RESUMEN GRUPO DE TRBAJO 102

GT 102. ANTROPOLOGIA DA CIÊNCIA E DA TECNOLOGIA EM PERSPECTIVA: DESAFIOS EM/DESDE A AMÉRICA LATINA//ANTROPOLOGÍA DE LA CIENCIA Y LA TECNOLOGÍA EN PERSPECTIVA: DESAFÍOS EN/DESDE  AMÉRICA LATINA

Coordinadores:

Fabíola Rohden  Doutora em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2000); professora adjunta do Departamento de Antropologia e do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social e Coordenadora do Núcleo de Pesquisa em Antropologia do Corpo e da Saúde (NUPACS) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); pesquisadora associada do Centro Latino Americano em Sexualidade e Direitos Humanos e pesquisadora PQ1 do CNPq.   fabiola.rohden@gmail.com

Alejandra Roca  Doctora en Antropología Social de la Facultad de Filosofía y Letras de la Universidad de Buenos Aires, Mg en Políticas y Gestión de la Ciencia y Tecnología, CEA, UBA. Docente e investigadora, Dpto. de Ciencias Antropológicas, Directora de Proyecto “Antropología y Biociencias”, Programa de Antropología y Salud, ICA (Instituto de Investigaciones en Ciencias Antropológicas), FFyL, UBA.  Profesora Asociada y Directora del Observatorio de la Educación Superior, Departamento de Ciencias Sociales de la Universidad Nacional de Quilmes. roca.ale@gmail.com

Comentarista: María Alejandra Dellacasa/Fabíola Rohden/Alejandra Roca

           

           

SESSÃO 1: DISPOSITIVOS FÁRMACO-QUÍMICOS, COPRODUÇÃO DE CORPOS E SUBJETIVIDADES

Coordenadora: Alejandra Roca / Comentarista: María Alejandra Dellacasa (UBA)

 

ESTADO ACTUAL DE LA CONTROVERSIA CIENTÍFICO–TÉCNICA SOBRE LA UTILIDAD CLÍNICA DE LAS BENZODIAZEPINAS EN LAS PRÁCTICAS MÉDICA, PSIQUIÁTRICA Y PSICOLÓGICA EN LOS SERVICIOS DE SALUD PÚBLICA DE URUGUAY

Andrea Bielli, Pilar Bacci, Gabriela Bruno, Nancy Calisto y Santiago Navarro - Instituto de Psicología Clínica. Facultad de Psicología. Universidad de la República

Desde los años ochenta se ha desarrollado una controversia científico-técnica en torno a las benzodiazepinas que ha puesto en cuestión su lugar en la práctica clínica médica. Dicha controversia se ha desplegado fundamentalmente en torno a la dependencia que estos medicamentos generan y al abuso de los mismos que podrían estar realizando médicos y pacientes, así como la banalización de uso y los posibles intereses de la industria farmacéutica y de los gobiernos para no frenar su consumo. Esta investigación analiza el papel de la controversia en la práctica de medicina general, psiquiatría y psicología de servicios de salud pública uruguayos. Su utilizó una metodología cualitativa que combinó un relevamiento de artículos académicos nacionales (1990-2011); entrevistas en profundidad a cuarenta y cinco profesionales (treinta y cinco a médicos generales, de familia, psiquiatras y psicólogos y diez a informantes calificados) y dos grupos de discusión (uno con médicos generales, de familia y otro con psicólogas). Se efectuó análisis de contenido (programa Atlas.ti 6.1) desde cuatro ejes: ansiedad en la clínica, prescripción, relación tratamientos farmacológicos con no farmacológicos y valoración de benzodiazepinas. Se obtuvo un panorama diacrónico de la controversia en el ámbito académico uruguayo y se identificó una valoración condicional actual de estos fármacos realizada por los profesionales que supone: reconocimiento de sus atributos positivos y negativos, uso mesurado y actores vigilantes de sus comportamientos (médicos y pacientes). De esta forma, la controversia se plantea en términos individuales, lo que empaña la discusión de sus dimensiones políticas y colectivas.

Palabras clave: benzodiazepinas, controversia científica, servicios de salud, prescripción, psicofármacos.

 

 

MULHERES JOVENS E TECNOLOGIAS CONTRACEPTIVAS A PARTIR DE UMA PERSPECTIVA FEMINISTA

Bruna Klöppel - Mestranda PPGAS/UFRGS

O trabalho tem como objetivo analisar, a partir da perspectiva dos estudos feministas da ciência e da tecnologia, as relações entre mulheres de 18 a 30 anos e as diferentes tecnologias contraceptivas que utilizam. Como metodologia, foram realizadas observações em dois grupos de mulheres em redes sociais, além de entrevistas com algumas dessas mulheres, visando apreender as trajetórias de suas relações com os diversos tipos de tecnologia contraceptiva. Tendo em vista normas de gênero que responsabilizam quase exclusivamente as mulheres pela reprodução e levam à naturalização de intervenções médicas em seus corpos, tal trabalho revela algumas estratégias de conformação e resistência que essas relações implicam e possibilitam. Ademais, nos ajuda a entender como se dão essas articulações heterogêneas que borram fronteiras entre sexo e gênero - e natureza e cultura, dentre outras - e como as mulheres dessa geração manipulam tais categorias quando tratam das formas de contracepção.

Palavras-chave: Gênero. Tecnologia. Contracepção.

