RESUMEN GRUPO DE TRBAJO 113

GT 113.   NUEVAS CIUDADANIAS Y CULTURAS DIGITALES: ENTRE EL CONSUMO Y NUEVOS ACTIVISMOS

Coordinadoras:

 

Debora Krischke (UFRGS Brasil) y Rosario Radakovich (Uruguay UDELAR)

 

 

Sessão 1: MOVIMENTOS SOCIAIS E CIBERATIVISMO

 

 

NEGOCIANDO EL VALOR DE LA PARTICIPACIÓN DEL PÚBLICO ONLINE EN CAMPAÑAS POLÍTICAS.  CÁMARAS DE RESONANCIA Y EL SONIDO DE LA BANDADA COMO DOS POSIBLES MODELOS DIVERSOS DE ENTENDER EL VALOR DE LAS REDES SOCIALES EN CAMPAÑAS POLÍTICAS

Esteban Damiani. Candidato a Doctor en Estudios Interdisciplinarios, University of Warwick (UK) Magister en Sociología Digital, Goldsmiths College, University of London (UK); E.Damiani@warwick.ac.uk; estebandmail@gmail.com

 

El siguiente trabajo explora los conceptos de públicos productivos y sentimiento general sugeridos por Adam Arvidsson y Nicolai Peitersen en el análisis de campañas electorales como parte de un proceso de negociación entre las capacidades socio-técnicas que brindan Facebook y Twitter y los marcos cognitivos de los usuarios  involucrados en el análisis de campañas . Por medio del análisis de prácticas específicas para medir la participación política de los usuarios de Facebook y Twitter, este trabajo considera la noción de cámaras de resonancia sugerida por autores como Yochai Benkler, Cristian Vaccari o Bruce Bimber y Richard Davis y el concepto de sentimiento general de Adam Arvidsson y Nicolai Peitersen como dos formas alternativas de generar evaluaciones y valoraciones sobre la participación del público online. El estudio toma el uso de una plataforma generada sobre Twitter para medir la popularidad de los candidatos a jefatura de la Ciudad de Buenos Aires y el estudio etnográfico del uso de Facebook en las pasadas elecciones presidenciales uruguayas. La posibilidad de asignar un significado y valor claro a los datos obtenidos vía estas dos redes digitales es problematizada en función de la necesidad de reconocer y observar la dinámica conflictiva de negociación entre el marco cognitivo y las experiencias de quienes interpretan estos datos y las herramientas y agencias de esa plataformas online que permiten generar los mismos datos.

Palabras claves: Redes-Sociales, participación-política-online, indicadores-online, públicos-productivos, medición-online.

 

 

 

 

A AÇÃO COLETIVA E O DIGITAL: NOTAS SOBRE CONTESTAÇÕES, REPERTÓRIOS E MORALIDADES EM COLETIVOS DA CIDADE DE PORTO ALEGRE

Patrícia Kunrath. Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social UFRGS (Brasil); patrícia.kunrath@gmail.com

Carolina Dalla Chiesa - Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social UFRGS (Brasil); carolinadallachiesa@gmail.com

 

Este artigo relata e analisa esquemas emergentes de ação coletiva e sua articulação com o meio digital online na cidade de Porto Alegre. Por meio de observação participante e entrevistas realizadas entre 2011 e 2013, junto aos coletivos Defesa Pública da Alegria (DPA), Bloco de Lutas pelo Transporte Público (BLTP) e Casa de Cultura Digital de Porto Alegre (CCD), foi possível mapear ações contestatórias, moralidades e repertórios destes coletivos ancorados em tecnologias de informação e comunicação (TICs). Embora notemos substanciais discrepâncias entre os coletivos, sustentamos o papel central que as ferramentas digitais ganham nas estratégias de mobilização e ativismo. Para realizar esta incursão comparativa, primeiro apresentamos conceitos de ativismo digital, engajamento, ação coletiva, repertórios e economias morais e, após, nos debruçamos sobre as observações do trabalho de campo a fim de entender  o papel das ferramentas digitais no contexto de ações coletivas e como distintos agentes se posicionam dentro deste campo. Os dados sugerem dois padrões diferentes de ativismo: de um lado protagonizam dois coletivos densamente inseridos no espaço público de Porto Alegre, cujas discussões contestatórias sobre injustiças sociais são mediadas pelo digital – BLTP e DPA – e, de outro, a CCD, cujas discussões sugerem um enfrentamento indireto, concentrado na noção de propriedade intelectual, utilizando-se de utopias do hacker-ativismo.


