RESUMEN GRUPO DE TRBAJO 105

GT 105. "ECONOMÍA, PROXIMIDAD Y AFECTOS: ABORDAJES ANTROPOLÓGICOS" 

Coordenadores:

Eugênia Motta Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil (PPGAS | MN | UFRJ) – motta.eugenia@gmail.com

Santiago Canevaro Universidad de Buenos Aires, Argentina (CONICET | UNSAM) – sancanevaro@gmail.com

Comentadores: Federico Neiburg (MN | UFRJ); Fernando Rabossi (IFCS | UFRJ); Benoît de L’EStoile (CNRS | IRIS); Eugênia Motta (MN | UFRJ); Pablo Figueiro (CESE)

 

Sesión 1:

 

DINHEIRO E OUTRAS MOEDAS: MORALIDADES E AFETOS EM UMA FEIRA AGROECOLÓGICA

Júlia Cardoni. Antropologia Social / UFRGS, Brasil; julia.cardoni@hotmail.com

 

O trabalho etnográfico se realiza na Feira Agroecológica do bairro Bom Fim localizada na cidade de Porto Alegre. O local e a organização da Feira em questão apresentam uma série de peculiaridades que revelam a negociação de estilos de vida e modos de ser atribuídos a modalidade de consumo agroecológico. Trata-se de um consumo  pautado em discursividades que remetem a um “sujeito ecológico”, a um “consumo esclarecido” e “consciente”. O consumo na Feira constitui um mercado pensado em três esferas: a esfera política, representada pela moralidade; a esfera afetiva, na proximidade que se estabelece entre pessoas e coisas e a esfera econômica, na negociação de preços. O trabalho reside na abordagem dessa modalidade de consumo pela perspectiva dos três mercados. Circuitos morais, afetivos e econômicos que vão além da negociação de alimentos agroecológicos. Palavras-chave: Economia moral, consumo, agroecologia, etnografia na feira.

 

 

NOTAS SOBRE RITOS MATRIMONIAIS NA CIDADE DO RIO DE JANEIRO À LUZ TEORIA DA DÁDIVA

Cristina Teixeira Marins. Programa de Pós-Graduação em Antropologia – Universidade
Federal Fluminense, Brasil; ctmarins@gmail.com

 

Esta proposta de comunicação é escrita a partir de dados que integram uma pesquisa atualmente em curso sobre eventos de celebração de casamento.  Deste trabalho resultou dissertação defendida no Programa de Pós-Graduação de Antropologia da Universidade Federal Fluminense cujo propósito é acessar significados, códigos e valores impressos nas práticas e nos discursos de atores envolvidos nos ritos matrimoniais contemporâneos. A reflexão a ser apresentada deve ser organizada em torno de dois eixos principais buscando, por um lado, acessar a dimensão mercadológica do universo pesquisado e, por outro lado, dar conta das relações de reciprocidade inscritas no complexo ritual. Posto de outro modo, pretendo abordar o princípio da reciprocidade como instrumental analítico pra interpretar dados referentes aos eventos de celebração de casamento. Nesta perspectiva, pretendo pensar o entrelaçamento entre circuito da dádiva e mercado. O trabalho de campo que servirá de base para esta comunicação foi realizado na cidade do Rio de Janeiro entre os anos de 2011 e 2014. Foram recursos privilegiados na construção do material etnográfico, a realização de entrevistas, conversas informais, consultas a sites e publicações diversas, além da observação direta em eventos. Palavras-chave: casamento; reciprocidade; mercado; dádiva.

 

 

EL REGALO VERSUS EL PRESENTE. SISTEMA CLASIFICATORIO, MORALIDADES E INTENCIONALIDADES EN LA COMPRA Y ENTREGA DE REGALOS ENTRE REDES DE MUJERES DE BUENOS AIRES

 

María Soledad Gallo. IDES, Argentina; gallosoledad@yahoo.com.ar

 

Gran parte de la bibliografía dedicada al análisis del intercambio de regalos planteaba la dicotomía entre dos modalidades de reciprocidad cuyas diferencias fundamentales eran la distancia social que media entre las partes involucradas y en la naturaleza del objeto entregado. Se construía así un modelo que oponía, por un lado el intercambio de bienes a la entrega de regalos.  Relecturas posteriores afirman que, dicha oposición está más vinculada con aquellos sentidos que relacionan al mercado y a la esfera económica en su totalidad como fuentes de distorsión de valores y de racionalidad, reservando el mundo de los sentimientos y de la subjetividad a la entrega de regalos.  Siguiendo la línea propuesta por este GT en relación a la representación de mundos hostiles por parte de los actores, este trabajo abordará, a través del trabajo etnográfico realizado entre redes de mujeres que adscriben a los sectores medios de la ciudad y Gran Buenos Aires, como a través de la compra y entrega de regalos se construye una taxonomía que opone, por un lado, el interés con el amor y el afecto. A través del acompañamiento a la compra de regalos y de las entrevistas en profundidad realizadas, las mujeres con las que interactué despliegan una serie de categorías para aludir a esos regalos que implican un esquema de valores y apreciaciones morales disímiles, pero un análisis profundo de dichas narrativas mostrará cómo, en realidad, en la compra y entrega de regalos se entrelazan las lógicas mercantiles y de interés junto con el afecto y el amor.

Palabras clave: regalo/ presente/ distancia social/ afecto/ interés.

