RESUMEN GRUPO DE TRBAJO 100

GT 100.   PERSPECTIVAS ANTROPOLÓGICAS NO ESPORTE E NO LAZER: CORPOS, GÊNEROS E SOCIABILIDADES

 

Coordenação:

Prof. Lía Ferrero (CED-UNSAM, UNLP, Argentina). 

Dr. Wagner Xavier de Camargo (UFSCar/São Carlos, Brasil)

Prof. Dr. Leonardo Turchi Pacheco (UNIFAL-MG/ Alfenas-MG, Brasil)

 

 

FÚTBOL FEMENINO EN URUGUAY

 

Tiago Figueiredo; slf.tiago@gmail.com

 

La entrada de mujeres en espacios considerados masculinos es una conquista. Un partido de fútbol en Uruguay, y quizás en la mayoría de los países, es un espacio de sociabilidad de varones,  jugar con la pelota es una de las claves de la construcción de un tipo de masculinidad. Por ejemplo, unos de los primeros juguetes que tiene un niño es una pelota de fútbol. Ya, una niña recibe una cocina o una muñeca para jugar de madre.  ¿Y cuándo esa lógica se invierte? ¿Cuándo una niña adentra en ese espacio de construcción de lo masculino? Para tanto,  acompañé los partidos del campeonato femenino sub 16 y de mayores en Uruguay, y su elaboración junto a la Asociación Uruguaya de Futbol (AUF). Tal entidad en los últimos años ha pensado en inúmeras estrategias para cambiar el entendimiento que el futbol es un juego apenas para chicos. Uno de los mayores desafíos de la presidenta de la AUF es lograr que las chicas sigan jugando al futbol después de los trece años que es la edad que pueden ser confederadas. Según ella, el número de niñas en el baby fútbol (sub-12) es infinitamente más grande comparado con las que siguen para la  categoría siguiente. Este trabajo tiene por objetivo central problematizar las distintas perspectivas  alrededor del proceso de institucionalización del fútbol Femenino en Uruguay."

Palabras-claves : Género, fútbol, institucionalización, AUF, Uruguay.

 

 

O FEITIÇO DO JOGO: UMA ANÁLISE ETNOGRÁFICA DOS JOGOS DE CARTAS E DAMAS ENTRE HOMENS NO PARQUE HALFELD DE JUIZ DE FORA

William Assis da Silva. Mestrando em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Juiz de Fora, UFJF, Minas Gerais, Brasil; williamassispj@gmail.com

 

Este artigo busca refletir sobre os aspectos simbólicos e práticas sociais envolvidos no jogo, investigados a partir de um espaço de sociabilidade entre homens que reúnem-se diariamente para jogar cartas e damas.

A pesquisa empírica é realizada no Parque Halfeld, localizado no centro de Juiz de Fora – Minas Gerais, cidade com aproximadamente 550 mil habitantes. O Parque Halfeld é um local bastante arborizado, contém bancos espalhados por todo o espaço, sendo considerado um ponto de encontro e um dos principais locais de lazer da cidade.  O local é frequentemente ocupado por feiras de artesanato e culinária, shows, manifestações políticas e etc. Há em uma das partes do Parque mesas de concreto com tabuleiros de damas embutidos que são utilizadas por frequentadores para os jogos de damas e, preponderantemente, cartas.

O método utilizado é principalmente qualitativo, baseado em uma etnografia desenvolvida no local através de observação, participação, descrição e compreensão das práticas sociais, não se limitando à mera descrição da forma pela qual os fenômenos se apresentam, mas atentando-se para como são produzidos. Além disso, são realizadas entrevistas semi-estruturadas com os jogadores e outros frequentadores do Parque.

O artigo tem como intuito analisar questões referentes ao significado do jogo entendido como forma lúdica de integração social que possibilita essa sociabilidade, a construção e reconstrução da masculinidade presentes nos discursos e práticas dos frequentadores e a apropriação e sentimento de pertencimento local em relação a esse espaço público urbano. A pesquisa faz parte do meu projeto de mestrado e encontra-se em andamento.

Palavras-chave: jogo; sociabilidade; lazer; espaço público; construção da masculinidade.

