RESUMEN GRUPO DE TRBAJO 111

GT 111.   ARTE E ANTROPOLOGIA: NOVAS ABORDAGENS, NOVAS RELAÇÕES

Coordinadores:

Dr Alex Flynn (Lecturer in Anthropology - University of Durham, UK) Department of Anthropology University of Durham County Durham

alex.flynn@durham.ac.uk

Dayana Zdebsky de Cordova (Doutoranda - Universidade Federal de São Carlos – UFSCar) Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social. Centro de Educação e Ciências Humanas - CECH  Universidade Federal de São Carlos – UFSCar dayanazde@gmail.com

 

 

 Sessão 1 – Circulação e praticas

 

 

TRADICIÓN E INVENCIÓN. PINTURA CONTEMPORÁNEA DE LOS BORAS Y HUITOTOS DE LA AMAZONÍA PERUANA

         

María Eugenia Yllia Miranda

                             Instituto de Investigaciones Museológicas y Artísticas. Universidad Ricardo Palma; marupe1@gmail.com

 

El objetivo de esta presentación es abordar el surgimiento y trayectoria de la pintura bora y huitoto de la Amazonía Peruana que en los últimos veinte años se ha erigido como uno de los fenómenos artísticos peruanos más importantes y espacio de representación política de sus autores en la esfera pública nacional e internacional. Através de una selección de obras de Víctor Churay, Brus Rubio y Santiago y Rember Yahuarcani destacaremos el papel protagónico que han tenido los antropólogos e investigadores como agentes en este proceso. De manera paralela y dialógica contextualizaremos desde la historia del arte,  la pintura indígena amazónica bora y huitoto como un género del arte contemporáneo que responde a un largo proceso de renovación de valores estéticos, con una lógica de producción distinta. Su emergencia revela la transformación de sus sociedades de origen y al mismo tiempo la ampliación de los restringidos y excluyentes circuitos de circulación del arte contemporáneo. Los imaginarios plasmados por los pintores revelan discursos que van desde la objetivación de la realidad hasta la expresión de subjetividades a través de imaginarios que dejan ver las tensiones y encuentros entre la teoría antropológica, la historia del arte, el mercado del arte contemporáneo así como la irrefutable interrelación que existe entre estos sectores.

Palabras clave: Arte contemporáneo, historia del arte,  mercado del arte contemporáneo.

 

 

 

 

 

 

COLABORACIÓN, CREATIVIDAD Y POLÍTICA: UNA APROXIMACIÓN ETNOGRÁFICA A LOS MODOS DE HACER Y PENSAR EL CINE DOCUMENTAL EN CHILE

                                                        María Paz Peirano

                                                                           University of Kent/Universidad Diego Portales; mp.peirano@gmail.com

 

El cine documental chileno vive un momento excepcional. Desde 2010 el número de documentales ha incrementado y varios de ellos han conseguido un éxito sin precedentes en los circuitos internacionales de festivales de cine, un mercado fundamental que funciona como “portero” del cine-arte “del mundo” a nivel global. La producción y exhibición en Chile, sin embargo, sigue evidenciando una profunda precariedad, lo que ha conducido a nuevas formas posibles de hacer, pensar y distribuir el cine a nivel local. Modos recientes de producción documental han re-significando formas tradicionales de colaboración y creación colectiva, potenciando la construcción de nuevas subjetividades, materialidades e imaginarios culturales y visuales.

Este trabajo analiza estas nuevas estrategias creativas del documental chileno desde la antropología, basándose en la investigación etnográfica del “campo de producción” (Bourdieu 1993) cinematográfico realizada entre 2011 y 2014. Explora los modos en que los trabajadores del arte e “industrias creativas” (Banks y Hesmondhalgh 2009) deben lidiar con la incertidumbre y tensiones propias de las condiciones de producción del capitalismo tardío (Boltanski y Chiapello 2005), enfrentando las dificultades de hacer un cine propio, “honesto” y “político” en este contexto. Se argumenta que, para ello, se han desarrollado formas alternativas de realización documental, ejemplificadas en cintas como Propaganda (Murray y colectivo MAFI, 2014) y Crónica de un comité (Sepúlveda y Adriazola, 2014). Se discute cómo las películas se entrelazan con la rearticulación de redes tradicionales de cooperación, nuevas prácticas de producción e intercambio, y nuevas formas de imaginar el documental como arte y crítica, evidenciando la construcción de nuevas subjetividades artísticas y políticas entre los documentalistas  chilenos.

Palabras clave: Colaboración, campo cultural, redes sociales, cine documental, precariedad

 

 

ARTE ENQUANTO INDÚSTRIA CRIATIVA: SUBJETIVIDADE, PRÁTICA E POLÍTICA DE STARTUPS DO MERCADO DE ARTE BRASILEIRO


 

                                                        Louise Scoz

Doutoranda em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul; louisescoz@gmail.com

 

Economia Criativa é um conceito que surge na interface entre economia e estudos do desenvolvimento para designar o processo através do qual a dimensão simbólica da produção humana se torna eixo fundamental de produção em paisagens do alto capitalismo. Esse composto econômico seria formado por ciclos de criação, produção e distribuição de bens e serviços que usam capital intelectual como matéria prima organizados em torno de indústrias criativas, que passa a englobar atividades relacionadas à arte, literatura, teatro até mídia, tecnologia e software. Sua defesa é principalmente política. A Unctad2, sua principal instituição promovedora, defende a adoção de modelos de desenvolvimento com base em suas diretrizes.

O pano de fundo desse emergente paradigma da criatividade é a flexibilização, tecnologização e financeirização dos mercados e a crescente virtualização da economia no capitalismo avançado. O campo da arte concentra intensos debates a respeito das implicações das políticas da criatividade, como bem ressalta Angela McRobbie (2011). Procuro contribuir com esse debate a partir de minha etnografia de empresas de alta tecnologia no Brasil. Entre os sujeitos de pesquisa estão empresários envolvidos em startups de arte contemporânea, modelo produtivo que incorpora as bases técnicas, políticas e econômicas defendidas pela noção de economia criativa. Com isso, proponho uma reflexão sobre a dimensão transformadora da lógica corporativa nas relações constitutivas do campo da arte na contemporaneidade.

Palavras-chave: Economia Criativa; etnografia de startups; arte contemporânea; tecnologia; economia.