Palavras-Chave: Ação Coletiva, Repertórios, Ativismo Coletivos, Digital.

 

 

NOVOS TONS DE CIDADANIA. REDES DIGITAIS E PARTICIPAÇÃO CÍVICA-CULTURAL ENTRE OS JOVENS DA PERIFERIA

Otávio Raposo. Centro de Investigação e Estudos de Sociologia – CIES/IUL (Portugal)

otavio_raposo@iscte.pt

 

O acesso às redes digitais e a uma série de dispositivos tecnológicos (computadores, smartphones, câmeras fotográficas/filmadoras) deixou de ser uma exclusividade das elites econômicas. Aproveitando-se disso, setores das classes desfavorecidas, em especial os jovens, passaram a criar novos meios de intervenção artística em áreas socialmente marcadas por processos de precarização. As crews e os coletivos culturais são formas privilegiados de os jovens da periferia impulsionarem projetos criativos, quando alargam redes de amizade e acedem às múltiplas subjetividades, saberes e visões de mundo presentes na vida urbana. Num contexto adverso que lhes nega, em muitos casos, a condição de cidadãos, utilizam-se das expressões artísticas para forjarem inovadores circuitos de sociabilidade, produção e consumo, passíveis de darem novos sentidos existenciais e potencializarem a formação de identidades coletivas que contrariam a lógica de atomização das metrópoles atuais.

Inserida na minha pesquisa atual de pós-doutorado, esta comunicação quer refletir sobre as novas formas de participação cívica dos jovens da periferia de Lisboa e do Rio de Janeiro, tendo a dimensão artístico-cultural como eixo de análise. Para tal, procuro analisar o modo como dois coletivos – rappers e dançarinos de break dance vinculados a regiões periféricas de Lisboa (Arrentela) e do Rio de Janeiro (favelas da Maré) – apropriam-se das redes virtuais e tecnologias digitais para driblar o bloqueio da indústria cultural e impulsionar projetos artísticos que podem subverter as dinâmicas de segregação urbana, do racismo e da violência.

Palavras-chave: cidadania, juventude, arte, redes digitais, periferia. 

 

 

INTERNET, VISIBILIDADE E FAVELA: MOVIMENTOS SOCIAIS E COMUNIDADE EM TEMPOS DE REDES SOCIAIS VIRTUAIS

 

Patrícia Lânes Araujo de Souza. Doutoranda do Programa de Pós­graduação em Antropologia da Universidade Federal Fluminense (PPGA/ UFF) (Brasil)

 

O complexo de favelas do Alemão, zona norte do RJ, Brasil, vem passando por mudanças significativas. De um lado, investimentos públicos sem precedentes (como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e a implantação de Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs)). De outro, a reconfiguração de movimentos sociais que passam a se utilizar de recursos tecnológicos e comunicacionais (como celulares, máquinas fotográficas digitais e redes sociais virtuais) para divulgar demandas e denuncias. É através de tais grupos e pessoas que relatos ultrapassam as fronteiras do “local” e contribuem para reposicionar o Alemão na agenda pública. Mais do que o uso instrumental do que nomeiam “ferramentas”, a utilização de tais recursos contribui para a criação de novos atores locais e/ou o reconfiguração dos mesmos. Nesse cenário, o campo conformado por organizações sociais é redesenhado com a formação de novas organizações, coletivos e mesmo perfis em redes sociais que passam a falar pela “comunidade” estabelecendo relações variadas com atores de dentro e de fora. A presente comunicação pretende analisar práticas e modos de ação de três iniciativas locais a partir do uso que fazem de redes sociais e tecnologias recentemente mais disponíveis para setores das classes populares a fim de pensar o repertório de engajamento militante em espaços populares urbanos. A análise parte de trabalho de campo realizado entre 2013 e 2015 e compõe pesquisa de tese sobre trajetórias e práticas de militância entre moradores favelas ligados a projetos sociais/ ONGs.