 

 

CORPORALIDADES NO ENSINO DO BALÉ CLÁSSICO EM ACADEMIAS DE DANÇA

Fernanda Ferreira de Abreu. Doutoranda em Antropologia Social - Museu Nacional/UFRJ – Brasil; feabreu82@hotmail.com

 

Esta proposta se insere no âmbito de minha pesquisa de doutorado sobre carreiras no ensino do balé clássico. Especificamente neste trabalho, pretendo analisar, com base em pesquisa de campo realizada durante dois anos, por meio de entrevistas e observação participante em academias de dança de Niterói (RJ) – cujas alunas, em sua maioria, não têm como objetivo a profissionalização –, a construção da corporalidade de professoras de balé clássico, tendo em vista possíveis fatores de influência no desempenho em sala de aula, tais como faixa etária, “condições físicas”, além do fato de ainda fazerem ou não aula de dança. Para ser uma boa professora, é preciso ser (ou ter sido) uma boa aluna de balé ou bailarina? Que feminilidades estão em jogo em cada caso? De que maneira os corpos das professoras são mobilizados no processo de ensino? Como explicar a outra pessoa os movimentos que ela deve fazer? De que forma se ensina um passo que a própria professora talvez não consiga mais fazer? Essas são as questões que este trabalho se propõe a discutir, em diálogo com etnografias da dança e do esporte; e procurando privilegiar a corporalidade de quem transmite a técnica, o que normalmente fica em segundo plano.

Palavras-chave: balé clássico; corporalidades; ensino.

 

 

A VIGILÂNCIA DOS AFETOS E DOS DESEJOS: SEXO, GÊNERO E DESEJO NOS JOGOS OLÍMPICOS E PARALÍMPICOS

Wagner Xavier de Camargo. Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)

 

Via de regra, o esporte moderno se caracteriza pela otimização do treinamento com vistas à máxima performance atlética e, com vistas a ter resultados, as esferas olímpica e paraolímpica exercem uma vigilância cruel e um controle exacerbado sobre corpos, sexos e desejos. Com o propósito de discutir a matriz heteronormativa e seus ditames que vigora em regulamentos de jogos e competições, esta intervenção propõe-se discutir o apagamento de afetos e desejos e a eliminação de expressões corporais dissonantes, num ambiente homogeneizante e segregador de gêneros. Para tanto, tomarei como exemplos dois modelos esportivos autônomos que podem nos fazer refletir sobre as expressões mainstream do esporte: as competições esportivas de atletas “com deficiência” (Jogos Paraolímpicos) e torneios onde lésbicas, gays, bissexuais e pessoas trans (LGBT) competem entre si (Gay e OutGames). A partir disso, objetivo propor reconsiderações sobre corpos e práticas por meio do que denomino práticas esportivas dissonantes, e, o principal desafio científico é discutir em que medida tais práticas se caracterizam como negativas do estabelecido, disruptivas do normativo, e propositivas de novas dimensões agregadas ao sistema esportivo global. Ademais, abre-se a oportunidade de (re)discutir no esporte categorias como sexo/gênero, eficiência/deficiência, sexualidade/erotização, assujeitamento/subversão.

 

 

ENTRE  “TACKLES” E  “HANDOFFS”:  NARRATIVAS  SOBRE  CORPO  E  DOR  ENTRE  JOVENS UNIVERSITÁRIAS PRATICANTES DE RÚGBI

 

Leonardo Turchi Pacheco; leonardoturchi@gmail.com

 

Este trabalho éum desdobramento da pesquisa intitulada  “Pedagogias do rugby:  feminilidades e corporeidades em  jogo”que foi desenvolvida entre  os anos de 2012  e

2014 contou com recursos da chamada MCTI/CNPQ/SPM-PR/MDA Nº32/2012. Nesse  perí odo foram realizadas observações em  jogos e treinos  dos times de  rúgbi  feminino  nas cidades de  Alfenas, Uberaba, Uberlândia e Varginha, todas situadas  no Estado de  Minas Gerais, Brasil. Foram realizadas entrevistas com jovens mulheres praticantes que,  na  sua  maioria,  estudavam  nas  Universidades  desses  locais.  Também  foram  coletadas  informações  da  rede  social  Facebook  na  qual  as  equipes  possuíam  comunidades.  A  partir  dessas  observações,  entrevistas  e  dados  coletados  pretendemos,  no  presente  trabalho,  refletir  sobre  as  narrativas,  representações  e  significados  que  o  corpo  e  as  dores  adquirem  na  visão  dessas  jovens  mulheres  universitárias  praticantes  de  rúgbi.

