RESUMEN GRUPO DE TRBAJO 127

GT 127. COLONIALISMO, PROCESOS, TERRITÓRIOS Y PUEBLOS INDÍGENAS EM LA REGIÓN PLATINA

Coordinadores:

Jorge Eremites de Oliveira. Universidade Federal de Pelotas/CNPq, Brasil; eremites@hotmail.com

Marilin Renhfeldt. Universidad Católica Nuestra Señora de la Asunción, Paraguay; mrehnfel@rieder.net.py

Ana María Gorosito. Universidad Nacional del Nordeste, Argentina; anagorosito@gmail.com

Debatedor: Thiago Leandro Vieira Cavalcante. Universidade Federal da Grande Dourados, Brasil; thiago_cavalcante@hotmail.com

 

 

Sessão 1:

 

 

Colonialismo de colonos y territorio en Uruguay: Una reemergencia sin leyes ni tierras

Gustavo Verdesio (University of Michigan, Estados Unidos; gverdesio@gmail.com)

 

En un país como Uruguay, que se imagina, gracias a las narrativas de la Nación, como “país sin indios,” el surgimiento de las asociaciones de descendientes de indígenas ha sido recibido de diversas maneras por el Estado y el público general. La reacción más común ha sido la de escepticismo. Esto puede deberse, en buena medida, a que el tipo de colonialismo que se desarrolló en ese país (y en buena parte de la Argentina) no fue el mismo que en el resto de Latinoamérica. Me refiero a lo que en inglés se llama settler colonialism (colonialismo de colonos) y que se caracteriza por el intento de desplazar, o en su defecto, exterminar, a los habitantes originarios del territorio. En esos países, según Lorenzo Veracini, es muy difícil discutir asuntos indígenas, puesto que su problemática pone en tela de juicio la historia y la existencia de las sociedades occidentales u occidentalizadas que se desarrollan en las repúblicas modernas que provienen de ese tipo de colonialismo. Al no haber en Uruguay una legislación que contemple los asuntos indígenas, la situación de los colectivos charrúas reemergentes en relación al reclamo de tierras es poco auspiciosa. Aquí exploro el tema del resurgimiento de las etnicidades indígenas en Uruguay en el marco del settler colonialism y de una discusión de la territorialidad como elemento ausente que, paradojalmente, es parte de la identidad de los grupos reemergentes.

Palabras clave: Colectivos Charrúas, Colonialismo de colonos, Etnicidad indígena, Indios en Uruguay.

 

 

Laudos antropológicos: tensões e dilemas no contexto da luta constitucional pela terra no Brasil

 

Diogo Raul Zanini

(Universidade Federal de Pelotas, Brasil; diogoraul@gmail.com)

 

No Brasil, desde a promulgação da Constituição Federal de 1988, os povos indígenas e comunidades remanescentes de quilombos têm direito à regularização de seus territórios tradicionais e a Antropologia segue tendo um papel importante na garantia dos direitos dessas “minorias étnicas”. Para tanto, os laudos antropológicos se constituem como uma peça técnica chave para a fundamentação dos relatórios elaborados pela FUNAI e pelo INCRA, ou por instituições terceiras, contratadas pelos órgãos governamentais. No entanto, o antropólogo quando vai ao território pleiteado para realizar o trabalho de identificação e delimitação das áreas, pode se deparar com uma gama de dificuldades, causadas pelos conflitos envolvendo a posse de terras e pela vulnerabilidade que se encontram esses povos e comunidades tradicionais. Dessa forma, o presente artigo pretende compartilhar uma experiência de produção de laudo antropológico em uma comunidade de remanescentes de quilombo no estado do Maranhão, cuja situação de conflito de terras acarretou uma série de problemas provocados por forças contrárias a demarcação e titulação do território, atrapalhando a produção do laudo. Quais situações que os antropólogos podem encontrar em campo, as quais representam uma ameaça à produção de laudos e ao direito constitucional das populações indígenas e quilombolas? Quando falamos dos “imponderáveis”, na pesquisa antropológica, podemos estar tratando de relações de poder? Qual a tensão vivenciada atualmente por antropólogos e por essas minorias no Brasil pós 1988? São estas as questões que permeiam a discussão proposta para este trabalho.