Palavras­chave: Engajamento militante, favela, redes sociais virtuais, visibilidade.

 

 

DE PATRIMONIOS, GRUPOS Y REDES. MOVIMIENTO DE CIUDADANOS EN ENCARNACIÓN PARAGUAY Y RECUPERACIÓN DEL PATRIMONIO HISTÓRICO DE LA CIUDAD

Adriana L. Carísimo Otero. Programa de Postgrado en Antropología Social – Facultad de Humanidades y Ciencias Sociales – Universidad Nacional de Misiones. Becaria Doctoral del CONICET. (Argentina); adrianacarisimo@gmail.com

 

Este trabajo pretende describir parte de la experiencia de constitución de un grupo de ciudadanos organizados en Encarnación, Paraguay, con el objeto de recuperar lo que consideraban patrimonio histórico de la ciudad, ante su inminente desaparición por las obras de finalización de la Represa de Yacyretá. El grupo surge (2008 – 2009) a partir de la utilización de diversas redes sociales basadas en internet y luego se consolida por medio de reuniones, actividades de movilización y recuperación patrimonial, organizadas en el espacio social.

La reconstrucción de estas dinámicas de surgimiento es importante para comprender los modos en que se producen los entrecruzamientos entre las redes tecnológicas y sociales en el siglo XXI y los modos en que las experiencias locales dialogan con el espacio social más amplio, poniendo en juego múltiples escalas (local – nacional – transnacional – espacio virtual). Estas nuevas formas de ejercer los derechos y la ciudadanía revisten interés puesto que nos permiten ver como las formas culturales y políticas están mediadas por prácticas sociales y comunicativas, y las distintas formas en que se ejerce actualmente la toma de la palabra pública.

Palabras Clave: Patrimonio histórico, redes tecnológicas, redes sociales, asociaciones.

 

 

PENSANDO O FUTURO: CULTURA MATERIAL E PERTENCIMENTO SOCIAL

Ana Paula Vasconcelos Gonçalves

anapaulavasconcelos@gmail.com

CPDOC – FGV Rio de Janeiro (Brasil)

 

O projeto “Nós Vivemos o Amanhã” busca discutir o futuro do planeta a partir de temas relacionados com tecnologia, habitação, sustentabilidade, consumo entre outros. Para viabilizar o debate e captar a percepção acerca dos assuntos citados, criou-se uma página no Facebook onde são propostos temas para discussão e também lançados pequenos vídeos com entrevistas sobre assuntos relacionados ao futuro. As entrevistas foram realizadas com indivíduos que possuem alguma influência na mídia por motivos distintos, tais como: ter um blog relevante, ser um pesquisador reconhecido, ser responsável por alguma empresa famosa, etc. Assim, esta pesquisa tem por objetivo compreender como será a relação do sujeito com os objetos no futuro, baseada na análise dos discursos dos entrevistados e nos comentários deixados pelos participantes da página. A análise dos dados obtidos foi baseada nas teorias sobre cultura material, porque é uma das formas encontradas de direcionar a atenção para materialidade fundamental que nossa vida faz parte. Levou-se em consideração a convivência dos indivíduos com os objetos, que inclui: a esfera do uso; a complexidade da posse; a interpretação de tais objetos no cotidiano; o ato de conferir significado a eles, e lhes atribuir valor, dedicar sentimentos e cuidados. Alguns dos resultados encontrados estão relacionados com a possibilidade de usos diversos de um mesmo objeto, internet nas roupas e utensílios do lar, trocas e uso compartilhado dos objetos, confecção dos seus bens de acordo com seus desejos e necessidades.

Palavras chaves: internet, cultura material, consumo, futuro.