Nesse sentido, procuramos apontar para a definição nativa de duas categorias –  tackle e  hand off  –  que se apresentam como  técnicas corporais importantes para o esporte,  mas  também  são  resignificadas  como  motivo  de  orgulho,  beleza  ou  humilhação  em  determinadas  circunstâncias  para  as  praticantes.  Ademais,  as  narrativas  sobre  o  corpo  ainda  indicam  para  uma  pluralidade  corporal  associada  ao  rúgbi  e  enfocam  a  modificação  corporal  como  necessidade  e  benefício  do  esporte.  A  dor  aparece  nos relatos de maneiras variadas. Discursos que as praticante  “raramente se machucam”  são frequentes, no entanto os relatos das experiências das jogadoras estão envoltos em casos de  machucados,  fraturas  e  lesões  que  aparentemente  são  motivos  de  orgulho.  Outros discursos  indicam  que  jogar  machucado  é uma  pratica  recorrente  e  denota comprometimento com  a equipe, o que  évalorizado.  As jogadoras classificam as dores

através  de  intensidade  e  motivo.  Portanto,  há o  “machucar  mesmo” (fraturas  e  lesões sérias) e as  “dorzinhas”(hematomas e arranhões) e ainda as dores dos exercícios e as dores  das  pancadas.  Por  fim  os  machucados,  lesões  e  fraturas  são  ligadas  a inexperiência  das  jogadoras,  geralmente  novatas, a  falta  de  exercício  e  fortalecimento corporal nas Academias, e a auto culpabilidade por não ter utilizado de forma correta da técnica eximindo assim o adversário de qualquer culpa.

Palavras-Chave: Rúgbi, Corpo, Dor, Mulheres.

 

 

AS ÁRBITRAS DE FUTEBOL E A INFLUÊNCIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA

 

Ineildes Calheiro dos Santos. Mestranda em Crítica Cultural da Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Licenciada e especialista em Educação Física. Integrante do Grupo de Pesquisa Enlace.  (UNEB). Bolsista financiada pela FAPESB; ildafrica@yahoo.com.br  

Suely Aldir Messeder. UNEB - Universidade do Estado da Bahia/Brasil

Dra. em Antropologia. Coordenadora do Doutorado Multi Institucional e Multidisciplinar em Difusão do Conhecimento (UNEB). Professora do Mestrado em Crítica Cultural (UNEB). Coordenadora do Grupo Enlace (UNEB); suelymesseder@gmail.com

 

O presente trabalho tem como objetivo compreender como as mulheres que se dedicam ao mundo da arbitragem futebolística encaram as influências da Educação Física, quer seja na modelagem dos corpos, quer seja na imposição de regras de papeis sexuais diferenciados hierarquicamente.  No mundo da arbitragem nos deparamos com dois períodos distintos em relação a absorção das mulheres como assistentes de arbitragem ou mesmo como arbitras: a) até o ano 2007 o teste realizado levava em conta a diferença física entre homens e mulheres; b) A partir do ano seguinte os testes passaram a ser realizados sem levar em consideração a diferença sexual entre os concorrentes. Com efeito, verificamos que no primeiro momento houve um ingresso significativo de mulheres, enquanto no segundo assistimos paulatinamente o decréscimo da absorção destas mulheres no campo da arbitragem. Acreditamos que ao cotejarmos os depoimentos destas mulheres com as duas etapas temporais nos embreamos na constatação de que não se pode requerer uma igualdade de gênero/sexo, sem vislumbrarmos como as mulheres vivenciam e modelam seu corpo, sob o julgo da disciplina da Educação Física, cujo conteúdo curricular é fortemente (ainda) influenciado  pelo higienismo,  e, sobretudo pelo  pavor da virilidade feminina.  

Palavras-chave: Árbitras de futebol; Educação Física; Higienismo; Praticas corporais; divisão sexual.