Palavras-chave: Colonialismo, Laudos Antropológicos, Relações de Poder, Remanescentes de Quilombo.

 

 

ARQUEOLOGÍA DE CONTRATO, COLONIALISMO INTERNO Y PUEBLOS INDÍGENAS EN BRASIL

Jorge Eremites de Oliveira

(Universidade Federal de Pelotas/CNPq, Brasil; eremites.br@gmail.com)

 

En este trabajo presento un conjunto de reflexiones críticas sobre la relación entre la arqueología de contrato, el colonialismo interno y los pueblos indígenas en Brasil. La discusión va al encuentro de una antropología y arqueología del colonialismo, es decir, del estudio del colonialismo entendido de dos formas inseparables y complementarias: primero, como un sistema estructurante de relaciones sociales de poder, explotación y dominación que no se limita a la temporalidad del periodo colonial; segundo, como un conjunto de problemas inherentes a la conformación, práctica y producción de saberes en esos campos del conocimiento, originalmente establecidos en Occidente. El colonialismo interno, por su parte, es un sistema estructurante de la misma naturaleza pero particular a cada país y conectado a las capilaridades transnacionales del colonialismo global. La arqueología de contrato, a su turno, es una práctica empresarial porque se produce dentro de una lógica de negocio y mercado. Presupone la existencia de complejas relaciones entre contratantes/clientes/empleadores y contratistas/negociantes/empleados. En esos casos el producto que se vende o comercializa es el trabajo del arqueólogo. Por lo general, este tipo de servicio es necesario en el licenciamiento socioambiental de diversos proyectos de desarrollo. Para hacer frente a un tema demasiado complejo me baso, principalmente, en observaciones realizadas entre 2003 y 2012 en la región Centro-Oeste en las que participé, como arqueólogo o como antropólogo social, en trabajos periciales o judiciales sobre tierras indígenas y la realización de estudios complementarios a informes sobre los impactos socioambientales de proyectos que afectan comunidades indígenas: dos carreteras, una línea de transmisión de energía y una mina de oro.

Palabras clave: Arqueología de Contrato, Colonialismo Interno, Laudos Antropológicos, Pueblos Indígenas en Brasil.

 

 

EM NOME DA TERRA – A BUSCA COLETIVA POR DIREITOS ACERCA DO TERRITÓRIO GUARANI NO PARANÁ

Ana Cristina Bochnia Cabral

(Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Brasil; bochniacabral@hotmail.com)

 

Para os Guarani da região oeste do estado do Paraná, a terra está relacionada com o sagrado, tendo em si um significado próprio de seu povo. Ela é um espaço de livre movimentação, onde o índio produz sua cultura criando e referenciando seu mundo simbólico, podendo assim exercitar suas práticas culturais, bem como suas crenças. A terra é um dos elementos que constituem a identidade do grupo, sendo, portanto, um fator que caracteriza sua diversidade cultural. Com o início da colonização e seus princípios de apropriação e exploração do território, esses povos foram desnaturalizados em nome de uma fé cristã e do processo civilizatório. A problemática do território e, sobretudo da identidade desses povos agravou-se a partir do período entendido pelas lutas por definições das fronteiras. Hoje, assim como outrora, os conflitos gerados a partir da luta pela preservação do espaço, tido como sendo tradicionalmente indígena, se intensificaram nessa região situada dentro de um contexto fronteiriço. Esse trabalho, produto de uma pesquisa etnográfica realizada junto a aldeia Tekohá Y’Hovy localizada no município de Guaíra, Paraná, Brasil, busca demonstrar a relação que os indígenas Guarani estabelecem com a terra, num território sem demarcação. Uma das características marcantes desse grupo indígena é a sua mobilidade, este estudo pretende analisar a forma como eles têm trabalhado a questão dos deslocamentos, em tempos onde, afixar-se se torna a melhor opção, ou melhor, a única opção possível diante das conjunturas expostas. Salienta-se que grande parte dessa população vive em territórios que ainda não foram demarcados pelo Estado.