Sessão 2: MANIFESTAÇOES (CIBER)CULTURAIS E EXPERIENCIAS DIGITAIS DE PRODUÇAO E CONSUMO

 

 

PODCASTS, FANFICTIONS E FANSITES: LEITURAS E ESCRITAS COMPARTILHADAS

Tatiana de Laai

PPGA/UFF (Brasil)

 

Essa pesquisa busca através de uma abordagem etnográfica obter dados qualitativos relativos as práticas de consumo da cultura fandom com ênfase na produção e formas de narrativas e literaturas produzidas por fãs no contexto digital. Mais especificamente, esse projeto se debruça sobre as produções e interações da Equipe Quadrim, composto por um grupo de amigos que decidiu transformar uma lista de discussão na internet num site dedicado às histórias em quadrinhos, mas que também trata de cinema e literatura. Eles são fãs, leitores e escritores cujos esforços de singularidade, assim como um intenso movimento identitário de pertencimento encontram nos ambientes virtuais o espaço privilegiado para a reinvenção de produtos culturais e de suas próprias identidades. As discussões sobre autoria e o caráter coletivo das produções desse grupo são as questões que apresento como o estado da arte da pesquisa.

Palavras-Chave: Cultura digital, identidade, autoria.

 

 

ENTRE ACORDES E SONORIDADES: NOVAS FORMAS DE ATUAÇÃO NA MÚSICA INDEPENDENTE DE NATAL/RN

Felipe Inácio Santiago (PPGAS/UFRN) (Brasil)

felipesantiago06@gmail.com

 

O advento das novas tecnologias promove o surgimento de diferentes práticas de produção, consumo, distribuição, divulgação e compartilhamento musical, o que possibilita às bandas independentes terem maior poder de controle sobre o gerenciamento das diferentes etapas que compõem suas cadeias musicais. Neste sentido, para buscar compreender os processos musicais atuais não se pode desvinculá-los das modificações tecnológicas que fazem parte de suas composições. Dito isto, este trabalho procura discutir quais são os efeitos promovidos pelo papel de mediadores das novas tecnologias no âmbito da música independente através da descrição das variadas atividades que estão sendo desenvolvidas por bandas oriundas da cidade de Natal/RN, discutindo, assim, as influências provocadas sobre suas práticas (re)produtivas no contexto musical atual. A partir da existência de ações que envolvem a mediação de plataformas de streaming como Spotify, Bandcamp e Soundcloud para divulgação e compartilhamento musical, redes sociais como Facebook para criação de associações entre bandas através de redes colaborativas como coletivos culturais e construção de espaços de produção autônoma como homestudios, as bandas independentes de Natal estão desenvolvendo suas atividades através da presença de diferentes mecanismos digitais em seus cotidianos musicais, o que lhes permitem traçarem suas estratégias sem a dependência dos grandes meios de comunicação e/ou conglomerados fonográficos. Portanto, discuto em quais aspectos as ferramentas digitais disponíveis na Internet estão afetando as formas de atuação das bandas independentes de Natal, desenvolvendo, assim, reflexões em torno dos processos que configuram a música em época de grande digitalização de fluxos culturais.    

Palavras Chaves: Música independente; Novas tecnologias; Internet; Mediadores.

 

 

CINEFILIA 2.0. LOS NUEVOS CINÉFILOS EN URUGUAY

Rosario Radakovich

Facultad de Información y Comunicación (Uruguay)

rosario.radakovich@fic.edu.uy

 

Los avances de las nuevas tecnologías de información y comunicación transforman los hábitos cinematográficos, incluso de los cinéfilos más eruditos. La nueva cinefilia, denominada por Jullier y Leveratto (2012) como 'Cinefilia 2.0', replantea los espacios de visionado, los rituales y la relación social con el entorno, así como las formas de valoración social del cine.

Esta nueva forma de experimentar el cine se ancla a las redes y espacios virtuales que ofrece internet, se desarrolla a partir de nuevos grupos de intermediarios culturales globales y se legitima a partir de una nueva forma de circulación de la producción fílmica, inclusive de aquella más alternativa.

Palabras claves: cine - consumo cultural - cultura digital.