 

 

FUTEBOL FEMININO, DA PERIFERIA AO CENTRO : GÊNERO, CIRCULAÇÕES E SOCIABILIDADES NA CIDADE DE SÃO PAULO

 

Mariane da Silva Pisani. Doutoranda em Antropologia Social na Universidade de São Paulo; marianepisani@gmail.com

 

O presente paper, parte da pesquisa de doutorado em Antropologia Social, traz à discussão os processos de circulação e sociabilidade entre mulheres jogadoras de futebol da cidade de São Paulo. Ao acompanhar os trajetos e apropriações de diferentes espaços urbanos por estas mulheres atletas em São Paulo, é possível perceber como a cidade se torna ela mesma agente de afetos e interações na construção de seus modos de vidas. As fronteiras entre centro e periferia, capital e interior transbordam e são borradas a partir da prática do futebol feminino, vivido como esporte, profissão e modo de habitar. Para estas constantes reconfigurações de paisagens e atores urbanos, é preciso considerar as diferentes ativações de categorias como gênero, raça e sexualidade, que adquirem diferentes feições nos múltiplos contextos e práticas das jogadoras por estes trajetos e cenários, mobilizando nessa análise problemáticas concernentes à Antropologia Urbana e os Estudos de Gênero.

Dessa forma, a cidade de São Paulo, pode ser repensada a partir da sociabilidade construída através da prática do futebol feminino. Para além das análises teóricas, a prática do futebol feminino de fato permite o acesso e a circulação dessas mulheres na cidade e no estado de São Paulo de maneira mais fluída, intensa e vívida.          

 

 

TÉCNICAS CORPORALES, PLACER Y EMOCIÓN EN TORNO A LA PRÁCTICA DEL GOLF

Rodolfo Iuliano. Lic. en Sociología (UNLP) – Mg. en Ciencias Sociales (UNLP)  – Doctorando en Antropología Social (IDAES-UNSAM) FaHCE-IdHICs-CIMeCs-UNLP

 

La presente ponencia surge de una investigación doctoral orientada al estudio etnográfico de la práctica del golf, a partir de un trabajo de campo desarrollado en clubes de golf argentinos.

Problematizando las perspectivas que reducen la práctica del golf a una simple excusa para la producción de sociabilidades, sostengo que para entender los entramados sociables que toman forma en torno a la práctica del golf, es necesario tomar en cuenta, reconstruir y analizar las características materiales y las técnicas específicas del deporte, que habilitan determinadas formas de relacionamiento, sin que eso sea lo único que habilitan.

Por este camino, intento elaborar aquí un conjunto de materiales que surgen de mi participación como observador y aprendiz en la escuela de un club golf argentino, prestando especial atención a las técnicas corporales, las metáforas y las mitologías ligadas a este deporte que se ponen en juego durante el proceso de enseñanza, en diferentes escenas y situaciones de campo.

Finalmente, procuro situar un conjunto de interrogantes sobre el modo en que las características específicas del deporte, sus técnicas y el modo en que son transmitidas, intervienen en la configuración de categorías singulares de placer y emoción.

Palabras clave: Golf – Técnicas Corporales – Placer – Emoción – Enseñanza.

 

 

 

 

 

AS MULHERES NA VÁRZEA E AS MULHERES DA VÁRZEA: RETRATOS ETNOGRÁFICOS DE UM CIRCUITO DE LAZER FUTEBOLÍSTICO DA CIDADE DE PORTO ALEGRE, RIO GRANDE DO SUL, BRASIL

 

MAURO MYSKIW. Doutor em Ciências do Movimento Humano (UFRGS), Professor Adjunto da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS; mmyskiw@hotmail.com

 

O futebol praticado em espaços de aprendizagem ou de lazer tem sido descrito como um lugar de (re)produção de masculinidade. Nesse sentido é que, em estudos etnográficos, Simoni Guedes trata da construção do corpo masculino em espaços geridos por homens e para homens, que Arlei Damo mostra o privilégio da homossocialidade masculina, que Eliene Faria destaca as marcas da masculinidade, e que Eduardo Leal retrata a construção da honra masculina. Isso não significa a ausência do feminino nos espaços de prática, pois em relação a ele que se reforça o masculino, situação muito frequente nas jocosidades e nos esforços de depreciação e de desestabilização dos oponentes. Observei muitas dessas situações em um estudo etnográfico multilocalizado, empreendido entre 2009 e 2011, num circuito de lazer futebolístico da cidade de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil, denominado de ‘municipal da várzea’. Dentre as observações e registros realizados nos diários de campo, a participação de mulheres (aquelas pessoas que, naquele universo, melhor representavam o feminino) ocupou destaque nas anotações e nas interrogações. Um desses questionamentos se deu em torno da recorrência das controvérsias entre dois modos de viver o futebol pelas mulheres: 1) ir para os campos para participar do futebol (as mulheres da várzea); ou 2) ir para ver os homens jogarem futebol (as mulheres na várzea). Essas controvérsias presentes em inúmeros comportamentos de ‘beira de campo’ deixavam rastros sobre os lugares do feminino num universo masculino, questão que procuro analisar a partir da descrição de retratos etnográficos.