Palavras-chave: Colonialismo, Identidade Guarani, Terra Indígena, Território.

 

 

RELAÇÃO DO TERRITÓRIO TRADICIONAL E AS CRIANÇAS INDÍGENAS DA ALDEIA PAKURITY - MATO GROSSO DO SUL/BRASIL

 

Sônia Rocha Lucas

(Universidade Federal da Grande Dourados, Brasil; soninhalucas@gmail.com)

Antonio Hilario Aguilera Urquiza

(Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Brasil; hilarioaguilera@gmail.com)

 

O presente artigo é parte do projeto de pesquisa no curso de mestrado em Antropologia na Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) e busca apresentar a proposta de um estudo da atual situação do processo de regulamentação fundiária dos Kaiowá e Guarani do acampamento Pakurity no estado de Mato Grosso do Sul, Brasil, bem como identificar e descrever quem são as crianças indígenas, como vivem, como percebem a situação de acampamento e com se dá sua relação com a rede de parentela e com o território tradicional. Assim, uma das propostas é identificar e descrever algumas histórias contadas pelas crianças indígenas referentes ao uso da terra, dos caminhos e das trilhas que interligam, tanto a rede de parentela, como com toda a comunidade, como prática de relação com o território. O estudo fundamenta-se em autores como Pacheco de Oliveira (1998), Brand (1993, 1997), Pereira (2007, 2009), Eremites de Oliveira & Pereira (2010), Cavalcante (2013), Lutti (2009), Conh (2005) e Aguilera Urquiza (2013) e tem como procedimentos metodológicos as práticas da Antropologia, como o trabalho de campo e a partir dele, a observação participante, diário de campo e outras formas de registros.

Palavras-chave: Colonialismo; Crianças Indígenas; Situação de Acampamento; Retomada Território Kaiowá.

 

 

Sessão 2: 

 

 

El arrendamiento de tierras indígenas en el Paraguay

Rodrigo Villagra Carron

(Universidad Nacional de Itapúa, Paraguay; villagrarodrigo@hotmail.com)

 

El alquiler o arrendamiento de tierras indígenas en el Paraguay se contrapone a las garantías de protección consagradas en el artículo 64 de la Constitución Nacional de ese país. Sin embargo, su extensión hasta niveles insólitos (afectando por ejemplo a más del 60% de las comunidades indígenas del Departamento de Alto Paraná según datos oficiales, cf. DGEEC, 2015: 43) es quizás un epifenómeno del colonialismo interno y la expansión regional y global del agronegocio pero constituye uno de los indicadores más claros de su constitución como sistema estructurante de relaciones sociales de dominación y explotación. El derecho indígena, las instituciones judiciales, los gobiernos locales, el ente estatal indigenista, los organismos multilaterales, los liderazgos comunitarios y organizaciones indígenas – incluso las más organizadas – gravitan, se eclipsan o ceden ante el peso de su incidencia. No es exageración plantear que esta encrucijada acuciante, propiciada por el discurso hegemónico productivista y la parafernalia tecnológica y financiera de sus agentes, se debate la diversidad, vida y destino de los pueblos indígenas y sus territorios. En la ponencia se presentaran datos generales y casos concretos de comunidades indígenas afectadas por el alquiler/arrendamiento de tierras a fin de ilustrar las características y alcance de este fenómeno.

Palabras clave: Arrendamientos de tierras indígenas; Colonialismo interno; Derecho indígenas en Paraguay.

 

 

Mbyá Rekoa Meme em múltiplas relações: territorialidade, mobilidade e o ambiente na sociocosmologia Mbyá-Guarani no litoral catarinense

 

Carlos Eduardo Neves de Moraes

(Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil; carleza@rocketmail.com)

 