 

 

REPRESENTAÇÕES SOBRE A “PÍLULA MASCULINA”: UMA ANÁLISE DOS DISCURSOS EM TORNO DE  NOVAS TECNOLOGIAS CONTRACEPTIVAS PARA O HOMEM NA MÍDIA

 

Georgia Martins Carvalho Pereira; Rogerio Lopes Azize - IMS/UERJ

Nos últimos anos, reportagens na mídia e organizações envolvidas nestas pesquisas vêm anunciando o possível surgimento de novos contraceptivos para os homens, em sua maioria mencionando uma “pílula masculina”. São notícias divulgando diferentes projetos em várias partes do mundo (como Austrália, Indonésia, Estados Unidos e Brasil) e possíveis lançamentos para breve; mas, ainda que primeiros testes em homens tenham sido conduzidos no final dos anos 80 (Oudshoorn, 2003), tais tecnologias nunca se concretizaram em produtos disponíveis no mercado. Este trabalho busca analisar como a mídia em geral e organizações envolvidas no desenvolvimento dessas tecnologias estão divulgando os projetos científicos de “pílulas masculinas” e congêneres. Discute-se como este material representa a demanda para este produto, os riscos envolvidos em seu uso, o perfil dos possíveis usuários e as noções de masculinidade que atravessam tais discursos. Oudshoorn defende que na fase de testes com humanos já se prevê um perfil do usuário final. Valeria o mesmo para o material aqui analisado? A partir da perspectiva de que a viabilização de tecnologias não depende apenas de cientistas e técnicos (debatendo com autores como Fleck e Latour), analisaremos as representações da mídia e das organizações envolvidas no desenvolvimento desses contraceptivos.

Palavras-chave: pílula masculina; contracepção; masculinidade; mídia; ciencia.

 

 

OS IMPLANTES HORMONAIS SUBDÉRMICOS E OS MANDAMENTOS DA MULHER MODERNA

Ana Pimentel; Cláudia Bonan; Paula Gaudenzi - Instituto Fernandes Figueira – Fiocruz

 

Os implantes hormonais subdérmicos produzidos pela farmácia de manipulação Elmeco têm recebido diversas alcunhas, que podem ser encontradas em matérias publicadas em revistas recentes, relacionando-os a efeitos estéticos, os mais conhecidos são chip da belezae chip da força. Estes artefatos manipulados, na prática, são compostos por um tubo de silicone que é inserido na subderme da região das nádegas através de uma pequena incisão microcirúrgica. Em seu interior podem conter seis tipos de substâncias hormonais em diferentes composições, são elas, estradiol, testosterona, levonorgestrel, gestrinona, acetato de nomegestrol, elmetrin. O médico e pesquisador Elsimar Coutinho, dono da farmácia de manipulação, insiste que os efeitos estéticos seriam efeitos colaterais e não objetivos diretos dos produtos, cujas principais indicações seriam contracepção, tratamento da endometriose e reposição hormonal.Este trabalho apresenta resultados de uma investigação inicial a respeito deste objeto biomédico a partir de uma teórico-metodológica que se fundamenta na existência social dos objetos, assim, compreendendo-o como produtor – e não apenas objeto inerte e passivo -.percorre-se sua trajetória e sua agência na constituição de novas interações e redes sociotécnicas.  Aqui aborda-se, especificamente, o tipo de usuária para os quais este implante é projetado e, ao mesmo tempo, projeta. Uma mulher moderna, que porta uma “nova vida” com “mais liberdade, bem-estar e conforto”, que “não é obrigada a menstruar”

Palavras chaves: tecnologia; objetos biomédicos; biomedicalização; (bio)sociabilidade.

 

 

 

 

 

SUBSTÂNCIAS QUE AGEM: UMA ANÁLISE DOS DISCURSOS SOBRE OS HORMÔNIOS E O MOVIMENTO PELA HUMANIZAÇÃO DO PARTO

 

Sara Sousa Mendonça. Doutoranda do Programa de Pós Graduação em Antropologia (PPGA) da Universidade Federal Fluminense

Este artigo analisa a representação dos hormônios no discurso biomédico incorporado no cotidiano, em relação ao dualismo cartesiano e a forma de representação deles no discurso das ativistas pelo parto humanizado. Com o advento da endocrinologia se construiu a percepção de que os hormônios influenciam o comportamento, as formas de sentir e estar no mundo: o discurso sobre eles dá estatuto orgânico para emoções, produz novos modos de subjetivação e identidades. Essas transformações não abolem o dualismo cartesiano, mas o modificam e mesmo atuam no sentido de reforçá-lo. É atribuído um maior peso ao corpo: ele deixa de ser apenas um enganador da razão para ser concebido enquanto agente. Porém, a relação com este corpo não muda, o fato de ser capaz de agir e fazer agir só o torna mais perigoso, demandando que o indivíduo racional assuma o cuidado de si e mantenha seu corpo sob controle, agora no nível dos índices hormonais. Nos discursos do movimento pela humanização do parto a forma de lidar com os hormônios encontra representação distinta. Este grupo questiona a separação entre corpo e mente, presentes no pensamento e na medicina ocidental. Dando ênfase ao corpo como instância de saber, apontam a ocitocina como o “hormônio do amor” e que seria um erro não permitir que este atue de sua forma mais natural. A ocitocina é representada enquanto contagiante, capaz de deixar todas as mulheres (e apenas as mulheres) presentes em um parto “ocitocinadas”, reforçando assim a noção de sagrado feminino, cara ao grupo.