Palavras-chave: mulheres; futebol; lazer; masculinidade.

 

 

ENTRE O SONHO E AS POSSIBILIDADES: ASPECTOS  INICIAIS DA CIRCULAÇÃO DE FUTEBOLISTAS BRASILEIRAS NO EXTERIOR

 

Caroline Soares de Almeida (PPGAS/UFSC)

 

Proibido  por  décadas  no  Brasil,  o  futebol  praticado  por  mulheres  tem  seus  primeiros casos de transferências na década de 1980  no país. Mas,  ao contrário do  que acontece com  os  homens,  grande  parte  dessa  movimentação  não  é  acompanhada  por representações esportivas oficiais.  As contratações e acordos são feitos a partir de  redes informais  existentes  entre as jogadoras que  atuam dentro e as que atuam fora do país.  A variedade de  campeonatos/destinos, dentro do processo de globalização do  esporte, tem acarretado na aceleração desses  deslocamentos que podem  fazer com que, no  espaço de um ano, a futebolista possa atuar em pelo menos duas equipes/países diferentes.  Essas mulheres mantêm múltiplas relações que envolvem dependência de regulamentações  as quais  abrangem  diferentes  países.  Dessa  forma,  são  caracterizadas  como “transmigrantes” nos diferentes lugares que estão dentro do sentido que Homi Bhabhairá  chamar  in-between,  do  sujeito  híbrido,  possuem  percepções  múltiplas  sobre  casa, sobre cultura, podendo ser pensadas também dentro de uma dimensão de viagem.  Este trabalho  tem por objetivo traçar  um panorama  inicial  da  movimentação  de jogadoras de futebol,  tendo  em  vista  os  fluxos  migratórios  que  levam  as  futebolistas  brasileiras  a diferentes  gramados  ao  redor  do  mundo.  Para  tanto,  trabalho  com  as  categorias  de“circulação”  de  futebolistas  através  da  perspectiva  abordada  por  Carmen  Rial  e  de “labour of love” por Agergaard e Botelho.

 

 

“É RUIM, MAS É BOM!”: DORES E SOFRIMENTOS EM ESPORTES DE AVENTURA

Cilene Lima de Oliveira. Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Federal Fluminense; cilenelima.uff@hotmail.com

Correlacionar sofrimento como parte constituinte da prática esportiva é relativamente comum, sobretudo quando falamos de esportes de alto rendimento. O consentimento da dor por quem se submete a ela é a negociação entre o atleta e os limites que ele quer superar, uma troca entre o esforço produzido e a marca que se quer alcançar. A intenção deste trabalho é investigar como atletas de esportes de aventura significam suas práticas e seus corpos por meio dessa questão. Quando conversei com meu primeiro interlocutor o tema se anunciou de forma latente: dor, sofrimento e limites corporais apresentavam-se como construções simbólicas importantes em torno da construção de corporalidade para aquele atleta. Contudo, decorrendo o tempo, pude perceber que a significação da dor e do sofrimento para os atletas de esportes de aventura poderia ser diferente em relação a outros esportes, portanto emprego aqui uma perspectiva comparativa. Em estudo sobre atletas de fisioculturismo, por exemplo, Cesar Sabino (2005) menciona o processo de construção do habitus corporal dos fisioculturistas através da dor (daí a máxima: “no pain, no gain”). Segundo Sabino, neste sistema simbólico, a dor é positivada, é parte constitutiva da identidade dos atletas. Entretanto, se nesse esporte um habitus corporal é construído através da dor, nos esportes aqui analisados este habitus parece ser construído apesar dela. A técnica desta investigação é a observação participante de um grupo de atletas de uma assessoria de esportes de aventura no Rio de Janeiro.

Palavras-chave: esportes de aventura, dor, limites corporais.