 

 

Sessão 2 – Espaços e circuitos

 

 

FEIRAS DE ARTE E A ATUAL ECONOMIA ESTÉTICA DA ARTE CONTEMPORÂNEA NO BRASIL

                                               Bruna Wulff Fetter

         Doutoranda no Programa de Pós-graduação em Artes Visuais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PPGAV / UFRGS); brunafetter@gmail.com

 

As feiras de arte parecem ser o mais novo fenômeno estrutural do sistema da arte. Ocupando crescentes espaços na mídia e na agenda dos mais diversos atores do campo artístico, elas tem se consolidado como uma plataforma de negócios para muito além das meras transações de compra e venda ali efetuadas. Uma ampla rede de relações sociais marca esses eventos, aumentado preços, definindo reputações e consolidando novos projetos, tanto de caráter comercial como institucional; privado e público. Com uma abundante oferta de mais de 150 feiras por ano espalhadas pelos cinco continentes começamos a perceber que as feiras talvez estejam passando a assumir um papel de legitimação frente ao sistema da arte que desde os anos 1990 pertencia majoritariamente às bienais.

Se pensarmos em como os contextos socioeconômico e tecnológico tem afetado as produções artísticas de distintas épocas, não podemos deixar de dedicar um pouco de tempo para buscar compreender a atual economia estética que permeia a arte, em especial a produção contemporânea. Começando por questões amplas de ordem financeira e chegando a mudanças estruturais no sistema da arte e seus agentes de legitimação, cabe perguntar: quais os reflexos da crescente importância das feiras no cenário brasileiro?

Palavras-chave: Mercado de Arte; Feira de Arte; Arte Contemporânea; Brasil.

 

 

 

 

 

O SISTEMA E O MERCADO: EMARANHADOS DISCURSIVOS E A CONSTRUÇÃO DO MERCADO BRASILEIRO DE ARTE CONTEMPORÂNEA

                                                                 Dayana Zdebsky de Cordova

         Doutoranda no Programa de Pós-graduação em Antropologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)

 

Nos últimos anos, muito se falou sobre o crescimento do mercado de arte contemporânea no Brasil. No mercado editorial, proliferam publicações sobre o tema. Nas universidades brasileiras, multiplicam-se as teses sobre ele. Complexos jogos de precificação e emaranhados de objetos, lugares, retóricas e pessoas físicas e jurídicas do mercado de arte contemporânea são objetos de pesquisa privilegiados para alguns estudiosos da arte. Dentre estes, estão os sociólogos, alguns dos quais têm grande visibilidade no que chamam de sistema da arte, que parece em grande medida receptivo e desejoso dos esforços de compreensão de si e de seu mercado, tido por muitos de seus atores como obscuro. E, para os operadores deste mercado, esforços de mapeamento parecem de particular interesse, tal qual indica a presença nos últimos anos da socióloga Ana Letícia Fialho, uma das maiores especialistas brasileiras em mercado de arte, no projeto Latitude: platform for Brazilian art galleries abroad, uma parceria entre a Agência Brasileira de Promoção de Importações e Investimentos (ApexBrasil) e a Associação Brasileira de Arte Contemporânea (ABACT, que reúne galerias comerciais que atuam no mercado primário da arte contemporânea). Dentre as ações centrais do Latitude, entre 2011 e 2014, figurou a construção e divulgação de estudos setoriais sobre o mercado aqui em questão, realizados por Fialho. Assim como vemos em outros contextos, a socióloga trabalha analisando o mercado e, simultaneamente, o construindo. Pautada por tal percepção, e partindo de recortes do emaranhado discursivo em que fui lançada ao me aproximar do mercado de arte contemporânea com a pretensão de construir uma etnografia sobre o tema, a presente comunicação tem por objetivo tecer algumas reflexões iniciais sobre o mercado em questão e suas perspectivas especializadas, pensando-o, também, como uma imagem das ciências sociais, cujos analistas não são “apenas” seus observadores externos, mas construtores internos ao mesmo.

Palavras-chave: mercado de arte contemporânea, sistema da arte, sociologia da arte, etnografia.

 

 

ESPAÇOS AUTÔNOMOS DE ARTE CONTEMPORÂNEA: PRÁTICAS E PROCESSOS DE COLABORAÇÃO

                   Kamilla Nunes. Mestranda em Artes Visuais [com ênfase na Linha de Pesquisa Processos Artísticos Contemporâneos] no Programa de Pós- Graduação Acadêmico em Artes Visuais, PPGAV/CEART/UDESC; nunes.kll@gmail.com 

 

A presente pesquisa tem como objeto de estudo os espaços autônomos de arte contemporânea, também conhecidos como “espaços independentes”, “espaços alternativos”, “espaços autogestionados” ou, ainda, no caso da Europa e América do Norte, “artist-run spaces”. São espaços que passaram a ocupar um lugar estratégico na recepção, articulação e desenvolvimento da arte experimental no Brasil. Esta pesquisa foi iniciada em 2013, contou com um mapeamento nacional e com a publicação de um livro referente aos estudos de caso realizados, intitulado “Espaços autônomos de arte contemporânea”1. Para dar continuidade a esta pesquisa, ainda incipiente no Brasil, tem-se como objetivo não apenas compreender o funcionamento e a intencionalidade dos espaços autônomos, através de depoimentos de gestores e críticos, mas principalmente refletir sobre as manifestações da arte e dos artistas no interior destes espaços, traçando um paralelo com as dinâmicas das instituições vigentes no Brasil.

A bibliografia no Brasil sobre este tema é restrita e, por este motivo, e o ênfase sobre relações cotidianas, vale uma abordagem antropológica. Assim, esta pesquisa contará com depoimentos transcritos, fragmentos de textos, publicações e fóruns de debate. As questões iniciais, que deram origem a esta pesquisa, foram: “o que é, e como se articulam, os espaços autônomos no Brasil”? e “o que significa ser ‘independente’?”, enquanto que a sua continuidade com a pesquisa que será apresentada depende de uma questão crucial e pouco abordada anteriormente: “quais as relações entre as dinâmicas dos espaços autônomos, as práticas e os processos artísticos daqueles que vivenciam o lugar?”, “há diferença entre o modo como um artista articula sua produção num espaço autônomo e numa instituição?”, “De fato, os espaços autônomos são constituídos tento o artista como protagonista de suas dinâmicas?”

Palavras-chave: Espaços autônomos, Arte contemporânea, Institucionalização, Processos artísticos.

 

 

ARTE E ETNOGRAFIA EM EGBERTO GISMONTI

                                                       Simone Dubeux Berardo Carneiro da Cunha. Professora do Departamento de Ciências Sociais da PUC – RJ; sdubeux@uol.com.br

 

Pretendemos nesse trabalho discutir a relação arte e antropologia, a partir da trajetória de um artista, músico, produtor e editor:   Egberto Amin Gismonti, brasileiro, natural da cidade do Carmo, no Estado do Rio de Janeiro. Vamos também falar da singularidade na construção de uma etnografia quando é realizada com músicos.  Através dessa  etnografia procuramos discutir como Egberto Gismonti consegue se tornar ser um dos poucos artistas brasileiros dono de sua obra gravada: seu fonograma. Além de ter sido um dos primeiros a exigir de sua gravadora que seu contrato lhe garantisse a propriedade de suas másters, Egberto luta por seu  direitos fonográficos indo a Londres conversar pessoalmente com o presidente da gravadora EMI. Criando um “selo”, o Carmo, e tornando-se editor, esse músico desenvolve uma política independente de produção de obras musicais, suas e de outros artistas. Em seu discurso Egberto chama atenção para o papel importante que teve o grupo argentino MIA (Músicos Independientes Asociados), que conheceu na década de 70, inspirando a criação do seu “selo”. Esse compositor também aponta para a dimensão coletiva do processo de construção artística. Assim como o seu discurso pode ajudar na reflexão entre arte e mercado.