Palavras-chave: Hormônios; Movimento pela humanização do parto; Ciência; Corpo; Medicalização.

 

 

VENIR ACÁ ES UN JOLGORIO”. VIDA COTIDIANA EN UN CONTEXTO DE INVESTIGACIÓN CLÍNICA FARMACOLÓGICA

María Isabel Zuleta. Instituto Universitario del Hospital Italiano. Escuela de Medicina Comisión Asesora. Consejo Nacional de Bioética y Derechos Humanos. Secretaría de Derechos Humanos. Ministerio de Justicia y Derechos Humanos de la Nación; mizuleta@yahoo.com           

En este trabajo examinamos algunas cuestiones que se plantean en el ámbito de la investigación clínica farmacológica vinculadas con el tipo de relaciones y sentidos que se producen y reproducen en el marco de un ensayo clínico. Se indaga en las experiencias de personas participantes en investigaciones clínicas farmacológicas, en los modos en que se tramita la incorporación a un estudio experimental y se transita la cotidianidad de ser “sujeto de investigación”.  A estos efectos se analizó un ensayo clínico farmacológico de búsqueda de dosis para una droga orientada al tratamiento de la osteoporosis, entidad nosológica de aparición relativamente reciente en la historia de la medicina. En ese contexto se estudiaron las instancias de incorporación de mujeres postmenopaúsicas al estudio, el proceso de consentimiento informado y la vida cotidiana en el marco de esa investigación. Se exploraron también entre las participantes las representaciones de salud-enfermedad-tratamiento, de cuidado y de investigación científica  y los modos de protección y ejercicio de derechos y de sociabilidad que se desplegaron en el marco del ensayo clínico.

 

 

SESSÃO 2: BIOMEDICINA, SABERES E INTERVENÇÕES

Coordenadora: Alejandra Roca. Comentarista: Fabíola Rohden

 

 

IMAGEM E SCORES: NEGOCIAÇÕES ACERCA DA QUALIDADE, USO E DESTINO DE EMBRIÕES PRODUZIDOS EM UMA CLÍNICA DE REPRODUÇÃO ASSISTIDA EM PORTO ALEGRE

Débora Allebrandt - PPGAS (UFAL)

Embriologistas utilizam diversas técnicas para determinar ou potencialmente calcular a qualidade dos embriões produzidos em laboratório graças a técnicas de reprodução assistida como a FIV (fertilização in vitro) ou a ICSI (Injeção intracitoplasmática de espermatozoide). Desse cálculo é estimada a probabilidade desse embrião vir a se implantar e se desenvolver no útero. A clínica de reprodução assistida  aonde desenvolvi minha pesquisa utiliza uma técnica chamada "graduate embryo score". Através dela os embriões  recebem"notas" que somam o valor máximo "100" em três momentos do seu desenvolvimento. Esse score é inserido abaixo de uma imagem do embrião e é utilizado pelos médicos e clientes para escolha de quais  e quantos embriões serão implantados nesse ciclo de tratamento. Esse material também embasa decisões acerca do destino dos embriões suplementares. Diante de tal prática, nos propomos a explorar nessa proposta quais são os impactos  do uso do duo "imagem/score" para negociação do tratamento para os profissionais da saúde que atuam nessa clínica e também para os clientes que com a ajuda dessas informações tomam decisões cruciais de seu tratamento. Essa discussão não pode ser isolada do contexto científico e político que regulamenta desde 2005 a possibilidade da doação de gametas para pesquisa e a instituição, em 2008, do Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio). Desse modo, para além de abordar quais as implicações dessa técnica no plano da experiência pessoal de clientes e clínica na gestão e produção de conhecimento sobre embriões, exploraremos, inspirada por trabalhos como os de Bharadwaj,Dumit e Roberts, as interseccionalidades na produção e gestão de uma política de ciência, responsabilidade e ética do uso e destino de embriões.

Palavras-chave : Reprodução Assistida, embriões, imagem, scores, ética.

 

 

 

DISPUTAS EN TORNO A LA DESPATOLOGIZACIÓN: SUJETOS -COLECTIVOS TRANS Y EXPERTOS HACIA UN PROCESO DE CO-PRODUCCIÓN DE CONOCIMIENTO

María Alejandra Dellacasa - Instituto de Ciencias Antropológicas (FFyL) Universidad de Buenos Aires

 

A partir de este trabajo proponemos reflexionar acerca las revisiones recientes de dos manuales de referencia a nivel mundial: el DSM (Diagnostic of Statistical Manual of Mental Disorders) que publicó su quinta y última versión en 2013 y el CIE (Clasificación Internacional de Enfermedades), cuya onceava y última versión se encuentra en proceso de publicación. Sostenemos, que en lo que respecta a la construcción de categorías diagnósticas para personas trans, dichos sucesos ponen de manifiesto una ruptura en torno a las lógicas tradicionales de producción de conocimiento. Personas trans y colectivos militantes se han hecho presentes en la escena política apelando al ejercicio de compartir la producción de categorías diagnósticas, cuestionando el punto de vista de los expertos y reclamando voz propia, para negociar nomenclaturas e intervenir en la toma de decisiones sin la tutela de la ciencia. En este sentido, puede plantearse un proceso de apertura respecto de quiénes son las voces ‘autorizadas’; reconfigurando las posiciones de experticia (Epstein, 1996) y tensionando la clásica dicotomía experto/lego. A partir de un proceso de negociación de los espacios de enunciación, los sujetos-colectivos emponderados luchan por la construcción de una identidad política activa no patologizante. De este modo, las lógicas de producción de categorías y la ‘cajanegrización’ que las instituyen quedan develadas, dando lugar a su cuestionamiento y habilitando otros modelos posibles de atención de la salud a la vez que, un acceso a las tecnologías más democrático.