 

 

 

 

BELAS E FERAS: A REPRESENTAÇÃO DA BELEZA COMO PROTAGONISTA NO MUNDO DO BOXE E MMA

 

Pedro Pio Azevedo de Oliveira Filho. Mestre em Antropologia – PPGA/UFF; pedropio.filho@gmail.com

 

A proposta deste artigo é discutir como a representação da feminilidade no boxe e MMA está diretamente associada a noção de beleza, estando inclusive a frente do desempenho físico. No dia primeiro de agosto de 2015 foi celebrado o grande duelo entre duas lutadoras de peso do UFC no Rio de Janeiro: de um lado a americana Ronda Rousey, bela, loira, com participação em filmes hollywoodianos e do outro a adversária, Bethe Correia, natural da Paraíba e com o seu “nariz de berinjela” referido no programa humorístico Pânico da TV Bandeirantes. Nesta luta outros programas de televisão reforçavam a importância da estética não apenas na menção desses adjetivos, como também na cobertura de vaias na aparição de Bethe e na seleção de depoimentos de artistas, cuja maioria masculina afirmara abertamente que não estava para prestigiar a lutadora nacional, mas para ver a maravilhosa Ronda. Tais percepções fizeram o presente pesquisador a refletir e analisar como essa pré-noção está diretamente associada com a dissertação de mestrado Ringues de Gênero: Representações sobre a Feminilidade entre Praticantes de Boxe defendida pelo mesmo em 2011. O objeto praticantes é fruto da escassez de lutadoras amadoras e profissionais no território fluminense, pois a exigência pela beleza aparece como uma condição sine qua non para o sucesso neste esporte. Deste modo, pretendo, neste artigo, ressaltar como o mundo do boxe e MMA é estigmatizado e condicionado a valores machistas que subjugam a capacidade dessas atletas em detrimento da beleza, da dominação masculina e do capital.

Palavras-chave: UFC, luta, gênero, mídia, feminilidade.

 

 

FLOR DO CONCRETO: A PRÁTICA DO SKATE EM MANAUS: ESPORTE E/OU ESTILO DE VIDA?

Juliana de Nazaré Gomes Sarmento – Mestranda em Antropologia Social (UFAM) 

Márcia Regina Calderipe Farias Rufino- Profª Drª (UFAM - Universidade Federal do Amazonas

 

A pesquisa apresenta uma reflexão sobre a prática do skate na cidade Manaus, estabelecendo um diálogo com o campo de estudos da antropologia urbana e do esporte. O foco principal é pensar sobre a dicotomia colocada pelos próprios praticantes que consideram o skate como esporte e/ou estilo de vida, pensados através de uma abordagem etnográfica, apresentando as características da “cena” do skate em Manaus e a “sessão” como a prática emblemática dos skatistas na cidade, o pertencimento ao grupo, a sociabilidade construída e a uma forma urbana de viver. Buscou-se também dialogar com demais problemáticas existentes na prática que envolvem relações de gênero, corporalidade, noção de arte e performance. Existe atualmente, uma grande discussão entre os próprios skatistas, onde alguns negam a classificação e reconhecimento do skate como esporte que recebe tal definição devido a suas configurações para fins de competição, lazer e prática corporal. Afirmando, então que, “o skate é mais que isso”. Calcados numa concepção afetiva, afirmam-no como estilo de vida, como uma cultura compartilhada e reconhecida não só pelos seus pares, mas também por outros, que percebem a prática do skate como um modo de vida. Trazer para a discussão o que caracteriza o skate na cidade de Manaus e o que seus praticantes fazem, é pensar sobre a diversidade do mundo urbano e de que forma ela se atualiza no contexto do Estado do Amazonas.

 

 

 

 

DOPING COMO PROBLEMA ANTROPOLÓGICO: UMA REFLEXÃO ACERCA DAS INTERFACES ENTRE ESPORTE E TECNOLOGIA

 

Marcos Silbermann. Doutorando em Políticas Científicas e Tecnológicas – UNICAMP; meirsi@gmail.com

 

Este artigo aborda o doping como um autêntico problema antropológico (Rabinow, 2007; Ong, 2007), ou seja, como um objeto capaz de produzir uma perspectiva a partir da qual seja possível questionar sobre os limites do esporte de alta performance por meio de seu contrassenso. Colocando em suspensão o seu estatuto de instituição promotora de valores como moralidade (Vigarello, 1999), saúde (Bancel e Gayman, 2002) e igualdade (Ehremberg, 1992). Em outras palavras, esta proposta busca refletir a cerca destas práticas definidas como doping, que procuram potencializar o corpo para além do que compreendemos ser o seu desempenho natural. Tensionando o que entendemos como o humano e os seus limites, continuamente, demarcados e atualizados pelo esporte de alto rendimento. Nessa direção, o esporte é apresentado a partir de seus aspectos sociotécnicos, a sua relação múltipla com a produção do conhecimento científico e tecnológico, aspestos estes que tornam explícitas as formas como são constituídas estas relações na atualidade. No entanto, as práticas de dopagem e as susbtâncias dopantes não são o objeto analisado por este artigo, nem são foco de especulação moral, mas o doping é abordado a partir de suas implicaçoes, na constituição de regulamentações e na criação e desenvolvimento de dispositivos de controle e métodos de detecção empreendidos em, simultaneamente, definir e coibir as práticas de dopagem entre esportistas. Em sua capacidade de atualizar os limites do natural e do artificial, do saudável e do insalubre e do moral do imoral do esporte.

