais – analisa-se o discurso simbólico da trama, que entretece gemeidade, esterilidade e incesto. Em última instância trata-se de destrinçar, no emaranhado de suas malhas, a coerência de um discurso simbólico sobre a gemeidade, em seus limites e utopia.

Palavras-chave: Cinema, Mitologia, Incesto, Gemeidade, Dead Ringers

 

 

EL INCESTO COMO SÍMBOLO DOMINANTE EN EL MELODRAMA CINEMATOGRÁFICO.

Francisco de La Peña. ENAH.

 

Un elemento mayor del cine melodramático es el incesto, real o potencial, entre los personajes. El incesto puede ser de primer tipo, es decir entre consanguíneos, o bien de segundo tipo, es decir entre dos sujetos emparentados que comparten uma misma pareja sexual. De hecho, es más común este último tipo de incesto en el cine melodramático, lo cual resulta altamente significativo. En este trabajo se presentarán algunas reflexiones sobre este tema desde una perspectiva antropológica, en la que destacan los aportes de Francoise Heritier para el estudio del incesto de segundo tipo, y se explorará su presencia en una serie de obras fílmicas de distintos países y tradiciones cinematográficas..