Palabras clave: antropología de la ciencia - (co) producción de conocimiento – categorizaciones diagnósticas – personas trans.

 

 

INTERSEXUALIDADE, SAÚDE E SEXUALIDADE: UMA ANÁLISE DOS RESULTADOS CIRÚRGICOS REPORTADOS EM PERIÓDICOS MÉDICOS

 

Anacely Guimarães Costa - Doutoranda no Instituto de Medicina Social, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IMS/UERJ)

 

A intersexualidade vem sendo reconhecida pela medicina como forma de nomear um conjunto de variações “patológicas” dos corpos sexuados em relação  ao padrão dicotômico estabelecido para homens e mulheres.A assistência em saúde para pessoas intersexbaseia-se em duas suposições básicas que, por serem naturalizadas, não são questionadas: o binarismo sexo/gênero e a heterossexualidade. A resposta médico-cirúrgica, geralmente empregada nesses casos, pretende fixar anatomicamente o padrão masculino ou feminino hegemônico para que não haja “equívocos” na atribuição de sexo/gênero.  Além de discutir como determinadas concepções de gênero e sexualidade orientam o tratamento médico e, articuladas a definições de saúde e normalidade, justificam procedimentos “corretivos”, a proposta deste trabalho é analisar os critérios (biológicos, técnicos e sociais) e as modalidades de avaliação utilizadas para determinar o sucesso cirúrgico desses procedimentos.Utilizo como material empírico a observação realizada em um congresso médico dedicado ao tema da cirurgia uropediátrica e informações coletadas em artigos médicos brasileiros (2000-2012) que avaliam os resultados anatômicos e funcionais de longo prazo das cirurgias feitas em crianças e adolescentes intersexuais. Nota-se que, no cenário brasileiro, os estudos longitudinais são escassos, trazem indicadores inconsistentes, imprecisos e  as expectativas médicas a respeito da normalidade e aparência dos genitais incidem de maneira diferencial na resposta cirúrgica oferecida. Há, ainda, uma lacuna referente ao impacto das cirurgias na vida sexual dessas pessoas, apesar de reconhecida tal possibilidade. Tendo por base o material analisado, a promessa de normalidade via intervenção cirúrgica parece não se concretizar, dado o considerável número de complicações e reoperações reportado.

Palavras-chave: intersexualidade, cirurgias genitais, biomedicina.

 

 

CONCEPÇÕES DE NORMALIDADE, TECNOLOGIAS DE APRIMORAMENTO E MATERIALIZAÇÃO DA DIFERENÇA: UMA REFLEXÃO A PARTIR DE ARTIGOS MÉDICOS REFERENTES A CIRURGIAS ESTÉTICAS ÍNTIMAS

Marcelle Schimitt - Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PPGAS/UFRGS)

 

Tendo em vista a intrincada relação entre modelos corporais, tecnologias e aprimoramentos estéticos abarcada no escopo de estudos feministas e estudos sociais das ciências, este trabalho abordará discursos médicos a respeito das cirurgias estéticas íntimas em mulheres cisgênero. A fim de melhor compreender os padrões acionados por esses procedimentos, foi realizada uma busca com o intuito de mapear artigos científicos da área da saúde que versassem especificamente sobre o assunto. A partir da análise dessas publicações voltadas particularmente para o interior da área médica, foi possível apreender discursos e enunciados próprios daqueles que têm lugar privilegiado na materialização de padrões estéticos referentes às genitálias femininas. As proposições médicas foram acionadas a fim de auxiliar no levantamento de categorias relacionadas ao que é compreendido como normal, belo e adequado à anatomia desta parte do corpo. A partir da análise dos artigos é possível observar que são empregadas distinções fortemente marcadas entre corpos masculinos e femininos, de modo que a comparação entre estes auxilia na demarcação do que seria mais ou menos aceitável. Dessa maneira, as classificações e definições apresentadas pelos autores acerca de hipertrofias genitais femininas - maior causa de procedimentos estéticos íntimos - evidenciam discursos que notoriamente estão baseados em concepções hétero e cisnormativas a respeito do que seria normal e adequado à estética genital feminina. Por fim, com base no material analisado, é desenvolvida uma reflexão acerca de como tecnologias cirúrgicas estão imbricadas à conformação e reiteração de modelos corporais específicos.

Palavras-chave:  modelos corporais; tecnologias de aprimoramento; cirurgias estéticas íntimas; artigos médicos.