Os Mbyá-Guarani nomeiam seu “mundo cultural” por Yvy Rupá e conservam diferentes categorias espaciais dentro desse amplo território. Sua dinâmica social tem como característica marcante a mobilidade e o constante trânsito de seus membros entre comunidades espalhadas em diversos estados brasileiros, bem como nos países vizinhos do Cone Sul. Com base nisso, proponho uma análise que considera diferentes escalas no entendimento do enraizamento territorial Mbyá-Guarani. As peculiaridades do investimento simbólico sobre o território estão calcadas em múltiplas relações estabelecidas entre as comunidades, com o ambiente e seus seres, com as cidades próximas, com agentes do Estado e, inclusive, com seres das séries extrahumanas (espíritos, demiurgos...). Neste artigo se tem o objetivo de investigar antropologicamente, com base em etnografia realizada junto aos Mbyá-Guarani, a categoria nativa Mbyá Rekoa Meme, constantemente utilizada para identificação das comunidades no litoral catarinense. Entendida como o “mesmo jeito Mbyá” de viver, a qual engloba, segundo meus interlocutores, um conjunto de comunidades na Grande Florianópolis e arredores, por sua acepção não se trata de uma categoria meramente espacial, todavia parto do pressuposto de que ela resguarda uma dimensão territorial importante, sendo lócus em que se realizam múltiplas relações que conectam diferentes comunidades e esferas de sua vida social. Assim, a partir do estudo etnográfico desse conjunto múltiplo de relações pretende-se descortinar a dimensão territorial do Mbya Rekoa Meme, entendendo-se, nessa abordagem, o território como ponto de chegada e não de partida.

Palavras-chave: Mobilidade, Sociocosmologia Mbyá-Guarani, Territorialidade; Território Mbyá-Guarani.

 

 

“OS BUNDAS SUJA”: UMA ETNOGRAFIA DAS CRIANÇAS INDÍGENAS EM SITUAÇÃO DE ACAMPAMENTO NO SUL DE MATO GROSSO DO SUL E UM OLHAR PARA OS PROCESSOS EDUCACIONAIS

 

Tania Milene Nugoli Moraes

(Universidade Federal da Grande Dourados, Brasil; tanianugoli@gmail.com)

Antonio Hilário Aguilera Urquiza

(Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Brasil; hilarioaguilera@gmail.com)

 

O presente trabalho apresenta a proposta de um estudo etnográfico com e sobre um grupo de crianças indígenas que vivem em contexto de acampamento, no sul do estado de Mato Grosso do Sul, Brasil, especificamente em três áreas, sendo elas: Laranjeira Ñanderu, Pakurity e Apyka´i (curral de Arame), estando elas respectivamente localizadas no município de Rio Brilhante e Dourados. Esta pesquisa está sendo desenvolvida no curso de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) e busca apresentar questões do cotidiano de aprendizagem, tanto em ambientes de educação formal, quanto em ambiente de educação não formal, isto é a aprendizagem no cotidiano dos acampamentos. Sendo assim, o trabalho se dispõe a fazer um estudo da relação dessas crianças com a educação, levando em considerações questões pertinentes como: onde estudam? Qual sua ralação com o meio escolar? Como vivem e compreendem a escola? Como se dá a relação de aprendizagem nos acampamentos? Como acontece a pedagogia indígena, ou os processos próprios de aprendizagem? Consideramos este estudo um caminho importante, pois assim poderemos ouvir a voz dessas crianças, levando em conta que estas populações vivem em uma situação de incertezas esperando decisões judiciais provisórias e sem atendimento dos órgãos competentes. Nesse lugar estão em uma situação de vulnerabilidade, sem acesso a qualquer política pública, seja na questão alimentar, saúde, educação ou em qualquer outra área, exatamente pelo fato de não estarem em reservas regularizadas pelo Estado como aldeias.

Palavras-chave: Crianças Indígenas; Educação Indígena; Pedagogia Indígena; Situação de Acampamento.