Palavras-chave: teoria antropológica, arte e mercado.

Sessão 3 – Arte e política

 

 

CENTRO DE CULTURA POPULAR MESTRE NOZA: PROCESSOS CONTEMPORÂNEOS DE CONSTRUÇÃO DE VALOR ENTRE ARTESÃOS DO CARIRI (CE)

                                               Jeanine Geammal. Professora assistente da Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro; e doutoranda do Programa de Pós-graduação em Sociologia e Antropologia da UFRJ; jeaninegeammal@gmail.com   

 

Na pesquisa de doutorado em andamento no PPGSA-UFRJ, propus realizar uma análise dos discursos que constroem a categoria “artesão” no Cariri (CE), e o mapeamento das representações coletivas dos grupos artesanais associados ao Centro de Artesanato e Cultura Mestre Noza. Na análise, furto-me às velhas querelas teóricas sobre as categorias nas quais enquadrar as obras dos artesãos do Cariri. Arte? Artesanato? Arte popular? As analiso como imagens, com a materialidade que lhes é própria, barro, madeira, metal, papel... pois, independentemente de seus títulos, exercem agência sobre seus artistas, e sobre quem as olha. Acredito, portanto, na coerência em analisá-las sob os domínios e instruções de uma teoria da imagem e da arte. Tal escolha se apoia na obra de Georges Didi-Huberman, em sua proposta expansionistas dos limites da arte e da história da arte.

Discuto os conceitos de memória e sobrevivência, com os quais o autor articula os pensamentos de Aby Warburg e Walter Benjamin para propor um novo regime temporal para o estudo das imagens. Nesse regime, as imagens não são nem uma simples ocorrência no devir histórico nem um congelamento de eternidade insensível às condições desse devir, produzem uma temporalidade de dupla face. O influxo em fazer uma história da imagem sob o ponto de vista da história da cultura, herança de Warburg na obra de Didi -uberman, (re)aproxima os campos da arte e da cultura e é na convergência desses dois campos que se constitui o próprio campo das imagens que proponho estudar.

Palvavras chave: arte; patrimônio; memória.

 

 

ANTROPOLOGIA, ARTE CONTEMPORÂNEA E ARTISTAS PLÁSTICOS DAS CLASSES POPULARES

                                                                           Lígia Dabul. Universidade Federal Fluminense; ligia.dabul@gmail.com

 

A antropologia da arte costuma problematizar as fronteiras e extensões da chamada arte contemporânea, comumente especificada contrastivamente com a arte ocidental erudita ou acadêmica. Para tanto volta-se para modalidades de artistas e de artes não ocidentais, ou para as chamadas – ao menos até há algum tempo atrás – de primitivas. De outro lado, no campo da arte contemporânea vemos disseminados ativismos. Muitos deles diluem sua própria condição de arte, são especialmente propositores e condutores de relações e formas de interação social não hierarquizadas e autoritárias, dirigem-se para mudanças sociais, sensíveis à presença, inclusão, promoção e contato com diferentes outros. Dentre esses outros não raro estão trabalhadores e populações em situação de ameaça e penúria as mais variadas. Neste trabalho gostaríamos de refletir sobre a invisibilidade, tanto para a antropologia da arte voltada para a arte contemporânea como para a arte contemporânea, mesmo a ativista, de práticas artísticas das classes populares extremamente difundidas; da situação muito frequentemente tensa que artistas plásticos oriundos dessas classes enfrentam para produzir e viver de sua arte; e do quanto a partir dela constroem o sentido das suas vidas.

Palavras chave: arte contemporânea; ativismo; antropologia da arte; artistas plásticos; classes populares.

 

 

ARTE E POLÍTICA: A CONSOLIDAÇÃO DA ARTE COMO AGENTE NA ESFERA PÚBLICA

 

Sabrina Parracho Sant’Anna

Professora adjunta PPGCS/UFRRJ

saparracho@gmail.com

Ana Carolina Accorsi Miranda

Doutoranda PPGSA/ UFRJ

anacfamiranda@gmail.com

Guilherme Marcondes

Doutorando PPGSA/ UFRJ

gui.marcondesss@gmail.com

 

Esta comunicação se debruça sobre recentes movimentos constituídos na cidade do Rio de Janeiro que constroem uma narrativa em que performances e instalações vêm ganhando espaço dentro e fora das instituições como formas de atuação política, num crescente processo de artificação da esfera pública e politização da arte. O que estamos argumentando aqui é que talvez o fracasso da fusão arte e vida tão debatido por Peter Bürger ainda tenha novos desdobramentos. Mais do que do que a crítica política à instituição, em voga desde Duchamp, passando pela obra corpo de Antonio Manuel e – como não esquecer? – Nelson Leirner e seu porco empalhado, o que parece estar em jogo aqui é a incorporação da política como terceiro termo capaz de efetivamente conferir novo lugar à arte na esfera pública. Ações artísticas estão sendo incorporadas pelos militantes nas ruas e ações politicas estão sendo apropriadas pelas instituições museais. Desta forma, nossa hipótese aqui é que, depois do turvamento das fronteiras entre gêneros artísticos, depois da abertura à outsider art, depois da musealização da vida, junho de 2013 inaugura, no Brasil, um movimento de transformação da experiência artística em elemento político.

Palavras chave: arte e política; instituições museais; artivismo; coletivos de arte.

 

 

Sessão 4 – Arte e cidade

 

 

ARTE EM MOVIMENTO: PRODUÇÃO LITERÁRIA INDEPENDENTE NO RIO DE JANEIRO

João Pedro de Lima Campos


Mestrando em Sociologia pela UFF

camposjpl@gmail.com 

 

Essa pesquisa visa entender os aspectos envolvidos na circulação das obras de escritores independentes que trabalham nas ruas do centro do Rio de Janeiro, com a intenção de investigar as práticas que compõe a percepção de suas obras como objetos artístico-literários ou seu não reconhecimento como tal.