 

 

ENTRE MÉDICOS, PSICÓLOGOS E PRATICANTES: ATORES SOCIAIS, CIRCULAÇÃO DE CATEGORIAS E  DISPUTAS DE SENTIDOS EM TORNO DO SADOMASOQUISMO ERÓTICO NO BRASIL (1980-2000)

 

Sarah Rossetti Machado - Mestranda em Antropologia Social, Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Estadual de Campinas

 

Esta proposta é fruto das reflexões realizadas em minha pesquisa de mestrado, atualmente em curso, sobre uma rede de praticantes de BDSM (bondage, dominação, submissão, sadismo e masoquismo)/sadomasoquismo erótico e sua produção textual. Estes praticantes, ao produzirem contos, livros, blogs e sites de internet, colocam-se publicamente como tal e disputam sentidos relacionados ao estigma e à patologização de suas condutas sexuais. Os livros analisados foram produzidos no Brasil entre os anos 1980 e os anos 2000 por Wilma Azevedo, Glauco Mattoso e Edgeh, sendo os três nomes pseudônimos. Ao criarem uma rede de leitores, entre adeptos, leigos e cientistas, os autores acabaram por difundir os termos e sentidos que disputaram, fortalecendo em torno de si uma comunidade política e uma rede de simpatizantes. Sendo assim, essa proposta tem como foco analisar a circulação de categorias entre os discursos dos autores e os discursos médico-científicos, além de mapear as redes presentes nos livros e identificar os atores sociais neles citados, como ativistas e cientistas/profissionais que atuam na interface entre sexualidade e saúde. Busco compreender de que maneira a produção de conhecimento científico se articula com a produção de conhecimento dos praticantes e com os discursos de legitimação do BDSM no Brasil. Também pretendo discutir como essa produção textual pode ser entendida como uma forma específica de legitimação de condutas eróticas confrontando, através de diferentes estratégias, o estigma relacionado à associação entre sadomasoquismo e perversão sexual.

Palavras-chave: sexualidade; direitos sexuais; sadomasoquismo; sexologia; ciência.

 

 

Sessão 3: Tecnociências nas práticas: laboratórios e políticas

Coordenadora: Fabíola Rohden. Comentarista: Paula Sandrine Machado/ Programa de Pós graduação em Antropologia Social da UFRGS.

 

 

A ECONOMIA MORAL DOS BANCOS DE DADOS DE PERFIS GENÉTICOS NO BRASIL

Vitor Simonis Richter - Doutorando em antropologia social, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

A primeira década do século XXI testemunhou o crescimento das promessas de maior resolução de crimes e redução de taxas de violência que a biotecnologia de banco de dados de DNA carrega. Ela constitui o mais recente passo na afirmação da genética como “linguagem da verdade” na justiça criminal. Poucas pesquisas sobre os efeitos dessa tecnologia na redução e solução de crimes foram realizadas e sua eficácia continua sendo objeto de controvérsia. No entanto, isso parece pouco afetar a credibilidade da tecnologia. No ano de 2012 o Brasil aprovou a lei 12.654 criando o Banco Nacional de Perfis Genéticos e o entusiasmo com suas promessas não foi menor. Os bancos de dados encontram sua justificação moral na conjunção entre autoridade epistêmica da ciência genética, agilidade administrativa para a polícia e avaliação das vidas e direitos daquelas pessoas consideradas “população alvo”. Nesta comunicação interrogo quais são os efeitos iniciais da associação entre a economia da credibilidade técnico-científica e a economia moral dos bancos de DNA forense brasileiro. A partir de entrevistas com peritos criminais e juristas e etnografia de congressos de criminalística, busco entender como a associação entre ciência e segurança no Brasil engendra aquilo que Paul Rabinow denomina “problemas antropológicos”, silenciando outros. Ao abrir um debate sobre “direitos”, as inovações técnico-legais que acompanham a estabilização dessa tecnologia têm performado cidadanias diferenciadas em torno das quais questões sobre consentimento no uso de informações genéticas não são problematizadas da mesma forma que em contextos médico e científicos.

Palavras-chave: Bancos de DNA; informações genéticas; consentimento; cidadania; economia moral.

 

 

EM QUE MEDIDA AS NEUROCIÊNCIAS PODEM SER CONSTRUÍDAS A PARTIR DE RATOS?

Paula S. Bolzan Jardim - Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social/Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil

Proponho neste texto explorar a pesquisa básica como um dos vetores de produção das neurociências a partir de uma etnografia de laboratório realizada junto a uma universidade do sul do Brasil. Esta etnografia está em andamento e é parte da pesquisa de doutorado que ainda está em andamento. Para realizar este objetivo me apoio na descrição do campo das neurociências feita por Nikolas Rose como ponto de partida para esta investigação, segundo a qual os conhecimentos neurocientíficos são criados a partir de uma multiplicidade de perspectivas metodológicas. Neste caso em especial, o método utilizado pelo Laboratório de Pesquisas Comportamentais (LPC) que investigo é o farmacológico. Para dar conta da metodologia escolhida, os pesquisadores realizam suas investigações com o uso ratos como modelo animal nos quais investigam os cérebros. Autores como Rose, Richard Buillet e Donna Haraway dão destaque a parceria entre animais humanos e não humanos no campo das pesquisas científicas e do quanto o que se têm produzido de conhecimento pode ser atribuído a essas parcerias compulsórias. Partindo dessas premissas procuro entender através das práticas laboratoriais, como os pesquisadores do LPC propõe construir neurociências com este modelo de investigação. Metodologicamente parto das etnografias de laboratório em especial dos trabalhos de Latour para descrever as redes sócio-técnicas que se constituem para levar a cabo o intento dos pesquisadores de produzir neurociências. Como ratos, cérebros, metodologias e humanos podem se converter em neurociências?

Palavras-chave: ratos; humanos; pesquisa básica; neurociências; etnografias de laboratório.