 

 

Doutores indígenas no Brasil: autoria acadêmica e pensamento indígena em uma etnografia da Ciência

 

Inês Caroline Reichert

(Universidade FEEVALE, Brasil; inesrei@feevale.br)

 

O trabalho que aqui se apresenta busca explicar a emergência, no Brasil contemporâneo, de uma intelectualidade indígena constituída por indígenas que realizaram a formação acadêmica, tornando-se Doutores. Nas trajetórias sociais dos Doutores indígenas estão articuladas, simultaneamente, a diferença étnica – suas territorialidades e lutas, sua afirmação identitária, sua cosmovisão – e a inserção ao espaço universalizante da Educação no mundo branco, o que envolve que atuem a partir de diferentes esferas éticas. A pesquisa procura entender também os significados expressos pelos Doutores Indígenas para a sua autoria acadêmica, realizando uma etnografia da Ciência que intenta demonstrar o giro epistemológico que a presença do pensamento indígena tem impresso na Ocidentalidade, no momento em que demarcam sua territorialidade simbólica pela escrita, rompendo os confinamentos coloniais a que foram submetidos.

Palavras-chave:Doutores Indígenas, Etnicidade, Etnografia da Ciência, Trajetórias Sociais.

 

 

Análisis antropológico de las representaciones culturales sobre el indio construidas en diferentes períodos históricos del Uruguay

Mónica Wajswol

(FLACSO - Buenos Aires, Argentina; monicainahe@gmail.com)

 

Este trabajo de investigación es un análisis antropológico de las representaciones culturales sobre el indio construidas en diferentes períodos históricos del Uruguay; los cambios en la matriz histórica de alteridad cultural, y el lugar que en ella han ocupado y ocupan los indígenas. Se trabaja sobre la noción de aboriginalidad para el caso uruguayo y sus cambios desde la constitución del estado-nación hasta nuestros días. La tesis apunta a entender cómo surge y qué características tiene la construcción de otredad en el marco del desarrollo del estado –nación uruguayo en períodos temporales significativos de la historia nacional. Basándome en productos de la cultura uruguaya, como obras literarias, trabajos académicos, producción gráfica, discursos oficiales, y en trabajo etnográfico con sujetos y colectivos auto-reconocidos como charrúas, se explora el imaginario y la capacidad de agencia de los colectivos indígenas uruguayos para definir su aboriginalidad en un contexto regional e internacional reciente, favorable a las re-emergencias étnicas.

Palabras clave:Alteridad, Colectivos Charrúa, Imaginario Nacional, Indios en Uruguay.

 

Sessão 3:

 

 

ARTE MBYÁ-GUARANI E SUAS HISTÓRIAS

 

Bedati Aparecida Finokiet

(Universidade Federal da Fronteira Sul, Brasil; bedati.finokiet@uffs.edu.br).

 

 “Todo mundo faz artesanato na aldeia. A criança já aprende desde pequenininha. Já tem na cabeça os animais todos. Porque, no passado, todos os animais eram como nós. Os animais falavam. O grilo, foi um Karaí, por exemplo. Mantemos essa ligação com a natureza e os animais, por isso, ficamos fazendo oncinhas, tamanduás, macacos e outros bichos. Não é, simplesmente, um artesanato para comercializar. Talvez, para os não-indígenas, o significado seja esse. Para nós, é outro. Tem toda uma história e uma mitologia, por trás de cada bichinho.” As palavras do cineasta indígena e cacique da Tekoá Ko'enjú, Ariel Ortega, evidenciam um conjunto de significados e histórias manifestadas na arte Mbyá-Guarani e que estão presentes no documentário MBYÁ REMBIAPÓ  NHEMOMBE'U - ARTE MBYÁ-GUARANI E SUAS HISTÓRIAS, realizado com o intuito de refletir sobre seus saberes, fazeres, cotidiano, cosmologia, crenças e o modo de ser Guarani. Os Mbyá-Guarani da Aldeia Alvorecer dependem da produção e venda do seu artesanato para sobreviverem. Junto ao alpendre do Museu das Missões, localizado no sítio arqueológico da antiga Redução de São Miguel Arcanjo, homens, mulheres, jovens e crianças, dispõem bichinhos feitos de madeira, colares de sementes, arcos, flechas e cestaria, cotidianamente, sob os olhares dos visitantes desse espaço. O documentário, realizado a partir do olhar e protagonismo indígena, enfoca aspectos relacionados com o processo produção dessa arte, desde a busca da matéria-prima na mata, até o momento de sua venda, além de suscitar o debate sobre sua situação sócio-histórica.