 

 

TECNOLOGIAS IMAGINADAS EM CHARGES, TIRINHAS E MEMES QUE CIRCULAM NAS REDES SOCIAS: HUMOR, CRÍTICA SOCIAL, PÂNICO MORAL

Eliane Tânia Freitas, UFRN (Brasil)

 

O que seria tão risível nas nossas relações com as tecnologias digitais e, em particular, com a internet? Grande quantidade de tirinhas humorísticas, charges e memes que circulam em redes sociais online trazem como temática as próprias redes sociais, os gadgets como o telefone celular e nossos hábitos a eles relacionados. Utilizando-se do grande poder de comunicação das imagens, elas satirizam e criticam aquilo que parece ser percebido como seu abuso, apontando para eles a arma inquietante do humor. Essas imagens humorísticam produzem, efeitos sobre aqueles que as recebem e compartilham, desencadeando debates em torno delas. O oposto também ocorre: discussões correntes e, sobretudo, escândalos são frequentemente seguidos por uma enxurrada de imagens cômicas de variados tipos e fontes, que os representam, criticam, respondem, promovendo reflexão por meio do exagero, da caricatura e daquele elemento próprio do humor: a capacidade de revirar do avesso uma personagem, uma situação e mostrá-la sob uma luz nova, o que, `as vezes, provoca, por sua vez, ainda mais escândalo ou põe em dúvida os motivos do escândalo inicial, invertendo, surpreendendo e provocando novas discussões. Imagens hoje famosas - como a do sujeito que se afoga enquanto pessoas em torno, ocupadas em capturar através das câmeras dos seus celulares a situação, ‘esquecem’-se de ir em seu socorro – têm apresentado um discurso sobre as relações entre os humanos e seus artefatos tecnológicos. Algumas temáticas são recorrentes: a duckface nas selfies, uma dualidade entre o que seria percebido como aparência (falsa ou encenada) versus realidade, a obsessão (ou vício) pelas novidades tecnológicas – não sem um tom de pânico moral – dentre tantos outros. Meu objetivo é mapear esses temas em circulação online e analisá-los etnograficamente.

Palavras-Chave: humor, tecnologia, internet, etnografia.

 

 

MONSTROS MARAVILHOSOS E ESTRANHOS

Laura Graziela Gomes

Departamento de Antropologia/PPGA - Universidade Federal Fluminense (Brasil)

lauragraziela@gmail.com

 

A  questão  da  alteridade  sempre  constituiu  um  problema  fundamental  para  o conhecimento  no  mundo  ocidental,  especialmente  o  conhecimento  do  senso-comum. Neste  último  caso,  por  envolver  problemas  práticos,  morais  e  estéticos  impostos  aos grupos humanos até ser, eventualmente, incorporada por eles, senão como um fenômeno normal, ordinário, pertencente ao domínio da vida cotidiana, pelo menos como evento extraordinário, ligado ao campo do maravilhoso, do monstruoso ou do estranho, porém, identificado  como  parte  do  repertório  simbólico  reconhecido.  Todos  nós  conhecemos alguns relatos provenientes da mitologia/literatura clássica, medieval, romântica (gótica) que narram a existência desses seres e criaturas maravilhosas que ocupam um lugar de destaque   no   imaginário   europeu   e   ocidental,   bem   como   narram   as   relações   de proximidade que esses seres mantém com indivíduos ou mesmo grupos humanos inteiros. Mais ainda, conhecemos muitas narrativas que ao apresentarem essas relações dão ênfase

às relações de afinidade e/ou de parentesco, ou mesmo de extrema familiaridade (embora muitas vezes secretas) estabelecidas entre essas criaturas maravilhosas e os humanos.

A presente proposta de comunicação pretende estabelecer uma aproximação entre os  chamados  "seres  maravilhosos"  e  os  "avatares"  existentes  nos  ambientes  digitais imersivos (Second Life, por exemplo), a partir de algumas dessas narrativas. Com esta aproximação,  pretende-se  por  em  relevo  algumas  continuidades  a  partir  dos  campos semânticos nos quais essas criaturas se movem, com o objetivo de compreender o lugar dos "avatares" e do maravilhoso, monstruoso e estranho nas narrativas contemporâneas, especialmente nos mundos virtuais, de forma a identificar como eles refletem e dão conta de   alguns   processos   miméticos   e   de   incorporação   das   formas   de   alteridade   e transitoriedades emergentes e presentes no mundo contemporâneo. O ponto de partida para  a  análise  será  o  material  coletado  durante  trabalho  de  campo  no  Second  Life,  a respeito  das  relações  e  vínculos  afetivos  mantidos  entre  usuários/residentes  e  seus próprios avatares. A discussão será feita tomando-se como base narrativas existentes e conhecidas  a  respeito  dos  seres  maravilhosos,  bem  como  discussões  propostas  por autores modernos e contemporâneos que se debruçaram sobre o tema do maravilhoso, do monstruoso e do estranho.