 

 

"UM SONHO NÃO TEM PREÇO": MONETARIZAÇÃO E AFETOS NO UNIVERSO DOS CASAMENTOS

Érika Bezerra de Meneses Pinho. Antropologia Social PPGAS/UFRGS, Brasil; erikabmp@gmail.com

 

Nesse artigo, apresento algumas reflexões sobre relações entre afeto e trocas mercantis, a partir da observação da chamada "indústria dos casamentos". No Brasil, o mercado de produtos e serviços voltados para a realização de cerimônias e festas de casamento cresceu exponencialmente nos últimos anos. Enquanto pesquisas demográficas apontam a elevação do número de uniões formais na última década (IBGE, 2010), pesquisas de mercado calculam que os lucros gerados pelo setor ultrapassaram a marca dos 14 bilhões de reais por ano (ABRAFESTA, 2012) . Trata-se de um cenário de emergente mercantilização de um rito de passagem. Os dados apresentados nesse trabalho foram obtidos a partir de incursões etnográficas e observação em feiras e palestras do setor. Além disso, foram realizadas entrevistas em profundidade com profissionais especializados e com mulheres noivas, pertencentes a camadas medias da população, engajadas na preparação de suas festas de casamento. Tendo como marco teórico as reflexões de Marcel Mauss sobre a dádiva, e de Viviana Zelizer sobre as imbricações entre afeto e trocas mercantis, apresento uma reflexão sobre como as pessoas pesquisadas mobilizam uma série de transações econômicas para a construção de ritos de casamentos que, em última análise, visam a criar e reforçar laços afetivos. Os discursos e práticas dos sujeitos pesquisados permitem observar como, em uma sociedade monetarizada, a vida econômica não se pode ser desvencilhada da própria construção e consolidação das relações afetivas.

Palavras-chaves: afeto, relações mercantis, indústria dos casamentos.

 

Sesión 2:

 

CENTRO DE CULTURA POPULAR MESTRE NOZA: PROCESSOS CONTEMPORÂNEOS DE CONSTRUÇÃO DE VALOR ENTRE ARTESÃOS DO CARIRI (CE)

Jeanine Geammal. UFRJ, Brasil; jeaninegeammal@gmail.com

 

Na pesquisa de doutorado em andamento no PPGSA-UFRJ, propus realizar uma análise dos discursos que constroem a categoria “artesão” no Cariri (CE), e o mapeamento das representações coletivas dos grupos artesanais associados ao Centro de Artesanato e Cultura Mestre Noza. Construir o mapa dos discursos e práticas a partir da cultura material e do conceito de cultura imaterial das comunidades artesãs é uma estratégia para discutir de forma coletiva — entre sujeitos de pesquisa e pesquisador — a categoria patrimônio. Proponho discutir as relações de trocas vivenciadas por um subgrupo de artesãs que trabalham com palha de carnaúba, conhecidas como Mulheres da Palha. O artesanato é atualmente importante fonte de renda para essas artesãs. Produto de práticas tradicionais e afetos, sua arte é concebida com habilidade e proximidade corporal, produzida num contexto doméstico e de dádivas, mas direcionada a relações mercadológicas, onde circula como um produto identificado com as mulheres e com a região do Cariri. As artesãs atuam como agentes de troca, algumas vezes diretamente com o comprador final, outras vezes utilizando o Centro de Artesanato e Cultura Mestre Noza como agente intermediador. Assim, entender esses processos implica compreender caminhos de socialização dessas mulheres. Embora as relações estabelecidas entre as artesãs e mercados se caracterizem por relações mercadológicas, a natureza da produção, ou do produto, tende a dissolver essa certeza. Seja pela relação que os artesãos estabelecem com seus produtos – de intimidade e manuseio direto –, seja pela relação entre produtos e compradores – aura idealizada pela autenticidade e unicidade. Palavras-chaves: arte; patrimônio; cultura popular.

 

 

RECURSO COMO POTÊNCIA E PERIGO: ECONOMIA, PROXIMIDADE E AFETO JUNTO A COLETIVIDADES INDÍGENAS KANHGÁG NO SUL DO BRASIL MERIDIONAL

Herbert Walter Hermann. Programa de Pós-graduação em Antropologia Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil; herbertwh@gmail.com

 

Recurso é um termo mobilizado frequentemente nas falas de indígenas Kaingang em Porto Alegre/RS. Utilizado como sinônimo de dinheiro e/ou crédito, recurso para os Kanhgág assume múltiplas facetas e possibilidades, desde aquelas que tangibilizam a criação e manutenção de aldeias, até outras atinentes a acusações sobre usos e destinos indevidos. Originário de fontes plurais, tais como: da realização de projetos ad hoc; por pagamento de salários; do programa bolsa família (PBF); da concessão de aposentadorias especiais pelo INSS; dos ganhos com a comercialização de artesanato “tradicional” e dos lucros na revenda de mercadorias made in china nas feiras e ruas centrais das cidades; tais recursos emaranham-se nas relações íntimas do doméstico e da família potencializando solidariedades e alavancando disputas que extrapolam os circuitos de origem, corroborando na produção de espaços, saberes, fazeres e pessoas indígenas na atual situação histórica. Assim, por sua vez, recurso circula na vida Kanhgág para além de um sentido estritamente econômico, de uma racionalidade moderna, de um viés utilitarista, pois segue rígidos códigos de conduta respectivos a economia política de pessoas Kanhgág em sua forma própria de relacionalidade e socialidade com a alteridade. As reflexões que se pretende debater no GT são fruto de trabalho de campo de cunho etnográfico realizado entre agosto de 2012 e julho de 2015 junto aos Kanhgág e compõe parte da dissertação de mestrado que será defendida no programa de pós-graduação em antropologia social da Universidade Federal do Rio Grade do Sul (PPGAS/UFRGS) em 2016, ainda sem título definido.

Palabras claves: dinheiro – indígenas – economia – afeto – cidade.

 

 

QUANDO A ECONOMIA ENTREMEIA A AMIZADE: NOTAS SOBRE RELAÇÕES DE AFETO E DINHEIRO EM UM COLETIVO DE PORTO ALEGRE

Carolina Dalla Chiesa. Programa de Pós Graduação em Antropologia Social – UFRGS, Brasil; carolinadallachiesa@gmail.com

 

Este trabalho surge de uma pesquisa realizada junto ao coletivo Casa da Cultura Digital de Porto Alegre (CCD) - fruto de minha dissertação de mestrado - que trabalha com a disseminação de conceitos sobre cultura digital, crítica à propriedade intelectual, hacker-ativismo e software livre. Após a finalização da dissertação, continuei participando de suas atividades, de modo que há mais de dois anos e meio acompanho este coletivo buscando compreender sua forma de se organizar e seus repertórios de ações coletivas. Dou enfoque às práticas econômicas deste grupo que se pretende anti-econômico, avesso à monetarização, que remunera-se parcialmente e ressignifica repertórios da história do ativismo hacker. Ressalto dados de campo oriundos da dissertação e dados etnográficos mais recentes, que revelam conflitos e negociações sobre a presença do dinheiro que primeiramente era um elemento evitado das relações “entre amigos”. Discuto os significados que o dinheiro tem no grupo, seus entrecruzamentos com o histórico “anti-econômico” das iniciativas anti-copyright, do software livre e do ativismo hacker, considerando recentes acontecimentos na história do grupo. Estão entrelaçadas, nesse caso, relações de amizade, relações econômicas e moralidades desveladas a partir de uma abordagem etnográfica sobre a dimensão que o dinheiro ocupa nas relações sociais. Ademais, observo criticamente a dicotomização entre dinheiro e amizade mostrando como a economia entremeia as relações de afeto no grupo, ainda que seu interesse seja por afastar-se das relações econômicas. Palavras-chave: dinheiro, amizade, cultura digital, hacker.