A partir da observação da venda dos textos em poesia e prosa desses escritores, que são impressos em formato zine*, e de suas performances em saraus de poesia e música, procura-se lançar luz sobre a construção do sentido da arte como linguagem e valor, sempre redefinido na relação com o espaço da cidade. Esse estudo reflete sobre os elementos articulados no processo de composição de um objeto como objeto artístico, procurando aprofundar a compreensão de que a qualidade ou a importância de uma obra de arte é um conceito relativo, organizado nas mais diversas esferas da vida social. Tal discussão contribui para a reflexão sobre o significado aberto que uma obra de arte carrega;; não se esgotando o olhar sobre um objeto de arte na análise de suas qualidades internas. Mas compreendendo que seu significado é uma categoria em potencial, redefinida constantemente na sociabilidade.

*zine é uma publicação pequena e de pouca difusão.


Palavras chave: Artistas de rua; circulação de arte; percepção estética; produção independente.

 

 

ENTRE LA CALLE Y LA GALERÍA: TRAYECTORIA Y ESTRATEGIAS DEL COLECTIVO FOTOGRÁFICO LIMAFOTOLIBRE

Jorge Juárez Li

                                                                           Grupo de Investigación en Antropología Visual- GIAV

Pontificia Universidad Católica del Perú

jorge.juarez@pucp.pe

 

El objetivo del trabajo es reflexionar sobre la trayectoria y estrategias del colectivo fotográfico LimaFotoLibre, partiendo de sus primeras intervenciones urbanas hasta su entrada a distintas galerías y museos de arte. Para ello el análisis  antropológico enfatiza cuatro aspectos: el colectivo fotográfico, la producción, la circulación y recepción de sus fotografías, y a partir de este caso busco repensar los planteamientos conceptuales de autores como Arjun Appadurai, Howard Becker, Michel de Certeau, George Marcus, Fred Myers, Arnd Schneider y Chris Wright.

Respecto al colectivo fotográfico, analizaré principalmente su historia y conformación, con la finalidad de comprender la propuesta fotográfica. En cuanto a la producción del colectivo, realizaré un análisis de cómo construye visualmente a Lima y cómo esta obedece a las trayectorias y recorridos de los integrantes de LimaFotoLibre.

Finalmente analizaré las estrategias que han permitido que las imágenes del colectivo circulen por distintos espacios como las calles y plazas de Lima, y en circuitos nacionales e internacionales de arte y fotografía. Vale resaltar, que la propuesta del colectivo LimaFotoLibre resulta atractiva en tanto entra en tensión con las imágenes que representan a Lima desde un enfoque neoliberal y recientemente de iniciativas estatales como Marca Perú. En ese sentido, el colectivo busca participar en la representación de Lima a partir de la producción de imágenes que puede incomodar a un sector del país y al mismo tiempo genera empatía con un sector que busca representaciones “realistas” y “espontáneas” de la ciudad.

Palabras claves: antropología, fotografía, ciudad, circulación, arte.

 

 

RUÍNAS URBANAS, FRONTEIRAS ARTÍSTICAS: PERFORMANCES DE RUA ENTRE A PRAÇA ROOSEVELT E O MINHOCÃO, EM SÃO PAULO

 

Marcela Maria Soares da Silva

                                                                                    Doutoranda – Universidade Federal de Santa Catarina

                                                                                    Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social

marcelaaamaria@gmail.com

 

Procuro acompanhar a relação dialética que se estabelece entre práticas teatrais e espaço urbano que intersecta a Praça Roosevelt e o Elevado Minhocão, no centro da cidade de São Paulo. As histórias de construções e desconstruções no lugar, “revitalizações” que com efeito não reestabelecem vidas, mas procuram regulá-las de maneira violenta e bem calculada, se movimentam e adquirem formas criativas nas diversas ações e encenações dos caminhos das performances de rua e dos grupos teatrais que possuem sede na região. Talvez por conta disso o cotidiano urbano de lá tenha admitido feições cada vez mais teatrais, ainda que sobre uma das maiores ruínas urbanas de São Paulo. Muitos dos envolvidos nesta “cena teatral paulistana”, admitem terem sido os responsáveis pela grande transformação espacial que tem se estabelecido no entorno, no entanto, não é necessário entrar no edifício teatral para verificar essas performances que unem uma energia bastante política para reivindicar não só a ocupação do espaço próprio às suas práticas, mas também sua transformação em uma partilha sensível e política do urbano. É a este engajamento das performances de rua entre a Roosevelt e o Minhocão que me interessaram no percurso de minha pesquisa de campo por ali e que interessam a este trabalho, através da qual procuro engajar uma abordagem antropológica à arte que se faz na rua, ressaltando os aspectos criativos e políticos desta relação.

Palavras chave: Performance de rua; intervenção urbanística; política; arte.

 

 

COREOPOLÍTICAS DO SUL : QUANDO A DANÇA ENCONTRA A CIDADE

Marina Souza Lobo Guzzo

                                                                                    UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo)

marinaguzzo2@gmail.com

 

Partimos do olhar para grande produção em dança fora do espaço tradicional do palco italiano para pensar a figura do coreógrafo e o ato de “coreografar” politicamente e cartograficamente, num encontro com a cidade e a arquitetura, seja por obras feitas exclusivamente para espaços públicos ou por trabalhos de dança que são feitos em espaços “alternativos” de centros culturais. Como podemos pensar nesse movimento atualmente no que consideramos o Sul Global? Esta pesquisa pretende discutir a dança como conhecimento (in)disciplinar para pensar a política a partir do seu formato de Manifestos, ou de ações artísticas de ocupação na cidade. A pesquisa se baseia na discussão proposta por André Lepecki sobre o conceito de coreopolítica e de nos trabalho de Yvonne Rainer especificamente o No Manifesto e Trisha Brown com Man Walking Down the Side of a Building – duas artistas e obras do movimento Judson Dance Theater de Nova Iorque nos anos 60-70 para olhar para obras e artistas contemporaneous que atuam na cidade de São Paulo. O objetivo principal é problematizar como essas experiências corporais que se utilizam da técnicas (ou nomenclatura) conhecida como dança contemporânea, produzem sentidos e repertórios políticos para aproximações teóricas, incluindo o corpo como pensamento, a partir de uma experiência estética de ocupação urbana.

Palavras chave: Coreopolíticas, dança, manifesto, cidades.