 

 

 

“E COMO VAMOS MEDIR?” O PROCESSO DE PURIFICAÇÃO DE FATOS CIENTÍFICOS HÍBRIDOS EM UM LABORATÓRIO DE PESQUISA DA EDUCAÇÃO FÍSICA

Raquel da Silveira (Doutoranda do Programa de Pós-graduação em Ciências do Movimento Humano - Universidade Federal do Rio Grande do Sul)

Marco Paulo Stigger (Docente da Escola de Educação Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul)

Neste trabalho temos como objetivo analisar alguns desafios presentes nos fazeres científicos da Educação Física Brasileira, que a partir dos anos 2000 tiveram um intenso crescimento. Baseados no conceito de ontologias proposto por Annemarie Mol, realizamos um estudo etnográfico em um laboratório de pesquisa de biomecânica para compreender uma das maneiras que a prática científica é performada. Pode-se acompanhar o processo de produção dos fatos, que para serem adjetivados de científicos, compartilham de uma concepção de ciência que envolve o gosto pelas áreas exatas, a formação de pesquisadores baseada no auxilio em pesquisas, o prestígio de conhecimentos de outras áreas, a necessidade de acordos com empresas e financiamentos públicos e a demanda de aparatos tecnológicos. As pesquisas realizadas neste laboratório estão relacionados com a mensuração de forças presentes no corpo humano durante algum movimento. Os pesquisadores associam elementos heterogêneos que resultam em fatos híbridos que mesclam humanos, não-humano, tecnologias, políticas e interesses. Contudo, no momento de suas publicações, sejam em artigos, teses ou dissertações, esse fatos se apresentam enquanto representantes de uma concepção de Natureza inquestionável, inacessível e inabalada. Assim, parece haver um paradoxo em que os fatos produzidos ao mesmo tempo que são híbridos, são traduzidos a partir de processos de purificação, para uma relação de independência e superioridade a qualquer ação advinda da cultura. Portanto, na realidade científica vivenciada, e ao mesmo tempo criada, pelo laboratório investigado é fundamental que o processo de purificação dos fatos científicos estejam presentes e sejam efetuados ao longo de suas performances científicas.

Palavras chave: Ontologias; Ciências; Educação Física, Biomecânica.

 

 

REDES DE ATORES E CONTROVÉRSIAS: A REGULAMENTAÇÃO DAS COLEÇÕES DE MATERIAL  BIOLÓGICO HUMANO NO BRASIL

 

Rosanita Ferreira e Baptista. Universidade Federal da Bahia, Secretaria de Saúde do Estado da Bahia

 

O objetivo deste trabalho é tecer os fios de questões teórico-metodológicas relevantes para a teoria ator-rede. O viés empírico foi a construção da regulamentação das coleções de material biológico humano, em biobancos, no Brasil, no período de 2009-2010, sob condução do Ministério da Saúde (MS) e da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa com Seres Humanos (CONEP). Biobancos designam práticas de colocar em forma e dispor em coleções, para usos em pesquisas, partes do corpo humano: tecidos, sangue, células, órgãos, DNA, RNA e, de modo associado, informações clínicas, genealógicas, comportamentais e ambientais. Consideradas essenciais ao desenvolvimento de pesquisas no campo da genética, genômica e da biologia molecular − apresentadas por suas incríveis possibilidades biotecnológicas − as coleções próprias aos biobancos, ao mesmo tempo em que geram expectativas, também levantam incertezas sobre as suas repercussões e mobilizam diversos atores, que não são apenas científicos e técnicos, mas também políticos, legais e éticos. A imbricação destas esferas torna problemática as perspectivas que se fundamentam em dualidades, como natureza x sociedade, sujeito x objeto, fato x valor. O estudo do evento de construção da regulamentação dos biobancos no Brasil possibilitou apreender a tessitura híbrida de atores e argumentos que conformam as práticas científicas e tecnológicas, bem como o enredamento de diversas arenas, na produção tanto de artefatos técnico-científicos, como de normas e padrões. São desenvolvimentos que fazem alargar os coletivos e trazem a questão de tornar aceitáveis as suas associações heterogêneas.

Palavras-Chaves:Biobancos, Redes de atores, Controvérsias, Ciência, Regulamentação.

 

 

EL CINE QUE NOS INTERPELA: LA CIENCIA  Y LOS CIENTÍFICOS, LA NATURALEZA Y LA TECNOLOGÍA, LOS LÍMITES DEL CONOCIMIENTO Y EL PROGRESO

 Maia Krajcirik (IIDyPCA- CONICET UBA)

Pablo Soriano (UBA-MAECYT)

En el pasado los científicos eran llamados “alquimistas”, “magos”;  desarrollaban ideas inentendibles por el mundo social que los rodeaba. Hoy en día, la labor  de los científicos es conocida y aceptada socialmente en tanto profesión. Incluso protagonizan películas:  como el “Dr. HENRY WUU”  capaz de crear en su laboratorio nuevas especies de dinosaurios (JURASSIC WORD), o  el científico villano ”GRU” quien crea un ejército de simpáticos “MINIONS”.  MOstrando al mundo que ser científico puede ser también una tarea “emocionante”. El objetivo de esta ponencia es reflexionar sobre los relatos, y las imágenes, que construyen las películas "Jurassic world" (2015), "Terminator Genisys" (2015) y "Minions" (2015) en torno a la Ciencia, los Científicos y la Tecnología. Trabajando a partir de  los ejes: naturaleza-cultura, conocimiento-progreso y tecnología-híbridos. En el corpus de películas seleccionadas las acciones principales transcurren dentro de laboratorios y son protagonizadas por científicos o gestores de tecnología.  El relato ficcional es también un espacio en donde emergen debates interesantes con profundas raíces éticas, morales, filosóficas y epistémicas; al igual que emergen interrogantes sobre los posibles alcances futuros de la CYT.  Observar y reflexionar estas ficciones  producidas durante el 2015 nos invita a repensar el rol que el cine posee en tanto producción cultural masiva; e identificar  las formas en que los científicos, la ciencia y sus alcances, son comprendidos en un contexto social  más amplio.