Palavras-chaves: avatares; second life; o maravilhoso; o monstruoso; o estranho.

 

 

 “GAMING VOICES” - GÊNERO E RESISTÊNCIA EM LEAGUE OF LEGENDS E DEFENSE OF THE ANCIENTS

Amanda Maria Lima Rodrigues; amandalima@outlook.com

Mestranda  do Programa  de Pós-Graduação  em  Cultura e  Territorialidades, Universidade Federal Fluminense – PPCULT-UFF (Brasil)

 

Esta  pesquisa  tem  como  objetivo  problematizar  as  relações  de  gênero  no universo dos jogos online, tendo como foco as interações relacionadas a dois jogos:  League  Of  Legends  (LoL)  e  Defenders  Of  The  Ancients  (DoTA). Buscando compreender os mecanismos que levam à reprodução de relações sociais que se dão no mundo real, em especial as de subalternização  de mulheres em recorrentes casos de assédio e xingamentos, os quais se dão por meio dos recursos de interação virtual presentes nas partidas (voz e chat). E ainda, as ferramentas de resistência utilizadas pelas mulheres que continuam jogando, para aprender a lidar com tais situações. Utilizando a antropologia do ciberespaço  como  forma  de  investigação  e  metodologia  de  campo  com acompanhamento de partidas, entrevistas com jogadoras e inserção nos fóruns

oficiais de ambos os jogos.

Palavras-Chave: Gênero, Jogos Online, League  Of  Legends  (LoL),  Defenders  Of  The  Ancients  (DoTA).

 

 

Sessão 3: (CIBER)SOCIALIDADES, SOCIABILIDADES, SUBJETIVIDADES

 

 

MUTAÇÕES POLÍTICAS DA SUBJETIVIDADE NAS REDES SOCIAIS

 

Jair de Souza Ramos

Professor adjunto de sociologia e antropologia da Universidade Federal Fluminense (Brasil)

 

Nesta comunicação, examinaremos o modo como um conjunto de transformações políticas, jurídicas e econômicas que atravessam a sociabilidade online e estruturam a produção de subjetividades em redes sóciotécnicas têm operado uma convergência entre identidades online e off‐line  e produzindo uma reificação identitária com consequências políticas que tentaremos revelar.

Palavras chave: Identidade, redes sociais, Facebook.

 

 

A COMPREENSÃO DO QUE SÃO ESPAÇOS PÚBLICOS NO CIBERESPAÇO

Laiza Fernanda dos Santos Hofmann – Mestre em Administração, Marketing e Mercado (Brasil) laiza.hofmann@gmail.com

Flavio Salcedo Rodrigues Moreira – Pesquisador na área de Cibercultura, Comunicação e Consumo (Brasil)

flavio.salcedo@gmail.com

 

A internet, através das redes sociais, desenvolveu um novo ambiente para interação social. Uma realidade paralela e interligada com a analógica: o ciberespaço. Este local virtual possui suas regras de interação e comportamento social. Por vezes são similares as do espaço analógico, em outras apresenta normas totalmente novas que geram um novo tipo de comportamento e de compreensão sobre as interações sociais. Uma destas normas envolve a compreensão sobre o que são espaços públicos na internet. Tal entendimento é de suma importância para o relacionamento social dentro do ciberespaço, haja visto que a cultura atual é permeada por conceitos sociais advindos do mundo analógico e catalisados pelo mundo virtual, ou vice e versa. Desta forma, o presente artigo propõem-se fazer uma análise sobre a compreensão dos usuários do Facebook acerca do que consideram como espaço público dentro da rede social. Como hipótese inicial trabalhou-se a ideia de que as configurações de privacidade da rede social moldariam a forma como o usuário compreende o que são espaços públicos e privados dentro da rede social. O trabalho utiliza-se, primeiramente, de uma abordagem teórica baseada em autores que trabalham o conceito de espaço público na sociologia e no ciberespaço. Seu desenvolvimento se deu através de entrevistas em profundidade com usuários do Facebook. Estas entrevistas foram avaliadas mediante o método de análise de conteúdo. Por fim, chegou-se a ideia de que a concepção do usuário do Facebook sobre espaços públicos e privados dentro do ciberespaço é pautada pelas ferramentas de privacidade oferecidas pela rede social. Mas isto também gera uma confusão na mente dos usuários. Mediante estas configurações gera-se uma infinidade de possibilidades de espaços públicos/privados gerenciados pelos gostos e preferências de cada usuário.