 

 

NEGÓCIOS DE DESEJO: SEXO, SIGILO E CIFRAS NA RELAÇÃO ENTRE HOMENS

Fábio Pessanha Bila, Universidade Estadual do Norte Fluminense; fpbila@hotmail.com

Rafael França Gonçalves dos Santos História - Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro; rafael.fgs@hotmail.com

 

Neste escrito pretendemos apresentar e problematizar como se dá a relação entre homens, mediada por recursos financeiros e tratos de confiança e sigilo, em Campos dos Goytacazes, uma cidade do interior do Rio de Janeiro, conhecida por seu tradicionalismo religioso e conservadorismo  A partir de entrevistas com alguns homens identificados como garotos de programa, michês ou acompanhantes, propomos identificar os dispositivos acionados por eles para a constituição de suas masculinidades sexualizadas, além de destacar a relação de sigilo e confiança implicada nas interações que estabelecem com outros homens em troca de dinheiro e/ou favores. Será válido, ainda, compreender a percepção que esses homens que oferecem serviços e parcerias sexuais, têm de sua posição, visto que todos se consideram e vivem como heterossexuais, mas possuem práticas no mercado do sexo com outros homens, portanto, homossexuais. Com este percurso reflexivo pretendemos contribuir para a reflexão sobre a constituição dos sentidos atribuídos às masculinidades em uma cidade do interior do Rio de Janeiro, que supomos ser bem diferente daquelas forjadas em grandes centros e capitais, mas ainda guardam conexão com os repertórios heteronormativos e homofóbicos que são agenciados para justificar comportamentos tradicionais consideradas marginais e/ou dissidentes. Palavras-chave: masculinidades, homofobia, sexualidades, mercados do sexo.

 

 

PERMUTAÇÕES DA DÍVIDA: A ECONOMIA CULTURAL, POLÍTICA, SOCIAL E AFETIVA DOS YAWANAWÁ

André Vereta Nahoum. Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), Brasil; andre.nahoum@gmail.com

 

Nas múltiplas relações no interior e exterior da comunidade dos Yawanawá, população do Sudoeste Amazônico, circulam múltiplos objetos e valores. Seguindo a pista de Thomas (1991), e a partir de evidências coletadas por meio de trabalho de campo e pesquisa documental histórica, analisar esse fluxo de bens e dinheiros para a comunidade, em seu interior e da comunidade para fora, ao longo de diferentes regimes de troca, atentando para as permutações da dívida, isto é, a cadeia de relações e obrigações que acompanham a circulação de bens e dinheiros entre os Yawanawá, entrelaçando mercado, comunidade, autoridade política, vínculos familiares e íntimos. Dinheiros e bens que projetos e programas sociais trazem para a comunidade Yawanawá são transformados em dívidas políticas, utilizados para cumprir e gerar obrigações de vínculo familiar e ajudam a formar subjetividades. A capacidade de manipular trocas e conseguir bem garante reputação e faz o nome entre os Yawanawa. Vínculos de lealdade política, afetivos e familiares também são invocados para orientar uma distribuição diferencial de recursos que entram na comunidade. Com essa análise, pretendo demonstrar o valor analítico de observar o circuito de relações e as permutações que a dívida sofre em meio a circulação de valores e objetos, discutindo também dois argumentos: (1) transações mercantis, dinheiros e bens são domesticados, isto é, colocados a serviço de relações (compromissos e obrigações), propósitos e sentidos locais; (2) as orientações, valor e sentido dos objetos e transações derivam dos entrecruzamentos dessas com um feixe mais amplo de relações, obrigações e compromissos sociais, políticos, afetivos e estéticos. Palavras-chave: trocas, entrecruzamento entre dinheiro e intimidade, entrecruzamento entre bens e poder político, benefícios sociais, Amazônia.

 

Sesión 3:

 

PRODUÇÃO CULTURAL, MERCADO E SORORIDADE: DECODIFICANDO NOVOS CONTORNOS DO ATIVISMO POLÍTICO ENTRE MULHERES NEGRAS

Gleicy Mailly da Silva. PPGAS-USP, Brasil; gleicysilva@hotmail.com

 

O presente paper tem como objetivo refletir a respeito das imbricações da política e da economia, a partir das relações entre afroempreendedorismo e ativismo político, identificadas em dois eventos que acontecem anualmente nas cidades de São Paulo e Brasília. Propondo uma articulação entre consumo, política e cultura, os eventos Feira Preta (SP) e Festival Latinidades (DF) permitem atentar para a constituição de redes de solidariedade entre mulheres negras, em sua maioria com ensino superior, engajadas em “coletivos culturais” e/ou identificadas como “empreendedoras”, que agenciam diferentes percepções da “cultura negra” na composição de novos cenários reivindicativos, onde lazer, celebração, consumo e engajamento se interseccionam. Tais interações têm sido especialmente estimuladas por um conjunto de políticas culturais e redistributivas, voltadas, entre outras coisas, à ampliação do acesso ao ensino superior. Tendo como plano de referência, portanto, esse cenário etnográfico, chamo atenção para o modo como o mesmo tem constituído formas renovadas de reconhecimento e trocas culturais e identitárias, estimulando a emergência de novos atores econômicos e políticos no cenário nacional, onde ganham proeminência mulheres negras universitárias. Assim, interessa-me, particularmente, compreender e descrever as diferentes lógicas econômicas em ação – de ordem monetária e não-monetária –, que têm articulado tais dinâmicas entre pessoas, saberes e produtos, tendo em vista a importância da integração entre economia e as demais dimensões da vida social que estruturam essas relações. Palavras-Chave: mulheres negras; sororidade; produção cultural; ativismo político; mercado.