Palabras Claves: ciencia - cientificos - tecnología - cine ficcional.

 

 

 

 

 

Sessão 4: Ciências do humano e formas de governo

Coordenadora: Fabíola Rohden. Comentarista: Alejandra Roca

 

 

EL ROL DE LOS MUSEOS Y SOCIEDADES CIENTÍFICAS EN LA INSTITUCIONALIZACIÓN DE LAS CIENCIAS DEL HOMBRE EN  REPRESENTACIÓN DEL “OTRO INDIGENA”.  CHILE (1880-1954)

 

Héctor Mora Nawrath

Departamento de Antropología, Universidad Católica de Temuco

Este trabajo analiza la constitución del campo científico de las denominadas ciencias del hombre o ciencias antropológicas entre 1880 y 1954 –fecha de fundación del Centro de Investigaciones Antropológicas de la Universidad de Chile. En dicho periodo prima a nivel nacional –lo que es común para América Latina- una concepción de ciencia integral y unificada de raigambre Europea, lo que genera un espacio amplio para el desenvolvimiento de intelectuales, quienes encarnan las prescripciones del modelo de ciencia de la época. En este sentido, la práctica científica involucró a sujetos de formaciones muy diversas –botánica, zoología, química, física, etc.- que de oficio y movidos por inquietudes individuales, se interesaron por el estudio de los vestigios materiales, físicos, y por la forma de vida y lenguaje de los otros exóticos que habitaron o habitaban el territorio nacional. Junto con reflexionar acerca de las condiciones socio-históricas, intelectuales y orgánicas tras la emergencia y desarrollo de este nuevo campo de estudio, el trabajo profundiza en la forma que dicho campo adquiere considerando las agencias, temáticas, aproximaciones y contextos en los cuales se desenvuelven los impulsores de disciplinas como la arqueología, antropología física, etnología, etnografía, lingüísticas y Folklore. La orientación de la investigación es de corte histórico, y tiene como base el análisis de las publicaciones que comunican formas de representación del otro generadas en el marco de los muesos y sociedades científicas, integrando fuentes documentales que permiten acceder a las dinámicas de la comunidad de especialistas en Chile. Ello se complementa con análisis estadísticos a través de los cuales se caracterizan las líneas de producción científica en función de áreas temáticas y contenidos.

Palabras claves: institucionalización; campo científico; arenas transfornterizas; ciencias del hombre.

 

 

LA ANTROPOLOGÍA DE FINES DEL SIGLO XX EN EL MUSEO DE CIENCIAS NATURALES DE LA PLATA (ARGENTINA). APORTES DESDE EL ANÁLISIS DE REDES SOCIALES

Julián Cueto

 Laura Teves

Laboratorio de Investigaciones en Etnografía Aplicada (LINEA-UNLP). Cátedra de Orientaciones en la Teoría Antropológica (FCNyM-UNLP)

El desarrollo de la Antropología en la Universidad Nacional de La Plataes único en América Latina por enmarcarse en una Facultad de Ciencias Naturales. Esta situaciónsentó las bases de una tradición disciplinar que se diferencia de otras que surgieron en diferente puntos del país. En este contexto institucional, el Museo de Ciencias Naturales de La Plata se constituyó como uno de los puntos más importantes en la producción antropológica de la Argentina del siglo XX. Nos proponemos abordar el desarrollo disciplinar de la Antropología de la Facultad de Ciencias Naturales y Museo (UNLP) a partir de los artículos publicados en la Nueva Serie de la Revista del Museo. Para abordar un estudio de la producción escrita de la Antropología platense en el marco de la historia de la Antropología Argentina, es importante describirsu escenario disciplinar y teórico; para ello tomaremos las publicaciones del período correspondiente a la década de 1980 y sus antecedentes. El objetivo es conocer, por una parte, los vínculos existentes entre los investigadores y las fuentes bibliografías citadas por ellos. Por otra parte, se identifican las citas entre investigadores que publican en la propia Revista del Museo. Metodológicamente, se procede a mapear la red de citas bibliográficas de los artículosproducidos en la década antes mencionada, se describen sus características y se realiza un análisis estructural (ARS). Se espera que esto permita conocer la conformación de diversas líneas de trabajo en antropología a partir de la influencia entre los autores de la época.

Palabras Clave: Producción Antropológica; Museo de La Plata; Redes Bibliográficas; Análisis de Redes Sociales.