 

 

Sessão 5 - Caminhos epistemológicos

 

 

INSURGÊNCIAS URBANAS E CRIATIVIDADE SOCIAL

 

Paolo Colosso

         Universidade de São  Paulo – Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas. Departamento de Filosofia

Nível da pesquisa: doutorado em andamento

paolocolosso@gmail.com

 

A comunicação   analisa a relevância teórica e prática do fenômeno urbano contemporâneo num duplo aspecto, enquanto expressão concreta dos processos de desregulamentação, atomização e neutralização cultural, mas também enquanto lugar de inquietações sociais, manifestações de cidadania ativa e desejos coletivos por outras formas de representação e socialidade. O objetivo é investigar em que medida as contradições urbanas podem funcionar, por um lado, como força peso na reprodução das relações sociais de dominação e exploração  e, por outro, como catalisadoras de esforços inventivos.   Para tanto, a comunicação é divida em três momentos. O primeiro faz um diagnóstico do contemporâneo no qual se evidencia o caráter  espacial  urbano do quadro de tensionamentos. O segundo momento busca subsídios teóricos em formulações dos anos 1960, mais especificamente em pesquisas situacionistas  e nos trabalhos do filósofo  e sociólogo Henri Lefebvre, que explicitam a relação entre transbordamento subjetivo, jouissance [gozo] e criatividade social. Esta retomada deve  elucidar as mediações entre a busca por superar as alienações da modernidade capitalista -- trabalho estranhado, vida privada atomizada e lazeres apassivados – e a aspiração comum entre estes intelectuais, qual seja, a de une autre ville pour une autre vie [ uma outra cidade para uma outra vida]. A terceira parte da comunicação volta ao momento contemporâneo,  argumentando que atualmente as cidades, ou dito mais propriamente, os espaços urbanos se tornam ora tema (problematização), ora suporte (mediação), ora valor de uso para os esforços estético-políticos cujos objetivos  são dar forma concreta a outras representações e socialidades. 

Palavras chave:fenômeno urbano, socialidades, criatividade social, Henri Lefebvre, situacionistas.

 

 

 

CONFLITOS ONTOLÓGICOS NA ARTE CONTEMPORÂNEA.

Daniel Revillion Dinato

                   Graduado em Ciências Sociais na UFRGS, vínculado como aluno especial ao PPGAS- USP

daniel@dinato.com.br

A possibilidade do “uso de materias abjetos” (DANTO, 2008, p. 21) na arte, iniciada por Marcel Duchamp, traz um problema claro: o de definir o que é arte. Uma possível resposta é a de crer na instituição-Museu que certifica que aqueles objetos são, de fato, arte. Porém, às vezes isto não basta, situação que pode ser ilustrada pela sacola, parte da obra de Gustav Metzger, jogada fora no Tate Britain.

Desejo, portanto, com este trabalho, propor que a obra de arte contemporânea pode ser vista enquanto catalisadora de conflitos ontológicos (ALMEIDA, 2013). Se, tal como afirma Almeida, “pressupostos ontológicos dão sentido, ou permitem interpretar, encontros pragmaticos” (ALMEIDA, 2013, p. 9), podemos concluir que distintas interpretações podem ser vistas como surgidouras de ontologias que se conflitam, o que não impede, entretanto, a possibilidade de acordos pragmaticos ocorrerem (ALMEIDA, 1999). A proposta desse trabalho, portanto, é refletir sobre essa possbilidade e, igualmente, ver como ela pode dialogar com a noção de equívoco, proposta por Eduardo Viveiros de Castro (2004, 2014).

Palavras chave: arte contemporânea; conflitos ontológicos; equívocos.

 

 

NATUREZA DA ARTE, ARTE DA NATUREZA: ESBOÇOS INICIAIS SOBRE MAGIA

Leonardo Bertolossi

          Doutor em Antropologia Social pela USP, Professor do Programa de Práticas Artísticas Contemporâneas da Escola de Artes Visuais do Parque Lage.

leobertolossi@gmail.com

leobertolossi@bol.com.br

 

Dentre a diversidade de temas que os artistas contemporâneos tem se envolvido – muitos deles interessados nas metodologias e teorias antropológicas, como atesta Hal Foster – o problema da relação entre o homem e a natureza, inscrito na tradição ocidental em experiências tais como a art nouveau, bio art, land art e na presença de parques e museus internacionais que congregam arte contemporânea e natureza, tem se tornado cada vez mais frequente. Com o crescimento do debate acerca do aquecimento global e da natureza como actante na política internacional chamado de “intrusão de Gaia” por Bruno Latour e Eduardo Viveiros de Castro, artistas tem se interessado por ontologias que possuem uma relação com a natureza que se diferem da ocidental moderna, que purifica saberes e poderes em disciplinas e instituições próprias. O objetivo desta comunicação é analisar as relações entre arte e antropologia da natureza no debate contemporâneo sobre a natureza da arte no campo da filosofia e da antropologia da estética por um lado, e nas discussões e produções em antropologia e artes visuais sobre a relação da natureza e do humano diante de uma possível crise ambiental anunciada, e da urgência de uma nova ética geopolítica da convivência. Para tanto, se pretende observar aspectos da produção artística contemporânea a partir do conceito de magia, tema clássico da teoria antropológica; mas também do estatuto ocidental dos objetos e das experiências artísticas inscritos numa suposta autonomia e autenticidade da esfera da arte, de suas obras e processos, através das formulações sobre a aura conforme preconiza Walter Benjamin.

Palavras-Chave: Antropologia da Arte, Natureza, Magia.

 

 

CONEXÃO, COMPARAÇÃO E TRADUÇÃO NOS ESTUDOS ANTROPOLÓGICOS DA ARTE

Pedro de Niemeyer Cesarino

PPGAS/Universidade de São Paulo

pedroncesarino@uol.com.br

 

A apresentação tratará dos desafios epistemológicos gerados pelo colapso e reinvenção da antropologia da arte a partir dos estudos de autores como Alfred Gell, Carlo Severi, Philippe Descola e outros. Trata-se, mais especificamente, de refletir sobre as possibilidades de comparação, conexão e tradução entre distintos regimes ontológicos e suas respectivas formas expressivas a partir das considerações elaboradas pela antropologia de Marilyn Strathern e Eduardo Viveiros de Castro. Tal reflexão deverá encaminhar alternativas para a compreensão dos equívocos tradutórios gerados pelas interfaces entre formas expressivas não ocidentais e os dispositivos de exibição e produção de discurso nas metrópoles ocidentalizadas. A apresentação poderá se valer, a título de exemplo, de uma reflexão crítica e etnográfica sobre os pressupostos envolvidos em produções artísticas (a serem oportunamente selecionadas) ou exposições tais como Magiciens de la terre e Primitivism in 20th Century, Animism, Histoires de voir e Histórias mestiças. Em que medida tais produções e exposições estabelecem conexões com outros pressupostos ontológicos de visualização e produção de imagens que, noves fora, encontram-se enviesados por categorias comparativas e dilemas metafísicos que não lhes pertencem? Qual pode ser a contribuição de uma teoria etnográfica para a reavaliação dos impasses envolvidos em tais projetos, bem como para a construção de novas formas de interlocução? 

Palavras chave: Antropologia, arte, conexão, tradução.

 

 

Sessão 6 – Subjetividades politicas

 

 

DAS INFILTRAÇÕES DA ARTE: É POSSÍVEL SER OUTRO?