 

 

PROBLEMATIZAR LAS PRÁCTICAS ECONÓMICAS: VALORACIONES, NARRATIVAS Y RECURSOS MOVILIZADOS EN TORNO A LA VIVIENDA EN RELATOS FAMILIARES (BUENOS AIRES, ARGENTINA)

 

Magdalena Felice. IDAES / UNSAM, Argentina; magdalenafelice@gmail.com

Vanesa Gómez. UBA, Argentina; vanesa_soledadg@yahoo.com

 

La literatura especializada coincide en señalar que los actos económicos, lejos de ser individuales, movilizan relaciones sociales: tienen por soporte distintas formas de sociabilidad. Como apunta Bourdieu en su análisis sobre el mercado de la casa en Francia, el “sujeto” de las acciones económicas se aleja de aquel “homo economicus” postulado por la teoría económica ortodoxa: los agentes realizan prácticas razonables, por estar dotadas de una razón y ser sensatas, aunque no tengan en su origen la razón o el cálculo racional. En este sentido, los objetos presentan una biografía social y las prácticas económicas constituyen prácticas sociales en las que se entrecruzan distintos órdenes de prácticas, diferenciados, pero no separados: económico, cultural, simbólico, afectivo. Desde esta perspectiva, la presente ponencia se propone explorar las formas y contenidos que asumen una serie de categorías asociadas al mundo económico, –“ahorro”, “esfuerzo, “sacrificio”, “gasto” e “inversión”–  en los relatos de vida de tres familias. Para ello la ponencia indaga en las valoraciones, narrativas y recursos movilizados en torno a un bien en particular: la vivienda. Se trata de tres familias que comparten ciertas condiciones materiales de vida, pero que presentan algunas diferencias en sus modos de vida y recorrido vitales, que resultan significativas para abordar el objetivo propuesto. Palabras clave: Relatos de vida – vivienda  –  vida cotidiana  –  prácticas económicas – Buenos Aires.

 

 

MERCADOS DE COMPAIXÃO – ETNOGRAFIA SOBRE EXPERIÊNCIAS DE PRECARIEDADE E EMPREENDEDORISMO DE MULHERES REFUGIADAS

 

Juliana Lobo de Queiroz. Institute for Social Research – Swinburne University of Technology, Brasil; jlobodequeiroz@swin.edu.au | jujlobo@gmail.com

 

A proteção aos refugiados é justificada internacionalmente por motivos humanitários que ativam sentimentos de compaixão. A integração de refugiados, no entanto, tem sido cada vez mais relacionada a questões de auto-suficiência econômica, sendo este, um dos indicadores mais significantes nas avaliações de políticas de integração. Em diversos países de acolhimento o micro empreendedorismo tem crescido como estratégia econômica e solução viável para muitos refugiados que enfrentam dificuldades para entrar no mercado de trabalho. Este é especialmente o caso para mulheres refugiadas, cujas dificuldades são agravadas devido à barreiras específicas de gênero. Esse paper apresenta algumas conclusões preliminares sobre os dados da minha pesquisa etnográfica de doutorado sobre empreendedorismo de mulheres refugiadas. A pesquisa envolveu 13 meses de trabalho de campo no Brasil e na Austrália. Neste paper eu examino relações entre os temas de precariedade e empreendedorismo que emergiram através do estudo de campo. Eu começo descrevendo o processo através do qual as participantes da pesquisa geram seus negócios utilizando práticas econômicas de mercado e também utilizando como recurso uma economia moral que se desenvolve a partir do intercâmbio de produtos, serviços e valores morais de fundo solidário. Como exemplos eu apresento dois cenários em que a categoria de refúgio adiciona dimensões morais e afetivas a essas atividades econômicas. Por fim eu analiso o processo pelo qual essas mulheres empreendedoras dão um novo significado às condições de precariedade em que vivem, gerando valor aos seus empreendimentos e fazendo com que as relações de troca se tornem mais recíprocas.

Palavras-chave: economía, refúgio, empreendedorismo, precariedade, gênero.

 

 

ARQUITECTURA DE REMESAS Y NOSTALGIA EN LA MIGRACIÓN TRANSNACIONAL: UN ESTUDIO DE CASO SOBRE LA TRANSFORMACIÓN DE LA ECONOMÍA Y EL PAISAJE DE LA REGIÓN DE ORIGEN EN MÉXICO

Shinji Hirai. CIESAS, México; shinjihirai@yahoo.com | shinjihirai@ciesas.edu.mx

 

La construcción de viviendas en las patrias chicas es una de las formas en que los migrantes internacionales mantienen los lazos con sus comunidades de origen y expresan su sentido de pertenencia y su deseo de retorno definitivo. El auge de la construcción de viviendas a través de la inversión de  las remesas ha impactado no solo  en la economía local sino también en el paisaje de las comunidades de origen. A través de la descripción y el análisis del caso de la migracion mexicana a Estados Unidos, este trabajo discute las relaciones entre la nostalgia de los migrantes y las viviendas construidas en el lugar de origen así como la reactivación económica local en torno a la auto-construcción de viviendas. En la ponencia se presenta un caso de la comunidad de origen de los migrantes mexicanos en el occidente de México, donde la nostalgia hacia la patria chica ha sido el motivo principal tanto de la visita de regreso de los migrantes en período vacacional como del retorno definitivo. En este contexto la revalorización del estilo arquitectónico tradicional de casas y el consumo de los símbolos del mundo rural han sido una nueva tendencia de la construcción y remodelación de viviendas, lo que ha favorecido a aquellos proveedores y trabajadores que participan en el fenómeno de auto-construcción de viviendas. Palabras clave: vivienda, retorno, nostalgia, arquitectura de remesas, migración transnacional.