 

 

INVESTIGADORES Y POBLACIONES. UN COMPLEJO DE INTERESES EN EL CAMPO DE LA SALUD EN LA PERIFERIA DE LOS CENTROS DE PRODUCCIÓN DE CONOCIMIENTO CIENTÍFICO DE ARGENTINA

 

Evangelina Anahi Bidegain - Lic. Antropología Social. Universidad Nacional de Misiones. Mag. Ciencia, Tecnología y Sociedad. Universidad Nacional de Quilmes. Argentina

Hacia el año 2008 las primeras jornadas de investigadores de hospitales públicos realizadas en una ciudad capital de provincia del interior de la Argentina mostraba la existencia de investigación en los servicios hospitalarios y centros de atención primaria. En el año 2010 realizamos un relevamiento de investigaciones del campo de la salud en esta provincia y en el 2011 participamos del primero realizado en toda Argentina. Con financiamiento público emanado de organismos de promoción de ciencia, programas de salud pública y agencias de desarrollo  investigadores con una doble adscripción institucional, como docentes investigadores universitarios y, al mismo tiempo, funcionarios y profesionales de ministerios de salud provinciales, realizaban investigaciones con poblaciones. Estas incursiones científicas, que adquirieron la modalidad de campañas en algunos casos, no logran problematizar las implicancias de la relación con los sujetos en estudio, pese al uso de consentimientos informados validados por comités de bioética en la extracción de material biológico y encuestas estandarizadas. La alteridad entre las concepciones de enfermedad y salud, los alcances de las investigaciones, la relación entre profesionales sanitarios actuando de investigadores y sujetos de atención, son otros aspectos que nos interesa problematizar. A partir de experiencias empíricas observadas y relatadas por unos y otros a lo largo de cinco años trabajando en el sector público de investigación, trataremos de reflexionar sobre si es posible pasar de la ciencia en la aldea, a una ciencia con la aldea.

Investigación- bioética- poblaciones- sector público- salud.

 

 

O AFETO CATALISADOR: MEDICALIZAÇÃO, BIOPOLÍTICA E RESISTÊNCIA EM UM HOSPITAL PSIQUIÁTRICO CARIOCA

 

Felipe Sales Magaldi  Doutorando em Antropologia Social, Museu Nacional, UFRJ

A medicalização tem sido descrita nas ciências sociais tanto como um processo de emergência de “doenças” anteriormente desconsideradas enquanto problemas médicos, quanto como um fenômeno biopolítico constitutivo das estratégias de controle social da modernidade. Este trabalho busca debater essa problemática a partir do estudo de um saber delineado no campo da saúde mental brasileira em torno da figura de Nise da Silveira. Trata-se de uma psiquiatra conhecida a partir da década de 1940 por sua luta contra a aplicação massiva e violenta de determinadas intervenções médicas (eletrochoque, lobotomia, insulinoterapia, e mais tarde, psicofármacos) e por sua defesa da eficácia terapêutica da expressão artística e das relações interpessoais (o “afeto catalisador”). A partir de uma etnografia desenvolvida na instituição que atualmente abriga o seu legado, o Instituto Municipal de Assistência à Saúde Nise da Silveira, localizado no bairro do Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro, pretende-se expôr os fundamentos da crítica desse saber ao que o próprio caracteriza como constitutivo de um "modelo organicista" basilar na medicina, como os confinamentos hospitalares, as hiperdosagens de psicotrópicos e as concepções mecanicistas de corpo, pessoa, saúde e doença. Considera-se que o eixo desse saber, sustentado por psiquiatras, psicanalistas, pacientes, artistas, agentes de saúde e militantes, inclui uma resistência à biopolítica contemporânea, e que tal resistência se dá não em relação às inovações tecnocientíficas da medicina em si, mas sim a propósito de seus procedimentos de aplicação, da exclusividade de suas intervenções, e, sobretudo, da gravidade de suas consequências políticas e ontológicas.

Palavras-chave: Medicalização; Biopolítica; Loucura; Psiquiatria; Psicofarmacologia.

 

 

UN ABORDAJE ETNOGRÁFICO DE LA PRODUCCIÓN DE CONOCIMIENTO CIENTÍFICO EN TORNO AL ALERTA METEOROLÓGICO

Matías Menalled (FFyL-UBA)

Santiago Moya (IDAES-UNSAM)

Esta ponencia busca poner en diálogo dos procesos de investigación en curso que vienen siendo desarrollados en el marco de la tesis de licenciatura de cada uno de los expositores. Nuestro problema de investigación se ubica en el marco del proyecto interdisciplinario ALERT.AR. Formulado como plan estratégico nacional, esta política pública tiene por objeto “co-producir conocimiento” para contribuir a la creación de un sistema nacional de alerta temprana que permita mejorar el ciclo de respuesta entre las instituciones que componen la red de toma de decisiones ante eventos severos, a los fines de intervenir con programas gubernamentales orientados a la gestión del riesgo en desastres naturales –en particular lluvias intensas e inundaciones–  en Argentina. Nuestra investigación tiene como propósito reconstruir, analizar y comprender, desde la perspectiva antropológica y con un abordaje etnográfico multisituado (Marcus, 2001), el conjunto de factores (simbólicos, cognitivos, institucionales, tecnológicos, histórico-biográficos) implicados en las redes socio-técnicas de producción de conocimiento experto sobre el clima , en vinculación con las nuevas modalidades y dispositivos de articulación disciplinaria que buscan integrar el conocimiento producido por las ciencias de la “sociedad/cultura” al conocimiento de las ciencias de la “naturaleza”. En este marco, nos proponemos reflexionar, por un lado, en torno a estos dispositivos y al estatus del conocimiento científico en equipos y redes caracterizados por tres aspectos centrales: la pluridisciplinariedad, la transectorialidad y la multilocalización (Fossa Riglos y Hernández, 2015). Y por otro, dar cuenta de la multiplicidad de saberes -legos y expertos- que intervienen en el proceso de producción, circulación y uso de la información meteorológica: desde el registro del dato en las estaciones meteorológicas, pasando por su sistematización y procesamiento, hasta la recepción-interpretación por parte de los diversos “tomadores de decisión” que intervienen en los territorios y poblaciones afectadas por inundaciones.