Palavras-Chave: Redes Sociais, Espaço Público, Ciberespaço.

 

 

“CURTINDO A TERCEIRA IDADE”: UMA ANÁLISE SOBRE A CONSTRUÇÃO DE UM ENVELHECIMENTO ATIVO NOS MEIOS DIGITAIS

 

Diessica Shaiene Gaige. Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da UFSM, membro do Núcleo de Estudos sobre Emoções e Realidades Digitais (NEERD) (Brasil) shaienediessica@gmail.com

 

O uso das novas tecnologias de comunicação e informação vem sendo cada vez mais presente no cotidiano de muitas pessoas, independente da faixa etária. Com a ascensão da terceira idade, enquanto um tipo específico de envelhecimento, é possível perceber sua “atividade” em redes sociais virtuais como o Facebook e blogs, os quais tenho como foco de análise. Nesse sentido, o que procuro problematizar é o como as redes sociais virtuais vem auxiliando na ressignificação do que é ser idoso contemporaneamente através do aprendizado do uso da plataforma e das sociabilidades online e o que isso significa a esse grupo social. A metodologia escolhida é de cunho etnográfico, baseada na observação participante.   Como   resultado   parcial   venho   percebendo   a   construção   de   um envelhecimento ativo que perpassa os meios digitais, trazendo assim a ideia de que é também possível nessa fase, “curtir” a vida, por isso torna-se necessário se inserir nas redes sociais virtuais e permanecer “conectado”.  Postar, curtir, comentar e compartilhar vem tornando-se assim um ato político quando pensamos a terceira idade online, pois traz consigo um ideal de rejuvenescimento, ainda mais se pensarmos que “estar conectado” há pouco tempo era algo considerado somente para jovens. Dessa forma, podemos considerar esses idosos/as como novos cidadãos online, uma vez que através de sua inserção nos meios digitais, há uma maior visibilidade desse grupo social.

Palavras-chaves: aprendizagem-terceira idade- mídias digitais.

CORPOS ERRANTES: CONTROVÉRSIAS DA SEXUALIDADE FEMININA EM IMAGENS

Isabela Rangel Petrosillo. Bolsista Capes - Mestranda, PPGA/UFF (Brasil); isa_rangel4@hotmail.com

 

O presente trabalho apresenta as sequelas da exposição da intimidade a um público irrestrito e como esse acontecimento rompe a esfera do segredo na qual, aparentemente, espera-se que a sexualidade feminina, principalmente a adolescente, deva permanecer. A partir do contraste entre as imagens mais populares de meninos e meninas no Facebook e no WhatsApp, viso analisar o contexto das disputas envolvendo a montagem dos sistemas de classificação estético-moral que indicam o quão desviantes são as jovens estudantes cujas imagens sexualizadas circulam nessas redes. Refletindo acerca das controvérsias em torno da implementação de tais categorias. Essa questão emerge do trabalho de campo que realizo em um CIEP, localizado em um bairro periférico, em São Gonçalo-RJ. A coleta de dados é feita em três frentes: análise de publicações feitas por perfis dos estudantes no Facebook; entrevistas presenciais e a observação das interações entre os estudantes no ambiente da escola. Os resultados da análise mostram diversas controvérsias em torno das fabulações construídas acerca da sexualidade feminina e sobre o quanto dela pode ser exposto. Em essência, o que se constata é que não há inibição da sexualidade feminina per si, mas uma regulamentação. Existem vários estímulos a sua expressão, porém, a forma como eles são respondidos determina se ocorre ou não a instauração de uma mácula, que acontece quando há ruptura no quadro de referências que a sociedade coloca sobre o limite da sexualidade de uma jovem.