 

Sesión 4

 

O FEIRÃO COLONIAL: TROCAS, SOCIABILIDADES E RECIPROCIDADES APRESENTADAS

Daniele Palma Cielo. UFSM; dcielo@gmail.com

Maria Catarina Chitolina Zanini. UFSM; zanini.ufsm@gmail.com

 

É bastante comum nos dias atuais, ao falarmos em feiras urbanas, reportarmo-nos a ambientes de intensas trocas mercantis, de bens ou serviços. Costumamos esquecer que essas trocas são operadas por indivíduos ou grupos de indivíduos e que além da troca econômica, apresenta-se, ali relações sociais e circulação de muitos capitais. Essas trocas ocorrem das mais diversas formas e com múltiplos sentidos, formando um conjunto heterogêneo de relações. É nesse sentido que buscaremos apresentar alguns resultados referentes ao projeto “Na Feira: Produção, Distribuição e Consumo entre Agricultores Feirantes na Região Central do Rio Grande do Sul”  desenvolvido a partir da pesquisa etnográfica em diversas feiras da cidade de Santa Maria, RS. Apresentaremos dados obtidos por meio de pesquisa etnográfica realizada no Feirão Colonial também conhecido como Feira de Economia Solidária com o objetivo de pensar a Feira como um espaço de trocas que vão além das trocas mercantis. Possibilitando assim um ambiente de intensa sociabilidade, reciprocidade e relações de confiança. Palavras-chave: Feira; Campesinato; Sociabilidade; Reciprocidade.

 

 

TROCAS E TRÔCOS: RELAÇÕES COMERCIAIS NA FEIRA MUNICIPAL DE CAMETÁ/PA

Carlos Dias Jr. PPGSA / UFPA, Brasil; carlosdias@ufpa.br | emaildevida@gmail.com

 

A cidade de Cametá, no estado do Pará, Brasil, é centro do que se chama “Baixo Tocantins”. O rio, as trocas comerciais e a oferta de serviços fazem da cidade um espaço movimentado que cria no seu centro, na sua Feira Municipal, uma série de relações que estão além da mera situação financeira.  Na realização da pesquisa etnográfica Da feira à cozinha (identidade, linguagem e cultura na Feira Municipal de Cametá), pude observar a relação existente entre aquele que vem de fora, em busca dos serviços que a cidade oferece, com os feirantes da Feira Municipal de Cametá. Baseado, sobretudo, na dádiva maussiana, pude compreender como a relação vendedor/comprador se ancora numa série de trocas que vão além da questão monetária.  Esta relação foi observada nos restaurantes populares e nas lanchonetes de venda de café da manhã e almoço, onde os entrevistados fazem suas refeições. Além da troca de informações, observou-se uma relação de amizade e confiança ancorada na venda do produto e na oferta de serviços especiais, como preparo de um prato específico, o fiado (crédito), troca de produtos, serviço de guarda volumes, informações sobre médicos, bancos, hospitais. Além de instaurar o limiar campo/cidade, esse encontro diário é o exemplo de um sem número de relações econômicas que se baseiam na troca de “favores”, onde o freguês é amigo, onde o vendedor/feirante é a segurança, a confiança que se pode ter na zona urbana, geralmente diversa e avessa à vida no seu local de origem. Palavras-chave: dádiva, alimentação, feira municipal de Cametá/PA.  

 

 

ORGANIZAÇÃO SOCIAL DO TRABALHO E DA CIRCULAÇÃO DE BENS NA FEIRA DA 25 DE SETEMBRO EM BELÉM: UM PANORAMA DAS RELAÇÕES PESSOAIS, GÊNERO, PARENTESCO E SABERES NA FEIRA

 

José Maria Ferreira Costa Júnior. PPGSA / UFPA; josefcosta@gmail.com

As feiras livres se constituem em espaços e experiências particulares de circulação econômica. Lugares de múltiplos comércios são também lócus da diversidade social e cultural onde florescem sociabilidades não governadas, exclusivamente, pela racionalidade contábil da acumulação monetária. É possível observar nas relações sociais estabelecidas entre sujeitos nos mercados populares em Belém/PA práticas de reciprocidade, verdadeiras trocas de dádivas que estruturam alianças, sistemas de crédito informais, como o fiado, e redes sociais que põem em movimento mercadorias, dinheiro, serviços e pessoas em uma dinâmica não centrada no lucro ou na acumulação. Diante desse contexto e dos diferentes estudos realizados sobre mercados populares no Pará, esta comunicação tem como objetivo apresentar resultados preliminares da Pesquisa Mercados Interculturais: linguagens, práticas e identidade em contextos Amazônicos, coordenado pela Professora Drª. Carmem Izabel Rodrigues (PPGSA/UFPA), da qual o autor participa estudando especificamente a Feira da 25 de Setembro em Belém/PA. Os resultados são aqueles que tratam apenas dessa feira e são parte da sistematização de dados levantados através de observações diretas e de um survey realizado junto a uma amostra de dez por cento dos permissionários, entre setembro de 2014 e maio de 2015. Além da descrição física e institucional da Feira serão apontadas, de forma panorâmica, as interelações entre as características de gênero, parentesco e geração, dos permissionários daquela feira, com o tempo de trabalho naquele espaço, o aprendizado dos saberes que lhes são próprios, os tipos de mercadorias vendidas e as identidades engendradas por essa variedade de relações sociais. Palavras chaves: Feira da 25 de Setembro, reciprocidade, relações sociais, identidades.