Palavras-chave: Arte Mbyá-Guarani, Cosmologia, Povos Indígenas, Saberes e Fazeres Indígenas.

 

 

 

 

Estado e Colonialismo: processos de demarcação de terras indígenas Kaiowá e Guarani em Mato Grosso do Sul, Brasil (2008-2015)

Thiago Leandro Vieira Cavalcante

(Universidade Federal da Grande Dourados, Brasil; thiagocavalcante@ufgd.edu.br)

 

O trabalho analisa o processo histórico de esbulho territorial e de luta pela terra empreendida pelos povos Kaiowá e Guarani que ocupam tradicionalmente a região sul do atual Mato Grosso do Sul, especialmente após a criação, em 2008, de seis Grupos Técnicos para a realização de estudos de identificação e delimitação de terras indígenas. Em 2007, a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) reconheceu não estar cumprindo a Constituição Federal Brasileira e assinou um Compromisso de Ajustamento de Conduta por meio do qual se comprometeu a demarcar as áreas de ocupação tradicional kaiowá e guarani. Em 2008, foram constituídos Grupos Técnicos para a identificação e a delimitação dessas terras. A despeito disso, poderosos setores do Estado brasileiro ligados aos três poderes da república, em clara atitude colonialista, dificultam e/ou impedem a concretização de tais demarcações. O presente trabalho faz uma análise histórica desse processo a partir de matrizes teóricas latinoamericanas e conclui que os povos indígenas do Brasil, e em particular os Kaiowá e Guarani, são submetidos a uma sofisticada forma de colonialismo interno que tem no Estado brasileiro seu maior agente executor. Entretanto, salienta-se que o Estado não é um ser abstrato ou alienígena, pelo contrário, seguindo os preceitos da democracia liberal é majoritariamente dirigido por representantes e aliados das elites agrárias e econômicas do país.

Palavras-chave: Colonialismo interno, Kaiowá e Guarani, Povos Indígenas em Mato Grosso do Sul, Terras Indígenas.

 

 

O surgimento de uma nova aldeia Mbyá: a TekoaPyaúem Santo Ângelo, Rio Grande do Sul, Brasil

 

EstelamarisDezordi

(Universidade Federal de Pelotas, Brasil; estelamarisdezordi@gmail.com)

 

O presente trabalho analisa dados parciais da pesquisa etnográfica realizada junto a comunidade Mbyá instalada desde o ano de 2013 no município de Santo Ângelo, situado na região noroeste (Missões) do estado do Rio Grande do Sul, Brasil. A pesquisa está sendo desenvolvida para a conclusão de uma dissertação de mestrado no Programa de Pós-Graduação em Antropologia, área de concentração em Antropologia Social e Cultural, da Universidade Federal de Pelotas. Tem por objetivo compreender a mobilidade espacial, o processo sócio-histórico, a territorialização e a formação de uma nova tekoa (aldeia), constituída por uma única parentela. Para realizar o estudo proposto, optou-se pela perspectiva teórico-metodológica que busca estabelecer interfaces entre os campos da História e da Antropologia. A relevância desse trabalho está centrada na possibilidade de fazer o acompanhamento e o registro da presença dessa comunidade indígena que está em situação de acampamento num terreno emprestado pela prefeitura municipal, mas já denominado por eles como Tekoa Pyaú (Nova Aldeia), assim chamada na língua guarani. Reflete-se, então, sobre os processos estabelecidos entre os indígenas e os órgãos do Estado e demais sujeitos da sociedade nacional envolvente, no que diz respeito à situação que busca uma resolução em relação a ampliação do espaço em que possam estabelecer definitivamente a tekoa.

Palavras-Chave: Antropologia Histórica, História Mbyá, Tekoa, Processo de Territorialização.