 

Inês Quiroga Coelho

INARRA/PPCIS/UERJ

inesitaquiroga@gmail.com

 

Vozes e trajetos confluem em uma pesquisa junto a jovens participantes de projetos socioculturais de uma organização não-governamental. Três trajetórias em que a arte, em suas diferentes concepções, encontra-se sempre presente. Algumas vezes, ocupando lugar central em suas falas, em outras, passando quase desapercebida por entre espaços e pessoas, infiltrada entre diferentes nomes e conexões. Mas que lugar é esse ocupado pelo fazer e conhecimento artísticos que ressoa das vozes dos três pesquisados? Quais as repercussões e como essas são sentidas e ressignificadas pelos jovens? Instigada por essas questões, neste trabalho, mergulho junto com autores dos campos da antropologia e da arte, como Bourriaud, Hikiji, Turner e Velho, em um exercício de reflexão sobre o fazer e o conhecimento artísticos como lugar de encontro, mediando relações e permeando, assim, as vidas de Jessica, Alex e Vinicius com novas direções, referências, desejos, dúvidas e obstáculos.

Palavras chave: Trajetórias juvenis; encontro; arte; antropologia.

 

 

A IMAGEM COMO ARMA – UMA PROPOSTA DE PESQUISA SOBRE A TRAJETÓRIA DAS MULHERES INDÍGENAS CINEASTAS

 

Sophia Ferreira Pinheiro

      Mestranda em Antropologia Social pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal de Goiás.

sophiaxpinheiro@gmail.com

A pesquisa em andamento, é sobre a trajetória de mulheres indígenas que produzem sua auto-imagem, utilizando-se dos métodos audiovisuais através da passagem de representação da “imagem do índio”, face às representações realizadas por políticas coloniais não-indígenas; para “o olhar indígena”, ou seja, a imagem auto-representada, política e do dispositivo cinematográfico, a partir do olhar compartilhado, de repertórios e experiências das mulheres indígenas, tornando-as protagonistas de suas reivindicações. Portanto, se contrapõem ao pressuposto lugar de passividade que é atribuído, frequentemente, na relação de produção imagética ativa/homem e passiva/mulher. Elas se afastam dessa visão romantizada e exótica (“do outro”) por meio das apropriações de seus discursos sendo sua própria agência artística, na produção de uma cinematografia indígena feminina. Deste modo, nos deparamos com uma tensão entre fronteiras e suas possibilidades discursivas abertas pelo exterior constitutivo das posições hegemônicas. É a partir dessa fissura que pretendo fazer uma experiência etnográfica de vídeo-cartas com as realizadoras audiovisuais indígenas. As vídeo-cartas são trocas de mensagens vídeográficas dos mais diversos temas. Neste projeto, elas são interétnicas e interculturais. Pesquiso dois projetos brasileiros com mulheres indígenas cineastas: o Vídeo Nas Aldeias e o Instituto Catitu, atrelados aos projetos da Associação das Mulheres Xinguanas e do Pelas Mulheres Indígenas para tentar compreender parte da questão da mulher indígena no atual panorama dos direitos indígenas brasileiro, sendo elas antropófagas das metodologias e técnicas imagéticas, para sua própria etnogênese.

Palavras chave: mulher indígena, cinema, cineastas indígenas, vídeo-cartas, imagem.

 

 

QUANDO EU FOR PRA REVOLUÇÃO, EU VOU DE PALHAÇO”: A AGITPROP, O CLOWN E AS BATUCADAS NAS AÇÕES POLÍTICAS SEM-TERRA

Janaina Moscal

PPGAS/UFSC

janainamoscal@gmail.com

 

A Frente de Agitação e Propaganda, carinhosamente chamada Agitprop, é uma célula importante na história do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), é ela a responsável por “animar” suas ações políticas e estender o convite à luta para as cidades, nas periferias e movimento estudantil. É ela, assim como a mística, que dá ritmo, fluidez, aos eventos sem-terra dos mais diferentes cunhos, de palestras a encontros e congressos. Desde o início de sua trajetória, os animadores têm funções estratégicas na comunicação estabelecida entre militantes dirigentes e a base, cantando e atuando, debatendo e expressando a luta. Sendo importante a passagem do dramaturgo Augusto Boal e a criação da Brigada Nacional Patativa do Assaré.

Hoje, a Agriprop mantém uma forte articulação com a linguagem do teatro do oprimido, somando-a com as batucadas ativistas do Levante Popular da Juventude e a poesia de trovadores populares. Utilizando-se, como afirmam seus militantes, de recursos de várias linguagens artísticas, para seguir à frente nos enfrentamentos em espaços públicos, na realização de ações políticas como ocupações e escrachos, prática interessantes para pensar as articulações entre práticas juvenis e arte. Alguns autores inspiram as análises iniciais aqui tecidas. Entre eles John Dawsey e suas reflexões sobre o cotidiano de bóias-frias, performatizados em idas e vindas em carroças de caminhão e Christine Chaves e a análise de marchas sem-terra em perspectivas rituais, enquanto atos comunicativos. Bem como as propostas de investigação de Alex Flynn sobre um individualismo expressivo inscrito nas místicas. 

Palavras chave: Ações políticas, práticas juvenis, arte.

 

 

RADICALIDADES SUBJETIVAS: O RELACIONAL E O EFÊMERO EM PROPOSIÇÕES ARTÍSTICAS CONTEMPORÂNEAS

Alex Flynn

University of Durham, UK

alex.flynn@durham.ac.uk

 

Esta comunicação toma a noção da teoria de estética relacional, de Nicolas Bourriaud (1998), como uma plataforma para analisar um crescente dialogo entre práticas da arte contemporânea e teorias antropológicas de socialidade. Projetos artísticos caracterizados pela estética relacional incentivam dinâmicas de convívio entre seus participantes. Dessa forma, as obras respondem a um novo paradigma estético, no qual Bourriaud argumenta que a proposição artística não deve ser julgada sob critérios de ‘beleza’ ou formalidade, mas pelas relações que possibilita e os modelos de socialidade que propõe. Neste entendimento, uma obra de arte tem “como horizonte teórico a esfera das interações humanas e seu contexto social” gerando “micro-utopias”, ou seja, espaços efêmeros em que as pessoas estão em diálogo, em condições de elaborar subjetividades políticas diversas  de dentro de um coletivo mais amplo.

Desse modo, o potencial político da arte relacional reside no conceito de que “ver é metamorfose, não mecanismo” (Elkins 1996) – os participantes, através da experiência vivenciada, constroem seu próprio conjunto de significação, estabelecendo consigo um processo de auto-cultivo ético (Laidlaw 2014, Lambek 2010). Para além da analise de Bourriaud, quando tais proposições intervêm em espaços públicos, podem adquirir conotações ativistas, que dependendo do contexto em que atuam, se carregam de uma crítica implícita local, como questões de gentrificação, imigração, ou segregação social.