 

 

“JUNTO, TUPIDO Y ABUNDANTE¨. SEDUCIR Y MULTIPLICAR EN UNA FERIA DE COMIDAS EN CÓRDOBA (ARGENTINA)

José María Miranda. Licenciatura en Antropología, Universidad Nacional de Córdoba; josemari199@hotmail.com

 

Esta ponencia propone una descripción y análisis de la red de relaciones de la que se compone la Feria de la Isla de los Patos, una pequeña feria dominical de comidas de la ciudad de Córdoba, Argentina. Generalmente entendida como un espacio informal de migrantes, me interesa acercarme a ella como un complejo ensamblaje de materiales heterogéneos que pone en circulación una diversidad de vínculos entre los que se despliega una idea ¨otra¨ de la relación vendedor/clientes, y en donde las transacciones económicas y los compromisos afectivos, el consumo y la producción se vuelven indistinguibles entre sí. La propia constitución de la Feria reclama un abordaje “simétrico” para revelar en ella las extensas redes de las cuales se conforma: conexiones parciales entre diversos colectivos de personas (vendedores “peruanos”, pastores “evangélicos”, clientes “argentinos”, activistas “universitarios”, candidatos “políticos”) y cosas (las ¨comidas” con sus atrayentes humos seductores, las “parrillas”, ¨fogones¨ y “ollas” junto con las habilidades de quienes las manejan capaces de transformar un puesto en un negocio exitoso o en un gran fracaso) que ponen en juego una lógica de la ¨abundancia¨ y la ¨multiplicación¨ de la cual depende el sostenimiento de la feria cada fin de semana. Palabras clave: feria - comidas - afectos - abundancia – multiplicación.

 

 

Sesión 5:

 

ENTRE CONSUMO E CIDADANIA: A INVENÇÃO DA NOVA CLASSE MÉDIA BRASILEIRA

Moisés Kopper. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil; moiseskopper@gmail.com

 

O artigo explora a emergência da figura ambígua do cidadão-consumidor como resultado de políticas públicas direcionados para o governo da nova classe media brasileira. Baseado em etnografia multissituada, explora-se os aparatos políticos, científicos e mercadológicos que informam a modelização das fronteiras desse dispositivo que se baseia na incorporação de 40 milhões de pessoas na definição de uma nova classe média. A partir de trabalho de campo junto a beneficiários de políticas habitacionais, discute-se os investimentos morais, econômicos e subjetivos em diálogo com as mudanças de classe que os deslocamentos populacionais pelo tecido urbano evocam. Que modalidades de sujeito e projetos de vida são atualizados na mobilização de categorias como “inclusão social”, “cidadania” e “consumo” por empreendedores, elaboradores de políticas públicas, líderes comunitários e cidadãos em devir? Ao reveler os dilemas e contradições da recente mobilidade econômica e espacial brasileira, tensiona-se as imagens de um novo país em reconfiguração. Palavras-Chave: Nova Classe Média; cidadania; consumo; políticas habitacionais; etnografia.

 

 

DERECHOS Y OBLIGACIONES FAMILIARES OBJETIVADOS EN INTERCAMBIOS DE LA ASIGNACIÓN UNIVERSAL POR HIJO

 

Andrés Dapuez. Centro de investigación
y transferencia Entre Ríos (CONICET-UNER); afdapuez@gmail.com

 

Durante la primera década del siglo XXI en Argentina, así como en otros países Latinoamericanos, se observan dos procesos en apariencia contradictorios: por un lado un incremento global de la producción de bienes transables inter-nacionalmente (commodities) y, por otro, la preocupación por la conservación de los mercados-nación por medio del estímulo marginal del consumo. Ambas estrategias emergentes a partir de la crisis y del cuestionamiento del modelo de estado neoliberal, implicaron paradigmas de crecimiento neo-desarrollistas. Estos promovieron lógicas de regulación diferentes a las impulsadas por los teóricos del mercado neo-liberal. Aunque se mantuvieron relaciones de mayor complejidad con variados mercados capitalistas, las políticas públicas para el desarrollo del capital humano, como la AUH, se implementaron para constituir nuevas subjetividades. Marginados de los sistemas productivos dominantes pero con fuertes expectativas de integración a los mercados-nación, los beneficiarios de las transferencias monetarias se transformaron en objeto no sólo de debate político sino también de nuevos “derechos” y “obligaciones” públicos y familiares. Es el principal objetivo de esta ponencia investigar cómo éstos derechos y obligaciones se instituyen en términos familiares y de intimidad tanto desde el poder ejecutivo nacional y como en las mismas receptoras de la AUH en Paraná (ER). Palabras claves: AUH – Transacciones – Derechos y Obligaciones  Familiares.

 

 

MAIS PRODUÇÃO OU MAIS VIDA: A INTEGRAÇÃO DO CAMPESINATO AO AGROCNEGÓCIO DO DENDÊ E A LÓGICA DA PRODUTIVIDADE VERSUS A LÓGICA DA REPRODUÇÃO

Claudiane de Fátima Melo de Sousa. Programa de Pó-Graduação em Desenvolvimento sustentável do Trópico Úmido, no Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (NAEA - UFPA), Brasil; nanni.sousa@gmail.com

Rodrigo Corrêa Diniz Peixoto. Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia  UFPA, Brasil; rodrigopeixoto1810@gmail.com

 

Esse trabalho de pesquisa está inserido no contexto do Programa de Produção e Uso de Biocombustíveis (PNPB) e do Programa Palma de Óleo. O primeiro estabeleceu uma política de produção e uso de biocombustíveis para e no Brasil. O segundo, a política de expansão da dendeicultura no Brasil, com ênfase na região Amazônica. O PNPB estabeleceu regras que requerem a integração de camponeses ao agronegócio do dendê. Todavia, com a integração do campesinato ao agronegócio do dendê muitos conflitos e resistências passam a fazer parte da tônica das relações que se estabelecem entre as empresas e as famílias camponesas. De um lado as empresas buscam submeter a força de trabalho, espoliar a produção e subverter a lógica da produção camponesa e de outro lado os camponeses lutam para manter seu modo de vida e suas especificidades, pois, a nova ordem e as novas práticas econômicas aos quais são compelidos são incompatíveis com o seu sistema socioeconômico e cultural. Sob o enfoque da antropologia econômica analisamos essa relação, imersa em negociações e conflitos advindos do modelo de integração amplamente assentado nas categorias capitalistas e que vem se opondo frontalmente ao modo de vida das famílias que tem na economia não apenas uma dimensão, mas a totalidade da vida social. Palavras-chave: campesinato; dendeicultura; óleo de palma; agronegócio do dendê; PNPB.