Palavras-chave: doping, antidoping, performance esportiva, rede sociotécnica, tecnologia.

 

 

LA BICICLETA EN LA CIUDAD. NUEVOS SENTIDOS PARA VIEJAS PRÁCTICAS

María Rosa Corral. Integrante del Departamento de Educación Física y Salud del Instituto Superior de Educación Física de la UdelaR. Estudiantes de la Maestría en Antropología de la Cuenca del Plata de la FHCE-UdelaR; mcorral18@hotmail.com

Karen Kühlsen Beca. Integrante del Departamento de Educación, Tiempo Libre y Ocio del Instituto Superior de Educación Física de la UdelaR. Estudiantes de la Maestría en Antropología de la Cuenca del Plata de la FHCE-UdelaR; karenkuhlsen@hotmail.com

 

La invención de la bicicleta se presenta desde orígenes múltiples y en diversas culturas y tiempos aunque su  popularización se da a lo largo del siglo XIX fundamentalmente desde Inglaterra y Francia. En Uruguay existen referencias que dan cuenta de que prácticas corporales como el ciclismo podría ser anterior al football como lo expresó el naturista prof. Antonio Valeta en 1918 (Valeta, A. 1918) Testimonio de esto, es el primer documental filmado en Uruguay por F Oliver en 1898  “Una carrera de ciclismo en el Velódromo de Arroyo Seco”. Este deporte tuvo en nuestro país gran prestigio, contando con grandes deportistas a lo largo de su historia. Ocupa en el imaginario colectivo un lugar de destaque que puede visualizarse en nuestro cancionero y  dichos populares como “el año empieza con la llegada del último ciclista” haciendo referencia a la competencia que desde 1939 y a iniciativa del Club Atlético Policial se realiza en Uruguay: La vuelta ciclista del Uruguay.

Este trabajo es una primera aproximación al uso y significados que los usuarios de la bicicleta otorgan actualmente a esta práctica en Montevideo. Pretendemos identificar y describir las diferentes prácticas corporales desarrolladas con bicicleta en la costa de la ciudad de Montevideo, posibilitando una aproximación al fenómeno, así como identificar los sentidos asociados a la pertenencia a grupos organizados en torno al uso de la bicicleta en el espacio público de la ciudad.

Palabras Clave: Bicicleta - práctica corporal – espacio público.

 

 

PERSPECTIVAS ANTROPOLÓGICAS SOBRE SOCIABILIDADE, MASCULINIDADE E ENVELHECIMENTO EM UM CLUBE DE JOGO DE MALHA, NA CIDADE DO RIO DE JANEIRO, BRASIL

 

Ingrid Ferreira Fonseca. Professora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro, Brasil e Doutoranda do Programa de Pós-graduação em Antropologia da Universidade Federal Fluminense (PPGA-UFF); ingrid.fonseca@ifrj.edu.br

 

As atividades esportivas são uma das diversas formas de fruição dos espaços da cidade. No que diz respeito aos idosos, os estudos sobre suas práticas ainda são menos numerosas do que em relação às realizadas com crianças, adolescentes, jovens e adultos. Neste sentido, este texto apresenta alguns dos dados construídos na minha tese de doutorado e algumas de suas conclusões. Baseia-se na seguinte questão central: como se constrói e se organiza a sociabilidade, principalmente entre homens acima dos 60 anos, não marcada por parentesco, em torno do gosto por um jogo chamado “jogo de malha”, que acontece em uma praça pública, no bairro de Madureira, Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro, Brasil? A pesquisa foi realizada no Esporte Clube de Malha Patriarca do Madureira cuja sede está situada na Praça do Patriarca, no convencionado subúrbio carioca. Este estudo apoia-se em um método etnográfico, utilizando-se de uma perspectiva de perto e de dentro cuja ênfase traz a tona aspectos sobre a produção de comportamentos e de determinados estilos de vida que nele ocorrem. Também foram realizadas entrevistas semiestruturadas para ajudar na construção dos dados. Participaram da pesquisa doze homens idosos praticantes do jogo de malha; dois ex-jogadores; três frequentadores da pista e sete outras pessoas da vizinhança ou do comércio local que tinham interlocução com os frequentadores da pista. Refleti acerca das questões, fazendo correlações com as teorias que abarcam as discussões sobre a construção social da masculinidade e dos processos de construção da velhice.