Baseado numa etnografia sobre o campo de arte contemporânea de São Paulo, esta comunicação aponta que a estética relacional pode iluminar questões antropológicas fundamentais, tais como: como podemos entender a delimitação da subjetividade politica? o que significa democracia e de que forma elaborá-la? como podemos refletir sobre modos e formas de produção de conhecimento? Com base nessas preocupações, a comunicação sugere que o ‘framework’ da estética relacional nos permite tanto analisar movimentos sociais como intervenções artísticas, quanto problematizar modalidades da arte contemporânea que pressupõem estabelecer subjetividade política.

Palavras chave: Arte contemporânea, socialidade, micro-utopias, subjetividades politicas.

 

 

Sessão 7 – O artista como antropólogo

 

 

POLITIZAÇÃO DA ARTE: DESDOBRAMENTOS DA ANTROPOLOGIA DAS IMAGENS

José Bento Ferreira

PUC-SP

jose.bento.ferreira@gmail.com

 

A pesquisa reúne referências para o pensamento sobre a imagem em arte e antropologia. O ponto de partida é a obra de Hans Belting. O primeiro passo é a problematização da categoria obra de arte. Encontra-se na razão filosófica o arcabouço conceitual dessa categoria. Avalia-se as conseqüências das transformações do conceito de obra de arte depois das vanguardas. Idéias de Arthur C. Danto e Hal Foster abalam a autonomia da experiência estética. Trabalhos de Andy Warhol e Ai Weiwei ampliam o procedimento situacionista de détournement (desvio). Artistas contemporâneos introduzem uma “virada etnográfica” no mundo da arte. A arte moderna reagiu ao desenvolvimento do capitalismo e ao surgimento do ambiente urbano. A artista Silvia M cria um sistema de trocas com o meio e com os outros que reconstitui o sistema das dádivas descoberto pelo sociólogo Marcel Mauss. Seu trabalho é analisado a partir de idéias de Mauss, Gell, Augé e do crítico de arte Nicolas Bourriaud. Aprofundamentos na questão das imagens com Hans Belting e Marie-José Mondzain e os trabalhos dos artistas do desvio sugerem o panorama da “guerra das imagens.”

Palavras chave: Imagem, dádiva,  obra de arte, vanguarda, estética relacional.

 

 

ARTE CONTEMPORÂNEA, ETNOGRAFIA E INTERVENÇÃO

 

Lorenzo Bordonaro

PPGA – Programa de Pós-Graduação em Antropologia

Universidade Federal de Sergipe (SE), Brasil

Lorenzo.bordonaro@gmail.com

 

Com base na minha experiência como artista visual e antropólogo, e tomando como ponto de partida algumas intervenções que realizei entre 2013 e 2015, na minha comunicação pretendo delinear a possibilidade de uma prática de intervenção visual no espaço público onde etnografia, critica social e arte se sobrepõem e dialogam. Vários autores desde os anos 90, têm apontado para uma proximidade significativa a nível epistemológico e da teoria da representação entre antropologia, pesquisa etnográfica e alguns sectores da arte contemporânea. A minha prática artística e de pesquisa baseia-se no diálogo entre arte e etnografia, porém em direção de uma arte pública crítica, no sentido de uma forma de ativismo artístico baseado na pesquisa antropológica, em sintonia com as novas tendências da new genre public art (Suzanne Lacy) que apontam para a centralidade da relação e do diálogo no seu processo de criação. Apesar das criticas que têm sido levantada à instrumentalização da arte e dos artistas pelos estados, com vista a promover ‘inclusão social’ (Lind; Bishop), mantenho que projetos que assentam em pesquisas etnográficas autónomas na construção de uma relação de cariz antropológico, poderão continuar a ter um papel crítico e político independente das agendas sociais dos estados, e manter a sua autonomia e potencial de denúncia social.

Palavras chave:Etnografia, Arte Contemporânea, Arte Pública, Intervenção Urbana, Cidades.

 

 

ESPÉCIES DE CAMPO: DESLOCAMNETOS, ENCONTROS E COLETAS DO ARTISTA CONTEMPORÂNEO

Flavia Klausing Gervásio

IPHAN- SE

Doutoranda em Museologia e Patrimônio (UNIRIO)

flaviakg@gmail.com

Anna Thereza do Valle Bezerra De Menezes

Cap- UFRJ

annatvbm@gmail.com

 

Um artista caminha com os pés semidescalços atravessando a América Latina enquanto carrega terra por meio dos vincos que se fazem em seus pés. Outro, coletor de miudezas, observa ossos, pedras e caixas detentores de todo um universo de riqueza simbólica. Um terceiro cria situações nas quais são destacados aqueles geralmente apagados por normas e regulamentos pautados pelo suposto “progresso”.

Propomos uma reflexão sobre as práticas artísticas de Paulo Nazareth, Ícaro Lira e Jonathas de Andrade. Artistas que, tal como etnógrafos, aspiram a um trabalho de campo em que pesquisa e prática parecem conciliadas e que recorrem indiretamente à tradição do observador participante (FOSTER, 2014: 170). Com a passagem da arte para o campo ampliado da cultura, domínio por excelência da antropologia, e a partir dos desvios na localização da arte, este imbricamento entre arte e etnografia se torna cada vez mais recorrente

Os três artistas discutem aspectos socioculturais de diferentes lugares a partir do encontro com o outro. Suas obras, mais do que criações materiais, são posturas frente ao mundo: é o artista como um propositor de situações. As proposições aqui estudadas buscam compreender os deslocamentos e as variações dos objetos e atores, tendo sempre o olhar para a densidade intraquilizante dos fatos (CANCLINI, 2012: 245). Conceitos de alteridade e identificação se alternam e questionamentos se desenvolvem a partir de situações que partem de uma pesquisa sobre o real construído e nos conduzem para um mundo de reflexão sobre alguns dos dilemas não ditos da contemporaneidade.

Palavras chave: Arte contemporânea; artista propositor; etnografia.

 

 

Sessão 8 – Pesquisa e processos artísticos 

 

 

“MÚSICA DE GAVETA”: NOTAS ETNOGRÁFICAS SOBRE A PRODUÇÃO, A CIRCULAÇÃO E A RECEPÇÃO DA MÚSICA ELETROACÚSTICA NA CIDADE DE SÃO PAULO

 Fabiana Stringini Severo     

         Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da UFSC

fabi_qmc@yahoo.com.br  

fabiqmc@gmail.com

 

Este trabalho tratará dos resultados de uma etnografia realizada durante no ano de 2014 na cidade de São Paulo com três grupos ligados à pesquisa musical em departamentos de música das seguintes instituições de ensino superior: FASM, USP e UNESP. Esses grupos têm em comum o fato de trabalharem, com maior ou menor proximidade, com a chamada música eletroacústica, um tipo de música ligada à pesquisa e à academia no Brasil. Diferencia-se da música eletrônica dançante ou da cultura de música eletrônica de DJs, podendo ser também chamada de música eletrônica erudita. O trabalho etnográfico baseou-se em algumas premissas da Teoria do Ator-Rede (ANT) e na noção de etnografia da música de Seeger. Além disso, também serão apresentadas algumas considerações sobre a relação entre música e máquinas/tecnologia, bem como a produção, a circulação e a recepção de música eletroacústica no contexto da pesquisa, além das variedades de performance. Essa pesquisa foi realizada como parte do Mestrado em Antropologia Social na Universidade Federal de Santa Catarina, na área de Antropologia da Música/Etnomusicologia, sob orientação do Prof. Rafael José de Menezes Bastos e coorientação da Prof.ª María Eugenia Domínguez. 