 

 

TRABAJO, AUTONOMÍA Y CREATIVIDAD. REFLEXIONES EN TORNO A FORMAS DE TRABAJO ALTERNATIVAS: TEATRISTAS, CARTONEROS Y VENDEDORES AMBULANTES

Agustina Gutiérrez. Antropología UBA, Argentina; tata289@hotmail.com

Mariano Perelman. CONICET / UBA, Argentina; mdp1980@yahoo.com.ar

A partir de investigaciones etnográficas que venimos desarrollando con vendedores ambulantes, cartoneros y estudiantes-actores de teatro en la ciudad de Buenos Aires, el escrito busca contribuir a los debates en torno a las prácticas económicas. Nos centraremos en las formas en que los sujetos comprenden y emprenden sus tareas atendiendo a sus vínculos, emociones, búsquedas, creatividad y autonomía, en tanto se entretejen constituyendo y significando modos de trabajo. Abordar estas actividades considerando que los agentes que las realizan tienen trayectorias laborales, de organización, de creación, de clase y de acceso a la ciudad diferentes permite comprender los múltiples modos que adquieren la ´búsqueda´, la ‘autonomía’ y ‘creatividad’ en función de las tareas, de los imaginarios y de las experiencias y expectativas sobre lo que significa vivir, construir y disfrutar una vida digna. Los diferentes estudios etnográficos puestos en diálogo permiten repensar las prácticas económicas atendiendo al lugar que ocupan la creatividad y la autonomía en tanto dan impulso a los modos de ganarse la vida. Palabras claves:Trabajo, autonomía, creatividad, emociones, formas de ganarse la vida.

 

Sesión 6:

 

ENTRE CIÊNCIA, ECONOMIA E INTIMIDADE

Elaine da Silveira Leite. Programa de Pós-graduação em Sociologia da Universidade Federal de Pelotas, Brasil; elaineleite10@gmail.com

 

A expressão “economia doméstica” nos remete a ideia de administração da casa, que espontaneamente é relacionada a figura da “dona de casa” – isto é, da mulher como a administradora do lar.  Ao mesmo tempo, é crescente o campo de estudos sobre a crítica feminista da economia, a qual desponta como crítica à economia mainstream, que pretende descontruir a ideia do homo oeconomicus da teoria neoclássica, que “simbolicamente” reserva às ações racionais aos homens, cabendo às mulheres às ações emotivas e impulsivas. Partindo desse referencial, essa comunicação pretende apresentar como material empírico um retrato do surgimento dos cursos superiores em economia doméstica no Brasil, buscando correlacionar tal expansão do ensino para mulheres com a literatura feminista produzida no mesmo período, a qual aponta pontos divergentes, mas também, similaridades quando o assunto é mulher, economia e “racionalidades”. Assim, o entrelaçamento das temáticas em questão, buscará desmistificar o papel da mulher impulsiva e irracional que configura o imaginário social, procurando agregar à discussão dos estudos críticos a ideia de “vidas conexas” (cf. Viviana Zelizer) ao assinalar que a própria crítica feminista não pode guiar-se por “dualidades perigosas”.

 

 

EXPERTOS, MEDIADORES Y HOGARES: LOS SIGNIFICADOS PLURALES DEL DINERO PROVENIENTE DE LAS POLÍTICAS SOCIALES

 

Martín Hornes. Centro de Estudios Sociales de la Economía (CESE) IDAESUNSAM, Argentina; m_hornes@hotmail.com

 

La consolidación de programas de transferencias monetarias condicionadas (TMC) en la República Argentina se da a partir de la crisis económica, política y social desatada hacia fines del año 2001. Sin embargo, dichas políticas sociales surgen a mediados de los años 90’ e impulsadas por los principales organismos financieros internacionales, modificando la tradicional provisión de bienes y servicios por la entrega directa de dinero a los hogares pobres con menores a cargo. A partir de un breve repaso del contexto de surgimiento de los programas de TMC nos introduciremos en las premisas que estructuran las intervenciones en América Latina. Expondremos la continuidad existente en los esquemas de formulación de los programas para demostrar una incesante preocupación de los saberes expertos en políticas sociales por otorgarle una definición unívoca al dinero transferido a los hogares pobres. Desde la reconstrucción de experiencias de trabajo de campo etnográfico centradas en la aplicación de un programa de TMC de alcance local, indagaremos sobre las relaciones y prácticas entre los agentes estatales involucrados en la implementación de los programas y los hogares receptores. Esta aproximación nos permitirá explorar los distintos significados asociados al dinero transferido a partir de los programas de TMC. Palabras claves: saberes expertos - transferencias condicionadas – dinero - significados plurales.

 

 

“COMO FAZER DINHEIRO SOBRAR?”: OBSERVAÇÕES SOBRE INCIATIVAS DE EDUCAÇÃO FINANCEIRA

Viviane Fernandes. PPGAS / UFRJ, Brasil; vivianemf@gmail.com

 

Órgãos que integram o Sistema Nacional de Defesa do Consumidor promoveram, em junho deste ano, no Rio de Janeiro, um curso de formação de agentes em educação financeira. O objetivo da iniciativa foi fomentar discussões relacionadas às “práticas financeiras saudáveis”, apresentando orientações acerca das vantagens, desvantagens e riscos no uso de determinados serviços e produtos financeiros, ressaltando ainda os direitos e deveres dos consumidores associados a estes instrumentos econômicos. O encontro reuniu aproximadamente 70 pessoas, entre elas diferentes agentes que já atuavam em iniciativas alinhadas à educação financeira, convidados a validarem as informações do material pedagógico e sugerirem melhorias. As discussões abordaram metodologias de planejamento financeiro e giraram em torno de práticas e técnicas para “usar melhor o dinheiro” e “controlar a vida financeira” - não apenas exercitando a construção de orçamentos domésticos e o uso de ferramentas de cálculo, mas também capacitando os participantes, apresentando-os técnicas para a posterior multiplicação dos conhecimentos recebidos. A proposta do artigo é apresentar como as iniciativas de educação financeira - enquanto política pública - vêm adquirindo relevância, ganhando a adesão de diferentes instituições públicas e privadas para sua disseminação. A partir de uma abordagem etnográfica, busca-se refletir sobre o modo como é pensada a relação entre pessoas e dinheiro e quais comportamentos financeiros são recomendados aos indivíduos. Ao se aprofundar no trabalho de aconselhamento financeiro, atenta-se às práticas e ao conjunto de saberes sugeridos pelos especialistas às pessoas, interessa-se pelos sentidos dados ao dinheiro, à poupança, aos investimentos e às dívidas. Palavras-chave: Consultores financeiros; ENEF; dinheiro, pedagogia econômica.