Palavras- chaves: Sociabilidade. Jogo. Esporte. Masculinidade. Envelhecimento.

 

 

TERRITORIO, SOCIABILIDAD Y FÚTBOL RURAL. APUNTES ETNOGRÁFICOS DEL TORNEO DE RÍO BLANCO, LA ARAUCANÍA, CHILE

Nelson Soto Santibáñez. Antropólogo. Dr © en Antropología del Programa de Doctorado en Antropología del Convenio Universidad Católica del Norte y Universidad de Tarapacá. Instituto de Investigaciones Arqueológicas y Antropológicas, Universidad Católica del Norte. San Pedro de Atacama. Chile; paleorock@yahoo.com

 

El Torneo de Río Blanco, es un torneo de fútbol rural que se realiza todos los meses de febrero desde hace unos cuarenta años en el sector de Río Blanco, sector cordillerano ubicado entre los límites físico-administrativos de las comunas de Cunco  y Pucón, al sur de Chile. Es organizado por los pobladores del asentamiento de Río Blanco mediante las acciones organizadas del Club Deportivo y la Junta de Vecinos del sector. El torneo dura dos días, en los que existe comida, fiesta, fútbol y re-encuentros familiares y vecinales. Como es costumbre de los campos del sur de Chile, el Torneo entrega animales (ovinos y vacunos) como premios a los clubes ganadores que obtienen los tres primeros lugares. En él participan clubes de fútbol de sectores rurales aledaños de la cordillera y las zonas lacustres pre-cordilleranas. Este Torneo, se constituye en el único evento anual y masivo de Río Blanco, por lo que además de jugar al fútbol, el Torneo es parte de las estrategias territoriales que los pobladores del sector implementan ya sea para mantener los vínculos con otros territorios rurales; para recibir a los parientes que han migrado hacia otras ciudades del país o del sur de Argentina y con ello mantener y actualizar los vínculos familiares; o bien para generar recursos económicos de manera individual y colectiva. A partir de mis aproximaciones etnográficas de este evento, el trabajo describe y analiza algunos mecanismos de sociabilidad y construcción del territorio a partir de un torneo de fútbol rural.

Palabras Clave: Fútbol Rural, Torneo, Sociabilidad, Territorio, Etnografía.

 

 

SOU GALOUCURA: TRAJETOS E PERCURSOS DOS MEMBROS DE UMA TORCIDA ORGANIZADA EM DIAS DE CLÁSSICOS DE FUTEBOL

 

Flávia Cristina Soares. Doutoranda em Sociologia pela Universidade Federal de Minas Gerais; flavia.c.soarez@gmail.com

 

Este estudo possui como principal objetivo descrever os trajetos e os percursos dos membros da Torcida Organizada Galoucura em dias dos clássicos de futebol em Belo Horizonte. A Torcida Organizada Galoucura representa o Atlético Mineiro, um clube de futebol do estado de Minas Gerais. Esta torcida é dividida em subgrupos espalhados pelas mais diversas regiões da capital mineira com a finalidade de aproximar dos jovens torcedores do clube. No período entre fevereiro/2014 à Julho/2015, os dados foram obtidos através de entrevistas em profundidade com os integrantes da organizada e observação participante nas reuniões, nas festas e nos encontros promovidos por um subgrupo da Galoucura, conhecido como pit bulls, ou seja, membros que estão dispostos a defenderem os simbolismos da torcida através de lutas corporais. Com as informações coletadas, foi possível compreender a dinâmica interna do grupo, os seus rituais, assim como, a cooperação e os conflitos estabelecidos pelos membros da Torcida Organizada Galoucura, principalmente pelos pit bulls.

Palavras-chave: Trajetos, percursos, Galoucura, futebol.