Palavras-chaves: Música eletroacústica; música e tecnologia; etnografia da música erudita.

 

 

DE LABORATÓRIO INVISÍVEL À CONVERSA QUE NUNCA ACONTECEU: EXPERIÊNCIAS ETNOGRÁFICAS DE UM ARTISTA EM LABORATÓRIOS CIENTÍFICOS

Rosana Horio Monteiro

Universidade Federal de Goiás (UFG), Brasil

rhorio@gmail.com

 

A partir de uma perspectiva dos Science and Technology Studies e de um diálogo entre os estudos de cultura visual e a antropologia, o presente trabalho problematiza o uso da etnografia entre artistas contemporâneos, revisitando o artigo seminal de Hal Foster (1995) “O artista como etnógrafo?” Para tanto, parto do estudo de dois projetos colaborativos desenvolvidos no interior de laboratórios científicos portugueses pelo artista austríaco Herwig Turk. Esse estudo é parte de uma pesquisa que investiga as aproximações e hibridações entre os saberes produzidos colaborativamente por artistas e cientistas.

Os dois projetos estudados são Blindspot, desenvolvido em parceria com o biólogo molecular português Paulo Pereira, cujas obras foram reunidas a exposição “Laboratório invisível”, no Museu de Ciências da Universidade de Coimbra (2009), e Scientist: Rat: Instrument (S:R:I), resultado de uma residência artística realizada no Instituto de Medicina Molecular (IMM), da Universidade de Lisboa, de 2009 a 2010.

Nesses dois projetos são abordadas questões relacionadas à percepção pública da ciência e à produção do conhecimento. Dialogando com Bruno Latour (A Vida de laboratório e Ciência em Ação), o artista preocupa-se mais com a vida no e do laboratório onde ele está inserido; é a prática científica que lhe interessa. Em Blindspot, os equipamentos de laboratório mais do que simplesmente objetos são apresentados como personagens. Em Scientist: Rat: Instrument (S:R:I), o artista, através principalmente de video-instalações, incorpora os próprios cientistas como personagens de sua obra.

Palavras chave: Arte, ciência, etnografia, Herwig Turk, Portugal.

 

 

¿QUIÉN ESTÁ PRESENTE? YENDO DEL ARTE A LA ANTROPOLOGÍA COMO FORMA DE CONOCIMIENTO

Evangelina Anahi Bidegain

                                                                                    Doctoranda en Antropología Social del CIESAS- México DF

                                                                                    ONG Arte Contemporáneo Misiones (ACMI), UNaM-UNILA

evabidegain@gmail.com

 

En esta presentación propongo una mirada antropológica sobre la obra de Marina Abramovic y lo que hay en ella respecto al ejercicio antropológico en relación con las personas y relaciones que estudiamos.

Para lo cual me basaré en parte de su obra de performance, aquella que ha logrado reconocimiento en los últimos años. En primer lugar, me interesa marcar las similitudes de la larga duración, el silencio y el cuerpo en presencia de su obra, con la alteridad como disposición epistemológica y en segundo lugar, con el método etnográfico como forma de construcción de conocimiento. En estos esbozos interpretativos invito a reflexionar sobre lo que el arte lleva implicado como producción de una cultura contemporánea, dentro de un contexto socio histórico. Qué producción de subjetividad conlleva y qué nos puede aportar para pensar la antropología en crisis provocada por el mercado de saberes en que está planteada su actividad laboral.

Pensar también la obra de Abramovics dentro del arte de las últimas décadas que proponen espacios de creación y de interacción con un público reinventando las galerías y museos como lugar de exhibición.

*Esta ponencia surge de una charla sobre la obra de Abramovic desde la antropología social, que realicé en el marco de la cátedra de Artes Visuales en la Universidad Federal Latinoamericana (UNILA) el 11 de mayo del 2015, en Foz de Iguacu, Brasil.

Palabras claves: Arte contemporáneo, antropología, etnografía, subjetividad, alteridad.

 

 

QUE BRASIL EM QUAL CENA? UMA ETNOGRAFIA DA COMPANHIA BRASILEIRA DE TEATRO E DO PROJETO BRASIL

Cauê Krüger

UFRJ/PUCPR

caue.kruger@pucpr.br

cauekruger@gmail.com

 

A Companhia Brasileira de Teatro é um dos mais premiados grupos teatrais em atividade no Brasil, reconhecida por sua proposta vanguardista focada na encenação e dramaturgia contemporâneas (Ryngaert, 2013; Lopes 2013; Romagnolli, 2013; Oliveira, 2013), e por traduzir e encenar textos inéditos polifônicos, plurais, “incompletos” e “endereçados ao outro”, capazes de estabelecer uma relação criativa e ativa com o leitor ou espectador. As encenações propostas optam pela narrativa e pela não-representação, valem-se de ambiguidades na relação entre atores e personagens e exploram formas de convívio e presença cênicas (Romagnolli, 2013) promovendo, através do teatro, encontros e vivências. O “Projeto brasil”, com patrocínio da Petrobrás, é um complexo empreendimento que envolve circulação nacional do repertório da Companhia; pesquisa de campo, bibliográfica e acadêmica; conversas, seminários, oficinas e ensaios abertos, que deverão resultar em uma montagem com texto autoral inédito inspirada na atualidade brasileira. Além de evidenciar as afinidades desta produção com a estética relacional (Bourriaud, 2009), o teatro pós-dramático (Lehmann, 2007) e o conceitualismo etnográfico (Marcus, 1995, 2004 e 2006; Foster, 1995; Bischop, 2004; Schneider e Wright, 2006 e 2010; Canclini, 2013; Tinius, 2014; Siegenthaler, 2013), o acompanhamento etnográfico do processo de criação (em andamento desde 2013) permitirá postular um novo caminho para a antropologia do teatro, ainda pouco desenvolvida (Beeman, 1993; Müller, 2009), inspirada pelo estado da arte da antropologia do teatro no Brasil (Coelho, 1989, 1990 e 2007; Ribeiro, 2008; Araújo, 2009; Quilici, 1992; Toledo, 2007; Mariz, 2007; Castro, 1992, 2002; Flynn & Tinus, 2015).

Palavras chave: Antropologia do teatro; dramaturgia contemporânea; estética relacional; conceitualismo etnográfico.