Palavras-chave: Imagem do corpo; Exposição de si; Sexualidade feminina adolescente; Interação em redes sociais online; Sociabilidade escolar.

 

 

PORNÔ 2.0 : UMA ANÁLISE DA PRODUÇÃO E DISTRIBUIÇÃO DE VÍDEOS ADULTOS EM UM MUNDO VIRTUAL 3D

Débora Krischke Leitão doutora em Antropologia social, Professora do Departamento de Ciências Sociais da UFSM (Brasil)

deborakl@ufsm.br

Raíra Bohrer dos Santos, mestranda em Ciências Sociais na Universidade Federal de Santa Maria (Brasil)

rairabs@yahoo.com.br

 

O presente trabalho é um recorte de nossas pesquisas etnográficas em um mundo virtual tridimensional, nas quais temos analisado como se dão as práticas sexuais e afetivas nesse ambiente. Pensando a pornografia como forma de produção cultural, aqui especificamente tomamos como foco empírico a produção de conteúdo adulto pelos usuários desse mundo 3D. Nos materiais produzidos por nossos interlocutores de pesquisa  atores, atrizes, diretores e produtores são avatares,  e tais produtos culturais tem como forma privilegiada o machinima:  filmes produzidos a partir do software e/ou hardware de videogames ou outros programas gráficos 3D real time. Assim, procuraremos mostrar como está estruturado um mercado pornô no mundo virtual, inicialmente de modo amador mas em processo de profissionalização, bem como descreveremos as formas de produção e consumo desse material por residentes da plataforma, além de sua circulação online em sites especializados em pornografia de animação para além dos muros do programa. Partindo do ambiente por nós pesquisado também proporemos comparações com relação a outras formas de machinima adulto, elaborados por usuários de outras plataformas, mostrando que essa forma de pornografia é um fenômeno relativamente novo que só foi possível com o advento da chamada web 2.0.

Palavras-chave: pornografia - sexualidade - machinima - mundo virtual 3D – Internet.

 

 

A ESTÉTICA DE LUGAR NO INSTAGRAM: UMA ANÁLISE SOBRE A RELAÇÃO DE INTERAÇÃO ENTRE CIDADE, FOTOGRAFIA E TÉCNICA

 

Clara Maria Abdo Guimarães

Mestranda em Antropologia na Universidade Federal Fluminense (Brasil)

clara.abdo@gmail.com

 

O Instagram é um aplicativo para dispositivos móveis, que permite o registro de fotos, a edição e o compartilhamento delas, tanto na ferramenta quanto em outras plataformas virtuais. Essas características fazem dele uma rede social, tendo vista a existência de interação entre os usuários que podem curtir e comentar nas imagens dos perfis que escolhem seguir. Outro comportamento de uso é a presença das hashtags, que têm o papel de identificar e classificar uma imagem. Dentro das diversas possibilidades de enfoques, escolhi para esse artigo apresentar a relação entre a cidade, a fotografia e a técnica, pautados no que seria a estética de lugar no Instagram. Deve-se pontuar que a análise se insere no contexto da cultura digital. As imagens escolhidas para pensar essa estética, serão aquelas cujos registros são de lugares da cidade e, como critério para selecioná-las, será usada a hashtag #lugar. Pretende-se compreender como esse tipo de marcação pode delimitar o que passa a ser classificado como lugar na ferramenta e como essa categorização expõe espaços da cidade. A técnica será pontuada não apenas como mediadora entre objeto e ser humano, mas como parte de um organismo que constitui um cenário cultural. Assim como os indivíduos produzem sentidos para o uso e aplicação dessas técnicas, também estabelecem com elas outras relações com a cidade. A partir dessa análise, propõe-se observar como o registro dos espaços públicos podem ressignificar a noção da cidade e como essas imagens, em conexão à maneira como são produzidas, podem ser refletidas antropologicamente.

Palavras-chaves: Instagram, fotografia, estética, lugar, Cultura Digital.