 

 

LOS AFECTOS Y LA PROXIMIDAD DE LOS VÍNCULOS EN LA ECONOMÍA SOCIAL Y SOLIDARIA: RELATOS DESDE UNA SUBJETIVIDAD BORDEANTE

Dalila Sansón; dalisanson@yahoo.com.ar

Stella Berón;  stella.berón@gmail.com

Luciano Petit; lucianopetit@gmail.com

Daniel García; dangaroki@gmail.com

Selva Sena; selva_sena@yahoo.com.a

Tecnicatura Universitaria en Economía Social y Solidaria

 

En todo sistema social existen diversos modos de aprovisionamiento y transferencias que posibilitan la circulación de bienes en su interior. Estos modos dependen de distintas lógicas y moralidades, aspectos subyacentes que adquieren materialidad en los intercambios y contribuyen a reproducir dimensiones o estructuras organizativas de la sociedad en particular de la cual se trate (Bloch&Parry 1989, Appadurai 1986, Gregory 1994). Desde nuestra práctica como docentes de prácticas profesionalizantes de la primer Tecnicatura Universitaria en Economía Social y Solidaria (ESS) de la Universidad Nacional de Quilmes, analizaremos en el presente escrito algunas caracterizaciones acerca de estos modos, sus lógicas y moralidades; particularmente, enfocaremos en los vínculos observados entre las prácticas de la ESS y las dimensiones de la afectividad y el vínculo personal y colectivo que se desprenden y dan consistencia a las mismas, con sus atravesamientos, posibilidades, limitaciones y ambivalencias, intentando entender sus matrices subyacentes. Pretendemos contribuir a la comprensión de estas prácticas económicas de la ESS y sus discursos sobre la economía como dimensiones integradas de la vida cotidiana. Lo haremos colocando a la economía en el centro de una determinada configuración de las relaciones sociales y también como productora de subjetividades, es decir como promotoras de humanidad. Pensamos la ESS como esa economía ligada a los afectos y a los deseos, a los vínculos, a la proximidad de las relaciones, los lazos de la solidaridad y la capacidad autogestiva en tensión con otras modalidades y matrices vinculares, que coloca a la persona en el centro. Palabras claves: Economía Social y Solidaria; Subjetividad bordeante.

 

 

LAS RELACIONES EN EL MUNDO EMPRESARIAL VISTAS A PARTIR DE LOS ESTUDIOS SOBRE RELIGIÓN

Sabrina Testa. PPGAS/UFSC, Brasil; sabritesta@yahoo.com.ar

 

Este trabajo propone explorar los alcances y posibilidades del abordaje de procesos de articulación de lazos de sociabilidad en el mundo empresarial a partir de teorías e referentes empíricos provenientes del estudio de grupos religiosos. Esta aproximación surge de la observación preliminar de analogías estructurales entre modos de relación y de producción simbólicas extendidos entre las empresas de cierto porte y de diversos ramos de actividad, conocidos por la ciencia de la administración con el rótulo de “cultura organizacional” y  los modos de relación y de producción de significado observados en una investigación previa junto a un grupo católico conservador. En particular, se hace referencia a prácticas y saberes que procuran activamente intensificar el vínculo entre los empleados y entre estos y la organización más allá del mero contrato laboral y el buen trato interpersonal, y que conjuntamente con ello incentivan valores, estilos de vida, modos de entender la empresa y el mundo, políticas de uso del espacio y del tiempo y que incluyen lenguajes y performances específicas, cuando no gurúes y literatura especializada. Elementos análogos se encuentran descritos en la bibliografía especializada como característicos de diversos grupos religiosos, en particular aquellos de raigambre cristiana, por ello se sugiere aquí que el diálogo entre ambos campos puede resultar en insights reveladores para el estudio del mundo de la economía, quebrando dicotomías de larga data, como la distinción entre vida pública e vida privada, transacciones económicas y afectos, trabajo y placer, entre otras. Palabras clave: cultura organizacional, religión, empresas, vínculos.

 

 

PESSOAS JURÍDICAS E AGENTES ECONÔMICOS: A DETERMINAÇÃO DE UM “CONCORRENTE” NA POLÍTICA DE DEFESA DA CONCORRÊNCIA

 

Gustavo Onto PPGAS / UFRJ, Brasil; gustavo.onto@gmail.com

 

Baseado numa etnografia realizada no órgão governamental de defesa da concorrência ou antitruste do Brasil – CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) – este artigo reflete sobre as dificuldades enfrentadas por analistas para compreender quem são as entidades que concorrem num determinado mercado. Este órgão brasileiro analisa e julga pedidos de fusões e aquisições entre empresas, aprovando apenas aqueles que não irão modificar substancialmente a “concorrência” no mercado, conforme a legislação antitruste nacional. Contudo, para poder estimar ou mensurar a concorrência futura de um mercado, é necessário saber quem e quantos são os concorrentes – agentes autônomos e independentes que concorrem entre si. Essa tarefa torna-se extremamente complexa na medida em que, na economia contemporânea, diversas empresas (pessoas jurídicas distintas) estão interconectadas por meio de uma complexa rede de relações contratuais e societárias – por exemplo, fundos de investimento que possuem ações de diferentes empresas num mesmo mercado. Descrevo neste artigo como os funcionários do CADE decidem onde que um concorrente “acaba” e o outro se “inicia” quando pessoas jurídicas estão imersas em um conjunto de relações de propriedade e controle empresarial nem sempre explícito. Ou seja, como que um conjunto de pessoas jurídicas pode ser identificado e, portanto, concebido, como um só “agente econômico” independente dos outros. Argumento que esse tipo de problema jurídico e econômico enfrentado pelos analistas do CADE é análogo à uma questão da antropologia de longa data: como conceber uma entidade separada das demais quando as relações parecem estar permeadas por todas as partes? Palavras-Chave: pessoa jurídica; agente econômico; concorrente; política de concorrência; CADE.