 

 

“Eran sólo indios…”: La construcción de la alteridad Mbya-Guaraní en el Alto Paraná de Misiones, Argentina (1920-1960)

 

Marilyn Cebolla Badie

(Universidad Nacional de Misiones, Argentina; macebolla@yahoo.com.ar)

María Cecilia Gallero

(CONICET, Argentina; ceciliagallero@yahoo.com.ar)

 

En la presente ponencia nos proponemos analizar la construcción de la alteridad mbya-guaraní en Misiones eligiendo la zona del Alto Paraná en el periodo que transcurre desde el inicio de la colonización privada (1920) – por parte de inmigrantes europeos con la ocupación permanente del territorio mbya y sus extensas selvas – y la posterior organización del estado provincial y el final del proceso de colonización en la región (principios de la década de 1960). Esta investigación constituye una etnografía de larga duración cuyo principal objetivo es conocer cómo fueron los primeros contactos entre “blancos” e “indios”, qué relaciones mantuvieron y cuáles fueron las representaciones mutuas que determinaron la construcción de ese “otro” desconocido hasta entonces. En la historiografía regional existe escasa información sobre estos contactos. En los relatos, memorias, historias de pueblos, etc., en los que se encuentra alguna mención, ésta suele consistir en comentarios de tipo paternalista o claramente despectivos. Las situaciones de fricción interétnica (Cardoso de Oliveira, 1972) que fueron obviadas en estos relatos, y que surgen de los testimonios recogidos en nuestra investigación brindan otra perspectiva sobre el modo en que se relacionaron inmigrantes europeos, criollos e indígenas en el Alto Paraná misionero.

Palabras clave: Relaciones interétnicas, Situación de contacto, Construcción de alteridad, Mbya-guaraní.

 

 

Os Museus de Arqueologia e a Arqueologia nos Museus: análise de exposições museais no oeste de São Paulo e norte do Paraná

Leilane Patricia de Lima

(Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo, Brasil; leilaneplima@gmail.com)

 

Resumo: Esta pesquisa de pós-doutorado é orientada para o eixo temático Arqueologia Pública/Museologia/Comunicação Museológica. A partir da aproximação entre estes campos disciplinares, pretende-se evidenciar como a Arqueologia e o patrimônio arqueológico indígena têm aparecido no discurso contemporâneo por meio de exposições apresentadas em museus situados em municípios pertencentes a duas unidades geopolíticas vizinhas, São Paulo e Paraná, regiões centro-oeste e norte, respectivamente. A coleta de informações para a geração de dados será realizada a partir da Avaliação Técnica que consiste em observar tecnicamente a exposição no espaço, como ela se apresenta para o público, valendo-se de observação criteriosa, amplo registro e categorização. Como resultados, espera-se a elaboração de um banco de dados atualizado sobre os museus visitados e um panorama geral de modelos expográficos que utilizam (ou não) vestígios arqueológicos musealizados em suas propostas comunicacionais. Ainda, pretende-se responder a alguns questionamentos: A Arqueologia tem aparecido nos museus? Se sim, como? Se não, por quê? Como o passado, o patrimônio e o conhecimento arqueológico são apresentados e comunicados nestas instituições? Como se configura o espaço museal e onde o setor, acervo e/ou informações de Arqueologia estão localizados neste espaço? Como os artefatos e o conhecimento arqueológico dialogam com outros setores da exposição? Qual a importância dos objetos arqueológicos para a temática proposta?

Palavras-Chave: Arqueologia Pública, Avaliação de Exposição, Exposição, Museus.

 

 

Quando as mulheres não querem mais pelar a cabeça

 

Marcos César Borges da Silveira

(Universidade Federal de Pelotas, Brasil; borgescerrado@yahoo.com.br)

 

 

A “festa da moça nova” reconhece, celebra e enquadra a fecundidade feminina de acordo com os valores tradicionais Ticuna reforçando o poder dos homens sobre as mulheres e dos adultos sobre os jovens. Trata-se de um importante rito de iniciação feminino que assinala a passagem da infância para a idade adulta tendo como ponto de inflexão à primeira menstruação. Entre os Ticuna citadinos, o abandono do cerimonial seria indicativo de alterações no âmbito das relações entre gerações e gêneros ensejando redefinições das relações sociais e no próprio “quadro de entendimento” face ao mundo.

Palavras-chave: Índios urbanos, Geração, Ritual Ticuna, Relações de Gênero.